Álbum de Dahmer extrai humor da tristeza e da solidão
O copo servido pelo quadrinista André Dahmer é amargo. Tem gosto de solidão e tristeza.
Os dois sabores são recorrentes em sua nova coletânea, "A Cabeça É a Ilha" (Desiderata, 152 págs., R$ 34,90). Mas, contraditoriamente, ele extrai humor da fossa humana.
Tal qual uma bebida, as 238 tiras cômicas têm de ser apreciadas sem pressa. Do contrário, pode-se embriagar com o conteúdo politicamente incorreto. Ou ser convidado a pensar.
A reflexão surge após a piada. Percebe-se, em maior ou menor grau, que o riso surgiu das mazelas dos outros, como preveem autores com Henri Bergson (1859-1941).
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Pelo cardápio lido até aqui, o freguês já nota que se trata de um humor peculiar. Não é para todos. Mas tem agradado a muitos, vide o número de acessos do site de Dahmer.
A página "Malvados", criada em 2001, tem recebido mais de 1,5 milhão de visitas por mês. O boca a boca virtual já levou o autor aos jornais, caso do "Jornal do Brasil".
Desde dezembro passado, o jornal carioca deixou de publicar a série. Todas as séries, aliás. Contenção de gastos, disseram. E Dahmer continuou com o foco apenas no site.
No site e nas coletâneas. Esta é a terceira que ele lança pela Desiderata. Publicou também "O Livro Negro de André Dahmer", em 2007, e "Malvados", no ano passado.
As tiras com as plantinhas de "Malvados" migraram para o papel dois anos antes, numa coletânea publicada em 2005 pela editora Gênese.
As plantinhas não aparecem neste novo álbum, que reúne histórias dos dois últimos anos. Há situações totalmente novas e outras, vividas por personagens mais recorrentes.
É o caso das histórias de Ulisses, vítima de uma eterna fossa por conta do fim do relacionamento com Rebeca. Ou de Sara, a Sofrida, que sempre se dá mal com homens.
Ou ainda nas pílulas de Minidahmer, em que o autor descreve situações deprê supostamente vividas por ele.
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Fora das amarras temáticas de Malvados, o fluminense André Dahmer revela um processo criativo mais solto e eclético, diluído no tom melancólico nas tiras da coletânea.
Há também um quê autoral. Não necessariamente autobiográfico. Mas no sentido de uma autoria percebida por meio de um estilo, tanto no traço como na temática.
O desenhista diz na introdução da obra que o álbum ficou um livro estranho. "Não era o que eu pretendia, não era para ser assim. Mas já foi, Já é."
Estranho talvez. Afinal, é difícil extrair riso de uma situação depressiva. Mas há humor, bom humor, em meio à estranheza.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h38
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Quadrinhos são tema de feira do livro de Porto Alegre
Uma feira de livros vai ter as histórias em quadrinhos como tema central. O evento ocorre neste sábado em Porto Alegre (RS) e conta com a participação de diversos autores.
A maior parte é gaúcha. Caso de Santiago, Rodrigo Rosa, Edgar Vasques e Cláudio Levitan. Eles fazem sessão de autógrafos às 11h da manhã, meia hora depois da abertura oficial.
Rosa participa também, às 14h, de um debate sobre adaptações em quadrinhos de obras literárias. Ele divide a mesa com o Bira Dantas.
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Dantas é o único autor de fora de Porto Alegre. Mora em Campinas, no interior paulista. É dele uma das versões em quadrinhos de "Dom Quixote", publicada pela Escala.
Rosa tem duas versões de romances prontas para serem lançadas: uma de "O Cortiço", pela Ática, e outra de "Os Sertões", pela Agir.
A Feira do Caminho do Livro terá também apresentações musicais. O evento será realizado na rua Riachuelo, no centro histórico da cidade.
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Serviço - Feira do Caminho do Livro. Quando: sábado (04.07). Horário: das 10h30 às 16h. Onde: rua Riachuelo, no centro histórico de Porto Alegre. Quanto: de graça.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h31
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02.07.09
Jornal associa situação de Sarney a quadrinhos de Carlos Zéfiro
Merece registro a capa da edição desta quinta-feira do jornal "Extra", do Rio de Janeiro.
A publicação usou dois desenhos inspirados nos quadrinhos de Carlos Zéfiro para explicar duas das acusações enfrentadas pelo presidente do Senado, José Sarney.
Os desenhos podem ser vistos na imagem acima, que reproduz a parte superior da capa.
Carlos Zéfiro era o nome que o funcionário público Alcides Caminha (1921-1992) usava para assinar os quadrinhos pornográficos que criou entre as décadas de 1950 e 70.
As revistas ficaram conhecidas como "catecismos" e foram muito populares na época. Foi uma das primeiras produções independentes de destaque no país.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h02
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Parque da Mônica pode ser fechado
A informação é de Mauricio de Sousa: o Parque da Mônica pode fechar as portas.
Segundo ele, o espaço foi pedido de volta pela administração do shopping Eldorado, em São Paulo, onde fica o parque infantil. O local emprega mais de 300 pessoas.
O desenhista e empresário circulou a notícia hoje no microblog Twitter. Ele diz que negocia o caso com os responsáveis pelo shopping.
"Naturalmente não ficaremos sem parque", disse, no Twitter. "Mas precisaremos de um tempo adequado para encontrarmos outro bom local. E para a construção."
Escrito por PAULO RAMOS às 18h15
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Mesa de quadrinhos da Flip atinge público não leitor de HQs
Há que se dar tempo ao tempo para perceber que recepção terá a mesa sobre quadrinhos realizada nesta quinta-feira de manhã na Flip, em Paraty, no sul, do Rio de Janeiro.
A Festa Internacional de Literatura de Paraty convidou Rafael Coutinho, Rafael Grampá e os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon para um bate-papo sobre o tema.
Mas já se percebe que um dos impactos da presença deles no evento seja um diálogo com pessoas que tradicionalmente não leem histórias em quadrinhos.
Um dos sinais disso foi percebido em parte das perguntas do debate, transmitido ao vivo pelo site da Flip e pelo portal G1. Havia um ar de novidade sobre o assunto.
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Por pouco mais de uma hora, tempo de duração da mesa, os quatro autores falaram sobre sua carreira e sobre como produzem as histórias.
Mas também responderam a questões sobre o mercado norte-americano, a ida dos álbuns autorais às livrarias e se enxergam os quadrinhos como literatura.
"Na verdade, isso não importa. Não deveria importar a forma, deveria importar o conteúdo", disse Fábio Moon, em resposta ao mediador, o escritor Joca Reiners Terran.
"Às vezes você se expressa por um livro, às vezes pelo cinema, às vezes por escultura, às vezes por quadrinhos. A gente escolhe os quadrinhos."
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Outro sinal claro de que o tema dialoga com outros públicos foi a reportagem exibida na hora do almoço no "Jornal Hoje", da TV Globo.
Segundo a matéria, os quadrinhos fazem sucesso entre os jovens da Flip. A reportagem deu enfoque também à produção norte-americana e à ida dos heróis ao cinema:
Só para registro: nem de longe lembra a reportagem exibida pelo mesmo telejornal, há dois meses, por conta da inadequação de "Dez na Área, Um na Banheira de Ninguém no Gol".
O álbum nacional foi criado para ser lido por adultos. Mas foi selecionado pelo governo de São Paulo para crianças de nove anos. O governo assumiu a falha.
O "Jornal Hoje" e o "SPTV 1ª Edição", telejornal exibido um pouco antes, mostraram na ocasião um tom de indignação aos quadrinhos e à escolha da obra.
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Sabe de outras reportagens ou resenhas sobre a mesa de quadrinhos da Flip?
Agradeceria se registrasse no espaço abaixo, destinado aos comentários.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h36
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Álbum descreve revolta realizada há 171 anos no Maranhão
Capa de "Balaiada - A Guerra do Maranhão", que tem lançamento nesta quinta-feira à noite em São Luís
O movimento da Balaiada, iniciado em 1938 na então Província do Maranhão, não tem muito espaço nos livros escolares de história. Um álbum tem a proposta de preencher a lacuna.
"Balaiada - A Guerra do Maranhão" foi produzido por três quadrinistas maranhenses. Eles lançam a obra nesta quinta-feira à noite na capital São Luís.
O roteiro é de Iramir Araújo, que é também historiador, formado na Universidade Federal do Maranhão. Segundo ele, a ideia vem sendo amadurecida nos últimos dez anos.
A fagulha inicial para a construção do álbum em quadrinhos surgiu quando acompanhou uma escavação na cidade de Caxias, onde ocorreu parte do movimento popular.
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"Daí comecei a pesquisar o tema e vi que a bibliografia era extremamente escassa", diz o roteirista, por e-mail.
"Mas aos poucos fui tomando conhecimento de trabalhos acadêmicos e teses de mestrado sobre a Balaiada e personagens envolvidos no movimento."
Das pesquisas, começou o processo de arrecadação de verbas para a produção da obra. Foram várias tentativas e vários nãos. Conseguiu ser ouvido pela Secretaria de Cultura do Estado.
"Um dos argumentos que expus para eles foi que um movimento dessa importância, que completa 170 anos não poderia passar em brancas nuvens", diz.
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A verba permitiu, enfim, a finalização do projeto, realizado em 2008. Os desenhos ficaram a cargo de Beto Nicácio e Ronilson Freire, que atua também no mercado norte-americano.
Coube a eles a tarefa de dar forma ao movimento popular. A Balaiada, como ficou conhecida, foi um levante contra as autoridades da Vila da Manga, da província maranhense.
O início do conflito foi a prisão do irmão de Raimundo Gomes Jutahy, considerada equivocada por ele. Jutahy reuniu um grupo de homens e libertou o irmão e outros presos.
Os revoltosos passaram a ser chamados de balaios. O protesto durou três anos, até ser contido pelas autoridades.
O lançamento do álbum é às 19h na Galeria de Arte do Sesc de São Luís. Fica na rua Gomes de Castro, 132, no centro. Custa R$ 25.
Nota: há outro lançamento nacional nesta quinta-feira à noite, também produzido com verba pública. Os mineiros da "Graffiti 76% Quadrinhos" lançam o número 19 da revista.
A festa de lançamento vai ser na Velvet Club, que fica na rua Sergipe, 1.493, em Belo Horizonte (MG). O ingresso custa R$ 15 e dá direito a um exemplar da publicação.
Escrito por PAULO RAMOS às 16h51
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Chargista de Honduras é solto após ficar 24 horas detido
O chargista hondurenho Allan McDonald foi solto na manhã de quarta-feira após permanecer 24 horas detido. Ele tinha sido preso pelo Exército do país há dois dias.
A informação foi confirmada por sites alternativos de Honduras. A mesma notícia ecoou na página virtual do jornal "USA Today", dos Estados Unidos.
Segundo o blog "Habla Honduras", ele já estaria em casa, em segurança.
A nota da página virtual informa também que McDonald credita sua libertação à pressão internacional, ao site "Rebelion", do qual é colaborador, e à Igreja Católica da Espanha.
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McDonald foi detido em casa, por um grupo do Exército, na madrugada de terça-feira. Foi levado a um centro militar com outras 15 pessoas. O destino delas é desconhecido.
O site "Rebelion" havia informado, inicialmente, que o governo havia pedido que ele procurasse exílio em outro país. Não se sabe se a libertação anula esse dado.
O chargista tinha feito desenhos contrários à proibição de um referendo, que definiria uma Assembleia Constituinte. Uma das mudanças previa um segundo mandato presidencial.
A Justiça determinou a não-realização da consulta. O Exército acatou. Mas não o então presidente Manoel Zelaya. Ele foi deposto no domingo pela manhã.
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O presidente da Câmara, Roberto Micheletti, assumiu no lugar dele. A ONU (Organização das Nações Unidas) condenou o golpe e exigiu a volta de Zelaya ao cargo.
Nessa quarta-feira, o Congresso hondurenho suspendeu os direitos civis por 72 horas. A medida suspende a liberdade de reunião e de livre circulação.
Externamente, aumenta a pressão pela volta de Zelaya ao cargo. A OEA (Organização dos Estados Americanos) concedeu as mesmas 72 horas para o retorno do presidente deposto.
Um grupo de desenhistas manifestou apoio a Allan McDonald na forma de charges. Os trabalhos foram veiculados no site "Rebelion". É de lá a charge abaixo:
Leia mais sobre a prisão de Allan McDonald na postagem do blog de 30 de junho.
Escrito por PAULO RAMOS às 01h47
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Gabriel Bá e Fábio Moon são indicados a mais um prêmio nos EUA
Desenhistas concorrem ao Harvey Awards pelo primeiro número da série de terror "Pixu", inédita no Brasil
O certo era que os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon seriam notícia nesta semana por conta da participação na Flip, Festa Literária de Paraty, nesta quinta-feira de manhã.
O que não se sabia é que seriam pauta de outra informação: a dupla foi indicada a mais um prêmio de quadrinhos dos Estados Unidos. Desta vez, o Harvey Awards.
Os dois desenhistas disputam na categoria melhor antologia pelo primeiro número de "Pixu". A história de terror, dividida em duas partes, foi publicada somente nos EUA.
A publicação foi feita em parceria com Vasilis Lolos e Becky Cloonan, autores com quem haviam trabalhado na revista independente "5", premiada em 2008 com um Eisner Awards.
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Gabriel Bá concorre em outras duas categorias: melhor desenhista e melhor série contínua ou minissérie. Ambas pelo trabalho feito na série "The Umbrella Academy".
O título é publicado pela editora Dark Horse e é escrito por Gerard Way, vocal da banda The Chemical Romance. A série rendeu a ambos outros prêmios em 2008.
Venceu como melhor minissérie no Eisner Awards e melhor nova série no Harvey, premiação que presta homenagem ao Harvey Kurtzman (1924-1993).
Bá foi escolhido melhor desenhista também no Scream Awards, prêmio dado pelo canal de TV Spike, voltado a filmes, seriados e quadrinhos de horror e ficção científica.
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Os vencedores do Harvey Awards serão divulgados em outubro. Antes disso, em julho, Bá descobre se faturou outra premiação, o Eisner, espécie de Oscar dos quadrinhos nos EUA.
Ele concorre em três categorias. Individualmente como melhor desenhista, por "The Umbrella Academy", e melhor autor de capas, que inclui o trabalho em outro título, "Casanova".
Uma edição de luxo do arco "The Umbrella Academy - Apocalypse Suite", também desenhada por Bá, foi indicada na categoria melhor reimpressão de álbum.
Bá e seu irmão, Fábio Moon, concorrem indiretamente em uma quarta categoria, a de melhor antologia, por "My Space Dark Horse Presents". Ambos têm histórias na obra.
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Longe das premiações norte-americanas, os dois irmãos aproveitam o ar histórico da cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, sede da Flip.
Eles participam às 10 da manhã de uma mesa-redonda sobre literatura e quadrinhos.
A dupla divide a discussão com os desenhistas Rafael Grampá e Rafael Coutinho. Grampá venceu com eles um Eisner em 2008 pela independente "5".
Um dos fatores que aproxima Bá e Moon da literatura foi o Prêmio Jabuti, recebido no ano passado pela adaptação do conto "O Alienista", de Machado de Assis (1839-1908).
Escrito por PAULO RAMOS às 00h36
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01.07.09
Exposições marcam edição 2009 do Salão de Humor do Piauí
Caricatura do técnico da seleção brasileira Dunga, feita por Dálcio Machado, integra uma das cinco mostras do evento
Uma tradição do Salão Internacional de Humor do Piauí, as mostras a céu aberto, será repetida na 26ª edição do evento, que tem início nesta quarta-feira em Teresina.
O salão deste ano conta com cinco exposições. Uma delas comemora os 50 anos de carreira de Zélio Alves Pinto, irmão de Ziraldo.
As outras são dos desenhistas Alcy, do grupo de Os 7 e do premiado Dálcio Machado, autor da caricatura que abre esta postagem.
Fecha a mostra a exposição "A História do Futebol Brasileiro Através da Chuteira", que reúne trabalhos do período de 1930 a 2002.
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Os desenhos serão expostos em diferentes pontos da cidade. Um deles é a Praça Pedro II, em Teresina. O salão vai até o próximo dia 7.
Outro destaque do evento de humor é a mostra seletiva. O tema foi o meio ambiente.
Segundo os organizadores, foram enviados cerca de 2 mil desenhos, vindos de 62 países.
A programação pode ser conferida no site do salão de humor. A página também traz uma exposição virtual das mostras deste ano. Para conferir, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h57
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30.06.09
Chargista de Honduras é detido e orientado a deixar país
O chargista hondurenho Allan McDonald foi detido pelo governo do país na madrugada desta terça-feira. As autoridades pediram que o desenhista deixe o país imediatamente.
As informações, por ora, restringem-se ao universo virtual. A confirmação da prisão foi dada pelo site "Rebelion", onde ele atua.
Segundo a página virtual, os detalhes foram passados pelo próprio desenhista. O site não informa como manteve contato com ele.
Pelo relato de McDonald, reproduzido por "Rebelion", ele foi detido em casa, por militares. Desenhos dele e seu computador teriam sido destruídos.
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Ainda de acordo com o relato, ele foi levado a um centro militar com jornalistas, artistas e líderes populares. O grupo integraria uma lista de 300 nomes feita pelo governo.
Lá, teriam sido orientados a procurar exílio no exterior. Segundo o "Rebelion", ele pode deixar nas próximas horas o país, que fica na América Central.
McDonald trabalha ainda no jornal "El Heraldo", também de Honduras. A última charge dele, sobre o processo migratório, circulou nesta terça-feira. É a que abre esta postagem.
O desenhista tem feito uma leitura crítica da situação política do país, que viveu um golpe no último domingo. E que motivou sua prisão.
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A deposição do presidente Manoel Zelaya foi o ápice de uma situação tensa, enfrentada no país nos últimos meses.
Zelaya propôs um plebiscito para uma Assembleia Constituinte, a ser iniciada em novembro. Um dos itens da reforma magna era a possibilidade de reeleição presidencial.
O Congresso do país e a Suprema Corte - indicada pelo Legislativo - se opuseram à consulta popular. O Exército se recusou a colaborar para não despeitar a lei.
O chefe do Exército foi demitido. A Suprema Corte determinou o retorno dele ao cargo. Zelaya se recusou. Ele foi deposto no domingo, por militares do país.
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No lugar dele, assumiu o presidente da Câmara, Roberto Micheletti. A ONU (Organização das Nações Unidas) condenou o golpe e exigiu a volta de Zelaya ao cargo.
O Brasil orientou o embaixador de Honduras a não retornar ao país. Cinquenta mil hondurenhos se reuniram hoje para pedir o retorno do presidente deposto.
Dias antes do golpe, McDonald já dava as tintas da situação negra por que passava o país.
Um das charges dele, publicada dia 26 em "El Heraldo", mostrava a urna do plebiscito, num canto, envolta por um cenário todo preto. O título era "chega de escuridão".
Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
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Brasileiros disputam mostra de humor sobre blues
Três desenhistas brasileiros tiveram trabalhos selecionados para o "Trasimeno Blues Cartoon Fest", mostra internacional de humor que tem o blues como tema.
Os cartuns de Junior Lopes, Ronaldo Cunha Dias e Luiz Carlos Fernandes estão entre os 30 selecionados pelo júri do evento italiano. O vencedor ganha prêmio de 250 euros.
Todos os desenhos selecionados vão integrar uma mostra paralela ao Trasimeno Blues Festival, que será realizado na Itália entre 23 de julho e 2 de agosto.
A definição do primeiro colocado será feita por votação na internet. Clique aqui para conhecer os 30 trabalhos escolhidos - e votar, se quiser.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h52
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29.06.09
Novo volume de Predadores prepara terreno para final da série
Capa do terceiro número da série francesa, que começou a ser vendido neste fim de mês
O terceiro volume da série francesa "Predadores" começou a ser vendido neste fim de mês em lojas especializadas em quadrinhos (Devir, 64 págs., R$ 29,90).
Este novo capítulo tem menos ação que os dois primeiros números, lançados no ano passado. Tem a função de servir de transição para a quarto e última parte da série.
Os irmãos Camila e Drago - os predadores do título e na capa - continuam a vingança contra uma antiga raça de vampiros que tomou conta de postos-chave da sociedade.
Em meio a isso, continuam a manter uma relação sensual e enigmática com a ex-tenente da polícia Vicky Lenore, a primeira a investigar os assassinatos da dupla predadora.
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A série foi publicada na França entre 1998 e 2003 em quatro tomos, nome dado na Europa a cada uma das partes de uma narrativa lançada em diferentes partes.
É escrita pelo belga Jean Dufaux e desenhada pelo suíço naturalizado italiano Enrico Marini. Boa parte do brilho dos dois números anteriores se deve ao trabalho deles.
Quem for se arriscar na série pode ter dificuldades para entender o enredo. Há necessidade de ter lido os dois álbuns anteriores, publicados pela Devir em julho e agosto de 2008.
A editora paulista programou a quarta e última parte para o segundo semestre.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h10
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Folha volta a publicar Hagar na edição de domingo
Boa notícia para quem gosta das tiras de "Hagar, o Horrível". A "Folha de S.Paulo" voltou a publicar a série, mas apenas aos domingos. A reproduzida acima é da edição de hoje.
O jornal tinha deixado de circular Hagar com a entrada das tiras de "Macanudo", do argentino Liniers. A série começou a ser publicada na última segunda-feira.
Com as mudanças, "Macanudo" para a circular de segunda a sexta. Hagar, aos domingos.
Outra alteração foi pôr um novo dia, sábado, às séries que circulavam apenas aos domingos. É o caso das tiras de Alan Sieber e dor irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.
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Para registro: duas semanais deste fim de semana trazem reportagens sobre quadrinhos. Mas, nos dois casos, são pautas antigas, já fartamente abordadas na internet.
A "Carta Capital" fez matéria sobre um dos álbuns de Will Eisner vistos com ressalva por educadores. A reportagem, no entanto, não inclui a proibição ocorrida no Rio Grande do Sul.
A "Veja" traz uma reportagem sobre desenhistas brasileiros que fazem sucesso nos Estados Unidos. O mote é Ed Benes, mas cita também Gabriel Bá e Fábio Moon.
Bá e Moon foram bastante premiados por lá em 2008. José Edilbenes - que assina Ed Benes - é um dos principais desenhistas da DC Comics, de Batman e Super-Homem.
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Post postagem (20.06, às 18h22): o leitor Carlos me alerta, com toda a razão, que a "Folha de S.Paulo" publicou uma tira de Hagar também no sábado.
É preciso, então, corrigir esta postagem. Onde se lê "edição de domingo", leia-se edição do fim de semana, incluindo também o sábado.
É nisso que dá postar correndo durante o intervalo de Brasil (3, de virada) e Estados Unidos.
Escrito por PAULO RAMOS às 16h40
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26.06.09
Pasquim completa 40 anos nesta sexta-feira
O primeiro número do jornal alternativo "O Pasquim" circulou pela primeira vez há exatos 40 anos, no dia 26 de junho de 1969.
A publicação teve um papel importante na resistência ao regime militar brasileiro (1964-1985) e serviu também como suporte para uma nova geração de quadrinistas.
Pensei inicialmente em uma resenha para lembrar a data. Os desenhos do falecido Henfil, um dos colaboradores mais criativos do jornal, me demoveram da ideia.
O traço dele é muito mais eloquente do que qualquer texto. No lugar de uma resenha, relembro a data com Henfil. Acho que a relevância do jornal está bem representada.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h33
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Aberta temporada de charges de Michael Jackson
É uma característica do brasileiro. Fazer piadas de uma figura conhecida logo após a morte dela. Nem Ayrton Senna escapou após morrer em uma corrida em Ímola, na Itália, em 1994.
A bola da vez é Michael Jackson, morto na quinta-feira, nos Estados Unidos, vítima de ataque cardíaco. O microblog Twitter já está cheio de piadinhas.
As charges seguem o mesmo caminho.
Duas delas, de Gió e J. Bosco, lidas no site "Charge Online":
Vem mais por aí. Deve ser um dos mais caricaturados nos próximos salões de humor.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h15
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Dois lançamentos nacionais em São Paulo
Registro rápido.
O álbum "A Poção do Tempo", de Caio Martins, e a revista independente "Picabu", de autores gáuchos, têm lançamento neste sábado à noite em São Paulo em locais diferentes.
A sessão de autógrafos da obra de Martins será a partir das 19h30 na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, no centro).
O lançamento paulista do quarto número da "Picabu" vai ser das 17h às 20h na Livraria Pop (rua Virgílio de Carvalho Pinto, 297, em Pinheiros).
O grupo já fez dois lançamentos, o primeiro em Buenos Aires e o segundo em Porto Alegre.
Escrito por PAULO RAMOS às 12h59
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25.06.09
Histórias de guerra se destacam em coletânea de Neal Adams
"O Universo DC Ilustrado por Neal Adams", já à venda, traz seis histórias de guerra feitas pelo desenhista norte-americano
Foi feliz a escolha do título do álbum "O Universo DC Ilustrado por Neal Adams", à venda em lojas de quadrinhos desde a virada da semana (Panini, 196 págs., R$ 28,90).
O acerto foi o ajuste do foco no que o álbum realmente tem de melhor. Ou seja, os desenhos do norte-americano Neal Adams em histórias criadas pela DC Comics.
Note que a expressão "histórias criadas" não é sinônimo de aventuras de super-heróis.
Elas aparecem na obra. Há material do Homem-Elástico, da Turma Titã e do Super-Homem, publicadas entre 1967 e 1972. Mas perdem o destaque para as tramas de guerra.
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As narrativas de guerra apresentam outro apelo. Não há o vilão da vez a ser derrotado. A história se centra no drama pessoal de algum soldado durante a Segunda Guerra.
Em geral, o enredo se ancora em como o conflito será superado. Segundo Adams relata no álbum foram escritas numa época de suavização da abordagem dada nos quadrinhos.
"Nada de sangue, nada de ferimentos, nada de explosões... mas foram algumas das melhores histórias de guerra já escritas." O álbum reúne seis delas, de 1967 a 1972.
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As tramas de guerra foram escritas por Howard Liss, Robert Kanigher, Hank Chapan e Bob Haney para as revistas "Our Army at War" e "Star Spangled War Stories".
É curioso que sejam elas as melhores de uma coletânea de histórias de Neal Adams. Isso porque a passagem dele pela DC Comics é mais lembrada por conta dos super-heróis.
Ele foi um dos principais desenhistas de Batman nos mais de 70 anos da editora. Trabalhou em revistas do herói entre o fim da década de 1970 e o início da seguinte.
É dele também a arte da parceria entre Lanterna e Arqueiro Verde. A série, escrita por Denny O´Neil, trazia para os quadrinhos temas delicados da atualidade, como as drogas.
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A Panini tem feito um resgate da passagem de Adams pela DC. Não tão longa assim, mas marcante e que influenciou mais de uma geração de autores.
A editora lançou em 2006, em dois volumes, as histórias de Lanterna e Arqueiro Verde. No ano passado, um álbum com as primeiras histórias de Batman desenhadas por ele.
Agora, estas 14 narrativas com outros personagens. É de esperar que outros álbuns sejam lançados pela editora. De Batman, pelo menos, há muito mais material.
Cada nova publicação tem sido um convite a (re)ver a arte realista e dinâmica de Adams. E para nos surpreendermos, como mostram as tramas de guerra deste lançamento.
Escrito por PAULO RAMOS às 22h36
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24.06.09
Saudosismo dá tom de álbum de Jornada nas Estrelas
Obra mostra o que teria ocorrido no inexistente quarto ano do seriado, cancelado em 1969
A abertura do seriado "Jornada nas Estrelas" prometia algo que não cumpria.
A narração introdutória dizia que se tratava das viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para pesquisar novos mundos, vidas e civilizações.
A tripulação foi audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve. Mas o telespectador acompanhou a missão até o terceiro ano. Foi quando a série foi cancelada, em 1969.
É essa a premissa do álbum "Star Trek - Ano Quatro", lançado nesta semana (Devir, 152 págs., R$ 39,95). O que teria ocorrido num eventual quarto ano do seriado?
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Os fatos inéditos foram imaginados nas seis histórias da obra, publicada nos Estados Unidos em forma de minissérie.
O conteúdo não supera o da série. Mas há um inegável tom saudosista, que o roteirista David Tischman soube captar com precisão. A começar pelos diálogos.
Tischman consegue recriar a bem-humorada interação que existia o Capitão Kirk, o senhor Spock e o doutor McCoy. O trio formava a espinhal dorsal da nave estelar Enterprise.
Estão lá também frases famosas. Como "ele está morto, Jim", dita à exaustão por McCoy.
***
O roteiro retoma também situações comuns da série. Ao serem teletransportados a um planeta, os protagonistas sempre dividiam a cena com um tripulantes desconhecido.
A função dele era morrer tão logo chegasse àquele mundo desconhecido.
Há isso logo na história de abertura. Pretexto para mais um "ele está morto, Jim".
Outro enredo comum era usar temas comuns ao final da década de 1960, época em que a série foi exibida, e moldá-los à realidade das viagens da Enterprise.
***
Esse mecanismo é usado em mais de uma das histórias do álbum, só que ajustado a temas este início de século. Inclusive na mais interessante, intitulada "Reality Show".
Como o nome já sugere, o trio vai parar num planeta pautado pela concorrência entre emissoras de televisão. A chegada de Kirk e companhia atiça a guerra pela audiência.
Não demora para serem usados em programas aos moldes de "Big Brother Brasil" e do recente "A Fazenda". É um enredo simples. Mas o brilho dele está nas referências.
A participação deles no show é uma forma de brincar com o cancelamento da própria série. "Minha tripulação não pode ficar presa a um programa de TV de cinco anos", diz Kirk.
***
O tom das histórias é de saudosismo. Os desenhos ajudam no déjà-vu. Reproduzem as feições exatas do elenco, ora mais fielmente, ora menos.
Mas não espere muito mais do que isso. É uma obra feito para agradar aos fãs da série. Se você não entendeu as referências desta resenha, não tenha dúvida, não é para você.
A Devir já havia lançado um primeiro álbum de Jornada nas Estrelas em novembro passado. Outros dois estão programados, como o blog havia noticiado em agosto de 2008.
O próximo vai ser "Star Trek - Jornada nas Estrelas, A Nova Geração: Interlúdios". O foco será nos personagens do segundo seriado da franquia, retomada neste ano no cinema.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h21
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23.06.09
Carta aberta às autoridades brasileiras de educação
Temos visto com muita ressalva atitudes recentes de retirada de obras em quadrinhos do norte-americano Will Eisner de bibliotecas de escolas. Entendemos tratar-se de um exemplo de desconhecimento sobre o conteúdo do material.
Levar tal material à escola corrige um equívoco histórico no Brasil. Houve uma época no país em que os quadrinhos eram nocivos somente por serem quadrinhos. A censura a eles escondia motivos de ordem política e comercial.
Retomar tais discursos, calcados na falta de argumentos sólidos, revive o fantasma de 60, 70 anos atrás.
Assim como a literatura, os quadrinhos são forma de leitura autônoma, com forte eco entre os alunos, como confirma a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2008.
O argumento de que os livros de Eisner são inadequados ao estudante do ensino médio, a quem foram direcionados, é frágil e revela uma leitura equivocada e parcial do conteúdo, resumido a poucas cenas.
“Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço”, “O Sonhador” e “O Nome do Jogo” mostram histórias de vida, ambientadas nos EUA nas décadas iniciais do século 20.
As situações que podem agredir a uns integram a realidade vivida pelo autor, que passou a infância e a juventude na mesma época, nessas situações.
Apesar das dificuldades, Eisner, falecido em 2005, tornou-se um dos mais respeitados autores de quadrinhos do mundo.
São dele alguns dos primeiros romances gráficos produzidos nos Estados Unidos. O gênero encontra em 2009 várias publicações produzidas por autores brasileiros.
A escola tem a função de levar o mundo ao estudante por meio de leituras e de práticas de letramento, inclusive visual.
Os três quadrinhos em pauta oferecem tais conteúdos, acentuados se direcionados aos alunos por meio de práticas pedagógicas afins.
Reiteramos a qualidade das três obras do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) e defendemos que podem, sim, ser levadas aos estudantes do ensino médio.
E devem integrar bibliotecas escolares, e não serem retiradas dela. O simples controle de empréstimo das obras resolve as questões de acesso a alunos das séries iniciais.
Os argumentos em contrário têm se mostrado infundados, fruto de receio e não de fatos. Dos pontos de vista do conteúdo e pedagógico, oferecem rico material a ser usado com os alunos.
Assinam a carta os doutores
Elydio dos Santos Neto, docente-pesquisador do mestrado em Educação da Universidade Metodista de São Paulo.
Gazy Andraus, professor da Unifig (Centro Universitário Metropolitano de São Paulo) e vencedor do Troféu HQMix, em 2007, na categoria melhor doutorado.
Paulo Ramos, jornalista e professor adjunto do curso de Letras da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo). É autor de “A Leitura dos Quadrinhos” (2009) e co-autor de “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula” (2004).
Roberto Elísio dos Santos, professor de comunicação da USCS (Universidade de São Caetano do Sul). É autor de “Para Reler os Quadrinhos Disney” (2002) e um dos organizadores de “Mutações da Cultura Midiática” (2009).
Waldomiro Vergueiro, livre docente em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. É coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP e um dos organizadores do livro “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula” (2004).
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Os autores convidam os leitores interessados em também assinar a carta que o façam no espaço abaixo, destinado aos comentários.
Escrito por PAULO RAMOS às 12h57
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MEC defende distribuição de obras de Will Eisner a escolas
A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, defendeu o envio de álbuns em quadrinhos do norte-americano Will Eisner a escolas de todo o país.
Segundo Pilar, as bibliotecas escolares devem ser plurais e representar o pensamento contemporâneo. Quanto ao acervo, defende que deve ser supervisionado pela escola.
"A biblioteca da escola não é como uma biblioteca pública qualquer", disse em depoimento à Rádio Bandeirantes, de São Paulo.
"Ela [a biblioteca] tem um profissional que media o acesso dos alunos aos livros, inclusive. Porque as escolas têm crianças de sete, de dez, de 14, de 17, de 18 anos. E ele não pode ter acesso a qualquer livro".
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O depoimento de Pilar é uma resposta à secretária estadual de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu. Esta entende que as obras são inadequadas ao ensino médio.
A secretária ameaçou entrar na Justiça contra o MEC e orientou que as escolas do Estado recolhessem os álbuns de Eisner, como o blog noticiou no domingo.
"É uma linguagem, cenas de sexo explícito... enfim, nós estamos considerando inadequada para o público adolescente", disse à Rádio Bandeirantes.
A decisão dela foi tomada no fim da semana passada e repercutiu em jornais gaúchos.
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"Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço", "O Nome do Jogo" e "O Sonhador", alvos da polêmica, integram a lista de obras do PNBE, do governo federal.
O programa existe desde 1997 e tem o objetivo de formar bibliotecas escolares em todo o país. De 2006 para cá, passou a incluir quadrinhos na relação de obras selecionadas.
Os álbuns de Eisner foram três dos títulos escolhidos para distribuição nas escolas neste ano. A seleção foi feita por um grupo de professores da Federal de Minas Gerais.
"Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço" havia causado polêmica no Paraná e, no início do mês, em São Paulo. Uma vez mais, o caso repercutiu na mídia.
Escrito por PAULO RAMOS às 00h22
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22.06.09
Mangá vai narrar volta do Corinthians à primeira divisão
Possível capa da publicação em quadrinhos, que será lançada no fim de julho
A notícia foi dada na manhã desta segunda-feira. Não demorou para repercutir nas editorias de esporte dos portais. O Corinthinas vai virar mangá, nome dado ao quadrinho japonês.
A proposta é da empresa de comunicação BB, que assinou contrato com o clube paulista.
"Estamos animados com a iniciativa, pois em menos de 30 dias conversamos com o clube, desenhamos o projeto e vamos colocá-lo no mercado", disse Baroni Neto, diretor comercial da BB, ao site UOL.
O projeto pretende narrar o que o time viveu nos dois últimos anos. Da queda para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro ao retorno, no ano seguinte.
A contratação de Ronaldo e a recente conquista do Campeonato Paulista também vão integrar a revista. A obra será lançada em 25 de julho, com tiragem de 50 mil exemplares.
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O projeto prevê dois formatos. Um, para bancas, terá 64 páginas e vai custar R$ 29,90. Outro, de luxo, será para livrarias e vai ter páginas extras. Será vendido a R$ 59,90.
"Timão em Estilo Mangá" é a segunda obra que se pauta em "Turma da Mônica Jovem".
Lançada no ano passado, a revista mostra uma versão adolescente dos personagens de Mauricio de Sousa. A publicação mensal também é feita nos moldes dos mangás.
No início deste mês, a editora Pixel pôs nas bancas uma versão jovem de Luluzinha. A revista também estampa na capa a expressão "em estilo mangá".
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Nota: as informações desta postagem são dos portais UOL e Terra.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h10
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Série argentina Macanudo estreia na Folha de S.Paulo
A tira acima marca a estreia da série argentina "Macanudo" no caderno de cultura da "Folha de S.Paulo". As histórias começaram a ser publicadas a partir desta segunda-feira.
Segundo o jornal, as tiras sairão de segunda a sexta. A história de hoje é a mesma que abre a primeira coletânea da série, lançada no Brasil no ano passado pela Zarabatana.
Na época, o autor, Ricardo Liniers, veio ao país promover o álbum. Ele e seu agente, que aproveitou a viagem para fazer contatos com a imprensa daqui.
O namoro com a Folha ficou mais sério no último mês e meio. Em maio, o jornal confirmou o interesse na tira e disse que só faltava assinar o contrato.
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"Macanudo" - gíria antiga que quer dizer algo como "supimpa" - é uma das tiras mais conhecidas atualmente na Argentina. É publicada desde 2002 pelo jornal "La Nacion".
Desde então, Liniers, hoje com 35 anos, tem lançado coletâneas de suas histórias, todas com boa repercussão.
A última, publicada em dezembro, era difícil de ser encontrada nas livrarias portenhas no fim do ano. A edição teve cada uma das 5 mil capas desenhadas à mão pelo autor.
Com a estreia de "Macanudo", a Folha em princípio deixa de publicar "Hagar, o Horrível". Quanto à série argentina, a Zarabatana programa um segundo álbum para este ano.
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Leia mais sobre a série e a trajetória de Liniers neste link.
Escrito por PAULO RAMOS às 10h49
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21.06.09
Governo do RS proíbe três álbuns de Will Eisner nas escolas
Capa de "O Sonhador", um dos livros recolhidos; obra foi levada pelo governo federal a escolas de todo o país
O governo do Rio Grande do Sul orientou nesta semana que as escolas estaduais do Estado retirem do acervo três obras em quadrinhos do norte-americano Will Eisner.
Os álbuns são "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço" - que já causou polêmica em São Paulo e no Paraná" -, "O Sonhador" e "O Nome do Jogo".
Na avaliação da Secretaria Estadual da Educação, os títulos apresentam conteúdo inadequado aos estudantes do ensino médio, público a que foram destinados.
"É uma biografia adulta que deve ser comprada na banca de revistas para quem quiser ler. O problema é a adequação do material a ser usado na escola pública junto a adolescentes", disse a secretária da pasta, Mariza Abreu, ao jornal "Correio do Povo".
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Os três livros não são vendidos em bancas. São comercializados em livrarias e lojas especializadas em quadrinhos. Mas chegaram às escolas via governo federal.
As obras integraram a lista de mais de 20 títulos em quadrinhos que compuseram a lista deste ano do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).
Os álbuns - e outros livros selecionados - são enviados diretamente a escolas de todo o país para criar acervos de bibliotecas. Os títulos de Eisner são para o ensino médio.
A secretária, de um governo do PSDB, estuda entrar na Justiça contra o MEC, do PT. "Estudamos a possibilidade de ingresso de ação judicial. Afinal, trata-se de dinheiro público", disse, em depoimento reproduzido uma vez mais do "Correio do Povo".
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O assunto repercutiu no fim desta semana não só no jornal "Correio do Povo", mas também no "Zero Hora", também de Porto Alegre.
Às duas publicações a secretária disse acreditar que o ministro da Educação, Fernando Haddad, desconhece o conteúdo dos álbuns de Will Eisner. Ela iria tentar contato com ele.
Casos como esse têm se tornado frequentes desde que o governo de São Paulo selecionou a alunos de nove anos um álbum direcionado a adultos.
Após isso, o foco tem sido direcionado aos trabalhos de Eisner, em particular "Um Contrato com Deus". O trabalho é um dos pioneiros das "graphic novels" nos Estados Unidos.
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Os críticos da obra resumem o conteúdo a duas cenas. Numa, uma menina de dez anos levanta o vestido e mostra a calcinha ao zelador do prédio onde mora.
Noutra, um pai bêbado agride a esposa e o filho, um bebê. Os outros álbuns trazem uma cena de sexo, sutil, em cada um. E situações de briga, a contar nos dedos da mão.
"O Sonhador" é autobiográfica. Mostra a luta de um aspirante a desenhista em seguir carreira nos Estados Unidos da década de 1930, época em que Eisner começou.
"O Nome do Jogo" apresenta como arranjos familiares podem ajudar famílias a enriquecer. A trama percorre três gerações de diferentes famílias.
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Leia mais sobre a polêmica no Paraná na postagem abaixo. E em São Paulo, neste link.
Escrito por PAULO RAMOS às 15h30
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19.06.09
Vereador paranaense quer retirar álbum de Will Eisner de escolas
O vereador Jair Brugnano (PSDB), da cidade de União da Vitória, no Paraná, quer retirar de escolas da cidade o álbum "Um Contrato com Deus", de Will Eisner.
Segundo o jornal "Gazeta do Povo", fonte das informações desta postagem, Brugnano já proibiu a obra na Escola Estadual São Cristóvão, da qual é diretor.
Ele pretende entrar com ação para ampliar a medida a todas as escolas da cidade, que fica na região sul do Estado. No entender dele, o conteúdo é inadequado aos alunos.
“Esses livros não condizem com a realidade da educação. Os termos neles são vulgarizados e tem até trechos de pedofilia. Acho inadmissível gastar dinheiro público para colocar pornografia nas escolas públicas”, disse ele ao jornal.
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A secretária de Educação da cidade, Marli Brugnano, concorda com a leitura feita pelo vereador. A secretária é esposa dele.
“Os livros chegaram e foram direto para a biblioteca, só depois vimos. Se o MEC manda, a gente confia que é bom", disse ao jornal paranaense.
"Um Contrato com Deus" já havia incomodado uma diretora paulista no mês passado. Ela via na obra violência e alusão a pedofilia.
A versão da diretora pautou, no início deste mês, reportagem do jornal paulistano "Agora" e, um dia depois, matéria no "SPTV 1ª Edição", telejornal local da Rede Globo.
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A polêmica em torno de "Um Contrato com Deus" se restringe a duas cenas, sempre lembradas fora do contexto em que foram produzidas.
Numa, uma menina de dez anos levanta o vestido e mostra a calcinha para o síndico do prédio onde mora. A estratégia, isso não é lembrado, é para roubar o dinheiro dele.
É nessa cena que é visto sinal de pedofilia. No outro momento polêmico, um pai bêbado toma o bebê das mãos da esposa e o arremessa no sofá. Depois, bate na mulher.
As duas cenas integram contos diferentes da obra, ambientada na vida dos cortiços nova-iorquinos da década de 1930. Foi onde o autor nasceu e passou a juventude.
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"Um Contrato com Deus" foi publicado nos Estados Unidos em 1978 e tornou conhecido o termo "graphic dovel", dado a obras norte-americanas mais adultas e autorais.
A obra traz quatro contos. Um é o que dá título ao livro. Houve duas edições no Brasil. A mais recente foi publicada pela editora Devir, de São Paulo, em 2007.
É essa edição que integra a lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do governo federal, que seleciona livros e quadrinhos para levar a escolas de todo o país.
A obra de Eisner foi um dos cinco títulos em quadrinhos listados em 2008 para serem distribuídos neste ano a escolas do ensino médio, que tem alunos acima dos 14 anos.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
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18.06.09
Obras independentes e adaptação literária têm lançamentos em SP
Capa da revista "Entre Quadros", de Mário César, um dos quatro lançamentos que ocorrem sexta e sábado na capital paulista
Três revistas independentes, "Entre Quadros", "Sagu" e "Cabaret", e a adaptação de "O Pagador de Promessas". É o cardápio paulistano de lançamentos para sexta e sábado.
"Entre Quadros" é um projeto de Mário César, autor mais conhecido por organizar as últimas edições da coletânea "Front", da editora Via Lettera. Ele também publicou na obra.
A revista independente (36 págs., R$ 5) traz tiras e três histórias em quadrinhos curtas, de diferentes gêneros. As duas primeiras abordam relacionamentos.
A terceira, humor. Um cachorro descobre que tem superpoderes: consegue sempre se recompor após ser espancado. Decide iniciar um périplo para se tornar o herói X-Pancadog.
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O lançamento de "Entre Quadros" divide a noite de sexta com a "Sagu" (32 págs., R$ 4). A publicação é a versão impressa de uma revista criada para a internet.
Este blog já havia noticiado, em junho de 2007, a criação do primeiro número virtual. A ideia da obra, na tela e no papel, é do desenhista e designer gráfico Maurício Brancalion.
Ainda na sexta, há o lançamento de "Cabaret", última parte da trilogia "Sexo, Drogas e Rock´n Roll".
A obra é feita por Eduardo Medeiros, Mateus Santolouco e Rafael Albuquerque. No sábado, às 14h, o trio repete o lançamento.
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Também no sábado, mas à noite, Eloar Guazzelli faz um lançamento da adaptação de "O Pagador de Promessas" (Agir, R$ 44,90).
O álbum está à venda desde o mês passado e transpõe para os quadrinhos a peça de Dias Gomes (1922-1999).
A obra integra uma coleção de clássicos literários da Agir, um dos selos da Ediouro.
A editora tem pronta uma versão de "Os Sertões", feita por Rodrigo Rosa e Carlos Ferreira. O material foi entregue pelos autores há mais de um ano.
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Serviço 1 - Lançamentos das revistas "Entre Quadros" e "Sagu". Quando: sexta-feira (19.06). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 5 e R$ 4, respectivamente. Serviço 2 - Lançamento de "Cabaret". Quando: sexta-feira (19.06). Horário: 19h30. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: rua Dr. José de Queirós Aranham 246, São Paulo. Serviço 3 - Lançamento de "Cabaret". Quando: sábado (20.06). Horário: 14h. Onde: loja Comix. Endereço: al. Jaú, 1998, São Paulo. Serviço 4 - Lançamento de "O Pagador de Promessas". Quando: sábado (20.06). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 44,90.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h35
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17.06.09
Nota em jornal gera carta de resposta de ilustradores
A SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - emitiu hoje à tarde uma carta em resposta a uma nota curta publicada na coluna "Gente Boa", do caderno de cultura de "O Globo".
A nota, intitulada "Ilustradores, unidos", registra que os ilustradores pretendem dividir os direitos autorais de obras - entre elas as infantis - com os autores. Segue o texto:
As editoras de livros enfrentam um novo problema: os ilustradores, principalmente os de livros infantis, querem rachar o direito autoral com os escritores.
Não aceitam mais um xis pelo trabalho. Pedem um percentual nas vendas, de olho na força do setor e nos grandes lotes comprados pelo governo.
***
A SIB defende que não quer dividir os direitos autorais com o autor. Mas reivindica uma participação maior no pagamento feito pelas editoras, em particular nas vendas ao governo.
Leia a íntegra da carta de resposta da entidade:
Muito oportuna a nota "ilustradores, unidos”, publicada na edição de hoje. Gostaríamos de esclarecer que a questão dos direitos autorais dos ilustradores é antiga, e vem ganhando força nos últimos anos por conta de uma postura mais consciente dos profissionais, e do próprio amadurecimento do mercado.
A co-autoria de um ilustrador de livro infantil é inegável. Muito mais do que um mero suporte ao texto, as imagens exercem encantamento, definem a identidade do título e possuem enorme poder de decisão na hora da compra. E, como co-autores, nada mais justo que participar dos benefícios obtidos com as vendas.
E, importante salientar, nunca foi proposto rachar o direito autoral com os escritores, e sim com a editora. lustradores e escritores, ambos autores, têm sido parceiros produtivos à literatura infantil e juvenil brasileira.
Não se pretende aqui entrar na justa fatia que o escritor do livro recebe, mas sim em uma nova conta com as editoras – que, apesar de terem no governo brasileiro o maior comprador de livros do planeta, ainda insistem na imposição de contratos leoninos aos seus colaboradores, sejam ilustradores ou artistas gráficos.
A Sociedade dos Ilustradores do Brasil, com duas centenas de associados em todo o território nacional, trabalha pela excelência na prática profissional e entende que os ilustradores não são meros prestadores de serviços, mas parceiros da editora na produção de obras infantis.
Neste momento de mudanças no perfil do mercado é onde se pode concluir esta discussão com benefícios para todas as partes, principalmente para o leitor.
***
Assinam a carta nove integrantes do conselho gestor da entidade: Cecilia Esteves, Orlando Pedroso, Jinnie Pak, Chicão Monteiro, Marcelo Martinez, Daniel Bueno, Mauricio Negro, Rodrigo Rosa e Rogério Soud.
"Tem um novo mercado surgindo. A questão é discutir qual a participação do ilustrador nesse mercado", diz Orlando Pedroso, por telefone.
No entender dele e da SIB, é necessário abrir um canal de discussão com as editoras para definir como o desenhista pode se enquadrar, como autor, co-autor ou partícipe dos lucros.
Muitas obras infantis e de cunho didático têm sido incluídas em listas dos governos federal e estadual. Nos últimos anos, a presença de elementos visuais nessas obras tem aumentado significativamente.
***
A questão é atual e pertinente: ilustrador de um livro - em particular o de obras infantis - pode ser considerado co-autor?
O que você acha? Deixe sua opinião nos comentários.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h59
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As possibilidades das tiras duplas
Já faz um tempo que a definição de tira cômica precisa ser alargada.
Não se trata apenas de um texto de humor produzido em formato horizontal fixo. Já há um número grande de casos de piadas que ocupam o espaço físico de duas tiras.
Isso tem sido visto tanto em sites e blogs, que permitem uma maleabilidade maior do formato, como nos veículos impressos - "Folha de S.Paulo" e jornais argentinos.
Tenho acompanhado esse comportamento das tiras há algum tempo. Mas me voltou à mente ao ler este exemplo, veiculado hoje no blog "Um Sábado Qualquer", de Carlos Ruas:
O dado que me chamou a atenção é que a construção do humor só foi possível por conta dos "dois andares" da tira. É algo para ficar de olho.
Nota: agradeço ao leitor João Paulo Cursino pela dica da tira.
Escrito por PAULO RAMOS às 15h53
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14.06.09
Mostra e livro-homenagem marcam 50 anos de carreira de Mauricio
Personagem Astronauta, feito por Jean Okada, vai integrar obra em quadrinhos com participação de 50 autores brasileiros
O cinquentenário de carreira de Mauricio de Sousa, comemorado neste ano, terá pelo menos dois projetos especiais para marcar a data: uma exposição e um livro-homenagem.
As informações sobre ambos foram noticiadas nesta semana pelo jornal "Folha de S.Paulo" - com repercussão no site "Universo HQ" - e no blog sobre quadrinhos "Gibizada".
Segundo as reportagens, a exposição "Mauricio 50 Anos" será no Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo. A abertura será 18 de julho, data de publicação da primeira tira.
A estreia do desenhista e empresário nos quadrinhos ocorreu com os personagens Bidu e Franjinha, publicados em 1959 no jornal "Folha da Manhã", hoje "Folha de S.Paulo".
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O livro-homenagem, chamado "MSP 50", referência à sigla Mauricio de Sousa Produções - vai trazer histórias feitas por 50 desenhistas brasileiros.
A lista inclui nomes como Ziraldo, Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Sica, José Aguiar, Spacca, Ivan reis, Laerte, Lelis, Fernando Gonsales, Guazzelli, Antonio Cedraz e Orlandeli.
Uma das histórias, do Astronauta, terá desenhos de Jean Okada. São dele os dois esboços do personagem que abrem esta postagem.
A obra será publicada pela Panini, editora responsável pela revistas da Turma da Mônica. A ideia do projeto é de Sidney Gusman, que cuida do planejamento editorial de Mauricio.
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A reportagem do "Gibizada" antecipa alguns dos personagens escolhidos, como o Horácio, feito por Spacca. Para ler a matéria, escrita por Telio Navega, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 14h06
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Turma do Arrepio ganha nova chance nas bancas
Personagens infantis criados por César Sandoval retornam 20 anos depois de terem sido publicados pela primeira vez
De quando em quando, a visita às bancas traz alguma novidade. A deste início de junho é a volta de uma revista com a "A Turma do Arrepio" (Editora As Américas, 36 págs., R$ 3,50).
O retorno da série nacional ocorre 20 anos depois de ter sido lançada pela primeira vez. De 1989 a 1993, o título infantil foi publicado pela Editora Globo. Teve 43 números.
A série, criada por César Sandoval, teve também um programa de TV, exibido em 1997 pela extinta Rede Manchete. Os personagens são herdeiros mirins de antigas assombrações.
Draky é neto do Conde Drácula. Stein, de Frankstein. A múmia Tuty é descente de faraós. Luby, de lobisomen. Medeia é aprendiz de feiticeira e filha da Grande Bruxa.
Este primeiro número traz seis histórias curtas, passatempos e a tradicional tira vertical que encerra as revistas infantis brasileiras. Os créditos finais não informam a periodicidade.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h33
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13.06.09
Autores de Picabu fazem lançamento brasileiro da revista
Capa do quarto número da publicação independente, que será lançada hoje em Porto Alegre
A revista independente "Picabu" foi mostrada primeiro para os argentinos, no fim de maio, no festival de quadrinhos portenho "Viñetas Sueltas". Agora, chega ao Brasil.
Os autores fazem o lançamento brasileiro da publicação neste sábado, em Porto Alegre, cidade onde moram os sete criadores histórias deste quarto número.
A revista traz 11 narrativas curtas feitas por Leandro Adriano, Carlos Ferreira, Fabiano Gummo, Moacir Martins, Nik Neves, Rodrigo Rosa e Rafael Sica.
A obra gaúcha foi produzida 17 anos depois da edição anterior. A "Peek-a-Boo", como era chamada inicialmente, contava apenas com Adriano, Ferreira, Nik Neves e Rosa.
Os demais autores foram integrados neste novo projeto.
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Serviço - Festa de lançamento de "Picabu". Quando: hoje (13.06). Horário: 18h. Onde: Museu do Trabalho. Endereço: rua dos Andradas, 230, Porto Alegre. Quanto: a entrada é franca; a revista custa R$ 10.
Escrito por PAULO RAMOS às 09h55
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12.06.09
Livros da Marca de Fantasia têm lançamento em São Paulo
Os paulistas terão neste sábado uma oportunidade rara de comprar livros da Marca de Fantasia.
Seis títulos da editora paraibana, que só vende por meio da internet, serão lançados de forma conjunta.
Um deles é "Vida Traçada - Um Perfil de Flavio Colin", de Gonçalo Junior.
O editor da Marca de Fantasia, o professor universitário Henrique Magalhães, também estará presente.
Ele é responsável por "Macambira e Sua Gente" e pelo fanzine "Top! Top!".
O evento também terá os álbuns "Artlectos e Pós-Humanos", de Edgar Franco, "Os Marginais", de Elmano Silva, e a segunda edição com tiras de "Katita", de Anita Costa Prado e Ronaldo Mendes.
A editora tem o maior catálogo do país de obras sobre quadrinhos.
Serviço - Lançamentos da editora Marca de Fantasia. Quando: sábado (13.06). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo.
Escrito por PAULO RAMOS às 00h15
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11.06.09
Vida de Estagiário, de Allan Sieber, vai ter piloto para TV
"Vida de Estagiário", de Allan Sieber, ficou entre os finalistas de um edital do Ministério da Cultura que destina verba à produção de uma série de TV.
Os oito selecionados, divulgados nessa terça-feira, vão receber R$ 250 mil cada um.
O dinheiro é para produzir um piloto do seriado, a ser exibido na emissoras públicas.
Uma comissão vai julgar os três melhores programas. O trio vencedor terá verba de R$ 2,6 milhão para criar uma minissérie com 13 episódios, de 26 minutos cada um.
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O projeto de Sieber para o Mais Cultura - nome do programa federal de incentivo - será produzido pela Neoplastique Entretenimento.
A descrição da série é exatamente o que fez por anos nas histórias em quadrinhos. "Vida de Estagiário" mostra as humilhações enfrentadas por Oséas na empresa onde trabalha.
As dificuldades de Oséas foram publicadas no "Folhateen", suplemento jovem do jornal "Folha de S.Paulo".
A Conrad lançou em 2005 uma coletânea da série. É de lá a história que abre a postagem.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h15
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Álbum esmiúça trajetória do universo DC
Capa de "A História do Universo DC", que chegou às bancas nesta semana
Não é preciso o artigo definido que abre o título do álbum "A História do Universo DC", que começou a ser vendido nas bancas nesta semana (Panini, 164 págs., R$ 19,90).
O senão é que não se trata de uma única história, mas, sim, de histórias. A obra traz duas delas, de momentos editoriais distintos da norte-americana DC Comics.
A primeira recapitulação funcionou como um apêndice para a minissérie de 12 partes "Crise nas Infinitas Terras", lançada nos Estados Unidos entre 1985 e 1986.
Crise tinha o objetivo de reduzir todos os planetas paralelos dos super-heróis da casa a um só. Até então, existiam diferentes Terras, cada uma com uma realidade própria.
***
A nova realidade dos personagens da DC Comics foi narrada em duas partes por Marv Wolfman e George Pérez, os mesmos autores de Crise. É inédita no Brasil.
A reconstituição histórica abre o álbum e é construída nos moldes de um livro ilustrado. Fica claro na leitura que há apenas um planeta Terra, onde Super-Homem e Batman atuam.
A segunda história do universo DC foi contada em capítulos na minissérie "52", de 2006, feita por Dan Jurges. A série já foi lançada pela Panini e agora é reunida em sequência.
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A reconstituição atualiza tudo - ou quase tudo - o que ocorreu após "Crise nas Infinitas Terras", inclusive a volta dos diferentes mundos paralelos.
A mudança ficou explícita meses antes, quando a DC publicou uma segunda crise, chamada de "Crise Infinita".
A série provocou novas mudanças nos personagens e no passado deles. Algumas ainda nem foram reveladas pela editora. Em julho, sai no Brasil outra sequência, "Crise Final".
Ao leitor novo ver tantas crises pode parecer confuso. E é mesmo. O leitor alvo deste álbum tende a ser a pessoa que acompanha os heróis da DC já há algum tempo.
Escrito por PAULO RAMOS às 15h05
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10.06.09
Álbum mostra lado menos glamoroso de Copacabana
Obra, escrita por Sandro Lobo e desenhada por Odyr Bernardi, mostra vida de prostitutas na noite carioca
Restava à carioca Desiderata um último projeto pensado por Sandro Lobo, editor de quadrinhos que se desligou da empresa no meio do ano passado.
Ironicamente, o trabalho final é de autoria dele. Os desenhos, outra ironia, são de Odyr Bernardi, que também integrava a equipe do selo editorial da Ediouro.
A história, que serve de divisor de águas na carreira de ambos, por outro lado, não tem nada de irônico. "Copacabana" (208 págs.; R$ 39,90) mostra um lado pouco lembrado do famoso bairro carioca.
Nada de sol, nada de boemia, nada de cartão postal. Os personagens centrais do álbum são prostitutas e figuras urbanas, que se destacam na noite de Copacabana.
***
A história convida o leitor a acompanhar alguns dias na vida de de Diana. Ela vive do sexo e, com a atividade, tenta se manter e ainda enviar dinheiro à mãe.
Entre um programa aqui, um bico ali, tem a oportunidade de dar um golpe num gringo cheio da grana. Mas leva a pior. E é vista como a pessoa que teria ficado com o dinheiro.
A trama é contada em pílulas escritas em 14 capítulos. Diana vai ganhando importância aos poucos. Ora é ela que está em evidência.
Ora são as figuras noturnas do bairro, mas nem por isso menos interessantes. É, no fundo, uma história de relacionamentos, com interesses pessoais ou não.
***
Mas talvez o que roube a atenção do leitor seja mesmo o cenário. Quem já passou por Copacabana vai enxergar no traço denso de Odyr fragmentos do bairro carioca.
E vai ser convidado a repensar a passagem pelas ruas de lá. Há mesmo essa vida escondida em meio ao lado turístico, que atrai gente de todo o mundo?
Na leitura de Lobo, há, sim. Está na cidade há 20 anos. A ideia de criar a trama surgiu enquanto andava à noite pelas ruas de Copacabana. Buscava sono. Encontrou um roteiro.
Decidiu criar a história sem pressa. Diz que escreveu o roteiro entre 1994 e 1998.
***
É de lamentar que este seja o projeto derradeiro de Lobo e Odyr na Desiderata.
A passagem de ambos pela editora rendeu alguns dos melhores álbuns nacionais produzidos nos últimos anos. A saída deles descaracterizou a linha editorial do selo.
O consolo é que pretendem estar por perto, agora na não menos desafiadora função de autores de histórias em quadrinhos.
"Copacabana" é uma boa estreia na difícil tarefa de escrever narrativas mais longas. A dupla tem histórico profissional que credita a espera por outros trabalhos deles.
***
Serviço - Lançamentos de "Copacabana". Rio de Janeiro. Quando: segunda-feira (15.06). Horário: 19h. Onde: Livraria Dona Laura, na Casa de Cultura Laura Alvim. Endereço: av. Vieira Souto, 176, Ipanema. São Paulo. Quando: quarta-feira (17.06). Horário: 19h. Onde: loja Cachalote. Endereço: rua Ministro Ferreira Alves, 48. Curitiba. Quando: quinta-feira (18.06). Horário: 19h. Onde: Itiban. Endereço: av. Silva Jardim, 845, centro. Porto Alegre. Quando: segunda-feira (22.06). Horário: 19h. Onde: Café Oca. Endereço: rua João Teles, 512, Bonfim.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h57
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09.06.09
Lobo e Odyr desistem de criar editora Barba Negra
A criação da editora Barba Negra foi abortada antes mesmo de ser concretizada. Os dois responsáveis pelo projeto, S. Lobo e Odyr, decidiram não tocar mais a ideia.
"Estávamos com tudo certo pra começar, mas na hora H demos pra trás", diz Lobo.
"O mercado está amadurecendo, as grandes editoras estão começando a investir de forma correta, nos pareceu mais acertado investir na carreira autoral."
Segundo ele, os autores dos dois primeiros projetos, Allan Sieber e Rafael Sica, já foram informados da decisão.
"Encaminhamos todos os álbuns para outras editoras, fizemos o possível pra não deixar ninguém na mão."
***
Lobo e Odyr trabalharam juntos por mais de um ano na área de quadrinhos da Desiderata.
Produziram nesse período alguns dos álbuns nacionais mais destacados dos últimos anos.
Os dois se desligaram da empresa no meio do ano passado, meses após a venda da editora para a Ediouro, realizada na virada de 2007 para 2008.
Eles tornaram pública a ideia de criar a Barba Negra em novembro passado.
A dupla não descarta trabalhar em outras editoras de forma terceirizada. Lobo diz já ter algumas conversas encaminhadas.
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O lado autoral deles ganha novo impulso com o álbum "Copacabana", da Agir, projeto gestado quando ainda era editor da Desiderata. A obra começou a ser vendida neste mês.
Lobo, que foi um dos editores da revista independente "Mosh!", diz que já trabalha no próximo projeto.
Será uma adaptação de "A Alma Encantadora das Ruas", do escritor João do Rio (1881-1921). Segundo ele, o álbum vai se chamar "Urubus".
"Foi um convite do desenhista Allan Rabello, que trabalha nesta adaptação faz um tempo."
***
Nota: o blog resenha nesta quarta-feira o álbum "Copacabana", de Lobo e Odyr.
Escrito por PAULO RAMOS às 20h04
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Governo de SP renova edital de incentivo à produção de quadrinhos
A polêmica envolvendo a seleção de obras em quadrinhos para escolas paulistas não interferiu na renovação do edital de incentivo à criação de histórias em quadrinhos.
A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo incluiu os quadrinhos, pelo segundo ano seguido, em um programa de apoio à produção cultural.
O edital deste ano segue o mesmo molde do aplicado em 2008. Uma comissão vai selecionar dez projetos. Cada um vai receber R$ 25 mil para produzir a história.
Setenta por cento do dinheiro é liberado após a assinatura do contrato. O restante sai quando o álbum estiver concluído. Os autores têm oito meses para finalizar o projeto.
***
A contrapartida também é idêntica ao do edital passado. Os selecionados terão de fazer um workshop a preços populares e fornecer 200 exemplares para o acervo do governo estadual.
As inscrições começam nesta quarta-feira e vão até 27 de julho. O edital vale apenas para pessoas que morem no Estado de São Paulo há pelo menos dois anos.
Cada autor poderá inscrever até duas histórias. Mas só é permitida a seleção de uma delas.
O texto completo do edital, que traz os detalhes de como se inscrever, pode ser lido no site da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Para acessar, clique aqui.
***
Os selecionados do edital de 2008 foram definidos e divulgados em dezembro passado.
O escritor Lourenço Mutarelli, que trabalhou por anos com quadrinhos, presidiu a comissão.
Até agora, só um dos projetos foi publicado. Foi o álbum de tiras "Caroço no Angu", de Gilmar. A obra foi lançada no fim de abril, em São Paulo.
Os demais autores criaram um blog, o "PAC 23", para relatar as etapas de produção dos projetos. A ideia foi do roteirista Celso Menezes, autor de um dos trabalhos.
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Nota: agradeço à jornalista Sandra Monte, do blog "Papo de Budega", pela dica desta informação.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h43
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08.06.09
Sam Hart finaliza adaptação inglesa de Robin Hood
Álbum começa a ser vendido neste mês na Inglaterra; desenhista prepara para 2010 versão de Rei Artur
O nome estrangeiro não é uma estratégia para se adequar ao mercado de fora, como fazem alguns desenhistas brasileiros. Sam Hart vem de berço. Da Inglaterra, onde nasceu.
Filho de inglês com brasileira, ele veio ao Brasil quando tinha 10 anos. Ironia ou não, ele se destaca agora justamente na Inglaterra. É dele a arte de uma adaptação de Robin Hood.
O álbum "Outlaw - The Legend of Robin Hood" começa a ser vendido neste mês no país europeu. A obra, escrita por Tony Lee, demorou um ano e meio para ficar pronta.
Hart e Lee já haviam atuado juntos em outros dois trabalhos. E foi desse contato prévio que surgiu o projeto de recriarem a lenda do ladrão que rouba dos ricos para dar aos pobres.
***
Segundo o desenhista, a história seria para uma revista mensal. A publicação foi cancelada. Por pouco, também o projeto. Hart decidiu mostrar a Lee como tinha imaginado Robin Hood.
"Ele gostou tanto da ilustração que de imediato falou com três editoras onde tinha contato. E a que fez a melhor proposta foi onde fechamos contrato", diz Hart, por e-mail.
A editora é inglesa Walker Books, que lança agora o álbum, de 142 páginas.
Hart espera sentir o lançamento para, só depois, ver se vale lançar a obra no Brasil, tão ávido por adaptações. Os direitos, diz, pertencem aos dois autores, e não à editora.
***
O desenhista de 35 anos diz que o Tony Lee não se inspirou em uma versão específica de Robin Hood. Pesquisou diferentes olhares sobre a lenda. O mesmo ocorreu com a arte.
"Procurei não ignorar nenhuma versão clássica", diz. "Assisti ao desenhos da Disney de novo, a versão com Sean Connery fazendo Robin velho, as do Errol Flynn e Kevin Costner."
"Teve um seriado na TV inglesa nos anos 1980 e assisti a alguns capítulos. Só não vi o seriado recente da BBC, por medo de ficar parecido."
O resultado já colhe pelo menos um fruto: o interesse da Walker Books. A editora já pautou a dupla para uma versão de Rei Artur, prevista para 2010.
***
Apesar de ter trabalho no mercado inglês, o vínculo com o país hoje é limitado aos parentes que ficaram por lá. Ele diz que ter nascido lá foi "acidente".
"Tenho família lá e gosto de visitar, mas prefiro morar no Brasil. Sol, praia, amizades. Para mim, essas coisas compensam mais do que segurança financeira ou tecnologia de última geração."
Por aqui, ele faz ilustrações para a "Folha de S.Paulo" e para revistas da Editora Abril. Também da aulas de desenho em uma academia de São Paulo e em um projeto da prefeitura paulistana.
Ele conta que decidiu que trabalharia com quadrinhos aos seis anos. Oito anos depois, estreava na revista infantil "Cuca", na seção de passatempos.
***
Hart formou-se em arquitetura pela Universidade de São Paulo. Produziu quadrinhos nessa época. Entre 1995 e 97, atuou como assistente do desenhista John Higgins na Inglaterra.
Nos últimos anos, ele tem alternado trabalhos com autores independentes paulistas do grupo Quarto Mundo. Ele integrou o lançamento do movimento há dois anos.
O trabalho independente de mais destaque dele talvez seja "Shem Ha-Mephorash", feito em parceira com a escritora Marcela Godoy.
Com o que produz por aqui e no país de origem, tem conseguido se manter com arte. "Entre os três trabalhos, quadrinhos, ilustrações e aulas, dá para pagar as contas."
Escrito por PAULO RAMOS às 23h04
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07.06.09
Revista de Luluzinha adolescente recria personagem do zero
Primeiro número da revista com versão adolescente da personagem já está nas bancas
Parte-se da premissa de que uma adaptação, qualquer que seja ela, conserva elementos do texto fonte, em maior ou menor grau.
Não é o que ocorre com a versão adolescente de Luluzinha, como se vê no primeiro número de "Luluzinha Teen e Sua Turma", à venda desde sexta-feira (Pixel, 100 págs., R$ 6,40).
A personagem norte-americana foi recriada do zero em formato mangá. O leitor não verá na protagonista nem uma sombra da menina sapeca e ingênua de vestido vermelho.
A ausência de elementos das antigas histórias é tão gritante que os personagens poderiam ter até outros nomes que a história seria entendida do mesmo jeito.
***
O cenário criado para Luluzinha jovem se parece com o da novela "Malhação", da TV Globo.
Ela e os amigos - Bolinha, Alvinho, Glorinha, Aninha e mais alguns personagens novos, todos adolescentes - vivem numa cidade fictícia litorânea chamada Liberta.
O grupo frequenta um colégio, o Escola Unida. O "point" deles é um lugar chamado "Livre". Bolinha agora é ex-gordinho e integra uma banda de rock.
A qualidade da história de estreia poderia contornar o inevitável estranhamento entre esta e a antiga Luluzinha. Mas não é o caso.
***
Há dois problemas centrais nesta história de estreia. O primeiro é o roteiro em si. Fica clara a interferência da editora no projeto. O que se lê é um vai-e-vem de situações.
A trama central são os casos de vandalismo de que a escola é vítima. Lulu tenta descobrir quem são os autores. O mistério da história é descobrir quem são.
Em meio a isso, a banda de Bolinha procura um vocalista para abrir o show da cantora Pitty. Esta aparece em mais de um momento dando conselhos ao grupo.
Além disso, há o cuidado de mostrar Lulu postando mensagens em seu blog. Em dois momentos, ocorre um explícito convite para o leitor visitar a página virtual.
***
O blog de Luluzinha existe e faz parte do projeto editorial. A Pixel, selo da carioca Ediouro, quer que o leitor migre do papel para a internet.
Não há nada de mal nisso. Nem na tentativa de a Ediouro pensar a revista como projeto visando lucro. As editoras, como toda empresa, querem e precisam ganhar dinheiro.
Mas o diálogo entre mídias não pode se sobrepor à qualidade do produto. O projeto peca em outros aspectos. O primeiro é usar o nome Luluzinha apenas como chamariz.
A personagem empresta o nome a uma estratégia de marketing. A história em si ignora por completo os elementos visuais e de personalidade da versão norte-americana.
***
Esta Luluzinha teen tenta copiar o sucesso de "Turma da Mônica Jovem", que também peca nos roteiros. O formato é o mesmo e a capa também registra a frase "em estilo mangá".
As histórias também são feitas por autores nacionais, o que não deixa de ser um aspecto positivo. Mas a escolha de Luluzinha talvez seja o principal equívoco do projeto.
Ela é um dos raros casos de história em quadrinhos que pode ser lida em qualquer idade. Inclusive os pré-adolescentes. Há uma ingenuidade cativante que atinge a todos.
Para recriar a personagem do zero, de modo a atingir determinado público específico, só se fosse para oferecer algo melhor. E, como já dito, não é o caso.
Melhor esperar pelos álbuns da Devir, que desde 2006 tem relançado as histórias antigas da personagem, em ordem cronológica. A editora programa mais dois para este ano.
***
Nota: Renato Fagundes, roteirista desta primeira história, comenta críticas ao projeto e detalha a concepção da série no blog "Gibizada", de Telio Navega. Para ler, clique aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 22h23
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06.06.09
Quadrinhos ocupam espaço privilegiado na imprensa
Direto aos fatos, lidos entre ontem e hoje:
- O caderno de cultura de "O Estado de S. Paulo" deste sábado dedica sete páginas a quadrinhos e obras ilustradas. O jornal noticia de quando em quando o tema. Mas nunca com tanto espaço e com vários títulos de uma só vez.
- A "Carta Capital" desta semana traz matéria de quatro páginas sobre obras que "fazem romance por meio de quadrinhos". Das quatro semanais, a revista é a única que mantém uma regularidade de pautas sobre quadrinhos. Mas nunca chegou a tantas páginas.
- A revista "Piauí" deste mês traz um capítulo de "Cachalote", de Daniel Galera e Rafael Coutinho, álbum nacional que o selo Quadrinhos na Cia. lança em breve. A narrativa ocupa sete páginas da publicação.
***
Por mais que a grande mídia tenha aumentado o espaço dedicado aos quadrinhos de 2006 para cá, é raro, raríssimo o tema ocupar tanto espaço numa tacada só.
Ainda mais num espaço da imprensa tradicionalmente dedicado à literatura.
A leitura que se pode fazer é que a entrada no mercado do Quadrinhos na Cia., selo da Companhia das Letras, já começa a ecoar nos veículos de imprensa.
A editora paulista é uma das que mais emplaca pautas na mídia cultural. O mesmo tem ocorrido com os quatro primeiros títulos do selo que começou a vender no fim de maio.
***
É esse, pelo menos, o ponto comum entre todas as inserções mencionadas acima.
O Quadrinhos na Cia. aparece no "Estadão", "na "Carta Capital" (em ambos com "Retalhos", de Craig Thompson), na "Piauí".
Resenhávamos nesta semana que a entrada do selo poderia chacoalhar o mercado.
Um dos motivos é que a Companhia tem bom trânsito entre os chamados "formadores de opinião" da mídia cultural, como já se vê.
***
Outro motivo é que procura conquistar um novo leitor. É a pessoa que não necessariamente acompanha quadrinhos, mas que frequenta livrarias e aprecia um bom romance.
As matérias lidas neste início de junho na imprensa mostram que o diálogo com esse novo leitor já começa a ser feito.
Os quadrinhos ocuparam, nas três publicações mencionadas, um espaço normalmente preenchido pela literatura. E o mesmo vai se repetir na próxima Flip, em julho.
A Festa Literária de Paraty vai ter uma mesa dedicada a quadrinhos, com presença de Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Grampá e Rafael Coutinho, de "Cachalote".
***
A estratégia tende a agregar valor aos quadrinhos e afinar o diálogo que existe com a literatura. Embora sejam linguagens diferentes, apresentam inegáveis pontos comuns.
Ainda é cedo para perceber onde isso vai dar. Mas, parece, é algo positivo. E serve de contraponto a quem ainda mantém o argumento de que quadrinhos são só para crianças.
Como a pauta recente da mesma imprensa mostrou, é um discurso ainda presente.
O fato é que os quadrinhos neste começo de mês tomaram um espaço habitualmente destinado à literatura. Pode ser o início de algo novo. É para ser observado bem de perto.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h58
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05.06.09
Livro mostra trajetória de Fantasma dentro e fora dos quadrinhos
Obra escrita por Marco Aurélio Lucchetti começa a ser vendida em São Paulo neste sábado
Quando a Opera Graphica anunciou no fim do ano passado que iria encerrar as atividades, a editora informou que publicaria ainda duas obras ligadas a quadrinhos.
Uma foi lançada em dezembro, um volume de Príncipe Valente. A outra começa a ser vendida neste sábado. É um álbum de luxo, que relata a trajetória do herói Fantasma.
A publicação de "Fantasma - A Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos" vem sendo adiada desde 2006, quando o herói completou 70 anos de criação.
Para quem é fã do personagem, talvez essa espera tenha valido a pena, como se diz no ditado. A obra esmiúça a evolução do herói, dentro e fora do universo do quadrinhos.
***
O livro, de capa dura e formato grande (26,5 cm X 36 cm), foi escrito por Marco Aurélio Lucchetti, autor de outras obras sobre quadrinhos e fã do herói, criado por Lee Falk e Ray Moore.
A obra, organizada por Franco de Rosa, um dos diretores da Opera Graphica, foi dividida em 17 capítulos. Começa com a criação dele, no começo de 1936, nos Estados Unidos.
Depois, explora as principais histórias, os coadjuvantes, a relação e o casamento com Diana, biografias dos autores, migração para outras mídias, citações em outros quadrinhos.
A trajetória do personagem no Brasil também é explorada. Há entrevistas com Gutemberg Monteiro e Walmir Amaral, que produziram capas da revista do herói para a RGE.
***
A duradoura presença de Fantasma no Brasil é um dos pontos que mais chama a atenção do livro. Há uma detalhada cronologia da publicação do personagem.
Da estreia em um encarte de "Correio Universal", em março de 1936, à última aparição em bancas, em revista da Mythos, há dois anos.
Há mais: 13 páginas coloridas trazem 818 capas de revistas, livros e suplementos onde o espírito-que-anda - como também é conhecido - foi publicado.
Há raridades, como imagens do "Correio Universal" e do "Globo Juvenil", época em que o personagem tinha sido batizado de "O Fantasma Voador". É feito por fãs e para fãs.
***
Lançamento de "Fantasma - A Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos". Quando: sábado (06.06). Horário: 15h. Onde: Comix. Endereço: alameda Jaú, 1998, Cerqueira César, São Paulo. Quanto: R$ 109.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h57
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Álbum faz documentário com versões caricatas de animações
Há um dado na concepção de "Três Dedos: Um Escândalo em Quadrinhos" que ajuda a singularizar o álbum: trata-se de um documentário feito na forma de quadrinhos.
Os depoimentos lidos no álbum - à venda em livrarias e lojas de quadrinhos (Gal, 144 págs., R$ 39,90) - abordam um fictício mistério que pauta o título do livro.
Há também outro fato que contribui para particularizar a obra. Os entrevistados são versões caricatas dos primeiros personagens dos desenhos animados norte-americanos.
O enredo do álbum parte da premissa de que esses personagens eram atores reais, que atuavam nas animações das décadas de 1930 em diante.
***
A ideia do escritor e desenhista Rich Koslowski refaz toda a trajetória dos pioneiros dos desenhos animados nos Estados Unidos, com fatos que realmente aconteceram.
O foco está na trajetória de Walt Disney. Ou Dizzy Walters, como é mostrado no álbum.
As entrevistas com as animações, que ajudam a conduzir a narrativa do documentário ficcional, reconstituem os primeiros projetos dele. E o encontro inicial com Mickey Mouse.
Mickey Mouse, não. Correção. Na obra de Koslowski, é o ator Rickey Rat. Mas o visual, a exemplo de Disney/Dizzy, é o mesmo que marcou o personagem.
Rickey Rat é mostrado em dois momentos. No passado, é mostrado como o camundongo feliz e sorridente que todos conhecem, que firmou parceria com Disney/Dizzy.
No presente, fuma, está barrigudo e deprimido. Aperece na entrevista em que relembra o início da carreira e o sucesso que alcançou, a ponto de ser copiado por outros atores.
O mesmo ocorre com outras versões caricatas de animações da época. E não só da Disney. Há várias menções aos personagens dos Estúdios Warner Bros (ou Warmer Bros.).
São mostrados como eram nos desenhos e como estão hoje, vistos nos depoimentos.
***
"Três Dedos: Um Escândalo Animado" conquistou nos Estados Unidos, em 2002, o prêmio Ignatz de melhor graphic novel. O prêmio é dedicado a obras em quadrinhos.
É curioso que um trabalho tão singular tenha demorado tanto para ser publicado no Brasil. Ainda mais num mercado tão ávido por novidades estrangeiras.
A ideia é singular, em todos os aspectos. E tem referências de sobra para quem aprecia as animações da época. O único senão é o desfecho que, claro, não será revelado aqui.
Koslowski antecipa no meio do álbum qual é o escandaloso mistério que dá título à obra. Isso tira um pouco o interesse do que vem na sequência. E o ar de novidade se perde.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h21
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04.06.09
Livro faz homenagem tímida aos 40 anos do Pasquim
Obra da editora Desiderata, já à venda, traz capas do jornal e quatro artigos sobre a publicação alternativa
Há exatos 40 anos, em junho de 1969, o leitor brasileiro tinha contato com a primeira edição de "O Pasquim". Não demorou para que se tornasse um dos instrumentos de resistência do regime militar (1964-1985).
Hoje, a sábia distância do tempo permite afirmar com mais certeza o que já se percebia na época: o jornal deixaria sua marca. No país, no jornalismo, nos quadrinhos nacionais.
Por isso, e por muito mais, é justificável e até desejável uma edição para marcar as quatro décadas de vida da publicação.
O que não era de se esperar é que a obra fizesse uma acanhada homenagem.
***
"O Pasquim 40 Anos! - Edicão Comemorativa" (Desiderata, 40 págs., R$ 39,90) traz 31 capas originais do jornal. Outra, inédita, foi feita por Millôr especialmente para a obra.
Millôr, um dos integrantes da trupe original, assina um dos quatro textos do livro. Os outros são do desenhista Jaguar, do jornalista Sérgio Augusto (também equipe original) e do chargista Chico Caruso.
E só. Não há uma contextualização maior do jornal. Ou de sua importância para a linguagem jornalística. Ou aos quadrinhos.
O acanhamento aumenta se visto que os textos de Augusto e Jaguar aparecem espremidos, lado a lado na primeira orelha da capa.
***
Melhor homenagem faz a mesma Desiderata com outro livro, lançado ao mesmo tempo.
Trata-se da terceira antologia do jornal (376 págs., R$ 79,90), organizada, uma vez mais, pela dupla Sérgio Augusto e Jaguar.
O contato com os textos originais de "O Pasquim" apresenta o que a publicação representou e revela, curiosamente, que muitos dos temas permanecem atuais.
Violência urbana, crescimento desordenado das cidades, até quedas de avião. Tudo é (re)lido com os olhos de hoje. Mas com o contexto de ontem. E o humor de sempre.
***
Ao leitor de quadrinhos há um interesse especial. Ziraldo, Henfil e companhia influenciaram e serviram de molde inicial a vários desenhistas que surgiam na década de 1970.
O jornal, para os quadrinhos, funcionava como um suporte privilegiado de publicação. E ajudou a levar os diferentes gêneros quadrinísticos ao leitor adulto.
Os cartuns - em particular os de Ziraldo - são a maioria desta terceira antologia, que reedita os jornais dos números 201 a 250 (de maio de 1973 a abril de 1974).
Mas há também os quadrinhos tradicionais. E os de Henfil (1944-1988), autor singular que sempre merece menção à parte.
***
Os dois livros marcam uma volta da carioca Desiderata às antigas edições de "O Pasquim".
As duas antologias do jornal, lançadas a partir de 2006, tiveram forte repercussão na imprensa e nas vendas. Tornaram-se rapidamente a galinha dos ovos de ouro da editora.
E foi o que cacifou a empresa a ser vendida ao grupo Ediouro na virada de 2007 para 2008.
Desde então, as reedições do jornal continuavam apenas nas estantes de colecionadores e na memória de uns poucos privilegiados.
Escrito por PAULO RAMOS às 15h43
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03.06.09
Claudio: do menino desenhista ao chargista profissional
O jornalista e desenhista Claudio Oliveira trocou o frio paulistano desta semana por uma temperatura mais amena. Ele passa o restante da semana no Acre.
A troca de ares - e de temperaturas - é por motivos profissionais. O chargista da capa do jornal "Agora", de São Paulo, participa da 1ª Bienal do Livro e da Leitura do Acre.
Claudio integra uma mesa nesta quinta-feira, das 9h às 11h da manhã. Aproveita para relançar seu livro de charges, "Pizzaria Brasil", lançado em 2007 pela Devir.
Na sexta e no sábado, faz duas oficinas de quadrinhos, uma matutina, outra vespertina.
***
Claudio colhe os louros de uma carreira iniciada bem cedo, aos 12 anos. Ele tem trajetória semelhante à de João Montanaro, também de 12 anos, noticiado no blog em abril.
João faz tiras de adultos em seu blog. Claudio não tinha as facilidades da internet. Os jornais na metade da década de 1970 eram a grande janela. E foi num deles que estreou.
Ele conseguiu emplacar a primeira história no "Diário de Natal", em 1975. Uma façanha, ainda mais para quem tinha apenas 12 primaveras nas costas. Seu "Juca, o Vaga-Lume" rendeu até matéria no suplemento "O Poti", em junho daquele ano, (início da postagem).
Ele vê vantagens no início precoce. "Ao entrar em contato com profissionais, tem a possibilidade de amadurecer o trabalho mais cedo", diz o chargista, por e-mail.
O amadurecimento dele se deu na redação do jornal. Conheceu autores como Emanoel Amaral, seu primeiro "professor" e um dos fundadores do Grupeq.
O Grupo de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos - sigla do Grupeq - publicou em 1976 uma revista independente chamada "Maturi", recentemente relançada por lá.
Claudio conseguiu outro feito precoce, o de publicar numa publicação em quadrinhos.
"Aprendi muito, saí dos desenhos ingênuos, influenciados por Carl Barks, da Disney, e fui direto para a influência da contracultura de um Robert Crumb."
***
O ano de 1976 foi marcante na formação dele por outros motivo. Foi quando indicaram a ele a leitura do jornal "Pasquim". O primeiro contado se deu quando conheceu Henfil.
Henfil passou a morar naquela época em Natal, onde Claudio morava. Foram apresentados. Claudio encontrou nele um segundo professor. Vale ler na íntegra o relato dele.
"[Henfil] gostou do meu trabalho, convidou-me para desenhar para o ´Pasquim´ e preencehu de próprio punho a minha fica de colaborador. Toda quarta-feira ia a casa de Henfil para enviar meus desenhos junto aos dele pelo malote aéreo. E passava um bom pedaço da tarde com ele a me dar dicas. Não só em relação à técnica do desenho, mas especialmente ao conceito de que a charge e os quadrinhos eram armas poderosas de crítica política e social."
"Henfil influenciou muito não só no traço quanto na minha politicação. Não era raro sair de lá com exemplares de jornais políticos da imprensa alternativa debaixo do braço, como "Opinião" e "Movimento", do qual ele era colaborador."
A influência de Henfil se deu também no traço. Não demorou para os desenhos de Claudio se parecessem com os do professor. Foi a tônica de suas histórias no anos seguintes, como "Bundão e Sua Turma", em que assinava como Cacau.
No início da década de 1980, foi alertado de que seu estilo era "chupado" do de Henfil. Decidiu buscar outros caminhos. Encontrou influência nos desenhistas Nássara e J. Carlos.
O que o chamava a atenção era a possibilidade de usar poucos traços para definir o personagem. Era visível a presença do estilo de J. Carlos nessa fase.
O desenho pessoal que marca as charges diárias do "Agora" veio quando retornou da República Tcheca. Viajou ao país para estudar desenho. Chegou a publicar por lá.
***
A passagem no exterior serviu para amadurecimento teórico e do traço.
Lido em sequência, o livro "Pizzaria Brasil" evidencia isso. A obra faz uma coletânea de suas charges ao longo do tempo.
O curso que ministra nesta semana exigiu dele retomar toda essa trajetória, lida nesta postagem. E pesquisar sobre novos temas, como os mangás, os quadrinhos japoneses.
"Pretendo concentrar a oficina na parte técnica dos quadrinhos, como uma linguagem para contar história e transmitir ideias e valores", diz.
Serviço 1 - Palestra de Claudio Oliveira na 1ª Bienal do Livro e da Leitura no Acre. Quando: quinta-feira (04.06). Horário: das 9h às 11h. Onde: sala de cinema do Sesc de Rio Branco.
Serviço 2 - Oficina de quadrinhos com Claudio Oliveira. Quando: sexta-feira e sábado (05 e 06.06). Horário: das 9h às 11h e das 15h às 17h. Onde: auditório da Prefeitura de Rio Branco, no Acre.
Escrito por PAULO RAMOS às 20h27
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Abril teve projeto de versão jovem de Luluzinha
Projeto foi pensado na década de 1990 e foi engavetado
A editora Abril havia planejado uma versão jovem de Luluzinha e Bolinha na segunda metade da década de 1990. O projeto era desconhecido até o momento e não foi adiante.
A informação veio a público nesta quarta-feira em nota do blog "Papo de Budega", da jornalista Sandra Monte. É de lá a imagem acima, produzida pela Abril na época.
A existência do projeto foi passada a Monte por Primaggio Mantovi, então diretor de redação dos quadrinhos da Abril. Ele não explica o que levou a engavetar a ideia.
***
Segundo Mantovi, o roteirista Gerson Borlotti e o desenhista Fernando Bonini ficaram a cargo das primeiras histórias.
A ilustração que mostra os dois personagens como dois namoradinhos - feita por Bonini - foi a que deu origem ao projeto. E a única que restou no arquivo dele.
A Pixel, um dos selos da Ediouro, lança nesta semana uma revista de Luluzinha adolescente. As histórias foram produzidas no formato mangá. Saiba mais aqui e aqui.
***
Post postagem (03.06, às 14h10): o colega Delfin me alerta, por e-mail, sobre um dado a respeito dessa nota que realmente precisa ser registrado.
A imagem - a única que teria restado no acervo de Mantovi, segundo o "Papo de Budega" - é do álbum "Luciano", publicado por ele e Bonini em 2005 pela Via Lettera.
A versão adolescente de Luluzinha e Bolinha aparece no sexto quadrinho da página 41. Se o álbum é de 2005, como o projeto foi pensado pela Abril quase dez anos antes?
No momento, não sei a resposta. Creio que a história é da década de 1990. Vou checar.
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Post postagem 2 (03.06, às 14h51): Acabei de conversar por telefone com Primaggio Mantovi. Está correta a informação desta postagem.
Segundo ele, a história foi feita na primeira metade da década de 1990. Ficou parada até ser publicada pela Via Lettera em 2005, mesmo ano da morte de Fernando Bonini.
Ele confirma que foi a partir de uma das imagens da história, a que abre a postagem e incluída na obra, que surgiu a ideia de criar uma versão adolescente de Luluzinha.
"O projeto simplesmente não saiu", disse. "Parou no meio do caminho. A diretoria [da Abril] não deu sinal verde." Segundo Mantovi, foram feitas cerca de seis histórias.