|
29.07.10
Quando a quinta-feira chega na quarta-feira Os quadrinhos dos campeões da Copa - II 
Capa da edição desta semana da "El Jueves", revista de humor que tem a quinta-feira no nome, mas é vendida no dia anterior Os dicionários não deixam dúvida: a palavra "jueves", em castelhano, equivalente à nossa quinta-feira. Uma revista espanhola, no entanto, subverte isso intencionalmente. A publicação de humor "El Jueves" chega às bancas ironicamente todos os "miercoles", ou seja, às quartas-feiras. A brincadeira já antecipa ao leitor o tom cômico da obra. A revista é, hoje, a mais tradicional da Espanha na área de quadrinhos. A capa, em geral, traz uma leitura crítica e irônica de algum assunto do noticiário. A desta semana mostra Julián Muñoz, envolvido em um escândalo de corrupção anos atrás e preso por isso. Muñoz havia sido fotografado pela revista "Interviu", completamente nu, tomando sol em um iate. O aluguel do iate, segundo a reportagem, saía mil euros por dia. *** Na parte de dentro, a "El Jueves" tende a ter uma distribuição uniforme em suas 68 páginas - capa e contracapa incluídas. As primeiras páginas, um terço da publicação, costuma dar espaço a charges e quadrinhos referentes ao assunto da capa e a outros temas da pauta jornalística. Na edição de 30 de junho a 6 de julho, o assunto foi a uma proposta de proibição do uso de burcas (capa abaixo). A vitória da seleção do país na Copa do Mundo ocupou o destaque há duas semanas, como já era esperado. 
Os dois terços restantes da revista semanal trazem histórias em quadrinhos de personagens e autores fixos. O espaço varia. Alguns ocupam uma página, outros, duas. Uma das personagens regulares já foi apresentada aos brasileiros. Trata-se de Clara da Noite, que teve uma coletânea lançada pela Zarabatana em 2008. As histórias curtas da prostituta simpática e fogosa são escritas desde 1992 por Eduardo Maicas e pelo argentino Carlos Trillo. Os desenhos são de Jordi Bernet. Atualmente, ela ocupa duas páginas da publicação, um espaço privilegiado, se comparado ao dos demais personagens regulares. *** A lista de personagens fixos, aliás, é longa, beira as duas dezenas. Pinço dois apenas para ilustrar: La Parejita e Tato. La Parejita conta o dia-a-dia bem-humorado de um jovem casal, que hoje já conta com um filhinho. Algo como o seriado norte-americano "Louco por Você". A série, criada e produzida por Manel Fontdevila parece ser uma das mais populares da "El Jueves". O termômetro disso é o número de coletâneas que teve, bem mais de uma. Tato, personagem de Monteys, também teve suas histórias reunidas em livro. O moço é um entregador de pizzas que tenta vencer as dificuldades da profissão e da vida. 
Não são apenas La Parejita, Tato e Clara da Noite que tiveram antologias. O mesmo ocorreu com os demais, em maior ou menor número. As coletâneas são um filão forte da publicação. Tanto que a Ediciones El Jueves, com sede em Barcelona, mantém um espaço específico para vendas no site da publicação. Há diferentes coleções, em diferentes formatos. La Parejita, por exemplo, aparece em pelo menos três obras distintas. Parte dos títulos é encontrada também em livrarias. O site comercializa também outros produtos, como camisetas. Uma forma de franquia, que seguramente ajuda a engordar o faturamento. 
"El Jueves" já se tornou uma espécie de instituição na Espanha. É a única publicação do gênero vendida nas bancas, que de quadrinhos se limitam a outros dois títulos eróticos. A revista semanal existe há 33 anos e já passou os 1700 números. Não sem polêmicas, é verdade. Em 2007, a capa da publicação foi notícia dentro e fora do país e parou na justiça. Manel Fontdevila, de Parejitas, e José María Vásquez Honrubia foram condenados em novembro daquele ano ao pagamento de multa de 3 mil euros cada um (R$ 6.900). A condenação foi por causa de uma charge mostrada na capa da revista. O desenho mostrava o príncipe espanhol, Filipe de Bourbon, fazendo sexo com a esposa, Letizia Ortiz. *** Na charge, o herdeiro do torno dizia à esposa: "Viu? Se ficar grávida, isso vai ser a coisa mais parecida com trabalho que já fiz na vida!" A piada se baseava numa decisão do primeiro-ministro espanhol José Luiz Zapatero de dar 2.500 euros a cada filho que os casais tivessem a partir de então. Uma lei espanhola proíbe injúria a membros da Coroa. Em julho de 2007, a revista havia sido recolhida das bancas. Entidades como a Repórteres sem Fronteiras condenaram na época a decisão, alegando ser um ato de censura. *** Nota: já de volta ao Brasil, vou intercalar a série espanhola com o noticiário nacional. Deixo a semana para a pauta daqui e os fins de semana para a Espanha. *** Próxima parada da série especial: as lojas de quadrinhos espanholas.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 14h08
[comente]
[ link ]
12.07.10
Nem só de futebol vive a Espanha Os quadrinhos dos campeões da Copa - I 
A foto acima foi tirada na Plaza Mayor, de Salamanca, cidade histórica da Espanha. Era essa a visão que tive no último domingo da partida entre Espanha e Holanda pela final da Copa do Mundo. Lá, o jogo havia começado às 20h30. O registro é de uma hora depois. Não é de estranhar o dia claro. O anoitecer inicia na Espanha por volta das 22h, engordado neste verão europeu pela hora adicional de horário de verão. Quando Iniesta marcou o gol da vitória, na prorrogação, era pouco antes das 23h. É de se esperar o que ocorreu depois... Olhos atentos esperando o fim da partida, a explosão da vitória, marcada pelo predomínio do vermelho na camisa do país. 



Salamanca viveu uma noite que o Brasil já havia visto cinco vezes. O título inédito do mundial fez os espanhóis tomarem as ruas. Buzinaço, gritaria, festa a céu aberto. "Yo soy espanhol, espanhol, espanhol", a maioria cantava, com nítido orgulho. Alguns aproveitaram para cutucar: "Maradona donde está?" A temperatura das ruas conseguiam ser maior que os mais de 30 graus registrados na cidade. O noticiário desta segunda-feira dá conta que a explosão ocorreu por todo o país. Mesmo Barcelona, que na véspera havia hospedado uma histórica manifestação de protesto em prol do separatismo, teve momentos de festa. *** Quando soube há pouco mais de um mês que passaria julho na Universidade de Salamanca em um intercâmbio, não imaginava que estaria no país certo, no dia certo. Foi uma experiência surreal acompanhar o jogo daqui. Mesmo com o Brasil fora do mundial, segui as mesmas emoções que conhecemos tão bem nos dias de Copa. A vitória da Espanha vai pôr o país em evidência no noticiário por mais alguns dias. Depois, página virada. Que venham as eleições presidenciais brasileiras. Mas é possível aproveitar o tema para convidar o leitor a enxergar um pouco mais o país não apenas no futebol, mas também por meio de seus quadrinhos. *** Assim como ocorreu com a Argentina, em que nos debruçamos mais detalhamente para conhecer a produção de lá, não sabemos muito sobre os quadrinhos espanhóis. Aliás, quadrinhos não. Hoje, são mais conhecidos como "comics", influência direta dos Estados Unidos. Mas ainda é possível ler aqui e ali o termo "tebeos", algo como ocoreu com o "Gibi", no Brasil. "Tebeo" oficializou o nome dos quadrinhos espanhóis por conta da revista "TBO", popular por décadas no país. O primeiro número foi publicado em 17 de março de 1917. A publicação seguiu até a década de 1980. O que existem hoje são reedições, em capa dura, voltadas ao leitor adulto. Já saíram dez volumes. O primeiro está na quinta edição. *** Essas informações foram extraídas do texto introdutório de um dos volumes com coletâneas da "TBO". A edição também permite ter uma ideia de como era a revista infantil. A publicação trazia quadrinhos de diferentes autores, alguns passatempos, textos curtos. Algo bem parecido com a nossa "Tico-Tico", publicada por décadas por aqui. Alguns dos personagens eram regulares. Caso de Méliton Pérez, um homem de chapéu dono de si e que costumava ter a palavra final das tiras cômicas que protagonizava. O personagem foi uma das criações do desenhista Benejam (1890-1975). 
Capa de um dos volumes de coletâneas da revista "TBO" Os tebeos - ou comics - inexistem no "kioscos", nome das bancas de jornal espanholas.
Os pontos de venda priorizam as revistas e os jornais, que não mantêm a tradição de publicar tiras diárias - salvo um ou outro, com personagens norte-americanos. Há três exceções. Duas revistas com quadrinhos eróticos e a humorística "El Jueves", muito popular no país. Já foi até alvo de condenação judicial. "El Jueves" é a próxima parada da série especial sobre os quadrinhos espanhóis.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h25
[comente]
[ link ]
São Paulo e Ceará divulgam projetos de quadrinhos Uma mesma notícia uniu São Paulo e Ceará. Os dois estados divulgaram, com diferença de dois dias, os vencedores de editais de incentivo à produção de histórias em quadrinhos. A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo tornou públicos os selecionados na última sexta-feira via "Diário Oficial". O governo contemplou dez projetos. Os responsáveis irão receber R$ 25 mil cada um. Os vencedores e os projetos aprovados foram estes: - Laudo Ferreira Junior - Histórias do Clube da Esquina
- Celso Menezes - Jambocks: Defendendo o Canal do Panamá
- Bruno dos Santos Auriema - Vermelho, Vivo
- Alexandre Timmers Montandon - A Chave do Universo
- Jose Aloísio Nemesio Brandão de Castro - Carcará
- Rogério Gonçalves Ferreira Vilela - Acordes
- Roberto de Souza - O Caminho
- Homero Thiago Esteves - Ted Bit e a Senha Mestra
- Leandro Luigi Del Manto - Graffiti
- Leandro José Remícius Barbosa Casco - Nikkei
Dois dos autores, Celso Menezes e Rogério Vilela, já haviam sido selecionados no primeiro edital, realizado em 2008. Menezes escreveu a primeira parte de "Jambocks", que terá agora continuação financiada uma vez mais pelo projeto estadual. Vilela idealizou o álbum "Joquempô". Há outros dez projetos indicados para suplentes. *** Esta é a terceira vez que o governo paulista realiza o edital. As edições anteriores também tiveram dez selecionados e a mesma verba. Os traballhos premiados em 2009 devem ser publicados neste ano. Do edital de 2008, o único trabalho ainda não publicado foi "Anita Garibaldi - O Nascimento de uma Heroína", de Custódio (capa abaixo). O autor já agendou o lançamento para o dia quatro de agosto. 
Biografia de Anita Garibaldi era último trabalho a ser publicado do edital paulista de 2008 No Ceará, o governo criou um prêmio literário para autores cearenses. Os vencedores das 14 categorias foram anunciados na quarta-feira da semana passada. No item quadrinhos, foram inscritos dez projetos. Seis foram selecionados: - André Dias Araújo - Conversa de Leão
- João Belo Junior - Ariosto – A Evolução Natural do Conquistador
- José Eduardo Azevedo Silva - A Batalha de Oliveiros com Ferrabraz: Um Clássico do Cordel em Quadrinhos
- Júlio César de Oliveira Franklin Chaves - O Caminho da Loucura
- Vitor Batista Filgueira - O Inimaginável
- Weaver Ferreira Lima TFP: Tudo Falsamente Permitido
Os valores pagos aos autores das 14 categorias variam de R$ 4.285,71 a R$ 2.857,14, segundo o governo estadual. Os autores terão de produzir uma tiragem mínima de mil exemplares. As bibliotecas estaduais receberão 40% da tiragem.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h17
[comente]
[ link ]
06.07.10
HQMix finaliza indicados à premiação A comissão organizadora do 22º Troféu HQMix divulgou nesta terça-feira os nomes indicados para 26 categorias da premiação, a principal da área de quadrinhos do país. Os vencedores serão escolhidos por meio de votação entre profissionais da área, previamente cadastrados. As demais categorias, como as de chargista, caricaturista articulista e projeto científico, serão definidas pela organização do prêmio. O troféu deste ano terá o formato do Astronauta, personagem de Mauricio de Sousa. *** A cerimônia de entrega será no dia 2 de setembro, às 20h, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo. É o mesmo local onde o evento foi realizado nos últimos anos. Os organizadores do prêmio fizeram uma prévia das indicações durante o mês de junho num blog criado para essa fim. A proposta era fazer uma éspécie de sabatina dos nomes. Com base nos comentários dos leitores, houve algumas mudanças nas indicações e a comissão aceitou criar uma categoria para destacar brasileiros que atuam no exterior. Veja nas próximas postagens os indicados da edição deste ano (todas as categorias apresentam o item "outros", não indicados na relação a seguir).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h11
[comente]
[ link ]
HQMix finaliza indicados à premiação - 2 Desenhista Nacional · André Toral (Os Brasileiros) · Gabriel Bá (The Umbrella Academy, Pixu, Quase Nada) · Guazelli (O Pagador de Promessas, Graffiti 76% Quadrinhos) · Laudo Ferreira (Yeshuah, História do Brasil em Quadrinhos) · Marcello Quintanilha (Sábado dos Meus Amores) · Mateus Santolouco (Cabaret, Encore) · Spacca (Jubiabá) Desenhista Estrangeiro · Alex Robinson (Fracasso de Público) · Chris Ware (Jimmy Corrigan) · Clément Oubrerie (Aya) · Craig Thompson (Retalhos) · Guy Delisle (Crônicas Birmanesas, Shenzhen) · Hayao Miazaki (Nausicaä) · Robert Crumb (Genesis) Desenhista Revelação · Beto Nicácio (Balaiada - A Guerra do Maranhão) · Caio Majado (Orixás) · Guga Schultze (Graffitti 76% Quadrinhos, Saída 3) · Gustavo Duarte (Có!) · Mario Cau (Café Espacial, Nanquim Descartável, Pieces, Quadrinhópole) · Marlon Tenório (Ombros de Gigantes) · Danilo Beyruth (Necronauta)
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h10
[comente]
[ link ]
HQMix finalizado indicados à premiação - 3 Roteirista Nacional · André Diniz (7 Vidas, A Revolta de Canudos, Ato 5) · Daniel Esteves (Café Espacial, Garagem Hermética, Nanquim Descartável, (Quadrinhópole) · Laudo (Yeshuah) · Guazzelli (Graffiti 76% Quadrinhos, Pagador de Promessas, Ragu) · Marcello Quintanilha (Sábado dos Meus Amores) · Sandro Lobo (Copacabana) · Spacca (Jubiabá) Roteirista Estrangeiro · Alejandro Jodorowsky (A Casta dos Metabarões) · Alex Robinson (Fracasso de Público) · Chirs Ware (Jimmy Corrigan) · Guy Delisle (Crônicas Birmanesas e Shenzen) · Hayao Miyazaki (Nausicaä) · Hiromu Arakawa (FullMetal Alchemist) · Rich Koslowski (Três Dedos: Um Escâdalo Animado) Roteirista Revelação · Alex Mir (Orixás, Subversos, Tempestade Cerebral) · Ana Recalde (Patre Primordium - Quadrinhópole) · Bernardo Aurélio (Foices & Facões - A Batalha de Jenipapo) · Edson Rossatto (História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República) · Iramir Araújo (Balaiada - A Guerra do Maranhão) · Marcela Godoy (Fractal) · Sergio Chaves (Café Espacial)
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h10
[comente]
[ link ]
HQMix finaliza indicados à premiação - 4 Projeto Editorial · Calendário Pindura 2010 (Independente) · MSP50 - Maurício de Souza por 50 Artistas (Panini) · Os Bastidores de Watchmen (Aleph) · Peanuts Completo (L&PM) · Nova York - A vida na grande cidade (Quadrinhos na Cia.) · RAGU (Independente) · Subversos (Independente) Ilustrador Nacional · Alarcão · Hiro · Kako · Mauro Souza · Orlandeli · Samuel Casal · Cárcamo Publicação independente de Autor · Duo - Pablo Casado e Felipe Cunha · Entrequadros - Mario César · Macaco Albino - Leandro Robles · Nanquim Descartável - Daniel Esteves · Patre Primordium - Ana Recalde e Fred Hildebrand · Pieces - Mario Cau · Solar - Solo Sagrado - Wellington Srbek Publicação independente de Grupo · Adeus, Tia Chica · Cabaret · Café Espacial · Picabu · Subversos · Tempestade Cerebral · Zine Royale
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h10
[comente]
[ link ]
HQMix finaliza indicados à premiação - 5 Edição Única (One-shot) · Ato 5 - André Diniz (roteiro) e José Aguiar (arte) · Có! - Gustavo Duarte · Histórias de Tio Alípio e Kauê - O Beabá do Berimbau - Marcio Folha · HQ Interlúdio (Banda Cearense sobre o Fim) - Zé Wellington (roteiro), Demétrio Braga, André Pinheiro e Sílvio Romero (arte) e Camila Náglia (arte-final) · Saída 3 - Guga Schultze · Uiara e os Filhos de Eco - André Vazzios, Jussara Nunes (roteiro) Monique Novaes e Everton Teles Valério (arte) · A comadre do Zé - Luciano Irrthum Publicação Mix · Beleléu (Independente) · Panorama dos Quadrinhos Contemporâneos na Alemanha (Independente) · Graffiti 76% Quadrinhos (Independente) · MSP50 - Maurício de Sousa por 50 Artistas (Panini) · Ragu (Independente) · Revista Picabu (Independente) · Tarja Preta (Independente) Livro Teórico · Análise Textual da HQ: Uma abordagem semiótica da obra de Luiz Gê - Antonio Vicente Pietroforte (Annablume) · Fantasma - A biografia oficial do primeiro herói fantasiado dos quadrinhos - Marco Aurélio Luchetti - (Opera Graphica) · Memórias d'O Tico Tico. Juquinha, Giby e Miss Shocking. Os Quadrinhos Brasileiros 1884-1950 - Athos Cardoso Eichler (Senado Federal) · O Mocinho do Brasil - A história de um fenômeno editorial chamado Tex - Gonçalo Junior (Editora Laços) · Muito além dos quadrinhos - Waldomiro Vergueiro e Paulo Ramos (org.) (Devir) · Poeta do lápis: Sátira e Política na trajetória de Angelo Agostini no Brasil Imperial - Marcelo Balaban (Unicamp) · Leitura dos Quadrinhos – Paulo Ramos (Contexto) Mídia sobre Quadrinhos · Banca de Quadrinhos (tv) · Bigorna (site) · Blog dos Quadrinhos (blog) · HQ Além dos Balões (tv na internet) · Impulso HQ (site) · Mundo dos Super-Heróis (revista) · Universo HQ (site)
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h09
[comente]
[ link ]
HQMix finaliza indicados à premiação - 6 Editora do Ano · Cia. da Letras · Conrad · Devir · GAL · JBC · Panini · Zarabatana Publicação de Clássico · Bidu 50 Anos - Maurício de Souza (Panini) · Calvin e Haroldo - A Hora da Vingança - Bill Watterson (Conrad) · No Rastro de Masamune - Luiz Saidenberg (Marca de Fantasia) · Peanuts Completo: 1950 a 1952 - Charles M. Schulz (L&PM) · Samurai - Júlio Shimamoto (EM Editora) · Watchmen - Edição Definitiva - Alan Moore, Dave Gibbons e John Higgins (Panini) · Verão Índio - Hugo Pratt e Milo Manara (Conrad) Publicação de Tiras · A Cabeça é a Ilha - André Dahmer (Desiderata) · Calvin e Haroldo - A Hora da Vingança - Bill Watterson (Conrad) · Macanudo - Liniers (Zarabatana) · Mutts - Os Vira-Latas - Patrick McDonnell (Devir) · Níquel Náusea - Um Tigre, Dois Trigres, Três Tigres - Fernando Gonzales (Devir) · O Caroço no Angu (Independente) · Vida Boa - Fábio Zimbres (Zarabatana) Publicação de Aventura/Terror e Ficção · A Torre Negra - O Longo Caminho para Casa - Stephen King - Peter David, Jae Lee e Richard Isanove (Panini) · J. Kendall - Aventuras de uma Criminóloga - Giancarlo Berardi, Giuseppe de Nardo e Lorenzo Calza (roteiro) e Mario Jannì (desenhos) (Mythos) · Mágico Vento - Gianfranco Manfredi e Ivo Milazzo (Mythos) · Homunculus (Panini) · Oninbo e os Vermes do Inferno - Hideshi Hino (Zarabatana) · Tex - Edição Histórica - G.L. Bonelli, Galeppini e Virgílio Muzzi (Mythos) · Vertigo - vários (Panini)
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h09
[comente]
[ link ]
HQMix finaliza indicados à premiação - 7 Publicação Erótica · As Aventuras Secretas - Denis Rodrigues (Dinâmica) · Clic 4 - Milo Manara (Conrad) · Encontro Fatal - Milo Manara (Conrad) · Futari H - Katsu Aki (JBC) · Love Junkies - Kyo Hatsuki (JBC) · Verão Índio - Hugo Pratt e Milo Manara (Conrad) Edição Especial Estrangeira · Crônicas Birmanesas - Guy Delisle (Zarabatana) · Fracasso de Público - Heróis mascarados e amigos encrencados - Alex Robinson (Gal Editora) · Gênesis - Robert Crumb (Conrad) · Jimmy Corrigan - O Garoto mais Esperto do Mundo - Chris Ware (Quadrinhos na Cia.) · Retalhos - Craig Thompson (Quadrinhos na Cia.) · The Umbrella Academy - Suite do Apocalipse - Gerard Way e Gabriel Bá (Devir) · Três Dedos: Um Escândalo Animado - Rich Koslowski (Gal Editora) Publicação de Humor · As Eletrizantes e Etílicas Aventuras das Velhas Virgens - Alexandre "Cavalo" Dias, André Andrade e Deivy Costa (Independente) · Capitu - Sacramento de Oliveira e Turbay (Independente) · É tudo mais ou menos verdade - Jornalismo investigativo, tendencioso e ficcional - Allan Sieber (Desiderata) · Fráuzio - Ares da Primavera - Marcatti (Devir) · Mad - vários (Panini) · Mundo Canibal - vários (Mythos) · Roko-Loko - Hey Ho, Lets Go! - Marcio Baraldi (Grrr!!!...) Adaptação para outro veículo - Aline (série de TV)
- Avenida Dropsie (teatro)
- Batman - Arkham Asylum (video game)
- Los Três Amigos (curta de animação)
- Watchmen (filme)
- X-Men Origens: Wolverine (filme)
- Death Note (teatro)
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
[comente]
[ link ]
HQMix finaliza indicados à premiação - 8 Adaptação para os quadrinhos · A Luneta Mágica em Quadrinhos (Panda Books) · Balaiada - A Guerra do Maranhão (Independente) · História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República (Editora Europa) · Jubiabá (Companhia das Letras) · O Cortiço (Ática) · O Guarani (Ática) · O Pagador de Promessas (Agir) Publicação Infantil e Juvenil · 1000 Tiras em Quadrinhos (Independente) · Clássicos do Cinema - Cascão Porker e a Pedra Distracional (Panini) · Disney Big (Abril) · Naruto (Panini) · Nicolau e seus Queridos Vizinhos (Editora Enquadrinho) · Mundo Mendelévio – Planeta Telúria (Editora Lê) · Turma da Mônica Jovem (Panini) Edição Especial Nacional · Copacabana - S. Lobo e Odyr · Estação Luz - Guilherme Fonseca e Renoir Santos · Fractal - Marcela Godoy e Eduardo Ferigato · MSP50 - Maurício de Sousa por 50 Artistas - vários · Os Brasileiros - André Toral · Sábado dos meus Amores - Marcello Quintanilha · Yeshuah - Laudo Ferreira e Omar Viñole Destaque Internacional (brasileiros com trabalhos publicados originalmente no exterior) · Mike Deodato · Renato Guedes · Greg Tocchini · Ivan Reis · Rod Reis (colorista) · Rafael Albuquerque · Eddy Barrows
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
[comente]
[ link ]
30.06.10
Livros de bolso reúnem tiras de Angeli e Laerte 
Dois livros de bolso reúnem tiras do tempo em que Angeli e principalmente Laerte ainda trabalhavam com personagens fixos. "Skrotinhos" e "Striptiras 4" começaram a ser vendidos neste fim de mês (L&PM, 112 e 144 págs., R$ 11 cada um). A coletânea de "Os Skrotinhos" compila tiras da dupla de personagens conhecida pelas manifestações impróprias, tanto nas atitudes quanto nas palavras. Estão entre as criações mais populares de Angeli. O quarto volume de "Striptiras" traz como destaque, inclusive na capa, o reacionário Capitão Douglas Capricórnio, um dos vários seres criados por Laerte (é dele a tira acima). A obra traz também histórias de Don Luigi. Os dois desenhistas têm direcionado as produções mais recentes em tiras sem personagens fixos. Algumas delas, inclusive, sem serem pautadas no humor. Ambos já tinham lançado outras coletâneas pela L&PM. *** Registro rápido: via Twitter, a L&PM confirmou para o segundo semestre o lançamento do terceiro volume de tiras antigas de Snoopy ("Peanuts Completo: 1955-1956").
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 21h18
[comente]
[ link ]
28.06.10
Cachalote faz aproximação entre quadrinhos e literatura 
Capa do álbum nacional, que começou a ser vendido neste fim de mês
Uma das mudanças mais sensíveis na adaptação de um romance para os quadrinhos é a perda da profundidade dos personagens. Na troca de linguagem, há a tendência de fixação nas cenas mais relevantes da trama. A imagem tende a suprir ou resumir muitos das descrições ou reflexões feitas pelo narrador.
"Cachalote", que começou a ser vendido neste fim de mês (Quadrinhos na Cia, 280 págs., R$ 45), navega contra essa corrente. Consegue levar para os quadrinhos justamente o que as adaptações deixam de lado: a minuciosa construção dos personagens, elemento caro à linguagem literária. O ethos dos protagonistas é formado devagar, ao longo das páginas, muitas delas silenciosas, levando o leitor a inferir por meio da imagem o momento vivido pela pessoa. De tão trabalhada, essa forma de narrar é o que desponta do álbum, mais até do que as histórias em si, criadas pelo escritor Daniel Galera e pelo desenhista Rafael Coutinho. *** "Cachalote" conta paralelamente seis histórias ao longo de três capítulos. A que abre e fecha a obra, enigmática, envolve uma senhora idosa. As demais têm homens como protagonistas. Apesar de não se cruzarem, as tramas têm em comum o fato de os personagens lidarem com distintas formas de decadência pessoal. Cada um procura, então, encontrar um rumo para a vida. O ator chinês beberrão e relapso, acusado do assassinato de um colega. O escultor que vê no cinema uma válvula de escape para o marasmo. O escritor deprimido que mantém uma relação de amizade com a ex-esposa. O funcionário de uma loja de ferragens que se apaixona e tem pudores de fazer com a namorada o mesmo sexo masoquista de antes. O playboy que deixa de viver às custas do dinheiro do tio. *** A parceria entre Galera e Coutinho funciona. As imagens falam por si, são autônomas às palavras em vários momentos, fruto do minucioso trabalho do desenhista, que se dedicou à tarefa por dois anos e meio. Coutinho deixa sua marca na obra e dissocia de vez sua imagem profiisional da do pai - é filho do cartunista Laerte. A leitura sugere que ele pensou com cuidado cada um dos quadrinhos das quase 300 páginas, muitos com bons resultados de experimentação narrativa. A dupla procurou fazer finais abertos a cada um dos seis contos. Isso cria uma sensação de incompletude, uma não-correspondência à expectativa do leitor, que passou páginas e páginas acompanhando a construção e o desenrolar dos personagens. O mesmo vale para a baleia que intitula a obra. Aparece em poucos momentos, mais sugerindo do que articulando sua presença no título. *** "Cachalote" teve um primeiro lançamento no sábado passado, em São Paulo, na loja que tem o mesmo nome do álbum e que tem o desenhista como um dos sócios. Os autores farão outros dois lançamentos nesta semana, um no Rio de Janeiro e outro em Porto Alegre (leia serviço no fim da postagem). O lançamento, enfim, diz a que veio a obra. O eficiente marketing da Companhia das Letras ajudou a construir uma expectativa em torno do álbum, que teve matérias de destaque em mais de um veículo de imprensa e uma prévia na revista "Piauí". Houve até quem rotulasse o trabalho como o "lançamento do ano", burburinho que a editora sabiamente soube alimentar. Exagero (até porque estamos apenas no meio do ano). "Cachalote" tem qualidades, muitas delas em torno do trabalho ímpar de Rafael Coutinho. Mas não é a obra revolucionária que se apregoa. Mesmo a apropriação da forma de narrativa literária já foi vista em outros projetos quadrinísticos. *** O que é revolucionário, isso sim, é a proposta da RT Features, empresa que bancou a parceria entre Galera e Coutinho. A proposta é dar a prioridade do projeto à Companhia das Letras. Se aceito, a editora publica e a RT fica com os direitos de adaptação para outras mídias. A empresa já patrocina outras parcerias de escritores e quadrinhistas, como as de Angélica Freitas e Odyr Bernardi, em "Guadalupe", e Ronaldo Bressane e Fabio Cobiaco, em "V.I.S.H.N.U.", para ficar em dois exemplos já noticiados por este blog. A se pautar por "Cachalote", o resultado tende a dialogar com um público não leitor de quadrinhos e ajuda a construir um novo mercado para a produção nacional. É algo novo, que pode render bons resultados. *** Serviço - Lançamentos de "Cachalote". No Rio de Janeiro. Quando: terça-feira (29.06). Horário: 19h. Onde: Livraria da Travessa. Endereço: r. Visconde de Pirajá, 572, Ipanema. Em Porto Alegre. Quando: quinta-feira, 1º.07. Horário: 19h. Onde: Palavraria Livros & Cafés. Endereço: r. Vasco da Gama, 165, Bom Fim. Preço: R$ 45.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 22h33
[comente]
[ link ]
24.06.10
Os Sousa recupera memórias de uma infância não esquecida 
Capa do livro de bolso da série de Mauricio de Sousa, que há anos não era reeditada no Brasil 
Difícil manter a objetividade jornalística em se tratando de Os Sousa, série criada por Mauricio de Sousa e agora resgatada em uma coletânea (L&PM, 144 págs., R$ 11). A dificuldade é pelo fato de as tiras estarem umbilicalmente ligadas a recordações de outros tempos, que guardo com carinho na memória. Lembranças que a (re)leitura automaticamente ativou. Na infância, quando tinha meus oito anos, mais ou menos, meu pai costumava comprar todos os domingos o jornal da região, o "Diário do Grande ABC" - nasci e ainda moro no "C", São Caetano do Sul. Era o dia em que saía o "Diarinho", suplemento infantil do jornal, com brincadeiras e quadrinhos. E, no caderno de cultura, podia ler as histórias de Os Sousa, há muito não reeditados e agora relembrados. *** A série tinha um quê mais adulto, que destoava com o que Mauricio de Sousa produzia até então. Mostrava cenas - o formato da tira não permitia muito mais que isso - entre dois irmãos, os tais Sousa. As piadas giravam em torno deles, ora em dupla, ora individualmente. Mano, o irmão folgado, solteirão e mulherengo, não raras vezes tornava-se o centro das atenções do leitor. Naquele início dos anos 1980 - a série foi publicada até o final daquela década -, não tinha noção de alguns detalhes, agora mais claros na releitura. A começar pelo sobrenome dos protagonista, o mesmo de Mauricio. O empresário e desenhista inicialmente se baseou em sua própria realidade para constituir as histórias, segundo informa o texto da contracapa do livro de bolso da L&PM. *** Outro dado que não tinha como perceber à época é que a tira, mesmo que não fosse intencional, dialogava fortemente com a Família Trapo, programa de TV protagonizado por Golias na década de 1960. A série em quadrinhos, criada em 1969, é contemporânea. E também tinha em Mano o seu Carlos Bronco Dinossauro, papel interpretado por Ronald Golias (1929-2005). O que também não tinha como saber à época era o poder que essas tiras teriam na memória décadas depois. Lembranças que estavam adormecidas desde que a série deixou de ser publicada. A reedição de parte das tiras traz à tona aqueles momentos da infância em família. Acredito que papai, hoje falecido, também teria gostado de (re)ler algumas dessas piadas.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 11h18
[comente]
[ link ]
21.06.10
Quanto vale conhecer a história de Kick-Ass? 
Capa de "Kick-Ass - Quebrando Tudo", álbum que começou a ser vendido no mesmo dia da estreia do filme Há um custo para conhecer a história "Kick-Ass - Quebrando Tudo", que estreou nos cinemas, nas livrarias e nas lojas de quadrinhos na última sexta-feira. Banquei os valores neste fim de semana. O custo faz jus ao nome do personagem: sai por volta de R$ 76, a depender do valor gasto nas sessões de cinema. O valor é a soma do ingresso para o longa, R$ 16, e o preço do álbum em capa dura da Panini, R$ 60 - é possível encontrar em alguns pontos de venda por 20% de desconto. A história entretém, muito por conta das cenas de ação e das referências às histórias de super-heróis. Mas, analisando friamente, não vale R$ 76. *** Como vem sendo cada vez mais frequente, o filme se baseou numa história em quadrinhos. As oito partes de "Kick-Ass", base para o longa, foram publicadas nos Estados Unidos entre abril de 2008 e março deste ano. A narrativa mostra a mudança na vida do adolescente Dave Lizewski após ele decidir se tornar um super-herói - mesmo sem ter nada de super. O que mais faz é apanhar. Foi assim que foi parar no YouTube e se tornou famoso. "Por que todo mundo quer ser a Paris Hilton e ninguém quer ser o Homem-Aranha?", ele se questiona, logo no início da primeira parte. *** As referências a elementos da mídia, da cultura pop e do universo dos super-heróis são a tônica dos diálogos do protagonista com seus amigos, todos fãs de quadrinhos como ele. No álbum, são várias as referências aos heróis da Marvel Comics, editora de Homem-Aranha e X-Men e responsável pela publicação de "Kick-Ass" pela Icon, um de seus selos. A diferença do selo editorial é que os direitos da série ficam com os autores. No caso, o o roteirista Mark Millar e pelo desenhista Jonh Romita Jr. A dupla participa da produção do longa-metragem. A presença deles pode justificar a fidelidade canina a algumas das sequências da série em quadrinhos. Mas não todas, se comparadas as duas versões. *** Há divergências pontuais aqui e ali - a maioria desnecessária, a bem da verdade. O final - que não será revelado aqui, por motivos óbvios - também é diferente. Mas uma mudança parece ser mais gritante: os uniformes dos heróis secundários. Quando assumiu o papel de Kick-Ass - com um uniforme de mergulho comprado via E-bay -, Dave Lizewski descobriu que havia outras pessoas que se vestiam como heróis e atuavam como tal. Dois deles eram Big Daddy e sua parceria e filha, Hit-Girl. Big Daddy, interpretado por Nicolas Cage, transformou numa versão caricata de Batman no filme, com uma assumida semelhança no uniforme. O longa-metragem também dialoga mais com os super-heróis da DC Comics, de personagens como Super-Homem e Batman. Um motivo possível é que eles dialogam melhor com o público do cinema, não iniciado na área. *** Tanto o filme quanto o álbum entretêm. Na tela, há uma interpretação inspirada da jovem atriz Chloe Moretz, que faz a violenta Hit-Girl. As melhores cenas são com ela, algumas à la Matrix ou longas do diretor Quentin Tarantino. No álbum, a história mescla violência e referências aos quadrinhos, numa arte inspirada de John Romita Jr. que desenhou por muito tempo as aventuras do Homem-Aranha. Mas as duas versões não resolvem a contradição de se propor a discutir como seriam os super-heróis num mundo em que eles não existem por meio de uma história como muitas outras do gênero. A edição da Panini, em capa dura e com 212 páginas, cobra um preço alto para uma obra assim, por mais qualidades que tenha. Por R$ 60, o leitor pode comprar nove revistas mensais de heróis da editora - e ainda sobra R$ 1,50 para um café.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 17h28
[comente]
[ link ]
17.06.10
Cartunistas estão com medo de participar do Salão de Piracicaba "Os cartunistas estão com medo de falar". "Eles estão receosos, não querem tomar partido. Por ´tomar partido´ digo participar do salão". As duas frases são de Eduardo Grosso, atual chefe do Centro de Documentação, Pesquisa e Divulgação do Humor Gráfico, que cuida do Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Grosso assumiu o cargo de Maria Ivete Araújo, a Zetti, afastada em dezembro de 2009 e motivo de protesto de três associações de desenhistas, que recomendaram à classe protestar sobre o caso. *** Na leitura de Grosso, o caso criou entre os cartunistas um clima que ele compara a uma guerra, como se os desenhistas tivessem de tomar lados opostos de um conflito. "Pessoalmente, eu tenho a preocupação de que vai desgastar algo que é maior que tudo isso, que é o próprio salão. A gente passa, o salão fica", disse ao blog, por telefone. O artista plástico disse que se reuniu com as entidades de cartunistas, em São Paulo, para chegar a um acordo. "O caso da Zetti está envolvido num contexto administrativo", diz. Segundo ele, a saída esteve pautada num desgaste dela com os funcionários e com a prefeitura, que controla a área. O município disse, em janeiro, que se tratava de uma renovação no setor. *** O pedido de protesto ao salão foi formalizado nos últimos dias e noticiado pelo blog na última segunda-feira. O texto foi assinado pela ACB (Associação dos Cartunistas do Brasil), SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil) e Imag (Instituto Memorial de Artes Gráficas do Brasil). O posicionamento encerra uma discussão virtual entre as mais de 200 pessoas que assinaram uma carta de protesto contra a saída de Zetti e a maneira como ela foi afastada pela prefeitura. As inscrições para a 37ª edição do salão vão até o dia 3 de agosto. Até o momento, 120 desenhistas de 20 países - entre eles o Brasil - enviaram trabalhos para o evento de humor.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h42
[comente]
[ link ]
14.06.10
Associações de cartunistas pedem protesto a Salão de Piracicaba Três associações de desenhistas recomendaram que a classe faça protestos contra o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, que tem abertura em 28 de agosto. O pedido foi formalizado por meio de um e-mail, enviado na semana passada a uma lista de mais de 200 cartunistas e profissionais da área de quadrinhos. O motivo do racha, agora oficial, é para marcar a falta de diálogo da Prefeitura da cidade do interior paulista sobre o afastamento da ex-coordenadora do salão. Maria Ivete Araújo, a Zetti, foi afastada do cargo em dezembro do ano passado. Os cartunistas entendem que ela foi desligada de forma humilhante e pedem seu retorno. *** O textoé assinado pela ACB (Associação dos Cartunistas do Brasil), SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil) e Imag (Instituto Memorial de Artes Gráficas do Brasil). As três entidades mediavam uma discussão virtual sobre o tema, que se arrastava pelos últimos meses. Em abril, as associações já consideravam um esvaziamento do salão. Participavam do debate mais de 200 pessoas ligadas direta e indiretamente ao evento de humor. Todas se manifestaram contra a exoneração de Zetti. O grupo tem tentado desde o início do ano obter uma resposta definitiva da prefeitura. O último contato ocorreu em 19 de maio, por meio de uma carta. Segundo as associações, não houve resposta. *** "Esgotadas todas as possibilidades de diálogo, estamos convocando todos os cartunistas para um amplo protesto pelo retorno da democracia ao salão e pelo poder de voz dos cartunistas", diz o texto. O comunicado deixa a cargo de cada um a maneira como será feito o protesto. Mas sugere uma data para as manifestações: de junho a agosto de 2010, mês de abertura do salão. "As formas de protesto podem ser desde enviar cartuns e charges sobre o que aconteceu até protestos como usar camisetas ou enviar e-mail", diz por telefone José Alberto Lovetro, o JAL, presidente da ACB. "Os cartunistas vão usar o que sabem fazer melhor num lugar onde há abertura para isso. Se não houver, será censura, como não houve nem na ditadura." *** Zetti chefiou por 20 anos o Centro de Documentação, Pesquisa e Divulgação do Humor Gráfico de Piracicaba, que cuida do salão. Esteve outros dez anos ligada ao evento. Ela soube que sairia da função por meio de uma carta, recebida dois dias antes do Natal. Segundo a prefeitura disse ao blog na ocasião, o desligamento era para levar a uma renovação. O artista plástico Eduardo Grosso assumiu o cargo dela. As inscrições para a 37ª edição do salão de humor vão até o dia 3 de agosto. *** Leia mais sobre o caso nas postagens de: - 04.01 - sobre o afastamento de Zetti
- 27.01 - carta de cartunistas pede volta de Zetti
- 01º.04 - cartunistas consideram esvaziamento de salão
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h10
[comente]
[ link ]
11.06.10
Livro trará primeiras tiras de Liniers Notícias argentinas - III 
Capa da versão argentina de "Bonjour", que será publicado no Brasil
Antes de "Macanudo", havia "Bonjour". A coletânea da série, de Liniers, será publicada no Brasil. A obra traz os primeiros trabalhos do desenhista argentino.
O álbum será publicado pela Zarabatana, que já mantém em catálogo outra criação dele, "Macanudo". A editora programa pôr no mercado no segundo semestre deste ano. Sem "Bonjour", não haveria "Macanudo". Foi por meio da primeira, publicada no jornal "Página/12", que o autor chamou a atenção do concorrente "La Nacion". A troca de jornal foi mediada pela cartunista Maitena, da série "Mulheres Alteradas". Na nova casa, ele criou as tiras de "Macanudo" e foi descoberto pelo grande público. *** "Bonjour" estreou em setembro de 1999 e já trazia o estilo singular de Liniers. A série de tiras serviu como um laboratório para o que ele faria anos depois em "Macanudo". Publicada uma vez por semana no suplemento "No", "Bonjour" já mostrava os homens de chapéu e os pinguins, personagens que se tornariam regulares em seus trabalhos. A coletânea da série segue no Brasil o mesmo percurso realizado na Argentina: foi lançada depois dos primeiros livros de "Macanudo". A primeira edição de lá é de 2005. "Macanudo" já teve dois livros lançados no Brasil, ambos pela Zarabatana. A editora já prepara o terceiro (capa abaixo). A série é publicada também na "Folha de S.Paulo". 
Capa da edição nacional de "Macanudo 3", que será publicado neste ano A Zarabatana programa, também para o segundo semestre, o lançamento de uma outra coletânea de tiras argentinas, "Batu". A série é feita pelo desenhista Tute, filho do cartunista Caloi, também autor de tiras - são dele as histórias do personagem Clemente, muito famoso no país. "Batu", como "Macanudo", é publicado diariamente no jornal "La Nacion". A diferença em relação ao vizinho de página é que as piadas ocupam o espaço de duas tiras. As histórias são direcionadas a um leitor mais jovem. O personagem-título é um menino magro e cabeludo, que interage com seu cão, Tútum, e o melhor amigo, Boris. *** Com esses títulos, a Zarabatana se torna uma das editoras brasileiras com o maior rol de obras argentinas em catálogo. A editora irá publicar também trabalhos da revista argentina "Fierro", a principal do país, como o blog noticiou na terça-feira. Claudio Martini, editor da Zarabatana, diz que pretende continuar a apostar nesse mercado. "Mas isso vai depender também da aceitação que os livros tiverem", ressalva. "Acredito no sucesso deles, pois trazem trabalhos excelentes, tanto nos desenhos como nos roteiros, e creio que quando o leitor brasileiro conhecer melhor a produção do país vizinho, também vai ficar fã dos quadrinhos argentinos, como já acontece na Europa e outros países da América." *** Leia nas duas postagens abaixo as duas primeiras partes da série "notícias argentinas".
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 09h34
[comente]
[ link ]
09.06.10
Eternauta vai sair no Brasil
Notícias argentinas - II  Obra, uma das principais da Argentina, será publicada pela editora Martins Fontes "El Eternauta", uma das principais histórias em quadrinhos da Argentina, será publicada no Brasil, informação que o blog antecipa em primeira mão. O contrato já está assinado. A obra será lançada pela Martins Fontes. Tanto a editora quanto a família do autor, o roteirista Héctor Germán Oesterheld, confirmaram o acordo. O acerto é para publicar as duas primeiras partes da história, escritas por Oesterheld e desenhadas por Francisco Solano Lopez. Ambas são inéditas no Brasil A primeira a sair é a que deu início à série, publicada na Argentina entre 1957 e 1959. *** "Nós iniciamos a tradução e imagino que consigamos produzir [o álbum] no mais tardar até o fim do primeiro trimestre de 2011", disse o editor Evandro Martins Fontes, que irá publicar a obra no Brasil. Martins Fontes disse que a edição nacional vai se basear numa versão publicada na Espanha, pela Norma Editorial, em comemoração ao cinquentário da série (capa acima). O formato será horizontal, o mesmo como a obra foi publicada na década de 1950. Segundo o editor, o contato para a publicação teve início em 2009, quando ele "descobriu" a obra numa visita à Argentina. A Martins Fontes já mantém no catálogo as obras de Quino. *** "El Eternauta" é considerada uma das mais importantes obras em quadrinhos da Argentina. Vem sendo sistematicamente reeditada no país, inclusive em algumas versões piratas. A história de ficção científica narra a invasão da Terra por alienígenas. O ataque é contado por meio de um grupo de sobreviventes de Buenos Aires. A trama - eleita pelo governo argentino um dos cem livros essenciais para os estudantes do país lerem - foi lançado pela primeira vez pela Editoral Frontera, editora de Oesterheld. Ele retomou a série na década de 1960, numa releitura da obra, desenhada por Alberto Breccia. E, depois, na segunda parte, lançada no final da década de 1970. *** A continuação de "El Eternauta" é vista por muitos como um trabalho mais politizado e casa com o momento pessoal vivido pelo escritor. Durante os anos 1970, Oesterheld aderiu à Juventude Peronista, movimento de resistência aos governos de então. Em 27 de abril de 1977, foi sequestrado, preso, torturado e morto pelos militares, que haviam assumido o poder um ano antes. As quatro filhas dele - duas delas grávidas - e os dois genros também tiveram o mesmo destino. Da família, sobraram a viúva e dois netos. Enquanto isso, "El Eternauta II" continuava sendo publicado normalmente nas bancas, como se o roteirista ainda estivesse vivo aos olhos dos leitores. *** Na próxima postagem da série especial "notícias argentinas": duas coletâneas de tiras do país, inéditas no Brasil, serão publicadas por aqui no segundo semestre.
Escrito por PAULO RAMOS às 16h52
[comente]
[ link ]
08.06.10
Revista argentina Fierro será publicada no Brasil Notícias argentinas - I 
Ilustração de Liniers para a capa da "Fierro Brasil", que será produzida no país pela editora Zarabatana
A principal revista em quadrinhos da Argentina, a "Fierro", será publicada no Brasil pela editora Zarabatana. O número de estreia está programado para o segundo semestre.
A informação é noticiada em primeira mão pelo blog. O contrato foi assinado na virada do mês. A negociação com os responsáveis pela publicação vinha ocorrendo desde o trimestre final de 2009. O acordo prevê o lançamento de uma edição a cada seis meses, com 160 páginas. *** A obra nacional será produzida em formato livro, num tamanho semelhante ao original, 21 cm por 28 cm. A maior parte do conteúdo será uma coletânea de histórias de autores argentinos publicadas na revista. O restante será com histórias de quadrinistas brasileiros "Creio ser esta a primeira vez que teremos a publicação no Brasil de uma seleção do que há de melhor sendo produzido lá. E esta seleção passa obrigatoriamente pela revista ´Fierro´", diz Claudio Martini, editor da Zarabatana. "Fierro é uma revista emblemática dos quadrinhos argentinos como, por exemplo, foi a revista ´Metal Hurlant´ para os quadrinhos franceses." *** Na Argentina, a revista é mensal e é vendida no segundo sábado de cada mês com o jornal "Página/12". Tem tiragem em torno de 15 mil exemplares e, segundo os editores, dá lucro. Uma primeira versão foi publicada no país entre 1984 e 1992. Terminou na centésima edição. O retorno ocorreu em novembro de 2006, por meio da parceria com o jornal. Com 64 páginas, a "Fierro" mescla histórias de diferentes autores argentinos. A única exceção é o brasileiro Adão Iturrusgarai, que integra o rol de quadrinistas por morar no país. Parte do conteúdo são narrativas curtas, com diferentes temáticas. A outra parte são histórias maiores, em capítulos, um por edição - chamadas de histórias de "continuará". 
Capa da versão nacional de "Noturno", álbum que inaugura a "Coleção Fierro"
As narrativas em capítulos serão publicadas no Brasil em uma série à parte, batizada por enquanto de "Coleção Fierro". O primeiro número será "Noturno", de Salvador Sanz.
A história foi lançada em capítulos na "Fierro" durante dois anos e dois meses. Foi compilada em livro no fim de 2009. "Noturno" é uma trama de mistério permeada por surrealismo, desenhada num traço hiper-realista, característica do autor. Conta a história de enormes aves, que usam os homens como canal de entrada para nossa dimensão. *** A Zarabatana planeja vender as obras da coleção e a "Fierro Brasil" de duas maneiras: os dois títulos juntos, possivelmente com desconto, ou separados. A editora já tem em catálogo outros trabalhos de autores argentinos, como as coletâneas de tiras de "Macanudo", de Liniers. "Creio que há público para histórias em quadrinhos de qualidade, não importa o país de origem, mas, no caso da ´Fierro´, temos esta barreira que precisa ser rompida", diz Martini. "Penso também que isto é um caminho de mão dupla, e os argentinos também se interessarão mais pela produção brasileira." *** Na próxima postagem da série especial "notícias argentinas": um clássico de lá, finalmente publicado no Brasil.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 09h30
[comente]
[ link ]
07.06.10
Xampu recupera clima cultural dos anos 80 e 90 
Álbum do brasileiro Roger Cruz traz histórias de diferentes personagens ambientadas na cidade de São Paulo Muitos apocalípticos criticavam na década de 1990 a integração de alguns desenhistas brasileiros no mercado norte-americano. O discurso, em linhas bem gerais, dizia que os autores haviam se vendido e dado as costas ao país de origem. Exagero, como se sabe hoje. Mas o tiroteio verbal sugeria ao menos um ponto pertinente: se o mercado daqui fosse consolidado como o de lá, que quadrinhos esses mesmos desenhistas fariam? O paulistano Roger Cruz, um dos autores que fez o percurso Brasil/Estados Unidos, faz um ensaio de resposta no álbum "Xampu - Lovely Losers" (Devir, 80 págs., R$ 29,50). *** Cruz começou a desenhar no mercado estadunidense na década de 1990. Trabalhou e ainda trabalha com super-heróis, em particular os da Marvel, de Homem-Aranha e X-Men. Foi na pausa entre um serviço e outro que ele esboçou o álbum nacional, uma nostálgica volta à São Paulo dos anos 1980 e 90. A obra tem um sabor especial para quem divide a mesma faixa etária do autor - o quadrinista nasceu em 1971. São muitas as referências: as festas ao som dos long plays, as tribos, as bandas de garagem - há mais, a ser descobertos nos detalhes de cada quadrinho. *** Em meio à ebulição de referências, o autor narra a história de um trio de personagens, construídos com um tom biográfico - seja ele real ou não. A bem da verdade, não se trata de uma história, mas de histórias, no plural. Sombra, Max e Nicole têm fragmentos da vida entreleçados ao longo dos sete contos curtos. O leitor descobre o passado, o presente e o futuro deles. E a ligação entre os três, na amizade e num improvável triângulo amoroso - ou quase isso. As narrativas diferem-se umas das outras na escolha do personagem central e no estilo. Destaque para a que mostra a vida de Max, construída por meio de um diálogo com um subentendido entrevistador. *** A concepção dos personagens não é nova. Vem de agosto de 1997, data em que Cruz publicou a primeira história da série no número três da extinta revista "Metal Pesado", que trazia só autores nacionais. O autor, então, assinava como Rock. A trama da revista, contada em três páginas, foi redesenhada e redimensiada para o álbum. É a que abre a obra. Max, Sombra e companhia se mantiveram. Mudou o estilo, menos cartunizado, mais realista. Comparativamente, com resultado melhor. O lado autoral de Cruz faz uma nostálgica volta a um passado não tão distante assim. O álbum é o primeiro de uma trilogia. A se pautar por este, vale esperar pelos outros.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 22h33
[comente]
[ link ]
06.06.10
Livro narra história do beijo nos quadrinhos 
Obra do jornalista Gonçalo Junior é distribuída a clientes de loja de quadrinhos de São Paulo por conta do mês dos namorados A singularidade do beijo esconde história nos quadrinhos. De contatos mais sutis ou sugeridos a outros mais explícitos, o tema é narrado num livro, distribuído desde o início do mês na loja Comix, de São Paulo.
"Smack! O Beijo nos Quadrinhos" (Centopeia, 202 págs) divide as diferentes maneiras de beijar em 11 tópicos, cada um deles encabeçando um dos capítulos da obra. As cenas são mostradas com legendas, que contextualizam os momentos apresentados. Há os liberados, os puros, os de paixão, os orientais - alusão aos mangás, os quadrinhos japoneses -, os heroicos, os poderosos, os adultos, os irreverentes, os assustadores, os excitantes e os proibidos. Um dos censurados no Brasil foi o da minissérie norte-americana "Camelot 3000", versão futurista da história de Rei Artur. O beijo entre duas das personagens foi limado da revista da Editora Abril, que publicava a história em 1986. *** O ar de tabu visto no capítulo sobre os beijos proibidos casa com a proposta que o autor, o jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, procurou dar à obra. Neste resgate sobre a história do beijo, a leitura sinaliza para uma gradativa liberação das amarras sobre os quadrinhos ao longo do século 20. Na leitura do autor, apresentada no capítulo inicial, a ausência dos beijos esteve atrelada a um cuidado pelo qual a área passou, muito por conta do público-alvo, predominantemente infanto-juvenil. O cuidado excessivo gera alguns dados curiosos. Na década de 1930, o beijo, quando havia, era associado à vitória do herói, no fim da aventura. Ele aproveitava e beijava a mocinha da vez. *** A liberação teria começado a ganhar fôlego com os quadrinhos adultos e alternativos da década de 1960. A mudança, depois, foi absorvida pela indústria da área. Mesmo assim, alguns cuidados permaneceram. Gonçalo Junior descobriu, por exemplo, que a história de Branca de Neve, adaptada pela Disney, não mostrava o beijo. O final da narrativa apresentava o príncipe se aproximando do rosto dela. Na cena seguinte, ela já estava desperta. O beijo fica apenas sugerido, momento mostrado pela obra. Outro momento marcante que o livro traz é o recente beijo entre as versões adolescentes de Mônica e Cebolinha, publicado no quarto número de "Turma da Mônica Jovem", lançado em novembro de 2008. *** Relembrar tantos beijos é uma outra forma de narrar a história dos quadrinhos, tema caro a Gonçalo Junior e presente em outras obras dele, como "A Guerra dos Gibis", da Companhia das Letras. O livro foi feito sob encomenda da Comix, loja paulistana especializada em quadrinhos. A proposta é aproveitar o mês dos namorados e distribuir os exemplares aos clientes (a obra não é vendida). O exemplar será dado a quem fizer compras de R$ 150 na loja, de uma só vez ou acumuladas ao longo de junho. Foram impressos mil exemplares. A Comix fica na Alameda Jaú, 1998, bem perto da Rebouças e da Avenida Paulista.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 23h05
[comente]
[ link ]
04.06.10
HQMix: indicados de mais seis categorias Os organizadores da 22ª edição do Troféu HQMix divulgaram nesta semana os indicados de mais seis categorias da premiação, a principal da área de quadrinhos do país. A seleção inclui as categorias tiras, publicação de aventura/terror/ficção, erótica, web quadrinhos, clássicos e mix (nome dado à reunião de diferentes histórias em uma mesma revista). Os indicados são: Web Quadrinhos Publicação de Clássico - Bidu 50 Anos - Maurício de Souza (Panini)
- Calvin e Haroldo - A Hora da Vingança - Bill Watterson (Conrad)
- No Rastro de Masamune - Luiz Saidenberg (Marca de Fantasia)
- Peanuts Completo: 1950 a 1952 - Charles M. Schulz (L&PM)
- Samurai #1 - Júlio Shimamoto (EM Editora)
- Watchmen - Edição Definitiva - Alan Moore, Dave Gibbons e John Higgins (Panini)
- Verão Índio - Hugo Pratt e Milo Manara (Conrad)
Publicação Mix - Beleléu (Independente)
- Cabaret (Independente)
- Graffiti 76% Quadrinhos #19 (Independente)
- MSP50 - Maurício de Sousa por 50 Artistas (Panini)
- Ragu #7 (Independente)
- Revista Picabu #4 (Independente)
- Tarja Preta #6 (Independente)
Publicação de Tiras - A Cabeça é a Ilha - André Dahmer (Desiderata)
- Calvin e Haroldo - A Hora da Vingança - Bill Watterson (Conrad)
- Macanudo #2 - Liniers (Zarabatana)
- Mutts - Os Vira-Latas - Patrick McDonnell (Devir)
- Níquel Náusea - Um Tigre, Dois Trigres, Três Tigres - Fernando Gonzales (Devir)
- Peanuts Completo: 1950 a 1952 - Charles M. Schulz (L&PM)
- Vida Boa - Fábio Zimbres (Zarabatana
Publicação de Aventura/Terror e Ficção - A Torre Negra - O Longo Caminho para Casa #3 de Stephen King - Peter David, Jae Lee e Richard Isanove (Panini)
- J. Kendall - Aventuras de uma Criminóloga #58 - Giancarlo Berardi, Giuseppe de Nardo e Lorenzo Calza (roteiro) e Mario Jannì (desenhos) (Mythos)
- Mágico Vento #89 - Gianfranco Manfredi e Ivo Milazzo (Mythos)
- Melodia Infernal #1 - Lu Ming (Conrad)
- Oninbo e os Vermes do Inferno #2 - Hideshi Hino (Zarabatana)
- Tex - Edição Histórica #76 - G.L. Bonelli, Galeppini e Virgílio Muzzi (Mythos)
- Vertigo #1 vários (Panini)
Publicação Erótica - As Aventuras Secretas - Denis Rodrigues (Dinâmica)
- Clic 4 - Milo Manara (Conrad)
- Encontro Fatal - Milo Manara (Conrad)
- Futari H - Katsu Aki (JBC)
- Love Junkies - Kyo Hatsuki (JBC)
- Verão Índio - Hugo Pratt e Milo Manara (Conrad)
Neste ano, os nomes dos indicados ao prêmio têm sido apresentados por meio de um blog, mantido pela comissão organizadora do HQMix. Veja nas postagens abaixo os selecionados em outras seis categorias do troféu.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h40
[comente]
[ link ]
31.05.10
HQMix: edição estrangeira, humor e adaptação A Comissão Organizadora do 22º Troféu HQMix divulgou nesta segunda-feira os indicados a mais três categorias da premiação de quadrinhos, a principal do país. Os selecionados são para as categorias edição especial estrangeira, publicação de humor e adaptação para outro veículo. Os nomes indicados são: Edição Especial Estrangeira: - Crônicas Birmanesas - Guy Delisle (Zarabatana)
- Fracasso de Público - Heróis mascarados e amigos encrencados - Alex Robinson (Gal Editora)
- Gênesis - Robert Crumb (Conrad)
- Jimmy Corrigan - O Garoto mais Esperto do Mundo - Chris Ware (Quadrinhos na Cia.)
- Retalhos - Craig Thompson (Quadrinhos na Cia.)
- The Umbrella Academy - Suite do Apocalipse - Gerard Way e Gabriel Bá (Devir)
- Três Dedos: Um Escândalo Animado - Rich Koslowski (Gal Editora)
Publicação de Humor: - As Eletrizantes e Etílicas Aventuras das Velhas Virgens - Alexandre "Cavalo" Dias, André Andrade e Deivy Costa (Independente)
- Capitu #1 - Sacramento de Oliveira e Turbay (Independente)
- É tudo mais ou menos verdade - Jornalismo investigativo, tendencioso e ficcional - Allan Sieber (Desiderata)
- Fráuzio - Ares da Primavera - Marcatti (Devir)
- Mad #14 - vários (Panini)
- Mundo Canibal #3 - vários (Mythos)
- Roko-Loko - Hey Ho, Lets Go! - Marcio Baraldi (Editora Rock Brigade)
Adaptação para outro veículo: - Aline (série de TV)
- Avenida Dropsie (teatro)
- Batman - Arkham Asylum (video game)
- Los Três Amigos (curta de animação)
- Watchmen (filme)
- X-Men Origens: Wolverine (filme)
- Death Note (teatro)
Os nomes, neste ano, têm sido apresentados num blog, mantido pela comissão organizadora da premiação. A apresentação dos selecionados teve início neste domingo, com as categorias adaptação para os quadrinhos, edição especial nacional e publicação infantil e juvenil. A proposta do prêmio é ouvir os comentários sobre os indicados e, se for o caso, a comissão admite reavaliar algum nome indicado em caso de eventual omissão. Leia mais na postagem abaixo.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h29
[comente]
[ link ]
30.05.10
HQMix cria blog para mostrar indicados ao prêmio 
A Comissão Organizadora da próxima edição do Troféu HQMix criou um blog para mostrar quem são os indicados ao prêmio, o principal da área de quadrinhos do país. É a primeira vez que a medida é adotada nos 22 anos de existência da premiação. A proposta é que o público possa opinar sobre os nomes selecionados. Segundo texto inserido no blog, a comissão vai levar os comentários em consideração e poderá, eventualmente, reavaliar casos de "omissão ou desconhecimento". Os primeiros nomes selecionados entraram no ar neste domingo. São os indicados a três categorias: adaptação, edição especial nacional e publicação infantil e juvenil. Seguem: Adaptação para os quadrinhos - A Luneta Mágica em Quadrinhos (Panda Books)
- Balaiada - A Guerra do Maranhão (Independente)
- História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República (Editora Europa)
- Jubiabá (Companhia das Letras)
- O Cortiço (Ática)
- O Guarani (Ática)
- O Pagador de Promessas (Agir)
Publicação Infantil e Juvenil - 1000 Tiras em Quadrinhos (Independente)
- Clássicos do Cinema #15 - Cascão Porker e a Pedra Distracional (Panini)
- Disney Big #1 (Abril)
- Naruto #21 (Panini)
- Nicolau e seus Queridos Vizinhos (Editora Enquadrinho)
- Tataribú (Independente)
- Turma da Mônica Jovem #10 (Panini)
Edição Especial Nacional - Copacabana - S. Lobo e Odyr (Desiderata)
- Estação Luz - Guilherme Fonseca e Renoir Santos (Devir)
- Fractal - Marcela Godoy e Eduardo Ferigato (Devir)
- MSP50 - Maurício de Sousa por 50 Artistas - vários (Panini)
- Os Brasileiros - André Toral (Conrad)
- Sábado dos Meus Amores - Marcelo Quintanilha (Conrad)
- Yeshuah - Laudo Ferreira e Omar Viñole (Devir)
*** O blog do HQMix não informa quando serão inseridas as demais indicações. A comissão organizadora trabalha com a ideia de fazer a cerimônia de premiação em agosto ou setembro. Os votos são feitos eletronicamente por nomes ligados à área de quadrinhos, previamente cadastrados. Em 2009, a lista contava com cerca de 2 mil pessoas. O Troféu HQMix, neste ano, é organizado por Andrea de Araújo, Benê Nascimento, Cris Merlo, Daniela Baptista, Gualberto Costa, José Alberto Lovetro - o JAL -, Nobu Chinen, Sam Hart, Silvio Alexandre, Tiago Souza, Waldomiro Vergueiro e Will. A presidência desta 22ª edição é dividida entre a pesquisadora Sônia Bibe Luyten e o jornalista Marcelo Alencar. *** Link: para acessar o blog do Troféu HQMix, clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
[comente]
[ link ]
29.05.10
Desenhista de 13 anos assume tira da Folhinha 
Pedro Cobiaco, desenhista de 13 anos, estreou neste sábado uma nova série no "Folhinha", suplemento infantil do jornal "Folha de S.Paulo". A história inaugural é a mostrada acima. "Eric", nome da série, é sobre um garoto que curte rock´n roll - e batata frita, como diz a tira. Pedro C., como o quadrinista prefere assinar, assume a vaga deixada por João Montanaro, de 14 anos, que havia estreado na "Folhinha" em janeiro deste ano. Montanaro passou a integrar a equipe de chargistas da Folha. O jornal estreou nesta semana, no caderno de vestibular, outra tira, "Os Bixos", de Spacca e Mandrade.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 12h05
[comente]
[ link ]
28.05.10
Registros rápidos Saído do forno 1 A Conrad pôs à venda nesta semana o terceiro volume de "Bórgia", inédito no país (R$ 43). O álbum é escrito por Alejandro Jodorowsky e desenhado por Milo Manara. Os dois volumes anteriores também haviam sido publicados pela editora paulista. Saído do forno 2 Semana, aliás, de muitos lançamentos nas lojas de quadrinhos: versão de "Príncipe da Pérsia" (Galera Record, R$ 39,90), o nacional "Xampu", de Roger Cruz (Devir, R$ 29,50) e novos volumes de "Fracasso de Público" (Gal, R$ 38) e "Ex-Machina" (Panini, R$ 19,90). Saindo do forno Três livros sobre quadrinhos estão prestes a serem publicados: a trajetória de Angelo Agostini, de Gilberto Maringoni (Devir), "Gibi - A Revista Sinônimo de Quadrinhos", escrito por quatro pesquisadores (Via Lettera), e "O Beijo nos Quadrinhos", de Gonçalo Junior. Degustação paulistana 1 O álbum "Katita - O Preconceito é um Dragão" (Marca de Fantasia, R$ 5) tem lançamento neste sábado, às 19h30, em São Paulo (HQMix Livraria, Praça Roosevelt, 142). A personagem lésbica foi criada por Anita Costa Prado e Ronaldo Mendes. Degustação paulistana 2 "Homem Gravidade Zero" (Jaboticaba, R$ 39,90) é um álbum nacional que dialoga com temas da filosofia. O trabalho é de Leo Slezynger, Filippo Croso e Kris Zullo. Os autógrafos serão no dia 01º.06, às 18h30, na Livraria da Vila (r. Fradique Coutinho, 915). Aperitivo para a Copa A mostra "Craques do Cartum na Copa" reúne trabalhos de 11 desenhistas, de Mauricio de Sousa e Ziraldo ao já falecido Henfil. A abertura será na próxima terça, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, em São Paulo). A visita vai até 18.07. Parrilla argentina Faço palestra sobre os quadrinhos argentinos neste domingo, às 14h, na Casa das Rosas, em São Paulo (Avenida Paulista, 37). No mesmo local, mas na véspera, às 15h, há mesa-redonda sobre os quadrinhos japoneses, com editores da JBC. Preparando os ingredientes Dois salões de humor recebem inscrições. Do Piauí, vão até segunda-feira (pelo e-mail fundacaohumor@hotmail.com). O tema é "trânsito e sociedade". O Salão de Piracicaba recebe trabalhos até 3 de agosto para as cinco categorias do evento (link para o site). Lenha na fogueira Pergunta ainda sem resposta: como os cartunistas irão se posicionar ante o Salão de Piracicaba deste ano? A classe havia ensaiado um protesto - alguns falaram até em boicote - para criticar o afastamento de Zetti, antiga responsável pelo evento.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
[comente]
[ link ]
26.05.10
Coleção reúne histórias literárias com personagens Disney 
Capa do primeiro volume de "Clássicos da Literatura Disney", lançado nesta semana nas bancas A Abril aposta alto na coleção "Clássicos da Literatura Disney", que começa a chegar nesta semana às bancas (156 págs., R$ 9,95). A série conta até com comercial de TV. A proposta é reunir ao longo de 20 livros histórias literárias protagonizadas pelos personagens Disney. Nesta estreia, o diálogo principal é com obras de Alexandre Dumas. Em "Os Três Mosqueteiros", história de 62 páginas que abre o livro, Donald faz as vezes de D´Artagnan e seus sobrinhos, o trio de espadachins: Hugo-Atos, José-Portos e Luís-Aramis. Donald D´Artagnan retorna em "O Máscara de Ferro", segunda aventura da obra. A terceira e última história mostra um encontro do pato com Branca de Neve e os Sete Anões. *** As três histórias são inéditas no Brasil, segundo informa o texto introdutório do livro de estreia. Os outros volumes irão mesclar tramas novas com reedições. A programação da editora é lançar um novo volume a cada quinta-feira. O segundo terá histórias de "A Ilha do Tesouro", "Marujos Intrépidos" e "O Fantasma de Canterville". A coleção foi pensada para comemorar os 60 anos da revista "Pato Donald". Por isso, este volume de estreia traz também uma reprodução do primeiro número, de julho de 1950. Foi a segunda revista da Abril, ao contrário do que informa a contracapa do livro. A primeira foi "Raio Vermelho", de maio de 1950, quando a editora ainda se chamava Primavera.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 23h30
[comente]
[ link ]
Uma tira do dia que merece registro 
Da série "Piratas do Tietê", de Laerte, na edição desta quarta-feira da "Folha de S.Paulo".
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 14h13
[comente]
[ link ]
25.05.10
Álbum resgata no Brasil quadrinhos de Tarzan 
Capa de "Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias", álbum que relança histórias do personagem publicadas em 1972 Tarzan foi um dos personagens mais longevos a ocupar as bancas brasileiras. Andava sumido. É resgatado agora num álbum, que relança oito de suas aventuras. "Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias" (Devir, 208 págs., R$ 49) cumpre à risca o que o subtítulo vende: mostra como tudo começou e mais quatro tramas. As histórias são de um momento de transição. O personagem saía da editora norte-americana Gold Key e migrava para a DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem. A estreia em abril de 1972. A nova casa procurou dar um ar de continuidade, mantendo a numeração da revista mensal. Os rumos criativos, no entanto, foram revistos. *** Quem assumiu as histórias do Homem-Macaco foi Joe Kubert, que já trabalhava nos quadrinhos da DC. O quadrinista procurou recriar o clima das primeiras aventuras. "Minha intenção ao fazer Tarzan era injetar a emoção e a proximidade que senti quando li suas histórias pela primeira vez", diz o quadrinista, na apresentação do álbum. A missão incluiu reler a literatura sobre o personagem, lapidada por Edgar Rice Burroughs (1875-1950). O escritor publicou a primeira história de Tarzan em 1912. Do contato com os livros, surgiu a recriação da origem do herói das selvas, algo propício para um momento de reinício da revista editorial da revista nos Estados Unidos. *** Kubert relembra o leitor os fatos que tornaram Tarzan o rei dos macacos. Ainda bebê, ficou órfão em plena floresta africana. Foi criado a partir de então por uma macaca, Kala. O menino se desenvolveu na selva até encontrar caminhos para reconstruir seu passado e o contato com outros humanos. As demais histórias trazem tramas após tais fatos. A reedição do álbum, na prática, funciona como um resgate do personagem no Brasil, como bem relembra um texto, no final da obra, assinado pelo editor Leandro Luigi Del Manto. Tarzan estreou por aqui em 1934, no extinto "Suplemento Juvenil". A carreira como personagem-título de revista em quadrinhos teve início em 1951. Foi publicado até 1989. *** Desde então, o Homem-Macaco tem feito aparições em edições especiais ao lado de super-heróis ou numa luta contra o Predador dos cinemas. Nada à altura de sua trajetória. A estreia do personagem ocorreu em 1929, época em que as tiras de jornais eram quase todas de cunho cômico. Tarzan não. O foco era na aventura, desenhada por Hal Foster (1892-1982), que depois ficou ainda mais famoso com a série "Príncipe Valente". O ingresso da ação agregou um novo gênero às tiras e estimulou uma lista de outros personagens afins: Jim das Selvas, Flash Gordon, Buck Rogers, Fantasma. *** Este álbum é de outro momento do personagem. Mas procura dialogar com o passado dele, inclusive com a participação de Burne Hogarth (1911-1996) na arte de uma das histórias. Hogarth foi quem substitui Hal Foster nos desenhos do Homem-Macaco, em 1937. É tido como uma das principais referências visuais do personagem nos quadrinhos. O trabalho de Joe Kubert procura recriar esse clima das décadas de 1930 e 40. E consegue, em particular nos quatro primeiros capítulos, que narram a origem do herói. O álbum da Devir resgata a importância de Tarzan para os quadrinhos e dá um primeiro passo para o retorno de outras aventuras dele. É algo histórico, que precisa ser recuperado.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 22h46
[comente]
[ link ]
24.05.10
Lelis: de Minas para o Brasil, do Brasil para a Europa - I 
Desenhista divide tempo entre adaptação do romance "Clara dos Anjos" (página ao lado) e segundo álbum para o mercado francês A imprensa daqui costuma dar um generoso espaço aos autores nacionais que conquistam trabalhos nos EUA. Costumam deixar de lado, no entanto, quem publica na Europa. É na França, um dos principais polos mundiais de produção de quadrinhos, que um mineiro começa a se destacar. Já lançou um álbum por lá, em 2009, e já faz os esboços do segundo. Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira, ou somente Lelis, como ele assina suas produções, prepara também dois livros em quadrinhos para o mercado brasileiro. Um é uma adaptação de "Clara dos Anjos", romance de Lima Barreto (1881-1922). O outro é uma reedição de "Saino a Percurá", reunião de contos regionais em quadrinhos. *** A primeira versão de "Saino a Percurá" havia sido publicada em 2001. A nova edição sairá no segundo semestre pela Zarabatana e trata histórias não incluídas no original. A adaptação da obra de Lima Barreto será publicada pelo Quadrinhos na Cia., da Companhia das Letras. E editora espera lançar o trabalho no final do ano. "Clara dos Anjos" tem roteiro de Wander Antunes, outro brasileiro que encontrou espaço no mercado francês. O escritor teve mais de um álbum publicado na Europa. O mais recente é "Toute la Poussière du Chemin", lançado neste ano. A arte é do espanhol Jaime Martin. *** A entrada de Lelis na França se deu por meio de seu blog, o "Aqualelis", mantido desde 2006. Foi lá que foi descoberto pelo roteirista Antoine Ozanam. O escritor entrou em contato com o desenhista mineiro e propôs a parceria. Os dois fizeram o álbum "Last Bullets", ambientado nos Estados Unidos do fim do século 19. A história é uma mistura de faroeste com realismo fantástico. Ozanam já acertou um segundo projeto com Lelis, "Gueules Noires" (bocas negras). O desenhista já rascunha as páginas do novo álbum, ainda sem data para lançamento. *** Nascido em Montes Claros, Lelis trocou o interior mineiro pela capital, Belo Horizonte, por conta da profissão: trabalha como ilustrador no jornal o "Estado de Minas". Aos 42 anos, divide o expediente da redação - onde vai diariamente - com as ilustrações de livros, os trabalhos com quadrinhos e as plantas, uma de suas paixões. Casado com uma psicóloga e pai de Beatriz, de cinco anos, é dono de um jeito cortês, acessível e humilde, que contrasta com a grandiosidade de seu desenho, feito em aquarela. Nesta entrevista, feita após uma série de trocas de e-mail e dividida em duas postagens, Lelis detalha os novos projetos, fala da experiência no exterior e sobre o início da carreira. 
Blog - Começo com "Clara dos Anjos". Como surgiu a ideia de fazer a adaptação. Foi uma iniciativa sua ou um convite da Companhia das Letras? Marcelo Lelis - O André Conti, [editor] da Companhia, me procurou. A minha resistência inicial era com relação aos prazos. Negociei com o André durante um tempo para acertarmos um prazo um pouco mais longo. Por fim me deram 15 meses ao invés de 12, como é usual. Blog - Você já havia lido a obra? E outros romances de Lima Barreto? Lelis - Não, nunca havia lido nada do Lima. Blog - Como o Wander Antunes entrou no projeto? A participação dele foi prevista desde o início? Lelis - Inicialmente o André me propôs fazer todo o trabalho ou seja, roteiro e arte. De cara declinei. Primeiro porque não sei se daria conta de transformar um romance de um autor consagrado em um quadrinho potencialmente comercial. E segundo porque não haveria tempo hábil para as duas tarefas. O André então disse que tinha alguns nomes para o roteiro, mas não me disse quais. Aí eu citei o Wander, que é um cara que ensaiamos trabalhar juntos algumas vezes e, por um motivo ou por outro, nunca fizemos nada. Achei que ele seria o cara perfeito. Ele é craque. O André, que já o conhecia, achou boa a idéia e cá estamos. O Wander é muito tranquilo. Ele saca demais esse negócio de quadrinhos e amarra bem demais a trama. Blog - Houve alguma orientação para tornar a obra mais acessível ou didática, de modo a vender o projeto para listas do governo? Lelis - Não. Em nenhum momento houve por parte da editora qualquer tipo de interferência. Pelo contrário, eu e o Wander estamos tendo liberdade total para criar. Da nossa parte, é claro, temos alguns limites que achamos pertinentes e, de comum acordo, procuramos fazer um livro que seja o mais acessível possível. Blog - Quando a obra fica pronta e há previsão de quando seja lançada? Lelis - Fiz um contrato de 15 meses que se iniciou em outubro. Espero terminar antes desses 15 meses previstos. Se isso acontecer, acho que haverá tempo hábil para a Companhia lançá-lo ainda em 2010. Blog - Queria uma opinião sua sobre esse momento das adaptações literárias em quadrinhos. Uma editora grande o contrata para que você adapte a obra de um romancista, mas não uma obra autoral sua. Como você enxerga isso? Lelis - Mas eu nunca apresentei nenhum projeto de quadrinhos à Companhia das Letras ou a qualquer outra editora brasileira. E outra, sou um quadrinista sazonal, não é? De "Saino a Percurá" pra cá são dez anos de hiato. Às vezes nem eu sei como ainda me consideram um quadrinista. Talvez algum outro autor mais profícuo teria mais a reclamar. Mas também penso que isso tudo é um processo. Quando uma editora cria um selo para o segmento dos quadrinhos significa que ela já descobriu que temos um mercado crescente por aqui. Por consequência, as próprias editoras perceberão com o tempo que, além de programas de governo, temos leitores ansiosos por consumirem muito mais do que adaptações. 
Imagem da capa do álbum "Saino a Percurá", que terá uma nova edição neste ano
Blog - Você tinha uma conversa com a editora Zarabatana para relançar "Saino a Percurá". A conversa avançou para algo concreto? Lelis - Sim, sai este ano. O Cláudio [Martini, editor da Zarabatana], muito paciente, aguarda que eu envie as imagens pra ele. É que eu redigitalizei todo o livro e estou terminando de fechar os arquivos. As cores agora estarão mais fiéis aos originais porque a tecnologia dos scanners hoje em relação a 2001 mudou muito. E com meu próprio equipamento posso controlar mais a qualidade. "Last Bullets", por exemplo, eu mesmo digitalizei. Olhando os originais não há muita diferença na impressão final.
Blog - "Saino a Percurá" foi seu único álbum em quadrinhos lançado no Brasil. E no exterior? Lelis - Na Espanha a editora De Ponent fez uma edição de Saino a Percurá que lá se chama "Yendo a Buscar: historietas de Lelis". *** A entrevista com Lelis continua na postagem abaixo.
Categoria: ENTREVISTA
Escrito por PAULO RAMOS às 14h01
[comente]
[ link ]
Lelis: de Minas para o Brasil, do Brasil para a Europa - II 
Blog - De um projeto para outro. Você comenta em seu blog que tem pautado um segundo álbum em parceria com Antoine Ozanam. Do que se trata? Para quando é? Marcelo Lelis - O Antoine é um bom amigo e um excelente roteirista. Nunca me encontrei com ele e arriscamos uma vez um contato telefônico que não foi muito inteligível. Mas, depois do nosso primeiro livro, ele me apresentou algumas histórias que pensava em publicar. Dentre essas histórias, gostei muito de Gueules Noires, ou Bocas Negras, numa tradução literal. É a história de um mineiro do norte da França que, cansado da vida dura nas minas de carvão, decidiu tentar a vida em Paris. A história é muito bonita, cheia de reviravoltas e de personagens fortes. Mas demoramos para acertar alguns detalhes e já havia escrito a ele dizendo sobre a possibilidade de fazer o livro da Companhia da Letras. A [editora francesa] Casterman gostou do projeto, mas resolvi pedir a ele para não fazermos um contrato ainda porque aí não conseguiria entregar dois livros no mesmo ano. Assim, vamos trabalhando nas páginas com calma, para amadurecermos as escolhas gráficas e outros detalhes. Blog - Vocês estiveram juntos em "Last Bullets". Como foi a experiência de desenhar uma história em quadrinhos para o mercado francês? Lelis - Realmente foi estupenda. O mercado europeu de quadrinhos sempre me interessou. Mais até que o norte-americano. Uma das coisas que ficaram nessa minha experiência é o quanto eles levam a sério o quadrinho. Não é só uma forma de expressão. É algo muito maior que fica até difícil pra gente aqui no Brasil entender. Sabe aquele negócio do gringo que chega aqui e vê um menino fazendo embaixadinha até com uma laranja? A comparação parece exdrúxula, mas confere. Assim como o futebol está em todo lugar aqui, lá podemos dizer que o quadrinho está no sangue deles. Se simplificamos dizendo que eles têm mais condições financeiras do que nós, erramos se compararmos os países europeus, tão ou mais ricos que os franceses e que nem por isso têm uma produção equivalente. Pelo contrário. A Alemanha, que tem uma economia mais pujante não produz 1% do que eles fazem. Então a resposta é outra. Fazer parte dessa engranegem, publicando em uma das 5 maiores editoras franco-belgas foi muito motivador. Você abre um novo horizonte. Se não dá pra viver só de quadrinhos hoje, dá pra projetar a médio prazo viver dele mais do que vivo hoje. E isso é revigorante. Me motiva a criar, a escrever novamente, a focar mais em minha carreira de quadrinista. Blog - Como surgiu o convite para o projeto? Lelis - O Antoine viu meu blog e me escreveu. 
Página de "Last Bullets", álbum desenhado por Lelis, lançado ano passado na França
Blog - Você sente um tratamento diferente entre as editoras de fora e as de cá? Lelis - Se falamos de quadrinhos, lá como aqui eu sou considerado autor, mesmo que eu não seja também o roteirista do álbum. Mas no mercado editorial brasileiro, um ilustrador não tem os mesmos direitos de quem escreve a obra, ao contrario de lá. Por aqui a minha contribuição, digamos, pictórica, se encerra na primeira edição de um livro sem qualquer participação caso a obra ganhe outros rumos. Acho que isso está mudando, principlamente por causa das associações de ilustradores, como a SIB por exemplo, que tem sistematicamente debatido com as editoras essa questão. Blog - Ainda na comparação entre editoras: não precisa me dizer quanto, claro, mas paga-se muito mais por um álbum no exterior? Lelis - São economias e mercados muito distintos né, Paulo? Não podemos comparar um quadrinho institucionalizado como o franco-belga com o do mercado brasileiro. Lá o governo banca muita coisa. Bande dessinée lá é estratégica. Há décadas eles entenderam isso. Depois é pura matemática. Se eles tem um mercado super aquecido, ávido por coisas novas, com cerca de 3.500 novos títulos por ano, com feiras o ano inteiro, a consequência é que o pedaço do bolo é sempre mais generoso. É um sgmento econômico como qualquer outro por lá.
Blog - Além de quadrinista, você tem uma carreira de destaque na área da ilustração. Você tem somados quantos livros já ilustrou? Lelis - Ah, perdi a conta. Com certeza mais de 70. Mas o número exato eu não sei. Blog - Queria entender melhor a sua rotina de produção. Trabalha no jornal "Estado de Minas" todos os dias, na redação ou em casa? Lelis - Trabalho todos os dias das 14 às 21h. Tenho que ir lá diariamente, bater ponto, etc. Um emprego formal, enfim. Blog - Quando - em que horário do dia - sobra tempo para as ilustrações e os quadrinhos? Lelis - Hahaha! Essa foi sua pergunta mais difícil. Não sobra tempo, Paulo. Nem sei como faço tudo isso. Acordo todos os dias às 06:00h para adiantar o que posso. Quando chego em casa, à noite, nem olho para a prancheta. Mas ainda produzo. Acabei de escrever um álbum de 56 páginas. Rafeei umas 25 e assim que der uma brecha começo a finalizar. Não sei o destino dele e nem estou pensando nisso por isso nem dá pra falar muito sobre ele ainda. Só sei que estou curtindo fazer cada página. Blog - E para as plantas? Li em seu blog que você tem um carinho especial pelo assunto. Lelis - Ah, sim. Tenho no lote que estou construindo minha casa/ateliê quatro pés de jatobá, um de pequi (árvove típica do cerrado) e algumas outras que ainda estou identificando. Enchi a paciência da arquiteta para que ela harmonizasse isso tudo. Um amigo me deu uma muda de ipê amarelo. Também gosto de hortas, galinhas, cachorros e cavalos. Enfim, nunca tirei os pés da roça. 
Blog - Queria entender o seu início de carreira. Li uma entrevista sua em que você menciona que desenhava desde os tempos de escola, nas aulas. É isso mesmo? Quando o interesse se tornou profissão? Lelis - Que eu me lembre, comecei ainda no antigo primário (atual ensino fundamental). Uma vez resgatei um caderno repleto de caubóis e jogadores de futebol. Era praticamente um fossil de tão velho. Nas férias escolares, sempre ia para a fazenda do meu avô. Lá pegava uns cadernos e ficava horas desenhando. Me sentava na cerca do curral e enquanto os vaqueiros ordenhavam as vacas eu não desgrudava do caderno. Era muito divertido. Gostava muito também de acompanhar os vaqueiros quando eles levavam o gado para outro pasto ou até mesmo outra fazenda distante. Era uma espécie de viagem a la Guimarães Rosa. Foi um período muito importante e decisivo na minha vida. Tanto que, quando fui fazer "Saino a Percurá", eu nem sabia que faria um livro sobre histórias do sertão. Sabia apenas que tinha um projeto aprovado pela lei de incentivo cultural da prefeitura de Belo Horizonte e que obrigatoriamente teria que entregá-lo num prazo máximo de um ano. Em duas tardes, escrevi todo o livro. Parece que todos os personagens que cruzei na época das minha ferias de infância na roça me visitaram naquelas duas tardes. Sobre o início, quando terminei o segundo grau, fui trabalhar em jornais de Montes Claros. Eram jornais rudimentares com aquele velho processo de impressão tipográfica com aquelas linotipos enormes e usando ainda o chumbo derretido para compor os tipos. Primeiro me colocaram como assistente de repérter policial. Sabiamente viram que meu negócio era outro. A partir daí passei a fazer charges, ilustrações e montar anúncios para o departamento de publicidade. Foi uma grande escola, sem dúvida. Blog - E o uso de aquarela? É sua marca principal? Lelis - 100% das veszes que me procuram pra que eu ilustre um livro, já esperam que eu faça em aquarela. Ainda não sei se isso é bom ou ruim. Blog - Você nasceu e cresceu em Montes Claros, confere? Quando se mudou para Belo Horizonte e como se deu sua passagem por São Paulo? Lelis - Nasci em Montes Claros e fiquei por lá até os 24 anos. Em 1992, meu pai queria vir para Belo Horizonte e me chamou para vir com ele. Nem titubeei. Chegando aqui o primeiro lugar que levei meus desenhos foi o jornal "Estado de Minas". No dia seguinte, já publicava lá. Foi aí que me tornei realmente profissional da ilustração. Em Montes Claros, por motivos óbvios, além de ilustrar, eu desempenhava muitas outras funções. No "Estado de Minas" não. Havia o cargo de ilustrador. Achei engraçado aquilo porque nem sabia que existia essa profissão. Mas foi ali, no dia a dia, ao lado de grandes profissionais, que aprendi muito, Ali comecei a colocar cor nos meus desenhos pela primeira vez. Em 1997, a editora de artes da "Folha de São Paulo" viu meu portfolio através do Osvaldo Pavanelli e me convidou para trabalhar. Não havia internet estável ainda. Os ilustradores enviavam o trabalho através de modem. Era um horror. A conexão caía durante o envio. Então decidi me mudar para São Paulo e trabalhar dentro da redação. Acho que foi uma boa decisão. Além de publicar em um dos maiores jornais do país e fazer grandes amzades, foi legal ficar um tempo em Sampa. Aproveitei para fazer muitos contatos. Mas, quando fui, sabia que seria por um tempo. Sabia que seria o tempo da estabilização da internet. E foi o que aconteceu. No final de 98, negociei com a Folha para trabalhar on-line de Belo Horizonte. A distância não fez a menor diferença. Tecnicamente, é claro. Trabalhava on-line nos chamados pescoções da sexta-feira e nunca deixei o editor de arte na mão. Pelo contrário. Quando alguém estava com problemas, o pessoal da arte me ligava e eu cobria.
Categoria: ENTREVISTA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h37
[comente]
[ link ]
23.05.10
João Montanaro faz charges para a Folha de S.Paulo 
João Montanaro deu mais um passo largo na sua precoce carreira como desenhista. Com 14 anos, ele se tornou um dos chargistas da página dois da "Folha de S.Paulo".
A charge acima foi publicada na edição deste domingo. No início do ano, Montanaro havia estreado uma tira na "Folhinha", suplemento infantil do jornal. Nesta semana, o desenhista foi destaque no programa de Jô Soares, na TV Globo. Ele prepara também sua coletânea de quadrinhos, programada para ser lançada nos próximos meses. *** Leia mais sobre a trajetória precoce de João Montanaro na postagem de 22.04.09 (uma curiosidade: foi a primeira reportagem feita com ele).
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h56
[comente]
[ link ]
21.05.10
Lançamento de Bienvenido em João Pessoa 
Com a ida a João Pessoa, encerro essa maratona inicial de lançamentos de Bienvenido. Com isso, terei tempo de retornar à rotina das postagens aqui no blog. Agradeço a paciência do leitor e a atenção de todos os que ajudaram a divulgar o livro. Valeu mesmo!
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h22
[comente]
[ link ]
14.05.10
Próximas paradas de Bienvenido: Santos, RJ e SP 
Faço nos próximos dias mais três lançamentos de "Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos", obra que publico pela editora Zarabatana (176 págs., R$ 36): - Santos Sábado (15.05), às 19h30, na livraria Realejo (r. Marechal Deodoro, 2, no Gonzaga) - Rio de Janeiro Segunda-feira (17.05), às 19h, na livraria Travessa de Ipanema (r. Visconde Pirajá, 572) - São Paulo Quinta-feira (20.05), às 19h, na Fnac da Avenida Paulista (número 901) Antes do lançamento em São Paulo, vai haver um bate-papo sobre os quadrinhos argentinos e os bastidores da obra, mediado por Eduardo Nasi, do site "Universo HQ" Ficam os convites. Espero poder vê-los nos lançamentos.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h16
[comente]
[ link ]
Álbum relança Drácula de Eugênio Colonnese 
"A Hora do Horror - Drácula de Bram Stoker" reedita história criada pelo desenhista no fim da década de 1960 A ida às bancas de quando em quando traz algumas surpresas. Esta semana é um bom exemplo. As prateleiras expõem um álbum nacional sobre o Drácula de Bram Stoker (Escala, 112 págs., R$ 14,90).
A obra, na verdade, é uma reedição de um trabalho feito pelo ítalo-brasileiro Eugênio Colonnese (1929-2008), produzida no final da década de 1960 para a extinta editora Taika. É preciso olhar com mais atenção a história original para comparar as duas versões editoriais. Na falta dela, confia-se nas informações apresentadas pelo álbum. Um texto, ao final, diz que os quadrinhos do desenhista foram colorizados - eram em preto-e-branco - e a parte verbal foi atualizada. *** Com ou sem explicações, fica evidente que houve um novo tratamento à história. O formato é próximo, por exemplo, é próximo ao das graphic novels. A parte interna também. O molde das graphic novels - e até mesmo o nome - inexistiam na época em que a narrativa foi publicada. Ironia. Hoje, são os quadrinhos de terror nacionais que inexistem. O Brasil foi um grande produtor de histórias de terror entre as décadas de 1950 e 80. Autores nacionais criaram um sem-número de tramas por diferentes editoras. Trazer à vida este Drácula de Colonnese é uma forma de relembrar um pouco dessa época, ainda tão pouco explorada editorialmente e guardada apenas na memória de alguns. *** Colonnese, que adotou o Brasil como morada fixa em 1964, foi um dos principais criadores dessas histórias. Chegou a criar uma editora, a D-Arte, que publicava histórias assim. Ele foi também o pai de uma das personagens mais famosas do gênero, Mirza, a Mulher-Vampiro, homenageada em 2009 no HQMix, principal premiação de quadrinhos no país. Esta reedição tem o cuidado de valorizar os desenhos de Colonnese e de contextualizar a trajetória dele nos quadrinhos e de Drácula no cinema. O tom é de homenagem. O que o álbum não informa são os motivos da reedição: pura homenagem ou a oportunidade de pôr na praça mais uma adaptação. O histórico da Escala sugere a segunda opção.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 09h55
[comente]
[ link ]
13.05.10
Diário de um Banana ainda entretém, mas perde ar de novidade 
Capa do terceiro da série norte-americana, que começou a ser vendido no Brasil
O molde é o mesmo dos demais volumes da série. Talvez por isso a terceira parte de "Diário de um Banana" já perca um pouco do ar de novidade que pautou os dois anteriores. Um sinal disso é que esta nova obra - que tem o subtítulo "A Gota d´Água" (218 págs., R$ 34,90) - já não se preocupa em explicar ao leitor por que foi produzida no formato de um diário. Trabalha-se como se fosse já um fato consumado. Nos primeiros livros, lançados no Brasil em 2008 e 2009, respectivamente, o protagonista Greg Heffley fazia questão de dizer que não era um diário, mas um "livro de memórias". O diário, ou o livro de memórias, havia sido dado pela mãe para que o garoto escrevesse ali o que quisesse. Ele optou por relatar seu dia a dia, da escola às situações familiares. *** A leitura é feita do ponto de vista de Greg. Os relatos dele são mesclados com histórias em quadrinhos, supostamente desenhadas por ele, que se somam à narrativa. O resultado, um híbrido de quadrinhos com literatura infantil, foi o grande diferencial da série no início. A obra vendeu mais de 20 milhões, como a capa faz questão de lembrar. E, como toda boa ideia, passou a ser explorada comercialmente. Gerou outros três volumes e ganhou neste ano uma adaptação para o cinema, "Diary of a Wimpy Kid". A Vergara & Riba, que edita a obra no Brasil, já anuncia outra obra vinculada à série: "Diário de um Banana: Faça Você Mesmo". *** A superexposição e a redundância da fórmula tiram um pouco o brilho deste terceiro volume da série, criada pelo norte-americano Jeff Kinney. Também não é tão divertido quanto os dois livros anteriores. Mas entretém e tem lá seus momentos, como quando o autor ironiza os escritores de livros infantis. "Em primeiro lugar", escreve Greg, em seu diário, "quase não há palavras nesses livros. E imagino que deva levar mais ou menos cinco segundos para se escrever um." "Acredite, foi a coisa mais fácil do mundo. É só inventar um personagem com um nome divertido e depois fazê-lo aprender uma lição no final do livro." *** Kinney, pelo menos, tem o mérito de fugir desse rótulo que ele mesmo autoironiza na obra. Tem um texto afiado, que recria com precisão a identidade de Greg. Os desenhos em quadrinhos, feitos intencionalmente com um estilo infantilizado, também ajudam a tornar a leitura mais fluida, sem serem uma redundância do que se lê. O autor explica em seu site que queria escrever um livro sobre as partes divertidas do crescimento. "Meu acerto na escrita do livro foi fazer as pessoas rirem", diz. De fato, há riso. Mas em menor número que nos anteriores. Esta terceira parte entretém e diverte. E prepara o terreno comercial para o filme. Não muito mais que isso.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 19h41
[comente]
[ link ]
12.05.10
Duas vezes Quino 
"Que Presente Inapresentável!", um dos dois novos álbuns do criador de Mafalda, já à venda nas livrarias Mafalda é, sem sombra de dúvidas, a criação mais famosa de Quino. Mas existe uma produção dele, igualmente rica, produzida após o fim das tiras da personagem, em 1973.
O desenhista argentino dizia querer uma maior liberdade de criação, sem as amarras de um personagem fixo. Enveredou, então, pelas histórias feitas no espaço de uma página. A nova fase, uma vez mais pautada nos caminhos do humor, já foi reunida em diferentes álbuns, nove deles já lançados no Brasil. Agora, a coleção é engordada com outros dois. Os títulos, como de costume, sintetizam algum aspecto da obra. No caso, "Que Presente Inapresentável!" (136 págs., R$ 45) e "Humanos Nascemos" (128 págs., R$ 45). *** Talvez justamente por ser uma busca por maior liberdade, Quino não mantém uma forma, um molde rígido para as produções de humor lidas nos dois álbuns. Elas transitam entre as histórias em quadrinhos tradicionais e o cartum, com diferentes temáticas. Os assuntos vão da falta de segurança ao papel do homem no mundo. A linguagem dos quadrinhos e o tom cômico e crítico é o fio que une todos os trabalhos, cada um deles acima da média. A exceção são os temas ligados ao meio ambiente. A natureza parece ser levada rigidamente a sério por ele. O assunto, quando abordado, não apresenta o tradicional final inesperado, fonte do humor. Traz, ao contrário, uma forte crítica. *** Os dois livros reforçam o catálogo do autor já publicado pela WMF Martins Fontes, editora que também lançou no país as coletâneas de Mafalda. A editora brasileira traduz para o português os álbuns argentinos, publicados por lá pela Ediciones de la Flor, tradicional editora de títulos de humor, inclusive os de Quino. Na argentina, estes e outros álbuns de Joaquín Salvador Lavado - nome completo de Quino - costumam ser tão fáceis de encontrar quanto pôsteres de Carlos Gardel e de Che Guevara. O humor solto do pai de Mafalda é, como dito, acima da média, característica acentuada por um ano ainda morno de bons lançamentos. Quino ajuda muito a preencher esse vácuo.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 10h58
[comente]
[ link ]
11.05.10
O Globo renova página de tiras 
Tira da edição de hoje de "Agente Zero Treze", de Arnaldo Branco e Claudio Mor... 
... e a estrangeira "Dustin", duas das novas séries em quadrinhos do jornal carioca Uma metáfora pinçada da informática ajuda a entender o processo pelo qual passou a página de quadrinhos do jornal carioca "O Globo" nesta semana. É como se fosse um computador, reiniciado do zero. O novo visual da tela é uma versão modernizado, 2.0. Da configuração antiga das tiras, restou apenas "Urbano, o Aposentado", de A. Silvério. O reload teve início no domingo passado. O jornal trouxe apenas séries novas, todas nacionais. A partir de segunda-feira, estreou outras cinco tiras, três delas brasileiras. *** A mudança ocorreu por conta de uma troca de comando do "Segundo Caderno", que reúne as informações culturais do jornal e onde estão abrigadas as tiras. Saiu Artur Xexéo e entreou Isabel De Luca. "Como ela curte quadrinhos, quis mudar a página. Daí, pediu sugestões a mim e ao Rodrigo [Fonseca, repórter do caderno]", explica Telio Navega, que trabalha na área de arte do jornal e que mantém o blog "Gibizada" no portal de "O Globo". "Procuramos escolher boas tiras que ainda não eram publicadas em outros jornais brasileiros. E a ideia foi privilegiar os autores nacionais, principalmente os cariocas." A nova seleção de tiras foi dividida em dois grupos. Uma parte publicada de segunda a sexta e outra, nos finais de semana. 
Por enquanto, como em toda nova tira, o leitor vai sendo apresentado aos personagens. Durante a semana, a página tem estas séries: "Bichinhos de Jardim", de Clara Gomes; a norte-americana "Liberty Meadows", de Frank Cho; a também estadunidense "Dustin", de Steve Kelly e Jeff Parker, inédita no Brasil; "Agente Zero Treze", da dupla Arnaldo Branco e Claudio Mor; "A Cabeça É a Ilha", de André Dahmer, autor de outra série, "Malvados"; "Urbano, o Aposentado", de A. Silvério, a única mantida após as mudanças.
E estas, aos sábados e domingos: - "Menina Infinito", de Fábio Lyra, uma volta das tiras seriadas;
- "Luluzinha Teen", sem indicação de crédito para o autor; também não ficou claro o critério envolvido na seleção da série;
- "Valente", de Vitor Cafaggi, produzida no tamanho equivalente ao de duas tiras;
- o cartum "A Arte de Zoar", de Reinaldo, do Casseta & Planeta, que retorna aos desenhos de humor - arte que ele fazia desde a decada de 1970.
Outra novidade na edição do último domingo foi uma tira em branco. A proposta é ocupar o espaço com trabalhos enviados pelos leitores (podem ser enviados neste link). Com as alterações, "O Globo" deixa de publicar séries tradicionais, como "Recruta Zero", Snoopy", "Hagar", "Turma da Mônica" e "O Menino Maluquinho". *** Post postagem (às 17h39): o colega Telio Navega me corrige uma informação. As tiras do fim de semana valem apenas para o domingo. Os sábados acompanham as séries dos demais dias da semana. Fica valendo essa informação.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h04
[comente]
[ link ]
10.05.10
Panini começa a vender revistas de heróis com menos páginas 
Capa de "Superman 90", um dos títulos mensais que passaram de cem para 84 páginas A anunciada - e aguardada - mudança nos moldes editoriais da Panini começou a ganhar forma neste início de mês. Bancas e lojas de quadrinhos já vendem as primeiras revistas de super-heróis com menos páginas - passaram de cem para 84 páginas. Os dois primeiros títulos com as alterações são "Superman" e "Batman", lançados na última sexta-feira. Cada um custa R$ 6,50. Antes, saíam por R$ 7,95. Apesar das mudanças, a numeração foi mantida. As duas revistas, por exemplo, estão no número 90. *** A redução das páginas e do preço faz parte de uma mudança editorial, oficializada em abril. Nos dois meses anteriores, a Panini impôs aos editores um forte sigilo sobre o assunto, tratado como uma "revolução". A principal alteração foi mesmo no número de páginas e o cancelamento de algumas revistas, válido para títulos da DC e da Marvel, editoras de Super-Homem e Homem-Aranha, respectivamente. A Panini programa também o lançamento de alguns almanaques, com 148 páginas e uma seleção maior de histórias e personagens. *** Nota: a Panini programa para este mês uma overdose de álbuns da Vertigo e Wildstorm, selos adultos da DC. Fazem parte da lista continuações de "Fábulas", "Y - O Último Homem", "ZDM" e "Ex-Machina".
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 12h14
[comente]
[ link ]
07.05.10
Convite: lançamento de Bienvenido em Curitiba
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 00h40
[comente]
[ link ]
06.05.10
The boys mostra lado politicamente incorreto dos heróis 
Álbum escrito por Garth Ennis apresenta um lado B dos super-heróis, mais preocupados com sexo do que com a morte de civis
Há roteiristas de quadrinhos que conseguem impor uma marca pessoal aos textos que escrevem. É o caso, por exemplo, do irlandês Garth Ennis. O escritor costuma permear suas histórias com situações politicamente incorretas, acidamente cômicas. "Preacher", sua série mais famosa, é recheada de situações assim. O estilo retorna agora em "The Boys - O Nome do Jogo", álbum já à venda (Devir, 152 págs., R$ 39,50). As situações corrosivas são lidas em doses homeopáticas. De um cachorrão truculento que transa com delicadas cadelinhas "lulu" à chefona da CIA, sempre subordinada no sexo. Mas o alvo mor da incorreção são os heróis imaginados por Ennis. Os super-seres vivem num mundo de orgias e de abuso do poder, mesmo que à custa de vidas inocentes. *** Os heróis consideram baixas aceitáveis as vítimas que morrem durante as lutas contra os vilões. Eles trabalham até com um percentual de quantos civis podem morrer. Uma das mortes foi a namorada de Hughie Mijão, personagem criado com o rosto do ator inglês Simon Pegg, o Scott da nova versão cinematográfica de "Jornada nas Estrelas". Hughie, de mãos dadas com a namorada, rodava com ela, cheio de amor. Abruptamente, um dos heróis é arremessado e esmaga a moça contra a parede. Apesar de chocante, a cena é aceitável, pelos padrões adotados. Os excessos passam então a ser controlados por The Boys, um grupo de civis com carta-branca do governo. *** O líder da trupe é Billy Carniceiro, inglês que também perdeu a esposa por causa de abusos de um dos super-seres. Desde então, tem direcionado a vida para o combate deles. Nas seis histórias agrupadas no álbum, Carniceiro reorganiza o antigo grupo para, uma vez mais, partir para cima dos heróis. E convida Hughie para compor a equipe. As dúvidas de Hughie e a apresentação do mundo incorreto dos super-heróis - balizado pelo sexo desenfreado - pontuam este início da série norte-americana da Dynamite. Os desenhos são de Darick Robertson, parceiro de Ennis em outros projetos. Mas é a marca do escritor, carregada de humor ácido, que se destaca e que dá o sabor à história.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 11h38
[comente]
[ link ]
03.05.10
Cartunista processo loja de roupas por uso indevido de imagem 
Cartum do desenhista Walmir Orlandeli, premiado em 2005 no Salão de Paraguaçu Paulista...  ... foi usado em camiseta vendida nas lojas Riachuelo sem autorização, segundo o autor O desenhista Walmir Orlandeli entrou com um processo por danos morais e materias contra a Confecções Guararapes, que controla a rede de lojas Riachuelo.
O autor pede indenização mínima de R$ 171 mil por ter um cartum seu usado em uma camiseta, vendida em unidades da loja de diferentes partes do país. "Não é o meu traço, mas é inquestionável que copiaram descaradamente o trabalho", diz Orlandeli, por e-mail. O desenho havia sido premiado em 2005 no 1º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista. Ficou em segundo lugar na categoria cartum. *** Orlandeli ficou sabendo do caso em março de 2009. Um colega de Recife, Laerte Silvino, também ilustrador, viu o cartum estampado na camiseta e informou o autor, por e-mail. "Pedi para enviar uma foto e, comprovado que a estampa era realmente do meu cartum, resolvi procurar na Riachuelo da minha cidade [São José do Rio Preto, no interior Paulista], onde também tinha a camisa." O advogado do desenhista, José Galhardo Viegas de Macedo, deu entrada no processo no último dia 20. O caso tramita na 3ª Vara Cível de São José do Rio Preto. Antes de entrar com a ação, ele diz ter comprado camisetas em lojas em Manaus, Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Campo Grande, São Paulo e São José do Rio Preto. *** As notas fiscais registram que a rede cobrava R$ 19,90 por unidade. Macedo diz que a peça já estava esgotada em Porto Alegre, Florianópolis, Fortaleza e Guaratinguetá. O cuidado em quantificar onde a camiseta era vendida é para fixar o valor da indenização, somado à quantia por danos morais, prevista em 200 salários mínimos. O advogado trabalha com o número mínimo de 3 mil peças vendidas. Se for provado judicialmente que a quantia é maior, a indenização pode ser ampliada. "Vou pedir em juízo para saber nos livros contábeis o valor comercializado", disse Macedo ao blog, por telefone, na tarde desta segunda-feira. *** Outro lado. Em nota, a Riachuelo admite que usou "inadvertidamente a obra intelectual criada pelo cartunista Walmir Orlandeli" e diz ter pedido a retirada da peça do setor de vendas. Leia a íntegra do texto, enviado ao blog pela assessoria de imprensa da loja: "O departamento jurídico das Lojas Riachuelo esclarece que inadvertidamente a obra intelectual criada pelo cartunista Walmir Orlandeli foi utilizada por um funcionário do departamento de criação para a estampa de camisetas, as quais foram imediatamente retiradas da área de vendas após a empresa haver tomado conhecimento do ocorrido, tendo inclusive sido determinado ao departamento responsável que se abstenha de utilizar a citada estampa. A empresa esclarece, ainda, que não foi cientificada quanto a eventual ação proposta pelo cartunista."
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 16h12
[comente]
[ link ]
Agende-se Roda Viva Os desenhistas Gabriel Bá e Fabio Moon participam hoje, às 22h, do "Roda Viva", da TV Cultura. Os dois irmãos serão entrevistados por André Forastieri, Érico Borgo, Danilo Gentili e este jornalista. O programa é exibido ao vivo e pode ser visto também pela internet. Charges em Brasília Lailson Cavalcanti inaugura nesta terça-feira, às 17h, a exposição "Arraestaqui - Miguel Arraes em charges de 1979 a 2002". A mostra traz 200 desenhos com o ex-governador e pode ser visitada até o dia 13 no anexo 2 da Câmara dos Deputados, em Brasília. Centenário de Agostini Um debate vai discutir os cem anos da morte do ítalo-brasileiro Angelo Agostini, um dos pioneiros dos quadrinhos no Brasil. Um dos integrantes da mesa-redonda é o pesquisador Antonio Luiz Cagnin. às 8h30, no teatro do Ciee, em São Paulo (rua Tabapuã, 445). Casa das Rosas A Casa das Rosas, em São Paulo, faz uma extensa programação de debates, palestras e oficinas de quadrinhos durante todo o mês. Desenhistas, jornalistas e editores participam do cardápio, em diferentes dias e horários (a relação completa pode ser lida no site). Quadrinhos na bienal A Bienal do Livro de Minas vai ter uma mesa sobre quadrinhos, sob o tema "como casas texto e imagem". O tema será discutido pelos desenhistas Spacca e Lelis e pelo roteirista e editor Wellington Srbek. Dia 19 de maio, às 17h, no Expominas, em Belo Horizonte.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h31
[comente]
[ link ]
02.05.10
Homem de Ferro 2 avança cronologia Marvel no cinema 
Para quem normalmente não acompanha as histórias de super-heróis, o termo "cronologia" talvez seja um ilustre desconhecido. A palavra sintetiza o modo como as histórias são contadas: uma novela sem fim, em que os eventos lidos em uma revista interferem nas aventuras dos demais títulos. A sacada do primeiro longa-metragem de Homem de Ferro, de 2008, foi dar início a uma versão cinematográfica dessa costura narrativa dos quadrinhos do gênero. O recurso é retomado agora no segundo filme da franquia, que estreou no Brasil na última sexta-feira. A produção põe novas peças num quebra-cabeças bem maior. *** O diálogo interfilmes ficou mais nítido entre o primeiro longa e o filme do Incrível Hulk, lançado também em 2008. Tony Stark, milionário que usa a armadura do Homem de Ferro, aparece numa das cenas conversando com Bruce Banner, cientista que se transforma no poderoso ser verde. Nesta continuação, há a presença marcante de Nick Fury, chefe da agência de espionagem Shield, já mostrado rapidamente nos créditos do filme de estreia. Fury quer cooptar Stark para integrar o projeto Vingadores que, a exemplo dos quadrinhos, é formado pelos principais heróis da editora norte-americana Marvel Comics. *** Os diálogos com Fury e a presença da Viúva Negra - interpretados por Samuel L. Jackson e Scarlett Johanson -, embora relevantes, ainda ficam em segundo plano. São sementes para o futuro, a ser narrada em outros filmes com integrantes dos Vingadores, caso de Thor e de Capitão América - o escudo dele aparece neste filme. Por ora, o que se tem é outro filme pipoca, descompromissado, com diferenças sutis se comparado ao anterior: menos ar de novidade e mais ação, em especial no fim. Mesmo assim, o Homem de Ferro do cinema continua melhor que muitos quadrinhos do herói. E Robert Downey Jr., uma vez mais, rouba a cena no papel do excêntrico milionário.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 22h51
[comente]
[ link ]
Vida de Estagiário, de Allan Sieber, vai virar série de TV As histórias humilhantes do estagiário Oséas serão narradas numa série, que será exibida pela TV Brasil e tem até dezembro para ficar pronta. "Vida de Estagiário", baseada nos quadrinhos de Allan Sieber, foi um dos três vencedores de seleção do Ministério da Cultura para produção de séries voltadas a jovens. Os outros dois trabalhos aprovados foram "Brilhante Futebol Clube", sobre meninas que formam um time de futebol, e "Natália", uma jovem que entra no mundo da moda. O trio vencedor terá verba de R$ 2,6 milhões para produzir 13 episódios de 26 minutos. As séries - e outras cinco concorrentes - tinham ganhado um piloto, exibido em abril deste ano. *** Leia mais sobre a série em quadrinhos "Vida de Estagiário" neste link.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h43
[comente]
[ link ]
27.04.10
Convite: lançamento de Bienvenido em São Paulo 
Lanço no próximo sábado, dia 1º, "Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos", livro-reportagem que publico pela editora Zarabatana. Será às 19h30, na HQMix Livraria, em São Paulo. Fica na Praça Roosevelt, 142, no centro. Fica o convite, público, aos leitores do blog. Espero poder vê-los por lá.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 16h06
[comente]
[ link ]
Criminal inicia trama policial escrita por Ed Brubaker 
Série norte-americana, lançada em álbum pela Panini, narra história do ponto de vista do bandido O escritor norte-americano Ed Brubaker já soma um currículo de boas histórias no circuito dos super-heróis que credencia um voto de confiança para "Criminal".
A série roteirizada por ele estreia neste fim de mês no Brasil (Panini, 148 págs., R$ 39). "Criminal Volume 1: Covarde" reúne os cinco primeiros números da história. O tom é semelhante a outros trabalhos de Brubaker, conhecido hoje por títulos como "Demolidor" e "Capitão América" (foi ele quem "matou" o herói). É uma costura de elementos que vão sendo desenrolados página a página, edição a edição. E que tem no mistério o fio condutor que fisga e atiça a curiosidade do leitor. *** "Criminal", como tantas outras histórias e filmes policiais, inverte o foco narrativo: prefere o bandido aos detetives. Com um diferencial: o vilão é mais do bem que os policiais. O protagonista é Leo Patterson, conhecido no meio por planejar meticulosamente cada operação, observando sempre o ponto fraco da segurança do objeto a ser roubado. Outra característica dele é ter sempre uma rota de fuga caso algo sai do controle. Por isso, é visto por muitos como covarde - adjetivo que intitula este primeiro conjunto de histórias. Neste início da trama, Patterson se une a um grupo de policiais corruptos para roubar uma bolada em diamantes. Durante o roubo, uma inesperada reviravolta dá início à história. *** "Criminal" é um dos títulos da Icon, selo da Marvel Comics voltado a trabalhos autorais e direcionados a um leitor mais adulto - este álbum traz uma recomendação para maiores. É uma história bem amarrada, que prende o leitor, como tantas outras de Brubaker. É correta e premiada nos Estados Unidos, mas não é nada excepcional. Excepcionalidade que justificaria o tratamento editorial dado ao álbum, com papel especial e capa dura, qualidades que encarecem a obra ao leitor. Mas não é o caso. Só para ficar num exemplo nos mesmos moldes: outro álbum da Panini, "Loveless", também com cinco histórias, tem capa cartonada e sai por R$ 16,90, menos da metade do preço. Editora e leitor fariam melhor negócio se "Criminal" tivesse o mesmo tratamento.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 15h32
[comente]
[ link ]
26.04.10
Escapista traz última história feita por Will Eisner 
História criada pelo quadrinista norte-americano foi finalizada dias antes de ele morrer, no início de 2005 O álbum não é sobre Will Eisner. Mas a presença de uma história curta do escritor e desenhista acabou por roubar a cena de "As Incríveis Aventuras do Escapista". A obra, que começou a ser vendida neste final de mês (Devir, 192 págs., R$ 44,50), traz a última narrativa produzida pelo quadrinista, inédita no Brasil. Por ironia, a história de seis páginas tem como protagonista Spirit, personagem criado por Eisner na década de 1940 e que o tornou popular e um dos mais importantes do mundo. A ironia é que criador e criação ficaram décadas sem renovarem a parceria. O novo encontro de ambos foi também o último. *** Quem revela os bastidores da participação de Eisner é a editora norte-americana da obra, Diana Schutz, em texto sobre o assunto publicado no álbum. Ela diz que o quadrinista não queria fazer a história. Foi convencido por um acordo de conveniência: Michael Chabon, criador do Escapista, faria a introdução da biografia de Eisner e este, em troca, criaria uma narrativa com o Escapista. Mesmo assim, a aventura demorou a ficar pronta. Foi entregue um dia antes da internação dele. O criador de Spirit morreria duas semanas e meia depois, em janeiro de 2005. "É absolutamente apropriado que Will encerrasse um cilco e nos deixasse esta derradeira história do Spirit, um último presente para todos os seus leitores e fãs que, há mais de 50 anos, imploravam por esse dia", diz Schutz, no álbum. *** A derradeira história, como chamou a editora, mostra um encontro do personagem com o Escapista, herói que tem como marca a habilidade de fugir de situações perigosas. O Escapista havia exisitido até então apenas no romance "As Incríveis Aventuras de Kavalier & Clay", publicado por Michael Chabon nos EUA em 2000 - no Brasil, em 2002. O livro mostra dois jovens autores de quadrinhos, Joe Kavalier e Sam Klayman, que criam o personagem nos Estados Unidos na promissora virada de 1930 para 40. Foi nesse mesmo período que surgiram heróis como Super-Homem e Batman e que as revistas do gênero ganharam tanta força quanto os seres que publicavam. *** Este álbum em quadrinhos deixa um pouco de lado a trajetória dos criadores e ajusta o foco no personagem em si. Como ele seria se fossem criados quadrinhos dele? A premissa pautou as 11 histórias da obra, entre elas a de Eisner. Participam da antologia nomes conhecidos, como Howard Chaykin e Brian k. Vaughn, e alguns escritores inesperados, como Harvey Pekar, que fez histórias com Robert Crumb. O próprio Chabon assina um dos roteiros, o que ajuda no diálogo entre romance e álbum. O resultado é interessante e atraente, mas ofuscado pela última narrativa de Eisner.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 09h44
[comente]
[ link ]
25.04.10
Loucas de Amor narra bastidores de livro-reportagem 
Álbum traz oito histórias, desenhadas por Fido Nesti, que mostram fragmentos da apuração feita pelo jornalista Gilmar Rodrigues É comum os seriados norte-americanos de sucesso gerarem crias, outras séries com parte dos atores do elenco original. Há exemplos à exaustão: "Frasier", "Joey", "Angel".
Ocorre um diálogo assim com "Loucas de Amor em Quadrinhos", álbum nacional que começou a ser vendido neste mês (Ideias a Granel, 76 págs., R$ 18). A obra funciona como um complemento de "Loucas de Amor", livro-reportagem escrito por Gilmar Rodrigues, lançado no fim de 2009 também pela Ideias a Granel (160 págs., R$ 33). É como se um fosse continuação do outro. Para entender os relatos em quadrinhos, é preciso compreender e ter tido acesso, antes, à história escrita pelo jornalista. *** "Loucas de Amor" é o resultado de quatro anos de pesquisa e de cerca de cem entrevistas. O objetivo da reportagem em forma de livro é sintetizado no subtítulo: "Mulheres que Amam Serial Killers e Criminosos Sexuais". Rodrigues relata no prefácio que a fagulha para se enfronhar no tema foi a descoberta de que o Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, recebia cartas de amor. A estranheza é pelo crime que levou Pereira à prisão: ter abusado sexualmente de várias mulheres e ter matado dez delas. Matado e comido, literalmente, parte do corpo delas. O Maníaco do Parque chegou a se casar com uma das mulheres que escreviam para ele. *** A pesquisa de Gilmar Rodrigues revelou outros casos semelhantes. As loucas de amor relatam justamente essas histórias. Os casos são permeados por histórias curtas em quadrinhos, que mostram os bastidores da apuração. A ideia partiu da esposa do jornalista, segundo ele relata no prefácio do livro. "Nos quadrinhos, desenhados por Fido Nesti, produzi uma espécie de making of do livro, temperado com algumas informações obtidas durante as entrevistas, com a intenção de oferecer um alívio, uma janela de respiração dentro de um tema denso." O livro-reportagem traz quatro relatos biográficos do jornalista feitos em quadrinhos, que, de fato, suavizam o teor da obra, ao mesmo tempo em que a singularizam pelo uso do recurso. *** O dado curioso, de bastidor, é que a presença das narrativas jornalísticas em quadrinhos encontrou muita resistência das editoras. De acordo com Rodrigues, valeu a teimosia. "Diziam coisa do tipo ´quadrinho só é conhecido por um grupo restrito´, ´não imagino assunto que combine menos com quadrinhos do que o tema que vocês abordam´, ´que desenhos vulgares!´, ou então diziam simplesmente: ´quadrinhos?´com uma cara de estranheza como se tivessem flagrado o próprio pai vestido de lingeire dançando cancã", diz, no prefácio do álbum em quadrinhos. Visão, no mínimo, estreita das editoras, como prova o álbum. Valeu a resistência do jornalista gaúcho, que hoje mora no Rio de Janeiro, onde trabalha como roteirista para a TV Globo. O texto deste "Loucas de Amor" não é a primeira experiência de Rodrigues com quadrinhos. Há 20 anos, ele foi um dos editores da revista "Dundum", produzida em Porto Alegre. A publicação gerou polêmica por ter usado papel cedido pela prefeitura. A oposição viu no caso uma oportunidade para acusar a gestão municipal de mau uso do dinheiro público. *** Os desenhos do paulista Fido Nesti, ao contrário do que disse um dos editores que avaliaram a obra, não tem nada "vulgares". Ao contrário, resumem com precisão os relatos. Nesti tem ainda poucos trabalhos em quadrinhos, alguns publicados no exterior. O álbum é sua produção mais eloquente na área e só confirma o talento dele em ascensão. "Loucas de Amor em Quadrinhos" reedita quatro histórias do livro-reportagem e traz outras quatro inéditas. Isso acentua ainda mais o diálogo entre as duas obras. É melhor começar a leitura pela reportagem para, depois, migrar para os bastidores do álbum, isso se o leitor encontrar - nem lojas de quadrinhos tradicionais têm. O livro, ao contrário, já consta no catálogo das livrarias e pontos de venda da área. *** "Loucas de Amor em Quadrinhos" foi um dos dez projetos selecionados em 2008 no edital paulista de produção de quadrinhos. Outro projeto foi "Jambocks", resenhado abaixo.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 11h31
[comente]
[ link ]
|