15.05.12

De geek a arte. E de arte, de novo, a geek

 

  • Principal unidade da Livraria Cultura, de SP, cria loja para abrigar quadrinhos
  • HQs, que antes ficavam na loja de artes, dividem agora espaço com games
  • Opção da livraria vai na contramão do cenário editorial construído nos últimos anos

 

"Algumas vezes, você quer ir num lugar onde todos conheçam seu nome. E onde todos ficam felizes quando você aparece por lá."

As duas frases acima são uma tradução livre da canção de abertura do popular seriado "Cheers", estrelado por Ted Danson e exibido nos Estados Unidos entre 1982-1993.

A música procurava ambientar o clima da série. As cenas se passavam num bar, local onde protagonistas e coadjuvantes interagiam e se tratavam como uma família.

Um lugar, enfim, onde se sentiam acolhidos e incluídos. Algo como ocorre lá e cá com as lojas de quadrinhos, conhecidas como "comic shops".

                                                         ***

As lojas especializadas em quadrinhos costumam ser como o bar de "Cheers": um espaço onde o comprador encontra iguais, outros que apreciam as revistas/álbuns como ele.

É uma história muito bem contado por Matthew J. Pustz no livro "Comic Book Culture - Fanboys and True Believers" e cujas ideias resgato aqui nestas linhas.

Na leitura de Pustz, esse modelo de vendas começou a ser desenhado nos Estados Unidos nos anos 1980 e ganhou corpo nas décadas seguintes.

Na prática, serviu para criar não só uma cultura em torno dos quadrinhos, mas também um lócus, um ponto de reunião de admiradores do tema.

                                                         ***

O trabalho de Pustz indica aí a gênese da associação do rótulo "nerd" também a fãs de histórias em quadrinhos, em particular as de super-heróis.

Termo que outra série de TV norte-americana, "The Big Bang Theory", soube trabalhar muito bem e dar ele um ar "pop" - o seriado é baseado em quatro amigos "nerds".

O livro Pustz, se lido criticamente, sugere também um pressuposto: se nas "comic shops" os leitores encontram um lugar comum e familiar, fora dela tinham um gosto marginal.

Marginal no sentido de estar à margem, fora do convencional. E, também por isso, fora do que o sistema cultural socialmente convencionou chamar de arte.

                                                         ***

De tão certo, esse modelo de vendas foi exportado para a América Latina na década de 1990.

Chegou com muita força na Argentina, a ponto de as "historietas" de lá serem rebatizadas de "comics". As lojas de quadrinhos do país, registre-se, chamam-se "comiquerías".

No Brasil, as lojas da editora Devir e da Comix, ambas em São Paulo, foram dois dos primeiros casos semelhantes. Com sucesso. Ambas se mantêm abertas até hoje.

Não por acaso serão usadas pela editora Panini, a partir do mês que vem, para vender algumas das revistas de heróis da DC Comics a um público segmentado.

                                                         ***

As lojas de quadrinhos brasileiras mantiveram o mesmo espírito das estadunidenses. Quem costuma frequentar é quem de fato gosta de histórias em quadrinhos. Um nicho próprio. 

Elas e os leitores viram nos últimos dez, quinze anos, as revistas em quadrinhos dividirem espaço com o formato livro. E este ganhar corpo e penetrar nas prateleiras das livrarias.

De 2006 a 2008, três das principais redes de livrarias do país estimaram um crescimento anual de 30% no volume de quadrinhos com esse molde vendidos por elas.

É de supor que esse número tenha aumentado desde então, a se pautar pelo generoso espaço que as grandes redes têm dedicado ao setor.

                                                         ***

Uma das redes incluídas no levantamento foi a Livraria Cultura. Possui hoje 13 unidades no país, em diferentes capitais, quatro delas na cidade onde começou, São Paulo.

O marco foi uma livraria mantida no Conjunto Nacional, galeria estrategicamente posicionada entre as avenidas Paulista e Augusto, no coração comercial paulistano.

Na última década, a loja tem feito expansões quase anuais. O espaço da frente foi comprado e hoje abriga os três andares da livraria. O cinema ao lado também.

Ainda na galeria, outros pontos ao redor foram incorporados. A antiga loja ganhou novo verniz e funciona ainda hoje como loja de arte. É onde ficavam os quadrinhos.

                                                          ***

No fim de abril, os quadrinhos foram realocados para o segundo andar de uma das lojas da galeria, antes dedicada à editora Record.

O nome do novo espaço é uma aposta da livraria num segmento que, aparentemente, não atingia até então: o dos apreciadores de quadrinhos e games.

Batizada de Geek.Etc.Br., a loja procura dialogar justamente com os "nerds" - sem nenhum sentido pejorativo à expressão. No andar de baixo, games à exaustão.

No canto, um Batman enorme, do tamanho de uma pessoa adulta. A minúscula escadinha que separa os dois pisos leva ao acervo de álbuns em quadrinhos, nacionais e importados.

                                                         ***

Lendo as declarações de quem coordena o projeto, a proposta é a de abrir outras unidades. Uma franquia, portanto. Uma espécie de novo selo da livraria.

Como negócio, a ideia pode ser interessante, principalmente para capitais que não tenham lojas especializadas em quadrinhos.

Mas, do ponto de vista da difusão das histórias em quadrinhos no Brasil, a iniciativa sinaliza para um retrocesso.

Ela vai na contramão do que o meio editorial construiu nos últimos anos. Em vez de agregar mais leitores, volta-se ao modelo do nicho exclusivo de mercado.

                                                          ***

Ter quadrinhos numa loja de arte ou no espaço dedicado aos livros fazia com que tais publicações chegassem a um outro perfil de leitor, mais inclinado à literatura e à pesquisa.

Até então, como já comentado, os quadrinhos eram restritos às bancas ("coisa de criança") ou às lojas especializadas ("coisa de poucos", de "gueto").

Foi esse mercado que algumas editoras souberam enxergam. Um caso é o da Companhia das Letras, que criou um selo próprio, o Quadrinhos na Cia.

É a mesma Companhia das Letras que mantém loja vinculada à Livraria Cultura, localizada ironicamente em frente à Geeks.Etc.Br, no mesmo Conjunto Nacional, em São Paulo. 

                                                          ***

As demais lojas da Livraria Cultura, justo registrar, ainda conservam um espaço dedicado aos quadrinhos. E ainda dialogam com o leitor eventual dessas obras.

As lojas do Conjunto Nacional, no entanto, deram alguns vários passos atrás com a nova estratégia comercial. Do ponto de vista dos quadrinhos, não custa dizer mais uma vez.

Uma saída seria manter dois acervos, um na loja de arte, outro no novo ponto de vendas. Atingem-se, assim, dois perfis de compradores: os habituais e os esporádicos.

Do contrário, a rede volta a enxergar quadrinhos apenas como gueto, como nicho de mercado. E vai no sentido contrário do que ela mesma ajudou a construir no Brasil.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h00
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09.05.12

Caloi (1949-2012)

 

  • Desenhista argentino morreu na madrugada de terça-feira, vítima de câncer
  • Quadrinista foi criador de Clemente, um dos personagens mais populares do país
  • Autor é lembrado também por papel de resistência exercido durante período militar

 

El Libro de Clemente. Crédito: reprodução

 

A Câmara dos Deputados da Argentina viveu um dia diferente na terça-feira. O prédio, que fica na capital Buenos Aires, serviu de velório para o corpo do desenhista Caloi.

Carlos Loiseau morreu na madrugada do mesmo dia, vítima de câncer. As honras dadas a ele reforçam a importância que teve para a história dos quadrinhos do país.

Importância que pautou manchetes dos três principais jornais de Buenos Aires na manhã desta quarta-feira. No "Clarín", onde publicava, toda a página de tiras foi dedicada a ele.

E não só no "Clarín". Desenhistas dos concorrentes "La Nación" e "Página/12" também lembraram o colega em suas tiras e cartuns.

 

Macanudo, de Liniers. Crédito: versão on-line de La Nacion

 

La Nelly. Crédito: versão on-line de Clarín

 

A maior parte das homenagens visuais se pautava em Clemente, principal personagem de Caloi e publicado no jornal "Clarín" desde 1973.

Difícil dizer a que espécie o bicho pertencia. De início, parecia um pássaro de bico comprido que voava para cá e para lá. Com o tempo, firmou-se no solo, onde se popularizou.

A fama foi conquistada em poucos anos. Primeiro, nas próprias páginas do diário argentino. Clemente era personagem secundário. O protagonista era Bartolo, um condutor de bonde.

As posições se inverteram por conta do carismo do animal, enigmático quanto a espécie, mas reconhecível no jeitão portenho. Era mulherengo, torcedor fanático do Boca Juniors.

 

Clemente e Bartolo. Crédito: reprodução

 

O diálogo com o futebol foi o primeiro sinal da popularidade do personagem fora das páginas do jornal. A prova disso foi vista na Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina.

Caloi aceitou que seu personagem, um torcedor como tantos outros argentinos, fosse usado no telão dos estádios de futebol. Tornou-se um grito de protesto.

Um ano antes, o país foi tomado por uma junta militar, que deu início à censura e ao extermínio de resistentes ao regime - estima-se em torno de 30 mil desaparecidos políticos.

Os militares queriam criar uma boa impressão aos outros países. Uma das iniciativas foi uma peça publicitária, que pedia aos torcedores não jogarem papéis no gramado.

                                                           ***

O senão da campanha é que jogar "papelitos" no campo era uma tradição entre os torcedores do país.

Um estranhamento inicial já havia sido feito por Caloi em sua tira. Clemente se perguntava como é que os argentinos ficariam sem jogar papeizinhos no gramado dos estádios?

A resposta foi canalizada justamente no telão que trazia o personagem. Durante os jogos, o personagem aparecia correndo e aparecia a frase "tiren papelitos, muchachos".

Dito e feito. Na final da Copa, quando a Argentina se tornou campeã ao vencer a Holanda, o gramado parecia ser formado por papéis, tamanho o volume arremessado ali.

 

Clemente na Copa do Mundo. Crédito: versão on-line do jornal Clarín

 

A popularidade de Clemente foi repetida também na TV. O bicho ganhou um programa próprio, feito na forma de marionetes. Conseguiu boa repercussão nos anos de exibição.

Repercussão que se prolongou pelo tempo. No começo deste século, o personagem foi um dos mais lembrados num voto de protesto nas eleições do país. Quase venceu.

Na última Copa do Mundo, a então multinacional do petróleo YPF - recém reestatizada pela presidente Cristina Kirchner - usou Clemente como garoto propaganda.

Em Buenos Aires e nas cidades vizinhas, era possível ver enormes outdoors com o bicho e os votos de que a seleção argentina vencesse o torneio.

                                                            ***

Assim como Quino, criador de Mafalda e um dos inspiradores de Caloi, o pai de Clemente foi um criador de cartuns. É algo que o acompanhou desde o início da carreira.

Caloi teve passagens pela revista de humor "Tia Vicenta", uma das mais conhecidas do país na década de 1960. Entrou no "Clarín" no fim daquela década.

Em 1973, foi um dos responsáveis pela composição da página de quadrinhos do jornal. O diário havia decidido publicar apenas tiras nacionais no espaço dedicado aos quadrinhos.

Foi assim que surgiram Bartolo e Clemente. E tantos outros desenhistas até hoje presentes no cenário do país. E que fizeram questão de homenagear o colega nesta quarta-feira.

 

Decur. Crédito: versão on-line de Clarin

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h51
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08.05.12

Com gostinho de saudosismo

 

  • Filme dos Vingadores recupera na tela fórmula popularizada nos quadrinhos
  • Estratégia é reunir diferentes super-heróis em grupo, numa mesma história
  • Longa-metragem já deu certo: lidera bilheterias no Brasil há duas semanas

 

Os Vingadores. Crédito: divulgação

 

A panela é maior, mais pomposa, com potencial a ser saboreada por muito mais gourmets. Mas a receita é a mesma, usada há pelo menos 50 anos.

Os ingredientes são simples. Junte um punhado de super-heróis que já tinham carreira solo, misture com mais uns de menor expressão, mexa bem e ponha na panelona.

Até ganhar forma, essa massa vai apresentar uma sucessão de efeitos, mais ou menos nesta ordem: um ingrediente encontra o outro, briga com ele, faz as pazes, ficam amigos.

Terminado tudo isso, e acrescido um bom vilão - que dá o sabor final ao prato -, sirva a uma plateia eclética. Quanto maior melhor. E eis que se tem um Vingadores prontinho.

                                                           ***

É bem provável que o leitor desta resenha já tenha assistido a "Os Vingadores", em cartaz desde 27 de abril. Afinal, o longa ocupa quase metade das salas de cinema do país.

E com boa repercussão: lidera isolado as bilheterias nacionais há duas semanas.

Quem viu o filme - ou ainda programa ver - sabe que a receita descrita acima sintetiza bem o que se assiste na tela. O vilão da vez é Loki, meio-irmão maligno de Thor.

Os desejos de tomar conta da Terra leva à reunião dos heróis, todos já vistos em produções anteriores, a maioria solo - casos de Hulk, Capitão América, Homem de Ferro e Thor.

                                                           ***

De início, o contato entre os supers causa um estranhamento entre eles, muitas vezes vertido em brigas: Thor contra Homem de Ferro; Viúva Negra versus Hulk e Gavião Arqueiro.

Tudo, claro, com doses cavalares de efeitos especiais, que ofuscam um enredo mediano, se visto a olhos críticos. A interação entre os atores/heróis também sombreiam a trama.

Depois disso, segue o roteiro da receita: todos ficam amigos e unidos em prol de uma causa maior, a luta contra Loki.

A plateia tem se divertido com o prato cinematográfico, a se pautar pelos ingressos vendidos. Mas é um público que talvez desconheça que não se trata de ideia original.

                                                            ***

Esse jeitão de construir histórias com encontros de super-heróis acompanha a Marvel Comics desde que a editora de quadrinhos ganhou corpo no início dos anos 1960.

A receita era mais ou menos a descrita no começo destas linhas.

Um personagem se deparava com o outro, surgia um mal-entendido, uma briga entre eles, que durava até que a estranheza fosse explicada e superada.

E, juntos, claro, partiam para cima do vilão da vez.

                                                            ***

Havia nesses encontros um sabor especial. Afinal, reuniam-se nas mesmas páginas dois super-heróis que eram lidos em revistas diferentes, cada um em seu próprio título.

A criação do grupo dos Vingadores foi justamente para eternizar esse sabor por mais tempo. O ingrediente central seria a presença dos super-heróis da casa.

Foi assim que surgiu a primeira história da super-equipe, publicada nos Estados Unidos em setembro de 1963 na revista "The Avengers".

A capa já apelava para a peculiaridade da revista. Trazia os nomes dos heróis em destaque no alto da página e sintetizava nesta frase: "os maiores super-heróis da Terra".

                                                           ***

Como no cinema, o motivo da reunião do grupo foi Loki. Mas era outra história, de outros tempos, bem mais ingênuos.

O vilão arma para Thor, Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa - os dois últimos ausentes na adaptação para o cinema - pensarem que Hulk precisa ser detido.

É o mote para o quebra-pau entre eles. Ardil esclarecido, juntam-se para dar cabo de Loki. Conseguem e percebem que poderiam fazer mais juntos.

"Cada um de nós tem um poder diferente! Se juntarmos nossas forças, seremos quase invencíveis!" Todos topam. Até o irracional Hulk: "Coitado de quem se meter com a gente!".

                                                            ***

Essa história, para quem tiver curiosidade de ler, foi reeditada no primeiro volume da coleção "Biblioteca Histórica Marvel" dedicado aos Vingadores (lançado pela editora Panini).

Desde a estreia, o título do grupo tem sido editado nos Estados Unidos e traduzido aqui no Brasil. A ideia se mantém a mesma. Mudam apenas os atores e os antagonistas.

A bilheteria generosa que a releitura feita para o cinema tem obtido sinaliza ao menos duas constatações: a receita agradou e chegou a um público não leitor de quadrinhos.

O que os novos espectadores não sabem é que a fórmula é antiga, embora conserve o sabor de novidade. E a plateia de hoje age do mesmo jeito que os leitores de ontem.

                                                            ***

Vale a dica: não saia do filme antes de os créditos terminarem. Lá pelo meio da subida dos letreiros, descobre-se o vilão do provável segundo longa-metragem dos Vingadores.

 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h43
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26.04.12

Navegar é preciso

Assim que a maré de afazeres profissionais baixar, volto a navegar pelas ondas deste blog.

Página está à deriva. Mas o resgate chega em breve.

Até lá, nade pelas notícias mais rápidas pelas braçadas do Twitter, no @blogpauloramos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h29
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29.03.12

Definidos pré-indicados ao Troféu HQMix

 

A comissão organizadora do Troféu HQMix divulgou nesta quinta-feira os pré-indicados deste ano da premiação, a principal da área de quadrinhos no país.

Ao contrário das edições anteriores, quando a própria comissão definia os concorrentes, desta vez a atribuição ficou a cargo de cinco jornalistas e especialistas da área.

Os nomes foram definidos por meio do cruzamento das listas feitas por Telio Navega, Heitor Pitombo, Zé Oliboni, Sam Hart e Marcelo Alencar.

Alencar é também o presidente do júri do troféu, cargo que assumiu em 2011 e que repete neste ano.

                                                         ***

Segundo a comissão do troféu informa no blog da premiação, os nomes passam agora por um processo de consulta aberta ao público, por uma semana.

Por isso, trata-se de uma pré-indicação. As opiniões emitidas pelo público no blog do prêmio serão, depois, levadas ao júri para deliberação.

Com base nos comentários feitos, as indicações iniciais poderão ser revistas.

A seguir, os selecionados a 29 categorias da premiação.

                                                          ***

Adaptação para os Quadrinhos
Clara dos Anjos (Cia Das Letras)
Conto de Escola Em Quadrinhos (Peirópolis)
Dom Casmurro (Nemo)
Fahrenheit 451 (Globo)
Fernando Pessoa e Outros Pessoas (Saraiva)
Pateta Faz História (Abril)
Vigor Mortis Comics (Zarabatana)

Chargista
Angeli (Folha De S. Paulo)
Benett (Folha De S. Paulo)
Dálcio Machado (Correio Popular)
Duke (O Tempo)
Gustavo Duarte (Lance)
Leo Martins
Loredano

Desenhista Nacional
Aloísio De Castro (Carcará)
Danilo Beyruth (Necronauta 2)
Gustavo Duarte (Birds)
Lourenço Mutarelli (Quando Meu Pai...)
Marcelo Lelis (Saino a Percurá Ôtra Vez)
Rafael Albuquerque (Tune 8 e Vampiro Americano)
Rafael Coutinho (O Beijo Adolescente)

Desenhista Estrangeiro
Cyril Pedrosa (Três Sombras)
Dave Mckean (Sinal e Ruído)
David Mazzucchelli (Asterios Polyp)
Jacques Tardi (Era a Guerra das Trincheiras)
Milo Manara (Bórgia – Tudo é Vaidade)
Oliver Copiel (Thor)
Shaun Tan (A Chegada)

Destaque Internacional
Fábio Moon & Gabriel Bá
Greg Tocchini
Ivan Reis
Marcelo Lelis
Mike Deodato
Rafael Albuquerque
Ricardo Manhães

Edição Especial Nacional
Daytripper (Panini)
Garra Cinzenta (Conrad)
Histórias do Clube da Esquina (Devir)
Morro de Favela (Leya Brasil/Barba Negra)
Oeste Vermelho (Devir/Quanta)
Vigor Mortis Comics (Zarabatana)
War - Histórias de Guerra (Opera Graphica)

Edição Especial Estrangeira
12 de Setembro – a América depois (Record)
A Chegada (SM)
Asterios Polyp (Cia das Letras)
Era a Guerra das Trincheiras (Nemo)
Quando Eu Cresci (Ática)
Quando Lá Tinha O Muro (Tinta Negra)
Três Sombras (Cia Das Letras)

Editora
Cia Das Letras
Conrad
Devir
Leya/Barba Negra
Nemo
Panini
Zarabatana

Livro Teórico
A História em Quadrinhos no Brasil (W. Vergueiro E R. E. Santos)
Ângelo Agostini (Gilberto Maringoni) - Devir
Enciclopédia dos Quadrinhos (Goida E André Kleinert) – L&PM
Faces do Humor (Paulo Ramos) - Zarabatana
Histórias em Quadrinhos & Educação - Formação e Prática Docente Elydio Dos Santos Neto & Marta Regina Paulo da Silva (Orgs.) - Editora Metodista
Linguagem HQ (Nobu Chinen) – Editora Criativo
Super-Heróis, Cultura e Sociedade (Nildo Viana & Iuri Andréas Reblin - Orgs.) - Editora Ideias & Letras

Novo Talento – Desenhista
Daniel Og (Yuri, Quarta-feira de Cinzas)
Luís Felipe Garrocho (Achados E Perdidos)
João Carlos Vieira (Zine Extremis)
Lu Cafaggi (Mix Tape)
Magno Costa E Marcelo Costa (Oeste Vermelho E Matinê)
Rael Lyra (MSP Novos 50)
Shiko (MSP Novos 50)

Novo Talento – Roteirista
Carlos Ferreira (Kardec)
Eduardo Damasceno (Achados e Perdidos)
Hector Lima (MSP Novos 50)
Lillo Parra (Sonhos de Uma Noite de Verão)
Magno Costa (Oeste Vermelho)
Marcelo d'Sallete (Encruzilhadas)
Vitor Cafaggi (Duo.Tone e Valente para Sempre)

Produção para Outras Linguagens
Angeli 24h (Documentário)
As Aventuras de Tintim (Filme)
Batman: Ano Um (Longa De Animação)
Batman: Arkham City (Video Game)
Capitão América: O Primeiro Vingador (Filme)
Walking Dead (Série De Tv)
X-Men: Primeira Classe (Filme)

Projeto Editorial
1000 (Barba Negra)
Achados E Perdidos (Independente)
Coleção Fierro (Zarabatana)
Coleção Ópera Em Quadrinhos (Ática/Scipione)
Cripta (Mythos)
Tex Gigante (Mythos)
Vá Para O Diabo (A Bolha)

Publicação de Aventura/Terror/Ficção
Cripta (Mythos)
Fábulas (Panini)
Fierro Brasil (Zarabatana)
Garra Cinzenta (Conrad)
J. Kendall: Aventuras de uma Criminóloga (Mythos)
Os Mortos-Vivos (Hq Maniacs)
Y - O Último Homem (Panini)

Publicação de Clássico
Agente Secreto X-9 (Devir)
Arzach (Nemo)
Cripta (Mythos)
Fantasma – A Saga Do Casamento (Kalaco)
Garra Cinzenta (Conrad)
Gen Pés Descalços (Conrad)
Superman Vs. Muhammad Ali (Panini)

Publicação de Charges
Antes Charge do que Nunca (Atorres)
Caminhos Do Santiago (Santiago)
Só Futebol (Duke)
Catálogo do 3º Festival Internacional de Humor do Rio do Janeiro (vários)

Publicação de Cartuns
Arvres (Orlando Pedroso)
Caricaturas De Letra (Biratan)
Humor Do Miserê (Nani)
Ostras Ao Vento (Vasqs)
Ultralafa (Daniel Laffayete)
Uma Patada Com Carinho (Chiquinha)

Publicação de Tira
Agente Secreto X-9 (Devir)
Geraldão, Espocando a Cilibina (Almedina)
Iscola... O Crime (Independente)
Macanudo # 4 (Zarabatana)
Ordinário (Cia Das Letras)
Rei Emir Saad – O Monstro De Zazanov (Barba Negra)
Valente Para Sempre (Independente)

Publicação Erótica
Black Kiss (Devir)
Bórgia – Tudo é Vaidade (Conrad)
Futari H (JBC)
Golden Shower 2 (Independente)
Hentai Gold (Geek)
O Perfume do Invisível – Edição Completa (Conrad)
Velta & Mirza (Júpiter II)

Publicação Independente de Autor
Achados E Perdidos (Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno Ito)
Birds (Gustavo Duarte)
Duo.Tone (Vitor Cafaggi)
O Beijo Adolescente (Rafael Coutinho)
O Louco, a Caixa e o Homem (Daniel Esteves e Will)
SOS (Felipe Nunes)
Tune 8 (Rafael Albuquerque)

Publicação Independente de Grupo
1000-1
Achados E Perdidos
Almanaque Gótico
Café Espacial
Golden Shower 2
Graffiti 76%
Zine Extreme

Publicação Independente Edição Única
Achados E Perdidos
Birds (Gustavo Duarte)
Duo-Tone (Vitor Cafaggi)
Mix Tape (Lu Cafaggi)
O Beijo Adolescente (Rafael Coutinho)
O Louco, a Caixa e o Homem (Daniel Esteves e Will)
Tune 8 (Rafel Albuquerque)

Publicação Infanto-Juvenil
Achados E Perdidos (Independente)
Bakuman (JBC)
Epic Mickey (Abril)
Joca E A Caixa (Cia Das Letras)
Mônica 500 (Panini)
Pateta Faz História (Abril)
Pequeno Pirata (Leya/Barba Negra)

Publicação Mix
1000-1 (Cachalote/Barba Negra)
Dc Made In Brazil (Panini)
Fierro Brasil (Zarabatana)
Golden Shower 2 (Independente)
Mad (Panini)
MSP Novos 50 (Panini)
Vertigo (Panini)

Roteirista Nacional
André Diniz (Morro de Favela)
André Valente (Não Fui Eu)
Carlos Ferreira (Kardec)
Daniel Esteves (O Louco, a Caixa e o Homem e Nanquim Descartável vol.4)
Lourenço Mutarelli (Quando Meu Pai...)
Marcelo Cassaro (Dbride: A Noiva Do Dragão)
Vitor Cafaggi (Duo.Tone e Valente para Sempre)

Roteirista Estrangeiro
Alejandro Jodorowsky (Bórgia – Tudo é Vaidade)
Brian Azzarello (100 Balas)
David Mazzucchelli (Asterios Polyp)
Giancarlo Berardi (Julia Kendall e Ken Parker)
Pierre Paquet (Quando eu Cresci)
Robert Kirkman (The Walking Dead)
Shaun Tan (A Chegada)

Tira Nacional
A Cabeça é a Ilha (André Dahmer)
Bifaland (Allan Sieber)
Malvados (André Dahmer)
Manual do Minotauro (Laerte)
Níquel Náusea (Fernando Gonsales)
Piratas do Tietê (Laerte)
Quase Nada (Fábio Moon e Gabriel Bá)

Web Quadrinhos
A Vida com Logan (Flavio F Soares)
Clube da Esquina (Laudo Ferreira E Omar Viñole)
Ig Jovem (Vários)
Ledd (J.M. Trevisan e Lobo Borges)
Mundinho Animal (Arnaldo Branco)
Sopa de Salsicha (Eduardo Medeiros)
Tune 8 (Rafael Albuquerque)

                                                       ***

A votação é feita por pessoas ligadas à área, previamente cadastradas.

A cerimônia de premiação do Troféu HQMix está marcada para o dia 30 de junho, um sábado, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo.

O troféu que será entregue aos vencedores terá a imagem do palhaço Sacarrolha, personagem criado por Primaggio Mantovi, um dos homenageados desta edição do prêmio.

Leia mais sobre a homenagem na postagem de
05.02.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h47
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Millôr (1923-2012)

 

Charge de Millôr. Crédito: Millôr Online

 

Vou pedir que o leitor fuja deste blog. Pelo menos desta vez.

Entre falar de Millôr, morto na noite de terça-feira, no Rio de Janeiro, aos 88 anos, e ler a produção do desenhista e escritor, melhor esta última alternativa.

Parte de seus trabalhos está disponível no site que mantinha.

Página que continua no ar. Ainda. Vá lá para entender melhor a importância de Millôr.

Segue o link.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h45
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12.03.12

Nem tão essenciais assim

 

  • Editora Abril começa a vender primeiros volumes de "Disney Essencial"
  • Coleção se propõe a publicar "quadrinhos fundamentais" dos personagens Disney
  • A maior parte, no entanto, foi produzida neste século e foge da proposta "essencial"

 

Essencial Disney - Donald e Seus Sobrinhos. Crédito: divulgação

 

O que quer dizer a palavra "essencial"? Segundo o "Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa" é algo "necessário, indispensável".

Ou ainda se trata de um item "que constitui o mais básico ou o mais importante em algo; fundamental".

Entendido o que o temo é, fica mais fundamentada a constatação de que nenhuma das duas acepções acima vale para a coleção "Essencial Disney".

A série da Editora Abril, que começou a ser vendida nas bancas neste início de mês, sugere ao leitor algo que, na prática, não oferece.

                                                        ***

Além do título em si, a coleção usa frases que reforçam o teor essencial das revistas. Uma delas diz que são "quadrinhos fundamentais para conhecer e curtir o universo Disney!".

Não é o que se vê nos dois primeiros volumes, vendidos juntos, a R$ 10 (100 páginas cada um, capa cartonada).

O primeiro, "Tio Patinhas Versus Maga Patalójika", traz quatro histórias. Três delas foram produzidas entre 2006 e 2010. Recentes, portanto. E, se recentes, não fundamentais.

O volume seguinte, "Donald e Seus Sobrinhos", repete a estratégia editorial. Das quatro narrativas, todas são deste século (de 2001 a 2007).

                                                         ***

O pacote plastificado que vende os dois primeiros volumes informa também que a maior parte das histórias é inédita no Brasil.

Se o apelo é o ineditismo - e parece ser -, a coleção erra no nome. Vende algo essencial, antológico, e oferece o oposto.

É de se esperar que os demais 18 títulos da série - são 20 ao todo - enveredem pelo mesmo caminho. Os demais números orbitam entre Tio Patinhas, Donald, Mickey e Pateta.

Quem aprecia os quadrinhos Disney pode até gostar. Mas é preciso estar avisado, de antemão, que não se trata de algo essencial, ao contrário do que o título sugere.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 15h46
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10.03.12

Moebius (1938-2012)

 

  • Desenhista francês morreu neste sábado, em Paris
  • Falecimento do artista de "Incal" foi creditado a uma "longa doença"
  • Autor foi um dos mais importantes e influentes quadrinistas do século 20

 

Incal Completo. Crédito: editora Devir

 


O desenhista francês Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, morreu neste sábado em Paris, França.

Segundo a agência internacional de notícias AFP, a causa do falecimento foi creditada a uma "longa doença". Não há informação até o momento sobre qual foi essa enfermidade.

O autor foi um dos mais importantes e influentes quadrinistas do século 20. Seu estilo de arte exerceu influência em mais de uma geração de desenhistas do mercado europeu.

Ele também teve papel importante em produções para o cinema. Foi o responsável pelo visual futurista de filmes como "Alien" e "O Quinto Elemento".

                                                        ***

O diálogo com a ficção científica foi uma das marcas mais fortes de sua produção. A mais conhecida é "Incal", série criada em parceria com o escritor e cineasta Alejandro Jodorowski.

A ficção científica foi publicada em capítulos na inovadora revista francesa "Metal Hurlant". Estreou no número 58, em 1980. No Brasil, foi publicada pela Devir entre 2006 e 2007, em três volumes.

Toda a história foi reunida numa edição única, "Incal Integral", que começa a chegar nesta semana às livrarias e lojas especializadas em quadrinhos (capa do início desta postagem).

Na trama, um detetive particular entra em contato com uma poderosa entidade, o Incal. Desse contato, ele ganha a incumbência de dar um novo destino ao planeta.

                                                          ***

Há outros trabalhos de Moebius feitos para a "Metal Hurlant", que influenciou a criação da norte-americana "Heavy Metal".

Alguns eram inéditos no Brasil. Começaram a ser publicados no Brasil no ano passado, numa coleção dedicada ao desenhista, lançada pela Nemo.


A editora já pôs no mercado dois álbuns, "Arzach" e "Absoluten Calfeutrail & Outras Histórias".

Para este ano, estão programados mais dois: reedições de
“O homem é bom?” e "A Garagem Hermética”.

                                                          ***

As histórias dos álbuns da Coleção Moebius, da Nemo, e de Incal, da Devir, ajudam a entender bem o impacto exercido pelo desenhista. 

Além da temática adulta e de ficção científica, com roteiros muitas vezes surreais, elas expõem o detalhado traço do autor.

O mesmo traço que ele levou ao mercado norte-americano. Ele fez parceria com o escritor Stan Lee numa edição especial do personagem Surfista Prateado.

A história já publicada no Brasil, pela Abril. A editora também lançou, na mesma época, outro trabalho europeu dele: a série de faroeste "Tenente Blueberry", retomada, anos depois, pela Panini.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h53
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08.03.12

Convite

 

Sessão de autógrafos de Faces do Humor em João Pessoa, neste sábado, 10.04, às 18h

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h11
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05.03.12

Com vocês, a Revolução do Gibi

 

  • Livro faz seleção de postagens dos quase seis anos de Blog dos Quadrinhos
  • Temas foram divididos em 20 capítulos, que ajudam a explicar mercado de HQs
  • Editora Devir programa lançamento entre fim de abril e início de maio
  • Capa foi feita pelo desenhista João Montanaro. Obra terá mais de 500 páginas

 

Revolução do Gibi - A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil. Crédito: editora Devir

 

Colegas de diferentes sites me deram a oportunidade de detalhar um pouco mais a obra.

Seguem as páginas e os respectivos links para as reportagens:

Assim que tiver novidades sobre a data de lançamento, aviso por aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h17
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25.02.12

Brasileiros participam da Fierro 2

 

  • Seis quadrinistas nacionais farão parte do segundo número da "Fierro Brasil"
  • Lista inclui Fábio Moon, Victor Caffagi, Laudo Ferreira Jr. e Adão Iturrusgarai
  • Álbum está programado para o fim de março e traz seleção de HQs argentinas

 

Fierro Brasil 2. Crédito: editora Zarabatana Books

 

O segundo volume da "Fierro Brasil" vai repetir a mesma estratégia do número inaugural, lançado há um ano. O conteúdo irá mesclar trabalhos argentinos com os de brasileiros.

Nesta nova edição, programada para ser lançada no final de março, irão participar seis autores nacionais.

Dois deles - Fábio Moon e Victor Cafaggi - foram antecipados pela jornalista Raquel Cozer na edição deste sábado do jornal "Folha de S.Paulo".

Os demais foram informados à imprensa pela editora, por e-mail, também neste sábado. Completam a lista Laudo Ferreira Jr., Fábio Zimbres, Adão Iturrusgarai e André Ducci.

                                                        ***

Entre os autores argentinos deste segundo número, estão Maitena, Liniers, José Muñoz, Juan Gimenez, Enrique Breccia, Horacio Altuna e o roteirista Carlos Trillo, morto em 2011.

A capa, mostrada no início desta postagem, foi feita pelo desenhista El Tomi.

A publicação reúne histórias da "Fierro", a principal revista em quadrinhos da Argentina. Aqui no Brasil, o conteúdo é editado em formato álbum (160 págs.; R$ 59).

Inicialmente semestral, o álbum teve a periodicidade alterada para anual. A mudança teve diferentes motivos, segundo Claudio Martini, editor da Zarabatana Books, Claudio Martini.

                                                        ***

O primeiro foi para dar um tempo maior para que o número de estreia fosse conhecido e assimilado pelos leitores. O segundo foi o cronograma apertado de lançamentos de 2011.

O terceiro motivo foi o tempo de preparação. "Este não é um livro que já está pronto, só traduzir (se for o caso) e editar", diz Martini, por e-mail.

"O processo de seleção do material argentino, os convites aos brasileiros, a tradução e a editoração de 160 páginas não é um trabalho fácil e não dá para ser feito em pouco tempo."

Soma-se a isso o fato de Martini centralizar, sozinho, todas as etapas de produção dos títulos da Zarabatana Books, da edição e tradução à comercialização.

                                                        ***

Esta versão abrasileirada da "Fierro" trouxe pela primeira vez ao país trabalhos de autores argentinos até inéditos por aqui.

A revista teve duas vidas editorais no país vizinho. A primeira ocorreu após o período militar, em 1984. Foi publicada mensalmente até o início da década de 1990.

A publicação retornou em novembro de 2006, vendida desde então uma vez por mês com o jornal "Página / 12", de Buenos Aires. A edição nacional toma como base esse conteúdo.

A "Fierro" mescla histórias curtas com outras, em capítulos. A Zarabatana Books lança essas tramas na "Coleção Fierro". O próximo álbum será "Dora", de Ignacio Minaverry.

                                                         ***

Nota: a "Fierro Brasil 2" será a segunda obra argentina a ser publicada por aqui neste início de ano. A primeira foi "O Eternauta", lançada em janeiro. Saiba mais neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h50
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21.02.12

Bloco dos álbuns nacionais entra na avenida

 

  • "A Rua de Lá" e "Cada Um a Seu Modo" inauguram desfile de obras nacionais
  • Produções começam a circular por algumas lojas especializadas em quadrinhos
  • Álbuns dão início a série de publicações brasileiras programadas para este ano

 

A Rua de Lá, de Evandro Alves. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


Por enquanto, eles circulam apenas por algumas lojas especializadas em quadrinhos ou em lançamentos pontuais. Mas dão início à publicação de álbuns nacionais do ano.

"A Rua de Lá", do mineiro Evandro Alves, e "Cada Um a Seu Modo", do cearense Júlio Belo, são os dois primeiros trabalhos brasileiros a serem impressos neste 2012.

Além desse caráter inaugural, as duas obras têm outros pontos em comum. Ambas foram viabilizadas por meio de programas de incentivo cultural.

E as duas estão vinculadas a grupos distintos de autores independentes, o da Graffiti, de Belo Horizonte (MG), e o do Comics Cafe, de Fortaleza (CE).

                                                          ***

"A Rua de Lá" (R$ 20) é o quinto álbum da bem-sucedida "Coleção 100% Quadrinhos", inagurada em 2007 pelos editores da revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos".

O ensaio de lançamento da obra durou quase dois anos. A renovação da Lei de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte permitiu que o planejamento fosse agora concretizado.

A história mostra situações vividas por um garoto numa cidadezinha do interior mineiro. O contato com o ambiente natural traz consigo parte do folclore e dos causos do local.

O que instiga o garoto é o que haveria depois da rua que dá margem ao fim da cidade. O que existiria do lado de lá?

                                                         ***

A narrativa tem traços autobiográficos da infância do autor no interior mineiro. "Traços" porque, segundo Evandro Alves, nem tudo é cem por cento fiel ao que de fato ocorreu.

"Todas as cenas são tão vividas quanto sentidas e sonhadas. Não consigo delinear o ´real´ delas... Mas isso não quer dizer que não aconteceram", diz o desenhista, por e-mail.

Ele cita como exemplo uma das memórias mostradas no álbum, um diabinho, com antenas longas e rabo, que teria visto quando menino numa árvore - cujo caminho evitava.

"Ele fazia parte da minha realidade. A criança que fui sempre me diz que viu. Apesar de hoje adulto e homem da ciência, acredito nela."

                                                         ***

Outras memórias dão um tom bem menos folclórico à obra. Como quando foi chamado de urubu por uma professora, primeira situação de preconceito que viveu - e que ainda vive.

"O racismo é algo muito frequente na sociedade brasileira. Sua prática  dissimulada em gestos e atitudes está presente em nosso cotidiano - só não vê quem não quer."

"No meu caso, quis  retratar no álbum o meu primeiro contato com essa prática hedionda e o quanto é difícil para criança lidar com esse tema sem que lhe sobrem marcas."

O caso foi enfrentado com introspecção. Na obra, Alves revela uma parte do processo. O fato de sentir empatia pelo animal - urubu, mostrado na capa - ajudou a superar o trauma.

                                                           ***

"A Rua de Lá" é a primeira história em quadrinhos mais longa produzida pelo desenhista, hoje com 35 anos e morador da mineira Lagoa Santa ("Mas não na rua de lá").

Até então, o humor era sua marca, lida em charges dos jornais "Le Monde Diplomatique" e "Folha de S.Paulo", onde foi segundo colocado num concurso de arte, em 2010.

"Essa ausência de humor foi algo pensado e repensado por mim antes de fazer a ´Rua de Lá´." O diferente veio via diálogo com a literatura, Guimarães Rosa em especial.

"Considero que esse ´namoro´ com a literatura  tenha acentuado ainda mais o distanciamento da obra da temática humorística que, geralmente, caracteriza meus trabalhos."

 

Cada Um a Seu Modo, de Júlio Belo. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


Evandro Alves inicia no mês que vem um mestrado em geografia na Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa e os desenhos talvez o afastem da profissão de bancário.

O banco é outro ponto de contato (embora involuntário) entre os autores dos dois álbuns. Júlio Belo trabalha na administração do Banco do Nordeste, em Fortaleza, onde mora.

Foi por meio de um programa de incentivo cultural da instituição que o desenhista conseguiu custear a impressão de "Cada Um a Seu Modo" (R$ 25).

O álbum é a terceira publicação do coletivo de autores The Comics Cafe, formado por ele, pelo irmão, João Belo, e pelo amigo de longa data, Falex Vidal, todos de Fortaleza.

                                                         ***

O site do The Comics Cafe surgiu em 2009 com a proposta de servir de portifólio virtual do trio. Mas a produção impressa nunca deixou de estar no horizonte do grupo.

O álbum de Júlio Belo, feito especialmente para o formato impresso, traz três histórias curtas. Com diferentes situações e personagens, elas se interligam tematicamente no final.

"Como eu queria chamar a atenção para o álbum e não apenas para uma ou outra história, achei que faltava algo...um propósito", diz o autor, de 32 anos, por e-mail.

"E, se eu não costurasse o final, estaria perdendo a chance de explorar conceitos e transmitir uma mensagem muito além daquelas das próprias histórias."

                                                          ***

As histórias do álbum foram produzidas num estilo de arte baseado na linha clara, muito comum no mercado franco-belga por conta da influência de Hergé, criador de Tintim. 

"Adoro esse estilo pela leveza no resultado, mas, principalmente, porque adoro desenvolver cenários reais de forma limpa e detalhada."

Belo e os parceiros do coletivo autoral programam a produção de mais um ou dois álbuns em quadrinhos "ainda em 2012".

Os projetos, se de fato vingarem, irão se somar a uma série de outros trabalhos autorais nacionais que este ano deve trazer, a se pautar pelas programações das editoras.

                                                         *** 

O Quadrinhos na Cia. já anunciava, desde o ano passado, a publicação de outras parcerias entre desenhistas e escritores. A lista inclui:

  • "Campo em Branco", de Emílio Fraia e DW Ribastski; "V.I.S.H.N.U", de Ronaldo Brassane e Fabio Cobiaco; "A Máquina de Goldberg", de Vanessa Bárbara e Fido Nesti; "Guadalupe", de Angélica Freitas e Odyr Bernardi (fora as reedições de "Avenida Paulista", de Luiz Gê, e de "Diomedes", de Lourenço Mutarelli).

Entre os projetos nacionais da Devir, sabe-se que há a terceira parte de "Yeshuah", de Laudo Ferreira Jr. A Annablume trará um novo álbum, "Trópico Fantasma", de Denny Chang.

A Conrad já anuncia em seu site "Juliet Circus", de Victor Diógenes, obra que se propõe a apresentar o "sensual universo do circo". 

                                                          ***

A Gal irá lançar seus primeiros trabalhos nacionais: "Os Desafiadores do Impossível", de Mauricio Muniz e Alvaro Omine. e "Noite Sangrenta", de M. M. Santos e Joel Lobo. 

A Kalaco trará "Operação Jovem Guarda", sobre três super-heróis brasileiros publicados no fim da década de 1960. A obra é feita por Arthur Garcia e Rubens Cordeiro.

Da Barba Negra, há pouca informação além das já incluídas no catálogo de 2011: "12 Canções - Mixtape da Menina Infinito", de Fábio Lyra, e "Yuka - Música em Quadrinhos".

A editora programa para este ano os três projetos vencedores do concurso de quadrinhos, feito em 2011. E há os trabalhos do edital paulista do ProAC (Programa de Ação Cultural). Há os dez novos projetos e parte dos do edital anterior, ainda não publicados.

                                                          ***

Serviço - Onde encontrar os álbuns "A Rua de Lá" e "Cada Um a Seu Modo"
- "A Rua de Lá" - Vendas via e-mail dos editores da Graffiti:
graffiti76hq@gmail.com Vai haver também um lançamento no dia 3 de março, às 10h, na Livraria Quixote, em Belo Horizonte (rua Fernandes Tourinho, 274)
- "Cada Um a Seu Modo" - Vendas via loja virtual do site The Comics Cafe (
link)

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h09
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18.02.12

Na sala de cinema, levarei teu ingresso. E arrepender-te-ás

 

  • Sequência de Motoqueiro Fantasma consegue ser pior do que filme anterior
  • Produção estrelada por Nicolas Cage cria algumas cenas constrangedoras de ver
  • Longa baseado no anti-herói da Marvel Comics entrou em cartaz nesta semana

 

Motoqueiro Fantasma 2 - O Espírito da Vingança

 

O vídeo sobre saídas de emergência exibido antes do longa-metragem na sessão em que estava dizia para o telespectador se acomodar na poltrona e assistir a um ótimo filme.

Era propaganda enganosa.

De ótimo, "Motoqueiro Fantasma 2 - O Espírito da Vingança" não tem nada. Muito pelo contrário. O que se viu até fazia um convite ao uso das tais saídas, de emergência ou não.

O filme, que entrou em cartaz nesta semana, consegue ser pior do que o anterior, exibido em 2007, e que também não era lá essas coisas.

                                                         ***

O Motoqueiro Fantasma é vivido, uma vez mais, pelo ator Nicolas Cage. Já no primeiro filme, ele não tinha acertado o tom sombrio do personagem. Repete o erro nesta sequência.

Exagerado, torna constrangedores os momentos em que se transforma no anti-herói. A mudança, como nos quadrinhos, "queima" sua cabeça, restando a caveira, envolta por fogo.

Além de ter força acima da média e de dominar uma corrente que destrói, literalmente, quem for atingido por ela, nessa forma ele absorve as almas das pessoas más.

A transformação é resultado de um pacto feito com o demônio. O acordo seria para salvar a vida do pai do protagonista, Johnny Blaze. Enganado, convive com o mal deste então.

                                                        ***

Há mais constrangimentos, além da atuação exagerada e fora do prumo de Cage.

Um deles. Numa das cenas, Blaze ouve uma pergunta de Danny, menino que tem de ser salvo por ele para não servir ao mal demoníaco (isso resume o enredo do filme).

O garoto questiona como o Motoqueiro Fantasma faz xixi quando está transformado. Resposta: a urina é como um lança-chamas.

Não bastasse, há um corte na cena e o espectador vê o anti-herói, de costas, soltando urina de fogo. De canto de rosto, a caveira olha para a plateia e esboça uma gargalhada.

                                                         ***

Outra cena constrangedora ocorre na primeira aparição do Motoqueiro Fantasma no filme. Ele precisa deter uma gangue, que está prestes a sequestrar o menino.

Em vez de derrotar todos, o anti-herói fica olhando para os bandidos, estático, mexendo a cabeça de um lado para o outro. O que poderia ser resolvido rápido leva minutos.

Resultado: metade dos vilões foge. Com o garoto.

No final do filme, há cena semelhante, com um número dez vezes maior de oponentes. O Motoqueiro Fantasma usa sua corrente e - pasmem - derrota todos em três segundos.

                                                         ***

 O Motoqueiro Fantasma foi criado nos quadrinhos há exatos 40 anos pelos roteiristas Roy Thomas e Gary Friedrich e pelo desenhista Mike Ploog.

O personagem tem ocupado desde então um lugar de pouco destaque no rol de criações da editora Marvel Comics, a mesma de Homem-Aranha, Hulk, X-Men e Homem de Ferro.

No cinema, afora a divulgação natural de um longa baseado em quadrinhos, repete-se a posição secundária. Mas, desta vez, por conta da baixa qualidade da produção.

Fuja do filme. Use o dinheiro do ingresso para outra coisa - troque por um álbum ou revista em quadrinhos. Senão, quem ficará com espírito da vingança será você mesmo.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h02
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16.02.12

Mangá reloaded

 

  • Séries populares de quadrinhos japoneses ganham reedições no Brasil
  • "One Piece" chega às bancas nesta semana em duas revistas mensais
  • "Cavaleiros do Zodíaco" é relançado desde janeiro; próxima é "Dragon Ball"

 

One Piece # 1. Crédito: editora Panini   Cavaleiros do Zodíaco # 2. Crédito: editora JBC

 

Houve uma espécie de giro de 360 graus no circuito editorial de mangás. Séries que ajudaram a popularizar os quadrinhos japoneses no Brasil retornam em novas edições.

A lista de títulos revisitados inclui "One Piece", distribuído nas bancas nesta semana, e "Cavaleiros do Zodíaco". As séries são publicadas pela Panini e pela JBC, respectivamente.

"One Piece", de Eiichiro Oda, foi retomado em duas revistas mensais. Uma relança a série do início. Outra continua do ponto onde havia parado na antiga editora, a Conrad, em 2008.

Ambas custam R$ 10,90 cada uma. O mangá mostra a história de Luffy, um rapaz que pode esticar o corpo e que almeja conquistar o maior tesouro do mundo.

                                                          ***

"One Piece" esteve entre os mangás mais vendidos no Japão na segunda metade da década passada. Em 2008, beirou os seis milhões de exemplares.

A Panini sinaliza apostar nesses números. Tanto que já faz assinatura da série. Pelo menos nesta primeira semana, os primeiros retornos foram positivos. 

Na loja de quadrinhos Comix, de São Paulo, o primeiro número da revista estava esgotado no fim de semana. A loja havia recebido antecipadamente 500 exemplares.     

A Panini programa retomar também a série "Dragon Ball", de Akira Toriyama, como a editora anunciou em dezembro do ano passado.

                                                          ***

O fato de a JBC relançar "Cavaleiros do Zodíaco" não deixa de ser irônico: a série era uma das mais vendidas pela concorrente, Conrad, nos primeiros anos da década passada.

O mangá começou a ser reeditado em janeiro. O que chegou às bancas nesta semana foi o segundo número (também a R$ 10,90).

A série mostra jovens guerreiros dotados de habilidades especiais. Um deles, Seiya, é o foco central da trama.

A animação de "Cavaleiros do Zodíaco" foi exibida no Brasil, com muito sucesso, pela extinta TV Manchete na segunda metade da década de 1990. 

                                                          ***

Outra série exibida com boa repercussão na TV aberta no fim do século passado foi "Dragon Ball". Esse fato ajudou a transferir a popularidade para os então estreantes mangás.

Os dois títulos mensais dividiram o trunfo de popularizar os quadrinhos japoneses no Brasil, após várias tentativas malsucedidades na última década do século passado.

As séries foram lançadas pela Conrad no fim de 2000. Foram os primeiros a apresentar a leitura de trás para a frente, como no Japão, algo que se tornou regra a partir de então.

Os anos seguintes viram os mangás aumentarem as vendas, a influência e o volume de títulos no país, a ponto de as bancas criarem prateleiras específicas para eles.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h50
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13.02.12

Nós vamo invadir tua praia

 

  • Invasão de monstros no litoral paulista será tema de HQ de Gustavo Duarte
  • Trabalho está em produção e será a primeira história longa do desenhista
  • Álbum será publicado pelo Quadrinhos na Cia. e está programado para este ano

Esboço de um dos monstros do álbum. Crédito: imagem cedida pelo autor


Monstros invadem a orla de Santos, no litoral sul de São Paulo. São gigantes. Três ao todo. A cidade está um caos. Por enquanto, são as únicas informações disponíveis.

Os motivos do ataque ainda são desconhecidos. Sabe-se apenas que pelo menos duas pessoas têm informações privilegiadas sobre o caso.

Uma delas é o editor do Quadrinhos na Cia., André Conti, que aprovou o roteiro da história em quadrinhos no último dia 15. A outra pessoa é o autor, Gustavo Duarte.

É dele a ideia de fazer uma invasão de monstros made in Brazil, à moda dos antigos seriados japoneses, tema de seu próximo trabalho.

                                                         ***

Duarte revela pouco do projeto, além do registrado acima. Diz que será uma história maior, entre 70 e 80 páginas. Será seu trabalho mais longo em quadrinhos.

Será em preto-e-branco ou em duas cores, falta definir. O nome também não foi acertado. Entre ele e a editora, usa o termo "monstros" para se referir à obra.

O que está certo é que seguirá o estilo de seus trabalhos independentes: terá algum animal - monstros, no caso - e será uma narrativa muda, sem uso de balões e legendas.

Ele tem o roteiro pronto e começa a rascunhar os primeiros esboços, como o mostrado acima. Programa entregar tudo à editora em maio. Se tudo der certo, sai em agosto.

                                                         ***

A inspiração foram os antigos seriados japoneses, que passaram no Brasil entre as décadas de 1960 e 80. "Spectreman", exibido pelo SBT, era especial. Ele adorava.

"Desde moleque eu gostava mais dos monstros do que dos heróis", diz, por telefone. Tanto que a madrinha dizia que, para agradar, era só dar a ele um "bicho feio" de presente.

Nos quadrinhos, os "bichos feios" serão intencionalmente superlativos. "Imagine que eles têm o dobro de um prédio de Santos."

Pelo desenho acima, já dá para imaginar...

                                                         ***

A cena irá se passar no Gonzaga, um dos bairros mais conhecidos e turísticos de Santos. Duarte, hoje com 34 anos, aproveitou um evento por lá para fotografar as ruas da cidade.

"Eu parecia um turista louco. Eu fotografava o chão, o topo do prédio, bem de baixo, com ângulos diferentes." Voltou para São Paulo, onde mora, com 200 a 300 fotos clicadas.

Além deste, Duarte tem agendado outro álbum para este ano: uma história com Chico Bento, personagem de Mauricio de Sousa. Ao contrário das demais, esta terá diálogos.

"Assim que acabar este, começo o outro." Pela sua programação, a história de Chico Bento estará pronta para ser publicada em dezembro e terá em torno de 60 páginas.

                                                         ***

Gustavo Duarte era mais conhecido até pouco tempo atrás pelas charges esportivas feitas para o diário "Lance!". Em 2009, ele dividiu o serviço com a produção de quadrinhos.

O primeiro foi "Có!". Depois vieram "Taxi", em 2010, e "Birds", no ano seguinte. E os prêmios. Ganhou o HQMix em 2010 e 2011 e, neste início de ano, o Angelo Agostini.

Para este 2012, ele não programa nenhum lançamento independente. Os trabalhos para o Quadrinhos na Cia. e a Mauricio de Sousa Produções tomaram o restante do tempo livre.

"Poderia ser em anos separados", diz. "Mas trabalho é trabalho. Eu sempre vivi de desenho. Mas é a primeira vez que eu tenho uma demanda tão grande."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h42
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08.02.12

Mauro dos Prazeres (in memoriam)

 

  • Corpo do sócio-fundador da Devir foi enterrado no fim da tarde desta quarta-feira
  • Velório e sepultamento ocorreram no Cemitério da Paz, em São Paulo
  • Editor morreu na terça-feira; Devir emitiu nota de pesar via redes sociais

 

Tive poucas conversas com Mauro dos Prazeres. Mas, curioso, lembro-me de todas. O editor era dono de uma eloquência peculiar, daquelas que preenchiam o ambiente.

As palavras eram apenas uma pequena amostra da inteligência dele, que era mais conhecido pelo público leitor por ser um dos sócios fundadores da editora Devir.

E como era inteligente...

Nossos contatos, três ao todo, eram religiosamente anuais. Ocorriam sempre durante uma maratona de vendas de quadrinhos, promovida pela editora nos meses finais do ano.

                                                         ***

O primeiro encontro foi em 2009, numa mesa sobre quadrinhos nacionais, que eu tive a oportunidade de mediar. Mauro estava na plateia, ouvindo a tudo de forma discreta.

Discrição que se manteve até tomar a palavra. Mauro fez um depoimento, travestido na forma de pergunta. Foi uma aula detalhada sobre o atual mercado de quadrinhos no país.

A fala trouxe uma surpresa atrás da outra. A primeira, mais evidente, foi (re)conhecer nele o rosto desenhado por Lourenço Mutarelli na série de álbuns com o detetive Diomedes.

Mutarelli gostava de usar pessoas reais como coadjuvantes de suas histórias. Mauro foi um deles. Comenta-se que não gostou da forma como foi representado.

                                                          ***

Mutarelli retratou o Mauro dos quadrinhos com uma das marcas centrais do Mauro do mundo real: a eloquência. Mas era também uma de suas maiores qualidades.

Não se tratava de discursos longos, ocos e redundantes e, por isso, cansativos. Eram dos outro tipo, do melhor tipo. Aprendia-se, muito, com o que se ouvia.

Naquela noite de novembro de 2009, o editor citou alguns dos álbuns da editora, lançados no evento: "Yeshuah", "Fractal", "Estação Luz", "Joquempô".

Na leitura dele, o diferencial daquele dia estava na quantidade e na qualidade das produções nacionais presentes, algo impensável num passado não tão remoto.

                                                         ***

Pode-se contra-argumentar que Mauro arbitrou em causa própria, que fez um autoelogio, já que era ele quem editava aquelas obras nacionais.

O tempo garantiu de mostrar que não, que havia uma sinceridade singular naquelas palavras. Primeiro pela qualidade das obras em si. De fato, são boas.

Segundo pelo que ouvi em minha última conversa com ele, em dezembro passado, no mesmo evento. Mostrei a ele uma estante cheia de nacionais e o lembrei do depoimento.

Por algum motivo, a conversa e os olhares se ajustaram para um dos lançamentos brasileiros da editora.

                                                         ***

Mauro pegou o álbum e parou numa das páginas. "Está vendo? Há um erro de edição aqui." Frase dita de graça, sem que eu tivesse feito nenhuma cutucada jornalística.

Ele detalhou o equívoco, que não era aparente à vista e que precisava se comparado com outras páginas da obra. "Já alertei isso aqui na editora."

O meu espanto é que a atitude normal de um editor, numa situação dessas, seria esconder a falha, ainda mais de um jornalista.

Mauro, não. Mauro expôs o calcanhar-de-aquiles, sem medo, com a mesma simpatia e sorriso no rosto. Atitude própria de quem é seguro do que faz.

                                                         ***

Em 2010, tive a oportunidade de ouvir outra aula dele. Numa situação completamente atípica. Havia ido à maratona de quadrinhos, garimpei e estava na longa fila do caixa.

Mauro me viu passando os olhos numa edição rara de "Miracleman". Era o primeiro número. Ele foi até mim e, sem "oi" nem nada, pegou a revista da minha mão e se espantou:

- Ainda existe essa revista? Achei que havia esgotado!

Fiz cara de interrogação. O motivo do espanto dele tem a ver com o passado da editora. Aquele primeiro número havia sido o primeiro quadrinho do país distribuído pela Devir.

                                                          ***

- O logo da Devir aparece na capa. Está vendo?

Confesso que não sabia. Tanto que nem tinha aquele exemplar, publicado pela primeira vez no Brasil em 1989, pela editora Thanos.

Mauro e os demais sócios haviam criado a empresa dois anos antes. Inicialmente, o objetivo era criar um sistema de reservas para quadrinhos importados dos Estados Unidos.

Para quem já comprou na loja da editora nos anos 1990, sabe a febre que isso era. Depois, vieram os RPGs. E, por fim, a editora em si, com a publicação de quadrinhos e livros.

                                                         ***

Mauro e a Devir estiveram entre os primeiros a tatetar os quadrinhos em formato álbum, mercado hoje em franca expansão.

É uma história que se soma a outras e que ainda precisa ser contada a contento. Mas a parte dele, pelo menos, foi registrada em vida.

Mauro e Douglas Quinta Reis, outra inteligência ímpar e sócio na empresa, participaram há pouco tempo da gravação de um depoimento do projeto Sábado das Artes Gráficas.

O projeto inicialmente previa versões impressas dos depoimentos. Se de fato ocorrer, ficará ainda mais clara a importância que Mauro teve para o mercado atual de quadrinhos. 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h29
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07.02.12

Angeli e Laerte planejam nova revista em quadrinhos

 

  • Desenhistas comentaram sobre projeto durante gravação do programa "Roda Viva"
  • Cartunistas disseram não ser uma nova "Chiclete com Banana", dos anos 1980 e 90
  • Angeli e Laerte deram a entender que publicação dará espaço a novos quadrinistas

 

Chiclete com Banana. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo de 04.02.2012

 

Os cartunistas Angeli e Laerte têm planos de publicar uma nova revista em quadrinhos. Seria uma volta a um formato que ambos frequentaram durante as décadas de 1980 e 90.

Os dois, no entanto, dão poucos detalhes sobre o projeto. Passam apenas pistas. A primeira é que pode ser um espaço para abrigar também novos quadrinistas.

A outra pista é que não seria uma nova "Chiclete com Banana", revista de Angeli publicada entre 1985 e a metade da década seguinte. Na leitura deles, o momento editorial é outro.

A informação foi comentada na tarde desta terça-feira durante gravação do "Roda Viva", da TV Cultura. O programa vai ao ar na noite do dia 20. Laerte foi o entrevistado.

                                                        ***

Angeli foi um dos cinco integrantes da bancada, responsável pelas perguntas. A informação surgiu numa das conversas entre ele e Laerte.

"Podemos abrir o assunto, não é nenhum segredo", comentou Laerte a Angeli, no ar. Apesar das perguntas sobre o projeto feitas na sequência, pouco foi acrescentado.

Foi um dos poucos assuntos de quadrinhos abordados no programa. O tema central foi o cross-dressing, nome dado a quem se veste com roupas e ornamentos do sexo oposto.

Laerte aderiu ao cross-dressing em 2009 e, desde então, tem se envolvido cada vez mais no tema. No programa, estava de sandálias, vestido, maquiagem e unhas pintadas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h13
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05.02.12

HQMix irá homenagear Primaggio Mantovi

 

  • Premiação de quadrinhos irá usar no troféu deste ano imagem do palhaço Sacarrolha
  • Personagem é a criação mais conhecida de Primaggio Mantovi
  • Desenhista italiano, radicado no Brasil, será um dos homenageados deste HQMix

 

Capa de Sacarrolha nº 1, da RGE, de janeiro de 1972

 

Se não houver nenhuma mudança, a estátua deste ano a ser dada aos premiados do Troféu HQMix será baseada no palhaço Sacarrolha, personagem criado por Primaggio Mantovi.

O desenhista também será um dos homenageados da premiação, a principal da área de quadrinhos no país e que fará neste ano a 24ª edição.

A comissão organizadora do prêmio mantém a informação em sigilo. O mesmo sigilo foi pedido ao autor, que já foi comunicado da homenagem.

A cada ano, o troféu toma como base um personagem nacional. Na edição passada, o molde foi Geraldão, criação do cartunista Glauco Villas Boas (1957-2010).

                                                         ***

Italiano radicado no Brasil desde a década de 1950, Mantovi atuou como desenhista e em cargos administrativos em diferentes editoras do país, em particular RGE e Abril.

Seu principal personagem teve uma trajetória editorial semelhante à do criador. Sacarrolha passou por várias editoras.

O palhaço estreou em revista própria, em janeiro de 1972, pela RGE (foi rebatizada para Editora Globo nos anos 1980). Teve 36 números, o último lançado no fim de 1974.

No ano seguinte, passou a ser publicado pela Abril, inicialmente como números especiais da revista "Diversões Juvenis". Foram editados poucos números.

                                                         ***

Dos anos 1980 em diante, houve novas tentativas de retomada de Sacarrolha, feitas por outras editoras. Nenhuma foi bem-sucedida.

A data inicial para a cerimônia de premiação deste Troféu HQMix é junho. Nos anos anteriores, a entrega dos prêmios ocorria a partir de julho.

A provável antecipação é para casar com a inauguração de uma gibiteria do Sesc Pompeia, em São Paulo, segundo informação da própria entidade.

O teatro do Sesc Pompeia tem servido de palco para as últimas edições do prêmio.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h05
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03.02.12

Quadrinhos na biblioteca

 

  • Prefeitura de Fortaleza inclui 51 quadrinhos no acervo de bibliotecas municipais
  • Assim como nas compras do governo federal, houve maior interesse por adaptações
  • Obras integram programa de modernização das bibliotecas e de fomento à leitura

 

A Cachoeira de Paulo Afonso. Crédito: divulgação

 

Obras em quadrinhos estão na lista de livros comprados pela Prefeitura de Fortaleza para compor bibliotecas públicas municipais e programas de incentivo à leitura.

A relação dos títulos selecionados foi divulgada nesta semana. A lista é eclética. Inclui de livros teóricos a romances, de dicionários a histórias em quadrinhos de diferentes gêneros.

O município vai comprar ao todo 51 publicações em quadrinhos. Há ainda outras quatro relacionadas ao tema. Não se sabe quantas unidades de cada um serão adquiridas.

As obras irão compor três acervos; um de modernização de bibliotecas (1.800 exemplares), outro de implantação delas (mil) e um terceiro para fomento à leitura (2.500).

                                                         ***

Há álbuns que estão presentes nos três acervos. Outros, em dois. E um terceiro grupo apenas em um.

A relação geral, embora diversificada, revela um nítido interesse por adaptações literárias em quadrinhos. Estas compõem metade dos títulos a serem comprados (26 obras).

O interesse por adaptações segue o mesmo caminho adotado pelo PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), mantido pelo governo federal.

O programa também usa quadrinhos para compor acervos de bibliotecas escolares de todo o país, com explícita predileção por adaptações. A primeira inclusão ocorreu em 2006. 

                                                        ***

Veja a seguir a relação geral dos títulos em quadrinhos - e dos quatro relacionados ao tema - que serão comprados pela Prefeitura de Fortaleza:

  • A Cachoeira de Paulo Afonso
  • A Casa Vazia
  • A Chegada
  • A Divina Comédia em Quadrinhos
  • A Faixa Malhada
  • A Ilha do Tesouro
  • A Luta
  • A Turma do Xaxado - Volume 1
  • A Turma do Xaxado - Volume 2
  • A Turma do Xaxado - Volume 3
  • A Turma do Xaxado - Volume 4
  • A Volta da Graúna
  • As Aventuras de Tom Sawyer
  • Assassinato no Oriente Express seguido de Morte no Nilo
  • Auto da Barca do Inferno
  • Aventuras de Sir Charles Mogadon e do Conde Euphrates de Açafrão
  • Aya de Yopougon
  • Carol
  • Chico Rei
  • Cicatrizes
  • Ciranda Coraci - Mitos Recriados em Quadrinhos
  • Como Obelix Caiu no Caldeirão do Druida quando Era Pequeno
  • Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula
  • Death Note - Another Note
  • Demônios em Quadrinhos
  • Dom Quixote em Quadrinhos
  • Dragon Ball Evolution
  • Fala, Menino!
  • Fahrenheit 451 - A Graphic Novel
  • Fernando Pessoa e Outros Pessoas
  • Frankenstein
  • Hamlet
  • Ilíada em Quadrinhos
  • Iracema em Quadrinhos
  • Iracema Mangá
  • L, Change the World
  • Morro da Favela
  • Morte da Mesopotâmia Seguido de O Caso dos Dez Negrinhos
  • O Cidadão Invisível
  • O Corvo em Quadrinhos
  • O Ermitão da Glória
  • O Guarani em Quadrinhos
  • O Médico e o Monstro - Graphic Chillers
  • O Senhor das Histórias - Mitos Recriados em Quadrinhos
  • Os Lusíadas em Quadrinhos
  • Os Sertões - A Luta
  • Palmares - A Luta pela Liberdade
  • Peanuts Completo: 1953 a 1954
  • Persépolis
  • Ponha-se na Rua
  • Quilombo Orum Aiê
  • Retalhos
  • Robinson Crusoé
  • Toda Mafalda 
  • Vinte Mil Léguas Submarinas 

                                                         ***

Post postagem (05.02, às 22h20): o desenhista João Marcos Mendonça me alerta, por meio do espaço dos comentários, que duas obras suas também integram a lista.

São elas "Sete Histórias de Pescaria do Seu Vivinho" e "Histórias Tão Pequenas de Nós Dois". Ficam feitas as inclusões, que elevam para 53 os títulos selecionados.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h39
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27.01.12

Maratona do Dia do Quadrinho Nacional 2012

 

Este blog vai realizar, pelo quinto ano seguido, a Maratona do Dia do Quadrinho Nacional. A proposta é aproveitar a data para divulgar sites e blogs de quadrinhos nacionais.

O processo será igual ao realizado na edição passada, em 2011. O próprio autor divulga o trabalho no espaço dos comentários desta postagem, logo abaixo.

Como nos anos anteriores, peço que coloque:

  • nome
  • onde mora
  • título da série em quadrinhos ou da página virtual
  • endereço eletrônico para que todos possam visitar

O Dia do Quadrinho Nacional é comemorado na próxima segunda-feira, 30 de janeiro.

Mas já está valendo: pode inserir o link no espaço dos comentários e espalhar a maratona a outros autores de quadrinhos via redes sociais.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h54
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24.01.12

Tira causa polêmica na Argentina

 

  • Publicada no "Página/12", história mostrava judeus em campo de concentração
  • Tira de Gustavo Sala foi lida como ofensiva por entidade ligada à comunidade israelita
  • Jornal emitiu nota de desculpas; quadrinistas fazem abaixo-assinado em defesa

 

Tira de Gustavo Sala. Crédito: jornal Página/12

 

Quadrinistas e profissionais argentinos ligados à área de quadrinhos circulam nesta semana, por e-mail, um abaixo-assinado em defesa do desenhista Gustavo Sala.

O apoio público é uma resposta da classe a uma tira cômica feita por Sala e publicada na quinta-feira passada (19.01) em "No", suplemento jovem do diário "Página/12".

A história mostrava um DJ tentando animar judeus num campo de concentração. Os prisioneiros dizem que não têm o que festejar. "Nos matam e exterminam em massa."

Com a interferência de Adolf Hitler, eles acabam por concordar. Na cena final, o líder nazista conclui: relaxados, os detentos geram um sabão muito melhor após mortos.

                                                        ***

A tira gerou repercussão no mesmo dia. A Delegação de Associações Israelitas Argentinas repudiou "energicamente" a história e diz que ela história banaliza o Holocausto.

"É lamentável que nesta sociedade, em que buscamos integração e pluralismo, existam seres inadaptados", disse o presidente da instituição, Guillermo Borger, ao jornal "Clarín".

O "Página/12" emitiu uma nota de desculpas.

"De acordo com sua histórica tomada de posição contra a discriminação, ´Página/12´ lamenta ter provocado angústia ou dor e pede desculpas a todos os que possam ter se sentido afetados."

                                                         ***

Os que assinam o abaixo-assinado em defesa do desenhista faz alusão direta à posição da entidade de representantes israelitas.

Eles rechaçam, também energicamente, os agravos contra Gustavo Sala e que o conteúdo da tira tenha banalizado o Holocausto.

Os autores do texto também registram respeitar o direito de quem tenha se sentido ofendido com o conteúdo da história de humor.

"Mas, de modo algum, aceitamos os ataques nem as ameaças tanto judiciais como violentas pelas quais nosso companheiro Sala está passando", diz o abaixo-assinado.

                                                         ***

O blog entrou em contato com Gustavo Sala, por e-mail, na tarde desta terça-feira (24.01). Ainda não houve resposta.

Em uma entrevista a uma emissora de rádio argentina, reproduzida em reportagem do jornal "Clarín", ele se disse surpreso com a repercussão.

"Sempre faço paródia de estereótipos. É uma tira medíocre, que tem o ingrediente do tema politicamente incorreto", disse. "A ideia foi parodiar um estereótipo."

Sala produz a tira para o "Página/12" há 15 anos. Ele também é um dos colaboradores regulares da revista em quadrinhos "Fierro", a principal do país, vendida com o jornal.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h45
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23.01.12

Brasileiros em Angoulême

 

  • Cinco trabalhos nacionais disputam principal prêmio francês de quadrinhos
  • Obras concorrem com outras 33 na categoria de produções alternativas
  • É o segundo ano seguido que brasileiros participam do Angoulême

 

São Jorge da Mata Escura. Crédito: reprodução

 

Cinco trabalhos nacionais concorrem ao Angoulême, principal premiação de histórias em quadrinhos da França e uma das mais importantes do mundo.

As obras disputam na categoria de produções alternativas. Ao todo, são 38 estão no páreo. As inscrições foram feitas pelos próprios autores.

A seleção incluiu “Silêncio”, de Lucas Pimenta e Adalfan, “São Jorge da Mata Escura”, de Marcelo Fontana, André Leal, Naara Nascimento e Antônio Cedraz, o décimo número de “Café Espacial”, editado por Sergio Chaves e Lídia Basoli, “Lorde Kramus”, escrita e coordenada por Gil Mendes, e “Escorpião de Prata”, editada por Eloyr Pacheco e com histórias feitas por diferentes quadrinistas.

                                                         ***

A relação de indicados na categoria foram divulgados neste início de semana no site da premiação. Este é o segundo ano que o Angoulême incluiu trabalhos nacionais.

Em 2011, participaram "Café Espacial", "A3 Quadrinhos", "Consequências", "Top! Top!" e "Jam". O vencedor, na ocasião, foi "Arbitraire", da França.

Desde a primeira edição dessa categoria no prêmio, em 1982, os ganhadores foram sempre europeus, a maioria francês.

Os resultados do Angoulême serão divulgados no fim desta semana, durante o Festival Internacional de Bande Dessinée. A principal categoria é a seleção oficial. 

                                                         ***

Post postagem (24.01, às 19h59): os leitores Cadu Simões, Eduardo Mendes e Eduardo Pinto Barbier registram nos comentários que houve outras indicações antes de 2011.

Eles elencam os casos de "Garagem Hermética", em 2010, e do fanzine "Top! Top!". Fica feito ajuste de informação também aqui, no espaço da postagem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h42
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17.01.12

Picture a Favela

 

  • Álbum "Morro da Favela", de André Diniz, será lançado na Inglaterra e na França
  • Acordo prevê que obra chegue também ao mercado norte-americano
  • Publicação está programada para este ano e é a primeira obra do autor no exterior

 

Picture a Favela   Morro da Favela

 

Na França, ainda não foi batizada. Na Inglaterra, a obra já tem o nome definido: "Picture a Favela". É onde o álbum "Morro da Favela", de André Diniz, irá aportar ainda este ano.

O autor carioca fechou os contratos há cerca de um mês. No circuito francês, a responsável pelo trabalho do brasileiro será a Des Ronds dans l´O Éditions.

No mercado inglês, será editado pela Self Made Hero, que possui outras obras estrangeiras em catálogo, como "Incal", de Moebius, e a biografia de Johnny Cash, de Reinhold Kleist.

A Self Made Hero já inclui o livro em seu site. Segundo a página virtual, o álbum estará disponível em junho. O catálogo irá chegar também aos Estados Unidos.

                                                        ***

"Não é só mais um mercado ou um maior número de leitores. É o começo de um plano. Eu realmente tinha vontade de expandir as minhas fronteiras", diz o autor, por telefone.

O tal plano mencionado por ele inclui publicar justamente no exterior. Um investimento profissional que já o levou a se matricular num curso de francês neste início de ano.

Ele vê a ida de "Morro da Favela" para a Europa e os Estados Unidos como uma porta que se abre. Acredita que isso irá permitir contatos para outros trabalhos seus.

Segundo ele, trata-se de um mercado a mais, que se soma ao brasileiro. "Hoje, eu estou me dedicando cem por cento aos quadrinhos."

                                                         ***

Hoje com 36 anos e morando em São Paulo há um ano de dois meses, Diniz revela uma produção altíssima. Ele diz ter três álbuns prontos e o roteiro de um quarto.

Dois serão lançados pela Barba Negra, responsável também por "Morro da Favela". Mas ele é econômico sobre os temas. Outro envolve uma editora, com quem ainda conversa.

O quarto trabalho será publicado pela Record e é o único em que não assina o roteiro e os desenhos. Ele fará a arte do conto africano Mwindo, escrito por Jacqueline Martins.

A fábula conta a história de um menino, nascido do dedo da mãe. Contrário ao garoto e com medo de perder o trono, seu pai, um rei, decide matá-lo.

                                                         ***

Não são muitos brasileiros que conseguem publicar no mercado europeu. Há exemplos de ontem e de hoje.

Entre os de ontem podem ser citados os trabalhos de Sergio Macedo e Leo, que trocaram o país pela Europa nas décadas de 1970 e 80.

Entre os atuais, há a arte de Sam Hart e Lelis para os mercados inglês e francês, respectivamente. Nos roteiros, Wander Antunes chegou a ser indicado a um prêmio francês.

"Morro da Favela" foi um dos destaques nacionais de 2011. O álbum faz uma biografia do fotógrafo Maurício Hora, que viveu no violento morro da Providência, no Rio de Janeiro.

                                                          ***

Leia a resenha de "Morro da Favela" na postagem de 11.07.11.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h43
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16.01.12

Definidos os vencedores do Prêmio Angelo Agostini

 

  • Lista de ganhadores inclui Daniel Esteves, Gustavo Duarte e Maurílio DNA
  • FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) recebe prêmio por contribuição à área
  • Cerimônia de entrega dos troféus será na tarde de 4 de fevereiro, em São Paulo

 

28º Troféu Angelo Agostini

 


Os organizadores do 28º Prêmio Angelo Agostini divulgaram na manhã desta segunda-feira os vencedores deste ano do troféu, dedicado exclusivamente ao quadrinho nacional.

Maurílio DNA (iniciais de Duarte Nunes Augusto), Daniel Esteves e Gustavo Duarte ganharam nas categorias de melhor desenhista, roteirista e cartunista, respectivamente.

O melhor lançamento de 2011, segundo os votantes, foi a "Ação Magazine", baseada em mangás produzidos no Brasil. 

"Love Hurts" foi selecionada como melhor independente e "Miséria" como melhor fanzine (nome dado a produções feitas geralmente com papel sulfite e xerocadas).

                                                         ***

Duas das categorias do Angelo Agostini são dedicadas a homenagens. Uma delas, o Prêmio Jayme Cortez, será entregue ao FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos)

O festival ocorre a cada dois anos, em Belo Horizonte. A última edição, realizada em novembro do ano passado, recebeu 148 mil pessoas, segundo a organização do evento.

Na categoria mestres do quadrinho nacional, serão lembrados os desenhistas Bira Dantas, Fernando Gonsales, Lourenço Mutarelli e Moacir Torres.

A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para o dia 4 de fevereiro, a partir das 14h, no Espaço Cultural Instituto Cervantes, em São Paulo (Avenida Paulista, 2.439).

                                                         ***

A programação prevê que os troféus serão entregues às 16h. Duas horas antes, estão programados lançamentos e vendas de quadrinhos.

Às 14h30, está marcado um debate sobre o projeto de lei que prevê reserva de cotas de 20% (para editoras) e 50% (para jornais) para quadrinho nacional.

Participam da mesa os desenhistas JAL (José Alberto Lovetro), Márcio Baraldi, Spacca e Guilherme Kroll, da Balão Editorial. A mediação será do jornalista Jota Silvestre.

Esse será o primeiro debate público sobre o assunto.

                                                          ***

A apuração dos premiados ocorreu neste fim de semana, em São Paulo. A votação era aberta ao público, votava quem queria. Neste ano, participaram 480 pessoas.

Por ser uma votação aberta, os resultados finais geralmente surpreendem.

Os vencedores foram divulgados no fim de semana no site da AQC (Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo), que organiza o prêmio desde 1983.

O nome da premiação é uma homenagem ao ítalo-brasileiro Angelo Agostini (1843-1910), um dos pioneiros das histórias em quadrinhos no Brasil.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h03
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13.01.12

55 anos depois, Eternauta é lançado no Brasil

 

  • Versão nacional da trama de Oesterheld e Solano López é publicada pela Martins
  • História de ficção científica é tida como um dos principais quadrinhos argentinos
  • Série foi publicada em capítulos semanais entre 1957 e 1959 e, depois, compilada

 

O Eternauta. Crédito: editora Martins

 

A edição nacional da série argentina "O Eternauta" começa a ser vendida neste mês. A obra foi produzida pelo selo Martins, do grupo Martins Fontes (360 págs., R$ 69,80).

O álbum, por enquanto, consta para venda apenas no site da livraria Martins Fontes. Segundo a editora, começa a chegar aos demais pontos de venda nas próximas semanas.

Esta versão nacional chega ao país 55 anos após ter sido publicada pela primeira vez na Argentina. A série foi lançada em capítulos semanais entre 1957 e 1959.

Anos depois, foi reunida em livro, base para a edição brasileira e para a de outros países, em particular da Europa. A publicação da Martins se baseia na produzida na Espanha.

                                                         ***

"O Eternauta" é a principal obra da dupla Héctor Germán Oesterheld (1919-197?) e Francisco Solano López (1928-2011).

Solano López conta que Oesterheld perguntou a ele o que gostaria de desenhar. Respondeu que seria algo sobre ficção científica, mas com uma pegada mais séria.

Surgiu, então, a série. A história mostra os argentinos sendo surpreendidos por uma neve mortal. Quem tem contato com ela morre instantaneamente.

O foco da narrativa está em Juan Salvo e em sua família e amigos. De uma hora para outra, o grupo precisa descobrir meios de sobreviver ao que parece ser um ataque.

                                                          ***

Logo na primeira página, o leitor é apresentado a Salvo. Ele se materializa diante de um surpreso escritor de histórias em quadrinhos, alter-ego de Oesterheld na trama.

Salvo se apresenta como sendo o Eternauta e passa a relatar a nevasca mortal e os fatos que sucederam a ela. E fica instaurada a dúvida sobre como ele surgiu daquele forma.

A série ganhou uma reescrita para a revista "Gente" no fim da década de 1960, desenhada por Alberto Breccia (1919-1993). Não agradou e foi cancelada.

Houve uma sequência na segunda metade da década de 1970, desta vez com Solano López. A Martins Fontes também adquiriu os direitos de publicação da história.

                                                          ***

"El Eternauta 2" continua do ponto onde a primeira parte havia terminado. O roteiro de Oesterheld mostra um Juan Salvo mais engajado e disposto à luta armada.

O cenário fictício casava com o que vivia Oesterheld á época. O escritor se tornou um dos opositores ao regime militar, instaurado na Argentina a partir de 1977.

A série continuou sendo publicada mensalmente nas bancas. O leitor, porém, não podia ser avisado de que o roteirista já havia se tornado um desaparecido político.

Ele foi sequestrado no fim de abril de 1977. Há um testemunho de que estava vivo na virada do ano. Acredita-se que tenha sido assassinado no ano seguinte.

                                                          ***

Mesmo sem Oesterheld, a série ganhou uma terceira sequência, na primeira metade da década de 1980, e outras a partir da década de 1990.

A última continuação foi conduzida por Solano López. A parte final de uma nova trilogia imaginada por ele terminou de ser publicada em 2010. Foi seu trabalho final.

A primeira parte, que agora chega ao Brasil, ainda é tida como a mais importante. Não só para a série em si, mas também para a cultura argentina.

Eternauta tornou-se uma das histórias em quadrinhos mais importantes do país, tal qual Mafalda, de Quino. Mesmo assim, chega ao país vizinho com um intervalo de 55 anos.

                                                         ***

Nota: é ético de minha parte registrar que fiz o prefácio da versão nacional de "O Eternauta", a convite da editora.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h47
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10.01.12

Neymar em quadrinhos

 

  • Mauricio de Sousa prepara revista em quadrinhos com jogador do Santos
  • Assessoria de imprensa do desenhista dá como certo o acordo com o atleta
  • Neymar é uma das novidades do ano, que prevê versão jovem de Chico Bento

 

Neymar. Crédito: divulgação

 

É comum a Mauricio de Sousa Produções divulgar à imprensa desenhos baseados em fatos marcantes do noticiário, como a morte de alguém conhecido. O deste início de ano foi o título de gol mais bonito de 2011, conquistado por Neymar na segunda-feira.

Os jornalistas recebemos uma reprodução do gol feito pelo jogador do Santos contra o Flamengo (vista acima) e que deu a ele a premiação internacional.

A imagem em si não é notícia. A frase que vinha no mesmo e-mail, ao contrário, era. Ela dizia que uma versão em quadrinhos do atleta "estava em negociação".

Pelo que o blog apurou, o acordo já foi firmado. Neymar irá ganhar uma revista em quadrinhos mensal, em princípio ainda este ano.

                                                          ***

A informação da versão em quadrinhos de Neymar foi confirmada ao blog nesta terça-feira, por e-mail, pela assessoria de imprensa do desenhista e empresário.

O que não há ainda são imagens do projeto, nem uma definição se o nome do jogador será usado no diminutivo, como ocorreu com Pelé/Pelezinho nas décadas de 1970 e 80.

A revista irá dividir espaço nas bancas com outra publicação baseada em um profissional do futebol, Ronaldinho Gaúcho. O título teve início em 2006.

Há dois anos, os estúdios de Mauricio de Sousa chegaram a divulgar uma reedição de histórias de Pelezinho. Mas o acordo para o retorno não foi firmado.

                                                        ***

Ter Neymar em quadrinhos, jogador que vive uma escalada galopante de popularidade no Brasil e no mundo, é o primeiro de uma série de projetos programados para este ano.

Um deles é a versão jovem de Chico Bento, já noticiada pelo blog há dois anos. A proposta de "Chico Moço" é ser uma revista mensal sobre temas ecológicos e do interior.

Apesar da insistência do blog, não foram disponibilizados esboços de Chico Bento mais velho. Nem da outra novidade, um encontro com personagens de Osamu Tezuka (1928-1989).

O encontro será publicado a partir de fevereiro, em "Turma da Mônica Jovem". Tezuka é tido como o pai dos mangás. Criou Astro Boy, A Princesa e o Cavaleiro, entre outros.

                                                          ***

Chico Bento, o tradicional, está nos planos de outra obra. Ele e Cascão irão ganhar especiais em comemoração a seus 50 anos de criação.

"Ouro da Casa" está programado para a Bienal do Livro. Trata-se de histórias mais autorais feitas por roteiristas e desenhistas que trabalham nos estúdios de Mauricio de Sousa.

Há ainda mais dez livros de bolso a serem publicados pela L&PM a partir deste ano. Quatro são da Turma da Mônica, dois de Chico Bento e outros dois de Os Sousa e Nico Demo.

Outra novidade já havia sido anunciada em novembro do ano passado, uma coleção com quatro graphic novels com Mônica e companhia. A intenção é lançar três em 2012.

                                                         ***

As graphic novels estão sendo produzidas por Danilo Beyruth, Vitor e Luciana Cafaggi, Gustavo Duarte e Shiko. Cada um ficou com um grupo de personagens diferente.

Outro projeto programado para este ano é uma coleção com reedições de histórias de Horácio, inicialmente anunciado para o ano passado.

Segundo Sidney Gusman, responsável pelo planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções, ocorreu com a obra o mesmo que as de 50 anos de Cascão e Chico Bento.

"Os dois, mais o primeiro da coleção do Horácio, também previsto para 2012, não saíram antes porque tivemos muitos lançamentos em 2011 e, em conversa com a Panini [editora das obras], preferimos adiar para não sobrecarregar o bolso dos nossos leitores."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h54
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08.01.12

De olho no leitor infantil

 

  • Abril lança de um só vez três revistas nacionais direcionadas ao público juvenil
  • "Gemini 8", "UFFO" e "Garoto Vivo" chegaram às bancas na última semana de 2011
  • Dois dos projetos foram os vencedores de concurso para revelar novos personagens

 

Página de UFFO - Uma Família Fora de Órbita, de Lucas Lima. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

Elas foram os últimos lançamentos de 2011. Chegaram às bancas quase no mesmo dia, na semana final do ano. E são a mais recente aposta da Abril para chegar ao leitor infantil.

As três revistas - "Gemini 8", "Garoto Vivo na Villa Cemitério" e "UFFO - Uma Família Fora de Órbita" - apresentam as mesmas características.

Todas têm 36 páginas em cores, o mesmo formato, igual ao das demais publicações infantis das bancas, e são vendidas a R$ 1,95 cada uma.

Além, claro, do direcionamento juvenil. O diferencial está nos temas e nos personagens.

                                                         ***

"Gemini 8" é uma criação da TV Pinguim, empresa de animação mais conhecida por ter produzido a série "Peixonauta", exibida no canal a cabo "Discovery Kids".

Escrita por Marcela Catunda e desenhada por Ricardo Sasaki, a revista em quadrinhos mostra o ingresso involuntário do menino Marco no planeta que dá título a publicação.

Lá, conhece outro garoto, Polo, que tenta ajudar o extraterrestre a retornar para casa. "Gemini 8" é a única das três revistas que não foi selecionada por concurso.

As outras duas séries foram as vencedoras Prêmio Abril de Personagens, realizado ao longo do ano passado.

                                                         ***

"Garoto Vivo na Villa Cemitério" também se pauta em menino fora de seu ambiente natural. No caso, trata-se de Caio, que vai parar num lugar tomado de mortos-vivos.

Mas são mortos-vivos amigáveis, do bem, ao contrário da série homônima norte-americana, lançada no Brasil pela editora HQM. A série é assinada por Fabrício Pretti.

"UFFO - Uma Família Fora de Órbita" mostra quatro alienígenas que se passam por humanos para entender melhor os costumes da Terra.

Só que um garoto da escola de um dos ETs descobre quem eles realmente são. E forma a base do enredo deste primeiro número.

                                                         ***

UFFO foi criada pelo paulista Lucas Lima, de 33 anos. Casado, com dois filhos, ele é mais conhecido pelas tiras de "Nicolau e Seus Queridos Vizinhos", já reunidas em dois livros.

Segundo ele, a proposta inicial é produzir neste ano seis números da revista. O próximo está programado para março. Tornar a revista mensal também é uma possibilidade.

O desenhista diz que o acordo com a abril não aumentou muito seus ganhos. Mas ajudou a dar um foco. Organizou uma equipe de produção e tem em vista formas de licenciamento.

"Se os personagens virarem bonecos, estamparem capas de cadernos ou ficarem apenas no gibi, será ótimo igual", diz. "Apenas torço para que tenham vida longa."

                                                         ***

As três novas revistas finalizam um ano em que a seção de quadrinhos da Abril procurou diversificar seus títulos nas bancas, inclusive com essa volta à produção nacional.

O carro-chefe ainda são as publicações da Disney. Além das tradicionais, a editora apostou em almanaques, novos títulos e especiais, como a volta da coleção "Pateta Faz História".

A Abril também publicou almanaques com histórias juvenis dos super-heróis da DC Comics, baseadas nas animações da TV.

A editora lançou dois volumes de "Superman", "Batman", "Jovens Titãs" e "Liga da Justiça". Os números mais recentes também chegaram às bancas no final de 2011.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h31
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04.01.12

As tiras nacionais buscam seu espaço

Brasília – “Os jornais deveriam receber as tiras em quadrinhos do ´Snoopy´ como matéria paga porque aquilo que se publica é para vender camiseta, decalque, talco e todos os demais produtos que compõem o ´merchandising´do personagem.”

O protesto foi lavrado ontem perante os membros da Comissão de Comunicação da Câmara pelo desenhista Fortuna, da “Folha”, ao participar, ao lado dos cartunistas Henfil, Cláudio Paiva e Edgar Vazquez de uma mesa redonda para discutir projeto de lei para exigir dos editores a publicação de pelo menos cinqüenta por cento de historietas em quadrinhos produzidas no Brasil.

Os desenhistas disseram-se dispostos a sentar frente a frente, no dia 14 de setembro, com os editores de publicações infanto-juvenis para discutir a questão e, se possível, chegar a um acordo para implantação das medidas preconizadas pelo projeto.

Todos eles condenaram um emenda ao projeto, aprovada pelo Senado, que considera como material nacional a adaptação, no Brasil, de personagens estrangeiros. Segundo essa emenda, os heróis de Walt Disney, recriados por artistas brasileiros, seriam considerados nacionais.

Cláudio Paiva, do “Jornal do Brasil”, ressaltou que, hoje, o nível de qualidade atingido pela tira em quadrinhos produzida pelos desenhistas brasileiros os habilita a tomarem conta do mercado. “O leitor prefere o material nacional” – frisou – mas o que não podemos é concorrer com o esquema de ´merchandising´ que cerca a produção estrangeira."

                                                         ***

A matéria acima foi publicada no jornal "Folha de S.Paulo" de 23 de agosto de 1983, sob o título "As tiras nacionais buscam seu espaço", mesma manchete que usei nesta postagem.

De uma atualidade impressionante, casa perfeitamente como o momento político vivido neste 2012, ano em que a lei de cotas para quadrinhos nacionais será debatida no Senado.

O projeto, o de hoje, prevê 50% de tiras brasileiras nos jornais, mesma discussão de 29 anos atrás, e 20% de produção brasileira nas editoras.

Apenas para registro: na edição de 23 de agosto de 1983, a Folha publicou nove tiras, cinco delas nacionais: uma de Angeli, outra de Ciça e três de Mauricio de Sousa. 

                                                          ***

Saiba mais sobre a lei de cotas para quadrinhos nas postagens de 03.11.11 e de 12.12.11.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h09
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30.12.11

2011: o ano em que o quadrinho nacional aconteceu - II

 

 Daytripper, de Gabriel Bá e Fábio Moon

 

Tão inusitado foi este 2011 para o autor nacional que um dos títulos estrangeiros mais comentados do ano, tanto dentro quanto fora do país, foi produzido por uma dupla de brasileiros. "Daytripper", dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon, foi o destaque do ano. No exterior, venceu nos Estados Unidos os prêmios Eisner Award e Harvey Award, respectivamente como melhor minissérie e melhor história ou edição individual.

No Brasil, foi indicada como o segundo melhor lançamento do ano em duas listas feitas por pessoas que noticiam quadrinhos, a da revista virtual "O Grito" e a do blog "Gibizada". Em primeiro lugar, ficou "Asterios Polyp", de David Mazzucchelli (Quadrinhos da Cia.), premiada com o Eisner em 2010.

Os números de vendas no Brasil apenas confirmaram a repercussão de "Daytripper". Produzido em capa dura pela Panini, o álbum viu os primeiros três mil exemplares esgotarem logo na primeira semana de lançamento, em setembro. Nova tiragem de três mil, novo esgotamento nos meses seguintes. A editora imprime neste fim de 2011 outros 12 mil exemplares, metade deles em capa cartonada e preço mais em conta. No total, em quatro meses, a obra atingiu uma tiragem de 18 mil números. Um fenômeno editorial.

Seria um equívoco rotular "Daytripper" como nacional, apesar de feita por brasileiros. A história foi publicada originalmente no prestigiado selo Vertigo, que reúne trabalhos autorais e adultos da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem. A minissérie, em dez partes, foi reunida no início do ano num álbum, que integrou a lista dos mais vendidos da categoria em ranking do jornal "The New York Times". Só no segundo semestre ganhou uma versão nacional, vertida para o português pelo tradutor e especialista em quadrinhos Érico Assis. Por ser ambientada em diferentes partes do Brasil, a série parece funcionar melhor em português.

Difícil resumir a história sem antecipar o enredo ao leitor. Pode-se dizer que se trata de uma engenhosa narrativa sobre a vida e as mortes inesperadas de um escritor de obituários, Brás de Oliva Domingos. Mortes, no plural mesmo. E, por meio delas, contam-se momentos presentes, passados e futuros do protagonista.

Gabriel Bá conta que teve a ideia da trama ao olhar pela janela do banheiro, durante o banho. De onde estava, conseguia avistar uma favela. Pela distância, seria possível ser atingido por uma bala perdida. E se isso acontecesse mesmo? A partir desse insight, desenvolveu a história em parceria com o irmão.

Curioso que houve pelo menos um caso assim registrado no país, o de Older Cazarré. Ator de programas de humor da TV Globo e dublador (ficou famoso por dar voz ao personagem Dom Pixote dos desenhos animados da dupla Hanna-Barbera), morreu em fevereiro de 1992, aos 57 anos. Foi atingido por uma bala enquanto dormia em seu apartamento, no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro.

 

Daytripper, de Gabriel Bá e Fábio Moon 

 

"Daytripper", criada por brasileiros, conseguiu projeção num ano bastante generoso de boas obras estrangeiras, estas feitas por autores de fora do país, de diferentes partes. Além do já citado "Asterios Polyp", o leitor brasileiro teve contato com os europeus "Lucille" (de Ludovic Debeurme, pela editora Barba Negra), "Três Sombras" (Cyril Pedrosa, Quadrinhos na Cia.), "Fidel Castro em Quadrinhos" (Reinhard Kleist, 8Inverso), "Castelo de Areia" (Pierre Oscar Lévy e Prederik Peeters, obra estreante da Tordesilhas) e "A Chegada", de Shaun Tan, história muda e que figura entre as melhores do ano.

A estrente editora Nemo resgatou alguns trabalhos importantes e inéditos no país. Trouxe de volta a série italiana "Corto Maltese", de Hugo Pratt, os incômodos relatos de guerra de "Era a Guerra das Trincheiras", do francês Jacques Tardi, e iniciou uma coleção com histórias de Moebius. Os dois primeiros foram "Azrach" e "Absoluten Calfreutrail & Outras Histórias".

Estreitou-se um pouco mais a edição de trabalhos argentinos, até então raros no país. A maior parte foi lançada pela editora Zarabatana. As tiras de "Macanudo" ganharam um quarto volume (de autoria de Liniers), o álbum "Noturno" teve uma edição nacional (com os desenhos detalhados de Salvador Sanz) e conteúdo da revista "Fierro", a principal da Argentina, foi reunido em forma de livro, dividido com quadrinistas nacionais (Danilo Beyruth, Gustavo Duarte, Adão Iturrusgarai, Eloar Guazzelli e outros). A Marca de Fantasia, de João Pessoa, reuniu histórias de "Carne Argentina", produzida por autores do grupo de La Productora.

Dos Estados Unidos, pôde-se ler o até então inédito "Mundo Fantasma" (Daniel Clowes, GAL) e novos volumes de "A Liga Extraordinária", ambientada em 1969 (Alan Moore e Kevin O´Neil, Devir), de "The Umbrella Academy" (desenhada por Gabriel Bá, Devir)e da viciante "Os Mortos-Vivos" (Robert Kirkman e Charlie Adlard, HQM).

Houve também reedições da erótica "Black Kiss" (Howard Chaykin, Devir) e de tiras históricas de "Peanuts" (quarto volume da série da L&PM), "Recruta Zero" (Mort Walker, Kalaco) e "Agente Secreto X-9" (Dashiell Hammett e Alex Raymond). Houve ainda a sequência de boas séries da Vertigo, via Panini, casos de "Fábulas", "Y - O Último Homem", "Ex Machina" e "Preacher", que, enfim, teve o último número lançado no Brasil.

A Panini também publicou séries da Vertigo numa revista mensal homônima. Duas merecem destaque: "Escalpo" e "Vampiro Americano". Esta é desenhada pelo brasileiro Rafael Albuquerque e foi premiada como melhor nova série no Eisner Award e no Harvey Award.

                                                        ***

Os títulos da Vertigo dividiram as prateleiras das bancas com os super-heróis norte-americanos, os mangás japoneses, os personagens Disney, os faroestes italianos, Luluzinha em versão adolescente (produzida no Brasil) e infantil (trabalho original, produzido nos Estados Unidos nas décadas de 1940 e seguintes) e as revistas de Mauricio de Sousa.

"Turma da Mônica Jovem" continuou em evidência. A tiragem, entre 300 mil e 400 mil exemplares, segundo números da assessoria do desenhista e empresário, foi superior a de títulos estadunidenses dos heróis da Marvel e DC Comics. A revista também lidera as vendagens do setor no Brasil, vendendo mais que a versão tradicional de Mônica.

Os Estúdios Mauricio de Sousa continuaram também apostando em novos projetos. Um deles foi o terceiro volume de "MSP 50 - Mauricio de Sousa por 50 Novos Artistas", lançado no começo do segundo semestre. Talvez por se ancorar na mesma fórmula (histórias feitas por diferentes artistas), o álbum não teve a mesma repercussão que os dois anteriores, publicados em 2009 e 2010. Por outro lado, ganhou bastante destaque, inclusive na chamada grande mídia, o anúncio de quatro álbuns que serão produzidos com os personagens da Turma da Mônica, feitos por Vítor e Luciana Cafaggi, Gustavo Duarte, Shiko e Danilo Beyruth.

A Abril teve um nítido interesse em diversificar e ampliar seus títulos ao longo de 2011. Houve mais almanaques e especiais com os personagens Disney, publicou quatro volumes com histórias juvenis baseadas em animações de heróis da DC Comics (Super-Homem, Batman, Liga da Justiça e Joves Titãs) e encerra o ano com três revistas nacionais, "Gemini 8", da empresa TV Pinguim, "UFFO - Uma Família Fora de Órbita", de Lucas Lima, e "Garoto Vivo - Na Villa Cemitério", de Fabricio Pretti. Os dois últimos foram os trabalhos vencedores do Prêmio Abril de Personagens, realizado pela editora. O quadrinho de banca não está morto, como muitos apregoam, ancorados nas altas vendas do passado.

                                                         ***

Analisado em perspectiva, o ano de 2011 confirma algumas tendências: livrarias como pontos sólidos de vendas de quadrinhos; interesse editorial em adaptações literárias e em álbuns nacionais; vontade de os autores produzirem por conta e mostrarem serviço, em vez de ficarem esperando que algo aconteça; surgimento de histórias longas interessantes, num país que há menos de uma década dizia ser desprovido de bons escritores para narrativas de maior fôlego; mercado estrangeiro como alternativa para expor obras e/ou atuar; veiculação de histórias na internet para serem, depois, compiladas em papel; diversificação de títulos e gêneros; as tiras dos jornais são sombreadas pelas da internet.

Outra constatação é que ocorre uma redução no espaço que separa(va) os autores independentes e as editoras. Esse raciocínio foi percebido por Fabiano Barroso, editor da revista independente mineira "Graffiti 76% Quadrinhos", e é de se concordar com ele. Os quadrinistas que se autopublicam já conseguem tiragens e qualidade gráfica semelhantes às editoras de quadrinhos. Parte destas é mantida por uma, duas, três pessoas, que acumulam as funções administrativas com as editoriais.

Foi um ano em que o quadrinho nacional aconteceu.

E, ironicamente, no mesmo ano em que ganhou corpo o projeto de lei que estipula uma reserva de mercado de 20% para quadrinhos nacionais (nos jornais, 50%), tema acaloradamente debatido por autores, editores e leitores nas redes sociais, este blog inclusive. O texto, discutido na Câmara dos Deputados, ingressa em 2012 no Senado. Se aprovado lá, passa a sanção presidencial. É uma lei que, se aprovada e se for mantido o cenário atual, já entra em vigor obsoleta.

Pode-se questionar se essa tendência de volume de produção nacional será mantida daqui para a frente. Difícil dizer, até porque se trataria de previsão, e não de constatações. De concreto, já há anúncios de novos álbuns e adaptações nacionais para 2012, boa parte fruto do edital paulista do ProAC.

Mas pode-se analisar a questão por outro ângulo. Há cinco anos, alguém imaginava que veria tantos trabalhos nacionais publicados no país? Confesso que não. Trata-se, é fato, de um cenário bem mais promissor do que o de então.

E leitores e autores parece terem criado gosto pela coisa. Esse é o diferencial.

                                                         ***

Leia a primeira parte desta resenha na postagem abaixo.

                                                         ***

Aproveito para deixar a todos os votos de uma ótima virada de ano e de um 2012 ainda mais realizador. Até o ano que vem.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h38
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27.12.11

2011: o ano em que o quadrinho nacional aconteceu

 

  • Volume de trabalhos brasileiros publicados neste ano foi o maior da história
  • Produção circulou entre editoras, páginas virtuais e de forma independente
  • Número de encontros sobre quadrinhos no país também foi recorde

 

Quando Meu Pai se Encontrou com o ET Fazia um Dia Quente, de Lourenço Mutarelli. Crédito: Quadrinhos da Cia.

 

Há que se ponderar que a situação, do ponto de vista do autor de quadrinhos, ainda não é a ideal. Trabalha-se muito, ganha-se pouco, muitos nem recebem pelo serviço, fazem por amor à arte. Feita a ressalva, há também que se registrar que este foi um ano histórico para a produção brasileira. Nunca o país produziu tantas histórias como neste 2011. Isso fica claro se for observada a soma dos catálogos das editoras, o volume de obras independentes lançadas e o circuito de sites e blogs autorais dedicados ao tema.

Mais do que quantidade, viu-se também qualidade e pluralidade de gêneros, temas, formatos e suportes. As narrativas longas, tendência externa que ganhou espaço a passos largos nos últimos anos no Brasil, parece terem se enraizado de vez no solo editorial nacional. Foram poucas as editoras da área que não apostaram no setor. A maioria com mais de uma publicação. As livrarias se somaram às lojas especializadas em comercializar quadrinhos como fonte de escoamento dos títulos.

Não há números sobre vendas, algo que costuma ser divulgado pelas editoras apenas quando são informações atraentes. Há, no entanto, alguns dados. As tiragens ficam entre mil e três mil exemplares. Mais em casos esporádicos. O catálogo da Quadrinhos da Cia. também costuma ultrapassar essa marca. Foi o caso de "Quando Meu Pai se Encontrou com o ET Fazia um Dia Quente", que marca a volta de Lourenço Mutarelli aos quadrinhos. O álbum teve 6 mil cópias, segundo informe da Companhia das Letras repassado aos leitores. A obra, feita na forma de livro ilustrado, foi lançada no começo de dezembro.

Outro álbum que teve os números disponibilizados foi "Histórias do Clube da Esquina", de Laudo Ferreira Júnior. O trabalho biográfico sobre Milton Nascimento, Fernando Brant, Lô Borges e outros integrantes do movimento musical mineiro teve quase todos os 3 mil exemplares vendidos em quatro meses. A obra foi uma das dez escolhidas na edição de 2010 do ProAC (Programa de Ação Cultural). O mecanismo de apoio cultural do governo do Estado de São Paulo foi um dos principais impulsionadores de narrativas longas. Cada autor selecionado recebe R$ 25 mil para produzir a obra.

O edital paulista gerou também trabalhos como "Carcará" (Qualidade em Quadrinhos), de Aloísio de Castro, uma história de cangaceiro com verniz de faroeste que figura entre os destaques do ano, e "Vermelho, Vivo" (Cristina Judar e Bruno Auriema, Devir). A maior parte dos trabalhos foi feita em parceria com editoras. Estas, no entanto, fizeram apostas próprias, inclusive com autores estreantes em histórias longas. Apesar de novos no formato, começaram bem. Casos de Kerouac (João Pinheiro, Devir), "Yuri - Quarta-Feira de Cinzas" (Daniel Og, Conrad), "EntreQuadros - Círculo Completo" (Mario César, Balão Editorial), "A Balada de Johnny Furacão" (Eduardo Filipe, o Sama, Flaneur, reeditada no final do ano pela Kalaco), "Garoto Mickey" (Yuri Moraes, Dobra Quadrinhos), "Automatic Kalashnikov 47" (Luciano Tasso, Annablume) e "São Jorge da Mata Escura" (Marcello Fontana, André Leal, Antônio Cedraz e Naara Nascimento, RV Cultura e Arte). 

"Oeste Vermelho" (Devir), dos também estreantes Magno e Marcelo Costa, foi uma das boas surpresas do ano. Os irmãos gêmeos narram uma história de faroeste em que um rato sai em vingança contra os gatos que mataram sua família. A obra é resultado de parceria com a Quanta Academia, de São Paulo. A escola de artes seleciona trabalhos que julga relevantes e os encaminha para a editora Devir publicar. Outra surpresa foi trazida por Julius Ckvalheiyro, com o álbum "Guerra: 1939-1945" (Conrad). Narrado num estilo que mescla luz e sombras, apropria-se de um gênero pouco explorado no país, ainda mais numa história de maior fôlego.

Aos novos somam-se novos trabalhos de autores que já experimentaram esse modo de narrar quadrinhos em produções anteriores. Marcelo d´Salete ("Encruzilhada"), Rodrigo Rosa e Carlos Ferreira ("Kardec") e André Diniz ("Morro da Favela") marcaram os primeiros álbuns nacionais da Barba Negra, parceria com a editora portuguesa Leya. O trabalho de Diniz, uma biografia do fotógrafo carioca Maurício Hora, figura entre as melhores obras de 2011, incluídas as estrangeiras.  José Aguiar, Dw Ribatski e Paulo Biscaia fizeram uma leitura de trechos de peças de Biscaia em "Vigor Mortis Comics" (Zarabatana). Houve ainda três novas visitas a personagens já apresentados ao leitor. Nestablo Ramos Neto concluiu a segunda parte de "Zoo" (HQM), série pautada na interação entre humanos e animais. Danilo Beyruth também deu sequência às histórias do herói do além "Necronauta" (Zarabatana). Eduardo Schloesser revisitou seu Zé Gatão na aventura "Memento Mori" (Devir).

Três coletâneas tiveram curiosamente pontos coincidentes: reeditavam histórias já lançadas em álbuns anteriores ou em outras publicações e agregavam a elas novas narrativas; trabalhavam a identidade do brasileiro, em diferentes regiões do país; traziam histórias curtas, como se fossem contos em quadrinhos; obtiveram resultados artísticos singulares, cada uma a seu modo. André Toral mesclou o lado urbano do brasileiro de hoje com relatos de ontem em "Curtas e Escabrosas" (Devir). Marcello Quintanilha deu nova cara a um álbum publicado nos primeiros anos da Conrad, rebatizado agora de "Almas Públicas" (lançado pela mesma editora). O principal alvo são os fluminenses. Lélis trouxe de volta o álbum "Saino a Percurá", lançado uma década antes, e colou no título um "Ôtra Vez" (Zarabatana). O desenhista, especialista em aquarela, conta causos do sertão mineiro.

Merece registro especial a reunião das cem páginas que compuseram a história do "Garra Cinzenta" (Conrad). A reedição, em formato livro, trouxe - ou apresentou - ao leitor um dos primeiros quadrinhos adultos produzidos no país. Foi escrito por Francisco Armond (um pseudônimo),  desenhado por Renato Silva e publicado no final da década de 1930. Mais do que isso, ajudou a corrigir algumas informações histórias que eram reproduzidas acriticamente, sem que se tivesse contato com o trabalho original. Uma delas é que se tratava de uma aventura de terror. A leitura revela uma trama de mistério, com toques de história de detetive.

                                                         ***

Lélis publicou outro álbum neste 2011, uma versão em quadrinhos de "Clara dos Anjos", romance de Lima Barreto (1881-1922).  A obra foi feita em parceria com o roteirista Wander Antunes (para o Quadrinhos da Cia.). Adaptações como essa se configuraram num filão à parte, que tem rendido oportunidades de trabalho a autores nacionais. Das mais de 30 produções assim lançadas ao longo do ano, cerca de um terço foi produzida no país. O objetivo é atingir as gordas compras governamentais, que incluem tais álbuns nas listas de títulos levados às escolas. A principal é o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do governo federal. Das 7 obras selecionadas neste ano pelo edital, 3 eram adaptações (apenas uma nacional, uma leitura de Romeu e Julieta com os personagens da Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa).

Os editores costumam não deixar explícito o interesse nessas listas. São raras declarações como a dada por Fabricio Waltrick, da Ática, durante o 7º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), realizado em novembro em Belo Horizonte. Sobre o assunto, sem nenhum receio, ele justificou o interesse da empresa no setor para atender à demanda gerada pelas compras do governo. A editora publicou neste ano uma versão quadrinizada de "A Escrava Isaura" (por Eloar Guazzelli e Ivan Jaf) e investiu em álbuns infanto-juvenis estrangeiros.

Os motivos do receio de muitos dos editores são um tanto nublados. Trata-se, de fato, de um bom negócio. Uma compra do PNBE varia entre 15 mil e 75 mil exemplares. Mesmo vendidos com desconto, gera-se um generoso lucro. E, em paralelo, cria um ramo de produção nacional. A Nemo, estreante no meio editorial, pôs no mercado no segundo semestre o maior volume de produções nacionais do setor neste ano. Foram três adaptações de William Shakespeare ("Otelo", "Sonhos de uma Noite de Verão" e "Romeu e Julieta") e uma do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis (por Wellington Srbek e José Aguiar).

Não é a regra, mas se podem obter bons resultados com as adaptações. Houve três casos assim em 2011. "Auto da Barca do Inferno", de Laudo Ferreira Júnior, soube trazer para os quadrinhos o tom da linguagem teatral, como a peça foi inicialmente concebida pelo português Gil Vicente, em 1516. Outros dois resultados diferenciados foram obtidos por meio de leituras visuais do conteúdo dos textos originais, buscando transpor em imagens as palavras originais. Foram os casos dos poemas "A Cachoeira de Paulo Afonso", de Castro Alves (1876), adaptado por André Diniz (Pallas) e "Fernando Pessoa e Outros Pessoas", uma vez mais por Eloar Guazzelli (Saraiva). 

Para 2012, avistam-se pelo menos mais cinco adaptações literárias em quadrinhos, todas elas produzidas por autores nacionais.

As narrativas mais longas - que os países de língua hispânica rotularam com o nome de "novela gráfica" - não se restringiram apenas ao circuito editorial. Circularam também pelo meio independente. O primeiro trabalho do ano, bancado pelo próprio autor, foi o quarto número de "Nanquim Descartável", série sobre duas amigas, criada pelo roteirista paulista Daniel Esteves. A obra foi lançada no fim de janeiro e foi a que mais se destacou no primeiro semestre, tímido de produções assim. Os seis meses seguintes, ao contrário, tiveram uma overdose de títulos alternativos, capitaneados pela história muda "Birds", de Gustavo Duarte, que começou a ser vendida no Brasil no final de agosto, e pelo décimo volume de "Café Espacial", em formato almanaque e com mais páginas que as edições anteriores. O mesmo Daniel Esteves assinou dois outros bons trabalhos, "O Louco, a Caixa e o Homem", em parceria com Will, e "Três Tiros, Dois Otários", com Caio Majado.

O que parece ter instigado a concentração de lançamentos independentes vista no segundo semestre foram dois encontros da área, a Rio Comicon e o já mencionado 7º FIQ. Muitos autores esperaram pelos dois eventos para mostrar seus trabalhos. O FIQ, em particular, foi inundado por quadrinistas que se autopublicam. Dos estandes que tomavam o fundo e a lateral esquerda da Serraria Sousa Pinto, onde o festival foi realizado, apenas quatro não eram de quadrinistas. Ao todo, foram lançados lá entre 40 e 50 títulos autorais, produzidos em diferentes partes do país. Foram um dos destaques do encontro, que recebeu 148 mil pessoas, segundo a organização. Dezoito mil a mais do que recebeu em julho no mesmo ano a San Diego Comic-Con, uma das mais visitadas convenções norte-americanas da área.

Difícil listar todos os lançamentos independentes do festival mineiro sem cometer a injustiça de deixar algum de fora. Houve até histórias em forma de CD, caso de "St. Bastard - O Orgulho de Cucamonga", de Leonardo Martinelli e Raphael Salimena. Mas dois casos ajudam a ilustrar bem o tema. O primeiro é o grupo paulista formado pelos desenhistas João Montanaro, Pedro Cobiaco, Felipe Nunes, Jopa Moraes e Calvin Voichicoski. Na faixa dos 15 anos, talentosos, integram uma nova geração de autores. Eles produziram revistas e pôsteres especificamente para vender no FIQ, num estande dividido com outros desenhistas. Paralelamente, todos mantêm blogs próprios e produzem para diferentes publicações, algumas delas jornalísticas.

O outro exemplo foi a estreia do grupo Pandemônio, uma das revelações do ano. Formado por autores mineiros, eles lançaram alguns pares de obras no FIQ. Pelo menos quatro delas eram trabalhos que merecem ser registrados por conta da qualidade. Duas foram assinadas por Victor Cafaggi, desenhista que ganhou projeção ao criar um blog com uma versão infantil de Peter Parker, alter-ego do Homem-Aranha. Ele publicou uma coletânea de tiras de Valente, personagem publicado nos fins de semana no jornal "O Globo" e que funciona melhor se lido em sequência, e "Duo.Tone", um sensível relato sobre a infância e as fantasias inerentes a ela.

Outro trabalho foi o criativo álbum "Ovelha Negra", que procurou recriar a história e o estilo de uma fictícia revista de décadas passadas (não confundir com o tabloide de humor homônimo, que teve poucos números e que, de fato, existiu). A obra é uma parceria de Daniel Werneck, professor universitário e um dos organizadores do FIQ, e Ryot.  "Achados e Perdidos", mais um álbum gerado pelo selo, tornou-se um dos destaques nacionais do ano. A trama narra a história de um adolescente que, de uma hora para outra, encontra um buraco negro no próprio estômago. A obra foi produzida pela dupla Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho e traz um bastidor peculiar: foi impressa com verba doada por leitores, via site "Quadrinhos Rasos". Os nomes das mais de 500 pessoas que colaboraram aparecem nas páginas iniciais da obra.

A integração entre internet e papel esteve na base de uma série de outros lançamentos, independentes ou não. Confirmou-se neste 2011 a tendência de usar a rede mundial como processo paulatino de produção para, depois, verter o conteúdo - ou parte dele - para o papel. São os casos das coletâneas de tiras de "Ultralafa" (Daniel Laffayete, Barba Negra), "Os Passarinhos" (de Estevão Ribeiro, Balão Editorial), "Rei Emir Saad - O monstro de Zazarov" (André Dahmer, Barba Negra), do autobiográfico "Diário de um Casal" (Ric Milk), do independente "1000 Palavras" (Marcelo Saravá), da série "Um Sábado Qualquer", que repetiu na versão impressa a popularidade da internet (Carlos Ruas, Devir). O livro esgotou em poucos meses e já ganhou nova impressão.

Outra experiência revelante foi vista no segundo semestre. A seção de entretenimento do portal IG passou a veicular histórias em quadrinhos semanais, produzidas especificamente para o site por cinco autores nacionais: Rafael Albuquerque (a ficção científica "Tune 8"), Rafael Coutinho ("O Beijo Adolescente"), Rafael Sica ("Borgo"), Eduardo Medeiros (Roberto") e Raphael Salimena ("Z"). Os dois primeiros reuniram as primeiras partes de suas séries em versões impressas, lançadas no Rio Comicon e no FIQ. Segundo Albuquerque, sua história irá continuar por conta. De acordo com ele, o contrato de seis meses não foi renovado e o espaço não terá sequência em 2012.

Isso sem falar nos vários blogs autorais da internet.

                                                        ***

Tão inusitado foi este 2011 que até mesmo um dos destaques internacionais foi produzido por autores brasileiros. É o caso do fenômeno "Daytripper", de Gabriel Bá e Fábio Moon, um dos temas da segunda parte desta resenha.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h02
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18.12.11

Nos quadrinhos, foi Neymar quem goleou Messi

 

  • Mercado de histórias em quadrinhos na Argentina viveu retração em 2011
  • Volume de lançamentos reduziu se comparado aos últimos cinco anos
  • Mesmo a tradicional revista "Fierro" sentiu queda no número de vendas

 

Capa de Angela Della Morte, de Salvador Sanz

 

A final do Mundial de Clubes, realizada na manhã deste domingo, no Japão, usou uma metonímia para polarizar a disputa. Não seria apenas um embate entre Santos e Barcelona.

Tratava-se, sim, de um confronto entre Neymar e Messi. Ou entre Brasil e Argentina, se visto do ponto de vista sul-americano.

Sabe-se do resultado: os espanhóis golearam o time do litoral sul paulista por quatro a zero. A imprensa argentina chegou a dizer que o "futebol brasileiro foi humilhado".

Exagero dos colegas da imprensa de Buenos Aires, de onde escrevo estas linhas. Assim como também o é o "embate" entre Brasil e Argentina na final do Mundial de Clubes.

                                                         ***

Apesar dos exageros, a metáfora vale e ajuda a visualizar melhor os cenários vividos hoje pelos mercados brasileiro e argentino de histórias em quadrinhos.

Nessa partida, pelo menos, foi Neymar quem levou a melhor. Os times brasileiros tiveram um 2011 excepcional. Na Argentina, o que se viu foi um mercado bem mais tímido.

Houve lançamentos, mas poucos. Metade esteve ancorada em reedições de antigas histórias, lançadas em revistas como "Skorpio" ou "Fierro".

A "Fierro", em particular, responde por três das coletâneas do ano: "Fantagas", de Carlos Nine, "El Sr. y Sra. Rispo", de Diego Parés, e "Angela Della Morte", de Salvador Sanz.

                                                         ***

Mesmo a "Fierro" patinou nas vendas neste ano. Duas fontes confirmaram ao blog que a revista esteva no vermelho há alguns meses. Continua sendo publicada, no entanto.

A publicação sai todo segundo sábado do mês, vendida com o jornal "Página/12". No Brasil, a Zarabatana programa para 2012 uma segunda antologia com conteúdo da revista.

Outro sinal pode ser visto com a Ivrea, principal editora de mangás da Argentina. A empresa deixou de produzir as revistas no país. O que lança, agora, vem da Espanha.

As livrarias já não têm tanta diversidade. As comiquerías - nome das lojas de quadrinhos na Argentina - continuam com farto material, mas com pouco editado no país durante 2011.

                                                          ***

O que se viu foram lançamentos pontuais de diferentes editoras. Mesmo as tradicionaias, como a Doedytores e a Historieteca, reduziram seu catálogo neste ano.

Uma das que mais se destacou foi a Editorial Común, mantida pelo desenhista Liniers. Ele lançou cinco títulos, um deles uma coletânea de histórias autobiográficas suas.

Os demais são "La Ciudad de los Puentes Obsoletos", "Virus Tropical", "Fuye" e o estrangeiro "Umbigo sem Fundo", já publicado no Brasil pelo Quadrinhos da Cia.

Houve também algumas retomadas de histórias antigas de Carlos Trillo, por conta de seu falecimento. O roteirista morreu em maio deste ano, durante viagem à Europa.   

                                                          ***

Há quem diga que parte dessa retração se deve a uma espécie de clima de luto, sentido no meio quadrinístico. À morte de Trillo somou-se outra, de Francisco Solano López.

O veterano desenhista morreu em agosto passado. Ele foi responsável pela arte de "El Eternauta", tida como um dos principais quadrinhos do país.

Como a morte é algo culturalmente muito presente e cultuado na vida dos argentinos, pode-se até supor que esse seja um dos motivos. Mas, seguramente, não o único.

O curioso é que há cinco anos ocorria justamente o oposto, era a Argentina que vivia dias melhores nos quadrinhos. Hoje, é o Brasil. Que inclusive tem publicado obras de lá.

                                                         ***

Há que se entender melhor o impacto deste 2011 para o quadrinho brasileiro. É o que procuraremos fazer no blog nas postagens finais deste ano.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h04
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16.12.11

A volta de One Piece, Dragon Ball e Monster

 

  • Panini anuncia para 2012 retorno de "One Piece", "Dragon Ball" e "Monster"
  • Segundo editora, "One Piece" será o primeiro dos três a ser lançado, em janeiro
  • Mangá terá duas revistas: uma com capítulos inéditos; outra, do início

 

One Piece

 

A Panini irá retomar as séries "One Piece", "Dragon Ball" e "Monster", que deixaram de ser publicadas pela Conrad em 2008. A informação foi divulgada à imprensa, por e-mail.

Segundo o texto da assessoria da editora, o primeiro título a ser lançado será "One Piece", de Eiichiro Oda, hoje um dos maiores sucessos de venda no Japão.

A editora pretende publicar duas revistas ao mesmo tempo, ambas programadas para janeiro. Uma será bimestral e irá trazer capítulos inéditos.

A outra irá relançar a série do início e terá periodicidade mensal. Cada um dos mangás irá custar R$ 10,90.

                                                         ***

O texto enviado à imprensa - chamado de "release" no meio jornalístico - não detalha como serão publicados os outros dois mangás nem em que mês de 2012.

"Monster" também havia sido interrompido antes do final. A série de Naoki Urasawa teve dez volumes lançados. São 18 ao todo.

"Dragon Ball", de Akira Toryiama, já foi lançado no Brasil mais de uma vez. A última versão reunia os capítulos em versão livro. Ainda é um dos mangás de maior repercussão.

As informações enviadas à imprensa registram também que a Panini irá lançar novas edições de "Gantz", "Ouran" e "Brave", que já integram o catálogo da editora.

                                                          ***

A Conrad oficializou em maio deste ano o fim das negociações para retomar os mangás da Shueisha, editora de "One Piece" e "Dragon Ball". Leia mais na postagem de 07.05.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h32
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14.12.11

FIQ no circuito internacional

 

  • Festival Internacional de Quadrinhos supera público de principal evento dos EUA
  • Número levou o encontro brasileiro a ser citado em site norte-americano
  • FIQ foi realizado em novembro, em Belo Horizonte, e reuniu 148 mil pessoas

 

FIQ 2011. Crédito: site do evento

 

O site norte-americano "Bleding Cool" fez uma comparação no início desta semana. Pôs lado a lado o público da principal convenção de quadrinhos de lá com o nosso FIQ.

Placar: a San Diego Comic-Con recebeu 130 mil pessoas. O Festival Internacional de Quadrinhos, realizado mês passado em Belo Horizonte, 148 mil. Dezoito mil a mais.

O site traz uma espécie de conclusão sobre o assunto no título da nota: "a maior convenção na América... é na América do Sul?".

A ser pautar pelos números, parece que sim.

                                                         ***

Há quem relativize esses dados. Um dos argumentos é que na San Diego a entrada é paga e no FIQ, não. Mas há também o contra-argumento: uma ocorreu nos EUA, outra no Brasil.

E, sabe-se, os norte-americanos têm uma indústria de quadrinhos bem mais consolidada que a nossa, que vê um ensaio disso apenas via Estúdios Mauricio de Sousa.

Para Afonso Andrade, coordenador do FIQ deste ano, o objetivo do festival não é ser o maior evento de quadrinhos. A proposta é que o encontro traga "boas consequências".

Um espaço acessível a crianças, velhos leitores, jovens talentos, artistas veteranos.  Na entrevista a seguir, feita por e-mail, ele detalha como vê essa repercussão fora do país.

                                                          ***

Blog - Como você viu os números comparativos da San Diego com os do FIQ?
Afonso Andrade -
Já sabíamos desses números. Comparações são difíceis e perigosas. São eventos bem diferentes. A San Diego Comic-Con é um evento da indústria do entretenimento, principalmente americana, com forte presença dos grandes estúdios e conglomerados. Seu foco está na divulgação dos produtos desta indústria. O FIQ é um evento de quadrinhos, gratuito, realizado por um órgão público (Prefeitura de Belo Horizonte),  com recursos púbicos, diretos ou através de incentivos. O festival busca trazer ao público uma mostra da produção de quadrinhos no Brasil e no mundo, apresentando diversos  subgêneros e estilos.

Blog - Os números ajudam de que forma na consolidação do festival?
Andrade -
Reafirmam a importância do festival para o setor de quadrinhos, como o grande "ponto de encontro" daqueles que produzem ou se interessam por essa área. Devemos lembrar que grande parte destas 148 mil pessoas que passaram pelo festival em seus cinco dias é composta por leitores não habituais ou mesmo quem não leem quadrinhos. A formação de leitores e a promoção da leitura dos quadrinhos são dois dos focos principais do FIQ. Outro ponto importante é que o evento começa a chamar a atenção fora do Brasil, favorecendo as possibilidades de intercâmbio.  
 
Blog - Isso de alguma forma faz vocês aventarem a possibilidade de o evento ser anual?
Andrade
- Dificilmente. Organizar um evento do porte do FIQ anualmente é inviável. Para que o evento aconteça com qualidade e com os recursos  financeiros adequados, precisamos de dois anos. A Prefeitura de Belo Horizonte, nos anos em que não acontece o FIQ, como agora em 2012, realiza outro grande festival internacional, o FIT - Festival Internacional de Teatro -, que, em 2010, teve um público de cerca de 150 mil pessoas em dez dias de evento. Realizar o FIQ anual também implicaria no festival acontecer em anos de eleições municipais, o que prejudica muito a divulgação e a realização de eventos públicos, em virtude das restrições da legislação eleitoral. Mas o 8º FIQ, em 2013, já está sendo planejado.

                                                          ***

Nota: entre uma postagem e outra, acompanhe o noticiário de quadrinhos pelo Twitter, no @blogpauloramos.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h45
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12.12.11

Câmara finaliza projeto de reserva para quadrinhos nacionais

  

  • Versão final do projeto será publicada nesta semana e encaminhada para votação
  • Se aprovado, texto será encaminhado ao Senado para ser avaliado
  • Proposta prevê que editoras publiquem 20% de conteúdo nacional; para jornais, 50%

 

A Câmara dos Deputados finaliza nesta semana o projeto de lei que obriga editoras de quadrinhos a reservar no mínimo 20% para trabalhos nacionais. Nos jornais, são 50%.

A proposta passa por uma revisão final nesta segunda-feira. O relator do projeto, Rui Costa (PT-BA), programa publicar o texto no meio desta semana.

Segundo o deputado federal, o projeto passa, depois, por votação na Comissão de Educação da Câmara. Ele diz que irá incluir na pauta da reunião deste mês.

Se aprovado, será encaminhado ao Senado. Lá, passará por novo trâmite nas comissões da casa. Caso tenha nova aprovação, vai para sanção da presidente Dilma Roussef.

                                                         ***

O projeto 6.060/09, de autoria do deputado federal Vicentinho (PT-SP), teve uma audiência pública, realizada em Brasília, com entidades ligadas ao setor de quadrinhos.

Um segundo encontro ocorreu na sexta-feira passada (09.12), em São Paulo. Estiveram presentes o relator e oito pessoas, entre elas representantes da área, editores e autores.

Rui Costa ouviu duas propostas. A primeira foi a inclusão do meio digital do texto. A segunda, um alargamento dos prazos estipulados pelo projeto.

O texto prevê uma implantação gradativa: cinco por cento no primeiro ano, 10% no segundo, 15% no terceiro até chegar aos almejados 20% mínimos no quarto ano.

                                                         ***

A terceira proposta foi uma ampliação da aplicação dos 20% para o conteúdo das publicações. O projeto foi pensado para ser aplicado apenas ao volume de títulos lançados.

A proposta permitiria dois caminhos às editoras: 1) atingir 20% do número de obras lançadas; 2) atingir 20% do conteúdo publicado, mesclando nacionais com estrangeiros.

Para entender melhor. No primeiro caso, uma editora que tenha lançado dez álbuns num ano, teria de produzir pelo menos dois deles com produções de autores brasileiros.

No segundo caso, haveria a alternativa de se observar a parte interna das obras. Estaria dentro da lei, por exemplo, a revista/livro que tivesse cem páginas, 20 delas nacionais.

                                                          ***

O relator disse estar propenso a acatar as propostas. No caso dos prazos, concorda com um alargamento no prazo inicial, mas não final. Este fica muito distante, no entender dele.

Os últimos dados sobre as sugestões serão enviados a ele nesta segunda-feira, por e-mail. Os eventuais ajustes serão feitos até o meio desta semana.

No geral, Rui Costa acredita que o ponto central do projeto é o de criar no país uma lei de incentivo à produção brasileira.

"Acho que a proposta é positiva porque lança um olhar sobre uma linguagem que tem muita força. Estimula que se valorize o artista nacional", disse ao blog, na sexta-feira.

                                                         ***

"A obrigatoriedade simplesmente não conquista mercado", disse José Alberto Lovetro, o JAL, da Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) e um dos presentes ao encontro.

"O que interessa às editoras e aos artistas é o incentivo e que se tenha uma visibilidade ao autor nacional."

Além da ACB, participaram da reunião em São Paulo representantes de entidades culturais, editoras (via Câmara Brasileira do Livro) e de autores.

Os jornais, que terão de reservar metade do conteúdo a trabalhos nacionais, não estiveram presentes. Eles têm se posicionado contrários a qualquer forma de obrigatoriedade.

                                                         ***

Leia mais sobre o assunto na postagem de 03.11.

                                                         ***

Post postagem (15.12, à 0h04min): o colega Jota Silvestre traz um importante complemento a este assunto. Ele ouviu as opiniões de diferentes pessoas ligadas ao setor.

As respostas foram agrupadas em "a favor", "contra" ou "em termos". As opiniões podem ser lidas no blog "Papo de Quadrinho", via este link

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
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13.11.11

FIQ 2011: a base de lançamentos independentes

 

  • Festival Internacional de Quadrinhos concentrou volume alto de títulos independentes
  • Entre 40 e 50 publicações autorais foram lançadas especificamente no evento
  • Sétima edição do encontro, realizado em Belo Horizonte, terminou neste domingo

 

Achados e Perdidos. Crédito: Quadrinhos Rasos

 


Os autores independentes foram o principal diferencial da sétima edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), que terminou neste domingo em Belo Horizonte (MG).

É difícil dizer com precisão o número exato de títulos feitos especificamente para serem lançados no encontro bienal. Mas sabe-se que é alto. Fica entre 40 e 50 títulos.´

Foi sem dúvida a maior concentração de publicações autorais novas num único evento, desde que o circuito independente brasileiro ganhou fôlego a partir de 2007.

O volume aumento se forem somadas outras obras, lançadas em eventos anteriores (caso do Rio Comicon, em outubro) ou ao longo dos demais meses do ano.

                                                         ***

Dou um exemplo pessoal para dar uma dimensão numérica do cenário que tento apresentar. Voltei para casa com cerca de 70 obras. Nem cinco delas são de editoras tradicionais.

E olha que os autores independentes tinham uma boa concorrência pela atenção dos visitantes que lotaram os quatro dias do encontro, iniciado na quarta-feira, dia 9.

Eles dividiram espaço com Mauricio de Sousa, homenageado desta edição, e com desenhistas estrangeiros, casos de Horacio Altuna, Bill Sienkiewcz e Cyril Pedrosa.

(Sobre os estrangeiros, de tão acolhedores que eram com todos, gerou este comentário ouvido por lá: "Parece que a organização do FIQ seleciona esses autores pela simpatia".).

                                                         ***

Os números independentes se sobrepuseram também nos estandes, situados no centro, no fundo e no canto esquerdo da Serraria Souza Pinto, no centro de BH, local do evento.

Se a conta não engana, apenas quatro desses espaços eram ligados ao circuito comercial: a livraria Leitura, da capital mineira; a loja Comix, de São Paulo; a Itiban, de Curitiba.

O quarto espaço comercial era da editora Nemo, que lançou seis álbuns no FIQ, a maior parte adaptações literárias. A Leya/Barba Negra trouxe outros dois, ambos nacionais.

O restante era todo tomado pelos autores, vindos de diferentes estados. Com material novo aliado ao catálogo já existente, protagonizaram um momento histórico da HQ nacional.

                                                         ***

Não é exagero rotular esse caso como histórico. Vale reforçar: nunca antes houve tantas publicações independentes novas concentradas num mesmo espaço físico.

Pode-se contra-argumentar que houve o mesmo em eventos anteriores como o Rio Comicon, em outubro, ou no Gibicon, em Curitiba, em julho. Sim, mas não tanto assim.

Mais: o que foi lançado nos outros encontros de quadrinhos realizados ao longo do ano retornou agora neste FIQ e se somou ao que havia de novo.

Outro aspecto que singularizou esse momento foi que, ao lado da quantidade, percebia-se também nas obras produções graficamente bem editadas e com conteúdo à altura.

                                                         ***

É humanamente impossível ler em um par de dias todos os álbuns e revistas independentes trazidos do FIQ. Mas, do pouco que já li, fiquei bem impressionado com o conteúdo.

Como não se pode falar de tudo, pinço apenas um caso como exemplo, o do Pandemônio, nome dado a um conjunto de autores mineiros interessados em publicar quadrinhos.

Eles usaram este FIQ para tornar públicas suas edições impressas e, de certa forma, o próprio selo de publicação. Os poucos títulos que eles lançaram são impressionantes.

Do álbum "Achados e Perdidos", desde já um dos melhores do ano, às histórias humanas de Vitor Cafaggi. Do humor de Ryot ao experimentalismo de Daniel Werneck e Lu Cafaggi.

                                                        ***

Essa presença em massa de autores independentes no FIQ parece trazer um recado, que vem sendo escrito nos últimos três, quatro anos.

A mensagem é que o quadrinista brasileiro não está mais à mercê de ser descoberto pelas editoras, nem as usa como desculpa pela não publicação nacional.

Ideia na cabeça, vertida no papel. Os avanços tecnológicos trazidos pela internet e pelo computador já possibilitam fazer também a edição, antes tão restrita ao circuito comercial.

O objetivo é ser lido e, claro, usar o trabalho impresso como cartão de visitas para outros projetos. E que melhor portifólio que uma história já feita? E, pelo que li, muito bem feita.

                                                         ***

Nota: participei do FIQ a convite da organização do festival.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h18
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03.11.11

Princípio, meio e fim para o quadrinho nacional

Uma discussão recorrente ganhou corpo nesta quinta-feira na rede social Twitter. O pontapé para o debate foi dado pelo desenhista Rafael Grampá e rapidamente se espalhou.

Grampá reproduzia um link para reportagem do "Diário do Vale" de 2 de dezembro de 2009. O texto trazia como título "Cida aprova reserva de mercado para quadrinhos".

Contexto: a pessoa em questão é a ex-deputada federal Cida Diogo (PT-RJ), então relatora da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.

A matéria fazia referência a parecer favorável dela, emitido em 18 de novembro daquele ano, sobre a criação de uma cota mínima de 20% para quadrinhos nacionais.

                                                         ***

Pelo texto, a implementação seria gradativa. Cinco por cento no primeiro ano, 10% no segundo, 15% no terceiro até chegar aos almejados 20% mínimos no quarto ano.

Não há informação sobre o trâmite seguinte do projeto de lei 6.060-A, de autoria do deputado reeleito Vicentinho (PT-SP). Sabe-se que neste ano se iniciou nova gestão eleita.

De qualquer forma, é pertinente o debate, qualquer que seja o resultado. Sintetizando em uma perguta: é mesmo necessária a criação de uma reserva de mercado nacional às HQs?

O debate no Twitter envolveu autores, leitores e criadores. A maior parte se posicionou de forma contrário à cota. Também compartilho desse opinião.

                                                         ***

Antes de avançar a discussão, é preciso reiterar que ela é recorrente. Um primeiro ensaio dela chegou a ser aprovada pelo ex-presidente João Goulart em 23 de setembro de 1963.

A medida era ainda mais radical: impunha reserva de 60% a ser alcançada num intervalo de três anos.

Um dos argumentos, não custa nada registrar, era baseado no fato de que "muitas dessas publicações inserem história de cunho político-ideológico, ou estampam cenas altamente prejudiciais à boa formação moral e mental da adolescência e da infância".

A lei entraria em vigor em 1964. O golpe militar a matou. Quase 50 anos depois, o que o projeto de lei elaborado pelo deputado Vicentinho procura fazer é algo muito semelhante.

                                                          ***

O ideal é que o quadrinho produzido no país se auto-imponha, e não que se obrigue uma produção desenfreada e sem um critério qualitativo muito claro.

O risco é que, para cumprir a regra, editoras de quadrinhos publiquem o que estiver à mão, apenas para cumprir uma exigência legal. Isso não significa fomento ao mercado.

Outro ponto em aberto: o que exatamente é uma editora de quadrinhos?

Como ficaria uma empresa que pretende lançar apenas um álbum estrangeiro? Como ficaria a cota numa situação dessas? Para cada obra de fora, algo equivalente nacional?

                                                         ***

Nesse debate, há que se separar o princípio, o meio e o fim.

O princípio da lei, até prova em contrário, é bem intencionado. Procura fomentar a produção brasileira de histórias em quadrinhos, algo tentado há décadas no país.

Não se tem uma pesquisa a respeito, mas é de se esperar que não haja divergências quanto a esse princípio. Parte-se da premissa de que todos concordam com a produção nacional.

O mesmo valeria para o fim. A finalidade é tornar mais produtivo um setor que tem muito ainda a melhorar. O nó fica, então, com o meio para se chegar a isso.

                                                         ***

O meio proposto pelo projeto de lei é bem claro: reserva mínima de 20%. Mas é possível encontrar outro caminho, proposto pelo próprio texto de lei.

O artigo quinto do projeto registram que o poder público "implementará medidas de apoio à produção de histórias em quadrinhos nacionais".

O artigo sexto inclui ainda bancos e agências de fomento.

Se se tem de criar uma lei para o setor, a entrada talvez seja essa.

                                                          ***

Já há uma bem-sucedida experiência nesses moldes feita nos últimos quatro anos no Estado de São Paulo. Trata-se do ProAC, uma lei de incentivo à produção cultural.

No caso da área de quadrinhos, as regras têm sido as mesmas. O autor, que tem de morar no Estado, apresenta um projeto de história em quadrinhos ou coletânea de tiras.

Dez são selecionados a cada edição. O quadrinista contemplado recebe verba de R$ 25 para produzir e editar a obra. Fica a critério lançar por uma editora ou de forma autônoma.

A um custo anual de R$ 250 mil, muito para o padrão do brasileiro e nada para o orçamento paulista, conseguiu-se fomentar produção e mercado, com mais de cem inscritos em 2011. 

                                                         ***

Por que não uma lei como essas em âmbito federal? A seleção - que deveria ser acima de suspeitas - garantiria a qualidade dos projetos. Mas com ajustes.

O quadrinista teria um prazo de oito meses para lançar o álbum - seis de produção e dois de edição e impressão -, tal como ocorre no modelo paulista.

Mas o valor a ser pago a cada autor poderia aumentar para R$ 35 mil. Explicando a quantia: cinco a dez mil para impressão e o restante para pagar o tempo dedicado à produção.

O volume de projetos aprovados também deveria aumentar. Digamos uns 50 por ano, uma média de quatro por mês. Número bastante razoável.

                                                          ***

Haveria, claro, contrapartes (não se pode esquecer de que se trata de dinheiro público).

Os autores teriam de imprimir dois mil exemplares e doar 500 a bibliotecas do estado a que pertence, previamente cadastradas.

Já passou da hora de as bibliotecas serem vistas como locus de fomento à leitura no país. E parte do acervo deveria ser dedicado a quadrinhos. A medida ajudaria nesse sentido.

Outro ponto seria a necessidade de os autores fazerem palestras ou oficinas nessa mesma biblioteca, aproximando a obra ao leitor e, assim, estimulando o contato com ela.

                                                          ***

Os custos anuais são irrisórios se comparados ao orçamento federal. Mas chegam a ser menores que os custos anuais do gabinete de apenas um deputado federal.

Isso ajudaria a estimular a produção e a leitura. Mas haveria um risco: criar uma espécie de comodismo por parte de editoras, que ficariam apenas à espera dos projetos aprovados.

Para inibir isso, duas medidas. Primeira: uma das contrapartes seria estipular a necessidade de comercialização da obra a preços mais acessíveis.

O autor também teria direito a uma fatia maior dos direitos autorais, posto que a obra irá ajudá-lo a viver de quadrinhos durante aquele período.

                                                         ***

A segunda medida concreta seria alcançada com outra medida legal. Reduz-se o imposto das obras nacionais produzidas pelas editoras. Mantém-se o dos títulos estrangeiros.

Não se obriga a publicar uma cota nacional. Nem se proíbe os títulos estrangeiros - há muita coisa boa que merece ser lida. Mas se incentiva, de fato, projetos brasileiros.

Desnecessário lembrar que, se adotada em escala estadual, tais medidas aumentariam exponencialmente a produção.

Outra recomendação poderia estar vinculada às compras de quadrinhos para bibliotecas escolares. Por que não uma cota de títulos nacionais (e não de adaptações literárias)?

                                                          ***

São ideias. E, como tais, estão sujeitas ao necessário debate, assim como o projeto de lei, que, pelo exposto, não irá resolver a questão a contento. Isso se for mesmo aprovado.

Basta notar o papel que os álbuns nacionais já têm conseguido nos dois últimos anos no país. Sem leis como essa, muitos deles se impuseram pela qualidade.

Fecho com uma pensata dita pelo professor Hector Fernández L´Oeste, em palestra feita em agosto durante as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos.

Ele dizia ver nas livrarias brasileiras 25% de quadrinhos nacionais. E questionava: ocorre o mesmo nos Estados Unidos e Japão? Claro que não. Aí é que está o problema.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h31
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30.10.11

A Glauco, com carinho

 

  • "Geraldão - Espocando a Cilibina!" faz antologia de personagens de Glauco
  • Livro reúne histórias dos dez primeiros números da revista "Geraldão"
  • Tom da obra é de homenagem ao desenhista, morto em março de 2010

 

Geraldão 1. Crédito: reprodução  Geraldão - Espocando a Cilibina! Crédito: editora Almedina

 

O editor de "Geraldão - Espocando a Cilibina" (Almedina, 304 págs., R$ 77) registra na introdução do livro que havia discutido a ideia da obra com Glauco ainda em vida.

Segundo ele, a conversa ocorreu em meio aos cultos da Céu de Maria, grupo religioso liderado pelo desenhista e mantido no Pico do Jaraguá, em São Paulo.

"Também foi lá, no Pico do Jaraguá, onde conversamos longamente por diversas vezes e em momentos diferentes, que falamos sobre a publicação de uma antologia das dez primeiras edições da revista do Geraldão", diz Mendes.

"Este livro resgata e concretiza essa intenção e foi levando em consideração aquelas boas conversas." A obra foi feita em capa dura e tem tiragem de 5 mil exemplares.

                                                        ***

Apesar de idealizado em vida, o tom do livro é de homenagem ao desenhista, assassinado com o filho, Raoni, em 12 de março de 2010 em Osasco, cidade vizinha a São Paulo.

O próprio texto de Toninho Mendes relembra momentos vividos entre eles. Mendes foi responsável pela edição da maior parte dos livros em quadrinhos de Glauco.

Foi ele também que esteve à frente da extinta Circo Editorial, que publicou no fim da década de 1980 a revista "Geraldão", que tem agora os dez primeiros números re-editados.

O livro traz ainda histórias de Glauco feitas para outras duas revistas da Circo: "Chiclete com Banana", de Angeli, a mais popular, e "Circo", todas assinaladas ao leitor.

                                                         ***

Para quem não conhece a fundo a obra de Glauco Villas Boas, a obra é um detalhado cartão de visitas. Estão lá os principais personagens dele, a começar por Geraldão.

O solteirão, com complexo de Édipo pela mãe, é o que tem maior destaque. Natural, posto que é o personagem-título.

Mas, ao contrário das tiras e de seu formato limitado, aqui o Geraldão vive narrativas maiores, com mais páginas. Na primeira, tenta transar com a mãe e vai preso.

Na segunda, é julgado - com a mãe e um grupo das "Senhoras de Santana" no banco dos réus. Na seguinte, re-encontra o pai - que havia saído há 20 anos para comprar Coca-Cola.

                                                         ***

Lidas em sequência, ajudam a criar uma imagem clara imagem do personagem. Dele e das outras criações de Glauco apresentadas na obra, como Casal Neuras e Dona Marta.

As histórias da revista - reunidas agora em livro - eram mescladas com cartuns e charges, que dialogavam diretamente com temas da época, acertadamente mantidos na antologia.

Pode-se ver, com humor, o preconceito que havia em torno da Aids e as discussões em torno do aumento do mandato do então presidente José Sarney.

Mais do que uma coletânea ou uma homenagem póstuma, o livro compõe um registro histórico sobre a produção de Glauco e que compuseram a história dos quadrinhos no país.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h43
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27.10.11

Nem só de pockets vive uma L&PM

 

  • Famosa pela coleção de pockets, L&PM diversifica catálogo de quadrinhos
  • Editora gaúcha programa para este fim de ano adaptações literárias e mangá
  • Relação de lançamentos inclui também dois livros ligados à série Peanuts

 

Robinson Crusoé. Crédito: editora L&PM

 

No princípio, lá pelos idos dos anos 1970 e 80, eram os álbuns. Depois, vieram os pockets. E como vieram: salvaram a saúde financeira da L&PM. E, agora, voltam os álbuns.

A editora gaúcha acentua neste fim de ano a política de diversificar o catálogo de quadrinhos, com olhares para além das coletâneas de tiras e do formato de bolso.

Para os dois meses finais deste 2011, programa seu primeiro mangá, dois volumes ligados a Peanuts e envereda pelo disputado mercado das adaptações literárias.

Segundo a editora informou a livrarias, a coleção "Clássicos da Literatura em Quadrinhos" estreia nesta virada de mês com "Robinson Crusoé", do inglês Daniel Defoe (1660-1731).

                                                          ***

Embora a capa não registre, o álbum de 60 páginas foi adaptado pelos franceses Christophe Lemoine (texto) e Jean-Cristophe Vergne (arte).

O que a capa registra, isto sim, é o apoio dado pela Unesco à coleção,  órgão das Nações Unidas que cuida de temas ligados à educação. No fim, há resumo sobre autor e obra.

No site da L&PM, a editora reforça que o álbum tem caráter pedagógico e que como um dos públicos-alvo os estudantes.

Outras editoras brasileiras têm investido no setor de adaptações nos últimos quatro anos por conta das expressivas compras de obras do gênero por listas governamentais.

                                                          ***

O segundo volume é "Ilha do Tesouro", de Robert Louis Stevenson (1850-1894), seguido de "A Volta ao Mundo em 80 Dias" e "Um Conto de Natal", todos também neste fim de ano.

Para 2012, a coleção prevê mais seis volumes: "Odisseia", "Dom Quixote", "Viagem ao Centro da Terra", "Guerra e Paz", "Os miseráveis" e "As Mil e Uma Noites". 

A lista de lançamentos para novembro e dezembro inclui também dois livros especiais ligados à série "Snoopy": "A Vida segundo Peanuts" e "O Natal de Charlie Brown".

A diversificação da L&PM prevê ainda a inauguração da coleção "L&PM Pocket Mangá". O primeiro quadrinho japonês da editora será "Aventuras de Menino", de Mitsuru Adachi.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h58
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24.10.11

Tudo ao mesmo tempo agora

Terminou nesse domingo, no Rio de Janeiro, a segunda edição da Rio Comicon. Teve bom destaque na grande mídia, inclusive com reportagens no Jornal Nacional e no Fantástico.

Nesta segunda-feira, já há outro encontro de quadrinhos, desta vez em São Paulo, o KingCon, realizado na unidade da Avenida Paulista da livraria Fnac. Vai até domingo.

Olhando para a frente, enxerga-se no horizonte a sétima edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em novembro, em Belo Horizonte. A programação conta com mais de 60 convidados.

Vendo pelo retrovisor, a lista de eventos se torna ainda mais gorda: Fest Comix, em São Paulo, Gibicon, em Curitiba, Feira de Autores, em Salvador, para limitar a três exemplos.

                                                         ***

Há neste 2011 uma concentração de eventos de quadrinhos. Alguns são tradicionais, casos do FIQ e do Fest Comix. Mas tantos assim, um atrás do outro, indica algo novo no ar.

A pergunta que fica, ainda sem uma resposta muito clara, é por que este ano concentrou uma gama tão grande de encontros de histórias em quadrinhos, em diferentes estados?

Embora os motivos disso ainda sejam um pouco nublados, é possível trilhar um caminho de resposta. Um, não, dois caminhos.

A primeira trilha leva a um seleto grupo de pessoas que dedica boa parte do tempo livre para dar vez e voz à área. Muitos dos eventos só existiram por terem organizadores assim.

                                                          ***

Outro caminho de resposta se pauta em questões comerciais. Não é equivocado supor que alguém tenha interesse em capitalizar com publicações em quadrinhos.

Pode não ser um retorno apenas imediato, como a venda de publicações diretamente aos leitores que passaram pelos estandes.

Pode ser a longo prazo, com olhos na formação de público. Planta-se hoje para colher num segundo momento. Algumas editoras e livrarias figuram seguramente nesse rol.

Há certamente outros motivos, que peço aos leitores do blog a ajuda de elencar. Mas fato é que os eventos estão aí e trazem, com eles, uma gama de lançamentos diferentes.

                                                          ***

Há uma tendência de as editoras aproveitarem oportunidades assim, com amplo público, para expor pela primeira vez alguns de seus lançamentos. Basta ver o passado recente.

Na Fest Comix, no meio do mês, foram lançados os nacionais "Calafrio" e "Zoo" e os estrangeiros "Recruta Zero - Anos Dourados", "Asterios Polyp", "Zumbis" e "Macanudo 4".

Na Rio Comicon, nos últimos dias, outro tanto: "Kardec", "Todo Mundo é Feliz", "1001", "O Louco, a Caixa e o Homem", "Lucille", entre outros. No FIQ, vai haver outro tanto. Fora os mangás, que representam uma fatia generosa das vendas do mercado brasileiro de hoje. 

Mas fica outra pergunta no ar, também sem uma resposta muito clara: como o mercado irá responder a isso nos próximos anos. É algo para ir acompanhando de perto.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h47
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14.10.11

Carta aberta à revista Veja

Prezados,

li com atenção à reportagem publicada na edição desta semana de "Veja", intitulada "A Pedagogia do Garfield", sobre a presença de questões de literatura na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), elaborado pelo governo federal.

Afora a validade e a pertinência da pesquisa realizada por docentes do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), parece-me haver alguns equívocos na leitura do estudo e na forma como foi comparado com as histórias em quadrinhos.

A respeito da leitura dos dados, a revista diz que "a literatura está virtualmente ausente do Enem" e que o importante para o jovem que presta a prova "é saber interpretar uma história em quadrinhos". Há, nisso, uma interpretação errônea do estudo, cujas conclusões são reproduzidas pela própria publicação.

Tabela apresentada na reportagem dá conta de que o Enem pautou seus enunciados em textos de poesia (58 questões), crônica (21), romance (20), conto (5) e drama (1). O total, portanto, chega a 105 questões sobre gêneros literários, número maior que os demais itens, histórias em quadrinhos (32), crítica (21) e canção (14).

Logo, há presença, sim, de literatura no exame, ao contrário do que sugere a reportagem. E presença três vezes maior que o volume de histórias em quadrinhos.

Deve-se concordar, no entanto, com a interpretação de que romancistas importantes de nossa literatura - e o romance em si - tenham sido pouco ou quase nunca trabalhados em questões da prova. Isso se configura um ponto a ser reavaliado pelos responsáveis pelo Enem. Mas dificilmente irá gerar no ensino médio o desaparecimento da literatura caso a situação assim continue, como indica uma das entrevistadas da matéria.

O outro ponto da reportagem que nos parece carecer de ajuste é no tocante à forma como a pesquisa foi comparada com as histórias em quadrinhos. Há dois aspectos a serem observados sobre isso.

O primeiro é que se trata de analogias distintas. A literatura é composta de diferentes gêneros, como bem ilustra a arte que compõe a matéria e já citada nesta carta. O mesmo vale aos quadrinhos. Estes possuem uma gama ampla de gêneros, como as tiras cômicas, as histórias infantis, as de super-heróis e as reportagens em quadrinhos, para ficarmos em quatro exemplos.

Vê-se, portanto, que comparar cinco gêneros literários (poesia, crônica, romance, conto e drama) com um rótulo que abriga diferentes outros gêneros, caso dos quadrinhos, configura algo inarticulável e, por consequência, nubla uma eventual tentativa articulação dessa ordem.

O segundo aspecto a ser observado no tocante à forma como os quadrinhos foram trabalhados na matéria é a sugestão de que exista uma hierarquia de leituras, na qual tiras como "Garfield", "Mafalda" e "Hagar" - todas usadas no Enem - estariam num grau de complexidade e qualidade inferior ao literário. Isso fica expresso na matéria em trechos como:

  • "A começar pela valorização desmesurada das histórias em quadrinhos - o segundo gênero mais cobrado na prova, atrás apenas de poesia (veja o quadro abaixo) -, o exame mostra desproporções e equívocos de toda ordem."
  • "Não seria mau que, em uma prova destinada a avaliar todos os conteúdos do ensino médio, cerca de 13% das questões fossem dedicadas à cultura literária. Mas esse número inclui modalidades como histórias em quadrinhos e letras de canções populares, respectivamente segundo e sexto lugares entre os gêneros mais exigidos no Enem."
  • "O Enem contribui para construir um país mais iletrado."

Há um explícito tom de espanto da reportagem tanto sobre o volume de questões pautadas em histórias em quadrinhos (32) quanto pelo conteúdo por estas apresentado, que ajudaria a construir um país "iletrado".

Uma vez mais, são comparações de ordens diferentes. Não se pode atribuir ao pouco volume de questões sobre romances e seus autores à pura presença de questões sobre quadrinhos que, reitera-se, aparecem em menor número que as literárias.

Existem pesquisas que comprovam o volume de informações a serem acionadas pelos leitores no processo de construção de sentido de uma tira cômica, como as elencadas pela reportagem e trabalhadas no Enem. Ler um texto assim, verbal escrito e visual, integra a Lei de Diretrizes Básicas da Educação e as orientações dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), ambos instaurados no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Pertence aos PCN também a nomenclatura "Linguagens, códigos e suas tecnologias", usada para o ensino médio e que causou outro estranhamento exposto na reportagem ("... podem ser usados para avaliações de gramática (se é que a palavra ainda faz sentido no meio das tais linguagens, códigos e suas tecnologias)".

Nesse ponto, o Enem acerta. As histórias em quadrinhos, em seus diferentes gêneros, configuram um texto peculiar para a produção do sentido, por conta da articulação entre imagem e palavra . Tal articulação soa simples, mas não é.

No Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) aplicado em 2007 a alunos do terceiro ano do ensino médio, 78,8% dos estudantes tiveram rendimento "abaixo do adequado", ou seja, inferior ao esperado para a série que cursam, em uma prova que contava com uma tira de "Hagar, o Horrível" entre as questões, mesmo personagem e série utilizado no Enem.

Não é de estranhar que vestibulares importantes, como o da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), valham-se do recurso das tiras para compor suas questões (no caso da Unicamp, elas estão presentes desde 1990). As capacidades esperadas do aluno estão não apenas na articulação entre imagem e palavra, mas na construção do sentido de humor pretendido a partir delas.

É de suma importância o levantamento feito pelos docentes da UFRGS e trazido a público por "Veja". Mais do que uma pesquisa, trata-se de um alerta sobre os rumos como a literatura vem sendo trabalhada num dos principais mecanismos de seleção ao ingresso universitário vigentes no país e que carece de constante leitura crítica.

Mas não se pode atribuir aos acertos do exame uma suposta culpa pelos equívocos. Literatura e quadrinhos são produções textuais de diferentes ordens, com distintos gêneros autônomos, cada um igualmente válido e com peculiaridades próprias no processo de construção do sentido. Espera-se que o estudante brasileiro seja proficiente nesse processo plural de leitura.

Sem mais,

Paulo Ramos
Jornalista e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h35
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10.10.11

Sai Macanudo, entram tiras de Malvados

 

Malvados. Crédito: versão on-line da Folha de S.Paulo

 

A tira acima marca a estreia da série "Malvados", de André Dahmer, no rol de tiras do jornal "Folha de S.Paulo". A colaboração teve início nesta segunda-feira.

A série entra no lugar de "Macanudo", do argentino Liniers. Na verdade, está mais para uma volta. As histórias de Malvados já circularam no "Jornal do Brasil" anos atrás.

Os quadrinhos de Dahmer integram uma geração que ganhou projeção primeiro nos blogs. Somente depois migraram para os jornais, algo que tem sido mais e mais comum.

O desenhista possui mais de uma coletânea de suas histórias. A próxima está programada para as próximas semanas, num álbum programado pela editora Barba Negra.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h13
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26.09.11

Sergio Bonelli (1932-2011)

 

  • Principal editor de quadrinhos da Itália morreu nesta segunda-feira
  • Criador de Zagor e Mister No estava internado havia uma semana
  • Causa da morte não foi confirmada; problemas de saúde começaram em agosto

 

Zagor. Crédito: Sergio Bonelli Editore

 

O roteirista e editor de quadrinhos Sergio Bonelli morreu nesta segunda-feira na Itália, aos 79 anos. A causa do falecimento ainda não foi informada. Segundo a imprensa italiana, ele enfrentava problemas de saúde desde agosto e estava internado havia uma semana.

Ele comandava a principal editora de quadrinhos italiana, que levava o seu nome. A atuação no setor começou na década de 1950, com o pai, Gian Luigi Bonelli, criador de Tex.

Em paralelo à atuação na empresa, Sergio Bonelli criou também personagens próprios, como Mister No e Zagor, o mais famoso. Costumava usar um pseudônimo, Guido Nollita.

Os personagens da editora italiana são lançados há décadas no Brasil. Atualmente, parte do catálogo é editado pela Mythos. Tex é o carro-chefe, tanto na Itália quanto aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h43
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23.09.11

Novos contos do além

 

  • Álbum traz mais histórias de Necronauta, personagem que leva mortos ao além
  • Obra é o primeiro trabalho de Danilo Beyruth após o premiado "Bando de Dois"
  • Autor lança "Necronauta - O Almanaque dos Mortos" neste sábado em São Paulo

 

Necronauta - O Almanaque dos Mortos. Crédito: editora Zarabatana Books

 

A repercussão obtida pelo álbum "Bando de Dois" agregou um previsível destaque ao trabalho seguinte de Danilo Beyruth,  "Necronauta - O Almanaque dos Mortos" (Zarabatana Books, 112 págs., R$ 36), que tem lançamento neste sábado à tarde em São Paulo.

Não é por menos. Lançado em 2010, "Bando de Dois" foi o principal destaque do HQMix deste ano, com três troféus. Também foi selecionado pelo governo para ir às escolas.

O caminho natural seria comparar uma obra à outra. Mas seria também um equívoco. Trata-se de histórias diferentes, com propostas diferentes.

A comparação mais precisa é com o volume anterior do personagem, lançado em dezembro de 2009 pela editora HQM. Quem gostou do primeiro vai gostar deste também.

                                                           ***

Necronauta é um personagem secundário em suas próprias histórias. Ele está lá para cumprir a mórbida tarefa de conduzir ao além mortos que tenham algum tipo de pendência.

As tramas são narradas na forma de contos. Bem escritos, como no volume anterior, realçam distintas facetas da vida das pessoas em questão.

Os temas ecléticos passam por um amor deixado para trás, um estado comatório, a perda da fama e um inusitado caso de bullying feito por fantasmas.

O álbum traz sete histórias, uma em duas partes. À exceção de um dos textos, escrito por Hector Lima, todos os demais tem assinatura de Beyruth, que faz a arte também.

                                                          ***

Assim como "Bando de Dois", Necronauta vai na contramão do que o mercado editorial brasileiro tem pautado. Em vez de realismo, ficção. 

Mais: no país onde os super-heróis nacionais sempre ficaram à margem, Beyruth vai e impõe como personagem-título justamente um ser fantasiado, com poderes.

Atitude corajosa, tem ajudado a singularizar a produção do autor. Aliada, claro, aos roteiros bem amarrados e aos desenhos, sempre impressionantes. É autor em franco crescimento.

Crescimento que a Zarabatana Books soube destacar, incluindo os prêmios do autor na contracapa da obra. Quem perdeu foi a HQM, que não soube segurar Beyruth.

                                                          ***

Saiba por que Danilo Beyruth saiu da HQM na postagem de 18.07.

Leia também a resenha do primeiro volume na postagem de 22.12.2009.

                                                          ***

Serviço - Lançamento de "Necronauta - O Almanaque dos Mortos", de Danilo Beyruth. Quando: sábado (24.09). Horário: das 15h às 18h. Onde: loja Comix. Endereço: alameda Jaú, 1.998, São Paulo. Quanto: R$ 36.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h15
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19.09.11

PNBE 2012 diminui compra de quadrinhos

 

  • Programa do governo federal reduz número de HQs para serem levadas às escolas
  • Das 250 obras selecionadas, 7 são em quadrinhos; 3 delas são adaptações literárias
  • Lista com títulos foi divulgada no fim da semana passada no "Diário Oficial da União"

 

Drácula. Crédito: Companhia Editora Nacional

 


Foi uma rasteira nos editores de quadrinhos. O governo federal reduziu sensivelmente o volume de obras do setor na lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

A relação foi publicada na quinta-feira passada no "Diário Oficial da União". Dos 250 títulos selecionados para serem levados às escolas no ano que vem, 7 são em quadrinhos.

Proporcionalmente, significa 2,8% do total. Na edição passada, beirava 30 publicações. O objetivo é comprar acervos para formar bibliotecas de escolas públicas do país.

O que se manteve foi a preferência por adaptações literárias. Três dos sete títulos são versões quadrinizadas de clássicos. É quase a metade.

                                                         ***

A opção pelas adaptações consta no edital de seleção, semelhante ao das edições anteriores.

A menção aos quadrinhos é acompanhada da frase "dentre os quais se incluem obras clássicas da literatura universal, artisticamente adaptadas".

Foi o que levou à seleção das versões de "Drácula" e de "Frankenstein", ambas da Companhia Editora Nacional, e de "Turma da Mônica - Romeu e Julieta", da Panini.

Os demais títulos são "Bando de Dois" (Zarabatana), "O Ratinho se Veste" (Companhia das Letrinhas), "Aya de Yopougon" (L&PM) e "365 Dias na Mata do Fundão" (Globo).

                                                          ***

Os quadrinhos entraram na lista do PNBE em 2006. Eles têm sido selecionados anualmente desde então. O volume da compra varia entre 15 mil e 48 mil exemplares.

As gordas vendas têm atraído diferentes editoras, tanto as que publicam quadrinhos quanto as que não. Muitas apostam nas adaptações para entrar na relação do governo.

Foi o que pautou o lançamento de quase três dezenas de versões literárias em quadrinhos em 2011. Neste ano, o ritmo têm se mantido o mesmo.

Observando criticamente, vê-se que a lista do PNBE ainda tende a ver os quadrinhos com ressalvas. Não se trata de leitura em si. Mas de ferramenta para se chegar à literatura.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h34
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13.09.11

Convite: lançamento de Faces do Humor no Rio de Janeiro

 

Lançamento no Rio de Janeiro: quarta-feira, dia 14.09, às 19h30, na Livraria Travessa de Ipanema

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h39
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12.09.11

Robin Hood marca entrada de editora na área de HQs

 

  • Álbum inglês tem desenhos de autor que mora há três décadas no Brasil
  • Lançada em 2009, obra adapta para os quadrinhos lenda de Robin Hood
  • Publicação é um dos títulos de HQ listados no catálogo da Edições SM

 

Capa inglesa da adaptação de Robin Hood

 


As bienais do livro costumam concentrar lançamentos e trazer algumas surpresas. A desta edição, realizada no Rio de Janeiro, foi a entrada da Edições SM no setor de quadrinhos.

Um dos títulos elencados é a adaptação da história de Robin Hood desenhada por Sam Hart, autor nascido na Inglaterra, mas que mora no Brasil desde os 10 anos de idade.

A obra inglesa foi publicada em 2009 e tem roteiro de Tony Lee. Trata-se de uma das parcerias entre os dois autores. Ambos adaptaram também a história de Rei Arthur.

A edição nacional terá 160 páginas. O preço não foi informado.

                                                         ***

Hart já aventava a possibilidade de a obra da editora Walker Books sair no Brasil em junho de 2009, quando o blog noticiou a adaptação.

Segundo o desenhista disse na ocasião, os direitos pertenciam aos dois autores.

"Robin Hood" se soma a outros quatro títulos de quadrinhos que a Edições SM planeja publicar. Um deles é o experimental "A Chegada", de Shaun Tan (128 págs.).

O álbum europeu foi um dos vencedores no Festival Internacional de Angoulême, referência na premiação de histórias em quadrinhos na Europa.

                                                          ***

Os demais lançamentos, como "Robin Hood", são baseados em adaptações literárias. Todas terão, no entanto, menos páginas. E um ponto comum: autoria de espanhóis.

A lista inclui "Médico à Força", de Molière, "A Odisséia", de Homero, "O Estranho Caso de Doutor Jekyll e Mister Hide", de Robert Louis Stevenson.

A opção por conteúdo literário tem um olhar no meio educacional, principal público-alvo da editora. O interesse é explicitado pelo catálogo da SM divulgado à imprensa.

O texto de apresentação dos quadrinhos diz que eles "fornecem elementos importantes ao aprendizado da leitura, tornando-se cada vez mais um valioso instrumento para o ensino de Língua Portuguesa".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h51
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11.09.11

Bom filho à casa retorna

 

  • Nove anos depois, Abril volta a publicar revistas de super-heróis da DC
  • Editora publica quatro almanaques com versões baseadas em animações
  • Iniciativa diversifica catálogo, até então ancorada apenas nas HQs da Disney

 

As Aventuras do Superman 1. Crédito: editora Abril  Liga da Justiça. Crédito: editora Abril

 


Depois de nove anos, a editora Abril voltou a publicar neste mês revistas com os super-heróis da DC Comics.

São almanaques com mais de cem páginas, que reúnem cinco histórias cada um. As aventuras são baseadas nas animações, exibidas no Brasil pelo SBT e o Cartoon Networks.

"Liga da Justiça", "As Aventuras do Superman", "Batman - Os Bravos e Destemidos" e "Os Jovens Titãs" são vendidos nas bancas e custam R$ 7,95 cada um.

Mais do que lançamentos, são a tentativa mais contundente em anos da editora paulista de diversificar seu catálogo de publicações de quadrinhos.

                                                            ***

A história dos quadrinhos no Brasil reserva à Abril o papel de uma das principais e mais regulares editoras de histórias em quadrinhos do país na segunda metade do século 20.

Ancorada nos personagens Disney, mas não só neles, a empresa paulista se tornou um dos grupos mais importantes do setor na América Latina.

Neste século, no entanto, a redação de quadrinhos foi esvaziada quando os títulos de super-heróis migraram para a concorrente Panini, que se lançava no setor de quadrinhos.

Em poucos anos, a multinacional se tornou a líder do segmento de quadrinhos de bancas. Ainda hoje, são da Panini os direitos de publicação do grosso dos títulos da DC Comics.

                                                             ***

À Abril restaram os tradicionais personagens Disney. Houve tentativas de diversificar os títulos Disney, algumas a preços populares. Mas nenhuma bem-sucedida na linha infantil.

Os bons retornos se deram no outro extremo, entre o leitor adulto. Foi ele que ajudou a popularizar projetos como a coletânea de histórias de Carl Barks.

É também esse leitor o alvo mirado com a coleção "Pateta Faz História",atualmente nas bancas. A série reedita antigas narrativas e mescla algumas, ainda inéditas no país.

O movimento mais eloquente no sentido de retomar parte do segmento, entretanto, foi com essas revistas de super-heróis, lançadas em formato menor, como o das demais infantis.

                                                            ***

Usar as revistas em tamanho menor é uma aposta que vai na contramão de como os títulos de super-heróis vem sendo publicados no país na última década.

Foi um movimento iniciado na virada do século com a própria Abril, que trocou o formato infantil pelo chamado americano, maior, como o gênero é lançado nos Estados Unidos.

A editora havia divulgado que iria publicar as novas revistas em dezembro do ano passado, como o blog noticiou em 14.12. Na ocasião, a Abril havia informado que sairiam em março.

É prematuro dizer se a diversificação da Abril dará resultado. Mas é um sinal concreto de que a editora paulista saiu do estado comatório em que muitos leitores a punham.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h19
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10.09.11

Tiras sem desenhos

 

  • Marcelo Saravá lança coletânea de tiras feitas apenas com palavras e balões
  • "1000 Palavras" faz seleção de 200 histórias publicadas no blog do autor
  • Lançamento da revista independente será neste sábado à noite em São Paulo

 

Tira de Marcelo Saravá. Crédito: cedida pelo autor

 

Uma imagem pode valer mais do que mil palavras. Mas, para quem não desenha, as mil palavras podem ser a saída para contornar a falta da imagem.

Não é por acaso que a primeira coletânea de tiras de Marcelo Saravá faz alusão justamente ao ditado popular.

"1000 Palavras", revista independente que tem lançamento neste sábado à noite em São Paulo, compila 200 histórias veiculadas no blog do autor.

O ponto comum entre todas é a presença do humor, construído apenas com os diálogos mostrados nos balões e nas legendas.

                                                         ***

Eliminar os desenhos, marca de qualquer tira, ajuda a explicitar como muitas dessas histórias se ancoram nas palavras para produzir o efeito de humor.

Outro ponto que se destaca é como se pode brincar com os balões, recurso nem sempre observado ou explorado por muitas das séries.

No caso de Saravá, trata-se de mecanismos narrativos quase obrigatórios, já que não usa imagens. E consegue bons resultados, alguns ímpares.

Se lidas em sequência, há uma oscilação entre as tiras apresentadas na revista. Mas nada anormal ou incomum a qualquer coletânea de tiras.

                                                          ***

Marcelo Saravá divide a autoria das tiras com textos para cinema, teatro e TV. Já produziu mais de mil histórias nesse formato. Neste sábado, seu blog apresenta a de número 1.338.

No prefácio da revista, ele comenta que a ideia da coletânea surgiu quando completou as primeiras mil tiras. Pediu aos leitores que selecionassem quais deveriam constar na obra.

"1000 Palavras" é mais um produto que usa os blogs como incubadora de tiras, algo cada vez mais comum. Quando se obtém um volume razoável delas, publica-se em papel.

Saravá já inicia outro projeto, desta vez com desenhos, feitos por Marco Oliveira, outro autor de tiras virtuais. Ambos fazem o blog "Banda Non Grata", também com bons resultados. 

                                                         ***

Serviço - Lançamento da revista independente "1000 Palavras", de Marcelo Saravá. Quando: hoje (10.09). Horário: a partir das 20h. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: não informado.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 14h46
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08.09.11

Bando de Dois é principal premiado do HQMix

 

  • Álbum de Danilo Beyruth venceu três categorias da premiação de quadrinhos
  • Nomes dos vencedores caíram na internet na tarde desta quinta-feira
  • Cerimônia de entrega dos troféus será no dia 16 deste mês em São Paulo

 

Bando de Dois. Crédito: editora Zarabatana Books

 


O álbum "Bando de Dois", de Danilo Beyruth, foi o destaque da 23ª edição do Troféu HQMix, o principal da área de quadrinhos do país. A obra venceu em três categorias.

Beyruth foi escolhido como melhor desenhista e roteirista nacional. "Bando de Dois" também foi eleito melhor edição especial nacional de 2010, ano-base da premiação.

O trabalho mostrava a história de dois cancageiros, que procuram se vingar de quem matou o bando de quem faziam parte e integrava o edital paulista de produção de quadrinhos.

Com os prêmios, a obra conseguiu se destacar num dos anos com maior volume de álbuns nacionais, publicados por diferentes editoras.

                                                          ***

O desenhista Gustavo Duarte foi outro que recebeu mais de um prêmio. Foi escolhido melhor caricaturista e por publicação independente em edição única, por "Taxi".

Nas demais categorias, houve uma divisão equânime dos prêmios.

No item contribuição à área de quadrinhos, uma das poucas selecionadas pela comissão organizadora do prêmio, foi indicada a Flip (Festa Literária Internacional de Paraty).

A festa literária tem reservado espaço para discussão de quadrinhos e recebeu, nas últimas edições, autores como Robert Crumb e Joe Sacco, premiado como roteirista estrangeiro. 

                                                          ***

Os premiados foram informados por e-mail, nas últimas semanas, pela comissão organizadora do troféu.

A lista completa começou a circular na tarde desta quinta-feira no blog do desenhista Gilmar. Da página, caiu no Twitter e começou a circular entre autores e leitores.

Os nomes conferem com o que já se ouvia informalmente no circuito de conversas ligadas à área. É da página de Gilmar que o blog reproduz os vencedores deste ano.

A cerimônia de entrega dos prêmios será no próximo dia 16, às 19h30, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo.

                                                          ***

Adaptação para os quadrinhos - Os Sertões, A Luta

Caricaturista - Gustavo Duarte

Cartunista - Allan Sieber

 Chargista - Angeli

 Desenhista Estrangeiro - John Romita Jr.

 Desenhista Nacional - Danilo Beyruth

 Destaque Internacional - Fábio Moon e Gabriel Bá

 Destaque Latino-americano - La Fiesta Pagana (Bolívia) La Rosca Comics

Edição Especial Estrangeira - Ranxerox

Edição Especial Nacional - Bando de Dois

Editora do Ano - Cia. das Letras/Quadrinhos na Cia

Evento - Rio Comicon

Exposição - Zeróis, Ziraldo na tela grande

Grande Contribuição - Flip

Grande Mestre - Paulo Caruso

Homenagem Especial - Bar Tutti Giorni

Homenagem Especial - Revista Ilustrar

Livro Teórico - Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos

Mídia sobre Quadrinhos - UniversoHQ

Novo Talento - Desenhista - Felipe Massafera

Novo Talento - Roteirista - Daniel Galera

Produção em Outras Linguagens - Malditos Cartunistas

Projeto Editorial - Calendário Pindura 2011

Publicação de Aventura/Terror/Ficção - Vertigo

Publicação de Caricaturas - Bravo - Literatura & Futebol

Publicação de Cartuns - Cócegas no Raciocínio

Publicação de Charges - Gibi do Glauco

Publicação de Clássico - Peanuts Completo

Publicação de Tiras - Níquel Náusea -  A Vaca foi pro Brejo

Publicação Erótica - Quadrinhos Sacanas - O Catecismo Brasileiro

Publicação Independente de Autor - O Cabra

Publicação Independente de Grupo - Café Espacial

Publicação Independente Edição Única (one-shot) - Taxi

Publicação Infantil/Juvenil - Pequenos Heróis

Publicação Mix - MSP+50 - Mauricio de Sousa por mais 50 Artistas

Roteirista Estrangeiro - Joe Sacco

 Roteirista Nacional - Danilo Beyruth

Salão e Festival - 3º Salão Internacional de Humor da Amazônia

Tira Nacional - Piratas do Tietê

 Tese de Doutorado - José Mendes André

Tese de Mestrado - Marcia Casturini

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) - Leonardo Poglia Vidal

Web Quadrinhos - Linha do Trem

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h18
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07.09.11

Mauricio de Sousa abre programação do FIQ

 

  • Criador da Turma da Mônica participa de bate-papo na noite do dia 09.11
  • Desenhista e empresário é o principal homenageado do encontro de HQ
  • Festival lembrará também escritor argentino Carlos Trillo, morto este ano

 

Festival Internacional de Quadrinhos. Crédito: divulgação

 

 

Ao homenageado, todo o destaque. Além do cartaz, Mauricio de Sousa irá também abrir a programação do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em 9 de novembro.

O desenhista e empresário participa de um bate-papo às 18h. A conversa será mediada por Afonso Andrade, um dos organizadores do encontro, realizado em Belo Horizonte.

Os dias e os horários das primeiras palestras e mesas foram divulgados neste meio de semana. O festival bienal irá até o domingo seguinte, dia 13, na Serraria Souza Pinto.

O local onde os debates irão ocorrer receberá o nome de Carlos Trillo, como forma de homenagem. O escritor argentino, morto este ano, era um dos convidados do festival.

                                                             ***

Como nas anteriores, esta sétima edição do FIQ procura reunir desenhistas nacionais e estrangeiros e profissionais da área para discutir temas ligados ao setor.

O primeiro desses debates ocorre duas horas após a conversa com Mauricio de Sousa. O tema será "perspectivas do mercado de quadrinhos no Brasil".

O roteiro de alternar conversas com desenhista e discussões temáticas, usado na abertura, dará o tom da programação nos demais dias do festival (a entrada é franca)

Estão pautados bate-papos com Marguerite Abouet e Cyril Pedrosa (10.11, 16h), João Marcos e Jean (11.11, 9h30), Gabriel Bá e Fábio Moon (11.11, 11h30), Bill Sienkiewicz (12.11, 16h) e Jill Thompson (13.11, 10h).

                                                             ***

Os debates tomam a maior parte do restante da programação.Há dois no dia 10, sobre editores, com Claudio Martini, Fabrício Waltrick e Wellington Srbek (às 18h) e sobre mercado europeu de quadrinhos, com Ana Luisa Koehler, Horacio Altuna e Wander Antunes (às 20h).

No dia seguinte, ocorrem três: adaptações literárias, com Cesar Lobo, Luiz Antônio Aguiar, Lelis e Luciano Irrthum (16h); novelas gráficas, com Jaime Martin, Rafael Coutinho e Victor Cafaggi (18h); mulheres nos quadrinhos, com Adriana Melo, Erica Awano e Chiquinha.

No sábado, ocorrem quatro: tiras, com Kioskerman, Alves, Ryot e Fernando Gonsales (10h); autopublicação, com Fabiano Barroso, Flávio Luiz, Gustavo Duarte e Pedro Franz (11h30); DC Comics, com Ivan Reis, Eddy Barrows, Joe Prado e Eddie Berganza (18h); Coreia do Sul, com Park Sang-Sun, Chon Kye-Young e Komacon (20h).

No domingo, duas mesas fecham a programação: música e quadrinhos, com Laudo Ferreira Jr., Eduardo Medeiros, Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno (11h30); Marvel Comics, com C. B. Cebulski, Mike Deodato, Will Conrad, Matt Fraction e Kelly Sue (18h).

                                                           ***

Segundo a organização, a programação ainda pode sofrer ajustes. Mas esses primeiros dados já ajudam o futuro visitante a se organizar em termos de hospedagens e passagens.

O FIQ será um dos encontros de quadrinhos programados para este semestre. Outro, a Rio Comicon, ocorre entre 20 e 23 de outubro, na Estação Leopoldina, no Rio de Janeiro.

Apesar de ser realizado antes do FIQ, os organizadores ainda não divulgaram quem serão os convidados ou a programação.

O blog apurou, com confirmação de duas fontes diferentes, que os argentinos Liniers e Salvador Sanz estarão entre os participantes internacionais.

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h46
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