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10.04.13
Definida lista de indicações ao HQMix - Relação de concorrentes foi divulgada nesta quarta-feira no blog do prêmio
- Listagem inclui 26 categorias; outras serão definidas posteriormente
- Troféu HQMix é a principal premiação da área de quadrinhos do país
A organização do Troféu HQMix divulgou na manhã desta quarta-feira (10.04) os concorrentes à maior parte das categorias da premiação, a principal na área no país. Há 26 categorias, todas relacionadas a histórias em quadrinhos. Outras, como teses acadêmicas, webtiras e webquadrinhos, serão divulgadas num segundo momento. A definição dos nomes passou pelo mesmo processo inaugurado no ano passado. Um grupo de profissionais ligado à área elenca o que julga serem os principais destaques do ano anterior. Os nomes são listados no blog do prêmio e passam pelo crivo do público. *** A relação divulgada hoje é o resultado final das opiniões de quem se manifestou no blog da premiação. A exemplo da edição de 2012, houve comentários incorporados. Um grupo de sete pessoas fez parte das primeiras indicações: Gualberto Costa (cocriador do prêmio e presidente do HQMix 2013), José Alberto Lovetro (cocriador do prêmio, cartunista, jornalista e assessor de imprensa da Mauricio de Sousa Produções), Heitor Pitombo (jornalista), Marcelo Naranjo (um dos responsáveis pelo site "Universo HQ"), Rodrigo Febrônio (do programa "Banca de Quadrinhos"), Silvio Alexandre (editor de quadrinhos) e Telio Navega (do blog "Gibizada). A votação irá manter o mesmo critério das demais, com voto de profissionais da área, previamente cadastrados pela organização do prêmio, que está na 25ª edição. As datas de divulgação dos resultados e da cerimônia de premiação ainda não foram divulgadas. Abaixo, a relação dos nomes indicados. *** ADAPTAÇÃO PARA OS QUADRINHOS • ADORMECIDA: CEM ANOS PARA SEMPRE (8INVERSO) • COLEÇÃO SHAKESPEARE EM QUADRINHOS - VOL. 4 - A TEMPESTADE (NEMO) • DOM CASMURRO (ÁTICA) • FRANKENSTEIN (PEIRÓPOLIS) • FREUD (CIA DAS LETRAS) • O ATENEU (ÁTICA) • O NEGRINHO DO PASTOREIO (YGARAPÉ)
DESENHISTA ESTRANGEIRO • BASTIEN VIVÉS (O GOSTO DO CLORO) • CRAIG THOMPSON (HABIBI) • DANIEL CLOWES (WILSON) • EDUARDO RISSO (100 BALAS, VOL. 9 - NOITE DE JAZZ) • ENKI BILAL (ANIMAL'Z e TRILOGIA NIKOPOL) • IGNACIO MINAVERRY (DORA) • WINSHLUSS (PINÓQUIO)
DESENHISTA NACIONAL • DANILO BEYRUTH (ASTRONAUTA - MAGNETAR) • FABIO COBIACO (V.I.S.H.N.U.) • FERNANDES (ALMA) • FIDO NESTI (A MÁQUINA DE GOLDBERG) • GUSTAVO DUARTE (MONSTROS!) • MARCELO QUINTANILHA (O ATENEU) • ROGÉRIO VILELA (ACORDES)
DESTAQUE INTERNACIONAL • ANDRÉ DINIZ • CRIS PETER • DIÓGENES NEVES • ED BENES • GABRIEL BÁ • RAFAEL ALBUQUERQUE • RENATO ARLEM
EDIÇÃO ESPECIAL ESTRANGEIRA • HABIBI (QUADRINHOS NA CIA) • NEONOMICON (PANINI) • O GOSTO DO CLORO (LEYA - BARBA NEGRA) • O PARAÍSO DE ZAHRA (LEYA - BARBA NEGRA) • PAGANDO POR SEXO (MARTINS FONTES) • PINÓQUIO (GLOBO) • WILSON (QUADRINHOS NA CIA)
EDIÇÃO ESPECIAL NACIONAL • A MÁQUINA DE GOLDBERG (QUADRINHOS NA CIA) • ALMA (INDEPENDENTE) • ASTRONAUTA – MAGNETAR (PANINI) • DESISTÊNCIA DO AZUL (ZARABATANA) • MONSTROS! (QUADRINHOS NA CIA) • SUBURBIA (RETINA 78 - LFC PRODUÇÕES - GLOBO MARCAS) • V.I.S.H.N.U. (QUADRINHOS NA CIA)
EDITORA DO ANO • 8INVERSO • CIA DAS LETRAS • DEVIR • GAL • NEMO • PANINI • ZARABATANA
EVENTO • II UGRA ZINE FEST • 19º FESTCOMIX • FANZINADA • GIBICON Nº 1 - CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE QUADRINHOS • MULTIVERSO COMIC CON • QUANTACON • ZIRALDO 80
EXPOSIÇÃO • 30 ANOS DA GIBITECA • QUADRINHOS '51 • MACANUDISMO, quadrinhos, desenhos e pinturas de Liniers • MAX, PANOPTICA • OCUPAÇÃO ANGELI • TESOUROS DA GRAFIPAR • ZIRALDO 80
LIVRO TEÓRICO • HISTÓRIA DA CARICATURA BRASILEIRA de LUCIANO MAGNO • STAN LEE, O REINVENTOR DOS SUPER-HERÓIS de ROBERTO GUEDES • A MORTE DO GRILO de GONÇALO JÚNIOR • E BENICIO CRIOU A MULHER de GONÇALO JÚNIOR • GIBI - A REVISTA SINÔNIMO DE QUADRINHOS de WALDOMIRO VERGUEIRO • GRAFIPAR: A EDITORA QUE SAIU DO EIXO de GIAN DANTON • REVOLUÇÃO DO GIBI de PAULO RAMOS
NOVO TALENTO – DESENHISTA • DENIS MELLO (PETISCO APRESENTA VOL. 1) • DENNY CHANG (TRÓPICO FANTASMA) • LAERTE SILVINO (I-JUCA PIRAMA) • PABLO CARRANZA (SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET) • PAULA MASTROBERTI (ADORMECIDA - CEM ANOS PARA SEMPRE) • PEDRO FRANZ (SUBURBIA) • RAFAEL VASCONCELOS (SHAKESPEARE EM QUADRINHOS, VOL. 5 - MACBETH e DITADURA NO AR)
NOVO TALENTO – ROTEIRISTA • ANGÉLICA FREITAS (GUADALUPE) • CRISTINA EIKO e PAULO CRUMBIM (QUADRINHOS A2) • L.M.MELITE (DESISTÊNCIA DO AZUL) • LILLO PARRA (SHAKESPEARE EM QUADRINHOS, VOL. 4 - TEMPESTADE) • RAPHAEL FERNANDES (IDA E VOLTA e DITADURA NO AR #2) • RONALDO BRESSANE (V.I.S.H.N.U.) • VANESSA BARBARA (A MÁQUINA DE GOLDBERG)
PRODUÇÃO PARA OUTRAS LINGUAGENS • A GUERRA DOS GIBIS (FILME) • AO MESTRE COM CARINHO - RODOLFO ZALLA (FILME) • MALDITOS CARTUNISTAS (A SÉRIE DE TV) • PENAS (FILME) • CENA HQ BRASIL (TEATRO) • VESTIDO DE LAERTE (FILME) • ZÉFIRO EXPLÍCITO (FILME)
PROJETO EDITORIAL • COLEÇÃO MOEBIUS (NEMO) • GRAPHICS MSP (PANINI) • OS NOVOS 52 (PANINI) • O BEIJO ADOLESCENTE 2 (INDEPENDENTE) • OURO DA CASA (PANINI) • ROGER CRUZ ARTBOOK #1 (INDEPENDENTE) • SÃO LUÍS de FÁBIO MOON e GABRIEL BÁ (CASA 21)
PUBLICAÇÃO DE AVENTURA/TERROR/FICÇÃO • 20TH CENTURY BOYS # 1 e #2 (PANINI) • BAKUMAN #6 ao 16 (JBC) • DESTERRO (INDEPENDENTE) • J. KENDALL - AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA #86 ao #97 (MYTHOS) • THE BOYS 2 (DEVIR) • THE WALKING DEAD #1 ao #3 (HQM EDITORA) • VERTIGO #26 ao #37 (PANINI)
PUBLICAÇÃO DE CLÁSSICO • A TRILOGIA NIKOPOL (NEMO) • AVENIDA PAULISTA (CIA DAS LETRAS) • CREEPY - CONTOS CLÁSSICOS DE TERROR - VOL. 1 (DEVIR) • DIOMEDES - A TRILOGIA DO ACIDENTE (QUADRINHOS NA CIA) • INCAL INTEGRAL (DEVIR) • O ETERNAUTA (MARTINS FONTES) • O VIRA LATA (PEIXE GRANDE)
PUBLICAÇÃO DE HUMOR GRÁFICO • 80 CARTUNS • ALMA • BRASIL DO BEM • MAD #43 AO #53 • MAU HUMOR • OS FRUSTRADOS • SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET
PUBLICAÇÃO DE TIRA • AS TIRAS CLÁSSICAS DO PELEZINHO (PANINI) • CALVIN & HAROLDO - VOL. 10 - FELINO SELVAGEM PSICOPATA E HOMICÍDA (CONRAD) • ESCOLA DE ANIMAIS (BALÃO EDITORIAL) • MACANUDO 5 (ZARABATANA) • MINHA VIDA RIDÍCULA (ZARABATANA) • VALENTE PARA TODAS (INDEPENDENTE) • VIDA BESTA (INDEPENDENTE)
PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE DE AUTOR • DITADURA NO AR Nº 2 (RAPHAEL FERNANDES e ABEL) • NEM MORTO (LÉO FINOCCHI) • PRIVILÉGIOS (GUS MORAIS) • QUADRINHOS A2 - SEGUNDA TEMPORADA (CRISTINA EIKO e PAULO CRUMBIM) • SANT'ANNA DA FEIRA - TERRA DE LUCAS (MARCOS FRANCO e HÉLCIO ROGÉRIO) • SENTIMENTO #1, #2, e #3 (ADAMS DAMAS e ALEXANDRE DAMAS) • TUNE 8 II (RAFAEL ALBUQUERQUE)
PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE DE GRUPO • CAFÉ ESPACIAL Nº 11 • GRAFFITI 76% QUADRINHOS #23 • MONSTROS (Beleleu) • PETISCO APRESENTA - VOL. 1 • PIADAS DO FIM DO MUNDO • RAGU CORDEL • RPHQ - RIBEIRÃO PRETO EM QUADRINHOS #1 E #2
PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE EDIÇÃO ÚNICA (graphic novel) • A RUA DE LÁ (EVANDRO ALVES) • FADE OUT (BETO SKUBS, RAFAEL DE LATORRE E MARCELO MAIOLO) • GNUT (PAULO CRUMBIM) • KM BLUES (DANIEL ESTEVES, WANDERSON DE SOUZA e WAGNER DE SOUZA) • QUARTO AO LADO (MARCELO LIMA, ANDRÉ LEAL, BRUNO MARCELLO e DAIANE OLIVEIRA) • SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET (PABLO CARRANZA) • VIDA BESTA (GALVÃO)
PUBLICAÇÃO INFANTOJUVENIL • BOULE e BILL, VOL. 2 - SEMENTE DE COCKER (NEMO) • TITEUF: DEUS, O SEXO E OS SUSPENSÓRIOS (V&R) • IMAGINAÇÃO E OUTRAS HISTÓRIAS (MARTIN CLARET) • ONE PIECE #36 ao #41 (PANINI) • TURMA DA MÔNICA #60 ao #72 (PANINI) • TURMA DA MÔNICA JOVEM – O CASAMENTO DA MONICA (PANINI) • ZÉ CARIOCA 70 ANOS (ABRIL)
PUBLICAÇÃO MIX • CREEPY - CONTOS CLÁSSICOS DE TERROR (DEVIR) • FIERRO BRASIL #2 (ZARABATANA) • FIM DO MUNDO EM QUADRINHOS (DEVIR - QUANTA) • GRAFFITI 76% QUADRINHOS #23 (INDEPENDENTE) • OURO DA CASA (PANINI) • RAGU CORDEL (INDEPENDENTE) • THE SPIRIT - VOL. 2 - MAIS AVENTURAS (DEVIR)
ROTEIRISTA ESTRANGEIRO • ALEX ROBINSON (FRACASSO DE PÚBLICO: ADEUS) • BASTIEN VIVÉS (O GOSTO DO CLORO) • BRIAN K. VAUGHAN (Y - O ÚLTIMO HOMEM) • CRAIG THOMPSON (HABIBI) • DANIEL CLOWES (WILSON) • NAOKI URASAWA (20TH CENTURY BOYS #1 e #2) • ROBERT KIRKMAN (THE WALKING DEAD)
ROTEIRISTA NACIONAL • ANDRE DINIZ (NEGRINHO DO PASTOREIO) • DANIEL ESTEVES (KM BLUES e PETISCO APRESENTA, VOL. 1) • DANILO BEYRUTH (ASTRONAUTA - MAGNETAR) • FERRÉZ (DESTERRO) • GUSTAVO DUARTE (MONSTROS!) • MARCELA GODOY (SHAKESPEARE EM QUADRINHOS, VOL. 5 - MACBETH e A DAMA DO MARTINELLI)) • ROGÉRIO VILELA (ACORDES)
TIRA NACIONAL • AGENTE ZERO TREZE (ARNALDO BRANCO E CLAUDIO MOR) • MANUAL DO MINOTAURO (LAERTE) • MINHA VIDA RIDÍCULA (ADÃO ITURRUSGARAI) • NÍQUEL NÁUSEA (FERNANDO GONSALES) • QUADRINHOS DOS ANOS 10 (ANDRÉ DAHMER) • UM SÁBADO QUALQUER (CARLOS RUAS) • VALENTE (VITOR CAFAGGI)
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Escrito por PAULO RAMOS às 11h14
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30.12.12
Mais uma chance - Abril define os três trabalhos selecionados no concurso de novos personagens
- Vencedor ganha R$ 5 mil; direitos sobre série ganhadora ficam com a editora
- Esta é a segunda edição do concurso; na primeira, projetos foram cancelados

A editora Abril divulgou neste fim de ano os trabalhos vencedores do Prêmio Abril de Personagens. O objetivo é mapear novas séries para o público leitor entre 7 e 12 anos. Três projetos foram selecionados. Em primeiro lugar, ficou Meninos & Dragões, de Lucio Luiz e Flavio Soares. A imagem que abre esta postagem é de da história inaugural da série. Remitchéins, de André Sette (sobre criações que vivem num mundo próprio), e a mística Lua de Pedra, de Sander, ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente. Segundo o regulamento do concurso, o autor do projeto vencedor receberá R$ 5 mil. Em troca, cede os direitos autorais à editora, para serem usados em diferentes mídias. *** O fluminense Lucio Luiz, escritor do projeto vencedor, diz que a editora já teve uma primeira conversa com ele. A proposta é criar uma revista da série para este início de 2013. Seguindo a descrição dele, o projeto enfoca quatro crianças, que moram num reino chamado Odilon. A terra medieval, nas palavras dele, seria uma mistura de elementos traidicionais, como cavaleiros, dragões e fadas, com outros, modernos, como videogames, skate e futebol. "Quando estava bolando um universo que pudesse ser interessante para o público infantojuvenil, me lembrei das brincadeiras das crianças pequenas, que, quando criam seus ´mundos próprios´, não têm as mesmas amarras criativas dos adultos." *** A seleção contou com três fases. A última expunha páginas das séries na internet para serem votadas pelo público. O resultado final foi a combinação entre os que tiveram melhor votação (40% do peso) e os mais bem avaliados pela comissão julgadora (equivalente aos 60% restantes). Esta é a segunda edição do prêmio. A primeira, realizada no ano passado, selecionou dois projetos, "UFFO - Uma Família Fora de Órbita" e "Garoto Vivo na Villa Cemitério". Os dois projetos se somaram a um terceiro, "Gemini 8", da TV Pinguim", e ganharam revistas próprias. Os primeiros números números foram lançados há exatamente um ano. *** Embora ganhassem um segundo número, nenhuma das revistas foi adiante. Esta nova edição do prêmio é mais uma tentativa da editora de atingir o segmento infantil com conteúdo nacional, setor hoje liderado pela Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa. O que restou dos projetos, pelo menos até o momento, são descrições dos personagens e material interativo, disponibilizados no site da revista infantil "Recreio", do grupo Abril. O prêmio se soma à estratégia da editora de expandir o espaço nas prateleiras das bancas, política que teve início há dois anos. O número de títulos da Disney foi ampliado. Neste ano, a Abril passou a apostar também no segmento dos mangás, os quadrinhos japoneses. Pôs à venda a série "Gen". A revista ainda é publicada.
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Escrito por PAULO RAMOS às 17h48
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10.12.12
Coletânea nacional - Obra da editora Draco pretende reunir histórias de diferentes autores brasileiros
- Proposta é abordar fantasia, terror e ficção científica em narrativas completas
- Publicação está programada para janeiro; ideia é dar continuidade à série

É comum ouvir nos bastidores editoriais esta pergunta: o mercado brasileiro não comporta uma obra que reúna diferentes quadrinistas nacionais? Experiências assim até existem, voltadas a projetos especiais ou ambientadas no circuito independente. Mas são, de fato, raras no meio comercial, daí a recorrência do questionamento. É justamente nesse setor que a Draco pretende apostar. A editora pretende pôr no mercado uma obra nesses moldes, com temas que dialoguem com seu catálogo, voltado à literatura fantástica. Batizado de "Imaginários em Quadrinhos", o projeto está programado para ser lançado no fim de janeiro. Na edição de estreia, as histórias em quadrinhos abordarão fantasia, terror e ficção científica. *** Os trabalhos do número inaugural serão feitos por autores de diferentes estados do país: Raphael Salimena, Dalton, Camaleão, Alex Mir, Alex Genaro, Zé Wellington, Marcus Rosado, Jaum e Dalton. Embora nem tenha sido publicado ainda, a editora já planeja o rol de autores do segundo volume. Gian Danton, Flávio Luiz, Azeitona e Mateus Santolouco estão os nomes citados. A periodicidade da publicação não foi definida. Planeja-se pôr nas livrarias e nas lojas de quadrinhos de duas a três obras por ano. "Inicialmente, vamos publicar as antologias ´Imaginários em Quadrinhos´, mas já estamos estudando propostas para publicação de alguns álbuns nos próximos anos", diz Raphael Fernandes, editor do projeto. *** Não é a primeira vez que Fernandes trabalha na edição de trabalhos nacionais. É ele que tem cuidado da parte brasileira da "Mad", revista de humor publicada mensalmente pela editora Panini. "Apesar de eu não ser humorista, editar a ´MAD´é uma das atividades mais dinâmicas, divertidas e realizadoras que o mercado de quadrinhos tem a oferecer", diz. "Enquanto for interessante pra mim, pros leitores e pra Panini, continuarei no comando da ´MAD´." A nova experiência surgiu, segundo ele, a partir de seu lado autoral. Depois de ter entregado três histórias em quadrinhos aos donos da Draco, foi convidado para editar a "Imaginários em Quadrinhos". *** Segundo Fernandes, o primeiro número terá seis histórias de 20 páginas cada uma. Todas serão em preto-e-branco. O formato da obra será 17 cm por 24 cm. O preço será R$ 34. O blog refez ao editor a pergunta que abre esta matéria. Há espaço para uma coletânea de autores nacionais no atual mercado de quadrinhos do país? "Acredito que o atual mercado precisa de um espaço para os autores de quadrinhos do país mostrarem seu trabalho", diz. "Quanto mais revelarmos novos quadrinistas, mais eles mesmos trarão novos leitores para os quadrinhos."
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Escrito por PAULO RAMOS às 07h53
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07.12.12
Uma tira, três pontos de vista - Ponto de vista 1, da imprensa: prova de instituto federal usa tira pornográfica
- Ponto de vista 2, do IFES, que aplicou o exame: processo interno apura o caso
- Ponto de vista 3, do autor, até agora esquecido: "um serviço de amadores"

André Dahmer é categórico: "Um serviço de amadores". E completa: "Não dei qualquer autorização para a publicação da tira, também não deram créditos para o autor da obra". O comentário do desenhista era sobre o uso de uma tira dele em um exame aplicado pelo Ifes (Instituto Federal do Espírito Santos) no domingo passado (02.12). A prova selecionava candidatos para cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, que têm torno de 14 anos. A questão era a segunda da prova de Língua Portuguesa. O assunto não ficou restrito ao caderno de questões. Foi noticiado nesta semana por diferentes veículos da mídia virtual. A maior parte rotulou a tira como pornográfica. *** "Prova de instituto federal tem questão com tira pornográfica e causa polêmica no Espírito Santo" foi a manchete da seção de Educação do UOL, portal que hospeda este blog. "Prova causa polêmica ao trazer questão com imagem de sexo no Espírito Santo", informou o R7. O site nublou a imagem final da tira, na tentativa de "não expor" o leitor ao conteúdo. O jornalista Reinaldo Azevedo, em blog hospedado no site da revista "Veja", creditou o uso da tira a uma "suposta tentativa de modernizar a linngaugem das provas de seleção ou de avaliação, na suposição de que se está a usar o ´universo do educando". Na leitura dele, é uma das "heranças malditas" do educador Paulo Freire, que ajuda a manter a educação brasileira "no buraco". "Não é o único lixo intelectual que ele deixou." *** Os textos jornalísticos incluíram a nota de esclarecimento emitida pelo Ifes, reproduzida também no site do órgão federal. O instituto diz que a tira procurava abordar estratégias utilizadas pela propaganda e que a banca elaboradora da prova não viu a história com olhar pornográfico (sic.). "O último quadro", diz a nota, "é uma sequência dos primeiros, que sugerem o tipo de leitura pretendido". As tiras cômicas costumam ter o desfecho de humor na cena final. Na última quinta-feira (06.12), o instituto informou no site que, diante das reações de indignação recebidas, abriu processo interno para esclarecer oficialmente o uso da tira. *** As notícias não ouviram um dos lados envolvidos na história, o autor da tira, André Dahmer. Ausência que o blog procura agora corrigir. Além de sintetizar o caso como um "serviço de amadores", o desenhista esclarece que o tema central da tira era o abuso da publicidade, e não o sexo oral. "De qualquer forma, o sexo oral não deve ser visto como tabu", conclui. "Todos nós precisamos dele."
A tira foi originalmente veiculada no blog do autor. Dahmer é conhecido pela série "Malvados", tira criada em 2001 e publicada tanto na internet quanto na "Folha de S.Paulo".
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Escrito por PAULO RAMOS às 20h55
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06.12.12
Mago revisitado - Livro traz coletânea de Vostradeis, publicado na extinta revista "Níquel Náusea"
- Mago charlatão é um dos poucos personagens humanos de Fernando Gonsales
- Histórias foram colorizadas; obra tem lançamento nesta quinta-feira em São Paulo

Vostradeis seguramente não iria prever que suas histórias seriam compiladas num livro, publicado pela editora Devir (112 págs., R$ 52,50). Nem que seria em capa dura. O alquimista também não acertaria a previsão de que o lançamento da obra seria nesta quinta-feira à noite, dia 6, na Livraria HQMix, em São Paulo. O mago não acertaria nenhuma das visões do futuro pelo simples fato de não dominar a contento a arte. Pelo contrário. Era, e ainda é, mais conhecido pelo charlatanismo. Ou, como é descrito no subtitítulo da publicação, ele seria "o mago, o mito, o picareta". Características que pontuam as 14 histórias reunidas no livro. *** Não é gratuita a precisão de escrever que Vostradeis "era" e "ainda é" mais conhecido por ser picareta. O presente do verbo é porque suas narrativas são revisitadas na obra. O uso do passado é porque o personagem marcava ponto na extinta revista "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales, publicada nas bancas entre 1988 e 1996. O mago charlatão aparecia sempre nos números pares da publicação. A estreia ocorreu no número dois, de outubro de 1988. Vostradeis se diferenciava das demais criações de Gonsales por dois motivos: 1) era um dos poucos personagens humanos dele; 2) era mostrado em narrativas mais longas. *** São pontos que destoam da imagem que a nova geração de leitores de quadrinhos ou quem acompanha os jornais diariamente têm do desenhista. Gonsales é mais conhecido por criar as tiras cômicas de Níquel Náusea, camundongo que vive nos esgotos e seu personagem mais popular. "Lidar com histórias mais compridas é uma coisa bem diferente que as tiras. Tem um enredo, que vai se desenvolvendo, é muito bacana", diz o autor, por e-mail. "Só aguardo o momento em que eu possa me dedicar novamente a esse tipo de trabalho. E fazer personagens humanos também é bem diferente, apesar de os humanos serem também animais." *** Dos animais humanos, Vostradeis divide o pódio das criações de Gonsales com Benedito Cujo, adolescente que vive os percalços de quem vai prestar vestibular. Gonsales conta que tem planos de reunir também histórias do vestibulando. De concreto, por enquanto, há uma nova coletânea de tiras de Níquel Náusea. Uma vez mais pela Devir. E o lançamento de Vostradeis, claro. A ideia de criar um feiticeiro medieval surgiu de uma conversa com o cartunista, Spacca, na época um colaborador regular da revista. "O Spacca fez um desenho que serviu de base para a forma do Vostradeis. Era uma história avulsa, mas eu me empolguei e fiz várias outras dele." *** Gonsales admite que tem vontade de retomar o personagem. O resultado final da coletânea ajudou a dar uma cutucada a mais. Vostradeis ganhou tratamento de luxo. Além da capa dura, as histórias, originalmente feitas em preto-e-branco, foram todas colorizadas. O trabalho foi feito pela esposa do desenhista, Marília di Lascio. "São cores estranhas, que compõem a atmosfera da Idade Média e deu um ar classudo às histórias", diz o cartunista, que é formado em Veterinária e Biologia. "Fazia muito tempo que eu planejava editar o Vostradeis, e agora saiu como eu queria." *** Serviço Lançamento de "Vostradeis - O Mago, o Mito, o Picareta", de Fernando Gonsales. Quando: hoje (06.12). Horário: das 19h às 22h. Onde: Livraria HQMix, em São Paulo. Endereço: rua Tinhorão, 124. Quanto: R$ 52,50.
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Escrito por PAULO RAMOS às 09h16
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03.12.12
Quarto Mundo encerra atividades - Cinco anos depois de ser criado, coletivo independente decide parar
- Motivos passam por desgaste natural, centralização dos trabalhos e novos projetos
- Grupo fará festa no próximo dia 15, em São Paulo, para esgotar o catálogo de HQs

Autores do Quarto Mundo vão se reunir no próximo dia 15, às 18h, na Livraria HQMix, em São Paulo, para vender obras do catálogo do grupo independente, criado há cinco anos. Será o último encontro oficial dos quadrinistas. O evento é para marcar o encerramento das atividades do coletivo de autores, um dos principais do circuito alternativo do país. Segundo alguns dos integrantes, o fim do selo independente vinha sendo debatido desde meados de outubro na lista de discussão virtual mantida pelo grupo. A decisão já estava tomada no final daquele mês, por votação. O resultado não foi unânime. Mas prevaleceu a vontade da maioria, noticiada pelo blog em primeira mão. *** Os autores do grupo ouvidos pelo blog indicam que não houve propriamente um motivo nuclear que tenha levado ao fim do coletivo independente, mas, sim, uma soma de fatores. Um deles seria a centralização dos trabalhos em poucas pessoas. Embora tivesse cerca de 50 integrantes, a condução das atividades ficava a cargo de uma dúzia de autores. "Na prática, a intenção inicial de que, sendo um coletivo ´todos´ deveriam atuar de forma equilibrada, conjunta, apoiando e dividindo as tarefas não mais acontecia, ficando a cargo de poucos o desenvolvimento das ações levando a um questionamento da validade da continuidade do grupo", diz desenhista paulista Will, um dos fundadores do grupo. "O esquema do grupo dependia de todos ajudarem fazendo seu papel de formiguinha, mas por um lado muitos não o faziam e uma minoria que atuava não aguentou mais", completa Marcos Venceslau, autor do fanzine "Subterrâneo", a publicação mais longeva do catálogo. *** Venceslau enxerga nessa centralização uma espécie de círculo vicioso. "A conduta do grupo foi dirigida por esse grupo que atuava mais, nada mais que normal, mas isso acabava desinteressando o restante do grupo e limitando nossas ações." O saldo disso pôde ser percebido na redução no número de lançamentos entre o ano passado e este 2012. O desgaste natural é apontado como outros dos motivos para o fim. "Até pouco tempo atrás chegamos à conclusão de que era ´evoluir ou morrer´. Nenhuma ação foi feita no sentido de evoluir. Logo, o caminho natural levou ao fim do grupo", diz Leonardo Melo, roteirista de Curitiba e criador da revista "Quadrinhópole". *** Um terceiro motivo apresentado para a decisão de pôr fim ao Quarto Mundo são o novo momento do mercado brasileiro de quadrinhos, diferente do visto cinco anos atrás. Parte dos autores, hoje, está envolvida em projetos remunerados, ou bancada por editoras ou financiados por editais públicos de incentivo a produção de quadrinhos. "Com a mudança do cenário no mercado de quadrinhos nacional, o Quarto Mundo deixou de fazer sentido", diz Edu Mendes, autor de diferentes histórias do grupo. "Uma vez que os objetivos que o grupo almejava foram alcançados não fazia mais sentido continuar com a mesma proposta." *** Quando foi criado, há cinco anos, o Quarto Mundo foi uma convergência natural de um processo que vinha sendo desenhado no circuito alternativo brasileiro. A proposta central era agregar a expansão de projetos independentes que surgiam em diferentes partes do país. A ideia é que, unidos, ganhariam maior força. O grupo planejava que os próprios quadrinistas poderiam servir como distribuidores das obras dos demais em seus estados ou cidades de origem. A experiência rendeu aos integrantes uma sucessão de prêmios da área de quadrinhos no país, ora vencidos coletivamente, ora por conta dos projetos individuais. *** "Quando começamos, tínhamos várias ideias para ajudar autores independentes e consequentemente o mercado em si", diz Melo. " Algumas delas - hoje podemos ver - utópicas demais, pois dependiam que as pessoas se comprometessem de verdade com o coletivo, o que não aconteceu." "Há cerca de um ano e meio parte do grupo, que sempre foi mais ativa, passou a exercer apenas um esforço mínimo para manter apenas o básico funcionando", completa o roteirista Daniel Esteves, criador da série "Nanquim Descartável" e um dos mais premiados do grupo. "Mas logo veio a compreensão que esse mínimo não era a proposta real do coletivo e que era hora de parar, para que cada um pudesse reavaliar sua atuação e pensar em como se aplicar mais dentro de seu próprio trabalho, ou até como montar novas estruturas." *** O resultado da experiência autoral pode ser medido pelo catálogo. São mais de 50 títulos, de diferentes gêneros, realizados em diversas partes do país. É esse catálogo costumava ser vendido nos variados eventos de quadrinhos brasileiros, em que autores do grupo se faziam presentes com uma banca, artesanalmente montada. Costumavam ser identificados com uma camiseta vermelha, a marca visual do grupo. Foi assim no Gibicon, realizado em Curitiba no fim de outubro, no qual também participaram. A festa no próximo dia 15 será a última venda coletiva. Mas qual o papel que o grupo exerceu? O blog repassou a pergunta aos autores. Seguem as respostas de cada um. *** Will "Penso que a contribuição maior foi ter aglutinado um conjunto de forças em torno de um nome, uma marca, um ideal, que em partes foi concretizado em outras não. O Quarto Mundo deu voz e visibilidade aos autores que estavam chegando, se bem que quem "chegou" na verdade já estava por aí desde o início da década de 2000, e também trouxe para dentro do grupo autores já estabelecidos desde antes disso mas que enxergaram virtudes nesse ideal e por isso quiseram participar.A virtude maior, penso eu, foi ter propiciado esse encontro que, além das amizades que ficaram, deu origem à bem sucedidas parcerias, preparando e dando bagagem a esses autores que hoje estão se posicionando dentro dessa atual configuração do mercado de quadrinhos no Brasil." Daniel Esteves
"O Quarto Mundo foi MAIS um elemento na formação desse mercado atual de quadrinhos no Brasil. Assim como os grandes eventos, como a entrada de editoras de fora do mundo dos quadrinhos,como os incentivos estatais etc. O Quarto Mundo cumpriu um papel de aglutinar gerações variadas de quadrinistas em torno de um ideal, que, mesmo não tendo sido alcançado por completo, provou que os artistas podem fazer MAIS e MAIS pelo seu trabalho e podem se ajudar nesse caminho. Certas parcerias firmadas dentro do grupo nunca serão desfeitas. Certas publicações figurarão porum bom tempo com importância dentro de todo esse esquema independente. Certos espaços continuarão abertos daqui pra frente. Certo aprendizado poderá e DEVERÁ ser repassado as novas gerações que iniciam esse mesmo trajeto. Nesse sentido o Quarto Mundo sai de cena de cabeça erguida. Derrotado em suas ambições, mas vitorioso na realidade que ajudou a produzir e no impulso que deu no trabalho de vários artistas. Coletivos vêm e vão o tempo todo. MAS ESSE ESPÍRITO DO QUARTO MUNDO CONTINUARÁ PRESENTE ENTRE SEUS EX-PARTICIPANTES influenciando novas empreitadas."
Edu Mendes "O Quarto Mundo foi uma força aglutinadora de ansiedades e ideias de artistas do Brasil todo durante quatro anos, com força capaz de negociar com gráficas, editoras, pontos de venda, organização de eventos e de chamar a atenção da mídia para o quadrinho brasileiro. Muitas portas que sempre haviam estado fechadas foram abertas, muitos preconceitos sobre os artistas independentes foram desfeitos. O Quarto Mundo foi uma peça fundamental em um movimento de mudança que integrou muitos atores e que resultou em algo que pode ser considerado como o melhor momento do quadrinho brasileiro na História. Hoje, que gráficas, mídia, pontos de venda e editoras já estão mais acessíveis aos artistas, o Quarto Mundo está atuando como mais um grupo de artistas como outros em atividade. Por isso, foi escolhido encerrar as atividades do grupo e testar novas possibilidades de atuação com outros nomes." Marcos Venceslau "Com certeza o Quarto Mundo ajudou a aglutinar os independentes a nível nacional, criou possibilidades de mercado e abriu muitas portas para os independentes no mundo dos quadrinhos e até na ampliação de leitores. Não foi o único grupo que surgiu e teve seu papel, mas foi um grupo que mais teve destaque a nível nacional e com certeza influenciou muitos grupos. Também fez aparecer outros tipos de grupos com outras condutas que achavam melhor e os independentes tinham onde se apoiar ou se espelhar e se motivar a produzir, pois sei de muita gente parada que começou a acreditar e produzir preferindo fazer isso isolado, mas agora com mais possibilidades de projeção no mercado. Esse momento foi bom, mas o crescimento rápido precisava de atuações e organizações rápidas, além de que nem todo mundo realmente acreditava! Um grupo pequeno atuando não faz verão nesse esquema amplo do Quarto Mundo. Precisávamos de uma nova mudança, mas não vai ser possível mais com esse grupo. Acredito no próximo capítulo com outro nome agora. De certa forma um começar de novo, mas com um cenário bem diferente." Leonardo Melo "Foi importantíssimo. Eu desconheço a existência de algum coletivo que tivesse uma ideia tão ampla, realmente a nível nacional. Talvez esse tenha sido o erro. Mas de qualquer forma, o Quarto Mundo serviu de exemplo para outros coletivos, trouxe visibilidade para vários artistas e abriu muitas portas em eventos, sem mencionar os vários prêmios que ganhou. Houve falhas, claro. Nem tudo saiu como esperávamos. Tínhamos várias ideias para distribuição, divulgação etc... mas isso depende do empenho das pessoas. Ainda assim, a amizade que se formou entre os membros do grupo perpetua e com certeza continuará havendo ajuda mútua em vários sentidos. Até porque a lista de discussão continuará em voga. Agora é cada um tocar seus próprios projetos e continuar se ajudando como pode."
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h33
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27.11.12
Daytripper no Angoulême - Obra de Gabriel Bá e Fábio Moon concorre a principal prêmio europeu de quadrinhos
- Trabalho já conquistou troféus nos Estados Unidos e Inglaterra
- Escolha dos vencedores do Festival Internacional de Angoulême irá ocorrer em 2013

Habituados a conquistar prêmios nos Estados Unidos, os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon têm agora a chance de somar mais um, em outro país. "Daytripper", obra criada pelos dois, foi uma das selecionadas do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, uma das mais relevantes premiações mundiais da área. A obra concorre na categoria "seleção oficial", a mais importante categoria do Angoulême. O trabalho disputa com outras 31 histórias, a maioria inédita no Brasil. O resultado será divulgado ao público durante a realização do festival, que vai de 31 de janeiro a 3 de fevereiro do ano que vem. Os vencedores geralmente são conhecidos nos dias finais do evento. *** "Daytripper" vem somando uma série de prêmios internacionais. Conquistou o Eisner Awards e o Eagle Awards, principais premiações dos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente. A obra foi lançada inicialmente numa minissérie de dez números, publicados entre 2009 e 2010 pela Vertigo, selo adulto da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem. Ganhou depois uma versão encadernada, a mesma que a Panini trouxe ao Brasil no meio do ano passado. O trabalho mostra fragmentos da história de Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários que se vê sistematicamente frente a fatais situações-chave da vida. *** Os dois autores, que são irmãos gêmeos, confirmaram no blog que mantêm que irão ao festival francês. A dupla tem se destacado nos últimos anos no mercado norte-americano de quadrinhos. Um dos sinais concretos disso são as sucessivas premiações que conquistaram, em particular no Eisner Awards. A projeção internacional foi reconhecida também no Brasil. O Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país, selecionou Bá e Moon como destaques internacionais do ano passado. Os quadrinistas trabalham atualmente em um volume da coleção "Cidades Ilustradas", da editora Casa 21, e numa adaptação do romance "Dois Irmãos", de Milton Hatoum, para o Quadrinhos na Cia.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h40
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23.11.12
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 16h07
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22.11.12
Leya mantém silêncio sobre fim da Barba Negra O grupo Leya informou nesta quinta-feira, no fim da tarde, que não irá comentar o fim do selo Barba Negra, que concentrava os lançamentos de quadrinhos da editora. A resposta foi dada após consulta feita pelo blog à assessoria de imprensa da empresa, por e-mail, também nesta quinta-feira. "Infelizmente a editora Leya não vai se pronunciar quanto a esse assunto", retornou a assessoria, em mensagem enviada às 17h07. O blog havia feito duas perguntas à editora: 1) quais os motivos do cancelamento da parceria envolvendo a Barba Negra; 2) o que irá acontecer com o catálogo de quadrinhos. *** A informação do fim do selo dedicado a quadrinhos foi oficializada pelo editor da Barba Negra, Sandro Lobo, conforme o blog noticiou na quarta-feira (leia postagem abaixo). O editor também não deixa claro quais os reais motivos do cancelamento da parceria. Ele sugere, embora não confirme, que a razão seria expectativas diferentes dos dois lados envolvidos no acordo. Outro assunto incerto é o destino dos lançamentos em quadrinhos já anunciados pela empresa. Segundo Lobo, os selecionados em concurso feito pela editora seriam honrados. A Barba Negra, em pouco mais de dois anos, consolidou um catálogo que a alçou a uma das principais do segmento. Pelo trabalho, foi premiada como melhor editora de 2011 pelo Troféu HQMix, o principal da área de quadrinhos no país.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h38
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21.11.12
Barba Negra chega ao fim - Selo editorial do grupo Leya deixará de publicar álbuns em quadrinhos
- Parceria foi encerrada no início do mês; só obras já acertadas devem ser lançadas
- Iniciada há dois anos, editora foi premiada no HQMix como a melhor do segmento
"Infelizmente é isso mesmo, a parceria entre Leya e Barba Negra chega ao fim." Foi dessa forma, bastante pontual e objetiva, que o responsável pelo selo editorial, Sandro Lobo, confirmou o fim da parceria entre ele e o grupo Leya. O catálogo tinha nos quadrinhos seu carro-chefe. Segundo Lobo, como é mais conhecido no meio, o acordo foi cancelado no início do mês. O site da Barba Negra já está fora do ar. O acesso foi suspenso há duas semanas. Ainda há uma nuvem que nubla os motivos do encerramento. Lobo sugere, mas não confirma, que teria havido diferenças entre as expectativas dele e as do grupo, responsável pelo aporte financeiro. *** Lobo diz que não pretende dar sequência a um selo por conta própria. Não no momento, pelo menos. Outra nuvem de incerteza envolve os trabalhos em quadrinhos já anunciados pela editora. De acordo com Lobo, devem ser honrados, pelo menos, os projetos selecionados no concurso de novos roteiros promovido pelo grupo no ano passado - houve 402 inscritos. O prêmio seria a publicação da obra e o recebimento de R$ 20 mil para a produção do álbum. O trabalho vencedor foi do goiano Wesley Rodrigues, obra inicialmente anunciada para ser lançada no ano passado. Outros dois projetos, um do paulista Mateus Acioli e outro de Plínio Fuentes, de Corumbá (MS), também haviam sido selecionados. Se publicados, seriam os primeiros álbuns nacionais do ano da editora. *** Neste 2012, a Barba Negra pôs à venda três obras, todas elas estrangeiras - "O Gosto do Cloro", "O Paraíso de Zahra" e "Guerra dos Tronos em Quadrinhos". O cancelamento da parceria contrasta com o destaque conquistado pelo selo editorial nesses cerca de dois anos de existência, período em que formou um catálogo eclético, de obras daqui e de fora. Pelo trabalho, a Barba Negra foi escolhida como a melhor editora de 2011 no Troféu HQMix deste ano, a principal premiação da área de quadrinhos do país. Lobo esteve à frente de outro projeto editorial de destaque na área de quadrinhos, há cinco anos, junto à Desiderata. A venda da editora ao grupo Ediouro também pôs fim ao projeto.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 16h21
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17.11.12
O ponto de vista indígena - Álbum reconta histórias de tribos brasileiras sob o ponto de vista do índio
- Obra é resultado de passagem do autor, Sérgio Macedo, por tribos de Mato Grosso
- "Povos Indígenas em Quadrinhos" começa a ser vendido na semana que vem

Um projeto antigo do quadrinista Sérgio Macedo sai do forno na semana que vem. Trata-se da história de tribos brasileiras narradas pelo ponto de vista do próprio índio. "Povos Indígenas em Quadrinhos" (Zarabatana Books, 88 págs., R$ 51) é resultado de impressões e relatos coletados dos próprios protagonistas do álbum. Macedo conviveu por alguns meses com índios da aldeia Kayapó Metyktire, localizada em Mato Grosso. Lá, entendeu melhor o papel e a realidade daqueles povos. A experiência, vivida em 1987, somou-se a outros dados. A outros dados e às pesquisas visuais, que ajudaram na composição dos desenhos realistas, marca principal do autor. *** O álbum inicia com uma história universal do povos indígenas. Da Idade do Gelo até as aldeias atuais. Dos primeiros habitantes americanos à realidade brasileira contemporânea. Os capítulos que se seguem recontam as histórias das tribos Yanomami, Xavante, Kayapó, Suruí e Panará. Tudo pelo viés do olhar indígena. Este é o terceiro álbum que Macedo lança no Brasil. O primeiro, "O Karma da Gaargot", foi publicado em 1973. No ano seguinte, o autor se mudou para a Europa. Na França, assinou 15 álbuns, alguns deles traduzidos nos Estados Unidos. Macedo se estabeleceu, depois, no Taiti, onde morou por mais de 25 anos. Retornou em 2007. *** Foi nessa volta ao Brasil que Macedo cometou pela primeira vez sobre o projeto de "Povos Indígenas em Quadrinhos". Na ocasião, aventou-se que seria lançado pela Devir. A ligação com a Devir é porque foi a editora que lançou o segundo álbum do autor no país, "Xingu!", também em 2007. No mesmo ano, Macedo foi homenageado no Troféu HQMix. As voltas para tornar a obra real são um dos temas desta entrevista com Macedo, feita por e-mail. As respostas foram escritas de Juiz de Fora (MG), onde cresceu e está atualmente. Ele faz só um pedido: a cópia das respostas na forma como foram escritas. "Estou cansado de ter tido frases minhas transformadas e, consequentemente, distorcidas em relação ao sentido original." Seguem as respostas. Na íntegra. *** Blog - Começo justamente pelas dificuldades de publicar a obra no Brasil. Lembro-me de você tê-la comentado na última vez em que conversamos e que seria publicada, na ocasião, pela Devir. O que mudou? Sérgio Macedo - Sim, era esse o projeto inicial. Então, fui para a Bahia e me estabeleci no litoral, perto de Itacaré. Como tinha vivido décadas fora do Brasil, aproveitei para curtir as belezas do Patropi e, durante muito tempo, deixei de lado a HQ em geral. O surf de Itacaré é lixo (falo da qualidade das ondas) em comparação com o surf nas ilhas do Pacífico e suas ondas sobre bancadas de coral, mas a galera baiana é muito legal e, junto com o calor e a beleza natural da região, me diverti um bocado. A Bahia tem muita beleza e, longe dos centros urbanos, as pessoas são muito mais humanas, gentis, alegres e comunicativas. Quando recomecei a trabalhar, enviei mensagem ao Douglas [Quinta Reis, diretor editorial], da Devir, comunicando o projeto e perguntando a disponibilidade da editora para publicá-lo. Como não houve retorno, escrevi novamente. Mesmo resultado. A gente sabe que a net não é infalível, e tentei mais uma vez. Não tive resposta, me toquei que não havia interesse, e decidi procurar outra editora. Fui a Sampa, e um amigo desenhista me levou na editora DCL. O diretor, Raul Maia, foi muito legal e decidiu publicar o livro. Fechamos negócio, voltei para a Bahia, e continuei a desenhar as HQs do livro. Quando quase tudo estava pronto, a editora literária me comunicou que o livro não poderia ter imagens de índios nus... Quase um ano depois do contrato assinado e da equipe editorial ter visto uns 40 originais onde não faltavam índios nus. Ah, Brasil!... Isso desencadeou problemas consecutivos e, quando um grafista da editora modificou digitalmente várias imagens, decidi partir para outra. O que se seguiu foi uma série de contatos, envio dos arquivos do livro pela net, até que Claudio Martini, [editor da] Zarabatana Books, decidiu publicar o livro. (Se você quiser, posso fazer um histórico da saga-editoras e das peripécias que rolaram, como quando na Abril Educação, após aprovação da diretoria, comitê editorial e etc, rolou um veto do setor jurídico logo antes que assinássemos o contrato, pois eu propus uma cláusula em que haveria uma contribuição financeira (como se passa agora com Zarabatana) do autor e do editor para os índios retratados na obra). Blog -Quando exatamente você começou a produzir a obra e quando a terminou? Macedo - Nos anos 80. A página sobre a Hutukara Associação Yanomami [no final da obra], feita a pedido dos Yanomami, foi finalizada poucos dias antes da impressão do livro. Blog - O livro mostra o lado dos índios e caracteriza como maus, por assim dizer, todos os invasores e políticos responsáveis por programadas indígenas. Isso não pode gerar algum questionamento de que o outro lado não teria sido ouvido? Macedo - Cuidado para não cair na armadilha maniqueísta judaico-cristã e seus conceitos de bom e mau. A TV e demais mídias brasileiros, instrumentos dos interesses econômicos das multinacionais e dos lobbies nos bastidores do governo, inculca na cabeça do povo noções absolutamente falsas e errôneas sobre os povos indígenas, e a infeliz política atual da Funai é coptar as lideranças indígenas a aceitar o jogo dos brancos, a enfraquecer sua cultura (a instalação de televisões nas aldeias é uma ferramenta para isso) a fins de que eles não oponham resistência à corrupção que impera na sociedade nacional. Convivi com garimpeiros, posseiros, caçadores, empregados de fazendas, aviadores que levavam garimpeiros nas terras indígenas, etc, conheço os dois lados e vejo bem que a grande maioria desses invasores está na necessidade e busca, antes de mais nada, a sobrevivência. Eles não têm noção correta do impacto de suas ações sobre o povo indígena. Quanto aos latifundiários, empresários e grupos econômicos que os manipulam, a realidade é outra, assim como a ausência de intervenção efetiva do governo, que tem, no mínimo, a obrigação de respeitar os direitos humanos. É claro, alguém que vive na cidade, mesmo com a maior dose possível de informação adquirida nos centros urbanos, não compreende nem de longe o que se passa na mata e nas terras indígenas. Blog - Sérgio, para encerrar, queria saber o que o motivou a retornar ao Brasil e a se estabelecer em Juiz de Fora. E com quantos anos está hoje? Macedo - Após mais de 33 anos no exterior, eu ainda lembrava das maravilhas naturais do Brasil, e voltei para revivê-las. Nunca me estabeleci em Juiz de Fora, que é uma das cidades mais caretas e tristes desse planeta. No ano passado, vim a Juiz de Fora visitar minha mãe. Uma manhã, praticando corrida a pé numa trilha de fazenda, fui picado por uma cascavel. Estava longe de tudo, foram 4 horas até ser socorrido na cidade, e quase fui para o outro mundo. Mas vaso ruim não quebra à toa, e ainda continuo vivo. Mas a recuperação foi muito longa, e acabei ficando no sítio dos meus pais. Mas meu projeto é voltar para as ilhas do Taiti, cuja realidade é paradisíaca em comparação com a do Brasil. Mas tenho alguns projetos HQ a finalizar antes disso. Nasci no 8-4-51, tenho 61 anos (os dados biográficos estão no livro). Allright, Joe?
Categoria: ENTREVISTA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h18
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13.11.12
E o ProAC 2012 vai para... - Júlia Nascimento Bacellar (Júlia Bax) - "Remy"
- Rogério da Cruz Kuroda (Roger Cruz) - "Quaisqualigundum"
- Magno Costa - "A Vida de Jonas"
- Marcos Leandro de Oliveira - "Aos Cuidados de Rafaela"
- Olavo Costa - "Ronda Noturna"
Depois dos nomes, as explicações. Os cinco autores elencados acima e os nomes das respectivas obras são os selecionados deste ano do ProAC (Programa de Ação Cultural), mantido pelo governo estadual paulista. Todos integraram o edital relacionado a histórias em quadrinhos. A proposta do programa, que é anual, é a de viabilizar a produção de trabalhos culturais de diferentes áreas. Os finalistas foram divulgados nesta terça-feira. Cada um deles irá receber R$ 40 mil para produzir as obras. O prazo para conclusão e publicação é de 12 meses. *** O prazo de um ano é apenas uma das mudanças do edital do ProAC deste ano, como o blog noticiou em agosto deste ano. Nas edições passadas, o autor contemplado com a verba pública tinha oito meses para finalizar a obra. Há possibilidade de prorrogação de 90 dias. Outra alteração foi uma redução pela metade no número de selecionados. De dez, caiu para cinco. A verba aumentou de R$ 25 mil para os atuais R$ 40 mil. Mas, no geral, significa um investimento menor do estado. Se antes eram desembolsados R$ 250 mil no total, agora são R$ 200 mil. *** Uma das explicações para as alterações foi que o governo paulista estaria atendendo a pedidos dos autores, que teriam solicitado um prazo maior. Essa informação veio a público em matéria do blog "Papo de Quadrinho", do jornalista Jota Silvestre, publicada em 3 de outubro. O governo, no entanto, não explica por que houve redução também na verba destinada ao programa e no número de inscritos. Demandas que dificilmente teriam partido dos quadrinistas. *** O ProAC tem se firmado nos últimos anos como uma das principais políticas de fomento à produção de histórias em quadrinhos no país. Neste ano, foram 155 inscritos. Um dos frutos do programa foi "Bando de Dois", de Danilo Beyruth. De todas as obras do edital, foi a que obteve maior repercussão até o momento. O álbum, sobre cangaceiros zumbis, venceu há dois anos três troféus HQMix, principal premiação da área de quadrinhos no país. O programa tem como calcanhar-de-aquiles o não cumprimento dos prazos do edital. Parte dos trabalhos de edições passadas foi publicada com atraso de mais de um ano.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 13h03
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05.11.12
De volta à produção nacional - Editora Abril volta a produzir no país histórias para os quadrinhos Disney
- Por enquanto, apenas Zé Carioca terá trabalhos realizados no Brasil
- Primeiras produções começam a sair no fim do mês, em especial do personagem

Trata-se ainda de um retorno tímido. Mas, é fato, trata-se de um retorno. A editora Abril voltará a criar no país histórias para os quadrinhos Disney, algo que não faz há uma década. Os primeiros trabalhos serão publicados no fim do mês, data em que está programado o segundo volume do especial "Zé Carioca 70 Anos" - o anterior foi lançado semana passada. A edição especial irá trazer duas histórias com o papagaio brasileiro. Uma será escrita e desenhada por Fernando Ventura, especialista em produções de personagens Disney. A outra terá traço de Luiz Podavin, profissional que participou da arte de vários trabalhos realizados pela editora entre meados da década de 1970 até o começo deste século. *** A informação sobre esse retorno à produção nacional foi confirmada pelo editor da linha Disney, Paulo Maffia, durante o Gibicon, congresso de quadrinhos realizado em Curitiba. Informalmente, o fato já circulava há pelo menos um ano, mas não era oficialmente confirmado pela empresa. Segundo Maffia, a volta se resume por ora apenas ao Zé Carioca. A proposta é inverter o eixo do que ocorre atualmente. Em vez de reprisar ou importar histórias do personagem, ele pretende levar as narrativas daqui para o mercado externo. O editor diz que há ainda alguns ajustes finais. Mas, se tudo correr como planejado, a proposta é ter uma história nova a cada número da revista mensal "Zé Carioca". *** Faz parte do pacote também especiais sobre a Copa do Mundo e a Olimpíada. Os dois eventos esportivos serão realizados no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente. A Editora Abril produziu quadrinhos no país desde meados os anos 1960. O ponto alto da produção ocorreu nas três décadas seguintes. O processo foi abandonada na entrada do século. Segundo Maffia, o que já estava produzido foi publicado até meados de 2002. Desde então, tem havido apenas reedições. A volta casa com os 70 anos de criação de Zé Carioca, marcados pelos dois especiais com o personagem. O primeiro, à venda nas bancas, reúne histórias raras dele.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 21h57
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04.11.12
Capitão América caiu no Enem - Capa da revista do personagem foi usada como tema de questão do Enem 2012
- Pergunta exigia que candidatos contextualizassem atuação do herói na 2ª Guerra
- Quem já lia suas histórias em quadrinhos conseguiria responder com maior facilidade

No meio do questionário, havia uma capa. Uma capa do primeiro número de "Captain America", de março de 1941, revista que marcava a estreia do super-herói estadunidense. Setenta e um anos depois, a imagem do Capitão América dando um expressivo soco no líder nazista Adolf Hitler (1889-1945) foi usada no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio). A prova foi aplicada neste fim de semana. Os organizadores da prova apresentaram uma resenha do filme do personagem, "O Primeiro Vingador", exibido em 2011. Depois, perguntaram a quem o herói e os Estados Unidos lutavam. A resposta correta era a que fazia menção aos "regimes totalitários, na Segunda Guerra Mundial". *** Para responder à questão, os estudantes deveriam ler as imagens da capa. A saída para assinalar a alternativa correta estava na identificação de Hitler e das suásticas presentes. As demais alternativas sugeriam conflitos situados em outras épocas históricas: Primeira Guerra Mundial, Guerra Fria, Guerra do Vietnã, respostas aos ataques do 11 de Setembro. Essa contextualização é familiar a quem já acompanha as aventuras do super-herói da editora norte-americana Marvel Comics, independentemente do que era visto na capa. Fato raro: ler quadrinhos de super-heróis ou assistir ao filme do personagem teriam ajudado os estudantes a responder à questão com mais facilidade. *** Outra raridade é ter uma capa de revista de super-heróis usada como texto de questão. O Enem, até então, usava apenas charges e tiras nos enunciados de seus testes. O uso desses dois gêneros dos quadrinhos tem sido frequente no histórico da prova. É comum aparecer, todos os anos, mais de uma pergunta pautada em produções assim. No exame deste ano, houve uso de três charges e de três tiras, uma delas de Laerte. O Enem tem sido usado nos últimos anos não mais como uma forma de avaliação do ensino médio, mas como um vestibular para acesso a vagas de universidades federais.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 21h29
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01.10.12
Mais uma charge que merece registro 
De Quinho, sobre pedido judicial de retirada de obras de Lobato de bibliotecas escolares
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 09h55
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12.09.12
Uma charge que merece registro 
Charge de Jean Galvão, na edição desta quarta-feira do jornal "Folha de S.Paulo".
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h02
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11.09.12
11.09 nos quadrinhos 
Pensei em escrever algo sobre a relação dos quadrinhos de super-heróis com os atentados do 11 de Setembro de 2011, sofridos pelos Estados Unidos. Lembrei-me de que já havia feito uma resenha sobre o assunto há exatos seis anos, aqui mesmo no blog. Para não me redundar, voltei àquele texto. Para minha surpresa, continuo pensando a mesma coisa a respeito do tema e de como o discurso do governo norte-americano migrou diretamente para os quadrinhos. Para marcar a data, e para não escrever duas vezes o mesmo conteúdo, optei por reprisar o texto, na esperança de trazer a discussão aos novos leitores. A ele, então. ***
A indústria norte-americana de quadrinhos teve um comportamento dúbio em relação aos ataques do 11 de Setembro, tragédia que completa hoje cinco anos [11 anos neste 2012]. Num primeiro momento, as editoras seguiram a tendência de solidariedade e de pesar extremo vivido dentro dos Estados Unidos (e, de certo modo, em outras nações do mundo ocidental). Esse sentimento deu o tom às primeiras histórias que abordaram o tema.Dois, três anos depois, o povo americano viu que seus filhos não voltavam da guerra. O sentimento mudou, a popularidade do presidente George W. Bush caiu (e continua baixa) e os super-heróis mudaram sua atitude em relação aos atentados e à política externa norte-americana. A dubiedade vista nas revistas, ao longo desses cinco anos, só é coerente com o sentimento da população estadunidense. O caso é um excelente estudo sobre uso ideológico nos quadrinhos. É algo muito parecido com o que foi feito durante a 2ª Guerra Mundial. O ataque a Pearl Harbor obrigou os Estados Unidos a entrar no conflito mundial. Não demorou para os super-heróis também estarem no front. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Capitão América (criado para combater os nazistas) e outros passaram a viver histórias de guerra, em que os inimigos eram os países do Eixo e seus líderes. O exemplo mais exacerbado talvez tenha sido o de Flash Gordon. O herói espacial voltou do Planeta Mongo para combater ao lado dos Aliados. Havia uma política do governo norte-americano de usar a mídia como um veículo ufanista pró-aliados (ou antinazistas). Os quadrinhos não foram exceção. Não é que a presença do conflito era necessariamente imposta pelo governo: ela era consentida pelos escritores e desenhistas. Eles também haviam captado o sentimento de sofrimento vivido em Pearl Harbor e escreviam aquilo que os leitores queriam ver. Essa interpretação é do pesquisador Chris Murray, no artigo "Popaganda: superhero in World War Two". Ele chamou de "popaganda" a mistura da propaganda governamental pró-guerra com o uso da cultura pop. A argumentação de Murray se encaixa perfeitamente no 11 de Setembro. Novamente, os Estados Unidos foram vítimas de um ataque em larga escala. Novamente, a maior potência do mundo se sentiu ferida. Novamente, partiu para um ataque em terras estrangeiras, passando por cima de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que pedia provas mais consistentes sobre a presença de armas químicas (que o tempo mostrou inexistirem). Novamente, os Estados Unidos usaram a mídia a seu favor (hoje, a literatura sobre o assunto já é suficientemente extensa para comprovar esse ponto de vista). O altíssimo número de mortos após os ataques do 11 de Setembro criou outro índice altíssimo: o de popularidade a Bush. Isso deu a ele o cacife necessário para implementar a política de invasões ao Eixo do Mal (outra semelhança com a 2ª Guerra). Apresentou como argumentos a caça ao terror (palavra vazia, com conteúdo vago e pejorativo) e a presença de armas químicas (que não foram encontradas, como admitiu a Casa Branca anos depois). Os primeiros quadrinhos sobre o conflito refletiam essa soma de características. A primeira história veio da Marvel Comics, que fez uma edição com capa toda preta, numa clara demonstração de luto. Era do Homem-Aranha, mas mostrava a comoção de todos os heróis da editora. Heróis e vilões. Havia uma cena em que até o inescrupuloso Doutor Destino chorava (veja na imagem abaixo). Houve, com o passar dos meses, outras publicações semelhantes. Só para citar um exemplo, o Capitão América (aquele da 2ª Guerra) passou a caçar terroristas.

A invasão norte-americana no Iraque – ainda não resolvida - fez a popularidade de Bush cair vertiginosamente. Havia um novo sentimento no povo norte-americano, sintetizado no documentário "Farenheit 11/9", do polêmico Michael Moore. Os soldados estavam morrendo. E nada parecia justificar racionalmente o conflito. Os quadrinhos passaram a refletir esse sentimento. É difícil dizer a data exata da virada na abordagem, mas parece ser 2004. Alguns escritores da DC Comics começaram a dar cutucadas na política externa dos Estados Unidos. Um caso. Joe Kelly escreveu uma história da Liga da Justiça (publicada aqui no número 25 da revista homônima) em que Super-Homem tem uma série de visões. Numa delas, argumenta com o então presidente Lex Luthor sobre a irracionalidade de uma invasão a um país indefeso. Luthor, metáfora de Bush, responde aos gritos que invadirá, sim: "É assim que manteremos a paz. Mostrando a terroristas e ditadores que eles não podem desafiar a ONU. Se o Conselho de Segurança não entende isso os Estados Unidos suportarão esse fardo sozinhos se for preciso. Infelizmente, não vejo outra saída". Oficialmente, o tom de crítica fica para o leitor mais atento, já que a história não passa de uma visão do homem de aço. Outro exemplo, também já publicado no Brasil, é de autoria de Greg Rucka e tem a esposa do Super-Homem como protagonista. Lois Lane não aceita receber notícias do exército norte-americano, como os demais repórter se sujeitaram a aceitar. Ela não queria o discurso oficial, compartilhado por todos os jornais e redes de televisão. Perry White, seu editor, alerta que sair das asas do governo implicaria correr riscos desnecessários na região do conflito. Resposta: "O governo vai controlar a reportagem, Perry. Se não diretamente, vai restringir acesso e censurar o que eu mandar. Me deixe pegar a história inteira" (leia diálogo abaixo). Lois foi.

Há, certamente, outros exemplos. Hoje, as produções fazem a crítica de forma ainda mais acirrada e explícita. Um caso é o álbum "A sombra das torres ausentes", de Art Spiegelman (pela Companhia das Letras). Outro é "9/11 Report", versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas, recém-lançado nos Estados Unidos e que solta várias farpas na direção de Bush. De cinco anos para cá, os quadrinhos deixaram de produzir histórias ufanistas sobre os ataques do 11 de Setembro e seguiram o comportamento crítico do povo norte-americano. Tal qual na 2ª Guerra Mundial, o comportamento dúbio é um reflexo do sentimento vivido pela sociedade, coerente apenas com esse sentimento. Tudo o que lemos é um reflexo do social? Tudo indica que sim.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 12h40
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05.09.12
Cerimônia do adeus - Revista mineira "Graffiti 76% Quadrinhos" será cancelada no número 23
- Iniciada em 1995, era uma das mais antigas publicações independentes do país
- Um dos editores planeja usar experiência na criação de uma editora de quadrinhos

A revista "Graffiti 76% Quadrinhos" deixará de existir. O último adeus será dado com a publicação do 23º número, que tem lançamento nesta quinta (06.09) em Belo Horizonte. O cancelamento põe fim a uma das mais antigas publicações independentes de quadrinhos do país. Iniciada em 1995, antecipou a tendência de autopublicação explorada hoje no país. Segundo Fabiano Barroso, um dos editores da revista, houve uma soma de fatores que levaram à decisão, que atendem pelas faltas de motivação, recursos e tempo. O alento é que ele planeja levar a experiência acumulada para um selo editorial, que também terá como proposta o lançamento de quadrinhos. *** Ao longo desses 17 anos de existência, a "Graffiti 76% Quadrinhos" era tida como uma referência no circuito alternativo brasileiro de quadrinhos. Passaram pelas páginas da revista mais de cem autores, tanto nacionais quanto de outros países. A proposta era reunir histórias curtas de cada um deles a cada número. Paralelamente, o grupo mineiro produziu uma coleção de narrativas mais longas, produzidas no formato álbum. Foram publicados cinco números ao todo, o último no começo do ano. O blog conversou com Barroso por e-mail. Ele fez um depoimento sobre os motivos que levaram ao fim da revista. Depoimento que fala por si e que pode ser lido a seguir. *** O projeto terminou porque não nos sentimos mais tão à vontade fazendo a Graffiti. Ela se tornou, creio que a partir do número 22 (mas já havia indícios antes), uma proposta editorial um tanto maneirista, o que não condiz com o espírito inicial da revista. A Graffiti já foi uma exploradora de tendências, um laboratório, aonde fazíamos e incentivávamos experiências usando o quadrinho como tema central. Editorialmente falando, nós contribuímos para abrir portas importantes dentro do restrito e intrincado mercado de quadrinhos nacional, pois entramos pela porta do fanzine, mas tendo sempre a pretensão de fazer um produto de luxo, graficamente falando. Ou seja, ajudamos a inaugurar um modo de fazer & publicar quadrinhos que, no início, era o modelo a ser alcançado. Depois passou a ser tendência. Agora é usual e, quase, obrigatório. Ou seja, enquanto todo mundo evoluiu, a Graffiti estacionou e, hoje, temos dificuldade para sair do lugar onde estamos, seja por motivação, por tempo ou por recursos financeiros e estruturais. A Graffiti é movida por projetos. A cada final de projeto, nos reunimos para planejar o(s) próximos projetos, se envolverão lei de incentivo, se terão edições 100% quadrinhos, temáticas, nomes de autores, etc. O atual projeto envolveu a publicação de duas edições regulares (22 e a que estamos lançando, 23) e um álbum (A Rua de Lá, do Alves).
Ele chegou ao final, quer dizer, tem a fase de lançamentos, distribuição e tal, mas a produção chegou ao fim, e consequentemente nos reunimos para ver o que faremos. Assim, decidimos que não faremos mais revistas, pelos motivos que citei.
Dos álbuns pendentes, o único que chegou a ser divulgado foi o do Bruno Azevêdo [O Pôço]. Pretendemos, sim, realizar projetos diferentes, mas ainda não podemos afirmar que a Coleção 100% Quadrinhos está entre eles. Um destes projetos já está em início de produção, e não envolve diretamente os quadrinhos.
Do ponto de vista estratégico, pode ser interessante formalizar um selo Graffiti. Falamos sobre isso por alto, mas ainda temos que acertar os pontos. Pessoalmente tenho a pretensão de montar uma pequena editora e publicar quadrinhos (meus e de outros) nos moldes que sempre publiquei.
Na verdade, a editora já existe juridicamente, desde o início do ano, mas não pude me dedicar a ela como gostaria, justamente por causa da Graffiti. Então, espero consolidar esta editora a partir do ano que vem, usando ou não o nome da Graffiti e a parceria com os membros.
A princípio, é um projeto pessoal. Pode ou não envolver meus parceiros, mas todos têm obrigações profissionais que, talvez, sirvam como impedimento. No meu caso, pretendo me dedicar de forma (quase) exclusiva.
Pretendo publicar trabalhos na linha do que sempre busquei publicar na revista e nos álbuns. Tenho pretensões de ser competitivo, vender, procurar os programas de compra de livros pelos governos, mas sem perder de vista os motivos pelos quais entrei nessa.
A Graffiti é formada por Pablo Pires (jornalista) e Piero Bagnariol (quadrinista e educador), que fundaram a revista há 17 anos. Eu entrei em janeiro de 1996, aos 18 anos, como distribuidor da recém-lançada número zero. Rafael Soares entrou em 1997, como produtor. E a Alexandra Martins, jornalista, entrou em 2008.
*** Serviço - Lançamento da "Graffiti 76% Quadrinhos" # 23. Quando: quinta-feira (06.09). Horário: 21h. Onde: CCCP. Endereço: rua Levindo Lopes, 358, Savassi, Belo Horizonte (MG).
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Escrito por PAULO RAMOS às 00h28
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02.09.12
Convite 
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Escrito por PAULO RAMOS às 19h15
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22.08.12
Krazy Kat escondido nas bancas - Personagem aparece na revista "Popeye", lançada este mês nas bancas
- Histórias do norte-americano George Herriman foram produzidas na década de 1930
- Publicação da Pixel, programada para ser mensal, reúne tiras criadas nos EUA

Não é a primeira vez que se comenta neste blog que, de quando em quando, a visita às bancas de jornal reserva alguma surpresa. A desta vez atende pelo nome de Krazy Kat. Criado e publicado pelo norte-americano George Herriman nas primeiras décadas do século passado, o personagem integra as páginas da revista "Popeye" (Pixel, 68 págs., R$ 4,50). O título foi lançado este mês e reúne quadrinhos distribuídos pela King Features Syndicate, empresa estadunidense que há décadas se especializou no ramo de tiras. O gato Krazy Kat aparece em cinco páginas da revista, cada uma com uma história completa. Segundo os créditos da revista, todas foram produzidas na década de 1930. *** O formato semelhante ao das revistas infantis sugere que "Popeye" dialogue com o leitor mais jovem - é vendida ao lado dos quadrinhos Disney e de Mauricio de Sousa. Krazy Kat, no entanto, é para adultos. O gato protagonista já era vítima de bullying antes mesmo do termo se popularizar na última década. O agressor era o rato Ignatz, que já era politicamente incorreto quase um século antes de a expressão se cunhar aqui no Brasil. O camundongo enfrentava abertamente o guarda Pupp - um cachorro - e adorava dar tijoladas na cabeça do gato - que, mesmo assim, se sentia apaixonado pelo rato. *** Krazy Kat tinha um jeito peculiar de fala, característica eliminada na tradução das cinco histórias publicadas pela Pixel. A editora, ligada ao grupo Ediouro, tem procurado claramente expandir e diversificar seu catálogo de revistas em quadrinhos vendidas nas bancas de jornal. A proposta é apostar personagens que foram populares décadas atrás. Além de "Popeye" e das demais tiras reunidas na publicação, a empresa também lançou neste mês títulos próprios de "Gasparzinho" e "Riquinho" (52 págs., R$ 3,10 cada um).  A primeira experiência da Pixel com histórias clássicas dos quadrinhos norte-americanos ocorreu no ano passado, com o lançamento da revista "Luluzinha" - hoje no número 17. Dois meses depois, a editora pôs à venda um título próprio do amigo dela, "Bolinha". Os dois personagens vinham sendo publicados, até então, pela Devir, em formato álbum. Neste ano, a Pixel mesclou o rol de publicações entre as tiras da King Features Syndicate e as criações da Harvey. Do primeiro, vieram as revistas "Recruta Zero" e, agora, "Popeye". Da Harvey, os quadrinhos de Gasparzinho e Riquinho. *** Aos olhos da história, não é a primeira vez que uma editora brasileira tenta conquistar mercado com Luluzinha, Bolinha e Gasparzinho. A extinta editora de O Cruzeiro entrou no mercado de quadrinhos na década de 1950 justamente com revistas próprias desses personagens - "Luluzinha" estreou em 1955. Todos, depois, migraram para outras editoras. A Pixel ingressou no mercado de bancas com quadrinhos dos selos adultos da DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem. A experiência foi abandonada e a empresa se redirecionou para o público infantojuvenil. A reestreia se deu com Luluzinha Teen, uma versão adolescente da personagem.
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Escrito por PAULO RAMOS às 18h01
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20.08.12
2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos - Congresso de quadrinhos será realizado entre 20 e 23 de agosto de 2013
- Inscrições serão feitas em site próprio, que entrará no ar mês que vem
- Encontro internacional irá ocorrer na Escola de Comunicações e Artes da USP

A organização das Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos definiu a data da segunda edição do congresso. O encontro será realizado entre 20 e 23 de agosto de 2013. O endereço será o mesmo da edição passada, as salas e o auditório da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo (ECA-USP). Houve, no entanto, algumas mudanças em relação ao primeiro evento, realizado em 2011. Desta vez, haverá uma tarde a mais para exposição dos trabalhos. Outra alteração será no processo de inscrição, antes feito por e-mail. Quem for participar irá informar todos os dados e enviar os resumos e os textos por meio de um site. *** A página virtual está em processo de construção. A programação é que esteja no ar até o final de setembro, quando será veiculada a primeira chamada para os trabalhos. Os inscritos no congresso poderão participar de duas formas. Uma é com a apresentação de uma comunicação individual, nome dado às exposições de temas acadêmicos. A outra forma é como ouvinte, sem que haja a obrigatoriedade de expor de alguma pesquisa. Nesse caso, a pessoa apenas assiste aos debates e às palestras. Em ambos os casos, há a necessidade de inscrição por meio do site e de pagamento da taxa de inscrição. Os valores ainda serão divulgados. *** A primeira edição do congresso surgiu com a ideia de agregar num único congresso pesquisas acadêmicas sobre quadrinhos realizadas em diferentes partes do país e do exterior. Até então, iniciativas como essa, e desse porte, não haviam sido feitas no Brasil. O número trabalhos inscritos em 2011 superou as expectativas mais otimistas da comissão organizadora. Foram cerca de 350 resumos. Isso motivou a tarde extra desta nova edição. O congresso é vinculado ao Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP e conta com uma comissão científica, formada por doutores de diferentes instituições universitárias. Participo da organização, ao lado dos professores Waldomiro Vergueiro (USP) e Nobu Chinen (Faculdades Oswaldo Cruz/USP).
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Escrito por PAULO RAMOS às 15h42
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13.08.12
ProAC reduz número de projetos pela metade - Edital paulista de incentivo à produção de HQs irá selecionar cinco propostas
- Nas edições passadas, programa cultural financiava dez projetos de histórias
- Valor total a ser aplicado também caiu: de R$ 250 mil para R$ 200 mil
O edital deste ano do ProAC (Programa de Ação Cultural), mantido pelo Estado de São Paulo, diminuiu pela metade o número de projetos de quadrinhos a serem selecionados. O governo paulista irá financiar desta vez cinco propostas, que serão avaliadas por uma comissão a ser formada. Nas edições anteriores, eram dez. O texto deste ano traz ainda outras duas mudanças. Primeira: os autores terão 12 meses para finalizar os trabalhos. Antes, eram oito meses. Segunda mudança: será maior o valor pago aos vencedores do processo seletivo. Cada um receberá R$ 40 mil, ao contrário dos R$ 25 mil dos outros anos. *** Na ponta do lápis, no entanto, significa que o governo paulista investe menos no edital. Os trabalhos selecionados neste 2012 somarão R$ 200 mil. Em cada uma das edições anteriores do ProAC, pagavam-se R$ 250 mil ao todo. O edital não informa o porquê das mudanças. O texto entrou no ar nesta segunda-feira (13.08) no site da Secretaria de Estado da Cultura. Os autores, que precisam morar no Estado, têm até 1º de outubro para se inscreverem. Segundo o edital, os resultados serão divulgados em dezembro. O programa tem sido um dos principais fomentadores de produção de quadrinhos no país nos últimos anos.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h26
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24.07.12
Mesma franquia, diferentes influências - Trilogia de Batman no cinema exerce variadas influências nas pessoas
- Nos EUA, pode ter levado um jovem a realizar massacre em exibição do longa
- Para todos os demais, produção tem impacto bem mais positivo e pacífico

Tive de resolver uns assuntos num shopping de São Paulo neste início de semana.
No corredor do centro comercial, lá longe, via um pingo de gente com uma roupa preta e capa, ao lado do que parecia ser o pai. O passo apressado, sempre apressado, ia aproximando a imagem do garoto. Não devia ter mais que três anos. A vestimenta era o que eu já suspeitava: uma fantasia de Batman. Todo cheio de si, o menino desfilava pela (e para a) multidão. Passei por ele, sorri, recebi outro sorriso como resposta. Na cabeça do garotinho, ele era mesmo o super-herói. *** A cena contrastava com a vivida no extremo norte do continente, na sexta-feira passada (20.07). Em Aurora, subúrbio de Denver, nos Estados Unidos, uma sessão de estreia de "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" foi marcada por um massacre. James Holmes, de 24 anos, invadiu a sala armado com fuzil, escopeta e pistola automática. Usou a plateia como alvo. Com os cabelos pintados, teria dito ser o Coringa. Doze pessoas morreram. Cinquenta e oito ficaram feridas. *** A tragédia vista nos Estados Unidos é lamentável por todos os ângulos por onde se olhe. Nada justifica a ação de Holmes. Ele foi influenciado pelos dois filmes anteriores de Batman, exibidos em 2005 e 2008? Se o que ele e a imprensa disseram for mesmo verdade, é até possível. Mas turvar ficção e realidade, aos 24 anos de idade, é algo fora do padrão. Revela um distúrbio de alguma natureza. Precisa ser diagnosticado por quem entende do ramo. Os outros milhares de espectadores que viram os mesmos longas-metragens, por outro lado, influenciaram-se de maneira bem diferente e não violenta. *** É difícil medir a recepção de uma narrativa, cinematográfica ou não, baseada nos quadrinhos ou não, na vida de uma pessoa. Difícil porque se ancora na subjetividade. Pode ser que alguém tenha ficado assustado com os filmes de Batman, a ponto de não conseguir nem olhar para a tela... Pode ser que alguém tenha vibrado ao ver o herói tão bem representado pelo diretor Christopher Nolan... Pode ser que alguém tenha idolatrado os longas... Pode ser que alguém os tenha odiado... Pode ser que alguém nem tenha assistido a eles... *** Talvez um norte-americano tenha se inspirado no problemático vilão do segundo filme da franquia para assassinar uma dúzia de norte-americanos e ferir outras dezenas. No Brasil, poucos dias depois, um garotinho se baseava no mesmo herói e usava a fantasia do personagem para lutar contra o mal nos corredores de um shopping paulistano. À maneira dele, sempre ao lado do fiel mordomo paterno... Uma mesma narrativa conduz a diferentes percepções e reações. Se uma delas pode ter levado a um massacre, não pode resumir todas as demais, nem ser a regra contra o filme. *** Só para ficar claro: o garotinho vestido de Batman mostrado no alto da postagem não é o mesmo que vi no shopping; a foto é de um dos sites que comercializam essas fantasias.
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Escrito por PAULO RAMOS às 13h48
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20.07.12
Ela agora é loira? É, sim. Resultado do ctrl alt del - Novo filme de Homem-Aranha repete na tela recriações dos quadrinhos
- Sistemáticas mudanças e renascimentos são comuns nos super-heróis
- Uma das mudanças do longa foi a troca da namorada do personagem

"Ué, trocaram de namorada? Ela agora é loira?" A frase, vinda da fileira de trás, interrompeu o silêncio da sala de cinema onde assisti a "O Espetacular Homem-Aranha", novo batismo do super-herói, em cartaz desde sexta-feira da semana passada (13.07). Imediatamente, em bom tom de voz, o que parecia ser o namorado da moça tentou responder à questão. "É que, nos primeiros filmes, a parceira dele era a Mary Jane, que era ruiva. Agora é outra, a Gwen Stacy." Ouviu um surpreso "aaaahh" como comentário final. *** Apesar de ter sido dita num lugar em que se espera ouvir poucas palavras, a pergunta feita pela vizinha de plateia é eloquente. A questão resume bem o ponto central do filme. Cinco anos depois de encerrada a versão anterior do personagem no cinema, cria-se uma nova realidade para o super-herói, recontando sua origem e impondo a ele nova parceira. Mudou a forma como o adolescente Peter Parker (Andrew Garfield) foi picado por uma aranha radioativa, o modo como o tio dele, Ben, foi assassinado, o jeito como se porta. De lentes de contato a um skate, sempre embaixo do braço, ele é uma releitura atualizada do rapaz tímido, introspectivo e de Q.I. acima da média mostrada nos filmes e nas revistas. *** O que o longa-metragem dirigido por Marc Webb faz é reproduzir na tela uma característica comum aos quadrinhos de super-heróis: o "control alt del" narrativo. De quando em quando, as editoras que publicam os super-seres tentam mexer com as histórias de seus personagens, de modo a atrair novos leitores e os olhares midiáticos. (Ou as pessoas acham que um dos lanternas verdes, antes pai de dois filhos, ser reconstruído como personagem gay foi mero acaso? Se bem que a mídia daqui até achou...) Para ficarmos apenas no Homem-Aranha, ele já foi circulou por um número considerável de teias narrativas. Tudo para criar o desejável ar de novidade editorial. *** Ele já derrotou um clone de si mesmo apenas para, década e meia depois, descobrir que era exatamente o contrário: o clone é que era o verdadeiro Peter Parker, e não ele. A troca foi desfeita. E desfeita de novo, porque os leitores, com toda a razão, sentiram-se ludibriados por terem lido anos a fio as aventuras de um herói falso. Anos atrás, ele revolou a identidade secreta ao mundo. Novo erro editorial, refeito por mágica - literalmente: Mefisto, um poderoso demônio, mudou a realidade do Homem-Aranha. A alteração foi um pretexto editorial para que as histórias do herói fossem narradas anos antes, mais ou menos da forma quando foi criada, no começo dos anos 1960. *** A Gwen Stacy vista no cinema existiu nos quadrinhos. A primeira versão dela - por conta das reviravoltas, houve outras, até em outras realidades - também era namorada de Parker. A moça morreu nas mãos do Duende Verde. Anos depois, o herói se aproximou, apaixonou e casou com Mary Jane, a mesma mostrada nos três filmes, de 2002 a 2007. Assim como nos quadrinhos, agora se refaz tudo. Sai a ruiva, entra a loira (interpretada por Emma Stone). E o motivo do natural estranhamento da colega de plateia. Afinal, tudo mudou em relação ao último filme da trilogia, exibido em 2007. Espaço de tempo muito curto para que os longas anteriores já tivessem saído da memória coletiva. *** O resultado é mais um filme-pipoca. Despretensioso e com roteiro simples, traz bons toques de ação e interpretação convincente do grupo de atores, inclusive os protagonistas. O vilão da vez é o Lagarto, uma mutação feita pelo pesquisador Curt Connors em si mesmo. Sem um dos braços, ele procurava na capacidade regenerativa do animal uma esperança para retomar o membro. Ao injetar um soro ainda em testes, torna-se o selvagem Lagarto. Mas isso é apenas enredo. O principal é que cada vez mais a tela grande reproduz o modo como os quadrinhos de super-heróis são feitos. E o filme faz exatamente isso. *** Aos leitores de quadrinhos que virem o longa-metragem, ou que já viram, é apenas mais do mesmo em versão cinematográfica. De releitura em releitura constrói-se um herói. Mas a novidade é que o mesmo modus operandi editorial é feito, agora, para um público mais amplo, o dos espectadores do cinema. Nem todos, diga-se, leitores de quadrinhos. Os números de "Vingadores", exibido meses atrás, mostram que é uma legião ampla. Gente que passa a se sujeitar a narrativas que se cruzam e a sucessivas releituras. O cinema tem reproduzido não apenas os super-heróis e suas histórias, mas também o modelo editorial que os mantém. Cria-se uma geração de novos leitores. Na tela grande.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 23h51
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15.07.12
Mais um convite 
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 18h11
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09.07.12
Um convite 
Só reforçando: no final, vai haver sessão de autógrafos de obras de Marcatti e de "Revolução do Gibi - A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil", nosso último livro. Fica o convite.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h08
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01.07.12
FIQ 2013 irá homenagear Laerte - Informação foi divulgada neste fim de semana durante premiação do Troféu HQMix
- Festival de quadrinhos será realizado entre 13 e 17 de novembro, em Belo Horizonte
- E-mail de convite ao autor pede "clemência" pelo aceite dele, já confirmado

O cartunista Laerte Coutinho será o homenageado da próxima edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), que será realizado no ano que vem em Belo Horizonte (MG). A informação foi oficializada no último sábado, pela organização do evento, durante a cerimônia de premiação do Troféu HQMix, o principal da área de quadrinhos no país. O desenhista, também presente na premiação, confirmou o aceite. "Nós sabemos que ele não gosta muito de homenagens", disse Afonso Andrade, um dos responsáveis pelo FIQ. "Mas decidimos fazer o convite assim mesmo. A gente é apaixonado pelo trabalho dele." *** A organização do festival mineiro decidiu tornar público o e-mail convite enviado ao cartunista. O texto já aparece no site do evento de quadrinhos. O tom da mensagem virtual é de admiração, mas sem perder o bom humor, uma das marcas da trajetória de Laerte. As linhas iniciais pedem "clemência" por um aceite dele. A carta registra ainda a importância do desenhista, que iniciou a carreira na primeira metade da década de 1970, na revista independente "Balão". Nos anos seguintes, ganhou destaque em salões de humor e na imprensa sindical. Nas décadas de 1980 e 90, foi um dos autores da editora Circo. Fez também textos para a TV. *** Na mesma época, inaugurou uma tira, "Piratas do Tietê", veiculada diariamente no jornal "Folha de S.Paulo". Por lá, desfilou mais de uma dezena de criações suas. Nos últimos anos, Laerte tem se reinventado no espaço das tiras. O título permanece o mesmo. Mas os personagens foram aposentados. No lugar, passou a criar experimentações gráficas e temáticas, que não necessariamente dialogam com o humor. Na internet, batizou essas histórias de "Manual do Minotauro". Laerte foi premiado com o HQMix de melhor tira de 2011. O FIQ, com o de melhor evento da área. O festival de 2013 irá ocorrer entre 13 e 17 de novembro, na Serraria Sousa Pinto. *** Nota: agradeço a Benedito Nicolau por dividir comigo a foto de Laerte, tirada no último sábado durante entrega do Troféu HQMix, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo.
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Escrito por PAULO RAMOS às 21h45
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27.06.12
Bem-vindo de volta, Pelezinho - Personagem inspirado no jogador de futebol será relançado neste ano
- Histórias serão reeditadas em três publicações, uma delas só com tiras
- Acordo entre Mauricio de Sousa e Pelé foi divulgado nesta quarta-feira

A assessoria de imprensa de Mauricio de Sousa procurou manter o mistério sobre a coletiva de imprensa com o autor e Pelé, realizada nesta terça-feira em São Paulo. Mas o tema estava subentendido no próprio convite, enviado por e-mail aos jornalistas. Um encontro entre o criador da Turma da Mônica e o ex-jogador só poderia sinalizar para algo sobre Pelezinho, que foi publicado entre o fim da década de 1970 e o início da de 80. Dito e feito. A volta do personagem inspirado em Edson Arantes do Nascimento irá ocorrer em agosto, na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. *** Segundo a assessoria de imprensa de Mauricio de Sousa, as histórias do personagem serão reeditadas em três publicações, com periodicidades diferentes. "As Tiras Clássicas de Pelezinho" fará o que o título da obra nome sugere, relançar as tiras de jornal. Serão 360 piadas a cada volume, que terá 128 páginas. "As Melhores Aventuras de Pelezinho" foi pensada para ter 68 páginas e ser bimestral. "Pelezinho Coleção Histórica" sairá a cada quatro meses e terá mais páginas, 160. A diferença entre as duas revistas é que a coleção histórica irá retomar as histórias em ordem cronológica, na sequência em que saíram pela primeira vez no país. *** A revista "Pelezinho" estreou em agosto de 1977 e foi publicada pela editora Abril até maio de 1982. Somou 58 números. As histórias enfocavam o protagonista e seus amigos. Mauricio de Sousa ensaiava um retorno do personagem há mais de dois anos. Em entrevista ao blog em fevereiro de 2010, o desenhista e empresário disse que pretendia retomar a série, nas bancas, por ocasião da Copa do Mundo da África do Sul. Meses depois, soube-se que o acordo com Pelé não foi adiante. Mas volta agora, de olho em outro Mundial, o de 2014, que será sediado aqui no Brasil.
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Escrito por PAULO RAMOS às 19h40
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25.06.12
Convite 
Além dos dados acima, há duas outras informações rápidas sobre o lançamento em BH. A primeira é que o livro será vendido com desconto, a R$ 40. Vai haver também alguns exemplares de Faces do Humor, também mais baratos, a R$ 35. (Quem quiser levar os dois, sairá por R$ 70). A segunda informação é que não vai haver máquinas de débito. Leve dinheiro trocado, ok?
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Escrito por PAULO RAMOS às 18h29
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21.06.12
Esta semana marca virada dos quadrinhos nacionais - Semana soma quatro lançamentos de autores brasileiros, três deles via ProAC
- Número contrasta com os 5 primeiros meses do ano, dominados por obras de fora
- Tendência é de retomada do ritmo de trabalhos nacionais neste próximo semestre

Um dos editores de quadrinhos explicou certa vez o papel dos lançamentos estrangeiros num catálogo que se propõe a ter também produções feitas por autores brasileiros. Enquanto não ficam prontas as obras nacionais, em princípio mais demoradas de finalizar, mescla-se o cardápio editorial com as de fora, mais rápidas de serem trabalhadas. Se a máxima for posta à risca, os projetos nacionais demoraram mais do que o previsto neste 2012. Até a semana passada, o domínio foram de álbuns de outros países. E eles continuarão vindo nos próximos meses. Mas há uma novidade no ar. Esta semana marca a virada nos lançamentos nacionais que, enfim, começam a dar as caras neste ano. *** A precisão da informação pede que se registre que houve álbuns brasileiros lançados meses atrás. Três deles: "Adormecida: Cem Anos para Sempre", um trabalho antigo de Paula Mastroberti (8Inverso), o erótico "Juliet Circus", de Victor Diógenes (Conrad), a reedição de "Avenida Paulista" (Quadrinhos na Cia.), de Luiz Gê. Mas nada comparado à enxurrada estrangeira vista até a semana passada, todos de destaque: "O Eternauta" (Martins), "Wilson" (Quadrinhos na Cia.), "Dora" (Zarabatana) ... ... "Incal Integral" (Devir), "Fracasso de Público - Adeus" (Gal), "O Gosto do Cloro" (Barba Negra), "Fierro Brasil 2" (Zarabatana), "O Paraíso de Zahra" (Barba Negra) ... ... "A Trilogia Nikopol" (Nemo), "Moebius - O Homem é Bom?" (nesta semana sai outro álbum do autor francês, "Garagem Hermética", ambos pela Nemo) ... ... sem falar nos mangás ("Dragon Ball", One Piece" e "Cavaleiros do Zodíaco" voltaram a ser pulicados, os dois primeiros pela Panini, o último pela JBC) ... ... e nas coletâneas norte-americanas ("Os Mortos-Vivos", pela HQM, "Ex Machina", "Fábulas", "Y - O Último Homem" e "100 Balas", todos pela Panini). E olha que há mais. Como se vê, não é pouca coisa, que acabou por sombrear os poucos lançamentos nacionais. Mas, como dito anteriormente, esta semana começa a reequilibrar a balança. *** Dos quatro trabalhos nacionais novos que começam a ser vendidos nesta semana, três deles são frutos do ProAC (Programa de Ação Cultural). O edital paulista tem selecionado anualmente dez projetos de álbuns e paga R$ 25 mil aos autores para viabilizar a obra. Oficinas e doação de 200 exemplares são a contraparte. "Acordes", de Rogério Vilela, e "Jambocks Parte 2 - Defendendo o Canal do Panamá", de Celso Menezes e Felipe Massafera (R$ 29,50 e R$ 31,50 respectivamente, pela Devir). Os dois projetos pertencem a edições anteriores do ProAC e não haviam sido finalizados. Pelo edital, deveriam ser publicados em oito meses, com chance de prorrogação. *** "Fade Out - Suicído sem Dor" é o primeiro trabalho do último edital a ser lançado (Via Lettera, R$ 19,90). É de Beto Skubs (texto), Rafael de Latorre (arte) e Marcelo Maiolo (cor). A história inicia com o protagonista, Kurt, minutos antes de sua morte. O restante da obra mostra as reviravoltas narrativas que levaram a que ele chegasse àquela situação. Os autores fazem uma sessão de autógrafos da obra nesta sexta-feira, dia 21, em São Paulo (às 20h, na Quanta Academia de Artes, na rua Dr. José de Queirós Aranha, 246). Um dia depois, também na capital paulista, no sábado, às 16h, Rafael Campos Rocha lança "Deus, Essa Gostosa" (na Livraria da Vila, na unidade da rua Fradique Coutinho, 915). *** Provocadora, a obra representa Deus como uma mulher negra, que adora os prazeres do mundo. A protagonista, para se ter uma ideia, é dona de uma sex shop. Segundo o autor, não se trata de uma coletânea, mas de uma "saga que pretendo desenvolver em três livros, se vocês comprarem esse e deixarem meu editor muito feliz". O editor em questão é André Conti, que cuida da Quadrinhos na Cia. O próximo trabalho da editora, anunciado para este mês, é "Diomedes", reedição da mais importante história em quadrinhos de Lourenço Mutarelli, a "trilogia de quatro partes" de "O Dobro de Cinco". Nas próximas semanas, a editora põe à venda uma coletânea de Rê Bordosa, de Angeli. E, no semestre que vem, um álbum inédito de Gustavo Duarte, entre outros projetos nacionais. *** Gustavo Duarte será destaque com outro trabalho também. Ele será um dos autores de uma série de quatro álbuns com personagens de Mauricio de Sousa. Danilo Beyruth, Shiko e os irmãos Vitor e Lu Caffagi também integram o projeto. Se não houver nenhuma mudança de rumo, os primeiros volumes chegam no próximo semestre. Um semestre que reserva ainda muitos outros trabalhos. Do que se sabe, há pelo menos nove projetos do ProAC passado. Uma adaptaçõ de "Dom Casmurro", pela Devir, e "Sabor Brasilis", pela Zarabatana, são dois deles, já com editora certa. Além dos de outras edições do edital, em atraso. *** A Barba Negra programa três álbuns, resultados de concurso de seleção de roteiros, realizado no ano passado. Adão Iturrusgarai terá uma coletânea de tiras pela Zarabatana. Antes disso, já nesta virada de semestre, Arnaldo Branco lança antologia de cartuns seus, "O Mau Humor", pela editora Flaneur. E já circulam informações de que estão prontos os álbuns "O Inimaginável", de Vitor Batista, de Fortaleza, e uma adaptação de "Ensaio do Vazio", de Carlos Henrique Schroeder. O trabalho irá contar com desenhos de cinco quadrinistas: os argentinos Berliac e Manuel Depetris e os brasileiros Pedro Franz, Diego Gerlach e Leya Mira Brander. *** Nas adaptações, febre nos últimos anos com olhos nas listas governamentais, já há sinais de fumaça de "O Quinze", de Shiko, e "O Ateneu", de Marcello Quintanilha. E virão outras. Como virão também mais álbuns estrangeiros, alguns bem relevantes, como "Crônicas de Jerusalém", de Guy Delisle, pela Zarabatana. Mas os trabalhos de fora irão ladear a lista de lançamentos com os nacionais, que, enfim, começam a sair dos escritórios das editoras e das pranchetas dos autores. Sem falar dos independentes, que hibernam até os próximos encontros de quadrinhos - Gibicon, em Curitiba, e Rio Comicon, no Rio. Como se vê, a virada nacional começou.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h24
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18.06.12
E o Troféu HQMix vai para... - Gustavo Duarte, Mauricio de Sousa e David Mazzucchelli são os destaques
- Autores foram premiados com três troféus cada um, em diferentes categorias
- Vencedores foram divulgados na tarde desta segunda; entrega será dia 30, em SP

O desenhista Gustavo Duarte, o criador da Turma da Mônica e empresário Mauricio de Sousa e o estadunidense David Mazzuchelli foram os destaques do Troféu HQMix. Cada um deles conquistou em três categorias da premiação deste ano, a principal na área de quadrinhos no país. Os nomes foram divulgados na tarde desta segunda-feira. Duarte foi escolhido o melhor caricaturista. A revista "Birds", escrita e desenhada por ele, venceu como publicação de aventura/terror/ficção e publicação independente de autor. "MSP - Novos 50", da Mauricio de Sousa Produções e publicado pela Panini, ganhou como publicação mix e projeto editorial. E "Turma da Mônica Jovem", como infanto-juvenil. *** "Asterios Polyp" repetiu o histórico de premiações que obteve nos Estados Unidos há dois anos. A obra do Quadrinhos na Cia. foi eleita a melhor edição especial estrangeira. David Mazzucchelli acumulou também os prêmios de melhor desenhista e roteirista estrangeiro. Nas demais categorias, houve autores que somaram dois prêmios cada um. André Diniz venceu como melhor roteirista nacional e seu álbum, o biográfico "Morro da Favela", como edição especial nacional. Lelis, autor de "Saino a Percurá", ganhou como melhor desenhista nacional. Outra obra sua, "Clara dos Anjos", feita em parceria com Wander Antunes, foi a melhor adaptação. *** A sétima edição do Festival Internacional de Quadrinhos, realizado ano passado em Belo Horizonte (MG), foi escolhido o melhor evento de 2011. E uma de suas mostras, "Criando Quadrinhos", de Ivan Costa, foi lembrada como melhor exposição. Mauro dos Prazeres, sócio fundador da editora Devir, falecido no começo do ano, e o álbum independente "Achados e Perdidos" receberão homenagens especiais. Cada um dos premiados receberá um troféu com o molde do personagem Sacarrolha (imagem acima). Veja a seguir a lista completa dos premiados do Troféu HQMix deste ano: *** Adaptação para os Quadrinhos Clara dos Anjos - Wander Antunes e Marcelo Lelis
Caricaturista Gustavo Duarte
Cartunista Dalcio Machado
Chargista Angeli
Desenhista Estrangeiro David Mazzucchelli
Desenhista Nacional Marcelo Lelis
Destaque Internacional Fábio Moon e Gabriel Bá
Destaque Latino-americano Fierro (Argentina)
Edição Especial Estrangeira Asterios Polyp - David Mazzucchelli
Edição Especial Nacional Morro da Favela - André Diniz
Editora do Ano Leya/Barba Negra
Evento 7º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos)
Exposição Criando Quadrinhos - Ivan Costa
Grande Contribuição FanZines nas Zonas de Sampa
Grande Mestre Marcatti
Homenagem Especial Mauro dos Prazeres (sócio-fundador da editor Devir, morto neste ano)
Homenagem Especial Achados e Perdidos - Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno "Ito"
Livro Teórico Ângelo Agostini - Gilberto Maringoni
Mídia sobre Quadrinhos Mundo dos Super-Heróis
Novo Talento - Desenhista Magno Costa e Marcelo Costa
Novo Talento - Roteirista Vitor Cafaggi
Produção para Outras Linguagens Angeli 24 Horas - Beth Formaggi
Projeto Editorial MSP Novos 50 - Mauricio de Sousa
Publicação de Aventura/Terror/Ficção Birds - Gustavo Duarte
Publicação de Clássico Arzach - Moebius
Publicação de Humor Gráfico Uma Patada com Carinho - Chiquinha
Publicação de Tira Macanudo - Liniers
Publicação Erótica Black Kiss - Howard Chaykin
Publicação Independente de Autor Birds - Gustavo Duarte
Publicação Independente de Grupo Café Espacial
Publicação Independente Edição Única O Louco, a Caixa e o Homem - Daniel Esteves e Will
Publicação Infantojuvenil Turma da Mônica Jovem - Mauricio de Sousa
Publicação Mix MSP Novos 50 - - Mauricio de Sousa
Roteirista Estrangeiro David Mazzucchelli
Roteirista Nacional André Diniz
Salão e Festival 3º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro
Tira Nacional Manual do Minotauro - Laerte
Web Quadrinhos Terapia - Mario Cau, Marina Kurcis e Rob Gordon
Web Tiras Um Sábado Qualquer - Carlos Ruas *** Os vencedores foram divulgados no blog do troféu. A página informa que falta definir ainda três categorias: o melhor doutorado, mestrado e trabalho de conclusão de curso de 2011. A eleição dos premiados foi feita por autores e profissionais da área, previamente cadastrados pela organização do HQMix. A votação foi feita eletronicamente. Os nomes foram selecionados por um grupo de jornalistas especializados e, posteriormente, submetidos a apreciação do público no blog da premiação. A lista final foi resultado desse processo. A cerimônia de entrega está marcada para o próximo dia 30, às 17h, no Sesc Pompeia, em São Paulo. A entrada é franca.
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Escrito por PAULO RAMOS às 15h14
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24.05.12
Mauricio de Sousa é o 6º escritor mais admirado do país - Desenhista e empresário figura entre os mais citados em pesquisa nacional
- Mauricio é mais lembrado que autores como José de Alencar e Fernando Pessoa
- Informação consta no levantamento Retratos da Leitura no Brasil, feito em 2011

O criador da Turma da Mônica é o sexto escritor mais lembrado pelos brasileiros. É o que indica o levantamento Retratos da Leitura no Brasil, realizado em 2011 e divulgado agora. Mauricio de Sousa aparece à frente de nomes consagrados, como José de Alencar, Cecília Meireles, Fernando Pessoa e Graciliano Ramos. Os cinco mais citados, segundo a pesquisa, foram Monteiro Lobato (1º), Machado de Assis (2º), Paulo Coelho (3º), Jorge Amado (4º) e Carlos Drummond de Andrade (5º). O pai de Mônica e Cebolinha já havia sido mencionado no levantamento anterior, de 2007, em décimo. Ziraldo, que divide os quadrinhos com a literatura infantil, aparece em 15º. *** Esta é a terceira edição da pesquisa, que é realizada pelo Instituto Pró-Livro. Os dados foram coletados entre 11 de junho e 3 de julho do ano passado. O levantamento somou 5.012 entrevistados, em 315 municípios brasileiros. No quesito quadrinhos, os dados apresentam duas informações contraditórias. Por um lado, houve um aumento de 8% entre os materiais mais lidos (22% em 2007; 30% em 2011). Por outro lado, houve queda entre os gêneros listados entre os que a pessoa costuma ler. Caiu de 27%, há quatro anos, para 19%. *** A pesquisa revelou também a frequência de leitura de histórias em quadrinhos no país. Dos entrevistados, 46% disseram ler quadrinhos frequentemente. A maiorida acompanha quadrinhos uma vez por semana (46%) ou mensalmente (42%). Apenas 14% disseram ler uma vez por dia. Dos cinco aos 17 anos, a média de leitura de quadrinhos gira em torno de 30%. Após essa faixa etária, cai para a metade (15%). Entre as formas de publicação mais lidas no país, os quadrinhos aparecem em 8º, atrás da Bíblia, dos didáticos, dos romances, dos religiosos, dos contos, dos infatis e de poesia.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h55
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17.05.12
Convite: lançamentos de Revolução do Gibi 
Queria fazer um convite.
Faço a partir deste sábado uma série de lançamentos de "Revolução do Gibi - A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil", que publico pela Devir e que começa a ser vendido este mês. A obra reúne, contextualiza e atualiza reportagens, entrevistas e resenhas veiculadas aqui no blog desde 2006, ano em que a página foi criada. O último texto é de dezembro de 2011. O leitor deste espaço virtual, não poderia ser diferente, é o convidado especial deste lançamento. Espero poder (re)ver todos por lá. *** Lançamentos de "Revolução do Gibi - A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil" São Paulo - Quando: 19 de maio
- Horário: 19h
- Onde: HQMix Livraria
- Endereço: rua Tinhorão, 142, em Higienópolis
Curitiba - Quando: 31 de maio
- Horário: 19h
- Onde: Itiban
- Endereço: avenida Silva Jardim, 485
Belo Horizonte - Quando: 28 de junho
- Horário: 19h (está programada uma palestra antes)
- Onde: Biblioteca Pública Infantil e Juvenil
- Endereço: rua Carangola, 288
Rio de Janeiro Estou de olho no dia 11 de julho. Mas nada confirmado ainda. Informo se for mesmo rolar.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 00h05
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15.05.12
De geek a arte. E de arte, de novo, a geek - Principal unidade da Livraria Cultura, de SP, cria loja para abrigar quadrinhos
- HQs, que antes ficavam na loja de artes, dividem agora espaço com games
- Opção da livraria vai na contramão do cenário editorial construído nos últimos anos
"Algumas vezes, você quer ir num lugar onde todos conheçam seu nome. E onde todos ficam felizes quando você aparece por lá." As duas frases acima são uma tradução livre da canção de abertura do popular seriado "Cheers", estrelado por Ted Danson e exibido nos Estados Unidos entre 1982-1993. A música procurava ambientar o clima da série. As cenas se passavam num bar, local onde protagonistas e coadjuvantes interagiam e se tratavam como uma família. Um lugar, enfim, onde se sentiam acolhidos e incluídos. Algo como ocorre lá e cá com as lojas de quadrinhos, conhecidas como "comic shops". *** As lojas especializadas em quadrinhos costumam ser como o bar de "Cheers": um espaço onde o comprador encontra iguais, outros que apreciam as revistas/álbuns como ele. É uma história muito bem contado por Matthew J. Pustz no livro "Comic Book Culture - Fanboys and True Believers" e cujas ideias resgato aqui nestas linhas. Na leitura de Pustz, esse modelo de vendas começou a ser desenhado nos Estados Unidos nos anos 1980 e ganhou corpo nas décadas seguintes. Na prática, serviu para criar não só uma cultura em torno dos quadrinhos, mas também um lócus, um ponto de reunião de admiradores do tema. *** O trabalho de Pustz indica aí a gênese da associação do rótulo "nerd" também a fãs de histórias em quadrinhos, em particular as de super-heróis. Termo que outra série de TV norte-americana, "The Big Bang Theory", soube trabalhar muito bem e dar ele um ar "pop" - o seriado é baseado em quatro amigos "nerds". O livro Pustz, se lido criticamente, sugere também um pressuposto: se nas "comic shops" os leitores encontram um lugar comum e familiar, fora dela tinham um gosto marginal. Marginal no sentido de estar à margem, fora do convencional. E, também por isso, fora do que o sistema cultural socialmente convencionou chamar de arte. *** De tão certo, esse modelo de vendas foi exportado para a América Latina na década de 1990. Chegou com muita força na Argentina, a ponto de as "historietas" de lá serem rebatizadas de "comics". As lojas de quadrinhos do país, registre-se, chamam-se "comiquerías". No Brasil, as lojas da editora Devir e da Comix, ambas em São Paulo, foram dois dos primeiros casos semelhantes. Com sucesso. Ambas se mantêm abertas até hoje. Não por acaso serão usadas pela editora Panini, a partir do mês que vem, para vender algumas das revistas de heróis da DC Comics a um público segmentado. *** As lojas de quadrinhos brasileiras mantiveram o mesmo espírito das estadunidenses. Quem costuma frequentar é quem de fato gosta de histórias em quadrinhos. Um nicho próprio. Elas e os leitores viram nos últimos dez, quinze anos, as revistas em quadrinhos dividirem espaço com o formato livro. E este ganhar corpo e penetrar nas prateleiras das livrarias. De 2006 a 2008, três das principais redes de livrarias do país estimaram um crescimento anual de 30% no volume de quadrinhos com esse molde vendidos por elas. É de supor que esse número tenha aumentado desde então, a se pautar pelo generoso espaço que as grandes redes têm dedicado ao setor. *** Uma das redes incluídas no levantamento foi a Livraria Cultura. Possui hoje 13 unidades no país, em diferentes capitais, quatro delas na cidade onde começou, São Paulo. O marco foi uma livraria mantida no Conjunto Nacional, galeria estrategicamente posicionada entre as avenidas Paulista e Augusto, no coração comercial paulistano. Na última década, a loja tem feito expansões quase anuais. O espaço da frente foi comprado e hoje abriga os três andares da livraria. O cinema ao lado também. Ainda na galeria, outros pontos ao redor foram incorporados. A antiga loja ganhou novo verniz e funciona ainda hoje como loja de arte. É onde ficavam os quadrinhos. *** No fim de abril, os quadrinhos foram realocados para o segundo andar de uma das lojas da galeria, antes dedicada à editora Record. O nome do novo espaço é uma aposta da livraria num segmento que, aparentemente, não atingia até então: o dos apreciadores de quadrinhos e games. Batizada de Geek.Etc.Br., a loja procura dialogar justamente com os "nerds" - sem nenhum sentido pejorativo à expressão. No andar de baixo, games à exaustão. No canto, um Batman enorme, do tamanho de uma pessoa adulta. A minúscula escadinha que separa os dois pisos leva ao acervo de álbuns em quadrinhos, nacionais e importados. *** Lendo as declarações de quem coordena o projeto, a proposta é a de abrir outras unidades. Uma franquia, portanto. Uma espécie de novo selo da livraria. Como negócio, a ideia pode ser interessante, principalmente para capitais que não tenham lojas especializadas em quadrinhos. Mas, do ponto de vista da difusão das histórias em quadrinhos no Brasil, a iniciativa sinaliza para um retrocesso. Ela vai na contramão do que o meio editorial construiu nos últimos anos. Em vez de agregar mais leitores, volta-se ao modelo do nicho exclusivo de mercado. *** Ter quadrinhos numa loja de arte ou no espaço dedicado aos livros fazia com que tais publicações chegassem a um outro perfil de leitor, mais inclinado à literatura e à pesquisa. Até então, como já comentado, os quadrinhos eram restritos às bancas ("coisa de criança") ou às lojas especializadas ("coisa de poucos", de "gueto"). Foi esse mercado que algumas editoras souberam enxergam. Um caso é o da Companhia das Letras, que criou um selo próprio, o Quadrinhos na Cia. É a mesma Companhia das Letras que mantém loja vinculada à Livraria Cultura, localizada ironicamente em frente à Geeks.Etc.Br, no mesmo Conjunto Nacional, em São Paulo. *** As demais lojas da Livraria Cultura, justo registrar, ainda conservam um espaço dedicado aos quadrinhos. E ainda dialogam com o leitor eventual dessas obras. As lojas do Conjunto Nacional, no entanto, deram alguns vários passos atrás com a nova estratégia comercial. Do ponto de vista dos quadrinhos, não custa dizer mais uma vez. Uma saída seria manter dois acervos, um na loja de arte, outro no novo ponto de vendas. Atingem-se, assim, dois perfis de compradores: os habituais e os esporádicos. Do contrário, a rede volta a enxergar quadrinhos apenas como gueto, como nicho de mercado. E vai no sentido contrário do que ela mesma ajudou a construir no Brasil.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 23h00
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09.05.12
Caloi (1949-2012) - Desenhista argentino morreu na madrugada de terça-feira, vítima de câncer
- Quadrinista foi criador de Clemente, um dos personagens mais populares do país
- Autor é lembrado também por papel de resistência exercido durante período militar

A Câmara dos Deputados da Argentina viveu um dia diferente na terça-feira. O prédio, que fica na capital Buenos Aires, serviu de velório para o corpo do desenhista Caloi. Carlos Loiseau morreu na madrugada do mesmo dia, vítima de câncer. As honras dadas a ele reforçam a importância que teve para a história dos quadrinhos do país. Importância que pautou manchetes dos três principais jornais de Buenos Aires na manhã desta quarta-feira. No "Clarín", onde publicava, toda a página de tiras foi dedicada a ele. E não só no "Clarín". Desenhistas dos concorrentes "La Nación" e "Página/12" também lembraram o colega em suas tiras e cartuns. 

A maior parte das homenagens visuais se pautava em Clemente, principal personagem de Caloi e publicado no jornal "Clarín" desde 1973. Difícil dizer a que espécie o bicho pertencia. De início, parecia um pássaro de bico comprido que voava para cá e para lá. Com o tempo, firmou-se no solo, onde se popularizou. A fama foi conquistada em poucos anos. Primeiro, nas próprias páginas do diário argentino. Clemente era personagem secundário. O protagonista era Bartolo, um condutor de bonde. As posições se inverteram por conta do carismo do animal, enigmático quanto a espécie, mas reconhecível no jeitão portenho. Era mulherengo, torcedor fanático do Boca Juniors. 
O diálogo com o futebol foi o primeiro sinal da popularidade do personagem fora das páginas do jornal. A prova disso foi vista na Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina. Caloi aceitou que seu personagem, um torcedor como tantos outros argentinos, fosse usado no telão dos estádios de futebol. Tornou-se um grito de protesto. Um ano antes, o país foi tomado por uma junta militar, que deu início à censura e ao extermínio de resistentes ao regime - estima-se em torno de 30 mil desaparecidos políticos. Os militares queriam criar uma boa impressão aos outros países. Uma das iniciativas foi uma peça publicitária, que pedia aos torcedores não jogarem papéis no gramado. *** O senão da campanha é que jogar "papelitos" no campo era uma tradição entre os torcedores do país. Um estranhamento inicial já havia sido feito por Caloi em sua tira. Clemente se perguntava como é que os argentinos ficariam sem jogar papeizinhos no gramado dos estádios? A resposta foi canalizada justamente no telão que trazia o personagem. Durante os jogos, o personagem aparecia correndo e aparecia a frase "tiren papelitos, muchachos". Dito e feito. Na final da Copa, quando a Argentina se tornou campeã ao vencer a Holanda, o gramado parecia ser formado por papéis, tamanho o volume arremessado ali. 
A popularidade de Clemente foi repetida também na TV. O bicho ganhou um programa próprio, feito na forma de marionetes. Conseguiu boa repercussão nos anos de exibição. Repercussão que se prolongou pelo tempo. No começo deste século, o personagem foi um dos mais lembrados num voto de protesto nas eleições do país. Quase venceu. Na última Copa do Mundo, a então multinacional do petróleo YPF - recém reestatizada pela presidente Cristina Kirchner - usou Clemente como garoto propaganda. Em Buenos Aires e nas cidades vizinhas, era possível ver enormes outdoors com o bicho e os votos de que a seleção argentina vencesse o torneio. *** Assim como Quino, criador de Mafalda e um dos inspiradores de Caloi, o pai de Clemente foi um criador de cartuns. É algo que o acompanhou desde o início da carreira. Caloi teve passagens pela revista de humor "Tia Vicenta", uma das mais conhecidas do país na década de 1960. Entrou no "Clarín" no fim daquela década. Em 1973, foi um dos responsáveis pela composição da página de quadrinhos do jornal. O diário havia decidido publicar apenas tiras nacionais no espaço dedicado aos quadrinhos. Foi assim que surgiram Bartolo e Clemente. E tantos outros desenhistas até hoje presentes no cenário do país. E que fizeram questão de homenagear o colega nesta quarta-feira. 
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h51
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08.05.12
Com gostinho de saudosismo - Filme dos Vingadores recupera na tela fórmula popularizada nos quadrinhos
- Estratégia é reunir diferentes super-heróis em grupo, numa mesma história
- Longa-metragem já deu certo: lidera bilheterias no Brasil há duas semanas

A panela é maior, mais pomposa, com potencial a ser saboreada por muito mais gourmets. Mas a receita é a mesma, usada há pelo menos 50 anos. Os ingredientes são simples. Junte um punhado de super-heróis que já tinham carreira solo, misture com mais uns de menor expressão, mexa bem e ponha na panelona. Até ganhar forma, essa massa vai apresentar uma sucessão de efeitos, mais ou menos nesta ordem: um ingrediente encontra o outro, briga com ele, faz as pazes, ficam amigos. Terminado tudo isso, e acrescido um bom vilão - que dá o sabor final ao prato -, sirva a uma plateia eclética. Quanto maior melhor. E eis que se tem um Vingadores prontinho. *** É bem provável que o leitor desta resenha já tenha assistido a "Os Vingadores", em cartaz desde 27 de abril. Afinal, o longa ocupa quase metade das salas de cinema do país. E com boa repercussão: lidera isolado as bilheterias nacionais há duas semanas. Quem viu o filme - ou ainda programa ver - sabe que a receita descrita acima sintetiza bem o que se assiste na tela. O vilão da vez é Loki, meio-irmão maligno de Thor. Os desejos de tomar conta da Terra leva à reunião dos heróis, todos já vistos em produções anteriores, a maioria solo - casos de Hulk, Capitão América, Homem de Ferro e Thor. *** De início, o contato entre os supers causa um estranhamento entre eles, muitas vezes vertido em brigas: Thor contra Homem de Ferro; Viúva Negra versus Hulk e Gavião Arqueiro. Tudo, claro, com doses cavalares de efeitos especiais, que ofuscam um enredo mediano, se visto a olhos críticos. A interação entre os atores/heróis também sombreiam a trama. Depois disso, segue o roteiro da receita: todos ficam amigos e unidos em prol de uma causa maior, a luta contra Loki. A plateia tem se divertido com o prato cinematográfico, a se pautar pelos ingressos vendidos. Mas é um público que talvez desconheça que não se trata de ideia original. *** Esse jeitão de construir histórias com encontros de super-heróis acompanha a Marvel Comics desde que a editora de quadrinhos ganhou corpo no início dos anos 1960. A receita era mais ou menos a descrita no começo destas linhas. Um personagem se deparava com o outro, surgia um mal-entendido, uma briga entre eles, que durava até que a estranheza fosse explicada e superada. E, juntos, claro, partiam para cima do vilão da vez. *** Havia nesses encontros um sabor especial. Afinal, reuniam-se nas mesmas páginas dois super-heróis que eram lidos em revistas diferentes, cada um em seu próprio título. A criação do grupo dos Vingadores foi justamente para eternizar esse sabor por mais tempo. O ingrediente central seria a presença dos super-heróis da casa. Foi assim que surgiu a primeira história da super-equipe, publicada nos Estados Unidos em setembro de 1963 na revista "The Avengers". A capa já apelava para a peculiaridade da revista. Trazia os nomes dos heróis em destaque no alto da página e sintetizava nesta frase: "os maiores super-heróis da Terra". *** Como no cinema, o motivo da reunião do grupo foi Loki. Mas era outra história, de outros tempos, bem mais ingênuos. O vilão arma para Thor, Homem de Ferro, Homem-Formiga e Vespa - os dois últimos ausentes na adaptação para o cinema - pensarem que Hulk precisa ser detido. É o mote para o quebra-pau entre eles. Ardil esclarecido, juntam-se para dar cabo de Loki. Conseguem e percebem que poderiam fazer mais juntos. "Cada um de nós tem um poder diferente! Se juntarmos nossas forças, seremos quase invencíveis!" Todos topam. Até o irracional Hulk: "Coitado de quem se meter com a gente!". *** Essa história, para quem tiver curiosidade de ler, foi reeditada no primeiro volume da coleção "Biblioteca Histórica Marvel" dedicado aos Vingadores (lançado pela editora Panini). Desde a estreia, o título do grupo tem sido editado nos Estados Unidos e traduzido aqui no Brasil. A ideia se mantém a mesma. Mudam apenas os atores e os antagonistas. A bilheteria generosa que a releitura feita para o cinema tem obtido sinaliza ao menos duas constatações: a receita agradou e chegou a um público não leitor de quadrinhos. O que os novos espectadores não sabem é que a fórmula é antiga, embora conserve o sabor de novidade. E a plateia de hoje age do mesmo jeito que os leitores de ontem. *** Vale a dica: não saia do filme antes de os créditos terminarem. Lá pelo meio da subida dos letreiros, descobre-se o vilão do provável segundo longa-metragem dos Vingadores.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 20h43
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26.04.12
Navegar é preciso Assim que a maré de afazeres profissionais baixar, volto a navegar pelas ondas deste blog. Página está à deriva. Mas o resgate chega em breve. Até lá, nade pelas notícias mais rápidas pelas braçadas do Twitter, no @blogpauloramos.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 10h29
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29.03.12
Definidos pré-indicados ao Troféu HQMix A comissão organizadora do Troféu HQMix divulgou nesta quinta-feira os pré-indicados deste ano da premiação, a principal da área de quadrinhos no país. Ao contrário das edições anteriores, quando a própria comissão definia os concorrentes, desta vez a atribuição ficou a cargo de cinco jornalistas e especialistas da área. Os nomes foram definidos por meio do cruzamento das listas feitas por Telio Navega, Heitor Pitombo, Zé Oliboni, Sam Hart e Marcelo Alencar. Alencar é também o presidente do júri do troféu, cargo que assumiu em 2011 e que repete neste ano. *** Segundo a comissão do troféu informa no blog da premiação, os nomes passam agora por um processo de consulta aberta ao público, por uma semana. Por isso, trata-se de uma pré-indicação. As opiniões emitidas pelo público no blog do prêmio serão, depois, levadas ao júri para deliberação. Com base nos comentários feitos, as indicações iniciais poderão ser revistas. A seguir, os selecionados a 29 categorias da premiação. *** Adaptação para os Quadrinhos Clara dos Anjos (Cia Das Letras) Conto de Escola Em Quadrinhos (Peirópolis) Dom Casmurro (Nemo) Fahrenheit 451 (Globo) Fernando Pessoa e Outros Pessoas (Saraiva) Pateta Faz História (Abril) Vigor Mortis Comics (Zarabatana)
Chargista Angeli (Folha De S. Paulo) Benett (Folha De S. Paulo) Dálcio Machado (Correio Popular) Duke (O Tempo) Gustavo Duarte (Lance) Leo Martins Loredano
Desenhista Nacional Aloísio De Castro (Carcará) Danilo Beyruth (Necronauta 2) Gustavo Duarte (Birds) Lourenço Mutarelli (Quando Meu Pai...) Marcelo Lelis (Saino a Percurá Ôtra Vez) Rafael Albuquerque (Tune 8 e Vampiro Americano) Rafael Coutinho (O Beijo Adolescente)
Desenhista Estrangeiro Cyril Pedrosa (Três Sombras) Dave Mckean (Sinal e Ruído) David Mazzucchelli (Asterios Polyp) Jacques Tardi (Era a Guerra das Trincheiras) Milo Manara (Bórgia – Tudo é Vaidade) Oliver Copiel (Thor) Shaun Tan (A Chegada)
Destaque Internacional Fábio Moon & Gabriel Bá Greg Tocchini Ivan Reis Marcelo Lelis Mike Deodato Rafael Albuquerque Ricardo Manhães
Edição Especial Nacional Daytripper (Panini) Garra Cinzenta (Conrad) Histórias do Clube da Esquina (Devir) Morro de Favela (Leya Brasil/Barba Negra) Oeste Vermelho (Devir/Quanta) Vigor Mortis Comics (Zarabatana) War - Histórias de Guerra (Opera Graphica)
Edição Especial Estrangeira 12 de Setembro – a América depois (Record) A Chegada (SM) Asterios Polyp (Cia das Letras) Era a Guerra das Trincheiras (Nemo) Quando Eu Cresci (Ática) Quando Lá Tinha O Muro (Tinta Negra) Três Sombras (Cia Das Letras)
Editora Cia Das Letras Conrad Devir Leya/Barba Negra Nemo Panini Zarabatana
Livro Teórico A História em Quadrinhos no Brasil (W. Vergueiro E R. E. Santos) Ângelo Agostini (Gilberto Maringoni) - Devir Enciclopédia dos Quadrinhos (Goida E André Kleinert) – L&PM Faces do Humor (Paulo Ramos) - Zarabatana Histórias em Quadrinhos & Educação - Formação e Prática Docente Elydio Dos Santos Neto & Marta Regina Paulo da Silva (Orgs.) - Editora Metodista Linguagem HQ (Nobu Chinen) – Editora Criativo Super-Heróis, Cultura e Sociedade (Nildo Viana & Iuri Andréas Reblin - Orgs.) - Editora Ideias & Letras
Novo Talento – Desenhista Daniel Og (Yuri, Quarta-feira de Cinzas) Luís Felipe Garrocho (Achados E Perdidos) João Carlos Vieira (Zine Extremis) Lu Cafaggi (Mix Tape) Magno Costa E Marcelo Costa (Oeste Vermelho E Matinê) Rael Lyra (MSP Novos 50) Shiko (MSP Novos 50)
Novo Talento – Roteirista Carlos Ferreira (Kardec) Eduardo Damasceno (Achados e Perdidos) Hector Lima (MSP Novos 50) Lillo Parra (Sonhos de Uma Noite de Verão) Magno Costa (Oeste Vermelho) Marcelo d'Sallete (Encruzilhadas) Vitor Cafaggi (Duo.Tone e Valente para Sempre)
Produção para Outras Linguagens Angeli 24h (Documentário) As Aventuras de Tintim (Filme) Batman: Ano Um (Longa De Animação) Batman: Arkham City (Video Game) Capitão América: O Primeiro Vingador (Filme) Walking Dead (Série De Tv) X-Men: Primeira Classe (Filme)
Projeto Editorial 1000 (Barba Negra) Achados E Perdidos (Independente) Coleção Fierro (Zarabatana) Coleção Ópera Em Quadrinhos (Ática/Scipione) Cripta (Mythos) Tex Gigante (Mythos) Vá Para O Diabo (A Bolha)
Publicação de Aventura/Terror/Ficção Cripta (Mythos) Fábulas (Panini) Fierro Brasil (Zarabatana) Garra Cinzenta (Conrad) J. Kendall: Aventuras de uma Criminóloga (Mythos) Os Mortos-Vivos (Hq Maniacs) Y - O Último Homem (Panini)
Publicação de Clássico Agente Secreto X-9 (Devir) Arzach (Nemo) Cripta (Mythos) Fantasma – A Saga Do Casamento (Kalaco) Garra Cinzenta (Conrad) Gen Pés Descalços (Conrad) Superman Vs. Muhammad Ali (Panini)
Publicação de Charges Antes Charge do que Nunca (Atorres) Caminhos Do Santiago (Santiago) Só Futebol (Duke) Catálogo do 3º Festival Internacional de Humor do Rio do Janeiro (vários)
Publicação de Cartuns Arvres (Orlando Pedroso) Caricaturas De Letra (Biratan) Humor Do Miserê (Nani) Ostras Ao Vento (Vasqs) Ultralafa (Daniel Laffayete) Uma Patada Com Carinho (Chiquinha)
Publicação de Tira Agente Secreto X-9 (Devir) Geraldão, Espocando a Cilibina (Almedina) Iscola... O Crime (Independente) Macanudo # 4 (Zarabatana) Ordinário (Cia Das Letras) Rei Emir Saad – O Monstro De Zazanov (Barba Negra) Valente Para Sempre (Independente)
Publicação Erótica Black Kiss (Devir) Bórgia – Tudo é Vaidade (Conrad) Futari H (JBC) Golden Shower 2 (Independente) Hentai Gold (Geek) O Perfume do Invisível – Edição Completa (Conrad) Velta & Mirza (Júpiter II)
Publicação Independente de Autor Achados E Perdidos (Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho e Bruno Ito) Birds (Gustavo Duarte) Duo.Tone (Vitor Cafaggi) O Beijo Adolescente (Rafael Coutinho) O Louco, a Caixa e o Homem (Daniel Esteves e Will) SOS (Felipe Nunes) Tune 8 (Rafael Albuquerque)
Publicação Independente de Grupo 1000-1 Achados E Perdidos Almanaque Gótico Café Espacial Golden Shower 2 Graffiti 76% Zine Extreme
Publicação Independente Edição Única Achados E Perdidos Birds (Gustavo Duarte) Duo-Tone (Vitor Cafaggi) Mix Tape (Lu Cafaggi) O Beijo Adolescente (Rafael Coutinho) O Louco, a Caixa e o Homem (Daniel Esteves e Will) Tune 8 (Rafel Albuquerque)
Publicação Infanto-Juvenil Achados E Perdidos (Independente) Bakuman (JBC) Epic Mickey (Abril) Joca E A Caixa (Cia Das Letras) Mônica 500 (Panini) Pateta Faz História (Abril) Pequeno Pirata (Leya/Barba Negra)
Publicação Mix 1000-1 (Cachalote/Barba Negra) Dc Made In Brazil (Panini) Fierro Brasil (Zarabatana) Golden Shower 2 (Independente) Mad (Panini) MSP Novos 50 (Panini) Vertigo (Panini)
Roteirista Nacional André Diniz (Morro de Favela) André Valente (Não Fui Eu) Carlos Ferreira (Kardec) Daniel Esteves (O Louco, a Caixa e o Homem e Nanquim Descartável vol.4) Lourenço Mutarelli (Quando Meu Pai...) Marcelo Cassaro (Dbride: A Noiva Do Dragão) Vitor Cafaggi (Duo.Tone e Valente para Sempre)
Roteirista Estrangeiro Alejandro Jodorowsky (Bórgia – Tudo é Vaidade) Brian Azzarello (100 Balas) David Mazzucchelli (Asterios Polyp) Giancarlo Berardi (Julia Kendall e Ken Parker) Pierre Paquet (Quando eu Cresci) Robert Kirkman (The Walking Dead) Shaun Tan (A Chegada)
Tira Nacional A Cabeça é a Ilha (André Dahmer) Bifaland (Allan Sieber) Malvados (André Dahmer) Manual do Minotauro (Laerte) Níquel Náusea (Fernando Gonsales) Piratas do Tietê (Laerte) Quase Nada (Fábio Moon e Gabriel Bá)
Web Quadrinhos A Vida com Logan (Flavio F Soares) Clube da Esquina (Laudo Ferreira E Omar Viñole) Ig Jovem (Vários) Ledd (J.M. Trevisan e Lobo Borges) Mundinho Animal (Arnaldo Branco) Sopa de Salsicha (Eduardo Medeiros) Tune 8 (Rafael Albuquerque)
***
A votação é feita por pessoas ligadas à área, previamente cadastradas.
A cerimônia de premiação do Troféu HQMix está marcada para o dia 30 de junho, um sábado, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo.
O troféu que será entregue aos vencedores terá a imagem do palhaço Sacarrolha, personagem criado por Primaggio Mantovi, um dos homenageados desta edição do prêmio.
Leia mais sobre a homenagem na postagem de 05.02.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h47
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Millôr (1923-2012)

Vou pedir que o leitor fuja deste blog. Pelo menos desta vez. Entre falar de Millôr, morto na noite de terça-feira, no Rio de Janeiro, aos 88 anos, e ler a produção do desenhista e escritor, melhor esta última alternativa. Parte de seus trabalhos está disponível no site que mantinha. Página que continua no ar. Ainda. Vá lá para entender melhor a importância de Millôr. Segue o link.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h45
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12.03.12
Nem tão essenciais assim - Editora Abril começa a vender primeiros volumes de "Disney Essencial"
- Coleção se propõe a publicar "quadrinhos fundamentais" dos personagens Disney
- A maior parte, no entanto, foi produzida neste século e foge da proposta "essencial"

O que quer dizer a palavra "essencial"? Segundo o "Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa" é algo "necessário, indispensável". Ou ainda se trata de um item "que constitui o mais básico ou o mais importante em algo; fundamental". Entendido o que o temo é, fica mais fundamentada a constatação de que nenhuma das duas acepções acima vale para a coleção "Essencial Disney". A série da Editora Abril, que começou a ser vendida nas bancas neste início de mês, sugere ao leitor algo que, na prática, não oferece. *** Além do título em si, a coleção usa frases que reforçam o teor essencial das revistas. Uma delas diz que são "quadrinhos fundamentais para conhecer e curtir o universo Disney!". Não é o que se vê nos dois primeiros volumes, vendidos juntos, a R$ 10 (100 páginas cada um, capa cartonada). O primeiro, "Tio Patinhas Versus Maga Patalójika", traz quatro histórias. Três delas foram produzidas entre 2006 e 2010. Recentes, portanto. E, se recentes, não fundamentais. O volume seguinte, "Donald e Seus Sobrinhos", repete a estratégia editorial. Das quatro narrativas, todas são deste século (de 2001 a 2007). *** O pacote plastificado que vende os dois primeiros volumes informa também que a maior parte das histórias é inédita no Brasil. Se o apelo é o ineditismo - e parece ser -, a coleção erra no nome. Vende algo essencial, antológico, e oferece o oposto. É de se esperar que os demais 18 títulos da série - são 20 ao todo - enveredem pelo mesmo caminho. Os demais números orbitam entre Tio Patinhas, Donald, Mickey e Pateta. Quem aprecia os quadrinhos Disney pode até gostar. Mas é preciso estar avisado, de antemão, que não se trata de algo essencial, ao contrário do que o título sugere.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 15h46
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10.03.12
Moebius (1938-2012) - Desenhista francês morreu neste sábado, em Paris
- Falecimento do artista de "Incal" foi creditado a uma "longa doença"
- Autor foi um dos mais importantes e influentes quadrinistas do século 20

O desenhista francês Jean Giraud, mais conhecido como Moebius, morreu neste sábado em Paris, França.
Segundo a agência internacional de notícias AFP, a causa do falecimento foi creditada a uma "longa doença". Não há informação até o momento sobre qual foi essa enfermidade. O autor foi um dos mais importantes e influentes quadrinistas do século 20. Seu estilo de arte exerceu influência em mais de uma geração de desenhistas do mercado europeu. Ele também teve papel importante em produções para o cinema. Foi o responsável pelo visual futurista de filmes como "Alien" e "O Quinto Elemento". *** O diálogo com a ficção científica foi uma das marcas mais fortes de sua produção. A mais conhecida é "Incal", série criada em parceria com o escritor e cineasta Alejandro Jodorowski. A ficção científica foi publicada em capítulos na inovadora revista francesa "Metal Hurlant". Estreou no número 58, em 1980. No Brasil, foi publicada pela Devir entre 2006 e 2007, em três volumes. Toda a história foi reunida numa edição única, "Incal Integral", que começa a chegar nesta semana às livrarias e lojas especializadas em quadrinhos (capa do início desta postagem). Na trama, um detetive particular entra em contato com uma poderosa entidade, o Incal. Desse contato, ele ganha a incumbência de dar um novo destino ao planeta. ***
Há outros trabalhos de Moebius feitos para a "Metal Hurlant", que influenciou a criação da norte-americana "Heavy Metal".
Alguns eram inéditos no Brasil. Começaram a ser publicados no Brasil no ano passado, numa coleção dedicada ao desenhista, lançada pela Nemo.
A editora já pôs no mercado dois álbuns, "Arzach" e "Absoluten Calfeutrail & Outras Histórias".
Para este ano, estão programados mais dois: reedições de “O homem é bom?” e "A Garagem Hermética”.
*** As histórias dos álbuns da Coleção Moebius, da Nemo, e de Incal, da Devir, ajudam a entender bem o impacto exercido pelo desenhista.
Além da temática adulta e de ficção científica, com roteiros muitas vezes surreais, elas expõem o detalhado traço do autor.
O mesmo traço que ele levou ao mercado norte-americano. Ele fez parceria com o escritor Stan Lee numa edição especial do personagem Surfista Prateado.
A história já publicada no Brasil, pela Abril. A editora também lançou, na mesma época, outro trabalho europeu dele: a série de faroeste "Tenente Blueberry", retomada, anos depois, pela Panini.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 11h53
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08.03.12
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 19h11
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05.03.12
Com vocês, a Revolução do Gibi - Livro faz seleção de postagens dos quase seis anos de Blog dos Quadrinhos
- Temas foram divididos em 20 capítulos, que ajudam a explicar mercado de HQs
- Editora Devir programa lançamento entre fim de abril e início de maio
- Capa foi feita pelo desenhista João Montanaro. Obra terá mais de 500 páginas

Colegas de diferentes sites me deram a oportunidade de detalhar um pouco mais a obra. Seguem as páginas e os respectivos links para as reportagens: Assim que tiver novidades sobre a data de lançamento, aviso por aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h17
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25.02.12
Brasileiros participam da Fierro 2 - Seis quadrinistas nacionais farão parte do segundo número da "Fierro Brasil"
- Lista inclui Fábio Moon, Victor Caffagi, Laudo Ferreira Jr. e Adão Iturrusgarai
- Álbum está programado para o fim de março e traz seleção de HQs argentinas

O segundo volume da "Fierro Brasil" vai repetir a mesma estratégia do número inaugural, lançado há um ano. O conteúdo irá mesclar trabalhos argentinos com os de brasileiros. Nesta nova edição, programada para ser lançada no final de março, irão participar seis autores nacionais. Dois deles - Fábio Moon e Victor Cafaggi - foram antecipados pela jornalista Raquel Cozer na edição deste sábado do jornal "Folha de S.Paulo". Os demais foram informados à imprensa pela editora, por e-mail, também neste sábado. Completam a lista Laudo Ferreira Jr., Fábio Zimbres, Adão Iturrusgarai e André Ducci. *** Entre os autores argentinos deste segundo número, estão Maitena, Liniers, José Muñoz, Juan Gimenez, Enrique Breccia, Horacio Altuna e o roteirista Carlos Trillo, morto em 2011. A capa, mostrada no início desta postagem, foi feita pelo desenhista El Tomi. A publicação reúne histórias da "Fierro", a principal revista em quadrinhos da Argentina. Aqui no Brasil, o conteúdo é editado em formato álbum (160 págs.; R$ 59). Inicialmente semestral, o álbum teve a periodicidade alterada para anual. A mudança teve diferentes motivos, segundo Claudio Martini, editor da Zarabatana Books, Claudio Martini. *** O primeiro foi para dar um tempo maior para que o número de estreia fosse conhecido e assimilado pelos leitores. O segundo foi o cronograma apertado de lançamentos de 2011. O terceiro motivo foi o tempo de preparação. "Este não é um livro que já está pronto, só traduzir (se for o caso) e editar", diz Martini, por e-mail. "O processo de seleção do material argentino, os convites aos brasileiros, a tradução e a editoração de 160 páginas não é um trabalho fácil e não dá para ser feito em pouco tempo." Soma-se a isso o fato de Martini centralizar, sozinho, todas as etapas de produção dos títulos da Zarabatana Books, da edição e tradução à comercialização. *** Esta versão abrasileirada da "Fierro" trouxe pela primeira vez ao país trabalhos de autores argentinos até inéditos por aqui. A revista teve duas vidas editorais no país vizinho. A primeira ocorreu após o período militar, em 1984. Foi publicada mensalmente até o início da década de 1990. A publicação retornou em novembro de 2006, vendida desde então uma vez por mês com o jornal "Página / 12", de Buenos Aires. A edição nacional toma como base esse conteúdo. A "Fierro" mescla histórias curtas com outras, em capítulos. A Zarabatana Books lança essas tramas na "Coleção Fierro". O próximo álbum será "Dora", de Ignacio Minaverry. *** Nota: a "Fierro Brasil 2" será a segunda obra argentina a ser publicada por aqui neste início de ano. A primeira foi "O Eternauta", lançada em janeiro. Saiba mais neste link.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h50
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21.02.12
Bloco dos álbuns nacionais entra na avenida - "A Rua de Lá" e "Cada Um a Seu Modo" inauguram desfile de obras nacionais
- Produções começam a circular por algumas lojas especializadas em quadrinhos
- Álbuns dão início a série de publicações brasileiras programadas para este ano

Por enquanto, eles circulam apenas por algumas lojas especializadas em quadrinhos ou em lançamentos pontuais. Mas dão início à publicação de álbuns nacionais do ano.
"A Rua de Lá", do mineiro Evandro Alves, e "Cada Um a Seu Modo", do cearense Júlio Belo, são os dois primeiros trabalhos brasileiros a serem impressos neste 2012. Além desse caráter inaugural, as duas obras têm outros pontos em comum. Ambas foram viabilizadas por meio de programas de incentivo cultural. E as duas estão vinculadas a grupos distintos de autores independentes, o da Graffiti, de Belo Horizonte (MG), e o do Comics Cafe, de Fortaleza (CE). *** "A Rua de Lá" (R$ 20) é o quinto álbum da bem-sucedida "Coleção 100% Quadrinhos", inagurada em 2007 pelos editores da revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos". O ensaio de lançamento da obra durou quase dois anos. A renovação da Lei de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte permitiu que o planejamento fosse agora concretizado. A história mostra situações vividas por um garoto numa cidadezinha do interior mineiro. O contato com o ambiente natural traz consigo parte do folclore e dos causos do local. O que instiga o garoto é o que haveria depois da rua que dá margem ao fim da cidade. O que existiria do lado de lá? *** A narrativa tem traços autobiográficos da infância do autor no interior mineiro. "Traços" porque, segundo Evandro Alves, nem tudo é cem por cento fiel ao que de fato ocorreu. "Todas as cenas são tão vividas quanto sentidas e sonhadas. Não consigo delinear o ´real´ delas... Mas isso não quer dizer que não aconteceram", diz o desenhista, por e-mail. Ele cita como exemplo uma das memórias mostradas no álbum, um diabinho, com antenas longas e rabo, que teria visto quando menino numa árvore - cujo caminho evitava. "Ele fazia parte da minha realidade. A criança que fui sempre me diz que viu. Apesar de hoje adulto e homem da ciência, acredito nela." *** Outras memórias dão um tom bem menos folclórico à obra. Como quando foi chamado de urubu por uma professora, primeira situação de preconceito que viveu - e que ainda vive. "O racismo é algo muito frequente na sociedade brasileira. Sua prática dissimulada em gestos e atitudes está presente em nosso cotidiano - só não vê quem não quer." "No meu caso, quis retratar no álbum o meu primeiro contato com essa prática hedionda e o quanto é difícil para criança lidar com esse tema sem que lhe sobrem marcas." O caso foi enfrentado com introspecção. Na obra, Alves revela uma parte do processo. O fato de sentir empatia pelo animal - urubu, mostrado na capa - ajudou a superar o trauma. *** "A Rua de Lá" é a primeira história em quadrinhos mais longa produzida pelo desenhista, hoje com 35 anos e morador da mineira Lagoa Santa ("Mas não na rua de lá"). Até então, o humor era sua marca, lida em charges dos jornais "Le Monde Diplomatique" e "Folha de S.Paulo", onde foi segundo colocado num concurso de arte, em 2010. "Essa ausência de humor foi algo pensado e repensado por mim antes de fazer a ´Rua de Lá´." O diferente veio via diálogo com a literatura, Guimarães Rosa em especial. "Considero que esse ´namoro´ com a literatura tenha acentuado ainda mais o distanciamento da obra da temática humorística que, geralmente, caracteriza meus trabalhos." 
Evandro Alves inicia no mês que vem um mestrado em geografia na Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa e os desenhos talvez o afastem da profissão de bancário.
O banco é outro ponto de contato (embora involuntário) entre os autores dos dois álbuns. Júlio Belo trabalha na administração do Banco do Nordeste, em Fortaleza, onde mora. Foi por meio de um programa de incentivo cultural da instituição que o desenhista conseguiu custear a impressão de "Cada Um a Seu Modo" (R$ 25). O álbum é a terceira publicação do coletivo de autores The Comics Cafe, formado por ele, pelo irmão, João Belo, e pelo amigo de longa data, Falex Vidal, todos de Fortaleza. *** O site do The Comics Cafe surgiu em 2009 com a proposta de servir de portifólio virtual do trio. Mas a produção impressa nunca deixou de estar no horizonte do grupo. O álbum de Júlio Belo, feito especialmente para o formato impresso, traz três histórias curtas. Com diferentes situações e personagens, elas se interligam tematicamente no final. "Como eu queria chamar a atenção para o álbum e não apenas para uma ou outra história, achei que faltava algo...um propósito", diz o autor, de 32 anos, por e-mail. "E, se eu não costurasse o final, estaria perdendo a chance de explorar conceitos e transmitir uma mensagem muito além daquelas das próprias histórias." *** As histórias do álbum foram produzidas num estilo de arte baseado na linha clara, muito comum no mercado franco-belga por conta da influência de Hergé, criador de Tintim. "Adoro esse estilo pela leveza no resultado, mas, principalmente, porque adoro desenvolver cenários reais de forma limpa e detalhada." Belo e os parceiros do coletivo autoral programam a produção de mais um ou dois álbuns em quadrinhos "ainda em 2012". Os projetos, se de fato vingarem, irão se somar a uma série de outros trabalhos autorais nacionais que este ano deve trazer, a se pautar pelas programações das editoras. *** O Quadrinhos na Cia. já anunciava, desde o ano passado, a publicação de outras parcerias entre desenhistas e escritores. A lista inclui: "Campo em Branco", de Emílio Fraia e DW Ribastski; "V.I.S.H.N.U", de Ronaldo Brassane e Fabio Cobiaco; "A Máquina de Goldberg", de Vanessa Bárbara e Fido Nesti; "Guadalupe", de Angélica Freitas e Odyr Bernardi (fora as reedições de "Avenida Paulista", de Luiz Gê, e de "Diomedes", de Lourenço Mutarelli).
Entre os projetos nacionais da Devir, sabe-se que há a terceira parte de "Yeshuah", de Laudo Ferreira Jr. A Annablume trará um novo álbum, "Trópico Fantasma", de Denny Chang. A Conrad já anuncia em seu site "Juliet Circus", de Victor Diógenes, obra que se propõe a apresentar o "sensual universo do circo". *** A Gal irá lançar seus primeiros trabalhos nacionais: "Os Desafiadores do Impossível", de Mauricio Muniz e Alvaro Omine. e "Noite Sangrenta", de M. M. Santos e Joel Lobo. A Kalaco trará "Operação Jovem Guarda", sobre três super-heróis brasileiros publicados no fim da década de 1960. A obra é feita por Arthur Garcia e Rubens Cordeiro. Da Barba Negra, há pouca informação além das já incluídas no catálogo de 2011: "12 Canções - Mixtape da Menina Infinito", de Fábio Lyra, e "Yuka - Música em Quadrinhos". A editora programa para este ano os três projetos vencedores do concurso de quadrinhos, feito em 2011. E há os trabalhos do edital paulista do ProAC (Programa de Ação Cultural). Há os dez novos projetos e parte dos do edital anterior, ainda não publicados. *** Serviço - Onde encontrar os álbuns "A Rua de Lá" e "Cada Um a Seu Modo" - "A Rua de Lá" - Vendas via e-mail dos editores da Graffiti: graffiti76hq@gmail.com Vai haver também um lançamento no dia 3 de março, às 10h, na Livraria Quixote, em Belo Horizonte (rua Fernandes Tourinho, 274) - "Cada Um a Seu Modo" - Vendas via loja virtual do site The Comics Cafe (link)
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 14h09
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18.02.12
Na sala de cinema, levarei teu ingresso. E arrepender-te-ás - Sequência de Motoqueiro Fantasma consegue ser pior do que filme anterior
- Produção estrelada por Nicolas Cage cria algumas cenas constrangedoras de ver
- Longa baseado no anti-herói da Marvel Comics entrou em cartaz nesta semana

O vídeo sobre saídas de emergência exibido antes do longa-metragem na sessão em que estava dizia para o telespectador se acomodar na poltrona e assistir a um ótimo filme. Era propaganda enganosa. De ótimo, "Motoqueiro Fantasma 2 - O Espírito da Vingança" não tem nada. Muito pelo contrário. O que se viu até fazia um convite ao uso das tais saídas, de emergência ou não. O filme, que entrou em cartaz nesta semana, consegue ser pior do que o anterior, exibido em 2007, e que também não era lá essas coisas. *** O Motoqueiro Fantasma é vivido, uma vez mais, pelo ator Nicolas Cage. Já no primeiro filme, ele não tinha acertado o tom sombrio do personagem. Repete o erro nesta sequência. Exagerado, torna constrangedores os momentos em que se transforma no anti-herói. A mudança, como nos quadrinhos, "queima" sua cabeça, restando a caveira, envolta por fogo. Além de ter força acima da média e de dominar uma corrente que destrói, literalmente, quem for atingido por ela, nessa forma ele absorve as almas das pessoas más. A transformação é resultado de um pacto feito com o demônio. O acordo seria para salvar a vida do pai do protagonista, Johnny Blaze. Enganado, convive com o mal deste então. *** Há mais constrangimentos, além da atuação exagerada e fora do prumo de Cage. Um deles. Numa das cenas, Blaze ouve uma pergunta de Danny, menino que tem de ser salvo por ele para não servir ao mal demoníaco (isso resume o enredo do filme). O garoto questiona como o Motoqueiro Fantasma faz xixi quando está transformado. Resposta: a urina é como um lança-chamas. Não bastasse, há um corte na cena e o espectador vê o anti-herói, de costas, soltando urina de fogo. De canto de rosto, a caveira olha para a plateia e esboça uma gargalhada. *** Outra cena constrangedora ocorre na primeira aparição do Motoqueiro Fantasma no filme. Ele precisa deter uma gangue, que está prestes a sequestrar o menino. Em vez de derrotar todos, o anti-herói fica olhando para os bandidos, estático, mexendo a cabeça de um lado para o outro. O que poderia ser resolvido rápido leva minutos. Resultado: metade dos vilões foge. Com o garoto. No final do filme, há cena semelhante, com um número dez vezes maior de oponentes. O Motoqueiro Fantasma usa sua corrente e - pasmem - derrota todos em três segundos. *** O Motoqueiro Fantasma foi criado nos quadrinhos há exatos 40 anos pelos roteiristas Roy Thomas e Gary Friedrich e pelo desenhista Mike Ploog. O personagem tem ocupado desde então um lugar de pouco destaque no rol de criações da editora Marvel Comics, a mesma de Homem-Aranha, Hulk, X-Men e Homem de Ferro. No cinema, afora a divulgação natural de um longa baseado em quadrinhos, repete-se a posição secundária. Mas, desta vez, por conta da baixa qualidade da produção. Fuja do filme. Use o dinheiro do ingresso para outra coisa - troque por um álbum ou revista em quadrinhos. Senão, quem ficará com espírito da vingança será você mesmo.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 22h02
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16.02.12
Mangá reloaded - Séries populares de quadrinhos japoneses ganham reedições no Brasil
- "One Piece" chega às bancas nesta semana em duas revistas mensais
- "Cavaleiros do Zodíaco" é relançado desde janeiro; próxima é "Dragon Ball"

Houve uma espécie de giro de 360 graus no circuito editorial de mangás. Séries que ajudaram a popularizar os quadrinhos japoneses no Brasil retornam em novas edições. A lista de títulos revisitados inclui "One Piece", distribuído nas bancas nesta semana, e "Cavaleiros do Zodíaco". As séries são publicadas pela Panini e pela JBC, respectivamente. "One Piece", de Eiichiro Oda, foi retomado em duas revistas mensais. Uma relança a série do início. Outra continua do ponto onde havia parado na antiga editora, a Conrad, em 2008. Ambas custam R$ 10,90 cada uma. O mangá mostra a história de Luffy, um rapaz que pode esticar o corpo e que almeja conquistar o maior tesouro do mundo. *** "One Piece" esteve entre os mangás mais vendidos no Japão na segunda metade da década passada. Em 2008, beirou os seis milhões de exemplares. A Panini sinaliza apostar nesses números. Tanto que já faz assinatura da série. Pelo menos nesta primeira semana, os primeiros retornos foram positivos. Na loja de quadrinhos Comix, de São Paulo, o primeiro número da revista estava esgotado no fim de semana. A loja havia recebido antecipadamente 500 exemplares. A Panini programa retomar também a série "Dragon Ball", de Akira Toriyama, como a editora anunciou em dezembro do ano passado. *** O fato de a JBC relançar "Cavaleiros do Zodíaco" não deixa de ser irônico: a série era uma das mais vendidas pela concorrente, Conrad, nos primeiros anos da década passada. O mangá começou a ser reeditado em janeiro. O que chegou às bancas nesta semana foi o segundo número (também a R$ 10,90). A série mostra jovens guerreiros dotados de habilidades especiais. Um deles, Seiya, é o foco central da trama. A animação de "Cavaleiros do Zodíaco" foi exibida no Brasil, com muito sucesso, pela extinta TV Manchete na segunda metade da década de 1990. *** Outra série exibida com boa repercussão na TV aberta no fim do século passado foi "Dragon Ball". Esse fato ajudou a transferir a popularidade para os então estreantes mangás. Os dois títulos mensais dividiram o trunfo de popularizar os quadrinhos japoneses no Brasil, após várias tentativas malsucedidades na última década do século passado. As séries foram lançadas pela Conrad no fim de 2000. Foram os primeiros a apresentar a leitura de trás para a frente, como no Japão, algo que se tornou regra a partir de então. Os anos seguintes viram os mangás aumentarem as vendas, a influência e o volume de títulos no país, a ponto de as bancas criarem prateleiras específicas para eles.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 15h50
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13.02.12
Nós vamo invadir tua praia - Invasão de monstros no litoral paulista será tema de HQ de Gustavo Duarte
- Trabalho está em produção e será a primeira história longa do desenhista
- Álbum será publicado pelo Quadrinhos na Cia. e está programado para este ano

Monstros invadem a orla de Santos, no litoral sul de São Paulo. São gigantes. Três ao todo. A cidade está um caos. Por enquanto, são as únicas informações disponíveis.
Os motivos do ataque ainda são desconhecidos. Sabe-se apenas que pelo menos duas pessoas têm informações privilegiadas sobre o caso. Uma delas é o editor do Quadrinhos na Cia., André Conti, que aprovou o roteiro da história em quadrinhos no último dia 15. A outra pessoa é o autor, Gustavo Duarte. É dele a ideia de fazer uma invasão de monstros made in Brazil, à moda dos antigos seriados japoneses, tema de seu próximo trabalho. *** Duarte revela pouco do projeto, além do registrado acima. Diz que será uma história maior, entre 70 e 80 páginas. Será seu trabalho mais longo em quadrinhos. Será em preto-e-branco ou em duas cores, falta definir. O nome também não foi acertado. Entre ele e a editora, usa o termo "monstros" para se referir à obra. O que está certo é que seguirá o estilo de seus trabalhos independentes: terá algum animal - monstros, no caso - e será uma narrativa muda, sem uso de balões e legendas. Ele tem o roteiro pronto e começa a rascunhar os primeiros esboços, como o mostrado acima. Programa entregar tudo à editora em maio. Se tudo der certo, sai em agosto. *** A inspiração foram os antigos seriados japoneses, que passaram no Brasil entre as décadas de 1960 e 80. "Spectreman", exibido pelo SBT, era especial. Ele adorava. "Desde moleque eu gostava mais dos monstros do que dos heróis", diz, por telefone. Tanto que a madrinha dizia que, para agradar, era só dar a ele um "bicho feio" de presente. Nos quadrinhos, os "bichos feios" serão intencionalmente superlativos. "Imagine que eles têm o dobro de um prédio de Santos." Pelo desenho acima, já dá para imaginar... *** A cena irá se passar no Gonzaga, um dos bairros mais conhecidos e turísticos de Santos. Duarte, hoje com 34 anos, aproveitou um evento por lá para fotografar as ruas da cidade. "Eu parecia um turista louco. Eu fotografava o chão, o topo do prédio, bem de baixo, com ângulos diferentes." Voltou para São Paulo, onde mora, com 200 a 300 fotos clicadas. Além deste, Duarte tem agendado outro álbum para este ano: uma história com Chico Bento, personagem de Mauricio de Sousa. Ao contrário das demais, esta terá diálogos. "Assim que acabar este, começo o outro." Pela sua programação, a história de Chico Bento estará pronta para ser publicada em dezembro e terá em torno de 60 páginas. *** Gustavo Duarte era mais conhecido até pouco tempo atrás pelas charges esportivas feitas para o diário "Lance!". Em 2009, ele dividiu o serviço com a produção de quadrinhos. O primeiro foi "Có!". Depois vieram "Taxi", em 2010, e "Birds", no ano seguinte. E os prêmios. Ganhou o HQMix em 2010 e 2011 e, neste início de ano, o Angelo Agostini. Para este 2012, ele não programa nenhum lançamento independente. Os trabalhos para o Quadrinhos na Cia. e a Mauricio de Sousa Produções tomaram o restante do tempo livre. "Poderia ser em anos separados", diz. "Mas trabalho é trabalho. Eu sempre vivi de desenho. Mas é a primeira vez que eu tenho uma demanda tão grande."
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h42
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08.02.12
Mauro dos Prazeres (in memoriam) - Corpo do sócio-fundador da Devir foi enterrado no fim da tarde desta quarta-feira
- Velório e sepultamento ocorreram no Cemitério da Paz, em São Paulo
- Editor morreu na terça-feira; Devir emitiu nota de pesar via redes sociais
Tive poucas conversas com Mauro dos Prazeres. Mas, curioso, lembro-me de todas. O editor era dono de uma eloquência peculiar, daquelas que preenchiam o ambiente. As palavras eram apenas uma pequena amostra da inteligência dele, que era mais conhecido pelo público leitor por ser um dos sócios fundadores da editora Devir. E como era inteligente... Nossos contatos, três ao todo, eram religiosamente anuais. Ocorriam sempre durante uma maratona de vendas de quadrinhos, promovida pela editora nos meses finais do ano. *** O primeiro encontro foi em 2009, numa mesa sobre quadrinhos nacionais, que eu tive a oportunidade de mediar. Mauro estava na plateia, ouvindo a tudo de forma discreta. Discrição que se manteve até tomar a palavra. Mauro fez um depoimento, travestido na forma de pergunta. Foi uma aula detalhada sobre o atual mercado de quadrinhos no país. A fala trouxe uma surpresa atrás da outra. A primeira, mais evidente, foi (re)conhecer nele o rosto desenhado por Lourenço Mutarelli na série de álbuns com o detetive Diomedes. Mutarelli gostava de usar pessoas reais como coadjuvantes de suas histórias. Mauro foi um deles. Comenta-se que não gostou da forma como foi representado. *** Mutarelli retratou o Mauro dos quadrinhos com uma das marcas centrais do Mauro do mundo real: a eloquência. Mas era também uma de suas maiores qualidades. Não se tratava de discursos longos, ocos e redundantes e, por isso, cansativos. Eram dos outro tipo, do melhor tipo. Aprendia-se, muito, com o que se ouvia. Naquela noite de novembro de 2009, o editor citou alguns dos álbuns da editora, lançados no evento: "Yeshuah", "Fractal", "Estação Luz", "Joquempô". Na leitura dele, o diferencial daquele dia estava na quantidade e na qualidade das produções nacionais presentes, algo impensável num passado não tão remoto. *** Pode-se contra-argumentar que Mauro arbitrou em causa própria, que fez um autoelogio, já que era ele quem editava aquelas obras nacionais. O tempo garantiu de mostrar que não, que havia uma sinceridade singular naquelas palavras. Primeiro pela qualidade das obras em si. De fato, são boas. Segundo pelo que ouvi em minha última conversa com ele, em dezembro passado, no mesmo evento. Mostrei a ele uma estante cheia de nacionais e o lembrei do depoimento. Por algum motivo, a conversa e os olhares se ajustaram para um dos lançamentos brasileiros da editora. *** Mauro pegou o álbum e parou numa das páginas. "Está vendo? Há um erro de edição aqui." Frase dita de graça, sem que eu tivesse feito nenhuma cutucada jornalística. Ele detalhou o equívoco, que não era aparente à vista e que precisava se comparado com outras páginas da obra. "Já alertei isso aqui na editora." O meu espanto é que a atitude normal de um editor, numa situação dessas, seria esconder a falha, ainda mais de um jornalista. Mauro, não. Mauro expôs o calcanhar-de-aquiles, sem medo, com a mesma simpatia e sorriso no rosto. Atitude própria de quem é seguro do que faz. *** Em 2010, tive a oportunidade de ouvir outra aula dele. Numa situação completamente atípica. Havia ido à maratona de quadrinhos, garimpei e estava na longa fila do caixa. Mauro me viu passando os olhos numa edição rara de "Miracleman". Era o primeiro número. Ele foi até mim e, sem "oi" nem nada, pegou a revista da minha mão e se espantou: - Ainda existe essa revista? Achei que havia esgotado! Fiz cara de interrogação. O motivo do espanto dele tem a ver com o passado da editora. Aquele primeiro número havia sido o primeiro quadrinho do país distribuído pela Devir. *** - O logo da Devir aparece na capa. Está vendo? Confesso que não sabia. Tanto que nem tinha aquele exemplar, publicado pela primeira vez no Brasil em 1989, pela editora Thanos. Mauro e os demais sócios haviam criado a empresa dois anos antes. Inicialmente, o objetivo era criar um sistema de reservas para quadrinhos importados dos Estados Unidos. Para quem já comprou na loja da editora nos anos 1990, sabe a febre que isso era. Depois, vieram os RPGs. E, por fim, a editora em si, com a publicação de quadrinhos e livros. *** Mauro e a Devir estiveram entre os primeiros a tatetar os quadrinhos em formato álbum, mercado hoje em franca expansão. É uma história que se soma a outras e que ainda precisa ser contada a contento. Mas a parte dele, pelo menos, foi registrada em vida. Mauro e Douglas Quinta Reis, outra inteligência ímpar e sócio na empresa, participaram há pouco tempo da gravação de um depoimento do projeto Sábado das Artes Gráficas. O projeto inicialmente previa versões impressas dos depoimentos. Se de fato ocorrer, ficará ainda mais clara a importância que Mauro teve para o mercado atual de quadrinhos.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 17h29
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07.02.12
Angeli e Laerte planejam nova revista em quadrinhos - Desenhistas comentaram sobre projeto durante gravação do programa "Roda Viva"
- Cartunistas disseram não ser uma nova "Chiclete com Banana", dos anos 1980 e 90
- Angeli e Laerte deram a entender que publicação dará espaço a novos quadrinistas

Os cartunistas Angeli e Laerte têm planos de publicar uma nova revista em quadrinhos. Seria uma volta a um formato que ambos frequentaram durante as décadas de 1980 e 90. Os dois, no entanto, dão poucos detalhes sobre o projeto. Passam apenas pistas. A primeira é que pode ser um espaço para abrigar também novos quadrinistas. A outra pista é que não seria uma nova "Chiclete com Banana", revista de Angeli publicada entre 1985 e a metade da década seguinte. Na leitura deles, o momento editorial é outro. A informação foi comentada na tarde desta terça-feira durante gravação do "Roda Viva", da TV Cultura. O programa vai ao ar na noite do dia 20. Laerte foi o entrevistado. *** Angeli foi um dos cinco integrantes da bancada, responsável pelas perguntas. A informação surgiu numa das conversas entre ele e Laerte. "Podemos abrir o assunto, não é nenhum segredo", comentou Laerte a Angeli, no ar. Apesar das perguntas sobre o projeto feitas na sequência, pouco foi acrescentado. Foi um dos poucos assuntos de quadrinhos abordados no programa. O tema central foi o cross-dressing, nome dado a quem se veste com roupas e ornamentos do sexo oposto. Laerte aderiu ao cross-dressing em 2009 e, desde então, tem se envolvido cada vez mais no tema. No programa, estava de sandálias, vestido, maquiagem e unhas pintadas.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h13
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