19.11.14

Bem-vindo de volta, Lucky Luke

 

Versão sem cortes de matéria minha, publicada na edição de 19.11 da "Folha de S.Paulo".

 

 

Houve três criações importantes do mercado franco-belga de quadrinhos que chegaram ao Brasil na década de 1960. Duas delas – Asterix e Tintim – encontraram novas editoras e permanecem em catálogo. Faltava reeditar a terceira, Lucky Luke. Faltava. A sátira às histórias de faroeste criadas por Morris (1923-2001) será retomada a partir deste fim de ano.

A coletânea vai ser publicada pela Zarabatana Books. Serão 24 volumes, cada um deles com mais de uma aventura do caubói, conhecido por atirar “mais rápido que a própria sombra”. A coleção irá reunir todas as histórias desenhadas por Morris, de 1946 a 2002. Parte delas são inéditas no Brasil.

O conteúdo se baseia no formato como os livros foram publicados na França pela editora Dupuis. Na versão em português, os títulos serão impressos em duas versões: uma em capa dura, com menor tiragem, e outra em capa mole (144 págs. cada uma).

Segundo Claudio Roberto Martini, 59, editor da Zarabatana Books, a programação é lançar dois álbuns por ano. Se não houver alterações, a coletânea estará concluída em 2026. Ao contrário do que ocorreu na França, a coleção irá iniciar pelo quarto volume, que traz histórias publicadas entre 1956 e 1957.

“É a partir dessa data que está consolidado o traço do Morris e é quando o [René] Goscinny começa a escrever os roteiros. As histórias e os personagens ficam mais bem estruturados”, diz Martini. De acordo com ele, os três primeiros livros serão editados depois.

René Goscinny (1926-1977) é mais conhecido pelo trabalho com Asterix, série criada por ele e pelo desenhista Albert Uderzo em 1959. A parceria com Morris – pseudônimo do belga Maurice De Bevere – teve início quatro anos antes. O escritor, porém, só passou a ser creditado em 1956.

No livro da Zarabatana Books, Goscinny assina duas das três histórias: “Lucky Luke contra Joss Jamon” e “Os Primos Dalton”, lançadas originalmente em capítulos entre 1956 e 1957. Na primeira, Goscinny faz uma participação: Morris desenhou um dos vilões, Pete Indeciso, com o rosto do roteirista francês.

Criação

Lucky Luke foi criado em 1946 para uma edição especial da publicação belga “Le Journal de Spirou”. No ano seguinte, o caubói se tornou personagem fixo. Pouco depois, as histórias começaram a ser reeditadas em álbum.

As compilações ajudaram a dar maior longevidade à série e a conquistar novos mercados. No Brasil, “Os Primos Dalton” foi lançado em 1966 pela extinta Bruguera. A editora era responsável também pela revista semanal “Tintim”. Foi nela que saiu, dois anos depois, a história “Lucky Luke contra Joss Jamon”, em 21 capítulos.

O personagem teve ainda passagem pela RGE (Rio-Gráfica Editora), que publicou cinco álbuns e um livro de bolso na década de 1970. A série foi retomada em 1983 pela Martins Fontes, que lançou 20 obras num período de quatro anos. Lucky Luke não era editado desde então.

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h37
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25.10.14

HQ em BD

 

 

Versão completa de reportagem minha publicada em 24.10 na "Folha de S.Paulo"

 

 

A obra “Estórias Gerais” foi rebatizada de “Le Brigand du Sertão”. “Morro da Favela” se tornou “Photo de la Favela”. “Cachalot” perdeu o “e” final. O título de “Copacabana” foi mantido do mesmo jeito na versão editada na França, país onde os quatro álbuns brasileiros estão sendo publicados.

É algo novo e um feito ao mesmo tempo. Novo: trabalhos nacionais até então não eram considerados pelas editoras de lá – no máximo, autores daqui eram contratados para escrever ou desenhar algum álbum. Um feito: trata-se de um mercado editorial gigantesco e de difícil penetração.

Os números falam por si. No ano passado, foram lançadas na França 5.159 obras, segundo levantamento da Associação dos Críticos e Jornalistas de Histórias em Quadrinhos, entidade mantida no país. Pouco mais da metade – 3.882 – trazia material inédito.

“Copacabana” será um dos trabalhos novos deste ano a engrossar as estatísticas do mercado francês de quadrinhos. O álbum começou a ser vendido em setembro, publicado pela Warum. A capa e os dados da versão francesa já constam no site da editora.

Lançada no Brasil em 2009 pela Desiderata e ambientada no Rio de Janeiro, a obra mostra fragmentos da vida de prostitutas e de figuras urbanas do bairro de Copacabana. Os desenhos são de Odyr Bernardi. O roteiro foi assinado pelo gaúcho S. Lobo, 44, responsável pelo contato com a editora francesa, intermediado por uma conhecida.

Na leitura de Lobo, a produção nacional alcançou um nível de qualidade internacional. A inserção no mercado europeu seria uma consequência natural disso. Mas o fato de a história ser ambientada no bairro carioca com maior apelo turístico fora do país teria ajudado a fechar o negócio.

“Tenho certeza de que isso foi decisivo. Pensei muito nisso antes de dar nome ao álbum, queria um título que melhorasse as possibilidades dele no exterior”, diz. “Mas me parece que o mercado francês se interessa por temas sociais, como prostituição, favela e afins, o que ajudou bastante.”

A publicação de “Morro da Favela”, de André Diniz, 39, ajuda a comprovar a tese. Ambientado numa das favelas cariocas, o álbum faz uma biografia em quadrinhos do fotógrafo Maurício Hora. Publicado no Brasil em 2011, ganhou versão francesa há dois anos. O trabalho foi apresentado à editora por e-mail.

A obra conseguiu boa repercussão na mídia europeia. As resenhas, reportagens, entrevistas e vídeos sobre o livro são sistematicamente citados no site da francesa Des Ronds dans l´O Éditions, que publicou o trabalho. O autor foi convidado a divulgar o álbum no país. Ganhou até exposição.

A passagem pelo exterior exigiu também um esforço pessoal. Diniz usou parte da venda de um carro e de um apartamento para investir num curso de língua francesa e numa viagem à Europa. Deu resultado: já tem apalavrada uma segunda publicação, uma versão em quadrinhos de “O Idiota”, do russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881).

“A França é o oposto dos Estados Unidos”, diz o quadrinista. “Eles [os editores franceses] estão realmente interessados pelo que se faz e pelo que se vive fora do país.” Coincidência de datas, poucos meses depois de “Photo de la Favela”, a editora Cambourakis publicou o álbum “Cachalote”, da dupla Daniel Galera e Rafael Coutinho.

No primeiro semestre deste ano, chegou ao mercado francês a tradução de “Estórias Gerais”, trabalho roteirizado pelo mineiro Wellington Srbek, 39, com arte de Flavio Colin (1930-2002). Ambientada no sertão brasileiro, a história retrata o conflito armado entre grupos rivais de jagunços.

“Estórias Gerais” teve três edições no Brasil, a primeira delas independente. Srbek reforça a ideia de que o regionalismo brasileiro ajudou a atrair a atenção para a obra. Não por acaso, a editora do álbum, Sarbacane, destaca em seu site a proximidade da história com elementos dos romances de Jorge Amado (1912-2001).

“É o reflexo de um interesse renovado pelo Brasil e pelas particularidades de nosso país no exterior. Reflexo também da alta qualidade das histórias em quadrinhos que produzimos por aqui e que têm sido descobertas pelas editoras locais e agora estrangeiras.”

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 20h35
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16.09.14

Olhares sobre o Proac

 

(Versão ampliada de matéria minha, publicada na "Folha de S.Paulo" em 15.09)

 

 

Há quatro caminhos para publicar quadrinhos hoje no Brasil: 1) via editoras; 2) bancar do próprio bolso; 3) por meio de arrecadação coletiva de leitores na internet; 4) com o auxílio de leis de incentivo à produção. É deste último mecanismo a fonte de boa parte dos álbuns nacionais lançados neste ano.

Dos títulos com narrativas longas publicados em 2014, cinco foram bancados pelo Proac (Programa de Ação Cultural), do Estado de São Paulo. Mantido desde 2008, o edital voltado à criação de histórias em quadrinhos tem gerado desde então um lote anual de obras, publicadas individualmente pelos autores ou em parceria com editoras.

“Cumbe”, lançado este mês, foi um dos projetos contemplados. Para Marcelo D´Salete, criador da obra, sem a verba do edital, seria difícil viabilizar o trabalho. O autor, um dos 15 selecionados em 2013, ganhou R$ 40 mil para criar, editar e imprimir a história.

Avalio que ainda temos poucos editores realmente sensíveis para analisar o que tem sido feito de quadrinhos hoje. Já enviei propostas de publicações para editoras que nunca me responderam.”

Para Davi Calil, outro selecionado, a lei de incentivo à produção ajuda, mas não é suficiente. Na leitura dele, trata-se de uma “ajuda de custo”, que colabora para pagar apenas parte dos gastos. O quadrinista publicou no mês passado o álbum “Quaisqualigundum”, que trazia histórias baseadas em músicas de Adoniran Barbosa.

“Quarenta mil reais parece muito, mas, quando você calcula os gastos, principalmente no ´Quaisqualigundum´, em que tivemos de pagar direitos autorais, não sobra quase nada.” Na leitura dele, o ideal seria que a verba fosse suficiente para o autor de dedicar apenas à criação da obra.

Magno Costa, que publicou no começo do ano o álbum “A Vida de Jonas” com verba do Proac, o programa funciona como uma espécie de atrativo para as editoras. Com o dinheiro na mão e um projeto já iniciado, aumentam as chances de emplacar a proposta. “Você tem a visibilidade necessária para ter a atenção do editor.” O trabalho dele saiu pela Zarabatana Books.

Alcimar Frazão, um dos desenhistas de “Ronda Noturna”, outro projeto do programa lançado este ano, é mais contundente: o edital seria um dos responsáveis pelo amadurecimento da criação nacional de quadrinhos.

“O incentivo à produção que dificilmente encontra escoamento pelas editoras, a necessidade dos artistas se planejarem a longo prazo e produzirem um álbum de corpo. Isso faz bastante diferença no médio prazo.” 

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h30
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15.09.14

Quadrinhos narram busca de escravos por liberdade

 

(Matéria minha, publicada na edição de 15 de setembro da "Folha de S.Paulo")

 

 

Quais seriam as histórias de liberdade dos escravos na época colonial? Foi com base nessa ideia que o quadrinista Marcelo D'Salete, 34, imaginou os quatro contos do livro de histórias em quadrinhos "Cumbe" (ed. Veneta).

O sonho de ser dono de si é materializado em diferentes histórias de relacionamento, protagonizadas pelos escravos. Do contato amoroso ao fraternal, do convívio coletivo à motivação individual.

"A escravidão foi uma forma brutal de desumanização e distorção das relações entre negros e brancos. Um fato que marcou e marca nossa realidade social até os dias de hoje. Rever esse período, recriar essa história a partir dos fatos que temos hoje, é tentar também repensar o presente", diz D'Salete.

A construção das narrativas veio de pesquisas feitas pelo autor. A palavra que dá título à obra e a um dos contos é fruto desse levantamento. "Cumbe" seria sinônimo de quilombo.

Um glossário no final do livro, com outros 13 verbetes citados nas histórias, traduz os termos ao leitor.

O vocabulário comum à cultura dos escravos intitula também os outros trabalhos do livro: "Calunga" (mar, entre outros significados), "Sumidouro" (poço onde eram jogados escravos rebeldes), "Malungo" (companheiro). Enredos distintos, unidos por diferentes maneiras de encontrar a liberdade.

Outro ponto comum entre as quatro histórias da obra é o estilo narrativo do quadrinista. D'Salete tem uma predileção por vai e vens temporais, transitando de uma determinada situação para outras, anteriores a ela.

Foi um recurso já usado por ele nos dois livros anteriores, "Noite Luz" (Via Lettera, 2008) e "Encruzilhada" (Leya/Barba Negra, 2011).

"Construo as minhas histórias de forma fragmentada. Gosto muito de criar a partir de cenas e de explorar as possibilidades entre cada quadro e momento."

E reflete: "Imagino que talvez essa forma de construção apareça no meu trabalho devido à influência de alguns filmes, diretores de cinema e escritores".

Paulistano, professor da Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo, D'Salete planeja reprisar a temática escravocrata num projeto iniciado há oito anos: narrar a história do Quilombo dos Palmares ao longo de 300 páginas. Negro, tem na própria raça uma de suas motivações.

"Minha proposta é recontar esta saga a partir do olhar dos negros e africanos que estavam naquele local, não somente a partir dos principais líderes, mas também de personagens comuns."

"É uma história baseada em fatos históricos, mas quis recontar isso de forma poética e pessoal", explica.

CUMBE

AUTOR Marcelo D'Salete
EDITORA Veneta
QUANTO R$ 29,90 (176 págs.)

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Escrito por PAULO RAMOS às 09h42
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11.09.14

Antônio Cedraz (1945-2014)

 

  • Desenhista morreu na manhã desta quinta-feira, em Salvador, vítima de câncer
  • Cremação está marcada para 16h30 no cemitério Jardim da Saudade, na Bahia
  • Cedraz ficou conhecido pela série Turma do Xaxado; estava com 69 anos

 

 

 

A alegria dos personagens da Turma do Xaxado, mostrada acima, contrasta com a notícia a ser dada sobre seu criador, morto na manhã desta quinta-feira em Salvador (BA).

Antônio Cedraz combatia um câncer no intestino, problema que acompanhava o desenhista baiano há alguns meses.

Segundo o jornal "A Tarde", de Salvador, onde publicava suas tiras, o desenhista estava internado desde 31 de agosto no Hospital Português, também na capital baiana. 

A cremação do corpo está agendada para as 16h30 desta quinta-feira. A cerimônia será realizada no cemitário Jardim da Saudade, no bairro de Brotas.

                                                         ***

Cedraz foi o criador da Turma do Xaxado. Na Bahia, a série é bastante popular. O autor tinha no estado um destaque semelhante a Mauricio de Sousa.

O autor batalhava para tornar as tiras conhecidas no restante do país. Em entrevista dada ao blog, em julho de 2008, ele via na distribuição um dos entraves.

"A nossa editora não tem distribuição nacional e fica difícil. Uma grande ajuda está sendo dada pela publicação de tiras em livros didáticos", dizia, na ocasião.

Desde então, a série ganhou uma revista nas bancas, pela HQM. A publicação foi cancelada no quarto número. Também teve livros lançados pela Martin Claret.

                                                         ***

Nascido em Miguel Calmon (BA), Cedraz migrou da atividade de professor para a de criador de histórias em quadrinhos.

Com a Turma do Xaxado, construiu um farto catálogo de livros. As obras traziam tanto coletâneas de tiras quanto temas específicos.

As histórias tinham como ponto comum o diálogo com temas da realidade brasileira, em particular a seca do sertão, onde as tiras eram ambientadas.

"Acho que o maior mérito do Xaxado é falar das coisas do Brasil, lendas, política e outras coisas", dizia, na mesma entrevista concedida ao blog em julho de 2008.

                                                         ***

Autor e personagens serão homenageados na próxima edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), a ser realizada no ano que vem em Belo Horizonte (MG).

A Fundação Municipal de Cultura e a coordenação do evento divulgaram nota hoje lamentando a morte.

"Esperamos honrar sua vida e obra, fazendo um festival que, além das homenagens, possa disseminar sua importante contribuição aos quadrinhos", acrescentava o texto.

O jornal "A Tarde", de Salvador, informou hoje que irá publicar tiras de Cedraz até o final do mês. A desta quinta-feira é a reproduzida logo abaixo.

 

 

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h03
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08.09.14

Divulgados premiados do HQMix

 

  • Organização do prêmio de quadrinhos divulgou vencedores nesta segunda-feira
  • Níquel Náusea, de Fernando Gonsales, será tema do troféu a ser entregue
  • Cerimônia de premiação será no sábado, às 17h, no Sesc Pompeia, em São Paulo

 

 

 

Confira os premiados:

 

Adaptação para os quadrinhos – Dom Casmurro (Devir)

Desenhista de Humor Gráfico - Alpino

Desenhista Estrangeiro – Enki Bilal

Desenhista Nacional - Shiko

Destaque Internacional - André Diniz

Destaque Latino-Americano – El Viejo (Alceo e Matías Bergara - Uruguai)

Destaque Língua Portuguesa – Banda Desenhada da Língua Portuguesa – BDLP - (diversos - Angola/Portugal)

Edição Especial Estrangeira – Pobre Marinheiro (Balão)

Edição Especial Nacional – Turma da Mônica – Laços (MSP/Panini)

Editora do Ano - Nemo

Evento – FIQ BH – Festival Internacional de Quadrinhos BH

Exposição – Ícones dos Quadrinhos (FIQ BH – Ivan Freitas da Costa)

Grande Contribuição – Catarse HQ

Grande Mestre - Angelí

Homenagem Especial – Memória Gráfica Brasileira – MGB
(
http://www.memoriagraficabrasileira.org/)

Livro Teórico – Marvel Comics – A história secreta (LEYA)

Novo Talento - Desenhista – Lu Cafaggi

Novo Talento - Roteirista – Pedro Cobiaco

Produção para Outras Linguagens – Cena HQ (Caixa Cultural)

Projeto Editorial – Coleção Moebius (Nemo)

Publicação de Aventura/Terror/Ficção – Piteco – INGÁ (MSP/Panini)

Publicação de Clássico – FRADIM (Henfil – Educação de sustentabilidade)

Publicação de Humor Gráfico – Os Grandes Artistas da MAD – Aragonés (Panini)

Publicação de tira - Valente Por Opção (Panini)

Publicação Independente de Autor – Beijo Adolescente 2 (Rafael Coutinho)

Publicação Independente de Grupo – Café Espacial nº12

Publicação Independente Edição Única – O Monstro (Fabio Coala)

Publicação Infanto-Juvenil - Turma da Mônica – Laços (MSP/Panini)

Publicação MIX – Friquinique! (Independente)

Roteirista Estrangeiro - Robert Kirkman

Roteirista Nacional – Vitor e Lu Cafaggi

Salão e Festival – 1º Bienal Internacional de Caricatura (Luciano Magno)

Tese de Doutorado - Carlos Manoel de Hollanda Cavalcanti (Universidade Federal – RJ)

Tese de Mestrado – Tiago Canário (PUC – PR)

Tira Nacional – Manual do Minotauro (Laerte)

Trabalho de conclusão de Curso (TCC) – Luiz Henrique Bezerra (PUC –PR)

Web Quadrinhos – Terapia (http://petisco.org/terapia/)

Web Tiras – Overdose Homeopática (http://www.overdosehomeopatica.com/)

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h22
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07.09.14

Diário do Gibicon - Dia 3 

 

O terceiro dia e penúltimo dia do Gibicon teve mesas aos montes. Não deu para assistir a todas. Mas deu para saber, em linhas gerais, o que foi debatido em cada uma.

Catarse, sistema de arrecadação virtual que tem ajudado a viabilizar impressão de quadrinhos: trouxe grande contribuição, mas é preciso saber gerir direitinho o esquema.

Quadrinhos autorais: fomento governamental à produção é estratégico, tanto para autor quanto para editoras. Há diferença de visões sobre o papel das livrarias e das bancas.

Coleção "Graphic MSP": o Louco será o personagem de um próximo álbum, a ser produzido pelo ainda pouco conhecido Rogério Coelho, quadrinista de Curitiba.

                                                         ***

Com menos mesas para mediar, foi um dia mais calmo para circular pelos três andares do Museu de Arte (MuMA), onde o evento de quadrinhos foi realizado.

No subsolo e no andar de cima, estavam concentradas as várias exposições. Exposições que, somente neste terceiro dia, tive tempo de visitar.

Os temas variavam. Iam do quadrinho inglês ao argentino, passando por produções de autores brasileiros. Listo a seguir imagens das mostras, seguidas de legendas.

A mais impressionante era a de Renato Guedes. Conhecido por desenhar super-heróis as norte-americanas DC e Marvel Comics, parecia outro autor. Começo com ela:

 

 

 

 

Cenas de "Imersão", composta por telas desenhadas pelo brasileiro Renato Guedes

 

 

"Luz e Sombras - O Universo Fantástico de Salvador Sanz" (a foto não ficou muito boa...)

 

 

Original de Bidu, do álbum homônimo, produzido para a coleção "Graphic MSP"

 

 

Exposição de trabalho de Km Jung Gi, um dos convidados internacionais do Gibicon

 

 

Visitas às imagens criadas pelo inglês David lloyd, outro convidado internacional

 

 

Cartum de Solda, veterano desenhista, homenageado nesta segunda edição do evento

 

 

Uma das charges de "O Que Aconteceu com a Seleção Brasileira?"

 

 

Cena de "Breve História do Mangá no Brasil"

 

 

 

Original de Flavio Colin, item do acervo da Gibiteca de Curitiba

 

 

Uma das leituras de "O Gralha", personagem da cidade, que teve diferentes artes

 

 

Arte do argentino Eduardo Risso, presente em uma das exposições

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h20
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06.09.14

Diário do Gibicon - Dia 2

 

 

 

"Combati a ditadura por décadas. Fui abatido pelo politicamente correto."

A declaração de Luis Solda (foto acima) foi a grande surpresa da mesa sobre autores de Curitiba, realizada na manhã desta sexta-feira, segundo dia do Gibicon.

Surpresa porque um debate com quadrinistas da cidade-sede do evento de quadrinhos já havia ocorrido nas duas edições anteriores, com os mesmos autores.

Se a plateia esperava mais do que mesmo, enganou-se. O que ouviu foi um relato de como uma carreira construída por anos pode ser ofuscada por um preconceito inexistente.

                                                         ***

A frase de Solda se referia ao fato de o veterano cartunista ter seus serviços boicotados por empresas. Ele diz ter deixado de ser procurado para novos trabalhos.

A falta de novas ofertas seria consequência de um caso do qual foi vítima em março de 2011. Ele foi demitido do jornal "Paraná On-Line" por conta de uma charge.

O desenho mostrava um macado dando uma banana para Barack Obama (veja imagem acima). O presidente norte-americano havia visitado o Brasil dias antes.

A charge foi alvo de críticas nas redes sociais e de entidades relacionadas aos direitos dos negros. A arte foi lida equivocamente como racista: o macaco seria Obama.

                                                         ***     

A demissão de Solda pelo jornal funcionou como uma espécie de atestado de que ele havia errado. O eco, segundo ele, é sentido até hoje. Empresas o veem como racista. 

A informação pegou de surpresa também a mesa. Benett, Pryscila Vieira, Marco Jakobsen e Paixão, todos do Paraná, sugeriram que o colega buscasse ressarcimento na justiça.

Hoje, Solda faz trabalhos para uma página virtual.

O caso do chargista não foi a única declaração contundente dada numa das mesas do Gibicon. Outra surgiu na última mesa do dia, sobre quadrinhos argentinos.

 

 

"A indústria norte-americana de super-heróis é uma máquina de devorar desenhistas."

Foi dessa forma que o argentino Eduardo Risso disse enxergar a inserção de autores sul-americanos no disputado mercado de quadrinhos dos Estados Unidos.

Ganha força a frase quando se vê o histórico de Risso. Desenhista premiado, fez a arte de uma das séries mais badaladas de lá, "100 Balas", concluída recentemente pela Panini.

Segundo o quadrinista, a pessoa não suporta aquele ritmo industrial por tanto tempo. Elogiou o brasileiro Marcelo Campos, pioneiro nesse mercado, por saído abandonado essa área.

                                                        ***

Risso comentou sobre suas obras e a respeito de como enxerga o mercado contemporâneo argentino. Na leitura dele, houve duas mudanças sensíveis se comparado a outros tempos.

A primeira alteração seria a quebra do sistema de distribuição. O pouco que obras chega hoje se restringe à capital Buenos Aires e a outras cidades maiores do país. 

Outra alteração seria o uso do formato livro. Isso seria bom, por um lado, por destacar o lado autoral. Por outro, deixaria de lado os novos quadrinistas.

O desenhista acredita que uma forma de contornar essas duas deficiências seriam justamente congressos como o Gibicon. Realizados tanto aqui no Brasil quanto na Argentina.

                                                         ***

Dividia a mesa com Risso o também argentino Salvador Sanz - tive a oportunidade de mediar o bate-papo. Sanz é presença regular no Gibicon. Esteve nas três edições do evento.

Sanz emendou o debate com uma generosa fila de autógrafos, realizada antes do debate. Ele lança no encontro o álbum "Legião", terceiro livro dele pela Zarabatana Books.

Conhecido por ter um traço bastante realista e detalhado, ele diz demorar até três dias para compor uma página.

Esse cuidado o impediria de aceitar trabalhos no exterior, marcados por um ritmo mais ágil. Para 2015, finaliza a adaptação de um conto de "Mitos de Cthulhu", de Lovecraft.

 

 

Houve outras mesas neste segundo. Infelizmente, a escolha de Sofia impede de assistir a todas.

Pela manhã, autores brasileiros debateram a inserção no gordo mercado editorial francês - em 2013, o país lançou mais de 5 mil títulos. Outra discutiu o financiamento virtual.

No começo da tarde, pude mediar um papo sobre os eventos de quadrinhos realizados no Brasil (foto acima).

Participaram os organizadores do Gibicon, FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), Multiverso Comicon, Fest Comix e dos troféus Angelo Agostini e HQMix.

                                                         ***

Foi consenso que organizar atividades como esta do Gibicon são um trabalho de amor aos quadrinhos - a palavra "amor" foi citada mais de uma vez pelos palestrantes.

De novidade, algumas, instadas nas falas finais de cada um dos organizadores. Fabrizio Andriani disse que teve aprovação da Lei Rouanet para realização do Gibicon 3, em 2016.

Jal afirmou que os premiados do Troféu HQMix serão divulgados até este domingo. A entrega é dia 13. Duas das pesquisas sobre quadrinhos vencedoras, segundo ele, são de Curitiba.

Emerson Vasconcelos anunciou que Sidney Gusman, editora da Mauricio de Sousa Produções, será o homenageado do ano que vem do Multiverso Comicon. O Fest Comix será em junho.

 

 

Entendi somente neste segundo dia de Gibicon meu estranhamento inicial de ter encontrado apenas pouco mais de uma dezena de lançamentos independentes no evento.

Eu havia percorrido apenas os estandes da parte de dentro do MuMA (Museu de Arte), local de realização do evento, que vai até este domingo.

Do lado de fora, na parte de trás do museu, havia um corredor com várias mesas de autores. O número de lançamentos mais que dobrou - eu havia somado 12 no primeiro dia.

De diferentes estados, com formatos e temáticas variadas, eles ficaram o dia expondo os trabalhos. Diante de um frio cortante. À noite, então, estava desalentador ficar ao ar livre.

                                                         ***

Encerro com a pergunta que abriu a mesa sobre a relação entre quadrinhos e cinema, tão atual - foi um debate que começou bem, mas se perdeu após as perguntas da plateia.

A questão colocada para a mesa foi: qual a melhor e qual e pior adaptação de quadrinhos para o cinema?

Deixo para o leitor registrar as opiniões nos comentários. 

Vamos ao terceiro dia.

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Escrito por PAULO RAMOS às 00h06
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05.09.14

Diário do Gibicon - Dia 1

 

 

Havia uma certa expectativa em torno da segunda edição do Gibicon, iniciada nesta quinta-feira, em Curitiba. A espera pautava-se na qualidade das duas anteriores.

É bom que se explique a matemática logo de início: duas anteriores porque uma houve uma edição zero antes da primeira. Logo, esta é a segunda de um total de três.

Uma marca vista antes foi reprisada: o envolvimento da cidade no encontro de quadrinhos. Na saída do aeroporto, o balcão de informações expunha o caderno de programação.

Alguns pontos de ônibus reproduziam anúncios enormes, com desenhos do protagonista de "V de Vingança", do inglês David Lloyd, um dos convidados, e de outros participantes.

                                                          ***

A logística do evento aos convidados está impecável. Representantes da organização, sorriso no rosto, ficam posicionados nos pontos estratégicos, aeroporto, hotel.

Não foi deles, e nem poderia ser, a culpa por não ter podido assistir às duas mesas iniciais da manhã. A responsabilidade é da GOL.

A empresa aérea cancelou o voo das 9h17 da manhã. Isso dentro da sala de embarque, check-in já feito. O reagendamento foi feito para 10h45 - saiu 11h15.

Uma inesperada chegada a Curitiba no início da tarde permitiu acompanhar apenas a segunda parte das mesas vespertinas. E ter um primeiro contato com o evento em si.

                                                         ***

A primeira diferença desta edição em relação às duas anteriores é que tudo passou a ser concentrado num local só, o MuMA (Museu de Arte).

Nos dois primeiros Gibicon, a programação era dividida em vários pontos do atraente centro curitibano - o museu fica no Portão, bairro a cerca de 15 de carro da região central.

A opção por distribuir a agenda dividia opiniões nas conversas ouvidas aqui e ali.

Eu estava entre os que gostavam disso. Dava ao evento ares de Angoulême, cidade francesa que abriga a principal premiação de quadrinhos do mercado europeu.

                                                         ***

A alternação de concentrar os compromissos num único prédio, por outro lado, tem vantagens inegáveis. Fica mais fácil de se localizar e de encontrar autores. Esbarra-se neles, na verdade.

Virou lugar-comum encontrar rodinhas de quadrinistas e afins nos dois andares em que o evento concentrou as atividades neste primeiro dia. 

Logo na entrada, havia um estande da loja Comix, de São Paulo. Descendo as escadas, a Itiban, de Curitiba, concentrava parte das obras que seriam autografadas no evento.

Fora as duas, os demais estandes eram de autores independentes. A maioria se juntou para dividir os custos. Por isso, encontram-se trabalhos diferentes pelas várias mesas.

 

 

Reservei uma hora entre o final da tarde e o início da noite para visitar os estandes dos autores, cerca de dez - com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Havia muitos trabalhos já publicados em anos anteriores, à disposição para venda. Nada de atípico ou criticável nisso. Se o autor não expuser seu material, quem irá?

E, não custa registrar, um livro só é de fato novo quando é descoberto pelo leitor.

Para, para marinheiro de outras viagens, que já havia visitado e lido muitas aquelas regiões impressas, o interesse natural era conhecer os novos lugares, lançados especificamente no evento.

                                                         ***

O critério foi o mesmo de outros eventos de quadrinhos, Gibicon anteriores inclusive: passar de estande em estande, comprando o que fosse novo, feito para ser lançado ali.

A primeira contagem somou 12 trabalhos: "Paf Paf", "Tudo já foi Dito", "Fulanos & Fulanas", "Objetos Inanimados", "Batsuman Ano Um (E Dois Também)", "Dora", "Fim do Mundo", "Morphine", "Bobo da Corte - Bobo no Banheiro", "Blue - Um Dia de Gato", "Monstrorum História", ""Muiraquitã e a Fúria do Anhangá".

Há mais mais. Serão descobertos nestes próximos dias. O leitor também pode ajudar, indicando nos comentários ou por e-mail os que eventualmente estão faltando.

Detalhe relevante: quatro deles, ou seja, um terço, foram financiados via Catarse. O sistema virtual de arrecadação tem viabilizado vários projetos em quadrinhos recentes.

 

 

Não por acaso o Catarse será tema de uma das mesas que abrem o segundo dia do evento. Está agendada para as 10h. Paralelamente, outra, sobre mulheres nos quadrinhos.

No dia de abertura, as tiras foram o assunto de um dos debates, debatido por Benett, Pryscila Vieira, Vitor Cafaggi, Fabio Coala, Carlos Ruas e Luli Pena (foto acima).

Ficou claro que a internet exerce hoje papel fundamental para essa forma de produção. Tanto de divulgação quanto de produção em si. Alguns deles já vivem disso.

Cafaggi, que lança no evento o quarto volume de "Valente", publicado pela Panini, revelou que a tira irá até o sexto volume. Depois, diz já ter ideia de três outras possíveis séries.

                                                        ***

O segundo dia do Gibicon tem na programação mesas ecléticas, da presença dos autores brasileiros no exterior à sobre eventos de quadrinhos no país.

A síntese fica para amanhã.

                                                         ***

A ética exige que registre: viajo a convite da organização do Gibicon.

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Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
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23.05.14

Príncipes das Astúrias

 

  • Prêmio espanhol Príncipe das Astúrias anunciou Quino como um dos ganhadores
  • Segundo o júri, histórias do desenhista argentino permanecem atuais e universais
  • Condecoração será entregue no segundo semestre; prêmio existe desde 1981

 

 

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h26
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21.05.14

Protestos via mangá

 

  • "Prophecy", já à venda, discute papel de mobilização por meio da internet
  • Mangá de Yoko Kuhan mostra assassino que usa redes sociais para anunciar crimes
  • Lançamento é da editora JBC; obra será publicada em três volumes

 

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 12h00
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19.05.14

Divulgada lista final do Troféu HQMix

 

  • Organização do HQMix divulgou indicados na manhã desta segunda-feira (19.05)
  • Relação conta com 28 categorias; votação será feita por profissionais da área
  • Data de divulgação dos vencedores ainda não foi divulgada; lista por ser lida aqui

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h34
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09.04.14

Dark Horse Apresenta no Brasil

 

  • Revista da editora norte-americana Dark Horse será lançada nesta semana no Brasil
  • Publicação mensal da HQM trará histórias curtas de autores importantes dos EUA
  • Estreia de "Dark Horse Apresenta" trará Frank Miller, Mike Mignola e Neal Adams

 

 

 

Uma das revistas de maior repercussão na história recente dos quadrinhos norte-americanos será lançada esta semana no Brasil, primeiro em lojas de quadrinhos, depois nas bancas.

"Dark Horse Apresenta" (HQM Editora, R$ 12,90, 84 págs.) tem como marca central trazer histórias curtas de autores importantes do mercado estadunidense.

Já circularam pela publicação séries como "Sin City", de Frank Miller, já adaptada para o cinema, e "Concreto", de Paul Chadwick. Os dois autores retornam neste número.

De Miller, vai haver uma entrevista e uma prévia de "Xerxes", história com o personagem do brasileiro Rodrigo Santoro nos filmes da série "300 de Esparta".

                                                            ***

Além de Miller e Chadwick, a revista traz outros nomes importantes do mercado estadunidense, como Mike Mignola (de "Hellboy") e Howard Chaykin ("American Flagg!").

Mas talvez o autor mais inusitado deste primeiro número seja Neal Adams, de 73 anos.

O veterano desenhista ficou conhecido por histórias de Batman e Lanterna Verde produzidas na década de 1970. Todas ganharam mais de uma publicação no Brasil.

Adams continuou no mercado. Mas pouco dessas produções chegou ao país.

                                                            ***

"Dark Horse Presents" teve três versões nos Estados Unidos. A primeira surgiu em 1986, com a criação da editora.

A publicação ficou conhecida por servir de base de lançamento de séries autorais dos mais variados temas. Algumas delas ganharam edições próprias no Brasil, como "Concreto".

A segunda versão da revista, editada no final da década passada, procurava circular conteúdo na internet. Em 2011, a publicação voltou à plataforma impressa.

É dessa última etapa o conteúdo que a HQM traz. E em boa hora. O título mensal tem tudo para apadrinhar os órfãos da revista "Vertigo", cancelada este mês pela Panini.

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Escrito por PAULO RAMOS às 15h35
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05.03.14

Vertigo chega ao fim

 

  • Revista "Vertigo" será cancelada no número 51, programado para este mês
  • Informação foi confirmada no editorial da edição 50, recém-lançada
  • Editora Panini ainda não se pronunciou sobre o fim da publicação mensal

 

 

A expectativa é que o número 51 da revista "Vertigo" trouxesse apenas o desfecho da série "Escalpo", uma das principais do título mensal. Mas trará também o fim da publicação.

A informação foi confirmada no editorial do número 50, recém-lançado em lojas especializadas em quadrinhos e que deve chegar esta semana às bancas.

Os motivos do cancelamento da revista, no entanto, não foram revelados. A editora Panini, responsável pela obra, também não emitiu ainda nenhum informe oficial a respeito.

O que há de concreto é que a última edição trará uma história de "Hellblazer" e irá concluir "Escalpo", que conta a história de um agente infiltrado numa reserva indígena dos EUA.

                                                           ***

O editorial informa que os trabalhos da Vertigo serão publicados por meio de encadernados, algo que vem ocorrendo desde que a Panini assumiu os direitos desses títulos.

Vertigo é o nome dado à linha adulta de quadrinhos da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha.

No ano passado, a empresa migrou alguns personagens da Vertigo, como Hellblazer, para o mesmo universo dos demais super-heróis da casa.

Hellblazer, por exemplo, ganhou uma publicação solo aqui no Brasil, "Constantine", nome do personagem que dá título à série. O número de estreia foi lançado no fim de fevereiro.

                                                           ***

Houve mais de uma tentativa no Brasil de lançar uma revista que agregasse vários trabalhos adultos da DC Comics. A da Panini foi a mais bem-sucedida.

O primeiro número começou a ser vendido em outubro de 2009, meses depois de a editora multinacional ter adquirido os direitos de publicação da Vertigo no país.

A estratégia da revista, editada por Fabiano Denardin, foi a de mesclar a conhecida "Hellblazer", tão publicada por outras editoras, com diferentes séries novas.

Além de "Escalpo", que encerra no número 51, destacaram-se também as séries "Vikings" e "Vampiro Americano", desenhada pelo brasileiro Rafael Albuquerque.

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Escrito por PAULO RAMOS às 16h51
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30.01.14

Maratona de links do Dia do Quadrinho Nacional

 

 

Já é uma tradição deste blog promover uma maratona de links de blogs, sites e outros meios virtuais para marcar o Dia do Quadrinho Nacional, comemorado neste 30 de janeiro.

A iniciativa é reprisada neste 2014, ano em que se comemoram 145 anos da publicação da história de Nhô Quim e Zé Caipora, impressa há 145 no jornal "Vida Fluminense".

O método de divulgação será bem simples: basta deixar o nome da série, do autor, a cidade e o link logo abaixo, no espaço dos comentários.

Em anos anteriores, já chegamos a ter cerca de 150 links. Tenho comigo que esse número ampliou muito. Vamos ver no que vai dar?

                                                            ***

Acompanhe a maratona também no Facebook do blog.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h07
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25.01.14

Premiados do Angelo Agostini

 

  • Organização do Troféu Angelo Agostini divulga relação de premiados deste ano
  • Shiko, Gustavo Duarte e Angeli estão entre os vencedores
  • Cerimônia de entrega está marcada para a tarde de 1º de fevereiro, em São Paulo

 

 

Não deixa de ser sempre uma surpresa a leitura dos vencedores do Troféu Angelo Agostini, uma das duas premiações de histórias em quadrinhos do país - a outra é o HQMix.

A surpresa desta 30ª edição está em ver nomes conhecidos do mercado de quadrinhos entre os vitoriosos, algo que destoa das seleções vistas nos últimos anos.

Shiko foi escolhido como melhor desenhista. Ele lançou dois álbuns em 2013: "O Azul Indiferente do Céu" (Marca de Fantasia) e "Piteco: Ingá" (Panini), da coleção "Graphic MSP".

Outro autor da coleção, Gustavo Duarte, venceu como melhor roteirista. Ele escreveu e fez a arte de "Chcio Bento: Pavor Espaciar". Angeli ganhou como melhor cartunista.

                                                            ***

A escolha dos nomes é feita por voto aberto. Segundo os participantes, a revista infantil "Meninos e Dragões" (Abril), de Lucio Luiz e Flavio Soares foi o melhor lançamento de 2013.

Entre os independentes, "Plataforma HQ", que se pauta na cidade de Rio Grande (RS), e "Quadrinhos Ácidos" venceram nas categorias lançamento e fanzine.

O prêmio Jayme Cortez, concedido a quem tenha incentivado o quadrinho nacional, será dado a Sidney Gusman, editor da coleção "Graphic MSP".

Como mestres do quadrinho nacional, foram lembrados os nomes de Byrata, Lourenço Mutarelli e Paulo Paiva Lima.

                                                           ***

A oscilação entre os nomes vencedores - muitas vezes causada por campanhas feitas pelos próprios autores - já se tornou algo recorrente no histórico recente do Angelo Agostini.

O tema, inclusive, já foi identificado pelos organizadores da premiação, mantida pela AQC (Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo).

Para esta edição, procurou-se evitar votos duplicados ou reincidentes. Segundo o site do troféu, tentou-se averiguar endereços de IP dos computadores e forçar cadastros pessoais.

A intenção, ainda de acordo com a página virtual, é coibir abusos, "garantindo assim uma campanha limpa". O site não informou o número de votantes. Em 2013, foram quase 15 mil.

                                                           ***

Nota: a entrega dos prêmios irá ocorrer no próximo dia 1º, no auditório da biblioteca do Memorial da América Latina, em São Paulo. A cerimônia terá início às 13h.

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Escrito por PAULO RAMOS às 00h38
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12.01.14

Moacy Cirne (1943-2014)

 

  • Corpo foi enterrado neste domingo (12.01) em Caicó, no Rio Grande do Norte
  • Pesquisador foi um dos pioneiros no estudo de histórias em quadrinhos no país
  • Cirne estava internado havia dias e morreu sábado (11.01), de parada cardíaca

 

 

O retrato de Moacy Cirne mostrado acima sintetiza com precisão o jeito do pesquisador, que foi enterrado neste domingo (12.01) em Caicó, no interior do Rio Grande do Norte.

Um dos pioneiros no estudo de quadrinhos no país, ele mantinha esse mesmo sorriso, independentemente de conhecer ou não a pessoa. Tratava-as com o mesmo acolhimento.

O ex-professor de comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF) morreu nesse sábado (11.01) em Natal (RN), de parada cardíaca.

Segundo o site "Substantivo Plural", o primeiro a confirmar o falecimento, ele estava internado no Hospital Incor desde o meio da semana por problemas ligados a hepatite.

                                                           ***

O quadro clínico de Moacy Cirne oscila há pelo menos três anos. Era nos momentos de melhora que ele fazia suas raras aparições públicas em eventos ligados à área.

A história da história em quadrinhos brasileira reserva a Cirne a autoria da primeira obra sobre o tema publicado no Brasil, "A Explosão Criativa dos Quadrinhos", de 1970.

O livro procurava traçar as primeiras explicações sobre os recursos visuais da linguagem dos quadrinhos, como o balão e a composição do ritmo narrativo.

A publicação foi seguida de uma série de outras, tidas hoje como referenciais, casos de "A Linguagem dos Quadrinhos" (1971) e "Para Ler os Quadrinhos" (1972).

 

 

Cirne teve papel central também na discussão das histórias em quadrinhos no circuito intelectual brasileiro, numa época em que o assunto era muito malvisto nas universidades.

À frente da "Revista de Cultura Vozes", publicação acadêmica de vanguarda para década de 1970, ele remou na contramão e dedicou mais de um volume às narrativas sequenciais.

"Apesar da ditadura. Apesar da censura. Apesar do medo." - escrevia Cirne no livro "Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil", lançado pela Criativo, em agosto passado.

"Tempos duros, tempos difíceis, mas tempos criativos." O relato, que compunha um dos capítulos da obra, foi seu último trabalho relacionado ao tema.

                                                            ***

No capítulo, Cirne relatou como se deram seus primeiros contatos com as histórias em quadrinhos e o gosto em estudar o tema cientificamente.

A obra reuniu depoimentos dele e de outros pesquisadores brasileiros que deram início ao estudo de quadrinhos nas universidades brasileiras.

Entre os autores, estava Antônio Luiz Cagnin, morto em 8 de outubro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco fulminante, aos 83 anos.

Cagnin faleceu cinco dias depois de Elydio dos Santos Neto, outro estudioso de histórias em quadrinhos brasileiro. Santos Neto lutava contra um câncer.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h58
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06.01.14

Raio-X das tiras nos jornais do Brasil

 

 

Preciso de uma ajuda.

Estou fazendo uma espécie de raio-X das tiras que são publicadas diariamente nos jornais impressos brasileiros, tanto as séries nacionais quanto as estrangeiras.

É uma pesquisa ainda inédita no país. Planejo usar os resultados num livro sobre tiras, que programo publicar ainda este ano.

Daí a ajuda. Pode ser?

                                                           ***

A ideia é que cada pessoa compre um exemplar do(s) jornal(is) de sua cidade e escaneie a seção de tiras (se a página não couber no scanner, pode dividir em duas partes).

Depois, peço a gentileza de encaminhar os arquivos para o e-mail aqui do blog: blogdosquadrinhos@gmail.com .

Não se esqueça de informar, por favor, o nome do jornal, em qual cidade ele é publicado, o dia da edição selecionada e em qual caderno as tiras foram impressas.

Se eventualmente o jornal de sua cidade não tiver tiras, sem problemas. Peço que me informe esse dado, também por e-mail. Será igualmente útil.

                                                           ***

Minha ideia é divulgar os resultados aqui mesmo no blog no próximo dia 30 de janeiro, data em que é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional.

Antes disso, ponho algumas parciais no Facebook do blog.

                                                           ***

Fazer um levantamento assim, manualmente, é algo muito difícil.

Mas, por meio da internet e com a ajuda de todos, o cenário se torna bem mais real.

Agradeço desde já pela atenção e pela ajuda.

Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 01h06
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02.01.14

O que o jovem gosta de ler e o que querem que ele goste

 

  • Pesquisa do governo de SP revela que tiras são leitura preferida de estudantes
  • Levantamento revela contradição entre preferências dos alunos e conteúdo escolar
  • Estudo foi divulgado neste início de ano (02.01) e foi aplicado a 1 milhão de jovens

 

 


Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (02.01) pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo oficializa uma contradição entre os que alunos gostam de ler e o que se ensina a eles.

A maioria dos estudantes afirmou que as "narrativas em tiras" - que se supõe serem tiras - são sua principal preferência de leitura. Essa opção foi assinalada por 45% dos entrevistados e ficou acima de gêneros literários, forma de leitura tradicionais do ensino.

Contos, mitos e lendas apareceram em segundo lugar, com 36,9%. Poemas, romances de amor e romances de aventura tiveram percentuais de 31%, 29,2% e 24,8%, respectivamente.

O levantamento foi feito pela Coordenadoria de Informação e Monitoramento e Avaliação (Cima), órgão ligado à secretaria, e ouviu um milhão de jovens da rede estadual de ensino.

                                                           ***

O fato de uma produção não literária figurar como a preferida pelos estudantes contrasta com as leituras recomendadas a eles pelo próprio governo estadual paulista.

Se adotado como parâmetro o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), os quadrinhos são leitura recomendada só a crianças do quarto ano.

Alunos próximos a essa faixa escolar foram apenas um dos perfis estudantis ouvidos na pesquisa, feita justamente durante a realização da prova do Saresp.

Segundo a Cima, foram ouvidos jovens do terceiro, quinto, sétimo e nono anos do Ensino Fundamental e adolescentes do terceiro ano do Ensino Médio.

                                                           ***

Em outros termos: o gosto por tiras não é restrito a crianças, como o governo parece querer crer por meio dos conteúdos do Saresp. É apreciado também por outras faixas etárias.

Há ainda outra contradição, mas externa à pesquisa.

Na divulgação dos dados, nesta quinta-feira, a Secretaria Estadual de Educação informou que "quadrinhos, contos e poemas são estilos literários preferidos de alunos da rede".

O texto, disponível no site da secretaria, registra ainda que o estudo detectou os "gêneros literários" dos estudantes.

                                                            ***

Em outros termos: a divulgação do governo confunde "estilo", "gênero literário" e "gênero quadrinístico", pressupondo que este pertença ao universo da literatura.

Essa leitura entra em contradição com o próprio conteúdo proposto pelo Saresp para ser avaliado com os estudantes durante a prova de 2013.

Segundo a "matriz de referência para avaliação do Saresp" para língua portuguesa a ser aplicada a alunos do quarto ano, "quadrinhos" são apresentados como gêneros "não literários".

O informe do governo já começa a ecoar na imprensa com os mesmos equívocos. Reportagem desta quinta-feira do portal de "O Estado de S. Paulo" noticia que quadrinhos são estilos "literário" e "de leitura".

                                                           ***

O número de entrevistados equivale a cerca de um quarto dos alunos do sistema público estadual paulista - 4,3 milhões no total, segundo dados divulgados pela própria secretaria.

A cada um dos jovens, foi feita a seguinte pergunta: "que tipo de livro você gosta de ler?". As alternativas eram de múltipla escolha. O estudante podia preencher mais de um item.

O que não contrasta nesse estudo é a comparação dos resultados com outra pesquisa, realizada ano passado, também pelo governo paulista, apenas com alunos do Ensino Médio.

Dos estudantes ouvidos, 41,5% disseram preferir a leitura de histórias em quadrinhos. Essa predileção ficou acima de poemas (28%) e biografias (12,2%).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h23
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30.12.13

Super-Homem, meu velho, é aqui a gente se separa

 

 

 

 

Caro Super-Homem.

Sei que é um herói ocupado e que tem pouco tempo de ler cartas abertas como esta. Por isso, tentarei ser o mais objetivo possível.

Chega por estes dias aqui no Brasil (de onde escrevo) o número 18 de sua revista mensal, publicada pela editora Panini.

Não vou comprar. É aqui que a gente se separa.

Dado que se trata de uma ruptura, gostaria que tivesse ciência, real motivo destas linhas.

A ruptura a que me refiro é o fato de ser seu leitor de longa data. Tenho acompanhado suas aventuras desde julho de 1984, data em que você começou a ser publicado pela Abril.

Tenho colecionado suas revistas mensais desde então. Nacionais e estrangeiras. Tenho cá comigo quase duas décadas dos títulos norte-americanos.

Nesse tempo, li muita coisa boa. As histórias de John Byrne, a trama sobre sua morte e seu retorno, capitaneada por Dan Jurgens, os trabalhos mais recentes de Geoff Johns.

Mas, justiça seja feita, li muito mais narrativas ruins do que boas. Lembra-se de que quando o transformaram em um ser composto por eletricidade? Horrível, não?

Mesmo assim, eu resisti. Sempre apostei que, após alguma intervenção editorial malsucedida, poderia vir algo de bom depois da "próxima crise". Vez ou outra funcionava.

O problema é que, agora, a mudança foi brusca demais, mais até do que aquela versão elétrica a que sujeitaram você nos anos 1990.

A DC Comics - você sabe, a empresa que publica suas histórias nos Estados Unidos - alterou sua personalidade, tanto como herói quanto na versão civil, Clark Kent.

Essa reformulação, batizada por aqui de "reboot da DC", tirou sua essência. Assim, fica difícil de se identificar com as marcas centrais que o tornaram o personagem que é.

Soma-se outro ponto: suas histórias estão ruins. Ruins como nunca havia visto. Destruíram o(s) personagem(ns), contando neles a dupla Super-Homem/Clark Kent.

Numa das edições, você, em sua identidade secreta, faz a Kimmy Olsen um gesto de "vida e longa e próspera", próprio do Sr. Spock, do seriado "Jornada nas Estrelas".

Isso não é atualização de sua persona. É a destruição dela, por mais que eu aprecie muito a série criada por Gene Roddenberry (1921-1991).

Seguindo a analogia a seriados de TV, diria que você está mais para um arremedo de Sheldon, o nerd carismático de "Big Bang Theory".

Os primeiros sinais vinham logo do número de estreia da nova fase, lançado em junho de 2012, pela Panini. Havia naquela edição duas narrativas suas, em momentos distintos.

Numa, você aparecia mais jovem, com calça jeans (!!) e capa. Noutra, estava um pouco mais velho, já com o uniforme, porém sem o tradicional calção vermelho por fora da calça.

As duas histórias não se ligavam. Soube depois que o roteirista George Perez, um dos escritores, não sabia do conteúdo feito pelo outro, Grant Morrison.

Nem precisaria saber desse bastidor. Leitor das antigas, já aprendi a farejar de longe quando uma história de super-heróis é boa ou má.

As suas atuais aventuras são más. Não dá mais para acompanhar. 

Que fique claro que não se trata de um estranhamento face a um novo contexto editorial. Já vi vários outros ao longo desses 30 anos de leitura, tempo que me dá algum crédito.

Tenho comigo que o problema é mais amplo. Você e vários outros heróis estão sendo vitimados por uma espécie de kryptonita midiática.

O cinema se tornou hoje a grande janela das histórias de super-heróis, que consegue reproduzir na tela o mesmo sabor que as histórias de super-heróis tinham décadas atrás.

Com produções carísimas e efeitos especiais à altura, elas têm conseguido levar os feitos dos heróis a um público bem maior que o do papel. E com faturamento equivalente.

Como se trata de um negócio lucrativo, que gera outros negócios igualmente rentáveis em efeito dominó, as histórias impressas foram colocadas num segundo plano.

Elas vão continuar existindo. Mais para manter a base da franquia e para testar a aceitação de ideias para roteiros futuros para a tela grande.

Em caminho contrário, é o cinema que ditará algumas das regras do que se vê e lê nas revistas em quadrinhos.

Ou será que foi uma coincidência seu calção ser sacado justo quando estava prevista para estrear a nova versão cinematográfica de seu filme, "Homem de Aço"?

Vai haver ainda uma ou outra história que valha a pena ser lida, ou da DC Comics ou da Marvel Comics, editora concorrente e dona de Homem-Aranha, X-Men e Vingadores.

Mas lamento dizer que o gênero impresso dos super-heróis ruma a um ofuscamento ante a mídias com maior visibilidade e muito mais rentáveis, casos do cinema e dos games.

O que poderia manter o interesse dos leitores seriam as boas histórias. Sinto muito as suas não se enquadrarem mais nesse rol. E que tenham perdido este leitor das antigas.

Encerro relembrando uma de suas histórias da década de 1990, "Metropolis Mailbag". Escrita por Dan Jurgens e desenhada por Jackson Guice, chegou a ser publicada por aqui.

Não havia nela um supervilão. O mote era retratar as inúmeras cartas que você recebia no final de ano, por conta das festas de Natal e de Ano Novo.

Muitos dos autores das cartas dividiam dramas pessoais com você. Alguns você conseguia atender, como era mostrado naquela história, que teve até uma sequência depois.

Não quero que esta carta aberta tome o tempo de outros que realmente necessitam de seus préstimos.

Quero apenas que tome ciência de que uma de minhas decisões para 2014 é a de não dar segmento à minha coleção da revista "Super-Homem/Superman", mantida há décadas.

Penso em futuramente escrever algo sobre essa vitimização a que você se sujeita atualmente. Mas será na forma de livro. Por ora, é apenas projeto.

Poderia pedir para que mande lembranças a Míriam/Lois Lane. Mas, nesta nova fase, você nem mesmo é mais casado com ela. Outra mudança da tal kryptonita midiática.

Sua coleção fica. As memórias dela também.

Desejando boas histórias, embora um tanto cético quanto a elas,

Paulo Ramos.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h44
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25.11.13

Lista previsível

 

  • PNBE 2014 repete tradição de selecionar adaptações literárias e obra de Ziraldo
  • Divulgação dos cinco trabalhos em quadrinhos ocorreu no início do mês
  • Proposta do programa federal é compor acervos de bibliotecas escolares

 

20.000 Léguas Submarinas em Quadrinhos. Crédito: editora Nemo

 


Foi bem previsível a lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola). Dos cinco trabalhos em quadrinhos selecionados, dois são adaptações literárias e um é de Ziraldo.

Versões de clássicos da literatura e obras do criador da Turma do Pererê estiveram presentes em todas as edições do programa, mantido pelo governo federal.

A relação deste ano incluiu "20.000 Léguas Submarinas em Quadrinhos" (editora Nemo, capa acima) e "Dom Casmurro" (Devir).

De Ziraldo, foi selecionado outro trabalho relacionado a Menino Maluquinho, "Histórias da Carolina - A Menina Sonhadora que Quer Mudar o Mundo".

                                                            ***

Os dois trabalhos restantes também foram destinados ao público infantojuvenil, proposta central do edital deste ano.

Um foi "Boule & Bill - Semente de Cocker" (segunda obra da Nemo na lista) e "A Manta - Uma História em Quadrinhos (em Tecido)" (da Alaúde Editorial).

Os cinco quadrinhos, bem como os demais livros literários selecionados, serão encaminhados a escolas em 2014. A seleção ocorre sempre no ano anterior, via edital público.

A seleção dos títulos a serem comprados pelo governo foi divulgada no último dia 7, no "Diário Oficial da União".

                                                           ***

Desde 2006, quando a lista passou a incluir obras em quadrinhos, o PNBE se transformou numa espécie de menina dos olhos do mercado editorial brasileiro.

O motivo é que se trata de um bom negócio ter um título selecionado. As compras de cada um dos trabalhos variam entre dez mil e 48 mil exemplares.

Como o edital tem explicitado o interesse por adaptações literárias, a febre por elas fez com que o número de álbuns do gênero beirasse os 40 títulos anuais desde então.

O principal público dessas obras tem sido o governo federal, um dos motivos que têm feito pesquisadores da área questionarem as seleções de quadrinhos feitas pelo governo federal.

                                                            ***

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Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h42
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19.11.13

Revolução independente

 

  • Festival Internacional de Quadrinhos bate recorde histórico de autopublicações
  • Houve pelo menos 136 obras nacionais lançadas no evento, realizado em BH
  • Qualidade dos trabalhos independentes faz repensar papel das editoras

 

FIQ 2013. Crédito da foto: José Aguiar

 

Quem participou da 8ª edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), encerrado domingo, em Belo Horizonte (MG), testemunhou um momento histórico no país.

Nunca houve tantos lançamentos nacionais reunidos num mesmo local. Salvo pouquíssimas exceções, predominavam obras produzidas pelos próprios autores.

Houve 136 trabalhos em quadrinhos preparados especificamente para serem vendidos no festival, o mais importante da área.

O número pode ser ainda maior. Alguns autores, que não tinham estandes, levavam de mão em mão suas revistas. Foi assim que o blog recebeu pelo menos cinco dos títulos.

                                                            ***

O levantamento foi feito pelo blog entre quinta-feira (14.11) e sábado da semana passada (16.11). O método foi visitar individualmente cada um dos estandes do evento.

Em cada um, foram feitas as mesmas perguntas: 1) quais das obras presentes ali eram feitas pelo(s) próprio(s) autor(es); 2) quais delas eram lançadas especificamente no FIQ.

O resultado da pesquisa, 136 títulos, é praticamente o triplo do visto na edição passada do festival, realizada em 2011 no mesmo local, a Serraria Sousa Pinto, no centro de BH.

Há dois anos, havia entre 40 e 50 produções novas produzidas de forma independente.

                                                           ***

Os números expressivos de autopublicações confirmam três tendências, que já vinham sendo desenhadas no FIQ passado.

A primeira é que muitos autores tendem a usar o festival como base de lançamento de suas publicações. Isso explica por que a cada dois anos há picos de lançamentos.

Um segundo comportamento que se pôde verificar foi a concretização do uso de verbas públicas ou do sistema de financiamento prévio para a edição e impressão dos trabalhos.

Parte dos quadrinhos independentes presentes no evento foi realizada assim.

                                                            ***

Desse grupo, a maior parte foi viabilizada pelo Catarse, sistema de arrecadação usado por muitos autores. Não por acaso, havia pessoas do site divulgando a página no FIQ.

O Catarse para produção de quadrinhos havia sido inaugurado no FIQ de 2011.

O trabalho pioneiro, que mostrou para o demais ser um caminho viável, foi o álbum "Achados e Perdidos", dos mineiros Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho.

Desde então, o site de arrecadação coletiva recebeu 60 trabalhos relacionados à area. Dez aguardam contribuições. Os demais foram bem-sucedidos. Criou-se um mercado.

                                                           ***

A terceira tendência concretizada neste FIQ é que já não existe mais uma linha divisória entre autor nacional e editoras. Estas foram sombreadas pelos independentes no FIQ.

A qualidade do conteúdo, a autopublicação e as formas alternativas de arrecadação suprimiram atividades que, até então, eram os diferenciais do meio editorial.

Essa concentração de lançamentos no festival sinalizou para a necessidade de as editoras de quadrinhos repensarem seu papel em relação aos trabalhos nacionais.

Num ano em que todas elas retraíram a publicação de títulos nacionais novos - à exceção da Panini -, os autores tomaram o protagonismo do processo e se fizeram acontecer.

                                                           ***

Esses ecos gerados pelo barulho do FIQ deverão ser abafados em 2014. Será o ano da Copa do Mundo no Brasil, de eleições e, principalmente, de um ano sem FIQ.

Haverá publicações nacionais independentes. Mas deverá ser em menor número, se nos pautarmos no histórico dos últimos festivais. A promessa é de novo recorde em 2015.

Talvez fosse o caso de as editoras apostarem justamente nesse vácuo gerado entre um FIQ e outro. Elas ouviram no festival várias propostas de histórias. Poderiam editar em 2014.

De todo modo, fica claro que o papel da editora nacional em relação ao quadrinista brasileiro já não é mais essencial, nem tão lucrativo ao autor. Está aí o FIQ para confirmar.

                                                           ***

Crédito: a foto desta postagem é de José Aguiar e foi pinçada do Facebook do desenhista.

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Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 16h51
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04.10.13

Um adeus a Elydio

 

  • Pesquisador de quadrinhos morreu nesta quinta-feira à noite, vítima de câncer
  • Elydio dos Santos Neto atuava como professor na Universidade Federal da Paraíba
  • Último livro dele, lançado em agosto, abordava relação entre HQs e educação

 

Elydio dos Santos Neto, à esquerda, em foto tirada em agosto deste ano

 

O pesquisador de histórias em quadrinhos Elydio dos Santos Neto morreu na noite desta quinta-feira (03.10). Santos Neto lutava contra um câncer há cerca de um ano.

Na noite de sábado, ele comemorou seu aniversário em casa, com a presença de amigos. Sentiu-se mal na madrugada de domingo e foi levado ao hospital, onde permanecia na UTI.

O corpo será cremado nesta sexta-feira (04.10) em São Paulo.

Santos Neto era professor do Centro de Educação da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) onde ingressou em 2011. Antes, fez carreira em faculdades paulistas privadas.

                                                           ***

Sua última exposição ocorreu em agosto passado, durante as 2as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, realizadas na Universidade de São Paulo (USP).

Foi no congresso também que ele lançou seu último livro, "Histórias em Quadrinhos e Práticas Educativas", organizado em parceria com Marta Regina Paulo da Silva.

A foto que abre esta postagem mostra os dois autores durante o lançamento realizado na USP. Santos Neto aparece à esquerda.

Há um segundo volume da obra, ainda inédito. Não há informação até o momento se o trabalho será publicado ou não após seu falecimento. O trabalho está com a editora Criativo.

                                                            ***

No lançamento na USP, ele já estava debilitado. Mas driblava a doença com uma invejável jovialidade. O livro foi o segundo dele a abordar o ensino com outras linguagens.

Em 2011, ele publicou "Histórias em Quadrinhos & Educação - Formação e Prática Docente". A obra foi outra parceria com Marta Regina.

Santos Neto dividiu os estudos com outro campo de pesquisa: quadrinhos que ele chamou de poético-filosóficos. Fruto de seu pós-doutorado, o trabalho gerou dois livros.

As obras abordavam os quadrinhos experimentais de Edgar Franco e Gazy Andraus e foram publicadas respectivamente em 2012 e neste ano, ambas pela editora Marca de Fantasia.

                                                           ***

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Escrito por PAULO RAMOS às 23h42
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25.09.13

Jabuti desorientado

 

  • Jabuti mantém dificuldade de encaixar HQs na relação de indicados ao prêmio
  • Relação deste ano inclui 5 referências a trabalhos e autores da área
  • Obras concorrem nas categorias "didático e paradidático" e "ilustração"

 

Dom Casmurro. Crédito: Devir

 

Indo direto ao ponto: já passou da hora de os organizadores do Prêmio Jabuti incluírem uma categoria dedicada a obras em quadrinhos.

Do contrário, a premiação vai persistir no "jeitinho" para dar cabo dos trabalhos da área a serem incluídos na relação de indicados. Política que, aliás, repete-se neste ano.

Houve cinco trabalhos e autores ligados a quadrinhos selecionados para esta 55ª edição. Foram relacionados nas categorias "ilustração" e "didático e paradidático".

Em outras palavras: a escolha das categorias explicita um claro desconhecimento do que seja uma história em quadrinhos.

                                                            ***

O desconhecimento se manifesta de diferentes maneiras. Primeiro e mais óbvio: o próprio entendimento do que seja ilustração, vista como sinônima de narrativa gráfica.

As quatro obras indicadas para essa categoria foram "Dom Casmurro" (Mario Cau), "V.I.S.H.N.U." (Fabio Cobiaco), "Monstros!" (Gustavo Duarte) e "Os Zeróis" (Ziraldo).

Trata-se de trabalhos feitos em coautoria (os dois primeiros) e individualmente (os dois últimos). Mas todos compõem narrativas visuais por meio dos desenhos, premissa de uma HQ.

No caso de "Monstros!", o caso é ainda mais gritante: a história toda é feita apenas com uso dos desenhos, sem apoio da parte verbal.

                                                           ***

O segundo desconhecimento é consequência direta da ampliação do catálogo de obras em quadrinhos publicadas no formato livro, batizado muitas vezes de álbum ou graphic novel.

O meio editorial ainda não se adaptou a isso.

Por um lado, entende que se trate de um livro com imagens. Por outro, seria uma história em quadrinhos, que tinha, até então, a revista (ou gibi) como locus quase exclusivo.

Sem saber direito o que fazer, e tendo de dar uma resposta aos inscritos, a organização tem encaixado as obras em categorias que refletem o modo como elas são vistas.

                                                            ***

Esse desconhecimento não é exclusivo da Câmara Brasileira do Livro, mantenedora do Prêmio Jabuti e constituída por pessoas ligadas ao meio editorial.

O mesmo ocorreu em outro órgão mantido por parte do staff editorial brasileiro, o Instituto Pró-Livro, responsável pela pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

A última edição da pesquisa, divulgada no ano passado e que faz um raio-x da leitura no país, apresenta várias contradições. Os quadrinhos são vistos ora como suporte, ora como gênero.

Outro ponto incoerente é própria definição de leitor. Seria a pessoa que havia lido, "inteiro ou em partes, pelo menos um livro nos últimos três meses".

                                                            ***

Dois pressupostos dessa definição de leitor: 1) só seriam incluídos os quadrinhos que tivessem sido publicados em formato livro; 2) revistas não seriam de interesse da pesquisa.

Está aí a terceira e talvez a maior contradição do levantamento: a presença de Mauricio de Sousa como sexto escritor mais admirado do país.

Como explicar isso, se o criador da Turma da Mônica é muito mais lido justamente no formato revista, o mesmo que a pesquisa havia sido excluído do perfil de leitor?

Só para registro: 46% dos entrevistados disseram ler quadrinhos frequentemente.

                                                           ***

Os números que explicitam o gosto pela leitura de quadrinhos revelam o que já se sabia há décadas no país e tendem a ecoar em políticas governamentais de estímulo à leitura.

Possivelmente são os resultados da Retratos da Leitura no Brasil, já em terceira edição, que pautam ações federais, como o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

A proposta do programa é compor acervos em bibliotecas públicas de todo o país. A relação de obras em quadrinhos selecionadas tem sinalizado um claro interesse por adaptações.

Não estranha, portanto, que a organização do Prêmio Jabuti inclua a (boa) adaptação de "Dom Casmurro" na categoria "didático e paradidático". É a mesma visão do governo.

                                                           ***

Este blog não é o primeiro a tocar no assunto. Mas, como não se vê mudança, não custa registrar uma vez mais o óbvio: o Prêmio Jabuti está desorientado no tocante a quadrinhos.

Ter uma maior clareza do que sejam tais produções não seria apenas um "clamor" de quadrinistas e apreciadores da área, algo como uma voz dos excluídos, ainda não ouvidos.

Não. Seria uma forma de o meio editorial corrigir tardiamente uma falha de sua principal premiação: a ausência de obras circulam há mais de meio século no mesmo meio editorial.

E ajudaria também a entender melhor o conteúdo dos indicados por eles mesmos. "Os Zeróis" é um livro inédito com conteúdo reeditado. Pode estar na lista, Arnaldo?

                                                            ***

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Escrito por PAULO RAMOS às 19h37
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24.09.13

Convite

 

 

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Escrito por PAULO RAMOS às 23h56
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17.09.13

Fradim e o monopólio dos R$ 15

 

  • ONG relança coleção da revista "Fradim", publicada por Henfil na década de 1970
  • Preço das reimpressões, R$ 15, é o mesmo das edições vendidas em sebos
  • Perguntar não ofende: vale à pena, então, comprar a nova versão?

 

Fradim # 11 - Crédito: Cursinho Henfil

 

Uma das histórias da revista "Fradim", do desenhista mineiro Henfil (1944-1988), trazia uma crítica bem-humorada sobre o monopólio exercido que pelos Estados Unidos.

Por conta da falta de espaço nas publicações brasileiras, Graúna e trupe de personagens da catinga sequestram Tio Patinhas, representante-mor do capital nos quadrinhos Disney.

A cutuca no modo como o mercado norte-americano predominava nas bancas nacionais foi lançada no 11º número da revista, da extinta Codecri, na década de 1970 (capa acima).

Os 31 números da coleção voltam agora, mantendo o mesmo formato. O dado curioso é que o preço cobrado, R$ 15, dá uma leitura atual ao monopólio criticado por Henfil há cerca de 40 anos.

                                                            ***

Aos dados. Já faz algum tempo que o site de vendas "Estante Virtual" instou uma espécie de padronização no valor das revistas e livros usados que circulam pelo país.

A página virtual reúne ofertas de donos de sebos de todo o país. Como o mesmo item pode ser pesquisado pelo comprador, os vendedores tendem a fazer pouca ou nenhuma variação nos preços. Isso, registre-se, no tocante às obras antigas, de segunda mão.

O que se vê no relançamento da coleção de Henfil é que o valor cobrado nos exemplares da maior parte da nova versão é o mesmo da antiga.

Perguntar não ofende: se um exemplar original custa o mesmo que esta reimpressão, valeria à pena, então, comprar a obra reeditada?

                                                           ***

À exceção dos títulos iniciais, um pouco mais caros nos sebos, os demais são comercializados no "Estante Virtual" aos tradicionais R$ 15 (uns poucos a R$ 12).

Por enquanto, da nova edição, estão à venda as três primeiras revistas e os números de 8 a 15. A comercialização é feita pela página virtual do Cursinho Henfil,  no item "produtos".

Segundo o site especializado em informações sobre quadrinhos "Universo HQ", que noticiou neste início de semana o relançamento da coleção, trata-se de uma parceria.

O acordo é entre o cursinho, que vende as revistas, e a ONG Educação e Sustentabilidade. Foi feito um título extra, zero, inédito na série anterior (também a R$ 15).

                                                           ***

O preço padronizado entre as duas versões não ofusca - e nem deve - a importância da iniciativa e da relevância histórica que a revista teve ao quadrinho e ao humor brasileiro.

Publicada em meio ao Regime Militar (1964-1985), "Fradim" explicitava o humor crítico, tão característico de Henfil. Foi o filho dele, Ivan de Souza, quem organizou a reedição.

Uma consequência o trabalho do herdeiro já conseguiu: trazer de volta a esses tempos tão digitais os trabalhos impressos de um dos principais quadrinistas do país.

Seja lá onde for que os padronizados R$ 15 forem gastos, em exemplares da nova versão ou da original, garimpada em sebos, será um valor muito bem aplicado.

                                                            ***

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Escrito por PAULO RAMOS às 23h32
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15.09.13

Panini x Panini

 

  • Nova coleção de graphic novels reprisa álbuns lançados pela editora há poucos anos
  • Série traz histórias contemporâneas de heróis da norte-americana Marvel Comics
  • Segundo volume, com X-Men, já chegou às bancas; programação é ter 60 números

 

Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel: Surpreendentes X-Men. Crédito: Panini/SalvatSurpreendentes X-Men: Superdotados. Crédito: Panini

 

A "Coleção Oficial de Graphic Novels Marvel", que chegou às bancas na virada do mês, traz um dilema shakeasperiano ao leitor interessado em quadrinhos de super-heróis.

Os novos álbuns quinzenais concorrem com versões das mesmas histórias, publicadas há poucos anos no Brasil pela própria editora da série, a multinacional Panini.

Ou seja, a editora compete consigo mesma.

Retomando e clareando o dilema mencionado acima: o leitor deve comprar ou não comprar uma obra que possivelmente ele já tenha ou já exista no mercado? Eis a questão.

                                                           ***

O dilema da semana é a decisão sobre a compra do segundo volume da coleção, "Surpreendentes X-Men - Superdotados", já nas bancas (R$ 19,90; capa acima, à esq.).

A obra reúne os seis primeiros números da série norte-americana, publicada aqui no Brasil inicialmente em uma das revistas mensais do supergrupo e, depois, em álbum, em 2008.

O álbum foi lançado em 2008. Ao contrário deste novo volume, trazia os 12 capítulos iniciais, escritos por Joss Whedon (diretor de "Os Vingadores") e desenho por John Cassady.

Porém, a um valor três vezes maior. Em lojas especializadas em quadrinhos, onde a edição ainda pode ser encontrada, está sendo comercializada a R$ 59.

                                                            ***

Do ponto de vista do conteúdo, há poucas mudanças. A tradução é a mesma, o formato idem. As nuances estão nos materiais extras, distintos entre as duas versões.

Sob o ângulo do custo-benefício, ao menos desta vez, a nova coleção é um negócio melhor.

Somados os atuais R$ 19,90 aos R$ 29,90 previstos para a continuação da série e que trará os outros seis números  os heróis mutantes, chega-se a R$ 49,80. Menos R$ 9,10.

Mas isso, diga-se, para quem não tem a obra. O dilema permanece para aqueles que já haviam comprado, alguns mais de uma vez até (há quem já tinha lido nas revistas mensais).

                                                           ***

O dilema shakeasperiano já havia sido sinalizado no volume de estreia da coleção, que reunia seis histórias recentes do Homem-Aranha (R$ 9,90, preço apenas da estreia).

A trama mostra o personagem descobrindo uma mudança sobre o modo como ganhou seus poderes e, a exemplo de Surpreendentes X-Men, serviu entrada para novos leitores.

A sequência, escrita por J. M. Straczynski e desenhada por John Romita Jr., seguiu o mesmo roteiro: foi publicada primeiro na revista mensal, depois em álbum, 2007.

Afora os extras e o acabamento mais luxuoso da nova coleção, editada com papel especial e em capa dura, o conteúdo da história é exatamente o mesmo.

                                                            ***

Segundo Fernando Lopes, gerente editorial da Mythos, editora que faz no Brasil a produção das histórias da Marvel, a concepção da série foi toda planejada pela Panini e pela Salvat.

As duas já haviam lançado a coleção em outros países, nos mesmos moldes. Também no exterior, a programação foi a de publicar 60 números.

"Nós, aqui da Mythos, estamos fazendo única e exclusivamente a produção editorial — até porque boa parte do material já foi editado/reeditado pela Panini Brasil e foi inteiramente produzido por nós", diz Lopes.

Uma diferença que talvez possa servir de atrativo aos leitores tradicionais de super-heróis é que a lombada de todas as edições forma um desenho, feito por Gabrielle Dell´Otto.

                                                            ***

De todo modo, o desenho não contorna o fato de que a nova coleção compete com as edições já lançadas no país pela própria editora, e com o mesmo conteúdo.

Para quem já tem as histórias, a decisão mais lógica seria a de não comprar os trabalhos da coleção. A não ser que haja um apelo colecionável no novo molde editorial.

Quem não possui a(s) série(s), trata-se de uma boa oportunidade, apesar de a editora ainda não confirmar qual será a sequência de histórias a serem publicadas, nem a numeração.

O primeiro volume, com Homem-Aranha, é o 21º da coleção. O segundo, com X-Men, o 36º. Mesmo para os novos leitores, fica difícil de se programar assim.

                                                           ***

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Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h30
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11.09.13

HQs trabalham conteúdos de forma superficial, diz Instituto Pró-Livro

 

Duas frases que explicam o olhar "oficial" sobre uso dos quadrinhos no ensino.

Primeira frase: "Eu acho que [uso de histórias em quadrinhos no ensino] pode ser um meio, nunca um fim. Porque o quadrinho pode até trabalhar algum conteúdo, mas o faz de forma superficial. Como incentivo à leitura, ele pode ser um mobilizador".

Segunda frase: "... seria inteligente usar essa ferramenta [quadrinhos] como uma forma de trazer a garotada seja para a leitura, seja para conteúdos mais complexos".

As duas declarações são da mesma pessoa, Zoraya Failla, gerente-executiva do Instituto Pró-Livro, órgão que reúne editoras e que patrocina a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil.

Os depoimentos foram reproduzidos em reportagem veiculada no portal "Terra" em 9 de setembro.

O que se observa é uma visão equivocada e antiga sobre o papel do quadrinhos como leitura, e leitura estritamente infantil.

Os quadrinhos seriam uma "ferramenta" para leitura de "conteúdos mais complexos". As HQs até poderiam "trabalhar algum conteúdo", mas o fariam "de forma superficial".

Há uma infinidade de obras que poderiam ser utilizadas como exemplos do quão equivocada é essa leitura.

O porém é que essa mesma interpretação que tem pautado políticas governamentais de uso dos quadrinhos no ensino, entre elas o PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

                                                            ***

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Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h13
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10.09.13

O negócio das adaptações literárias em quadrinhos

 

Fiz um artigo sobre o momento atual das adaptações literárias em quadrinhos para a revista "Carta na Escola", publicação voltada para o meio educacional.

O texto sai na edição deste mês. Mas a editora já disponibilizou on-line. Reproduzo abaixo.

 

***

 

Não é algo explícito, mas há uma espécie de recado sugerido pelo governo federal às editoras brasileiras interessadas em ter obras incluídas nas gordas compras do Programa Nacional Biblioteca da Escola (PNBE). A sugestão dada é que inscrevam clássicos da literatura universal adaptados na forma de histórias em quadrinhos. Há chances reais de um livro nesses moldes ser selecionado.

A opção por dar destaque a adaptações literárias vem desde 2006, data em que os quadrinhos foram incluídos nas listas do programa, que tem por objetivo compor acervos de bibliotecas escolares públicas em todo o País. Neste ano, das 28 obras em quadrinhos compradas pelo PNBE para ser distribuídas, 61% são versões de clássicos.

A lista de adaptações que chega às escolas públicas é ampla. Vai de romances brasileiros como O Guarani e Dom Casmurro a clássicos universais, casos dos shakespearianos Otelo e Hamlet. A Ilha do Tesouro, não se sabe por que, teve duas adaptações selecionadas, cada uma delas produzida por editoras diferentes.

Do ponto de vista comercial, as editoras já perceberam que há aí um bom negócio. De poucos pares de adaptações existentes em 2005 o mercado saltou para cerca de quatro dezenas ao ano. O principal dado a ser observado é que tais publicações não têm apenas como leitor imediato o interessado em literatura ou o apreciador de histórias em quadrinhos. As listas governamentais de fomento à leitura parecem ser o público-alvo majoritário.

A inclusão de uma obra no PNBE, seja ela em quadrinhos ou não, garante uma venda direta bem superior à tiragem inicial dos livros, que varia entre mil e 3 mil exemplares. Os números costumam saltar para a casa dos dois dígitos.

A questão que se coloca é analisar esses mesmos dados à luz dos pontos de vista que realmente interessam a programas desse porte. Se analisados sob os ângulos do fomento à leitura literária e da inclusão de quadrinhos em acervos de bibliotecas públicas, os critérios utilizados na seleção são bastante questionáveis.

Parte da raiz do problema está nos próprios editais do PNBE, destinados às editoras interessadas em inscrever obras para o programa. O texto associa as histórias em quadrinhos à literatura, sem deixar clara, porém, a natureza dessa aproximação. Outro senão é a tendência de sinalizar que obras quadrinizadas devam ter como conteúdo versões de clássicos.

É o que ocorre, por exemplo, no edital deste ano, destinado a compras de acervo para 2014. Na categorização das obras para alunos dos anos iniciais do Ensino Fundamental e para Educação de Jovens e Adultos, o texto especifica haver interesse na aquisição de quadrinhos, “dentre os quais se incluem obras clássicas da literatura universal”. Pergunta-se: por que há a necessidade de os quadrinhos versarem sobre clássicos literários? Tais publicações não configuram uma leitura válida per se? O edital e os resultados das compras sugerem alguns caminhos de resposta.

A primeira resposta é que se prioriza o conteúdo literário presente nos quadrinhos, e não apenas os quadrinhos em si. É como se estes fossem usados apenas como ferramentas para instar o aluno ao livro romanceado em que a obra foi baseada. Um sinal claro disso é a sistemática presença de adaptações nas listas compradas pelo governo.

A segunda resposta que o texto do edital do PNBE sugere é que os quadrinhos são vistos como uma linguagem mais atraente, possivelmente por conta da mescla entre palavra e imagem, que pode ser uma porta de entrada para o texto literário.

Trata-se de descoberta tardia. Faz quase cem anos que os quadrinhos são o primeiro contato que muitos jovens têm com as letras. Há gerações que cresceram lendo revistas como “Pato Donald”, “Mônica” e “O Tico-Tico”, para ficar em três casos.

Se os quadrinhos são uma porta de entrada, por que não optar pelo que eles têm de melhor, ou seja, sua produção autônoma? Há mais oferta de conteúdo entre o rol de obras em quadrinhos vendidas em bancas e em livrarias do que nas adaptações literárias em si, muitas delas de qualidade discutível e que trazem o sério risco de apresentar ao estudante uma narrativa diversa do texto-fonte.

Consequência disso tudo, e de triste registro, é evidenciar que os quadrinhos estão sendo mal utilizados para contornar a inabilidade de se estimular a leitura dos clássicos literários, algo insubstituível. É só ler uma adaptação em quadrinhos e compará-la com seu romance original para perceber que se trata de obras completamente diferentes, embora ancoradas num mesmo enredo.

Apesar da necessidade de ajustes, há de se louvar a iniciativa do governo federal de compor bibliotecas escolares. Há de se elogiar também a inclusão tardia de títulos em quadrinhos nos acervos e de sinalizar que estes possam compor uma forma válida de leitura – por mais óbvia que possa ser essa constatação, ela ocorre com atraso de décadas no País.

Trata-se de um inegável avanço a inclusão de obras em quadrinhos em bibliotecas escolares e o estímulo à leitura delas, que historicamente foram vistas como produções infantis e de baixa qualidade. O que se sugere é uma revisão nas obras incluídas nos acervos e o descolamento delas das adaptações de clássicos literários.

Para isso, os editais deveriam aliar as compras de obras literárias originais, cuja leitura é necessária e insubstituível, à de outras, de cunho quadrinizado e também original e exemplar, sem a associação com versões dos clássicos, como ocorre no edital que selecionará as obras de 2014. Hoje, tais publicações são minoria no PNBE.

É necessário também que se oriente bem quem seleciona tais produções, priorizando pessoas versadas no tema. Do contrário, uma iniciativa bem intencionada vai alimentar um bom negócio editorial – as adaptações literárias – e privar alunos e professores dos bons conteúdos existentes em quadrinhos.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h40
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25.08.13

Mr. Zuckeberg, com pesar entrei no Facebook

 

 

Prezado Mr. Mark Zuckeberg, gostaria de dividir com o senhor o fato de que ingressei no Facebook há exata uma semana da data em que escrevo estas linhas.

Entrei com pesar, gostaria que soubesse.

Dentro de uma política pessoal de ficar cada vez menos à frente dos meios virtuais, em detrimento dos reais, sucumbi ante a duas demandas.

A primeira foram as manifestações recentes, pautadas por meio de sua página, e para as quais fui surpreendido. A segunda é por interesses de pesquisa de meios virtuais.

                                                           ***

Esta postagem tem a função de poupar o precioso tempo do senhor.

(Nem precisa ser tão letrado no mundo virtual para saber que é muito ocupado, tamanha a dimensão do império digital que criou.)

Como sabemos que sua empresa cede informações ao governo norte-americano, antecipo ao senhor, de público, o pouco que pode ser relevante sobre mim.

Sou jornalista de formação. Já circulei por redações de jornal, de TVs e de sites. No momento, atuo na área por puro prazer, por meio deste blog. Não ganho nada por isso.

                                                            ***

O ganha pão vem da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), onde atuo como docente do curso de Letras. Também mantenho lá um cargo administrativo.

Também tenho produzido livros e artigos sobre histórias em quadrinhos e mídia, áreas em que tenho me especializado. Há também os congressos e palestras.

Somadas, essas funções têm tirado o pouco tempo livre. Os leitores deste blog sabem bem disso, tamanho o espaçamento entre uma postagem e outra.

Poderia incluir ainda algumas descrições físicas. Mas, creio, elas já devem ter circulado por meio do Facebook e o senhor já tem acesso a elas.

                                                            ***

Confesso que a primeira impressão sobre seu império virtual tem me causado um pouco de medo. Há por lá interações que se equivalem ao valor social do e-mail.

E, como tais dados podem ser transmitidos de bom grado ao governo norte-americano, tanta autoexposição me preocupa.

Sei que o senhor tem dito à imprensa que apenas 0,00002% dos dados foram transmitidos à gestão de Barack Obama, algo em torno de 18 a 19 mil contas.

Mas o fato de ter apresentado apenas uma delas já é motivo de alerta.

                                                           ***

Nesta primeira semana de Facebook, a página do Blog dos Quadrinhos somou 428 curtidas. Na página pessoal, chego perto de 500 amigos virtuais.

Sou novo no meio e não sei dimensionar se esses números são bons ou ruins. De todo modo, já pude perceber que caí numa armadilha.

Se minha intenção era ficar menos à frente do computador e do smartphone, o tiro saiu pela culatra. Precisarei me policiar ainda mais daqui por diante.

Encerrando, queria registrar o receio de ter dividido meus dados pessoais com seu império virtual. Mas espero que as informações sejam de valia para ajudar o governo Obama.

                                                           ***

Em tempo: sei que o senhor já sabe, mas pode me acessar no Facebook por meio deste endereço: https://www.facebook.com/pages/Blog-dos-Quadrinhos/288104644661701

Se quiser curtir, será bem-vindo.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 14h34
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10.04.13

Definida lista de indicações ao HQMix

 

  • Relação de concorrentes foi divulgada nesta quarta-feira no blog do prêmio
  • Listagem inclui 26 categorias; outras serão definidas posteriormente
  • Troféu HQMix é a principal premiação da área de quadrinhos do país

 

A organização do Troféu HQMix divulgou na manhã desta quarta-feira (10.04) os concorrentes à maior parte das categorias da premiação, a principal na área no país.

Há 26 categorias, todas relacionadas a histórias em quadrinhos. Outras, como teses acadêmicas, webtiras e webquadrinhos, serão divulgadas num segundo momento.

A definição dos nomes passou pelo mesmo processo inaugurado no ano passado.

Um grupo de profissionais ligado à área elenca o que julga serem os principais destaques do ano anterior. Os nomes são listados no blog do prêmio e passam pelo crivo do público.

                                                            ***

A relação divulgada hoje é o resultado final das opiniões de quem se manifestou no blog da premiação. A exemplo da edição de 2012, houve comentários incorporados.

Um grupo de sete pessoas fez parte das primeiras indicações: Gualberto Costa (cocriador do prêmio e presidente do HQMix 2013), José Alberto Lovetro (cocriador do prêmio, cartunista,  jornalista e assessor de imprensa da Mauricio de Sousa Produções), Heitor Pitombo (jornalista), Marcelo Naranjo (um dos responsáveis pelo site "Universo HQ"), Rodrigo Febrônio (do programa "Banca de Quadrinhos"), Silvio Alexandre (editor de quadrinhos) e Telio Navega (do blog "Gibizada).

A votação irá manter o mesmo critério das demais, com voto de profissionais da área, previamente cadastrados pela organização do prêmio, que está na 25ª edição.

As datas de divulgação dos resultados e da cerimônia de premiação ainda não foram divulgadas. Abaixo, a relação dos nomes indicados.

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ADAPTAÇÃO PARA OS QUADRINHOS
• ADORMECIDA: CEM ANOS PARA SEMPRE (8INVERSO)
• COLEÇÃO SHAKESPEARE EM QUADRINHOS - VOL. 4 - A TEMPESTADE (NEMO)
• DOM CASMURRO (ÁTICA)
• FRANKENSTEIN (PEIRÓPOLIS)
• FREUD (CIA DAS LETRAS)
• O ATENEU (ÁTICA)
• O NEGRINHO DO PASTOREIO (YGARAPÉ)

DESENHISTA ESTRANGEIRO
• BASTIEN VIVÉS (O GOSTO DO CLORO)
• CRAIG THOMPSON (HABIBI)
• DANIEL CLOWES (WILSON)
• EDUARDO RISSO (100 BALAS, VOL. 9 - NOITE DE JAZZ)
• ENKI BILAL (ANIMAL'Z e TRILOGIA NIKOPOL)
• IGNACIO MINAVERRY (DORA)
• WINSHLUSS (PINÓQUIO)

DESENHISTA NACIONAL
• DANILO BEYRUTH (ASTRONAUTA - MAGNETAR)
• FABIO COBIACO (V.I.S.H.N.U.)
• FERNANDES (ALMA)
• FIDO NESTI (A MÁQUINA DE GOLDBERG)
• GUSTAVO DUARTE (MONSTROS!)
• MARCELO QUINTANILHA (O ATENEU)
• ROGÉRIO VILELA (ACORDES)

DESTAQUE INTERNACIONAL
• ANDRÉ DINIZ
• CRIS PETER
• DIÓGENES NEVES
• ED BENES
• GABRIEL BÁ
• RAFAEL ALBUQUERQUE
• RENATO ARLEM

EDIÇÃO ESPECIAL ESTRANGEIRA
• HABIBI (QUADRINHOS NA CIA)
• NEONOMICON (PANINI)
• O GOSTO DO CLORO (LEYA - BARBA NEGRA)
• O PARAÍSO DE ZAHRA (LEYA - BARBA NEGRA)
• PAGANDO POR SEXO (MARTINS FONTES)
• PINÓQUIO (GLOBO)
• WILSON (QUADRINHOS NA CIA)

EDIÇÃO ESPECIAL NACIONAL
• A MÁQUINA DE GOLDBERG (QUADRINHOS NA CIA)
• ALMA (INDEPENDENTE)
• ASTRONAUTA – MAGNETAR (PANINI)
• DESISTÊNCIA DO AZUL (ZARABATANA)
• MONSTROS! (QUADRINHOS NA CIA)
• SUBURBIA (RETINA 78 - LFC PRODUÇÕES - GLOBO MARCAS)
• V.I.S.H.N.U. (QUADRINHOS NA CIA)

EDITORA DO ANO
• 8INVERSO
• CIA DAS LETRAS
• DEVIR
• GAL
• NEMO
• PANINI
• ZARABATANA

EVENTO

• II UGRA ZINE FEST
• 19º FESTCOMIX
• FANZINADA
• GIBICON Nº 1 - CONVENÇÃO INTERNACIONAL DE QUADRINHOS
• MULTIVERSO COMIC CON
• QUANTACON
• ZIRALDO 80

EXPOSIÇÃO
• 30 ANOS DA GIBITECA
• QUADRINHOS '51
• MACANUDISMO, quadrinhos, desenhos e pinturas de Liniers
• MAX, PANOPTICA
• OCUPAÇÃO ANGELI
• TESOUROS DA GRAFIPAR
• ZIRALDO 80

LIVRO TEÓRICO
• HISTÓRIA DA CARICATURA BRASILEIRA de LUCIANO MAGNO
• STAN LEE, O REINVENTOR DOS SUPER-HERÓIS de ROBERTO GUEDES
• A MORTE DO GRILO de GONÇALO JÚNIOR
• E BENICIO CRIOU A MULHER de GONÇALO JÚNIOR
• GIBI - A REVISTA SINÔNIMO DE QUADRINHOS de WALDOMIRO VERGUEIRO
• GRAFIPAR: A EDITORA QUE SAIU DO EIXO de GIAN DANTON
• REVOLUÇÃO DO GIBI de PAULO RAMOS

NOVO TALENTO – DESENHISTA
• DENIS MELLO (PETISCO APRESENTA VOL. 1)
• DENNY CHANG (TRÓPICO FANTASMA)
• LAERTE SILVINO (I-JUCA PIRAMA)
• PABLO CARRANZA (SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET)
• PAULA MASTROBERTI (ADORMECIDA - CEM ANOS PARA SEMPRE)
• PEDRO FRANZ (SUBURBIA)
• RAFAEL VASCONCELOS (SHAKESPEARE EM QUADRINHOS, VOL. 5 - MACBETH e DITADURA NO AR)

NOVO TALENTO – ROTEIRISTA
• ANGÉLICA FREITAS (GUADALUPE)
• CRISTINA EIKO e PAULO CRUMBIM (QUADRINHOS A2)
• L.M.MELITE (DESISTÊNCIA DO AZUL)
• LILLO PARRA (SHAKESPEARE EM QUADRINHOS, VOL. 4 - TEMPESTADE)
• RAPHAEL FERNANDES (IDA E VOLTA e DITADURA NO AR #2)
• RONALDO BRESSANE (V.I.S.H.N.U.)
• VANESSA BARBARA (A MÁQUINA DE GOLDBERG)

PRODUÇÃO PARA OUTRAS LINGUAGENS
• A GUERRA DOS GIBIS (FILME)
• AO MESTRE COM CARINHO - RODOLFO ZALLA (FILME)
• MALDITOS CARTUNISTAS (A SÉRIE DE TV)
• PENAS (FILME)
• CENA HQ BRASIL (TEATRO)
• VESTIDO DE LAERTE (FILME)
• ZÉFIRO EXPLÍCITO (FILME)

PROJETO EDITORIAL
• COLEÇÃO MOEBIUS (NEMO)
• GRAPHICS MSP (PANINI)
• OS NOVOS 52 (PANINI)
• O BEIJO ADOLESCENTE 2 (INDEPENDENTE)
• OURO DA CASA (PANINI)
• ROGER CRUZ ARTBOOK #1 (INDEPENDENTE)
• SÃO LUÍS de FÁBIO MOON e GABRIEL BÁ (CASA 21)

PUBLICAÇÃO DE AVENTURA/TERROR/FICÇÃO
• 20TH CENTURY BOYS # 1 e #2 (PANINI)
• BAKUMAN #6 ao 16 (JBC)
• DESTERRO (INDEPENDENTE)
• J. KENDALL - AVENTURAS DE UMA CRIMINÓLOGA #86 ao #97 (MYTHOS)
• THE BOYS 2 (DEVIR)
• THE WALKING DEAD #1 ao #3 (HQM EDITORA)
• VERTIGO #26 ao #37 (PANINI)

PUBLICAÇÃO DE CLÁSSICO
• A TRILOGIA NIKOPOL (NEMO)
• AVENIDA PAULISTA (CIA DAS LETRAS)
• CREEPY - CONTOS CLÁSSICOS DE TERROR - VOL. 1 (DEVIR)
• DIOMEDES - A TRILOGIA DO ACIDENTE (QUADRINHOS NA CIA)
• INCAL INTEGRAL (DEVIR)
• O ETERNAUTA (MARTINS FONTES)
• O VIRA LATA (PEIXE GRANDE)

PUBLICAÇÃO DE HUMOR GRÁFICO
• 80 CARTUNS
• ALMA
• BRASIL DO BEM
• MAD #43 AO #53
• MAU HUMOR
• OS FRUSTRADOS
• SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET

PUBLICAÇÃO DE TIRA
• AS TIRAS CLÁSSICAS DO PELEZINHO (PANINI)
• CALVIN & HAROLDO - VOL. 10 - FELINO SELVAGEM PSICOPATA E HOMICÍDA (CONRAD)
• ESCOLA DE ANIMAIS (BALÃO EDITORIAL)
• MACANUDO 5 (ZARABATANA)
• MINHA VIDA RIDÍCULA (ZARABATANA)
• VALENTE PARA TODAS (INDEPENDENTE)
• VIDA BESTA (INDEPENDENTE)

PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE DE AUTOR
• DITADURA NO AR Nº 2 (RAPHAEL FERNANDES e ABEL)
• NEM MORTO (LÉO FINOCCHI)
• PRIVILÉGIOS (GUS MORAIS)
• QUADRINHOS A2 - SEGUNDA TEMPORADA (CRISTINA EIKO e PAULO CRUMBIM)
• SANT'ANNA DA FEIRA - TERRA DE LUCAS (MARCOS FRANCO e HÉLCIO ROGÉRIO)
• SENTIMENTO #1, #2, e #3 (ADAMS DAMAS e ALEXANDRE DAMAS)
• TUNE 8 II (RAFAEL ALBUQUERQUE)

PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE DE GRUPO
• CAFÉ ESPACIAL Nº 11
• GRAFFITI 76% QUADRINHOS #23
• MONSTROS (Beleleu)
• PETISCO APRESENTA - VOL. 1
• PIADAS DO FIM DO MUNDO
• RAGU CORDEL
• RPHQ - RIBEIRÃO PRETO EM QUADRINHOS #1 E #2

PUBLICAÇÃO INDEPENDENTE EDIÇÃO ÚNICA (graphic novel)
• A RUA DE LÁ (EVANDRO ALVES)
• FADE OUT (BETO SKUBS, RAFAEL DE LATORRE E MARCELO MAIOLO)
• GNUT (PAULO CRUMBIM)
• KM BLUES (DANIEL ESTEVES, WANDERSON DE SOUZA e WAGNER DE SOUZA)
• QUARTO AO LADO (MARCELO LIMA, ANDRÉ LEAL, BRUNO MARCELLO e DAIANE OLIVEIRA)
• SE A VIDA FOSSE COMO A INTERNET (PABLO CARRANZA)
• VIDA BESTA (GALVÃO)

PUBLICAÇÃO INFANTOJUVENIL
• BOULE e BILL, VOL. 2 - SEMENTE DE COCKER (NEMO)
• TITEUF: DEUS, O SEXO E OS SUSPENSÓRIOS (V&R)
• IMAGINAÇÃO E OUTRAS HISTÓRIAS (MARTIN CLARET)
• ONE PIECE #36 ao #41 (PANINI)
• TURMA DA MÔNICA #60 ao #72 (PANINI)
• TURMA DA MÔNICA JOVEM – O CASAMENTO DA MONICA (PANINI)
• ZÉ CARIOCA 70 ANOS (ABRIL)

PUBLICAÇÃO MIX
• CREEPY - CONTOS CLÁSSICOS DE TERROR (DEVIR)
• FIERRO BRASIL #2 (ZARABATANA)
• FIM DO MUNDO EM QUADRINHOS (DEVIR - QUANTA)
• GRAFFITI 76% QUADRINHOS #23 (INDEPENDENTE)
• OURO DA CASA (PANINI)
• RAGU CORDEL (INDEPENDENTE)
• THE SPIRIT - VOL. 2 - MAIS AVENTURAS (DEVIR)

ROTEIRISTA ESTRANGEIRO
• ALEX ROBINSON (FRACASSO DE PÚBLICO: ADEUS)
• BASTIEN VIVÉS (O GOSTO DO CLORO)
• BRIAN K. VAUGHAN (Y - O ÚLTIMO HOMEM)
• CRAIG THOMPSON (HABIBI)
• DANIEL CLOWES (WILSON)
• NAOKI URASAWA (20TH CENTURY BOYS #1 e #2)
• ROBERT KIRKMAN (THE WALKING DEAD)

ROTEIRISTA NACIONAL
• ANDRE DINIZ (NEGRINHO DO PASTOREIO)
• DANIEL ESTEVES (KM BLUES e PETISCO APRESENTA, VOL. 1)
• DANILO BEYRUTH (ASTRONAUTA - MAGNETAR)
• FERRÉZ (DESTERRO)
• GUSTAVO DUARTE (MONSTROS!)
• MARCELA GODOY (SHAKESPEARE EM QUADRINHOS, VOL. 5 - MACBETH e A DAMA DO MARTINELLI))
• ROGÉRIO VILELA (ACORDES)

TIRA NACIONAL
• AGENTE ZERO TREZE (ARNALDO BRANCO E CLAUDIO MOR)
• MANUAL DO MINOTAURO (LAERTE)
• MINHA VIDA RIDÍCULA (ADÃO ITURRUSGARAI)
• NÍQUEL NÁUSEA (FERNANDO GONSALES)
• QUADRINHOS DOS ANOS 10 (ANDRÉ DAHMER)
• UM SÁBADO QUALQUER (CARLOS RUAS)
• VALENTE (VITOR CAFAGGI)

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h14
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30.12.12

Mais uma chance

 

  • Abril define os três trabalhos selecionados no concurso de novos personagens
  • Vencedor ganha R$ 5 mil; direitos sobre série ganhadora ficam com a editora
  • Esta é a segunda edição do concurso; na primeira, projetos foram cancelados

 

Meninos e Dragões, 1º colocado no Prêmio Abril de Personagens

 

A editora Abril divulgou neste fim de ano os trabalhos vencedores do Prêmio Abril de Personagens. O objetivo é mapear novas séries para o público leitor entre 7 e 12 anos.

Três projetos foram selecionados. Em primeiro lugar, ficou Meninos & Dragões, de Lucio Luiz e Flavio Soares. A imagem que abre esta postagem é de da história inaugural da série.

Remitchéins, de André Sette (sobre criações que vivem num mundo próprio), e a mística Lua de Pedra, de Sander, ficaram em segundo e terceiro lugares, respectivamente.

Segundo o regulamento do concurso, o autor do projeto vencedor receberá R$ 5 mil. Em troca, cede os direitos autorais à editora, para serem usados em diferentes mídias.

                                                            ***

O fluminense Lucio Luiz, escritor do projeto vencedor, diz que a editora já teve uma primeira conversa com ele. A proposta é criar uma revista da série para este início de 2013.

Seguindo a descrição dele, o projeto enfoca quatro crianças, que moram num reino chamado Odilon.

A terra medieval, nas palavras dele, seria uma mistura de elementos traidicionais, como cavaleiros, dragões e fadas, com outros, modernos, como videogames, skate e futebol.

"Quando estava bolando um universo que pudesse ser interessante para o público infantojuvenil, me lembrei das brincadeiras das crianças pequenas, que, quando criam seus ´mundos próprios´, não têm as mesmas amarras criativas dos adultos."

                                                           ***

A seleção contou com três fases. A última expunha páginas das séries na internet para serem votadas pelo público.

O resultado final foi a combinação entre os que tiveram melhor votação (40% do peso) e os mais bem avaliados pela comissão julgadora (equivalente aos 60% restantes).

Esta é a segunda edição do prêmio. A primeira, realizada no ano passado, selecionou dois projetos, "UFFO - Uma Família Fora de Órbita" e "Garoto Vivo na Villa Cemitério".

Os dois projetos se somaram a um terceiro, "Gemini 8", da TV Pinguim", e ganharam revistas próprias. Os primeiros números números foram lançados há exatamente um ano.

                                                            ***

Embora ganhassem um segundo número, nenhuma das revistas foi adiante. Esta nova edição do prêmio é mais uma tentativa da editora de atingir o segmento infantil com conteúdo nacional, setor hoje liderado pela Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa.

O que restou dos projetos, pelo menos até o momento, são descrições dos personagens e material interativo, disponibilizados no site da revista infantil "Recreio", do grupo Abril.

O prêmio se soma à estratégia da editora de expandir o espaço nas prateleiras das bancas, política que teve início há dois anos. O número de títulos da Disney foi ampliado.

Neste ano, a Abril passou a apostar também no segmento dos mangás, os quadrinhos japoneses. Pôs à venda a série "Gen". A revista ainda é publicada.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h48
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10.12.12

Coletânea nacional

 

  • Obra da editora Draco pretende reunir histórias de diferentes autores brasileiros
  • Proposta é abordar fantasia, terror e ficção científica em narrativas completas
  • Publicação está programada para janeiro; ideia é dar continuidade à série

 

Imaginários HQ. Crédito: editora Draco

 

É comum ouvir nos bastidores editoriais esta pergunta: o mercado brasileiro não comporta uma obra que reúna diferentes quadrinistas nacionais?

Experiências assim até existem, voltadas a projetos especiais ou ambientadas no circuito independente. Mas são, de fato, raras no meio comercial, daí a recorrência do questionamento.

É justamente nesse setor que a Draco pretende apostar. A editora pretende pôr no mercado uma obra nesses moldes, com temas que dialoguem com seu catálogo, voltado à literatura fantástica.

Batizado de "Imaginários em Quadrinhos", o projeto está programado para ser lançado no fim de janeiro. Na edição de estreia, as histórias em quadrinhos abordarão fantasia, terror e ficção científica.

                                                          ***

Os trabalhos do número inaugural serão feitos por autores de diferentes estados do país: Raphael Salimena, Dalton, Camaleão, Alex Mir, Alex Genaro, Zé Wellington, Marcus Rosado, Jaum e Dalton.

Embora nem tenha sido publicado ainda, a editora já planeja o rol de autores do segundo volume. Gian Danton, Flávio Luiz, Azeitona e Mateus Santolouco estão os nomes citados.

A periodicidade da publicação não foi definida. Planeja-se pôr nas livrarias e nas lojas de quadrinhos de duas a três obras por ano.

"Inicialmente, vamos publicar as antologias ´Imaginários em Quadrinhos´, mas já estamos estudando propostas para publicação de alguns álbuns nos próximos anos", diz Raphael Fernandes, editor do projeto.

                                                           ***

Não é a primeira vez que Fernandes trabalha na edição de trabalhos nacionais. É ele que tem cuidado da parte brasileira da "Mad", revista de humor publicada mensalmente pela editora Panini.

"Apesar de eu não ser humorista, editar a ´MAD´é uma das atividades mais dinâmicas, divertidas e realizadoras que o mercado de quadrinhos tem a oferecer", diz.

"Enquanto for interessante pra mim, pros leitores e pra Panini, continuarei no comando da ´MAD´."

A nova experiência surgiu, segundo ele, a partir de seu lado autoral. Depois de ter entregado três histórias em quadrinhos aos donos da Draco, foi convidado para editar a "Imaginários em Quadrinhos".

                                                           ***

Segundo Fernandes, o primeiro número terá seis histórias de 20 páginas cada uma. Todas serão em preto-e-branco. O formato da obra será 17 cm por 24 cm. O preço será R$ 34.

O blog refez ao editor a pergunta que abre esta matéria. Há espaço para uma coletânea de autores nacionais no atual mercado de quadrinhos do país?

"Acredito que o atual mercado precisa de um espaço para os autores de quadrinhos do país mostrarem seu trabalho", diz.

"Quanto mais revelarmos novos quadrinistas, mais eles mesmos trarão novos leitores para os quadrinhos."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h53
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07.12.12

Uma tira, três pontos de vista

 

  • Ponto de vista 1, da imprensa: prova de instituto federal usa tira pornográfica
  • Ponto de vista 2, do IFES, que aplicou o exame: processo interno apura o caso
  • Ponto de vista 3, do autor, até agora esquecido: "um serviço de amadores"

 

Malvados, de André Dahmer. Crédito: blog do autor

 

André Dahmer é categórico: "Um serviço de amadores". E completa: "Não dei qualquer autorização para a publicação da tira, também não deram créditos para o autor da obra".

O  comentário do desenhista era sobre o uso de uma tira dele em um exame aplicado pelo Ifes (Instituto Federal do Espírito Santos) no domingo passado (02.12).

A prova selecionava candidatos para cursos técnicos integrados ao Ensino Médio, que têm torno de 14 anos. A questão era a segunda da prova de Língua Portuguesa.

O assunto não ficou restrito ao caderno de questões. Foi noticiado nesta semana por diferentes veículos da mídia virtual. A maior parte rotulou a tira como pornográfica.

                                                           ***

"Prova de instituto federal tem questão com tira pornográfica e causa polêmica no Espírito Santo" foi a manchete da seção de Educação do UOL, portal que hospeda este blog.

"Prova causa polêmica ao trazer questão com imagem de sexo no Espírito Santo", informou o R7. O site nublou a imagem final da tira, na tentativa de "não expor" o leitor ao conteúdo.

O jornalista Reinaldo Azevedo, em blog hospedado no site da revista "Veja", creditou o uso da tira a uma "suposta tentativa de modernizar a linngaugem das provas de seleção ou de avaliação, na suposição de que se está a usar o ´universo do educando".

Na leitura dele, é uma das "heranças malditas" do educador Paulo Freire, que ajuda a manter a educação brasileira "no buraco". "Não é o único lixo intelectual que ele deixou."

                                                            ***

Os textos jornalísticos incluíram a nota de esclarecimento emitida pelo Ifes, reproduzida também no site do órgão federal.

O instituto diz que a tira procurava abordar estratégias utilizadas pela propaganda e que a banca elaboradora da prova não viu a história com olhar pornográfico (sic.).

"O último quadro", diz a nota, "é uma sequência dos primeiros, que sugerem o tipo de leitura pretendido". As tiras cômicas costumam ter o desfecho de humor na cena final.

Na última quinta-feira (06.12), o instituto informou no site que, diante das reações de indignação recebidas, abriu processo interno para esclarecer oficialmente o uso da tira.

                                                           ***

As notícias não ouviram um dos lados envolvidos na história, o autor da tira, André Dahmer. Ausência que o blog procura agora corrigir.

Além de sintetizar o caso como um "serviço de amadores", o desenhista esclarece que o tema central da tira era o abuso da publicidade, e não o sexo oral.

"De qualquer forma, o sexo oral não deve ser visto como tabu", conclui. "Todos nós precisamos dele."

A tira foi originalmente veiculada no blog do autor. Dahmer é conhecido pela série "Malvados", tira criada em 2001 e publicada tanto na internet quanto na "Folha de S.Paulo".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h55
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06.12.12

Mago revisitado

 

  • Livro traz coletânea de Vostradeis, publicado na extinta revista "Níquel Náusea"
  • Mago charlatão é um dos poucos personagens humanos de Fernando Gonsales
  • Histórias foram colorizadas; obra tem lançamento nesta quinta-feira em São Paulo

 

Vostradeis. Crédito: editora Devir

 

Vostradeis seguramente não iria prever que suas histórias seriam compiladas num livro, publicado pela editora Devir (112 págs., R$ 52,50). Nem que seria em capa dura.

O alquimista também não acertaria a previsão de que o lançamento da obra seria nesta quinta-feira à noite, dia 6, na Livraria HQMix, em São Paulo.

O mago não acertaria nenhuma das visões do futuro pelo simples fato de não dominar a contento a arte. Pelo contrário. Era, e ainda é, mais conhecido pelo charlatanismo.

Ou, como é descrito no subtitítulo da publicação, ele seria "o mago, o mito, o picareta". Características que pontuam as 14 histórias reunidas no livro.

                                                           ***

Não é gratuita a precisão de escrever que Vostradeis "era" e "ainda é" mais conhecido por ser picareta. O presente do verbo é porque suas narrativas são revisitadas na obra.

O uso do passado é porque o personagem marcava ponto na extinta revista "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales, publicada nas bancas entre 1988 e 1996.

O mago charlatão aparecia sempre nos números pares da publicação. A estreia ocorreu no número dois, de outubro de 1988.

Vostradeis se diferenciava das demais criações de Gonsales por dois motivos: 1) era um dos poucos personagens humanos dele; 2) era mostrado em narrativas mais longas.

                                                           ***

São pontos que destoam da imagem que a nova geração de leitores de quadrinhos ou quem acompanha os jornais diariamente têm do desenhista.

Gonsales é mais conhecido por criar as tiras cômicas de Níquel Náusea, camundongo que vive nos esgotos e seu personagem mais popular.

"Lidar com histórias mais compridas é uma coisa bem diferente que as tiras. Tem um enredo, que vai se desenvolvendo, é muito bacana", diz o autor, por e-mail.

"Só aguardo o momento em que eu possa me dedicar novamente a esse tipo de trabalho. E fazer personagens humanos também é bem diferente, apesar de os humanos serem também animais."

                                                           ***

Dos animais humanos, Vostradeis divide o pódio das criações de Gonsales com Benedito Cujo, adolescente que vive os percalços de quem vai prestar vestibular.

Gonsales conta que tem planos de reunir também histórias do vestibulando. De concreto, por enquanto, há uma nova coletânea de tiras de Níquel Náusea. Uma vez mais pela Devir.

E o lançamento de Vostradeis, claro. A ideia de criar um feiticeiro medieval surgiu de uma conversa com o cartunista, Spacca, na época um colaborador regular da revista.

"O Spacca fez um desenho que serviu de base para a forma  do Vostradeis. Era uma história avulsa, mas eu me empolguei e fiz várias outras dele."

                                                            ***

Gonsales admite que tem vontade de retomar o personagem. O resultado final da coletânea ajudou a dar uma cutucada a mais. Vostradeis ganhou tratamento de luxo.

Além da capa dura, as histórias, originalmente feitas em preto-e-branco, foram todas colorizadas. O trabalho foi feito pela esposa do desenhista, Marília di Lascio.

"São cores estranhas, que compõem a atmosfera da Idade Média e deu um ar classudo às histórias", diz o cartunista, que é formado em Veterinária e Biologia.

"Fazia muito tempo que eu planejava editar o Vostradeis, e agora saiu como eu queria."

                                                            ***

Serviço
Lançamento de "Vostradeis - O Mago, o Mito, o Picareta", de Fernando Gonsales. Quando: hoje (06.12). Horário: das 19h às 22h. Onde: Livraria HQMix, em São Paulo. Endereço: rua Tinhorão, 124. Quanto: R$ 52,50.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h16
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03.12.12

Quarto Mundo encerra atividades

 

  • Cinco anos depois de ser criado, coletivo independente decide parar
  • Motivos passam por desgaste natural, centralização dos trabalhos e novos projetos
  • Grupo fará festa no próximo dia 15, em São Paulo, para esgotar o catálogo de HQs

 

 

Autores do Quarto Mundo vão se reunir no próximo dia 15, às 18h, na Livraria HQMix, em São Paulo, para vender obras do catálogo do grupo independente, criado há cinco anos.

Será o último encontro oficial dos quadrinistas. O evento é para marcar o encerramento das atividades do coletivo de autores, um dos principais do circuito alternativo do país.

Segundo alguns dos integrantes, o fim do selo independente vinha sendo debatido desde meados de outubro na lista de discussão virtual mantida pelo grupo.

A decisão já estava tomada no final daquele mês, por votação. O resultado não foi unânime. Mas prevaleceu a vontade da maioria, noticiada pelo blog em primeira mão.

                                                            ***

Os autores do grupo ouvidos pelo blog indicam que não houve propriamente um motivo nuclear que tenha levado ao fim do coletivo independente, mas, sim, uma soma de fatores.

Um deles seria a centralização dos trabalhos em poucas pessoas. Embora tivesse cerca de 50 integrantes, a condução das atividades ficava a cargo de uma dúzia de autores.

"Na prática, a intenção inicial de que, sendo um coletivo ´todos´ deveriam atuar de forma equilibrada, conjunta, apoiando e dividindo as tarefas não mais acontecia, ficando a cargo de poucos o desenvolvimento das ações levando a um questionamento da validade da continuidade do grupo", diz desenhista paulista Will, um dos fundadores do grupo.

"O esquema do grupo dependia de todos ajudarem fazendo seu papel de formiguinha, mas por um lado muitos não o faziam e uma minoria que atuava não aguentou mais", completa Marcos Venceslau, autor do fanzine "Subterrâneo", a publicação mais longeva do catálogo.

                                                           ***

Venceslau enxerga nessa centralização uma espécie de círculo vicioso.

"A conduta do grupo foi dirigida por esse grupo que atuava mais, nada mais que normal, mas isso acabava desinteressando o restante do grupo e limitando nossas ações."

O saldo disso pôde ser percebido na redução no número de lançamentos entre o ano passado e este 2012. O desgaste natural é apontado como outros dos motivos para o fim.

"Até pouco tempo atrás chegamos à conclusão de que era ´evoluir ou morrer´. Nenhuma ação foi feita no sentido de evoluir. Logo, o caminho natural levou ao fim do grupo", diz Leonardo Melo, roteirista de Curitiba e criador da revista "Quadrinhópole".

                                                            ***

Um terceiro motivo apresentado para a decisão de pôr fim ao Quarto Mundo são o novo momento do mercado brasileiro de quadrinhos, diferente do visto cinco anos atrás.

Parte dos autores, hoje, está envolvida em projetos remunerados, ou bancada por editoras ou financiados por editais públicos de incentivo a produção de quadrinhos.

"Com a mudança do cenário no mercado de quadrinhos nacional, o Quarto Mundo deixou de fazer sentido", diz Edu Mendes, autor de diferentes histórias do grupo.

"Uma vez que os objetivos que o grupo almejava foram alcançados não fazia mais sentido continuar com a mesma proposta."

                                                           ***

Quando foi criado, há cinco anos, o Quarto Mundo foi uma convergência natural de um processo que vinha sendo desenhado no circuito alternativo brasileiro.

A proposta central era agregar a expansão de projetos independentes que surgiam em diferentes partes do país. A ideia é que, unidos, ganhariam maior força.

O grupo planejava que os próprios quadrinistas poderiam servir como distribuidores das obras dos demais em seus estados ou cidades de origem.

A experiência rendeu aos integrantes uma sucessão de prêmios da área de quadrinhos no país, ora vencidos coletivamente, ora por conta dos projetos individuais.

                                                             ***

"Quando começamos, tínhamos várias ideias para ajudar autores independentes e consequentemente o mercado em si", diz Melo.

" Algumas delas - hoje podemos ver - utópicas demais, pois dependiam que as pessoas se comprometessem de verdade com o coletivo, o que não aconteceu."

"Há cerca de um ano e meio parte do grupo, que sempre foi mais ativa, passou a exercer apenas um esforço mínimo para manter apenas o básico funcionando", completa o roteirista Daniel Esteves, criador da série "Nanquim Descartável" e um dos mais premiados do grupo.

"Mas logo veio a compreensão que esse mínimo não era a proposta real do coletivo e que era hora de parar, para que cada um pudesse reavaliar sua atuação e pensar em como se aplicar mais dentro de seu próprio trabalho, ou até como montar novas estruturas."

                                                             ***

O resultado da experiência autoral pode ser medido pelo catálogo. São mais de 50 títulos, de diferentes gêneros, realizados em diversas partes do país.

É esse catálogo costumava ser vendido nos variados eventos de quadrinhos brasileiros, em que autores do grupo se faziam presentes com uma banca, artesanalmente montada.

Costumavam ser identificados com uma camiseta vermelha, a marca visual do grupo. Foi assim no Gibicon, realizado em Curitiba no fim de outubro, no qual também participaram.

A festa no próximo dia 15 será a última venda coletiva. Mas qual o papel que o grupo exerceu? O blog repassou a pergunta aos autores. Seguem as respostas de cada um.

                                                            ***

Will

 

"Penso que a contribuição maior foi ter aglutinado um conjunto de forças em torno de um nome, uma marca, um ideal, que em partes foi concretizado em outras não. O Quarto Mundo deu voz e visibilidade aos autores que estavam chegando, se bem que quem "chegou" na verdade já estava por aí desde o início da década de 2000, e também trouxe para dentro do grupo autores já estabelecidos desde antes disso mas que enxergaram virtudes nesse ideal e por isso quiseram participar.A virtude maior, penso eu, foi ter propiciado esse encontro que, além das amizades que ficaram, deu origem à bem sucedidas parcerias, preparando e dando bagagem a esses autores que hoje estão se posicionando dentro dessa atual configuração do mercado de quadrinhos no Brasil."

 

Daniel Esteves


"O Quarto Mundo foi MAIS um elemento na formação desse mercado atual de quadrinhos no Brasil. Assim como os grandes eventos, como a entrada de editoras de fora do mundo dos quadrinhos,como os incentivos estatais etc. O Quarto Mundo cumpriu um papel de aglutinar gerações variadas de quadrinistas em torno de um ideal, que, mesmo não tendo sido alcançado por completo, provou que os artistas podem fazer MAIS e MAIS pelo seu trabalho e podem se ajudar nesse caminho. Certas parcerias firmadas dentro do grupo nunca serão desfeitas. Certas publicações figurarão porum bom tempo com importância dentro de todo esse esquema independente. Certos espaços continuarão abertos daqui pra frente. Certo aprendizado poderá e DEVERÁ ser repassado as novas gerações que iniciam esse mesmo trajeto. Nesse sentido o Quarto Mundo sai de cena de cabeça erguida. Derrotado em suas ambições, mas vitorioso na realidade que ajudou a produzir e no impulso que deu no trabalho de vários artistas. Coletivos vêm e vão o tempo todo. MAS ESSE ESPÍRITO DO QUARTO MUNDO CONTINUARÁ PRESENTE ENTRE SEUS EX-PARTICIPANTES influenciando novas empreitadas."


Edu Mendes

 

"O Quarto Mundo foi uma força aglutinadora de ansiedades e ideias de artistas do Brasil todo durante quatro anos, com força capaz de negociar com gráficas, editoras, pontos de venda, organização de eventos e de chamar a atenção da mídia para o quadrinho brasileiro. Muitas portas que sempre haviam estado fechadas foram abertas, muitos preconceitos sobre os artistas independentes foram desfeitos. O Quarto Mundo foi uma peça fundamental em um movimento de mudança que integrou muitos atores e que resultou em algo que pode ser considerado como o melhor momento do quadrinho brasileiro na História. Hoje, que gráficas, mídia, pontos de venda e editoras já estão mais acessíveis aos artistas, o Quarto Mundo está atuando como mais um grupo de artistas como outros em atividade.  Por isso, foi escolhido encerrar as atividades do grupo e testar novas possibilidades de atuação com outros nomes."

 

Marcos Venceslau

 

"Com certeza o Quarto Mundo ajudou a aglutinar os independentes a nível nacional, criou possibilidades de mercado e abriu muitas portas para os independentes no mundo dos quadrinhos e até na ampliação de leitores. Não foi o único grupo que surgiu e teve seu papel, mas foi um grupo que mais teve destaque a nível nacional e com certeza influenciou muitos grupos. Também fez aparecer outros tipos de grupos com outras condutas que achavam melhor e os independentes tinham onde se apoiar ou se espelhar e se motivar a produzir, pois sei de muita gente parada que começou a acreditar e produzir preferindo fazer isso isolado, mas agora com mais possibilidades de projeção no mercado. Esse momento foi bom, mas o crescimento rápido precisava de atuações e organizações rápidas, além de que nem todo mundo realmente acreditava! Um grupo pequeno atuando não faz verão nesse esquema amplo do Quarto Mundo. Precisávamos de uma nova mudança, mas não vai ser possível mais com esse grupo. Acredito no próximo capítulo com outro nome agora. De certa forma um começar de novo, mas com um cenário bem diferente."

 

Leonardo Melo

 

"Foi importantíssimo. Eu desconheço a existência de algum coletivo que tivesse uma ideia tão ampla, realmente a nível nacional. Talvez esse tenha sido o erro. Mas de qualquer forma, o Quarto Mundo serviu de exemplo para outros coletivos, trouxe visibilidade para vários artistas e abriu muitas portas em eventos, sem mencionar os vários prêmios que ganhou. Houve falhas, claro. Nem tudo saiu como esperávamos. Tínhamos várias ideias para distribuição, divulgação etc... mas isso depende do empenho das pessoas. Ainda assim, a amizade que se formou entre os membros do grupo perpetua e com certeza continuará havendo ajuda mútua em vários sentidos. Até porque a lista de discussão continuará em voga. Agora é cada um tocar seus próprios projetos e continuar se ajudando como pode."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h33
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27.11.12

Daytripper no Angoulême

 

  • Obra de Gabriel Bá e Fábio Moon concorre a principal prêmio europeu de quadrinhos
  • Trabalho já conquistou troféus nos Estados Unidos e Inglaterra
  • Escolha dos vencedores do Festival Internacional de Angoulême irá ocorrer em 2013

 

Daytripper. Crédito: editora Panini

 

Habituados a conquistar prêmios nos Estados Unidos, os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon têm agora a chance de somar mais um, em outro país.

"Daytripper", obra criada pelos dois, foi uma das selecionadas do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, uma das mais relevantes premiações mundiais da área.

A obra concorre na categoria "seleção oficial", a mais importante categoria do Angoulême. O trabalho disputa com outras 31 histórias, a maioria inédita no Brasil.

O resultado será divulgado ao público durante a realização do festival, que vai de 31 de janeiro a 3 de fevereiro do ano que vem. Os vencedores geralmente são conhecidos nos dias finais do evento.

                                                           ***

"Daytripper" vem somando uma série de prêmios internacionais. Conquistou o Eisner Awards e o Eagle Awards, principais premiações dos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente.

A obra foi lançada inicialmente numa minissérie de dez números, publicados entre 2009 e 2010 pela Vertigo, selo adulto da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

Ganhou depois uma versão encadernada, a mesma que a Panini trouxe ao Brasil no meio do ano passado.

O trabalho mostra fragmentos da história de Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários que se vê sistematicamente frente a fatais situações-chave da vida.

                                                            ***

Os dois autores, que são irmãos gêmeos, confirmaram no blog que mantêm que irão ao festival francês. 

A dupla tem se destacado nos últimos anos no mercado norte-americano de quadrinhos. Um dos sinais concretos disso são as sucessivas premiações que conquistaram, em particular no Eisner Awards.

A projeção internacional foi reconhecida também no Brasil. O Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país, selecionou Bá e Moon como destaques internacionais do ano passado.

Os quadrinistas trabalham atualmente em um volume da coleção "Cidades Ilustradas", da editora Casa 21, e numa adaptação do romance "Dois Irmãos", de Milton Hatoum, para o Quadrinhos na Cia.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h40
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23.11.12

 Uma história-convite

 

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h07
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22.11.12

Leya mantém silêncio sobre fim da Barba Negra

O grupo Leya informou nesta quinta-feira, no fim da tarde, que não irá comentar o fim do selo Barba Negra, que concentrava os lançamentos de quadrinhos da editora.

A resposta foi dada após consulta feita pelo blog à assessoria de imprensa da empresa, por e-mail, também nesta quinta-feira.

"Infelizmente a editora Leya não vai se pronunciar quanto a esse assunto", retornou a assessoria, em mensagem enviada às 17h07.

O blog havia feito duas perguntas à editora: 1) quais os motivos do cancelamento da parceria envolvendo a Barba Negra; 2) o que irá acontecer com o catálogo de quadrinhos.

                                                           ***

A informação do fim do selo dedicado a quadrinhos foi oficializada pelo editor da Barba Negra, Sandro Lobo, conforme o blog noticiou na quarta-feira (leia postagem abaixo).

O editor também não deixa claro quais os reais motivos do cancelamento da parceria. Ele sugere, embora não confirme, que a razão seria expectativas diferentes dos dois lados envolvidos no acordo.

Outro assunto incerto é o destino dos lançamentos em quadrinhos já anunciados pela empresa. Segundo Lobo, os selecionados em concurso feito pela editora seriam honrados.

A Barba Negra, em pouco mais de dois anos, consolidou um catálogo que a alçou a uma das principais do segmento. Pelo trabalho, foi premiada como melhor editora de 2011 pelo Troféu HQMix, o principal da área de quadrinhos no país.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h38
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21.11.12

Barba Negra chega ao fim

 

  • Selo editorial do grupo Leya deixará de publicar álbuns em quadrinhos
  • Parceria foi encerrada no início do mês; só obras já acertadas devem ser lançadas
  • Iniciada há dois anos, editora foi premiada no HQMix como a melhor do segmento

 

"Infelizmente é isso mesmo, a parceria entre Leya e Barba Negra chega ao fim."

Foi dessa forma, bastante pontual e objetiva, que o responsável pelo selo editorial, Sandro Lobo, confirmou o fim da parceria entre ele e o grupo Leya. O catálogo tinha nos quadrinhos seu carro-chefe.

Segundo Lobo, como é mais conhecido no meio, o acordo foi cancelado no início do mês. O site da Barba Negra já está fora do ar. O acesso foi suspenso há duas semanas.

Ainda há uma nuvem que nubla os motivos do encerramento. Lobo sugere, mas não confirma, que teria havido diferenças entre as expectativas dele e as do grupo, responsável pelo aporte financeiro.

                                                          ***

Lobo diz que não pretende dar sequência a um selo por conta própria. Não no momento, pelo menos. Outra nuvem de incerteza envolve os trabalhos em quadrinhos já anunciados pela editora. 

De acordo com Lobo, devem ser honrados, pelo menos, os projetos selecionados no concurso de novos roteiros promovido pelo grupo no ano passado - houve 402 inscritos.

O prêmio seria a publicação da obra e o recebimento de R$ 20 mil para a produção do álbum. O trabalho vencedor foi do goiano Wesley Rodrigues, obra inicialmente anunciada para ser lançada no ano passado.

Outros dois projetos, um do paulista Mateus Acioli e outro de Plínio Fuentes, de Corumbá (MS), também haviam sido selecionados. Se publicados, seriam os primeiros álbuns nacionais do ano da editora.

                                                           ***

Neste 2012, a Barba Negra pôs à venda três obras, todas elas estrangeiras - "O Gosto do Cloro", "O Paraíso de Zahra" e "Guerra dos Tronos em Quadrinhos".

O cancelamento da parceria contrasta com o destaque conquistado pelo selo editorial nesses cerca de dois anos de existência, período em que formou um catálogo eclético, de obras daqui e de fora.

Pelo trabalho, a Barba Negra foi escolhida como a melhor editora de 2011 no Troféu HQMix deste ano, a principal premiação da área de quadrinhos do país.

Lobo esteve à frente de outro projeto editorial de destaque na área de quadrinhos, há cinco anos, junto à Desiderata. A venda da editora ao grupo Ediouro também pôs fim ao projeto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h21
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17.11.12

O ponto de vista indígena

 

  • Álbum reconta histórias de tribos brasileiras sob o ponto de vista do índio
  • Obra é resultado de passagem do autor, Sérgio Macedo, por tribos de Mato Grosso
  • "Povos Indígenas em Quadrinhos" começa a ser vendido na semana que vem

 

Povos Indígenas em Quadrinhos. Crédito: Zarabatana Books

 

Um projeto antigo do quadrinista Sérgio Macedo sai do forno na semana que vem. Trata-se da história de tribos brasileiras narradas pelo ponto de vista do próprio índio.

"Povos Indígenas em Quadrinhos" (Zarabatana Books, 88 págs., R$ 51) é resultado de impressões e relatos coletados dos próprios protagonistas do álbum.

Macedo conviveu por alguns meses com índios da aldeia Kayapó Metyktire, localizada em Mato Grosso. Lá, entendeu melhor o papel e a realidade daqueles povos.

A experiência, vivida em 1987, somou-se a outros dados. A outros dados e às pesquisas visuais, que ajudaram na composição dos desenhos realistas, marca principal do autor.

                                                            ***

O álbum inicia com uma história universal do povos indígenas. Da Idade do Gelo até as aldeias atuais. Dos primeiros habitantes americanos à realidade brasileira contemporânea.

Os capítulos que se seguem recontam as histórias das tribos Yanomami, Xavante, Kayapó, Suruí e Panará. Tudo pelo viés do olhar indígena.

Este é o terceiro álbum que Macedo lança no Brasil. O primeiro, "O Karma da Gaargot", foi publicado em 1973. No ano seguinte, o autor se mudou para a Europa.

Na França, assinou 15 álbuns, alguns deles traduzidos nos Estados Unidos. Macedo se estabeleceu, depois, no Taiti, onde morou por mais de 25 anos. Retornou em 2007.

                                                           ***

Foi nessa volta ao Brasil que Macedo cometou pela primeira vez sobre o projeto de "Povos Indígenas em Quadrinhos". Na ocasião, aventou-se que seria lançado pela Devir.

A ligação com a Devir é porque foi a editora que lançou o segundo álbum do autor no país, "Xingu!", também em 2007. No mesmo ano, Macedo foi homenageado no Troféu HQMix.

As voltas para tornar a obra real são um dos temas desta entrevista com Macedo, feita por e-mail. As respostas foram escritas de Juiz de Fora (MG), onde cresceu e está atualmente.

Ele faz só um pedido: a cópia das respostas na forma como foram escritas. "Estou cansado de ter tido frases minhas transformadas e, consequentemente, distorcidas em relação ao sentido original." Seguem as respostas. Na íntegra.

                                                            ***

Blog - Começo justamente pelas dificuldades de publicar a obra no Brasil. Lembro-me de você tê-la comentado na última vez em que conversamos e que seria publicada, na ocasião, pela Devir. O que mudou?
Sérgio Macedo
- Sim, era esse o projeto inicial. Então, fui para a Bahia e me estabeleci no litoral, perto de Itacaré. Como tinha vivido décadas fora do Brasil, aproveitei para curtir as belezas do Patropi e, durante muito tempo, deixei de lado a HQ em geral. O surf de Itacaré é lixo (falo da qualidade das ondas) em comparação com o surf nas ilhas do Pacífico e suas ondas sobre bancadas de coral, mas a galera baiana é muito legal e, junto com o calor e a beleza natural da região, me diverti um bocado. A Bahia tem muita beleza e, longe dos centros urbanos, as pessoas são muito mais humanas, gentis, alegres e comunicativas. Quando recomecei a trabalhar, enviei mensagem ao Douglas [Quinta Reis, diretor editorial], da Devir, comunicando o projeto e perguntando a disponibilidade da editora para publicá-lo. Como não houve retorno, escrevi novamente. Mesmo resultado. A gente sabe que a net não é infalível, e tentei mais uma vez. Não tive resposta, me toquei que não havia interesse, e decidi procurar outra editora. Fui a Sampa, e um amigo desenhista me levou na editora DCL. O diretor, Raul Maia, foi muito legal e decidiu publicar o livro. Fechamos negócio, voltei para a Bahia, e continuei a desenhar as HQs do livro. Quando quase tudo estava pronto, a editora literária me comunicou que o livro não poderia ter imagens de índios nus... Quase um ano depois do contrato assinado e da equipe editorial ter visto uns 40 originais onde não faltavam índios nus. Ah, Brasil!... Isso desencadeou problemas consecutivos e, quando um grafista da editora modificou digitalmente várias imagens, decidi partir para outra. O que se seguiu foi uma série de contatos, envio dos arquivos do livro pela net, até que Claudio Martini, [editor da] Zarabatana Books, decidiu publicar o livro.
(Se você quiser, posso fazer um histórico da saga-editoras e das peripécias que rolaram, como quando na Abril Educação, após aprovação da diretoria, comitê editorial e etc, rolou um veto do setor jurídico logo antes que assinássemos o contrato, pois eu propus uma cláusula em que haveria uma contribuição financeira (como se passa agora com Zarabatana) do autor e do editor para os índios retratados na obra).
 
Blog -Quando exatamente você começou a produzir a obra e quando a terminou?
Macedo
- Nos anos 80. A página sobre a Hutukara Associação Yanomami [no final da obra], feita a pedido dos Yanomami, foi finalizada poucos dias antes da impressão do livro.
 
Blog - O livro mostra o lado dos índios e caracteriza como maus, por assim dizer, todos os invasores e políticos responsáveis por programadas indígenas. Isso não pode gerar algum questionamento de que o outro lado não teria sido ouvido?
Macedo
- Cuidado para não cair na armadilha maniqueísta judaico-cristã e seus conceitos de bom e mau. A TV e demais mídias brasileiros, instrumentos dos interesses econômicos das multinacionais e dos lobbies nos bastidores do governo, inculca na cabeça do povo noções absolutamente falsas e errôneas sobre os povos indígenas, e a infeliz política atual da Funai é coptar as lideranças indígenas a aceitar o jogo dos brancos, a enfraquecer sua cultura (a instalação de televisões nas aldeias é uma ferramenta para isso) a fins de que eles não oponham resistência à corrupção que impera na sociedade nacional. Convivi com garimpeiros, posseiros, caçadores, empregados de fazendas, aviadores que levavam garimpeiros nas terras indígenas, etc, conheço os dois lados e vejo bem que a grande maioria desses invasores está na necessidade e busca, antes de mais nada, a sobrevivência. Eles não têm noção correta do impacto de suas ações sobre o povo indígena. Quanto aos latifundiários, empresários e grupos econômicos que os manipulam, a realidade é outra, assim como a ausência de intervenção efetiva do governo, que tem, no mínimo, a obrigação de respeitar os direitos humanos. É claro, alguém que vive na cidade, mesmo com a maior dose possível de informação adquirida nos centros urbanos, não compreende nem de longe o que se passa na mata e nas terras indígenas.
 
Blog - Sérgio, para encerrar, queria saber o que o motivou a retornar ao Brasil e a se estabelecer em Juiz de Fora. E com quantos anos está hoje?
Macedo
- Após mais de 33 anos no exterior, eu ainda lembrava das maravilhas naturais do Brasil, e voltei para revivê-las. Nunca me estabeleci em Juiz de Fora, que é uma das cidades mais caretas e tristes desse planeta. No ano passado, vim a Juiz de Fora visitar minha mãe. Uma manhã, praticando corrida a pé numa trilha de fazenda, fui picado por uma cascavel. Estava longe de tudo, foram 4 horas até ser socorrido na cidade, e quase fui para o outro mundo. Mas vaso ruim não quebra à toa, e ainda continuo vivo. Mas a recuperação foi muito longa, e acabei ficando no sítio dos meus pais. Mas meu projeto é voltar para as ilhas do Taiti, cuja realidade é paradisíaca em comparação com a do Brasil. Mas tenho alguns projetos HQ a finalizar antes disso. Nasci no 8-4-51, tenho 61 anos (os dados biográficos estão no livro). Allright, Joe?

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h18
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13.11.12

E o ProAC 2012 vai para...

 

  • Júlia Nascimento Bacellar (Júlia Bax) - "Remy"
  • Rogério da Cruz Kuroda (Roger Cruz) - "Quaisqualigundum"
  • Magno Costa - "A Vida de Jonas"
  • Marcos Leandro de Oliveira - "Aos Cuidados de Rafaela"
  • Olavo Costa - "Ronda Noturna"

 

Depois dos nomes, as explicações.

Os cinco autores elencados acima e os nomes das respectivas obras são os selecionados deste ano do ProAC (Programa de Ação Cultural), mantido pelo governo estadual paulista.

Todos integraram o edital relacionado a histórias em quadrinhos. A proposta do programa, que é anual, é a de viabilizar a produção de trabalhos culturais de diferentes áreas.

Os finalistas foram divulgados nesta terça-feira. Cada um deles irá receber R$ 40 mil para produzir as obras. O prazo para conclusão e publicação é de 12 meses.

                                                           ***

O prazo de um ano é apenas uma das mudanças do edital do ProAC deste ano, como o blog noticiou em agosto deste ano.

Nas edições passadas, o autor contemplado com a verba pública tinha oito meses para finalizar a obra. Há possibilidade de prorrogação de 90 dias.

Outra alteração foi uma redução pela metade no número de selecionados. De dez, caiu para cinco. A verba aumentou de R$ 25 mil para os atuais R$ 40 mil.

Mas, no geral, significa um investimento menor do estado. Se antes eram desembolsados R$ 250 mil no total, agora são R$ 200 mil.

                                                            ***

Uma das explicações para as alterações foi que o governo paulista estaria atendendo a pedidos dos autores, que teriam solicitado um prazo maior.

Essa informação veio a público em matéria do blog "Papo de Quadrinho", do jornalista Jota Silvestre, publicada em 3 de outubro.

O governo, no entanto, não explica por que houve redução também na verba destinada ao programa e no número de inscritos.

Demandas que dificilmente teriam partido dos quadrinistas.

                                                            ***

O ProAC tem se firmado nos últimos anos como uma das principais políticas de fomento à produção de histórias em quadrinhos no país. Neste ano, foram 155 inscritos.

Um dos frutos do programa foi "Bando de Dois", de Danilo Beyruth. De todas as obras do edital, foi a que obteve maior repercussão até o momento.

O álbum, sobre cangaceiros zumbis, venceu há dois anos três troféus HQMix, principal premiação da área de quadrinhos no país.

O programa  tem como calcanhar-de-aquiles o não cumprimento dos prazos do edital. Parte dos trabalhos de edições passadas foi publicada com atraso de mais de um ano.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h03
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05.11.12

De volta à produção nacional

 

  • Editora Abril volta a produzir no país histórias para os quadrinhos Disney
  • Por enquanto, apenas Zé Carioca terá trabalhos realizados no Brasil
  • Primeiras produções começam a sair no fim do mês, em especial do personagem

 

Zé Carioca 70 Anos - Volume 1. Crédito: divulgação

 

Trata-se ainda de um retorno tímido. Mas, é fato, trata-se de um retorno. A editora Abril voltará a criar no país histórias para os quadrinhos Disney, algo que não faz há uma década.

Os primeiros trabalhos serão publicados no fim do mês, data em que está programado o segundo volume do especial "Zé Carioca 70 Anos" - o anterior foi lançado semana passada.

A edição especial irá trazer duas histórias com o papagaio brasileiro. Uma será escrita e desenhada por Fernando Ventura, especialista em produções de personagens Disney.

A outra terá traço de Luiz Podavin, profissional que participou da arte de vários trabalhos realizados pela editora entre meados da década de 1970 até o começo deste século.

                                                            ***

A informação sobre esse retorno à produção nacional foi confirmada pelo editor da linha Disney, Paulo Maffia, durante o Gibicon, congresso de quadrinhos realizado em Curitiba.

Informalmente, o fato já circulava há pelo menos um ano, mas não era oficialmente confirmado pela empresa. Segundo Maffia, a volta se resume por ora apenas ao Zé Carioca.

A proposta é inverter o eixo do que ocorre atualmente. Em vez de reprisar ou importar histórias do personagem, ele pretende levar as narrativas daqui para o mercado externo.

O editor diz que há ainda alguns ajustes finais. Mas, se tudo correr como planejado, a proposta é ter uma história nova a cada número da revista mensal "Zé Carioca".

                                                            ***

Faz parte do pacote também especiais sobre a Copa do Mundo e a Olimpíada. Os dois eventos esportivos serão realizados no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente.

A Editora Abril produziu quadrinhos no país desde meados os anos 1960. O ponto alto da produção ocorreu nas três décadas seguintes.

O processo foi abandonada na entrada do século. Segundo Maffia, o que já estava produzido foi publicado até meados de 2002. Desde então, tem havido apenas reedições.

A volta casa com os 70 anos de criação de Zé Carioca, marcados pelos dois especiais com o personagem. O primeiro, à venda nas bancas, reúne histórias raras dele.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h57
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04.11.12

Capitão América caiu no Enem

 

  • Capa da revista do personagem foi usada como tema de questão do Enem 2012
  • Pergunta exigia que candidatos contextualizassem atuação do herói na 2ª Guerra
  • Quem já lia suas histórias em quadrinhos conseguiria responder com maior facilidade

 

Captain America 1. Crédito: reprodução

 

No meio do questionário, havia uma capa. Uma capa do primeiro número de "Captain America", de março de 1941, revista que marcava a estreia do super-herói estadunidense.

Setenta e um anos depois, a imagem do Capitão América dando um expressivo soco no líder nazista Adolf Hitler (1889-1945) foi usada no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A prova foi aplicada neste fim de semana. Os organizadores da prova apresentaram uma resenha do filme do personagem, "O Primeiro Vingador", exibido em 2011.

Depois, perguntaram a quem o herói e os Estados Unidos lutavam. A resposta correta era a que fazia menção aos "regimes totalitários, na Segunda Guerra Mundial".

                                                            ***

Para responder à questão, os estudantes deveriam ler as imagens da capa. A saída para assinalar a alternativa correta estava na identificação de Hitler e das suásticas presentes.

As demais alternativas sugeriam conflitos situados em outras épocas históricas: Primeira Guerra Mundial, Guerra Fria, Guerra do Vietnã, respostas aos ataques do 11 de Setembro.

Essa contextualização é familiar a quem já acompanha as aventuras do super-herói da editora norte-americana Marvel Comics, independentemente do que era visto na capa.

Fato raro: ler quadrinhos de super-heróis ou assistir ao filme do personagem teriam ajudado os estudantes a responder à questão com mais facilidade.

                                                            ***

Outra raridade é ter uma capa de revista de super-heróis usada como texto de questão. O Enem, até então, usava apenas charges e tiras nos enunciados de seus testes.

O uso desses dois gêneros dos quadrinhos tem sido frequente no histórico da prova. É comum aparecer, todos os anos, mais de uma pergunta pautada em produções assim.

No exame deste ano, houve uso de três charges e de três tiras, uma delas de Laerte.

O Enem tem sido usado nos últimos anos não mais como uma forma de avaliação do ensino médio, mas como um vestibular para acesso a vagas de universidades federais.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h29
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01.10.12

Mais uma charge que merece registro

 

Crédito: Quinho

De Quinho, sobre pedido judicial de retirada de obras de Lobato de bibliotecas escolares

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h55
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12.09.12

Uma charge que merece registro

 

Charge de Jean Galvão. Crédito: versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Charge de Jean Galvão, na edição desta quarta-feira do jornal "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h02
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11.09.12

11.09 nos quadrinhos

 

Captain America: Fight Terror. Crédito: reprodução

 

Pensei em escrever algo sobre a relação dos quadrinhos de super-heróis com os atentados do 11 de Setembro de 2011, sofridos pelos Estados Unidos.

Lembrei-me de que já havia feito uma resenha sobre o assunto há exatos seis anos, aqui mesmo no blog. Para não me redundar, voltei àquele texto.

Para minha surpresa, continuo pensando a mesma coisa a respeito do tema e de como o discurso do governo norte-americano migrou diretamente para os quadrinhos.

Para marcar a data, e para não escrever duas vezes o mesmo conteúdo, optei por reprisar o texto, na esperança de trazer a discussão aos novos leitores. A ele, então.

                                                            ***

A indústria norte-americana de quadrinhos teve um comportamento dúbio em relação aos ataques do 11 de Setembro, tragédia que completa hoje cinco anos [11 anos neste 2012]. Num primeiro momento, as editoras seguiram a tendência de solidariedade e de pesar extremo vivido dentro dos Estados Unidos (e, de certo modo, em outras nações do mundo ocidental). Esse sentimento deu o tom às primeiras histórias que abordaram o tema.Dois, três anos depois, o povo americano viu que seus filhos não voltavam da guerra. O sentimento mudou, a popularidade do presidente George W. Bush caiu (e continua baixa) e os super-heróis mudaram sua atitude em relação aos atentados e à política externa norte-americana.

A dubiedade vista nas revistas, ao longo desses cinco anos, só é coerente com o sentimento da população estadunidense.

O caso é um excelente estudo sobre uso ideológico nos quadrinhos. É algo muito parecido com o que foi feito durante a 2ª Guerra Mundial. O ataque a Pearl Harbor obrigou os Estados Unidos a entrar no conflito mundial. Não demorou para os super-heróis também estarem no front. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Capitão América (criado para combater os nazistas) e outros passaram a viver histórias de guerra, em que os inimigos eram os países do Eixo e seus líderes. O exemplo mais exacerbado talvez tenha sido o de Flash Gordon. O herói espacial voltou do Planeta Mongo para combater ao lado dos Aliados.

Havia uma política do governo norte-americano de usar a mídia como um veículo ufanista pró-aliados (ou antinazistas). Os quadrinhos não foram exceção. Não é que a presença do conflito era necessariamente imposta pelo governo: ela era consentida pelos escritores e desenhistas. Eles também haviam captado o sentimento de sofrimento vivido em Pearl Harbor e escreviam aquilo que os leitores queriam ver. Essa interpretação é do pesquisador Chris Murray, no artigo "Popaganda: superhero in World War Two". Ele chamou de "popaganda" a mistura da propaganda governamental pró-guerra com o uso da cultura pop.

A argumentação de Murray se encaixa perfeitamente no 11 de Setembro. Novamente, os Estados Unidos foram vítimas de um ataque em larga escala. Novamente, a maior potência do mundo se sentiu ferida. Novamente, partiu para um ataque em terras estrangeiras, passando por cima de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que pedia provas mais consistentes sobre a presença de armas químicas (que o tempo mostrou inexistirem). Novamente, os Estados Unidos usaram a mídia a seu favor (hoje, a literatura sobre o assunto já é suficientemente extensa para comprovar esse ponto de vista).

O altíssimo número de mortos após os ataques do 11 de Setembro criou outro índice altíssimo: o de popularidade a Bush. Isso deu a ele o cacife necessário para implementar a política de invasões ao Eixo do Mal (outra semelhança com a 2ª Guerra). Apresentou como argumentos a caça ao terror (palavra vazia, com conteúdo vago e pejorativo) e a presença de armas químicas (que não foram encontradas, como admitiu a Casa Branca anos depois).

Os primeiros quadrinhos sobre o conflito refletiam essa soma de características. A primeira história veio da Marvel Comics, que fez uma edição com capa toda preta, numa clara demonstração de luto. Era do Homem-Aranha, mas mostrava a comoção de todos os heróis da editora. Heróis e vilões. Havia uma cena em que até o inescrupuloso Doutor Destino chorava (veja na imagem abaixo). Houve, com o passar dos meses, outras publicações semelhantes. Só para citar um exemplo, o Capitão América (aquele da 2ª Guerra) passou a caçar terroristas.


Doutor Destino. Crédito: reprodução

 

A invasão norte-americana no Iraque – ainda não resolvida - fez a popularidade de Bush cair vertiginosamente. Havia um novo sentimento no povo norte-americano, sintetizado no documentário "Farenheit 11/9", do polêmico Michael Moore. Os soldados estavam morrendo. E nada parecia justificar racionalmente o conflito.

Os quadrinhos passaram a refletir esse sentimento. É difícil dizer a data exata da virada na abordagem, mas parece ser 2004. Alguns escritores da DC Comics começaram a dar cutucadas na política externa dos Estados Unidos. Um caso. Joe Kelly escreveu uma história da Liga da Justiça (publicada aqui no número 25 da revista homônima) em que Super-Homem tem uma série de visões. Numa delas, argumenta com o então presidente Lex Luthor sobre a irracionalidade de uma invasão a um país indefeso. Luthor, metáfora de Bush, responde aos gritos que invadirá, sim: "É assim que manteremos a paz. Mostrando a terroristas e ditadores que eles não podem desafiar a ONU. Se o Conselho de Segurança não entende isso os Estados Unidos suportarão esse fardo sozinhos se for preciso. Infelizmente, não vejo outra saída". Oficialmente, o tom de crítica fica para o leitor mais atento, já que a história não passa de uma visão do homem de aço.

Outro exemplo, também já publicado no Brasil, é de autoria de Greg Rucka e tem a esposa do Super-Homem como protagonista. Lois Lane não aceita receber notícias do exército norte-americano, como os demais repórter se sujeitaram a aceitar. Ela não queria o discurso oficial, compartilhado por todos os jornais e redes de televisão. Perry White, seu editor, alerta que sair das asas do governo implicaria correr riscos desnecessários na região do conflito. Resposta: "O governo vai controlar a reportagem, Perry. Se não diretamente, vai restringir acesso e censurar o que eu mandar. Me deixe pegar a história inteira" (leia diálogo abaixo). Lois foi.


Lois Lane. Crédito: reprodução


Há, certamente, outros exemplos. Hoje, as produções fazem a crítica de forma ainda mais acirrada e explícita. Um caso é o álbum "A sombra das torres ausentes", de Art Spiegelman (pela Companhia das Letras). Outro é "9/11 Report", versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas, recém-lançado nos Estados Unidos e que solta várias farpas na direção de Bush.

De cinco anos para cá, os quadrinhos deixaram de produzir histórias ufanistas sobre os ataques do 11 de Setembro e seguiram o comportamento crítico do povo norte-americano. Tal qual na 2ª Guerra Mundial, o comportamento dúbio é um reflexo do sentimento vivido pela sociedade, coerente apenas com esse sentimento. Tudo o que lemos é um reflexo do social? Tudo indica que sim.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h40
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05.09.12

Cerimônia do adeus

 

  • Revista mineira "Graffiti 76% Quadrinhos" será cancelada no número 23
  • Iniciada em 1995, era uma das mais antigas publicações independentes do país
  • Um dos editores planeja usar experiência na criação de uma editora de quadrinhos

 

Graffit 76% Quadrinhos # 23. Crédito: editores da revista

 

A revista "Graffiti 76% Quadrinhos" deixará de existir. O último adeus será dado com a publicação do 23º número, que tem lançamento nesta quinta (06.09) em Belo Horizonte.

O cancelamento põe fim a uma das mais antigas publicações independentes de quadrinhos do país. Iniciada em 1995, antecipou a tendência de autopublicação explorada hoje no país.

Segundo Fabiano Barroso, um dos editores da revista, houve uma soma de fatores que levaram à decisão, que atendem pelas faltas de motivação, recursos e tempo.

O alento é que ele planeja levar a experiência acumulada para um selo editorial, que também terá como proposta o lançamento de quadrinhos.

                                                             ***

Ao longo desses 17 anos de existência, a "Graffiti 76% Quadrinhos" era tida como uma referência no circuito alternativo brasileiro de quadrinhos.

Passaram pelas páginas da revista mais de cem autores, tanto nacionais quanto de outros países. A proposta era reunir histórias curtas de cada um deles a cada número.

Paralelamente, o grupo mineiro produziu uma coleção de narrativas mais longas, produzidas no formato álbum. Foram publicados cinco números ao todo, o último no começo do ano.

O blog conversou com Barroso por e-mail. Ele fez um depoimento sobre os motivos que levaram ao fim da revista. Depoimento que fala por si e que pode ser lido a seguir.

                                                             ***

O projeto terminou porque não nos sentimos mais tão à vontade fazendo a Graffiti. Ela se tornou, creio que a partir do número 22 (mas já havia indícios antes), uma proposta editorial um tanto maneirista, o que não condiz com o espírito inicial da revista. A Graffiti já foi uma exploradora de tendências, um laboratório, aonde fazíamos e incentivávamos experiências usando o quadrinho como tema central.

Editorialmente falando, nós contribuímos para abrir portas importantes dentro do restrito e intrincado mercado de quadrinhos nacional, pois entramos pela porta do fanzine, mas tendo sempre a pretensão de fazer um produto de luxo, graficamente falando.

Ou seja, ajudamos a inaugurar um modo de fazer & publicar quadrinhos que, no início, era o modelo a ser alcançado. Depois passou a ser tendência. Agora é usual e, quase, obrigatório. Ou seja, enquanto todo mundo evoluiu, a Graffiti estacionou e, hoje, temos dificuldade para sair do lugar onde estamos, seja por motivação, por tempo ou por recursos financeiros e estruturais.

A Graffiti é movida por projetos. A cada final de projeto, nos reunimos para planejar o(s) próximos projetos, se envolverão lei de incentivo, se terão edições 100% quadrinhos, temáticas, nomes de autores, etc. O atual projeto envolveu a publicação de duas edições regulares (22 e a que estamos lançando, 23) e um álbum (A Rua de Lá, do Alves).

Ele chegou ao final, quer dizer, tem a fase de lançamentos, distribuição e tal, mas a produção chegou ao fim, e consequentemente nos reunimos para ver o que faremos. Assim, decidimos que não faremos mais revistas, pelos motivos que citei.

Dos álbuns pendentes, o único que chegou a ser divulgado foi o do Bruno Azevêdo [O Pôço]. Pretendemos, sim, realizar projetos diferentes, mas ainda não podemos afirmar que a Coleção 100% Quadrinhos está entre eles. Um destes projetos já está em início de produção, e não envolve diretamente os quadrinhos.

Do ponto de vista estratégico, pode ser interessante formalizar um selo Graffiti. Falamos sobre isso por alto, mas ainda temos que acertar os pontos. Pessoalmente tenho a pretensão de montar uma pequena editora e publicar quadrinhos (meus e de outros) nos moldes que sempre publiquei.

Na verdade, a editora já existe juridicamente, desde o início do ano, mas não pude me dedicar a ela como gostaria, justamente por causa da Graffiti. Então, espero consolidar esta editora a partir do ano que vem, usando ou não o nome da Graffiti e a parceria com os membros.

A princípio, é um projeto pessoal. Pode ou não envolver meus parceiros, mas todos têm obrigações profissionais que, talvez, sirvam como impedimento. No meu caso, pretendo me dedicar de forma (quase) exclusiva.

Pretendo publicar trabalhos na linha do que sempre busquei publicar na revista e nos álbuns. Tenho pretensões de ser competitivo, vender, procurar os programas de compra de livros pelos governos, mas sem perder de vista os motivos pelos quais entrei nessa.

A Graffiti é formada por Pablo Pires (jornalista) e Piero Bagnariol (quadrinista e educador), que fundaram a revista há 17 anos. Eu entrei em janeiro de 1996, aos 18 anos, como distribuidor da recém-lançada número zero. Rafael Soares entrou em 1997, como produtor. E a Alexandra Martins, jornalista, entrou em 2008.

                                                             ***
Serviço - Lançamento da "Graffiti 76% Quadrinhos" # 23. Quando: quinta-feira (06.09). Horário: 21h. Onde: CCCP. Endereço: rua Levindo Lopes, 358, Savassi, Belo Horizonte (MG).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h28
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02.09.12

Convite

 

Lançamento de Revolução do Gibi em Natal, dia 05.09

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h15
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22.08.12

Krazy Kat escondido nas bancas

 

  • Personagem aparece na revista "Popeye", lançada este mês nas bancas
  • Histórias do norte-americano George Herriman foram produzidas na década de 1930
  • Publicação da Pixel, programada para ser mensal, reúne tiras criadas nos EUA

 

Krazy Kat, de George Herriman. Crédito: reprodução

 

Não é a primeira vez que se comenta neste blog que, de quando em quando, a visita às bancas de jornal reserva alguma surpresa. A desta vez atende pelo nome de Krazy Kat.

Criado e publicado pelo norte-americano George Herriman nas primeiras décadas do século passado, o personagem integra as páginas da revista "Popeye" (Pixel, 68 págs., R$ 4,50).

O título foi lançado este mês e reúne quadrinhos distribuídos pela King Features Syndicate, empresa estadunidense que há décadas se especializou no ramo de tiras.

O gato Krazy Kat aparece em cinco páginas da revista, cada uma com uma história completa. Segundo os créditos da revista, todas foram produzidas na década de 1930.

                                                           ***

O formato semelhante ao das revistas infantis sugere que "Popeye" dialogue com o leitor mais jovem - é vendida ao lado dos quadrinhos Disney e de Mauricio de Sousa.

Krazy Kat, no entanto, é para adultos. O gato protagonista já era vítima de bullying antes mesmo do termo se popularizar na última década.

O agressor era o rato Ignatz, que já era politicamente incorreto quase um século antes de a expressão se cunhar aqui no Brasil.

O camundongo enfrentava abertamente o guarda Pupp - um cachorro - e adorava dar tijoladas na cabeça do gato - que, mesmo assim, se sentia apaixonado pelo rato.

                                                           ***

Krazy Kat tinha um jeito peculiar de fala, característica eliminada na tradução das cinco histórias publicadas pela Pixel.

A editora, ligada ao grupo Ediouro, tem procurado claramente expandir e diversificar seu catálogo de revistas em quadrinhos vendidas nas bancas de jornal.

A proposta é apostar personagens que foram populares décadas atrás.

Além de "Popeye" e das demais tiras reunidas na publicação, a empresa também lançou neste mês títulos próprios de "Gasparzinho" e "Riquinho" (52 págs., R$ 3,10 cada um).

 

   

 

A primeira experiência da Pixel com histórias clássicas dos quadrinhos norte-americanos ocorreu no ano passado, com o lançamento da revista "Luluzinha" - hoje no número 17.

Dois meses depois, a editora pôs à venda um título próprio do amigo dela, "Bolinha". Os dois personagens vinham sendo publicados, até então, pela Devir, em formato álbum.

Neste ano, a Pixel mesclou o rol de publicações entre as tiras da King Features Syndicate e as criações da Harvey. Do primeiro, vieram as revistas "Recruta Zero" e, agora, "Popeye".

Da Harvey, os quadrinhos de Gasparzinho e Riquinho.

                                                            ***

Aos olhos da história, não é a primeira vez que uma editora brasileira tenta conquistar mercado com Luluzinha, Bolinha e Gasparzinho.

A extinta editora de O Cruzeiro entrou no mercado de quadrinhos na década de 1950 justamente com revistas próprias desses personagens - "Luluzinha" estreou em 1955.

Todos, depois, migraram para outras editoras. A Pixel ingressou no mercado de bancas com quadrinhos dos selos adultos da DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

A experiência foi abandonada e a empresa se redirecionou para o público infantojuvenil. A reestreia se deu com Luluzinha Teen, uma versão adolescente da personagem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h01
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