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31.03.08
Pesquisa lança olhar literário sobre os quadrinhos de Mutarelli

Mestrado defendido em Curitiba, no Paraná, estudou toda a produção de Lourenço Mutarelli, como a "A Soma de Tudo", álbum visto ao lado
É possível dar aos quadrinhos o mesmo tratamento dedicado à análise de uma obra literária. Essa é uma das novidades de um mestrado, que estudou toda a produção em quadrinhos de Lourenço Mutarelli.
A pesquisa, feita em Curitiba, no Paraná, investigou desde os primeiros trabalhos dele, produzidos no fim da década de 1980, até os último álbum dele, o autobiográfico "Caixa de Areia (ou Eu Era Dois em Meu Quintal", lançado pela Devir em 2006.
Depois dessa data, Mutarelli deixou os quadrinhos de lado.
Ele passou a investir na literatura -já havia lançado alguns livros-, ao teatro e ao cinema.
É dele o livro que "O Cheiro do Ralo", que inspirou o filme homônimo, exibido no ano passado.
O autor da pesquisa, o curitibano Liber Paz, de 33 anos, dividiu a produção quadrinística de Mutarelli em diferentes fases, como ocorre nas análises literárias:
- início da carreira (de 1988 a 1990)
- os quatro primeiros álbuns (de 1991 a 1996)
- as histórias coloridas (de 1998 a 2000)
- a triologia em quatro partes do detetive Diomedes: "O Dobro de Cinco", "O Rei do Ponto", "A Soma de Tudo" partes um e dois (de 1999 a 2000)
- a "Caixa de Areia" (2006)
Algumas conclusões da pesquisa: a obra de Mutarelli reflete e refrata elementos sociais e tecnológicos, há uma tendência a abordar temas como solidão e melancolia, há uma fixação do autor por figuras deformadas.
O mestrado, de 260 páginas, foi defendido em fevereiro na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (é ético registrar ao leitor que fiz parte da banca).
Nesta entrevista, o professor e designer gráfico Liber Paz comenta mais sobre os bastidores e os resultados de seu estudo, que insere um olhar literário sobre a produção de quadrinhos.
***
Blog - O que o motivou a escolher Lourenço Mutarelli para pesquisar?
Liber Paz - Foi uma questão pessoal e prática. Aquela história de "unir o útil ao agradável". Quando eu comecei a esboçar o projeto de mestrado, minha idéia era estudar algum autor de quadrinhos de que eu gostasse e que tivesse uma obra com proposta e conteúdo mais denso, dentro do qual eu pudesse desenvolver as questões sobre cultura e tecnologia [proposta do mestrado da Universidade Tecnológica Federal do Paraná]. Eu sempre gostei dos quadrinhos do Lourenço e o trabalho dele se encaixava direitinho dentro das minhas idéias para o projeto, por isso o escolhi.
Blog - O que procurou mostrar no trabalho?
Liber Paz - Eu fiz o mestrado através de um programa de pós-graduação que tem por prioridade o estudo da tecnologia e a questão da cultura e dos estudos interdisciplinares. Dentro da nossa sociedade, muito do que pensamentos, muito do modo como vemos e julgamos o mundo é construído com base nas nossas relações com outras pessoas e com a natureza ao nosso redor. E, como diz um dos autores que estudei, "a tecnologia acaba constituindo uma segunda natureza". A partir daí, pensei em procurar nas histórias em quadrinhos elementos que mostrassem como a tecnologia interage com a condição humana contemporânea. Procuro usar o trabalho de Lourenço Mutarelli para mostrar esses elementos. Eu também tinha interesse em mostrar histórias em quadrinhos por um viès mais "literário". Eu acredito que uma história em quadrinhos pode ser uma obra com valor estético, como um livro de Kafka, permitindo diversas leituras e releituras, discussões e novos significados. Espero ter conseguido mostrar isso no trabalho.
Blog - E qual foi sua conclusão?
Paz - A obra de Lourenço Mutarelli mostra como objetos do dia-a-dia acabam ganhando um significado muito maior por representar um modo de estender a permanência humana e manifestar a materialização de idéias e sentimentos às vezes inexprimíveis. Um dos maiores exemplos é a fotografia. No álbum "Mundo Pet", ela serve de suprote para o autor construir as histórias, pintando sobre fotografias. Mas, além disso, a fotografia serve como uma materialização da memória e como um modo de entrar em contato com as pessoas ausentes. A fotografia é um canal de contato e ganha um valor emocional gigantesco.
Blog - Você conseguiu identificar quais as características estilísticas que compõem Mutarelli como autor de quadrinhos?
Paz - A respeito das questões formais, Mutarelli usou pouquíssimas onomatopéias e linhas de movimento durante toda a sua produção. Podemos dizer que há um constante e pesado silêncio em suas histórias. Suas histórias também apresentam poucas seqüências de ação, exceção maior feita à série do Detetive Diomedes, a "Trilogia do Acidente". Mutarelli emprega muitas cenas de diálogo, com o quadrinho passando de um rosto a outro. O modo como "edita" suas cenas parece evocar uma passagem de tempo mais lenta, demorada. Isso também pode ser verificado no cuidado com que Mutarelli desenha os detalhes de seus quadros, que pedem uma observação mais contemplativa, sem pressa. Ler um álbum de Mutarelli requer uma desaceleração do ritmo cotidiano. Essas características formais interagem com os temas principais de Lourenço Mutarelli, como a instrospecção e a melancolia.
Blog - Você dividiu a produção em períodos. Quais foram os critérios para o início de cada um deles?
Paz - A divisão em períodos acabou acontecendo naturalmente. Está muito vinvulada ao desenvolvimento do trabalho do autor, com relação a sua narrativa e temáticas. Temos um primeiro momento com um flerte com o humor nas histórias curtas publicadas ao final da década de 1980. Com o lançamento de "Transubstanciação" [ao lado, a capa da segunda edição], começa uma fase completamente distinta, a dos álbuns, que inclui "Desgraçados", "Eu Te Amo Lucimar" e "A Confluência da Forquilha". Percebemos como temas principais nessas obras a angústia e o grotesco apresentados de maneira visceral ao leitor. São álbuns impactantes, em que o autor se expressa de maneira espontânea e intensa. Após esses álbuns, ele faz uma pausa em sua produção de quase um ano. Retoma com a produção de algumas histórias curtas e começa a desenvolver o álbum "O Dobro de Cinco", que daria origem à "trilogia de quatro partes" do detetive Diomedes e a uma nova fase. Nos álbuns de Diomedes, ainda estão presentes a melancolia, a angústia e o grotesco, mas de uma maneira mais refinada. O autor está mais maduro e apresenta seus temas ordenados na forma da história de detetive. Em paralelo com a produção de Diomedes, Mutarelli produz histórias curtas e coloridas para o site Cybercomix (depois publicadas em "Mundo Pet"). Tanto nessas histórias curtas quanto em Diomedes, Mutarelli lapida sua narrativa, desenvolve sua poética e começa a abordar novos temas, como a questão da representação. Em "A Caixa de Areia", seu último e, na minha opinião, melhor trabalho, ele leva essa questão do real e da ficção ao extremo. Todos os álbuns precedentes tinham suas histórias se psassando em um universo fictício comum, com elementos que se tocavam, como o "Grande Circo", que é mencionado em "Transubstanciação" e também na trilogia de Diomedes. "A Caixa de Areia" não participa desse universo fictício. Mutarelli procura em uma linha narrativa apresentar uma "reprodução" fiel da realidade e em outra uma situação completamente absurda e impossível. A partir de um jogo de metalinguagem, ele faz reflexões bem interessantes sobre as limitações do "quadrinho autobiográfico" e mesmo das formas de representação em geral. Considero "A Caixa de Areia" sua obra-prima.
Blog - Você entrevistou Mutarelli para compor a pesquisa. O que ele revelou sobra a obra dele? E por que decidiu desistir de produzir quadrinhos?
Paz - Dos encontros que tive com Lourenço Mutarelli, ficou muito evidente para mim a atitude e posicionamento do autor com relação a seu trabalho. Mutarelli tem um respeito profundo pelos quadrinhos. Seus trabalhos são feitos com esmero, priorizando aspectos estéticos e literários. A respeito da desistência da produção de quadrinhos., não posso falar com propriedade a respeito de suas razões particulares. A meu ver, Mutarelli cansou-se do descaso e da falta de reconhecimento que existe em relação aos quadrinhos.
Categoria: ENTREVISTA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h47
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30.03.08
Dragon Ball Z vai ser relançado no Brasil em formato de livro
O mangá "Dragon Ball Z" vai ser relançado no país. A série de Akira Toriyama será publicada em 21 volumes bimestrais, a R$ 19,90 cada um.
Segundo a Conrad, editora desta e também da primeira versão da obra no Brasil, o primeiro número começa a ser vendido em maio.
A série dá seqüência à coleção "Dragon Ball – Edição Definitiva", que relançava o mangá desde o início. A coleção havia parado na edição 13.
"Dragon Ball Z" começa no número 14 e terá o mesmo formato e acabamento, semelhante ao de um livro, com 240 páginas.
A fase Z dá seqüência às histórias de "Dragon Ball", que mostravam os combates marciais de Son Goku quando criança.
Na nova fase, Goku cresceu, está casado e tem um filho, Gohan.
Os confrontos e os treinamentos marciais para as batalhas continuam, a exemplo da primeira fase da série. Mas o nível dos desafios e dos adversários interplanetários aumenta.
A primeira versão de "Dragon Ball Z" foi lançada no Brasil em revista própria, publicada entre agosto de 2001 e outubro de 2003. Teve 51 números.
Dragon Ball foi um dos mangás mais vendidos no país e no mundo.
A animação, exibida na TV Globo, teve igual repercussão.
***
A Conrad anunciou também a volta às bancas do mangá "One Piece", de Eiichiro Oda.
A informação havia sido noticiada na semana passada pelo site "Universo HQ", em nota assinada por Marcelo Naranjo. A loja virtual da Conrad já anuncia o próximo número, o 67.
A editora informou ao blog que o atraso na continuidade da série foi causado por problemas na renovação do contrato do mangá.
Segundo a Conrad, esse processo de renovação demorou mais do que o previsto.
Outros mangás da editora passaram pelo mesmo problema.
"Sanctuary" não é lançado desde o ano passado. Parou no número cinco.
A última edição de "Monster" -número nove- saiu em janeiro (leia mais aqui).
As duas séries voltam às bancas em abril, segundo informação do site da editora.
"Battle Royale" também teve problemas de contrato, de acordo com a Conrad (leia aqui).
O site da editora informa que o número 13, de um total de 15, deve ser lançado em abril.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 22h50
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O Alienista ganha mais uma adaptação em quadrinhos

Versão feita por Lailson Cavalcanti (capa acima) é a terceira lançada recentemente no país
"O Alienista" ganhou mais uma adaptação em quadrinhos, a terceira de 2006 para cá.
A nova versão, que começou a ser vendida discretamente em algumas livrarias, é feita pelo pernambucano Lailson de Holanda Cavalcanti e foi publicada pela Companhia Editora Nacional (R$ 18, 64 págs.).
A adaptação mostra em quadrinhos os elementos básicos do conto de Machado de Assis (1839-1908), publicado pela primeira vez entre 1881 e 1882 na forma de folhetim.
A história mostra as investigações psicológicas de Simão Bacamarte num manicômio na vila de Itajaí.
Estudado, o médico tenta pôr à prova suas inovadoras idéias sobre a relação que existe entre loucura e razão.
A ironia machadiana é que, à luz das idéias de Bacamarte, quem é são se torna louco, e vice-versa.
O conto foi adaptado também pelos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon. A obra, da editora Agir, foi publicada no ano passado (leia mais aqui).
Em 2006, a história integrou a coleção "Literatura Brasileira em Quadrinhos", da editora Escala. O texto e o desenho foram feitos por Francisco Vilachã.
Há outras adaptações em quadrinhos em fase final de produção.
Parte das páginas inéditas é mostrada nos blogs dos autores.
Leia mais na postagem abaixo. |
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 12h19
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29.03.08
Autores antecipam trechos de próximas adaptações literárias
Não só continua como também se amplia o interesse editorial nas adaptações em quadrinhos, gênero que voltou a se firmar no Brasil nos dois últimos anos, em especial em 2007.
Há pelo menos três adaptações em processo de finalização.
Uma garimpagem nos blogs dos autores mostra que eles já antecipam parte -ou a obra toda- nas páginas virtuais.
Bira Dantas finalizou nesta semana sua adaptação de "Dom Quixote", obra máxima do espanhol Miguel de Cervantes (1547-1616).
Todas as 80 páginas do romance -que será lançado pela editora Escala- podem ser lidas em preto-e-branco num blog que o desenhista criou especialmente para divulgar a obra.
É de lá a seqüência acima (veja mais aqui).
Eloar Guazzelli diz já ter finalizado a adaptação de "O Pagador de Promessas", peça teatral de Dias Gomes (1922-1999).
O álbum será o segundo da coleção de adaptações literárias da editora Agir.
Há outras páginas no blog de Guazzelli (neste link).
O primeiro álbum da Agir foi a versão de "O Alienista" feita por Gabriel Bá e Fábio Moon, lançada no ano passado (leia mais aqui).
A terceira obra da coleção da Agir, se não houver mudanças, será "Os Sertões", de Euclides da Cunha (1866-1909).
O desenhista da obra, Rodrigo Rosa, pôs algumas páginas em seu blog ( link), como já noticiou mais de uma vez Eduardo Nasi no "Universo HQ", site especializado em quadrinhos.
O texto da adaptação é de Carlos Ferreira. Segundo Rosa, o álbum terá 62 páginas.
Post postagem: Andrei, leitor deste blog, acrescenta mais uma adaptação a esta lista, a de contos de João do Rio, pseudônimo do jornalista e escritor carioca Paulo Barreto (1881-1921).
A adaptação é feita por Allan Sieber. Ele postou alguns trechos nesta semana em seu blog.
Segundo Sieber, a obra vai integrar a coleção de clássicos literários da Agir.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h52
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Palestra sobre quadrinhos de terror em São Paulo
Registro rápido. O publicitário e pesquisador de quadrinhos Nobu Chinen faz palestra neste domingo, em São Paulo, sobre quadrinhos de terror.
Ele também integra o Observatório de Histórias em Quadrinhos da Universidade de São Paulo, novo nome do antigo Núcleo de Pesquisas de Histórias em Quadrinhos da USP.
O blog pediu a Nobu que desse uma prévia sobre o conteúdo da palestra.
A resposta veio por e-mail:
"Nos anos 50, os quadrinhos de terror, junto com os de crime, foram acusados de corromper a juventude e transformar garotos e garotas em delinqüentes, o que detonou uma ampla campanha contra os quadrinhos, principalmente nos Estados Unidos, e levou à criação do Código de Ética."
"No Brasil, as duas ondas de quadrinhos de terror, uma na década de 50 e a outra nos anos 70/80, foram responsáveis por abrir o mercado para artistas nacionais."
A palestra será às 16h30 na Biblioteca Monteiro Lobato (rua General Jardim, 485, Vila Buarque, São Paulo). A entrada é franca.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h36
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28.03.08
Brasileiros vencem salão de humor sobre a Amazônia
Categoria ecologia
1º lugar
Walter Júnior (RJ)

Categoria comunicação
1º lugar
Eduardo dos Reis Evangelista (MG)
Dois brasileiros venceram as duas categorias do 1º Salão de Humor da Amazônia - Ecologia do Traço. Os premiados foram definidos nesta semana em Belém, no Pará.
Na categoria cartum ecológico, a principal do salão, o primeiro lugar ficou com Walter Júnior, do Rio de Janeiro. O desenhista vai receber um prêmio de R$ 6 mil.
O segundo lugar, Seyran Caferli, do Azerbaijão, vai ganhar R$ 3 mil.
A outra categoria do salão de humor, coordenado pelo cartunista Biratan Porto, tinha como tema a comunicação.
Os prêmios para o primeiro e segundo lugares eram menores: R$ 2 mil e R$ 1 mil, respectivamente.
O vencedor foi Eduardo dos Reis Evangelista, o Duke, de Minas Gerais.
O segundo lugar ficou com Mahmood Nazari, do Irã.
É o segundo prêmio que Duke ganha neste ano.
Em janeiro, ele ficou em primeiro lugar na edição de estréia do Salão Internacional de Humor de Campos, no Rio de Janeiro (veja o desenho aqui).
O tema do salão também tinha cunho ecológico: o fim da água potável no mundo.
O júri do salão sobre a Amazônia indicou também duas menções honrosas, premiação para desenhos que, embora não premiados, merecem registro por causa da qualidade.
As menções também foram para dois brasileiros: Ronaldo, do Rio Grande do Sul, e Rodrigo Maia, do Pará.
Os trabalhos premiados -e também os selecionados dos 24 países participantes, inclusive do Brasil- ficam expostos até domingo no Boulevard das Feiras, na Estação das Docas, em Belém, no Pará.
Depois, os organizadores -a Central de Produções, Cinema e Vídeo de Amazônia- pretendem montar um catálogo com os trabalhos.
Segundo eles dizem no site do salão, a proposta era "deflagar um berro ante a imbecilidade e a estupidez que se constituem o devastamento e a devastação da Amazônia".
Veja abaixo os segundos lugares das duas categorias do salão de humor.
Categoria ecologia
2º lugar
Seyran Caferli
Azerbaijão
Categoria comunicação
2º lugar
Mahmood Nazari
Irã
Crédito: as imagens são reproduzidas do site do salão de humor.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 18h10
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27.03.08
Overdose independente em São Paulo
Há um lançamento e duas sessões de autógrafos de produções independentes neste fim de semana em São Paulo.
Nesta sexta-feira à noite, há o lançamento do segundo número da revista "Tempestade Cerebral", editada por Alex Mir.
A publicação trimestral, de 36 páginas, traz três histórias de diferentes gêneros.
No sábado, também à noite, o escritor e desenhista Fernando Wanner faz um lançamento paulista de "Ferner e a Chave da Verdade", de 76 páginas.
A trama mística é ambientada na Idade Média.
O sábado terá também sessão de autógrafos com autores da coleção "Olho de Bolso", coordenada pelo pessoal da revista independente "Ragu".
Todos os eventos começam às 19h30 e vão ocorrer na HQMix Livraria (praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo).
***
Embora não participe dessa fornada de autógrafos, também começa a ser vendida neste fim de mês a "Hangar".
"Hangar" é o novo nome da revista "Casa das Máquinas", que teve apenas um número.
A obra, editada por Jerônimo de Souza, tem 52 páginas e histórias de diferentes artistas.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h12
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Níquel Náusea divide posto de protagonista em novo álbum de tiras

"Níquel Náusea - Minha Mulher É uma Galinha", nova coletânea de tiras, traz histórias já publicadas no jornal "Folha de S.Paulo"
Níquel Náusea pode dar o nome da tira cômica criada por Fernando Gonsales. Mas o rato de esgoto não é mais o único protagonista da série.
Isso já não é muita novidade para quem acompanha as piadas diariamente no jornal "Folha de S.Paulo", que publica as histórias desde 1985.
Mas fica bem mais claro durante a leitura de "Níquel Náusea - Minha Mulher É uma Galinha", nova coletânea de tiras publicadas na Folha (Devir, R$ 26, 48 págs.).
O álbum -o sétimo publicado pela Devir- tem lançamento hoje à noite em São Paulo.
Das 230 tiras da obra, Níquel Náusea aparece em 37. Cerca de 16%.
Os outros personagens da trupe, como a barata viciada Fliti, protagonizam 20 tira. Pouco mais de 8,5%.
Quem se torna o alvo da maioria das piadas restantes são todos os outros animais imaginados por Gonsales.
É um zoológico completo: há elefantes, macacos, porcos, galos, até dinossauros.
Numa espécie de rodízio, são eles os condutores das histórias e do efeito de humor por elas provocado.

O recurso de usar personagens desconhecidos e de diluir a importância do protagonista parece ser uma tendência, em especial em parte das tiras sul-americanas.
É o que ocorreu, por exemplo, com a série "Piratas do Tietê", de Laerte. Os piratas não aparecem há vários anos.
É recurso muito comum também na nova geração de tiristas brasileiros, grupo que usa a internet como principal meio de difusão (Rafael Sica é apenas um exemplo).
Na Argentina, o desenhista REP optou por um modelo semelhante.
O que importa, para ele, é a piada, e não o personagem fixo, modelo herdado dos EUA.
Há alguns anos, REP deslocou o personagem-título Gaspar, um ex-revolucionário, para aparições esporádicas.
No lugar, usa situações corriqueiras como tema da tira, como se fossem cartuns.
As tiras dele são publicadas diariamente no jornal "Página 12", de Buenos Aires.
Na desta quinta-feira, a piada é narrada por meio de Gaspar.
Esse comportamento indica que desenhistas sul-americanos -ou parte deles- parecem buscar mais mobilidade criativa dentro das amarras apertadas do limitado formato da tira.
Pôr para escanteio os personagens fixos é apenas um sinal disso.

Níquel Náusea é pautado por aquele humor tradicional, que existe desde o surgimento das tiras, há um século.
Mas o resultado final, quando lido em seqüência, mostra que Fernando Gonsales está antenado a essa tendência criativa. Não usar tanto o protanogista é sinal disso.
Serviço - Lançamento de "Níquel Náusea - Minha Mulher É uma Galinha". Quando: hoje (27.03), a partir das 19h. Onde: Livraria da Vila. Endereço: Alameda Lorena, 1.731, São Paulo. Quanto: R$ 26.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 11h10
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26.03.08
Edmar Viana: o registro da morte, a lembrança da homenagem
Foi enterrado nesta quarta-feira, em Emaús, região metropolitana de Natal (RN), o corpo do jornalista e chargista Edmar Viana.
Viana, de 52 anos, morreu ontem à noite depois de ficar dois meses em coma.
Segundo o jornal "Tribuna do Norte", onde ele publicava suas charges, Viana teve uma parada cardíaca no dia 24 de janeiro deste ano. Estava internado desde então, na UTI.
O desenhista era muito conhecido no Rio Grande do Norte.
Fez por três décadas, no jornal "Diário de Natal", a coluna "Cartão Amarelo", produzida em parceria com Everaldo Lopes.
Os trabalhos foram reunidos no livro "Cartão Amarelo 30 Anos", de 2003.
Também virou livro outra criação dele, o personagem Pivete.
A obra foi publicada em 1998 pela editora Marca de Fantasia (capa abaixo).
O blog pediu a Cláudio de Oliveira, chargista do jornal paulistano "Agora", se aceitaria dar um testemunho sobre Edmar Viana.
Cláudio substituiu Viana na "Tribuna do Norte" desde a internação deste, em janeiro.
Ambos se conheciam, trabalharam juntos, são conterrâneos.
O convite foi gentilmente aceito. Segue o depoimento de Cláudio.
***
Conheci Edmar Viana em 1975, quando fui mostrar os meus desenhos na redação do "Diário de Natal".
Já era então o mais popular cartunista do Rio Grande do Norte, graças à coluna diária intitulada "Cartão Amarelo", publicada desde 1973 em parceria com o jornalista Everaldo Lopes.
Fui então convidado por Edmar e seu colega de jornal, o também cartunista Emanoel Amaral, para integrar o Grupehq, o Grupo de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos, do qual Edmar foi um dos fundadores, em 1974.
Naquele ano, o grupo fez história ao organizar a primeira exposição de quadrinhos da cidade e a editar duas páginas dominicais de quadrinhos com artistas locais em "O Poti", durante dois anos.
Em 1976, o Grupehq lançou a revista de quadrinhos "Maturi", com a colaboração permanente de Edmar.
Nessa época, o consagrado cartunista mineiro Henrique de Souza, o Henfil, criador dos Fradinhos, do Zeferino e da Graúna, vai morar em Natal e convida Edmar para colaborar com o antigo "Pasquim", o semanário carioca que reunia a seleção do humor nacional e que fazia sucesso em todo o país.
Henfil considerava o traço de Edmar extremamente expressivo, além de alegre e irreverente.
O cartunista potiguar chegou a publicar algums trabalhos no "Pasquim", mas o seu universo era mesmo a sua cidade, Natal.
Juntos, eu e Edmar, mais os cartunistas Ivan Cabral, Roberto Solino e Manuel Vaz chegamos a publicar, em 1987, um tablóide de humor, "O Chafurdo", que circulou em quatro números.
Em 1988, Edmar se transfere com Everaldo Lopes para a "Tribuna do Norte", jornal no qual passa a fazer o "Cartão Amarelo" e uma tira diária do "Pivete", personagem de sucesso local que chegou a publicar no periódico Barlavento, de Portugal.
Dono de um temperamento alegre e expansivo, Edmar, que também era fundador de um bloco de Carnaval, deixa saudades entre seus amigos e seus muitos leitores.
Cláudio de Oliveira
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h51
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25.03.08
Álbum traz história inédita já publicada seis anos atrás
"Assunto entre Vampiros", história de Mirza anunciada como inédita, foi lançada em álbum da personagem publicado em 2002
Sempre é bem-vindo um retorno antigos personagens nacionais, como o que ocorre neste mês com Mirza, a Mulher-Vampiro.
Um álbum com duas histórias dela está à venda nas bancas e lojas especializadas em quadrinhos (Mythos, 68 págs., R$ 19,90).
Mas a edição precisa de alguns ajustes para não informar o leitor de forma equivocada.
O primeiro ajuste é um detalhe menor, quase sem importância. A obra comemora 40 anos de criação da personagem do ítalo-brasileiro Eugênio Colonnese.
Na verdade, Mirza surgiu em 1967, em revista da editora Jotaesse. São 41 anos, portanto.
O segundo ajuste é mais sério.
A capa e a orelha do álbum informam ao leitor que as duas histórias da obra são inéditas.
Os trabalhos seriam os últimos de Colonnese (desenhos) e Osvaldo Talo (texto) para a extinta revista "Mestres do Terror", da editora D-Arte.
Com o fim da revista, diz o texto, "as historietas aqui presentes permaneceram inéditas, aguardando uma boa oportunidade para entreter seus saudosos fãs".
Não é totalmente verdade.
A primeira história, "O Castelo do Terror", ao que tudo indica é inédita.
A segunda, "Assunto entre Vampiros", não.
"Assunto entre Vampiros", de 18 páginas, integrou o álbum "Mirza, a Vampira", lançado em 2002 pela editora Opera Graphica.
Nessa versão da Opera Graphica, consta na página de abertura da história que a história foi escrita por Osvaldo Talo e que teve "texto final" de Sidemar de Castro.
O quadrinho com os créditos, presente na página de abertura, não aparece (ou foi cortado) na versão da Mythos. Logo, não há menção da Sidemar de Castro.
Parte dos diálogos também apresenta sutis diferenças entre as duas edições.
Voltamos ao ponto inicial.
Uma obra-homenagem a Mirza, criação mais famosa de Colonnese, é algo sempre bem-vindo. E é louvável a iniciativa da Mythos, até então distante dos quadrinhos nacionais.
A publicação ajuda a recuperar as raízes da produção brasileira, em especial do gênero terror, que já foi tão popular por aqui. E contribui para apresentar o tema a novos leitores.
A obra serve também de homenagem a Eugênio Colonnese, um dos mais antigos e importantes autores de quadrinhos que atuaram -e atuam- no Brasil.
O senão é a venda ao leitor de algo que a edição não tem. E que contradiz com a proposta de uma publicação desse porte, que teria tudo para ser só comemorativa.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 20h14
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24.03.08
Exposição no Rio reúne mais de 500 pinturas de Debret
Começa nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, uma exposição com mais de 500 pinturas de Jean-Baptiste Debret (1768-1848).
Debret é um dos primeiros ilustradores a atuar no Brasil.
O francês ficou no país entre 1815 e 1830 e retratou a vida da sociedade carioca da época.
A mostra traz trabalhos desse período.
As telas mostram o olhar dele sobre a situação dos escravos e os bastidores da família real, que chegou ao Brasil há exatos 200 anos.
A trajetória do pintor foi narrada em quadrinhos no álbum "Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca pelo Brasil", produzido por Spacca e lançado no fim de 2006 (leia mais aqui).
A mostra "O Teatro de Debret" pode ser vista até 11 de maio.
A exposição está na Casa França-Brasil (rua Visconde de Itaboraí, 78), no Rio de Janeiro.
Fica aberta de terça a domingo, das 10h às 20h. A entrada é franca.
A editora de Diversão e Arte do UOL organizou um álbum com algumas das pinturas presentes na exposição. Para ver, clique aqui.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h26
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Mad volta às bancas e sobrevive, mais uma vez, no mercado nacional

Nova versão da revista, publicada no país desde 1974, chega esta semana às bancas
A revista de humor "Mad" pode ser norte-americana. Mas a trajetória dela no país parece o bordão usado pelo governo federal brasileiro: não desiste nunca.
Nesta semana, ela volta às bancas uma vez mais e ganha outra sobrevida no mercado nacional (Panini, 44 págs., R$ 5,90).
A nova casa trouxe também nova roupagem editorial.
A numeração foi reiniciada e a revista foi produzida inteiramente em cores, uma novidade em relação às versões anteriores.
A maior parte do conteúdo é estrangeiro.
E segue a mesma linha do que sempre viu na "Mad": uma sátira de filme ("Harry Podre & A Bosta no Tênis"), muitas histórias curtas (entre elas de Sergio Aragonés) e as brigas de "Spy vs. Spy" (uma das mais famosas da revista).
Das 44 páginas deste número de estréia, 11 possuem conteúdo nacional.
O material é produzido por Otacílio d´Assunção, o Ota, que acompanhou todas as outras versões da revista no Brasil.
É ele que edita a parte nacional (a estrangeira fica a cargo de Raphael Fernandes).
É de Ota, por exemplo, o texto de "Meu Nome Não É Enjôony", adaptação de "Meu Nome Não é Johnny", longa-metragem brasileiro estrrelado por Selton Mello, ainda em cartaz.
Ota -que também faz a tira "Dom Ináfio" para o "Jornal do Brasil"- diz na introdução da revista que já entrou no Guinness como o editor há mais tempo ligado à "MAD".
"Fora até agora quatro editoras, quatro séries, cada uma pior que a outra, e vamos continuar mantendo o mesmo ritmo", diz no texto.
As quatro editoras a que ele se refere são Vecchi (de 1974 a 1983), Record (de 1984 a 2000), Mythos (de 2000 a 2006) e, agora, Panini.
Nos Estados Unidos, a publicação surgiu em 1952, pela EC Comics. Hoje, pertence à DC Comics, mesmo editora de Super-Homem e Batman.
A marca da revista é Alfred E. Neuman, figura de rosto abobalhado, mostrada em versão de terror na capa deste primeiro número (vista acima).
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 17h58
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23.03.08
Um registro e um agradecimento
Faço aqui um registro e um agradecimento.
Começo pelo registro.
O blog ultrapassou neste Domingo de Páscoa a marca de 2 milhões de visitas.
Dá uma média de quase 3 mil leitores por dia.
Não é pouco. Ainda mais para um blog jornalístico.
O agradecimento.
Aproveito a marca para agradecer a todos os que visitam esta página virtual, alguns mais de uma vez por dia.
É a atenção e a fidelidade do leitor que permitiu chegar a esse número.
Essa marca é mais crédito de vocês do que deste jornalista.
De minha parte, só tenho a agradecer.
Muito obrigado.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 12h08
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Death Note: caderno serve de tabuleiro para jogo de lógica mortal

Capa da nona edição do mangá, atualmente nas bancas; série terá 12 volumes ao todo
Poderia até causar estranhamento ver um mangá como "Death Note" incluído na seleção oficial do Festival de Quadrinhos de Angoulême, na França, o principal da Europa.
Embora não tenha levado os prêmios principais, a qualidade do mangá faz jus à indicação.
A trama mostra um roteiro bem costurado, com diálogos baseados no uso da lógica, como se fossem verbalizações de jogadas de xadrez.
Mas, no lugar do tabuleiro, há o caderno mortal que dá título ao mangá.
O "Death Note", pertencente a seres chamados Shinigamis, tem poderes especiais que permitem matar qualquer pessoa.
Basta que o dono do caderno escreva o nome da vítima e descreva como ela deve morrer.
Na história, publicada no Brasil pela editora JBC, o caderno é utilizado por Light Yagami, um adolescente superdotado.
Ele pretende usar o "Death Note" para livrar a humanidade dos crimininosos e ditar uma nova ordem mundial. Para isso, assume publicamente o codinome Kira.
Kira se torna, aos poucos, um serial killer. E passa a ser investigado.
O pai de Yagami, ligado à polícia japonesa, é escalado para participar das investigações.
Outro superdotado, chamado L, ligado a um grupo supragovernamental secreto, também passa a investigar os passos do misterioso assassino.
Muito do embate calcado na lógica vem dessa disputa entre L e Kira. Estrategistas natos, um tenta antecipar os passos do outro.
Outra característica muito presente no mangá é a dualidade do protagonista.
O escritor Tsugumi Ohba faz de Light Yagama um herói e vilão ao mesmo tempo. O leitor fica na dúvida se deve torcer pela vitória de Kira ou por seu fracasso. Fora as reviravoltas.
Do primeiro número, iniciado no Brasil no ano passado, até a nona edição, lançada este mês (R$ 10,90), a história deu mais de uma guinada narrativa.
Atualmente, a trama avançou para o ano 2010, com um Light Yagami já adulto. E os conflitos de lógica, mostrados por meio dos diálogos, ficam ainda mais acentuados.
"Death Note", desenhado por Takeshi Obata, já está às portas do fim.
A série tem 12 números ao todo.
Mas, antes que termine, merece um olhar mais atento, se possível desde seu início.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 11h25
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21.03.08
Agora é Jô Soares que faz ponta em história norte-americana

O humorista e apresentador de TV Jô Soares faz uma ponta involuntária na história de abertura da revista "Universo Marvel" número 33, atualmente nas bancas (Panini, R$ 6,90).
Uma cena do "Programa do Jô", talk-show que ele comanda na TV Globo, é reproduzida na página 12 da aventura dos Thunderbolts, grupo do governo formado por vilões.
Na seqüência, Jô apenas ouve a opinião do entrevistado sobre a lei (fictícia) do governo dos Estados Unidos que exige dos heróis um registro para atuarem.
A medida foi o mote da minissérie "Guerra Civil", encerrada em janeiro (mais aqui).
A aventura que traz Jô Soares foi publicada nos Estados Unidos em março de 2007.
Os desenhos são do brasileiro Mike Deodato, que atua no mercado norte-americano há alguns anos.
Deodato tem a tendência de usar rostos reais em seus trabalhos.
Há outro exemplo nesta mesma história dos Thunderbolts:

O rosto do personagem Norman Osborn é baseado no do ator Tommy Lee Jones, de "Homens de Preto" e de "Onde os Fracos Não Têm Vez", vencedor do Oscar deste ano.
Osborn, alter-ego do vilão Duende Verde, é a mente por trás dos Thunderbolts.
A inserção de uma personalidade brasileira numa história de super-heróis norte-americana, mercado onde atuam vários desenhistas brasileiros, não é um recurso novo.
Mas o dado curioso é que houve outro caso assim nos Estados Unidos meses antes.
Willian Bonner, apresentador do "Jornal Nacional", da TV Globo, apareceu num quadrinho de uma história de OMAC, publicação da editora concorrente DC Comics.
Nos Estados Unidos, essa história saiu em novembro de 2006.
Por aqui, foi publicada neste ano na revista "Universo DC" de fevereiro (veja a imagem aqui).
O desenho era de outro brasileiro, Renato Guedes.
Nota: o crédito da descoberta é do leitor João Pedro, a quem agradeço a pauta.
Categoria: NOTÍCIA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h57
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20.03.08
Guia dos Quadrinhos: um ano e 4.500 capas depois
Primeiro número da revista "O Pato Donald", de 1950, é uma das 4.500 capas disponíveis para consulta na página virtual
A página de abertura do "Guia dos Quadrinhos" revela a proposta ambiciosa do site: "catalogar todos os quadrinhos que foram publicados no Brasil".
O projeto começou com 600 capas. Hoje, chega a 4.500.
E há outras 2.000 na fila de espera. Fora as edições catalogadas, mas sem capa.
Algumas das imagens já colocadas no site são raras, caso da capa do primeiro número de "O Pato Donald", de 1950. Ou da edição de estréia da revista do Homem-Aranha, de 1969.
O site foi criado pelo designer gráfico carioca Edson Diogo, de 39 anos.
É ele que banca todos os custos da página.
Diogo diz que a idéia existe desde 2001. Mas só tomou forma no ano passado, quando a página virtual entrou no ar, no dia 5 de março.
Nesse primeiro ano, o site se tornou um dos principais acervos virtuais sobre quadrinhos publicados no Brasil.
Parte do que se vê na tela veio do acervo pessoal dele. O designer diz que sua coleção soma 8.000 obras em quadrinhos.
O restante do material vem de pesquisas e de colaborações de internautas.
Além das capas, ele põe também uma ficha técnica de cada obra, inclusive com os nomes das histórias que a revista tem.
Nos títulos de super-heróis, há também a data em que foram publicadas nos EUA.
O trabalho é feito em São Paulo, onde mora há 16 anos. Diz gastar quatro horas diárias no processo de atualização do banco de dados virtual.
Nesta entrevista, feita por e-mail, Edson Diogo dá outros detalhes sobre como elabora o site e quais são seus planos para este segundo ano de vida da página virtual.
***
Blog - Qual era o seu objetivo quando criou o site, há um ano? A meta foi cumprida nesses primeiros doze meses? Edson Diogo - O objetivo era cativar o maior número possível de amantes de quadrinhos para que pudessem ajudar na formação do banco de dados. Um ano depois, o site já conta com 2.700 participantes e o número de visitantes cresce a cada dia, então acho que posso dizer que esse meta foi cumprida.
Blog - Como surgiu a idéia de criar a página virtual?
Diogo - A idéia de construir um grande catálogo, em forma de livro, surgiu pela primeira vez em 1996, quando eu fazia o guia de preços da revista "Wizard", na editora Globo. Depois comecei a pensar na possibilidade de lançá-lo em CD-ROM. Somente em 2001 surgiu a idéia de criar um site. Como eu não sabia nada sobre o assunto, comprei vários livros e fiz muitas pequisas para encontrar o melhor formato. Em 2006, quando já estava tudo pronto, mostrei para um grande amigo, Ricardo Soneto [jornalista especializado em música e artes narrativas], que sugeriu que o site funcionasse como a Wikipedia. Como todo o sistema do site foi desenvolvido por mim, demorei mais sete meses para criar a parte de cadastramento e envio de capas.
Blog - Acredito que seja uma dúvida corrente: como você faz para ter acesso a tantas obras? São de arquivo pessoal, de contribuições ou de ambos? Diogo - Muitas informações eu já tinha da época que fazia o guia de preços da "Wizard". Uma parte é da minha própria coleção e restante foi resultado de pesquisa com colecionadores e nas editoras. Bem, isso só as primeiras 15.000 edições. As outras 42 mil foram cadastradas pelos internautas.
Blog - Seu arquivo pessoal físico tem quantas revistas? O interesse começou quando? Diogo - Atualmente, eu devo ter umas 8.000 revistas. Comecei a comprar quadrinhos ao 13 anos porque queria desenhar os personagens. Até ver um anúncio do "Heróis da TV" número 37, com a estréia de Warlock [publicada em julho de 1982, pela editora Abril]. Achei legal e passei a comprar todos os meses. Depois de certo tempo, eu nem desenhava mais, só lia.
Blog - Por curiosidade: quantas horas por dia ou por semana você dedica à página? Ela é bem visitada? Diogo - Mais ou menos umas quatro horas por dia, ou melhor, por noite. Tempo usado para responder e-mails, corrigir erros, tratar as capas e fazer mudanças na programação. Atualmente, o Guia tem 20 mil visitantes por mês ou 10 mil visitantes únicos.
Blog - Qual sua meta para este segundo ano? Diogo - Agilizar o processo de colocação das capas no ar, descentralizar algumas funções, fazer parcerias com outros sites e consegui alguma forma para custeia as despesas do site.
Para acessar a página, clique aqui.
Categoria: ENTREVISTA
Escrito por PAULO RAMOS às 20h03
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19.03.08
Pós-modernidade, a verdadeira kryptonita dos super-heróis

Na revista deste mês, Super-Homem encontra um menino com poderes semelhantes aos seus, como no cinema; mescla de linguagens é tendência que modifica personagens dos quadrinhos
Já faz muito tempo que os vilões deixaram de simbolizar uma fictícia ameaça aos super-heróis. Estes devem ter medo, sim, mas não dos bandidos.
O poder de destruição está nas mãos de quem banca as histórias.
E, nesse ponto, não se pode mais ter uma visão segmentada. Não é o roteirista nem o editor que muda um superpersonagem. Também não é só a editora.
O que altera um herói norte-americano nos quadrinhos, hoje, é uma soma de realidades midiáticas paralelas, que existem simultaneamente.
***
Há diferentes versões de um mesmo personagem. Ele existe nos quadrinhos, no cinema, nos desenhos animados, nos games, em livros, em versões infantis.
Alguém vai lembrar, corretamente, que isso vem desde a década de 1940.
É verdade. Mas essas releituras tinham sempre como base os quadrinhos. E os quadrinhos não mudavam por causa das releituras.
Desde o fim do século passado -que não está tão distante assim-, o fenômeno mudou.
Personagens dos quadrinhos estadunidenses continuam migrando para outras linguagens e mídias. Mas parte dessas mudanças é incorporada às versões quadrinizadas.
Essa é a verdadeira kryptonita dos super-heróis.
***
Este mês marca um bom exemplo disso.
A revista número 64 da revista "Superman" (Panini, 100 págs., R$ 6,90) começa a publicar as histórias do herói de Krypton escritas por Geoff Johns e Richard Donner.
Donner foi o diretor do primeiro longa-metragem do personagem, exibido em 1978 e com Christopher Reeve (1952-2004) no papel-título.
Johns é um dos principais escritores da DC Comics, editora que detém os direitos de publicação do herói.
A fase escrita pela dupla, e iniciada neste mês na revista brasileira do personagem, faz uma clara aproximação com o último filme do herói, "Superman - O Retorno", de 2006 (mesmo ano em que a história foi lançada nos Estados Unidos).
O longa-metragem dava seqüência ao segundo filme da versão cinematográfica, de 1980. Na produção, Super-Homem volta à Terra após passar anos no espaço.
Clark Kent -alter-ego do herói- retoma a vida de antes. Mas descobre que Lois Lane teve um filho durante sua ausência.
No fim da trama, vê que é o pai da criança, que tem poderes como os seus.
É justamente um menino que Johns e Donner ajudam a inserir na realidade dos quadrinhos e na vida particular de Clark Kent.
Outra semelhança com o longa são os desenhos de Adam Kubert.
O artista desenha o alter-ego do herói com características fisionômicas muito parecidas com Brandon Routh, atual intérprete do Super-Homem no cinema.
***
Voltando alguns anos no tempo, mas não muitos, pode-se perceber também o impacto que o seriado "Smallville" exerceu nos quadrinhos.
No Brasil, forçou a aposentar o tradicional nome "Pequenópolis", que era dado à cidade onde o herói foi criado após chegar do planeta Krypton.
Nos Estados Unidos, a DC Comics optou por reformular, uma vez mais, a origem do personagem.
A mudança foi contada na minissérie "O Legado das Estrelas", já lançada no Brasil.
Ao contrário da reformulação anterior, feita por John Byrne no meio dos anos 1980, Lex Luthor conheceu Clark Kent na infância. O mesmo ocorre no seriado "Smallville".
Na versão de Byrne, o primeiro contato entre Super-Homem e Luthor se deu em Metrópolis, quando ambos eram já adultos.
***
Retornando um pouco mais no tempo, mais precisamente na década de 1990, outro seriado interferiu no modus vivendi do personagem nos quadrinhos.
"Lois & Clark - As Novas Aventuras do Superman" -exibido por aqui pela primeira vez na TV Globo- teve num dos episódios o casamento dos dois protagonistas.
Às pressas, o mesmo foi arranjado nos quadrinhos.
O convite de casamento, a cerimônia e a festa foram mostrados no especial "O Casamento do Super-Homem", lançado pela Abril.
De certa forma, o Lex Luthor de Gene Hackman, na primeira versão cinematográfica de Super-Homem, teve influência na modificação feita por John Byrne. Mas é algo pontual.
A regra é que muitos dos super-heróis têm sido modificados por causa de outras versões suas, existentes em mídias paralelas.
Mesclam-se elementos, destroem-se características e cronologias anteriores, busca-se um novo leitor, que acompanha as outras mídias, e não necessariamente os quadrinhos.
Jonathan Kent, pai adotivo de Clark Kent, ainda está vivo nos quadrinhos.
Já morreu no cinema e no seriado "Smallville". Por isso, deve tomar cuidado. A kryptonita midiática pode dar cabo dele.
***
Há seguramente outros exemplos, tão eloqüentes quanto estes.
Esse fenômeno, segundo os teóricos da comunicação, é rotulado como pós-modernidade.
Conceito amplo, pode ser aplicado a diferentes situações e contextos.
Em comum, há essa característica de amálgama midiática, fruto de um passo além da sociedade de massa iniciada com a Revolução Industrial.
As características mínimas podem ser preservadas. Mas o entorno do super-herói fica fragilizado diante da ação empresarial que detém os direitos sobre ele.
Nesses novos tempos, surge enfim um vilão à altura dos heróis, a tal da pós-modernidade.
Categoria: RESENHAS
Escrito por PAULO RAMOS às 20h35
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18.03.08
Que atire a primeira pedra...
... quem nunca usou deste artifício nos fartos cafés da manhã dos hotéis.

A tira cômica faz parte de uma série, postada no blog do autor, Orlandeli.
Segundo ele, as histórias são inspiradas numa viagem feita a Porto de Galinhas.
Para ler os outros "causos" do passeio, clique aqui.
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 21h32
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17.03.08
Mais sinais de que muda o discurso das HQs na mídia impressa
Em agosto do ano passado, este blog registrava que o discurso sobre os quadrinhos na mídia impressa dava sinais de mudança. Neste fim de semana, houve mais dois sinais.
Os dois principais jornais paulistas, "Folha de S.Paulo" e "O Estado de S. Paulo", trouxeram matérias sobre quadrinhos.
As reportagens foram publicadas nos cadernos "Mais!" e "Caderno 2", que, aos domingos, possuem um viés mais literário ou voltado a questões intelectuais.
Ambos têm como público-alvo pessoas tidas como "formadoras de opinião".
***
No "Caderno 2", do Estadão, a pauta foi uma resenha de "A Força da Vida", obra inédita de Will Eisner, lançada no Brasil no mês passado (leia mais aqui).
O jornal rotula o álbum como "obra-prima do autor".
O "Mais!" destacava na capa que "dois dos mais importantes quadrinistas da história falam do futuro das HQs". A capa da edição de domingo da Folha trazia chamada semelhante.
Os dois quadrinistas eram o underground Robert Crumb (o jornal usou matéria traduzida do "El País", da Espanha) e Albert Uderzo, desenhista e atual escritor das histórias de Asterix.
Sobre Crumb, um dos destaques foi o livro "Gênese", da Bíblia, que ele adapta para os quadrinhos. Segundo a matéria, já tem 120 páginas prontas (ele ganhou R$ 341 mil para fazer a obra).
De Uderzo, há a trajetória dele, a morte do parceiro René Goscinny, em 1977, e a publicação de sua autobiografia, "Albert Uderzo Sa Raconte...".
O curioso é que nenhum dos dois fala sobre o futuro dos quadrinhos, como anunciado nas capas do caderno e do jornal.
Quem faz isso, na terceira página do "Mais!" dedicada ao tema, é Rogério de Campos, dono da editora Conrad.
***
Na leitura de Rogério de Campos, "os quadrinhos são o segmento que mais cresce no mercado editorial".
Segundo ele, "enquanto livros de referência sofrem bastante com a concorrência da internet, os quadrinhos não param de crescer e de aparecer nas listas de mais vendidos".
Um dos formatos que mais crescem, na análise dele, é o feito em preto-e-branco, como o dos álbuns de Crumb e os mangás, os quadrinhos japoneses.
O desafio, diz, é saber como a produção brasileira vai se desenvolver como linguagem específica dentro desse contexto.
***
Merece registro o ar de busca por explicações sobre o mercado de quadrinhos, ponto que pautou toda a entrevista de Campos.
Merece registro também que os quadrinhos invadem, uma vez mais, um espaço dominado pelos chamados "formadores de opinião", sejam eles quem forem.
O destaque disso é que, por anos a fio, muitos dos "formadores de opinião" ignoravam o tema quadrinhos (com algumas honrosas exceções).
Agora, não ignoram tanto. Sinais de mudança.
Categoria: NA MÍDIA
Escrito por PAULO RAMOS às 14h54
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16.03.08
Panini emite nota sobre atrasos de Mônica, mas não explica tudo
A editora Panini pôs uma nota no site da editora na qual justifica os problemas editoriais ocorridos no lançamento da coleção "As Primeiras Revistas da Turma da Mônica", que reedita publicações antigas de personagens de Mauricio de Sousa.
Cada edição, vendida em formato de caixa, traz os primeiros números das revistas "Mônica", "Cebolinha", "Cascão", "Chico Bento" e "Magali".
O terceiro número, o mais recente da série, foi lançado há cerca de dez dias.
A publicação, iniciada no segundo semestre do ano passado, era para ser mensal, mas tinha sumido das bancas depois do número dois.
A nota foi colocada na página virtual da Panini na quinta-feira passada, meses depois de o segundo número ter sido publicado, nos meses finais de 2007.
O texto pode ser lido no item "notícias" do site.
A editora diz na nota institucional que "devido ao cuidado com o resgate do material original – com artes e cores fiéis às usadas na época – tivemos que rever o planejamento original de lançamento."
A nota informa também que os problemas teriam sido superados e que a coleção "poderá ser encontrada mensalmente nas grandes bancas, livrarias e sites especializados", em distribuição nacional.
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O assunto veio à tona depois que este blog noticiou no sábado, dia 8, que a periodicidade da coleção havia sido alterada, como mostravam os créditos finais das revistas deste terceiro número da série.
De publicação mensal, passou a "publicação especial".
Até então, o leitor não tinha sido orientado sobre os atrasos ou a respeito das alterações.
A matéria do blog mostrou também que o site da Panini -que traz informações sobre todos os títulos da editora- não apresentava no catálogo de publicações os números dois e três da coleção.
A nota da Panini não menciona, mas o site corrigiu essa falha durante a semana passada.
O blog noticiou ainda que uma das revistas da caixa de "As Primeiras Revistas da Turma da Mônica" anuncia o lançamento do segundo número de outra coleção, "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", feita em preto-e-branco.
O anúncio informa que "o volume 2 já está à venda".
Mas não está, o que configura propaganda enganosa.
O site da Panini ainda não incluiu essa segunda edição na lista de publicações da editora.
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A nota da Panini não menciona nada sobre os motivos que levaram a empresa a anunciar uma obra que não está à venda.
Nem por que o título não consta na lista de lançamentos apresentada no site da editora (acessei a página da Panini às 13h10 deste domingo).
A nota também não explica quando "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" será efetivamente lançado.
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