30.06.08

Livros de bolso trazem tiras de personagens da Turma da Mônica

Em cada editora por onde passou (leia-se Abril e Globo), Mauricio de Sousa lançou livros de bolso com coletâneas de tiras de seus personagens.

O empresário e desenhista seguiu essa tradição na Panini, editora que publica a Turma da Mônica desde janeiro do ano passado.

A nova encarnação da coleção "As Melhores Tiras" traz cinco livros, todos produzidos em formato de bolso (ou "pocket", como se chama no mercado).

Mônica, Cebolinha, Chico Bento, Bidu e Penadinho protagonizam as obras (132 págs., R$ 9,90 cada uma).

Os livros começam a ser vendidos nesta semana.

Mas já podem ser encontradas em lojas especializadas em quadrinhos de São Paulo.

Há dois pontos de vista que devem ser destacados nessa nova safra de coletâneas: um é o mercadológico e outro, o conteúdo.

É sempre bem-vinda uma coletânea de tiras dos Estúdios Mauricio de Sousa.

Ele e sua equipe têm o mérito de criar uma das mais duradouras tiras nacionais.

No ano que vem, as criações de Mauricio de Sousa completam jubileu de ouro.

A primeira tira, de Bidu, é de 1959.

Foi publicada na "Folha da Manhã", hoje "Folha de S.Paulo".

Além do mérito histórico, que já justificaria uma coletânea, há que se reconhecer a qualidade das tiras, melhores que as produzidas atualmente.

Elas obedecem à estrutura clássica da tira: personagens fixos e uma piada no final.

Simples, diretas, bem-feitas.

As de Bidu, em especial, trabalham muito bem o elemento metalingüístico.

Os livros de bolso não dizem a data de publicação das tiras, o que seguramente enriqueceria o teor histórico das obras.

Há apenas uma pequena frase no canto esquerdo de cada uma das capas, registrando que se trata de "histórias clássicas publicadas em jornais".

A leitura mostra que não se trata das primeiras tiras, produzidas na primeira metade dos anos 1960.

O traço dos personagens é mais moderno.

Mas também não são as mais recentes. 

Chico Bento é um bom exemplo.

O personagem não fala de modo caipira, como ocorre hoje em suas tiras e histórias em quadrinhos (e alvo de críticas de professores mal-informados).

A fala dele, nas tiras do livro, é mais próxima da variante culta da língua.

No máximo, lêem-se termos como "carça", "que bão" ou "´fessora".

Mas todos devidamente marcados com aspas ou negritos.

O lado mercadológico das cinco obras é elas sugerem ser uma resposta à linha de "pockets" da L&PM.

A editora gaúcha também tem publicado coletâneas de tiras nacionais.

A Panini publica as obras no mesmo formato.

A leitura das tiras -duas por página e lidas de baixo para cima, com o livro virado- também é idêntica à das publicações da L&PM.

A multinacional Panini tem dado sinais claros de que quer disputar mercado em todas as frentes de venda de quadrinhos.

Já domina as bancas, com linhas infantis, de super-heróis e mangás.

Passou a investir em livrarias no começo ano passado.

Faltava o flanco dos "pockets", ainda dominados pela L&PM. Não falta mais.

Restam apenas as áreas de livros sobre quadrinhos e de produção de álbuns nacionais.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 14h08
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29.06.08

Quais são os desenhistas que renovam o quadrinho nacional?

 

 

 

 

 

 

 

Auto-retrato do desenhista Rafael Grampá na capa da edição deste domingo da "Revista O Globo" 

 

 

 

 

 

 

A pergunta que intitula esta postagem foi feita na reportagem de capa da "Revista O Globo", publicada na edição deste domingo do jornal carioca.

A matéria, assinada pela jornalista Fátima Sá, parte da premissa de que "uma safra de jovens desenhistas vem renovando as histórias em quadrinhos de norte a sul do país".

A reportagem especial elenca oito autores:

  • Rafael Grampá (autor do álbum inédito "Mesmo Delivery")
  • Rafael Coutinho (filho de Laerte e autor de uma das histórias de "Irmãos Grimm em Quadrinhos", da Desiderata)
  • Gabriel Bá (criador de "10 Pãezinhos")
  • Fabio Moon (criador de "10 Pãezinhos")
  • Shiko (que criou "Blue Note")
  • Jozz (fez o álbum "Circo de Lucca", lançado pela Devir)
  • Fabio Lyra (publica no mês que vem, pela Desiderata, o álbum "Menina Infinito")
  • Gabriel Goes (desenhista da adaptação de "Beijo no Asfalto", de Nelson Rodrigues)

A seleção dos autores foi feita por Telio Navega, editor do blog "Gibizada".

Navega -que também trabalha no jornal- fez a diagramação das sete páginas da reportagem.

                                                             ***

Um detalhe que merece registro é que a matéria é mais um exemplo de que a mídia impressa começa a ver a produção de quadrinhos de um modo diferente, com mais seriedade.

Essa tendência começou a ser percebida com mais nitidez no ano passado.

Muito disso se deve à ida dos quadrinhos às livrarias, espaço que goza de uma autoridade intelectual junto aos chamados "formadores de opinião".

Do rótulo de serem mera leitura de criança e, por esse raciocínio, superficiais, os quadrinhos passam hoje a ser observados pela mídia como um produto ora literário, ora pop.

É essa a visão que os olhos jornalísticos filtram aos leitores.

Trata-se de uma mudança de discurso sobre a área de quadrinhos, que deve ser observada com atenção.

                                                             ***

Este blog abordou essa tendência de mudança de discurso da mídia impressa em agosto do ano passado.

Leia neste link.

                                                             ***

Errata: Telio Navega, autor da lista, me corrige. Ele diz que a seleção é composta de seis desenhistas, e não oito, como escrevo acima.

Gabriel Bá e Fabio Moon não integram a relação. Os dois aparecem no texto da reportagem especial, mas, segundo Telio, apenas como entrevistados.  

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h54
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28.06.08

Leão Negro em dose dupla

 

 

 

 

 

 

 

Editora HQM lança dois álbuns da série: um traz história inédita; outro, material já publicado no Brasil

 

 

 

 

 

 

Há duas formas de acompanhar as histórias de Leão Negro.

Uma é com a releitura das primeiras aventuras, publicadas no jornal "O Globo" nos anos 1980. A outra é lendo material inédito.

As duas formas de leitura podem ser encontradas nas lojas especializadas em quadrinhos.

A editora HQM, que publica a série brasileira, optou por mesclar álbuns inéditos com outros, apenas com histórias novas.

                                                            ***

Uma dessas novas tramas foi lançada nesta semana.

"Leão Negro 2 - O Medo da Solidão" (52 págs., R$ 19,90) continua a trama iniciada no álbum anterior, "Pepah", publicado em abril (leia resenha aqui).

O álbum é protagonizado por Kasdhan, filho de Othan, o Leão Negro que dá título à série (uma espécie de Conan, o Bárbaro, vivida por leões e ambientada numa fictícia e selvagem Idade Média).

A história mostra um renascimento do personagem, tão violento e agressivo quanto o pai. Kasdhan se afasta da meia-irmã Pepah e decide regressar ao castelo onde morou.

A aventura é escrita por Cynthia Carvalho e desenhada por Danusko Campos.

                                                            ***

Cynthia Carvalho é uma das criadoras da série. As primeiras histórias foram produzidas por ela e por Ofeliano de Almeida.

Duas dessas aventuras -"Na Ilha de Gardo" e "No Mundo Subterrâneio"- foram adaptadas em "Leão Negro, Série Origens - Gardo" (52 págs., R$ 19,90).

O álbum mostra o início das aventuras de Othan. O guerreiro ajuda uma militar, Tchí, a resgatar soldados mantidos escravos. Entre uma briga e outra, apaixonam-se.

A obra traz ainda uma terceira história, "Magala", lançada na revista "Heavy Metal Brasil".

"Magala" pode ser lida também no site dedicado ao personagem (link).

                                                             ***

A HQM prepara outros álbuns de Leão Negro. Há mais três da série original e pelo menos mais um com material inédito.

Em entrevista ao blog "Gibizada", no início do mês, Cynthia Carvalho disse que não pretende focar as novas histórias apenas em Othan.

O álbum "O Medo da Solidão", protagonizado pelo filho dele, é um sinal disso.

"Ao contrário de muitos personagens, Othan não será eterno. Ele vai envelhecer e morrer", disse ela ao "Gibizada", que é editado por Telio Navega.

"O leão negro não é mais apenas um. Os filhotes dele terão sua vez e, depois, os netos. Já tenho histórias até com os bisnetos."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h38
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Defesa de deputado federal inclui história em quadrinhos

Merece registro esta matéria, noticiada na edição de hoje do "Jornal do Brasil".

O material de defesa do deputado federal Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), entregue ontem ao Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, inclui uma história em quadrinhos.

O deputado, mais conhecido como o Paulinho da Força Sindical, é um dos personagens.

Segundo reporta o jornal, ele e a esposa, Elza de Fátima Pereira, explicam na história por que foi criada a ONG Meu Guri. A ONG é presidida por Elza.

"Elza e Paulinho perceberam que para muitas crianças e adolescentes o mundo estava sem cor e sem referências. Eles precisavam ajudar a mudar essa situação", diz um trecho da história em quadrinhos, de acordo com o JB.

                                                            ***

Paulo Pereira da Silva é acusado de falta de decoro parlamentar.

Ele é suspeito de estra ligado a suposto desvio de verbas do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e a eventual favorecimento da ONG Meu Guri.

A denúncia partiu de operação feita pela Polícia Federal há quase um mês.

A defesa escrita do deputado argumenta, segundo o JB, que o caso é baseado em "recortes de jornal, sem nenhuma prova concreta".

A história em quadrinhos foi incluída nos anexos do relatório.

                                                            ***

Nota: agradeço ao leitor Emerson Magalhães por me avisar sobre a matéria.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h16
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Propagandas que deveriam veicular

Recebi por e-mail sob o título "propagandas que deveriam veicular".

Havia uma série de montagens.

Esta chamou a atenção por estar relacionada a quadrinhos.

O resultado ficou bem divertido.

 

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h26
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Fnac promove concurso de quadrinhos

 

A livraria Fnac criou um concurso para revelar novos talentos na área de quadrinhos.

Os três primeiros colocados terão os trabalhos publicados.

O álbum do vencedor sairá pela editora Devir.

O ganhador também receberá equipamentos de computação e um prêmio de R$ 5 mil.

E terá um padrinho. Ou melhor, dois.

Nesta primeira edição do prêmio, a função ficará a cargo dos desenhistas Gabriel Bá e Fábio Moon, criadores das histórias dos "10 Pãezinhos".

O segundo e terceiro lugares também serão premiados com material de informática e receberão R$ 3 mil e R$ 1,5 mil, respectivamente.

Os trabalhos deles serão publicados pela editora Pixel.

Podem participar estudantes dos dos ensinos médio e superior.

A idade mínina exigida é 16 anos.

O tema da história em quadrinhos é "infinita diversidade em infinitas combinações".

É uma alusão à filosofia vulcana, da qual pertence o senhor Spock, da série de TV "Jornada nas Estrelas".

As incrições começam no dia 1º de julho e vão até 30 de agosto.

As regras e as inscrições poderão ser feitas no site do concurso. Para acessar, clique aqui.

                                                            ***

Este é o segundo concurso de quadrinhos criado nesta virada de semestre.

Outro, de tiras cômicas, é promovido pelo jornal "O Estado de S. Paulo".

Leia mais sobre o "Concurso de Tirinhas" neste link

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h13
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26.06.08

Fim da sociedade: editora Pixel agora é toda da Ediouro

A empresa Futuro Comunicação deixou de ser sócia da Pixel, editora de quadrinhos que mantinha em parceria com a Ediouro.

A Futuro vendeu a parte dela da parceria -equivalente a 20% da editora- para a Ediouro, que passa a ser a única proprietária da Pixel. 

O fim da sociedade foi confirmado no começo da noite desta quinta-feira por André Forastieri, dono da Futuro Comunicação.

Ele não dá muitos detalhes sobre a decisão.

Diz apenas que foi pautada em "questões comercias e pessoais".

                                                            ***

Segundo ele, a negociação foi formalizada há um mês e a saída foi amigável.

"Desejo o melhor para a Pixel e para todos os que estão lá", disse, por telefone.

"Tenho tanto orgulho do que fiz na Pixel quanto na Conrad [ele foi um dos sócios da editora]. Fui um dos que construíram tudo o que foi feito."

Forastieri diz que prepara uma nota para dar uma satisfação ao leitor da Pixel.

Ele ainda prepara o texto, mas adianta que o conteúdo não será nada "bombástico".

                                                            ***

A sociedade entre a Futuro Comunicação e a Ediouro começou no início de 2006.

Foi firmada após a saída de Forastieri da Conrad e da tentativa da Ediouro de lançar revistas em quadrinhos nas bancas, vista um ano antes.

De início, a Pixel pautou os lançamentos em material europeu (o principal destaque era "Corto Maltese") e álbuns norte-americanos, ambos voltados ao leitor adulto.

Ainda no fim de 2006, negociou os direitos de publicação da DC Comics, uma das principais dos Estados Unidos. A DC publica personages como Super-Homem e Batman.

Não houve acordo e os super-heróis da DC continuaram sendo publicados no Brasil pela multinacional Panini.

                                                            ***

Mas houve um fruto da negociação com a editora norte-americana.

A Pixel conseguiu fechar acordo para editar material adulto da DC, publicado nos selos Vertigo, ABC e Wildstorm.

Entre os títulos da Vertigo, está a popular série "Sandman", de Neil Gaiman.

A publicação desse material começou no primeiro trimestre do ano passado.

E se tornou o carro-chefe da editora, tanto em bancas quanto em livrarias.

                                                            ***

No segundo semestre de 2007, ocorreram algumas mudanças nos bastidores da Pixel.

O editor-chefe Odair Braz Junior saiu da empresa. O cargo passou a ser ocupado por Cassius Medauar, que permanece até hoje na editora.

Pouco depois, André Forastieri se afastou do dia-a-dia das decisões da Pixel.

O ritmo de lançamentos teve uma reduzida no fim de 2007. Mas foi retomado neste ano.

Agora em junho, a editora vai lançar sete títulos, seis deles com material da DC.

No mês passado, lançou uma segunda revista mensal, "Pixel Fábulas".

                                                            ***

A Ediouro tem demonstrado um claro interesse comercial na área de quadrinhos.

Nos últimos dois anos e meio, a empresa tem procurado firmar parcerias ou comprar editoras que publicam quadrinhos.

Em 2006, tornou-se parceira na criação da Pixel.

No ano seguinte, começou a lançar adaptações literárias pelo selo Agir, do qual também é dona. Um dos álbuns produzidos foi "O Alienista", dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

Na virada do ano, a Ediouro comprou a Desiderata, do Rio de Janeiro, editora que fez fama com a publicação de antologias do jornal alternativo "Pasquim".

A Desiderata também iniciava um catálogo de álbuns de quadrinhos nacionais.

Agora, detém cem por cento da Pixel.

                                                            ***

A Ediouro está de olho também na Conrad, editora de que não esconde ter interesse há um bom tempo.

As duas partes confirmaram ao blog, na semana passada, que já houve dois encontros para discutir o assunto. 

Mas disseram que não haviam fechado nenhum acordo.

Leia mais sobre a negociação entre Conrad e Ediouro aqui

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h36
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25.06.08

Local mostra histórias no interior dos Estados Unidos

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum começou a ser vendido neste mês e traz os seis primeiros capítulos da série

 

 

 

 

 

 

 

Quando se pensa num país, a tendência é que se ponham luzes nas principais cidades.

O escritor norte-americano Brian Wood ajusta a mira do holofote narrativo em outro ponto.

Ou melhor: outros pontos.

Ele ilumina as pequenas cidades dos Estados Unidos. E as histórias locais que elas podem proporcionar. Não é por acaso que chamou a série de "Local".

As primeiras seis histórias foram reunidas num álbum, "Local - Ponto de Partida", lançado este mês no Brasil (Devir, 200 págs., R$ 32).

                                                            ***

A série mostra a migração da jovem Megan McKeenan (mostrada na capa do álbum) por seis cidades dos Estados Unidos. 

O motivo da peregrinação é um problema de relacionamento, mostrado na primeira história, ambientada em Portland. Mochila nas costas, ela ruma a Minneapolis, sua segunda parada.

Encerra este primeiro álbum em Park Slope.

Em cada uma das paradas, enfrenta as dificuldades de uma nova vida. E tem um desses momentos relatados em cada uma das histórias. 

Megan funciona como uma espécie de guia turístico do leitor, o ponto focal dele na narrativa.

                                                            ***

Os dramas fictícios vividos por ela variam muito.

Há desde situações mais leves e românticas a momentos tensos, como quando é feita refém durante uma discussão entre dois irmãos (uma das melhores do álbum).

São relatos simples, uns mais interessantes, outros menos.

Mas todos narrativamente bem conduzidos por Brian Wood, mais conhecido do leitor brasileiro por ser o escritor da série "DMZ, publicada na revista "Pixel Magazine".

                                                             ***

O primeiro relato sobre Megan, em especial, traz uma curiosidade para quem aprecia o uso inovador da linguagem dos quadrinhos.

Para marcar um momento de tensão da protagonista, o desenhista Ryan Kelly dá um close em seu rosto num quadrinho.

No quadro seguinte, elimina todo o cenário de fundo, mantendo apenas a face de Megan, com a mesma expressão e posição.

Há uma explicação para isso. Mas cabe à história revelar a quem a lê.

                                                            ***

"Local", que teve mais seis histórias publicadas nos Estados Unidos, é potencialmente mais interessante ao leitor norte-americano do que ao brasileiro.

A descoberta do interior estadunidense dialoga melhor com vive no país.

Para nós, seria mais empático acompanhar uma peregrinação do Oiapoque, no Amapá, ao Chuí, no Rio Grande do Sul.

Mas isso não compromete a leitura, nem tira o mérito do roteiro de Brian Wood.

É um autor que começa a ter mais trabalhos publicados no Brasil. E a ser descoberto.

Como ocorre com as cidades do interior estadunidense que ele retrata em "Local". 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h35
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24.06.08

Spacca prepara adaptação do romance Jubiabá, de Jorge Amado

 

 

 

 

 

 

Álbum será publicado pela Companhia das Letras e tem lançamento programado para o fim do ano

 

 

 

 

 

 

 

O desenhista Spacca participa nesta quarta-feira à noite, em São Paulo, de uma mesa sobre adaptações literárias em quadrinhos.

O debate vai ser no Ilustra Brasil!, principal evento da área de ilustração no país.

A presença de Spacca, num primeiro momento, poderia causar estranheza.

Os últimos trabalhos dele em quadrinhos foram voltados a biografias de personalidades históricas, e não a adaptações literárias.

Mas é o novo projeto dele que justifica a participação no debate.

O desenhista prepara uma versão em quadrinhos do romance "Jubiabá", de Jorge Amado.

O álbum -ainda em produção- será publicado pela Companhia das Letras.

O lançamento está programado para o fim do ano.

 

 

Segundo Spacca, o convite para fazer a obra partiu da editora.

A Companhia das Letras participou no segundo semestre do ano passado de uma concorrência para publicar os livros de Jorge Amado (1912-2001).

Para engordar a oferta,  a editora paulista ofereceu adaptações de quadrinhos.

Spacca, que já fez outros trabalhos na editora, foi chamado para dar uma cara à adaptação.

Inicialmente recusou. O motivo é que queria priorizar um álbum sobre a ligação do escritor Monteiro Lobato com o petróleo, obra também em produção.

Mas aceitou criar algumas páginas para compor a concorrência.

"Dias depois, eu falei para minha esposa que ia pegar [o projeto]", disse Spacca, por telefone. "Ela disse que sabia que eu não ia resistir."

Ajudou o fato de a Companhia das Letras ter ganhado a concorrência.

A obra sobre o criador do Sítio do Picapau Amarelo teve de ser adiada.

E teve início a pesquisa para o novo projeto.

 

 

O desenhista diz que vai manter a mesma estrutura da obra original, que leu quatro vezes para compor o roteiro. Para Spacca, "Jubiabá" resume bem a obra de Jorge Amado.

É na cidade de Salvador que se passa boa parte da história escrita em 1935, numa fase em que o Jorge Amado transpunha para o papel muito dos ideais comunistas.

O romance mostra a trajetória do negro malandro Antonio Balduíno, lutador de boxe e capoeirista, da infância à fase adulta.

E a transformação por que passa. Do desprezo aos trabalhadores a líder sindical grevista.

O pai-de-santo Jubiabá, que intitula o romance, acompanha esses dois momentos da vida de Balduíno.

"A expressão que sintetiza [o Balduíno] é que era alto como uma árvore e tinha a gargalhada mais clara da Bahia", diz o desenhista paulistano, que está com 44 anos.

 

 

Pelo fato de a história se passar em Salvador, Spacca teve de pesquisar muito sobre a cidade baiana.

Em especial sobre a Salvador das três primeiras décadas do século passado.

Em novembro, Spacca passou lá uma semana, viagem paga pela editora.

Foi apresentado à cidade pelo cartunista Cau Gomez e pelo quadrinista Antônio Cedraz, autor das tiras da Turma do Xaxado. Ambos moram em Salvador.

Passou pelo Pelourinho, pela Cidade Baixa. Fotografou, filmou. E observou.

"Quando você está lá, o projeto vai encontrando as peças naturalmente. Pode ser uma pessoa, uma parede, uma construção, um cachorro", diz o desenhista.

"Não é só informação -que eu posso pegar visualmente ou por meio de fotos. É encontrar as pessoas. A presença é mais forte."

Isso, diz, ajuda a tornar mais crítico o processo de construção do álbum.

Mas a presença não preenche todas as brechas.

A parte mais antiga de Salvador, como uma igreja que já foi demolida, teve de ser recuperada por meio de pesquisas em fotografias da época.

Usou também referências filmadas, como uma minissérie da Rede Globo baseada na obra de Jorge Amado.

 

 

 

Spacca diz não ter lido a outra adaptação em quadrinhos do romance, publicada décadas atrás pela extinta Editora Brasil-América na coleção "Edição Maravilhosa" (veja capa aqui).

Sua versão de "Jubiabá" terá 80 páginas, segundo o desenhista. São 10 a mais do que o projeto original. Foi ele quem pediu a ampliação para dar maior detalhamento.

Ele diz já ter 33 páginas prontas, ainda em preto-e-branco.

Tem de finalizar a obra nos próximos dois meses.

Depois, dedica mais um mês colorindo e outro finalizando.

 

 

O álbum será o quarto trabalho que Spacca vai lançar pela Companhia das Letras.

Ele publicou pela editora as biografias de Santos-Dumont -"Santô e os Pais da Aviação", de 2005- e de Jean-Baptiste Debret -"Debret em Viagem Histórica e Quadrinhesca ao Brasil", de 2006 (mais aqui e aqui).

No fim do ano passado, lançou em parceria com Lília Moritz Schwarcz o álbum "D. João Carioca - A Corte Portuguesa no Brasil (1808-1821)" (leia mais aqui).

E tem programada a obra sobre Monteiro Lobato, adiada para 2010.

"Eu decidi não fazer mais um álbum por ano. É muito desagastante. E eu gosto de amadurecer os desenhos", diz.

Isso, claro, se não for convidado a fazer outra adaptação de Jorge Amado, o que a editora não descarta.

"A gente gostaria de fazer mais duas", diz por telefone Thiago Nogueira, editor da Companhia das Letras.

"A gente só não bateu martelo nos títulos e nos quadrinistas."

                                                           ***

Em tempo: o debate sobre "prós e contras das adaptações literárias para os quadrinhos" vai ser nesta quarta-feira, às 20h, no Senac Lapa-Scipião, em São Paulo (rua Scipião, 67).

Participam da mesa, além de Spacca, Eloar Guazzelli, Marcatti, Gabriel Bá e Fábio Moon.

Leia mais sobre esta quinta edição do Ilustra Brasil! neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h54
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Uma tira que merece registro

 

Divertida essa idéia de Adão Iturrusgarai.

A tira cômica foi publicada na edição desta terça-feira da "Folha de S.Paulo".

Na semana passada, a "profissão estranha" era a de narrador de suruba.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h03
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23.06.08

O Cabeleira faz roteiro de cinema na forma de quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

Álbum nacional inspirado no romance de Franklin Távora foi lançado neste mês pela editora Desiderata

 

 

 

 

 

 

O fim do ano passado sinalizava para um maior investimento editorial em álbuns nacionais. Parte deles de adaptações literárias. Outra parcela em histórias inéditas.

"O Cabeleira", lançado neste mês (Desiderata, 136 págs., R$ 39,90) fica na fronteira entre essas duas tendências.

Não é só uma adaptação literária.

É um exercício de roteiro de cinema na forma de quadrinhos.

A história surgiu em razão de um laboratório de roteiro, promovido pelo Sesc.

Leandro Assis e Hiroshi Maeda inscreveram uma primeira versão de "O Cabeleira".

Publicitário e engenheiro, respectivamente, os dois tinham em comum o interesse pelo cinema.

O roteiro foi sabatinado e remoldado. O resultado final não foi filmado. Foi vertido para a linguagem dos quadrinhos, no álbum lançado pela Desiderata.

 

 

A versão de Leandro Assis e Hiroshi Maeda mostra a trajetória do personagem central em dois momentos, na fase adulta e na infância dele (como mostrado no desenho acima).

A base do roteiro foi o romance de Franklin Távora (19842-1888).

O escritor cearense foi o primeiro a relatar em letras as histórias orais do Cabeleira, uma espécie de Lampião que percorreu Pernambuco no século 18. O livro é de 1876.

É do primeiro capítulo da obra o dito "Fecha a porta, gente / O Cabeleira aí vem / Matando mulheres / Meninos também". 

José Gomes, nome do Cabeleira, fez fama por roubar e assustar os moradores da região. Nem igrejas e crianças poupava.

Nos saques e matanças, era acompanhado pelo pai, Joaquim Gomes, de quem herdou o tino pelo estilo de vida violento.

 

 

A "câmera" de Assis e Maeda foi o traço do carioca Allan Alex.

A escolha dele foi um dos acertos da editora Desiderata, que propôs o projeto aos dois.

O desenho de Alex soube captar os enquadramentos e, principalmente, os cortes cinematográficos da proposta original. E sem perder a necessária expressividade da obra.

Em vários momentos, cria-se a sensação de leitura de um storyboard, que serve de base para muitas filmagens cinematográficas.

É como se fosse um longa-metragem moldado em quadrinhos.

 

 

"O Cabeleira" é o segundo álbum nacional com histórias longas lançado pela Desiderata.

O primeiro -"A Boa Sorte de Solano Dominguez"- foi publicado em novembro do ano passado (mais aqui). O roteiro de Wander Antunes também se diferenciava nesse projeto.

Os dois trabalhos seguem a proposta da editora carioca de produzir álbuns nacionais.

Há pelo menos outros três em produção: "Mesmo Delivery", de Rafael Grampa, "Menina Infinito", de Fabio Lyra, e "Copacabana", de Odyr e de Sandro Lobo, editor de quadrinhos da Desiderata (leia mais aqui).

                                                           ***

Ver obras bem produzidas como "O Cabeleira" leva ao questionamento, ainda sem uma resposta definitiva, de por que as editoras brasileiras não investiram antes nesse filão.

Já há exemplos concretos de que desponta um grupo de roteiristas e desenhistas capaz de criar boas histórias, uma das críticas que existiam até então.

Faltou coragem?

Então, que se reconheça, de público, a meritória coragem editorial da Desiderata e de poucas outras -entre elas a HQM- que têm investido e desbravado essa área.

                                                           ***

Nota: A obra de Franklin Távora está em domínio público e pode ser lida na internet (aqui). 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h54
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Edital do PNBE para 2009 inclui histórias em quadrinhos

Pelo terceiro ano seguido, o governo federal tem interesse em incluir quadrinhos na lista de obras do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola).

O programa distribui de graça livros e histórias em quadrinhos a escolas dos ensinos fundamental e médio.

O edital deste ano foi lançado no dia 20 de maio.

As editoras interessadas em participar da triagem tiveram uma semana para cadastrar as obras e mais uma para entregar o material.

As inscrições terminaram no dia 2 deste mês, às 16h30.

                                                            ***

O blog apurou que pelo menos três editoras que publicam quadrinhos -Devir, Conrad e Agir- enviaram obras para a seleção deste ano.

Duas delas encaminharam álbuns com adaptações literárias.

A Conrad indicou a leitura que Marcatti fez da "Relíquia", de Eça de Queirós (aquiaqui).

A Agir apostou na versão de "O Alienista", de Machado de Assis, feita pelos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon (mais aqui).

                                                           ***

Encaminhar adaptações de romances casa com o teor do edital do governo.

A proposta do edital, de 14 páginas, é fazer seleção de "obras de literatura" para serem levadas às escolas.

O texto sugere que os quadrinhos sejam uma forma de literatura com imagens.

O acervo proposto inclui, além de quadrinhos, poemas, contos, crônicas, romances, memórias, biografias, ensaios e obras clássicas. 

Em entrevista ao blog no ano passado, uma das coordenadoras do programa disse que o interesse nos quadrinhos está no apelo visual.

O formato -que alia palavras e imagens- é visto como uma forma mais atraente de estímulo à leitura, no ponto de vista do governo (mais aqui).  

                                                            ***

O resultado da triagem costuma ser divulgado no segundo semestre.

No ano passado, foram selecionadas oito obras em quadrinhos (veja a lista aqui).

Em 2006, o governo incluiu dez álbuns em quadrinhos (veja aqui).

O PNBE já trouxe pelo menos uma mudança no mercado.

As editoras passaram a investir no gênero literatura em quadrinhos, com claros olhos na lista do governo.

Neste ano, Agir, Escala, Companhia Editora Nacional e Companhia das Letras têm obras do gênero, ou lançadas ou em processo de produção.

                                                            ***

Ter uma obra incluída na lista do PNBE significa venda de um número grande de exemplares.

O blog apurou que a tiragem de pelo menos um dos trabalhos incluídos na lista do ano passado foi de 32.116 unidades.

A tiragem média de um álbum é de 2 mil a 4 mil cópias. 

O critério de seleção para a lista de 2009, segundo o edital, é baseado em três eixos: qualidade do texto, adequação temática e projeto gráfico.

No caso específico dos quadrinhos, vai preponderar também a "relação entre texto e imagem e o tratamento estético das narrativas visuais, adequadas aos jovens das séries finais do fundamental e do ensino médio".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h59
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22.06.08

Livro de bolso reúne tiras de Wood & Stock

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra com os personagens de Angeli começou a ser vendida neste mês e integra coleção de pockets da editora gaúcha L&PM

 

 

 

 

 

 

 

 

A dupla de hippies Wood e Stock, criada por Angeli, continua em pauta.

Tiras dos dois personagens foram reunidas num livro de bolso, lançado neste mês pela L&PM (104 págs., R$ 9,50).

A obra mostra tiras de diferentes momentos da dupla.

As histórias foram divididas por temas, ora com a dupla principal, ora com coadjuvantes.

Entre estes, estão Lady Jane e Overall, respectivamente esposa e filho de Wood.

 

 

Wood e Stock integram a trupe de personagens urbanos criados por Angeli.

Os dois são dois hippies que ficaram velhos, mas mativeram um pé nos costumes do passado. A maior parte das piadas deles gira em torno dessa temática.

Em 2006, os personagens ganharam mais projeção por causa da animação para os cinemas. A direção do longa foi de Otto Guerra (leia mais aqui).

"Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock´n Roll", nome do filme, ganhou diferentes prêmios, entre eles o troféu HQMix de melhor animação (mais aqui).

 

 

"Wood & Stock" é o quinto livro de bolso de Angeli lançado pela L&PM.

A editora gaúcha já publicou coletâneas de Rê Bordosa e Walter Ego.

Outros dois volumes -"Os Broncos Também Amam" (aqui) e "E Agora São Cinzas" (aqui)- traziam histórias da extinta revista "Chiclete com Banana".

"Wood & Stock" é a segunda obra com tiras nacionais que a L&PM lança neste mês.

A editora pôs à venda também o terceiro volume de "Striptiras", de Laerte.

Leia mais aqui.

Crédito: as duas tiras desta postagem são reproduções do site da editora L&PM.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h40
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Pixel lança encadernados das séries Authority e Planetary

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbuns reúnem histórias já publicadas no Brasil pela editora Pixel em diferentes edições

 

 

 

 

 

 

 

 

A editora Pixel começou a vender nesta segunda metade do mês dois encadernados. Um com histórias da série Authority. Outro com Planetary.

As duas obras compilam material já publicado pela editora.

As reedições seguem a proposta da Pixel de relançar parte das histórias em versões encadernadas. 

Essa prática foi definida após a Pixel adquirir, no começo de 2007, os direitos de publicação dos selos adultos da editora norte-americana DC Comics (leia mais aqui).

A DC Comics é a mesma editora de Super-Homem, Batman e Mulher-Maravilha.

Um dos selos adultos da DC, Wildstorm, é o que publica as séries Authority e Planetary.

                                                            ***

"Planetary - Deixando o Século 20" (144 págs., R$ 37,90) reúne num volume só os números 13 a 18 da série norte-americana, escrita por Warren Ellis e desenhada por John Cassaday.

As histórias são as mesmas que foram publicadas na revista mensal "Pixel Magazine".

A série tem como ponto alto as referências a outras obras em quadrinhos e a elementos da cultura pop.

Mostra os integrantes de uma organização que tentam desvendar uma série de eventos secretos do século 20.

Cada nova descoberta é um novo elemento que se soma a uma trama maior.

                                                           ***

"Authority - Terra Infernal e Outras Histórias" (180 págs., R$ 19,90) traz histórias que foram publicadas em especiais da Pixel, vendidos em bancas e lojas de quadrinhos.

A primeira parte do encadernado traz quatro histórias escritas por Mark Millar, um dos principais escritores da série.

Na metade final, há o conteúdo de um, escrito por Garth Ennis, criador da série Preacher.

O Authority é uma força global, com caráter supranacional, que atua em momentos de crise enfrentados pelo planeta.

Os integrantes do Authority protagonizam neste mês um outro lançamento da Pixel.

"Authority - Choque de Realidades" (76 págs., R$ 9,90) é o primeiro número -de um total de dois- que mostra a nova fase do grupo, escrita por Robbie Morrison.´

                                                           ***

No mês passado, a Pixel relançou na forma encadernada o conteúdo de especiais das séries "100 Balas" e "Astro City".

Há um outro programado, com histórias de "Promethea", escritas por Alan Moore.

As narrrativas com a personagem foram publicadas em "Pixel Magazine".

Leia mais sobre o assunto neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h24
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21.06.08

Abril começa a publicar números finais da coleção Carl Barks

 

 

 

 

 

 

 

 

Volume 37 da série em homenagem ao escritor e desenhista foi lançado nesta semana; ao todo, serão 41 números

 

 

 

 

 

 

 

 

O ditado diz que tudo que é bom dura pouco. Mas, justiça seja feita, durou bastante a a coleção "O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks".

A fase final da série começou a ser vendida nesta semana (Abril, 180 págs., R$ 16,95).

O que o leitor encontra nas bancas é o volume 37 da coleção. Outros quatro serão lançados nos próximos meses. O último, o de número 41, está programado para outubro.

O volume final é uma edição extra. Inicialmente, a coleção teria 40 números.

O primeiro foi lançado em abril de 2004.

                                                           ***

A edição que começou a ser vendida nesta semana traz 15 histórias, umas mais curtas, outras mais longas. O material foi publicado nos Estados Unidos em edições especiais.

A maioria das aventuras já tinha saído no Brasil mais de uma vez.

As primeiras 11 mostram o Pato Donald e seus sobrinhos, Huguinho, Zezinho e Luisinho. A maior parte das narrativas é do período que vai entre  1945 e 1949.

Uma delas, de 1954, é inédita no Brasil, segundo a editora.

As demais histórias são também da década de 1950.

À exceção de uma, de 1945, que tem Mickey e Pateta como protagonistas.

De acordo com a Abril, é a única com os dois personagens feita por Carl Barks (1901-2000).

                                                        ***

Barks foi, por décadas, uma espécie de "ghost writer" dos quadrinhos de Donald, Tio Patinhas e da maioria dos personagens da fictícia cidade de Patópolis.

Ele desenhava, Disney levava a fama de ser o autor das histórias.

Mas o traço de Barks tornou-se um estilo, seguido até hoje por outros desenhistas dos personagens. Isso rendeu a ele o apelido de o "homem dos patos".

Só na década de 1970 é que foi descoberto por um grupo de fãs.

Essa coleção da Abril é uma espécie de homenagem tardia ao trabalho dele, que ficou no anonimato por anos, inclusive no Brasil.

                                                        ***

A Abril faz planos de lançar outras coleções com histórias clássicas da Disney, a exemplo do que ocorreu com "O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carl Barks".

Leia mais sobre o assunto neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h54
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20.06.08

Novo Tulípio tem participação de Ziraldo e Luis Fernando Verissimo

O escritor Luis Fernando Verissimo e o cartunista Ziraldo são os convidados do nova edição da revista "Tulípio".

O sétimo número começa a circular nesta sexta-feira à noite (capa ao lado).

"Circular" porque é distribuída de graça em bares de São Paulo e do Rio de Janeiro.

A cada edição, um escritor e um desenhista são convidados a participar da obra.

A idéia de criar o boêmio Tulípio partiu do redator publicitário Eduardo Rodrigues.

Ele freqüentava bares paulistanos e ficava imaginando situações cômicas.

Anotava os "insights" em guardanapos.

Foi a base do personagem.

Coube ao desenhista catarinense Paulo Stocker a tarefa de transformar em imagens as idéias de Rodrigues.

Cada cartum ocupa uma página da revista, feita em formato de bolso.

Como o mostrado ao lado, que integra este novo número.

Rodrigues e Stocker mantêm uma página com informações do personagem e sobre os pontos de distribuição da revista.

Para acessar, clique aqui.

O blog conversou com os autores sobre a criação do projeto durante o lançamento dos primeiros números.

Leia mais aqui e aqui.  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h19
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19.06.08

Centenário da imigração japonesa pauta lançamentos de quadrinhos

Percebe-se pela leitura dos jornais e sites noticiosos que aumentou sensivelmente o volume de reportagens sobre o centenário da imigração japonesa, comemorado neste ano.

A pauta desta quinta-feira mostra a chegada do príncipe herdeiro do Japão, Naruhito, a São Paulo. Ontem, ele visitou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.

Esse burburinho já era esperado.

As editoras, inclusive as de quadrinhos, souberam antecipar esse clima oriental e prepararam para este mês uma série de lançamentos ligados ao tema.

Há desde obras infantis até produções nacionais, voltadas ao leitor adulto.

O nono número da revista "Saiba Mais! Turma da Mônica", da editora Panini, tem como tema a imigração japonesa.

A publicação usa versões nipônicas de Mônica e Cebolinha para recontar a chegada e a trajetória dos imigrantes no Brasil.

O flerte de Mauricio de Sousa com a data iniciou meses atrás.

Os estúdios dele desenvolveram duas "mascotes" japonesas para marcar o centenário.

O assunto ecoou na grande mídia.

Outra obra infantil sobre o centenário envolve a turma do Menino Maluquinho, de Ziraldo.

"Almanaque Maluquinho - O Japão dos Brasileiros" mostra as histórias de Sugiro, um descendente de japonesas.

Ele mostra a cultura de seu país aos personagens brasileiros.

A obra, publicada pela editora Globo, é vendida nas livrarias.

Para o leitor adulto, há dois álbuns e um livro, dois deles de autoria de Claudio Seto.

Seto é considerado um dos primeiros brasileiros a desenhar mangás no país.

"Samurai", um de seus primeiros trabalhos, vai ser reunido num álbum da Devir, como o blog tinha antecipado em maio (aqui).

As histórias são do fim da década de 1960 e do início da seguinte.

O álbum, de 128 páginas, estava previsto inicialmente para este mês.

Foi adiado devido a dificuldades na adaptação do material original.

Mas sai neste mês outra obra dele pela Devir.

Em "Lendas Trazidas pelos Imigrantes do Japão", Seto reúne diferentes histórias relatadas por imigrantes.

Não é um livro de quadrinhos. Mas conta com ilustrações feitas pelo veterano desenhista.

Seto inspira uma história de outro trabalho, este, sim, sobre quadrinhos.

É uma das histórias que compõem o número especial da "Front", da Via Lettera.

O tema é o centenário da imigração.

A "Front" é conhecida por agregar histórias de diferentes escritores e desenhistas.

Nesta primeira edição especial, participam 30 autores. Um deles é o veterano desenhista Júlio Shimamoto.

A publicação tem sido uma experiências mais bem-sucedidas e duradouras do quadrinho nacional.

Já foram publicados 19 números. O último saiu no início deste ano (aqui). 

O lançamento da "Front Especial" é nesta sexta-feira à noite, às 20h, em São Paulo.

Vai ser na HQMix Livraria, que fica na Praça Roosevelt, 142, no centro da cidade. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h34
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Gabriel Bá é indicado em mais um prêmio de quadrinhos dos EUA

O paulista Gabriel Bá foi indicado na categoria "melhor desenhista" no Harvey Awards, um dos principais prêmios de quadrinhos dos Estados Unidos.

Bá foi selecionado pelo trabalho feito na revista "The Umbrella Academy", escrita por Gerard Way, cantor da banda "My Chemical Romance".

"The Umbrella Academy", inédita no Brasil, foi indicada também nas categorias "melhor série" e "melhor nova série".

O desenhista disputa com John Cassaday, Guy Davis, Frank Quitely e William Van Horn.

A lista dos indicados nas 21 categorias do Harvey Awards foi divulgada ontem.

A seleção e a premiação são feitas por profissionais da indústria norte-americana de quadrinhos. Os vencedores serão divulgados no dia 27 de setembro.

                                                         ***

Este é o segundo prêmio de quadrinhos dos Estados Unidos disputado por Bá neste ano. 

Ele e o irmão gêmeo, Fábio Moon, foram indicados em três categorias do Eisner Awards, espécie de Oscar da indústria de quadrinhos norte-americana.

Os dois concorrem com a produção independente "5", já lançada no Brasil no ano passado (leia mais aqui).

A obra disputa na categoria "melhor antologia".

A revista foi feita em parceria com outros três desenhistas: a norte-americana Becky Cloonan, o grego Vasilis Lolos e o brasileiro Rafael Grampá.

Bá concorre também na categoria "melhor minissérie", novamente pelo trabalho em "The Umbrella Academy".

E Moon pelos desenhos feitos em "Sugarshock!", escrita por Joss Whedon (leia aqui).

A história concorre como "melhor quadrinho digital".

                                                          ***

Pelas bandas de cá, a dupla soma quatro indicações no Troféu HQMix, o principal do país na área de quadrinhos.

Foram indicados nas categorias "desenhista nacional", "publicação independente especial" ("5"), "edição especial nacional" ("O Alienista") e roteirista nacional (Fábio Moon).

Na última edição do prêmio, a dupla venceu em quatro categorias ( mais aqui).

A entrega do HQMix deste ano está marcada para o dia 23 de julho, em São Paulo.

Veja aqui os indicados à 20ª edição do prêmio.

E clique neste link para ler mais sobre a trajetória de Bá e Moon.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h11
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18.06.08

Blog faz jam session de cartuns de humor

"Jam Session".

O nome do blog já dá uma idéia da proposta da página virtual, coordenada pelo desenhista Flávio de Almeida.

A cada 15 dias, ele lança um tema e diferentes desenhistas produzem cartuns sobre o assunto.

O primeiro é "Palhaço".

Foi o tema que pautou o cartum ao lado, de Laudo Ferreira Junior, um dos participantes.

(O desenho é reproduzido com autorização do autor)

Há outros cartuns no blog. Acesse aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h13
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Livro traz curiosidades sobre o seriado Agente 86

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra escrita pelo jornalista Odair Braz Junior tem lançamento nesta quarta-feira à noite, em São Paulo

 

 

 

 

 

 

Você acreditaria que esta postagem sobre um seriado exibido há 40 anos foi colocada num blog sobre quadrinhos porque há um gancho, mesmo que tangencial, ligado à área de HQ?

Não acredita? Desculpe por isso, leitor. Há um gancho, sim.

É que uso aqui o velho truque de reproduzir bordões famosos do Agente 86 para introduzir uma matéria sobre um livro com curiosidades da série de TV, escrito por um ex-editor de quadrinhos.

"Agente 86 - O Velho Truque do Livro Cheio de Curiosidades" (Panda Books, 192 págs., R$ 32,90) é o resultado de cinco meses de pesquisa feita pelo jornalista Odair Braz Junior.

"Me internei em casa por uns cinco meses e, à noite, quando voltava do trabalho, mergulhava de cabeça nos episódios", diz Braz Junior, por e-mail.

Os 138 episódios dos cinco anos de duração da série foram a principal fonte de informação dele. O jornalista diz visto cada um deles, na íntegra, pelo menos duas vezes.

"Pelo menos" porque houve outras voltas a eles para checar informações.

"90% dos dados que coloco no livro não existem em outro livro ou mesmo na internet", diz.

"Ficava com o laptop em frente a TV e ia anotando tudo o que me passava pela frente. Fiz questão de ser minucioso."

E conseguiu esse detalhamento. A obra faz um completo raio-x do seriado, exibido nos Estados Unidos entre 1965 e 1970.

O livro traz todo tipo de curiosidades sobre a série com o atrapalhado agente vivido por Don Adams, falecido em 2005.

O nome Max, por exemplo, foi inspirado no pai do ator e diretor Mel Brooks, um dos criadores do seriado. Mas há muito mais.

Desde uma lista completa de todos os agentes do Controle, a agência onde trabalhava Maxwell Smart (nome do Agente 86), até detalhes sobre erros de gravação.

 

 

O fãs do seriado vão sentir apenas de um detalhamento maior sobre a dublagem brasileira, feita pelo ator Bruno Netto. Há apenas duas páginas dedicadas ao assunto.

"Não consegui informações suficientes sobre os dubladores e sobre as dublagens", diz.

"Procurei alguns conhecidos, mas ninguém soube me dizer com 100% de certeza sobre a perda da dublagem original e sobre os dubladores. Como não tinha 100% de certeza, preferi não colocar."

A versão brasileira ajudou a popularizar muitos dos bordões usados pelo Agente 86 e foi um dos fatores da fama da série no Brasil.

A maior parte da dublagem dos quatro primeiros anos foi perdida. Apenas a do quinto e último ano foi preservada.

A versão que hoje é exibida nas TVs a cabo e em DVD foi redublada.

Braz Junior, de 37 anos, diz que o convite para escrever o livro partiu de Marcelo Duarte, dono da editora Panda Books e autor de "Guia dos Curiosos".

O lançamento casa com o do filme baseado na série. O longa-metragem estréia na próxima sexta-feira e tem Steve Carrell no papel do Agente 86.

Antes disso, o jornalista faz um lançamento do livro.

A sessão de autógrafos vai ser nesta quarta-feira à noite, em São Paulo.

 

 

A obra é uma outra etapa da carreira de Braz Junior, hoje com 37 anos.

O jornalista tem um histórico ligado a publicações de quadrinhos e cultura pop. A última atuação na área foi como editor-chefe da Pixel.

No ano passado, trocou de empresa e de função.

Hoje é coordenador de internet da editora Manchete.

"Saí [da Pixel] por dois motivos: queria diversificar minha atuação no jornalismo e por isso fui para um portal de internet e também por uma questão financeira", diz.

"Se pudesse escolher de verdade, continuaria editando quadrinhos."

Serviço - Lançamento de "Agente 86 - O Velho Truque do Livro Cheio de Curiosidades". Quando: hoje (18.06). Horário: 19h30. Onde: Saraiva MegaStore do Shopping Eldorado, em São Paulo. Endereço: av. Rebouças, 3970. Quanto: R$ 32,90. 

Crédito: as fotos desta postagem foram reproduzidas dos sites Retrô TV (link) e Meatheadshockey (link).  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h17
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17.06.08

Relançada luta do Homem de Ferro contra o alcoolismo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum, que já está à venda, mostra a fase em que o herói tem de superar dependência à bebida

 

 

 

 

 

 

 

A recente repercussão do Homem de Ferro no cinema pode ofuscar a trajetória do personagem nos quadrinhos. 

Justiça seja feita, o herói metálico não tem tantas histórias memoráveis quanto muitos de seus colegas de aventura.

Curiosamente, uma das sagas mais lembradas -meritoriamente- foge do padrão convencional das histórias do gênero.

O vilão são as garrafas de bebida alcoólica.

A luta do empresário Tony Stark, alter-ego do herói, é para superar a dependência.

É essa seqüência de histórias que começou a ser vendida neste mês ("Os Maiores Clássicos do Homem de Ferro", Panini, 172 págs., R$ 22,90).

                                                            ***

A bebida camufla uma série de fracasssos vividos ao mesmo tempo pelo empresário.

O controle acionário de sua firma corre o risco de escapar de suas mãos.

Vive um clima de idas e vindas com Beth, envolvimento sentimental dele na época (as histórias são de 1979 e saíram por aqui na década seguinte, na extinta revista "Heróis da TV", da editora Abril).

Para piorar, perde parte do controle sua armadura, o que o leva a demonstrar diferentes fragilidades nas brigas contra os vilões tradicionais (os de uniforme e com superpoderes).

                                                            ***

A trama sobre o (des)controle da armadura é interessante.

Mas é outro (des)controle, o da bebida, o âmago desta fase do herói, escrita por Bob Layton e David Michelinie e que tem a maior parte desenhada por John Romita Jr.

Romita Jr. -filho de John Romita, um dos veteranos dos quadrinhos norte-americanos- estava em início de carreira na editora Marvel Comics.

Hoje, mudou o estilo do traço e é uma das estrelas da companhia.

                                                            ***

Os quadrinhos de super-heróis costumam agregar valor quando dialogam com temas reais.

Foi o mesmo caminho, para ficar em um exemplo, que garantiu a reedição das histórias de Arqueiro e Lanterna Verde produzidas na primeira metade da década de 1970.

Na ocasião, o parceiro do Arqueiro, Ricardito, enfrentava dependência de drogas.

É claro que o motivo do lançamento destas nove histórias do Homem de Ferro é menos nobre e mais comercial. Pauta-se nos ecos da popularidade midiática provocada pelo filme.

Que seja esse o pretexto.

Das poucas boas fases do herói, é uma das melhores. Justifica a (re)leitura.

                                                            ***

A editora Panini lançou neste início de mês outra obra com o Homem de Ferro.

É um álbum de luxo com as primeiras histórias do herói, publicadas nos Estados Unidos na primeira metade da década de 1960. Custa R$ 49.

A publicação integra a coleção "Biblioteca Histórica Marvel", que se pauta em relançamentos de histórias clássicas dos super-heróis da Marvel.

Leia mais sobre o álbum aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h34
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Um outro olhar sobre o SP Fashion Week

 

 

Os desfiles do SP Fashion Week tiveram início nesta terça-feira, em São Paulo.

O evento -um dos principais do calendário da moda- vai até a próxima segunda.

Crédito: a charge é de Gilmar, reproduzida com autorização do autor (link).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h42
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16.06.08

Ediouro e Conrad têm conversado sobre associação entre as editoras

A Ediouro tem mantido conversas com a Conrad. A pauta é uma eventual associação entre as duas editoras.

O termo "associação" foi usado por Luiz Fernando Pedroso, superintendente da Ediouro, empresa que tem sede no Rio de Janeiro.

Oficialmente, as duas partes confirmam dois contatos a respeito, um no fim de 2007 e outro no começo deste ano.

Ambas dizem não haver nada de concreto até o momento.

Nem relevam como seria essa eventual "associação".

Segundo Pedroso, o "namoro" com a Conrad é antigo.

Viria desde antes da criação da Pixel, há pouco mais de dois anos.

A Pixel, especializada em quadrinhos, é mantida em parceria com a Futuro Comunicação, de André Forastieri, ex-sócio da Conrad.

                                                                ***

Tanto a Ediouro quanto a Conrad tomam muito cuidado com as palavras ao abordar o assunto. A começar pelo termo "associação", intencionalmente vago.

O superintendente da Ediouro vê nos quadrinhos uma área em crescimento e diz ter interesse em firmar parcerias com "gente que entende" do ramo.

"Os executivos têm que pensar sempre no crescimento", disse Pedroso agora há pouco, por telefone. E quadrinhos seriam um filão em expansão do ponto de vista da editora.

Foi essa filosofia de crescimento que levou a Ediouro a comprar a Desiderata, também do Rio de Janeiro, na virada do ano (leia mais aqui).

A Desiderata se destacou por reeditar antologias do jornal alternativo "Pasquim". A editora também investido em álbuns de autores nacionais.

                                                               ***

Rogério de Campos, diretor editorial da Conrad, pontua muito a palavra "conversa" ao falar sobre o assunto.

"A gente conversou. De vez em quando, conversamos. Vamos ver o que dá no futuro", disse agora à tarde, por telefone.

O blog questionou como se daria essa eventual "associação". Se seria uma compra, como ocorreu com a Desiderata, ou uma forma de parceria.

Campos preferiu não falar sobre isso. Mas demonstrou não ter interesse em vender a Conrad. Ou toda a Conrad. "Eu estou muito jovem para me aposentar", disse.

Segundo ele, outras editoras também conversaram com ele a respeito nos últimos dois meses.

Campos não deixou claro quem procurou quem, se foi a Conrad que fez alguma proposta ou se foram as outras editoras.

A Conrad ganhou projeção no mercado com a publicação de mangás, como "Dragon Ball" e "Cavaleiros do Zodíaco".

Atualmente, é uma das principais editoras de quadrinhos do país.

Mantém um amplo e diversificado catálogo de mangás e de álbuns nacionais e estrangeiros voltados ao leitor adulto.

Também recebeu vários prêmios de melhor editora no troféu HQMix, o principal da área de quadrinhos do país. O último prêmio da Conrad no HQMix foi na edição do ano passado. 

                                                               ***

O interesse da Ediouro na área de quadrinhos teve início há questão de três anos.

A editora lançou algumas revistas nas bancas, entre elas produções européias e histórias ligadas a "Guerra nas Estrelas".

Essa experiência foi abandonada com o surgimento da Pixel.

A Pixel tem como carro-chefe o material da ABC, Vertigo e Wildstorm, selos adultos da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Super-Homem e Batman.

A Ediouro também mantém a Agir, que tem se pautado em adaptações literárias.

Uma delas foi a de "O Alienista", feita pelos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h47
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Feira na USP vai vender quadrinhos com desconto

A chamada “Feira Cult”, realizada nesta semana na Universidade de São Paulo, vai ter um estande com quadrinhos de todas as editoras, vendidos com pelo menos 20% de desconto.

 

A responsável pelo estande é a loja “Comix”, de São Paulo.

 

A loja promove o “Fest Comix”, evento que também conhecido pelos descontos.

 

A “Feira Cult”, que já teve outra edição realizada neste semestre, terá também um outro estande com quadrinhos independentes.

 

O estande será mantido pelo grupo do 4º Mundo, selo que reúne autores independentes.

 

Esse material não terá desconto. Mas, no último dia do evento, quem fizer compras acima de R$ 10 ganha uma caricatura feita na hora.

 

A feira começa na próxima quarta-feira e vai até sexta.

 

Serviço – Feira Cult. Quando: de 4ª (18.06) a 6ª. Onde: corredor do bandejão central da USP (Universidade de São Paulo). Endereço: Cidade Universitária, em São Paulo. Horário: das 10h às 20h. Entrada: gratuita.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h03
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Com a palavra, os comentaristas deste blog

Como registro na postagem abaixo, este 15 de junho é considerado o Dia Internacional do Comentarista de Blogs.

Para estimular esse clima de debate construtivo e democrático, propus que os leitores do blog deixassem registrado o que quisessem sobre a área de quadrinhos.

No fim do dia, selecionaria os cinco comentários que julgasse mais interessantes e que captassem a proposta da data.

Agradeço a todos os que registraram opiniões, todas igualmente relevantes.

Pinço cinco, como prometido, e as reproduzo na seqüência.

                                                        ***

Thiago Barbosa, 10h42:

Tenho grande dificuldade em separar algumas palavras para definir o vasto universo das histórias em quadrinhos.Temos diversas galáxias, algumas já conhecidas, mas o fato é que existe muito material de qualidade espalhado em nossas constelações. Construimos um planeta de heróis e vilões que encantou e ainda seduz diversas gerações. Uma máquina do tempo me faz recordar o Big Bang com um certo garoto do camisolão amarelo. Agradeço ao blog e sua principal estrela. Este espaço está anos-luz a frente de qualquer outro. Parabéns aos comentaristas que orbitam o Blog dos Quadrinhos.

Amalio Damas, 13h38:

Apesar da sarjeta que os separa, os quadrinhos podem nos levar a qualquer lugar que quisermos, sem as restrições do seu primo cinema. Criam-se blockbusters com orçamentos milionários em 100 páginas de papel. Colorido, monocromático, brilhante, fosco, capa dura, capa mole, com balões ou sem. Pode simplesmente ser um "gibi" de R$ 1,00, que diverte tanto crianças quanto adultos por muitos anos. Pode ser uma tira, impressa ou virtual. O que não podemos negar é que os quadrinhos são um prazer para aqueles que os compreendem. Mais ainda para aqueles que transcederam a conotação puramente infantil, que ainda persiste, e apreciam um bom quadrinho sem restrições. O Ministério da Educação adverte: ler histórias em quadrinhos é saudável para todas as idades.

Audaci Junior, 21h08:

Nem Dieguito e nem Pelé..." /// ARGENTINO: ¡Quién es bueno es el Quino! :) /// BRASILEIRO: Não, é lógico que é o Mauricio! :D /// ARGENTINO:¡Quién es más bonita es el Mafalda! :O /// BRASILEIRO: Que nada! Claro que é a Mônica! Ela ainda está na ativa! E olha só o cabelo da Mafalda... :C /// ARGENTINO:¡YO LO MATO, INFORTUNADO!... :@ /// BRASILEIRO: :p /// "E assim deu-se o Dia do Comentarista de Blog...

Denise Moura, 22h01/22h02:

Meu comentário é uma dúvida, ou melhor, uma proposta para debate. Qual é o lugar (físico) que os quadrinhos devem ocupar nas livrarias? Estou com essa ‘pulga atrás da orelha’ desde a última visita que fiz à livraria onde trabalhei. Na minha época de “livreira” os quadrinhos (todos eles) ficavam alocados em gôndolas na sala dedicada à literatura nacional e estrangeira. Era estranho ver alguns títulos infantis lá, porém... Voltando à loja há alguns dias, e como cliente, percebi que eles realocaram os quadrinhos (novamente todos eles) para a sala dedicada à literatura infanto-juvenil. Mais estranho do que assistir ao convívio dos quadrinhos da Turma da Mônica com as obras de Victor Hugo e Fiódor Dostoiévski _tudo bem, já há adaptação em quadrinhos para esses e outros autores classicos, mas acho que deu para entender a minha colocação né?_ é ver Millo Manara ao lado de Harry Potter... Acho que deve ser bem difícil essa logística para as livrarias. Ter partes reservadas para Hqs no infantil, infanto juvenil, adulto, artes... deve ser impraticável, mais difícil ainda deve ser montar uma sala exclusiva para quadrinhos (sonho de muitos). Bem é isso. Espero ter lançado ‘na roda’ um assunto interessante.

M., 23h07:

A frase uma “imagem vale mais que mil palavras” faz cada vez mais sentindo. Principalmente após o advento da televisão. Hoje, acredito que buscamos informações e entretenimento não só através da leitura – queremos a visualização de imagens, que falem por “si”. Aí está a função estratégica dos quadrinhos. Já uma outra grande invenção, o computador (e a internet), oferece um espaço para um debate democrático, no qual todos podem manifestar opiniões próprias. Mas com uma grande vantagem, a “interatividade”. Que todos aproveitem o máximo possível a troca de informações pelos blogs. E façam deles uma ferramenta enriquecedora para aprendizagem.

                                                       ***

Gostaria que ficasse registrado, uma vez mais, que o leitor deste blog tem no espaço de comentários um lugar de debate e de exercício democrático de opinião.

Que os comentários venham aos montes. E não só neste dia. Abraço a todos. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h39
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15.06.08

Hoje é o Dia Internacional do Comentarista de Blogs

Parabéns, leitor. Este domingo, dia 15, é dedicado a você.

Hoje é considerado o Dia Internacional do Comentarista de Blogs.

A data surgiu na Argentina, como relata a jornalista Adriana Küchler, correspondente da "Folha de S.Paulo" em Buenos Aires e autora do blog "Tangos e Tragédias" (link).

O dia teve início após um internauta argentino ter matado outro por causa de uma discussão iniciada em um blog. O caso ocorreu em 2004. 

A data foi criada para reconhecer o papel do leitor de blogs e para estimular o debate construtivo no meio virtual.

Se esse dia é, de fato, internacional ou não pouco importa.

O relevante é que o tema é nobre.

Aproveito a data para estimular esse clima de opinião construtiva e democrática, que, na verdade, já ocorre diariamente aqui no Blog dos Quadrinhos.

O resto da postagem é por sua conta, leitor.

O que gostaria de comentar sobre o mundo dos quadrinhos?

Registre sua opinião no espaço abaixo. O dia é seu.

Os cinco comentários mais interessantes -e que se enquadrarem nesse espírito construtivo e democrático- serão destacados numa postagem no fim do dia.

E aí? Vai comentar o quê?

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h20
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14.06.08

Editora Nacional lança mais três adaptações de clássicos literários

A Companhia Editora Nacional começou a vender neste mês nas livrarias mais três volumes de adaptações literárias. 

As novas obras recontam em quadrinhos as histórias de "Oliver Twist", de Charles Dickens, "O Corcunda de Notre Dame", de Victor Hugo, e "Raptado", de Robert Louis Stevenson.

Os álbuns custam R$ 18 cada um.

Os três novos volumes integram uma coleção voltada especificamente para adaptações literárias, gênero que a editora começou a investir neste ano.

O primeiro trabalho, uma versão de "O Alienista", foi lançado em março (aqui).

Além das obras já citadas, foram publicados outros cinco trabalhos.

São adaptações de "Moby Dick", "Viagem ao Centro da Terra", "A Ilha do Tesouro", "Memórias de um Sargento de Milícias" e "Triste Fim de Policarpo Quaresma".

As adaptações nacionais foram produzidas pelo recifense Lailson de Holanda Cavalcanti.

Leia mais sobre o trabalho dele aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h00
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Estadão faz concurso de tiras

O jornal "O Estado de S. Paulo" vai promover um concurso de tiras.

As inscrições começam neste domingo, dia 15, e vão até 3 de julho.

O resultado será divulgado no dia 20 de julho.

O "Concurso de Tirinhas" vai ter duas categorias: amador e profissional.

Os vencedores receberão equipamentos eletrônicos e terão as tiras publicadas pelo jornal.

Dentre os jornais de maior circulação do país, o Estadão é um dos que menos publica tiras cômicas. São cinco: Turma da Mônica, Frank & Ernest, Calvin, Recruta Zero e Snoopy.

Este é o segundo concurso de quadrinhos promovido neste ano por um jornal paulista.

Em janeiro, o "Folhateen", caderno jovem da "Folha de S.Paulo", fez uma seleção de mangás para marcar o centenário da imigração japonesa no Brasil (leia mais aqui).

O Estadão pôs as regras do concurso numa página virtual. Leia neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h31
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13.06.08

Novo filme de Hulk prepara terreno para próximos longas da Marvel

 

O novo filme do Incrível Hulk tem uma sabor especial para a platéia brasileira.

As seqüências iniciais do longa-metragem, que estreou nesta sexta-feira nos cinemas, foram produzidas na favela da Rocinha, no Rio de Janeiro.

É lá que o alter-ego do Hulk, Bruce Banner, tenta se esconder do exército norte americano.

As tropas do Tio Sam o caçam por julgarem que a experiência que o transforma no monstro verde pertencem ao governo dos Estados Unidos.

E é lá também que o Exército invade o morro e faz uma perseguição à la Tropa de Elite.  

Embora um olhar sobre este segundo filme do personagem passe obrigatoriamente pelo Brasil, a leitura da produção ficaria limitada se se restringisse apenas a isso.

Há pelo menos três outros pontos do filme que merecem registro.

O primeiro é o fato de ser bem diferente do primeiro longa, dirigido por Ang Lee. Há menos uso da linguagem dos quadrinhos e muito mais ação.

O resultado é um filme bem mais comercial e despretensioso, feito para agradar grandes platéias. E agrada. É melhor e mais ritmado que a produção anterior. 

 

 

O segundo ponto a ser destacado são as referências.

Há a tradicional ponta do criador do personagem, Stan Lee.

Com mais de 80 anos, ele participou de todas as adaptações recentes dos heróis da editora norte-americana Marvel Comics.

A Marvel publica, além de Hulk, personagens como Homem-Aranha, e X-Men.

Os mais atentos perceberão outras referências.

Lou Ferrigno, o Hulk do seriado de TV dos anos 1970, participa de uma cena. E Bill Bixby (1934-1993), o Bruce Banner da série televisiva, é homenageado logo no início.

É numa cena rápida. O Banner atual -interpretado por Edward Norton- assiste a Bixby no seriado "Meu Marciano Favorito", estrelado pelo ator na década de 1960.

A transformação de Banner no monstro também é inspirada na série. Tensão no rosto, olhos verdes e pronto: no feio Hulk virou (faço aqui outra referência).

 

 

O terceiro aspecto é que o filme de Hulk segue o mesmo caminho do de Homem-de-Ferro, ainda em cartaz. Usa na telona a chamada cronologia Marvel.

Como nos quadrinhos, o que ocorre numa história repercute em outra.

Em "Homem-de-Ferro", uma cena após os créditos mostrava um encontro entre Tony Stark, alter-ego do herói de metal, com Nick Fury, diretor da agência secreta SHIELD.

A pauta da conversa era a criação de um grupo de super-heróis.

Em "Hulk", é o próprio Stark, na pele de Robert Downey Jr., quem aparece para colocar mais um tijolo na construção do grupo, chamado nos quadrinhos de "Os Vingadores".

A equipe conta também com a presença do Capitão América e do Poderoso Thor, que devem ganhar um filme cada um nos próximos anos, pelo que se lê. 

É de se esperar que haja mais capítulos dessa interligação.

Nos quadrinhos, a tal da cronologia cria histórias sem fim, como se fossem novelas mantidas no ar por décadas.

No cinema, há uma vantagem. Dados os altos custos de cada um desses filmes, o leitor -ou melhor, a platéia- deve ver um desfecho para essa costura narrativa nos próximos anos.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h36
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Dois jornais cancelam publicação de tiras de Laerte

 

Os jornais "Zero Hora", do Rio Grande do Sul, e "A Tribuna", do Espírito Santo, suspenderam a publicação de tiras de Laerte.

A informação foi dada pelo próprio desenhista no programa "Áudio Papo", da Rádio USP, de São Paulo. A entrevista, previamente gravada, vai ao ar nesta sexta-feira à noite.

"É possível que outros jornais cancelem também. Mas eu não penso em redefinir minha direção não", disse ele ao jornalista Fabio Rubira, apresentador do programa.

A nova direção a que Laerte se refere é a forma como tem produzido as tiras de Piratas do Tietê nos últimos anos.

Elas deixaram de ter uma piada no fim, como ocorre normalmente nas tiras cômicas.

No lugar do humor, o desenhista tem produzido reflexões, algumas surreais, como se fossem pequenas crônicas na forma de quadrinhos.

E sem personagens fixos. "Eu dei um tempo com eles. Um tempo definitivo."

 

 

Esse modo de produzir as histórias já constitui o embrião de um novo gênero de tira, que tem sido rotulado provisoriamente de "tiras filosóficas".

"Já não tô mais chamando de fase, porque eu não vejo o fim dela. Eu estou achando que é um novo ciclo que eu comecei", disse na entrevista.

A guinada criativa de Laerte se deu após a morte de um de seus filhos num acidente de carro em 2006. Isso funcionou como uma espécie de "divisor de águas" no trabalho dele.

Em outra entrevista, concedida em agosto do ano passado, ele disse que não via mais graça no tipo de humor que fazia (leia mais aqui).

 

 

A "Folha de S.Paulo" continua com a publicação das tiras de Laerte nos cadernos de cultura e informática. Segundo o desenhista, o jornal tem dado liberdade ao trabalho dele.

As tiras que ilustram esta postagem são as três mais recentes, todas publicadas na Folha. A mostrada acima é a da edição desta sexta-feira.

Nota: o "Áudio Papo" vai ao ar às 20h30 pela USP FM, de São Paulo (93,7 FM), e USP FM, de Ribeirão Preto (107,9 FM). Depois, o programa fica disponível no site da rádio (link). 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h10
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12.06.08

Turma da Mônica ficará adolescente na versão em mangá

 

 

O empresário e desenhista Mauricio de Sousa decidiu revelar o mistério que envolvia a versão em mangá da Turma da Mônica. 

As histórias desenhadas no estilo japonês vão mostrar Mônica, Cebolinha e os demais personagens na fase adolescente (como mostra a imagem acima).

A informação foi noticiada nesta quinta-feira no jornal "O Estado de S. Paulo", num caderno especial sobre o centenário da imigração japonesa no Brasil.

Segundo a reportagem, assinada por Márcia Placa, as características dos personagens serão mantidas.

O lançamento da revista está previsto para agosto.

Será mensal, de acordo com a matéria.

"Vamos falar de temas diversos, como drogas bebidas e sexo", disse Sousa à reportagem.

"O autor deve ser tratar o leitor como filho e, por isso, tem a responsabilidade de educar."

A proposta do projeto é atingir uma nova faixa etária.

A versão mangá será lançada paralelamente às demais revistas mensais da Turma da Mônica, feitas no estilo tradicional e voltadas ao público infantil.

"Uma linha não invalida a outra", diz.

A Turma da Mônica em mangá se soma a uma série de projetos especiais dos estúdios Mauricio de Sousa que surgiram após a entrada dos personagens dele na editora Panini.

Antes, as criações de Sousa eram publicadas pela Globo (leia aqui e aqui).

A nova editora já lançou uma minissérie em formato maior com a personagem Tina e reedita histórias clássicas da Turma da Mônica, tanto na forma de revista como de álbum de tiras.

Crédito: as imagens desta postagem são reproduções do material veiculado na edição de hoje do jornal "O Estado de S. Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h01
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Uma tira para o Dia dos Namorados não passar em branco

Recebi esta tira por e-mail há algum tempo. Não consegui apurar quem é o autor. 

Mas é daquelas que merecem registro.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h16
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11.06.08

Tese da USP mostra que quadrinhos estimulam crianças a ler

Há um conjunto de rótulos pejorativos sobre os quadrinhos, a maioria herdada de décadas anteriores. Um deles bate na jocosa tecla de que "quadrinhos são coisa de criança". 

Uma tese de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) pôs a expressão à prova.

E mostrou que ela é verdadeira, sim. Mas não no sentido depreciativo.

A pesquisa chegou a basicamente duas conclusões: 1) quadrinhos estimulam as crianças a ler; 2) esse estímulo fomenta a migração para outras formas de leitura, como os livros.

A tese foi defendida -e aprovada- há pouco mais de um mês na ECA (Escola de Comunicações e Artes) da universidade.

A autoria é da paulistana Valéria Aparecida Bari, de 42 anos.

(É ético de minha parte registrar que integrei a banca de doutorado).

As conclusões foram possíveis por meio de entrevistas feitas com alunos da própria USP que tinham o hábito de ler quadrinhos. O levantamento foi feito entre 2001 e 2007.

A pesquisadora confrontou os resultados com a realidade observada na Espanha, onde fez parte do estudo.

O objetivo da viagem ao país europeu era perceber se a realidade brasileira é válida também em outro universo de leitores. Conclui que é.

E que a Espanha já desenvolve projetos de leitura com quadrinhos.

Nesta entrevista, feita por e-mail, Valéria Bari detalha um pouco mais sobre a tese, intitulada "O Potencial das Histórias em Quadrinhos na Formação de Leitores: Busca de um Contraponto entre os Panoramas Culturais Brasileiro e Europeu".

Para ela, a leitura de quadrinhos deve ser estimulada não só nas escolas, mas também pelos pais, dentro de casa, e nas bibliotecas públicas.

                                                        ***

Blog - Por que, no seu entender, sempre circulou um discurso contrário à idéia de que quadrinhos estimulam a leitura?

Valéria Bari - Como a posse da informação sempre representou uma forma de poder socialmente constituído, naturalmente é desinteressante para os detentores dessa informação que ela transite livremente. Como a linguagem dos quadrinhos sempre foi representativa na leitura infantil e das camadas populares, sua validade cultural é questionada por aqueles que preferem privilegiar linguagens, discursos e obras inacessíveis. 

 

Blog - Os pais, então, devem estimular a leitura dos quadrinhos?

Valéria - Se o interesse dos pais é a criação de filhos inteligentes e curiosos, que saberão buscar informações e conhecimentos com autonomia e competência, que terão habilidades para ler, escrever e se comunicar por meio de diversas outras linguagens, inclusive as digitais, é ótimo que disponibilizem histórias em quadrinhos para a leitura de seus filhos no lar. Permitam também que seus filhos pratiquem escambo com suas revistas em quadrinhos, para que conheçam outros amigos que gostam de ler e compartilhem o que estão aprendendo. Respeitem as coleções pessoais dos seus filhos, que são tão importantes para eles quanto os livros e papéis completamente insossos que nós adultos adoramos acumular e dar tanta importância. Uma criança adquire o gosto pela leitura em um ambiente no qual sua infância é respeitada, os seus gostos pessoais são respeitados e as atitudes dos adultos que o rodeiam denotem que a leitura é fonte de prazer e alegria.

 

Blog - O governo federal distribui quadrinhos às escolas do ensino fundamental desde 2006. Como você analisa esse programa [chamado PNBE, Programa Nacional Biblioteca na Escola]?

Valéria - O programa, assim como o elenco de políticas públicas que visam incentivar o gosto pela leitura e a formação do leitor, esbarra em uma limitação muito importante: a falta do acompanhamento do uso que o material disponibilizado recebe. Assim, as histórias em quadrinhos disponibilizadas recentemente aos estudantes, assim como outras amostras de leitura infanto-juvenil, não estão alcançando toda a sua potencialidade na formação do leitor.  É necessário que as políticas públicas contemplem a formação dos professores, a inserção da leitura como atividade-fim nas grades curriculares, a formação natural de espaços de leitura dentro e fora dos espaços escolares.

 

Blog - Como os quadrinhos deveriam ser tratados pelo governo?

Valéria - Os quadrinhos deveriam ser tratados como um material bibliográfico relevante à formação dos leitores. Atualmente, as bibliotecas públicas estão desenvolvendo acervos de histórias em quadrinhos, pois esta nova forma de ver as histórias em quadrinhos já está ocorrendo. Porém, mais e mais crianças e jovens que são egressos de famílias completamente iletradas estão sendo escolarizados, o que significa que toda a sociedade tem de fazer esforços redobrados, para que a formação desses novos leitores não fique perdida pelo caminho. A mobilização da sociedade sobre a questão da leitura é essencial para o êxito da escolarização universalizada, e as histórias em quadrinhos certamente têm muito a contribuir para a evolução desse preocupante quadro social.

 

Blog - E qual o papel das bibliotecas – escolares ou não – nesse processo?

Valéria - As bibliotecas públicas e escolares, por sua proximidade social com os leitores novatos, também têm o papel de atuar no desenvolvimento do gosto pela leitura. Ocorre que, apesar da recente melhora na qualidade e quantidade dos acervos, este papel ainda não está sendo desempenhado como deveria. Para tal desempenho, é necessária uma mudança de mentalidade e uma disposição dos profissionais envolvidos em assumir esta nova responsabilidade.   

 

Blog - Sua tese comparou a realidade brasileira com a espanhola? Quais as diferenças e o que há em comum?

Valéria - Para compreender melhor o problema da leitura no Brasil, fiz uma viagem de estudos à Espanha. Entre espanhóis e brasileiros, existem muitas coisas em comum, quando se trata do letramento e da formação do leitor. Em ambos os casos, a cultura das famílias não enfatizava a leitura doméstica até datas recentes, assim como o nível de escolarização era heterogêneo. A principal diferença entre os dois povos está na inovação rápida das políticas públicas e na mentalidade dos profissionais, no caso espanhol, que estão aplicando exemplarmente o potencial dos quadrinhos. Porém, o Brasil tem a possibilidade de difundir o gosto pela leitura por toda a sociedade, apesar das severas restrições orçamentárias, caso invista criteriosamente na formação de seus profissionais e na disponibilização de acervos estrategicamente desenvolvidos, sempre com a presença das histórias em quadrinhos.

 

Blog - Qual o papel dos quadrinhos na formação das pessoas?

Valéria - As necessidades individuais não se restringem à alimentação e o abrigo. O ser humano chega a um estado social de dignidade se lhe é dado o direito de sonhar, de se alegrar, de compartilhar suas experiências e fantasias com outras pessoas e ser compreendido. As histórias em quadrinhos estabelecem uma relação leitora que, além da natural carga de informação do texto escrito, investe muito no onírico, no sonho, de forma individual e social. Pela leveza e articulação da linguagem dos quadrinhos, a sua leitura é relaxante, mesmo quando os temas e enredos abordados são mais sérios e pertencem à temáticas adultas. A leitura em quadrinhos é naturalmente atrativa e, além de preparar o cérebro para apropriar toda a natureza de linguagens complexas, ajuda a enfatizar a imaginação e fomentar os sonhos, o que é importantíssimo para todas as pessoas, sejam crianças ou adultos.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h56
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10.06.08

Quadrinhos do Clube da Esquina vão virar livro, segundo autor

Os bastidores dos integrantes do Clube da Esquina são relatados desde o fim do ano passado em quadrinhos virtuais.

Se não houver mudanças de rumo, essas histórias serão reunidas em livro também.

Laudo Ferreira Junior, autor das histórias, diz já ter sido contatado sobre a obra pelos mantenedores do Museu Clube da Esquina.

A entidade mantém uma página virtual para preservar a memória do grupo mineiro.

Quando o blog noticiou o assunto, em novembro do ano passado (aqui), a proposta de um livro já era comentada pelo desenhista. Neste ano, deixou de ser apenas um projeto.

"Um dos pontos de destaque foi que a produção dos quadrinhos surpreendeu a todos devido ao resultado final", diz Laudo, por e-mail.

Outro empurrão, segundo ele, foi a iniciativa de criar uma sede física -e não apenas virtual- do museu em memória ao trabalho do grupo. O livro se encaixaria nesse projeto.

Nesta semana, a página virtual do museu colocou 11 novas histórias curtas sobre momentos vividos pelos músicos.

A proposta inicial é que as atualizações fossem semanais.

O atraso, justifica Laudo, deu-se por conta de problemas técnicos no site.

As onze histórias que ficaram acumuladas foram disponibilizadas de uma só vez. 

O desenhista diz que há outras 15 em pauta. Algumas virão de depoimentos de Fernando Brant e Beto Guedes.

Para o livro, ainda sem editora definida, imagina um relato inédito, além dos já existentes no site do museu.

 

O projeto "Histórias do Clube da Esquina" foi idealizado por Laudo há alguns anos. Ganhou corpo em 2007, com o apoio do museu virtual.

A proposta é mostrar "causos" da trajetória dos integrantes do Clube da Esquina.

O acesso ao material hospedado no site do museu é gratuito.

O movimento musical mineiro reúne, além de Brant e Guedes, Milton Nascimento, Wagner Tiso, Flávio Venturini e os irmãos Marcio e Lô Borges.

Parte deles se conhece desde a infância.

O nome do grupo serviu de título para o disco "Clube da Esquina", de 1972.

Clique neste link para ler as histórias virtuais.

E aqui para ler mais sobre as "Hístórias do Clube da Esquina".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h24
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09.06.08

História em quadrinhos registra terremoto chinês

 

 

O crédito desta descoberta é de Telio Navega, do blog Gibizada.

Uma história em quadrinhos mostra cenas dos momentos seguintes ao terremoto que ocorreu na China no mês passado.

São dez páginas. Cada uma relata momentos diferentes vividos pelas vítimas.

 

 

A narrativa foi feita por Coco Wang e está disponível na internet (com texto em inglês).

A história está hospedada na página virtual de Paul Gravett, mais conhecido dos brasileiros por ser o autor de "Mangá - Como o Japão Reinventou os Quadrinhos", lançado em 2006.

Para ler a história em quadrinhos, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h32
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Leões de Bagdá mostra outro olhar sobre a Guerra do Iraque

 

 

 

 

 

 

 

Álbum, vendido em bancas e lojas de quadrinhos, mostra bombardeio em Bagdá sob o olhar de quatro leões

 

 

 

 

 

 

 

 

Há diferentes modos de relatar uma mesma história. Depende muito do olhar de quem narra. Cada visão pessoal traz uma carga de subjetividade ricamente distinta.

É exatamente o olhar o que mais singulariza "Os Leões de Bagdá", álbum que começou a ser vendido na virada da semana (Panini, 140 págs., R$ 19,90).

O escritor Brian k. Vaughn ajusta o foco narrativo em quatro leões, que pensam e externam seu pensamento por meio da fala.

Um leitor desavisado pode imaginar que animais falantes aproximem a obra de uma espécie de Rei Leão em formato de quadrinhos.

E que, por isso mesmo, seja um trabalho mais "ingênuo", voltado a um público juvenil.

Não é. E que seja colocado um grifo nesse "não é".

Os animais viviam em um zoológico de Bagdá, no Iraque. Um bombardeio destrói o lugar e dá a eles a liberdade extra-muros. 

O que encontram é uma cidade destruída pela Guerra do Iraque, promovida pelos EUA.

Tal qual crianças, vêem em tudo uma novidade.

E, da novidade, enxergam-se a tragédia e o caos trazidos pelo conflito bélico.

O olhar dos leões revela mateforicamente que tudo é guerra, tudo é violência.

Todos, de uma forma ou de outra, tornam-se vítimas daquele conflito.

Vaughan -autor conhecido por trabalhos adultos da linha norte-americana Vertigo- afirma ter se baseado em uma história real.

Mas é no teor ficcional o ponto alto da história, cruel e cativante ao mesmo tempo, que coube ao desenhista Niko Henrichon dar vida.

"Os Leões de Bagdá" é daquelas obras que espantam o leitor distante dos quadrinhos.

Quando a descobre, substitui o desgastado rótulo -mas ainda presente- de "quadrinhos é coisa de criança" por uma reação de espanto.

Como isso pode ser quadrinhos?

Ele, o leitor, tenta encontrar rótulos socialmente aceitos para classificar o que leu.

"É literatura, não é quadrinhos". Ou: "trata-se de um livro".

Ocorreu esse fenômeno neste ano quando se descobriu que a animação "Persépolis", indicada ao Oscar, era, na verdade, uma biografia em quadrinhos.

"Os Leões de Bagdá" é muito mais do que aparenta.

É outro olhar sobre a guerra, mas metaforicamente cruel.

Faz por merecer cada espanto de leitores desavisados.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 14h37
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08.06.08

Ilustrações em estilo mangá recontam os cem anos da imigração

Painel mostra vista do navio Kasatu Maru, que trouxe 165 famílias japonesas ao Brasil em 1908

 

Catorze painéis. Cada um com um momento crucial dos cem anos da imigração japonesa no Brasil, comemorados agora em 2008.

É a proposta da exposição "Fragmentos da Imigração", que tem abertura oficial nesta segunda-feira à noite, às 19h, em Santos.

O porto da cidade do litoral paulista foi a primeira impressão que os imigrantes vindos do Japão tiveram do Brasil.

O navio Kasato Maru, que trouxe 165 famíllia japonesas, desembarcou no dia 18 de junho de 1908.

O embarque e o desembarque (mostrados ao lado) tomam dois painéis da exposição.

Cada uma das catorze ilustrações é acompanhada de um texto explicativo.

Os desenhos são de Eder Messias e foram feitos no estilo dos quadrinhos japoneses.

A proposta é que os painéis sejam vistos em seqüência cronológica.

Vão dos motivos que levaram os japoneses a procurar novas oportunidades de emprego até a situação dos descendentes, que hoje vivem no Brasil.

As pesquisas e o projeto gráfico foram de Fábio Tatsubô, coordenador da Mostra Nacional de Fanzines, realizada anualmente na cidade.

"No início do projeto, gostaríamos de realizar uma obra que não ficasse na superfície da informação ou no discurso de como é bonito a cultura japonesa, seus desenhos, sua culinária, adornados de origamis, sushis e sashimis", diz, por e-mail.

Tatsubô, um filho de imigrantes japoneses nascido há 35 anos, diz que, sempre que abordava o projeto, lembrava-se da representação da Via Crúcis, mostrada em igrejas católicas.

A Via Crúcis mostra, em diferentes ilustrações, o calvário de Jesus Cristo antes da crucificação.

Segundo ele, trata-se de uma técnica de "emitir uma mensagem por meio dos desenhos".

De acordo com levantamento apresentado na mostra, de 1917 a 1940, desembarcaram no Brasil 164 mil japoneses. Setenta e cinco por cento foram o estado de São Paulo.

Serviço - Exposição "Fragmentos da Imigração". Quando: a partir desta segunda, 09.06. Horário: 2ª (09.06), às 19h; demais dias, das 14h às 22h; sábado, das 14h às 18h. Onde: Oficina Pagu, em Santos, no litoral de São Paulo. Endereço: Praça dos Andradas, s/n, centro. Quanto: de graça.  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h26
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Novo álbum de Mortos-Vivos traz sucessão de reviravoltas

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do terceiro volume da série, que começou a ser vendido neste início de mês

 

 

 

 

 

 

 

 

Há um clima de "tudo será pior" no terceiro volume de "Os Mortos-Vivos", que começou a ser vendido neste início de mês em lojas de quadrinhos (HQM, 144 págs., 29,90).

A situação dos personagens da série norte-americana já não era das melhores.

Eles estão entre os que ainda permanecem sãos num mundo povoado por zumbis.

Mas neste "Os Mortos-Vivos - Segurança Atrás das Grades", uma sucessão de reviravoltas consegue deterior ainda mais a vida do grupo, liderado pelo ex-policial Rick Grimes.

O início deste terceiro álbum até inicia com um sopro de esperança.

O grupo de sobreviventes encontra um centro penitenciária, envolto por grades.

Ali pode estar a segurança contra os mortos-vivos (situação que intitula o álbum).

Mas a esperança inicial é logo substituída por uma cena nova pior que a outra.

E, quando o leitor percebe, já chegou ao fim do álbum. E quer ler logo o outro.

O ritmo da narrativa repete a ação vista no primeiro álbum, lançado no Brasil em 2006.

O mérito da fulidez da leitura -e das reviravoltas- é de Robert Kirkman, o criador da série.

A cada nova seqüência de histórias, ele parece mais seguro do que faz e íntimo do mundo inumano que criou, mostrado em cores preto e cinza.

Um termômetro disso pode ser medido pela aceitação da série.

Ganhou um dos prêmios Eagle, na Inglaterra. E um HQMix, aqui no Brasil. 

"Os Mortos-Vivos" sinalizam um retorno da HQM a um dos carros-chefes da editora, criada há dois anos pelos mantenedores do "HQManiacs", site especializado em quadrinhos.

O termo "retorno" se justifica porque é o segundo lançamento estrangeiro da HQM neste ano. O primeiro foi "Violent Cases", de Neil Gaiman, publicado em fevereiro (resenha aqui).

Todas as demais publicações eram nacionais, filão que a editora passou a investir (aqui).

É louvável o investimento em trabalhos nacionais, política que deveria ser seguida também por outras editoras.

Mas a qualidade de uma série como Mortos-Vivos também merece vaga nas prateleiras, tão carentes de lançamentos de terror.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 16h10
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07.06.08

Especiais reeditam momentos marcantes de heróis da DC Comics

Três álbuns diferentes da Panini publicam momentos importantes de super-heróis da editora norte-americana DC Comics.

Coincidência ou não, todos foram lançados quase ao mesmo tempo.

Dois deles começaram a ser vendidos na sexta-feira.

Um sobre Super-Homem e outro com a Mulher-Maravilha.

A obra com histórias da super-heroína é encontrada em lojas especializadas em quadrinhos.

O álbum com o homem-de-aço, nas bancas.

Também nas bancas, mas no fim de maio, foi lançado um especial com a Legião dos Super-Heróis (196 págs., R$ 28,90).

O álbum reúne num único volume a "Saga das Trevas Eternas", escrita por Paul Levitz e desenhada por Keith Giffen.

A saga é tida como um dos principais momentos do supergrupo, que é formado por heróis do futuro.

A equipe tem de enfrentar Darkseid, um dos mais importantes vilões da DC.

A trama é de 1982. Foi lançada no Brasil poucos anos depois nas revistas "Super-Homem" e "Superpowers", da Abril.

Também saiu pela Abril a passagem de George Pérez pela revista da Mulher-Maravilha.

O escritor e desenhista fez uma das mais populares -senão a mais popular- seqüência de aventuras da heroína amazona.

O trabalho dele com a personagem começou em fevereiro de 1987.

O álbum de luxo que a Panini começou a vender na sexta-feira reúne as sete primeiras aventuras (196 págs., R$ 53).

A obra integra a coleção "Biblioteca DC".

É o segundo volume da série. O primeiro trazia os Novos Titãs (leia aqui).

As histórias de Pérez já tinham sido relançadas pela Panini em maio de 2005, no segundo número de "Grandes Clássicos DC".

A editora lançou nas bancas, também na sexta-feira, outra série especial: "Coleção DC 70 Anos" (196 págs., R$ 22,90).

O primeiro volume -de um total de seis- enfoca o Super-Homem, criado em 1938.

O álbum traz uma seleção de dez histórias de diferentes momentos do homem-de-aço, de 1939 a 2001.

Entre as mais recentes, há dois trabalhos de John Byrne.

Um deles é o primeiro número da minissérie "O Homem-de-Aço", de 1986.

Nela, o escritor e desenhista reescreveu a origem do herói.

Outra história é a polêmica "Olho por Olho", escrita por Joe Kelly em 2001 e muito lembrada pelos leitores do personagem.

O próximo volume da coleção comemorativa vai trazer uma coletânea do Lanterna Verde. A obra está programada para este mês.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h25
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06.06.08

Pixel lança nova revista mensal e prepara mais encadernados

Capa aberta do primeiro número de "Fábulas Pixel", título que começou a ser vendido nesta semana 

 

Dos formatos tateados pela Pixel do ano passado para cá, o que surtiu mais receptividade, de acordo com a editora, foi o da chamada revista mix, que reúne diferentes personagens.

"Pixel Magazine", publicada desde 2007, tem esse molde. Espelhada nela, a editora lança nesta semana um segundo título mensal, "Fábulas Pixel" (100 págs., R$ 10,90).

A revista já está à venda nas bancas e lojas especializadas em quadrinhos.

A proposta da publicação é reunir títulos ligados a fantasia e magia.

"Fábulas", série que empresta nome à revista, é o carro-chefe.

A obra faz uma versão adulta e modernizada dos contos de fadas.

As duas histórias de "Fábulas" deste número de estréia, ambas inéditas, mostram o surgimento de Chapeuzinho Vermelho e a candidatura do Príncipe Encantado ao cargo de prefeito dos seres fictícios.

A trama continua do ponto onde parou a Devir, que iniciou a publicação da série no Brasil. A Devir lançou três álbuns. O primeiro foi reeditado pela Pixel.

A revista traz ainda "Astro City", série escrita por Kurt Busiek, "Histórias do Amanhã", com texto de Alan Moore, e "Sandman Apresenta".

Os títulos pertencem das linhas Vertigo, Wildstorm e ABC, que publicam material voltado a um leitor adulto. Os três selos estão vinculados à editora norte-americana DC Comics, a mesma de Super-Homem e Batman.

A Pixel começou a publicar esse material com exclusividade no ano passado (mais aqui).

Desde então, tem testado o mercado com especiais, revistas e publicações encadernadas de obras inéditas ou já lançadas meses atrás.

Os primeiros encadernados com republicações começaram a ser vendidos no mês passado.

Houve reedição de especiais de "100 Balas" e de "Astro City".

Pelo menos dois outros estão em pauta.

Um com "Promethea" e outro com "Planetary", ambos já publicados na "Pixel Magazine".

A Pixel programa, também para este ano, um álbum nacional.

Na entrevista a seguir, feita por e-mail, o editor-chefe da Pixel, Cassius Medauar, dá mais detalhes sobre a nova publicação, fala sobre os encadernados e comenta a respeito de novos lançamentos. 

                                                               ***

 

Blog - A ”Fábulas Pixel” estava prevista para abril. O que levou ao adiamento?

Cassius Medauar - Foram diversos fatores. Os principais foram o atraso no envio de arquivos por parte da DC Comics e a discussão com a gráfica por um orçamento melhor.

 

Blog – “Fábulas”, como o título da revista indica, será o carro-chefe da publicação. Como será formado o restante do título. Haverá histórias de “Astro City” e “Sandman Apresenta” todos os meses? Algum outro título?

Medauar - Sim, teremos “Astro City” pelo menos quatro meses seguidos e “Sandman Apresenta” nos primeiros cinco meses, quando acaba a minissérie “Fúrias”. Depois dela, virá outra míni de “Sandman Apresenta” que estamos definindo. A revista ainda terá “Livros da Magia: Life During War Time” e “Promethea”, que entrarão mais pra frente. E aqui e ali teremos “Histórias do Amanhã”.

 

Blog - Muda algo em 'Pixel Magazine'?

Medauar – Sim. “Y - O Último Homem” entra na revista na edição 16. Na 15, deste mês, teremos mais uma história de “Freqüência Global”. E estamos estudando o que virá a seguir.

 

Blog - A Pixel tem demonstrado um canal muito forte de abertura com o leitor, principalmente por meio do blog da editora. Até que ponto o leitor realmente pauta os lançamentos?

Medauar - Olha, posso dizer que as enquetes que fazemos e as opiniões dadas lá nos ajudam bastante a escolher lançamentos e mudanças de direção. Como leitor, colecionador e fã, acho muito importante sabermos a opinião do nosso publico alvo pra saber que caminhos seguir. Lançar Monstro do Pântano colorido e lançar o especial Spawn Godslayer foram algumas coisas que fizemos depois de ver o que os leitores achavam.  

 

Blog - No ano passado, André Forastieri [um dos sócios da Pixel] dizia que as histórias então publicadas seriam relançadas num segundo momento na forma encadernada (link). Isso de fato começou a ocorrer neste ano. Já houve uma edição de “100 Balas” e outra de “Astro City” (capa ao lado). Qual o objetivo?  Venda nas livrarias?

Medauar - São vários objetivos. Ter mais encadernado para as livrarias, ter mais encadernados pros fãs que só gostam de encadernado, e é também um meio de otimizar nossas vendas, afinal, a venda em banca no Brasil diminui a cada ano.

 

Blog - O material que saiu na 'Pixel Magazine', caso de Planetary, por exemplo, também sairá em formato encadernado?

Medauar - Sim, mas aos poucos e vamos ver se dá certo. Começaremos com “Planetary” e “Promethea” e veremos qual a aceitação do público.  

 

Blog - A existência da “Pixel Fábulas” vai inibir um pouco a quantidade de especiais?

Medauar - Na verdade, não vai inibir. Isso é uma mudança de linha editorial, já que os especiais lançados no ano passado não tiveram um bom histórico de vendas.

 

Blog - A linha Vertigo, ABC e Wildstorm está com a Pixel já há mais de um ano. A editora testou vários formatos e públicos nesse período. Que saldo você faz? O que funcionou e o que não deu muito certo? 

Medauar - Ainda é cedo para termos um resultado. Como disse acima, os especiais não foram como a gente esperava, acabamos descobrindo que a revista mix é o que funciona no Brasil. E o mercado de encadernados é um mercado difícil. As livrarias ainda não tem uma cultura de quadrinhos e é complicado fazê-las pedir e expor direito o seu produto.

 

Blog - No ano passado, houve a saída do então editor-chefe Odair Braz Junior e a informação de que o diretor André Forastieri  sairia do dia-a-dia dos quadrinhos publicados pela Pixel. Muitos tiveram a sensação de que a editora passava por algum tipo de turbulência. Divido a pergunta em duas. Primeira: houve mesmo essa turbulência?

Medauar - Não foi bem uma turbulência, foi a hora de avaliar o que tinha sido feito até ali e que caminho tomar a seguir.

 

Blog - Segunda parte da pergunta: hoje, como anda a saúde da Pixel?

Medauar - Isso quem poderia responder é o departamento financeiro. Pelo que eu sei, vai indo tudo bem, na medida do possível nesse mercado complicado de quadrinhos.

 

Blog - Em maio, foi lançado um álbum com “Invisíveis”, obra muito esperada no Brasil (capa ao lado).

Que outras novidades a editora terá até o fim do ano?

Medauar - Por enquanto ainda não estamos revelando muita coisa porque estamos fazendo o planejamento do segundo semestres, mas com certeza teremos o “Sandman” e mais um álbum do “Constantine”.

 

Blog - E sobre outros títulos? Haverá mais Corto Maltese? Algum material nacional em pauta?

Medauar - Queremos lançar mais um álbum nacional este ano. Sobre Corto Maltese, o próximo deve sair apenas no começo do ano que vem.

 

                                                                *** 

 

Nota: o último álbum de Corto Maltese, "As Etiópicas", foi lançado no mês passado.

 

Neste mês, a editora programou outro trabalho europeu: "Emmanuelle", de Guido Crepax.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h00
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Fantasiado de Batman, homem faz bat-protesto em Joinville

Essa é uma daquelas que merece registro.

Um homem usou o uniforme do super-herói Batman para fazer um protesto na Câmara Municipal de Joinville, em Santa Catarina.

O bat-protesto foi ontem.

Os vereadores discutiam aumento salarial de 36% nos salários.

O Batman catarinense não teve o mesmo sucesso de sua contraparte quadrinística.

Os vereadores aprovaram o reajuste nos salários.

 

Crédito da bat-foto: Salmo Duarte, (agência RBS/AE), reproduzida do UOL Notícias.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h33
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05.06.08

Zarabatana vai lançar novo trabalho de Guy Delisle

"Crônicas Birmanesas", novo álbum do desenhista canadense Guy Delisle, vai ser lançado no Brasil pela Zarabatana, de Campinas.

A editora já havia publicado outro trabalho dele, "Pyongyang - Uma Viagem à Coréia do Norte", uma espécie de roteiro de viagem em quadrinhos sobre a experiência dele no país (leia mais aqui).

Este novo álbum segue a mesma linha biográfica.

O foco desta vez é Myanmar, também chamado de Birmânia.

O país no sul da Ásia, a exemplo da obra anterior dele, também vive sob regime ditatorial.

Segundo a editora, o desenhista esteve lá acompanhando a esposa, que trabalha para o grupo dos Médicos sem Fronteiras. 

O álbum mostra, em quadrinhos, a experiência vivida no país.

                                                         ***

A Zarabatana divulgou outro lançamento, programado para a virada do mês.

É "Cicca Dum-Dum - Desafiando Al Capone".

O álbum é escrito pelo argentino Carlos Trillo.

Os desenhos são do espanhol Jordi Bernet (capa ao lado).

É o segundo trabalho de Trillo a ser lançado pela editora neste ano.

Em março, lançou "Clara da Noite", com pequenas crônicas sobre a vida de uma prostituta.

Os desenhos também eram de Bernet (leia resenha aqui).

Nesta semana, a Zarabatana divulgou que pretende lançar no fim do ano outra obra feita por argentinos.

São as tiras de Macanudo, de Liniers, uma das mais populares do país (leia mais aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h26
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Livro faz raio-x do terror nos quadrinhos e em outras artes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Enciclopédia dos Monstros", assinada pelo jornalista Gonçalo Junior, começa a ser vendida nas livrarias neste fim de semana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A existência da "Enciclopédia dos Monstros", escrita pelo jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, já tinha sido antecipada por este blog em dezembro do ano passado.

 

A novidade é que a obra está pronta e começa a chegar às livrarias neste encerramento de semana (Ediouro, 304 págs., R$ 59,90).

 

O livro foi produzido nas cores preta e vermelha e mostra as várias formas do terror em diferentes gêneros artísticos, inclusive nos quadrinhos, área em que o autor tem vários livros publicados.

 

O mais conhecido é "Guerra dos Gibis", lançado pela Companhia das Letras.

 

Gonçalo Junior tem uma trajetória muito ligada aos quadrinhos de terror.

 

Iniciou a coleção ainda criança. Comprava revistas do gênero publicadas pela editora Bloch.

 

Depois, migrou para outras publicações, entre elas as da D-Arte.

 

A extinta editora lançava revistas hoje clássicas, como "Calafrio" e "Mestres do Terror".

 

"Tornei-me fanático", diz o jornalista baiano, que há alguns anos mora em São Paulo.

 

"Enquanto isso, descobria o cinema de horror e, principalmente, a literatura gótica dos séculos 18 e 19. Tanto que 99% das imagens do livro vieram de meu acervo particular."

 

Ele diz que, do convite à finalização, demorou um ano e meio para compor a obra.

 

Nesse período, houve alguns ajustes. Um deles foi o nome.

 

Deixou de ser "Livro dos Monstros" e incluiu a palavra "enciclopédia" no título.

 

Outra alteração foi no número de páginas. Caiu de 360 para 304.

 

Isso o obrigou a enxugar parte do conteúdo, inclusive na parte de quadrinhos.

 

Gonçalo Junior tem outra obra de terror em finalização. É um roteiro de quadrinhos.

 

O álbum, desenhado por Leônidas Grego, transforma cangaceiros em zumbis (leia aqui).

 

Ele tem também outras três obras prontas, de cunho biográfico, e uma terceira em revisão, sobre os quadrinhos eróticos publicados no Brasil durante o período militar (mais aqui).

 

Na entrevista a seguir, feita por e-mail, o jornalista fala um pouco mais sobre esses trabalhos -dois deles já têm editora definida- e detalha o conteúdo do novo livro.

 

Leia a entrevista na próxima postagem.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h00
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Livro faz raio-x do terror nos quadrinhos e em outras artes - 2

Blog - O livro aborda quais temas ou gêneros do terror?

Gonçalo Junior – O enfoque é mais cultural, o monstruoso no imaginário popular (que inclue as artes em geral). Trata dos monstros no cinema, nos quadrinhos, nas artes plásticas, na literatura, no rock, na TV etc. Por causa do gigantismo que rendeu, tive de tirar alguns tópicos menos relevantes, como os monsters trucks (aqueles carros com rodas gigantes), monstros nas tatuagens, serial killers, no cordel etc.

 

Blog - Na última vez em que conversamos (link), você mencionou que a obra teria por volta de 360 páginas e se chamaria "Livro dos Monstros". O site da editora mostra que a versão final ficou com 304 páginas e teve o nome alterado para "Enciclopédia dos Monstros". O que ocorreu?

Gonçalo – Adequação de mercado. Foi preciso deixar tudo muito enxuto para se fazer um livro que o máximo de pessoas pudessem adquiri-lo. Por exemplo: os dráculas do cinema: são dezenas, mas precisei selecionar meia dúzia. O mesmo vale para os quadrinhos. Dos 53 dráculas, deixei seis ou sete. Claro que, com isso, corro o risco de ser criticado por esquecido algum monstro, pois sempre aparece um pentelho para aproveitar e mostrar que ele sabe mais que tudo mundo. Faz parte da vida. Mas fiquei feliz com o resultado, não me violentei em nenhum momento por ter de cortar textos e imagens. Tudo foi feito com extrema gentileza por Pedro Almeida [editor da Ediouro], que sabe ver o lado comercial das coisas, mas é extremamente respeitoso com o autor. Um editor raro.

 

Blog - Na mesma entrevista, você dizia que o livro teria um terço do conteúdo relacionado a quadrinhos. Isso se manteve?

Gonçalo – Quadrinhos e cinema ocupam espaços mais ou menos do mesmo tamanho, o que dá mais da metade do livro. Cortei muita coisa de quadrinhos – pelos meus cálculos, ocupariam 600 páginas. De modo geral, porém, os textos introdutórios dão um panorama mais completo do que planejei inicialmente, o que torna a obra menos passível de críticas quanto à sua profundidade. Além disso, preservei a idéia inicial de oferecer ao leitor um passeio visual pelo mundo do horror. As crianças vão adorar nesse aspecto.

 

Blog - O que da área de quadrinhos você aborda na obra?

Gonçalo – Optei por duas partes: uma seleção dos mais importantes monstros de todas as editoras nacionais – La Selva, Outubro, Taika, Ebal, RGE, Vecchi, Grafipar, Press, D-Arte, Nova sampa etc) e outra com subgêneros: vampiros, dráculas, lobisomens, múmias, crianças-monstros, vilões-monstros, monstros japoneses, monstros infantis, monstros do pântano etc. O mesmo vale para cinema e TV.

 

Blog - Quanto do material abordado no livro é de quadrinho nacional e quanto é de publicações estrangeiras?

Gonçalo – Não me preocupei com isso. Tentei abraçar ao máximo tudo que foi publicado, com ênfase em descobrir criaturas esquecidas e sem deixar de fora as mais populares. No ítem "Monstros do Pântano", por exemplo, encontrei quase 20, desde 1950. Mas a parte nacional está mais completa, creio, porque o Brasil tem uma tradição de terror só comparável aos Estados Unidos. Em número de títulos, acho que somos o número um do mundo em todos os tempos.

 

Blog - O Brasil tem esse histórico de publicações de terror em quadrinhos. Da década de 1980 para a seguinte, sumiram. Você conseguiu mapear o motivo disso?

Gonçalo – Boa pergunta. Resposta complexa. A última editora atuante de terror foi a D-Arte, que encerrou suas atividades em 1993. De lá para cá, revoluções aconteceram no mercado com as graphic novels e os mangás, principalmente. O Brasil se profissionalizou também, os artistas foram para os quadrinhos mais autorais, undergrounds no sentido da crítica social e de comportamento, ou partiram para produzir super-heróis. E o terror, que já dava sinais de saturamento, desapareceu. Acho que os editores não apostam mais em sua viabilidade. Há um vácuo de uma geração aí e a molecada não cresceu lendo esse gênero, o que reflete a falta de interesse. O terror está sendo renovado no cinema com a tecnologia digital e isso ainda não refletiu nos quadrinhos. Embora o Brasil tenha tradição, cá entre nós, produzimos muito lixo, muito plágio descarado dos quadrinhos da EC Comics nos anos de 1950 e 1960 (a renovação só veio com Spektro, criada em 1977). Esse é um aspecto que precisa ser desmistificado. No dia em que um acadêmico parar para ler e estudar essas histórias, ficará com vergonha, com raríssimas exceções. Na verdade, nós idolatramos nossos artistas pelo desbravamento e coragem e não pelo conteúdo em si do que fizeram. Só sairemos do atraso no dia em que isso for revisto.

 

Blog - E suas outras obras? A biografia de Álvaro de Moya [pesquisador de quadrinhos], o livro sobre as editoras de revistas eróticas da década de 1970. A quantas andam?

Gonçalo – As biografias de Moya e Rodolfo Zalla [um dos mais antigos desenhistas com atuação no Brasil]– que fiz em 2005 e 2003, respectivamente - sairão até o fim do ano por uma editora de São Paulo que respeito muito pela ética e boa conduta no mercado, pela relação que tem com os autores. Sairão com os nomes deles como autores. Apenas colhi suas maravilhosas histórias e botei no papel. A Guerra dos Gibis 2 (sobre revistas eróticas) está concluída, mas preciso dar umas mexidas – e sem qualquer pressa para publicação, se isso acontecer um dia. Tem ainda uma microbiografia de Colin que deve sair pela Marca de Fantasia e um livro sobre a revista O Grilo, ainda sem editor (e não vou correr atrás de nenhum). Essas são as minhas saideiras do mundo da pesquisa dos quadrinhos. São coisas que estão na gaveta faz tempo. Depois, vou sair completamente desse meio. Quero me dedicar a pesquisas em outras áreas (aliás, o que já estou fazendo).

 

                                                                   ***

 

Nota: o blog apurou qual é a editora paulista que vai publicar as obras sobre Álvaro de Moya e Rodolfo Zalla.

 

Não é mais a Opera Graphica, editora que iria inicialmente lançar as obras.

 

A fonte confirmou a publicação dos dois livros, mas pediu sigilo sobre o nome da editora.

 

Leia mais sobre os livros aqui e aqui.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h50
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04.06.08

Mesa redonda vai debater quadrinho pernambucano

Um debate, nesta quinta-feira, vai discutir quem são os novos quadrinistas de Pernambuco.

Participam da mesa redonda Carol Almeida, jornalista do "Jornal do Commercio", e os quadrinistas Vitor Batista Filgueira e Laerte Silvino.

O debate -"Quadrinhos em Pernambuco: Quem São os Novos Autores e Como Se Organizam?"- integra um ciclo de debates para comemorar um ano de criação de "O Grito!".

A revista virtual é especializada em jornalismo cultural, inclusive quadrinhos (link).

A sede da revista é em Recife, daí a produção cultural de lá pautar os debates.

Na sexta-feira, a discussão será sobre a literatura de Pernambuco.

Serviço - Debate sobre novos autores do quadrinho pernambucano. Quando: quinta-feira, 05.06. Horário: 19h. Onde: Livraria Saraiva do Shopping Recife. Endereço: rua Padre Carapuceiro, 777, em Recife. Quanto: de graça.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h37
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Tiras do argentino Liniers serão publicadas no Brasil

As tiras do argentino Liniers, uma das principais da Argentina, vão ser lançadas no Brasil pela Zarabatana, editora que tem se especializado em publicações alternativas.

A informação foi noticiada nesta quarta-feira no site especializado em quadrinhos "Universo HQ" e foi confirmada ao blog por Cláudio Martini, editor da Zarabatana.

Segundo Martini, o primeiro álbum está programado para o fim do ano.

A obra trará as tiras de Macanudo, que são veiculadas diariamente no jornal "La Nacion", de Buenos Aires. A tira abaixo é a da edição desta quarta-feira:

 

 

"Macanudo" é, hoje, um dos trabalhos mais populares da Argentina.

Liniers já lançou seis coletâneas de tiras, cinco delas de "Macanudo".

A primeira saiu em 2004. Dois anos depois, já estava na quinta edição.

A última coletânea foi publicada no segundo semestre do ano passado.

Outra obra dele disponível é "Bonjour", nome dado às primeiras tiras que publicou na imprensa argentina (capa abaixo).

As histórias foram publicadas no jornal "Página/12", também de Buenos Aires, entre setembro de 1999 e junho de 2002.

Depois, o desenhista se mudou para o "La Nacion", onde criou "Macanudo".

 

 

"Bonjour" já trazia os primeiros indícios do estilo peculiar de Liniers, hoje com 35 anos.

São tiras com temas inusitados, diferentes uns dos outros, e com personagens ora fixos, ora inéditos.

Em geral, as piadas envolvem os seres singulares de seu universo fictício: homens de chapéus (um deles estampa a capa de "Bonjour"), pingüins, gatos, peixes de aquário.

O resultado é uma das tiras mais inovadores deste século.

                                                        ***

Há pelo menos duas formas de ler o material de Liniers na internet.

Uma é por meio do blog dele (link).

Outra é na versão on-line do "La Nacion", cujo conteúdo pode ser lido diariamente sem restrições, como ocorre nos jornais brasileiros. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h07
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Mais uma tira que merece registro

Já não é a primeira vez que este blog destaca a forma como o desenhista Rafael Sica brinca com a linguagem dos quadrinhos nas tiras que faz.

Há outro exemplo recente:

 

 

A novidade é o uso de uma cabeça como contorno dos quadrinhos da tira.

O humor surge da virada paulatina do rosto, de um lado para o outro.

O recurso de ter uma cabeça no molde do quadrinho não é novo em si.

Mas na tira cômica é.

A tira é um dos gêneros mais difíceis de apresentar inovações, por ter um formato limitado e obrigatoriamente curto. Por isso, é algo a ser registrado.

Crédito: a tira foi reproduzido do blog "Quadrinho Ordinário", mantido por Sica (link).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h11
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03.06.08

Panini programa mais 7 álbuns da coleção Biblioteca Histórica Marvel

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do álbum com as primeiras histórias do Incrível Hulk, obra prevista para este mês

 

 

 

 

 

 

 

 

A editora Panini pretende lançar até o fim do ano mais sete volumes da coleção Biblioteca Histórica Marvel.

A série republica, em formato de luxo, as primeiras histórias dos super-heróis da editora norte-americana Marvel Comics. O material é da primeira metade da década de 1960.

Para agosto, a Panini pretende lançar os segundos volumes com histórias clássicas do Homem-Aranha e dos X-Men.

Os primeiros volumes foram publicados no segundo semestre de 2007.

Na seqüência, programou edições com Os Vingadores e o Quarteto Fantástico, grupos que também tiveram edições lançadas no ano passado.

Outro personagem que vai integrar a coleção, segundo a editora, é o Surfista Prateado.

O herói, criado por Stan Lee e Jack Kirby, já teve histórias clássicas lançadas no Brasil pela editora Mythos. A Mythos é quem cuida da edição das obras da Panini.

                                                        ***

Os próximos volumes a serem lançados já tinham sido noticiados pelo blog.

Um é com as aventuras iniciais do Homem-de-Ferro (leia aqui).

Esse álbum tinha sido anunciado para o mês passado, quando estreou o longa-metragem com o herói. Segundo a editora, a obra começa a ser vendida neste início de mês.

Também neste mês de junho está programado o volume com as primeiras aventuras de O Incrível Hulk, outro personagem que terá um longa- metragem (veja acima da obra).

                                                        ***

A linha Biblioteca Histórica Marvel é uma das apostas da multinacional Panini para atingir as livrarias, um dos focos de venda da coleção. Nas bancas, a editora já domina o mercado.

São edições de luxo, feitas em capa dura e papel especial, voltadas a um leitor adulto e de maior poder aquisitivo (cada volume custa em média R$ 50).

A coleção começou a ser publicada no ano passado, no início de julho.

O número de estréia trazia as primeiras histórias do Quarteto Fantástico (aqui).

Nos meses seguintes, foram lançados volumes com aventuras clássicas de Os Vingadores, do Homem-Aranha e dos X-Men (leia mais aqui, aqui e aqui).

Neste ano, a Panini já lançou dois álbuns da coleção.

Um com o Capitão América e outro com o Poderoso Thor (leia aqui e aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h18
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Não pode falar bobagem, diz Marta Suplicy a Mônica

Cena curiosa reportada pelo jornalista Eduardo Cucolo, da Folha Online, na cerimônia de posse da personagem Mônica como embaixadora do turismo brasileiro.

O evento foi realizado nesta terça-feira, em Brasília.

Segundo noticia o jornalista, a ministra do Turismo, Marta Suplicy, deu um "conselho" à personagem de Mauricio de Sousa, representada na figura de uma atriz:

"É muita responsabilidade, gente, você ser embaixadora, porque você leva o nome do nosso país para fora e você representa o Brasil em diferentes lugares", disse a ministra. 

"Não pode falar bobagem, Mônica. Não pode falar bobagem. Mas a gente sabe que a Mônica não fala bobagem. A Mônica fala coisas de ensinamento."

Marta acrescentou que a personagem é a nossa "Minnie Mouse, nosso Mickey Mouse", dada a popularidade que tem.

As palavras foram ditas a uma platéia de cerca de 80 crianças.

A proposta do governo federal é utilizar Mônica e outros personagens infantis de Mauricio de Sousa em campanhas oficiais da área de turismo, tanto dentro quanto fora do país.

Em tempo: a cerimônia com Mônica, em Brasília, pode ser uma das últimas de Marta Suplicy no cargo. Ela deve deixar o ministério para disputar a prefeitura paulistana pelo PT.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h48
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Definida programação do Ilustra Brasil! 5

Os organizadores do Ilustra Brasil! definiram a programação da quinta edição do evento, o principal da área de ilustração no país.

No campo dos quadrinhos, o principal destaque é uma mesa redonda sobre os "prós e contras da adaptações literárias para os quadrinhos".

Participam os quadrinistas Spacca, Eloar Guazzelli, Marcatti, Gabriel Bá e Fábio Moon.

Todos têm produções ligadas ao gênero, algumas ainda em processo de produção.

A mesa redonda ocorre no dia 25 de junho. Mas a abertura acontece antes, no dia 16.

Nessa data, é inaugurada a edição deste ano e também uma exposição, com trabalhos de 96 ilustradores. A mostra pode ser visitada até 13 de julho, data de encerramento do evento.

Esta quinta edição do Ilustra Brasil! terá também outros debates e oficinas com ilustradores, quadrinistas e profissionais ligados à área de animação.

Entre os participantes, estão o desenhista Caco Galhardo (autor da tira "Pescoçudos"), o chargista Cau Gomez (premiado aqui e no exterior) e o jornalista e ator Marcelo Tas.

O Ilustra Brasil! é organizado pela SIB (Sociedade dos Ilustradores do Brasil) e pelo Senac, onde ocorre esta quinta edição.

Os responsáveis pelo evento criaram um site do Ilustra Brasil! 5.

Lá, há mais detalhes sobre a programação. Para acessar, clique aqui.

Serviço - Ilustra Brasil! 5. Quando: de 16 de junho a 13 de julho. Onde: Senac Lapa-Scipião. Endereço: rua Scipião, 67, em São Paulo. Quanto: gratuito. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h41
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02.06.08

Fim de Death Note mantém clima de final inesperado

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do último número da série, que começa a ser vendido nas bancas nesta semana

 

 

 

 

 

 

 

 

Já temos no Brasil alguns anos de convivência com os mangás, nome como ficou conhecido o quadrinho japonês. 

Esse tempo de leitura ajudou a constatar que há no gênero, em particular no adulto, uma tendência à imprevisibilidade narrativa.

Os personagens -até então ilustres desconhecidos- cativam, como deve ocorrer. Mas não se sabe que fim eles terão.

No quadrinho de super-heróis, para ficar em um caso, o Super-Homem vai vencer o supervilão no fim da história. Você, leitor, sabe que isso vai acontecer. O que interessa é saber como.

No mangá, não. Há outro pacto narrativo entre autor e leitor.

Se a pessoa conseguir escapar das versões animadas e das informações que proliferam aqui e ali na internet, consegue realmente se surpreender com o desfecho da trama.

É essa sensação que teve quem acompanhou a série "Death Note", de Tsugumi Ohba e Takeshi Obata. Há um clima real de querer saber como vai terminar a história. 

O décimo segundo e último número da série começa a ser vendido nas bancas nesta semana (JBC, R$ 10,90).

O que ajuda a aumentar a dose de imprevisibilidade é a forma como a história foi narrada.

A começar do protagonista, um jovem ambíguo, que é mais anti-herói do que herói propriamente dito.

Light Yagami -o personagem central- recebe um caderno de um ser chamado Shinigami.

Qualquer pessoa que tiver o nome escrito ali morre posteriormente.

Com o caderno, Light parte para uma cruzada para eliminar pessoas más e tornar o mundo um lugar utopicamente mais seguro.

Ele adota o título de Kira e passa a ser temido mundialmente.

Com o tempo, passa a integrar e liderar um grupo da polícia japonesa, especializado na captura de Kira. A função ajuda a despistar sua atuação mortal.

Os anos passam e ninguém o detém. O mais perto disso é um jovem chamado Near. Super-dotado, trava jogos de lógica com Kira. Este despista. Near desvenda.

Este último número do mangá traz o clímax dessa disputa pautada na estratégia.

Ambos marcam um encontro definitivo, cara a cara, para dar um fim a Kira. 

Near defende que Light Yagami é o assassino serial. Yagami nega.

Aos olhos do leitor, a situação é tão imprevisível que não se sabe, de antemão, se o desfecho vai valorizar os planos do protagonista ou se vai prevalecer o princípio da justiça.

É uma sensação que se tinha muito na fase pré-internet, seja no cinema, na literatura, nos seriados de televisão, nos quadrinhos.

Quem acompanhou os 12 números de "Death Note" e driblou o que as animações e o mundo virtual antecipam sabe exatamente a qual sensação me refiro.

Essa parece ser uma das grandes qualidades dos mangás.  

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h55
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Uma tira que merece registro

Boa a tira de hoje de Caco Galhardo, publicada na "Folha de S.Paulo":

Fonte: edição on-line da "Folha de S.Paulo"

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h57
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01.06.08

Novo trabalho da autora de Persépolis mostra calvário familiar

 

 

 

 

 

 

 

 

"Frango com Ameixas" relata história real do tio-avô da autora, músico que decide deixar de viver

 

 

 

 

 

 

 

Não é exato dizer que "Frango com Ameixas" seja uma biografia.

A apuração biográfica exige precisão na exposição dos detalhes retratados.

Não há essa exatidão no novo trabalho da iraniana Marjane Satrapi, obra que começou a ser vendida nas livrarias na segunda metade de maio (Cia. das Letras, 88 págs., R$ 32).

Percebe-se isso pela forma como a autora de "Persépolis" (informação que um adesivo na capa faz questão de evidenciar) mostra o calvário real vivido por um tio-avó, o músico Nasser Ali Khan, em 1958.

Nasser Ali decide deixar de viver. Tranca-se no quarto e lá fica até morrer, oito dias depois.

Nesse período, não come nada. Nem mesmo seu prato preferido, frango com ameixas, feito pela esposa, Nahid (cardápio que dá nome à obra).

Aceita conversar com os irmãos e com os filhos. Mas ninguém o demove da idéia suicida.

Marjane Satrapi -que faz uma "ponta" na história- mostra no livro os momentos finais do tio-avó. Cada dia é mostrado num capítulo.

Aos poucos, descobre-se que o desgosto pela vida se dá após a esposa ter quebrado seu tar, instrumento musical semelhante a um violão e que era tocado diariamente por Ali.

Mas a inutilização do tar, na verdade, esconde outras mágoas, mais profundas, relevadas somente no fim de seu calvário pessoal.

A autora se baseia no relato familiar e dá a ele um toque biográfico. Mas romanceado.

Como Satrapi poderia saber, por exemplo, o que pensava o tio-avô, sozinho num quarto, como ela mostra na obra? Simples: não saberia.

Mas o tom romanceado e, por isso, ficcional, não tira o tempero da história.

O lado literário ajuda a dar sabor à leitura do singular drama real.

E a receita final deste "Frango com Ameixas" tem tudo para satisfazer o paladar apurado dos fregueses. Em especial do seleto grupo que ainda acha que quadrinhos só são vendidos em restaurantes infantis.  

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h48
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Estréia de Hulk contra o Mundo contextualiza minissérie

 

 

 

 

 

 

 

 

História em seis partes mostra volta do anti-herói à Terra, após ter sido expulso do planeta

 

 

 

 

 

 

 

 

O primeiro número de "Hulk contra o Mundo", que começou a ser vendido nos últimos dias (Panini, 52 págs., R$ 5,90), contextualiza o leitor sobre os eventos que levaram à minissérie.

A história de estréia é de uma edição especial, lançada nos Estados Unidos em julho de 2007, exatamente para servir de prólogo para a série, que será no Brasil em seis partes mensais.

Este número inicial, escrito por Peter David, relembra o leitor de acontecimentos mostrados meses atrás na revista "Universo Marvel", título que traz as histórias do Incrível Hulk.

O principal acontecimento a ser relembrado é a ida do anti-herói verde ao espaço.

Ele foi expulso do planeta Terra por um grupo secreto de super-heróis batizado de Illuminati.

Entre os integrantes do grupo, destacam-se Homem-de-Ferro, Raio Negro, Doutor Estranho e Senhor Fantástico, líder do Quarteto Fantástico.

O Illuminati se auto-arrogou a tarefa de antecipar e resolver em sigilo problemas de grande porte que possam pôr o planeta em risco.

No entender deles, o Hulk era um desses problemas.

Por isso, foi enviado contra a vontade para o espaço (cena mostrada na edição 23 de "Universo Marvel", de maio de 2007).

Desde então, as histórias do personagem se passam num planeta chamado Sakaar.

Lá, Hulk encontrou nova vida. Até que a nave que o enviou ao planeta explodisse e matasse todos à sua volta, inclusive a mulher por quem se apaixonou.

Hulk volta sua raiva aos integrantes do Illuminati. O mundo que dá título à minissérie, na verdade, resume-se às pessoas que o enviaram ao espaço.

A minissérie vai mostrar, nos próximos números, a volta do personagem à Terra -trajando armadura e de espada em punho- e o acerto de contas com os heróis que o baniram daqui.

A aventura chega às bancas numa hora comercialmente estratégica.

Às vésperas da estréia do segundo filme do Hulk, publicações com o personagem ganham uma publicidade extra.

A Panini, que edita o anti-herói no Brasil, programou dois especiais com histórias antigas do Incrível Hulk.

Uma das edições vai integrar a coleção Biblioteca Histórica Marvel e trará as primeiras aventuras do personagem, publicadas na primeira metade da década de 1960.

Atualmente, Hulk não tem revista própria no Brasil. Mas é uma exceção. 

Por anos, ele teve título próprio, publicado por mais de uma editora. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h03
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