30.10.08

Álbuns relançam mais histórias antigas de Homem-Aranha e X-Men

 

 

 

 

 

 

 

 

Obras fazem parte da coleção Biblioteca Histórica Marvel, que relança as primeiras histórias dos heróis da editora norte-americana 

 

 

 

 

 

 

 

Dois novos álbuns de luxo da coleção Biblioteca Histórica Marvel relançam no Brasil histórias de Homem-Aranha e X-Men.

As aventuras são do meio da década de 1960. Foram publicadas nos Estados Unidos pouco depois da criação dos personagens.

As histórias continuam do ponto onde pararam os dois álbuns anteriores, lançados no segundo semestre do ano passado.

As obras são da editora Panini. Ambas começaram a ser vendidas neste mês. Tinham sido divulgadas pela editora para o mês passado.

                                                              ***

O volume dois de "Biblioteca Histórica Marvel - Homem-Aranha" (296 págs., R$ 65) relança dez histórias feitas pelos criadores do super-herói, Stan Lee e Steve Ditko.

Todas as aventuras são de 1964. A maior parte é da revista "The Amazing Spider-Man", nome do título do personagem. Foram reunidos os números de 11 a 19.

O álbum traz também uma história publicada na primeira edição anual da revista, uma espécie de décimo terceiro número, publicado uma vez por ano nos Estados Unidos. 

                                                              ***

Os heróis mutantes vistos no cinema ou lidos hoje nos quadrinhos são bem diferentes dos apresentados no segundo volume de "Biblioteca Histórica Marvel - X-Men" (240 págs., R$ 65). Há bem menos tramas introspectivas e mais ação.

Parte das histórias, publicadas pela primeira vez entre 1965 e 1966 na revista "The X-Men", também foi escrita por Stan Lee. A outra parte ficou a cargo de Roy Thomas.

Embora a capa anuncie com destaque os desenhos de Jack Kirby, o famoso artista da Marvel Comics faz a arte das primeiras histórias.

As outras têm apenas esboços dele. Ou nem isso. Os demais desenhos foram feitos por Alex Toth, Werner Roth e Jay Gavin.

                                                             ***

A coleção Biblioteca Histórica Marvel foi uma aposta da editora Panini em obras de luxo, com capa dura, voltadas a leitores com maior poder aquisitivo.

O conteúdo traria as primeiras histórias dos heróis da editora Marvel Comics. Os pontos de venda seriam divididos entre as lojas especializadas em quadrinhos e as livrarias.

A boa repercussão garantiu a continuidade da série, lançada no meio de 2007.

Após o volume de estréia, do Quarteto Fantástico, vieram outros, com Vingadores, Homem-Aranha e X-Men.

                                                             ***

Neste ano, outros heróis foram incorporados ao catálogo: Thor, Homem de Ferro, Capitão América e O Incrível Hulk.

A editora havia programado lançar até o fim do ano mais três álbuns da coleção.

Os segundos volumes de Vingadores e Quarteto Fantástico e outro com as primeiras histórias do Surfista Prateado (leia mais aqui).

                                                              ***

Nota: participo entre hoje e sábado de um congresso internacional de Lingüística, em Fortaleza. Fico sem postar nesse período. Volto ao ritmo normal no domingo. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 01h07
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29.10.08

Governo de São Paulo começa seleção de projetos de quadrinhos

O governo do Estado de São Paulo abre nesta quinta-feira, às 15h, os envelopes de quem se inscreveu no concurso de apoio à produção de histórias em quadrinhos.

A informação foi divulgada na edição de ontem do Diário Oficial do Estado.

O edital prevê financiamento de dez trabalhos em quadrinhos. A Secretaria de Cultura prevê verba de R$ 250 mil, R$ 25 mil cada uma.

Os interessados tinham de morar no estado há mais de dois anos.

                                                              ***

As obras têm de ser inéditas, segundo o edital.

Em contrapartida, os desenhistas têm de fazer worshops a preços populares e repassar 200 exemplares ao governo. 

A área de quadrinhos nunca tinha sido contemplada em projetos paulistas de fomento cultural. O projeto tem interessado muitos autores independentes.

A abertura dos envelopes será na sala 304 da sede da Secretaria de Cultura, na capital paulistana (rua Mauá, 51, Bairro da Luz).

                                                              ***

Nota: agradeço ao leitor Celso Menezes pela dica desta notícia.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h55
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Nova edição de Grande Clã aumenta número de colaboradores

 

A proposta inicial da revista independente "Grande Clã" era reunir trabalhos de diferentes quadrinistas de Goiânia.

Meta cumprida, 16 autores reunidos, revista lançada.

Este segundo número, que tem lançamento em São Paulo no próximo sábado, traz novos trabalhos de quem participou da edição de estréia.

Mas divide a criatividade goiana com outros desenhistas, de diferentes partes do país.

Segundo os responsáveis pela publicação, as 76 páginas deste novo número traz 22 quadrinistas, seis a mais do que a anterior.

O editor da revista, Guilherme Gardini, diz que o contato com outros autores foi possível com a repercussão do primeiro número. Ele programa um segundo lançamento em Goiânia, ainda sem data definida.

Serviço - Lançamento do segundo número de "Grande Clã". Quando: sábado (1º.11). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 5.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h32
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Trajetória desta temporada da Fórmula 1 é narrada em quadrinhos

 

Idéia interessante, que merece registro.

A "Folha de S.Paulo" desta quinta-feira circulou um caderno especial sobre o próximo Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1, que será realizado no domingo, em São Paulo.

Parte do suplemento foi feito em quadrinhos. Eles aparecem em uma tira na parte de cima de oito das 16 páginas do caderno, mostrando os principais momentos desta temporada.

Os destaques são o inglês Lewis Hamilton e o brasileiro Felipe Massa, os únicos com chances de vencer o campeonato de 2008.

São os dois pilotos no desenho de capa do caderno, reproduzido ao lado. 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
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27.10.08

Encontro vai debater produções acadêmicas sobre quadrinhos

 

 

Um encontro que será realizado no fim da semana em Guarulhos, na grande São Paulo, vai pôr em pauta produções acadêmicas sobre quadrinhos produzidas no último ano.

O 3º Seminário de Pesquisa em História em Quadrinhos será realizado na sexta-feira e no sábado no Unifig, Centro Universitário Metropolitano de São Paulo.

É a primeira vez que o encontro tem dois dias de discussão.

O evento terá exposições de pesquisadores que já estudam a área e de autores de trabalhos de conclusão de curso e de mestrado.

Entre os assuntos em pauta, há temas atuais, como o papel dos quadrinhos na internet e a literatura em quadrinhos, redescoberta no Brasil nos últimos anos. Veja a programação:

Sexta-feira, 31 de outubro

  • 19h30 - A importância dos quadrinhos para os cursos universitários e o de Artes: o caso Unifig; expositores: Gazy Andraus, Denis Basílio de Oliveira e Martins Nunes (todos da Unifig)
  • 20h10 - O Observatório de HQ USP e a pesquisa de história em quadrinhos; expositores: Roberto Elísio dos Santos (USCS) e Waldomiro Vergueiro (USP)
  • 20h40 - Os quadrinhos japoneses e seu espaço no Brasil; expositora: Leila Rangel da Silva (graduação da Unesp)
  • 21h30 - Grupo de trabalho Geohistória Em Quadrinhos; expositor: Leonardo Pregnolato (graduação da Unifig); na seqüência, o trabalho Ideologia em Quadrinhos: Maus - uma não-ideologia?; expositor: Ana Carolina Macedo (graduação da Unifig)

Sábado, 1º de novembro

  • 08h30 – HQ e fanzines nos cursos universitários de graduação e pós-graduação em educação. O caso da Umesp; expositor: Elydio dos Santos Neto (Umesp) e Marta Regina Paulo da Silva (Umesp, doutoranda em educação pela Unicamp)
  • 09h30 - Da prosa para os quadrinhos: O preço, de Neil Gaiman (TCC) e A metamorfose da linguagem: Análise de Kafka em Quadrinhos (mestrado pela UFPR); expositor: Lielson Zeni
  • 10h15 -Debate com o público
  • 11h00 – Historia em quadrinhos: impresso vs. Web; expositor: Anselmo Gimenez Mendo (NEXZ Design)
  • 11h30 – HQtrônicas: perspectivas das histórias em quadrinhos hipermidiáticas; expositor: Edgar Franco (UFG)
  • 12h00 - Debate com o público

O 3º Seminário de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos é promovido pelo Observatório das Histórias em Quadrinhos da Universidade de São Paulo.

Parte dos expositores e dos mediadores dos debates pertence ao grupo da USP.

A proposta é que o encontro seja realizado a cada ano em uma universidade diferente.

O primeiro, em 2006, foi realizado no atual USCS, em São Caetano do Sul, no ABC paulista.

O segundo, no ano seguinte, ocorreu na Universidade Metodista de São Paulo, em São Bernardo do Campo, também na região do ABC.

                                                              ***

Serviço - 3º Seminário de Pesquisa em Histórias em Quadrinhos. Quando: 6ª (31.10) e sábado (01º.11). Horário: 6ª a partir das 19h30; sábado, às 8h30. Onde: Unifig, Centro Universitário Metropolitano de São Paulo, em Guarulhos. Endereço: rua Dr. Solon Fernandes, 155, Vila Rosália, Guarulhos. Quanto: de graça.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h59
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Lourenço Mutarelli faz volta relâmpago aos quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

Escritor desenhou uma página da jam session de quadrinhos, que terminou neste fim de semana em São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

Foi só por uma hora. Mas o pouco tempo não desmerece o registro de que o agora escritor e ator Lourenço Mutarelli voltou a produzir quadrinhos.

Ele fez uma página da jam session de quadrinhos promovida pela HQMix Livraria, de São Paulo, em comemoração ao primeiro ano de funcionamento.

A história coletiva foi produzida durante toda a semana passada.

A parte de Mutarelli foi produzida no sábado à noite. Ele começou a desenhar pouco depois das 22h.

                                                             

 

Bebida de um lado, pincel na mão, folha à frente, um rol de curiosos em volta.

Ele deixa claro que não se trata de uma volta definitiva. Foi apenas um favor.

"É que eu não consigo dizer não para o Gual".

O "Gual" é o também cartunista Gualberto Costa, um dos donos da HQMix Livraria.

 

 

Mutarelli ensaia um outro projeto de volta aos quadrinhos. Ele pode produzir em quadrinhos parte de seu novo romance. 

A história é ambientada em Nova York e tem como protagonista um quadrinista. Mas não é nada cem por cento ainda, ressalva.

Certo é que ele se firma como escritor. O último livro dele, "A Arte de Produzir Efeito sem Causa", lançado pela Companhia das Letras, tem conquistado boas críticas.

Assim como "O Cheiro do Ralo", que também repercutiu por conta da adaptação para o cinema, protagonizada por Selton Mello.

 

 

Lourenço Mutarelli deixou de lado os quadrinhos para investir em outras formas de arte. A literatura é o carro-chefe.

Até então, ele era bastante reconhecido por seus trabalhos em quadrinhos.

A principal e mais premiada delas é a trilogia em quatro partes do detetive Diomedes, lançada pela Devir, sua antiga editora. Também deve ser levada para a tela grande.

Seu último álbum em quadrinhos também foi pela Devir: "Caixa de Areia (ou Eu Era Dois em Meu Quintal)", lançado em 2006.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h27
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26.10.08

Semana tem eventos de quadrinhos em Florianópolis e Rio de Janeiro

Esta semana terá dois encontros de quadrinhos, um em Florianópolis e outro no Rio de Janeiro.

O fluminense já está na terceira edição. É a Semana de Quadrinhos organizada por alunos da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro). Vai ser realizada no Sesc Madureira.

Esta terceira semana será pautada por oficinas e debates, um por dia, a partir de terça-feira.

                                                             ***

As oficinas serão das 18h às 19h30, cada uma com um tema: roteiro, tiras, roteiro e arte-final e mangás.

Os debates têm início às 20h. Os temas vão abordar:

  • 28.10 - A importância dos quadrinhos como arte
  • 29.10 - Mídia digital na arte seqüencial
  • 30.10 - Quadrinhos e humor político
  • 31.10 - Publicação de quadrinhos no Brasil

Em todos os dias, vai haver também exposição com trabalhos de alunos de Belas Artes da UFRJ.

                                                             

 

Ao contrário do encontro do Rio, o de Florianópolis será realizado pela primeira vez.

A proposta é usar o evento para futuramente pôr a cidade na rota dos quadrinhos.

"Algo que sempre me incomodou aqui em Florianópolis foi a passividade das pessoas e a falta de atividades culturais, digo em todos os níveis", diz José Augusto Mathias, coordenador do encontro.

"Como um consumidor e apaixonado pelas hqs, resolvi juntamente com alguns amigos -sendo que um dos envolvidos é o Mário Luis Barroso, ex-editor Abril e atual tradutor da Panini- levar adiante a idéia de se criar um evento específico de histórias em quadrinhos e seus derivados aqui em Florianópolis."

                                                             ***

Barroso é um dos convidados. Ele faz a mediação do primeiro debate e participa do segundo.

Um dos destaques do encontro é a comemoração dos 70 anos do Super-Homem:

  • 30.10, às 19h30 - O mercado editorial de quadrinhos, com os desenhistas Samuel Casal, Galvão, Fernada Chiella e o responsável pela editora Vardi, Daniel Vardi
  • 31.10, às 19h30 - Os 70 anos do Super-Homem, com os desenhistas Ivan Reis e Joe Prado, Daniel Vardi e pelos professores de literatura Daniel Soares e Rafael Soares
  • 01º.11, a partir das 15h - Análise de portfólios e sessão de autógrafos com Ivan Reis e Joe Prado

A exposição sobre Super-Homem pode ser vista até o dia 2 de novembro.

                                                               ***

Este primeiro Florianópolis em Quadrinhos será realizado no shopping Iguatemi Florinópolis a partir de quinta-feira.

A opção pelo shopping foi pela escassez de espaços culturais na cidade e pelo privilégio dado a um grupo de produtores culturais.

"As únicas pessoas que sentaram para conversar sobre o projeto foi justamente o grupo Iguatemi."

"Para o shopping existe realmente a questão comercial, pois ele ainda é relativamente novo e necessita ter gente circulando, mas o Iguatemi realmente entrou com institucional, não se intrometendo em nenhum momento na criação do evento."

                                                               ***

Serviço 1 - 3ª Semana de Quadrinhos da UFRJ. Quando: de 28 a 31 de outubro. Horário: oficinas às 18h, debates às 20h. Onde: Sesc Madureira. Endereço: Rua Ewbanck da Câmara, 90, Rio de Janeiro. Quanto: de graça. Mais informações sobre a programação neste link.

Serviço 2 - Florianópolis em Quadrinhos. Quando: de 30 de outubro a 2 de novembro. Horário: 19h30 nos dias 30 e 31; a partir das 15h no último dia. Onde: Shopping Iguatemi Florianópolis. Endereço: Avenida Madre Benvenuta, 687, Florianópolis. Quanto: de graça. Mais informações sobre a programação neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h57
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23.10.08

Lançado último volume de Obras Completas de Carl Barks

 

 

 

 

 

 

 

 

Número 41 da coletânea começou a ser vendido nesta semana e traz trabalhos finais do escritor e desenhista, lembrado por trabalhar com os personagens Disney

 

 

 

 

 

 

 

O número de encerramento da coleção "O Melhor da Disney - As Obras Completas de Carls Barks" começou a ser vendido nesta semana nas bancas (Abril, 180 págs.,R$ 16,95).

Este volume 41 traz histórias dos Escoteiros-Mirins e da Vovó Donalda. 

Apenas quatro delas são desenhadas por Barks. As demais têm roteiro dele.

                                                               ***

As histórias escritas por Barks são as dos Escoteiros-Mirins, vividos por Huguinho, Zezinho e Luisinho, os três sobrinhos do Pato Donald.

São 10 aventuras, publicadas nos Estados Unidos entre 1972 e 1974.

São os últimos trabalhos dele feitos com os personagens da Disney.

As histórias foram produzidas num momento em que os leitores já sabiam quem era o verdadeiro autor das revistas Disney.

                                                              ***

A revelação ocorreu entre o fim da década de 1960 e o início da seguinte. 

Veio a público que as tramas de Pato Donald, Tio Patinhas e companhia não eram feitas por Walt Disney, dono dos direitos dos personagens. 

Disney só levava a fama. O talento era de Barks. Era dele a verdadeira alma das histórias.

                                                              ***

Esses roteiros finais do "homem dos patos", como foi carinhosamente apelidado, foram desenhados por Kay Wright.

Num segundo momento, ganharam outra versão, redesenhada pelo holandês Daan Jippes.

Das dez aventuras dos Escoteiros-Mirins compiladas neste último volume, sete trazem a arte de Jippes. Quatro são mostradas pela primeira vez no Brasil.

As últimas histórias da coletânea, todas com a Vovó Donalda, foram lançadas nos Estados Unidos anos antes. Três são do início da década de 1960. Uma, de 1951.

                                                             ***

A coleção permitiu à Abril dialogar com um leitor, que havia lido na infância as aventuras criadas por Barks, morto em 25 de agosto de 2000, aos 99 anos.

O primeiro número da série foi lançado em abril de 2004. A Abril publicou a coleção em lotes de quatro volumes, que eram vendidos mensalmente.

Quando terminava o lançamento das quatro edições, a editora dava o espaço de alguns meses e voltava a publicar mais um lote de quatro volumes.

A exceção foi esta fase final, que teve cinco álbuns. O 41º não estava previsto inicialmente.

                                                               ***

Para registro: Carls Barks aparece também no número deste mês de "Aventuras Disney", revista que começou a ser vendida nesta semana (84 págs., R$ 4,95). 

A edição é especial. Marca os 60 anos de confrontos entre Donald e seu primo sortudo, Gastão. A primeira história é de Barks. Mostra o surgimento de Gastão, em 1948. 

A revista traz ao todo seis histórias, feitas por outro autores em diferentes épocas.

Duas delas são inéditas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h41
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22.10.08

Argentino vai desenhar à mão, uma a uma, capas do próximo álbum

Uma das premissas da indústria cultural era que o público consumidor tivesse acesso a um mesmo produto. Um livro, por exemplo.

O argentino Ricardo Liniers revê de um modo peculiar essa máxima.

Ele vai desenhar à mão, uma a uma, as capas de sua próxima coletânea de tiras, "Macanudo 6", que deve ser lançado até o final do ano na Argentina.

Detalhe: a tiragem é de 5 mil exemplares.

Na tarde desta quarta-feira, ele finalizou a capa de de um dos álbuns. Ficou assim:

 

 

A arte personalizada, feita em poucos minutos, foi dedicada a um dos leitores que o procuraram no lançamento do primeiro álbum brasileiro de Macanudo, editado pela Zarabatana (R$ 33, 96 págs.).

A sessão de autógrafos foi na HQMix Livraria, no centro de São Paulo.

"Com esta, já são 1.301", diz. Ou seja: se o número for esse mesmo, falta finalizar outras 3.699 capas para poder pôr o álbum à venda na Argentina.

                                                             ***

A sexta coletânea de Macanudo -tira cômica que produz para o jornal "La Nacion", de Buenos Aires- é a primeira que será publicada por uma editora criada por ele e pela esposa, a Editorial Común.

Até então, as obras eram lançadas pela Editiones de la Flor, tradicional editora de quadrinhos de humor na Argentina. Cada uma conseguiu boas vendas no país vizinho.

Pretende com a empresa familiar publicar também trabalhos de autores da nova geração dos quadrinhos argentinos. O interesse está em quaisquer obras, não só de humor.

                                                              ***

Macanudo -antiga palavra castelhana para dizer "bacana", "legal"- começou a ser publicada no "La Nacion" em 2002. Liniers foi levado ao jornal por insistência da desenhista Maitena.

A autora dos álbuns da série "Mulheres Alteradas" foi atraída por outro trabalho dele, Bonjour, publicado desde 1999 em outro periódico portenho, o "Página 12".

Liniers diz que não conhecia pessoalmente Maitena até então. Ele a tinha visto só uma vez.

"Ela foi muito generosa comigo". E ele com ela. É Maitena quem assina o prólogo desta coletânea da primeira coletânea de Macanudo, a mesma que agora sai no Brasil.

 

 

 

 

 

Capa da edição nacional da primeira coletânea das tiras de Macanudo 

 

 

 

 

 

 

A insistência de Maitena rendeu um contrato de "pouco mais de 200 dólares", já devidamente reajustado. Hoje, diz que consegue viver com o que ganha no jornal.

O aumento é diretamente proporcional ao impacto que o desenhista e sua série conquistaram nos anos seguintes.

Hoje, é um dos desenhistas de quadrinhos mais vendidos na Argentina. Divide o posto com a tutota Maitena e com Quino, pai da eterna Mafalda.

Quino é uma de suas inspirações. Outra é Bill Watterson, criador de Calvin e Haroldo.

Das duas fontes, surgiram a menina Henriqueta e o gato Fellini, dois dos seres que povoam suas tiras. "Queria um personagem clássico", diz.

 

 

Mas o lado tradicional das tiras, com personagens fixos, é exceção nas tiras dele. Tanto que os leitores do "La Nacion" estranharam suas primeiras histórias diárias.

"Achavam esquizofrênico. Um dia viam os pingüins; outro dia, outra coisa."

A regra para ele é essa mesmo: não ter regra. Como na tira mostrada acima, do "La Nacion" desta quarta-feira.

Ele cria situações cômicas inusitadas, diferentes, atuais, ora com pingüins, ora com duendes, ora com tradicionais homens com chapéus, tais quais os antigos portenhos.

Mas todas são autorais, com a cara ímpar de seu traço. Tão autorais que não sabe quem ao certo quem é seu leitor. "Não faço a mínina idéia. Eu faço as tira para mim."

 

 

 

 

Desenhista durante lançamento na tarde desta quarta-feira, em São Paulo

 

 

 

Uma coisa, pelo menos, ele já mapeou: seus leitores não são apenas os de jornal.

Ele foi um dos primeiros desenhistas que surgiram na Argentina junto com a internet.

Na leitura dele, a rede mundial de computadores contribuiu para a difusão de suas tiras, reproduzidas em blogs e fotoblogs.

Hoje, além do Brasil, seus álbuns são publicados no Canadá, França, Peru e Espanha, onde vendem "muy bien", segundo ele. Uma surpresa para este publicitário de 34 anos, que não exerce a profissão.

"Meu teto do que esperava era estar em um jornal e, em algum momento, publicar um livro."

                                                             ***

O espaço no jornal, na última página do "La Nacion", ele já conquistou.  

As livrarias portenhas também. São cinco álbuns de Macanudo, o sexto em vista. Fora uma coletânea das histórias semanais de "Bonjour".

No Brasil, que já alçou a argentina Maitena a best-seller, a repercussão de suas tiras ainda é uma incógnita.

Ele e seu agente pretendem aproveitar esta viagem para sondar outros veículos brasileiros que queiram publicar Macanudo.

De concreto, Liniers tem outro trabalho acertado, o livro infantil "Lo Que Hay Antes Que Haya Algo". A obra deve ser lançada no ano que vem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h11
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Desenhista do Paraná vence Prêmio Fnac Novos Talentos

 

 

O trabalho acima, feito pelo paranaense André Figueiredo Müller, foi o vencedor do Prêmio Fnac Novos Talentos, promovido pela livraria Fnac. O resultado foi divulgado ontem à noite.

O tema da história em quadrinhos proposto pelo concurso era "infinita diversidade em infinitas combinações", uma alusão à filosofia vulcana da série "Jornada nas Estrelas".

Müller ganhou R$ 5 mil, equipamentos de informática e irá desenvolver um álbum.

A história será publicada pela editora Devir e terá tutoria de Gabriel Bá e Fábio Moon.

                                                              ***

Bá e Moon vão apadrinhar também os outros dois premiados do concurso de desenho.

O segundo lugar ficou com Luendey Maciel de Aguiar, nascido no Amazonas, mas há sete anos em Curitiba. O terceiro colocado foi o paulista Victor Gáspari Canela.

Eles também recebem material de informática e R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente.

E irão desenvolver duas histórias a serem publicadas numa edição especial da revista "Pixel Magazine", da editora Pixel.

                                                              ***

Os trabalhos de Aguiar e de Canela, bem como os dos demais classificados, podem ser vistos no site do concurso, iniciado em junho deste ano (leia mais aqui).

Para acessar, clique aqui

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h50
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20.10.08

Nova editora estréia com álbuns de Rafael Sica e Allan Sieber

 

 

Havia um ar de mistério em torno da Barba Negra, nova editora criada pela dupla responsável pelos títulos nacionais da Desiderata.

As primeiras informações passadas por Sandro Lobo e Odyr indicam que o trabalho feito na antiga casa, de onde se desligaram há alguns meses, será retomado na nova empreitada.

O selo criado por eles vai estrear com dois álbuns nacionais, um de Allan Sieber e outro de Rafael Sica.

Segundo Lobo e Odyr, as duas publicações serão lançadas até o final do ano.

                                                              ***

"Era Quase Tudo Verdade", a obra de Sieber, vai trazer trabalhos do desenhista publicados em diferentes revistas, "Sexy" e "Trip" entre elas.

De acordo com os editores, terá 120 páginas, 32 delas coloridas. Terá formato 21 x 28 cm.

O álbum de Rafael Sica, "Ordinário", terá o mesmo tamanho e número de páginas.

A obra vai trazer uma coletânea das tiras produzidas por ele em seu blog, o "Quadrinho Ordinário". O nome do título vem daí.

"Ordinário" era para ser lançado pela Desiderata. Foi cancelado com a saída dos editores.

 

                                                             

Lobo e Odyr dizem que tem "uma boa grade de álbuns nacionais pro ano que vem".

A lista incluiria também livros. Segundo eles, há também negociações para material estrangeiro.

O foco, no entanto, fazem questão de registrar, será no material brasileiro.

                                                              ***

Pelo que se lê, eles trilham o mesmo caminho que consolidou a reputação dos dois no curto -porém marcante- período que passaram na carioca Desiderata e de onde se desligaram após a compra da editora pela Ediouro.

A dupla produziu no prazo de pouco mais de um ano parte dos álbuns nacionais mais destacados recentemente no mercado editorial brasileiro.

A relação inclui "Irmãos Grimm em Quadrinhos", "A Boa Sorte de Solano Dominguez", "O Cabeleira", "Menina Infinito" e, mais recentemente, "Mesmo Delivery", de Rafael Grampá.

                                                              ***

Crédito: a tira de Rafael Sica que ilustra esta postagem foi reproduzida do blog do desenhista (link).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h23
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Semana tem dois megaeventos de quadrinhos em São Paulo

Esta semana começa com dois eventos de quadrinhos, ambos promovidos por livrarias paulistanas. 

Um é a 4ª edição do HQ o Quê?, festival de quadrinhos feito pela Fnac.

O outro evento comemora o primeiro ano de funcionamento da HQMix Livraria, que se tornou um ponto de referência de lançamentos de quadrinhos em São Paulo.

Em comum, os dois eventos terão a participação de autores independentes e do desenhista argentino Liniers, como este blog havia antecipado no fim do mês passado (leia mais aqui).

                                                             ***

A programação da HQMix Livraria -mantida pelo cartunista Gualberto Costa e pela esposa, Daniela Baptista- vai de hoje até o próximo domingo.

A comemoração se pauta em lançamentos -de obras em quadrinhos e de poesia- e em uma jam session, que terá a participação de diferentes desenhistas.

A proposta é que seja feita a produção conjunta de uma história em quadrinhos.

A cada hora, um autor se reveza na produção. O desenhista seguinte continua do ponto onde o anterior havia parado.

                                                             ***

A jam session visual, a segunda promovida pela livraria, teve início às 10 da manhã desta segunda-feira.

A produção continua até domingo, diariamente, das 10h à 0h.

O desfecho deve ser feito pelo cartunista Angeli.

Uma curiosidade é que Lourenço Mutarelli, hoje escritor, aceitou produzir uma das seqüências. Mutarelli -que havia abandonado os quadrinhos- é esperado no sábado.

                                                              ***

Outro trabalho conjunto será feito pelos autores do Quarto Mundo, que reúne quadrinistas de diferentes partes do país.

Para comemorar o primeiro ano de atividade do selo independente, o grupo vai passar duas madrugadas -a de sexta e a do sábado- na produção da história.

A narrativa seria a última revista independente do grupo, caso o mundo acabasse.

A proposta do grupo é publicar a história um dia e meio depois, em forma de revista. O lançamento está previsto para o domingo, às 19h30.

                                                              ***

Os autores independentes respondem pela maior parte dos lançamentos desta semana de aniversário da livraria.

Na quinta-feira, às 19h30, Laudo Ferreira Junior autografa o terceiro e último número da minissérie nacional "Depois da Meia-Noite", que terá seqüência em 2009.

Na sexta-feira, também às 19h30, Flávio Luiz lança em São Paulo o álbum "Aú, o Capoerista". O desenhista já havia lançado a obra em Salvador (leia resenha aqui).

Duas horas depois, os mineiros da revista Graffiti lançam o 18º número da publicação independente.

E no domingo, último dia do evento, há três lançamentos às 19h30: "Power Trio", "Micróbio" e "Muertos" (leia resenha aqui).

 

 

O único lançamento estrageiro é o álbum com tiras de "Macanudo", criação do argentino Ricardo Liniers. A história acima é da edição de hoje do jornal "La Nacion".

Ele faz uma tarde de autógrafos do álbum da editora Zarabatana na quarta-feira, às 15h.

No mesmo horário, no dia seguinte, repete os autógrafos com obras e produtos argentinos.

Liniers é um dos pontos que unem os eventos quadrinísticos da Livraria HQMix e da Fnac, que promove a quarta edição do HQ o Quê.

                                                             ***

Liniers participa de um bate-papo na quarta-feira à noite, às 19h. A conversa será conduzida pelo jornalista Eduardo Nasi e pelo desenhista Eloar Guazzelli.

Esta palestra e os demais debates -todos às 19h- já haviam sido noticiados pelo blog (aqui).

Nesta segunda, a conversa é sobre o trabalho de Cláudio Seto, tido como o primeiro brasileiro a produzir mangás no país.

Na terça, serão divulgados os vencedores do Prêmio Fnac Novos Talentos, premiação de quadrinhos nacionais promovida pela livraria.

                                                            ***

Na quinta-feira, uma mesa redonda discute a produção independente brasileira. O encontro terá a participação de autores do Quarto Mundo.

No dia seguinte, o tema são as mudanças dos quadrinhos no Brasil.

Participam da mesa editores da HQM. A mediação será deste jornalista.

O sábado à tarde é dedicado a oficinas, ministradas por diferentes autores.

                                                             ***

Serviço 1 - Semana de aniversário da HQMix Livraria. Quando: de hoje a domingo (26.10). Horário: começa todos os dias às 10h. Onde: Livraria HQMix. Endereço: Pça. Roosevelt, 142, centro, São Paulo. Quanto: de graça.

Serviço 2 - 4º HQ o Quê? Quando: de hoje a sábado (25.10). Horário: às 19h; sábado, das 12h às 20h. Onde: Fnac Pinheiros. Endereço: Avenida Pedroso de Morais, 858, Pinheiros, São Paulo. Quanto: de graça.

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Escrito por PAULO RAMOS às 17h26
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Gabriel Bá vence mais um prêmio nos Estados Unidos

 

 

 

 

 

 

 

 

Brasileiro ganhou categoria melhor desenhista do Scream Awards pelo trabalho feito na série "The Umbrella Academy" 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O paulista Gabriel Bá venceu neste fim de semana outro prêmio nos Estados Unidos. Ele conquistou o Scream Awards na categoria melhor desenhista de quadrinhos.

Os ganhadores foram definidos neste fim de semana. O prêmio, dado pelo canal de TV Spike, é voltado a filmes, seriados e quadrinhos de horror e ficção científica.

O brasileiro conquistou o prêmio pelo trabalho feito na revista "The Umbrella Academy".

A série é escrita por Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance, e será lançada no Brasil pela editora Devir.

                                                             ***

"The Umbrella Academy", que concorria também na categoria melhor série em quadrinhos, já rendeu a Gabriel Bá outros prêmios nos Estados Unidos neste ano.

A série ganhou os prêmios Eisner, o principal dos EUA, e Harvey como melhor série de 2007 (leia mais aqui e aqui).

Bá venceu também outro Eisner na categoria melhor antologia pela revista independente "5".

A obra foi feita em parceria com outros quatro autores, dois deles brasileiros: seu irmão gêmeo Fábio Moon e o desenhista Rafael Grampá.

                                                            ***

A boa repercussão de Gabriel Bá e Fábio Moon nos Estados Unidos rendeu à dupla a oportunidade de criar uma série própria na Vertigo, selo adulto da editora DC Comics.

É pelo selo que foram publicadas séries como "Sandman" e "Preacher".

Os dois também foram destaque no Brasil nos últimos meses.

A adaptação deles para o conto "O Alienista", de Machado de Assis, ganhou um dos prêmios Jabuti de literatura (mais aqui).

                                                             ***

"O Alienista" foi indicada à lista do PNBE (Programa Nacional Bibiloteca na Escola).

O programa do governo federal distribui livros e quadrinhos às escolas dos ensinos médio e fundamental. A relação das obras de 2009 foi divulgada na semana passada (leia mais aqui).

"10 Pãezinhos - Meu Coração Não Sei Por Quê", outro álbum deles, também integra a lista elaborada pelo Ministério da Educação. 

                                                             ***

Leia mais sobre a trajetória profissional de Bá e Moon neste link.

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Escrito por PAULO RAMOS às 08h41
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19.10.08

Sandman volta a sonhar no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

Série é relançada do início mais uma vez no Brasil; primeiro volume começou a ser vendido neste mês 

 

 

 

 

 

 

 

Dezenove anos depois de estrear no Brasil, a série norte-americana Sandman é apresentada mais uma vez, desde o início, ao leitor daqui.

A partir deste mês, a obra escrita pelo inglês Neil Gaiman começou a ser relançanda pela editora Pixel ("Sandman - Prelúdios e Noturnos Volume 1", 144 págs., R$ 29,90).

A editora programa um novo número a cada três meses, num total de 17 volumes.

                                                             ***

A proposta é tornar esta nova edição mais acessível que a versão anterior, da Conrad, feita em tamanho grande, capa dura e que custava em torno de R$ 66.

A edição da Pixel tem um tamanho um pouco menor que o original -chamado de formato americano- e menos páginas que os exemplares da Conrad (os primeiros volumes estão esgotados).

Traz nova tradução, extras e um material recolorizado, o mesmo utilizado na versão "The Absolute Sandman", a última reedição da série lançada nos Estados Unidos.

                                                              ***

A Pixel, uma das editoras do grupo Ediouro, adquiriu os direitos da série no início de 2007.

A editora firmou acordo para publicar os materiais da Vertigo, selo adulto da norte-americana DC Comics. A DC começou a publicar Sandman em 1988.

Até então, os direitos de publicação no Brasil estavam com a editora Conrad, que relançou a série em dez livros de luxo entre 2005 e este ano.

Antes, o personagem havia sido publicado pela Globo (a estréia foi em novembro de 1989) e pela Brainstore, Tudo em Quadrinhos e Atitude, editoras que não terminaram o relançamento.

                                                             ***

Sandman teve ao todo 75 números. Mostra crônicas em torno de Morpheus, o senhor do sonho, personagem que também da título à série.

Na primeira seqüência de histórias, que agora relançada no Brasil, ele é capturado por um grupo de humanos e passa décadas confinado. 

Quando escapa, tenta retomar a vida em seu reino e parte em busca de três artefatos poderosos que lhe foram tirados.

                                                              ***

Um dos objetos pessoais dele, um elmo, foi tomado por um demônio. Isso obriga Sandman a ir ao inferno recuperar o artefato.

Para retomar o elmo, Morpheus tem de enfrentar o demônio num jogo verbal que simula situações a serem superadas pelo oponente. Ganha quem se sair melhor.

O resultado é uma das cenas mais lembradas entre os leitores da série.

                                                               ***

Após dizer que era o universo, Sandman houve a réplica do demônio:

- Sou a antivida, sou a besta do julgamento. Sou a escuridão no final de tudo. O final dos universos, dos deuses, dos mundos... de tudo. Sss. E, então, o que você será, senhor dos sonhos?

- Sou a esperança, responde Morpheus, que ganha a disputa e retoma o elmo.

                                                              ***

Embora tenha críticos, Sandman exerceu forte influência no mercado norte-americano, além de catapultar a carreira de Neil Gaiman, que hoje investe em romances.

Os ecos comerciais da série são sentidos no Brasil também.

O interesse em Gaiman se reflete não só nesta nova reedição. Quase tudo o que ele produziu foi lançado por aqui, por diferentes editoras.

Na última Flip, Festa Literária de Paraty, a presença dele na cidade histórica fluminense registrou uma das mais longas filas vistas na história do evento.

                                                             ***

Outro reflexo da série é que, assim como seu autor, caiu nas graças dos chamados formadores de opinião e teve um papel importante para chamar a atenção sobre os quadrinhos adultos vendidos em livrarias, fenômeno de mercado que ganhou corpo no país de 2006 para cá.

Sandman consegue se destacar também entre as pessoas que tradicionalmente não lêem quadrinhos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h44
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18.10.08

Exposição em Porto Alegre mostra trabalhos de Rafael Sica

 

 

 

 

 

Mostra traz 13 trabalhos inéditos e outros desenhos originais do quadrinista gaúcho

 

 

 

 

 

Foi aberta na noite deste sábado, em Porto Alegre, uma exposição com desenhos do gaúcho Rafael Sica.

"Cinza-Choque", nome da mostra, apresenta 13 trabalhos feitos a lápis, todos inéditos.

"Os temas dos desenhos seguem a extensão dos meus quadrinhos", diz Sica, por e-mail.

"Todos eles têm em comum um personagem que por vezes é apenas uma forma, em outros momentos uma criatura, mas sempre uma distorção da realidade."

 

 

O desenhista de 28 anos diz que o que pauta seus trabalhos é a "pura observação".

O método tem conseguido resultados inovadores nas tiras que faz em seu blog, o "Quadrinho Ordinário", como a mostrada acima.

Sica iria publicar uma coletânea pela editora Desiderata, do Rio de Janeiro. Mas o projeto foi abandonado com a recente saída do editor Sandro Lobo, que cuidava das obras nacionais.

Foi com a edição de Lobo que o desenhista participou de um dos contos do álbum "Irmãos Grimm em Quadrinhos", também da Desiderata, publicado no fim do ano passado.

 

 

A exposição em Porto Alegre -organizada pelo desenhista Fábio Zimbres- também mostra originais de tiras, esboços e ilustrações.

Cinza-Choque pode ser visitada até o dia 30 de novembro no Museu do Trabalho.

Serviço - Exposição Cinza-Choque, com desenhos de Rafael Sica. Quando: até 30 de novembro. Horário: 3ª a sábado, das 13h30 às 18h30; domingos e feriados, das 14h às 18h30. Onde: Museu do Trabalho. Endereço: r. dos Andradas, 230, centro de Porto Alegre.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h01
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15.10.08

Série comemora 70 anos da criação de Super-Homem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do primeiro volume, que começou a ser vendido neste mês em bancas e lojas especializadas em quadrinhos 

 

 

 

 

 

 

 

Uma série de quatro álbuns marca os 70 anos de criação do personagem Super-Homem. O primeiro volume começou a ser vendido neste mês e relança histórias de diferentes épocas do herói.

Este número inicial de "Superman 70 Anos" (Panini, 196 págs., R$ 19,90) traz nove aventuras do homem de aço. Há pelo menos uma de cada década.

A primeira é de 1944 e foi escrita Jerry Siegel, que criou o herói de Krypton com o desenhista Joe Shuster.

A história mostra a estréia do vilão Mxyzptlk, conhecido por criar situações irreais ao herói.

Siegel assina também o texto de "Retorno a Krypton", de 1960.

                                                              ***

As demais histórias selecionadas se destacam por diferentes motivos.

Parte é pelos desenhos, caso dos trabalhos feitos por Frank Miller (de Sin City), John Byrne (que remodelou o herói na metade da década de 1980) e Curt Swan (um dos artistas que mais tento fez a arte do herói).

A edição encerra com outra história com Mxyzptlk, a única produzida neste século.

A aventura, publicada nos Estados Unidos em 2005 e lançada há dois anos pela Panini, mostra o que aconteceria se Clark Kent e sua esposa, a repórter Lois Lane, tivessem um superbebê.

                                                              ***

A obra traz ainda uma aventura da época em que o herói havia morrido. Ou "morrido", já que voltou da morte meses depois.

A história especial foi publicada no número 500 da revista "Adventures of Superman", de junho de 1993.

Super-Homem encontra o pai num plano intermediário entre a vida e a morte. Jonathan Kent, nome do pai do herói, tinha sofrido um ataque cardíaco e estava à beira do falecimento.

A aventura encerrava com a descoberta de que o corpo do herói não estava mais no caixão.

Era o gancho para que surgissem quatro versões diferentes do herói, à época um mistério casado com jogada de marketing da editora DC Comics, que publica as revistas do herói nos Estados Unidos.

                                                              ***

"Superman 70 Anos" é a terceira obra com reedição de histórias do super-herói de junho para cá.

Em junho, Super-Homem foi o personagem destacado no primeiro número da coleção "DC 70 Anos" (leia mais aqui).

A outra é o segundo volume de "Superman Crônicas", edição de luxo que reedita em ordem cronológica as primeiras aventuras do herói.

O álbum começou a ser vendido em agosto (mais aqui).

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Escrito por PAULO RAMOS às 23h55
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Palestras são destaque da 15ª edição da Fest Comix

Normalmente, a Fest Comix -tradicinal feira de quadrinhos que ocorre duas vezes por ano em São Paulo- se destaca pelos lançamentos e pelos descontos nos produtos à venda.

Vai haver ambos nesta 15ª edição. Mas os destaques, desta vez, estão na programação de palestras do evento, que começa nesta sexta-feira e vai até domingo.

A tarde de abertura será toda dedicada a mangá. No sábado e no domingo, autores e editores se dividem no espaço chamado "Arena Comix":

Sábado

  • 10h30 às 12h - Produção de quadrinhos com Laudo Ferreira Junior
  • 13h às 14h - Rogério Saladino (editor da linha Marvel/Panini)
  • 14h às 15h - Levi Trindade (editor da linha DC/Panini)
  • 15h às 16h - Entrevista com o desenhista Ivan Reis
  • 16h às 17h - Editores da HQM

Domingo

  • 13h às 14h - Entrevista com Will e outros autores do Quarto Mundo
  • 14h às 15h - Debate sobre Naruto
  • 15h às 16h - Entrevista com os desenhistas Gabriel Bá e Fábio Moon
  • 16h às 17h - Entrevista com o desenhista Renato Guedes

Todas as entrevistas com desenhistas brasileiros serão feitas pelos responsáveis pela revista "Mundo dos Super-Heróis", especializada em quadrinhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

"Baltimore e o Vampiro" é um dos poucos lançamentos programados para a feira de quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

Não há muitos lançamentos nesta 15ª edição do evento, promovido pela loja paulistana Comix, especializada em quadrinhos.

Um dos esperados é "Baltimore e o Vampiro", de Mike Mignola e Christopher Golden.

A obra mostra a caça a um vampiro, libertado durante a Segunda Guerra Mundial. A narrativa é ilustrada com desenhos de Mignola, autor do personagem Hellboy.

O livro é o primeiro título publicado pelo selo Amarilys, da Manole.

A editora pretende criar um núcleo para lançar quadrinhos no mercado nacional, como o blog noticiou em agosto (leia mais aqui).

                                                             ***

Pelo menos quatro outros lançamentos devem fazer parte da feira, que vende revistas novas e antigas com desconto mínimo de 20%.

Um deles é o segundo volume de "Biblioteca Histórica Marvel - Homem-Aranha", que já começa a ser vendido nesta semana.

O outro é "O Evangelho Segundo Lobo", que relança em volume único minissérie do personagem, já publicada no Brasil. As duas obras são da editora Panini.

A NewPop deve lançar dois mangás na feira: o primeiro volume de "Doors of Chaos", que terá três edições, e o segundo número de "Dark Metrô".

Os autores do Quarto Mundo, movimento independente de quadrinistas de todo o país, também estará com um estande na feira de quadrinhos, a exemplo das últimas edições.

                                                             ***

A organização do Fest Comix criou um blog com mais informações sobre obras com desconto e possíveis lançamentos (é comum surgir durante o evento alguma novidade não programada).

Na página virtual, também há a programação completa do evento (link).

Dica: muitos dos títulos novos chegam na sexta-feira à tarde ou no início da noite. Por isso, é melhor visitar a feira no sábado ou no domingo. 

                                                              ***

Serviço - 15ª Fest Comix. Quando: sexta, sábado e domingo (17 a 19.10). Horário: das 10h às 20h (no domingo, fecha às 18h). Onde: Centro de Eventos São Luís. Endereço: r. Luís Coelho, 323, São Paulo (perto do metrô Consolação). Quanto: a entrada custa R$ 5. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h59
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Catálogo do Salão de Piracicaba de 2008 tem lançamento nesta 5ª

 

 

 

 

 

 

 

Desenho do iraniano Mahmood Nazari, primeiro colocado na categoria cartum do salão deste ano, é um dos trabalhos incluídos na obra

 

 

 

 

 

 

Há uma espécie de ritual nos salões de humor brasileiros.

Abrem-se as incrições, faz-se a seleção, premiam-se os melhores trabalhos em cada uma das categorias. E só no ano seguinte é que são reunidos e lançados num catálogo.

O Salão Internacional de Humor de Piracicaba cumpria esse ritual à risca. Deixa de cumprir neste ano. O catálogo com os selecionados de 2008 sai um mês e meio após a premiação.

O lançamento oficial da obra será nesta quinta-feira à noite em Piracicaba, no interior paulista. O livro terá todos os 332 desenhos selecionados para a edição deste ano.

No evento, também serão premiados os vencedores da versão infantil do salão de humor.

Veja os premiados das cinco categorias do prêmio principal neste link.

E aqui para ver como foi a abertura deste ano do salão.

Serviço - Lançamento do catálogo do 35º Salão Internacional de Humor de Piracicaba. Quando: quinta-feira (16.10). Horário: 20h. Onde: Engenho Central, em Piracicaba, no interior de São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h42
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14.10.08

Coleção Histórica da Turma da Mônica reaparece nas bancas

 

 

 

 

 

 

 

 

Sétimo volume da série -que deveria ser mensal- foi lançado com quatro meses de atraso

 

 

 

 

 

 

 

O sétimo volume de "As Primeiras Revistas da Turma da Mônica - Coleção Histórica" chega às bancas com quatro meses de atraso. A nova edição registra nos créditos finais que a data da publicação é junho deste ano.

A obra começou a ser vendida na semana passada, embora o site da Panini, que publica as revistas de Mauricio de Sousa, registre que o lançamento tenha ocorrido em 5 de agosto.

Em março, a editora emitiu nota reafirmando que a coleção seria mensal.

O texto institucional dizia que a obra "poderá ser encontrada mensalmente nas grandes bancas, livrarias e sites especializados".

A Panini não emitiu nenhuma outra nota justificando o atraso ao leitor. A edição anterior, a de número seis, havia sido publicada em julho, também com atraso.

                                                             ***

A justificativa, veiculada no site oficial da editora multinacional, só foi emitida após o blog ter noticiado em março que a Panini havia alterado a periodicidade da coleção (leia mais aqui).

Os créditos finais tinham mudado de publicação mensal para "publicação especial", sem aviso prévio ao leitor.

Na estréia da série, no segundo semestre do ano passado, o anúncio é que seria mensal.

A coleção relança os primeiros números das revistas "Mônica", "Cebolinha", "Cascão", "Magali" e "Chico Bento". Este novo volume traz o número sete de cada uma delas.

                                                             ***

Este não é o primeiro atraso da série. O terceiro número foi lançado em março deste ano, meses depois de o segundo volume ter chegado às bancas.

Na mesma nota, a Panini informou à época que "devido ao cuidado com o resgate do material original -com artes e cores fiéis às usadas na época- tivemos que rever o planejamento original do lançamento".

A editora registrava também que os problemas já haviam sido solucionados e reafirmava a continuidade mensal da série, o que não ocorreu.

                                                             ***

Outro lado.

O blog entrou em contato com a assessoria da editora Panini na sexta-feira, primeiro por telefone, depois por e-mail. A reportagem perguntou:

  • o que motivou o atraso de quatro meses no lançamento?
  • os problemas de edição foram ou não resolvidos?
  • as revistas são, de fato, mensais?
  • por que a nota anterior informou que as revistas seriam mensais se isso não ocorreu?
  • qual a previsão de lançamento dos próximos números?

A informação da assessoria é que a empresa emitiria uma resposta na segunda-feira.

O blog enviou dois outros e-mails, um na segunda e outro nesta terça-feira.

A resposta veio no meio da tarde desta terça, mas não abordou todas as questões feitas:

"A Coleção Histórica e outros títulos estão passando por reformulações. Assim que alinharmos esta reestruturação entre a Panini e a Mauricio de Sousa, entraremos em contato."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h52
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13.10.08

Aumenta número de obras em quadrinhos na lista do PNBE

 

 

 

 

 

 

 

"Um Contrato com Deus" é um dos três álbuns de Will Eisner selecionados pela lista do governo federal, que inclui também obras nacionais 

 

 

 

 

 

 

O governo federal incluiu 19 álbuns em quadrinhos na lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), que distribui livros gratuitamente para escolas dos ensinos médio e fundamental.

A relação, feita anualmente, inclui quadrinhos desde 2006. Nas duas licitações anteriores, foram selecionadas dez e oito obras em quadrinhos, respectivamente.

O material será distribuído às escolas no ano que vem. Alguns autores tiveram mais de uma obra selecionada. A lista inclui três obras de Will Eisner, duas de Laerte, duas de Asterix e duas de Ziraldo. 

Os paulistas Gabriel Bá e Fábio Moon também tiveram dois álbuns incluídos. Um deles é a versão em quadrinhos de "O Alienista", premiada no mês passado com o Prêmio Jabuti na categoria álbum didático ou paradídático para ensino fundamental ou médio (leia mais aqui).

                                                             ***

A lista do PNBE/2009 inclui 600 obras, 300 para o ensino fundamental e 300 para o médio.

A maior parte das obras em quadrinhos -14 das 19 selecionadas- ficou com os alunos das séries iniciais. Aos estudantes do médio couberam cinco álbuns. Veja a lista completa:

     Ensino Fundamental

  • A História do Mundo em Quadrinhos - A Europa Medieval e os Invasores do Oriente, de Larry Gonick (Agir)
  • Oliver Twist, adaptado por John Malan (Companhia Editora Nacional)
  • Luluzinha Vai às Compras, de John Stanley (Devir)
  • Níquel Náusea - Tédio no Chiqueiro, de Fernando Gonsales (Devir)
  • Suriá - A Garota do Circo, de Laerte (Devir)
  • A Turma do Pererê - As manias de Tininin, de Ziraldo (Globo)
  • Maluquinho por Arte - Histórias em Que a Turma Pinta e Borda, de Ziraldo (Globo)
  • O Beijo no Asfalto, de Arnaldo Branco e Gabriel Góes (Nova Fronteira)
  • Asterix e a Volta às Aulas, de René Gosciny e Albert Uderzo (Record)
  • Asterix nos Jogos Olímpicos, de René Gosciny e Albert Uderzo (Record)
  • D. João Carioca, de Spacca e Lilian Moritz Schwartz (Companhia das Letras)
  • A Volta da Graúna, de Henfil (Geração Editorial)
  • Deus Segundo Laerte, de Laerte (Olho D´Água)
  • 10 Pãezinhos - Meu Coração Não Sei Por Quê, de Gabriel Bá e Fábio Moon (Via Lettera)

     Ensino Médio

  • O Alienista, de Gabriel Bá e Fábio Moon (Agir)
  • Domínio Público - Literatura em Quadrinhos (vários autores; DCL)
  • A Força da Vida, de Will Eisner (Devir)
  • O Sonhador, de Will Eisner (Devir)
  • Um Contrato com Deus, de Will Eisner (Devir)

O aumento no número bruto de obras em quadrinhos em 2009 se deve ao crescimento de livros comprados nesta versão do PNBE, 600 ao todo. É o dobro das edições anteriores.

O diferencial, desta vez, é que a lista incluía tanto o ensino médio quanto o fundamental.

Se for considerada proporcionalmente, a relação de obras em quadrinhos para o ensino fundamental é inferior à edição passada. A relação cai de 7% para pouco menos de 5%.

                                                       Analisando a lista

Do ponto de vista da inclusão de histórias em quadrinhos no ensino, há pelo menos dois avanços na lista do PNBE de 2009.

O primeiro já tinha sido sinalizado no edital, lançado para as editoras no primeiro semestre deste ano: o texto não registra mais que quadrinhos são uma forma de literatura.

Isso indica, tardiamente, que as autoridades da área de educação do governo federal começam a enxergar os quadrinhos como efetivamente são: uma linguagem autônoma.

Um reflexo disso é visto na lista de obras em quadrinhos selecionadas. Nota-se que, das 19 indicadas, apenas quatro são do gênero literatura em quadrinhos. Melhora o processo de seleção, embora ainda tenda a privilegiar autores mais conhecidos do grande público.

O segundo avanço é que houve, pela primeira vez desde que o programa foi criado, inclusão de obras em quadrinhos no ensino médio. Até então, recebiam apenas livros de literatura.

                                                               ***

O PNBE foi criado em 1997, na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Tinha o objetivo de democratizar o acesso aos livros e estimular a leitura entre os alunos.

As primeiras listagens privilegiavam obras literárias, inclusive escritas por pessoas que faziam parte do processo seletivo.

O programa, no entanto, não conseguiu cumprir nenhuma das duas metas, segundo relatório feito por pesquisadores da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a pedido do Ministério da Educação.

O texto do diagnóstico foi publicado neste ano e se baseou em visitas a 196 escolas.

                                                             ***

Entre as conclusões do diagnóstico, destacam-se quatro:

  • os professores encontram dificuldade para trabalhar o acervo em sala de aula
  • falta formação aos docentes para transformar as obras em práticas didáticas
  • falta tempo para os professores lerem o material do PNBE
  • depedência do docente em matérias pedagógicos já preparados, como o livro didático

Embora o relatório tenha se baseado em obras anteriores a 2006, quando os quadrinhos começaram a ser incluídos na lista, é de se imaginar que o problema se acentue em relação aos quadrinhos.

Se com livros literários há dificuldade, com quadrinhos, uma linguagem historicamente mantida à distância do ambiente escolar e, por isso, "desconhecida", a situação deve ser ainda pior.

                                                              ***

Um trecho do diagnóstico sobre o PNBE também caminha nessa direção:

"Textos e autores de qualidade, de gerações de escritores que se vêm produzindo na cultura brasileira, de ilustradores que inventaram técnica e esteticamente modos de traçar com a imagem um outro código que também narra a história, quase se inviabilizam, nas propostas de uso sugeridas por muitos professores."

Tradução disso: não adianta apenas levar os quadrinhos e os livros literários à sala de aula; é necessário formar o professor e torná-lo apto a trabalhar com os novos materiais.

É esse o desafio para o governo federal enfrentar nos próximos anos.

                                                             ***

Há também um outro ponto tangencial que merece ser registrado.

Não é o objetivo do PNBE, mas o governo federal começa a construir com a lista uma indústria de quadrinhos no país.

Algo assim ocorreu na década de 1980 quando a literatura infantil foi alçada por programas governamentais como a saída para o estímulo à leitura estudantil.

Houve interesse na compra de obras infantis, tidas até então como sub-literatura no Brasil. Isso atraiu o interesse das editoras e hoje a literatura já não é mais o patinho feio dos livros.

Muito pelo contrário. É um mercado fortíssimo. Não é por acaso que as grandes livrarias destinam há um bom tempo uma área lúdica destinada a esse público.

                                                             ***

O então novo interesse na área encontrou eco também na academia.

Os cursos de letras da USP (Universidade de São Paulo) e da PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo) passaram a ter na grade curricular disciplinas de literatura infantil.

Na pós-graduação, também foram criadas matérias específicas para a área e, por conseqüência, pesquisas de mestrado e de doutorado.

Os estudos acadêmicos -que ainda gozam de um prestígio social altíssimo- ajudaram a consolidar a literatura infantil como linguagem e a dar a ela a credibilidade que não tinha até os idos de 1980.

                                                              ***

Este jornalista vê o processo semelhante sendo criado por meio das listas do PNBE, mantidas com dinheiro do governo.

As editoras -as grandes companhias das letras, inclusive- já acordaram para esse mercado, que encontrou nas livrarias um ninho fecundo.

E estão investindo, ainda sem saber exatamente aonde querem chegar.

Forma-se um público, aquecem-se produções estrangeiras e nacionais (cabe aos autores brasileiros o desafio de aproveitarem o momento e apresentarem obras de qualidade) e consolida-se um sistema de produção e leitura de quadrinhos, como sugere o perquisador Diego Figueira (mais aqui).

                                                             ***

Mas falta ainda um elemento nessa equação: os novos e crescentes estudos acadêmicos sobre quadrinhos saírem das restritas prateleiras universitárias e migrarem para as livrarias na forma de livros.

Só assim os quadrinhos terão no Brasil, 140 anos depois de seu surgimento, o reconhecimento de que são uma linguagem autônoma e relevante como tantas outras.

Já houve ensaios sobre isso no país, principalmente no início da década de 1970. Foram de grande valia e iniciaram esse processo de estudo, agora retomado.

Estudar a linguagem é entendê-la. Entendê-la é consolidá-la. Consolidá-la é dar a ela a autoridade que merece. E autoridade para isso a pesquisa acadêmica ainda tem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h49
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12.10.08

Biografia argentina de Che Guevara será lançada no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da última edição argentina com a história do líder revolucionário, lançada em 2007; obra trazia também biografia de Evita Perón

 

 

 

 

 

Uma biografia inédita de Ernesto Che Guevara feita na Argentina vai ser publicada no Brasil pela Conrad. A informação consta no site da editora, que programa lançar a obra na primeira semana de novembro.

A obra é escrita por Hector Oesterheld, tido como o principal escritor de quadrinhos argentino. Apesar disso, os trabalhos dele permaneciam inéditos no Brasil.

A biografia de Che (1928-1967) foi lançada na Argentina em janeiro de 1968, três meses após o líder revolucionário ter sido executado na Bolívia.

Os desenhos são de Alberto e Henrique Breccia, pai e filho, donos de um traço conhecido pelo uso inovador do preto e do branco.

                                                              ***

A Alberto Breccia não cabe apenas o crédito de ter desenhado a história. Ele é responsável também pela preservação física do trabalho.

A publicação foi recolhida à época pelo governo militar. Breccia enterrou um exemplar. É o mesmo que serviu de base para a reimpressão do trabalho, anos depois.

A última versão de "El Che", nome original da obra, foi em 2007, no último volume da coleção "Nueva Biblioteca Clarín de la Historieta". 

A série com quadrinhos clássicos era publicada a cada 15 dias no jornal "Clarín". 

                                                              ***

Tal qual Che Guevara, Hector Oesterheld teve uma atuação militante durante a ditadura argentina. Tanto que foi preso e morto pelos militares. Ainda hoje, não se sabe a data exata da morte.

Parte da família dele -filhos e genros- também foi assassinada pela ditatura. O neto, nascido na prisão, foi entregue à viúva dele.

Osterheld começou a escrever roteiros em quadrinhos na metada dos anos 1950. Criou histórias aos moldes do que a Europa faria somente na década seguinte.

Os trabalhos dele dessa época são reeditados até hoje na Argentina. O mais relançado é "El Eternauta", sua principal criação e também inédita no Brasil.

                                                             ***

Este será o segundo trabalho biográfico sobre o líder guerrilheiro lançado pela Conrad.

A editora paulista publicou, em dezembro de 2006, uma biografia coreana sobre Che Guevara feita na Coréia do Sul (leia mais aqui). A versão argentina é superior.

"El Che" será também o terceiro trabalho argentino publicado no Brasil neste semestre, após uma histórica ignorância editorial nesse mercado, hoje atraente pela desvalorização do peso em relação ao real (hoje, um peso equivale a 0,7178 centavo de real).

Dois volumes com tiras de "Gaturro" foram lançados na Bienal Internacional do Livro de São Paulo. "Macanudo", com tiras de Liniers, deve ser lançado na semana que vem.

                                                             ***

Nota: o site "HQManiacs", especializado em quadrinhos e informações sobre cultura pop, noticiou na sexta-feira que "The Umbrella Academy" será lançada no Brasil pela Devir.

A série norte-americana tem desenhos do brasileiro Gabriel Bá e foi vencedora dos prêmios Eisner Awards (aqui) e Harvey Awards (aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h21
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10.10.08

Lançado desfecho da série que reformula vida do Homem-Aranha

Início da resenha sobre as duas partes finais da série "Um Dia a Mais", que começou a ser vendida nas bancas e lojas de quadrinhos neste encerramento de semana.

A história sai na edição deste mês da revista "Homem-Aranha" (Panini, 100 págs., R$ 6,90) e refaz uma série de decisões editoriais tomadas nos últimos anos pela Marvel Comics, que publica o personagem nos Estados Unidos.

As duas primeiras partes da trama foram publicadas na edição de setembro da revista (link).

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da edição deste mês de "Homem-Aranha", que mostra o desfecho da série

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fim da resenha sobre as duas partes finais da série "Um Dia a Mais", que começou a ser vendida nas bancas e lojas de quadrinhos neste encerramento de semana.

(Às vezes, o silêncio é muito mais eloqüente do que as palavras. É o caso.)

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h28
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Troféu Bigorna define vencedores da primeira edição do prêmio

Os ganhadores da edição de estréia do Troféu Bigorna foram divulgados nesta sexta-feira.

Os nomes dos vencedores foram noticiados em uma nota, veiculada no site "Bigorna", que promove a premiação de quadrinhos. Ao todo, foram 15 categorias:

  • melhor desenhista: Samicler Gonçalves
  • melhor roteirista: Francinildo Senna
  • melhor chargista: Carlos Latuff
  • melhor cartunista: Luiz Augusto
  • melhor site de autor: "GrapHiQ Brasil", de Mario Latino (link
  • melhor jornalista especializado: Gonçalo Junior
  • melhor editora: Desiderata
  • melhor editora independente: Júpiter II
  • melhor fanzine/revista independente: Café Espacial
  • melhor álbum/livro de humor: Macambira e Sua Gente
  • melhor livro sobre quadrinhos: A Era de Bronze dos Super-Heróis
  • melhor livro de aventura/outros: 35 Anos de Velta
  • prêmio contribuição à história em quadrinhos brasileira: Worney de Souza, editora Opera Graphica e programa "HQ Além dos Balões"
  • prêmio "uma vida dedicada aos quadrinhos": Eugenio Colonnese, Gedeone Malagola, Rodolfo Zalla
  • homenagem especial: Mark Novoselic

Segundo o site, a entrega do prêmio será no dia 29 de novembro à tarde, em São Paulo.

A organização desta primeira edição foi de Eloyr Pacheco, Humberto Yashima e Marcio Baraldi, que atuam no "Bigorna".

                                                              ***

A nota veiculada na página virtual nesta sexta-feira traz também os critérios adotados na seleção desta edição de estréia do Troféu Bigorna. Foram resumidos em seis itens:

  1. não premiar o mesmo chargista ou cartunista por 20 anos seguidos
  2. não ter "panelas de amiguinhos nem de espécie alguma"
  3. não deixar de dar o prêmio por desafetos pessoais
  4. não ignorar a trajetória de pessoas importantes, ainda não premiadas
  5. não se concentrar nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro
  6. não dar o prêmio a autores estrangeiros "porque não somos paga-pau de gringos e estamos aqui para dar valor aos brasileiros, que são nosso verdadeiro público"

A premiação de um mesmo chargista tem ocorrido no Troféu HQMix, o principal do país na área de quadrinhos. Angeli tem vencido na categoria há vários anos.

O HQMix também destaca obras e autores estrangeiros.

                                                             ***

A nota sobre os premiados, veiculada nesta sexta-feira no "Bigorna", traz um resumo de cada um dos premiados e os motivos que levaram à escolha deles. Para ler, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h00
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Mídia especializada interfere na forma como público vê quadrinhos

A mídia especializada em quadrinhos -jornalística ou não- interfere na maneira como o leitor enxerga determinada obra em quadrinhos. A interferência teria reflexos também nas vendas e na produção dos trabalhos.

Essa leitura é de Diego Figueira, pesquisador da Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo. Ele desenvolve lá um mestrado ligado à área de quadrinhos.

"A mídia especializada, como formadora de opinião, é responsável por consolidar valores sobre o que é uma boa história em quadrinhos e quais são as obras e autores importantes", diz, por e-mail.

"Hoje, uma historiografia e um cânone dos quadrinhos são definidos muito mais pela mídia do que pelos estudos acadêmicos. E isso tem influência artística e econômica na produção."

                                                              ***

Figueira aborda no mestrado na área de Lingüística o que chama de "cultura do fã".

O estudo busca saber como as opiniões que circulam na mídia especializada e em veículos mantidos por fãs têm interferido na criação de histórias de super-heróis calcadas na metalinguagem.

É o caso de "DC - A Nova Fronteira", seu principal objeto de estudo na dissertação.

A história, já lançada no Brasil pela editora Panini, põe os super-heróis em confronto com situações reais conhecidas pelos colecionadores de quadrinhos norte-americanos.

                                                             ***

Natural de Jaú, também no interior paulista, Diego hoje mora na mesma cidade onde faz a pesquisa. E onde vai qualificar o estudo -um estágio anterior à defesa final- no dia 17.

A relação com quadrinhos vem de anos atrás. Em 2004, começou a colaborar com resenhas sobre a área para o "Universo HQ, site especializado em quadrinhos.

Dois anos depois, criou uma página virtual própria, o "Pop Balões", mantida em parceria com Zé Oliboni, amigo de infância.

Paralelamente, desenvolve o mestrado e publica artigos, em livro ou em congressos.

                                                              ***

Um dos estudos, "O Papel do Autor nas Histórias em Quadrinhos", também lança uma reflexão sobre a área. O texto integra o livro "O Espelho de Bakhtin", lançado no ano passado pela editora Pedro & João.

No artigo, ele ensaia uma aproximação entre os quadrinhos e a leitura que Antonio Candido faz sobre a formação da literatura brasileira.

Na interpretação do professor emérito da Universidade de São Paulo, a literatura se forma por meio de um sistema formado entre autor, leitor e obra, unida por elementos estéticos e sócio-históricos (caso do arcadismo, por exemplo). Caberia à crítica literária articular esse processo.

Para Figueira, tanto o mercado atual de quadrinhos do Brasil quanto a produção da área em si poderiam estar passando por esse sistema, devidamente adaptado.

                                                              ***

O contato com Diego Figueira, de 24 anos, teve início numa série de conversas informais durante um congresso de Lingüística, realizado em julho deste ano em São José do Rio Preto, no interior paulista.

O contato verbal se verteu em trocas virtuais e estas, na entrevista a seguir:.

                                                              ***

Blog - No artigo, você cita, de forma rápida, um trecho de Antonio Candido. Você vê hoje no mercado de quadrinhos brasileiro o mesmo raciocínio feito por ele para a literatura como sistema?

Diego Figueira - A idéia de sistema literário apresentada por Antonio Candido refere-se a um estágio da produção literária de um país, por exemplo, em que as obras começam a ser articular a ponto de constituir uma tradição, um conjunto reconhecido como um todo orgânico. Trata-se mais de uma forma de percepção pública desse conjunto do que características inerentes às obras. Acredito que o modelo de Candido pode explicar a produção de quadrinhos em geral, pois hoje já existe, nos diferentes gêneros de quadrinhos, essa "consciência" de que a temática de uma obra ou o estilo de um autor tem semelhanças e diferenças com outros. Também podemos usar esse raciocínio para o mercado nacional, mesmo que aqui predominem obras produzidas em outros países, com um contexto artístico e econômico diferente.

 

Blog – Na sua leitura, qual é o papel da mídia especializada nesse processo?

Figueira - A mídia especializada, entre outras coisas, tem feito o papel da crítica literária nos quadrinhos. Isso é importante para estabelecer os laços entre obras e autores na memória dos leitores. Uma obra como Sandman ou a fase de Frank Miller no Demolidor não se torna um "clássico" sozinha, mas depende de um público que a legitime como tal e para isso o espaço da crítica é importante. No caso dos super-heróis, fica difícil pensar os usos que os roteiristas têm feito da cronologia sem a colaboração da mídia especializada para construir a memória dos quadrinhos.

 

Blog - Quando você menciona mídia especializada, refere-se a qual mídia especificamente? A virtual ou a impressa?
Figueira - Com certeza a mídia que fala de quadrinhos prosperou muito mais na Internet nos últimos dez anos, tanto no Brasil como em outros países. O número de sites sobre quadrinhos é muito maior do que o de revistas e o público da Internet também é muito maior. A internet também é mais diversificada, pois muitos veículos são blogs (como este) e até fóruns de discussão, em que o leitor pode interagir com o articulista. Na minha pesquisa, porém, eu abordo bastante a mídia impressa em diferentes momentos, desde os anos 70 com a explosão dos fanzines sobre quadrinhos. Além de serem a semente da mídia que temos hoje, estes fanzines foram o caminho para fãs que se tornaram profissionais de quadrinhos e esse novo perfil de autor trouxe muitas mudanças sentidas até hoje no mercado. Em sua origem, a mídia que falava de quadrinhos era praticamente a voz do fã. Isso contribuiu para deixar essa indústria mais sofistica e mudar a percepção públicas das HQs em vários aspectos.

 

Blog - Até que ponto a mídia especializada influencia na compra de uma obra, no seu entender?

Figueira - Primeiramente, boa parte da divulgação dos quadrinhos hoje é feito pela mídia especializada. Como só existem propagandas de gibis dentro de outros gibis, os anúncios de lançamento e previews são um veículo importante para atrair leitores, ainda se limitem àquele público específico que já é colecionador. Logo em seguida vêm os reviews e as críticas, que podem interferir na aceitação de uma revista. Mas creio que o maior poder que a mídia especializada conseguiu foi poder ditar a moda na indústria, criando um interesse muito maior em determinados autores, personagens ou mesmo em determinados gêneros de história. Assim, a sua influência não se dá apenas sobre as vendas no mercado, mas também na produção, quando autores e editores decidem que tipo de obra levar ao leitor. 

 

Blog - Em que estágio está seu mestrado? A que conclusões chegou até agora?

Figueira - O exame de qualificação de meu mestrado está marcado para outubro. Após isso, espero concluí-lo e defendê-lo entre o final de 2008 e início de 2009. Neste trabalho, estudo como uma "cultura de fã" sobre os quadrinhos, que circula na mídia especializada e outros veículos em que os colecionadores se expressam, tem favorecido a produção de obras marcadas pela metalinguagem e pela criação de alegorias com a própria história das histórias em quadrinhos, como "Reino do Amanhã", "Planetary", "Promethea" e "DC: A Nova Fronteira". É sobre essa última que trato mais detalhadamente na dissertação. Além da confirmação desta hipótese inicial, a principal conclusão a que cheguei é que justamente por não se inserir na cronologia oficial da DC, esta série pode oferecer de forma mais clara para qualquer leitor a imagem da grandeza que este universo possui e só é percebido pelos colecionadores fanáticos, pois existe de forma muito abstrata, nos textos que circulam as revistas em quadrinhos e que compõem a mídia especializada de forma geral.  

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h31
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09.10.08

Mais duas editoras vão publicar quadrinhos no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Filósofos em Ação", primeiro lançamento da Gal, uma das editoras que vão apostar na área de quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

Duas editoras vão investir na área de quadrinhos no Brasil. Uma é a novata Gal, criada em 2007. A outra é a Arte Seqüencial, que ainda não tornou públicos os títulos que irá lançar.

A Gal, por outro lado, já definiu o trabalho de estréia: o álbum "Filósofos em Ação", escrito por Fred van Lente e desenhado por Ryan Dunlavey (100 págs., R$ 29,90).

A obra faz uma leitura modernizada de temas ligados à filosofia e terá lançamento no próximo sábado, em São Paulo, no encontro de ficção científica Jedicon 2008.

                                                              ***

O lançamento é feito em parceria com a Oráculo Editorial. A empresa é mantida por Maurício Muniz, um dos proprietários da extinta editora Pandora.

"Como os materiais mais conhecidos já têm donos no Brasil, a editora vai trazer títulos que não são tão conhecidos aqui, mas que ganharam destaque lá fora, seja por ganharem prêmios, seja por terem conquistado a crítica", diz ele, por e-mail.

A proposta é ser mais uma opção para o leitor mais maduro.

"Hoje o mercado no Brasil parece apelar a vários segmentos e o interesse pelas histórias em quadrinhos adultas vem se ampliando."

 

 

 

 

Capa original de "Three Fingers", obra premiada nos Estados Unidos que também será lançada no Brasil

 

 

 

 

Segundo Muniz, a Gal negocia trabalhos de terror, humor e policial. Fechado, há dois até o momento: "Box Office Poison" e "Three Fingers".

"Three Fingers", de Rich Koslowski, venceu o prêmio Ignatz de melhor graphic novel.

A narrativa da obra -premiada em 2003 nos Estados Unidos- simula um documentário sobre a indústria da animação das décadas de 1930 e 40.

O diferencial é que os entrevistados são versões de personagens clássicos dos desenhos. A capa, mostrada acima, parodia um dos personagens: um realista Mickey Mouse.

                                                              ***

A parceria da Oráculo Editorial é feita também para a Arte Seqüencial.

E para a Landscape, que lançou em agosto passado os álbuns "Fell: Cidade Brutal" e "Sam Noir: Detetive Samurai" (leia mais aqui).

"Apresento opções dentro do que as editoras estão interessadas e elas escolhem. Em algumas, minha opinião tem peso maior. Mas tudo é muito discutido e pensado", diz Muniz.

O próximo lançamento da Landscape -segundo ele- será o terror "Mar de Sangue", da Image Comics. Os dois primeiros títulos da Landscape também eram da editora americana. 

Muniz afirma que está em negociação com uma quarta editora. O nome ele não revela. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h54
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Uma tira para começar bem esta quinta-feira

 

 

Crédito: a tira de "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales, foi publicada na edição de hoje da "Folha de S.Paulo". A reprodução é da versão on-line do jornal.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h04
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08.10.08

Exposição mostra como seria desfecho "real" de desenhos animados

 

  

 

À esquerda, o gato Frajola devora Piu-Piu dentro da gaiola. À direita, Tom fatia Jerry.

As ilustrações fazem parte de uma mostra que será aberta nesta sexta-feira em Londres.

A proposta da exposição inglesa é mostrar como seriam os "reais" desfechos dos desenhos animados baseados no par caçador/caçado.

Nas animações clássicas, quem é caçado sempre vence.

Segundo reportagem do portal BOL, "Splatter", nome da mostra, foi feita pelo artista plástico James Cauty. A idéia foi do filho dele, Harry, de 15 anos.

Crédito: as imagens desta postagem são reproduções do BOL.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h58
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Encontro no RJ discute diálogo entre quadrinhos e outras linguagens

Uma mesa-redonda hoje, no Rio de Janeiro, tem como pauta discutir a relação dos quadrinhos com outras linguagens artísticas.

O foco será no diálogo entre quadrinhos, cinema, teatro e literatura.

Parte dos participantes do encontro já teve adaptações feitas em quadrinhos:

  • Leandro Assis e Hiroshi Maeda (autores da adaptação de "O Cabeleira")
  • Arnaldo Branco (que adaptou "O Beijo no Asfalto", de Nelson Rodrigues)
  • João Calvet (diretor do documentário "Quadrinhos")
  • Carlos Patati (autor de "Almanaque dos Quadrinhos")

A mediação será de Sandro Lobo, ex-editor da área de quadrinhos da Desiderata.

                                                             ***

O debate faz parte da programação da Semana de Quadrinhos na Travessa, promovida pela livraria homônima. O evento teve início na última segunda-feira.

Amanhã, o tema do encontro será "mulheres nos quadrinhos".

A mesa-redonda terá a participação de Fábio Lyra e Edna Lopes, autores dos álbuns "Menina Infinito" e "Amana ao Deus Dará", respectivamente.

Os dois trabalhos têm protagonistas femininas.

Na sexta-feira, vai haver exibição do documentário "Quadrinhos".

                                                             ***

Serviço - Debate "Os Quadrinhos, a Literatura, o Teatro e o Cinema". Quando: hoje (08.10). Horário: 19h. Onde: Livraria da Travessa do Barra Shopping. Endereço: Av. das Américas, 4666, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Há mais detalhes da programação no site da Livraria da Travessa (link).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h34
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"Começaram a colocar matérias à minha revelia", diz Ota

O blog recebeu nesta quarta-feira, às 11h24, um e-mail com o ponto de vista de Otacílio D´Assunção, o Ota, sobre sua saída do processo de edição da revista "Mad", da Panini.

Esta página virtual havia entrado com ele na quinta-feira passada, por e-mail.

Segue a resposta, na íntegra:

                                                              ***

"Não me interessa ficar lavando roupa suja, mas nunca foi minha intenção permanecer na Mad a vida toda, e a idéia era fazer a transição aos poucos.

Mas houve uma quebra do que havia sido combinado antes. O acordo era eu produzir o conteúdo de toda a parte nacional.

No momento em que começaram a colocar matérias à minha revelia (das quais só tomei conhecimento ao ver a revista impressa) considerei um insulto e falta de ética profisisonal, já que nada do que era prometido estava sendo cumprido.

A situação foi ficando insustentável. Não há clima para continuar quando se perde a confiança nas pessoas. Isso estava me fazendo mal.

Todo o marketing do relançamento foi feito em cima do meu nome, e o público (ou a parte dele que presta atenção nos créditos) poderia associar o conteúdo duvidoso de algumas matérias a mim.

Tenho um nome a zelar. Discordo completamente dos rumos que a revista está tomando, e lamento que seja um técnico, e não um humorista, tocando o conteúdo. Infelizmente isso não ocorre.

A revista já não dava lucro para ninguém desde o fim da década de 90, seguindo uma tendência de mercado que motivou a queda de todas as revistas de banca, mas resistiu até agora. Não sei quanto tempo ela duraria mesmo que eu ficasse.

Na verdade a Panini só está publicando por uma obrigação contratual devido a uma venda casada de títulos da DC Comics. Acredito que por esse motivo seja mantida mais algum tempo.

Mas o meu tempo na Mad já acabou. Vou leiloar todo o meu acervo, que consiste em edições nacionais e estrangeiras e memorabilia de modo geral, não só para me desligar espiritualmente da Mad, como também reinvestir no meu projeto atual, o Otatube (http://www.ota.com.br/otatube).

Quero trabalhar com animação e novas mídias, mais apropriadas aos tempos atuais."

                                                              ***

Leia neste link a resposta de Raphael Fernandes sobre a saída de Ota. Fernandes dividia a edição da revista com Ota.

E aqui para ler a reportagem sobre a saída de Ota da revista da Panini.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h18
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07.10.08

Editor da Mad diz que visão dele difere da de Ota

Raphael Fernandes, que dividia a edição da revista "Mad" com Otacílio d´Assunção, o Ota, enviou ao blog na tarde desta terça-feira uma nota sobre a saída de Ota da revista.

Fernandes, que inicialmente deveria cuidar apenas do material internacional da revista, diz que há diferenças entre a visão dele e a de Ota sobre a revista.

“Gostaria muito de conseguir trabalhar com o Ota, que é parte da história da Mad no Brasil, mas nossa visão difere e ele preferiu seguir outro rumo", diz Fernandes.
 
"Respeito sua decisão e admiro seu trabalho realizado, mas a revista precisa passar por uma reformulação para atender as novas gerações.”
                                                             
                                                              ***
 
Ota pediu para sair da publicação, como o blog informou no início desta semana. O desligamento teria ocorrido no fim do mês passado.
 
O blog entrou em contato com Ota, por e-mail, na última quinta-feira.
 
Até o momento, não houve resposta dele.
 
Leia mais sobre o caso na postagem abaixo (link).
 
                                                              ***
 
Post postagem (08.10, à 0h29):
 
Ota deixou um comentário na postagem abaixo, às 23h44. Reproduzo na íntegra:
 
"Acho que quase 40 anos de atividade profissional e 34 à frente da revista me dão legitimidade para o que eu vou falar. Posso estar velho, mas não estou desatualizado. Não me importo que outros mais jovens ocupem o lugar dos mais velhos, é a ordem natural das coisas. Dou força para a Chiquinha e o Carranza, que são os seguidores naturais da escola "Ota". Chiquinha está fazendo sucesso e Carranza será o próximo. Entretanto, sobre a parte "editorial" da revista prefiro não falar. Só comento sobre pessoas com talento. Lamento os rumos que a revista tomou, mas não é a primeira vez que ela passa por essa situação... os últimos números da Vecchi não foram editados por mim... quem tiver, compare. É preciso um humorista para editar a revista. e nem todos têm o "gen H". O resultado final comprovará o que digo. Se estou contente?: Não. Não quero ficar mais nela, mas ver o resultado patético que está se tornando me deixa... deixa pra lá."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h55
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06.10.08

Ota deixa de editar a revista Mad

Um casamento de anos de fidelidade terminou em divórcio. Otacílio d´Assunção, o Ota, deixa de participar da edição nacional da "Mad", revista em que trabalhou durante 34 anos.

Ota tornou a saída pública em uma nota, postada em seu blog no último dia 1º. Segundo o texto, foi ele quem pediu para sair. O desligamento teria ocorrido no fim do mês passado.

"Há muito tempo eu estava descontente, mas nos últimos seis meses as coisas foram tomando um rumo desagradável", diz ele, na postagem escrita no blog.

Os motivos do descontentamento, no entanto, ele não deixa claros. Afirma apenas que houve diferenças entre ele e o outro editor da revista, Raphael Fernandes.

"Basicamente divergências sobre o rumo que o outro co-editor estava dando à revista. Bom, enfim, encurtando a história, chutei o balde semana passada."

                                                              ***

O blog entrou em contato com Ota na quinta-feira passada, por e-mail, para saber mais detalhes sobre a saída dele. Não houve resposta até o momento (escrevo à 0h15).

Raphael Fernandes confirma a saída de Ota. Mas prefere não se pronunciar no momento. Diz apenas que a primeira revista sem o antigo editor será a de número oito.

Desde a edição quatro, o nome de Ota não aparece nos créditos da publicação.

Ota afirma, no texto escrito em seu blog, que havia pedido para que seu nome não constasse mais. E que pretende vender sua coleção e "quinquilharias" ligadas à revista.

"Pra que quero guardar isso? Melhor passar adiante pra alguém que ainda goste da revista."

                                                              ***

A "Mad" voltou a ser publicada no Brasil em março deste ano, pela editora Panini (leia aqui).

Na nova versão, Ota ficaria responsável pela parte nacional. Ele produziu desenhos próprios até a edição três. O material vindo dos Estados Unidos ficaria a cargo de Fernandes.

Foi a quinta participação de Ota no trabalho editorial da revista.

Ele esteve à frente de todas as versões nacionais da publicação: Vecchi (de 1974 a 1983), Record (de 1984 a 2000), Mythos (de 2000 a 2006) e, agora, nesta curta passagem pela Panini (2008).

Nos Estados Unidos, a "Mad" surgiu em 1952, editada pela EC Comics. Hoje, os direitos de publicação pertencem à DC Comics, mesma editora de Super-Homem e Batman.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h15
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05.10.08

"O Globo" publica história em quadrinhos a partir deste domingo

 

 

A página acima é a primeira de um total de quatro que começa a ser publicada a partir de hoje em "O Globo". Sai uma a cada domingo na revista de fim de semana do jornal.

Jornal, aliás, é o tema da história em quadrinhos, escrita e desenhada por Odyr, ex-editor de arte da editora Desiderata, vendida na virada do ano para a Ediouro.

"Sou um leitor de jornal e, como todo mundo, todo dia minha atenção é desviada pelas histórias mais baixas, absurdas ou fantásticas que acontecem nesse mundo. A história reflete isso", diz ele em entrevista a Telio Navega, do blog "Gibizada", página hospedada no portal de "O Globo". 

A história ocupa o espaço da coluna do jornalista Artur Xexéo durante as férias dele.

O mesmo recurso de substituir a ausência dele por quadrinhos ocorreu no ano passado.

Odyr produz também um álbum, "Copacabana", que deve ser lançado pela Desiderata.

A revista "Época São Paulo" também tem mantido uma página de quadrinhos, feita pelos gêmeos Gabriel Bá e Fábio Moon. Já foram publicadas duas histórias.

Crédito: a imagem que ilustra esta postagem foi reproduzida do blog "Gibizada". A página virtual tem mais detalhes sobre o trabalho de Odyr. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h21
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04.10.08

Álbum nacional traz história de ação ambientada em Salvador

 

 

 

 

 

 

 

Flávio Luiz, autor de "Aú, o Capoeirista, faz um primeiro lançamento da obra neste domingo à noite, em Salvador

 

 

 

 

 

 

 

Costuma-se dizer -com bastante razão- que as melhores idéias muitas vezes são as mais simples. O álbum nacional "Aú, O Capoeirista" traz uma delas. Que herói sintetizaria tão bem o Pelourinho baiano quanto um capoeirista?

O personagem-título é um adolescente que mora no ponto turístico de Salvador. Lá, nas ruas antigas do Pelourinho, joga capoeira com outros colegas.

Mas, se precisar, usa a técnica herdada dos escravos para defender a si e aos outros.

E é exatamente o que ocorreu neste primeiro volume, que inicia na próxima terça-feira uma série de lançamentos pelo país (Papel A2 Texto & Arte, 48 págs., R$ 48).

                                                             ***

Aú -o nome vem de um dos movimentos da capoeira- encontra uma jovem francesa nas ruas do Pelourinho. Nathalie visita a região acompanhada do pai.

De máquina em punho, fotografa o que pode, como normalmente faz um turista.

Uma das fotos flagra dois homens iniciando um incêndio criminoso em um dos prédios históricos de lá. O objetivo é afugentar a dona, que resiste em vender a construção para investidores.

A turista francesa é pega e seqüestrada. E cabe ao capoeirista salvá-la.

                                                              ***

O enredo retoma as origens do personagem, idealizado pelo também baiano Flávio Luiz.

Em 1992, ele criou Aú para uma exposição de quadrinhos feita pela Aliança Francesa de Salvador. O herói era um menino capoeirista, que recebia uma visitante francesa na cidade.

É na Aliança Francesa, por sinal, que será o primeiro lançamento do álbum.

Da versão de 1992 para esta de 2008, o personagem cresceu e ganhou nova forma. E deu vida a um dos trabalhos em quadrinhos mais autorais de Flávio Luiz.

                                                              ***

O desenhista tem um histórico já largo de produções ligadas à área.

Foi premiado em diferentes salões de humor, produziu ilustrações e charges para jornais, criou as tiras "Jab, um Lutador" e "Rota 66", ambas reunidas num revista única.

Em 2006, ele já fez um primeiro ensaio com trabalhos não humorísticos. Coube a ele a difícil tarefa de dar corpo ao roteiro de "O Messias", álbum escrito pelo jornalista e escritor Gonçalo Junior.

A dificuldade é que o texto previa a completa ausência de diálogos. Todas as páginas tinham de ser resolvidas apenas por meio dos desenhos. O resultado foi um dos melhores nacionais dos últimos anos.

                                                              ***

O que Flávio Luiz faz agora é um novo diálogo com a história longa e baseada na ação narrativa. Os elementos de humor ficam restritos a poucas cenas, em especial as vividas pelo vilão, Armando Confusioni.

Mas o desenhista estabelece também um outro diálogo, com um público diferenciado.

O trabalho, lançado em tamanho grande e capa dura, é destinado ao leitor mais jovem.

É um público que é convidado a fazer uma viagem lúdica pelas ruas e construções do Pelourinho, guiada pelos passos de Aú. 

                                                              ***

Lançamento de "Aú, o Capoeirista". Quando: terça-feira (07.10). Horário: 19h30. Onde: Aliança Francesa. Endereço: Av. Sete de Setembro, 401, Ladeira da Barra, Salvador. Quanto: R$ 48. O autor fará lançamentos durante o mês de outubro em Recife (14.10), Belo Horizonte (16.10), Rio de Janeiro (20.10), Curitiba (21.10) e São Paulo (24.10). Mais informaçõe sobre o personagem neste link.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h05
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03.10.08

Lançada no Brasil série que deu prêmio a brasileiro nos EUA

 

 

 

 

 

 

 

 

"A Guerra dos Anéis", seqüência de histórias com a Tropa dos Lanternas Verdes, deu o prêmio de melhor desenhista a Ivan Reis

 

 

 

 

 

 

 

 

A série "A Guerra dos Anéis", desenhada em 2007 pelo brasileiro Ivan Reis, começou a ser publicada no Brasil.

O início da saga é mostrado no número de estréia de "Dimensão DC: Lanterna Verde", revista que chegou às bancas neste finzinho de semana (Panini, 100 págs., R$ 6,90).

A história, que terá continuação nos próximos números da nova publicação mensal, deu o título de melhor desenhista do ano passado ao brasileiro Ivan Reis (leia mais aqui).

Ele é o titular da revista do Lanterna Verde nos Estados Unidos.

Reis foi indicado como destaque na categoria por profissionais da revista norte-americana "Wizard". A publicação é especializada em notícias da indústria de quadrinhos.

                                                              ***

A lista com a seleção dos melhores de 2007 foi publicada na edição de novembro.

A série com os Lanternas Verdes conquistou em agosto deste ano outro prêmio da revista, o Wizard Fan Award. Como o nome indica, a escolha foi feita por fãs.

"Lanterna Verde" foi indicada como melhor revista mensal. Também receberam o prêmio o colorista do título, o editor e o escritor, Geoff Johns, um dos principais da DC Comics, que edita a publicação.

Uma edição especial de "Sinestro Corps War", título original de "A Guerra dos Anéis" nos Estados Unidos, foi eleito o melhor título solo.

Ethan Van Sciver, que fez a arte, ganhou como melhor desenhista (mais aqui). Também é dele a capa do primeiro número de "Dimensão DC: Lanterna Verde".

                                                              ***

Essa repercussão incentivou a editora Panini a lançar a série em revista própria. Este primeiro número de "Dimensão DC: Lanterna Verde" traz exatamente o material premiado nos Estados Unidos.

"A Guerra dos Anéis" mostra a formação de uma tropa estelar formada somente por pessoas más, escolhidas a dedo entre os mais distantes e diferentes mundos do universo.

O novo exército do mal é liderado por Sinestro, que aparece em destaque, no centro da capa deste primeiro número.

Sinestro é um ex-integrante da Tropa dos Lanternas Verdes, heróis possuidores de um poderoso anel energético. O artefato emite uma energia de luz que materializa o pensamento de quem o usa.

                                                              ***

A vingança de Sinestro tem início na edição especial "Sinestro Corps Special", que abre a edição nacional. A história foi publicada nos Estados Unidos em agosto de 2007 e desenhada por Ethan Van Sciver.

A continuação ocorreu no mês seguinte, na revista mensal do super-herói Lanterna Verde. É esta que mostra a arte do brasileiro Ivan Reis.

Ele começou a trabalhar no título em 2006. Essas histórias foram publicadas no Brasil na revista "Liga da Justiça", também da Panini.

No momento, Reis prepara outra saga especial envolvendo os Lanternas Verdes. "Blackest Night" (noite mais escura) deve ser lançada no ano que vem.

                                                              ***

O contrato do brasileiro com a DC Comics prevê exclusividade e vai até o fim de 2009. Mas, em entrevista ao blog, em agosto passado, ele disse ter trabalhos na editora até 2011.

Reis começou a ganhar destaque na DC ao desenhar "Action Comics", um dos títulos mensais do Super-Homem.

Depois, fez a arte de edições ligadas à minissérie "Crise Infinita", principal evento da DC Comics entre 2005 e 2006.

Um dos títulos, "Contagem Regressiva para Crise Infinita", rendeu outro prêmio, o de melhor revista única daquele ano. Outro brasileiro, Ed Benes, participou dos desenhos da edição.

                                                             ***

"Dimensão DC: Lanterna Verde" faz parte de uma reformulação editorial das revistas da Panini, iniciada em setembro.

A informação já havia sido noticiada por este blog no começo de agosto.

Leia a reportagem aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h44
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02.10.08

Novo número de Turma da Mônica Jovem tem mais ação que anterior

 

 

 

 

 

 

Segundo número da versão adolescente dos personagens de Mauricio de Sousa é vendido nas bancas desde a semana passada e tem lançamento nesta sexta-feira em Sâo Paulo 

 

 

 

 

 

O primeiro número de "Turma da Mônica Jovem" trazia trazia o atrativo de saber como os personagens de Mauricio de Sousa ficariam quando adolescentes.

O segundo número já não tem mais como ser ancorado na curiosidade do leitor. Cabe à série, então, dizer a que veio.

A nova edição -que é vendida nas bancas desde a semana passada e que tem lançamento nesta sexta-feira em São Paulo (Panini, 132 págs., R$ 6,40)- tem bem mais ação do que o número de estréia.

E usa muito mais o traço do mangá, confirmando a impressão iniciada na edição anterior de que se trata de um mangá nacional.

                                                              ***

Ter o rótulo "mangá" estampado na capa -mesmo que seja com a expressão eufemística "em estilo mangá"- é uma estratégia de aproximar o produto de um leitor mais maduro, consumidor de quadrinhos japoneses.

O estilo casa com a proposta da nova revista dos Estúdios Mauricio de Sousa, que é atingir exatamente o leitor que acompanhava a versão infantil dos personagens e que, agora, migra para outras leituras.

A palavra mangá, em conteúdo e em forma, cumpre sua função.

A história, no entanto, bebe também de outros elementos: das características do universo da Turma da Mônica -revisitadas- e das histórias místicas de capa e espada.

                                                              ***

Este segundo número, tal qual um mangá tradicional, continua do ponto onde parou a edição anterior.

Os agora adolescentes Mônica, Cebolinha (que só troca o "r" pelo "l" quando fica nervoso), Cascão e Magali são transformados em guerreiros e levados a outra dimensão, Mavidele.

A missão é recuperar uma série de objetos místicos para salvar os pais de cada um deles, mantidos presos por Yuka, uma feiticeira oriental (outro diálogo com o mangá).

Os quatro personagens recebem equipamentos especiais para cumprir as tarefas. Mônica ganha arco e flechas, Cebolinha, escudo e espada, Cascão, um manto de camuflagem e Magali, um livro mágico.

                                                               ***

Para quem já viu o desenho animado "Caverna do Dragão", há muita semelhança.

O resultado obtido por esta nova edição de "Turma da Mônica Jovem" é uma narrativa carregada de ação, mesclada por várias pitadas de situações cômicas, acentuadas pelo traço do mangá.

A aventura, a exemplo da seqüência anterior, continua no terceiro número.

Leia resenha sobre o número de estréia da série neste link.

E veja aqui o que mudou nos personagens na nova versão.

                                                              ***

Serviço - Lançamento de "Turma da Mônica Jovem" 2. Quando: sexta-feira (03.10). Horário: 19h30. Onde: Livraria Saravia do Santana Parque Shopping. Endereço: Rua Conselheiro Moreira de Barros, 2.780, São Paulo. Quanto: R$ 6,40.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h07
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01.10.08

Desenhos são ponto alto do primeiro álbum solo de Rafael Grampá

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Mesmo Delivery", obra em quadrinhos que tem lançamento nesta quinta-feira à noite, em São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

O gaúcho Rafael Grampá faz parte de um seleto grupo de quadrinistas que caiu nas graças da mídia cultural brasileira. É algo que ocorre também com Neil Gaiman, de "Sandman", e Alan Moore.

Antes mesmo do lançamento de "Mesmo Delivery", primeiro álbum solo de Grampá, ele já ganhava destaque no cadernos de cultura dos grandes jornais.

Esse prematuro ar pop atribuído ao desenhista aumentou as expectativas de leitura do álbum, lançado -agora de fato- nesta quinta-feira à noite, em São Paulo (Desiderata, 56 págs, R$ 39,90).

Apesar do ar que se criou em torno da obra, cabe a ela falar por si. E o que o trabalho traz é uma narrativa que seduz o leitor. Mas principalmente por conta dos desenhos.

                                                             ***

A arte de Rafael Grampá é o ponto alto deste primeiro trabalho longo feito por ele.

A parte visual é algo para se observar. E observar novamente. E são essas imagens que irão ficar na retina e na mente do leitor.

Detalhadas, provocantes, inovadoras, violentas, com estilo próprio e marcante.

Os desenhos dele, de fato, fazem jus à repercussão precoce que conquistou.

A arte é tão diferenciada que até ofusca a história mostrada por meio dela.

 

 

"Mesmo Delivery" não traz personagens profundos ou diferentes núcleos narrativos a serem articulados. Não.

O que o álbum traz é um conto. Um conto de violência. Extrema. E acentuada pelo traço cinematográfico do desenhista e diretor de arte, que hoje mora em São Paulo.

O conto em quadrinhos mostra um caminhoneiro grandalhão que tem de fazer uma entrega misteriosa. Não saber qual era a carga fazia parte do negócio.

No caminho, faz uma parada num bar. Arruma uma briga e tem início o cenário de violência criado visualmente por Grampá.

                                                             ***

Os desenhos, mais do que a história, fazem jus à expectativa criada em torno de Rafael Grampá e consolidada com a conquista do Eisner Awards, em julho.

Ele ganhou o prêmio norte-americano na categoria melhor antologia.

Foi pelo trabalho na revista independente "5", feita com Becky Cloonan, Vasilis Lolos e com os brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon.                                                     

A conquista do Eisner Awards -o principal da indústria norte-americana de quadrinhos- foi devidamente registrado, com um adesivo, no canto superior direito da capa de "Mesmo Delivery" (embora não apareça na versão mostrada no início desta resenha).

Isso diferencia a versão brasileira da norte-americana, lançada lá em julho passado. A história, inclusive, dialoga mais com o leitor de lá por ser ambientada nos EUA.

                                                             ***

Há quem aproxime Rafael Grampá de Lourenço Mutarelli, outro quadrinista e agora escritor que, meritoriamente, conseguiu atrair a atenção da mídia cultural brasileira.

É Mutarelli quem assina o prefácio do álbum. No texto, com ar literário, ele assume uma paternidade criativa de Grampá, nascida junto com as palavras da introdução.

No texto, Grampá cria um conto correto. Mas nada mais que isso. Ainda não se iguala aos álbuns em quadrinhos criados por Mutarelli.

Nos desenhos, a história é outra. Talvez tenham até superado os trabalhos anteriores do "pai coruja", como Mutarelli rotula a si próprio no prefácio.

Fica para os próximos trabalhos falarem, novamente, por si. 

                                                             ***

Serviço - Lançamento de "Mesmo Delivery", de Rafael Grampá. Quando: quinta-feira (02.10). Horário: 19h; Onde: Livraria Pop. Endereço: Rua Doutor de Virgílio de Carvalho Pinto, 297, São Paulo. Quanto: R$ 39,90.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h21
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Super-heróis vencem acordo ortográfico e continuam com acento

O novo acordo ortográfico já trouxe a primeira vítima: este jornalista. Informei errado duas das mudanças na postagem do último dia 29. A informação precisa ser corrigida.

Noticiei que "super-herói" perderia o acento agudo. Não é verdade.

A perda do acento diferencial nos ditongos abertos "eu" e "oi" vale apenas para palavras paroxítonas, ou seja, que tenham tônica a penúltima sílaba.

Portanto, "herói", uma oxítona, mantém o acento agudo, segundo a nova regra ortográfica, assinada nesta semana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Heroico", por outro lado, por ser paroxítona, perde o acento.

Outro equívoco ocorreu com a palavra "acção". Noticei que admitiria dupla escrita. Na verdade, é o oposto: perde a grafia do "c" em Portugal.

Menos mal. Pelo menos, os super-heróis mostraram quem é que manda nesse novo acordo.

Nota: agradeço a Fernando Lopes e Fabiano Denardin, editores da Mythos/Panini, pela atenção em me alertarem sobre o erro na notícia, agora corrigido.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h58
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Críticas anônimas na internet podem ter punição judicial

Divido esta informação com o leitor.

É relevante tanto para mim quanto para quem acompanha esta página.

A edição de hoje do jornal "O Estado de S. Paulo" traz uma reportagem sobre críticas e comentários feitos na internet, inclusive em blogs.

Os comentários ofensivos podem ser punidos judicialmente. E isso vale também para aqueles que optam por se esconder no anonimato.

A matéria revela que o número de ações referentes a problemas virtuais aumentou. Havia 400 em outubro de 2002. De lá para cá, passa de 17 mil.

Reproduzo trecho da reportagem, assinada pela jornalista Laura Diniz:

"Atualmente, a autoria de grande parte das ofensas anônimas feitas via web é facilmente identificada com auxílio da Justiça. As indenizações, quando comprovadas as agressões, raramente são negadas. A responsabilidade de todos está cada vez mais clara: o site de relacionamentos que não tirar conteúdo ofensivo do ar, a pedido da vítima, torna-se réu da ação, o blogueiro que permitir um comentário agressivo a terceiro em seu blog responde na Justiça junto ao agressor, os pais são responsáveis na esfera civil por ofensas feitas via web pelos filhos e por aí vai."

Isso significa, na prática, que o autor do blog é tão responsável quanto o leitor pelo conteúdo que é escrito no espaço de comentários, de forma anônima ou não.

Não vejo problema de comentários ofensivos neste blog jornalístico, desde que foi criado em abril de 2006. Pelo contrário. 

O que tenho testemunhado são diálogos virtuais que acrescentam informações, pontos de vista e detalhes, que alçam o internauta à posição de co-autores da notícia.

Mas é fato também que nem todos assinam com o nome e o sobrenome.

É algo importante, que precisa ser pensado coletivamente.

Fica o convite à reflexão.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h26
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Peça baseada em personagens de Laerte reestréia em São Paulo

A peça "A Noite dos Palhaços Mudos" faz nova temporada em São Paulo. Ela fica em cartaz até o dia 30 deste mês.

A montagem da Cia. La Mínima é baseada nos Palhaços Mudos, personagens de quadrinhos criados pelo cartunista Laerte.

A produção ganhou destaque por conta da indicação ao Prêmio Shell de Teatro, um dos principais da área no país.

"A Noite dos Palhaços Mudos" teve quatro indicações:

A montagem, que teve texto de Laerte, foi indicada nas categorias:

  • direção: Alvaro Assad
  • ator: Domingos Montagner e Fernando Sampaio
  • trilha sonora original: Marcelo Pellegrini

Essas indicações são referentes ao semestre passado. O Prêmio Shell de Teatro faz seleções semestrais em São Paulo e no Rio de Janeiro (leia mais aqui).

Os premiados serão divulgados no ano que vem, após a definição das produções deste segundo semestre. Os vencedores recebem uma estatueta e R$ 8.000.

Na adaptação da Cia La Mínima, os dois palhaços mudos tentam resgatar um nariz de palhaço mutilado, guardado numa organização secreta contrária ao circo.

As apresentações desta nova temporada são às quartas e quintas-feiras.

Serviço - "A Noite dos Palhaços Mudos". Quando: quartas e quintas-feiras. Horário: 21h. Onde: Espaço Parlapatões. Endereço: Praça Roosevelt, 158, centro de São Paulo. Quanto: R$ 24. Fica em cartaz até 30/10.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h11
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