29.12.08

Chibata e Macanudo foram os melhores de 2008, segundo jornalistas

Dois veículos virtuais diferentes fizeram listas sobre os melhores quadrinhos de 2008.

Uma foi realizada pela revista cultural "O Grito". Outra pelo blog "Gibizada", especializado na área.

Ambas ouviram jornalistas e pessoas ligadas a quadrinhos.

Mas tiveram resultados diferentes.

 

Crédito: reproducao

 

Na lista de "O Grito", a principal obra deste ano foi "Macanudo", da editora Zarabatana.

O álbum é a primeira coletanea de tiras do argentino Liniers no Brasil.

O site elencou outros 29 trabalhos que foram votados como destaques do ano (veja aqui).

 

Credito:reproducao

 

Na lista do "Gibizada", o trabalho mais indicado pelos jornalistas foi "Chibata! - Joao Candido e a Revolta Que Abalou o Brasil", da Conrad.

O álbum nacional foi produzido pela dupla Hemeteiro e Olinto Gadelha.

O blog, comandado por Telio Navega, elencou os cinco quadrinhos mais citados pelos jornalistas consultados (veja a lista aqui).

                                                          ***

Este jornalista teve a oportunidade de participar das duas listas.

Indiquei em ambas 10 obras. Adotei o ineditismo como um dos criterios.

"Macanudo" e "Chibata!" estavam entre os trabalhos que modestamente considero figurarem entre os melhores de 2008.

Mas entendo que a biografia de Che Guevara, lancada neste mes pela Conrad, tenha sido o principal destaque do ano.

                                                          ***

E para voce? Qual a principal história em quadrinhos de 2008? 

Deixe sua opiniao registrada abaixo.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h47
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28.12.08

Liniers publica tira de despedida de Macanudo

 

 

A tira acima, de autoria do argentino Liniers, foi publicada neste domingo no jornal "La Nacion", de Buenos Aires, cidade de onde escrevo esta postagem.

A história é uma despedida da série.

"Amigos... foi um prazer desenhar Macanudo nos últimos seis anos e meio", registra o autor no primeiro quadrinho.

Mais adiante, completa: "Mas tarde ou cedo, tudo termina, nao? Obrigado a todos. Até sempre."

No blog do autor, nao há nenhum registro sobre uma possível saída dele do jornal portenho.

O "La Nacion" também nao faz nenhuma mencao ao tema.

Liniers é um dos principais autores de quadrinhos atualmente da Argentina.

A sexta coletânea de tiras de Macanudo - que teve as capas desenhadas por ele uma a uma - foi lancado neste fim de ano e simplesmente nao é encontrado em nenhuma livraria de Buenos Aires.

O autor estreou no Brasil neste semestre, com um álbum lancado pela Zarabatana.

Liniers veio ao Brasil para o lancamento. Leia mais aqui.

Nota: o til e o cedilha estao ausentes desta postagem por conta das diferencas do teclado argentino que uso para registrar esta postagem.

Post postagem (29.12, às 23h28): nesta segunda-feira, tira normal de Macanudo no "La Nacion". Conclusao: tratava-se mesmo de uma piada, uma especie de Dia da Mentira, nao compreendida por este blogueiro. Felizmente. Agradeco aos leitores que tiveram a atencao de me alertar para isso.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h38
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25.12.08

Biografia de Che marca a adiada estréia de Oesterheld no Brasil

 

Crédito: reprodução 

 

 

 

 

 

 

 

Obra argentina começou a ser vendida na semana passada e é desenhada por Alberto e Enrique Breccia

 

 

 

 

 

 

A proximidade da versão cinematográfica sobre a vida de Ernesto Che Guevara - produção de mais de quatro horas de duração dirigida por Steve Sordenberg - é um dos atrativos editoriais para pôr no mercado a biografia do guerrilheiro publicada há exatos 40 anos na Argentina.

Que seja esse o pretexto.

O relevante é que o lançamento marca a estréia no Brasil do escritor argentino Hector G. Oesterheld, inexplicavelmente adiada por mais de meio século.

O "inexplicável" é por ele ser visto como o principal roteiristas de quadrinhos do país vizinho e um dos mais destacados da Américas. Mesmo assim, permanecia inédito por aqui.

                                                            ***

"Che - Os Últimos Dias de um Herói" (Conrad, 98 págs., R$ 34,90) foi lançada na Argentina três meses após o assassinato do líder guerrilheiro, em 9 de outubro de 1967, na Bolívia.

A obra é narrada alternando diferentes momentos da vida de Che.

Da infância ao surgimento das idéias de igualdade social, do idealismo ao engajamento armado. 

Uma parte relata como teriam sido os bastidores do golpe que pôs Fidel Castro à frente do governo cubano. Guevara teve importante papel nesse processo de tomada de poder.

 

 

O relato visual é feito por dois desenhistas, Alberto e Enrique Breccia.

O Breccia pai era parceiro de Oesterheld em outros trabalhos. Criaram juntos séries como "Sherlock Time" e "Mort Cinder" na virada das décadas de 1950 e 60.

O desenhista era conhecido pelo uso do preto e do branco em suas produções. O estilo influenciou outros profissionais de quadrinhos, não só argentinos.

O norte-americano Frank Miller -autor da série "Sin City"- é um dos que assumem publicamente a herança de Breccia.

                                                           ***

O Breccia filho talvez seja mais conhecido dos leitores de quadrinhos por ter desenhado séries norte-americanas já publicadas no Brasil, como a do Monstro do Pântano.

Hoje com 63 anos, revelou ao jornalista Pedro Cirne, em matéria da "Folha de S.Paulo", que ele e o pai desenharam roteiros diferentes. Só depois viram a obra reunida.

"Nenhum de nós leu o roteiro do outro até termos terminado o livro. Na realidade, nos vimos apenas uma ou duas vezes no decorrer do trabalho", disse, na reportagem da Folha.

"Acho que ele [Oesterheld] agiu assim para diferenciar completamente as duas partes da história, sem que por isso perdessem a unidade."

                                                            ***

Enrique Breccia é o único dos três autores ainda vivo. O pai morreu em 1993.

E tem -o Braccia pai- no currículo o fato de ter enterrado uma dos exemplares originais da obra, proibida pelos militares.

Foi dessa versão que foram feitas as republicações. A última é de 2007.

Integrou o último volume da "Nueva Biblioteca Clarín de la Historieta", coleção com clássicos dos quadrinhos universais vendida e publicada pelo jornal portenho "Clarín".

 

 

Oesterheld morreu supostamente em 1977. A incerteza é porque não se consegue precisar a data exata. Sabe-se apenas que foi vítima dos militares. Ele, as quatro filhas, os genros.

Tal qual a figura real que biografa, Oesterheld tinha um lado militante e crítico à ditaduta. A biografia de Che já fazia parte de uma segunda fase das obras dele, bem mais politizada.

Um ano depois de Che, produziu em quadrinhos a história de Evita Peron.

Na década seguinte, uma continuação nitidamente politizada de "El Eternauta", sua principal obra e ainda o maior clássico argentino. Completou neste ano 51 anos.

                                                             ***

O filme de Sordenberg - que tem o porto-riquenho Benício del Toro no papel de Che o brasileiro Rodrigo Santoro como Raul Castro - pode ser o pretexto que faltava.

Mas corrige uma injustiça de longa data, que é a ausência dos trabalhos de Oesterheld em solo brasileiro. Há muito, muito mais da mesma fonte. E que jorra qualidade.

Uma dos discursos prontos sobre a história dos quadrinhos é que a Europa deu um olhar mais adulto aos quadrinhos a partir dos anos 1960.

Oesterheld já fazia isso na Argentina na metade da década anterior. 

Que seja, enfim, tardiamente descoberto pelos brasileiros.

                                                           ***

Post postagem (28.12, 18h22): preciso corrigir um dado da matéria. A última obra de "Che" publicada na Argentina é da Doedytores, e nao da Biblioteca do Clarín, como informo na postagem.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h20
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Repercussão de Watchmen no cinema pauta dois lançamentos

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

"Os Bastidores de Watchmen", inédito no Brasil, tem lançamento programado para fevereiro, um mês antes da estréia do longa-metragem no cinema

 

 

 

 

 

 

 

Se o grande público, que normalmente não lê quadrinhos, não sabe do que se trata "Watchmen", muito provavelmente vai saber já nos primeiros meses de 2009.

A minissérie - tida como uma dss principais obras em quadrinhos produzidas nos Estados Unidos - foi adaptada para o cinema e tem estréia prevista para março do ano que vem.

As primeiras imagens da caracaterização dos personagens e do trailer têm conseguido boa repercussão na internet, inclusive na página principal do UOL, que hospeda este blog. 

O burburinho em torno da adaptação cinematográfica já pautou pelo menos dois lançamentos ligados à série.

                                                            ***

O primeiro é o relançamento encadernado dos 12 números da minissérie que pautou o filme.

A confirmação de que "Watchmen" será publicado mais uma vez foi dada pela revista "Wizmania", especializada em notícias sobre quadrinhos.

O álbum - em formato de luxo - será publicado pela Panini, que também edita a "Wizmania".

A multinacional tem posto no mercado desde o ano passado diferentes obras em formato de livro visando as livrarias.

                                                            ***

"Watchmen" - que faz uma leitura mais realista dos super-heróis - foi lançado pela primeira vez no Brasil pela Editora Abril.

Foi publicada em seis edições entre novembro de 1988 e abril do ano seguinte. Cada edição trazia duas partes da minissérie.

A mesma Abril lançou uma vez mais a obra em 1999, mas, desta vez, em 12 números, como a versão original.

A última edição nacional foi feita pela Via Lettera, em quatro volumes, lançados entre 2005 e 2006. Essa versão ainda é encontrada nas livrarias e lojas especializadas em quadrinhos.

                                                           ***

O outro lançamento pautado pelo filme, ao contrário do anterior, tem data de lançamento programada: fevereiro do ano que vem. 

É o livro "Os Bastidores de Watchmen", escrito pelo desenhista da série, Dave Gibbons.

Segundo a Aleph, editora da obra, a publicação mostra o passo-a-passo da produção da história em quadrinhos da DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

                                                            ***

O livro deve marcar também a entrada da editora na área de quadrinhos.

Delfin, editor da Aleph, diz que a empresa tem planos para o segmento. Mas ainda não adianta quais.

"Por ora, posso te adiantar que o planejamento que estamos fazendo, e que ainda não podemos divulgar, envolve muitas ações bacanas, caso elas se concretizem como desejado", diz, por e-mail.

"Mas queremos deixar tudo bonito antes de qualquer anúncio."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h21
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Antes de o ano terminar, é preciso registrar duas leituras obrigatórias

 

     

 

Por conta do atropelo da pauta, tenho adiado já há alguns meses as resenhas de duas obras que figuram entre os melhores lançamentos do ano.

Antes deste 2008 dizer adeus, preciso corrigir a injustiça de não tê-las noticiado.

Uma é "Diário de um Banana" (R$ 29,90). A obra foi uma das apostas da editora V&R na área de quadrinhos ao longo do ano (outra foram dois álbuns com tiras de Gaturro).

Se bem que "quadrinhos" talvez não seja o rótulo mais preciso para definir a obra, escrita e desenhada pelo norte-americano Jeff Kinney. Ela transita entre diferentes gêneros, formando um produto híbrido.

                                                            ***

A base é o formato de um diário, com linhas até, escrito por Greg Heffley, um garoto que relata nas páginas o dia-a-dia em casa e na escola.

Mas "Diário de um Banana" bebe também de outra fonte. Em meio à narrativa, o menino faz desenhos em quadrinhos de momentos vividos por ele.

São cenas que não redundam o conteúdo do texto e devem ser lidas à parte.

Além do domínio das linguagens escrita e dos quadrinhos, Kinney consegue reproduzir nas palavras do protagonista uma imagem exata de um autor mirim, num texto criativo e envolvente, tanto para o leitor juvenil (real público-alvo) quanto para adultos.

                                                            ***

"Pedro Malasartes em Quadrinhos" (R$ 26,50) coincidentemente também atinge leitores de diferentes gerações.

A obra adapta para a linguagem dos quadrinhos diferentes "causos" vividos por Pedro Malsartes, figura folclórica brasileira, que tem relatos contados oralmente em diferentes partes do país.

Outros livros já compilaram em prosa escrita muitas dessas histórias orais.

Mas, até onde a vista alcança, é a primeira experiência em quadrinhos.

                                                            ***

A tarefa - bem cumprida - ficou a cargo de Stela Barbieri e do desenhista e artista plástico Fernando Vilela.

Vilela já havia feito em 2006 uma produção que ficava na fronteira entre os quadrinhos e o livro ilustrado: "Lampião e Lancelote".

O obra imaginava um suposto encontro entre as duas figuras míticas (leia mais aqui).

A arte da obra foi feita toda por meio de carimbos, criados por ele para a composição gráfica de cada uma das cenas.

                                                             ***

Na ocasião, Vilela havia comentado que pensava em trabalhar futuramente com uma obra apenas em quadrinhos.

A adaptação de Pedro Malasartes cumpre a meta. Os desenhos dele são simples, mas não no sentido pejorativo do termo.

Captam a mesma simplicidade das tramóias criadas pelo protagonista folclórico, que usa da esperteza para enganar os outros e se dar bem.

Para encerrar, uma curiosidade: é o primeiro trabalho em quadrinhos produzida de acordo com o Novo Acordo Ortográfico, que começa a vigorar oficialmente a partir de 1º de janeiro.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h29
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24.12.08

Dois cartuns e um ótimo Natal

É comum os cartunistas enviarem e-mails de boas festas nesta época do ano.

Para fazer jus à profissão, os votos são feitos por meio de um cartum.

Pinçei dois desses votos visuais de boas festas para desejar a todos que acessam este blog um excelente e santo Natal e um 2009 cheio de esperança e ainda mais realizador.

Os desenhos - que reproduzo com autorização dos autores - são de JAL e Edson Lovatto.

 

Cartum de JAL

 

Cartum de Edson Lovatto

 

Boas festas. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h52
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Iraniana vence concurso brasileiro de cartuns de Natal

 

1º lugar

 

 

 

 

 

 

Desenho de Shirin Gholipoor mostra Papai Noel -vítima da crise econômica mundial- usando chifre de rena para preparar brinquedos de madeira

 

 

 

 

 

 

 

A iraniana Shirin Gholipoor venceu o concurso de cartuns de Natal promovido pela equipe do Brazil Cartoon, site especializado em humor gráfico.

A página virtual divulgou nesta semana os ganhadores.

A figura do Papai Noel é ironizada nos três trabalhos vencedores.

O personagem natalino aparece também nas duas menções honrosas, dadas a desenhos não premiados que se destaquem pela qualidade.

                                                           ***

O segundo lugar ficou com o brasileiro Moisés de Macedo.

O terceiro, com o chileno Guaico.

As menções honrosas foram dadas a dois estrangeiros: Turcios, da Espanha, e Yuriy Kosobukin, da Ucrânia.

Veja abaixo os demais trabahos premiados.

 

2º lugar

 

 

 

 

 

 

 

2º lugar

Moisés de Macedo

Brasil

 

 

 

 

 

 

 3º lugar

 

 

 

3º lugar

Guaico

Colômbia

 

 

 

 

 Menção honrosa

 

 

 

 

 

 

 

Menção honrosa

Turcios

Espanha 

 

 

 

 

 

 

 

 Menção honrosa

 

 

 

 

 

 

 

Menção honrosa

Yuriy Kosobukin

Ucrânia  

 

 

 

 

 

 

 

 O grupo do Brazil Cartoon criou neste mês um boletim informativo sobre humor gráfico.

O primeiro número aborda um tema bastante pertinente às premiações de humor: os casos de plágio e de trabalhos de humor gráfico muito parecidos.

A matéria ouve especialistas e profissionais da área.

O "BrazilCartooNews" pode ser lido em formato pdf. Neste site, há link para baixar.

                                                             ***

Crédito: as imagens desta postagem foram reproduzidas do site Brazil Cartoon.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h09
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Revista acadêmica traz conto de Machado de Assis em quadrinhos

 

Fonte: revista Miscelânea

 

A seqüência acima é uma das dez páginas da adaptação em quadrinhos do conto "Três Tesouros Perdidos", publicado por Machado de Assis em janeiro de 1858.

O texto original e sua versão em quadrinhos integram o quarto volume da revista acadêmica "Miscelânea", dedicada ao escritor brasileiro.

A publicação -que pode ser lida virtualmente- é produzida pelo programa de pós-graduação em Letras da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Assis, no interior do estado.

                                                           ***

Ler algo relacionado a quadrinhos em uma revista científica da área de Letras e Lingüística é algo ainda raro de se ver. Ainda mais produzido na forma de história em quadrinhos.

A adaptação integra a seção da revista dedicada a ficção.

Foi produzida por Guilherme Lima Bruno e Silveira, de 21 anos, desenhista e aluno de Educação Artística da Unesp de Bauru, também no interior paulista.

                                                           ***

Silveira diz que foi chamado inicialmente para fazer as ilustrações e a capa da revista.

Esse primeiro trabalho gráfico foi barrado pelos professores do programa de pós.

Surgiu, então, a idéia de adaptar o conto em quadrinhos. A iniciativa foi de Jaison Crestani, editor da publicação e aluno de doutorado em Letras da Unesp de Assis.

                                                           ***

Os dois dizem que, até o momento, não houve resistência quanto à versão em quadrinhos. Mas vão ter certeza disso apenas no ano que vem.

"Embora as ilustrações dos artigos não tenha sido bem vistas pelos professores do programa, não houve objeção em relação aos quadrinhos. Ao menos, ninguém manifestou qualquer resistência até o momento", diz Crestani, por e-mail.

"Provavelmente veremos se há alguma resistência durante as próximas edições, quando, de acordo com o Jaison,  as ficções, que podem ser quadrinhos, deverão ser submetidas à apreciação dos pareceristas", afirma Silveira.

                                                            ***

A adaptação em quadrinhos e o conto original de Machado de Assis podem ser lidos na versão on-line da revista "Miscelânea".

Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h44
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23.12.08

Lançado último álbum de Príncipe Valente pela Opera Graphica

 

Reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Cena de abertura de uma das histórias da obra de luxo, que começou a ser vendida neste início de semana 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A espera pelo último álbum de luxo de Príncipe Valente a ser publicado pela Opera Graphica não durou muito. A editora havia anunciado na semana passada que seria publicado "em breve".

Mas ele foi o convidado inesperado do evento de encerramento das atividades da editora, realizado na noite de segunda-feira, na loja de quadrinhos Comix, de São Paulo.

"Príncipe Valente - O Príncipe Escravo" é o vigésimo número da coleção, iniciada em 1974 pela extinta EBAL (Editora Brasil-América S.A.).

Foi produzida em capa dura e no formato das edições anteriores, 27,5 cm por 36 cm.

                                                             ***

Cada uma das páginas traz uma parte da saga do personagem criado por Hal Foster em 1937 nos Estados Unidos. Eram publicadas no jornais aos domingos.

Este novo volume traz histórias publicadas entre 1º de janeiro de 1967 e 18 de agosto do ano seguinte. Uma parte da obra justifica o subtítulo do álbum.

Príncipe Valente - ou Val, como o autor o chama - é seqüestrado e feito escravo. Preso, passa a liderar um movimento de revolta.

                                                            ***

A publicação dele Brasil tem como protagonistas Roberto Marinho e Adolfo Aizen.

Foi este quem publicou o personagem pela primeira vez no Brasil, em 19 de junho de 1937, na edição número 393 do "Suplemento Juvenil" (quatro meses após o lançamento nos Estados Unidos). 

Dois anos depois, Marinho tirou de Aizen os direitos de publicação do material da King Features Syndicate, distribuidora do Príncipe Valente, entre outras criações.

                                                           ***

O "troco" veio em 1974, quando Aizen voltou a editá-lo em álbuns de luxo. 

Foram 15 edições pela Ebal, publicadas entre 1974 e 1997. A última foi a de número 15.

A Opera Graphica passou a publicar material da King Features Syndicate - que detém os direitos de publicação - e deu continuidade ao trabalho de Aizen, morto em 1991.

Desde 2001, edita as histórias do Príncipe Valente do ponto onde a Ebal parou, e no mesmo formato. 

                                                            ***

Este vigésimo volume não encerra a série. Hal Foster, morto em 1982, escreveu e fez a arte do personagem até 1971, quando passou a se dedicar apenas aos textos.

Roteirizou a saga, publicada em páginas semanais nos jornais americanos, até o começo dos anos 1980.

Sua última história data de 10 de fevereiro daquele ano.

                                                           ***

Foster foi substituído por John Cullen Murphy, que ficou à frente das histórias até 2004.

Hoje, é escrito por Mark Schultz e desenhado por Gary Gianni. Podem ser lidas em inglês no site da King Features.

Outras editoras brasileiras já publicaram o personagem nas décadas de 1970 (editora Paladino) e 90 (Nova Sampa, em formato de bolso).

Nenhuma com o tratamento editorial dos álbuns de luxo.

                                                             ***

Este último álbum publicado pela Opera Graphica tem também um tom de despedida.

Franco de Rosa, um dos diretores da editora, assina um texto no final da obra agradecendo a todos os que colaboraram para a produção da série.

Foi o mesmo tom visto no evento de despedida, na segunda à noite.

Rosa e o sócio, Carlos Mann, estiveram presentes e agradeceram, pessoalmente, a presença de todos e o apoio dos leitores e da imprensa.

Foi um gesto simples e nobre, que poderia servir de exemplo a todas as editoras de quadrinhos que ignoram o leitor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h42
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Turma do Penadinho vai ganhar série em 3D

 

 

A cena acima é o primeiro olhar sobre a versão animada da Turma do Penadinho, personagens criados pelo desenhista e empresário Mauricio de Sousa.

A animação - feita em 3D, como os filmes de "Shrek" e "Monstros S.A."- está programada para ser exibida pela TV Cultura em 2009, como noticiou hoje a editoria infantil do UOL.

Segundo a reportagem, assinada por Thaís Fonseca, serão 26 episódios de 11 minutos.

Mauricio de Sousa prepara também uma animação de Horácio, feita nos mesmos moldes.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h21
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22.12.08

Catálogo relembra trajetória de Angeli, Laerte e Verissimo

 

Reprodução

O 1º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro - realizado entre 22 de outubro e 23 de novembro deste ano - trouxe três exposições.

Cada uma delas homeageava os desenhistas Angeli, Laerte e Luis Fernando Verissimo, que divide os quadrinhos com a crônica.

As mostras traziam desenhos de diferentes momentos da carreira dos três. Os trabalhos foram compiladas no catálogo do festival, obra que começou a ser vendida neste mês (R$ 40, capa ao lado).

Os desenhos do trio ocupa a maior parte das 200 páginas do livro. O restante mostra obras gráficas que se destacaram na imprensa.

Em São Paulo, o catálogo é vendido na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, centro).

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h25
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Guerra dos Anéis se destaca entre revistas de super-heróis

 

Fonte: divulgação 

 

 

 

 

 

 

 

Fim da saga é publicado no quarto número da revista "Dimensão DC: Lanterna Verde", à venda nas bancas 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em meio a sucessivas crises e guerras - megassagas das editoras Marvel e DC Comics que continuamente mudam o status de seus personagens -, é possível encontrar algumas histórias que se destaquem não pelo lado comercial, mas pela qualidade do roteiro.

Um desses casos - cada vez mais raros - se destaca entre os lançamentos de super-heróis deste final de ano.

Trata-se de "A Guerra dos Anéis", que tem a última parte lançada na edição deste mês da revista "Dimensão DC: Lanterna Verde" (Panini, 116 págs., R$ 8).

                                                            ***

A última parte da história foi lançada nos Estados Unidos em janeiro deste ano no número 25 da revista "Green Lantern", que foi produzida com mais páginas. 

Como geralmente ocorre nas séries de super-heróis, vai entender melhor o que se passa neste quarto número da revista quem acompanha a publicação desde o primeiro número.

Em linhas bem gerais, a saga se ancora no surgimento da Tropa Sinestro, formada por pessoas de má índole vindas de diferentes planetas.

Neste final, o grupo chega à Terra para reordenar o universo. Acompanha os vilões uma versão jovem e maligna do Super-Homem, chamada de Primordial.

                                                            ***

Na Terra, claro, encontra a resistência de todos os superseres da editora DC Comics, dos principais, como Super-Homem e Batman, aos menos destacados.

O foco, no entanto, está nos Lanternas Verdes, já que é nas revistas mensais deles que passa a saga. A principal revista, "Green Lantern", é desenhada pelo brasileiro Ivan reis.

Os heróis integram a antípoda dos vilões, a Tropa dos Lanternas Verdes. Juntos, formam uma barreira para impedir os planos dos oponentes.

                                                              ***

Lendo a sinopse, o roteiro soa até simples e semelhante a de muitas outras aventuras.

O diferencial é que há uma química entre Reis e o roteirista Geoff Johns, um dos principais da DC atualmente.

A dupla cria um ritmo frenético de ação em todas as páginas, dosado com situações em que os heróis não teriam - ao menos em tese - como escapar.

                                                            ***

Se há o filme-pipoca, aquele em que o que mais importa é a diversão, tem-se, aqui, um exemplar similar na forma de história em quadrinhos de super-heróis. É superior a muitas das recentes megassagas de super-heróis.

Tem tudo para agradar a quem já está acostumado a ler aventuras do gênero. Nos Estados Unidos, pelo menos, agradou.

A série venceu a maior parte dos principais prêmios dados pela revista norte-americana "Wizard", especializada em produções da indústria estadunidense.

Um deles foi para o brasileiro Ivan Reis.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 15h46
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21.12.08

Livro sobre quadrinhos marca primeira coletânea do Quarto Mundo

 

Prática de Escrita: Histórias em Quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

"Prática de Escrita: Histórias em Quadrinhos" começou a ser vendido neste fim de semana 

 

 

 

 

 

 

 

 

O livro "Prática de Escrita: Histórias em Quadrinhos", lançado neste sábado à noite, em São Paulo, é mais do que o nome sugere.

Não se trata apenas de uma obra sobre a linguagem dos quadrinhos e sua relevância pedagógica como prática de leitura e escrita.

É também uma coletânea -a primeira- do movimento do Quarto Mundo, selo independente que reúne autores de quadrinhos de diferentes partes do país.

Das 108 páginas do livro, 86 são dedicadas à recente produção independente brasileira.

                                                            ***

"Prática de Escrita: História em Quadrinhos" pinça narrativas quadrinísticas de diferentes momentos e autores, apresentadas em ordem cronológica.

As duas primeiras são de 2002. As últimas, deste ano, uma delas inédita.

As histórias iniciais são de uma época em que o Quarto Mundo ainda nem tinha se firmado como movimento independente.

O grupo lançou o selo oficialmente no 5º FIQ -Festival Internacional de Quadrinhos-, realizado em Belo Horizonte em outubro de 2007.

                                                            ***

O movimento completou, portanto, pouco mais de um ano de existência, embora já se percebessem iniciativas no sentido de uma união desde o primeiro semestre de 2007.

O que o livro faz é o primeiro registro escrito do grupo, algo que, por isso, adquire valor histórico. O inusitado é que não era essa a função original da obra.

A proposta era usar as histórias como apoio teórico para a inserção dos quadrinhos no ensino da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo.

                                                             ***

A idéia partiu do pró-reitor de graduação e titular de língua portuguesa da universidade, Carlos Andrade. Com apoio do produtor cultural Silvio Alexandre, converteu o conceito em realidade.

O lado teórico do livro é percebido num artigo de oito páginas, no fim da obra, assinado por Andrade e pelo desenhista Octavio Cariello.

Os dois evidenciam o novo papel dos quadrinhos na área de ensino, tardiamente oficializado como prática didática e de leitura pelo governo federal.

                                                            ***

Os autores ancoram o texto em conceitos da Lingüística Textual e aproximam os quadrinhos do conceito de gênero, proposto pelo russo Mikhail Bakhtin.

Para o pesquisador russo, muito influente na área da Lingüística, gêneros são "tipos relativamente estáveis de enunciado" usados em uma situação sócio-comunicativa.

Com base nesse conceito, Andrade e Cariello sintetizam as principais características da linguagem devidamente ilustradas com os próprios recursos dos quadrinhos.

                                                             ***

O senão da obra -que custa R$ 15- é encontrá-la para comprar.

Os interessados podem procurar por ela em lojas especializadas em quadrinhos que trabalhem com material independente do Quarto Mundo.

Ou procurar por mais detalhes no site do grupo, que pode ser acessado neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h58
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20.12.08

HQM vai lançar biografias de Álvaro de Moya e Rodolfo Zalla

Há dois anos já se sabe da existência das biografias do pesquisador de quadrinhos Álvaro de Moya e do desenhista Rodolfo Zalla.

Inicialmente, os dois livros seriam publicados pela Opera Graphica, que encerra as atividades neste fim de ano. Agora, mudaram de casa editorial. Ambos sairão pela HQM.

A editora incluiu as duas obras na lista de novidades para o ano que vem. A informação foi noticiada no fim desta semana, em texto divulgado no site "HQManiacs", mantido pelos responsáveis pela editora.

Os livros foram organizados pelo jornalista Gonçalo Junior, autor de outras obras sobre a área de quadrinhos. A de maior repercussão foi "A Guerra dos Gibis", lançada pela Companhia das Letras.

                                                             ***

O blog havia antecipado a preparação das duas obras em duas matérias, noticiadas no fim de 2006 (leia mais aqui e aqui).

Na ocasião, Gonçalo Junior disse o livro de memórias era resultado de 14 horas de gravação entre o jornalista e Moya.

A entrevista seria inicialmente para o jornal "Gazeta Mercantil", mas nunca foi publicada. 

Os depoimentos narram a trajetória de Moya tanto nos quadrinhos como na TV, que deve tomar a maior parte do livro. O pesquisador foi um dos pioneiros da televisão brasileira.

                                                          ***

No campo dos quadrinhos, a importância de Moya é pelo pioneirismo. 

Em 18 de junho de 1951, ajudou a organizar no Brasil uma exposição internacional de histórias em quadrinhos, a primeira do mundo.

A idéia era mostrar que quadrinhos eram uma forma de arte, tal qual ocorreu na histórica Semana de 22, feita pelo movimento Modernista.

A mostra não deu certo e os organizadores passaram a ser boicotados. 

Parte dessa experiência foi narrada por Moya no livro "Anos 50 - 50 anos", lançado em 2001, data do cinqüentenário da exposição.

                                                            ***

O boicote foi um dos motivos que levaram Moya a buscar espaço na televisão, que dava então os primeiros passos no Brasil.

O reencontro com os quadrinhos se deu a partir da década de 1970, quando se tornou professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Nesse período, ele lançou "Shazam!", uma das primeiras obras teóricas sobre a área publicadas no país.

Em 1986, publicou "História da História em Quadrinhos", pela editora Brasiliense. A obra teve mais de uma edição.

                                                            ***

Sobre a biografia de Rodolfo Zalla, Gonçalo Junior havia dito ao blog há dois anos que a obra foi resultado de uma série de encontros gravados entres os dois.

As conversas eram sempre aos sábados, das 14h às 17h. 

A cada novo contato, o jornalista levava a transcrição da entrevista anterior e o desenhista entregava a ele a versão escrita do bate-papo que tinha recebido uma semana antes, devidamente revisada.

Zalla é argentino, mas passou boa parte da vida no Brasil, onde é mais conhecido.

                                                           ***

A HQM reforçou vários outros lançamentos de quadrinhos para 2009, inclusive nacionais.

A maior parte já havia sido noticiada pelo blog em julho deste ano.

Para (re)ler a matéria, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h47
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18.12.08

Conrad negocia venda com Companhia Editora Nacional

A Conrad, que tem nos quadrinhos um dos pontos fortes do catálogo, negocia a venda da editora com a IBEP/Companhia Editora Nacional.

A informação foi confirmada ao blog nesta quinta-feira por Mauro Ramos, gerente administrativo da IBEP/Companhia Editora Nacional.

Segundo ele, a Conrad foi oferecida à editora após a desistência da Ediouro, empresa que manteve neste ano uma longa negociação com a editora paulista.

"Talvez para o ano que vem aconteça alguma coisa. Mas, até o momento, não há nada concreto", disse Ramos.

                                                           ***

A expressão "ano que vem" parece ser peça-chave da negociação.

Duas fontes ouvidas pela blog garantiram que o negócio já estaria cem por cento fechado, mas seria anunciado apenas em 2009. Mauro Ramos diz que isso é apenas especulação.

Em setembro, a Conrad havia confirmado que mantinha conversa com duas outras empresas.

Um dos motivos que têm levado a editora paulista a negociar a venda -ou ao menos de parte dela- são problemas financeiros.

                                                            ***

A Conrad tem em catálogo títulos importantes na área de quadrinhos, como "Sandman" e "Calvin e Haroldo".

A editora tem retomado o ritmo de lançamentos neste fim de ano. Nesta semana, começou a vender a biografia argentina do guerrilheiro Che Guevara, anunciada para novembro.

Mas, nos últimos meses, os lançamentos foram escassos.

Alguns -caso de mangás como "Battle Royale" e "Sanctuary"- estão atrasados há meses. O motivo, segundo a editora, são problemas contratuais.

                                                           ***

O blog tem tentado ouvir o diretor editorial da Conrad, Rogério de Campos, desde segunda.

Os dois últimos contatos telefônicos foram feitos na manhã e na tarde desta quinta-feira.

Em todas as ocasiões, o blog tem deixado o telefone para que as ligações fossem respondidas.

Não houve nenhuma resposta até o momento. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h22
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Frank Miller diz que filme de Spirit não é homenagem a Will Eisner

 

Cartaz de The Spirit

 

 

 

 

 

 

 

 

Diretor do longa afirmou que pensou entrar em seu mundo ao produzir o longa, que estréia em fevereiro de 2009 

 

 

 

 

 

 

 

O trailer da versão cinematográfica de "The Spirit", que estréia em fevereiro do ano que vem, mostrava cenas mais parecidas com o longa-metragem "Sin City" do que com a obra de Will Eisner (1917-2005), que criou e desenhou o personagem nas décadas de 1940 e 50.

Descobre-se, agora, que não era só impressão. A confirmação é dada pelo próprio diretor do filme, Frank Miller, que co-dirigiu "Sin City", uma de suas criações em quadrinhos.

"Nunca pesei em fazer desse filme uma homenagem a Will Eisner. Pensei em entrar no meu mundo profundamente."

A declaração foi dada ao jornalista Jotabê Medeiros, do jornal "O Estado de S. Paulo", que traz nesta quinta-feira uma página do caderno de cultura dedicada à produção americana.

                                                              ***

Seria -de acordo com produtora do filme, Deborah Del Prete, "a obra de Will Eisner interpretada por Frank Miller".

Isso fica evidente no trailer tanto pelo ar sombrio dos cenários e do protagonista quanto pelas doses de violência, algo mais romântico na versão original.

Eisner procurava fazer mais crônicas em quadrinhos do que aventuras protagonizadas pelo Spirit, herói mascarado que ajuda a polícia a desvendar crimes.

                                                           ***

Segundo relata Jotabê Medeiros, a entrevista com Miller foi tumultuada.

O diretor-quadrinista não teria gostado do tom crítico das perguntas. Algumas abordavam o tom violento e auto-referente da produção.

Miller abandonou no meio o contato com os jornalistas.

                                                            ***

No Brasil, as histórias de Spirit fizeram parte da extinta revista "Gibi", lançada por décadas pelo grupo editorial do empresário Roberto Marinho (1904-2003).

A editora gaúcha L&PM lançou a partir da década de 1980 cinco álbuns com contos do personagem, que tinham sete páginas cada um.

Ainda no fim dos anos 80, a editora NG tentou uma publicação regular do herói. Durou dois anos. Foi cancelada no sexto número.

                                                             *** 

A Editora Abril voltou a publicar Spirit em revista própria em junho de 1990. Durou 16 números. O último foi lançado em  setembro de 1991.

Anos depois, a Conrad fez uma nova tentativa, também com uma revista mensal. Foi cancelada no oitavo número.

A Metal Pesado também apostou na série, sem sucesso. Em outubro de 1997, lançou "Will Eisner´s Spirit Magazine", em formato revista, o mesmo usado pela NG.

                                                             ***

O lançamento do filme seria a oportunidade ideal para que a série voltasse a ser publicada no Brasil.

Nos Estados Unidos, os direitos dela pertencem à DC Comics, que relança as histórias em álbuns de luxo, feitos em capa dura.

Por ora, o único sinal de fumaça é um encadernado da Panini com histórias atuais do personagem, segundo informa a revista "Wizmania" deste mês.

O álbum irá reunir as histórias de Sérgio Aragonés e Mark Evanier -os mesmos de Groo, o Errante- à frente da nova série mensal do herói.

As primeiras aventuras, feitas por Darwyn Cooke, são publicadas pela editora multinacional em forma de minissérie.

                                                            ***

Crédito: a imagem que abre esta postagem foi reproduzida do site "Cinema em Português" (link).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h10
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17.12.08

Semana tem overdose de lançamentos nacionais

 

Caos    Contínuo

 

De quinta-feira até sábado, vai haver sete lançamentos nacionais, todos em São Paulo. Um dos títulos é um livro que discute a produção de quadrinhos.

Nesta quinta, às 19h30, os autores da independente "Contínuo" lançam o sétimo número da revista.

Ao contrário das edições anteriores, esta traz uma história única, narrada sob diferentes pontos de vista, mostrados por diferentes autores.

                                                           ***

Na mesma data e horário, o gaúcho Carlos Ferreira dá início à publicação de "Caos", uma minissérie programada para ter seis partes.

Segundo o blog do autor, a história já havia sido lançada em 2004.

Mostra uma situação surreal vivida por um nerd chamado Cao, que tem a vida mesclada a elementos de uma série de TV. 

 

Macaco Albino   Dom Quixote

 

Na sexta-feira, também às 19h30, Leandro Robles, autor das histórias da Escola de Animais, lança "Macaco Albino".

A revista independente traz histórias curtas de humor do personagem-título. 

A publicação conta também com alguns desenhos de convidados, como Spacca.

                                                            ***

O maior número de títulos novos está concentrado no sábado, numa festa na HQMix Livraria, onde vão ocorrer também os lançamentos de quinta e sexta-feiras.

A festa terá os lançamentos do quarto número da independente "Tempestade Cerebral", da adaptação literária de Dom Quixote, feita por Bira Dantas para a Escala Educacional, e da revista "Humor em Quadrinhos - Invasão ao Planeta Terra".

 

Prática de Escrita   Humor em Quadrinhos

 

A "Humor em Quadrinhos" foi produzida no projeto VAI (Valorização de Iniciativas Culturais), bancado pela prefeitura de São Paulo para ajudar a produção cultural em regiões de baixa renda.

Por isso, a edição será distribuída de graça, a exemplo do que ocorreu também com a "Subversos", outra revista produzida dentro do projeto municipal.

                                                           ***

A festa terá ainda o lançamento do livro "Prática de Escrita - História em Quadrinhos", organizado por Carlos Andrade e Silvio Alexandre.

Professor universitário com doutorado em Língua Portuguesa e produtor cultural de quadrinhos, respectivamente, os autores dividiram a obra em três eixos.

No primeiro, há uma coletânea de histórias de quadrinistas do Quarto Mundo, selo que agrega autores independentes de diferentes partes do país.

A segunda parte traz um artigo assinado por Andrade e por Octavio Cariello, que abordam caminhos para a formação de leitores proficientes. O capítulo final traz uma bibliografia sobre a área.

                                                            ***

Serviço - Lançamentos nacionais. Quando: de 5ª a sábado. Horário: 5ª e 6ª, às 19h30; sábado, a partir das 18h. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h33
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16.12.08

Editora Opera Graphica lança três obras e depois encerra atividades

As notícias de bastidor já sinalizavam há alguns meses o fim da Opera Graphica. Mas o encerramento das atividades da editora paulista só foi oficializado nesta terça-feira.

Um e-mail informava a imprensa sobre o fechamento e anunciava os três últimos lançamentos da editora, prometidos para "breve".

Um é sobre desenhos de animais. Os outros dois são diretamente ligados à área de quadrinhos: um livro sobre o Fantasma e o vigésimo volume de Príncipe Valente.

                                                             ***

Neste ano, a Opera Graphica esteve afastada do mercado.

O nome da editora foi lido pela última vez no álbum "Vale-Tudo", coletânea de quadrinhos feitos pelo desenhista Marcio Baraldi. A obra começou a ser vendida no mês passado.

A publicação foi feita em parceria com a editora Grrrr!

                                                           ***

A Opera Graphica iniciou as atividades em 1998, a partir de uma sociedade entre o jornalista Franco de Rosa e o empresário Carlos Mann.

Era uma época em que as livrarias ainda não eram um ponto de venda consolidado de álbuns em quadrinhos editados em formato de livro.

A editora apostou nesse nicho de mercado, que usava as lojas especializadas em quadrinhos para levar o material ao leitor.

                                                            ***

A editora formou um catálogo bastante diversificado, indo desde personagens clássicos dos quadrinhos até materias recentes, tanto estrangeiros quanto nacionais.

Publicou também diversos livros teóricos e biográficos relacionados à área de quadrinhos. Um deles fazia um detalhado apanhado histórico do "Tico-Tico", primeira revista com quadrinhos do Brasil.

Um dos destaques do catálogo eram os álbuns de luxo de Príncipe Valente, que foram retomados do ponto onde a editora anterior, a extinta EBAL, havia parado.

A Opera Graphica manteve o mesmo formato e capa dura, presentes nos demais volumes da coleção.

                                                             ***

A loja especializada em quadrinhos Comix, de São Paulo, marca o encerramento com a venda de títulos da editora pela metade do preço.

Será na próxima segunda, das 18h às 22h (a loja fica na Al. Jaú, 1.998, em São Paulo).

Nos últimos eventos promovidos pela loja, os álbuns da Opera Graphica já vinham sendo oferecidos por um preço menor.

Por ter tiragens pequenas e tratamento de luxo, os títulos eram vendidos a valores bem mais caros.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
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Editoras brasileiras enfrentam diferentes "sapatadas" de leitores

 

 

 

Os chargistas deitaram e rolaram nos jornais desta terça-feira. Havia na pauta uma daquelas piadas prontas.

Durante uma coletiva à imprensa, um jornalista atirou um sapato em George W. Bush. O presidente dos Estados Unidos desviou a cabeça e evitou uma sapatada em público.

"Este é seu presente do povo iraquiano, seu beijo de despedida, cachorro! Pelas viúvas, órfãos e assassinados do Iraque!", gritou o agressor, Muntadar al-Zaidi, preso em seguida.

Na cultura iraquiana, dominada por tropas norte-americanas, apresentar a alguém a sola do calçado é tido como ofensivo. Significa que a pessoa é inferior à sujeira do calçado.

Arremessar -infere-se- é simbolicamente pior em todos os sentidos.

                                                            ***

Não durou muito para que os sapatos se tornassem uma metáfora do sentimento anti-americano. Nesta terça, pelo que informa a Folha Online, houve mais um dia de protestos entre os árabes.

No Iraque, manifestantes foram às ruas para pedir a libertação do jornalista, alçado à posição de herói nacional.

Ontem, as reivindicações tiveram momentos em que os sapatos foram erguidos, como símbolo do protesto.

As imagens, em seus diferentes ângulos, estamparam as capas dos jornais de hoje, além de facilitar o trabalhos dos chargistas brasileiros.

                                                             ***

Símbolos de protesto são construídos quando menos se espera.

Busca-se algo palpável, concreto, para representar metaforicamente um sentimento de descontentamento ou de esperança.

Há algo disso neste mês de dezembro no mercado editorial brasileiro. Mas, no lugar de sapatos, ponham-se no lugar duas editoras brasileiras.

Ambas se tornaram, no mesmo dia, símbolos da esperança e da queda dos quadrinhos publicados no Brasil.

                                                            ***

Na quinta-feira passada, o editor-chefe da Pixel, Cassius Medauar, tornava pública sua saída da editora, mantida pelo grupo Ediouro.

O desligamento dele e o silêncio da Ediouro evidenciam mudanças nos rumos editoriais.

Independentemente de quais sejam elas -da manutenção dos atuais títulos ou do cancelamento de todos-, o passado editorial brasileiro ensina que é motivo, sim, para o leitor ficar cauteloso.

Pixel, Ediouro e Desiderata -outra editora do grupo- tornaram-se o ponto focal de quem vê um momento de fragilidade no atual mercado brasileiro de quadrinhos.

                                                            ***

Enquanto a Ediouro -por atos próprios- faz as vezes de pedra no sapato, a Companhia das Letras calça sandálias claras e limpas.

A editora paulista oficializou -também na quinta-feira passada- a criação de um selo exclusivo para histórias em quadrinhos, o "Quadrinhos na Companhia".

Ao contrário da Ediouro, a editora atraiu a esperança dos leitores e de muitos quadrinistas para dias melhores que, no fundo, acredita-se que todos desejem.

O movimento da Companhia das Letras é algo, sim, para ser observado com atenção.

                                                            ***

O fato de uma das cinco editoras mais influentes do país -inclusive entre os chamados "formadores de opinião"- aumentar o valor da aposta na área de quadrinhos tende a chamar a atenção.

Chamar a atenção da imprensa, de novos leitores, das livrarias, de outras editoras.

É possível -embora ninguém tenha bola de cristal para prever o futuro- que a iniciativa paute outras editoras.

"Se eles estão investindo nisso", pensariam alguns dos concorrentes, "é bom eu também entrar nesse jogo".

                                                            ***

O símbolo da sapatada levada por Bush vale também para este irônico e contraditório momento vivido pelos quadrinhos no Brasil.

Troca-se o calçado por editoras. Numa, calça-se o sapato delicadamente e se põe um tapete para que pise com mais segurança. Noutra, atira-se o sapato.

Qual vai caminhar melhor? Só os próximos meses e anos dirão qual é o sapato mais resistente para percorrer o solo brasileiro. Por ora, fica o registro.

                                                            ***

Crédito: a charge que abre esta postagem é de Dálcio Machado e foi publicada no jornal "Correio Popular", de Campinas (SP).

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h10
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Jornal publica em quadrinhos retrospectiva de 2008

 

 

 

O "Megazine", suplemento jovem do jornal carioca "O Globo", publica nesta terça-feira uma restrospectiva dos principais fatos do ano relatados na forma de uma história em quadrinhos.

O trabalho tem oito páginas e foi produzido pelo desenhista curitibano José Aguiar.

Ele pôs a adolescente Malu como condutora da retrospectiva.

A personagem é a mesma que protagoniza o álbum "Folheteen", também de Aguiar, lançado pela editora Devir em janeiro de 2007. 

                                                            ***

Segundo Telio Navega -colunista do caderno e autor do "Gibizada", blog especializado em quadrinhos vinculado ao portal de "O Globo"-, a idéia partiu dos próprios editores. 

"O subeditor da revista Megazine, Alessandro Soler, comentou com a editora, Valquiria Daher, que gostaria de publicar uma HQ no suplemento, nos moldes de crônicas cotidianas em quadrinhos que vem sendo publicadas em outros jornais do mundo."

"Como queríamos um trabalho autoral, desistimos da idéia, aparentemente mais prática, de fazer a HQ aqui no departamento de arte. Ele então me pediu sugestões de nomes de autores, e logo chegamos ao do curitibano José Aguiar, que sofreu para concluir a HQ a tempo."

                                                           ***

A página que abre esta postagem é a que inicia a história em quadrinhos.

José Aguiar pretende disponibilizar as demais páginas em seu blog.

Na manhã desta terça-feira, havia apenas a capa do "Megazine", mostrando a jovem Malu.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h59
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15.12.08

Companhia das Letras aumenta investimento em quadrinhos 

Página de Cachalote

 

 

 

 

 

Página de "Cachalote", desenhada por Rafael Coutinho; álbum será uma das obras nacionais do novo selo da editora, dedicado só para quadrinhos 

 

 

 

 

 

 

No mesmo dia em que a Pixel tornou pública uma ainda incerta mudança nos rumos editoriais, a Companhia das Letras enviava à imprensa um comunicado anunciando um selo próprio para a publicação de quadrinhos.

O "Quadrinhos na Cia.", nome do novo selo, representa um investimento maior da editora paulista no ramo de quadrinhos.

A Companhia das Letras programa pelo menos 20 títulos até 2010, parte deles nacional.

                                                           ***

O selo ficará a cargo de André Conti, que já atuava na empresa como editor. Segundo ele, a empresa percebeu que era chegada a hora de apostar mais no setor.

Um dos problemas -diz ele- era que os títulos em quadrinhos lançados pela editora nos últimos três anos entravam na área juvenil das livrarias. E isso "engessava" um pouco.

A proposta é que o novo selo tenha um catálogo bem mais variado. "A idéia é ser como a Companhia das Letras era no começo", diz Conti, por telefone.

"Levar clássicos, como [Will] Eisner, contemporâneos, como os de Chris Ware, e descobrir quem são os novos autores nacionais."

                                                            ***

É no rol brasileiro o principal diferencial do selo, pelos dados que se têm até o momento.

A editora pretende criar álbuns em sistema de duplas: um escritor faz o texto, um quadrinista, a arte.

Segundo Conti, já há quatro parcerias fechadas e outras seis em processo de definição.

A primeira parceira é entre Daniel Galera e o desenhista Rafael Coutinho, filho de Laerte.

                                                           ***

O álbum deles -intitulado "Cachalote"- já está em produção e está programado para 2009.

A história ainda é mantida em sigilo. Mas se sabe que serão seis contos narrados em três partes, voltados ao leitor mais adulto. 

A obra deve ter em torno de 300 páginas. Coutinho disponibilizou quatro delas em seu blog.  Uma é a que abre esta postagem.

Galera já teve outros livros publicados pela Companhia das Letras. O mais recente, "Cordilheira", foi lançado neste ano.

                                                           ***

Outro trabalho nacional deve anteceder o lançamento de "Cachalote". É a adaptação em quadrinhos do romance "Jubiabá", de Jorge Amado, já antecipada por este blog.

O álbum é feito por Spacca, quadrinista que tem lançado um trabalho por ano na editora.

Em 2005, publicou "Santô e os Pais da Aviação". No ano seguinte, um relato da passagem do pintor Jean-Baptiste Debret pelo Brasil.

No fim do ano passado, lançou em parceria com Lilia Moritiz Schwarcz "D. João Carioca", que mostra a passagem da família real portuguesa pelo Brasil. 

                                                           ***

Do material estrangeiro do selo, além de Will Eisner, a editora programa novos trabalhos de Art Spiegelman e de Marjane Satrapi, autores de "Maus" e "Persépolis", respectivamente. Ambos foram publicados pela editora.

Dos contemporâneos, a lista se volta para os Estados Unidos. Um dos títulos é "Jimmy Corrigan: The Smartest Kid On Earth", de Chris Ware.

Também fazem parte da relação obras de Dash Shaw ("Bottomless Belly Button"), de Craig Thompson ("Blankets")  e Gene Luen Yang ("American Born Chinese", que deveria ter sido lançada neste ano).

                                                           ***

Os investimentos da Companhia das Letras com quadrinhos começaram a ganhar destaque em 2004, com o lançamento do primeiro volume de "Persépolis".

No ano seguinte, a editora publicou "Maus" em volume único, a versão de Spacca para o início da aviação e iniciou o relançamento de Tintim no Brasil.

Desde então, o catálogo tem sido ampliado ano a ano.

Com a criação do "Quadrinhos na Cia.", a empresa passa a ter cinco selos editoriais: Companhia das Letrinhas, Cia. das Letras, Companhia de Bolso, Companhia das Letras, além do recém-inaugurado, dedicado exclusivamente a quadrinhos. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h05
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13.12.08

O sifu, o Pasquim e os 40 anos do AI-5

Este sábado, 13, marca os 40 anos da implantação do Ato Institucional número 5, o mais duro do regime militar brasileiro (1964-1985).

O AI-5 ampliava os poderes dos militares no poder ao mesmo tempo em que limitava a liberdade democrática e individual. 

Meses depois, já em 1969, surgiu no Rio de Janeiro o "Pasquim".

O jornal alternativo -berço de escritos, cartunistas e quadrinistas- tornou-se uma das vozes mais contundentes de resistência à ditadura.

A convite do blog, o desenhista e doutorando em ciência política na UFF (Universidade Federal Fluminense) Márcio Malta preparou um artigo articulando todas essas datas.

Autor de uma biografia sobre Henfil, um dos integrantes do "Pasquim", Malta viu nas datas elos com o "sifu" dito em público pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no início do mês.

Segue a análise dele, que deve ser publicada de forma mais detalhada em revista científica.

                                                                   ***

Em discurso para uma platéia de artistas no último dia 4, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se valeu do termo "sifu" para manifestar a sua concepção otimista diante da crise econômica que ameaça invadir o país. A reação da imprensa e de setores da oposição foi a de criticar o discurso e o qualificar o "Você (como médico) diria ao paciente: Meu, sifu? " como extravagante. Ao ser transcrito e publicado pelo órgão governamental responsável, o discurso foi editado e onde entraria o suposto palavrão foi inserido o termo "inaudível".

Buscamos situar a fala do presidente em um contexto mais amplo e localizar as origens da expressão sifu, associadas ao surgimento de uma nova forma de se falar, proporcionada principalmente pelo jornal alternativo "Pasquim". Aproveitamos desta forma para relembrar duas datas significativas de nossa história nacional: os 40 anos da edição do Ato Institucional de número 5 -marcados neste sábado- e os 40 anos de publicação do primeiro número do jornal "Pasquim", a acontecer no dia 26 de junho de 2009.

A título de contextualização, podemos definir o regime militar brasileiro como um dos momentos mais dramáticos da história nacional, no que pese o não-reconhecimento dos direitos mais elementares do cidadão. A marca de tal regime foi o rompimento da legalidade jurídica, suprimindo direitos por meio da promulgação de diversas leis de exceção denominadas Atos Institucionais (AI).

O Ato Institucional número 5 foi baixado no dia 13 de dezembro de 1968. A edição do AI-5 foi caracterizada pelos estudiosos do período como um golpe dentro do golpe. Representou um fechamento do regime, especialmente em termos de censura e controle da imprensa.

Como foi editado no fim de 1968, o ano de 1969 foi o primeiro sob o signo do AI-5. Apenas seis meses após sua edição, surgia o jornal O Pasquim. Em princípio mais voltado para o humor, com o tempo o jornal foi se politizando, principalmente por conta das pressões que culminaram na prisão de boa parte da redação.

A publicação se enquadra em um tipo de imprensa que ficou conhecida como "alternativa". Durante a ditadura esses jornais cumpriram destacada função ao permitir que - mesmo sob censura - os descontentes dessem vazão aos seus anseios. O Pasquim permitia a seus leitores um sopro de esperança, servindo de porta-voz para aqueles que tinham a fala embargada pelas limitações impostas.

Um dos responsáveis por introduzir um comportamento que se tornaria anos depois a marca do jornal Pasquim, o cartunista Henfil usava e abusava de palavras estigmatizadas pela sociedade, como cocô, meleca, além de criar novas, que se tornaram nacionalmente conhecidas, como o indefectível gesto obsceno (o top-top) do fradim Baixim.

Na redação do jornal, existia uma espécie de competição interna para ver quem inventava mais expressões a partir de junções ou corruptelas de palavrões que, suavizados, poderiam ser assim publicados, dando um "chapéu" na censura. O historiador Lincoln de Abreu Penna, em "Auto História - A Intervenção no Social", credita o sifu como uma "expressão cunhada pelo Pasquim para ludibriar a censura, que não admitia palavrões. Sendo assim, essa expressão sintetiza o se fodeu".

Apontamos em termos de colaboração, os indícios e conversas com pessoas mais velhas demonstram ser o termo mais antigo, encontrando-se em uso há bastante tempo nas rodas de conversa cariocas. Aliás, nem sequer no âmbito do "Pasquim" temos o poder de definir exatamente o criador do sifu, pois, como relatado, existia uma espécie de competição interna ao jornal para ver quem inventava mais expressões desse tipo.

Cabe destacar que ainda no primeiro ano de publicação do jornal, o cartunista Ziraldo já catalogava em suas páginas um novo dialeto, o Spasquinglish. Por meio de ilustrações, o cartunista definiu em 15 quadros o significado de cada síntese de palavrão. Na compilação já constam variantes do sifu: o sifo, o mifo e o nosfu.

Com o título de "Abaixo o palavrão!!!", o texto de Ziraldo - uma defesa do uso do palavrão através de eufemismos - é sucinto e vai direto ao ponto: "O palavrão é tão vital que é o único substantivo (ou interjeição) que já contém ponto-de-exclamação. Nós reconhecemos que uma boa empolgação ou uma emoção maior não pode viver sem um palavrão adequado."

Segundo o método da Análise de Discurso, corrente ligada à área da Lingüística, um dizer é elaborado pelo sujeito a partir de sua expectativa construída em relação a seu interlocutor. Nestes termos, o presidente Lula possuía perfeita ciência de quem era a sua platéia ao proferir o sifu: artistas, que em geral costumam ter um comportamento mais despojado e liberalizante.

De acordo com o historiador Carlo Ginzburg, a investigação científica deve ser focada em resíduos e dados marginais que a princípio poderiam soar irrelevantes, mas seriam dotados de grande valor na interpretação dos contextos analisados.

Sustentamos que a fala do presidente está ancorada na transformação dos costumes proporcionada pelo O Pasquim. O semanário se caracterizou pela resistência à ditadura militar, transformando-se em uma referência obrigatória para os oposicionistas ao regime, seja por seu posicionamento ousado no campo do comportamento, seja pelo combate permanente à censura.

Assim, localizamos algumas pistas da identificação de Lula com o jornal O Pasquim. Por meio de um silogismo, podemos inferir que o presidente Lula, enquanto membro da oposição ao regime militar, era leitor do tablóide. Da categoria de simples leitor, Lula chegou a ser entrevistado em março de 1978, como sindicalista, denominado na capa como "o líder metalúrgico".

Na entrevista ao semanário, em resposta à pergunta de Ziraldo de quantos anos de batalha tinha, Lula afirmou que iniciou a sua militância no mesmo ano de criação do jornal O Pasquim: "Comecei no sindicato em 69, levado por meu irmão".  

Somado à coincidência de datas, está o reconhecimento do próprio presidente na contribuição em sua formação política de um dos colaboradores de primeira hora de O Pasquim, Henfil.

Em entrevista, Lula utilizou-se de outros palavrões - desta vez sem eufemismos - para declarar a importância de um dos membros do Pasquim em sua trajetória: "Eu achava o Henfil do cacete! As páginas dele eram um sarro! (...) em 74, 75, em plena repressão, ler as críticas do Henfil nos desenhos era uma coisa fantástica. Contribuíram para a minha formação política."

A imprensa se posicionou de forma contrária ao uso do termo por parte do presidente Lula, tendo jornal O Globo (05/12/08) creditado a ele a utilização de uso de expressão de baixo calão. No campo da política, os setores da oposição, capitaneados pelos partidos PSDB e DEM, receberam a notícia com acusações, sendo até mesmo ventilada a hipótese da criação de uma CPI do Sifu.

Destacamos que o próprio Ziraldo em seu texto citado vaticinou que o uso do dialeto criado pelo Pasquim servia justamente para evitar constrangimentos e permitir o diálogo entre diferentes: "Entretanto há que se respeitar aqueles a quem o palavrão choca ou confunde. Somos a favor da convivência pacífica e aqui estamos para propor uma solução para o impasse: acabe-se o palavrão mas que a língua adote palavras novas tão precisas quanto necessitem a exteriorização de nossas emoções mais vigorosas."

Longe de fazer apologia ao governo em questão, refletimos que os altos índices de popularidade do presidente Lula podem ser creditados em parte aos seus pronunciamentos coloquiais, tirando - assim como fez o "Pasquim" com o jornalismo - o paletó e a gravata dos discursos presidenciais.

Mesmo tendo superado os tempos negros da censura ditatorial, o que assistimos por ora é uma censura moral, que insiste em tradicionalismos e artificialismos que não reproduzem os verdadeiros movimentos e costumes da sociedade nacional.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h14
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Revista independente é distribuída de graça em São Paulo

É algo raro de se ver: um convite de lançamento para uma obra em quadrinhos que será distribuída de graça. E quem for ainda tem direito a beber cerveja "na faixa".

O evento vai ser neste sábado à noite, em São Paulo, no lançamento do terceiro número da revista independente "Subversos".

A publicação reúne quadrinhos de diferentes autores, selecionados por meio de uma chamada de trabalhos.

                                                                  ***

A revista é produzida com verba de um programa de incentivo cultural da Prefeitura de São Paulo, o VAI (Valorização de Iniciativas Culturais).

Criado em 2003 na gestão da prefeita Marta Suplicy, tem a proposta de ajudar financeiramente a produção cultural de jovens de baixa renda ou de regiões que não tenham recursos artísticos.

Por ser feita com dinheiro público de fomento cultural, é distribuída de graça.

Os dois primeiros números estão disponíveis para download no site dedidcado à revista.

                                                                  ***

O lançamento vai ser a partir das 19h30 na HQMix Livraria, no centro de São Paulo (Praça Roosevelt, 142).

No mesmo local e horário, o desenhista, professor universitário e pesquisador João Marcos Parreira Mendonça lança o livro "Traça Traço Quadro a Quadro" (C/Arte, R$ 30).

A obra publica o mestrado defendido por ele em 2006 na área de artes da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A pesquisa -vencedora em 2007 do Troféu HQMix na categoria melhor dissertação de mestrado- mostra como usar histórias em quadrinhos no ensino de artes.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h22
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12.12.08

Escala lança coleção de história e filosofia em quadrinhos

 

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"A Revolução Russa" é um dos 12 volumes da série, escrita pelo roteirista André Diniz

 

 

 

 

 

A coleção de temas históricos e de filosofia relatados em quadrinhos, produzida pela Escala Educacional, terá lançamento nesta sexta-feira à noite em São Paulo.

Ao todo, são 12 volumes. Cada um deles tem 48 páginas e custa R$ 22,50.

A série -que tem fins didáticos- dedica oito obras a temas históricos, de dentro e de fora do Brasil. Os assuntos intitulam cada um dos álbuns:

  • A Inconfidência Mineira
  • A Independência do Brasil
  • A Revolta de Canudos
  • A Guerra dos Farrapos
  • A Revolução Francesa
  • A Revolução Russa
  • A Primeira Guerra Mundial
  • A Fundação de Israel

As restantes adaptam em quadrinhos obras clássicas da área da filosofia:

  • O Elogio da Loucura
  • Utopia
  • O Príncipe
  • Cândido

 

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Quatro do títulos da coleção adaptam obras de filosofia, como "O Príncipe"

 

 

 

 

 

Todas as obras foram adaptadas por André Diniz e desenhadas por diferentes quadrinistas.

As artes foram feitas por Laudo Ferreira Junior, José Aguiar, Daniel Brandão, Anderson e Antonio Eder, que produziu metade dos álbuns.

Diniz também participa dos desenhos no álbum sobre a Primeira Guerra Mundial.

                                                                 ***

Esta não é a primeira experiência do roteirista com temas históricos. Ele já assinou trabalhos ambientados no período da Ditadura Militar (1964-1985) e do Império.

Os últimos quadrinhos dele com temas históricos foram lançados no ano passado pela Franco Editora.

São os álbuns "Ponha-se na Rua", sobre a passagem da família real no Brasil, e o biográfica "Chico Rei".

                                                                 ***

Diniz prepara outras duas obras em quadrinhos. Uma aborda vidas passadas.

A outra mostra um jovem branco e três escravos em busca de um quilombo utópico.

Segundo ele, os trabalhos já foram discutidos com duas editoras diferentes. Mas ainda não foi fechado contrato.

O roteirista também tem outros dois textos de histórias quadrinhos em andamento.

                                                                 ***

Esta é a segunda experiência da Escala Educacional com coleções de quadrinhos.

A editora já publicou outra coleção com adaptações literárias, também com 12 volumes.

O blog havia noticiado a existência desta nova coleção em agosto.

A postagem antecipava algumas páginas de obras da série. (Re)veja neste link.

                                                                  ***

Serviço - Lançamento de coleção sobre história e filosofia em quadrinhos. Quando: hoje (12.12). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: cada um dos 12 volumes custa R$ 22,50.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 06h14
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11.12.08

Saída de editor-chefe da Pixel sugere mudança nos rumos da editora

O editor-chefe da Pixel, Cassius Medauar, tornou pública nesta quinta-feira sua saída da editora. O anúncio de seu desligamento foi feito numa postagem no blog mantido pela empresa, um dos selos do grupo Ediouro.

No texto, Medauar diz que os rumos tomados pela editora "começaram a ser bem diferentes dos planos que tínhamos no começo e eu acabei não me encaixando mais nos planos da empresa." Na nota, ele registra que continuará dando consultoria à Pixel na parte editorial.

"Por enquanto não estou indo para nenhuma outra empresa, vou apenas aproveitar as festas de final de ano com minha família, curtir umas férias, e quem sabe no futuro volto a trabalhar nesta área de quadrinhos."

                                                                   ***

O assunto já ecoa em blogs e sites ligados a quadrinhos. E instiga um ar de incerteza sobre o futuro da editora.

Pelo que a nota sugere, haverá uma mudança de rumo editorial. A Ediouro não informou qual é. Mas já sinalizava que não estava contente com os resultados de vendas.

O superintendente da editora carioca, Luís Fernando Pedroso, havia dito ao blog em 23 de setembro que considerava o retorno razoável nas livrarias e sofrível nas bancas.

O comentário foi feito após o blog ter perguntado a ele se a editora iria continuar com o investimento em quadrinhos. Ele disse que sim e completou: "Mas tem que ser rentável".

                                                                  ***

A Pixel é um dos três selos editorias da Ediouro dedicados à publicação de quadrinhos.

A editora carioca comprou há um ano a Desiderata e mantém também a Agir.

Neste semestre, a Ediouro negociou também a compra da Conrad, de São Paulo, que publica quadrinhos de diferentes gêneros.

Depois de meses de negociação e de uma auditoria feita, desistiu do negócio por achar que "não valia a pena", nas palavras de Pedroso.

                                                                 ***

A Pixel surgiu no início de 2006. Foi formada a partir de uma parceria entre a Ediouro e a Futuro Comunicação, empresa de André Forastieri, ex-sócio da Conrad.

O enfoque inicial da nova editora era publicar material diversificado.

O catálogo contava com títulos norte-americanos, nacionais e europeus. A série Corto Maltese, de Hugo Pratt, era então o carro-chefe.

                                                                 ***

Em 2007, a Pixel deu a primeira guinada de rumo. Firmou contrato para publicar com exclusividade no Brasil os títulos dos selos adultos da editora norte-americana DC Comics.

O acordo era de cinco anos e previa uma gorda multa em caso de rompimento.

 Faziam parte do pacote obras da ABC -com revistas de Alan Moore-, da Wildstorm -caso da série Ex-Machina- e Vertigo.

Um dos trabalhos da Vertigo é Sandman, de Neil Gaiman, série que começou a ser relançada desde o início em outubro passado. Já foram publicados dois volumes.

                                                                 ***

A Pixel vinha publicando especiais, minisséries e edições encadernadas.

Neste ano, reduziu o ritmo de lançamentos e lançou algumas edições com atraso.

A editora tem mantido duas revistas mensais, "Pixel Magazine" e "Fábulas Pixel".

                                                                  ***

No meio do caminho, parte do grupo editorial começou a se afastar da empresa. Primeiro, foi o então editor-chefe Odair Braz Junior, que aceitou outra proposta de emprego.

Depois, André Forastieri deixou gradativamente de exercer uma função mais ativa na editora até que, no fim do primeiro semestre, vendeu sua parte na sociedade.

O único remanescente do grupo inicial era Cassius Medauar, que agora também deixa a empresa, que neste ano ganhou o Troféu HQMix de melhor editora de 2007.

                                                                 ***

Embora os rumos da Pixel sejam incertos -o que dá margem a boatos e informações não confirmadas-, pode-se ver uma tendência.

Há uma incompatibilidade entre o modelo da empresa e a forma como os editores vêem o modelo de lançamentos.

O que se viu na Pixel ocorreu também com a Desiderata.

                                                                 ***

A editora -comprada há um ano- despontava como uma das revelações do mercado.

A Desiderata encheu o caixa com reedições do jornal alternativo "Pasquim" e iniciava investimentos em álbuns nacionais, editados por Sandro Lobo.

Meses após a compra, Lobo saiu da editora e criou um selo próprio, Barba Negra, que deve estrear no mercado no início do ano que vem.

Os últimos lançamentos nacionais da Desiderata -"Mesmo Delivery" e "Menina Infinito"- são inércia do trabalho de Lobo, que escreve o próximo lançamento, "Copacabana".

Não há sinais de produções novas.

                                                                  ***

Na Agir, voltada a adaptações literárias, a editora impôs um breque nos lançamentos.

Isso apesar dos bons resultados obtidos com a adaptação de "O Alienista", feita por Gabriel Bá e Fábio Moon.

A obra venceu um Prêmio Jabuti e foi incluída na lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), do governo federal.

O programa distribui livros e quadrinhos a escolas dos ensinos médio e fundamental. 

                                                                 ***

A Agir mantém paradas quatro adaptações, duas delas já concluídas e entregues há meses à editora.

Uma é a versão em quadrinhos de "Os Sertões". Outra, de "O Pagador de Promessas".

A única novidade da Agir na área foi o álbum "O Pequeno Príncipe em Quadrinhos", que começou a ser vendido nos últimos dias nas livrarias.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h48
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Definidos os vencedores do edital de incentivo à produção de HQs

A comissão responsável pela seleção de projetos em quadrinhos para serem publicados com verba do governo do Estado de São Paulo definiu os dez trabalhos que integrarão o edital de fomento cultural.

Os nomes dos projetos e dos autores escolhidos foram divulgados nesta semana. Não há informação sobre o tema dos trabalhos. Mas parte dos títulos já dá algumas pistas:

  • "Loucas de Amor" - Frederico Carvalhães Nesti
  • "Caroçu no Angu" - Gilmar Machado Barbosa
  • "O Mistério da Mula sem cabeça" - Laudo Ferreira Junior
  • "Uiara e os Filhos de Eco " - André Luiz da Silva Pereira
  • "Lina" - Bruno dos Santos Auriemo
  • "Joquempô" - Rogério Gonçalves Ferreira Vilela
  • "Fractal" - Cristiane Marcela Camargo e Godoy
  • "Anita Garibaldi" - José Custódio Rosa Filho
  • "22 de Abril" - Celso Oliveira Menezes
  • "Estação Luz" - Edevilson Fonseca Guilherme

Outros dez projetos foram selecionados como suplentes (podem ser lidos neste link). 

                                                                 ***

Os autores vão firmar um contrato com a Secretaria de Cultura do Estado. Irão receber R$ 25 mil para produzir cada um dos álbuns, que terão no mínimo 40 páginas, segundo determina o edital.

Setenta por cento do valor vai ser fornecido no início do processo de produção.

A partir do momento do depósito, os quadrinistas têm oito meses para concluir a obra, prazo que pode ser prorrogado por mais 90 dias.

Só depois da finalização é que os 30% restantes serão pagos.

                                                                 ***

Cada um dos álbuns deverá ter tiragem mínima de mil exemplares. Duzentos serão doados ao governo do Estado.

Outra contrapartida é que os autores terão de dar cursos de quadrinhos a preços acessíveis.

O edital -iniciado neste semestre- recebeu 105 projetos de histórias em quadrinhos.

O júri de seleção foi presidido pelo escritor, ator e quadrinista Lourenço Mutarelli.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
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10.12.08

Álbuns inéditos completam coleção de Tintim no Brasil

 

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"Tintim e a Alfa-Arte", lançado pela primeira vez no Brasil, é o último trabalho de Hergé com o personagem 

 

 

 

 

 

 

A Companhia das Letras encerra neste mês o lançamento da coleção de álbuns de Tintim, personagem criador pelo desenhista belga Hergé.

A editora paulista pôs à venda quatro álbuns do jovem repórter.

Dois deles são inéditos no Brasil: "As Aventuras de Tintim - Repórter do 'Petit Vingtième' no País dos Sovietes" e "Tintim e a Alfa-Arte".

As duas obras são os extremos da coleção. São, respectivamente, a primeira e a última história do personagem. E as que mais destoam do restante da coleção.

                                                                ***

O álbum "Tintim e a Alfa-Arte" (64 págs., R$ 36) não faz jus ao título que recebeu. 

Há pouco de alfa na obra, muito de ômega, por ser o derradeiro trabalho de Hergé, forma Georges Rémi assinava seus trabalhos.

O desenhista morreu em 1983 antes de finalizar a obra. O álbum traz os esboços dele -narrados em 42 páginas- para o que se tornou a aventura final de Tintim nos quadrinhos.

                                                                 ***

A história se pauta no assassinato de dois especialistas em arte. Um deles iria revelar informações importantes a Tintim.

O repórter vê nas mortes um mistério a ser desvendado.

Aos poucos, associa os crimes a uma exposição da alfa-arte, esculturas que representariam uma volta à origem da civilização.

Parte do mistério é revelada. Mas não encerrada. O último quadrinho mostra Tintim sendo conduzido por um homem, que aponta uma arma para ele.

 

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 "As Aventuras de Tintim - Repórter do 'Petit Vingtième' no País dos Sovietes", de 1929, é a primeira aventura do jovem repórter 

 

 

 

 

 

O alfa de Hergé -seguindo a analogia ao alfabeto grego- é "As Aventuras de Tintim - Repórter do 'Petit Vingtième' no País dos Sovietes" (144 págs., R$ 42).

É a mais longa de toda a coleção, que soma 24 volumes. E a única em preto-e-branco.

A estréia de Tintim se deu em 1929 no suplemento belga "Petit Vingtième", que dá título a obra.

O primeiro quadrinho explica ao leitor que o relato a seguir mostra as numerosas e arrsicadas aventuras do repórter da publicação, Tintim.

                                                                 ***

A aventura em pauta é a passagem de Tintim pela União Soviética, mostrada com o olhar que o Ocidente tinha do país à época.

Diferentes situações tentam desqualificar o regime soviético, ancorado no comunismo.

Fábricas são apenas cenários de teatro. Na parte de dentro, um funcionário queima palha para garantir a fumaça da chaminé a manter as aparências.

Os moradores passam fome. Milu, o esperto cachorrinho que sempre acompanha Tintim em suas reportagens pelo mundo, nem consegue encontrar um osso perdido.

                                                                 ***

Talvez o trecho mais contundente seja a descoberta de uma casa, mantida escondida.

Segundo a explicação dada na história, a residência é o "esconderijo onde Lênin, Tróstski e Stálin guardaram os tesouros roubados do povo".

Por descobrir tantas informações sobre esse olhar "camuflado" dos sovietes, Tintim enfrenta uma série de atentados. E se salva de todos.

                                                                 ***

Os outros dois álbuns lançados neste mês pela Companhia das Letras já tinham sido publicados no Brasil pela editora Record.

"Tintim e os Pícaros" e "Vôo 714 para Sidney" (cada um com 64 págs. e a R$ 36) trazem histórias de um momento mais recente do personagem, em que ele divide as aventuras com o Professor Girassol e o Capitão Haddock.

A Companhia das Letras voltou a publicar a série no fim de 2005, com quatro volumes.

Desde então, a editora tem posto novos álbuns nas livrarias a cada seis meses, sempre nos fins de semestre.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h43
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Feira na USP vende quadrinhos com desconto

A USP (Universidade de São Paulo) abrigou mais de uma vez neste ano uma feira de livros e quadrinhos na área do bandejão do Crusp, no coração da cidade universitária.

A última dessas feiras teve início hoje e vai até a próxima sexta-feira.

Um dos atrativos é a venda de quadrinhos, inclusive novos, com 20% de desconto. A banca é mantida pela loja especializada em quadrinhos Comix.

Outro ponto de venda é mantido pelo sebo Castelo do Gibi.

Há coleções completas de séries de super-heróis, entre elas a primeira edição de Sandman, publicada pela Globo a partir do fim da década de 1980 e a seguinte.

A feira, como dito, fica no corredor do bandejão do Crusp, na USP. Abre das 10h às 20h.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h19
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09.12.08

Revista inclui Bá e Moon entre os cem mais influentes de 2008

Os desenhistas Gabriel Bá e Fábio Moon foram incluídos numa lista das cem pessoas mais influentes do Brasil em 2008.

A relação foi feita pela revista "Época" e noticiada na edição desta semana.

Segundo editorial do diretor de redação da publicação semanal, o critério de seleção não se pautou em fama, poder ou dinheiro.

"Era, mais que isso, ter desenvolvido, durante o ano de 2008, um trabalho, atividade ou pensamento que tivesse servido de modelo ou influído de modo claro no comportamento ou na mentalidade nacional. Era ter influência, tanto pelas idéias quanto pelos atos."

                                                           ***

Os irmãos gêmeos -que foram vencedores de diferentes premiações nos Estados Unidos e no Brasil ao longo do ano- foram incluídos no item "artistas & criadores".

Os dois figuram entre os 17 selecionados pela revista na categoria.

Dividem o espaço com nomes como o do jornalista Laurentino Gomes (do livro "1808"), do cantor João Gilberto, do ator Selton Mello e do diretor de cinema Fernando Meirelles.

                                                           ***

A proposta da revista é que os selecionados tivesse um texto escrito por outra pessoa.

A trajetória de Bá e Moon foi resumida pelo cartunista Laerte, criador dos Piratas do Tietê.

Laerte relembra que conheceu os gêmeos quando ainda faziam fanzines.

O contato inicial -diz- se ampliou para uma amizade, mantida até hoje.

                                                           ***

Os dois desenhistas ganharam destaque na mídia brasileira por conta dos três prêmios vencidos no Eisner Awards, a principal premiação de quadrinhos dos Estados Unidos.

A conquista sucedeu outras, Harvey Awards e Scream Awards, ambos norte-americanos.

No Brasil, a dupla foi premiada com um dos prêmios Jabuti de literatura pela adaptação em quadrinhos do conto "O Alienista", de Machado de Assis.

                                                           ***

Ainda na imprensa, Bá e Moon também têm conquistado espaço para publicar suas histórias. 

Neste semestre, eles mantiveram uma tira fixa aos domingos no jornal "Folha de S.Paulo" e uma página de quadrinhos na revista "Época São Paulo", versão regional da "Época".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h46
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Semana de palestras e oficinas em Curitiba e em Santos

Registro rápido. Esta semana tem dois ciclos de palestras e oficinas, um em Curitiba e outro em Santos, no litoral paulista.

Em Curitiba, o evento é promovido pela livraria Fnac, que já patrocinou uma semana dedicada a quadrinhos em outras unidades da rede.

A programação inclui debates sobre produção independente (hoje, 19h), quadrinhos e educação (quarta, 19h), formas de se fazer quadrinhos (quinta, 19h) e oficina sobre narrativa quadrinística (sexta, 19h).

O roteiro completo, inclusive com os palestrantes, pode ser lido no site da livraria.

                                                            ***

Em Santos, a programação em comemoração ao aniversário da gibiteca municipal será eclética. Vai ter desde exibição de animações a palestra sobre dublagem.

Especificamente sobre quadrinhos, vai haver palestra sobre fanzines, com Gazy Andraus (nesta terça, 17h), e uso dos quadrinhos na sala de aula, com Alexandre Barbosa (quinta, 18h).

A programação inclui também dois lançamentos. Um sobre o projeto Cine HQ (sexta, às 19h) e outro de um fanzine para marcar os 16 anos da gibiteca.

A gibiteca Marcel Rodrigues Paes fica no Posto 5, na orla da praia, em Santos. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h16
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08.12.08

UERJ faz prova de língua estrangeira com questões sobre quadrinhos

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Histórias em quadrinhos como a vista ao lado e textos sobre a área pautaram todas as questões das provas de inglês, espanhol e francês do vestibular da universidade carioca

 

 

 

 

 

De quando em quando surge uma notícia sobre a área de quadrinhos que serve como divisor de águas sobre a forma como a linguagem é vista pela sociedade brasileira.

A UERJ (Universidade do Estado do Rio de Janeiro) promoveu domingo uma dessas notícias.

A prova de língua estrangeira -toda a prova- foi feita com questões envolvendo quadrinhos. Ou com histórias ou com textos analíticos sobre a área.

Os quadrinhos foram tema das provas de inglês, espanhol e francês. Cada uma trazia dez questões dissertativas.

                                                                  ***

Para ter idéia do que foi cobrado dos vestibulandos, leia algumas das perguntas propostas:

  • Explicite a diferença apresentada pelo autor entre os quadrinhos na Europa e nos EUA e entre as histórias de Mortadelo y Filemon [Mortadelo e Salaminho] e de Asterix y Obelix.
  • A editora Marvel criou uma nova forma de acesso às histórias em quadrinhos. Descreva essa novidade e aponte a estratégia usada pela editora com o objetivo de atrair novos leitores para seu novo produto.
  •  As editoras Marvel e Humanoïdes Associés propõem novos formatos de histórias em quadrinhos para o computador. Estabeleça a diferença existente entre esses formatos.
  • De acordo com o texto, Bill Watterson desenvolve temas em comum com outros dois cartunistas. Indique os dois temas abordados por Bill Watterson e relacione-os com os outros autores que também os exploram.

                                                                 ***

As questões foram baseadas em três textos diferentes. Cada um deles iniciava uma das provas de língua estrangeira.

A de inglês abordava os quadrinhos como forma de arte, fazia uma rápida trajetória da história da linguagem nos Estados Unidos e encerrava questionando para onde iriam com o surgimento da internet.

A migração dos quadrinhos para a internet era o tema da prova de francês. 

O autor iniciava citando o quadrinista e pesquisador Scott McLoud -autor de livros sobre a área- e encerrava mostrando a iniciativa da editora Humanoïdes Associetés de disponibilizar quadrinhos na rede mundial de computadores.

                                                                 ***

Na prova de espanhol, o fragmento proposto aos estudantes fazia uma ode a Francisco Ibánez, criador dos personagens Mortaldelo e Salaminho, já muito publicados no Brasil.

O autor defende que Ibánez seja um dos grandes cronistas da realidade espanhola, a ponto de ser comparado a escritores como Francisco Quevedo e Mariano Larra.

Ambos estão entre os mais importantes da literatura do país.

O texto sobre Ibanez é trabalhado em sete das dez questões propostas aos estudantes. As três seguintes se pautam nesta história, de autoria de Ibanez:

 

 

 

As perguntas exigiam dos candidatos capacidade de ler e compreender o texto em quadrinhos.

O mesmo ocorreu nas provas de inglês e de francês, que também usaram quadrinhos para elaborar parte das questões.

Na de inglês, foi usada uma história mais longa de Calvin e Haroldo, de Bill Watterson.

                                                                 ***

Os vestibulares brasileiros têm usado quadrinhos como tema de questões -inclusive de língua estrangeira- há quase 20 anos.

Mas algo como o que ocorreu nas provas de língua estrangeira da UERJ é inédito e, por isso, marcante.

Isso ajuda a fixar um conceito que ganha corpo nos últimos anos no país, o de que quadrinhos também sejam uma forma de leitura a ser usada academicamente.

                                                                 ***

Embora atrasado, esse conceito representa um outro olhar sobre os quadrinhos, mais sério e menos preconceituoso. 

Na prática, significa que ler quadrinhos -e saber ler quadrinhos- se torna conhecimento necessário para o desenvolvimento acadêmico nos diferentes níveis de ensino. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h01
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07.12.08

Fernando Gonsales lança nova coletânea de Níquel Náusea

 

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"Níquel Náusea - Em Boca Fechada Não Entra Mosca" tem dois lançamentos nesta semana, um em São Paulo e outro em Curitiba

 

 

 

 

 

 

A coletânea é uma só. Mas terá lançamento duplo nesta semana.

O desenhista Fernando Gonsales autografa seu novo álbum de tiras -"Níquel Náusea - Em Boca Fechada Não Entra Mosca" (Devir, 48 págs.)- em Curitiba e em São Paulo.

O primeiro lançamento será na capital paulista na terça-feira à noite.

Dois dias depois, Gonsales faz um misto de palestra e sessão de autógrafos dentro de uma semana dedicada a quadrinhos, promovida pela Livraria Fnac de Curitiba.

 

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O novo álbum é mais uma coletânea de tiras cômicas publicadas originalmente na "Folha de S.Paulo", jornal onde Gonsales publica suas tiras desde 1985.

O ingresso no jornal paulista foi por meio de um concurso de tiras, vencido por ele.

A princípio, as tiras giravam em torno das situações cômicas vividas pelos protagonistas, o rato de esgoto Níquel Náusea e a baratinha viciada Flíti.

Depois, o autor ampliou o escopo e passou a dividir as histórias de humor com outros personagens -não fixos. O ponto em comum entre as tiras é que todas envolvem, direta ou indiretamente, o mundo animal.

 

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A conquista do espaço estimulou o desenhista a largar a profissão de veterinário e se dedicar integralmente aos trabalhos de humor gráfico.

"Níquel Náusea - Em Boca Fechada Não Entra Mosca" é a oitava coletânea que o desenhista lança pela Devir.

Ele tem publicado em média um álbum por ano na editora paulista.

 

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Dois deles foram incluídos na lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca na Escola), do governo federal.

O programa distribui livros e quadrinhos a escolas dos ensinos fundamental e médio.

"Níquel Náusea - Tédio no Chiqueiro", lançado no ano passado, foi um dos 19 títulos em quadrinhos selecionados para serem levados às escolas em 2009.

                                                                 ***

Serviço - Lançamento de "Níquel Náusea - Em Boca Fechada Não Entra Mosca". Em São Paulo. Quando: 3ª (09.12). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro.  Em Curitiba. Quando: 5ª (11.12). Horário: 19h. Onde: Fnac de Curitiba. Endereço: rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 600, loja 101, Barigui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
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04.12.08

Série Starman ganha mais uma chance no Brasil

 

Reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Produção norte-americana é uma das principais revistas em quadrinhos de super-heróis da década de 1990

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O leitor brasileiro tinha tudo para não ler mais as histórias de Starman. Pelo menos não em uma edição nacional.

As três tentativas anteriores de publicação da série norte-americana não deram certo.

Além disso, o momento em que a história se passa foge do visto nas demais revistas em quadrinhos da DC Comics, editora que publica heróis como Super-Homem e Batman.

Mas, para surpresa de quem apreciava a série e a forma madura como era escrita, eis que Starman ganha mais uma oportunidade nas estantes brasileiras.

E em formato de luxo, com direito a capa dura.

                                                           ***

O álbum começou a ser vendido na virada do mês (Panini, 360 págs., R$ 62).

A obra compila as nove (e não oito, como informa a contracapa da obra) primeiras aventuras do herói.

Inicia com a história de estréia, publicada numa edição zero, de outubro de 1994, e encerra com o oitavo número da revista norte-americana "Starman".

                                                            ***

O diferencial da série, escrita pelo norte-americano James Robinson, é que não põe o foco nos poderes do protagonista, o jovem Jack Knight.

O interesse está no lado humano dele e nas situações que é obrigado a enfrentar após o assassinato do irmão.

Davi Knight -o irmão era quem vestia o uniforme do super-herói- leva um tiro à distância na terceira página da aventura inicial.

Após a morte dele, tem início uma perseguição a Jack e a seu pai, o Starman original.

                                                            ***

O assassinato força Jack -um colecionador que vive de comprar e vender objetos raros e curiosos- a assumir o encargo de Starman.

Mas a seu jeito: sem uniforme. Basta uma jaqueta e um óculos que inibe a luz do bastão de força que usa.

Esse lado meio "cool", para usar um empréstimo da terra da série, tornou o personagem por si só diferente dos demais publicados pela editora.

                                                           ***

Ajudaram também as referências, o texto de Robinson, voltado ao leitor mais maduro.

Em poucas páginas, a busca pelo mistério do assassinato pelos olhos de Jack levaram o leitor a uma quase automática empatia pelo protagonista.

Essas histórias já haviam sido publicadas no Brasil. Por diferentes editoras, registre-se.

                                                           ***

A série é uma das que sofreram com o confuso vai-e-vem editorial e que ainda não tiveram o final publicado por aqui (embora "Preacher", do selo adulto da DC Comics, ainda esteja no topo da lista).

Starman começou a ser publicado em revista própria em outubro de 1997 pela extinta editora Magnum.

O título durou quatro números. Foi cancelado em março do ano seguinte. As quatro edições, depois, foram vendidas de forma encadernada.

                                                           ***

Houve nova tentativa em fevereiro de 1999. Uma minissérie da editora Tudo em Quadrinhos deu continuidade à série do ponto onde havia parado na Magnum.

Foram outras quatro edições, cada uma com duas histórias. A última saiu em maio daquele ano. A série foi até o número 11 norte-americano.

A editora Brainstore continuou a publicar Starman a partir do número 12 na extinta revista "Dark Heroes", de outubro de 2002. Cada número trazia uma história do personagem.

A revista foi cancelada no número cinco. lançado em julho/agosto de 2003.

                                                            ***

Talvez seja um exagero a opção da Panini de dar tamanho luxo editoral à reedição da série (luxo que é transferido para o preço sugerido, R$ 62).

Mas o tratamento editorial faz jus à qualidade da série, desenhada por Tony Harris, mais conhecido dos leitores mais novos pelo trabalho no título "Ex-Machina".

Starman se destacou nos Estados Unidos numa época em que as histórias de super-heróis não primavam pela qualidade. O título era um oásis nesse deserto.

                                                           ***

Ver Starman reeditado é algo bem-vindo, embora seja uma daquelas surpresas que o atual mercado editorial tem proporcionado.

Mas resta saber se a nova vida do herói no Brasil vai ter continuidade.

E se o leitor daqui vai, finalmente, poder ler a seqüência da série sem ter de apelar para os encadernados norte-americanos.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h40
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Reportagem em quadrinhos sobre Aids pode ser lida na internet

 

Reprodução

 

O leitor deste blog perceberá um ar de déjà-vu nesta matéria.

O assunto já havia sido noticiado há um ano, no primeiro dia de dezembro de 2007. A data marcava o Dia Mundial de Luta contra a Aids.

Na ocasião, a reportagem noticiava a existência de uma reportagem em quadrinhos sobre mulheres acima dos 50 anos que contraíram o vírus HIV dos próprios maridos.

A matéria registrava a intenção dos autores de criar um site só com reportagens em quadrinhos. A página seria criada em fevereiro deste ano.

O site só entrou no ar nesta semana. E mostra a reportagem, que pode ser lida on-line, de graça. É essa a novidade.

                                                            ***

"HIV - Sem grupos, sem comportamento, ninguém está a salvo" -título da reportagem- entrou no ar no último dia primeiro.

A escolha da data foi para marcar o dia de combate à doença.

A idéia é que fosse veiculada na mesma data, no ano passado.

Mas, segundo os autores, não ficou pronta a tempo.

                                                            *** 

Eles decidiram, então, segurar a matéria para um "momento ideal".

"De lá para cá fomos amadurecendo o projeto, verificando a real possibilidade de dar continuidade as produções de novas reportagens e agora decidimos disponibilizar na internet essa como forma de sentir a repercussão", diz Leandro Silveira, um dos três jornalistas que escreveram a matéria.

O trabalho foi co-assinado com o também jornalista Fábio Franco.

Os desenhos são de Rodolfo Troll e Franklin Mendes.

 

 

A matéria em quadrinhos tem oito páginas e se ancora nos relatos de duas portadoras.

Segundo dados do Ministério da Saúde, mulheres acima dos 50 anos foram o grupo que teve o maior crescimento da doença entre 1995 e 2006. Os casos triplicaram.

Essa não foi a primeira experiência do grupo com a nova linguagem jornalística.

Os autores produziram a reportagem em quadrinhos "Vanguarda - Histórias do Movimento Estudantil da Bahia".

A matéria foi feita como trabalho de conclusão do curso de jornalismo do Centro Universitário da Bahia, em Salvador, onde moram.

                                                             ***

A reportagem de estréia -também já noticiada por este blog- conseguiu boa repercussão.

Foi publicada no jornal "A Tarde", de Salvador e serviu de incentivo à nova produção.

E, em setembro passado, foi premiada no Intercom, principal congresso de comunicação do país. Venceu na categoria jornalismo interpretativo.

                                                            ***

O projeto dos autores é produzir outras reportagens, apesar das dificuldades. Segundo eles, falta patrocínio e, por conseqüência, verba para viabilizar a produção.

"É uma atividade que mistura linguagens, um processo criativo baseado na realidade. E por isso demanda tempo e custos", diz Silveira.

A proposta está de pé, é o nosso sonho, mas no momento a produção será esporádica."

                                                             ***

Silveira diz ter um novo projeto desse sonho engatado. Mas não revela qual é.

"Por enquanto é ´supresa´, mas será um tema que vai tratar de violência, poder e juventude."

Por ora, pode-se avaliar o que já foi produzido.

A reportagem sobre as portadoras do vírus pode ser lida neste link

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h57
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03.12.08

Livro de charges e cartuns marca dez anos de carreira de Duke 

 

 

O desenhista mineiro Duke, autor do cartum acima, já passou mais de uma vez pelas postagens deste blog.

Na maioria das vezes, eram reproduções de prêmios conquistados por ele em salões de humor brasileiros, o que dá uma dimensão de seu trabalho.

No início deste ano, por exemplo, ele ficou em primeiro lugar no Salão Internacional de Humor de Campos, no Rio de Janeiro.

O tema era o fim da água potável no mundo (o trabalho é mostrado mais abaixo).

O desenho vencedor é um dos selecionados por ele para compor o livro "Duke - Desenhos de Humor" (144 págs., R$ 35).

                                                           ***

A obra tem lançamento nesta quinta-feira à noite em Belo Horizonte, Minas Gerais.

O livro marca os dez anos de carreira do desenhista, hoje com 35 anos.

Além dos trabalhos premiados em salões de humor, Duke selecionou outras charges e cartuns publicados na imprensa. Segundo ele, a maioria é dos últimos três anos.

São quase 200 desenhos. O mais antigo é de 2001. O mais recente, de outubro deste ano.

                                                            ***

Duke -o nome completo é Eduardo dos Reis Evangelista- diz ter um "processo criativo anárquico" para produzir seus desenhos.

"Não há regras. Já fiz charges dirigindo, tomando banho, no bar e até dormindo", diz, por e-mail. Mas o caráter desregrado, no entanto, não deve contrastar com a disciplina. 

Ele diz ler três jornais por dia, busca fontes na internet, escuta rádios noticiosas.

"Daí escolho o assunto e faço a charge."

 

 

Hoje, ele publica seus desenhos em dois jornais mineiros, "O Tempo" e "Super Notícia".

Mas não trabalha mais em redações. Montou uma empresa própria.

Segundo ele, isso torna bastante livre a escolha do assunto a ser trabalhado.

"Tenho de produzir duas charges diárias. O trabalho é penoso. Em virtude disso, tento variar. Num  jornal faço mais sobre assuntos políticos e socias, no outro, por ser mais popular, faço sobre esporte."

                                                             ***

A obra -editada em capa dura e com papel especial- foi produzida com verba da lei de incentivo à cultura de Belo Horizonte.

O livro foi um dos trabalhos selecionados. O outro é um documentário sobre o artista plástico mineiro Fernando Fiúza.

No projeto, o desenhista exerce um outro lado criativo. É formado em cinema na Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais.               

                                                             ***

Serviço -  Lançamento de "Duke - Desenhos de Humor". Quando: quarta-feira (04.12). Horário: 20 h. Onde: Casa Amarela. Endereço: rua Pernambuco, 712, Savassi, Belo Horizonte. Quanto: R$ 35. Outra forma de compra é por e-mail: livroduke@gmail.com                       

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h31
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02.12.08

A mesma história, o mesmo personagem, a mesma lembrança

 

Os novos e antigos leitores de histórias de super-heróis têm a chance de ler -ou de reler- as primeiras histórias do Surfista Prateado.

As seis aventuras iniciais do personagem foram reunidas num dos álbuns da coleção "Biblioteca Histórica Marvel", lançado nesta virada de mês (Panini, 268 págs., R$ 62).

As histórias foram publicadas nos Estados Unidos entre agosto de 1968 e junho do ano seguinte. Ganharam nova tradução, foram recoloridas, estão num álbum de capa dura.

Os leitores que nunca tiveram contato com o personagem criado por Stan Lee e desenhado por John Buscema (1927-2002) possivelmente verão o álbum desta forma:

 

 

 

Mas eu vejo o mesmo trabalho de forma bem menos luxuosa:

 

 

 

É esse meu olhar sobre o personagem prateado, mesmo com todos os evidentes amassados da capa (um estratégico durex tenta corrigir uma parte rasgada).

A história que abria o sétimo número de "Heróis da TV", da Editora Abril, é uma das apresentadas neste álbum de luxo da Panini.

"Combate no Reino Eterno" -rebatizada na nova tradução de "Três Divindades em Conflito"- mostra um confronto entre Surfista Prateado e o Poderoso Thor.

O motivo desse meu olhar tem a ver com uma experiência de infância, que agora divido com o leitor na forma desta resenha testemunhal.

                                                        ***

Em janeiro de 1980, mesma data de publicação da revista, tive a oportunidade de passar férias de verão na praia. Fui com a família a um apertado apartamento de uma tia.

O "apertamento", como apelidava meu falecido pai, ficava em Praia Grande, no litoral sul de São Paulo.

Num dos dias da estada, uma forte chuva confinou adultos e crianças no mesmo espaço. À época, estava com sete anos de idade.

Como distrair a garotada? Comprando gibis.

                                                        ***

Fui levado a uma banca próxima. Foi me dada uma oportunidade rara à época: "escolha o que quiser".

Não sei se foi a tal "batalha do século" anunciada na capa ou se foi o volume de páginas maior que as demais revistas à mostra (eram 132 páginas).

Sei apenas que levei "Heróis da TV" para o apartamento.

O que acentua o saudosismo é que foi a primeira revista de super-heróis que comprei.

                                                        ***

No apartamento -ou "apertamento"- tentei ler a revista com o que havia aprendido no primeiro ano do curso primário.

A página inicial, que trazia o vilão Loki, mostrava que não seria tarefa fácil:

"No longínquo reino encantado de Asgard, imerso em pensamentos sinistros, acha-se Loki, o deus do mal, e príncipe dos feiticeiros..." 

As letras eu reconhecia. Mas faltava vocabulário. Ainda mais numa história com os mitológicos asgardianos, sempre representados verbalmente com pompa.

                                                        ***

Lembro de perguntar o sentido de alguns dos termos a minha mãe.

Professora dos anos iniciais do primeiro grau, ela viu ali uma oportunidade pedagógica.

Pediu que pegasse um caderninho e anotasse todas as palavras desconhecidas.

Depois, "quando subirmos a serra" (Praia Grande é separada do ABC paulista pela Serra do Mar), você procura o sentido no dicionário. Foi o que fiz.

                                                        ***

A atividade criada por ela foi de uma inteligência ímpar. E pode servir de argumento a todos os que não enxergam práticas didáticas nos quadrinhos.

Fiquei um tempão -semanas- com a revista, listando os verbetes que não conhecia nas 132 páginas de histórias.

A que abria a edição, a do confronto, era a que mais me chamava a atenção e a que também mais me trazia dificuldade na catalogação.

Aos poucos, cumpri a missão. E, creio, entendi a história antes de completar oito anos, em abril de 1980.

                                                        ***

Na aventura, Loki, meio-irmão de Thor, procura alguém que faça frente ao irmão num combate. Acredita que o Surfista Prateado seja esse ser.

Foi um clássico à época e, de certa forma, continua sendo.

Cada leitor verá a história de uma forma.

                                                        ***

Ainda guardo a edição amassada daquele "Heróis da TV". É a mesma que reproduzi acima.

Anos depois, já jornalista, encontrei um exemplar melhor num sebo. Comprei.

Mas não era a mesma coisa, não tinha o vai-e-vem da leitura nem minhas lembranças.

Assim como não tem esta reedição da história em formato de luxo.

                                                        ***

Nada contra a obra editada pela Panini. Muito pelo contrário.

Mas se hoje sou jornalista, professor universitário, doutor, autor de livro, devo muito a Deus, aos meus pais e irmãos e àquele "Heróis da TV" número sete.

Mesmo amassado, continua guardado na estante e na memória.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h15
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01.12.08

Segundo volume de Sandman reedita história mais violenta da série

 

 

 

 

 

 

 

 

Conto de horror se passa numa lanchonete norte-americana e corresponde à sexta história da série criada por Neil Gaiman

 

 

 

 

 

 

A série Sandman é mais conhecida pela representação da fantasia e do sonho e de como ambos -fantasia e sonho- se manifestam nos seres humanos e em seres fictícios.

Há, no entanto, um capítulo da série que ficou mais conhecido pela violência, tanto física quanto psicológica.

Essa história é lançada uma vez mais no Brasil, com nova tradução e cores refeitas.

Ela integra o segundo volume da coleção que reedita uma vez mais Sandman no Brasil ("Sandman - Prelúdios & Noturnos Vol. 2"; Pixel, 132 págs., R$ 29,90).

                                                              *** 

O conto de terror faz parte do arco iniciado no volume anterior, lançado há pouco mais de um mês. A história continua do ponto onde parou a anterior.

O mestre dos sonhos, após se libertar de uma prisão mágica feita por humanos, parte em busca de poderosos artefatos seus.

Dos três objetos roubados, ele recupera dois.

Faltava apenas um rubi, que torna reais os sonhos das pessoas.

                                                             ***

O artefato está com Doutor Destino, codinome de um dos supervilões do universo da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Super-Homem e Batman.

Destino é louco. E transmite a loucura para o mundo na forma de manipulação onírica.

A idiossincrasia dele é vista pelo leitor por meio das vidas de seis pessoas. Todas cometem o erro de estar no lugar errado e na hora errada.

Foram lá na mesma hora que Destino.

                                                              ***

Destino transforma as cobaias humanas em marionetes. Ou insetinhos, como ele chama.

Faz com que revelem seus segredos, façam orgias, o idolatrem. E se matem depois.

O excesso de poder só é coibido com a chegada do mestre dos sonhos.

                                                             ***

De tão violenta, a shistória quase provocou o cancelamento da série no Brasil na época em que era publicada pela editora Globo (o primeiro número é de novembro de 1989).

Quem revela o bastidor é Leandro Luigi Del Manto, então responsável pela revista, hoje editor da Devir.

Na introdução deste volume, Del Manto conta que a revista -a sexta da série- caiu nas mãos de um dos integrantes do alto-escalão da editora. E ficou horrorizado com o que viu.

O incômodo foi revertido num pedido de cancelamento. O desejo só foi demovido -de acordo com o relato- após muita lábia durante uma reunião.

                                                              ***

"Sandman - Prelúdios & Noturnos Vol. 2" deveria ser publicado no início do ano que vem. 

Mas o lançamento do álbum -que é trimestral- foi antecipado.

Essa mudança já havia sido informada aos leitores, no início de novembro, em uma nota no blog da editora.

Segundo a postagem -assinada por Cassius Medauar, editor-chefe da Pixel-, a antecipação ocorreu por conta do final de ano.

                                                              ***

A Pixel lançou na semana passada três outros títulos que merecem registro. Dois são encadernados de minisséries de Authority e 100 Balas já publicadas pela editora.

O outro é a volta de Ex-Machina. A série passa a integrar a revista "Pixel Magazine".

Ex-Machina mostra o polêmico dia-a-dia do prefeito de Nova York, um ex-super-herói.

Leia mais aqui. E neste link para ler mais sobre o primeiro volume de Sandman.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h54
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Jam session de quadrinhos viaja a Porto Alegre

Uma história em quadrinhos coletiva, que começou a ser feita em São Paulo, vai receber novos traços, agora em Porto Alegre.

A jam session gaúcha ocorre na próxima quarta-feira, às 19h.

A proposta é que cada desenhista continue a história do ponto onde o anterior parou.

A intenção do organizador do projeto, Gualberto Costa, é publicar o resultado final num álbum. Em princípio, a obra será lançada pela editora Devir.

                                                             ***

A jam session começou a ser feita na paulistana HQMix Livraria, de Gualberto Costa.

A versão gaúcha integra uma semana de debates e produção de quadrinhos promovida na livraria Fnac de Porto Alegre.

É a primeira vez que a loja promove um evento sobre a área na cidade, algo já comum nas demais unidades da rede.

Dois debates completam a programação. Ambos também estão marcados para as 19h.

                                                            ***

Na quinta-feira, o tema é "o sucesso fora do mercado tradicional de quadrinhos".

Participam do debate o escritor André Vianco e os cartunistas Iotti, Paulo Louzada e Santiago, que faz a mediação da mesa.

Na sexta, o assunto é "a invasão dos quadrinhos na literatura". Os desenhistas Edgar Vasques, Fábio Zimbres e Joaquim da Fonseca compõem a mesa.

No sábado, há oficinas de quadrinhos e exposição dos trabalhos do Prêmio Fnac Novos Talentos, promovido pela livraria.

                                                              *** 

Serviço - 1º Festival de Quadrinhos da Fnac de Porto Alegre. Quando: de 4ª a sábado. Horário: 19h. Onde: Fnac de Porto Alegre. Endereço: Barra Shopping Sul, avenida Diário de Notícias, 300. Quanto: de graça.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h08
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