26.02.09

As coleções de quadrinhos vendidas pelos jornais

 

Muito Além de Mafalda - Parte 3

 

Os jornais do Ocidente enfrentam hoje uma crise anunciada já há alguns anos. Os leitores migram das versões impressas para os sites e blogs virtuais.

O assunto voltou a ser pauta neste início de ano nos Estados Unidos. Vítimas do desaquecimento econômico, os jornais norte-americanos voltaram a enxugar as redações.

Um dos argumentos dos donos é que pagam para produzir conteúdo, reproduzido de graça pelo mundo virtual. Isso é muito comum na blogosfera, e não só na de lá.

Na prática, os jornais perdem leitores e assinantes. Para que comprar a edição do dia - pensa o leitor - se posso ler o mesmo conteúdo na internet?

A discussão - forte neste começo de 2009 - ainda tarda a ecoar no Brasil. Mas já se vêem alguns sinais de resposta. Na Argentina, pelo menos, isso é bem claro.

                                                           ***

Uma das respostas dos donos dos periódicos portenhos foi disponibilizar grande parte do conteúdo da edição do dia nos sites dos jornais. As tiras são lidas on-line.

Outra resposta foi apostar na política das coleções. A estratégia foi forte no Brasil na década de 1990 e volta a ser vista neste novo século.

Atrela-se a venda de determinado produto - livro, dicionário, DVD - à compra do jornal. É uma forma de impulsionar as vendas não pela qualidade da informação, mas por um atalho.

É prática frequente entre os hermanos argentinos. As coleções de obras são as preferidas, principalmente as de historietas, um dos nomes dados aos quadrinhos na Argentina. 

Todos os principais jornais oferecem ou ofereceram publicações assim nos últimos anos. 

 

Batman - La Historia y la Leyenda / Volume 1Batman - La Historia y la Leyenda / Volume 2

 

O "La Nacion" vendeu há questão de três anos coletâneas de "Gaturro", uma de suas tiras. Menos tímido, o "Clarín" aposta na estratégia de forma bem mais acentuada.

Hoje, o "Clarín" vende a cada 15 dias uma coleção com histórias de destaque de Batman. Cada álbum de capa dura sai por 16,90 pesos (mais ou menos R$ 11,50).

Se a conta não engana, "Batman - La Historia y la Leyenda" está no sétimo número.

O primeiro volume trazia as quatro partes de "Batman - Ano Um", história escrita por Frank Miller e desenhada por Davi Mazzucchelli, publicada mais de uma vez por aqui.

A coleção prevê 20 edições. A maior parte das tramas também já foi lançada no Brasil. Vão de "As Dez Noites da Besta" e "Uma Morte em Família" à saga da "Queda do Morcego".

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Os quadrinhos de super-heróis não têm a mesma receptividade por lá. Será assunto de uma das postagens desta série. Mas vale antecipar algumas curiosidades.

Os argentinos têm um senso de pátria bem mais arraigado que nós. É algo elogioso. Veem com orgulho seu país. Talvez por isso, tendem a criticar o vai-e-vem da política econômica.

A defesa do patrimônio da nação passa também pela língua. Há estrangeirismos e está aí o Batman para comprovar. Mas traduzem o que podem. E sem a vergonha que os brasileiros têm na palavra em versão nacional.

A televisão e o cinema oferecem ótimos exemplos. Speed Racer é Meteoro. O filme "Grease", "Vaselina". A maioria dos seriados norte-americanos antigos tem o nome traduzido. E são dublados. Não redublados, como aqui.

Batman segue a tendência. Os nomes de Alfred e do Comissário Gordon se mantiveram intactos. Mas Bruce Wayne, por lá, é Bruno Días. E Gotham City, Cidade Gótica.

 

Ilustradores y Humoristas de Clarín - SendraIlustradores y Humoristas de Clarín - QuinoIlustradores y Humoristas de Clarín - Sabat

 

O mesmo "Clarín" que publica os volumes de Batman - em comemoração aos 70 anos de criação do personagem - lançou outras duas coleções de quadrinhos.

No ano passado, pôs à venda junto com o jornal fascículos sobre com a história de alguns dos desenhistas que colaboraram e colaboram com o periódico portenho.

A série "Ilustradores y Humoristas de Clarín" era produzida em formato tabloide e em papel jornal. Os fascículos tinham 24 páginas cada um.

O de Hermenegildo Sabat, um dos principais chargistas do país, teve o dobro de páginas.

Mas o maior investimento do jornal no setor das coleções ocorreu de 2003 a 2007, com a "Biblioteca Clarín de la Historieta". Cada volume traz um personagem, argentino ou não.

 

PatoruzúInodoro PereyraEl Eternauta II

                                              

A "Biblioteca de la Historieta Mundial" surgiu na cola de outra coleção do jornal, com clássicos da literatura argentina. A história em quadrinhos "El Eternauta", de Hector Oesterheld e Solano Lopez, foi uma das incluídas.

"El Eternauta" e outras obras de Oesterheld - o principal escritor do país, morto pelos militares na década de 1970 - voltaram a ser publicadas na nova coleção.

A biblioteca teve início em dezembro de 2003. A primeira leva teve 20 volumes. Todos traziam no início um prefácio e uma introdução com o histórico da obra e dos autores.

A maioria dos livros foi feita em papel jornal e em preto-e-branco (alguns poucos em cores). Não havia um número de páginas definido. Ficava entre 200 e 400. Nunca menos 200.

O número de estreia trazia Mafalda. Está esgotado. Os demais chagavam às bancas com o jornal a cada 15 dias. Na época, saíam por 9,90 pesos cada um (em torno de R$ 6,70).

                                                           *** 

Os primeiros 20 volumes mesclavam autores clássicos argentinos e outros, norte-americanos e europeus. Veja os títulos, em ordem de lançamento:

  1. Mafalda, de Quino
  2. Corto Maltese, de Hugo Pratt
  3. El Loco Chávez, de Carlos Trillo e Horácio Altuna
  4. Batman, diferentes fases do personagem (Bob Kane, Neal Adams, "A Piada Mortal", de Alan Moore, entre outras histórias)
  5. El Eternauta, de Hector Oesterheld e Solano López
  6. Flash Gordon e Rip Kirby, de Alex Raymond
  7. Patoruzú, de Dante Quinterno
  8. Viagem a Tulum e Outras Histórias, de Milo Marana
  9. Nippur de Lagash, de Robin Wood
  10. Dick Tracy, de Chester Gould
  11. Inodoro Pereyra, de Fontanarrosa
  12. Superman, diferentes fases do personagem (inclui Alan Moore e John Byrne entre outros)
  13. Mort Cinder, de Hector Oesterheld e Alberto Breccia
  14. Popeye e Hagar, o Horrível (Olaf, el Vikingo), de E. C. Segar e Dik Brownie
  15. Isidoro, de Dante Quinterno
  16. Vito Nervio / Misterix, diferentes autores
  17. Ticonderoga, de Hector Oesterheld e Hugo Pratt
  18. Zorro / Cavaleiro Solitário, diferentes autores
  19. El Eternauta II, de Hectro Oesterheld e Solano López
  20. Fantasma e Madrake, de Lee Falk e diferentes desenhistas

A primeira leva da coleção terminou de ser lançada em setembro de 2004.

                                                           ***

O jornal voltou a publicar a "Biblioteca Clarín de la Historieta" exatos dois anos depois. A nova leva contava com 15 títulos ao todo, vendidos a 11,90 pesos cada um:

  1. Maitena, de Maitena
  2. Homem-Aranha, diferentes fases do personagem (inclui histórias de Stan Lee, Steve Ditko, John Romita, Todd McFarlane entre outras)
  3. Sargento Kirk / Ernie Pike, de Hector Oesterheld e Hugo Pratt
  4. Liga da Justiça, diferentes fases do supergrupo (uma delas é da Keith Giffen, J. M. de Matteis e Kevin Maguire)
  5. Divito / Lino Palacio - Leyendas del Cómic Argentino, de Divito e Lino Palacio
  6. Tarzan, diferentes autores (de Hal Foster a Je Kubert)
  7. Sherlock Time, de Hector Oesterheld e Alberto Breccia
  8. O Incrível Hulk, diferentes fases do personagem (inclui a origem e parte da fase de Peter David)
  9. Boogie, o Escamoso, de Fontanarrosa
  10. Mickey e Donald, de Walt Disney (inclui histórias de Paul Murry, Carl Barks e Don Rosa)
  11. Las Pueritas del Sr. Lopez, de Carlos Trillo e Horácio Altuna
  12. X-Men, diferentes fases do supergrupo (origem, fase de Chris Claremont e John Bryne, entre outras)
  13. Patoruzito, de Dante Quinterno
  14. Sin City, de Frank Miller
  15. Evite / Che, de Hector Oesterheld e Alberto e Enrique Breccia

A segunda fase da coleção terminou em setembro de 2007. Até o momento, não houve uma terceira leva. No jornal, a sondagem informal não indica nada nesse sentido.

 

MaitenaSherlock TimeEvita / Che

 

Quem se interessar pela série tem dois caminhos. O primeiro é procurar pelas edições nos quioscos - as bancas de jornal de lá - e nas lojas de quadrinhos.

Algumas lojas vendem a preços convidativos. Encontrei uma oferta num desses pontos de venda a 8 pesos cada um.

Embora o comprador possa buscar preços mais em conta, esse caminho é mais trabalhoso.

Exige visita a cada um dos pontos de venda. E isso demanda tempo, um luxo que nem sempre se tem nas estadas de poucos dias em Buenos Aires.

A outra alternativa não é tão mais cara e é mais segura. O Clarín mantém uma loja para vender o encalhe das coleções.

                                                           ***

A "tienda" - loja em castelhano - fica no cruzamento entre a rua Florida e a avenida Corrientes. É um ponto turístico, não tem como errar.

A loja fica na Corrientes, um pouco para baixo da Florida, sentido Puerto Madero - o porto de Buenos Aires, outra atração turística obrigatória. O número, salvo engano meu, é 526.

Se tiver dificuldades, pergunte "donde es la tienda de Clarín?". Por lá, todos sabem onde é.

Encontrada o ponto de venda, identificado com um logo do "Clarín", entre sem medo. Os funcionários vão olhar para você. Ignore. Vá reto, desça um lance de escadas e pare num balcão, à direita. Daí, é só perguntar pela coleção e saber quais números estão disponíveis.

Na primeira visita à loja, não aceitavam cartão de crédito. Na segunda, sim. 

Por isso, é bom ter alguns pesos no bolso por segurança. Se precisar, há uma casa de câmbio confiável na frente, do outro lado da rua. E olho vivo. Turistas são alvo de assaltos.

 

Colección Continuará 1Colección Continuará 2

 

O site do "Página/12" anuncia para o próximo sábado, 28 de fevereiro, o segundo número de outra coleção "Continuará...". Mensal, é vendida a 8 pesos (cerca de R$ 5,45).

Vale repetir: a obra é vendida a 8 pesos, em torno de R$ 5,45. É um valor bem, bem mais em conta do que é publicado em solo brasileiro.

São obras de 96 páginas cada uma, com relançamentos de autores importantes da Argentina. Este novo número - "El Caballero del Piñon Fijo" - é de Carlos Trillo e Domingos Mandrafina.

O primeiro foi "El Sueñero", de Enrique Breccia, publicada em 1985 na revista "Fierro", ainda hoje a principal publicação do quadrinho argentino contemporâneo.

Não é coincidência que a coleção "Continuará..." é vendida no mesmo dia que a revista. A nova versão da "Fierro" é publicada desde 2006 no "Página/12" num dos sábados do mês.

                                                             ***

Próxima parada: a nova cara da "Fierro".

                                                             ***

Leia as outras postagens da série:  Introdução, Parte 1, Parte 2.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h30
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25.02.09

O humor gráfico dos jornais de Buenos Aires

Muito Além de Mafalda - Parte 2

 

É possível ler grande parte do conteúdo impresso nos portais dos principais jornais portenhos. O "Clarín", o principal, ainda restringe trechos da edição virtual a assinantes.

Mas todos - inclusive o "Clarín" - permitem que as tiras e charges do dia sejam vistas desde as primeiras horas da manhã em suas páginas da internet. No Brasil, paga-se por isso.

O turista não precisa viajar até Buenos Aires para saber quais são as tiras de lá. Mas é necessário passar os olhos na edição impressa para ver onde são publicadas.

Tornou-se uma tradição a última página dos periódicos - nome dos jornais na Argentina - ser ocupada por charges e tiras cômicas.

O material não deixa a desejar aos norte-americanos. Aliás, eles nem passam perto. Cem por cento das histórias são argentinas. Algo que também não ocorre por aqui.

                                                            ***

O "Clarín" - assim como o "Página/12" - é produzido em formato tabloide. É como o "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro. O tamanho equivale a uma folha de jornal dividida ao meio.

A página final tem no topo a previsão do tempo resumida em uma frase. As máximas e mínimas. Uma nuvenzinha indicando se vai haver sol ou chuva. A informação fica espremida.

O restante do espaço - que não é pouco - é inteiramente dedicado aos quadrinhos.

É uma área nobre do jornal. Traz quatro tiras cômicas e uma charge, assinada por Crist.

As piadas são vividas por personagens fixos, aos moldes das produções norte-americanas do gênero. São desconhecidos do público brasileiro.

 

La Nelly

 

Diógenes y El Linyera

 

Quem abre a página é "La Nelly", de Langer e Rubé Mira. Publicada desde 2003 no jornal, é o estereótipo de uma senhora argentina de classe média. Mas amalucada.

As tiras da personagem foram reunidas num álbum, "La Nelly - Argentiníssima".

"Diógenes y el Linyera" ocupam o extremo oposto da página final do "Clarín".

Publicada desde 1977, a série é de Jorge Guinzbury e desenhada por Tabaré, uruguaio radicado na Argentina.

Narra o dia-a-dia de probretão, sempre acompanhado por seu cão, Diógenes, com quem divide o título das piadas diárias.   

 

Clemente

 

Embora ocupem um espaço físico um pouco menor que as anteriores, as outras duas tiras são as mais interessantes do periódico portenho. E populares fora das páginas.

"Clemente" é um... é um... não se sabe o que ele é. É uma mistura de pato com ave com visual próprio.

O personagem de Caloi surgiu e, 1973 nas tiras de Bartolo, definido como um gordinho melancólico e bonachão. Em pouco tempo, a popularidade dele o levou ao título da série.

As tiras não têm um tema específico. Mas são ancoradas nos diálogos do protagonista. É muito comum ele vivenciar assuntos do cotidiano. Já enfrentou inclusive a censura.

O ápice da popularidade foi durante a Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina. Clemente foi alçado a mascote extra-oficial do torneio.

 

Yo Matias

 

Sendra é o único dos quadrinistas quem assina também charges na parte interna do jornal. Mas são produções bem diferentes das tiras de "Yo, Matias", lidas na página final.

Matias é um menino marcado pela ingenuidade. É questionador como Mafalda, mas não politizado como ela. Gosta de brincadeiras, mas não é travesso como Calvin.

O menino simplesmente vive as situações de seu cotidiano, dando a elas um humor pueril. É o principal atrativo da série e também o que a torna cativante.

A tira é publicada no jornal desde 1993. O personagem teve uma carreira promissora também nas seções infantis das livrarias. Três editoras diferentes publicaram coletâneas.

Duas delas - a Ediciones de la Flor e a Buenos Días - relançaram as tiras em álbuns com formato horizontal. A primeira editora, em preto-e-branco. A segunda, em cores.

 

Tira de Rep

 

O "Página/12" pode manter o formato do "Clarín". Mas não o volume de histórias em quadrinhos. A capa traz no alto uma charge, bem pequena. A página final, apenas uma tira.

Porocupar um espaço solitário, a série de Rep consegue um destaque ímpar em relação aos demais quadrinistas argentinos. Ele reina sozinho no nobre espaço do jornal.

Rep iniciou sua produção com o personagem Gaspar, el Revolu. Era um argentino que defendeu bandeiras socialistas na juventude. Hoje, teve de se "vender ao sistema" para sustentar a família.

As primeiras tiras foram compiladas em álbuns da De la Flor. Mas, em dado momento, Rep passou por uma reavaliação criativa, tal qual Laerte e seus Piratas do Tietê, na "Folha de S.Paulo".

O desenhista optou por não definir o espaço da tira com tema algum. Podiam ser histórias de Gapsar. Podiam também não ser. Queria liberdade para criar sem as amarras do personagem fixo.

Curiosamente, é a única série de tiras que não tem título. Apenas o nome do autor.

 

Gaturro

 

A concorrência com o "Clarín" vem mesmo do "La Nacion", o único dos três periódicos editado em formato maior, tal qual a maioria dos jornais brasileiros.

Talvez pelo espaço físico maior, o "La Nacion" não dedica toda a página aos quadrinhos. As tiras aparecem na metade direita. Abaixo delas, há "palabras cruzadas".

São quatro séries. As duas primeiras são maiores, ocupam o espaço de duas tiras. Uma delas é de "Gaturro", já comentada nesta série. O gato de Nik aportou no Brasil em 2008.

O que não foi mencionada ainda é a popularidade do personagem. É comum vê-lo no canto das charges feitas por Nik, algo que desconheço exisitir em outro canto do mundo.

O lado chargista do desenhista dá a cara humorística do "La Nacion". Já publicou diferentes coletâneas de charges. A última aborda o casal Kirshner, apelidados de los pinguinos.

 

Bute

 

Abaixo de "Gaturro" e produzida no mesmo tamanho ampliado está a série Batu, de Tute. 

Tal qual Rep, aborda situações distintas a cada tira. Algumas são muito criativas.

 

Jim, Jam y el otro

 

Macanudo

 

As duas outras tiras são publicadas no formato tradicional. Uma delas é "Jim, Jam y el Otro", de Max Aguirre. Conta as situações do três amigos que intitulam a série.

A página encerra com "Macanudo", de Liniers, a mais conhecida entre os brasileiros. A primeira coletânea da série foi lançada por aqui no ano passado.

"Macanudo" - gíria antiga equivalente ao nosso "supimpa" - virou febre no mercado editorial argentino. Hoje, equivale a Maitena e Quino. Pelo menso em repercussão.

O sexto álbum com as tiras da série, lançado em dezembro, não era encontrado nas livrarias portenhas. Rodei umas 20. Nada. Soube que uma delas recebeu um novo lote. Oito álbuns. Quando cheguei, havia apenas quatro. Comprei dois, um de presente para a noiva.

As capas foram produzidas à mão, uma a uma. E numeradas. Foram rodadas 5 mil cópias. Abaixo, o exemplar 4.233. O "sujo" da capa é original. Foi produzida assim mesmo.

 

 

Capa de Macanudo 6

 

 

As tiras cômicas dos jornais, como dito, podem ser lidas diariamente nas páginas dos periódicos. Todas as mostradas nesta postagem são de hoje, 25 de fevereiro.

Seguem os links: Clarín, La Nacion, Página/12 (neste, a tira está no fim da página).

Os autores também mantêm blogs com as séries. Uma busca virtual revela facilmente onde estão hospedadas as histórias. 

Apesar da facilidade virtual, há um sabor especial em ler as tiras na versão impressa. 

Os periódicos não são encontrados apenas nos quioscos, as bancas de lá. Os hotéis e alguns cafés disponibilizam as edições do dia. É questão de procurar.

                                                            ***

Próxima parada: as coleções de quadrinhos vendidas pelos jornais

                                                             ***

Leia as outras postagens da série: Introdução, Parte 1.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h08
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24.02.09

À procura dos quadrinhos nos quioscos portenhos

 

Muito Além de Mafalda - Parte 1

 

O lugar óbvio para um brasileiro procurar histórias em quadrinhos na Argentina é nos quioscos, como são conhecidas as bancas de jornal de lá.

Mas não espere o mesmo volume de títulos que existe aqui. Há bem, bem menos.

Não é difícil encontrar um quiosco na região central de Buenos Aires, a preferida pelos turistas. Nas ruas principais, há um a cada quarteirão. Às vezes, até mais de um.

Fisicamente, são parecidos com as bancas brasileiras. Mas curiosamente uniformes. São mais curtos. Isso impede a entrada do comprador, como aqui.

O vendedor fica espremido num canto. Não raro passa despercebido. Ele, no entanto, está de olho em você, tenha certeza disso.

                                                           ***

O material fica à mostra. Da rua mesmo procura-se o que quer. A maior parte são revistas. Os jornais do dia têm destaque especial. Ficam nos cantos, sempre à frente.

É necessário acostumar a vista no poluído cenário de papel dos quioscos para encontrar os quadrinhos. Na primeira passada de olhos, é fácil achar Mafalda, sempre ela.

É comum ver álbuns individuais da menina questionadora de Quino, publicados há anos pela Ediciones de la Flor.

É da De la Flor também a coletânea "Toda Mafalda". O livro, de capa de dura, teve versão nacional pela Martins Fontes. Reúne os vários anos de tiras da personagem.

A editora portenha tem em catálogo outros títulos de humor argentinos. Como as coletâneas de tiras do popular "Gaturro", de Nik, personagem que estreou no Brasil no ano passado.

 

Crédito: reprodução

 

 

 


Imagem do décimo número de coletânea de Gaturro, da Ediciones de la Flor

 

 

 

 

"Toda Mafalda" - um dos cartões de visita da Argentina em forma de quadrinhos - é um dos reveladores indícios metonímicos da situação econômica do país vizinho.

Há dois anos, o livro custava em torno de 90 pesos. Ou R$ 61,2. O real brasileiro sai, nesta terça-feira de Carnaval, 0,68 centavo em relação a um peso argentino.

Nos dias finais de 2008, a mesma edição custava em torno de 120 pesos. Com sorte. Livrarias vendem a obra a cerca de 150 pesos.

O aumento é um sinal concreto da inflação enfrentada pelo país. Há o índice oficial do governo, estrategicamente menor que os reajustes reais do comércio.

O número oficial do ano passado foi de 7,2%. Fala-se em valores três vezes maiores.

                                                           ***

A inflação é um dos desafios vivenciados pela atual presidente Cristina Kirschner. Um porque enfrentou e enfrenta uma reticente tensão com o setor agrário.

Do ponto de vista do turista brasileiro, ainda se trata de um mercado interessante, dada a atraente conversão em relação ao real. E à necessidade de o comércio vender.

Por isso, pechinche. Os donos dos quioscos olham um pouco feio, mas aceitam contra-ofertas. Quanto maior o preço de capa, maiores as chances de o valor final ser reduzido.

"Toda Mafalda", uma vez mais, serve de exemplo, dada a oferta generosa da obra por lá. Pesquise entre os quioscos. Pode-se conseguir bons descontos.

Outra coletânea de Quino, produzida em capa dura - "Eso No Es Todo", com cartuns dele - custou 20 pesos a menos numa dessas barganhas.

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Eso No Es Todo", coletânea de cartuns feitos por Quino, produzida no mesmo formato de "Toda Mafalda"

 

 

 

 

 

 

 

 

Embora Mafalda, criada nos anos 1960, seja o item que mais se destaca aos olhos do comprador, é possível garimpar outros títulos em quadrinhos nos quioscos argentinos.

Há pouca oferta de quadrinhos. O que se encontra varia de um ponto de venda para outro.  Alguns mantém títulos de mangás - sim, os quadrinhos japoneses aportaram por lá também.

Em todos, encontram-se edições mensais dos personagens criados há 80 anos por Dante Quinterno (1909-2003). A saber, Patoruzú, Patoruzito e Isidoro.

Ou "Andanzas de Patoruzú", "Correrías de Patoruzito" e "Locuras de Isidoro", nomes de cada uma das revistas que protagonizam.

São edições em formato horizontal, de 68 páginas e em preto-e-branco, que reeditam histórias antigas.

 

Crédito: reproduçãoCrédito: reprodução

 

Patoruzú é uma das criações mais conhecidas entre os argentinos, sobrevivendo a mais de uma geração.

É um índio ingênuo e aventureiro que surgiu nas tiras de outro personagem, Don Gil Contento, em 1928. O cacique seria um presente dado a ele.

A história não teve sequência e foi retomada da mesma forma anos depois, em outra tira. Agora, sim, teve sucesso. Tanto que Patoruzú tornou-se o personagem-título.

Pouco depois, surgiram Isidoro - um estereótipo de playboy portenho e interesseiro - e Patoruzito, releitura infantil da série.

O grupo migrou para o formato de revista nos anos 1930. Na década seguinte, as tiras foram abandonadas e a concentração ficou exclusivamente nos títulos dos quioscos.

                                                            ***

Apesar de o material atualmente vendido ser reeditado, é algo a ser observado com atenção.

É um grupo de personagens que vem sendo publicado quase ininterruptamente há cerca de 70 anos. 80 se for considerada a década de tiras.

Numa tentativa de analogia - que nunca é precisa - pode-se ver um quê de Tintim e de Mauricio de Sousa nas produções de Quinterno.

De Tintim vem a aventura com pitadas de humor, dadas pelos coadjuvantes. Do pai da Turma da Mônica, o tino empresarial, a popularidade e a longevidade das publicações.

Há outra semelhança com Mauricio: Patoruzito estreou neste século dois longas de animação. O primeiro, de 2004, foi visto por 2,6 milhões de pessoas. 

                                                            ***

Os melhores quioscos estão nas principais avenidas do centro de Buenos Aires: Corrientes, Florida, 9 de Julio. Na Corrientes, em especial, há alguns muito bons.

Tanto na esquida com a Florida - sem carros, dedicada exclusivamente ao comércio, se parece com as ruas do centro paulistano - quanto no extremo oposto, após a 9 de Julio.

A dica é andar. Não é tão longe percorrer a avenida. Pare, pesquisa, pergunte. Os donos dos quioscos em geral são bastante convidativos no atendimento aos turistas.

Se cansar, dê uma parada em algum dos cafés portenhos, mais abundantes que as bancas. Mas não menos atraentes a quem visita Buenos Aires.

Peça um cortado, nome do café com uma pitada de leite. Saboreie enquanto lê o que comprou. Ao contrário daqui, nenhum garçom vai olhar feio ou dar indiretas para que saia.

                                                           ***

Próxima parada: o humor gráfico dos jornais de Buenos Aires

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h47
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Primeiras impressões de um brasileiro na Argentina

 

Muito Além de Mafalda - Introdução

 

A saída do Aeroporto Internacional de Ezeiza evidencia ao turista a troca de país.

Placas em castelhado, vozes na língua da nação vizinha. Uma nova babel no curto espaço do desembarque.

"Táxi, señor?". É um teste. Quer saber se a pessoa vem de fora da Argentina. Se sim, vai tentar demovê-la da ideia de tomar um ônibus até o centro de Buenos Aires, a 35 km da vizinha Ezeiza.

Respondo um curto não. Ou "no, gracias", como dita o novo idioma a ser explorado.

Por mais que deixe claro o sotaque, o domínio do castelhano, ainda que mínimo, ajuda a afugentar os oportunistas.

                                                           ***

Passada a surpresa inicial da chegada - menos surpreendente a cada nova aterrisagem -, pode-se prestar mais atenção no reformado aeroporto, principal porta argentina de entrada e saída aérea para outros países.

Os curiosos podem visitar o segundo andar, reservado apenas para embarque. Descobrirão uma livraria, não tão grande quanto as Laselvas dos aeroportos paulistas.

Livros. Muitos livros. Num canto, meio escondidos, alguns álbuns em quadrinhos.

Maitena e suas Mujeres Alteradas. Mafalda. Toda Mafalda. Pequenas edições de Mafalda. Enfim, muita Mafalda. Também obras com cartuns de seu criador, Quino.

Nada que os brasileiros já não tenham lido em versões nacionais.

 

Crédito: reprodução de Toda Mafalda

 

O andar debaixo, o mesmo do desembarque, tem dois quiosques.

Um maior, ao fundo. Outro menor, à frente, se confunde com venda de doces.

Uma passada rápida de olhos no quiosco maior - quiosco é como os argentinos chamam as nossas bancas de jornal - mostra um design parecido com as bancas daqui.

As revistas também. Oferta em abundância. Tipos dos mais variados. Muitas publicações com mulheres nuas na capa. Algumas têm estampadas ex-integrantes do BBB de lá.

Tal como cá.

                                                           ***

Os jornais oferecem atração melhor. Vê-se nas capas uma leitura crítica da atual presidente Cristina Kirchner. Os chargistas a enxergam como um fantoche de luxo manipulado pelo marido, o ex-presidente Nestor Kirchner.

Uma ousadia brasileira em solo estrangeiro instiga a pegar um jornal na mão. Uma edição do "Clarín", o mais importante periódico portenho. 

O verso é revelador. Uma página inteira dedicada a quadrinhos. Tiras cômicas em sua maioria. Algumas charges.

Outra ousadia, outro jornal. O "La Nacion" segue a mesma linha editorial. Y hay "Macanudo", tiras feitas por Liniers que se tornaram destaque no país, não só nos jornais.

Já nem interessam tanto as manchetes. O turista encontrou quadrinhos desconhecidos do país vizinho.

                                                           ***

Um passeio pelo centro turístico de Buenos Aires - mais e mais frequentado por brasileiros, atraídos pelo câmbio baixo em relação ao peso argentino - é ainda mais revelador.

A viagem em si é memorável. Será pontuada de quando em quando. Mas o foco desta série especial de postagens é outro. É fazer um tour pelos quadrinhos argentinos.

Quais são? Onde são vendidos? Quais são lidos atualmente?

A série é resultado de quatro viagens a Buenos Aires feitas nos dois últimos anos.

Resultaram ótimos passeios e a compra de um grande número de títulos do país vizinho, a maioria desconhecida do leitor daqui.

                                                           ***

Historicamente, houve uma inexplicável barreira editorial no tocante à publicação de histórias em quadrinhos argentinas em solo brasileiro.

Mafalda furou o bloqueio. Seu criador, Quino, também.

Neste século, Maitena conseguiu lugar nas prateleiras e na mídia.

Em 2008, ano atípico, tivemos versões nacionais de "Gaturro", de Nik, "Macanudo", de Liniers, e da biografia de Che Guevara, por Alberto e Enrique Breccia e Hector Oesterheld.

 

Crédito: reprodução de Toda Mafalda

 

Mas existe muito, muito mais. Antes mesmo de a Europa tornar suas produções mais adultas, os argentinos já faziam isso na década de 1950.

Esta série fura o bloqueio invisível e revela como é a produção argentina de quadrinhos.

A descoberta - feita ao longo das quatro visitas, a última em dezembro de 2008 - é que nossos hermanos têm uma das melhores produções do mundo na área.

Só falta ser descoberta. Pelos leitores, pelos editores.

Os quadrinhos argentinos vão muito, muito além de Mafalda.

                                                           ***

Próxima parada: À procura dos quadrinhos nos quioscos portenhos

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h19
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21.02.09

A hora e a vez de Rodrigo Rosa nos quadrinhos

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa

 

 

 

 

 

 

Trecho da adaptação de "O Cortiço", obra feita pelo desenhista gaúcho, com lançamento programado para o segundo semestre 

 

 

 

 

 

 

Não foi intencional. Mas, nos últimos anos, o desenhista gaúcho Rodrigo Rosa se tornou um ímã de convites editoriais para adaptar obras da literatura brasileira.

Recebeu quatro propostas ao todo. Duas não vingaram. Foram pilotos para "Capitães de Areia", de Jorge Amado (1921-2001), e "Vidas Secas", de Graciliano Ramos (1892-1953).

Ambos foram feitos para a Editora Globo e tiveram apenas em algumas páginas produzidas.

                                                           ***

Rosa teve melhor sorte com as outras duas adaptações.

Finalizou no ano passado para a Agir uma versão em quadrinhos de "Os Sertões", de Euclides da Cunha (1866-1909), ainda inédita.

Neste mês, termina a adaptação de "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo (1857-1913).

                                                            ***

A adaptação integra uma coleção de obras literárias brasileiras em quadrinhos produzidas pela Ática, como o blog noticiou nesta sexta-feira (leia mais na postagem abaixo).

Segundo a editora, o álbum deve ser lançado no começo do segundo semestre.

O texto ficou a cargo de Ivan Jaf, escritor de livros infanto-juvenis e autor de antigos quadrinhos de terror.

                                                           ***

Rosa - que completa 37 anos em junho - vê nos dois álbuns a concretização de um desejo antigo, o de ter condições financeiras melhores para se dedicar aos quadrinhos.

Ele diz que ficou uns 20 anos - nas palavras dele - idealizando a ideia de tornar os quadrinhos uma profissão. 

Tem se dedicado mais intensamente à área no último ano. Até então, a ilustração para livros rendia mais.  

                                                           ***

A adaptação de "Os Sertões", feita em parceria com Carlos Ferreira, já deveria ter sido lançada. Está parada na editora Agir, onde o material foi entregue em março de 2008.

Nesta entrevista, resultado de diferentes trocas de e-mail, Rodrigo Rosa comenta sobre a demora na publicação da obra de Euclides da Cunha e comenta sobre "O Cortiço".

O desenhista - que nasceu e vive em Porto Alegre - fala também sobre a necessidade de tempo para pesquisar o que vai pôr no papel.

Algo que, segundo ele, parte das editoras não vê.

 

                                                          ***

Blog - É a segunda adaptação literária sua em curto prazo de tempo. É uma coincidência de propostas ou é um desejo profissional investir nesse ramo?
Rodrigo Rosa
- Meu interesse é, antes de tudo, fazer quadrinhos e esse filão das adaptações literárias foi o que as editoras acharam pra tentar fazer as tão cobiçadas vendas para o governo federal. Foi aí que alguns editores me acharam e fechei esses dois trabalhos - houve mais outros dois que não passaram do piloto. Eu espero sinceramente que essa linha de pensamento dos editores seja apenas a porta de entrada dentro dessa novidade que é editar álbuns de quadrinhos por aqui e que, logo adiante, comecem a pensar em editar boas histórias em quadrinhos com cara de Brasil, sem
necessariamente ter de continuar na linha dos clássicos literários.

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa



Blog - Como surgiu a oportunidade - ou a proposta? - de fazer "O Cortiço" pela Ática?
Rosa
- Fui procurado pela Ática depois que eles viram algumas páginas d'Os Sertões. Fizeram a proposta mais justa economicamente que recebi até agora, porque já teve editora grandona que me apareceu com proposta simplesmente ridícula.

Blog - Queria insistir sobre quais editoras eram e quais as propostas foram feitas.
Rosa
- Não vou falar especificamente de valores pois isso é um assunto privado e também acho pouco profissional. Não falaria se estivesse recebendo grandes somas, tampouco citarei valores que considero baixos. Até porque, nessa segunda hipótese, isso poderia me queimar com editoras com as quais trabalho e infelizmente não tenho condições de dizer "tô cagando pra eles"... ainda não. Possivelmente, nunca. Mas, via de regra, os valores oferecidos pelas editoras pra fazer quadrinhos oscilam entre o "estapafúrdio" (adoro essa palavra) e o "ok, eu me aperto um pouquinho, mas dá pra levar". Aí se trabalha. Mas o que me deixou muito chateado com essa proposta que não aceitei é que eu tinha (tenho) muita vontade de fazer esse projeto, pois acho a linha editorial desse selo de quadrinhos muito boa. A melhor pensada pro nosso mercado até agora, uma verdadeira aposta no quadrinho autoral brasileiro. Eu tinha, inclusive, informação que essa gente fechou parcerias com excelentes artistas novos e com muito boa remuneração. Mas, quando me procuraram – o que me deixou a princípio muito animado – ofereceram um valor que mal dá pra pagar meu aluguel (isso que eu moro num apê barato, de um quarto) e a conta do telefone, e isso por um trabalho que me levaria cerca de um ano pra fazer, pelo grande volume de páginas. Esse tipo de coisa é muito frustrante! Eu sou um apaixonado por quadrinhos, faço muito com o coração, mas não consigo trabalhar sem me sentir minimamente valorizado profissionalmente.

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa

 

Blog - Outra pergunta: vi em seu blog que foi feito um processo de estudo visual da época. Como foi feita essa pesquisa e de que modo ela se refletiu no produto final?
Rosa
- A pesquisa é fundamental dentro de qualquer trabalho artístico que registre um momento histórico, seja passado ou presente. É essa pesquisa que vai transportar o leitor pro período no qual se passa sua história, dando sentido à trama nos seus mínimos detalhes. Esse é outro problema que em geral temos na relação editor/artista: via de regra, os editores não prevêem que os artistas necessitem de algum tempo pra essa tarefa essencial da pesquisa nos seus cronogramas de produção de uma obra. Isso deveria ser encarado como uma fase de pré-produção do livro. E é algo que leva algum tempo, é um trabalho de formiguinha: Vai aqui, vai ali, acha-se coisas no museu tal, depois num outro, na internet, etc. E como acontece geralmente? O editor te passa o roteiro quase sempre prevendo um tempo mínimo que seja o de já sair desenhando as páginas de hq pra entregar no prazo acertado. Aí o artista tem que sair fazendo tudo ao mesmo tempo, pesquisando e já desenhando as páginas junto. É como colar numa prova: responde-se a questão, mas não se sabe com segurança qual é a resposta. E sinceramente, dentro dessa correria a gente até tem conseguido sair-se bem, sem grandes mancadas de desenhar algum elemento não tenha nada a ver com o período em que estamos lidando. Enganamos bem. No O Cortiço, assim como n'Os Sertões, a pesquisa está em tudo: na arquitetura das casas, na geografia, na roupa de cada personagem, nos cortes de cabelo, em cada objeto presente na cena, tudo tem algo ver com o final do século dezenove, época descrita nos livros. Nos dois casos, nós viajamos (por conta própria) pra ir aos lugares onde se passam as histórias. Entrevistamos pessoas, buscamos outros livros,
sentimos o clima do lugar. Esse envolvimento foi especialmente emocionante no caso d'Os Sertões, quando o Carlos Ferreira e eu fomos à região de Canudos, subimos nos morros onde aconteceram as batalhas, falamos com netos de conselheiristas, tomamos banho no lago onde está submerso o arraial. Tudo isso, de algum modo, mais prático ou mais sutil, está no quadrinho.

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa

 

Blog - Por falar na obra de Euclides da Cunha, a quantas anda? O que a editora diz aos autores?
Rosa
- Nós entregamos o trabalho em março e os caras demoraram meses pra dizer algo. Disseram depois de um tempão que iriam pedir umas mudanças – nossa versão leva o livro em conta, mas é muito livre e aberta, também. Depois o editor que cuidava do álbum saiu da Agir, que depois reorganizou toda sua agenda de lançamentos por causa da compra da Desiderata. Enfim... brinco com o Carlos [Ferreira, escritor da obra] dizendo que nosso álbum teve o mesmo destino do arraial de Canudos: está submerso.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 03h38
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20.02.09

Ática prepara coleção de literatura nacional em quadrinhos

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

  


Página de adaptação do romance "O Guarani", que marca volta de Luiz Gê aos quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

A Ática produz quatro adaptações literárias em quadrinhos. Todas são de romances brasileiros. A programação da editora é lançar as obras ao longo do ano.

A lista inclui "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo (1857-1913), "O Guarani", de José de Alencar (1829-1877), "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Antônio de Almeida (1830-1861) e "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto (1881-1922).

Segundo a editora, os trabalhos serão produzidos por duplas:

  • "O Cortiço" - Texto de Ivan Jaf e desenhos de Rodrigo Rosa
  • "O Guarani" - Texto de Inav Jaf e desenhos de Luiz Gê
  • "Memórias de um Sargento de Milícias" - Texto de Ivan Jaf e desenhos de Tiago Lacerda
  • "Triste Fim de Policarpo Quaresma" - Texto de Luiz Antonio Aguiar e desenhos de Cesar Lobo

Aguiar e Lobo são os mesmos autores da adaptação de "O Alienista", de Machado de Assis (1839-1908), lançada pela Ática na Bienal do Livro de São Paulo, no ano passado.

Na ocasião, não havia a informação de que a obra seria a primeira de uma coleção.

 

Crédito: divulgação

                                                          

A coleção marca também a adiada volta de Luiz Gê às histórias em quadrinhos.

São dele as imagens desta postagem, mostradas em primeira mão.

O autor foi um dos principais nomes dos quadrinhos na década de 1980, à frente de revistas como a "Circo".

Nos anos seguintes, Gê dedicou-se à carreira universitária. Dá aulas na Universidade Mackenzie, em São Paulo. 

                                                           ***

Cada um dos álbuns terá, no final, uma espécie de "making of" do trabalho de criação e dicas de como usar o material em sala de aula. A Ática - que pertence ao grupo Abril - tem foco principal na área de educação.

"O Guarani" e "O Cortiço" devem ser as primeiros a serem lançados. Rodrigo Rosa finaliza nesta semana a arte da adaptação do romance de Aluísio de Azevedo.

"Pretendemos fechar a obra agora em março", diz Emílio Hamaya, editor assistente da área de literatura da Ática. "Como a Ática tem como mercado prioritário as escolas, creio que estará no mercado no começo do segundo semestre."

As demais também estão programadas para a segunda metade do ano.

                                                           ***

O blog conversou com  Rodrigo Rosa sobre a adaptação de "O Cortiço".

Será o tema da segunda postagem desta sexta-feira.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h06
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19.02.09

Marcatti volta a produzir histórias de Frauzio

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 

 

 

 

 

 

 

Versão da provável capa do álbum "Frauzio - Ares da Primavera", que será lançado pela editora Devir 

 

 

 

 

 

 

 


Um cartaz em 2003 divulgava a volta da revista em quadrinhos de Frauzio, personagem criado pelo paulista Marcatti.

Uma frase acompanhava o anúncio: "histórias em quadrinhos para quem tem estômago forte!". Quem já leu as produções do autor sabe do que se trata.

Ele tem um estilo assumidamente escatológico, transmitido em forma de imagens aos quadrinhos que faz.

Pautada no passado, a recomendação do anúncio volta a ter validade no presente. Frauzio terá um novo retorno num álbum inédito a ser lançado ainda este ano pela Devir.

                                                            ***

Segundo Francisco de Assis Marcatti, que usa o sobrenome para assinar seus trabalhos, a obra terá em torno de 80 páginas, 72 de quadrinhos.

O livro trará uma narrrativa completa e inédita, produzida em preto-e-branco. A opção pelo não-uso da cor foi do próprio autor, pautada no barateamento do custo final da obra.

A intenção é que seja o primeiro de uma série de álbuns.

O número de estreia foi batizado de "Ares da Primavera", nome da história em quadrinhos.

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

Frauzio apareceu pela primeira vez em 2001 numa revista em quadrinhos homônima, publicada pela Editora Escala.

A ponte com a Escala foi feita pelo empresário Carlos Mann, na época um dos diretores da editora Opera Graphica.

Mann propôs a criação de um personagem para um título mensal.

Marcatti imaginou Frauzio, mesmo sem definir um perfil de como ele seria.

                                                           ***

"Eu nunca havia criado personagens de fato. Apenas protagonistas avulsos de suas próprias histórias", diz Marcatti, por e-mail.

"Pensei num truque... Criei o Frauzio sem perfil - só características físicas. Ou seja, fiz uma sacanagem! Poderia inventar qualquer história em quadrinhos e colocá-lo como protagonista que daria certo."

"O irônico é que o filho da puta criou vida própria e hoje ele tem sua personalidade e um perfil único. O tiro saiu pela culatra!"

Por conta disso, Marcatti diz ter dificuldade na construção das histórias do personagem. Nunca sabe ao certo como Frauzio irá se comportar diante dos dilemas dos enredos.

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 A Devir será a quarta casa editorial de Frauzio.

O personagem, após a estreia na Escala, teve um álbum lançado pela Opera Graphica em 2002 e uma segunda revista, publicada entre 2003 e 2004 pela Pro-C. Teve quatro números.

O diferencial da nova história em relação às anteriores será a temática, mais adulta.

"O que mudará mesmo é a abordagem das histórias", diz. "Como são mais longas e sem as limitações das publicações em bancas, o conteúdo será mais forte e mais contundente.

                                                            ***

Entre os dois momentos editoriais de Frauzio, Marcatti produziu para a Conrad uma adaptação do romance "A Relíquia", do escritor português Eça de Queirós (1845-1900).

Lançado em 2007, o álbum foi destaque naquele ano e se tornou um dos principais trabalhos de Marcatti.

"Pretendo trabalhar com a Conrad e Devir ao mesmo tempo", diz o quadrinista, que publicou a primeira história há 32 anos no primeiro número da revista "Papagaio".

"O projeto que desenvolvi para o Frauzio, por exemplo, tem mais o perfil da Devir. Enquanto isso, estou também mergulhado no desenvolvimento de um novo livro para a Conrad."

                                                           ***

Apesar da insistência do blog, Marcatti mantém sigilo sobre o trabalho que desenvolve para a Conrad.

Diz apenas que é uma biografia e que se trata de um "grande projeto".

O blog apurou, por outra fonte, que a obra é uma biografia em quadrinhos do cantor e compositor Adoniran Barbosa (1910-1982).

Há possibilidade de o álbum ser lançado no segundo semestre deste ano.

                                                            ***

Antes de Adoniran e de Frauzio, Marcatti pode ser lido em duas revistas de humor, já à venda nas bancas: numa reedição da "Antologia Chiclete com Banana" e na "Mad".

O quadrinista tem integrado o time de colaboradores das últimas edições da "Mad", trabalho que, diz, encontra alguma dificuldade em produzir por conta do espaço reduzido.

"Mecanicamente (não editorialmente, é claro) a tarefa é muito parecida como no tempo que colaborei com a ´Chiclete com Banana´", diz. 

"Desde o final da década de 1990, não faço histórias em quadrinhos curtas e às vezes me sinto pulando corda dentro de uma caixa de fósforos."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h02
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18.02.09

Documentário reconta trajetória profissional de J. Carlos

 

Crédito: reprodução de J.Carlos, Época, Vida e Obra, da editora Nova Fronteira

 

 

 

 

 

 

 


Última capa da revista "Careta" feita pelo ilustrador e chargista, um dos mais importantes da primeira metade do século 20

 

 

 

 

 

 

 


O canal a cabo Futura vai exibir nesta quinta-feira um documentário sobre a obra do ilustrador e chargista carioca J.Carlos (1884-1950).

O programa vai relembrar a trajetória profissional do desenhista, um dos principais nomes das artes visuais brasileiras da primeira metade do século 20.

José Carlos de Brito e Cunha - seu nome completo - atuou em diferentes publicações ligadas direta e indiretamente a quadrinhos.

Passou por "O Tico-Tico", "Fon-Fon", "O Malho" e "Careta". 

                                                           ***

Foi numa prancheta de "Careta" onde o desenhista morreu em 2 de outubro de 1950, vítima de um AVC, acidente vascular cerebral.

A última capa dele para a revista circulou 19 dias depois. É a que abre esta postagem.

"J. Carlos - A Figura da Capa" foi produzido por José Eduardo Brito Cunha, bisneto do ilustrador, segundo o canal.

O documentário do Futura, exibido amanhã, será reprisado nos dias de Carnaval.

                                                            ***

Serviço - Exibição do documentário "J. Carlos - A Figura da Capa". Quando: 19.02. Horário: 20h30. Onde: canal Futura. Reprises: 21.02, às 17h30 e às 20h30; 22.02 às 15h30; 23.02 às 16h. 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h34
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17.02.09

Álbum nacional mostra "causo" sertanejo em forma de quadrinhos

 

Crédito: bloGraffiti

 

 

 

 

Trecho de "A Comadre do Zé", de Luciano Irrthum, obra que tem lançamento nesta quinta-feira em Belo Horizonte

 

 

 


O biênio que antecede o lançamento deste "A Comadre do Zé", de Luciano Irrthum, foi particularmente fértil no tocante à produção de obras nacionais.

Liam-se não apenas histórias curtas ou de humor. Via-se também o ensaio de trabalhos com mais páginas, de maior fôlego, compondo álbuns ao estilo europeu de se fazer quadrinhos. 

A tendência, que se acentua no mercado, traz consigo também uma responsabilidade.

A de aproveitar esse momento tardiamente propício à produção nacional e mostrar, a editores e, principalmente, a leitores, que é possível produzir quadrinhos brasileiros de qualidade. Com bons desenhos e, o mais difícil, bons textos.

                                                           ***

Nesse aspecto, a "Coleção 100% Quadrinhos" tem cumprido a pauta.

Os dois primeiros volumes produzidos pelo grupo de editores independentes da Graffiti – "Um Dia, Uma Morte" e "O Relógio Insano" – traziam ideias inovadoras e roteiros bem conduzidos. Este terceiro álbum se espelha nos anteriores.

Trata-se de um "causo", daqueles que se ouve no sertão, bem ao estilo das narrativas de um Guimarães Rosa ou de um Ariano Suassuna.

Cabe ao leitor se deliciar com a história. Mas, caso prefira iniciar por estas palavras, antecipo o cardápio, apenas para dar sabor ao prato servido por Irrthum.

                                                           *** 

Zé Honofre (com "h" mesmo, o que, registre-se, não tem nada a ver com a nova reforma ortográfica da língua portuguesa) é um morador de uma cidade interiorana, daquelas bem simples.

É casado com Maria e, com ela, tem uma penca de filhos. Mais um está em vista, fruto do tempo livre causado por uma televisão quebrada.

Com tantos rebentos, o casal já usou todos os possíveis padrinhos conhecidos para batizar os filhos. Tinha, agora, a missão de encontrar alguém que aceitasse a missão.

Um visitante é "escalado" para ser o padrinho. A madrinha, surpresa, é a própria Morte, que esbarra na vida de Zé. E dele se torna comadre.

                                                           ***

Falar mais pode tirar o gosto do prato. E, como sabe o bom gourmet, deve-se saborear a comida por conta própria, aos poucos.

O paladar lembra muito a literatura sertaneja brasileira, tanto oral quanto escrita. A aparência, elementos dos desenhistas Jô Oliveira e Flávio Colin.

O cardápio tem também aspectos do traço dos quadrinistas paulistas da virada dos anos 1980 para os 90.

Há os rostos expressivamente exagerados de Lourenço Mutarelli e a escatologia assumida de Marcatti.

                                                          ***

Com tantos ingredientes díspares, a receita teria tudo para não dar liga. Mas o jeitinho do mineiro Irrthum possui um segredo que consegue dar sabor e um estilo próprio ao que serve ao leitor.

Ele produz quadrinhos desde 1994. É tempo suficiente para ensinar alguns macetes na arte.

Os responsáveis por esta coleção já disseram que têm verba para um quarto volume.

Se for pautado neste e nos demais, merece um voto antecipado de confiança.

                                                           ***

Como já comentado, não basta ter um momento propício à produção nacional, por mais que o cenário ainda esteja muito longe do ideal.

É necessário aproveitar esse período fértil e oferecer produtos à altura.

Como esta divertida "A Comadre do Zé".

                                                             ***

Nota: este texto consta no prefácio do álbum. Os editores, merece registro, deram total liberdade para que criticasse ou elogiasse a obra.

O resultado foi a resenha acima, reproduzida com autorização da equipe da Graffiti 76% Quadrinhos, grupo mineiro que está à frente da publicação independente.

A obra tem dois lançamentos agendados, um em Belo Horizonte, na próxima quinta-feira, e outro em São Paulo dia 6 de março.

"A Comadre do Zé" é o primeiro álbum nacional do ano. Esperam-se outros, como o blog noticiou no último dia 12. Leia mais aqui.

                                                              ***

Serviço - Lançamentos de "A Comadre do Zé", de Luciano Irrthum. Em Minas Gerais. Quando: 19.02. Horário: 22h. Onde: Velvet Club. Endereço: rua Sergipe, 1492, Savassi, Belo Horizonte. Quanto: ingresso mais álbum saem por R$ 15. Em São Paulo: Quando: 06.03. Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro da capital paulista. 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h39
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16.02.09

FIQ vai homenagear Renato Canini. Organização quer trazer Moebius

 

Crédito: reprodução de Zé Carioca, número 1295, de 3 de setembro de 1976

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Página de abertura de uma das várias histórias do Zé Carioca desenhadas por Canini durante a década de 1970 para a Abril 

 

 

 

 

 

 


O 6º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) vai homenagear o desenhista Renato Canini.

O evento - um dos mais importantes do país na área de quadrinhos - vai contar com uma exposição de trabalhos do autor. A presença dele ainda não está confirmada. O festival está programado para ocorrer entre 6 e 11 de outubro, em Belo Horizonte, em Minas Gerais. 

O quadrinista, hoje, produz charges no sul do país. É mais lembrado, no entanto, pelas histórias de Zé Carioca, da Disney, que produziu para a Editora Abril na década de 1970.

Algumas delas são reeditadas atualmente na revista mensal do papagaio malandro.

                                                          ***

Canini também criou personagens próprios.

Um deles é o caubói Kactus Kid, que serviu de base em 2007 para o troféu do HQMix - principal premiação de quadrinhos do país. Era publicado na extinta revista "Crás!"

Outra criação do desenhista foram as tiras de Dr. Fraud, que integravam a também extinta "Patota" (tira abaixo).

A publicação de humor da Editora Artenova circulava na década de 1970.

 

Crédito: reprodução da revista Patota, número 16, de 1973

 

Renato Canini se soma a outros cinco quadrinistas homenageados pelo FIQ.

A cada edição, um desenhista nacional é escolhido como destaque do festival.

Já foram lembrados Angeli, Jô Oliveira, Mozart Couto, Lourenço Mutarelli e Julio Shimamoto.

O FIQ é conhecido por mesclar a presença de autores nacionais com outros vindos de fora do país. Nesta sexta edição, dois nomes estão confirmados.

                                                           ***

O primeiro é o canadense Guy Delisle. Ele já teve um trabalho publicado por aqui: "Pyongyang - Uma Viagem à Coreia do Norte", lançado pela Zarabatana.

A editora pretende lançar em breve outra obra dele: "Crônicas Birmanesas".

O segundo nome confirmado para esta edição do festival é o alemão Jens Harder.

Pouco conhecido no Brasil, ele ganhou destaque com o álbum "Leviathan", inédito no Brasil (imagem abaixo).

 

Crédito: reprodução

 

O escritor Brian Wood - autor das séries norte-americanas "DMZ" e "Local", ambas publicadas parcialmente no Brasil - é dado como quase certo. O "quase" é porque ele ainda não confirmou.

"Em princípio, quer vir e está muito ansioso para vir", disse por telefone nesta segunda-feira Roberto Ribeiro, editor da Casa 21 e um dos organizadores do festival.

"Mas, para dar uma resposta definitiva, ele precisa ver a agenda e confirmar com a esposa."

Ribeiro espera contar ainda com mais nomes estrangeiros. "Acho que vamos ter coisas bem melhores ainda."

                                                           ***

A lista dos nomes "bem melhores" inclui Moebius, um dos principais autores do quadrinho francês e mundial.

Segundo Ribeiro, Moebius será convidado. Não se sabe se vai aceitar. Por isso, a presença dele ainda não é dada como certa ainda.

A organização espera contar com a presença de oito a dez autores franceses.

Isso porque o FIQ deste ano vai dar destaque também ao ano da França no Brasil, intercâmbio cultural que ocorre entre as duas nações.

                                                           ***

Um comissariado composto pelos dois países incluiu o festival internacional na agenda das comemorações.

O apoio oficial dos dois governos deve facilitar a vinda de autores franceses ao evento.

O que está confirmada é a vinda da exposição de quadrinhos apresentada no Museu do Louvre, de Paris. Iniciativa inédita, a mostra ainda ocorre na França.

                                                           ***

O festival deve ter ainda nomes chineses. E brasileiros, claro.

Os autores nacionais normalmente são os últimos a serem agendados pelo fato de serem mais facilmente contatados.

Há dois anos, o FIQ recebeu desde o italiano Giancarlo Berardi e o argentino Eduardo Risso até autores brasileiros como Fábio Moon, Gabriel Bá, Marcatti e Sergio Macedo.

Reveja como foi o FIQ de 2007 neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h02
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15.02.09

"Tianinha" entrega prêmio de desenhista a seu criador

 

Entrega do 25º Prêmio Angelo Agostini

 

A foto ficou desfocada - culpa da máquina, não do fotógrafo -, mas dá uma ideia de como foi a cena, presenciada no fim da tarde de sábado, na entrega do 25º Prêmio Angelo Agostini.

Uma atriz encarnou a provocante Tianinha, personagem erótica criada por Laudo Ferreira Jr.

A Tianinha real subiu no palco do Senac Consolação, em São Paulo, para entregar a seu criador o prêmio de melhor desenhista de 2008.

Os autores independentes do Quarto Mundo foram um dos homenageados da premiação.

O Angelo Agostini é um dos poucos prêmios de quadrinhos existentes no país. É promovido pela AQC, Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas dos Estado de São Paulo.

 Veja a lista completa dos premiados neste link.

                                                            ***

Post postagem: 17.02, às 16h32.

O polivalente Marcio Baraldi - era um dos premiados do Angelo Agostini e ainda fez uma cobertura fotográfica do evento - enviou, por e-mail, um registro melhor da cena:

 

Crédito: Marcio Baraldi

 

Há outras fotos da cerimônia, também dele, no site "Bigorna". Podem ser vistas neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h43
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12.02.09

O que esperar de 2009? Álbuns nacionais

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

"A Comadre do Zé", de Luciano Irrthum, é o primeiro lançamento do ano com histórias em quadrinhos mais longas 

 

 

 

 

 

 

 

Não há uma fonte confiável que diga, com cem por cento de segurança, o que se pode esperar neste ano do mercado nacional de quadrinhos, sempre surpreendente.

Mas há indícios concretos que sinalizam um ano promissor no tocante à produção de álbuns nacionais com histórias mais longas, aos moldes do que se faz na Europa.

É uma tendência que começou a ganhar corpo no fim de 2007 e que parece se consolidar neste ano.

                                                           ***

O primeiro trabalho nesses moldes será lançado no próximo dia 19, em Belo Horizonte, Minas Gerais. É o álbum "A Compadre do Zé", de Luciano Irrthum (capa acima).

A história se assemelha a um "causo" do interior do país. Mostra um inusitado relacionamento entre o caboclo Zé e a Morte, convidada para ser a madrinha de seu filho.

O trabalho é editado pelo grupo mineiro da Graffiti 76% Quadrinhos, que também faz uma revista independente homônima. É o terceiro álbum nacional produzido por eles.

A equipe teve renovada a verba de incentivo cultural da Prefeitura de Belo Horizonte. O dinheiro será para custear um quarto álbum e mais edições da Graffiti.

                                                            ***

Há pelo menos dois sinais claros de que os lançamentos não ficarão apenas nesse álbum de Irrthum.

O primeiro é o fato de a Companhia das Letras ter criado um selo dedicado exclusivamente a quadrinhos, o Quadrinhos na Cia. Os primeiros trabalhos devem ser lançados em maio.

Um deles é uma versão em quadrinhos de "Jubiabá", romance de Jorge Amado (1912-2001).

A obra é feita por Spacca, autor que produz desde 2005 trabalhos em quadrinhos para a editora paulista.

                                                           ***

Outro álbum da Companhia das Letras em preparação é "Cachalote", desenhada por Rafael Coutinho e com texto do escritora Daniel Galera.

A proposta da editora é firmar parcerias entre escritores e quadrinistas na produção de histórias mais longas.

"Cachalote" é o primeiro trabalho assim. Outros estão em pauta, segundo a Companhia das Letras informou ao blog em dezembro passado.

A presença da Companhia das Letras, uma das principais do mercado, pode levar outras editoras a investirem no setor de quadrinhos, embora ainda não exista nada concreto.

 

Crédito: blog de Celso Menezes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sequência de "22 de Abril", um dos trabalhos selecionados pela lei de incentivo cultural do governo de São Paulo 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Outro indicador concreto da presença de álbuns nacionais no mercado é o edital de incentivo à produção de quadrinhos feito pelo governo de São Paulo no semestre passado.

Os dez vencedores - definidos em dezembro - terão prazo de oito meses para produzir a obra após receberem a primeira parcela da verba, de R$ 25 mil.

Por isso, espera-se que os trabalhos sejam publicados entre este ano e o próximo.

Os autores terão também de firmar parceria com alguma editora para a publicação.

                                                           ***

Pelo menos dois dos selecionados já definiram editora.

"22 de Abril", de Celso Menezes, sairá pela Zarabatana ainda este ano (trecho acima). 

"O Mistério da Mula Sem Cabeça", de Laudo Ferreira Junior, pela pela Via Lettera.

                                                            ***

Duas novas editoras pretendem investir no setor. Uma delas é a Barba Negra, de S. Lobo e Odyr, ex-responsáveis pelos álbuns nacionais da carioca Desiderata.

Outra é a Bossa Nova, que fez no ano passado uma seleção de projetos de quadrinhos.

Os primeiros trabalhos deveriam ter sido publicados no fim do ano passado. Ficaram para estes meses iniciais de 2009.

O álbum de estreia é "Proscritos", de Beto Nicácio (abaixo). Segundo a editora, será impresso entre o final deste mês e o começo de março. O lançamento ainda foi definido.

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Proscritos", de Beto Nicácio, álbum de estreia da editora Bossa Nova                                                          

 

 

 

 

 

 

 

 

Entre as editoras que já atuam no mercado de quadrinhos, a HQM é a que anunciou o maior número de obras nacionais.

A editora paulista pretende dar sequência à série nacional "Leão Negro", iniciada em 2008. E tem planos para pelo menos dois outros álbuns nacionais.

Um deles é "Zoo", de Nestablo Ramos Neto.

Outro é "Yeshuah", mais um álbum de Laudo Ferreira Junior programado para este ano. A obra reconta a vida de Jesus Cristo.

                                                           ***

Das demais editoras, o cenário ainda é incerto. Mas há material nacional em circulação.

A Devir ficou de publicar o álbum a ser produzido pelo vencedor de um concurso de quadrinhos promovido no ano passado pela livraria Fnac. Não se sabe se sai em 2009.

A Desiderata - que teve pelo período de um ano a liderança nesse segmento - tem parado álbum "Copacabana", escrito por S. Lobo e o último editado por ele na empresa da Ediouro.

A Agir - outro selo da Ediouro - tem paradas pelo menos duas adaptações literárias já finalizadas, uma de "O Pagador de Promessas" e outra de "Os Sertões".

 

Crédito: blog de Papito

 

 

 

 

 

 

 

 


Ilustração de "Condomínio Jaqueline", álbum produzido por Papito e que deve ser lançado pela Conrad 

 

 

 

 

 

 

 

Há também projetos aqui e ali. Papito produz para a Conrad o álbum "Condomínio Jaqueline", inspirado no filme homônimo.

Uma arte promocional, mostrada no blog do autor, registrada a data "outubro de 2009". Mas não há nada confirmado ainda.

André Diniz tem mais um trabalho em produção. Um deles é sobre vidas passadas.

Carlos Ferreira - de "Os Sertões - pensa em adaptar um dos contos de "A Cidade de Vidro", de Paul Auster.

Fora os mais de cem projetos entregues por autores paulistas para concorrer ao edital de incentivo do governo paulista. 

                                                            ***

É bem provável que haja outros projetos de álbuns nacionais.

Só não foram noticiados por desconhecimento deste jornalista.

Sabe de algum outro projeto de história em quadrinhos nacional mais longa?

Agradeceria se deixasse registrado nos comentários abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h53
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Palestras e exibição de desenho preparam entrega do Angelo Agostini

 

Crédito: divulgação

 

A entrega dos troféus aos vencedores do 25º Prêmio Angelo Agostini ocorre no finzinho da tarde do próximo sábado, em São Paulo. Mas a programação começa horas antes.

Às 13h, vai ser exibido o desenho animado "Sinfonia Amazônica", de 1953.

É considerado o primeiro longa-metragem de animação brasileiro.

O pesquisador Álvaro de Moya dá palestra sobre o desenho na sequência, às 14h.

                                                           ***

Uma hora depois, outro especialista em quadrinhos, Antônio Luiz Cagnin, fala sobre os 140 anos da primeira história em quadrinhos brasileira, do personagem Nhô Quim.

A história foi feita em 1869 pelo ítalo-brasileiro Angelo Agostini, que dá nome à premiação.

A entrega aos vencedores deste ano marcada para as 16h30. Os nomes foram divulgados em janeiro. Veja quem são neste link.

O prêmio é promovido pela AQC, Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo, e é um dos poucos existentes na área de quadrinhos brasileira.

                                                            ***

Serviço - Entrega do 25º Prêmio Angelo Agostini. Quando: sábado (14.02). Horário: a partir das 13h. Onde: Senac Consolação. Endereço: r. Dr. Vila Nova, 228, centro de São Paulo. Quanto: de graça. No evento, vai haver também venda e lançamento de quadrinhos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h20
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11.02.09

Abril vai relançar histórias raras de Zé Carioca

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Republicação começa na edição deste mês da revista, já à venda nas bancas

 

 

 

 

 

 

 

 

Já faz alguns anos que o Brasil não produz mais histórias em quadrinhos nacionais dos personagens Disney. O que é lançado por aqui vem de fora do país. Ou é republicado, mais de uma vez até.

Dentro desse processo de busca por material antigo, a Editora Abril encontrou um conjunto de histórias de Zé Carioca que ainda não tinham sido reeditadas. 

As narrativas - que para o leitor mais jovem têm ares de inéditas - são das décadas de 1970 e 80.

Elas começam a ser publicadas na edição deste mês da revista do personagem (52 págs., R$ 2,95, capa acima).

                                                            ***

A descoberta das histórias é do jornalista Paulo Maffia, responsável pela pesquisa e seleção das histórias das revistas da linha Disney da Abril.

Segundo ele, há 40 anos de produções nacionais de Zé Carioca nos arquivos da editora.

Para programar um semestre da revista, passa meses pesquisando.

"Então, de tempos em tempos, pintam verdadeiras jóias raras para os nossos leitores", diz.

                                                            ***

Maffia diz que adota basicamente dois critérios para selecionar o material do personagem.

O primeiro é incluir uma história de cada fase importante dele, desenhada por artistas marcantes na trajetória do papagaio carioca. Tem feito isso nos últimos cinco anos.

"Outro fator é o estado em que se encontram os originais", diz.

"Infelizmente, muita coisa se perde pela ação do tempo."

                                                           ***

Todas as histórias foram digitalizadas e ganharam nova cor. O texto dos balões também passou por algumas alterações em relação à versão original da  narrativa.

Na edição deste mês, um dos trabalhos restaurados é "Zé Carioca x Ricardinho", publicado pela pela primeira vez em 1976.

A história mostra a dificuldade de Zé Carioca em cuidar do filho de uma prima de Rosinha, a namorada do papagaio. Ricardinho é , literalmente, uma peste.

O texto é de Júlio Andrade e os desenhos, de Renato Canini.

                                                           ***

Canini - que hoje produz charges no sul do país - é o nome mais importante da trajetória do personagem no Brasil.

O traço dele ajudou a abrasileirar o papagaio, que passou a ter um jeito mais malandro.

As próximas edições também vão trazer histórias de Canini nunca antes reeditadas.

A maioria é da metade da década de 1970 e foi escrita por Ivan Saidenberg.

                                                           ***

Apenas para registro: o blog perguntou a Paulo Maffia se a Abril tem planos de produzir novamente material nacional da lnha Disney.

A resposta foi "no momento, não".

A Abril já foi uma grande produtora e exportadora de quadrinhos Disney.

Hoje, o material inédito das revistas é importado, principalmente da Europa.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h08
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Ciclo de palestras discute papel cultural dos quadrinhos

Uma semana dedicada à discussão dos diferentes aspectos culturais dos quadrinhos.

A proposta é o que une as palestras e oficinas que têm início nesta sexta-feira no Centro Cultural da Juventude, em São Paulo.

A curadoria é do professor universitário e quadrinista Gazy Andraus.

É ele quem abre a programação da semana temática, formada por autores e especialistas.

Confira abaixo:

  • Dia 13, às 16h30 - Quadrinhos como manifestação artística, por Gazy Andraus e Gualberto Costa
  • Dia 14, às 14h - Workshop de quadrinhos virtuais, por Edgar Franco 
  • Dia 14, 16h - HQtrônicas e a divulgação na internet, por Edgar Franco e Anselmo Gimenez (ambos têm livros teóricos sobre o tema)
  • Dia 15, 13h30 - Oficina de roteiro de quadrinhos com Daniel Esteves
  • Dia 15, às 16h - Do quadrinho alternativo à HQ literária, por Marcatti
  • Dia 17, às 15h - Workshop de mangá com Harriot Junior
  • Dia 17, às 17h30 - Mangá, cultura nipônico-brasileira, por Patrícia Borges 
  • Dia 18, às 15h - A questão do preconceito racial nas HQs, por Nobu Chinen
  • Dia 18, às 17h30 - O universo feminino nas HQs, por Patrícia Borges
  • Dias 19 e 20, às 14h - Oficina de caricatura digital com Rodrigo Nogueira
  • Dia 19, às 16h - Oficina de charge, cartum e caricatura com Bira Dantas
  • Dia 20, às 16h - Oficina de criação e roteiro de quadrinhos autorais com Laudo Ferreira Junior
  • Dia 20, às 19h - Blog de HQ: divulgação, por Renato Lebeau. Também participo do debate

A entrada é franca. As oficinas e palestras têm número limitado de vagas.

                                                            ***

Serviço - Semana temática de quadrinhos. Quando: de 13 a 20 de fevereiro. Horário: durante a tarde; no dia 20, também à noite. Onde: Centro Cultural da Juventude. Endereço: av. Deputado Emílio Carlos, 3.641, Vila Nova Cachoeirinha, São Paulo. Tel.: (11) 3984-2466. Quanto: de graça. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h53
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10.02.09

Mangá de Speed Racer está programado para julho

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das páginas da história em quadrinhos japonesa, que será lançada no Brasil pela NewPOP

 

 

 

 

 

 

 

 

Go, Speed, Go! Ou na versão dublada: vai, Speed, vai! E o jovem corredor foi.

Saiu das páginas dos quadrinhos japoneses, conquistou a TV e subiu até o pódio em diferentes telas espalhadas pelo planeta. No Brasil,a animação foi exibida e reexibida mais de uma vez, com mais de versão em português.

Como num circuito oval de corrida, Speed Racer e seu multifuncional Match 5, após a corrida, retornam ao ponto de partida.

O mangá que deu origem à série será lançado no Brasil neste ano pela NewPOP. A editora programou dois volumes. O primeiro, no fim de julho. O outro, em setembro.

                                                            ***

A história que será mostrada nos dois álbuns foi publicada no Japão entre junho de 1966 e maio do ano seguinte. A série foi escrita e desenhada por Tatsuo Yoshida.

É nela que o leitor é apresentado a Speed Racer, o jovem e audaz piloto de corridas, que quer se firmar como um dos melhores do mundo.

O piloto é assessorado diretamente perto pela família e "desassessorado" pelo atrapalhado irmão caçula Gorducho e o macaco dele, Zequinha (virou Zezinho na redublagem).

São basicamente as mesmas informações vistas em 2008 na versão cinematográfica.

 

Crédito: divulgação

 

O leitor brasileiro já teve contato com mais de uma versão em quadrinhos da série animada. Speed Racer já percorreu bancas pelas editoras Abril e Conrad.

A Conrad lançou parte da versão japonesa em um álbum de 158 páginas, publicado em 2002. A versão da NewPOP mostra pela primeira vez a história original na íntegra.

Cada um dos álbuns deve ter em torno de 300 páginas. Será, segundo a editora, semelhante a "Persépolis Completo", publicado pela Companhia das Letras.

Parte das páginas será colorida, como na versão da década de 1960. E vai manter a leitura de trás para a frente, como ocorre nos demais mangás lançados atualmente no Brasil.

                                                           ***

A NewPOP entrou no mercado há exatos dois anos. Especializada em mangás, tem posto no mercado títulos mais voltados a um leitor adolescente.

Neste ano, lançou á série "Vampire Kisses - Laços de Sangue", sobre os perigos enfrentados por uma jovem, Raven, no relacionamento amoroso com uma vampiro, chamado Alexander.

Speed Racer é o primeiro título mais conhecido junto ao grande público.

Outro nesses moldes está na lista para este ano: uma versão de "Os Caça-Fantasmas".

 

Crédito: divulgação

 

O blog conversou por e-mail com Junior Fonseca, editor da NewPOP.

A conversa tem início exatamente sobre esse apelo que a série tem com o grande público.

                                                            ***

Blog - Esse parece ser o lançamento de maior destaque da NewPOP junto ao leitor que tradicionalmente não lê quadrinhos. Há outros materiais assim programados?
Junior Fonseca
- Sem dúvidas, esse é o lançamento de maior destaque da NewPOP diante do publico de mangás e também entre os que não têm tanto contato com esse universo. Speed Racer vai além dos quadrinhos e acerta em cheio no publico saudosista que assistiu ao animê na TV e também nos jovens, que cresceram ouvindo comentários a respeito do Mach 5 de seus pais. Fugindo ao estilo de Speed Racer, também já licenciamos a versão em quadrinhos de Os Caças-Fantasmas.

Blog - Quais outros tí­tulos a editora deve lançar ao longo do ano?
Fonseca
- Já licenciamos cerca de oito séries novas que só serão lançadas e trabalhadas depois que finalizarmos "Doors of Chaos", "Dark Metrô" e "Ark Angels" (os dois primeiros estamos aguardando o material do Japão). Mas já temos novidades. Além de Speed Racer e Os Caça-Fantasmas, licenciamos nosso primeiro light novel, baseado no bem-sucedido "Tarot Café", e "Kanpai!", um mangá em dois volumes da mesma autora de "Gravitation". Porém, trata-se de um shounen [gênero direcionado a jovens do sexo masculino].

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h36
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09.02.09

Revista de humor põe no papel quadrinistas populares na internet

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do primeiro número de "Bagaça", obra independente editada pelo desenhista mineiro Rico 

 

 

 

 

 

 

 

 

Quem vê a revista pronta não imagina o périplo que foi a edição deste número de estreia da "Bagaça", obra independente que traz quadrinhos de diferentes autores, a maioria mais conhecida por meio de páginas mantidas na internet.

Por pouco, a obra não saiu. A primeira gráfica contatada se recusou em cima da hora a imprimir o material.

A alegação da empresa, que fica em Belo Horizonte, em Minas Gerais, é que o conteúdo e a temática fugiriam da linha de trabalho da gráfica, uma instituição católica.

O não inicial influenciou na recusa de outras duas gráficas, também da capital mineira. A primeira edição da "Bagaça" só conseguiu ser impressa em Juiz de Fora.

                                                            ***

O curioso é que o conteúdo não tem nada de muito extremado. A história mais pecaminosa, por assim dizer, é a que abre a revista. Um jornalista é escalado para entrevistar o Diabo.

Fora isso, há narrativas curtas, cartuns e tiras de humor diluídas em situações cotidianas. Há também uma entrevista com o desenhista Antonio Eder e dois artigos.

A maioria das histórias é do mineiro Rico, editor da publicação. Das 38 páginas internas, ele ocupa 16. Mais a capa. E a contracapa.

É Rico também quem bancou o projeto e correu pacientemente em busca de uma gráfica. A proposta dele é lançar uma nova edição a cada dois meses.

                                                            ***

Rico diz que a revista é um desejo antigo. "Estava louco para fazer quadrinhos porque, na verdade, iniciei a carreira fazendo fanzines", relata, por e-mail.

O primeiro é do início da década de 1990. Chamava-se "PUTZ! Quadrinhos". Depois, colaborou em outras publicações do gênero.

As atividades de chargista e ilustrador adiaram a continuidade das histórias, agora retomadas, numa situação financeira pessoal mais estável.

Segundo ele, ainda há "muita coisa na gaveta que preciso botar pra fora".

                                                            ***

Este primeiro número traz trabalhos de Marlon Tenório, Leonardo Pascoal, Alves, Benett, Bruno Galvão, Gian Danton, Jean, Leonardo Pascoal, Lute, Orlandeli. Além de Rico, claro.

É um grupo de autores cujos nomes são mais lidos virtualmente. Tenório e Pascoal, por exemplo, foram "descobertos" por Rico na internet.

Para as próximas edições, ele pretende continuar com mescla de quadrinistas.

"Minha intenção é que não fique uma revista ´maçante´, com um único autor e uma única visão", diz o desenhista, nascido em Manhuaçu, cidade no interior mineiro.

                                                            ***

Rico mantém há algum tempo um blog. É lá que veicula muitos de seus trabalhos.

No papel, ele já teve outra experiência relativamente recente.

Em novembro de 2006, o desenhista lançou o livro de charges "Onde Foi Que Eu Errei?". A publicação era vendida apenas por meio da internet.

A compra virtual é também um dos meios mais fáceis de encontrar este primeiro número da "Bagaça". Uma vez mais, o blog dele é a melhor fonte. O preço de capa é R$ 5.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h34
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07.02.09

Tiras ortográficas

 

Dois autores fizeram uma série de tiras sobre a nova reforma ortográfica.

Os trabalhos foram veiculados no mês janeiro, quando começou a valer a mudança.

 

Crédito: Blog do Orlandeli

 

Um dos autores é Orlandeli. Ele produziu as tiras sobre o tema em seu blog (link).

O desenhista usou como protagonista Grump, seu principal personagem.

 

 

A outra série de tiras é de autoria de Acacio Geraldo de Lima.

O desenhista usou os personagens "Mismatches", mistura de desenho com colagem.

Mismatches venceu em primeiro lugar na categoria tiras no Salão Internacional de Humor de Piracicaba de 2006.

O novo trabalho foi feito para a "Revista da Cultura" a convite deste jornalista, que mantém uma coluna lá.

As demais tiras podem ser lidas na versão virtual da publicação (neste link).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h31
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05.02.09

Panini aumenta preço das revistas mensais de super-heróis

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da edição deste mês de "Superman", um dos títulos que tiveram reajuste

 

 

 

 

 

 

 

 

Os títulos mensais de super-heróis da editora Panini tiveram o preço reajustado.

Custam R$ 7,50, e não mais R$ 6,90.

A mudança teve início no mês passado. Mas, como as revistas de janeiro traziam um pôster, havia a dúvida se o valor maior era causado pelo custo do brinde.

A editora mantinha o preço de R$ 6,90 inalterado há três anos.

                                                          ***

O blog entrou em contato com Fernando Lopes, editor sênior das revistas da norte-americana Marvel Comics, para saber os motivos do reajuste.

A resposta foi enviada por e-mail nesta quinta-feira.

Segue na íntegra.

                                                           ***

A Panini vinha mantendo o preço de capa de seus títulos mensais desde janeiro de 2005, quando foi feito o último reajuste. Ou seja, três anos.

De lá pra cá, a editora absorveu todos os aumentos dos custos de produção sem repassá-los para o leitor o máximo que pôde.

No entanto, por uma própria questão conjuntural, isso não poderia se estender para sempre.

Nesse período, houve aumento do custo da matéria-prima, custos gráficos, dissídio de funcionários, uma crise econômica mundial que afetou diversos setores.

Nesse contexto, um reajuste tornou-se inevitável.

O acréscimo aplicado — de R$ 0,60 —, no entanto, foi apenas o suficiente para manter as publicações economicamente viáveis sem promover cortes nem onerar demais o bolso do leitor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h31
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Novo número de revista de terror nacional tem lançamento em SP

 

Crédito: site Boca do Inferno.Com

 

 

 

 

 

 

 


Capa do terceiro número de "Boca do Inferno.Com", que tem sessão de autógrafos no próximo sábado à noite

 

 

 

 

 

 

Registro rápido.

O terceiro número da revista de terror "Boca do Inferno.Com" tem lançamento no sábado, a partir das 19h30, na HQMix Livraria, no centro de São Paulo (Praça Roosevelt, 142).

A publicação nacional (Júpiter II, R$ 3) traz contos curtos feitos por diferentes autores.

O grupo mantém um site homônimo com informações sobre o gênero em diferentes mídias.

Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h06
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04.02.09

Conrad oficializa negociação com IBEP/Editora Nacional

A editora Conrad oficializou que agora é um selo da IBEP/Companhia Editora Nacional.

A informação foi confirmada ao blog na manhã desta quarta-feira por Rogério de Campos, um dos sócios da Conrad. 

Ele vai integrar o conselho da nova empresa e manterá o cargo de diretor editorial. O acordo é que a equipe e a linha editorial sejam mantidas.

A exceção é Cristiane Monte, sócia de Campos na editora paulista, que deixa o grupo.

                                                            ***

Segundo Campos, a transação foi finalizada neste começo de ano. Mas a negociação vem desde 2008.

Duas fontes haviam confirmado ao blog, em dezembro, que a venda já estava cem por cento fechada e que seria anunciada apenas neste ano, informação que agora se confirma oficialmente.

O acordo resolve um dos problemas da Conrad, que era a saúde financeira.

E permite que seja retomado o ritmo de lançamentos, inclusive nacionais, reduzido no último ano.

                                                            ***

Rogério de Campos diz que a Conrad vai agora ampliar os lançamentos em livrarias e retomar o espaço nas bancas. "Retomar tudo", diz.

Por tudo está incluída a volta de mangás como "Battle Royale", "Monster" e "Sanctuary", que não tiveram continuidade.

"A Conrad está no centro do mercado de quadrinhos", diz Campos, por telefone.

"E aí passamos a brigar com cachorros grandes, e alguns bem cachorros. Precisávamos de um irmão mais velho para continuar crescendo."

                                                            ***

A editora, criada em 1993, tinha se firmado no mercado de bancas com mangás.

Mas, há mais de um ano, não tem mantido regularidade nos lançamentos e perdeu espaço para as concorrentes Panini e JBC, que também investem em quadrinhos japoneses.

Nas livrarias, o ritmo de oferta de novos produtos também foi reduzido nos últimos meses. Mesmo assim, publicou obras de destaque no ano passado.

Uma delas é o álbum nacional "Chibata! João Candido e a Revolta Que Abalou o Brasil", incluído entre os melhores lançamentos de 2008 em duas listas feitas por jornalistas especializados em quadrinhos.

                                                            ***

Também no ano passado, a Conrad havia negociado a venda a outro grupo, Ediouro.

O negócio não foi finalizado, mas ajudou a reduzir o ritmo de lançamentos da Conrad, que tem em catálogo séries como Calvin e Haroldo, de Bill Watterson.

A editora carioca teria desistido após fazer auditoria, segundo havia dito ao blog Luís Fernando Pedroso, superintendente da Ediouro, em 23 de setembro do ano passado.

Na ocasião, a Conrad havia dito que mantinha negociação com duas outras empresas.

                                                            ***

A IBEP/Companhia Editora Nacional tem tradição de publicar livros didáticos.

Mas tem tateado o mercado de quadrinhos também.

A empresa lançou em 2008 uma série de adaptações de obras literárias, tanto nacionais quanto estrangeiras.

E em novembro pôs no mercado coletâneas de luxo de "Gatão de Meia Idade" e "Radical Chic", personagens criados por Miguel Paiva.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h24
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03.02.09

Parte das editoras inicia 2009 em compasso de espera

Encerrado o mês de janeiro, é possível fazer uma leitura mais precisa de como se portaram as editoras de quadrinhos neste início de ano.

Parte delas puxou o freio de mão nos lançamentos.

É o caso da Conrad, da Pixel, da Desiderata, da Agir e da Via Lettera.

Nenhuma delas publicou álbuns em quadrinhos no mês passado. 

                                                          ***

A Conrad, até prova em contrário, foi vendida para a Ibep/Companhia Editora Nacional.

Esse processo de transição justificaria a ausência de títulos da editora. A Conrad também tem atrasado há meses a continuidade dos mangás "Sanctuary", "Monster" e "Battle Royale".

A Pixel - um dos selos editoriais da Ediouro - lançou apenas um número de "Fábulas Pixel", revista que deveria ser mensal. Não há informação sobre os demais títulos regulares.

A falta de informações é consequência direta das reformulações internas pelas quais a editora passa desde o fim do ano passado.

                                                           ***

Os demais selos da Ediouro - Agir e Desiderata - também não publicaram nada ligado a quadrinhos em janeiro.

Ambas têm obras nacionais paradas, ainda sem informação de lançamento.

A Desiderata tem publicado, como por inércia, trabalhos produzidos por S. Lobo.

O editor de quadrinhos se desligou da empresa no meio do ano passado.

                                                            ***

A Via Lettera havia anunciado no blog da editora dois trabalhos para este começo de ano: "A História dos Judes", de Stan Mack, e o 14º volume de "Bone", de Jeff Smith.

Mas também não pôs no mercado nada de novo até o momento.

A Devir lançou dois álbuns inéditos, programados inicialmente para dezembro.

A Zarabatana, um trabalho de Hideshi Hino. A Ediouro, a versão em quadrinhos de "O Curioso Caso de Benjamin Button". A New POP lançou um novo mangá.

                                                           ***

Panini, HQM, JBC e Abril mantiveram a publicações de bancas normalmente.

Panini e HQM haviam anunciado diversos lançamentos de álbuns para este ano.

O mesmo vale para a gaúcha L&PM e sua linha de livros de bolso em quadrinhos.

Também ficou para este 2009 o surgimento de duas novas editoras: Bossa Nova e Barba Negra. Ambas tinham anunciado álbuns nacionais.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h20
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02.02.09

Adaptação de Pequeno Príncipe é uma das premiadas em Angoulême

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

Versão em quadrinhos da obra de Saint-Exupéry venceu uma das categorias do Festival Internacional de Angoulême, realizado no fim de semana

 

 

 

 

 

 


Houve uma curiosidade entre os premiados na edição deste ano do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, um dos principais eventos do gênero no mundo.

Um dos álbuns vencedores já tinha sido lançado no Brasil, fato raro no histórico da respeitada premiação francesa, que destaca os melhores trabalhos do ano anterior.

É a adaptação de "O Pequeno Príncipe", feita em quadrinhos pelo francês Joann Sfar.

O álbum de luxo venceu o Angoulême na categoria de melhor trabalho jovem.

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A versão do clássico literário de Antoine de Saint-Exupéry (1900-1944) foi lançada no Brasil pela Agir no fim do ano passado, meses após ser publicada na Europa.

A mesma agilidade da editora carioca, um dos selos da Ediouro, não foi vista, no entanto, em outras versões literárias em quadrinhos.

A Agir tem pelo menos duas adaptações paradas. Uma de "O Pagador de Promessas", feita por Eloar Guazzelli, e outra de "Os Sertões", adaptada por Rodrigo Rosa e Carlos Ferreira.

Segundo os autores, os dois trabalhos foram finalizados e entregues no primeiro semestre de 2008. A editora já havia publicado uma versão de "O Alienista", premiada com um Jabuti.

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Os premiados foram divulgados neste fim de semana. Os trabalhos vencedores já constam no site do evento de quadrinhos, uma das atrações turísticas da cidade francesa.

As demais obras são inéditas por aqui e os autores, pouco conhecidos entre os brasileiros.

O melhor álbum ficou com "Pinocchio", de Winshluss. E a seleção da livraria Fnac premiou "Mon Gras et Moi", de Gally.

A lista completa pode ser lida no site do Festival Internacional de Angoulême (aqui).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h03
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01.02.09

Fim da maratona, início da descoberta de quadrinhos virtuais

Encerro nesta virada de sábado para domingo a maratona de sites e blogs de quadrinhos, 48 horas após o início desse esforço para marcar os 140 anos da nona arte no Brasil.

O saldo deste ano foi o de 118 postagens, muitas delas com mais de um link de um mesmo autor. A maior parte dos trabalhos é de humor.

O número de referências passou o do ano passado, que havia registrado 125 links. 

Merece registro a presença de autores jovens, de 9, 13, 15 anos.

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Adotei o critério de seguir a ordem de chegada dos e-mails.

É por isso que alguns trabalhos demoraram um pouco mais para entrarem no ar.

Assim como em 2008, todas as postagens vão ficar disponíveis para leitura na categoria "Dica", que pode ser acessado no canto esquerdo da tela do blog.

                                                          ***

Maratonas nesses moldes têm a intenção primeira de marcar o Dia do Quadrinho Nacional, dando destaque à produção brasileira, parte dela ainda escondida na vastidão virtual.

Mas servem também para traçar um cenário - ainda que limitado - do que se produz e do volume de trabalhos em quadrinhos feito na internet.

Não é algo que pode ser ignorado. É uma realidade. E bastante real.

                                                            ***

Apesar de representar um levantamento sobre o tema, é preciso reforçar que se trata de um recorte parcial do que se produz em termos de quadrinhos nacionais na internet.

Muitas páginas importantes de quadrinhos ficaram de fora.

Isso se deu por conta de outro critério adotado: o de postar apenas trabalhos enviados por e-mail pelos próprios autores, conforme convite feito no blog no dia 28 de janeiro.

Faltaram as páginas de André Dahmer, Gilmar, A.Moraes e Jean Okada, Paulo Stocker, Rafael Sica, Marlon Tenório, Jozz, Antonio Cedraz, Christie Queiroz, André Diniz, Benett, JAL, para ficar apenas em alguns exemplos.

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Aos nomes que faltaram à listagem, peço, tanto de autores como de leitores, a gentileza de deixarem registrados nos comentários na parte de baixo da postagem.

O mesmo vale para quadrinistas que só descobriram a lista agora.

Não precisam enviar e-mails. Podem deixar registrado diretamente nos comentários.

                                                           ***

Aos que participaram, peço desculpas por não responder aos e-mails um a um, por conta do volume de mensagens recebidas e da correria que foi a montagem desta maratona.

Agradeço a todos, de público, e deixo meus parabéns pelo Dia do Quadrinho Nacional.

Vocês ajudaram a fornecer um rico material a ser descoberto por todos os que apreciam a leitura de histórias em quadrinhos.

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h39
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140 anos de quadrinhos no Brasil - 118

Maratona de sites e blogs no Dia do Quadrinho Nacional

 

 

Quadrinhos do Ronaldo

Ronaldo Ruiz Galdino, 23 anos, Birigui (SP)

"Trabalho há mais de 10 anos fazendo quadrinhos de humor, super-heróis entre outros. Considero meu estilo de desenho underground, retrô, punk, e por aí vai. Enfim, resumindo, os quadrinhos são a grande paixão da minha vida!"

Links: http://www.historiasdoronaldo.blogspot.com/  ;  http://fotolog.terra.com.br/historiasdoronaldo

Categoria: DICA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h06
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