31.03.09

Mutts traz humor ingênuo para todas as idades

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 


Primeira coletânea da série de tiras começou a ser vendida neste fim de mês

 

 

 

 

 


Os desenhos animados criaram alguns construtos sociais. Um deles - fartamente utilizado - é o da relação de briga entre cães e gatos. Tom e Jerry são apenas um exemplo.

"Mutts - Os Vira-Latas" desmonta essa construção. Na série, gato e cachorro são companheiros e dividem uma relação fraternal. O ingênio dia-a-dia deles é o mote do humor.

As tiras ainda não são muito conhecidas no Brasil. Falha que pode ser corrigida. A primeira coletânea da série começou a ser vendida neste finzinho de mês (Devir, 128 págs., R$ 23).

O álbum já está à venda em lojas especializadas em quadrinhos de São Paulo. Chega às livrarias nesta virada de mês.

                                                            ***

Os personagens centrais da tira são o cachorro Duque e o gato Chuchu. Cada um é criado por pessoas diferentes. Duque, por um homem; Chuchu, por um casal de idosos.

Os donos são vizinhos. O que facilita a visita dos dois animais de estimação à casa do outro. As primeiras tiras do álbum mostram os primeiros contatos entre ambos.

O humor é construído na relação que se estabelece entre os dois bichinhos. Situações simples, que ganham imediata empatia do leitor.

Parte da proximidade está na ingenuidade de Duque e Chuchu. Parte nos desenhos com ar clássico e nas sacadas do norte-americano Patrick McDonnell, autor da série. 

 

Crédito: divulgação

 

McDonnell sabe transformar ideias simples em inteligentes piadas. Retoca o texto com um tom meigo, próprio da personalidade dos dois animais.

O resultato é uma daquelas histórias raras, que podem ser lidas tanto por adultos quanto por crianças. E com forte chance de encantar a ambos.

Esta coletânea foi lançada nos Estados Unidos em 1996. As tiras foram criadas dois anos antes. Têm sido publicadas desde então, tanto nos jornais como em álbuns.

A série chega com atraso ao Brasil. É de esperar que a Devir lance outros volumes, a exemplo do fez na filial portuguesa. Ótimo. A tira é das melhores. Que venha mais.

                                                           ***

Este é o segundo álbum de tiras norte-americanas lançado neste ano pela Devir.

A editora paulistana publicou em janeiro uma coletânea de "Baby Blues".

Leia mais aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h26
[comente] [ link ]

30.03.09

Quadrinistas da Cão cancelam revista independente

 

Crédito: reprodução

 

Os quadrinistas que mantinham a revista "Cão" decidiram encerrar a publicação. O título era um dos mais conhecidos da nova safra independente, iniciada em 2006.

Segundo Harrior Junior, designer gráfico paulistano e um dos cabeças do grupo, a revista não tinha sido imaginada para ser um produto, mas, sim, um treino e um aprendizado.

"Depois de termos ganhado experiência, resolvemos parar para analisar o que podemos fazer com tudo que aprendemos com a Cão", diz o quadrinista, por e-mail.

"Não haverá retorno do revista, pois ela já cumpriu seu papel e, por enquanto, não temos nenhum outro projeto."

                                                           ***

A estreia da "Cão" foi em fevereiro de 2007, quando foi lançado um número zero. Na época, Harriot já dizia que o objetivo não era financeiro e, sim, de iniciar uma carreira.

As edições eram temáticas. Os títulos seguintes abordaram ficção científicaanos 80 e terror. Todas as revistas, depois, foram reunidas num encadernado.

O grupo se conheceu no Centro Universitário Belas Artes, em São Paulo, onde a maioria dos integrantes estudou e se formou. Juntos, criaram o selo Studio Vermis.

A equipe era composta, além de Harriot Junior, por outros quatro autores fixos: Ko Ming, HErvilha (aglutinação do nome de Henrique Ervilha), Rodrigo Taniguchi e Marcelo Manzano.

                                                           ***

Leia mais sobre o início da revista independente neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h41
[comente] [ link ]

29.03.09

As comiquerias portenhas

 

Muito Além de Mafalda - Parte 6  /  Série especial sobre os quadrinhos argentinos

 

Crédito: reprodução

 

Os argentinos demonstram um nacionalismo acima da média. A valorização pátria é vista inclusive na língua. Ao contrário do Brasil, o país vizinho tende a traduzir o que pode.

As histórias em quadrinhos foram uma das poucas exceções. Pedir em bancas ou livrarias por "historietas" é um convite a não ser entendido. Prefira "comics".

A palavra, usada para se referir aos quadrinhos nos Estados Unidos, foi também a adotada na Argentina. Mas, ao contrário daqui, não deu origem às "comic shops".

Prevaleceu o nacionalismo. Criou-se um termo próprio para as lojas especializadas em quadrinhos de lá: comiqueria. São parada obrigatória para quem se interessa pela área.

                                                            ***

Para quem já visitou lojas especializadas em quadrinhos norte-americanas e brasileiras, não há muita diferença em relação às vistas na Argentina.

Há estantes nos quatro cantos, outras tantas na área central. Muitas revistas e álbuns em quadrinhos à mostra, prontos para serem descobertos pelos turistas leitores. 

Podem ser encontrados também bonecos dos mais variados - a maioria norte-americanos. 

Não é de espantar esse diálogo com os Estados Unidos. Há também títulos de super-heróis. Mas com uma diferença sensível: o gênero não tem a mesma receptividade que aqui.

 

Crédito: reprodução

 

As revistas de super-heróis - como cá - são das editoras norte-americanas Marvel e DC. Há material importado dos Estados Unidos. A maioria dos títulos, no entanto, está em castelhano.

Em 2007, na primeira das quatro viagens que levaram a esta série de matérias, perguntei ao vendedor de uma das comiquerias como era a publicação do gênero por lá.

Ele disse que não era tão procurado assim. Citou Super-Homem. "Não vende. Foi cancelado".

"Cancelado?", perguntei de imediato. Ouvi um sim que não escondia o porquê de meu espanto. Insisti em ver a derradeira edição. Era verdade. Foi cancelado no número 37.

                                                          ***

A última edição tem data de novembro de 2006. Chegou às comiquerias com atraso. Havia um texto, no final, justificando o fim do título quinzenal da editora SD (Sticker Design).

Para reforçar ainda mais minha surpresa, o texto do editor era de uma sinceridade sem igual no Brasil. "Em seus 37 números, esta coleção jamais funcionou", escreveu.

Batman e "Superman/Batman", outros dois títulos regulares da SD, resistiram alguns meses mais. Tiveram o mesmo destino. Assim como os especiais e minisséries.

Hoje, as revistas do gênero são importadas. Mas não dos Estados Unidos. Vêm da Espanha. As da Marvel, da Panini. As da DC, da Planeta De Agostini.

 

Crédito: reprodução

 

Os títulos importados da Espanha chegam à Argentina dois, até seis meses depois de saírem na Europa. As revistas tendem a publicar uma ou duas séries norte-americanas.

Comparar as edições com as versões brasileiras e estadunidenses é trabalho para quem é realmente fã. Mas pelo menos uma coleção espanhola merece registro: uma série que reedita clássicos da Marvel dos anos 1960.

É uma versão mais simples da brasileira "Biblioteca Histórica Marvel". O conteúdo é em preto-e-branco e o tamanho, um pouco maior que o das revistas infantis daqui.

Cada volume tem em torno de 160 páginas. Há dois pontos positivos: o preço, mais em conta, embora não muito, e a diversidade de personagens e de números.

                                                           ***

A garimpagem nas lojas vai revelar, além dos super-heróis, material argentino e mangás. Sim, o quadrinho japonês também aportou por lá. E com mais fôlego que aqui.

Os hermanos sul-americanos já leram, por exemplo, o final de "Battle Royale", ainda não publicado no Brasil pela Conrad. E com qualidade gráfica melhor.

Há seções inteiras de mangás. Quem domina esse filão por lá é a editora Livrea, com sede em Buenos Aires. Publica aos montes.  

Segundo os lojistas que consultei no fim de 2008, o material tem sido o que mais vende.

 

Crédito: reprodução

 

Os títulos argentinos costumam ter seções próprias nas lojas. São produzidos em formato de livro. Ou álbum, como chamamos por aqui. E há oferta grande. 

Há material inédito, fruto de uma nova safra de autores. A maioria, no entnato, são relançamentos em edição única de histórias já publicadas, ora em capítulos em revistas, ora em livros. 

Há um motivo para essas reedições. E está ligado ao histórico recente do país. 

As comiquerias são um reflexo da saúde financeira da Argentina. A trajetória delas ajuda a entender as turbulências econômicas pelas quais o país passou nos últimos 20 anos.

                                                           ***

No início da década de 1990, sob mandato de Carlos Menem, os argentinos seguiram à risca a chamada Cartilha de Washington. Uma das premissas era ter um Estado enxuto.

Empresas estatais começaram a ser passadas a investidores estrangeiros. Paralelamente, a moeda foi equiparada ao dólar. Um peso valia, então, um dólar.

A dolarização da economia não se sustentou. O fim do século passado foi marcado por uma acentuada crise financeira. E por panelaços em frente à Casa Rosada, sede do governo.

Nas ruas, ainda hoje é comum ouvir que o país "vendeu suas riquezas". Neste 2009, há inflação. A situação econômica brasileira e Lula são vistos com bons olhos.

                                                            ***

Os protestos vistos na virada do século tornaram insustentáveis as propostas governamentais. E instáveis os presidentes. Tais quais peças de dominó, eles caíam um após o outro.

Fernando de la Rua ficou de 1999 a 2001. Neste ano, outros três presidentes ocuparam o cargo: Ramón Puerta, Adolfo Rodríguez Saá,  Eduardo Camaño.

Camaño ficou até o ano seguinte, quando entrou Eduardo Duhalde. A estabilidade - e um novo fôlego econômico - só vieram com Nestor Kirschner, eleito em 2003.

As comiquerias viveram toda essa ondulação econômica. Tiveram dias de glória na década passada. E momentos de caos na virada do século. Muitas fecharam.

 

Crédito: reprodução

 

Hoje, não há tantas comiquerias em Buenos Aires. Mas, mesmo após as turbulências, são em maior número que as de São Paulo, se vistas em proporção ao número de habitantes.

Duas delas rendem boas visitas. Ambas ficam na região central da cidade. O visitante pode ir de uma a outra a pé. São poucos quarteirões de distância.

Uma é a "Club del Comic" da rua Montevideo, número 255. É melhor que a outra unidade da rede, que fica na M. T. de Alvear, 2002 (esta é um pouco mais longe do centro).

A da Montevideo tem a vantagem de ser maior e de oferecer um amplo acervo, principalmente de álbuns argentinos.

                                                           ***

Há outros dois diferenciais. O primeiro é que, no fundo da loja, há títulos bem antigos.

Há material da década de 1950, como originais das revistas "Misterix", da Editorial Abril, e "Hora Cero", da editora do escritor Hector Oesterheld (capa mostrada abaixo).

É fácil encontrar também edições antigas de "Paturuzu", "Pato Donald" e da revista "Fierro" da década de 1980. Vale à pena. O valor não é tão caro. É mais barato que os mangás.

Outro diferencial é o atendimento. Se a loja não estiver cheia, os vendedores têm paciência em responder a perguntas. Ainda mais de brasileiros, algo raro por lá.

 

Crédito: reprodução

 

A outra que vale uma visita é a "Entelequia". Fica na rua Talcahuano, 470. Há duas partes, a de cima e o subsolo. Neste, ficam os títulos de super-heróis e os mangás.

Na parte de cima, os álbuns argentinos, alguns só encontrados lá. Outro atrativo são as obras teóricas sobre arte, cinema e quadrinhos.

Foi na loja que encontrei um livro sobre o quadrinhos brasileiro. Ele integra uma coleção sobre produções latino-americanas. O sobre o Brasil é o terceiro volume.

A obra, só lançada lá, foi escrita por Waldomiro Vergueiro, professor da Universidade de São Paulo e um dos maiores especialistas em quadrinhos do país.

 

Crédito: reprodução

 

O sistema de vendas de quadrinhos na Argentina é semelhante ao brasileiro. Há as livrarias e os quioscos - nome das bancas de jornal. Mas o volume maior está nas comiquerias.

A dica é visitar as lojas com calma. E com a cabeça no lugar. Se não tomar cuidado, é fácil, fácil ser atraído pelas edições. Veja se o bolso acompanha o ímpeto.

Vá à loja - às duas - e saia sem comprar nada. Entre num café - há aos montes em Buenos Aires - e pense em tudo o que viu. Termine o café e volte. Compre o que realmente for ler.

E aproveite o valor do peso argentino. Está atrativo o câmbio em relação ao real.

                                                           ***

Próxima parada, no fim de semana que vem: o novo quadrinho argentino

                                                           ***

Leia as outras postagens da série: Introdução, Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h38
[comente] [ link ]

28.03.09

Mad completa um ano com mais espaço para quadrinho nacional

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

12º número da revista, à venda nas bancas, satiriza o programa "Big Brother Brasil"

 

 

 

 

 

 

 


Uma festa na tarde deste sábado, em São Paulo, marca o primeiro ano de publicação da "Mad". E há o que comemorar. A revista de humor está melhor do que a lida em 2008.

O diferencial é que o título tem ampliado, mês a mês, o espaço ao quadrinho nacional.

Este 12º número (Panini, 48 págs., R$ 6,50), já apresenta mais material brasileiro do que estadunidense. O processo de nacionalização ajudou a reinventar a revista.

E obteve um resultado curioso. Apesar de ser estrangeira, a "Mad" se tornou a principal publicação de humor adulto brasileira disponível nas bancas.

                                                           ***

O novo rumo editorial começou a ser consolidado ainda no ano passado, após a saída de Ota. O editor havia integrado todas as versões anteriores da publicação no Brasil.

Não se desmerece o trabalho de Ota. Muito pelo contrário. Mas a troca ajudou a dar novo ânimo ao título. Raphael Fernandes passou a coordenar toda a edição.

Se a revista, hoje, é melhor do que as primeiras edições, o mérito é dele.

Fernandes disparou convites a jovens desenhistas e a antigos colaboradores, que há anos não publicavam trabalhos de humor em papel. Caso de Marcatti, para ficar num exemplo.

                                                            ***

Essa mescla de gerações deu novo ritmo à obra e a tornou mais interessante ao leitor nacional. Há mais identificação temática e estilística com o que se vê nas páginas.

Duas tiradas deste número reforçam isso. Uma das piadas, feita por Marcio Baraldi, brinca com o 1º de abril, nosso tradicional Dia da Mentira.

Outro caso é uma história de quatro páginas - escrita por Gian Danton e desenhada por Raphael Salimena - que ironiza o "Big Brother Brasil", com direito até a Pedro Bial.

O contrato com a editora norte-americana DC Comics exige conteúdo estrangeiro. Pena. A nacionalização fez bem à revista. O ideal seria se tornar ainda mais brasileira.

                                                           ***

Serviço - Festa de um ano da revista "Mad". Quando: hoje (28.03). Horário: a partir das 15h. Onde: HQMix Livraria. Endereço: praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: a revista custa R$ 6,50.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h48
[comente] [ link ]

27.03.09

L&PM perde chance de relançar Garfield em ordem cronológica

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Livro - lançado neste mês - traz 2.582 tiras do personagem; 
material é reedição dos livros de bolso da editora gaúcha 

 

 

 

 

 

 


Uma das funções do jornalismo é fazer uma leitura crítica da notícia. No caso dos quadrinhos, isso inclui ter sempre dois pés atrás ao que as editoras informam.

Os textos de divulgação - como devem ser - omitem os pontos negativos das obras. É o caso de "Garfield - Série Ouro", que começou a ser vendido neste mês.

A L&PM, editora do livro, dá destaque aos superlativos da publicação: são 2.582 tiras distribuídas em 624 páginas. O preço também é superlativo, registre-se: R$ 85.

O que a editora gaúcha não informa ao leitor é que as mais de 2.500 tiras já foram publicadas pela mesma L&PM na forma de livros de bolso, linha conhecida como "pocket".

                                                          ***

Do ponto de vista do comprador, essa informação é bastante relevante. Se ele já tinha os dez livros de bolso da editora, vai desembolsar R$ 85 para comprar as mesmas tiras.

E vai ler na mesma ordem. A L&PM manteve a sequência vista nos pockets. Ou seja: as tiras do primeiro livro de bolso, publicado em janeiro de 2005, abrem o novo álbum.

Depois, vem o material do número dois. Em seguida, do três. Do quatro. Até chegar às tiras do volume dez, lançado em janeiro deste ano. A tradução também foi mantida.

Essa colagem de livros anteriores, sem nenhuma adaptação editorial, fez com que a editora gaúcha perdesse a chance de lançar a melhor coletânea de Garfield no Brasil.

                                                           ***

O motivo disso é que os "pockets" não seguiram a mesma ordem de publicação das tiras nos Estados Unidos. E, como se trata de "ctrl c", "ctrl v", o  mesmo ocorreu no novo livro.

As tiras que abrem a obra são de 1978, as primeiras feitas pelo norte-americano Jim Davis. Seguem até 1979. Depois, começa o vai-e-vem de anos.

De 1979, pula para 1993, como ocorreu no segundo livro de bolso. Depois, 1994. 1995. Novo pulo, agora de volta para o passado: 1979. 1980. Salto para 1983 e 1984.

Além de perder a oportunidade de fazer uma compilação cronológica, a editora não usou material de determinados anos, como 1981 e 1982.

                                                           ***

"Garfield - Série Ouro" é, sim, uma obra superlativa, possivelmente a mais ousada que a L&PM lançou desde a década de 1970, quando começou a publicar quadrinhos.

O tamanho maior, com mais de 600 páginas, revela que a editora já fez caixa suficiente com as centenas de "pockets" para voltar a investir em álbuns com outros formatos.

Mas, desta vez, faltou transparência à empresa gaúcha. Ela não informa ao leitor que se trata de reedições dos livros de bolso e também demonstra  falta de cuidado editorial.

Pôr as tiras em ordem cronológica não mudaria em nada o custo da edição. E tornaria o produto um livro superlativo absoluto sintético. Aí, sim, justificaria o "ouro" do título.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h12
[comente] [ link ]

26.03.09

Dois convites: Campinas e Santos

Faço nestes dias finais da semana dois lançamentos de "A Leitura dos Quadrinhos": um em Campinas, no interior de São Paulo, e outro em Santos, no litoral paulista.

Em Campinas, vai ser nesta quinta-feira, a partir das 19h, na livraria Fnac do Shopping Dom Pedro (av. Guilherme Campos, 500). Está agendado um bate-papo antes.

Em Santos, será no sábado à noite, também a partir das 19h. O lançamento vai ocorrer na Livraria Realejo do Miramar Shopping (av. Euclides Cunha, 21, bairro do Gonzaga).

Ficam os convites para quem mora nas duas cidades ou na região.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h45
[comente] [ link ]

25.03.09

Panini regulariza publicação de Turma da Mônica Coleção Histórica

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Décimo volume da coleção, lançado nesta semana, é o primeiro da série publicado sem atraso

 

 

 

 

 

 

 

 


A se pautar pelas bancas de jornal, a série "Turma da Mônica - Coleção Histórica" encontrou o rumo.

O décimo volume começou a ser vendido neste meio de semana (R$ 19,90). É a primeira vez que o pacote com as revistas é lançado no mesmo mês indicado nas edições.

O número anterior havia sido publicado no começo de fevereiro. A data na última página das revistas do pacote registrava o mês de janeiro.

A série reedita as primeiras revistas da Turma da Mônica. Cada pacote traz cinco títulos: "Mônica", "Cebolinha", "Cascão", "Magali" e "Chico Bento".

                                                           ***

A coleção começou a ser vendida no segundo semestre de 2007. Deveria ser mensal. Mas, desde o início, passou por uma série de vai-e-vens.

Os primeiros números atrasaram. O pacote, depois, sumiu das bancas. Quando voltou, o expediente final registrava que a publicação era "especial", não mais mensal.

A editora não informou aos leitores sobre a mudança. Uma nota foi colocada no site da Panini somente após o assunto ser noticiado.

O texto dizia que os atrasos seriam consequência do processo de adaptação editorial das revistas antigas e que a periodicidade seria regularizada. Não foi o que ocorreu.

                                                           ***

A coleção teve novo sumiço. Os volumes sete e oito foram lançados em outubro e novembro do ano passado. As revistas registravam data de meses anteriores.

Neste ano, a Panini incluiu a série no pacote de assinatura da revista "Turma da Mônica Jovem", lançada desde a metade de 2008. 

O plano de assinatura oferece 12 edições da versão jovem dos personagens de Mauricio de Sousa e seis da coleção histórica.

Embora a editora não tenha informado isso de forma explícita ao leitor, subentende-se que a série passou a ser bimestral. As bancas têm confirmado isso.

                                                           ***

Nota: merece registro uma das histórias deste décimo volume. É a que abre a revista de Chico Bento. É uma crônica sobre a chuva, que ganhou um Prêmio Abril em 1982.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h27
[comente] [ link ]

Flip terá mesa-redonda dedicada a quadrinhos, segundo desenhista

A edição deste ano da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty - terá uma mesa sobre quadrinhos. A notícia foi divulgada ontem no blog "Gibizada", de Telio Navega. 

Segundo a postagem, a informação foi dada por Rafael Grampá, um dos convidados. 

Ao lado dele, estarão outros três brasileiros: Gabriel Bá, Fábio Moon e Rafael Coutinho.

                                                           ***

Bá, Moon e Grampá venceram em 2008 o prêmio Eisner na categoria melhor antologia pela obra coletiva "5". A premiação é a principal dos Estados Unidos.

As séries desenhadas por Bá e Moon também ganharam um troféu cada uma. No Brasil, a dupla faturou um Jabuti pela adaptação em quadrinhos do conto machadiano "O Alienista".

Coutinho será destaque neste ano. Ele faz o desenho de um álbum nacional para o novo selo da Companhia das Letras dedicado exclusivamente a quadrinhos.

                                                           ***

Esta sétima edição da Flip vai ser realizada de 1º a 5 de julho na cidade histórica de Paraty, no Rio de Janeiro. Não é a primeira vez que a organização flerta com os quadrinhos.

Em 2007, Art Spiegelman, autor de "Maus", foi convidado. O nome dele chegou a ser divulgado. O desenhista, no entanto, cancelou a vinda por motivos pessoais.

Na ocasião, nenhum outro nome, nacional ou estrangeiro, foi cogitado para substituí-lo.

                                                           ***

No ano passado, o inglês Neil Gaiman foi à festa literária por conta de seu lado romancista. Mas ter sido o autor da história em quadrinhos "Sandman" falou mais alto.

A imprensa noticiou Gaiman como o "criador de Sandman", e não como autor literário. Umas quatrocentas pessoas formaram fila à espera de um autógrafo dele.

Gaiman, curiosamente, desenhou nos exemplares um singelo Sandman. 

                                                           ***

Perguntar não ofende: os brasileiros precisaram vencer prêmios fora do país - e também um Jabuti, no caso de Bá e Moon - para, só então, serem "aptos" a participar da Flip?

O trabalho deles - e de outros quadrinistas brasileiros - já não reunia adjetivos suficientes para que a festa literária os tivesse convidado antes?

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h47
[comente] [ link ]

Brasileiros são destaque no Salão de Desenho para Imprensa

 

Crédito: blog do desenhista Jarbas Domingos

 

A história acima, feita pelo pernambucano Jarbas Domingos, venceu a categoria quadrinhos do 17º Salão Internacional de Desenho para Imprensa, realizado em Porto Alegre (RS).

Outros três brasileiros foram premiados. Charge ficou com Renato Machado Gonçalves. Cartum, com Rafa Camargo. Ilustração editorial, com Camilo Riani.

Riani fez um calendário com uma caricatura em cada uma das folhas do mês. O único estrangeiro a vencer em uma das cinco categorias, caricatura, foi o chinês Zhu Zizun.

Os vencedores foram divulgados nesta semana. Cada um vai receber R$ 1 mil.

Segundo o site da premiação, o salão teve 178 desenhos inscritos. Setenta deles foram selecionados para a escolha final do júri.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h15
[comente] [ link ]

24.03.09

Desenhista argentino lança no Brasil álbum de Gaturro

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 


Álbum, lançado no Brasil por editora argentina, traz 89 histórias de humor do personagem

 

 

 

 

 

 


A passagem do argentino Nik por São Paulo é para integrar a semana em homenagem a Ziraldo. O evento teve início na segunda-feira e vai até o fim da semana.

A programação previa Nik em uma mesa-redonda na noite desta terça e uma oficina na quarta. E, nas duas ocasiões, lançamentos de um álbum de sua mais famosa criação.

"Gaturro Grandão" (Catapulta, 96 págs., R$ 39,90) traz 89 histórias humorísticas do personagem. Cada uma ocupa uma página, como sai no "La Nacion" aos domingos.

Nos demais dias da semana, o jornal portenho publica o gato bagunceiro no formato equivalente ao de duas tiras. Essas histórias foram compiladas em mais de um álbum.

                                                          ***

Nik - forma como assina Cristian Dzwonik - ocupa um espaço privilegiado no "La Nacion". Maior até do que Liniers e suas tiras de "Macanudo", outro sucesso do jornal.

Além de Gaturro, o argentino, de 37 anos, produz também charges. E uma seção chamada "la foto que habla". Ele usa uma fotografia e acrescenta balões de fala, irônicos.

Em geral, o alvo das "fotos que falam" são os políticos do país vizinho.

Nik é muito melhor chargista do que tirista. Tanto que Gaturro - personagem muito popular na Argentina - surgiu nas charges.

                                                            ***

Nik estreou no jornal jovem, aos 21 anos. Suas charges pegaram em cheio a passagem de Carlos Menem na presidência. O político ficou no cargo de 1989 a 1999.

Logo que tomou posse, o ex-presidente tinha um generoso penteado. O topete escuro era o que sobressaía. O desenhista viu no cabelo a figura de um gato.

O animal começou a frequentar as charges. O cabelo de Menem era mostrado com dois olhos, às vezes com um rabo. Depois, o gato ganhou forma e acompanhava o político.

Por fim, ganhou o formato e as grossas bochechas de Gaturro, que passou a ter falas ou pensamentos nas charges. Não demorou para ganhar espaço fixo nas tiras.

                                                            ***

Nas tiras cômicas, Nik teve de definir uma vida própria para o gato. O resultado ficou um pouco com o personagem Garfield, de Jim Davis. Mas com diferenças na personalidade.

Assim como Garfield, Gaturro vive numa casa com humanos. Divide o espaço com uma família. Mas, diferentemente da criação norte-americana, não é nada passivo.

Pelo contrário. Gaturro peca por ser hiper-ativo, sempre aprontando alguma, dentro ou fora de casa. E é romântico. Morre de amores por Ágata. Mas não é correspondido.

As situações giram em torno desses temas. E apresentam um humor mais voltado para o público infantil, leitor a quem se dirigem preferencialmente as tiras.

                                                           ***

"Gaturro Grandão" é a terceira obra do personagem a sair no Brasil. No ano passado, a V&R publicou dois livros de tiras. A editora diz que outro está planejado para o meio do ano.

Este novo álbum é lançado pela editora Catapulta, que tem sede na Argentina. É a primeira experiência do grupo com quadrinhos traduzidos para o português.

É possível que, se este projeto-piloto vingar, outros trabalhos argentinos migrem para cá. Por enquanto, pelo menos, Gaturro não goza de tanta popularidade por aqui.

Pena que será difícil ler as charges de Nik em versão nacional. Como é próprio do gênero, o humor está atrelado ao noticiário político argentino, o que dificulta a compreensão.

                                                            ***

Nota: é possível ler na internet a trajetória de 15 anos de humor político de Nik.

O material está disponível neste link. Está em castelhano, é justo avisar.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h39
[comente] [ link ]

23.03.09

O novo caminho da informação

Há cinco minutos, recebi um e-mail de um leitor, Eduardo Filipe.

Ele dividia comigo os momentos de Beirute vividos no início da noite desta segunda-feira em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Segue o assustador relato dele.

                                                            ***

"Acabei de passar na pracinha do Bairro Peixoto, bairro onde moro na zona sul do rio, no meio de Copacabana, para devolver uns filmes na locadora."

"Na volta, quase que tive que rastejar, um comando da PM começou a tomar a praça para reter os traficantes que tinham tentado sair pela Santa Clara."

"Houve troca de tiros feroz, isso quase em frente ao quartel do batalhão da PM, que fica na Figueiredo Magalhães."

"Os ´traficantes´ recuaram pela Santa Clara e quase acessaram o bucólico Bairro Peixoto pelo túnel que liga a Santa Clara à pracinha."

"A PM já tinha tomado o perímetro da praça e ficou difícil invadir. A troca de tiros os manteve dentro do túnel."

"Vim correndo subindo a minha rua, a Décio Vilares ao lado de dois integrantes do comando especial. Estes rumavam para a saída ´alta´ do Bairro Peixoto, no intuito de cercar os traficantes pela parte alta da Santa Clara."

"Todo mundo correndo abaixado, gente chorando, os carros voltando em contra-mão da saída da Anita Garibaldi, que dá em direção ao túnel, esquina da Santa Clara, epicentro dos eventos deste começo de noite.

"Sem exagero, está sinistro!!!!!!!"

                                                           ***

Paralelamente, entro no Twitter, sistema de mensagens rápidas, com 140 caracteres.

Leio alerta do desenhista André Dahmer, outro fluminense:

"O bicho está pegando aqui em Botafogo. Muitos tiros. Muitos". 

Passo, só então, pelos sites noticiosos. Há registros da noite de tiroteios carioca, com maior ou menor destaque. Mas não com a velocidade e a emoção das outras mídias.

                                                           ***

É lamentável o que leio sobre o Rio.

Mas me chama a atenção a forma como tive contato com a informação.

Não foi pelos veículos tradicionais de imprensa. Rádio, TV, jornal. Ou mesmo os sites.

Foi por meio das mídias alternativas, que exercem função tão noticiosa quanto as demais.

                                                            ***

O alerta foi dado pelo e-mail. Depois, por meio do Twitter. Ágeis, velozes, no calor do fato.

Os teóricos do jornalismo defedem a ideia - da qual compartilho - de que a mídia é que constrói a sensação de realidade de uma pessoa.

Pauto-me no mesmo exemplo para traduzir a premissa teórica. Se o tiroteio do Rio não fosse noticiado, ele teria ocorrido para quem o presenciou. Mas não para a grande massa.

Para o restante do país, a informação não noticiada simplesmente não teria existido.

                                                           ***

Não é nada nova a afirmação de que a internet facilitou o acesso à informação, qualquer que seja ela. Os blogs - este inclusive - fazem coro virtual a esse processo.

Mas já começa a ser perceptível uma outra rede de informações, paralela aos gêneros e suportes tradicionais da internet.

Um grupo, organizado via Twitter, chegou a fazer um protesto em São Paulo. Pelo mesmo sistema, já tive acesso, hoje, ao conteúdo do "Roda Viva" que ainda nem foi ao ar.

Também não é novidade que o apreciador de quadrinhos se informa sobre a área por meio da internet, que contornou a recorrente ausência de notícias nos demais veículos.  

                                                         ***

O ponto é: não importa se algum veículo não noticiar um fato.

Há outros caminhos - alternativos até aos próprios sites - que irão informar o assunto.

A sensação de realidade já independe da mídia tradicional. E também dos sites.

Essa sensação de mundo está espalhada pelos cada vez mais inovadores recursos virtuais.

                                                          ***

Paz ao Rio.

Tenho certeza de que esse voto singelo e sincero ecoará virtualmente.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h18
[comente] [ link ]

Semana tem diferentes eventos sobre quadrinhos em São Paulo


Coincidiu de esta semana ser data de três eventos distintos sobre quadrinhos. Dois na capital paulista. O terceiro em Campinas, cidade do interior a uma hora de São Paulo.

A unidade Campinas da livraria Fnac  - que fica no Shopping Dom Pedro - promove uma semana dedicada ao tema. O 1º Festival de Quadrinhos vai até quinta-feira, sempre às 19h.

Hoje, há debate sobre o mercado de quadrinhos com os desenhistas Mario Cau e Eduardo Ferigato. Na terça e quarta, oficinas com Bira Dantas e Fernando Moretti.

Na quinta, encerro a programação com um bate-papo seguido de lançamento do livro "A Leitura dos Quadrinhos", da Editora Contexto.

                                                           ***

Bira Dantas participa de outro evento, que tem início nesta segunda-feira, em São Paulo. Ele divide com Caco Galhardo uma exposição sobre Dom Quixote em quadrinhos.

A mostra integra a semana iberoamericana, promovida pelo Instituto Cervantes em homenagem ao escritor e cartunista Ziraldo, como o blog noticiou no último dia 11.

O mote da homenagem é a premiação recebida por ele em dezembro passado. Ziraldo ganhou o Prêmio Iberoamericano de Humor Gráfico Quevedos, do governo da Espanha.

A premiação lembra seu compromisso social e reconhecimento internacional.

                                                            ***

A programação de "O Quadrinho Brasileiro: Homenagem a Ziraldo" abre nesta segunda, às 19h30. Vai haver uma palestra sobre quadrinhos e redemocratização, feita pelo desenhista e pesquisador Eloar Guazzelli.

O ponto alto da semana será na terça-feira, no auditório do Masp, às 20h.

É quando Ziraldo participa da homenagem. Ele faz uma mesa redonda ao lado dos quadrinistas Javier de Sussi e do argentino Nik. A mediação é de Gualberto Costa.

Nik e Sussi encerram a programação nos demais dias com oficinas e lançamento. Leia neste link mais detalhes sobre as datas e endereços da semana em homenagem a Ziraldo.

                                                            ***

Sexta-feira a unidade Vila Mariana do Sesc, em São Paulo, inaugura uma exposição para lembrar o trabalho do desenhista norte-americano Will Eisner (1907-2005).

Foi Eisner quem criou o herói Spirit, em 1940. O personagem voltou a ganhar destaque por conta da adaptação para o cinema, que estreou no Brasil na última sexta-feira.

A mostra "Em Torno de Will Eisner" pode ser visitada de 27 de março a 26 de abril, de terça a domingo (mais detalhes no site do Sesc Vila Mariana).

Na abertura, nesta sexta às 19h30, também no Sesc Vila Mariana, o pesquisador Alvaro de Moya fala da obra do quadrinista. Moya mantinha um bom relacionamento com Eisner.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h14
[comente] [ link ]

21.03.09

Uma viagem conduzida por Oesterheld e seu Eternauta


Muito Além de Mafalda - Parte 5   /   Série especial sobre os quadrinhos argentinos

 

Crédito: reprodução

 

A questionadora Mafalda, das tiras de Quino, é a principal representante dos quadrinhos argentinos fora do país. Funciona como um cartão-postal para os estrangeiros.

Por mais méritos que as piadas dela tenham - e indiscutivelmente têm -, Mafalda não é a história mais lembrada por lá. A que mais marcou foi "El Eternauta".

A trama - feita no formato horizontal - foi lançada em capítulos entre 1957 e 1959 na revista "Hora Cero".

A publicação era mantida pela Editorial Frontera, dos irmãos Hector German Oesterheld e Jorge Mora. Oesterheld foi também o escritor da série, que teve várias reedições. 

 

A história de ficção científica inicia de forma misteriosa. Um homem aparece do nada na cadeira à frente de um escritor de quadrinhos, alter-ego de Oesterheld na trama.

O homem deduz imediatamente estar na Terra. Pergunta o ano. Ele se materializou na Buenos Aires de 1957, mesma época em que a aventura era vendida na Argentina.

Passado o incômodo inicial ante à estranha aparição, o escritor e o ser estabelecem uma cordial conversa. O homem decide contar a ele sua trajetória.

Chama-se Juan Salvo e também era argentino. Em 1959, diz, não só a cidade mas também o mundo seriam vítimas de uma tragédia: uma invasão alienígena.

 

Os primeiros sinais da invasão se dão na forma de uma chuva de flocos de neve. Quem mantinha contato com eles morria imediatamente.

Salvo, sua esposa e filha e um grupo de amigos só se mantiveram vivos porque estavam abrigados dentro de casa. Foi de lá que puderam deduzir o que ocorria.

Um dos colegas, Favali, era expert em assuntos científicos. Parte das ideias de sobrevivência partia dele. Uma delas foi a criação de um traje que permitia sair da casa.

Tratava-se de uma roupa de mergulho, com respirador e filtro de ar, que impedia o contato com os flocos. Juan Salvo com o traje é a cena mais mostrada nas capas da série.

 

Crédito: reprodução

 

Passo após passo, dia após dia, o grupo de sobreviventes desvenda os flancos portenhos e descobre que o ataque havia ocorrido em toda a cidade. Pouquíssimos sobreviventes.

Mais: percebem a duras penas que se tratava de uma invasão alienígena e que teriam de se juntar ao exército - que estava entre os sobreviventes - para combater o ataque.

O restante da história apresentava a sucessão de embates, as baixas, as novas formas de vida que combatiam. E descrevia o medo que todos sentiam.

O tom realista - e nada infantil - era reforçado pelo traço de Solano López, desenhista argentino nascido em 1928. Mas o mérito maior estava mesmo na narrativa de Oesterheld.

 

Oesterheld é tido até hoje como o principal escritor de quadrinhos argentino. Ele produziu os primeiros trabalhos para o Editorial Abril, mantido pelo irmão de Victor Civita.

Os Civita tinham os direitos dos quadrinhos Disney para a América Latina.

Foram eles que cederam os direitos para a estreia de Pato Donald no Brasil, ainda pela extinta Ebal (Editora Brasil-América Ltda.), de Adolfo Aizen (1907-1991).

Poucos anos depois, os personagens norte-americanos migraram para a editora brasileira do irmão, a Abril. A primeira revista - "Pato Donald" - foi lançada em 1950.

 

Oesterheld é dessa fase argentina da Abril, anterior à brasileira. Ele roteirizou histórias para crianças - criou "Los Gatitos" - e para leitores mais maduros na revista "Misterix".

Na "Misterix", surgiram seus primeiros personagens de destaque. Figuras humanas, heróis com defeitos e qualidades. El Índio Suarez, Bull Rocket, Sargento Kirk.

Em 1957, fundou sua editora e se desligou da Abril. O acordo permitia que levasse parte de suas criações. Pôs a tiracolo Sargento Kirk, que teve desenhos de Eugenio Colonnese.

Após a passagem pelo país vizinho, Colonnese adotou o Brasil como morada. O criador da Mirza, a Mulher-Vampiro ficou aqui até o fim da vida. Morreu no ano passado.

 

Crédito: reprodução  Crédito: reprodução

 

A lista de criações de Oesterheld para a Editorial Frontera é grande, beira as dezenas. Algumas: Sherlock Time - parceria com Alberto Breccia -, Ticonderoga, Ernie Pike.

Os dois últimos foram desenhados por Hugo Pratt, criador da série italiana Corto Maltese. Oesterheld acusa o desenhista de usar parte das ideias nas aventuras de Maltese. Dizia que iria à Europa "recuperar a paternidade de alguns de seus personagens".

A editora argentina, atolada em dívidas, foi fechada no começo da década de 1960.

Parte dos desenhistas, em busca de salários melhores, migrou para o mercado europeu. Foi o caso de Solano López e de Pratt, dois dos talentos da Frontera.

 

Oesterheld continuou produzindo quadrinhos. Numa nova versão da "Misterix", em 1962, criou "Mort Cinder", outra parceria com Breccia.

Ainda ao lado do desenhista, produziu as biografias de Evita Peron e de Che Guevara. A do líder guerrilheiro foi lançada no Brasil no fim do ano passado, pela Conrad.

As biografias datam do fim da década de 1960. É uma fase em que as tramas imaginadas pelo escritor trazem uma forte carga ideológica.

Oesterheld tinha ideias bem claras sobre o papel dos países desenvolvidos na relação com as nações latino-americanas: tratava-se de um sistema de dominação unilateral.

 

O olhar de Oesterheld sobre a Argentina era explícito nas produções em quadrinhos que fez nos dez últimos anos de vida. E foram parte da causa de sua morte.

Trabalhou num jornal da juventude perodista, de esquerda. Produziu - e fez questão de assinar - uma história da dependência latino-americana em relação às nações poderosas.

Fez uma nova versão de "El Eternauta" para a revista portenha "Gente", em 1969, agora em parceria com o desenhista Alberto Breccia. 

Não funcionou. A história teve de ser encerrada às pressas, a pedido da publicação. Motivo: o conteúdo, bem mais radical que a narrativa original.

 

Crédito: reprodução

 

Na releitura para "Gente", os países desenvolvidos tinham se safado da invasão alienígena. Fizeram um acordo com os E.T.s. Deram a América Latina em troca da salvação.

Restava, então, a Juan Salvo e aos poucos sobreviventes lutar com armas para se manterem em pé. Metáfora ideológica da situação argentina de então.

Osterheld aceitou fazer ainda uma sequência da história original para revista "Skorpio", em 1976. Obteve boa repercussão, em plena ditadura, iniciada um ano antes.

"El Eternauta II" continuava do ponto onde a trama anterior havia parado. Trazia um Juan Salvo mais duro. Se tinha de abandonar um companheiro por causa da luta, abandonava.

 

A segunda parte da série de ficção científica - uma vez mais desenhada por Solano López - foi o canto do cisne de Oesterheld. Em 1977, foi capturado pelos militares.

Não só ele, como as quatro filhas também. Todas foram assassinadas. Um neto foi entregue, meses depois, à esposa de Oesterheld, Elza, por um oficial do Exército.

O corpo do escritor nunca foi encontrado. Ao contrário de seu Eternauta, não se desmaterializou. Foi assassinado. Acredita-se que em 1978.

 

O psicólogo Eduardo Aris, preso político, teria sido o último a vê-lo.

"Seu estado físico era muito, muito penoso", relatou Aris.

"Ignoro qual possa ter sido seu destino. Eu fui liberado em janeiro de 1978. Ele permanecia naquele lugar. Nunca mais soube dele."

 

Crédito: reprodução

 

Elza Oesterheld deu uma longa entrevista a uma emissora de rádio.

Ela narrou a luta que enfrentou após ter sua família exterminada pelo Exército argentino.

O áudio, em castelhano, está disponível no site de vídeos YouTube, em duas partes:

 

 

 

Hector German Oesterheld produziu quadrinhos adultos antes dos europeus, concomitantemente com as obras de terror norte-americanas da década de 1950.

Fez de tudo um pouco. Gêneros de guerra, ficção científica, mistério, detetive, infantil. 

Teve parceria com desenhistas de renome, como Solano López, Alberto Breccia, Pratt.

Não gostava de ler quadrinhos. Preferia os livros. Os romances de Borges estavam entre os preferidos. A fonte literária jorrava em seus textos e em seu estilo narrativo.

 

"El Eternauta" foi sua obra maior. As reedições da série são encontradas, hoje, em boa parte das livrarias argentinas e nas comiquerias, nome dado às lojas de quadrinhos.

Foi a única história em quadrinhos a integrar, anos depois, uma coleção de clássicos literátrios lançada pelo jornal "Clarin".

Ironicamente, Oesterheld figurou na coleção ao lado de Borges.

 

"El Eternauta" teve outras sequências, com Solano López nos desenhos, mas sem o falecido Oesterheld nos textos. A qualidade das histórias caiu gritantemente.

A diretora argentina Lucrecia Martel prepara uma versão cinematográfica da obra.

Quem sabe isso, enfim, chame a atenção das editoras brasileiras.

Apesar dos adjetivos, Oesterheld tem sido historicamente ignorado no Brasil.

 

Os novos leitores tiveram contato com ele por conta da biografia de Che Guevara.

Um leitor do blog me alertou, em dezembro passado, que ele teria sido publicado no Brasil também na década de 1950, com poucas histórias.

Mas são exemplos pontuais, que não fazem jus à completude da obra do escritor.

Os trabalhos de Oesterheld continuam - inexplicavelmente -  distantes dos brasileiros.

                                                           ***

Próxima parada, no fim de semana que vem: as comiquerias portenhas

                                                           ***

Leias as outras postagens da série: Introdução, Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h08
[comente] [ link ]

20.03.09

 
O Spirit dos cinemas

 

Crédito: site The Spirit - O Filme 

 

Um exercício rápido de imaginação. Suponhamos que o quadrinista Frank Miller tivesse carta branca para repaginar o herói Spirit, criado em 1940 por Will Eisner (1917-2005).

Como se trata de imaginação, podemos ir aos extremos. Miller (im)poria seu estilo narrativo ao personagem mascarado. Aplicaria um visual noir, escuro, tal qual fez com "Sin City".

Não deixaria de pontuar a história com pensamentos introspectivos do personagem-título.

Algo como "Tenho de superar os obstáculos. Esta é a minha cidade... e eu sou seu herói".

                                                           ***

A importância da cidade para o protagonista, aliás, não poderia faltar.

É o que o desenhista norte-americano fez em "Sin City" - a cidade do pecado, uma vez mais - e na minissérie "O Cavaleiro das Trevas", dois de seus trabalhos mais lembrados.

Fim do exercício de imaginação. De volta à realidade.

Por mais caricata que seja a descrição acima, é exatamente isso o que Miller fez na adaptação do personagem para o cinema, que estreou nesta sexta-feira no Brasil.

                                                           ***

Frank Miller dirigiu e escreveu o longa. E, pelo que se viu na tela, teve total liberdade de criação. Deu-se até ao luxo de fazer uma ponta. É um policial que perde a cabeça (literalmente).

Que fique bem claro: não se trata de objetar uma recriação de um personagem dos quadrinhos ou da exigência de uma adaptação fiel dele para a tela grande.

Se houvesse mudanças e elas rendessem uma boa história, as alterações seriam mais do que justificadas. "Homem de Ferro", exibido em 2008, é um bom exemplo disso.

Mas, infelizmente, não é o caso de Miller neste seu primeiro trabalho solo no cinema. 

                                                           ***

A história não se encontra. Tenta sem caricata, mas não é. Quando parece ser, torna-se intimista. E, quando se acha que é intimista, volta a ser caricata.

Spirit - ao contrário dos quadrinhos - tem dons de cura, como o mutante Wolverine, da editora Marvel Comics, outro levado para os cinemas.

O fator de cura o aproxima constantemente da morte. Tanto que, a cada nova luta, ele vê a imagem de uma pirotécnica Morte. "Você está mais perto de mim", diz ela.

Spirit demonstra uma obsessão em encontrar e enfrentar o vilão Octopus. A fixação é porque o bandido saberia os motivos de o herói mascarado ter tais poderes.

                                                           ***

A história toda, registre-se, é carregada dos mesmos efeitos especiais utilizados na adaptação de "Sin City", de 2005, filme co-dirigido por Miller e Robert Rodriguez.

Há vários cromaquis, tons de cor compondo o cenário, mescla de efeitos e imagem.

E as sensuais beldades - Eva Mendes, Paz Vega, Scarlett Johanson - perdidas nisso tudo.

O mais curioso de tudo isso é que o resultado visto na tela contradiz a trajetória de Miller.

                                                           ***

Reza a lenda de que Miller só foi convecido a adaptar "Sin City" no cinema após o diretor Robert Rodriguez apresentar, na tela de um laptop, o visual de como o filme ficaria.

A sequência mostrava efeitos especiais que reproduziriam, fielmente, os desenhos de Miller. Foi a fidelidade, temática e estilística, que o teria seduzido a dizer sim.

Situação invertida, agora é Miller o diretor. Ele ignorou o que o havia convencido antes nessa adaptação de Spirit. Recriou o herói à sua imagem e semelhança. E ficou um desastre.

E, pena, Eisner não está mais vivo para dizer ao amigo que os contos em quadrinhos que produzia na década de 1940 estão longe, muito longe, do que Miller fez. Ou tentou fazer.

                                                           ***

Leia na postagem abaixo a trajetória de Spirit nos quadrinhos.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h48
[comente] [ link ]

19.03.09

O Spirit dos quadrinhos

 

Crédito: reprodução

 

A partir desta semana, o cinema vai levar Spirit a um rol enorme de pessoas que nunca ouviram falar do personagem mascarado.

Isso vai levar a um comportamento semelhante ao visto em outras adaptações para a tela grande. Criam-se dois Spirits: um em forma de filme, outro em quadrinhos.

Para a grande massa, que até então ignorava a existência do herói, a que versão que irá valer será a cinematográfica.

Para quem já leu as histórias impressas, a referência serão os comics norte-americanos.

                                                           ***

"Spirit - O Filme" estreia nesta sexta-feira. A se pautar pelo trailer, a caracterização visual tem um ar noir, carregado de cromaquis, repetindo "Sin City", longa de 2005.

O déjà-vu tem razão de ser. "Sin City" foi co-dirigido pelo criador da série em quadrinhos, Frank Miller. É o mesmo Miller que está à frente desta adaptação de Spirit.

O filme tem de ser visto para, só então, ser emitido um juízo sobre ele. É o difícil método do crítico: só opinar sobre a obra após dar a ela a chance de ser apreciada.

Até lá, não custa recuperar o Spirit original, o dos quadrinhos, até para dar a oportunidade ao grande público, que ora passa a ter acesso ao herói, de conhecê-lo melhor. 

                                                            ***

A primeira história de Spirit foi publicada nos Estados Unidos em 2 de junho de 1940. Saiu num suplemento dominical, distribuído a jornais de todo o país. 

O caderno tinha 16 páginas. Trazia três histórias em quadrinhos completas. Spirit era o carro-chefe. Cada aventura dele era contada em sete páginas.

Will Eisner (1917-2005) foi convidado a tocar o projeto. Criaria a história principal e editaria as demais. Foi assim que imaginou Spirit.

O resultado foi um herói mascarado, sem poderes, que lutava contra o crime.

                                                           ***

A história de estreia mostrava como o detetive Denny Colt se tornou o espírito, nome usado em algumas das aventuras dele publicada no Brasil.

O vilão da vez era o Dr. Cobra. O cientista era procurado pela polícia. Colt descobre onde está escondido. Quando tenta capturá-lo, é atacado e dispara contra um enorme frasco.

O tiro libera um líquido, que atinge o detetive. Imediatamente, entra em estado de animação suspensa. Dado como morto, é enterrado no cemitério Wildwood, em Central City.

Danny Colt, surpreendentemente, acorda, foge do túmulo e captura Cobra. Prefere que todos pensem que está morto e adota a persona de Spirit e passa a ajudar a polícia.

 

Crédito: reprodução Crédito: reprodução

 

Poucas pessoas sabem a identidade de Colt. Duas delas: o Comissário Dolan, da polícia, que o vê como filho, e Ébano Branco, jovem e ingênuo parceiro do herói.

Na primeira história, Spirit não usava máscara. O pano sobre os olhos surgiu por conta da popularidade dos super-heróis. O gênero havia surgido dois anos antes, com Super-Homem.

A máscara, segundo Eisner, foi uma exigência de quem bancava o suplemento dominical.

"A máscara era um pouco boba, tanto eu como o 'Spirit' nos sentíamos inseguros, mais isto impediria o desenrolar da história e eu deixei ficar assim", disse o quadrinhista.

                                                           ***

A imposição da máscara não foi a única mudança nas histórias seguintes. Aos poucos, Eisner dividiu o espaço dado ao herói com outros personagens.

Eram figuras secundárias, algumas criadas apenas para aquela narrativa, mas que alcançavam status de protagonistas. Pelo menos naquela trama.

O desenhista começou a fazer contos nas sete páginas de que dispunha. Foi - hoje se vê - um ensaio do que consolidaria no fim da década de 1970 com as graphic novels.

O formato das graphic novels era a forma que Eisner encontrou para produzir histórias em quadrinhos autônomas, adultas,  como se fossem romances.

                                                           ***

Graphic novels, na verdade, foi o nome que os norte-americanos popularizaram para o que a Europa e a Argentina já faziam anos antes na forma de álbuns.

Mas o nome colou e Eisner ajudou a abrir um caminho até hoje explorado pelo mercado editorial estadunidense. Ele mesmo criou vários trabalhos assim, bastante autorais.

Spirit foi publicado na década de 1940 e no começo da seguinte. Eisner deixou o personagem para se dedicar a outras tarefas empresariais. Mas a marca ficou.

Ficaram também as inovações. Temáticas, de uso da linguagem, de construção narrativa.

 

Crédito: reprodução Crédito: reprodução 

 

No Brasil, Spirit fou publicado por muito tempo na revista "Gibi", publicada pelo grupo "O Globo", de Roberto Marinho (1904-2003).

A publicação - que completa 70 anos agora em 2009 - teve o herói mascarado nas duas fases da revista. "Duas" porque a revista voltou a ser editada em 1974.

Nas bancas, houve também algumas edições especiais, lançadas pela Rio-Gráfica Editora. E outras iniciativas, todas de curta duração.

A NG Editorial lançou entre 1987 e 1988 seis números de uma revista homônima.

                                                           ***

A Abril publicou outra revista mensal entre junho de 1990 e setembro de 1991. Foi cancelada no número 16. Em nota, a Abril disse que a revista voltaria reformulada.

Voltou. Mas não pela Abril, mas, sim, pela Metal Pesado/Tudo em Quadrinhos. Foi uma edição única, intitulada "Will Eisner´s Spirit Magazine", lançada em 1997.

Outra tentativa ocorreu numa parceria entre as editoras Acme e Devir. A nova revista foi lançada entre 1999 e 2000. Teve oito números.

Paralelamente às bancas, a L&PM lançou em livrarias cinco álbuns do personagem. O primeiro saiu em 1985 - teve pelo menos quatro edições - e o último, em 1991.

                                                          ***

A pessoa que vir Spirit no cinema e se interessar pelo personagem vai encontrar várias graphic novels de Will Eisner. Mas não Spirit.

No máximo, pode encontrar algum álbum perdido da L&PM, material hoje esgotado. Ou álbuns de luxo do personagem, importantes, publicados em inglês.

O Spirit descrito acima não dá as caras por aqui há um bom tempo.

Nas bancas, há um encadernado da Panini com novas aventuras do personagem, feitas por outros quadrinistas. Não se engane. Não é o mesmo Spirit. Prefira os sebos.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h26
[comente] [ link ]

18.03.09

3.000.000 de visitas

Este blog chegou na noite desta quarta-feira à marca de 3 milhões de visitas.

A contagem é feita desde que a página foi criada, em 25 de abril de 2006.

Fica o registro, que gostaria de dividir com o leitor, e a minha surpresa.

Achei que o blog só alcançaria esse número no fim de abril, perto de completar três anos.  

Errei na estimativa. Chegamos com mais de um mês de antecedência.

O número é alto. Ainda mais para um blog jornalístico sobre quadrinhos.

Como disse, fica o registro. E a surpresa.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h31
[comente] [ link ]

Atores de  "A Noite dos Palhaços Mudos" vencem Prêmio Shell

 

Crédito da foto: site da Revista Bacante

 

Domingos Montagner e Fernando Sampaio venceram o 21º Prêmio Shell de Teatro de São Paulo na categoria melhor ator. A cerimônia de entrega foi na terça-feira à noite.

A dupla - mostrada na foto acima - venceu pelo trabalho na peça "A Noite dos Palhaços Mudos". Os personagens-título são baseados em quadrinhos feitos por Laerte.

A peça da companhia La Mínima teve outras duas indicações ao prêmio: direção, Alvaro Assad, e música, Marcelo Pellegrini.

Na peça, os dois personagens mudos tentam resgatar um nariz de palhaço, mantido por uma organização que tenta exterminar a classe circense.

                                                           ***

O programa "Metrópoles", da TV Cultura, exibiu uma reportagem sobre a peça em 2008.

A matéria mostra um pouquinho da atuação de Domingos Montagner e Fernando Sampaio.

E traz um depoimento de Laerte. Segundo ele, a dupla recriou os palhaços no palco.

A reportagem mostra também um trechinho de outra adaptação, a de "Piratas do Tietê": 

 

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h59
[comente] [ link ]

Salon põe pintores famosos em aventura surreal

 

Crédito: reprodução

 

 

 



Protagonistas da história são pintores como Picasso, Braque e Matisse 

 

 

 


Há um ar de "As Aventuras da Liga Extraordinária" no álbum "Salon", que começou a ser vendido no fim de fevereiro (Desiderata, 192 págs., R$ 39,90). 

A semelhança com a obra de Alan Moore está no uso de figuras conhecidas na mesma trama. Moore se apropriou dos protagonistas da literatura fantástica inglesa.

O norte-americano Nick Bertozzi foi ainda mais ousado: pôs na narrativa pintores reais.

A história é conduzida por Georges Braque (1882-1963), Pablo Picasso (1881-1973), Henri Matisse (1869-1954), entre outros.

                                                           ***

O ponto de partida de Bertozzi possivelmente foi o livro "Autobiografia de Alice B. Toklas", escrito por Gertrude Stein (1874-1946), outra das personagens do álbum.

Stein mostrava nas páginas da obra que a Paris do começo do século 20 funcionava como um epicentro de artistas talentosos, vindos de diferentes partes.

Nascida nos Estados Unidos, ela é também um exemplo disso ao optar por viver na capital francesa. Foi onde conheceu Alice B. Toklas, com quem viveu um quarto de século.

A escritora mantinha na vida real um círculo de amizades com nomes hoje importantes da área cultural. São esses contatos que o quadrinista reproduz na narrativa surreal.

                                                           ***

O grupo de artistas tinha Paris como cenário e a residência de Stein como ponto de encontro. O ano é 1907, data do contato real entre Braque e Picasso, criadores do cubismo.

A sacada de Bertozzi foi imaginar um enredo ficcional para essa convivência real. Na trama, os pintores e escritores dividem um segredo e um medo, um consequência do outro.

O segredo: compartilhavam um absinto que permitia migrarem para qualquer tela. Após beberem o líquido azul, viam-se ao lado dos personagens e dos cenários pintados.

O medo: uma mulher azul, possivelmente vinda de uma das telas, começa a assassinar pessoas nas ruas de Paris. O receio é que ela mate os artistas também.

                                                           ***

É esse o mote central da trama. Mas o sabor do texto está nos detalhes. Há inúmeras referências. É saboroso ver Picasso lendo tiras de "Os Sobrinhos do Capitão".

A cor também é explorada à exaustão. Cada uma das páginas mescla o preto e o branco com outras duas cores. Isso dá novo ritmo à leitura e à visualização da história.

A cor tem papel fundamental na narrativa por outro motivo: há predomínio do azul quando os personagens estão dentro da tela, sob o efeito do absinto.

É o azul quem avisa o leitor sobre a presença dos efeitos do líquido.

                                                           ***

"Salon" tem um quê de recomeço para a Desiderata. A editora carioca tinha direcionado seu catálogo, até agora, a obras nacionais.

O álbum é o primeiro lançamento estrangeiro. Também inaugura uma nova fase editorial, que corta o cortão umbilical que ainda havia com Sandro Lobo. 

O ex-editor, que se desligou da empresa no meio do ano passado, havia deixado alguns trabalhos encaminhados.

Um deles, "Copacabana", é assinado pelo próprio Lobo e deve ser lançado, segundo a editora, até meados de abril. 

                                                           ***

A Desiderata - um dos selos editoriais da Ediouro - diz que vai manter as obras nacionais e que a próxima é um álbum de André Dahmer, criador das tiras da série "Malvados". 

E haveria outros em vista.

A se pautar por "Salon", o recomeço tem sido feliz na seleção do material a ser publicado.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h26
[comente] [ link ]

16.03.09

Novo selo editorial da Manole inclui trabalhos nacionais

No momento em que esta matéria é escrita, um encontro em São Paulo oficializa o surgimento do selo Amarylis, da editora Manole. Um dos objetivos é publicar quadrinhos.

Por ora, o investimento no setor ainda dá os primeiros passos, pelo que se pôde apurar. O planejamento editorial inclui, até agora, dois trabalhos em quadrinhos, ambos nacionais.

Um deles são as tiras de "Fala, Menino!", do autor baiano Luis Augusto Gouveia. Segundo a editora, o contrato com ele já está assinado. 

A série ganhou projeção ao abordar a diferença de forma lúdica. O protagonista, Lucas, é um menino que não fala.

A infância dele é representada por meio dos pensamentos e das ações. 

 

Crédito: site Fala, Menino!

 

O outro projeto do selo editorial da Manole - voltado também à literatura, poesias e a obras de não-ficção - é uma versão em quadrinhos da Revolta dos Malês.

O contrato de produção também está assinado, de acordo com a editora.

A revolta escrava ocorreu em Salvador em 1835. O texto é escrito por Reinaldo Seriacopi. Os desenhos são do jornalista e ex-sócio da editora Opera Graphica Franco de Rosa. 

A aposta numa adaptação de evento histórico sinaliza que o novo selo também esteja interessado na venda de obras em quadrinhos para o governo federal.

Neste ano, pelo menos três editoras - Agir, Ática e Companhia das Letras - têm projetos de adaptações literárias nos moldes das compradas pelos programas governamentais.

                                                           ***

O surgimento do selo editorial foi noticiado pelo blog em agosto do ano passado. Desde então, o Amarylis publicou quatro obras.

A mais recente é lançada justamente no evento paulistano desta segunda à noite. É um livro sobre Itaipu, escrito pelo jornalista Tão Gomes Pinto.

Das demais, a que tangencia a área de quadrinhos é "Baltimore  e o Vampiro", escrita por Christopher Golden e lançada em outubro de 2008.

O que aproxima o livro dos quadrinhos é a arte, feita pelo norte-americano Mike Mignola, criador do personagem Hellboy.

A editora também pretende reeditar o livro "Alceu Penna e As Garotas do Brasil – Moda e Imprensa, 1933-1980", do jornalista e escritor Gonçalo Junior. A obra tinha sido lançada em 2004 pelo CLUQ, Clube dos Quadrinhos, e deve ganhar novo tratamento editorial. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h44
[comente] [ link ]

Outra tira que merece registro

 

Fonte: página virtual do La Nacion

 

Crédito: "Batu", de Tute, publicada na edição de hoje do jornal argentino "La Nacion".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h27
[comente] [ link ]

Uma tira que merece registro

 

Fonte: Folha Online

 

Crédito: Caco Galhardo, na edição desta segunda-feira da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h05
[comente] [ link ]

13.03.09

Convite: 2º lançamento de A Leitura dos Quadrinhos em São Paulo

 

Segundo lançamento de A Leitura dos Quadrinhos será no sábado, dia 14, das 15h às 17h  O evento em São Paulo também terá sessão de autógrafos do livro Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula

 

Faço neste sábado mais um lançamento do livro "A Leitura dos Quadrinhos" em São Paulo.

Será na loja Comix, que fica na alameda Jaú, 1.998, pertinho da Consolação e da Paulista.

Vai das 15h às 17h, mais ou menos.

Será um evento duplo. Vai haver ainda uma sessão de autógrafos do livro "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula", do qual também participo.

Os demais autores - Waldomiro Vergueiro, Angela Rama, Alexandre Barbosa e Túlio Vilela - também estarão presentes para autografar os exemplares.

A obra, também da Editora Contexto, completa neste 2009 cinco anos de publicação.

Está na terceira edição e vem sendo sucessivamente reimpressa.

Fica, uma vez mais, o convite.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h13
[comente] [ link ]

12.03.09

Valsa com Bashir atrai atenção dos não-leitores de quadrinhos

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 


Versão em quadrinhos do longa-metragem indicado ao Oscar começou a ser vendida neste mês no Brasil 

 

 

 

 

 

 

 


O álbum "Valsa com Bashir" - que começou a ser vendido neste mês (L&PM,  118 págs., R$ 46) - integra estabelece um duplo diálogo, um consequência do outro.

O primeiro diálogo é com o cinema. A animação israelense venceu neste ano o Globo de Ouro de melhor filme estrangeiro e concorreu na mesma categoria no Oscar.

A premiação e a indicação ajudaram a atrair olhares para a produção, até então desconhecida. Essa é a segunda interlocução, com a pessoa interessada no filme.

É aí que está o dado curioso da obra. E que põe os quadrinhos em evidência a quem tradicionalmente não lê histórias da chamada arte sequencial.

                                                            ***

O cinéfilo ou o interessado pelo longa descobre que a animação ainda não estreou no Brasil. Teve exibição apenas na mostra de cinema de São Paulo do ano passado.

Essa mesma pessoa encontra, então, a versão em quadrinhos do filme. Mais: escrita pelo roteirista e diretor Ari Folman e desenhada pelo diretor de arte, David Polonsky.

Em vez de um livro, há a versão em quadrinhos.

O mesmo ocorreu em janeiro com o filme "O Curioso Caso de Banjamin Button", indicado a vários Oscar.

                                                          ***

O espectador interessado na adaptação do conto de F. Scott Fitzgerald (1896-1940) não encontrou a narrativa nas livrarias. O livro com o conto ainda não havia sido lançado.

O que havia era a versão em quadrinhos, diferente do filme, próxima da história escrita pelo autor norte-americano. A edição nacional foi lançada pela Ediouro.

E a editora carioca soube explorar esse novo leitor, que tradicionalmente não acompanha quadrinhos. Pôs um papel em torno da capa com a frase "o livro que inspirou o filme".

Na verdade, não é bem isso. É uma adaptação do conto que, aí sim, inspirou o longa-metragem. Mas, na prática, levou o leitor a manter contato com um álbum em quadrinhos. 

                                                            ***

Puxando o novelo temporal um pouco mais, viu-se o mesmo com "Persépolis".

A animação também havia sido indicada ao Oscar de 2008. Não venceu, mas a Companhia das Letras capitalizou com uma reedição em volume único das quatro partes da história.

"Valsa com Bashir" segue essa linha de diálogo com quem normalmente não acompanha quadrinhos e que só vai ver a estreia da produção em abril.

E o que o álbum mostra vai convencer esse público de que "não é apenas coisa de criança".

                                                            ***

A trama é autobiográfica. Ari Folman procura entrevistar pessoas que, como ele, participaram a invasão israelense ao Líbano em 1982.

O roteirista e diretor não consegue relembrar especificamente o momento mais marcante do conflito, o massacre de Sabra e Shatila.

Refugiados protegidos por Israel foram assassinados. Estima-se a morte de 3.500 pessoas. Com base no que ouve, Folman vai rememorando.

E, nas duas páginas finais, reproduz com fotos o que estava escondido em sua mente. É de calar o leitor, quer acompanhe quadrinhos, quer não.

                                                            ***

A publicidade em torno da obra tenta pôr "Valsa com Bashir" no mesmo patamar de "Maus", de Art Spiegelman, outro álbum em quadrinhos que aborda os reflexos da guerra de forma biográfica (no caso, trata-se da Segunda Guerra Mundial).

A questão não é essa, se é melhor ou pior. Pelas características próximas e pela temática, o trabalho de Folman e Polonsky figura naturalmente na mesma estante de "Maus".

O ponto é a qualidade da história, feliz na mescla das lembranças pessoais com depoimentos em forma de documentário. É nisso que mais se aproxima de "Maus".

A valsa em quadrinhos ocupa a mesma pista de dança das obras que dialogam com o real e com as pessoas que normalmente não seriam chamadas para acompanhar a dança. 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h33
[comente] [ link ]

Sexta-feira tem três lançamentos independentes em São Paulo

 

Crédito: página virtual de Hector Lima  Crédito: página virtual de Hector Lima

 

Um mesmo evento nesta sexta-feira à noite, em São Paulo, vai servir de base de lançamento para três revistas em quadrinhos independentes.

Duas das obras têm em comum o fato de serem escritas por Hector Lima. O trabalho dele é lido em "Escritório Noturno" (36 págs., R$ 5) e "O Major" (28 págs., R$ 5).

"O Major" dialoga com as histórias norte-americanas que têm violentos anti-heróis como protagonistas. Caso de Justiceiro, Hittman, para ficar em dois exemplos.

O personagem-título é um soldado diferenciado, ao estilo do Capitão América, que serve ao governo norte-americano. A missão dele é invadir uma favela brasileira.

A história - que tem desenhos de Irapuan Luiz - já havia circulado na internet em inglês.

                                                            ***

Luiz faz também a arte de uma das narrativas de "Escritório Noturno". Ele divide os desenhos com Antonio Eder, Tim Twelves, Bruno Stahl e Ângelo Ron.

A revista reúne cinco histórias curtas escritas por Lima entre 2003 e 2008. Uma delas, "Mondo Albino", é inédita. Os temas variam entre o terror, a ficção científica e o humor.

O outro lançamento da noite é o sexto número da revista "Eterno", parceria de Rodrigo Alonso e Felipe Cunha, texto e desenhos, respectivamente.

"Eterno" tem sido uma das poucas publicações independentes que têm conseguido manter uma regularidade na produção de novos números.

                                                           ***

Serviço - Lançamento das revistas "O Major", "Escritório Noturno" e "Eterno 6". Quando: sexta-feira (13.03). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h25
[comente] [ link ]

11.03.09

Watchmen funciona muito melhor nos quadrinhos do que no cinema

 

Crédito: UOL Cinema

 

Passado o furacão publicitário em torno da estreia de "Watchmen - O Filme", pode-se observar com maior nitidez a adaptação da minissérie norte-americana para a tela grande.

Indo direto ao ponto: o longa-metragem não funciona tão bem no cinema quanto nos quadrinhos. O mais curioso é que não foi por falta de fidelidade ao original.

O filme do diretor Zack Snyder - o mesmo de "300 de Esparta" - se atém à essência da trama e reproduz com precisão o visual dos heróis, como mostra a foto acima.

O espectador vê ângulos narrativos e posições corporais quase idênticas às feitas no papel pelo desenhista Dave Gibbons. Mas faltou um detalhe importantíssimo: Alan Moore.

                                                            ***

O filme transpõe para a tela o visual de Gibbons, e não o estilo narrativo desenvolvido pelo polêmico escritor britânico, que ganhou fama no mercado norte-americano de quadrinhos.

Não é por acaso que apenas Gibbons é creditado no início do longa-metragem. Moore, que já processou a editora DC Comics por direitos autorais, fica à margem do processo.

A ideia central da história criada por ele é mantida. Um herói é brutalmente assassinado. Os demais passam a sentir os reflexos disso, direta ou indiretamente.

O mais obstinado em encontrar o culpado é o enigmático e violento Rorschach, que vê no crime a ponta de um emaranhado novelo. O fio leva ao fantasma do conflito nuclear.

                                                           ***

Nos quadrinhos, Moore viu a oportunidade de criar uma história do zero, sem as amarras dos prazos de uma revista mensal. Foi algo que já tinha feito em "Monstro do Pântano".

Foi assim que surgiu "Watchmen", minissérie publicada pela primeira vez entre 1986 e 1987, em doze edições mensais .

A oportunidade se tornou um exercício de narrativa, impregnado de um estilo próprio.

Closes se abriam lentamente, quadrinhos apresentavam simetria, a cor passava informação, havia uma constante coesão visual entre os cortes de quadros.

                                                            ***

Os recursos narrativos se articulavam com uma eficiente construção dos perfis de cada um dos personagens. Mesmo os secundários tinham papel relevante. 

Pouco disso foi mantido na versão para o cinema. A composição do ethos dos heróis foi reproduzida de maneira pouco crível e, por isso, também pouco verossímil.  

Outra perda foi a opção de deixar de lado as narrativas paralelas. A metáfórica história de "Os Contos do Cargueiro Negro" foram vertidos numa animação para DVD.

Os diálogos entre o jornaleiro e o leitor não foram usados. A construção da relação de confiança de Rorschach no jornal "New Frontiesman" inexiste. Há parca menção ao final.

                                                            ***

O tema da clonagem - tão familiar aos leitores de ficção científica - é uma boa metáfora para explicar o que ocorreu com "Watchmen" no cinema.

Produziu-se um clone semelhante em quase tudo à sua contraparte em quadrinhos.

Mas faltou a alma do novo ser cinematográfico. E a alma atende pelo nome de Alan Moore.

Entre assistir ao filme e (re)ler a obra original, (re)leia a obra original.

                                                            ***

Mas a ida da minissérie à tela grande teve frutos em outro campo. Instigou uma reedição da obra, lançada no Brasil na sexta-feira passada, mesmo dia da estreia nos cinemas.

A edição de luxo da Panini, feita em capa dura, é a melhor que a série teve no Brasil, apesar de cara (R$ 120). Apresenta nova colorização e material extra. 

A editora produziu também uma segunda versão, com capa cartonada, em dois volumes. Somados, saem pela metade do preço do álbum de luxo. Cada um sai por R$ 28,90.

O primeiro está à venda nas bancas e lojas de quadrinhos. Traz as seis partes iniciais.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h26
[comente] [ link ]

Semana iberoamericana de quadrinhos vai homenagear Ziraldo

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 


Pai da Turma do Pererê será lembrado no evento "O Quadrinho Brasileiro: Homenagem a Ziraldo", promovido por instituto espanhol

 

 

 

 

 


O escritor, desenhista e cartunista Ziraldo será o principal nome da semana temática "O Quadrinho Brasileiro: Homenagem a Ziraldo", promovida pelo Instituto Cervantes São Paulo, com apoio da HQMix Livraria, também da capital paulista.

O que liga o instituto espanhol a Ziraldo é o Prêmio Iberoamericano de Humor Gráfico Quevedos, concedido pelo governo da Espanha.

O pai dos personagens Pererê e Menino Maluquinho recebeu a premiação em dezembro do ano passado como lembrança por seu compromisso social e reconhecimento internacional.

A homenagem vai ocorrer na semana de 23 a 28 deste mês, em São Paulo.

                                                             ***

Os organizadores programaram oficinas, palestras e exposições. Ziraldo participa de uma mesa-redonda no dia 24, às 20h. 

A programação conta ainda com a participação de dois estrangeiros: o argentino Nik, criador das tiras de Gaturro, publicadas no "La Nacion", e Javier de Isusi, natural de Bilbao.

Veja a programação completa:

  • 23.03, às 19h30 - Palestra "Quadrinhos e Redemocratização - A Espanha Abre os Caminhos", com o desenhista e pesquisador Eloar Guazzelli
  • 24.03, às 20h - Mesa-redonda "O Quadrinho Iberoamericano: Homenagem a Ziraldo", com Ziraldo, Javier de Isusi e Nik e mediação de Gualberto Costa
  • 25.03, das 19h às 21h - Oficina de quadrinhos com Nik
  • 26.03, das 19h às 21h - Oficina de quadrinhos com Javier de Isusi
  • 27.03, às 19h30 - Sessão de autógrafos com Javier de Isusi
  • De 24 a 28.03, das 8h às 21h (28.03, das 9h às 15h) - Exposição "O Quixote no Quadrinho Brasileiro", com trabalhos de Caco Gualhardo e Bira Dantas

                                                           ***

A mesa-redonda será no grande auditório do Masp, na Avenida Paulista, 1.578. A sessão de autógrafos com Isusi vai ocorrer na HQMix Livraria (pça. Roosevelt, 142, no centro).

Os demais encontros serão no Instituto Cervantes São Paulo, também na Paulista, 2.439.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h14
[comente] [ link ]

10.03.09

 
Sétimo Suspiro do Samurai terá segundo volume lançado neste mês

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Álbum francês de Éric Adam e Hugues Micol começa a ser vendido na semana que vem, segundo a editora 

 

 

 

 

 

 


A Conrad confirmou nesta terça-feira o lançamento do segundo volume de "O Sétimo Suspiro do Samurai", um álbum francês produzido aos moldes do quadrinho japonês.

A obra é assinada por Éric Adam e Hugues Micol, mesmos autores do primeiro número, lançado no Brasil no fim de 2006.

Segundo a editora, o álbum começa a ser vendido na semana que vem.

A história mostra um jovem samurai que reavalia seu destino após passar por sucessivas batalhas.

                                                           ***

 Aos poucos, a Conrad vai retomando o catálogo. Os títulos da editora estão atrasados, alguns há mais de um ano.

Nesta semana, como o blog noticiou ontem, a editora anunciou a volta dos mangás "Bambi" e "Nausicaä" e a publicação do álbum "Verão Índio", de Milo Manara e Hugo Pratt.

Também neste mês, lança o 16º volume da série que reedita a saga de "Dragon Ball".

São os primeiros lançamentos da Conrad após ser incorporada pelo grupo IBEP/Companhia Editora Nacional. A transação foi oficializada no começo do mês passado.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h28
[comente] [ link ]

Álbum dá sequência a relançamento de tiras da Turma da Mônica

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 


Novo volume de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica", já nas bancas, traz 360 histórias antigas dos personagens

 

 

 

 


Começou a ser vendido nas bancas no finzinho da semana passada o quarto volume de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" (Panini, 132 págs., R$ 19,80).

O álbum traz 360 tiras antigas do personagens criados por Mauricio de Sousa.

O material - em preto-e-branco - foi publicado nos jornais entre 1967 e 1968.

 

Crédito: reprodução

 

A editora manteve o texto original, assim como ocorreu nos demais volumes da coleção. Isso preserva o vocabulário e as referências sociais da época.

Gírias como "broto" e menções a canções da Tropicália, de Caetano Veloso e Gilberto Gil, são dois exemplos. Duas páginas, no final, trazem notas contextualizando o leitor.

O público-alvo da edição é amplo, mas dialoga em especial com os adultos. São as crianças de ontem que cresceram lendo as histórias da Turma da Mônica.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h03
[comente] [ link ]

Gabriel Bá e Fábio Moon fazem exposição na Daslu

 

 

A manchete desta notícia e o anúncio acima são suficientemente eloquentes.

E é exatamente isso.

Os quadrinistas Gabriel Bá e Fábio Moon fazem a partir desta terça-feira uma exposição na Daslu, conhecida por ser uma das mais luxuosas lojas de roupas da capital paulista.

Segundo os desenhistas, que são irmãos gêmeos, serão expostos 60 originais. Obras da dupla também estarão à venda.

A mostra - que tem coquetele de abertura hoje - é mais um sinal concreto do diálogo que os quadrinhos têm firmado com outros públicos. E Bá e Moon estão no topo desse processo.

                                                           ***

Em 2008, a adaptação do conto machadiano "O Alienista", feita por eles, venceu uma das categorias do Jabuti, uma das principais premiações da indústria brasileira de livros.

Os dois também mantém uma tira semanal no jornal "Folha de S.Paulo". Publicada aos domingos, ela mostra pensatas o sentimento humano.

Os irmãos desenhistas se firmaram no mercado brasileiro com os álbuns da série "Dez Pãezinhos", publicados pelas editoras Devir e Via Lettera.

No ano passado, venceram diferentes prêmios nos EUA, mercado onde também atuam.

                                                             ***

Serviço - Coquetel de abertura da exposição de originais de Gabriel Bá e Fábio Moon. Quando: hoje (10.03). Horário: 19h. Onde: Daslu. Endereço: av. Chedid Jafet, 131, 2º andar, São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h24
[comente] [ link ]

09.03.09

Conrad confirma álbum de Manara e Pratt e volta de dois mangás

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

Capa de "Verão Índio", álbum de Milo Manara e Hugo Pratt que será lançado neste mês, segundo a editora

 

 

 

 

 

 

 


A editora Conrad anunciou para este mês o lançamento de um álbum europeu assinado por Milo Manara e Hugo Pratt e o retorno de dois mangás, "Bambi" e "Nausicaä".

Os dois mangás deveriam ter sido publicados no ano passado.

"Bambi" terá o quarto número lançado (R$ 22) e "Nausicaä", o quinto (R$ 29,90).

No caso de "Verão Índio" (R$ 49,90), de Manara e Pratt, a editora fala do trabalho desde 2007. A obra é ambientada no período da colonização europeia.

 

Crédito: divulgação   Crédito: divulgação

 

São os primeiros lançamentos em quadrinhos da editora paulista desde que foi integrada ao grupo Ibep/Companhia Editora Nacional. A transação foi oficializada em fevereiro.

Quando tornou pública a venda da editora, o diretor da Conrad, Rogério de Campos, disse iria "retomar tudo" nessa nova fase empresarial. 

A volta de "Nausicaä" e "Bambi" sinaliza um retorno das antigas séries, que há mais de um ano não tinham novos números lançados.

Outras, como "Battle Royale" e "Monster", ainda não tiveram confirmação de retorno.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h28
[comente] [ link ]

05.03.09

Convite: lançamento de A Leitura dos Quadrinhos em São Paulo

 

Lançamento vai ser no próximo sábado, dia 7, a partir das 19h30, na HQMix Livraria, em São Paulo

 


Lanço no próximo sábado, dia 7, em São Paulo, o livro "A Leitura dos Quadrinhos".

Será a partir das 19h30, na HQMix Livraria, que fica na Praça Roosevelt, 142, no centro.

O convite acima dá todos os detalhes sobre o endereço da livraria e o horário.

Vejo no lançamento uma rara oportunidade de confraternização entre os leitores do blog.

Fica aqui este meu convite e a certeza de vê-los por lá no sábado.

                                                           ***

Post postagem (09.03, às 13h02): deixo aqui meu agradecimento a todos os que foram ao lançamento e que deixaram registros de sucesso, tanto no blog quanto por e-mail.

Toda essa torcida deu resultado: o lançamento bateu recorde de público e de vendas da HQMix Livraria, posto ocupado antes pelo escritor e quadrinista Lourenço Mutarelli.

Renato Lebeau, do blog "Impulso HQ", fez uma eficiente cobertura do lançamento.

O material foi postado nesta segunda-feira. Para conferir, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h52
[comente] [ link ]

Encontro de Obama com Homem-Aranha sai neste mês no Brasil

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 


História chega ao Brasil menos de dois meses depois de ter sido lançada nos Estados Unidos 

 

 

 

 

 

 

 

 

A história que mostra o encontro do Homem-Aranha com o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, será lançada na edição deste mês da revista do personagem.

A publicação chega às bancas nos próximos dias ("Homem-Aranha" número 87, Panini, 100 págs., R$ 7,50).

A aventura é publicada no Brasil menos de dois meses depois de ter sido lançada no Estados Unidos. Na terra de Obama, saiu no dia 14 de janeiro, seis dias antes da posse.

O encontro ocorreu no número 583 de "Spider-Man", uma das revistas norte-americanas do herói da editora Marvel Comics.

 

 

A história - uma jogada de marketing da Marvel - foi noticiada pela imprensa de lá e de cá, em particular na mídia virtual. Isso ajudou a impulsionar as vendas.

A edição teve quatro reimpressões e teve mais de 350 mil exemplares vendidos. A repercussão é estrategicamente lembrada na capa da edição brasileira.

Na história, o Homem-Aranha evita que um de seus inimigos estrague a cerimônia de posse de Barack Obama, fã do personagem na vida real. Há até batida de mão entre eles.

A Marvel não foi a única aproveitar a repercussão da barackmania. Outras editoras, como a Image Comics, também promoveram encontros de heróis com o presidente dos EUA.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h29
[comente] [ link ]

Pieces mostra microcontos sobre o relacionamento humano

 

Crédito: site de Mario Cau

 

 

 

 

 

 

 

Capa da edição de estreia de "Pieces", revista de Mario Cau que tem lançamento nesta sexta-feira em São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

"Pieces" é o nome dado pelo desenhista Mario Cau aos quadrinhos que faz. Como o rótulo sinaliza, são relatos curtos de fragmentos do relacionamento humano.

Dez "pieces" narrativos foram reunidos numa revista homônima, que tem lançamento nesta sexta-feira à noite, em São Paulo.

As histórias deste primeiro número - ligado ao selo independente Quarto Mundo - não têm personagem fixo. Na verdade, pouco se sabe deles.

O enfoque central é o momento de vida deles, representado curtas narrativas das 36 páginas da edição. Algumas têm apenas uma página.

                                                           ***

O molde narrativo, segundo o autor, surgiu na época de faculdade. Cau cursou Artes Plásticas na Unicamp, Universidade Estadual de Campinas, cidade paulista onde nasceu.

O autor diz, na introdução da obra, que percebeu que as histórias que queria contar não eram as que produzia. ´Foi assim que surgiu a ideia de "Pieces".

"Com histórias que não têm um começo ou fim definidos - ou definitivos - convida a uma reflexão sobre o relacionamento entre as pessoas... ou a falta dele", diz na introdução.

O quadrinista mantém outras narrativas de "Pieces" na internet (podem ser lidas aqui). Há 13 disponíveis para leitura. Estas dez, no entanto, são mostradas pela primeira vez.

                                                            ***

"Pieces" não é a primeira experiência de Mario Cau com os quadrinhos. Ele participou de coletâneas da "Front", da Via Lettera, e da independente "Café Espacial".

Colaborou ainda com a revista "Nanquim Descartável", também independente e outra ligada ao Quarto Mundo.

Mas esses pedaços da vida humana em forma de quadrinhos são seu trabalho mais autoral. E criativo. Ele sabe contar a história e explorar a linguagem em que a narra.

Cau faz de "Pieces" um rótulo para abrigar suas narrativas, assim como fazem Gabriel Bá e Fábio Moon com o selo "Dez Pãezinhos".

E, como Bá e Moon, mostra-se um bom contador de histórias. "Pieces" começa bem.

                                                           ***

Serviço - Lançamento de "Pieces", de Mario Cau. Quando: sexta-feira (06.03). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Na mesma data, local e horário, vai haver lançamento paulista do álbum independente "A Comadre do Zé", de Luciano Irrthum.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h31
[comente] [ link ]

04.03.09

Troféu do HQMix 2009 homenageia Eugênio Colonnese

 

Crédito: reprodução

 

Uma façanha rara nos quadrinhos será realizada pelos vencedores do Troféu HQMix deste ano. Os premiados conseguirão tocar a sensual Mirza, a Mulher-Vampiro, sem represália.

A personagem irá compor o troféu entregue aos escolhidos pela premiação, a principal na área de quadrinhos do país. Está na 21ª edição. A entrega está programada para julho.

Usar a imagem de Mirza é uma forma de homenagear o criador dela, Eugênio Colonnese, morto em 8 de agosto do ano passado, aos 78 anos.

A cada ano, os organizadores escolhem um personagem dos quadrinhos para servir de modelo para o troféu. Na edição passada, o selecionado foi o Samurai, de Cláudio Seto.

                                                            ***

Mirza era - e ainda é - o personagem mais conhecido de Colonnese. Foi criada em 1967.

De origem italiana, ele iniciou nos quadrinhos na Argentina durante a década de 1940. Veio ao Brasil em 1964. Nessa época, já começava a produzir suas primeiras histórias de terror.

Na década seguinte, passou a ilustrar livros didáticos para a editora Ática. Voltou ao terror na década de 1980 em revistas como "Spectro", "Calafrio" e "Mestres do Terror".

Nos anos 1990, dividiu a atuação entre trabalhos institucionais com outros sobre a produção de quadrinhos. Nos últimos anos, dedicou-se ao ensino de quadrinhos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h24
[comente] [ link ]

Pílulas rápidas de notícias

 

A notícia é outra

A Panini anunciou para este mês o livro "Heath Ledger: o Astro Sombrio de Hollywood" (R$ 38, 252 págs.). Por trás da notícia, há outra: a editora passa a investir em livros. Resta saber se fica apenas neste. O ator Heath Ledger viveu o Coringa no filme "Batman - O Cavaleiro das Trevas". Pelo papel, venceu o Oscar deste ano.

                                                           ***

Brasileiros na Espanha

O cartunista JAL - José Alberto Lovetro - organiza uma invasão de quadrinistas brasileiros no 27º Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona. Ele está interessado em aumentar a trupe. A viagem será registrada por Fábio Sales, que mantém o "HQ Além dos Balões", programa virtual dedicado a quadrinhos. O salão espanhol vai de 29 de maio a 1º de junho.

                                                           ***

Salão de Humor em Brasília

Os organizadores do 2º Ecocartoon recebem trabalhos até 18 de abril. O tema é "poluição urbana". Há quatro categorias: cartum, charge, tiras e caricatura. Os primeiros colocados recebem R$ 4 mil de prêmio. Os segundos, R$ 2 mil. Os terceiros, R$ 1 mil. O salão é mantido pelo Pátio Brasil Shopping, de Brasília. Informações no site do salão.

                                                           ***   

No Rastro de Masamune

A editora Marca de Fantasia lançou um álbum com histórias pelo desenhista Luiz Saidenberg. "No Rastro de Masamune" (R$ 12, 84 págs.) integra a coleção Biografix, dedicada a clássicos de autores nacionais. Este é o quinto volume da série. A obra só é vendida por meio do site da editora, sob encomenda.                      

                                                            ***

Transparência

A Multi Editores enviou e-mail à imprensa delegando a problemas econômicos o atraso na continuidade de "O Terceiro Testamento". Os dois primeiros volumes foram lançados em 2008. Faltam outros dois. Segundo a editora, saem no final do semestre.  O comunicado é endereçado aos leitores: "Embora possamos ter reduzido a frangalhos as expectativas de muitos, pedimos sua paciência, compreensão, brandura, apoio e esperança. E que venham os lançamentos!"

                                                            ***

Falta de transparência

Apenas para não passar em branco: fevereiro terminou sem nenhum lançamento da Pixel. A editora do grupo Ediouro também não se pronunciou à imprensa ou ao leitor. A última informação oficial, veiculada no Orkut, dava conta de que nada havia mudado. Se valer o que foi visto em fevereiro, mudou, sim. Falta a Ediouro dizer o quê. Isso é que não mudou.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h49
[comente] [ link ]

Repaginando a série sobre os quadrinhos argentinos

Tenho enfrentando um dilema com a série especial sobre os quadrinhos da Argentina, mostrada nas postagens abaixo.

A pesquisa e a leitura das obras originais têm tomado mais tempo do que imaginava inicialmente. Isso tem atrasado a continuidade da série e acumulado a pauta das demais notícias.

Para resolver a equação, arrumei uma saída razoável, que queria dividir com o leitor.

Dou sequência às demais postagens da série nos próximos fins de semana.

Assim, consigo preparar com maior fôlego o material e o leitor ganha mais tempo para ver cada texto. Nos demais dias da semana, dou continuidade às notícias do dia a dia.

As próximas postagens já tentam atualizar a pauta com as informações desta semana.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h22
[comente] [ link ]

03.03.09

A nova cara da Fierro

 

Muito Além de Mafalda - Parte 4

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 



Capa do número 79 da revista "Fierro", publicada em março de 1991

 

 

 

 

 

 

 


A capa acima não é da nova cara da "Fierro", a principal revista em quadrinhos argentina contemporânea. A imagem é da velha fase da publicação. Mas guarda uma história à parte.

A revista foi comprada em março de 1991 na minha primeira passada pelo solo argentino. Passada rápida mesmo. Numa viagem a Foz do Iguaçu, passei pela fronteira numa tarde.

Comprei uma jaqueta de couro, marca registrada dos argentinos, e essa edição da "Fierro". A vestimenta não resistiu ao tempo. A revista teve destino melhor. Ainda integra a coleção.

Na época, aos 18 anos, aquelas páginas me assustaram um pouco. A língua estrangeira dificultava o acesso ao conteúdo. A temática era mais realista. Parte das histórias era em sequência, tal qual as dos super-heróis norte-americanos.

Lia na época que a "Fierro" era uma revista importante na Argentina. E só. Não era dito muito mais. Espero, com esta postagem, ser mais didático a quem me lê, de modo que a não ter as mesmas vagas informações que tive há quase 20 anos.

                                                           ***

A "Fierro" surgiu em 1984, numa época em que a Argentina enfrentava uma ebulição política.

O país vivia o fim do período ditatorial, a perda da Guerra das Malvinas para a Inglaterra, o início da ainda instável democracia. A revista vivia esse momento, externa e internamente.

Foi papel semelhante ao que os autores paulistas da Circo Editorial exerceram na redemocratização do Brasil. A diferença é que o momento de liberdade do quadrinho argentino não se refletia apenas em histórias de humor.

Elas existiam, a exemplo daqui. Mas se estabelecia um forte diálogo com as narrativas mais longas, contadas em capítulos, algo que a Argentina produzia desde 1950.

A linha editorial da revista pode ser resumida nessas duas premissas: mescla de narrativas mais longas e sérias com outras, mais curtas e de humor.

 

Crédito: reprodução Crédito: reprodução Crédito: reprodução

 

Parte das histórias contadas em capítulos terminava com a palavra "continuará...".

É o mesmo nome que o jornal "Página/12" deu à coleção que reúne histórias da "Fierro" publicadas nesse período. Os dois primeiros volumes compilam tramas dessa época.

A maioria das narrrativas das primeiras edições era feita por quadrinistas argentinos. Eles dividiam espaço com outros, em especial europeus. Caso de Moebius e Hugo Pratt.

Mas a presença nativa ajudou a dar uma cara ao quadrinho argentino produzido na década de 1980. Artistas quem encontravam na revista um palco para se apresentarem.

Algumas das histórias que produziram nesse período foram compiladas posteriormente em álbuns próprios.

                                                           ***

Patricia Breccia, Alberto Breccia, Roberto Fontanarrosa, Carlos Trillo, Roberto Mandrafina, Ricardo Barreiro, Nine, Tati, El Tomi, Max Cachimba (um dos preferidos de Liniers, criador da tiras da popular série Macanudo).

Os nomes - aos olhos do leitor brasileiro - não dizem muito. A culpa, claro, não é do leitor, mas, sim, da histórica barreira editorial existente entre os dois países.

O mais conhecido por aqui talvez seja Eduardo Risso, desenhista de série norte-americana "100 Balas". Mas não custa registrar que precisou ser publicado nos EUA para ser lido aqui.

A primeira fase da "Fierro" teve exatas cem edições. Terminou em dezembro de 1992.

Mas, para surpresa de uma nova geração, voltou em novembro de 2006. Desta vez, vendida uma vez por mês com o jornal "Página/12". É publicada até hoje.

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 


Primeiro número da nova fase da revista, que voltou a ser publicada em novembro de 2006 

 

 

 

 

 

 

 


O site do "Página/12" anunciava uma nova edição da revista para o sábado passado.

A nova cara da "Fierro" herda muito da antiga fase. Manteve a linha editorial de misturar histórias de humor - curtas e longas - com narrativas mais realistas, em capítulos.

Mas trouxe uma novidade: nada de autores estrangeiros. Só argentinos. Ou que morem lá.

Esse pretexto foi a saída encontrada pelo brasileiro Adão Iturrusgarai - criador das tiras de Aline - a se tornar colaborador da revista. Adão mora hoje na Patagônia.

A primeira história é a reproduzida abaixo. É do número 17 da revista, de março do ano passado. Desde então, quase todas as edições têm trazido histórias curtas dele.

 

Crédito: reprodução do número 17 da Fierro

 

Adão publica em um espaço nobre. Há uma nova geração de autores argentinos, tema de uma das próximas postagens desta série especial. Mas a "Fierro" é o supra-sumo disso.

A publicação reúne hoje os principais autores do país. Alguns vieram da antiga fase: Liniers, Lucas Varela, Salvador Sanz, Carlos Nine, Carlos Trillo, El Tomi, Tati. Para ficar em alguns.

A cara coesa é dada por, Juan Sasturain, responsável pelas duas versões da "Fierro".

É uma figura multifacetada. É escritor - inclusive de quadrinhos -, editor, apresentador de um criativo programa de literatura na TV.

Se há uma "alma de ferro" da publicação, ela tem o nome e o sobrenome de seu editor.

                                                           ***

A capa da "Fierro" traz uma frase bem pequena, acima do logo: "Prohibida su venta por separado".

A venda proibida é apenas na teoria. Na prática, os argentinos encontraram um jeitinho bem brasileiro para pôr as edições novas e antigas à venda.

Após ser publicada pelo jornal, alguns donos dos quiosocos - as bancas de jornal de lá - mantêm ios números em estoque. E vendem pelo preço de capa (6 pesos em dezembro).

As bancas da rua Florida - já falamos dela, é uma das ruas comerciais de lá - mantêm números antigos. As melhores são as próximas à Avenida Corrientes.

                                                           ***

Outro bom quiosco - melhor até do que os da Florida - fica na avenida Corrientes com a rua Montevideo (rua, lá, é "calle").

O trajeto pode ser feito a pé. Mas vá de metrô. A linha passa na Corrientes. 

Parece uma volta ao passado. Vagões antigos, pequenos, com janelas de madeira.

A passagem é 90 centavos de peso - mais ou menos 60 centavos de real.

É baratíssima, se comparada ao metrô daqui - um dos mais caros do mundo.

                                                           ***

Aproveite depois e vire à esquerda na Montevideo, sentido oposto ao de Recoleta.

Lá pelo número 250 há a "Club del Comic", uma das duas melhores lojas de quadrinhos.

A "comiqueria" - nome portenho dado a essas lojas - tem o diferencial de ter edições da velha fase da "Fierro". O preço varia entre 10 e 12 pesos. O acervo fica no fundo da loja.

Voltaremos a falar da "Club del Comic" em outra postagem desta série. Mas dá para adiantar outra dica.

Saia da loja, vire à esquerda e caminhe até a Avenida de Mayo. Vire novamente à esquerda. Lá há ótimos cafés. Escolha um e leia à vontade, sem pressa, o que comprou.

 

Crédito: reprodução Crédito: reprodução Crédito: reprodução

 

Outra novidade da fase atual da "Fierro" foi um concurso chamado "Hora Fierro". O nome é uma alusão à revista "Hora Cero", publicada na década de 1950 por Hector Oesterheld.

O concurso pedia que quadrinistas fizessem novas versões de antigas histórias escritas por Oesterheld. A primeira foi publicada no número 17 da "Fierro".

Isso dá uma dimensão da importância do escritor na história dos quadrinhos argentinos. E confere mais autoridade quando dizemos que foi o principal escrito escritor de lá.

Hector German Oesterheld foi assassinado pelos militares na segunda metade da década de 1970.

                                                           ***

Próxima parada: uma viagem conduzida por Oesterheld e seu El Eternauta

                                                            ***

Leia as outras postagens da série: Introdução, Parte 1, Parte 2, Parte 3

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h46
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]