31.05.09

Mauricio quer emplacar Pelezinho como mascote da Copa de 2014

 

Crédito: divulgação

 

O desenhista e empresário Mauricio de Sousa quer que seu personagem Pelezinho seja o mascote da Copa de 2014. O mundial de futebol será realizado no Brasil.

A assessoria de Mauricio divulgou na noite deste domingo um desenho em que Pelezinho aparece abaixo dos nomes das 12 cidades que sediarão os jogos.

A imagem faz parte da estratégia de emplacar o personagem e foi passada à imprensa horas depois de a Fifa oficializar os municípios brasileiros selecionados.

O anúncio ocorreu em Nassau, nas Bahamas. Participam Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife, Rio, Salvador e São Paulo.

                                                          ***

Segundo a assessoria de Mauricio de Sousa, por enquanto há apenas a intenção. E movimentos de bastidor. Pelé já teria confirmado interesse no uso do personagem na Copa.

O criador da Turma da Mônica também teria conversado com a CBF para agendar uma reunião. A pauta seria a proposta de Pelezinho ser o mascote do mundial.

De concreto, há apenas a informação de que Mauricio e Pelé acertaram a volta das histórias em quadrinhos do personagem. O retorno deve ocorrer até 2010.

Pelezinho foi publicado por Mauricio na Editora Abril entre 1977 e 1982. Segundo a assessoria do empresário, a revista mensal foi cancelada por questões contratuais.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h45
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Editora NewPOP prepara mangá nacional

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

Lançamento de "Hansel & Gretel" está programado para outubro e terá três volumes

 

 

 

 


A NewPOP prepara um mangá nacional, em três volumes. É o primeiro título da editora produzido no país. O lançamento está programado para outubro.

"Hansel & Gretel" narra a história de dois irmãos univitelinos e albinos, de 13 anos. Pelo resumo informado pela editora, a trama se assemelha ao conto infantil de João e Maria.

A síntese revela que vai haver também outras referências a obras infantis. O texto é assinado por Douglas MCT e os desenhos serão de Ulisses Perez.

A New POP tem se especializado em mangás. Para julho, anuncia os lançamentos de "Speed Racer" e uma continuação de "Grimms Mangá", com contos dos Irmãos Grimm.

A editora diz que tem outros projetos nacionais. A HQM também havia anunciado que preparava para este ano mangás produzidos por autores brasileiros. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h34
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Duas tiras que merecem registro 

Crédito: reprodução do blog Misterorror

 

Crédito: reprodução do blog Misterorror

 

Crédito: Guilherme Silveira, no blog Misterorror (link).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h05
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30.05.09

A maré virou. E os quadrinhos se salvaram do naufrágio discursivo

O barco que conduzia as histórias em quadrinhos no maremoto midiático enfrentado na semana passada revelou-se mais sólido do que se esperava. Tanto que resistiu à forte maré.

Houve alguns arranhões, é verdade. Mas nenhum morto. E os passageiros mostraram a quem os via - e ainda não os entendia - que não eram aquilo que a maioria imaginava.

Falavam palavrões às vezes. Havia também alusões a sexo. E menções irônicas ao PCC, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, que atua nos presídios paulistas.

Mas o barco persistiu. O mar se acalmou. O tsunami foi estourar na grande navegação. Esta gritava na mídia que o barquinho trazia somente pessoas de muito mau gosto.

                                                            ***

As primeiras ondas estouraram no jornal "Folha de S.Paulo" no último dia 19. Um livro em quadrinhos trazia palavrões e alusão a sexo. E foi indicado a crianças de nove anos.

A obra, "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", foi comprada pelo governo de São Paulo e seria distribuída às escolas do ensino fundamental. Foi recolhida.

Não demorou para que houvesse, na mídia e no governo, uma associação do problema à má qualidade dos quadrinhos, e não à falha na seleção, assumida inclusive pelo Estado.

Poucas horas após a publicação, ouvia-se na TV que se tratava de um horror. Jornalista atônita se dizia indignada por ser mãe e temer que um filho tenha contato com aquilo.

                                                           ***

À noite, outra jornalista, também na televisão, dizia que se tratava de uma obra em quadrinhos, mas que não tinha nada de infantil.

Montava-se em programas de TV e na imprensa escrita o discurso de que quadrinhos são feitos exclusivamente para crianças. E Dez na Área seria ruim por fugir a isso.

O argumento tinha solo fértil na má preparação de parte dos jornalistas. E na conveniência do governo, que desviava o foco para os quadrinhos, e não para a falha interna.

Desmontando esse discurso: a premissa é equivocada. Quadrinhos não são feitos exclusivamente para crianças. Isso ocorre no Brasil há pelo menos 140 anos.

                                                          ***

Houve outros apresentadores que comentaram, aqui e ali, que se tratava de pornografia ou um horror.

São frases que reproduziam acriticamente o discurso noticiado pouco antes pelos outros veículos midiáticos. Criticava-se uma obra que ninguém  tinha lido. Uma bola de neve.

No dia seguinte, a ressaca continuou. A mesma Folha noticiava que uma das histórias fazia alusão ao PCC. O autor da narrativa, Lelis, não foi ouvido na reportagem.

O mesmo havia ocorrido na véspera com o organizador de Dez na Área, Orlando Pedroso. Ele e Lelis expuseram o outro lado - obrigação do jornalismo - no dia 20, aqui no blog.

                                                           ***

A entrevista com Orlando ganhou capa na página principal do UOL no mesmo dia. No blog "Gibizada", Telio Navega ouviu a opinião de outros desenhistas do álbum.

Paralelamente, uma corrente virtual se organizava para marcar posição. No Twitter, as mensagens de 140 caracteres eram repassadas para o endereço de José Serra.

Eram sinais virtuais de que o barquinho iria resistir à turbulência real.

Na sexta-feira, artigo na Folha - assinado por mim e pelo professor da Universidade de São Paulo Waldomiro Vergueiro - registrava o óbvio: quadrinhos são também para adultos.

                                                           ***

No mesmo dia, o colunista da Folha Xico Sá escrevia que seria uma incoerência falar de futebol sem registrar os palavrões. Marcelo Tas foi na mesma linha em seu blog.

No domingo, o ombudsman da Folha dedicou a coluna aos quadrinhos. E defendeu que os autores foram vistos de forma estritamente negativa pelos leitores. A maré virava.

Houve também - é importante registrar - ensaios de outros discursos.

Uma filósofa defendeu que a inserção dos quadrinhos no ensino priorizava a leitura do entretenimento em detrimento da "verdadeira cultura", da qual a grande massa seria privada.

                                                             ***

Numa das semanais, uma educadora, também vinculada a uma grande universidade paulista, defendeu que Dez na Área seria impróprio mesmo sem os palavrões.

No entender dela, "a superposição de texto e imagem confunde quem ainda está aprendendo a ler."

Desmontando o argumento filosófico: é muito subjetiva a expressão "verdadeira cultura", algo vinculado a uma elite intelectual que dita ou que é ou não cultura. 

Desmontando o argumento pedagógico: há estudo de 2004 realizado no México que vê na imagem elementos positivos no processo de leitura da criança. O tema é consenso também entre os teóricos contemporâneos das áreas de literatura infantil e de letramento visual.

                                                           ***

É importante reforçar que, apesar dessas opiniões pontuais contrárias, o discurso inicial já havia mudado cinco dias depois. O barco já navegava em águas mais calmas.

Nesta semana, quando foi noticiado que uma obra de poemas selecionada pelo mesmo programa estadual também trazia conteúdo impróprio, o foco já estava na falha da seleção.

Desmontado o discurso inicial de que quadrinhos não são exclusividade de crianças e havendo reincidência, o governo se viu vazio de argumentos. Prevaleceu a falha.

E, expondo a falha, viu-se que a situação era ainda mais precária do que se imaginava.

                                                            ***

Em entrevista à Folha nesta sexta-feira, o secretário estadual de Educação, Paulo Renato Sousa, disse que iria mudar a forma de seleção. Usaria, agora, especialistas.

Primeiro pressuposto: antes, a seleção não tinha sido feita por especialistas. E não foi mesmo, segundo o próprio secretário. Palavras dele à Folha:

"Quem fez a seleção foi a mesma comissão que trabalhava no município, constituída de professores da rede municipal vinculados à coordenação do programa, mais alguns professores contratados especialmente para isso."

Outro pressuposto: se houve falha, segundo assumiu o próprio Estado, e se sabe quem fez a seleção, por que demora um mês a sindicância para apurar o que ocorreu?

                                                            ***

A entrevista do secretário não responde também a outro ponto: quais foram os critérios de seleção utilizados?

Em entrevista na quinta-feira de manhã à rádio CBN, Paulo Renato Sousa não soube dizer quais eram esses critérios. E desconversou parte das perguntas.

Também reiterou que as demais 816 obras selecionadas eram aptas para as crianças.

Na semana passada, o governo usou frase parecida: as demais 817 obras selecionadas eram de qualidade. Uma delas não era. Isso já conotava desconhecimento do tema.

                                                            ***

O dado que precisa ser explicitado é que houve uma mudança de discurso. Os quadrinhos deixaram de ser os vilões da história. O foco passou a ser a falha na seleção.

Não são raros no Brasil casos que trazem à tona preconceitos adormecidos sobre as histórias em quadrinhos. A trajetória da linguagem no país é farta de exemplos disso.

Mas o que singulariza essa polêmica é que se viu na discussão uma oportunidade rara de posicionamento ante à forte corrente contrária. E a maré virou. Pró quadrinhos.

É fato raro na história da história em quadrinhos brasileira. Ocorreu uma sobreposição de discursos. Um deles ainda carregado de preconceito. Prevaleceu o outro discurso.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h50
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29.05.09

Esta é a Luluzinha jovem

 

Crédito: reprodução do jornal Valor Econômico

A imagem ao lado é como Luluzinha vai ficar na versão adolescente.

A personagem será lançada em um mangá da Pixel, produzido por autores nacionais, como o blog antecipou na quarta-feira. A Pixel é um dos selos editoriais da Ediouro.

A empresa tem procurado priorizar a informação para a mídia impressa e somente na semana que vem para os sites e blogs.

A ilustração foi divulgada na edição de hoje do "Valor Econômico". O jornal traz outra novidade, ouvida do diretor-geral da Ediouro, Luiz Fernando Pedroso.

"Vamos lançar ainda dois títulos este ano com a mesma proposta", disse. Segundo Pedroso, o título "mostra a mangalização e o reposicionamento da Pixel".

O selo editorial tinha como carro-chefe a linha adulta da norte-americana DC Comics. A editora carioca rompeu o contrato no início do ano.

Saiba mais sobre o projeto neste link.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h36
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Adaptação de O Guarani marca volta de Luiz Gê aos quadrinhos

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Desenhista não produzia quadrinhos há quase 20 anos; obra tem lançamento nesta sexta-feira à noite em São Paulo 

 

 

 

 

 

 

 

Demorou. Mas o adiado retorno de Luiz Gê aos quadrinhos finalmente saiu da intenção e se concretizou no álbum "O Guarani", adaptação do romance de José de Alencar (1829-1877).

A obra (Ática, 96 págs., R$ 22,90) tem arte de Gê, que divide o roteiro com Ivan Jaf. O desenhista não produzia quadrinhos desde o início da década de 1990.

Gê foi um dos principais nomes do quadrinho nacional entre os anos 1970 e 80. Foi um dos criadores da revista independente "Balão", que revelou gente como Laerte.

Em 1986, ele foi editor de arte da revista "Circo", que trazia trabalhos de diferentes autores. Entre 1988 e 1990, fez mestrado na Royal College of Arts, na Inglaterra.

                                                            ***

A volta ao Brasil trouxe na bagagem um turbilhão de ideias. Todas foram reembaladas com o plano econômico do ex-presidente Fernando Collor, que confiscou as poupanças.

Um dos últimos trabalhos dele foi uma história em quadrinhos sobre a Avenida Paulista, publicada na revista da empresa de pneus Good Year. Ele tem planos de reeditá-la.

Desde então, tem se dedicado à carreira acadêmica. Fez doutorado e, hoje, dá aulas na Universidade Mackenzie, em São Paulo.

Em 2007, ele já dizia ter planos de retornar aos quadrinhos, com outros projetos. Os planos foram adiados, pelo menos por ora. A volta, não.

                                                          ***

Os planos de Luiz Gê de voltar a fazer quadrinhos foram noticiados pelo blog em abril de 2007. A matéria sobre ser (re)lida neste link.

                                                            ***

Serviço - Lançamento de "O Guarani", adaptado por Luiz Gê e Ivan Jaf. Quando: sexta-feira (29.05). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: preço sugerido é de R$ 22,90.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h04
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27.05.09

Luluzinha teen será mangá feito por autores nacionais

 

Crédito: reprodução

 

As histórias com a versão adolescente de Luluzinha serão publicadas num mangá, produzido por autores brasileiros. A revista começa a ser vendida no começo de junho.

A obra será lançada pela Ediouro. Um site já foi colocado no ar. É de lá a imagem que abre esta postagem. Um texto cria expectativa de como a personagem vai ficar.

A editora mantém sigilo sobre o projeto, que deveria ser noticiado primeiro pela mídia impressa ainda nesta semana. Por isso, não confirma a notícia, nem libera imagens.

A informação foi checada pelo blog com duas fontes diferentes. Uma delas teve acesso ao conteúdo do primeiro número. Será parecido com a versão jovem da Turma da Mônica.

                                                            ***

Segundo essa mesma fonte, Luluzinha terá em torno de 15 anos. Ficará esbelta e manterá parte dos cachinhos, uma das marcas da personagem norte-americana.

Bolinha ficará magro. As histórias serão contadas em capítulos, tal qual ocorre nos mangás. A cantora Pitty faz uma participação especial na edição de estreia.

A revista - de acordo com uma das fontes ouvidas pelo blog - será publicada pela Pixel, um dos selos da Ediouro.

A Pixel tinha como carro-chefe as revistas da linha adulta da norte-americana DC Comics. A editora carioca rompeu o contrato neste ano e não lança nada desde janeiro.

                                                            ***

A primeira informação sobre o projeto veio a público em uma nota curta, de fim de página, na edição desta semana da revista "Época".

A publicação apenas registrava que Luluzinha iria crescer e que as histórias seriam lançadas pela Ediouro em uma revista chamada "Luluzinha Teen e Sua Turma".

A ideia se assemelha a outro projeto, "Turma da Mônica Jovem", feito pelos Estúdios Mauricio de Sousa, também nos moldes do mangá, o quadrinho japonês.

Desde que foi lançada, a revista com a versão adolescente de Mônica, Cebolinha e companhia tem tido boa repercussão, tanto na mídia como de vendas.

                                                           ***

Luluzinha estreou no Brasil em revista própria, publicada pela editora de O Cruzeiro no fim da década de 1950. Mas muitos leitores ainda a veem como personagem da Abril.

A editora paulista publicou por anos a revista da personagem de vestido vermelho. O título foi cancelado na primeira metade da década de 1990.

Em 2006, a Devir "ressuscitou" a personagem. A editora republicou as primeiras histórias dela feitas por John Stanley a partir de 1945, dez anos depois da criação dela.

A Devir lançou desde então seis álbuns e programa mais dois para este ano. Segundo a editora, os direitos de publicação estão mantidos, mesmo com a entrada da Ediouro.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h58
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Aberta temporada 2009 de adaptações literárias

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Jubiabá de Jorge Amado", adaptado por Spacca, álbum que começou a ser vendido nesta semana 

 

 

 

 

 

 

 

A versão em quadrinhos de "O Pagador de Promessas", lançada no meio do mês pela Agir, dá início a uma série de adaptações literárias que começa a chegar ao mercado.

Nos últimos dias, duas outras chegaram às livrarias e lojas de quadrinhos: "Jubiabá de Jorge Amado" e "A Luneta Mágica", da obra de Joaquim Manuel de Macedo.

A primeira é um dos quatro títulos que inauguram o Quadrinhos na Cia., novo selo da Companhia das Letras. A outra é a estreia da Panda Books nesse filão.

Na próxima sexta-feira, há o lançamento de uma quarta obra do gênero: "O Guarani".

                                                           ***

Os autores dos quatro álbuns são conhecidos e respeitados na área do quadrinho nacional. Eloar Guazzeli, Spacca, Carlos Patati, Marcio de Castro, Ivan Jaf e Luis Gê.

Gê merece registro especial. Está há anos longe dos quadrinhos. Ele era um dos mais detacados quadrinistas brasileiros da década de 1980, mesma geração de Angeli e Laerte.

Os nomes envolvidos - e a façanha de dar fim à adiada volta de Gê - já sinalizam que se trata de um mercado aquecido no tocante a títulos do gênero literatura em quadrinhos.

É um assunto que tem tido bom eco na mídia, que encontrou - e irá encontrar uma vez mais - boas pautas nas versões quadrinizadas, como se fosse algo inédito no país.

                                                            ***

O que a mídia talvez não noticie é o que está por trás dessa ebulição editorial. O interesse são as listas do governo, que levam quadrinhos para a escola (às vezes sem ler).

A principal é a do PNBE, Programa Nacional Biblioteca da Escola, do governo federal. O edital de concorrência dá especial atenção às adaptações.

Esse direcionamento é percebido nas próprias obras. Algumas - caso de "O Guarani" e de "A Luneta Mágica" - trazem apêndices com explicações ou práticas de ensino.

O diálogo primário da obra não é tanto com o leitor de quadrinhos ou com o potencial aluno. É com o governo e com o professor.

                                                            ***

Essa percepção já foi mapeada também na literatura infantil, como lembra a professora universitária Magda Soares, no livro "Literatura Infantil: Políticas e Concepções", de 2008.

Segundo ela, ocorre uma vinculação com o docente, o real leitor pretendido pelo catálogo.

As editoras, como toda empresa, objetivam fazer bons negócios e ter lucro. E as adaptações têm se mostrado uma aposta rentável, se vendidas ao governo.

Enxergar as adaptações como negócio não significa que o produto seja de má qualidade. Ao contrário: os trabalhos vêm se aprimorando a cada novo álbum.

                                                           ***

As quatro obras lançadas neste mês são apenas o começo. A Ática, de "O Guarani", tem na gráfica uma versão de "O Cortiço" (adaptado por Ivan Jaf e Rodrigo Rosa).

A editora prepara também álbuns de "Memórias de um Sargento de Milícias" (por Jaf e Rosa) e de "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (por Luiz Antonio Aguiar e Cesar Lobo).

A Agir tem uma adaptação de "Os Sertões" (por Carlos Ferreira e Rosa) pronta há mais de um ano. Tem outras duas em produção. Isso sem falar nas surpresas, que sempre surgem.

E podem esperar por elas. As editoras, em especial as que não investiam em quadrinhos até então, estão à cata de desenhistas. Pelo menos um já fechou contrato.

                                                           ***

A pergunta que talvez deva ser feita é que impacto isso terá para o mercado de quadrinhos nacional e para a produção realizada no país.

Um lado positivo já se vê: editoras pagando autores brasileiros para produzir álbuns, mesmo que sejam pautados em romances. É algo que não se via. Há autores bem empolgados.

No que tange à leitura em si, há pelo menos dois pontos de vista levantados, já lidos em artigos diferentes. Um é positivo, outro, negativo.

O positivo: os quadrinhos tornam o conteúdo de um romance mais atraente ao aluno. O negativo: tais produções afastam os estudantes da obra original.

                                                            ***

Talvez ambos os olhares tenham razão. Os quadrinhos tendem a ser uma linguagem mais sedutora aos estudantes das séries iniciais. A literatura infantil goza do mesmo apelo.

Isso não significa, no entanto, que a adaptação deva substituir a versão original. Além de ser mais barata que os álbuns em quadrinhos, é essencial para o processo de formação.

A tendência daqui para a frente é que haja uma saturação de adaptações. Mas o saldo, parece, será favorável. Elas estão abrindo espaço para os quadrinhos na escola.

É preciso que editoras e governo já comecem a enxergar o próximo passo: o uso de obras autorais nacionais no ensino como forma de leitura. O caminho, creio, passa por aí.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 00h19
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Revista de Tina dialoga com novo perfil de leitor

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Primeiro número da revista mensal começou a ser vendido nesta semana nas bancas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A revista "Tina" segue a tendência dos Estúdios Mauricio de Sousa de conquistar novos leitores. No caso, o público que deixou de ser infantil e começa a entrar na adolescência.

A busca por outra fatia de mercado está tanto no formato quanto no conteúdo da obra, que começou a ser vendida nesta semana nas bancas (Panini, 52 págs., R$ 3,90).

O tamanho da revista é maior que o dos demais títulos infantis da Turma da Mônica. Foi produzido na mesma medida usada nas revistas de super-heróis.

A parte interna mescla as cinco histórias em quadrinhos - uma terá continuação - com um blog da personagem e uma seção de entrevistas também "feita" por ela.

                                                           ***

A primeira conversa é com a Mônica real, filha de Mauricio de Sousa, hoje diretora das empresas do pai.

Tina se tornar entrevistadora tem a ver com o fato de ela ser uma estudante de jornalismo. A personagem vive desde o ano passado uma nova roupagem editorial.

As primeiras experiências com o novo molde foram tateadas no ano passado na minissérie "Tina e os Caçadores de Enigmas - Triângulo das Bermudas".

Além do tom de aventura, outra mudança foi no desenho de Rolo, integrante da trupe de amizades dela. O rosto dele foi repaginado e se tornou um pouco mais realista.

                                                           ***

O mesmo Rolo lido na minissérie é reapresentado agora nesta revista mensal. E deve causar estranheza em quem estava acostumado a ler as histórias infantis dele.

O apelo do título, no entanto, ainda é a personagem-título. Tina nem de longe lembra a hippie dos anos 1970. Deixou de ser prafrentex para se tornar irada.

A presença de Tina direciona o título, em especial, ao público feminino. Como projeto editorial, a busca por novos públicos é uma forma de expandir as publicações de Mauricio.

Mas a revista peca, pelo menos neste número de estreia, na qualidade dos roteiros. É o mesmo senão visto em "Turma da Mônica Jovem", que já conquistou novos públicos.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h28
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25.05.09

Brasileiros participam de festival independente argentino

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Picabu", revista produzida por desenhistas gaúchos que será lançada no evento

 

 

 

 

 

 

 


Buenos Aires terá de dividir o título de capital com mais países. Inclusive o Brasil. Pelo menos até o domingo. Nesse período, a cidade argentina sedia o Viñetas Sueltas.

O evento é um festival internacional de quadrinhos independentes. Está na segunda edição. A abertura foi nesta segunda-feira.

Um grupo brasileiros já está em solo argentino para participar do festival. Um deles é Fabio Zimbres, que tem um histórico de parceria com desenhistas portenhos.

Outros dois são os paulistas André Kitagawa - do álbum "Chapa Quente" - e Jozz - autor de "Circo de Lucca" e integrante do movimento independente Quarto Mundo.

                                                          ***

Quem mais se preparou para o festival talvez sejam os gaúchos Leandro Adriano, Carlos Ferreira, Fabiano Gummo, Moacir Martins, Nik Neves, Rodrigo Rosa e Rafael Sica.

Os sete prepararam uma revista, a "Picabu", que será lançada no festival portenho. A obra traz 11 histórias curtas feitas pelo grupo. No Brasil, será vendida após o evento.

Este quarto número da "Picabu" foi produzido 17 anos depois da edição anterior. A revista foi criada para que eles pudessem publicar seus quadrinhos.

Inicialmente, a "Peek-a-Boo", como era chamada, contava apenas com Adriano, Ferreira, Nik Neves e Rosa. Os demais foram agregados para este novo número.

                                                          *** 

O eco do trabalho virtual na Argentina é bem maior do que o visto aqui no Brasil.

O Viñetas Sueltas ganhou uma página no caderno de cultura do jornal "La Nacion", um dos principais de Buenos Aires. O evento tem também vários patrocinadores.

O festival é realizado em três locais diferentes da capital argentina. O evento conta com programações diárias de palestras e encontros. Vai até o próximo domingo.

Os organizadores mantêm um blog com informações sobre o festival. Pode ser lido aqui.

                                                            ***

Post postagem (26.05, às 10h10): o leitor Andrés Valenzuela - a quem agradeço - me corrige uma informação. O site indicado acima não é feito pelos organizadores do festival.

O site "Cuadritos" cobre o evento. A confusão é porque a página oficial do Viñetas Sueltas - link - sugere acesso ao "Cuadritos", sem especificar que não está ligado ao festival.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h12
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Uma charge do dia

 

Crédito: Diogo Salles, no Jornal da Tarde

 

Crédito: Diogo Salles, na edição desta segunda-feira do "Jornal da Tarde".

Salles é também autor do livro de charges "CorruPTos? ... Mas Quem Não É", de 2006.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h33
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Exposição no interior paulista dá espaço a fanzines

Registro rápido. Uma biblioteca em Itu, no interior de São Paulo, promove uma exposição de fanzines até o fim de junho. O objetivo é divulgar e fortalecer esse formato.

A abertura da 1ª Expozine foi no sábado passado. Houve a participação de antigos fanzineiros e uma oficina com eles. O quadrinista Moacir Torres foi homenageado.

Os fanzines - junção de "fan" e "magazine" - são revistas produzidas de forma artesanal. Muitas traziam quadrinhos e foram os primeiros trabalhos de autores hoje conhecidos. 

A mostra fica na Biblioteca Comunitária Prof. Waldir de Souza Lima (rua Floriano Peixoto, 238, no centro da cidade). Pode ser visitada à noite, às terças, quartas e quintas.

Escolas precisam agendar visita. Informações no e-mail bibliotecacomunitariaitu@gmail.com

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h27
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24.05.09

Ediouro vai lançar versão jovem de Luluzinha, segundo revista

 

Crédito: reprodução de capa de álbum de Luluzinha, da Devir

 

 

 

 

 

 

 


De acordo com "Época", Ediouro vai lançar versão teen da personagem no mês que vem

 

 

 

 

 

 

 

 

Luluzinha e Bolinha vão crescer. As histórias serão contadas em "Luluzinha Teen e Sua Turma", a serem lançadas no mês que vem pela Ediouro.

A informação aparece numa nota, no fim da página 133 da "Época", que começou a ser vendida neste fim de semana. A revista não traz mais detalhes.

O blog não conseguiu contato com ninguém da Ediouro para confirmar a notícia ou ter mais detalhes sobre o projeto.

Se confirmado, o lançamento tenta se espelhar na repercussão de "Turma da Mônica Jovem". A revista faz uma versão adolescente dos personagens de Mauricio de Sousa.

                                                            ***

"Turma da Mônica Jovem" entrou no mercado no meio do ano passado. De imediato, teve eco na mídia.

Os números oito e nove figuram entre os dez títulos infanto-juvenis mais vendidos em lista da "Época" desta semana. Aparecem na décima e terceira posições, respectivamente.

Luluzinha surgiu bem antes da Turma da Mônica. Foi criada nos Estados Unidos em 1935 por Marjorie Henderson Buell, que assinava como Marge.

Dez anos depois, ganhou revista própria, escrita por John Stanley. Essas histórias iniciais vinham sendo publicadas no Brasil pela Devir. A editora lançou até agora seis álbuns.

                                                            ***

A Ediouro tem tentado se firmar no mercado de quadrinhos brasileiro desde 2005, quando pôs nas bancas revistas de Guerra nas Estrelas e alguns títulos europeus.

No ano seguinte, criou o selo Pixel, em parceria com a Futuro Comunicação. Em 2007, conseguiu os direitos de publicação dos selos adultos da norte-americana DC Comics.

A empresa rescindiu o contrato com a DC neste ano. A Pixel não lança títulos nas bancas desde janeiro. A Ediouro publica quadrinhos em dois outros selos: Desiderata e Agir.

O último lançamento foi neste mês, uma adaptação da peça "O Pagador de Promessas", feita por Eloar Guazzelli.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h49
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Livro sobre Tex reconta trajetória editorial brasileira

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Obra sobre o personagem italiano serve para relatar também os bastidores das editoras de quadrinhos brasileiras 

 

 

 

 

 

 

 

O destaque de "O Mocinho do Brasil - A História de um Fênomeno Editorial Chamado Tex" (Laços, 208 págs., R$ 39,90) é, sem dúvida, o personagem de faroeste.

O livro, escrito pelo jornalista Gonçalo Junior, é feito sob medida para os fieis fãs do caubói, criado na Itália em 1948. Reconta em detalhes a trajetória de Tex no Brasil.

Mas, em meio às sucessivas migrações editoriais da criação de Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, pode-se perceber um outro interesse na obra.

A vida brasileira do personagem se confunde com a história editorial do país. E essa é outra contribuição que o livro dá.

                                                           ***

Os bastidores das editoras de quadrinhos brasileiras já foram narrados por Gonçalo Junior em outra obra sua, "A Guerra dos Gibis", publicada pela Companhia das Letras.

Ainda é a principal referência sobre o assunto e preenche um vácuo que existia sobre esse período, tão pautado por preconceitos e disputas entre os editores.

Os primórdios da consolidação dos quadrinhos no país tiveram nas figuras de Adolfo Aizen e Roberto Marinho dois de seus principais protagonistas.

Parte desse momento editorial é relembrada e aprofundada nesta nova obra. Um dos motivos é que a entrada de Tex no Brasil se deu pelas mãos da empresa de Marinho.

                                                            ***

A estreia do caubói ocorreu em janeiro de 1951, no número 28 da revista semanal "Júnior", editada pelo grupo de Marinho. De início, foi chamado de Texas Kid.

O personagem foi publicado até 1958, quando a revista foi cancelada. Nesse meio tempo, o leitor pôde ler não só as primeiras aventuras dele, mas também da RGE.

O selo da Rio-Gráfica Editora, de Marinho, foi estampado pela primeira vez na capa de "Júnior" no número 160. A informação é destacada no livro e também nos anexos.

No fim da obra, o autor reproduz em cores todas as capas de "Júnior". Presta um serviço a pesquisadores e fãs. O material é raro e restrito apenas a poucos colecionadores.

                                                             ***

Depois dessa primeira aventura editorial, Tex voltou a ser publicado em 1971, pela Vecchi, em revista própria. Ficou na nova casa, com sucesso, até 1983.

A falência da empresa e um olhar atento do staff de Marinho levaram o caubói de novo para a RGE. Na antiga nova casa, o número de títulos de Tex aumentou.

O personagem migrou uma vez mais de grupo editorial na virada do século, passando para a Mythos, onde está até hoje.

A editora paulista inflou ainda mais a quantida de revistas de Tex nas bancas. Neste mês de maio, são quatro títulos postos à venda.

                                                            ***

O subtítulo do livro faz alusão ao fenônemo editorial de Tex no Brasil, país cuja economia instável afundou várias apostas editoriais.

O fenômeno é que a revista do personagem se manteve firme mesmo diante das turbulências. É publicada de forma ininterrupta desde 1971. Poucas que consegiram isso.

Isso releva a existência de um público fiel, renovado ao longo do tempo. De fato, é um fenômeno pouco destacado pela imprensa, fato que o livro evidencia e corrige.

A importância de Tex no Brasil ganha ainda mais relevância quando vista à luz da trajetória editorial do país. É tema de importância. E não só para os fãs do caubói italiano.

                                                            ***

Nota 1: Uma adaptação de Tex para o cinema foi lançada recentemente no Brasil. "Tex Willer e os Senhores do Abismo" é de 1985 e traz Giuliano Gemma no papel do caubói.

Nota 2: Gonçalo Junior lança outro livro neste mês, uma biografia do desenhista Flavio Colin. A obra (R$ 13) é da Marca de Fantasia e é vendida no site da editora.  

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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22.05.09

Adão volta ao Brasil para lançar dois álbuns de tiras

 

Crédito: reprodução  Crédito: reprodução

 

O leitor diário das tiras cômicas de Adão Iturrusgarai na "Folha de S.Paulo" talvez não saiba. Mas o desenhista produz da Argentina as piadas publicadas no jornal.

A rotina já dura dois anos, quando se mudou para Buenos Aires. Há oito meses, trocou a capital argentina pela fria Patagônia. Mora num vilarejo chamado Playa Union.

"Uma praia pequenininha, com sete mil habiantes", diz o quadrinista gaúcho. Há tanto tempo fora do Brasil, é bem possível que ele estranhe a passagem por São Paulo.

Ele lança neste sábado à noite, na capital paulista, duas coletâneas de tiras suas: "No Divã com Adão" e "Aline - Viciada em Sexo".

                                                          ***

"No Divã com Adão" (Planeta, 160 págs., R$ 34,90) está à venda desde setembro do ano passado. Não foi lançada oficialmente ainda por ele morar fora do país.

O álbum faz uma coletânea de tiras publicadas entre 2005 e 2008 no jornal "Folha de S.Paulo". Quinze delas são inéditas.

A estrutura das histórias é semelhante. Adão desenha diferentes situações cotidianas imaginando, para cada uma delas, uma forma de punição.

O tamanho do flagelo é medido em anos de análise, aves-marias, tempo no inferno. O último traz sempre a punição mais exagerada. 

                                                           ***

"Aline - Viciada em Sexo" (L&PM, 128 págs., R$ 11) também reúne tiras já veiculadas na Folha. A diferença é que a obra começou a ser vendida neste ano.

É a terceira coletânea de bolso lançada pela editora gaúcha, dentro da linha "Pocket". O material é de 1998, segundo o autor.

São tiras de uma fase em que Adão fazia um desenho mais "bonitinho", como ele mesmo diz. Os personagens tinham um traço mais arredondado.

Na virada do século, ele voltou a seu estilo inicial, da primeira metade da década de 1990. Era um traço mais solto e despreocupado, que o acompanha até hoje.

                                                            ***

Para o grande público, este livro de bolso de Aline tem outro apelo. A personagem que divide um apartamento com dois amantes, agora, não está apenas nos quadrinhos.

Ela foi levada para a TV aberta num especial de fim de ano da Globo. Segundo Adão, vai virar série e entrará na grade da emissora.

Na entrevista a seguir, possível pela distância encurtada com a ajuda da tela do computador, o desenhista de 44 anos diz que a negociação com a Globo não foi nada fácil.

E começa dizendo o que o levou a morar na Patagônia. Ou quem o motivou. Ela atende pelo nome de Laura. E gerou um outro amor: a filha Olívia. O casal espera outro filho.

                                                            ***

Blog – O que o levou à Argentina?
Adão Iturrusgarai
- Me apaixonei por uma argentina e me mandei pra lá. Assim, bem simples. Saí do Rio de Janeiro e fui morar em Buenos Aires. Por que fui à Patagônia? Bom, minha mulher é da Patagônia e gostei do pedaço e, com a vinda de um filho, achamos melhor criá-lo num lugar pequeno. Mas lá tem supermercado e quase tudo que uma cidade normal tem. Só nã tem engarrafamento.

Blog - Por mais que a internet reduza a distância, estar fora do país não dificulta a sua atuação por aqui?
Adão
- Se eu trabalhasse com charge política, talvez ia me complicar um pouco. Aí eu acho que você tem que estar mergulhado no país do qual você está escrevendo. Mas meu humor é mais de comportamento. Meu cérebro é tipo um HD de muitos gigas lotados de experiências. 11 anos em Porto Alegre, nove anos em São Paulo, sete no Rio. Mesmo morando num vilarejo, tenho um montão de material pra piadas. Mas, falando em distância, internet, acho que hoje em dia a internet afastou um pouco as pessoas. Vejo hoje muitos colegas ilhados em seus estúdios. Então, tanto faz você estar aqui ou acolá.

Blog - Você se inseriu bem no mercado argentino. Participa da "Fierro", chegou a desenhar recentemente uma tira de "Macanudo", de Liniers. Como foi sua recepção por lá?
Adão
- Até agora eu publico somente na revista "Fierro". O que já acho grande coisa. Bom, não sei se é um pouco de influência minha, mas também de outros desenhistas argentinos de humor, a "Fierro" está tendendo pro humor. Antes, ela não era assim. Era mais quadrinhos de aventura, histórias de continuação. Mas a idéia é expandir minha invasão na Argentina. Lançar algum livro em espanhol ou entrar em algum jornal está nos meus planos. Tanto que tenho uma versão do meu blog em espanhol. O Liniers, que é gente finíssima, diz que quer que "iturrrusgarai" seja um nome famoso na argentina.

Blog - Houve algum tipo de preconceito por ser brasileiro?
Adão
- Nenhum. Eles adoram brasileiros por lá. Mas, no caso da "Fierro", fiquei com pé atrás porque o slogan da revista é "historieta argentina". Mas eles abriram exceção pra mim quando mostrei o meu documento de "residência precária", primeiro passo pra virar residente argentino. 

Blog - E a entrada na "Fierro"? Você procurou a revista? Como foi esse contato inicial?
Adão
- Fui lá com minha mesma cara de pau de sempre. Procurei o Lautaro Ortiz, que edita a revista. Muito simpático, me recebeu muito bem. Me perguntou se eu estava bem em Buenos Aires, ofereceu ajuda. Pegou meu material, mas disse que tinha esse problema de eu ser brasileiro. Mas falou que tinha gostado muito do meu trabalho e que ia conversar com o [Juan] Sasturain, que é editor também. Em uma semana, ele me ligou e falou que queria me publicar já. Eu comecei com duas tiras por edição e, agora, estou com duas páginas. 

Blog - Aline ganha novo impulso agora por conta do especial exibido na Rede Globo. Como se deu a negociação? Você procurou a emissora ou ela o contatou?
Adão
- Foi um amigo, Mauro Wilson, que sempre quis adaptar o personagem. Passaram anos, achei que não ia rolar e, justamente quando fui morar na Patagônia, o Mauro me ligou dizendo que estava tudo certo, se encaminhando. Foi uma negociação complicadíssima e só acabei aceitando em prol do meu amigo. Parece estranho, mas o que aconteceu foi isso mesmo. Se não fosse por ele, o especial não teria ido pro ar. Negociar com a Globo não é nada fácil. Bom, no início fiquei super pé atrás com o projeto, mas acabei adorando o especial. Incrivelmente não tenho nenhum senão. Gostei de tudo que vi. E parece que agora acabaram decidindo que vai virar seriado. Vão começar gravando dez capítulos. Eu estou feliz, porque vou poder continuar trabalhando com mais tranquilidade. E é importante frisar aqui que a Aline da Globo passa a ser da Globo, do Mauro Wilson e do Mauricio Farias [diretor do especial]. Não se deve confundir a Aline do papel com a da TV. Mas o especial ficou igual às minhas tiras. Todas as minhas piadas estão lá.

Blog – Em "No Divã com Adão", você comenta que fazia análise. Continua fazendo no novo país?
Adão
- Eu fiz um tempo, mas parei. Se você chutar uma moita em Buenos Aires, salta um montão de analistas. E desenhistas também. Agora, estou com uma filhinha de um ano e minha mulher está novamente grávida. Ou seja, não tenho mais tempo pro divã. Acho que estou na Patagônia pra povoar o pedaço, que é muito desértico.

Blog - Como vê a diferença entre o mercado de quadrinhos e lá e o de cá?
Adão
- A diferença maior que vejo entre nosso país e a Argentina é a seguinte: lá, eles leem mais que nós, brasileiros, mas tem uma economia mais complicada e menos habitantes. O Brasil tem uma economia mais sólida, mas se lê menos por aqui. O que salva o Brasil é' nossa população. Muita gente, muito consumo. Cabe explicar que Buenos Aires é' completamente diferente do resto da Argentina. Dizem que a Argentina é' um gigante com a cabeça (Buenos Aires) muito grande. As províncias [como são chamados os estados] todas têm uma rixa com o portenho. Você vê Buenos Aires parecida com uma cidade europeia. Mas o resto da Argentina é bem mais simples. As pessoas também.

Blog - Para finalizar, você tem planos de voltar ao Brasil?
Adão
- Sim, tenho planos de voltar pro Brasil. Não sei se vamos querer criar filhos no frio tremendo de lá. Mas não quero morar numa cidade grande. Vamos morar numa praia, acho. Só vou sentir saudades do vinho e da carne argentina. Chuif.

                                                           ***

Serviço - Lançamento de "No Divã com Adão" e "Aline- Viciada em Sexo". Quando: sábado (23.05). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 34,90 e R$11, respectivamente.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h22
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O óbvio: quadrinhos não são só para crianças

A frase que intitula esta postagem - o óbvio: quadrinhos não são só para crianças - é o nome do artigo que publico nesta sexta-feira no jornal "Folha de S.Paulo".

O texto foi feito em parceria com Waldomiro Vergueiro, professor da Universidade de São Paulo e coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos, também na USP.

O artigo aborda a polêmica causada nesta semana pelo álbum "Dez na Banheira, Um na Banheira e Ninguém no Gol". A obra, adulta, seria destinada a crianças.

O governo estadual, que selecionou e comprou 1.216 exemplares do livro, reconheceu a falha e recolheu o material.

O artigo foi publicado na seção "Tendências e Debates", espaço nobre da Folha, dedicado a artigos de opinião. Segue o texto, na íntegra.

                                                          ***

Reportagem desta Folha publicada na última terça-feira (dia19) revelou que uma obra em quadrinhos com palavrões e conotação sexual seria distribuída pelo governo paulista a alunos do terceiro ano do ensino fundamental. Em nota, a administração estadual reconheceu a falha e mandou recolher os 1.216 exemplares adquiridos.

O governador José Serra prometeu punição aos responsáveis e instaurou uma sindicância. Em entrevista ao telejornal "SPTV - 1ª Edição", da TV Globo, classificou o livro em quadrinhos como um "horror", obra de "muito mau gosto".


É preciso olhar criticamente esse noticiário, pois corre o risco de haver generalizações e reprodução de discursos antigos a respeito das histórias em quadrinhos. É o caso da associação delas somente às crianças.

A obra em pauta -"Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol"- não é direcionada ao público infantil. O álbum foi pensado para o leitor adulto, como confirmam o organizador da publicação, o ilustrador Orlando Pedroso, e outros desenhistas do livro.

O governo de São Paulo acerta ao não distribuir a obra a estudantes de nove anos. Nessa idade, o aluno não está preparado para uma leitura nesses moldes. Seria um desserviço pedagógico. Mas parece estar por trás dessa questão um olhar ainda estreito sobre as histórias em quadrinhos, herdado das décadas de 1940 e 1950.

Tal olhar ainda está presente também em parte da imprensa. Reportagem sobre o assunto, exibida na edição noturna do "SPTV", começava com a frase "as histórias são em quadrinhos, mas o conteúdo não tem nada de infantil". É um discurso que enxerga a linguagem como feita exclusivamente para crianças. É claro que o conteúdo não é infantil: a obra foi direcionada ao leitor adulto. A falha, assumida pelo governo do Estado, foi direcioná-la ao ensino fundamental.

Os quadrinhos, assim como a literatura, o teatro e o cinema, possuem uma diversidade de gêneros. Um deles é o infantil, do qual faz parte a Turma da Mônica, de Mauricio de Sousa. Mas há muitas outras produções, direcionadas a diferentes leitores. Inclusive aos adultos, como provam muitas livrarias e as tiras publicadas neste jornal.

O mesmo discurso tende a ver os quadrinhos de forma infantilizada ou não séria. Essa generalização evidencia desconhecimento sobre as histórias em quadrinhos e sua produção e afastou das escolas, por décadas, essa forma de leitura.

Os primeiros passos para a inclusão "oficial" dos quadrinhos no ensino ocorreram no fim do século passado com a Lei de Diretrizes e Bases da Educação e, pouco depois, nos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando o atual secretário estadual da Educação, Paulo Renato Souza, era ministro da Educação e do Desporto. Os parâmetros traziam orientações para as práticas pedagógicas dos ensinos fundamental e médio.

Outra medida que levou as obras em quadrinhos às escolas ocorreu na gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A partir de 2006, publicações em quadrinhos foram incluídas na lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), que distribui livros para escolas de todo o país. A prática foi repetida nos anos seguintes e também no edital deste ano.

Em 2008, a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", do Instituto Pró-Livro, revelou que as histórias em quadrinhos encontram forte eco entre os brasileiros. É o gênero mais lido entre os homens e o sétimo mais listado pelas mulheres. Especificamente entre estudantes até a quarta série, os quadrinhos são o terceiro item mais mencionado (36%).

São corretas as iniciativas de levar histórias em quadrinhos à sala de aula e ao roteiro de leitura dos estudantes. No entanto, há dois cuidados que deveriam ser óbvios, mas que o noticiário recente revelou que não são. O primeiro é haver uma seleção do material, de modo a separar as obras de melhor qualidade e destiná-las a seu público ideal. "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" tem qualidade. Mas não é destinada ao leitor juvenil.

O segundo cuidado é o de não associar as histórias em quadrinhos somente ao público infantil. Do contrário, corre-se o risco de repetir a falha agora vista e de generalizar discursos adormecidos, que são despertados em situações-limite como essa.


Paulo Ramos, 37, é jornalista e professor adjunto do curso de letras da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo). É autor de "A Leitura dos Quadrinhos".
Waldomiro Vergueiro, 52, é professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP e coordenador do Observatório das Histórias em Quadrinhos, da mesma universidade. É organizador do livro "Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h05
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Exposição reúne caricaturas de Baptistão sobre MPB

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Mostra tem abertura no próximo sábado à noite, em São Paulo, e traz desenhos de figuras da MPB, como o do cantor e compositor Tom Jobim (ao lado)

 

 

 

 

 


O ilustrador Baptistão reuniu caricaturas que fez de figuras da música popular brasileira e criou uma exposição sobre o tema. A abertura é no próximo sábado, às 20h, em São Paulo.

Uma primeira reunião de desenhos de cantores já havia sido apresentada por ele há dois anos no Festival Internacional de Humor e Quadrinhos, em Recife.

O acervo foi ampliado para esta nova exposição. "Baptistão e a MPB" é a primeira mostra individual da carreira dele.

Há também outro fato que singulariza a experiência para o ilustrador: será apresentada no Vila Maria Zélia, lugar onde mora na capital paulista.

                                                          ***

Baptistão trabalha há 18 anos como ilustrador do jornal "O Estado de S. Paulo". Ele colabora também para outras publicações, como a revista "Carta Capital".

O desenhista já soma uma coleção de títulos, conquistados dentro e fora do país. O último foi o terceiro lugar na categoria caricatura do "World Press Cartoon".

O ilustrador esteve em Portugal, em abril, para receber o troféu. É a segunda vez que ele é premiado no salão de humor, um dos mais representativos do mundo.

No Brasil, ele sido sucessivamente escolhido como melhor caricaturista no Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país.

                                                            ***

Serviço - Abertura da exposição "Baptistão e a MPB". Quando: sábado (23.05). Horário: 20h. Onde: Boticário da Vila Maria Zélia. Endereço: rua dos Prazeres, 362, Belenzinho, São Paulo. Quanto: de graça. Após a abertura, a exposição pode ser visitada aos sábados e domingos, das 18h às 22h. Vai até 26 de julho.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h12
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21.05.09

Editor da Fierro quer lançar versão brasileira da revista

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Ideia inicial é que publicação mescle trabalhos de argentinos com os de autores nacionais

 

 

 

 

 

 

 

Os responsáveis pela argentina "Fierro" querem lançar uma versão brasileira da revista. O projeto foi confirmado ao blog por Lautaro Ortiz, chefe de redação da publicação.

"Nosso desejo é poder formalizar com algum editor ou jornal diário a possibilidade de editar a ´Fierro´ no Brasil", diz. "O mesmo está ocorrendo no Chile e no Peru."

Segundo ele, já houve um contato com uma editora. Outra demonstrou interesse nesta semana. Mas não há nada acertado. Uma das ideias é mesclar autores daqui com os de lá.

Ortiz diz que a revista alcança uma venda de 15 mil exemplares por mês. "O que não é pouco na Argentina, te diria um êxito impensado."

                                                           ***

A "Fierro" reúne trabalhos em quadrinhos de diferentes autores argentinos. A revista havia sido publicada pela primeira vez na década de 1980, após o fim do período militar de lá.

O título deixou de ser publicado no número cem. A "Fierro" voltou a ser produzida em novembro de 2006. O brasileiro Adão Iturrusgarai se tornou um dos colaboradores.

A obra é vendida junto com o jornal portenho "Página/12". Sai uma edição por mês. Depois, é comercializada de forma avulsa em quioscos, nome das bancas de jornal argentinas.

O blog comentou sobre a "Fierro" na série de reportagens sobre os quadrinhos argentinos. A postagem sobre a revista foi veiculada em 3 de março. Pode ser (re)lida neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h28
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Frases que ficaram do caso Dez na Área

A polêmica em torno do livro "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" começa a caminhar para o esquecimento, como normalmente ocorre na cobertura da imprensa.

Se não for descoberto algo novo, vai haver algumas análises aqui e ali até o fim da semana. O tema deve ser também retomado pelas revistas semanais.

Mas, antes de virar a página - ou a postagem, no caso de um blog -, é relevante registrar as frases que esse caso gerou até aqui e que serão relembradas futuramente.

Lidas isoladamente, elas se destacam por diferentes motivos: ora pela sobriedade da afirmação, ora pelo explícito preconceito ou desconhecimento sobre a área de quadrinhos.

                                                           ***

Às frases:

- "SP distribui a escola livro com palavrões"
   19.05 - Título da reportagem da "Folha de S.Paulo", que revelou o caso

- "Eu achei um horror isso"
   19.05 - Governador José Serra, em entrevista ao "SPTV 1ª Edição", telejornal local da TV Globo

-  "Queria saber como isso foi parar nas escolas. Eu sou mãe, o senhor também tem família, filhos, netos. A gente fica até assustado quando acontece uma coisa dessas."
   19.05 - Carla Vilhena, apresentadora do "SPTV 1ª Edição", na formulação de pergunta a Serra

- "Eu aliás achei de muito mau gosto. Desenho, tudo"
   19.05 - Governador José Serra, na mesma entrevista ao "SPTV 1ª Edição"

- "Responsáveis por cartilhas com conteúdo impróprio serão punidos, diz Serra"
 
19.05 - Título de vídeo com entrevista de Serra no site do SPTV, sobre o livro em quadrinhos

- "As histórias são em quadrinhos, mas o conteúdo não tem nada de infantil"
   19.05 - 1ª frase da jornalista Monalise Perrone, em reportagem sobre o tema no "SPTV 2ª Edição"

- "Eu por exemplo, não recebi um puto pela HQ e agora tenho que dar entrevista pra CBN e explicar que essa HQ jamais deveria entrar em uma sala de aula."
   19.05 - Caco Galhardo, um dos autores do livro, em postagem de seu blog

- "A Associação dos Cartunistas do Brasil, que vem participando por anos da luta pelo reconhecimento do autor brasileiro na área dos quadrinhos e humor gráfico, não pode deixar de dizer que as informações colocadas, dessa forma na mídia, podem depor contra um trabalho sério nas escolas de utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura e cultura nacional"
  19.05 - Nota da Associação dos Cartunistas do Brasil sobre o caso, aqui no blog  

- "Segundo a Apeoesp, o livro, composto de 11 histórias em quadrinhos, não tem linguagem apropriada para a idade das crianças, tem problemas de descaracterização da História do Brasil, tem teor homofóbico (de preconceito contra homossexuais) e ainda faz apologia ao PCC (Primeiro Comando da Capital)."
  19.05 - Reportagem do site do jornal "A Cidade", de Ribeirão Preto, interior paulista

- "Compraram livros sem ler para estimular a leitura dos jovens!"
 
20.05 - Spacca, um dos autores do livro, em entrevista a Telio Navega, do blog "Gibizada"

- "Quando eu fiz o livro, era destinado a outro público, de mais idade." (...) "Quem comprou não avaliou isso. O problema todo foi a falha de seleção em si."
 
20.05 - Lélis, um dos autores do livro, em entrevista aqui no blog

- "Essa é definitivamente a declaração mais infeliz de todas. Ele não leu o álbum."
  20.05 - Orlando Pedroso, organizador do livro, aqui no blog, sobre a declaração de Serra 

- "Cartunistas estão pagando pato por erro de secretaria"
 
20.05 - Jornalista Barbara Gancia, em seu blog

- "Diálogo com atendente da Livraria Cultura: - Você tem o livro #deznaárea? - Ué, por que todo mundo está pedindo a obra?"
  20.05 - Diálogo protagonizado por este jornalista, durante sondagem sobre as vendas do livro; diálogo foi registrado no Twitter

- "Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. Gibi não é pra criança. É inacreditável que em 2009 eu precise repetir isso quinhentas vezes para ver se entra na cabeça desse povo burro"
   20.05 - André Forastieri, jornalista, em seu blog do UOL

                                                            ***

Ouviu ou leu alguma outra frase marcante sobre o caso Dez na Área?

Deixe registrada nos comentários.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h44
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20.05.09

Organizador de Dez na Área vê engano na seleção do álbum

O organizador do álbum "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", Orlando Pedroso, vê um "engano" na escolha da obra, que seria levada a estudantes paulistas do terceiro ano do ensino fundamental.

"Há claramente aqui um engano", disse o ilustrador, que trabalha na "Folha de S.Paulo". Segundo ele, o trabalho, publicado por ocasião da Copa de 2002, foi feito para adultos.

"Mas isso não quer dizer que um pai ou uma mãe não possam sentar com seu filho e se divertirem com essa ou aquela história como fazem com a TV, com o cinema ou alguns tipos de revistas."

                                                            ***

A obra foi comprada pelo governo de São Paulo para ser distribuída a alunos do terceiro ano, com idade média de nove anos. Parte do conteúdo traz conteúdo sexual e palavrões.

Menções ao PCC (Primeiro Comando da Capital) também motivaram o recolhimento da obra, segundo noticiou a "Folha de S.Paulo" nesta quarta-feira.

O álbum foi recolhido. O governador José Serra disse que os responsáveis pela seleção serão punidos. Serra também avaliou a obra como de "muito mau gosto".

                                                            ***

Orlando Pedroso - ou somente Orlando, como assina seus trabalhos - é um dos lados da polêmica ainda não ouvido pela grande imprensa.

A entrevista a seguir, realizada entre ontem e hoje de manhã, dá voz a ele.

                                                             ***

Blog - Como você analisou a compra de Dez na Área para estudantes paulistas do ensino fundamental?
Orlando Pedroso - Há claramente aqui um engano. O álbum foi concebido e produzido para um público adulto às vésperas da copa de 2002. Tanto eu quanto os artistas escolhidos por mim tiveram plena liberdade na escolha do enfoque dos temas e roteiros assim como na produção do material. Acho que o governo estadual e o federal têm feito um grande trabalho na escolha dos títulos de livros a serem adotados na rede pública de ensino. Contrariando o que eu achava, livros arrojados, com enfoques e linguagem moderna, alguns sem texto foram e são adotados. No caso do Dez na Área, houve realmente um equívoco.

Blog - A "Folha de S.Paulo" noticiou hoje que referências ao PCC também motivaram o recolhimento do álbum. Como você avalia essa questão?
Orlando - Quando vi a matéria hoje cedo na Folha fiquei chocado. Peladas dentro de presídios fazem parte do cotidiano dos detentos assim como nos campos de várzeas na periferia. Em nenhum momento o trabalho do Lélis faz apologia ao crime ou ao PCC. Ele retratou a rotina de um grupo confinado que tem, sim, características particulares e de domínio público. Quem condenaria o livro "Carandiru" ou o filme simplesmente por existirem? Ninguém. Pode-se gostar ou não deles, mas daí a dizer que são de mau gostou ou "um horror" há uma distância. Todo o erro está numa adoção equivocada da publicação para um público infantil não na existência da obra.

Blog - No seu entender, as pessoas que selecionaram o álbum leram a obra?
Orlando
- Não gostaria de entrar nesse mérito. Acho que pode ter havido um engano. Às vezes como o livro ir pro montinho errado. Foi pro dos aprovados quando deveria ter ido pro dos rejeitados. Não quero crer que essas pessoas não façam seu trabalho seriamente e erros acontecem.

Blog - O governador José Serra classificou a obra de "muito mau gosto". Como você analisa essa afirmação?
Orlando
- Essa é definitivamente a declaração mais infeliz de todas. Ele não leu o álbum. Alguém apontou dois ou três quadrinhos onde havia palavrões ou desenhos mais atrevidos e a partir daí ele tem que dizer que vai punir os responsáveis. Ele é o governador do estado, está com uma batata quente no colo e quer se ver livre dela. Seria honesto ele dizer que houve um engano na avaliação, que a sindicância vai apurar, mas que o erro é que o álbum é inadequado àquela faixa de idade, e não que a publicação é um horror. Você tem ali profissionais consagrados como o Spacca, o Lélis, Maringoni e o Caco Galhardo. Alguns estavam começando a despontar como era o caso do Allan Sieber, do Leonardo, Samuel Casal e dos gêmeos Fábio [Moon] e Gabriel [Bá]. Não dá pra falar tão mal e muito menos da qualidade dos desenhos.

Blog - Você acredita que esse caso tenha provocado um olhar mais cauteloso sobre os quadrinhos por parte de educadores e do governo?
Orlando - O mal não é a existência da publicação, mas o contexto onde ela foi colocada. Acredita-se que quadrinhos sejam só para crianças e esse pode ser um bom ponto de partida para uma discussão evitando que haja um retrocesso na adoção ou no enfoque de quadrinhos e literatura dentro da sala de aula. Eu não sei se a gente deveria usar a palavra cautela, mas zelo me parece mais adequada. As editoras têm produzido, através de novos selos ou novas empresas, uma quantidade monstruosa de títulos justamente tentando atender essa demanda do governo que, como todos sabem, é o maior comprador de livros do mundo e que tem feito muitos olhos brilharem. Ora, quantidade nunca foi sinônimo de qualidade e as bancas de avaliação precisam estar cada vez mais espertas com o que recebem em mãos. No caso do Dez na Área, há um erro claro de avaliação ou um deslize que Murphy pode explicar.

                                                            ***

Leia mais sobre o caso nas postagens abaixo.

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Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h07
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Referência a PCC também levou a reconhimento de Dez na Área

 

Crédito:reprodução

 

 

 

Duas imagens do álbum fazem menção à facção criminosa Primeiro Comando da Capital

 

 

 

 


Não foram só o conteúdo sexista ou os palavrões em parte das histórias de "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" que motivaram o reconhimento da obra.

Menções à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) foram outro ponto que levou à retirada do álbum, que seria distribuído a alunos do terceiro ano do fundamental.

A informação é mencionada no último parágrafo de reportagem sobre o assunto, na edição desta quarta-feira da "Folha de S.Paulo". A fonte foi a Secretaria da Educação.

Foi o jornal que tornou público o caso, em matéria publicada ontem. O governo de São Paulo comprou 1.216 exemplares da obra para levar às escolas.

O governador José Serra reconheceu que houve falha na seleção e disse que os responsáveis serão punidos. Serra também classificou o álbum como de "muito mau gosto".

 

Crédito: reprodução

 

As referências ao PCC - que atua nos presídios paulistas - aparecem em dois quadrinhos na história que abre o álbum, do desenhista mineiro Lélis.

"Eu coloquei na obra de forma mais irônica", disse Lélis ao blog, por telefone, agora há pouco. "Quando eu fiz o livro, era destinado a outro público, de mais idade."

"Quem comprou não avaliou isso. O problema todo foi a falha de seleção em si."

Segundo ele, a menção ao PCC pode ser omitida, mas não esconde que a organização existe. "Se não há liberdade, não há liberdade para colocar nenhuma outra coisa."

                                                          ***

A história do álbum mostra o furor que o futebol causa dentro de um fictício presídio. O futebol é o tema das 11 crônicas do álbum da editora Via Lettera.

Lélis tem trabalhos em quadrinhos publicados por diferentes editoras.

Lançou também, de forma independente, o álbum "Saino a Percurá", com contos rurais em forma de quadrinhos.

O último trabalho dele foi lançado neste mês na França. Ele fez os desenhos do álbum "Last Bullets", situada durante a Guerra de Secessão norte-americana.

                                                          ***

Leia mais sobre o caso Dez na Área nas postagens abaixo.

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Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h24
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ACB emite nota de repúdio a "crucificação" de Dez na Área

A Associação dos Cartunistas do Brasil (ACB) emitiu nesta terça-feira uma nota de repúdio à forma como o álbum em quadrinhos "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", da editora Via Lettera, foi noticiado pela imprensa.

No texto, a ACB diz que houve uma "crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados".

A referência é à compra do álbum pelo governo de São Paulo para ser distribuído ao terceiro ano do ensino fundamental. Parte da obra traz palavrões e conteúdo sexual.

Publicado em 2002, o álbum não foi idealizado para ser usado para o ensino de estudantes de nove anos em média. O governo reconheceu falha no processo de seleção.

Leia a íntegra da nota, assinada pelo presidente da entidade, José Alberto Lovetro, o JAL:

                                                           ***

Hoje, dia 19 de maio, na mídia, houve a repercussão de uma matéria sobre o mau uso do livro de quadrinhos acima citado onde vários autores importantes da área desenharam sobre o tema futebol.
 
 

O livro, premiado e trazendo desenhistas também premiados, inclusive fora do Brasil, foi mostrado como material de linguagem chula e arte sexista imprópria para distribuição para crianças da rede pública de ensino como material paradidático.  


A Associação dos Cartunistas do Brasil, que vem participando por anos da luta pelo reconhecimento do autor brasileiro na área dos quadrinhos e humor gráfico, não pode deixar de dizer que as informações colocadas, dessa forma na mídia, podem depor contra um trabalho sério nas escolas de utilização de publicações de quadrinhos como ferramenta de incentivo à leitura e cultura nacional.
 
 


Fica evidente que houve um descuido de quem escolheu esse título para distribuição para o ensino básico, mas não se pode dizer que os artistas estão deturpando algo como fica a impressão das matérias.


Uma criança de 9 anos assiste ao futebol com o pai, que não deve economizar em seu linguajar diante da emoção que o esporte exerce sobre seus torcedores. As transmissões de futebol não conseguem evitar o som dos palavrões cantarolados pelas torcidas.


Portanto não é criação dos desenhistas a linguagem chula, mas simplesmente estão colocando o que todos vêem num jogo de futebol pelas transmissões livres de censura.


Ao mesmo tempo, a forma como são colocadas as mulheres no futebol com as “Maria Chuteira” ou “travestis” que se relacionam com jogadores, nas reportagens, que não são também censuradas, só podem ter um reflexo nas histórias dos autores do livro.


O que vemos é uma crucificação de um trabalho sério de artistas e da editora, muito bem conceituados e que podem ser sim distribuídos em universidades para o estudo do mundo do futebol e sua influência na cultura popular.
 
 


A utilização dos quadrinhos na sala de aula é confirmada por educadores como fonte importante para agregar valor de conteúdo educacional para o interesse da criança em várias matérias do currículo escolar.


Isso foi conquistado depois de muita luta contra o preconceito que antes havia e que caiu por terra ao vermos em cada lar uma criança de cinco anos já se interessar por leitura quando vê revistas infantis na sua frente.
 


Apenas houve um equívoco na escolha pela faixa etária a que se destinava os livros e não uma publicação censurável como pode ter passado para o grande público.
 
 


Pedimos aos meios de comunicação que, sempre que houver algo tão importante como esse tema, também coloquem a opinião de uma pessoa especializada na área, que tenha algum conhecimento da linguagem em discussão.


                                                        ***


Leia mais sobre o assunto nas duas postagens abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h10
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19.05.09

Serra diz que álbum em quadrinhos é de "muito mau gosto"

O governador de São Paulo, José Serra, disse hoje que o álbum em quadrinhos "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" é de "muito mau gosto".

Serra reafirmou que houve falha na seleção da obra e que os responsáveis serão punidos.

O álbum foi comprado pelo governo estadual para ser levado a alunos da terceira série do ensino fundamental.

A obra foi publicada em 2002 pela Via Lettera e não foi pensada para ser usada de forma paradidática. A proposta era reunir crônicas sobre futebol na forma de quadrinhos.

Quatro das 11 histórias traziam palavrões. Uma delas tratava de temas sexuais. A publicação trazia trabalhos de diferentes autores nacionais. 

                                                          ***

As declarações de José Serra foram dadas em entrevista ao "SPTV 1ª Edição", telejornal local da TV Globo, exibido na hora do almoço.

Um trecho do depoimento foi reproduzido pouco depois no "Jornal Hoje", também da Globo, apresentado para todo o país.

Agora à noite, o "SPTV 2ª Edição" retomou o assunto. A matéria iniciava dizendo que "as histórias são em quadrinhos, mas o conteúdo não tem nada de infantil".

No "Jornal da Band", também agora à noite, o comentarista Joelmir Betting falou de um "código de defesa de pais e alunos".

                                                           ***

O assunto veio a público na edição desta terça-feira do jornal "Folha de S.Paulo". A notícia tem ecoado na imprensa desde então.

Assista à entrevista de José Serra na íntegra, reproduzida do site do "SPTV":

  

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h31
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HQ gera polêmica. E evidencia visão estreita sobre os quadrinhos 


 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 


Álbum em quadrinhos com histórias de futebol traz palavrões e foi comprado pelo governo de SP para ser levado à escola

 

 

 

 

 

 

 


É necessário analisar de forma mais crítica e contextualizada a reportagem veiculada na edição desta terça-feira do jornal "Folha de S.Paulo".

A matéria, intitulada "SP distribui a escolas livro com palavrões", revela que o governo de São Paulo comprou um álbum em quadrinhos com palavrões e conteúdo sexista.

"Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", da editora Via Lettera, seria distribuída a alunos da terceira série do ensino fundamental.

Segundo a reportagem, assinada pelo jornalista Fábio Takahashi, o livro "é recheado com expressões como ´chupa rola´, ´cu´ e ´chupava ela todinha.´

                                                           ***

A obra integra um lote de 818 títulos comprados para um programa chamado Ler e Escrever, que tem como proposta estilumar a leitura. 

Do livro da Via Lettera, o governo encomendou 1.216 exemplares. A obra é de 2002. A editora disse que apenas atendeu ao pedido de impressão feito pelo governo.

O governo do Estado informou à Folha que houve um erro na escolha, "pois o material é inadequado para alunos dessa idade". A obra foi recolhida.

A Secretaria de Educação também irá instaurar uma sindicância para apurar como se deu o processo de seleção. A previsão do governo é que o resultado saia em 30 dias.

                                                           ***

A história mais criticada, segundo a reportagem, seria a que encerra o álbum, de autoria de Caco Galhardo.

O desenhista criou uma mesa-redonda sobre sexo, feita nos moldes dos programas esportivos exibidos aos domingos à noite. Há, de fato, palavrões e conteúdo sexista.

Galhardo foi ouvido pela reportagem da Folha. Segundo ele,  a história não foi feita para ir à escola e a pessoa que fez a seleção "não leu o livro".

"Há um movimento de se colocar quadrinhos nas aulas, porque é uma linguagem acessível para a molecada. Fiz uma adaptação do Dom Quixote que foi para várias escolas. Mas os caras têm de ter critério para ver qual quadrinho colocar. Nessa eu tirei sarro de uma mesa-redonda. "

                                                           ***

O caso tenta fazer uma ponte com outra polêmica protagonizada pela Secretaria de Educação do governo José Serra.

Em março, reportagem do mesmo jornal revelou que alunos da sexta série receberam material em que o Paraguai aparece duas vezes num mapa. 

O caso levou à queda da então secretaria, Maria Helena Guimarães de Castro. Foi substituída pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

São situações que conotam equívocos. Inclusive no modo como foi noticiado. Há o sério risco de se transformar exceção em regra.

                                                            ***

É fato que um livro com palavrões, em quadrinhos ou não, é inadequado a alunos de terceira série? É. Há a necessidade de uma maturação maior para ler obras assim.

Mas não se pode pensar que palavrões sejam sinônimo de má qualidade. O que seria do filme "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, sem tais termos.

"Meu nome é Zé Pequeno, porra!", disse um dos protagonistas do longa, em um dos clímax narrativos da produção. E não incomodou ninguém.

O mesmo pode ser dito da literatura marginal. Ou de peças como "Caixa 2", de Juca de Oliveira. Palavrões servem como recurso para caracterizar os personagens.

                                                            ***

Outra ponderação é que não se pode transformar exceção em regra. O recurso faz parte do modus operandi da imprensa e precisa ser lido de forma crítica.

"Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" não é "recheado" com palavrões, ao contrário do que informa a reportagem. Eles aparecem em quatro das 11 histórias.

Ou seja: os termos dito chulos aparecem em 36,36% da obra. Menos da metade, portanto.

E, dado o contexto das histórias e o estilo dos autores - um deles é Allan Sieber -, são mais do que pertinentes.

                                                           ***

A reportagem da Folha também não registra dois dados. O primeiro é que a obra foi organizada por Orlando, um dos ilustradores do jornal.

O prefácio foi feito pelo ex-jogador Tostão, um dos colunistas da Folha. O fato também não foi mencionado. Tostão fala bem da obra. São dele as palavras a seguir.

"O desenho e as poucas palavras - ou nenhuma - informa, analisam e nos divertem."

"Faltava um obra como essa para crianças e adultos. Muitos leitores de futebol já estão cansados de análises técnicas dos comentarias esportivos, como eu. Você vai adorar!"

                                                           ***

Outro perigo de generalização é a forma como o assunto vai ecoar no restante da imprensa nesta terça-feira. Em geral, jornalistas desconhecem quadrinhos.

A questão que fica é qual será o enfoque da pauta. Livro comprado pelo governo paulista traz palavrões ou história em quadrinhos comprada pelo governo traz palavrões?

Nos dois casos, os quadrinhos inevitavelmente irão compor as matérias. Afinal, a obra criticada foi feita nessa linguagem.

O risco é, como dito, o da generalização. Na cabeça de muitas pessoas, que lerão, ouvirão ou assistirão a tais reportagens, quadrinhos podem ser vistos de forma depreciativa.

                                                             ***

É um discurso herdado da década de 1940 em diante e que persiste, porém adormecido. É um olhar que enxerga os quadrinhos como produto infantil ou de baixa qualidade.

Percebe-se isso nos detalhes. Um caso são reportagens que iniciam o texto com lugares-comuns como "quadrinhos já não são mais coisa de criança". Li uma assim em 2008.

Pode ser, claro, que a generalização não ocorra neste caso.

Mas as chances em contrário são grandes.

                                                            ***

Se ocorrerem, a entrada dos quadrinhos na sala de aula pode retroceder alguns passos.

E reforçaria o olhar de quem enxerga nas adaptações literárias a forma mais aceitável de presença dos quadrinhos no ensino.

Isso, sim, seria um erro. Erro que esconderia as reais falhas dos processos seletivos feitos pelos governos, tanto estadual quanto federal.

E os quadrinhos e seus autores seriam os culpados, os laranjas da história. De novo.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 10h27
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18.05.09

Música dos Titãs serve de base para história em quadrinhos

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

Capa de "Grandes Mentes da Pré-História", que pode ser lida on-line

 

 

 

 

 

 

A música "Homem Primata", da banda Titãs, pautou uma história em quadrinhos que pode ser lida on-line no site "Mojo Books".

A proposta da página virtual é usar músicas como base para a produção de livros e quadrinhos virtuais. O acesso é gratuito, mas é necessário cadastro prévio.

"Grandes Mentes da Pré-História", inspirada em letra dos Titãs, mostra um incompreendido homem das cavernas. Ele costuma descobrir inovações à frente de sua época.

Faz desenhos que em muito superam os hieróglifos produzidos nas cavernas. Inventou a cerca e quase foi linchado. O homem criava. E também destruía.

                                                           ***

A história tem 15 páginas. Foi desenhada por Pablo Mayer e escrita por Ricardo Giassetti, também editor da linha virtual e um dos criadores do site.

Coincidência ou não, ambos concorrem neste ano ao Troféu HQMix em diferentes categorias. Mayer como desenhista revelação. Giassetti, como roteirista revelação.

O primeiro fez a arte do álbum "A Casa ao Lado", da editora HQM. O segundo, o texto de "O Catador de Batatas e o Filho da Costureira", mangá nacional da JBC.

Esta é a sexta história em quadrinhos gestada pela Mojo Books. As anteriores podem ser acessadas neste link. E este leva para "Grandes Mentes da Pré-História".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h38
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Série Magias & Barbaridades completa 500 tiras on-line

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

A tira brasileira vive dois mundos. O primeiro é nos cadernos de cultura dos jornais impressos. O segundo é em blogs e sites.

Os jornais são ainda a principal janela. Mas já se pode dizer com segurança que a internet possui volume e qualidade à altura ou até superior ao que se lê em papel.

É nesse mundo virtual que surgiu "Magias & Barbaridades", de Fábio Ciccone. A série completa nesta segunda-feira 500 tiras veiculadas on-line.

A tira comemorativa, mostrada acima, foi feita em tamanho maior e em cores. A história dá sequência ao capítulo 12 da série, intitulado "A Dinastia Nan".

                                                           ***

"Magias & Barbaridades" mescla humor e aventura. Mostra as aventuras do trio Oc, Remmil e Ilana.

O primeiro é um bárbaro amante de Shakespeare. Remmil é um mago que sempre se envolve em enrascadas. Ilana é a corajosa integrante feminina da trupe.

O diferencial da série é que é produzida num gênero pouco visto hoje no país, o da tira cômica seriada, mescla de tira cômica com tiras seriadas ou de aventuras (como as de Fantasma e Madrake, para ficar em dois exemplos).

Cada tira traz uma piada. Mas faz parte de uma narrativa maior, contada em capítulos.

                                                            ***

Fábio Ciccone diz que se sente confortável no formato. Ele criou a série em julho de 2003. Inicialmente, chamava-se "O Tomo de Edmund", nome que foi revisto.

"Me foi sugerido que esse nome não dizia muito sobre a tira, já que ninguém sabe quem é Edmund e pouca gente sabe o que é um tomo", diz Ciccone, por e-mail.

"Assim, criei o nome ´Magias & Barbaridades´ no ano seguinte."

Desde então, a série é mantida num site, que passou por diferentes roupagens. O formato atual está no ar desde a metade do ano passado.

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

A série quase foi reunida numa coletânea em papel. O álbum deveria ser publicado no fim de 2006 pela Com-Arte, editora vinculada à Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), onde se formou em publicadade e propaganda.

Segundo o desenhista, hoje com 27 anos, o projeto não vingou por diferenças pessoais e profissionais. Prefere não detalhar para, nas palavras dele, não criar polêmica.

Se no papel a série ainda não teve sua chance, na internet ela ganha repercussão. É uma das mais votadas no site "Top 100 Webcomics Brasil", que lista páginas de quadrinhos.

A votação teve uma forcinha. Ciccone pôs no site um desenho da personagem Ilana com uma sugestiva toalha. Se a votação fosse expressiva, ela mostraria o corpo.

                                                            ***

A votação foi expressiva. A série aparece em segundo lugar na listagem virtual.

Nesta segunda-feira, junto com a tira 500, Ilana jogou a toalha. De um jeito diferente. Mas pode-se considerar a promessa cumprida.

Essa é uma das atrações comemorativas que Ciccone criou para marcar as cinco centenas de tiras. Outra é a chance de o leitor criar um personagem para o próximo capítulo.

Ciccone também apresenta uma nova tira, diferente da anterior: "O Robô de Euclides".

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

Carioca de nascimento, criado no interior paulista e na capital do Estado desde 2001, Ciccone divide a produção das tiras com o trabalho de designer gráfico.

Nesta entrevista, ele dá mais detalhes sobre a série, diz como é seu processo de criação e fala sobre a importância da internet na difusão de "Magias & Barbaridades".

                                                           ***

Blog - Como teve a ideia de criar Magias?
Fábio Ciccone
- Ela surgiu na época da faculdade. Eu já estava fazendo quadrinhos lá, junto com meus amigos Roberto Wolvie e David Donato, e distribuindo por e-mail para os colegas. Então, juntamos mais alguns amigos e começamos a pensar em fazer meio que uma comunidade de tiras on-line, na qual cada um publicaria sua própria série. Em uma das reuniões, eu tive a ideia de fazer uma sátira com fantasia medieval e, no fim das contas, só eu é que continuei com o projeto.

Blog - Você faz uma tira cômica seriada, que mescla aventura com a estrutura da tira cômica, com uma piada no fim. É um gênero pouco trabalhado no país e de difícil construção. Como você trabalha esse processo de criação?
Ciccone - Bem, por incrível que pareça, para mim essa é forma de criação que vem mais naturalmente. No começo, imaginava fazer tiras separadas, com histórias mais longas de no máximo cinco ou seis tiras, inspirado por Bill Watterson e Laerte. Então comecei o capítulo 2 e, quando vi, ele já estava com dez, quinze, vinte tiras, e foi aí que percebi que o que estava fazendo estava mais próximo às webcomics do que com as tiras de jornal. O que acontece é que, quando começo um capítulo, sei o que quero que aconteça e tenho algumas ideias de tiras para ele, mas vou contando a história de forma orgânica, uma tira por vez, sem necessariamente ter um roteiro prévio. Assim eu tenho liberdade para dosar a história e as piadas, e, sinceramente, eu não aguentaria ter que esperar uma história inteira ficar pronta antes de mostrar às pessoas. Escrever em forma de tiras, tendo feedback frequente dos leitores, é o que mais me estimula.

Blog - Que papel a internet tem exercido para a condução da série? Seria diferente se fosse lançada em papel?
Ciccone
- Imagino que a série seria totalmente diferente se fosse em papel, especialmente quanto ao formato. Não vejo uma cultura forte de tiras seriadas no mercado de quadrinhos brasileiro, e acredito que o mercado exigiria ou tiras isoladas, como se vê em jornais, ou álbuns com histórias grandes e fechadas, como nas livrarias. Desta forma, a internet não só me inspirou como viabilizou produzir da forma que mais se adapta ao meu perfil.

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

O blog "Magias & Barbaridades" pode ser acessado neste link.

Na página, há arquivo com as tiras de todos os 12 capítulos da série.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 01h14
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17.05.09

Duas obras diferentes. Mas com o mesmo estilo de Milo Manara

 

Crédito: reprodução   Crédito: divulgação 

 

Depois de ser incorporada pela IBEP/Companhia Editora Nacional, a Conrad tirou o atraso dos lançamentos, que vinham sendo adiados desde o ano passado.

A editora pôs no mercado nos últimos dois meses, numa tacada só, uma série de álbuns nacionais e estrangeiros. De Milo Manara, foram duas obras.

"Clic 4", lançado agora em maio, e "Verão Índio, vendido desde o mês passado, trazem histórias bem diferentes. Mas têm em comum o estilo marcante do desenhista italiano.

Não importa tanto qual seja o teor da trama. Ele dá um jeito de destacar mulheres em situações provocantes e sensuais, características que o tornaram famoso.

                                                           ***

Seria de estranhar se o estilo que marcou Manara não estivesse presente à exaustão nesta sequência de "Clic" (56 págs., R$ 24,90). O tom erótico é a marca da série.

Um aparelhinho, quando acionado, consegue aumentar o nível de excitamento de Claudia Christiani, a protagonista dos álbuns e também desta quarta parte.

Ela volta à vida da alta sociedade, agora casada com um influente advogado. Ele defende uma poderosa indústria química, acusada de usar metanol em alimentos.

Como consequência, várias pessoas perderam a visão. Inclusive o pai de Angelina, moça provocante que pretende usar a tal maquininha em Claudia para chantagear o advogado.

                                                           *** 

Mas, dada a premissa básica da obra, o enredo é o que menos vai interessar ao eventual leitor. O que ele procura são mesmo os desenhos provocantes de Manara. 

Tanto que não só o corpo da protagonista é fartamente explorado. Angelina é mostrada à exaustão nas mais diferentes posições, explicitamente ginecológicas.

E, quando um homem entra no quarto, Angelina faz questão de registrar: "Estou sem calcinha! Já vou avisando!". Pura provocação, claro.

Este quarto capítulo mostra que a série já perdeu muito da novidade inicial e começa a se desgastar. Mas há o atrativo de ser a única parte ainda inédita no Brasil.

                                                           ***

Ao contrário de "Clic", "Verão Índio" (152 págs., R$ 49,90) tem uma preocupação maior com a narrativa. O texto é escrito por Hugo Pratt, autor da série "Corto Maltese".

Desde que foi lançada, a obra tem sido incensada por críticos e pela imprensa mais do que deveria. Tem um texto correto. Mas nada mais que isso.

O destaque é mesmo a parceria entre Pratt e Manara. É o segundo trabalho conjunto dos dois autores. O outro "El Gaucho", foi publicado no Brasil em 2006, também pela Conrad.

"Verão Índio" inicia com uma jovem sendo violentada por índios. Os agressores são mortos por Abner, filho de uma enigmática e corajosa mulher.

                                                            ***

A moça é levada à cabana da família, que passa a se preparar para a vingança dos índios. É o mote central da história, que revela aos poucos segredos sobre os personagens.

Embora seja uma trama de mistério, ação e vingança, o estilo de Manara inclui um quarto elemento ao enredo de Pratt: o erotismo.

A sensualidade e a nudez do corpo feminino estão na jovem vítima de agressão, também nas formas e atitudes da provocante Phillis, irmã de Abner.

São as marcas do estilo de Manara. É o que o tornou mundialmente conhecido e o que ele desenha melhor. E o que deve atrair os leitores aos dois álbuns da Conrad.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h23
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16.05.09

Uma tira que merece registro

 

Crédito: reprodução do blog Stockadas


Crédito: a tira é de Paulo Stocker e foi postada no blog dele, o "Stockadas".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h56
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15.05.09

Animação de Los Três Amigos tem pré-estreia neste sábado

 

Crédito: reprodução do site de Laerte, hospedado no UOL

 

 

 

 

Exibição do curta-metragem com os personagens de Angeli, Laerte e Glauco será em São Carlos, no interior de São Paulo

 

 

 

 

Um curta-metragem deu movimento e voz aos personagens de Los Três Amigos, série em quadrinhos criada por Angeli, Laerte e Glauco.

A primeira exibição será neste sábado à noite em São Carlos, no interior paulista.

Após a projeção, vai haver um coquetel e um bate-papo com o autor do produção, Daniel Messias. O diretor de animação demorou oito meses para finalizar o projeto.

Ele já havia feito antes desenhos animados curtos com tiras do trio de quadrinistas.

                                                           ***

Los Três Amigos estreou em dezembro de 1991 nas páginas do "Folhateen", suplemento jovem da "Folha de S.Paulo". As histórias eram inspiradas na comédia norte-americana "Three Amigos", de 1986.  

O trio de amigos, nos quadrinhos, eram os próprios autores. Mudavam apenas os nomes. Angeli era Angel Villa. Laerte, Laertón. Glauco, Glauquito.

As histórias migraram, depois, para um especial da editora Circo. Em 1994, a Ensaio lançou uma coletânea das primeira tiras: "Los 3 Amigos - Sexo, Drogas y Guacamoles".

No mesmo ano, o quadrinista Adão Iturrusgarai foi integrado à equipe e se tornou um "quarto elemento do trio". Algum tempo depois, as tiras deixaram de ser produzidas.

                                                            ***

O ingresso para assistir à exibição do curta-metragem é retirado com a doação de um quilo de alimento não-perecível (exceto sal). Há dois postos de troca, ambos em São Carlos.

Um é o Estúdio Iéio, de Sérgio Luiz Roda, principal organizador da pré-estreia. O estúdio fica na rua Riachuelo, 394, no centro da cidade.

O outro ponto de troca é no Spázio 203, local da exibição. Fica na rua Itália, 203.

                                                            ***

Serviço - Pré-estreia do curta-metragem "Los Três Amigos". Quando: sábado (16.05). Horário: 19h. Local: Spázio, 203. Endereço: rua Itália, 203, vila Prado, São Carlos. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h36
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Editora Agir - enfim - lança O Pagador de Promessas, de Guazzelli

 

Crédito: reprodução

A capa ao lado ainda está escondida no site da editora Agir, um dos selos do grupo Ediouro.

Ela anuncia o lançamento de "O Pagador de Promessas", obra de Dias Gomes (1922-1999) adaptada para os quadrinhos por Eloar Guazzelli.

O álbum (72 págs., R$ 44) foi entregue pelo autor à editora há mais de um ano. 

A Agir tem outras adaptações prontas. Uma delas é de "Os Sertões", de Euclides da Cunha (1866-1909), feita por Rodrigo Rosa e Carlos Ferreira.

Apenas para registro: este ano terá uma overdose de adaptações literárias. O foco são as listas do governo, que compram obras do gênero para levar às escolas. Há novidades já na semana que vem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h40
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14.05.09

Álbum reúne histórias em quadrinhos inspiradas na trilogia Matrix

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra traz 12 contos sobre o mundo fictício criado no cinema pelos irmãos Wachowski 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Tome como base o universo criado em torno dos filmes da série "Matrix", dos irmãos Larry e Andy Wachowski, e faça uma história em quadrinhos com base no que viu.

A frase sintetiza a proposta feita aos autores que integram "The Matrix Comics", que começou a ser vendido neste mês em lojas de quadrinhos (Panini, 164 págs., R$ 42).

Este primeiro volume traz 12 histórias curtas, feitas por nomes conhecidos do mercado norte-americano de quadrinhos.

O dado curioso é que todos preservam o estilo narrativo que os tornou reconhecidos.

                                                           ***

O inglês Neil Gaiman é um bom exemplo. O escritor, que hoje enveredou para o campo da literatura, construiu a história na forma de um conto curto.

As ilustrações apenas servem para acompanhar o texto do criador da série "Sandman".

Bill Sienkiewcz é outro caso. O traço estilizado dele, composto por rajadas de luz mescladas a um desenho próprio, é revisitado, agora no universo da Matrix.

Até Peter Bagge se repete. O tom irônico de seu traço é reconstruído numa história curta, de três páginas, que mostra a saída de jovens de uma sessão do filme.

                                                           ***

Afora a presença do estilo de cada autor, a coletânea consegue cumprir a meta, a de trazer novas tramas baseadas nos longas-metragens.

Como normalmente ocorre numa coletânea, a qualidade das histórias varia muito. Há sacadas melhores, outras piores. Caberá ao leitor eleger as que preferir.

Mesmo sendo uma escolha mais subjetiva, duas parecem se destacar. Uma, curiosamente, foi feita antes da trilogia, exibida em 1999 e 2003 (os dois últimos da série).

É a que abre o álbum e tem roteiro dos irmãos Wachowski. É semelhante ao conto "Eu, Robô", de Isaac Asimov. Uma vida artificial tem de se defender de um assassinato.

                                                           ***

Os desenhos da história dos Wachowski é do detalhista Geof Darrow. O desenhista criou o visual da série para o cinema e é um parceiro antigo da dupla de criadores.

Outro destaque da coletânea é uma história escrita e desenhada por David Lapham, conhecido entre os leitores brasileiros pelos álbuns de "Balas Perdidas", da Via Lettera.

Um homem entra na Matrix - mundo artificial criado por máquinas que aprisiona os humanos - e fica abandonado. A nave dele, saída para o mundo real, foi atacada.

O restante da tripulação morreu. O corpo dele fica à espera de um resgate. A mente, no entanto, permanece viva e atuante na Matrix. O impacto disso é o mote da trama.

                                                            ***

Há outros quadrinhos - e não só quadrinhos - baseados em Matrix. O subtítulo "volume 1" evidencia isso ao comprador. Se a obra prosperar, é de se esperar outra.

O elenco de autores é um dos atrativos, nem que seja para revisitá-los. Alguns não têm histórias publicadas no Brasil há anos.

Outro interesse pela publicação é secundário. Ela retoma um tema caro à história dos quadrinhos e que tem, hoje, poucas produções lançadas no Brasil: a ficção científica.

Mesmo se descartada a referência quase obrigatória aos filmes, ainda assim o leitor tem a rara oportunidade de ler quadrinhos do gênero de Flash Gordon e Buck Rogers.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h40
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13.05.09

Uma tira que merece registro

 

Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Crédito: a tira de Laerte foi publicada na edição desta quarta-feira da "Folha de S.Paulo"

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h06
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12.05.09

Folha de S.Paulo pretende publicar tiras de Liniers

 

Crédito: reprodução do site do jornal La Nacion

 

A "Folha de S.Paulo" quer publicar tiras da série "Macanudo", do argentino Liniers. O jornal confirmou o interesse e a negociação, em estágio avançado. Mas o contrato ainda não teria sido assinado.

A informação foi passada hoje à tarde ao blog por Fábio Marra, responsável pelo departamento de arte do jornal. É a mesma área que cuida da publicação das tiras.

Segundo Marra, se o negócio for concretizado, a tira será veiculada de segunda a sábado. Ele não soube dizer se alguma das séries atuais será excluída.

A Folha é um dos jornais brasileiros que mais publicam tiras. São oito séries, duas delas estrangeiras ("Hagar, o Horrível" e "Garfield"). Aos domingos, veicula tiras de Gabriel Bá e Fábio Moon e de Allan Sieber.

                                                          ***

Merece registro que outras fontes já dão a transação como certa. Uma delas é o próprio Liniers. O desenhista veiculou em seu blog, nesta semana, que a série sairia na Folha.

Outras duas fontes que veem o negócio concretizado são Sylvia Colombo e Cláudio Martini.

Sylvia é jornalista da "Ilustrada", caderno de cultura da Folha onde são publicadas as tiras. Ela teria confirmado a transação a Érico Assis, do site "Omelete". Ele tornou pública a informação no site "Twitter".

Martini conversou com o blog por telefone na manhã desta terça-feira. Ele também dá como certa a ida de "Macanudo" ao jornal.

                                                          ***

Foi a editora dele, a Zarabatana, que lançou a primeira coletânea da série no Brasil. O álbum saiu em outubro do ano passado.

Martini confirma o lançamento da segunda coletânea para o semestre que vem.

A estreia no país, no entanto, ocorreu no número 17 da revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos", de Minas Gerais. A publicação começou a ser vendida em agosto de 2008.

Antes disso, a popularidade de Liniers se deu por meio da internet. As inusitadas histórias criadas por ele ecoaram virtualmente por diferentes sites e blogs sobre quadrinhos.

                                                           ***

Na Argentina, a série é muito popular. A sexta coletânea de "Macanudo", lançada em dezembro passado, teve tiragem de 5 mil exemplares e quase esgotou em um mês.

As tiras de Liniers são publicadas na última página do jornal "La Nacion", um dos mais importantes de Buenos Aires.

Leia mais sobre a série "Macanudo" e seu criador, Liniers, aqui e aqui.

                                                           ***

Post postagem (12.05, às 20h36): o colega Eduardo Nasi me alerta por e-mail para um dado que desconhecia. A estreia de Liniers no Brasil ocorreu na revista bilíngue "Olho Mágico/Ojo Mágico", e não na "Graffiti 76% Quadrinhos". Fica registrada a correção.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h40
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Mais uma façanha precoce de João Montanaro

 

Crédito: reprodução do blog Por João

 

Lembram-se do João Montanaro, menino de 12 anos que faz tiras de adultos e que foi noticiado aqui no blog no dia 22 de abril?

Pois bem, ele conseguiu mais uma façanha precoce, que merece registro: foi entrevistado para a MTV. Segundo ele, a reportagem vai ao ar nesta terça-feira, às 21h30.

Pensata minha: este caso comprova uma leitura que tenho feito há algum tempo e que, até então, mantinha apenas em conversas reservadas.

A mídia virtual tem sido a principal fonte de outros órgãos de imprensa quando o assunto são histórias em quadrinhos. Temos agora mais um caso assim.

Numa época em que se discute o fim dos jornais impressos, isso ganha outra cor.

Em tempo: a tira acima é de autoria do João e foi reproduzida do blog dele.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h36
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11.05.09

A vingança da gripe suína

 

Crédito: reprodução do site do jornal Gazeta do Povo

 

Crédito 1: a autoria é de Paixão. A charge circulou no site do jornal "Gazeta do Povo", de Curitiba, no dia 28 de abril. 

Crédito 2: agradeço a José Alberto Lovetro, o JAL, e Ricardo Yazigi por terem me enviado, em e-mails diferentes, a mesma dica de charge para postar aqui no blog.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h45
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10.05.09

Quadrinhos são literatura?

 

A pergunta pautou matéria do "Entrelinhas", programa da TV Cultura voltado à literatura.

Fui um dos entrevistados. Minha leitura é que existem diálogos evidentes entre as duas áreas. Mas quadrinhos são quadrinhos e literatura é literatura.

Segue a reportagem, reproduzida do site de vídeos "YouTube".

  

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h13
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Brasileiros participam de exposição de humor na Espanha

 

Crédito: Osvaldo Dacosta

 

Três desenhistas brasileiros - Amorim, Érico Junqueira Ayres e Osvaldo Dacosta - participam da Mostra de Humor Gráfico, realizada em Valência, na Espanha.

O tema deste terceira edição da mostra é "Evolucionismo ou Criacionismo?", que marca os 150 de publicação do livro "A Origem das Espécies", de Charles Darwin (1809-1882).

Foi esse assunto que pautou a charge acima, feita pelo santista Dacosta. Além dele e dos outros dois brasileiros, a mostra conta com 220 desenhistas de 44 países.

A exposição foi inaugurada no fim de abril e vai viajar por outras cidades espanholas.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h59
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09.05.09

Sabor da Café Espacial fica mais refinado a cada nova xícara

 

Crédito: reprodução do site da Café Espacial

 

 

 

 

Quarto número da revista será lançado hoje à noite em São Paulo 

 

 

 

 


A tarefa de degustação da "Café Espacial" fica mais interessante a cada nova xícara.

Este quarto café - que será servido aos fregueses neste sábado à noite, em São Paulo - tem aroma e paladar refinados.

O sabor, o cliente verá, é ainda melhor que o anterior, servido em novembro do ano passado. A produção continua sendo feita de forma independente.

Pelo que se pode ver de longe o que acontece por dentro da cozinha, o segredo do chef é caprichar na aparência externa e dar pitadas de diferentes partes do país no conteúdo.

                                                           ***

O cartão de visitas do café é mostrado num cardápio ilustrado duplo, desenhado por Shiko. É o mesmo mostrado na abertura desta resenha. Ganha a clientela já na primeira olhada.

O gosto é para ser saboreado aos poucos. Percebe-se que a maior parte dos igrãos é produzida no estado de São Paulo, região do país onde mora o chef, Sergio Chaves.

São de lá também alguns dos garçons, Sueli Mendes, Mario Cau e Daniel Esteves.

Esteves, especificamente, volta a servir no formato de "Nanquim Descartável". É um pedido muito solicitado pelos fregueses desde 2008. Mas que tem demorado a chegar.

                                                          ***

Degustando um pouco mais, sentem-se elementos do Paraná, da Paraíba, do Rio de Janeiro também.

Foram trazidos, respectivamente, por Allan Ledo, Shiko, Vinícius Mitchell e Fábio Lyra, o mesmo que trabalhou no restaurante Desiderata com o premiado prato "Menina Infinito".

Junto com o café, o chef serve também alguns textos para serem lidos durante a bebida. Um fala sobre cinema, outro sobre uma banda da Grande São Paulo, ambos com fotos.

O serviço completo custa R$ 5. Vale? Vale, embora o sabor do café ainda não esteja uniforme e precise de ajustes. Mas melhora a cada nova xícara, é justo reconhecer.

                                                           ***

Serviço - Lançamento do quarto número de "Café Espacial". Quando: hoje (09.05). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 5. A revista pode ser comprada também na página da "Café Espacial".

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 01h04
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08.05.09

Álbuns vão reeditar histórias importantes de Demolidor

 

Crédito: divulgação   Crédito: divulgação

 

De quando em quando, a relação de lançamentos que a Panini divulga todos os meses à imprensa especializada em quadrinhos traz alguma novidade.

Ou novidades, como neste mês. A editora vai relançar dois momentos importantes do Demolidor: a minissérie "O Homem sem Medo" e as primeiras histórias de Kevin Smith.

"Demolidor - O Homem sem Medo" (156 págs., preço não informado) foi escrita por Frank Miller, autor que recriou o personagem na virada da década de 1970 para a seguinte.

A presença de Miller ajudou a salvar do cancelamento a revista "Daredevil" - nome norte-americano do herói da editora Marvel Comics. E impulsionou a carreira do artista.

                                                            ***

Os cinco capítulos da minissérie recontam a origem do personagem. Após um salvar um idoso, o jovem Matt Murdock foi submetido a um produto que tirou sua visão.

O acidente teve outro efeito colateral: ampliou os demais sentidos dele. A hipersensibilidade permite que ele atue como o fantasiado Demolidor.

A história foi lançada pela primeira vez no Brasil pela Editora Abril. Foram cinco números, publicados entre maio e julho de 1994. Dois anos depois, houve uma edição encadernada.

Os desenhos são de John Romita Jr., artista bastante popular da Marvel, que já trabalhou nos principais títulos da editora estadunidense.

                                                           ***

"Demolidor - Diabo da Guarda" (212 págs., R$ 28,90) reúne histórias de outra parceria: o escritor Kevin Smith e o desenhista Joe Quesada, hoje o manda-chuva da Marvel.

A série - também publicada no Brasil pela editora Abril - foi importante para a realidade do herói cego por dois motivos, um narrativo e outro editorial.

O narrativo: marcou a morte de uma personagem de destaque na vida do chamado "homem sem medo". O editorial: as oito histórias reiniciaram a revista mensal do herói.

O roteiro de Smith - que também mantém carreira de diretor e ator de cinema - conseguiu recuperar o prestígio dos textos de Frank Miller, escritos anos antes.

                                                            ***

As duas publicações ajudam a marcar os 45 anos de criação do Demolidor.

No mês passado, a Panini lançou um álbum de luxo com as primeiras histórias do herói, publicadas na década de 1960 e escritas por Stan Lee.

A obra integra a coleção "Biblioteca Histórica Marvel", que republica as aventuras iniciais dos personagens da editora. Leia resenha do álbum neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h19
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07.05.09

Álbum de Marcello Quintanilha traz contos em forma de HQs

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

"Sábado dos Meus Amores", novo álbum do quadrinista, começou a ser vendido neste mês

 

 

 

 

 

 

 

Viver fora da terra natal ajuda a perceber melhor as próprias raízes. O olhar distante, saudosista, transforma-se num observador privilegiado, que vê de fora algo difícil de enxergar de dentro da cultura de origem.

A premissa - inspirada no modo de atuação dos antropólogos - ajuda a entender o que se lê em "Sábado dos Meus Amores", que começou a ser vendido neste mês.

O autor, o fluminense Marcello Quintanilha, mora há alguns anos na Espanha. Lá, produz álbuns da série "Sept Balles pour Oxford", da editora belga Editions du Lombard.

E é de lá que criou também os seis contos brasileiríssimos que compõem esta nova obra da Conrad (Conrad, 64 págs., R$ 39). Ele pode estar longe do país. Mas ainda o retrata bem.

                                                           ***

O interesse de Quintanilha é narrar situações corriqueiras, cenas comuns do dia-a-dia vividas pelos milhões de brasileiros, vertidas em contos fictícios. 

A escolha temática conduz o leitor ao que se passa na periferia do Brasil. E com um olhar carregado de um realismo fora do comum.

Os diálogos, os rostos expressivos, os personagens, os cenários. Tudo é realisticamente representado no modo de narrar dele. Mais do que um recurso, é um estilo.

E, mais do que um estilo, o autor é dono de um domínio narrativo compartilhado por muito poucos no país. Sabe conduzir a história e explorar o "timing" de leitura.

                                                           ***

Um exemplo é como sabe usar o silêncio em trechos de suas histórias.

A ausência de palavras, marcada em um ou mais quadrinhos, acentua intencionalmente o clímax narrativo. Ora numa resposta subentendida, ora numa descoberta imprevista.

O recurso é percebido na leitura dos seis contos em sequência. O realismo também. E uma tendência a explorar temas caros ao autor, como o futebol e Rubem Braga.

O escritor é mostrado na primeira narrativa, de apenas uma página. O futebol é o campo percorrido no conto seguinte, talvez o melhor do álbum.

                                                            ***

Marcello Quintanillha assumiu o sobrenome somente depois de iniciar a carreria na Europa. Antes, assinava o primeiro nome acompanhado do apelido Gaú.

Foi como Marcello Gaú que iniciou a carreira em 1988, desenhando histórias de terror e de artes marciais para a editora Bloch, do Rio de Janeiro.

Fez depois uma série de colaborações para diferentes revistas. Em 1999, lançou seu primeiro álbum, "Fealdade de Fabiano Gorilla", uma vez mais pela Conrad.

A exemplo deste novo trabalho, a obra trazia contos de pessoas comuns. E tinha no futebol um dos temas abordados.

                                                            ***

Depois que se estabeleceu na Espanha, Quintanilha tem rareado as produções em quadrinhos publicadas aqui no Brasil.

As mais recentes foram algumas histórias curtas incluídas na revista "Zé Pereira", da Editora Casa 21. Três podem ser lidas na versão on-line da publicação.

Este blog registrava em fevereiro que este ano que seria marcado por álbuns autorais nacionais, dado o volume de obras programadas pelas editoras.

O momento favorável de nada valerá se os autores não souberem criar boas histórias. Quintanilha, pelo menos, faz a parte dele. Até aqui, é o melhor lançamento nacional do ano.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
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Leitor se torna co-autor de história em quadrinhos virtual

 

Páginas de história em quadrinhos virtual, desenhada por Alexandre de Maio

 


Por enquanto, pouco se sabe. Ela se chama Camila e mora numa área nobre de São Paulo. Ele é Henrique. Vive na periferia. Ambos transitam pela cidade.

Os dois vão se encontrar? Não? Quem vai definir as falas e a continuidade da história em quadrinhos é o leitor. O que há de informação até o momento é o descrito acima.

A história foi desenhada por Alexandre de Maio e entrou no ar nesta quinta-feira no site "Catraca Livre", mantido pela equipe do jornalista Gilberto Dimenstein.

A proposta da página é mostrar o que há de mais acessível na área cultural da cidade.

                                                           ***

A história se chama "Como Seria uma Cidade sem Catraca?". Além do título, o que o leitor vai encontrar são as cinco primeiras páginas  A única com texto é a primeira.

As demais têm apenas os desenhos e espaços em branco numerados para terem as palavras inseridas. A tarefa da co-autoria é do internauta. 

Os leitores colocarão as ideias no próprio site. Segundo Alexandre de Maio, a escolha da melhor proposta será feita pela equipe do site.

O nome do autor será inserido na história. A previsão dele é atualizar toda quinta-feira.

                                                           ***

"A gente vai dividir em capítulos. O primeiro é contado sobre o casal", disse De Maio por telefone, agora há pouco.

Ele disse também que, quando houver um volume grande de páginas, o projeto deve ganhar uma versão impressa.

O desenhista paulistano, de 30 anos, mexe com o traço desde a infância. O primeiro trabalho profissional foi em 1999: uma história publicada na revista "Rap Brasil".

Nos últimos anos, ele tem trabalhado a linguagem dos quadrinhos em programas de liberdade assistida.

                                                           ***

De Maio é mais conhecido dos leitores de quadrinhos pelo álbum "Os Inimigos não Mandam Flores", produzido em parceria com o escritor Ferrez e publicado em 2006 pela Pixel.

Ele tem uma outra história feita com Ferrez. Como o futuro da Pixel é incerto, o trabalho deve ser impresso e publicado por conta própria.

"1.000 Fita", gíria que dá título ao álbum, já tem pelo menos 20 páginas prontas. Segundo o desenhista, falta pouco para ser finalizado.

O tema - a exemplo do álbum anterior - vai abordar a realidade urbana. 

                                                           ***

A história em quadrinhos interativa, disponível no "Catraca Livre", pode ser acessada aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h22
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Divulgados os indicados ao Troféu HQMix deste ano

A comissão que organiza o Troféu HQMix divulgou nesta semana os indicados para a edição deste ano da premiação, a principal da área de quadrinhos no país.

Foram selecionados sete nomes ou trabalhos para cada uma das categorias.

A única exceção é publicação erótica, que teve cinco obras elencadas.

Veja a lista completa:

1. Desenhista nacional
  • Fábio Lyra ("Menina Infinito" - Desiderata)
  • Fábio Moon e Gabriel Bá ("Procurando São Paulo" - revista Época SP)
  • José Aguiar ("Quadrinhofilia" - HQM)
  • Jozz ("Circo de Lucca" - Devir)
  • Laudo ("Revolução Russa" - Escala Educacional; "Depois da Meia-noite" - Independente
  • Rafael Grampá ("Mesmo Delivery" - Desiderata)
  • Samuel Casal ("Prontuário 666" - Conrad)
2. Desenhista estrangeiro
  • Darwyn Cooke ("Spirit" - Panini)
  • Frank Quitely ("Grandes Astros Superman" - Panini)
  • David B ("Epiléptico" – Conrad)
  • Duncan Fegredo ("Hellboy" - Mythos)
  • Liniers ("Macanudo" - Zarabatana)
  • Enrico Marini ("Predadores" - Devir)
  • Niko Henrichon ("Leões de Bagdá" - Panini)
3. Roteirista nacional
  • André Diniz ("Coleção História e Filosofia em Quadrinhos" - Escala Educacional)
  • Adriana Brunstein e Samuel Casal ("Prontuário 666" - Conrad)
  • Daniel Esteves ("Nanquim Descartável" - Independente; "Front" - Via Lettera)
  • Cadu Simões ("Nova Hélade" - Independente Garagem Hermética - Independente)
  • Fábio Lyra ("Menina Infinito" - Desiderata)
  • Fábio Moon e Gabriel Bá ("Procurando São Paulo" - revista Época SP)
  • José Aguiar ("Quadrinhofilia" - HQM)
4. Roteirista estrangeiro
  • Alan Moore ("Promethea" - Pixel)
  • Ai Yazawa ("Nana" - JBC)
  • Brian Wood ("DMZ" - Panini; "Local" - Devir)
  • Charles Burns ("Black Hole" - Conrad)
  • David B. ("Epiléptico" - Conrad)
  • Geoff Johns ("Lanterna Verde"; "JSA" - Panini)
  • Grant Morrison ("Grandes Astros Superman" - Panini)
5. Desenhista Revelação
  • Bruno D’Angelo ("O Catador de Batatas e o Filho da Costureira" - JBC)
  • Danilo Beyruth ("O Necronauta" - Independente)
  • Marlon Tenório ("Os 303 de Esparta" - Independente)
  • Olavo Costa ("O Contínuo" - Independente)
  • Hemeterio ("Chibata! João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil" - Conrad)
  • Pablo Mayer ("A Casa ao Lado" - HQM)
  • Tulio Caetano ("Dr. Bubbles & Tilt" - Zarabatana)
6. Roteirista Revelação
  • Alex Mir ("Tempestade Cerebral" - Independente)
  • Dalton Correa Soares ("O Contínuo" - Independente)
  • Leandro Assis e Hiroshi Maeda ("O Cabeleira" - Desiderata)
  • Marlon Tenório ("Os 303 de Esparta" - Independente)
  • Olinto Gadelha ("Chibata! João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil" - Conrad)
  • Ricardo Giassetti ("O Catador de Batatas e o Filho da Costureira" - JBC)
  • Rodrigo Alonso ("Eterno" - Independente)
7. Ilustrador Nacional
  • Adams Carvalho (Folha de São Paulo)
  • Alarcão (livros infantis)
  • Éber Evangelista (revista Aventuras na História)
  • Fernando Vilela (livros infantis)
  • Kako (revista "Aventuras na História")
  • Odilon Moraes (livros infantis)
  • Weberson Santiago ("Folha de São Paulo", revista "Getúlio")
8. Tira nacional
  • Amely (Pryscila Vieira - PubliMetro)
  • Chiclete com Banana (Angeli – "Folha de São Paulo")
  • Mulher de 30 (Cibele Santos - PubliMetro)
  • Níquel Náusea (Fernando Gonsales – "Folha de São Paulo")
  • Quase Nada (Fábio Moon & Gabriel Bá – "Folha de São Paulo")
  • Piratas do Tietê (Laerte –"Folha de São Paulo")
  • Preto no Branco (Allan Sieber – "Folha de São Paulo")
9. Web quadrinhos
  • Candyland - Capital - link
  • Clube da Esquina - link
  • Exploradores do Desconhecido - link
  • O Homem Nu - link
  • Meu Mundo Nosso - link
  • Quadrinho Ordinário - link
  • Rei Emir - link
10. Publicação infanto-juvenil
  • Almanaque da Mônica (Panini)
  • Almanaque Maluquinho - O Japão dos brasileiros (Globo)
  • Hunter X Hunter (JBC)
  • Naruto (Panini)
  • Os Pequenos Guardiões (Conrad)
  • Turma da Mônica Jovem (Panini)
  • Xaxado Ano 3 (Independente)

 11. Publicação de clássico

  • Batman ilustrado por Neal Adams (Panini)
  • Che (Conrad)
  • Antologia Chiclete com Banana (Devir-Jacaranda)
  • Corto Maltese – As Etiópicas (Pixel)
  • Biblioteca Histórica Marvel - O Surfista Prateado vol. 1 (Panini)
  • Tintim No País dos Sovietes (Cia. das Letras)
  • Turma da Mônica Coleção Histórica (Panini)
12. Publicação de humor
  • Bone – Estúpidas, Estúpidas Caudas-de-Ratazanas (Via Lettera)
  • Macanudo #1 (Zarabatana)
  • Mad (Panini)
  • Mundo Canibal (Mythos)
  • Níquel Náusea - Em boca fechada não entra mosca (Devir)
  • Piratas do Tietê # 3 (Devir)
  • Vale Tudo (Ópera Graphica)
13. Publicação mix
  • Front #19 (Via Lettera)
  • Front Especial - 100 Anos da Imigração Japonesa no Brasil (Via Lettera)
  • Grande Clã (Independente)
  • Graffiti #18 (Independente)
  • Pixel Magazine (Pixel)
  • Power Trio (Independente)
  • Prática de Escrita (Terracota)

 14. Publicação erótica

  • Cica Dum-Dum (Zarabatana)
  • Clara da Noite (Zarabatana)
  • Clic #3 (Conrad)
  • Emmanuelle (Pixel)
  • Love Junkies (JBC)

 15. Publicação de aventura/terror/ficção

  • 100 Balas (Pixel)
  • Delivery Service of Corpse (Conrad)
  • O Garoto Verme (Zarabatana)
  • Leões de Bagdá (Panini)
  • Local (Devir)
  • Mágico Vento (Mithos)
  • Promethea (Pixel)

 16. Edição especial nacional

  • Aú Capoeirista (Papel A2)
  • O Cabeleira (Desiderata)
  • Chibata! João Cândido e a Revolta que Abalou o Brasil (Conrad)
  • Menina Infinito (Desiderata)
  • Mesmo Delivery (Desiderata)
  • Noite Luz (Via Lettera)
  • Prontuário 666 (Conrad)

 17. Edição especial estrangeira

  • Asterix e seus Amigos (Record)
  • Batman – Preto e Branco (Panini)
  • Escombros (Zarabatana)
  • Frango com Ameixa (Cia. das Letras)
  • Hard-Boiled - À Queima Roupa (Devir)
  • Love & Rockets – Pés de Pato (Via Lettera)
  • Revelações (Devir)
18. Publicação independente de autor
  • Gatipos
  • Nanquim Descartável
  • Necronauta
  • Macaco Albino
  • Menino Caranguejo
  • Penitente
  • Tempestade Cerebral
19. Publicação independente de grupo
  • Avenida
  • Café Espacial
  • Contínuo
  • Garagem Hermética
  • Quadrinhópole
  • Samba
  • Zine Royale
20. Publicação independente especial
  • Câncer
  • Consequências
  • Contos das Madrugada
  • Depois da Meia-noite
  • Eterno
  • Muertos
  • Subterrâneo Especial 4

 21. Publicação de tiras

  • Candido Deodato (HGB Comunicações)
  • Macanudo #1 (Zarabatana)
  • Malvados (Desiderata)
  • Níquel Náusea - Em boca fechada não entra mosca (Devir)
  • Tiras Clássicas da Turma da Mônica (Panini)
  • Tiras de Letra – Até Debaixo D’água (Virgo)
  • Under World (Zarabatana)
22. Publicação de charges
  • 34º Salão Internacional de Humor de Piracicaba (Imprensa Oficial do Estado)
  • 35º Salão Internacional de Humor de Piracicaba (Imprensa Oficial do Estado)
  • No Bico sem Pena! Brás, 15 anos de Charges
  • O Humor Pai D´Égua (Projeto Cultural Lei A. Tito Filho)
  • O Livro dos Políticos (Heródoto Barbeiro & Bruna Cantele - Ediouro)
23. Publicação de cartuns
  • Duke - Desenhos de Humor (Independente)
  • 1º Festival Internacional de Humor do Rio de Janeiro (catálogo oficial)
  • Humor Politicamente Incorreto (Nani - L&PM)
  • Ninguém é Perfeito (Jaguar - Desiderata)
  • Millôr - Um Nome a Zelar (Millôr - Desiderata)
  • Radicci - Tem Outro por Dentro (Iotti - L&PM)
  • Tulípio #7 (Eduardo Rodrigues & Paulo Stocker - Independente)
24. Livro teórico
  • Batman e a Filosofia - O Cavaleiro das Trevas da Alma (Madras)
  • Henfil - O Humor Subversivo (Expressão Popular)
  • História em Quadrinhos - Impresso vs. Web (Unesp)
  • Magia dos Quadrinhos (Edições Bagaço)
  • Nossos Deuses são Super-Heróis (Cultrix)
  • Para o Alto e Avante (Editora Asterisco)
  • Traço a Traço Quadro a Quadro (Editora C/Arte)
25. Projeto Editorial
  • Calendário Pindura 2009 (Pégasus Alado)
  • O Catador de Batatas e o Filho da Costureira (JBC)
  • Dr. Bubbles & Tilt (Zarabatana)
  • História do Brasil, História Mundial e Filosofia em Quadrinhos (Escala Educacional)
  • Powertrio (Mondo Urbano)
  • As Tiras Clássicas da Turma da Mônica (Panini)
  • Turma da Mônica Jovem (Panini)

 26. Adaptação para outro veículo

  • Aline (tevê)
  • Batman – O Cavaleiro das Trevas (cinema)
  • O Caderno da Morte - Death Note (teatro)
  • A Noite dos Palhaços Mudos (teatro)
  • Homem de Ferro (cinema)
  • Persépolis (cinema)
  • Hellboy II - O Exército Dourado (cinema)
27. Adaptação para os quadrinhos
  • Desista! (Conrad)
  • Dom Quixote (Escala Educacional)
  • História do Brasil em Quadrinhos (Europa)
  • O Pequeno Príncipe (Agir)
  • A Revolução Russa (Escala Educacional)
  • Heróis da Restauração Pernambucana (Plublikimagem)
  • Triste Fim de Policarpo Quaresma (Cia. Editora Nacional)
28. Mídia sobre quadrinhos
  • Banca de Quadrinhos (programa)
  • Bigorna (Internet)
  • Blog dos Quadrinhos (Internet)
  • HQ Além dos Balões (programa)
  • HQ&Cia (programa)
  • Mundo dos Super-Heróis (revista)
  • Universo HQ (Internet)
29. Editora do ano
  • Conrad
  • Desiderata
  • Devir
  • JBC
  • Panini
  • Via Lettera
  • Zarabatana

                                                           ***

Nesta 21ª edição do prêmio, houve algumas mudanças.

Uma é que o número de categorias foi reduzido. Para isso, algumas foram fundidas.

É o caso de mídia de quadrinhos, que passa a selecionar sites, blogs, revistas, programas de TV e de outras formas de produção jornalística.

Foi criada uma nova categoria, adaptação para os quadrinhos, para dar destaque ao volume de versões quadrinizadas de obras literárias e de fatos históricos.

                                                            ***

Outra mudança é com relação ao processo de escolha dos vencedores. Será feito de forma diferenciada, conforme a categoria.

As categorias de melhor chargista, caricaturista, cartunista, articulista de quadrinhos, exposição, eventos de quadrinhos, salão e festival de quadrinhos ou humor gráfico serão definidas por uma comissão especial, a ser formada.

A decisão é para tentar evitar os chamados votos "viciados".

Permanecerá com a comissão organizadora, como nas edições passadas, a escolha de: trabalho de conclusão de curso, dissertação de mestrado, tese de doutorado, mestre do quadrinho nacional, homenagem especial e grande contribuição aos quadrinhos.

                                               ***

Nas demais categorias, vale o mesmo sistema de votação usado nas últimas edições.

A escolha é feita por meio de votação virtual, realizada por mais de dois mil especialistas e profissionais da área de quadrinhos previamente inscritos.

O processo de votação terá início ainda neste mês, segundo a comissão.

                                               ***

Os autores de trabalhos acadêmicos interessados em competir devem encaminhar as pesquisas até o dia 15 de junho.

O mesmo vale para a categoria de articulista. Este deve inscrever o texto, em cinco cópias (no caso de mídia impressa, com o original mais quatro cópias).

O material deve ser encaminhado à Livraria HQMix, que fica na Praça Roosevelt, 142, no centro de São Paulo (CEP 01303-020).

                                               ***

A data da cerimônia de entrega dos prêmios é outra mudança. Será no dia 7 de agosto, uma sexta-feira. Normalmente, a entrega ocorria no meio da semana, em julho.

O local, no entanto, permanece o mesmo: o Sesc Pompeia, em São Paulo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h54
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06.05.09

Álbum em homenagem a Claudio Seto tem lançamento em Curitiba

 

Página de uma das cinco histórias do álbum. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O álbum "Flores Manchadas de Sangue", de Claudio Seto, será lançado nesta quinta-feira à noite em Curitiba. Não vai haver autógrafos. Apenas um coquetel e a venda da obra.

O motivo é a ausência do autor. Seto morreu em novembro de 2008, antes de o trabalho ser impresso. Ele será representado por familiares e pelo editor, Toninho Mendes.

Foi o desenhista que selecionou as cinco histórias da obra, produzida em parceria pelas editoras Jacaranda e Devir e vendida desde o mês passado.

Ele fez também o prefácio de cada uma das narrativas de samurai, lançadas pela primeira vez no Brasil no início da década de 1970 pela extinta editora Edrel. 

                                                           ***

Seto é tido como o primeiro autor brasileiro a produzir quadrinhos no estilo dos mangás, nome como são conhecidos os quadrinhos japoneses.

Após a passagem pela Edrel, ele encabeçou outro projeto editoral na década de 1980, a Grafipar. Desde o encerramento da editora, não mexia mais com quadrinhos.

O lançamento, que tem ares de homenagem póstuma, será na praça do Japão, lugar simbólico para o quadrinista, que viveu as últimas décadas em Curitiba.

Foi na praça que ele promoveu festivais culturais japoneses. Foi lá também seu velório.

                                                           ***

Para registro: a Folha Online disponibilizou nesta quarta-feira para leitura on-line uma das histórias do álbum, "A Flor Maldita", de 1972. Pode ser lida neste link.

E neste link a resenha da obra, noticiada pelo blog em 17 de abril.

                                                            ***

Serviço - Lançamento de "Flores Manchadas de Sangue", de Claudio Seto. Quando: quinta-feira (07.05). Horário: 20h. Onde: praça do Japão, em Curitiba. Endereço: avenida 7 de setembro, s/n. Quanto: R$ 28.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h44
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Laerte participa de talk show animado da MTV

Esta é, com certeza, uma das entrevistas mais diferentes da carreira de Laerte.

O criador dos Piratas do Tietê participou do "Infortúnio com a Funérea", um talk-show da MTV em que pessoas interagem com animações.

O quadrinista fala sobre salões de humor, seu blog, suas influências. E encerra revelando o que escreveria em sua lápide. Não revelo o que é para não estragar a surpresa.

O resultado ficou bem divertido. Pode ser conferido abaixo.

 

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h52
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05.05.09

Semana tem overdose de Wolverine no Brasil

 

Crédito: divulgação 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do especial "Eu, Wolverine", um dos cinco álbuns do herói que começam a ser vendidos nesta semana nas bancas 

 

 

 

 

 

 

 

 

A cena registrada por poucos veículos de imprensa na tarde desta terça-feira, em São Paulo, é apenas um aperitivo da extensão do alcance das garras de Wolverine.

O ator australiano Hugh Jackman, que encarna o herói mutante no cinema, iniciou o primeiro dia de visita ao Brasil trocando de camisas com Ronaldo, o Fenômeno.

Tudo pré-combinado, registre-se.

                                                           ***

Jackman entregou ao jogador do Corinthians, durante o treino do recém campeão paulista, uma camiseta com a frase "Eu sou indestrutível".

Seguida, claro, do logo do filme "X-Men Origens: Wolverine", que estreou por aqui na sexta-feira e bateu recorde de bilheteria no Brasil durante o fim de semana.                                                         

Ronaldo deu ao ator um boneco símbolo da mascote do Corinthians e outra camiseta, com um "X" estampado nas costas, no lugar do número do jogador.

                                                            ***

A escolha de Ronaldo como primeira parada para uma visita promocional dá o tom desta semana que será pautada por Wolverine, personagem da  editora Marvel Comics.

O longa-metragem, que dá sequência à franquia X-Men, é exibido com destaque, ocupando mais de um sala do mesmo cinema.

Pela reação do público, o filme superou o trauma causado pelo vazamento na internet.

                                                          ***

Se alguém viu a produção na tela pequena, possivelmente a assistiu também na grande.

E viu um longa-metragem de ação, nada muito mais do que isso. O filme, como o título já sugere, explica como o herói se tornou Wolverine, antes de ingressar nos X-Men.

Pelo menos na versão cinematográfica. Os fãs dos quadrinhos do herói poderão questionar a fidelidade da obra em relação ao que lerem em papel.

                                                            ***

Mas, em termos de divulgação, o que vale é o burburinho. Burburinho que a Panini, que publica o personagem no Brasil, já começa a explorar.

A editora esperou a estreia do filme para soltar cinco especiais de Logan, nome adotado pelo mutante. A maior parte dos álbuns já é vendida em lojas de quadrinhos paulistanas. 

O restante chega às bancas de parte do país nesta semana. Nos demais estados, em alguns meses, por meio de um sistema de distribuição feito em partes.

                                                            ***

A Panini separou histórias do herói produzidas por autores de destaque do mercado norte-americano de quadrinhos. Os nomes giram em torno do personagem central.

"Wolverine - Inimigo de Estado",  (R$ 68), "Wolverine - Logan" (preço não divulgado), "Wolverine - Duro de Matar" (R$ 18,90) e um edição anual do herói (R$ 15,90).

O quinto álbum, "Eu, Wolverine" (R$ 26,90) é, talvez, o mais conhecido dos leitores brasileiros: traz a minissérie escrita por Chris Claremont e desenhada por Frank Miller.

                                                          ***

A minissérie, reunida agora em álbum, foi publicada pela primeira vez no Brasil pela Editora Abril entre julho e agosto de 1987, em quatro edições quinzenais.

O destaque não era tanto a história, que mostrava o envolvimento dele com Mariko Yashida e a luta contra ninjas. O atrativo era a dupla de autores.

Tanto Claremont quanto Miller tinham conquistado fama à época: este com Demolidor, aquele com X-Men. O que publicavam vendia. E bem.

                                                            ***

A onda de Wolverine é uma tentativa de atrair o olhar das pessoas para o personagem, ora por meio da figura de Jackman, ora pelos traços originais dos quadrinhos.

Serve também para conhecer melhor o personagem, para quem ainda não foi apresentado a ele. Depois, só na sequência de "X-Men Origens - Wolverine". 

Segundo a jornalista Ana Maria Bahiana, colega de blog aqui no UOL, o ator já está comprometido com mais um filme. Parte do longa será rodado no Japão.              

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h03
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03.05.09

Ilustrador faz biografia em quadrinhos de Angelo Agostini

 

Primeiro, as páginas da biografia de Angelo Agostini, um dos pioneiros dos quadrinhos:

 

Crédito: reprodução de flickr de Hilton Mercadante

Crédito: reprodução de flickr de Hilton Mercadante

 

Agora, lida a biografia em quadrinhos, as informações sobre a notícia.

As duas páginas foram criadas pelo ilustrador, jornalista e professor paulistano Hilton Mercadante.

A biografia foi produzida para um fanzine, feito com alunos de Educação Artística da FESB (Fundação Municipal de Ensino Superior de Bragança Paulista), no interior paulista.

O diferencial da história é que usa desenhos do próprio Angelo Agostini, feitos entre o final do século 19 e início do 20. A única exceção é a imagem de abertura, uma foto do autor.

                                                           ***

Angelo Agostini (1843-1910) é tido como um dos pioneiros das histórias em quadrinhos no mundo e como ponto de partida para a manifestação artística aqui no Brasil.

O desenhista ítalo-brasileiro teve papel importante na consolidação da imprensa no país durante a segunda metade do século 19. Criou diferentes jornais.

Num deles, fez a história "As Aventuras de Nhô Quim, ou Impressões de uma Viagem à Corte", que começou a ser publicada em 30 de janeiro de 1869, em "Vida Fluminense".

A data serviu de base para o Dia do Quadrinho Nacional, que comemora 140 anos no país.

                                                           ***

Mercadante - ou Merka, seu apelido - tem planos de mais quatro biografias nesses moldes.

Estão na lista Jayme Cortez, Renato Silva - criador de Garra Cinzenta -, Monteiro Filho, Jota Carlos, Mauricio de Sousa, Ziraldo e Laerte.

"Pretendo selecionar quatro desses, depende do material que eu conseguir", diz o ilustrador, de 43 anos.

"Mas eu sinto que está faltando  alguém... Como retomei a idéia há pouco, acho que muita coisa vai mudar ou tudo. Afinal sou libriano, né?"

                                                          ***

A biografia de Agostini lida nesta postagem foi reproduzida do flickr de Hilton Mercadante.

Lá, há outras histórias em quadrinhos e trabalhos do ilustrador.

E leia mais sobre a trajetória de Angelo Agostini neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h01
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01.05.09

História de Brian Bolland, feita em 1978, pode ser lida na internet

 

Crédito: reprodução do site Hairy Green Eyeball

 

A sequência acima é uma daquelas surpresas que o mundo virtual esconde até revelar.

Trata-se de uma história em quadrinhos de fevereiro de 1978, desenhada por Brian Bolland para a revista inglesa "The House of Hammer". A trama se chama "Vampire Circus".

As 19 páginas da história de terror estão disponíveis para leitura on-line no site "Hairy Green Eyeball", que pode ser acessado neste link.

                                                           ***

Brian Bolland ganhou fama nos Estados Unidos na década de 1980.

Foi quando fez a arte de duas obras de destaque da DC, ambas publicadas mais de uma vez no Brasil: "Camelot 3000" e "A Piada Mortal", esta escrita por Alan Moore.

Para registro: o crédito da descoberta é de Edu Mendes, que pôs a dica no Twitter.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h47
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