29.06.09

Novo volume de Predadores prepara terreno para final da série

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Capa do terceiro número da série francesa, que começou a ser vendido neste fim de mês 

 

 

 

 

 

 

 


O terceiro volume da série francesa "Predadores" começou a ser vendido neste fim de mês em lojas especializadas em quadrinhos (Devir, 64 págs., R$ 29,90).

Este novo capítulo tem menos ação que os dois primeiros números, lançados no ano passado. Tem a função de servir de transição para a quarto e última parte da série.

Os irmãos Camila e Drago - os predadores do título e na capa - continuam a vingança contra uma antiga raça de vampiros que tomou conta de postos-chave da sociedade.

Em meio a isso, continuam a manter uma relação sensual e enigmática com a ex-tenente da polícia Vicky Lenore, a primeira a investigar os assassinatos da dupla predadora.

                                                          ***

A série foi publicada na França entre 1998 e 2003 em quatro tomos, nome dado na Europa a cada uma das partes de uma narrativa lançada em diferentes partes.

É escrita pelo belga Jean Dufaux e desenhada pelo suíço naturalizado italiano Enrico Marini. Boa parte do brilho dos dois números anteriores se deve ao trabalho deles.

Quem for se arriscar na série pode ter dificuldades para entender o enredo. Há necessidade de ter lido os dois álbuns anteriores, publicados pela Devir em julho e agosto de 2008.

A editora paulista programou a quarta e última parte para o segundo semestre.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h52
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28.06.09

Mais uma charge sobre Michael Jackson

 

Ia deixar Michael Jackson finalmente em paz. Mas esta charge de Maumau merece registro.

Na minha leitura, é a melhor sobre o cantor feita após a morte dele, na quinta-feira passada:

 

Crédito da charge: Maumau

 

Crédito: reproduzo via "Quiosque da Utopia", blog mantido por Maumau.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h10
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Folha volta a publicar Hagar na edição de domingo

 

Crédito: reprodução do jornal Folha de S.Paulo

 

Boa notícia para quem gosta das tiras de "Hagar, o Horrível". A "Folha de S.Paulo" voltou a publicar a série, mas apenas aos domingos. A reproduzida acima é da edição de hoje.

O jornal tinha deixado de circular Hagar com a entrada das tiras de "Macanudo", do argentino Liniers. A série começou a ser publicada na última segunda-feira.

Com as mudanças, "Macanudo" para a circular de segunda a sexta. Hagar, aos domingos.

Outra alteração foi pôr um novo dia, sábado, às séries que circulavam apenas aos domingos. É o caso das tiras de Alan Sieber e dor irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

                                                          ***

Para registro: duas semanais deste fim de semana trazem reportagens sobre quadrinhos. Mas, nos dois casos, são pautas antigas, já fartamente abordadas na internet.

A "Carta Capital" fez matéria sobre um dos álbuns de Will Eisner vistos com ressalva por educadores. A reportagem, no entanto, não inclui a proibição ocorrida no Rio Grande do Sul.

A "Veja" traz uma reportagem sobre desenhistas brasileiros que fazem sucesso nos Estados Unidos. O mote é Ed Benes, mas cita também Gabriel Bá e Fábio Moon.

Bá e Moon foram bastante premiados por lá em 2008. José Edilbenes - que assina Ed Benes - é um dos principais desenhistas da DC Comics, de Batman e Super-Homem.

                                                           ***

Post postagem (20.06, às 18h22): o leitor Carlos me alerta, com toda a razão, que a "Folha de S.Paulo" publicou uma tira de Hagar também no sábado.

É preciso, então, corrigir esta postagem. Onde se lê "edição de domingo", leia-se edição do fim de semana, incluindo também o sábado.

É nisso que dá postar correndo durante o intervalo de Brasil (3, de virada) e Estados Unidos.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h40
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26.06.09

Pasquim completa 40 anos nesta sexta-feira

O primeiro número do jornal alternativo "O Pasquim" circulou pela primeira vez há exatos 40 anos, no dia 26 de junho de 1969.

A publicação teve um papel importante na resistência ao regime militar brasileiro (1964-1985) e serviu também como suporte para uma nova geração de quadrinistas.

Pensei inicialmente em uma resenha para lembrar a data. Os desenhos do falecido Henfil, um dos colaboradores mais criativos do jornal, me demoveram da ideia.

O traço dele é muito mais eloquente do que qualquer texto. No lugar de uma resenha, relembro a data com Henfil. Acho que a relevância do jornal está bem representada.

 

Crédito: Fradinhos, de Henfil 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h33
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Aberta temporada de charges de Michael Jackson

É uma característica do brasileiro. Fazer piadas de uma figura conhecida logo após a morte dela. Nem Ayrton Senna escapou após morrer em uma corrida em Ímola, na Itália, em 1994.

A bola da vez é Michael Jackson, morto na quinta-feira, nos Estados Unidos, vítima de ataque cardíaco. O microblog Twitter já está cheio de piadinhas.

As charges seguem o mesmo caminho.

Duas delas, de Gió e J. Bosco, lidas no site "Charge Online":

 

Charge de Gió, veiculada no site Charge Online

 

Charge de J. Bosco para o jornal O Liberal, reproduzida pelo Charge Online

 

Vem mais por aí. Deve ser um dos mais caricaturados nos próximos salões de humor.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h15
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Dois lançamentos nacionais em São Paulo

Registro rápido.

O álbum "A Poção do Tempo", de Caio Martins, e a revista independente "Picabu", de autores gáuchos, têm lançamento neste sábado à noite em São Paulo em locais diferentes.

A sessão de autógrafos da obra de Martins será a partir das 19h30 na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, no centro).

O lançamento paulista do quarto número da "Picabu" vai ser das 17h às 20h na Livraria Pop (rua Virgílio de Carvalho Pinto, 297, em Pinheiros).

O grupo já fez dois lançamentos, o primeiro em Buenos Aires e o segundo em Porto Alegre.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h59
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25.06.09

Histórias de guerra se destacam em coletânea de Neal Adams

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

"O Universo DC Ilustrado por Neal Adams", já à venda, traz seis histórias de guerra feitas pelo desenhista norte-americano 

 

 

 

 

 

 

 

 


Foi feliz a escolha do título do álbum "O Universo DC Ilustrado por Neal Adams", à venda em lojas de quadrinhos desde a virada da semana (Panini, 196 págs., R$ 28,90).

O acerto foi o ajuste do foco no que o álbum realmente tem de melhor. Ou seja, os desenhos do norte-americano Neal Adams em histórias criadas pela DC Comics.

Note que a expressão "histórias criadas" não é sinônimo de aventuras de super-heróis.

Elas aparecem na obra. Há material do Homem-Elástico, da Turma Titã e do Super-Homem, publicadas entre 1967 e 1972. Mas perdem o destaque para as tramas de guerra.

                                                           ***

As narrativas de guerra apresentam outro apelo. Não há o vilão da vez a ser derrotado. A história se centra no drama pessoal de algum soldado durante a Segunda Guerra.

Em geral, o enredo se ancora em como o conflito será superado. Segundo Adams relata no álbum foram escritas numa época de suavização da abordagem dada nos quadrinhos.

"Nada de sangue, nada de ferimentos, nada de explosões... mas foram algumas das melhores histórias de guerra já escritas." O álbum reúne seis delas, de 1967 a 1972.

                                                           ***

As tramas de guerra foram escritas por Howard Liss, Robert Kanigher, Hank Chapan e Bob Haney para as revistas "Our Army at War" e "Star Spangled War Stories".

É curioso que sejam elas as melhores de uma coletânea de histórias de Neal Adams. Isso porque a passagem dele pela DC Comics é mais lembrada por conta dos super-heróis.

Ele foi um dos principais desenhistas de Batman nos mais de 70 anos da editora. Trabalhou em revistas do herói entre o fim da década de 1970 e o início da seguinte.

É dele também a arte da parceria entre Lanterna e Arqueiro Verde. A série, escrita por Denny O´Neil, trazia para os quadrinhos temas delicados da atualidade, como as drogas.

                                                          ***

A Panini tem feito um resgate da passagem de Adams pela DC. Não tão longa assim, mas marcante e que influenciou mais de uma geração de autores.

A editora lançou em 2006, em dois volumes, as histórias de Lanterna e Arqueiro Verde. No ano passado, um álbum com as primeiras histórias de Batman desenhadas por ele.

Agora, estas 14 narrativas com outros personagens. É de esperar que outros álbuns sejam lançados pela editora. De Batman, pelo menos, há muito mais material.

Cada nova publicação tem sido um convite a (re)ver a arte realista e dinâmica de Adams. E para nos surpreendermos, como mostram as tramas de guerra deste lançamento.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h36
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24.06.09

Saudosismo dá tom de álbum de Jornada nas Estrelas

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra mostra o que teria ocorrido no inexistente quarto ano do seriado, cancelado em 1969 

 

 

 

 

 

 

 


A abertura do seriado "Jornada nas Estrelas" prometia algo que não cumpria.

A narração introdutória dizia que se tratava das viagens da nave estelar Enterprise, em sua missão de cinco anos para pesquisar novos mundos, vidas e civilizações.

A tripulação foi audaciosamente onde nenhum homem jamais esteve. Mas o telespectador acompanhou a missão até o terceiro ano. Foi quando a série foi cancelada, em 1969.

É essa a premissa do álbum "Star Trek - Ano Quatro", lançado nesta semana (Devir, 152 págs., R$ 39,95). O que teria ocorrido num eventual quarto ano do seriado? 

                                                           ***

Os fatos inéditos foram imaginados nas seis histórias da obra, publicada nos Estados Unidos em forma de minissérie.

O conteúdo não supera o da série. Mas há um inegável tom saudosista, que o roteirista David Tischman soube captar com precisão. A começar pelos diálogos.

Tischman consegue recriar a bem-humorada interação que existia o Capitão Kirk, o senhor Spock e o doutor McCoy. O trio formava a espinhal dorsal da nave estelar Enterprise.

Estão lá também frases famosas. Como "ele está morto, Jim", dita à exaustão por McCoy.

                                                          ***

O roteiro retoma também situações comuns da série. Ao serem teletransportados a um planeta, os protagonistas sempre dividiam a cena com um tripulantes desconhecido.

A função dele era morrer tão logo chegasse àquele mundo desconhecido.

Há isso logo na história de abertura. Pretexto para mais um "ele está morto, Jim".

Outro enredo comum era usar temas comuns ao final da década de 1960, época em que a série foi exibida, e moldá-los à realidade das viagens da Enterprise.

                                                            ***

Esse mecanismo é usado em mais de uma das histórias do álbum, só que ajustado a temas este início de século. Inclusive na mais interessante, intitulada "Reality Show".

Como o nome já sugere, o trio vai parar num planeta pautado pela concorrência entre emissoras de televisão. A chegada de Kirk e companhia atiça a guerra pela audiência.

Não demora para serem usados em programas aos moldes de "Big Brother Brasil" e do recente "A Fazenda". É um enredo simples. Mas o brilho dele está nas referências.

A participação deles no show é uma forma de brincar com o cancelamento da própria série. "Minha tripulação não pode ficar presa a um programa de TV de cinco anos", diz Kirk.

                                                          ***

O tom das histórias é de saudosismo. Os desenhos ajudam no déjà-vu. Reproduzem as feições exatas do elenco, ora mais fielmente, ora menos.

Mas não espere muito mais do que isso. É uma obra feito para agradar aos fãs da série. Se você não entendeu as referências desta resenha, não tenha dúvida, não é para você.

A Devir já havia lançado um primeiro álbum de Jornada nas Estrelas em novembro passado. Outros dois estão programados, como o blog havia noticiado em agosto de 2008.

O próximo vai ser "Star Trek - Jornada nas Estrelas, A Nova Geração: Interlúdios". O foco será nos personagens do segundo seriado da franquia, retomada neste ano no cinema.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
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Duas tiras do dia

 

Para aliviar um pouco a pauta tão densa dos últimos dias, duas tiras desta quarta-feira.

 

Crédito: Chiclete com Banana, de Angeli

 

Crédito: Piratas do Tietê, de Laerte

 

Crédito: Angeli e Laerte, respectivamente, na edição de hoje da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h21
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23.06.09

Carta aberta às autoridades brasileiras de educação

Temos visto com muita ressalva atitudes recentes de retirada de obras em quadrinhos do norte-americano Will Eisner de bibliotecas de escolas. Entendemos tratar-se de um exemplo de desconhecimento sobre o conteúdo do material.

 

Levar tal material à escola corrige um equívoco histórico no Brasil. Houve uma época no país em que os quadrinhos eram nocivos somente por serem quadrinhos. A censura a eles escondia motivos de ordem política e comercial.

 

Retomar tais discursos, calcados na falta de argumentos sólidos, revive o fantasma de 60, 70 anos atrás.

 

Assim como a literatura, os quadrinhos são forma de leitura autônoma, com forte eco entre os alunos, como confirma a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em 2008.

 

O argumento de que os livros de Eisner são inadequados ao estudante do ensino médio, a quem foram direcionados, é frágil e revela uma leitura equivocada e parcial do conteúdo, resumido a poucas cenas.

 

“Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço”, “O Sonhador” e “O Nome do Jogo” mostram histórias de vida, ambientadas nos EUA nas décadas iniciais do século 20.

 

As situações que podem agredir a uns integram a realidade vivida pelo autor, que passou a infância e a juventude na mesma época, nessas situações.

 

Apesar das dificuldades, Eisner, falecido em 2005, tornou-se um dos mais respeitados autores de quadrinhos do mundo.

 

São dele alguns dos primeiros romances gráficos produzidos nos Estados Unidos. O gênero encontra em 2009 várias publicações produzidas por autores brasileiros.

 

A escola tem a função de levar o mundo ao estudante por meio de leituras e de práticas de letramento, inclusive visual.

 

Os três quadrinhos em pauta oferecem tais conteúdos, acentuados se direcionados aos alunos por meio de práticas pedagógicas afins.

 

Reiteramos a qualidade das três obras do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) e defendemos que podem, sim, ser levadas aos estudantes do ensino médio.

 

E devem integrar bibliotecas escolares, e não serem retiradas dela. O simples controle de empréstimo das obras resolve as questões de acesso a alunos das séries iniciais.

 

Os argumentos em contrário têm se mostrado infundados, fruto de receio e não de fatos. Dos pontos de vista do conteúdo e pedagógico, oferecem rico material a ser usado com os alunos.

 

Assinam a carta os doutores

 

Elydio dos Santos Neto, docente-pesquisador do mestrado em Educação da Universidade Metodista de São Paulo.

 

Gazy Andraus, professor da Unifig (Centro Universitário Metropolitano de São Paulo) e vencedor do Troféu HQMix, em 2007, na categoria melhor doutorado.  

 

Paulo Ramos, jornalista e professor adjunto do curso de Letras da Unifesp (Universidade Federal do Estado de São Paulo). É autor de “A Leitura dos Quadrinhos” (2009) e co-autor de “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula” (2004).

 

Roberto Elísio dos Santos, professor de comunicação da USCS (Universidade de São Caetano do Sul). É autor de “Para Reler os Quadrinhos Disney” (2002) e um dos organizadores de “Mutações da Cultura Midiática” (2009).

 

Waldomiro Vergueiro, livre docente em Ciências da Comunicação pela Universidade de São Paulo e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. É coordenador do Observatório de Histórias em Quadrinhos da USP e um dos organizadores do livro “Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula” (2004).

 

                                                           ***

 

Os autores convidam os leitores interessados em também assinar a carta que o façam no espaço abaixo, destinado aos comentários. 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h57
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MEC defende distribuição de obras de Will Eisner a escolas

A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, defendeu o envio de álbuns em quadrinhos do norte-americano Will Eisner a escolas de todo o país.

Segundo Pilar, as bibliotecas escolares devem ser plurais e representar o pensamento contemporâneo. Quanto ao acervo, defende que deve ser supervisionado pela escola.

"A biblioteca da escola não é como uma biblioteca pública qualquer", disse em depoimento à Rádio Bandeirantes, de São Paulo.

"Ela [a biblioteca] tem um profissional que media o acesso dos alunos aos livros, inclusive. Porque as escolas têm crianças de sete, de dez, de 14, de 17, de 18 anos. E ele não pode ter acesso a qualquer livro".

                                                          ***

O depoimento de Pilar é uma resposta à secretária estadual de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu. Esta entende que as obras são inadequadas ao ensino médio.

A secretária ameaçou entrar na Justiça contra o MEC e orientou que as escolas do Estado recolhessem os álbuns de Eisner, como o blog noticiou no domingo.

"É uma linguagem, cenas de sexo explícito... enfim, nós estamos considerando inadequada para o público adolescente", disse à Rádio Bandeirantes.

A decisão dela foi tomada no fim da semana passada e repercutiu em jornais gaúchos.

                                                          ***

"Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço", "O Nome do Jogo" e "O Sonhador", alvos da polêmica, integram a lista de obras do PNBE, do governo federal.

O programa existe desde 1997 e tem o objetivo de formar bibliotecas escolares em todo o país. De 2006 para cá, passou a incluir quadrinhos na relação de obras selecionadas.

Os álbuns de Eisner foram três dos títulos escolhidos para distribuição nas escolas neste ano. A seleção foi feita por um grupo de professores da  Federal de Minas Gerais.

"Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço" havia causado polêmica no Paraná e, no início do mês, em São Paulo. Uma vez mais, o caso repercutiu na mídia.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h22
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22.06.09

Mangá vai narrar volta do Corinthians à primeira divisão

 

Crédito: reprodução do portal Terra

 

 

 

 

 

 

 

 

Possível capa da publicação em quadrinhos, que será lançada no fim de julho

 

 

 

 

 

 

 

 

A notícia foi dada na manhã desta segunda-feira. Não demorou para repercutir nas editorias de esporte dos portais. O Corinthinas vai virar mangá, nome dado ao quadrinho japonês.

A proposta é da empresa de comunicação BB, que assinou contrato com o clube paulista.

"Estamos animados com a iniciativa, pois em menos de 30 dias conversamos com o clube, desenhamos o projeto e vamos colocá-lo no mercado", disse Baroni Neto, diretor comercial da BB, ao site UOL.

O projeto pretende narrar o que o time viveu nos dois últimos anos. Da queda para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro ao retorno, no ano seguinte.

A contratação de Ronaldo e a recente conquista do Campeonato Paulista também vão integrar a revista. A obra será lançada em 25 de julho, com tiragem de 50 mil exemplares.

                                                          ***

O projeto prevê dois formatos. Um, para bancas, terá 64 páginas e vai custar R$ 29,90. Outro, de luxo, será para livrarias e vai ter páginas extras. Será vendido a R$ 59,90.

"Timão em Estilo Mangá" é a segunda obra que se pauta em "Turma da Mônica Jovem".

Lançada no ano passado, a revista mostra uma versão adolescente dos personagens de Mauricio de Sousa. A publicação mensal também é feita nos moldes dos mangás.

No início deste mês, a editora Pixel pôs nas bancas uma versão jovem de Luluzinha. A revista também estampa na capa a expressão "em estilo mangá".

                                                          ***

Nota: as informações desta postagem são dos portais UOL e Terra.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h10
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Série argentina Macanudo estreia na Folha de S.Paulo

 

Crédito: reprodução da edição on-line da Folha de S.Paulo

 

A tira acima marca a estreia da série argentina "Macanudo" no caderno de cultura da "Folha de S.Paulo". As histórias começaram a ser publicadas a partir desta segunda-feira.

Segundo o jornal, as tiras sairão de segunda a sexta. A história de hoje é a mesma que abre a primeira coletânea da série, lançada no Brasil no ano passado pela Zarabatana.

Na época, o autor, Ricardo Liniers, veio ao país promover o álbum. Ele e seu agente, que aproveitou a viagem para fazer contatos com a imprensa daqui.

O namoro com a Folha ficou mais sério no último mês e meio. Em maio, o jornal confirmou o interesse na tira e disse que só faltava assinar o contrato.

                                                           ***

"Macanudo" - gíria antiga que quer dizer algo como "supimpa" - é uma das tiras mais conhecidas atualmente na Argentina. É publicada desde 2002 pelo jornal "La Nacion".

Desde então, Liniers, hoje com 35 anos, tem lançado coletâneas de suas histórias, todas com boa repercussão.

A última, publicada em dezembro, era difícil de ser encontrada nas livrarias portenhas no fim do ano. A edição teve cada uma das 5 mil capas desenhadas à mão pelo autor.

Com a estreia de "Macanudo", a Folha em princípio deixa de publicar "Hagar, o Horrível". Quanto à série argentina, a Zarabatana programa um segundo álbum para este ano.

                                                            ***

Leia mais sobre a série e a trajetória de Liniers neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h49
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21.06.09

Governo do RS proíbe três álbuns de Will Eisner nas escolas

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "O Sonhador", um dos livros recolhidos; obra foi levada pelo governo federal a escolas de todo o país 

 

 

 

 

 

 


O governo do Rio Grande do Sul orientou nesta semana que as escolas estaduais do Estado retirem do acervo três obras em quadrinhos do norte-americano Will Eisner.

Os álbuns são "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço" - que já causou polêmica em São Paulo e no Paraná" -, "O Sonhador" e "O Nome do Jogo".

Na avaliação da Secretaria Estadual da Educação, os títulos apresentam conteúdo inadequado aos estudantes do ensino médio, público a que foram destinados.

"É uma biografia adulta que deve ser comprada na banca de revistas para quem quiser ler. O problema é a adequação do material a ser usado na escola pública junto a adolescentes", disse a secretária da pasta, Mariza Abreu, ao jornal "Correio do Povo".

                                                          ***

Os três livros não são vendidos em bancas. São comercializados em livrarias e lojas especializadas em quadrinhos. Mas chegaram às escolas via governo federal.

As obras integraram a lista de mais de 20 títulos em quadrinhos que compuseram a lista deste ano do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

Os álbuns - e outros livros selecionados - são enviados diretamente a escolas de todo o país para criar acervos de bibliotecas. Os títulos de Eisner são para o ensino médio.

A secretária, de um governo do PSDB, estuda entrar na Justiça contra o MEC, do PT. "Estudamos a possibilidade de ingresso de ação judicial. Afinal, trata-se de dinheiro público", disse, em depoimento reproduzido uma vez mais do "Correio do Povo".

                                                         ***

O assunto repercutiu no fim desta semana não só no jornal "Correio do Povo", mas também no "Zero Hora", também de Porto Alegre.

Às duas publicações a secretária disse acreditar que o ministro da Educação, Fernando Haddad, desconhece o conteúdo dos álbuns de Will Eisner. Ela iria tentar contato com ele.

Casos como esse têm se tornado frequentes desde que o governo de São Paulo selecionou a alunos de nove anos um álbum direcionado a adultos.

Após isso, o foco tem sido direcionado aos trabalhos de Eisner, em particular "Um Contrato com Deus". O trabalho é um dos pioneiros das "graphic novels" nos Estados Unidos.

                                                          ***

Os críticos da obra resumem o conteúdo a duas cenas. Numa, uma menina de dez anos levanta o vestido e mostra a calcinha ao zelador do prédio onde mora.

Noutra, um pai bêbado agride a esposa e o filho, um bebê. Os outros álbuns trazem uma cena de sexo, sutil, em cada um. E situações de briga, a contar nos dedos da mão.

"O Sonhador" é autobiográfica. Mostra a luta de um aspirante a desenhista em seguir carreira nos Estados Unidos da década de 1930, época em que Eisner começou.

"O Nome do Jogo" apresenta como arranjos familiares podem ajudar famílias a enriquecer. A trama percorre três gerações de diferentes famílias.

                                                           ***

Leia mais sobre a polêmica no Paraná na postagem abaixo. E em São Paulo, neste link.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h30
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19.06.09

Vereador paranaense quer retirar álbum de Will Eisner de escolas

O vereador Jair Brugnano (PSDB), da cidade de União da Vitória, no Paraná, quer retirar de escolas da cidade o álbum "Um Contrato com Deus", de Will Eisner.

Segundo o jornal "Gazeta do Povo", fonte das informações desta postagem, Brugnano já proibiu a obra na Escola Estadual São Cristóvão, da qual é diretor.

Ele pretende entrar com ação para ampliar a medida a todas as escolas da cidade, que fica na região sul do Estado. No entender dele, o conteúdo é inadequado aos alunos.

“Esses livros não condizem com a realidade da educação. Os termos neles são vulgarizados e tem até trechos de pedofilia. Acho inadmissível gastar dinheiro público para colocar pornografia nas escolas públicas”, disse ele ao jornal.

                                                           ***

A secretária de Educação da cidade, Marli Brugnano, concorda com a leitura feita pelo vereador. A secretária é esposa dele.

“Os livros chegaram e foram direto para a biblioteca, só depois vimos. Se o MEC manda, a gente confia que é bom", disse ao jornal paranaense.

"Um Contrato com Deus" já havia incomodado uma diretora paulista no mês passado. Ela via na obra violência e alusão a pedofilia.

A versão da diretora pautou, no início deste mês, reportagem do jornal paulistano "Agora" e, um dia depois, matéria no "SPTV 1ª Edição", telejornal local da Rede Globo.

                                                           ***

A polêmica em torno de "Um Contrato com Deus" se restringe a duas cenas, sempre lembradas fora do contexto em que foram produzidas.

Numa, uma menina de dez anos levanta o vestido e mostra a calcinha para o síndico do prédio onde mora. A estratégia, isso não é lembrado, é para roubar o dinheiro dele.

É nessa cena que é visto sinal de pedofilia. No outro momento polêmico, um pai bêbado toma o bebê das mãos da esposa e o arremessa no sofá. Depois, bate na mulher.

As duas cenas integram contos diferentes da obra, ambientada na vida dos cortiços nova-iorquinos da década de 1930. Foi onde o autor nasceu e passou a juventude.

                                                          ***

"Um Contrato com Deus" foi publicado nos Estados Unidos em 1978 e tornou conhecido o termo "graphic dovel", dado a obras norte-americanas mais adultas e autorais.

A obra traz quatro contos. Um é o que dá título ao livro. Houve duas edições no Brasil. A mais recente foi publicada pela editora Devir, de São Paulo, em 2007.

É essa edição que integra a lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do governo federal, que seleciona livros e quadrinhos para levar a escolas de todo o país.

A obra de Eisner foi um dos cinco títulos em quadrinhos listados em 2008 para serem distribuídos neste ano a escolas do ensino médio, que tem alunos acima dos 14 anos.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
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18.06.09

Obras independentes e adaptação literária têm lançamentos em SP

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da revista "Entre Quadros", de Mário César, um dos quatro lançamentos que ocorrem sexta e sábado na capital paulista

 

 

 

 

 

 

 


Três revistas independentes, "Entre Quadros", "Sagu" e "Cabaret", e a adaptação de "O Pagador de Promessas". É o cardápio paulistano de lançamentos para sexta e sábado.

"Entre Quadros" é um projeto de Mário César, autor mais conhecido por organizar as últimas edições da coletânea "Front", da editora Via Lettera. Ele também publicou na obra.

A revista independente (36 págs., R$ 5) traz tiras e três histórias em quadrinhos curtas, de diferentes gêneros. As duas primeiras abordam relacionamentos.

A terceira, humor. Um cachorro descobre que tem superpoderes: consegue sempre se recompor após ser espancado. Decide iniciar um périplo para se tornar o herói X-Pancadog.

                                                          ***

O lançamento de "Entre Quadros" divide a noite de sexta com a "Sagu" (32 págs., R$ 4). A publicação é a versão impressa de uma revista criada para a internet.

Este blog já havia noticiado, em junho de 2007, a criação do primeiro número virtual. A ideia da obra, na tela e no papel, é do desenhista e designer gráfico Maurício Brancalion.

Ainda na sexta, há o lançamento de "Cabaret", última parte da trilogia "Sexo, Drogas e Rock´n Roll".

A obra é feita por Eduardo Medeiros, Mateus Santolouco e Rafael Albuquerque. No sábado, às 14h, o trio repete o lançamento.

                                                          ***

Também no sábado, mas à noite, Eloar Guazzelli faz um lançamento da adaptação de "O Pagador de Promessas" (Agir, R$ 44,90).

O álbum está à venda desde o mês passado e transpõe para os quadrinhos a peça de Dias Gomes (1922-1999).

A obra integra uma coleção de clássicos literários da Agir, um dos selos da Ediouro.

A editora tem pronta uma versão de "Os Sertões", feita por Rodrigo Rosa e Carlos Ferreira. O material foi entregue pelos autores há mais de um ano.

                                                          ***

Serviço 1 - Lançamentos das revistas "Entre Quadros" e "Sagu". Quando: sexta-feira (19.06). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 5 e R$ 4, respectivamente.
Serviço 2 - Lançamento de "Cabaret". Quando: sexta-feira (19.06). Horário: 19h30. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: rua Dr. José de Queirós Aranham 246, São Paulo.
Serviço 3 - Lançamento de "Cabaret". Quando: sábado (20.06). Horário: 14h. Onde: loja Comix. Endereço: al. Jaú, 1998, São Paulo.
Serviço 4 - Lançamento de "O Pagador de Promessas". Quando: sábado (20.06). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 44,90.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h35
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17.06.09

Nota em jornal gera carta de resposta de ilustradores

A SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - emitiu hoje à tarde uma carta em resposta a uma nota curta publicada na coluna "Gente Boa", do caderno de cultura de "O Globo".

A nota, intitulada "Ilustradores, unidos", registra que os ilustradores pretendem dividir os direitos autorais de obras - entre elas as infantis - com os autores. Segue o texto:

As editoras de livros enfrentam um novo problema: os ilustradores, principalmente os de livros infantis, querem rachar o direito autoral com os escritores.

Não aceitam mais um xis pelo trabalho. Pedem um percentual nas vendas, de olho na força do setor e nos grandes lotes comprados pelo governo.

                                                          ***

A SIB defende que não quer dividir os direitos autorais com o autor. Mas reivindica uma participação maior no pagamento feito pelas editoras, em particular nas vendas ao governo.

Leia a íntegra da carta de resposta da entidade:

Muito oportuna a nota "ilustradores, unidos”, publicada na edição de hoje. Gostaríamos de esclarecer que a questão dos direitos autorais dos ilustradores é antiga, e vem ganhando força nos últimos anos por conta de uma postura mais consciente dos profissionais, e do próprio amadurecimento do mercado.

A co-autoria de um ilustrador de livro infantil é inegável. Muito mais do que um mero suporte ao texto, as imagens exercem encantamento, definem a identidade do título e possuem enorme poder de decisão na hora da compra. E, como co-autores, nada mais justo que participar dos benefícios obtidos com as vendas.

E, importante salientar, nunca foi proposto rachar o direito autoral com os escritores, e sim com a editora. lustradores e escritores, ambos autores, têm sido parceiros produtivos à literatura infantil e juvenil brasileira.

Não se pretende aqui entrar na justa fatia que o escritor do livro recebe, mas sim em uma nova conta com as editoras – que, apesar de terem no governo brasileiro o maior comprador de livros do planeta, ainda insistem na imposição de contratos leoninos aos seus colaboradores, sejam ilustradores ou artistas gráficos.

A Sociedade dos Ilustradores do Brasil, com duas centenas de associados em todo o território nacional, trabalha pela excelência na prática profissional e entende que os ilustradores não são meros prestadores de serviços, mas parceiros da editora na produção de obras infantis.

Neste momento de mudanças no perfil do mercado é onde se pode concluir esta discussão com benefícios para todas as partes, principalmente para o leitor.

                                                          ***

Assinam a carta nove integrantes do conselho gestor da entidade: Cecilia Esteves, Orlando Pedroso, Jinnie Pak, Chicão Monteiro, Marcelo Martinez, Daniel Bueno, Mauricio Negro, Rodrigo Rosa e Rogério Soud.

"Tem um novo mercado surgindo. A questão é discutir qual a participação do ilustrador nesse mercado", diz Orlando Pedroso, por telefone.

No entender dele e da SIB, é necessário abrir um canal de discussão com as editoras para definir como o desenhista pode se enquadrar, como autor, co-autor ou partícipe dos lucros.

Muitas obras infantis e de cunho didático têm sido incluídas em listas dos governos federal e estadual. Nos últimos anos, a presença de elementos visuais nessas obras tem aumentado significativamente.

                                                           ***

A questão é atual e pertinente: ilustrador de um livro - em particular o de obras infantis - pode ser considerado co-autor?

O que você acha? Deixe sua opinião nos comentários.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h40
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15.06.09

As possibilidades das tiras duplas - 2

 

Não era para virar uma série, mas esta tira também merece registro:

 

Crédito: blog Tironas

 

Crédito desta tira: blog "Tironas" (link). Veja outra tira dupla na postagem abaixo.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h59
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As possibilidades das tiras duplas

Já faz um tempo que a definição de tira cômica precisa ser alargada.

Não se trata apenas de um texto de humor produzido em formato horizontal fixo. Já há um número grande de casos de piadas que ocupam o espaço físico de duas tiras.

Isso tem sido visto tanto em sites e blogs, que permitem uma maleabilidade maior do formato, como nos veículos impressos - "Folha de S.Paulo" e jornais argentinos.

Tenho acompanhado esse comportamento das tiras há algum tempo. Mas me voltou à mente ao ler este exemplo, veiculado hoje no blog "Um Sábado Qualquer", de Carlos Ruas:

 

Crédito: reprodução do blog Um Sábado Qualquer

 

O dado que me chamou a atenção é que a construção do humor só foi possível por conta dos "dois andares" da tira. É algo para ficar de olho.

Nota: agradeço ao leitor João Paulo Cursino pela dica da tira.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h53
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14.06.09

Mostra e livro-homenagem marcam 50 anos de carreira de Mauricio

 

Crédito: reprodução do blog Jokbox, de Jean Okada

 

 

 

 

 

 

Personagem Astronauta, feito por Jean Okada, vai integrar obra em quadrinhos com participação de 50 autores brasileiros

 

 

 

 

 

 

 

O cinquentenário de carreira de Mauricio de Sousa, comemorado neste ano, terá pelo menos dois projetos especiais para marcar a data: uma exposição e um livro-homenagem.

As informações sobre ambos foram noticiadas nesta semana pelo jornal "Folha de S.Paulo" - com repercussão no site "Universo HQ" - e no blog sobre quadrinhos "Gibizada".

Segundo as reportagens, a exposição "Mauricio 50 Anos" será no Museu Brasileiro de Escultura, em São Paulo. A abertura será 18 de julho, data de publicação da primeira tira.

A estreia do desenhista e empresário nos quadrinhos ocorreu com os personagens Bidu e Franjinha, publicados em 1959 no jornal "Folha da Manhã", hoje "Folha de S.Paulo".

                                                          ***

O livro-homenagem, chamado "MSP 50", referência à sigla Mauricio de Sousa Produções - vai trazer histórias feitas por 50 desenhistas brasileiros.

A lista inclui nomes como Ziraldo, Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Sica, José Aguiar, Spacca, Ivan reis, Laerte, Lelis, Fernando Gonsales, Guazzelli, Antonio Cedraz e Orlandeli.

Uma das histórias, do Astronauta, terá desenhos de Jean Okada. São dele os dois esboços do personagem que abrem esta postagem.

A obra será publicada pela Panini, editora responsável pela revistas da Turma da Mônica. A ideia do projeto é de Sidney Gusman, que cuida do  planejamento editorial de Mauricio.

                                                          ***

A reportagem do "Gibizada" antecipa alguns dos personagens escolhidos, como o Horácio, feito por Spacca. Para ler a matéria, escrita por Telio Navega, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h06
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Turma do Arrepio ganha nova chance nas bancas

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Personagens infantis criados por César Sandoval retornam 20 anos depois de terem sido publicados pela primeira vez

 

 

 

 

 

 

 

De quando em quando, a visita às bancas traz alguma novidade. A deste início de junho é a volta de uma revista com a "A Turma do Arrepio" (Editora As Américas, 36 págs., R$ 3,50).

O retorno da série nacional ocorre 20 anos depois de ter sido lançada pela primeira vez. De 1989 a 1993, o título infantil foi publicado pela Editora Globo. Teve 43 números.

A série, criada por César Sandoval, teve também um programa de TV, exibido em 1997 pela extinta Rede Manchete. Os personagens são herdeiros mirins de antigas assombrações.

Draky é neto do Conde Drácula. Stein, de Frankstein. A múmia Tuty é descente de faraós. Luby, de lobisomen. Medeia é aprendiz de feiticeira e filha da Grande Bruxa.

Este primeiro número traz seis histórias curtas, passatempos e a tradicional tira vertical que encerra as revistas infantis brasileiras. Os créditos finais não informam a periodicidade. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h33
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13.06.09

Autores de Picabu fazem lançamento brasileiro da revista

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do quarto número da publicação independente, que será lançada hoje em Porto Alegre 

 

 

 

 

 

 

 


A revista independente "Picabu" foi mostrada primeiro para os argentinos, no fim de maio, no festival de quadrinhos portenho "Viñetas Sueltas". Agora, chega ao Brasil.

Os autores fazem o lançamento brasileiro da publicação neste sábado, em Porto Alegre, cidade onde moram os sete criadores histórias deste quarto número.

A revista traz 11 narrativas curtas feitas por Leandro Adriano, Carlos Ferreira, Fabiano Gummo, Moacir Martins, Nik Neves, Rodrigo Rosa e Rafael Sica.

A obra gaúcha foi produzida 17 anos depois da edição anterior. A "Peek-a-Boo", como era chamada inicialmente, contava apenas com Adriano, Ferreira, Nik Neves e Rosa.

Os demais autores foram integrados neste novo projeto.

                                                           ***

Serviço - Festa de lançamento de "Picabu". Quando: hoje (13.06). Horário: 18h. Onde: Museu do Trabalho. Endereço: rua dos Andradas, 230, Porto Alegre. Quanto: a entrada é franca; a revista custa R$ 10.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h55
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12.06.09

Livros da Marca de Fantasia têm lançamento em São Paulo

 

Crédito: reprodução do site da editora Marca de Fantasia

Os paulistas terão neste sábado uma oportunidade rara de comprar livros da Marca de Fantasia.

Seis títulos da editora paraibana, que só vende por meio da internet, serão lançados de forma conjunta.

Um deles é "Vida Traçada - Um Perfil de Flavio Colin", de Gonçalo Junior.

O editor da Marca de Fantasia, o professor universitário Henrique Magalhães, também estará presente.

Ele é responsável por "Macambira e Sua Gente" e pelo fanzine "Top! Top!".

O evento também terá os álbuns "Artlectos e Pós-Humanos", de Edgar Franco, "Os Marginais", de Elmano Silva, e a segunda edição com tiras de "Katita", de Anita Costa Prado e Ronaldo Mendes.

A editora tem o maior catálogo do país de obras sobre quadrinhos.

Serviço - Lançamentos da editora Marca de Fantasia. Quando: sábado (13.06). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h15
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11.06.09

Vida de Estagiário, de Allan Sieber, vai ter piloto para TV

 

Crédito: reprodução do álbum Vida de Estagiário, da Conrad

 

"Vida de Estagiário", de Allan Sieber, ficou entre os finalistas de um edital do Ministério da Cultura que destina verba à produção de uma série de TV.

Os oito selecionados, divulgados nessa terça-feira, vão receber R$ 250 mil cada um. 

O dinheiro é para produzir um piloto do seriado, a ser exibido na emissoras públicas.

Uma comissão vai julgar os três melhores programas. O trio vencedor terá verba de R$ 2,6 milhão para criar uma minissérie com 13 episódios, de 26 minutos cada um.

                                                           ***

O projeto de Sieber para o Mais Cultura - nome do programa federal de incentivo - será produzido pela Neoplastique Entretenimento.

A descrição da série é exatamente o que fez por anos nas histórias em quadrinhos. "Vida de Estagiário" mostra as humilhações enfrentadas por Oséas na empresa onde trabalha.

As dificuldades de Oséas foram publicadas no "Folhateen", suplemento jovem do jornal "Folha de S.Paulo".

A Conrad lançou em 2005 uma coletânea da série. É de lá a história que abre a postagem.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h15
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Álbum esmiúça trajetória do universo DC

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "A História do Universo DC", que chegou às bancas nesta semana 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não é preciso o artigo definido que abre o título do álbum "A História do Universo DC", que começou a ser vendido nas bancas nesta semana (Panini, 164 págs., R$ 19,90).

O senão é que não se trata de uma única história, mas, sim, de histórias. A obra traz duas delas, de momentos editoriais distintos da norte-americana DC Comics.

A primeira recapitulação funcionou como um apêndice para a minissérie de 12 partes "Crise nas Infinitas Terras", lançada nos Estados Unidos entre 1985 e 1986.

Crise tinha o objetivo de reduzir todos os planetas paralelos dos super-heróis da casa a um só. Até então, existiam diferentes Terras, cada uma com uma realidade própria.

                                                          ***

A nova realidade dos personagens da DC Comics foi narrada em duas partes por Marv Wolfman e George Pérez, os mesmos autores de Crise. É inédita no Brasil.

A reconstituição histórica abre o álbum e é construída nos moldes de um livro ilustrado. Fica claro na leitura que há apenas um planeta Terra, onde Super-Homem e Batman atuam.

A segunda história do universo DC foi contada em capítulos na minissérie "52", de 2006, feita por Dan Jurges. A série já foi lançada pela Panini e agora é reunida em sequência. 

                                                          ***

A reconstituição atualiza tudo - ou quase tudo - o que ocorreu após "Crise nas Infinitas Terras", inclusive a volta dos diferentes mundos paralelos.

A mudança ficou explícita meses antes, quando a DC publicou uma segunda crise, chamada de "Crise Infinita".

A série provocou novas mudanças nos personagens e no passado deles. Algumas ainda nem foram reveladas pela editora. Em julho, sai no Brasil outra sequência, "Crise Final".

Ao leitor novo ver tantas crises pode parecer confuso. E é mesmo. O leitor alvo deste álbum tende a ser a pessoa que acompanha os heróis da DC já há algum tempo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h43
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Uma tira do dia que merece registro

 

Crédito: Níquel Náusea, de Fernando Gonsales

 

Crédito: "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales, na edição de hoje da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h05
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10.06.09

Álbum mostra lado menos glamoroso de Copacabana

  Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra, escrita por Sandro Lobo e desenhada por Odyr Bernardi, mostra vida de prostitutas na noite carioca

 

 

 

 

 

 

 

Restava à carioca Desiderata um último projeto pensado por Sandro Lobo, editor de quadrinhos que se desligou da empresa no meio do ano passado.

Ironicamente, o trabalho final é de autoria dele. Os desenhos, outra ironia, são de Odyr Bernardi, que também integrava a equipe do selo editorial da Ediouro.

A história, que serve de divisor de águas na carreira de ambos, por outro lado, não tem nada de irônico. "Copacabana" (208 págs.; R$ 39,90) mostra um lado pouco lembrado do famoso bairro carioca.

Nada de sol, nada de boemia, nada de cartão postal. Os personagens centrais do álbum são prostitutas e figuras urbanas, que se destacam na noite de Copacabana.

                                                           ***

A história convida o leitor a acompanhar alguns dias na vida de de Diana. Ela vive do sexo e, com a atividade, tenta se manter e ainda enviar dinheiro à mãe.

Entre um programa aqui, um bico ali, tem a oportunidade de dar um golpe num gringo cheio da grana. Mas leva a pior. E é vista como a pessoa que teria ficado com o dinheiro.

A trama é contada em pílulas escritas em 14 capítulos. Diana vai ganhando importância aos poucos. Ora é ela que está em evidência.

Ora são as figuras noturnas do bairro, mas nem por isso menos interessantes. É, no fundo, uma história de relacionamentos, com interesses pessoais ou não.

                                                          ***

Mas talvez o que roube a atenção do leitor seja mesmo o cenário. Quem já passou por Copacabana vai enxergar no traço denso de Odyr fragmentos do bairro carioca.

E vai ser convidado a repensar a passagem pelas ruas de lá. Há mesmo essa vida escondida em meio ao lado turístico, que atrai gente de todo o mundo?

Na leitura de Lobo, há, sim. Está na cidade há 20 anos. A ideia de criar a trama surgiu enquanto andava à noite pelas ruas de Copacabana. Buscava sono. Encontrou um roteiro.

Decidiu criar a história sem pressa. Diz que escreveu o roteiro entre 1994 e 1998.

                                                          ***

É de lamentar que este seja o projeto derradeiro de Lobo e Odyr na Desiderata. 

A passagem de ambos pela editora rendeu alguns dos melhores álbuns nacionais produzidos nos últimos anos. A saída deles descaracterizou a linha editorial do selo.

O consolo é que pretendem estar por perto, agora na não menos desafiadora função de autores de histórias em quadrinhos.

"Copacabana" é uma boa estreia na difícil tarefa de escrever narrativas mais longas. A dupla tem histórico profissional que credita a espera por outros trabalhos deles.

                                                           ***

Serviço - Lançamentos de "Copacabana".
Rio de Janeiro. Quando: segunda-feira (15.06). Horário: 19h. Onde: Livraria Dona Laura, na Casa de Cultura Laura Alvim. Endereço: av. Vieira Souto, 176, Ipanema.
São Paulo. Quando: quarta-feira (17.06). Horário: 19h. Onde: loja Cachalote. Endereço: rua Ministro Ferreira Alves, 48.
Curitiba. Quando: quinta-feira (18.06). Horário: 19h. Onde: Itiban. Endereço: av. Silva Jardim, 845, centro.
Porto Alegre. Quando: segunda-feira (22.06). Horário: 19h. Onde: Café Oca. Endereço: rua João Teles, 512, Bonfim. 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h57
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09.06.09

Lobo e Odyr desistem de criar editora Barba Negra

 

Crédito: reprodução

 

A criação da editora Barba Negra foi abortada antes mesmo de ser concretizada. Os dois responsáveis pelo projeto, S. Lobo e Odyr, decidiram não tocar mais a ideia.

"Estávamos com tudo certo pra começar, mas na hora H demos pra trás", diz Lobo.

"O mercado está amadurecendo, as grandes editoras estão começando a investir de forma correta, nos pareceu mais acertado investir na carreira autoral."

Segundo ele, os autores dos dois primeiros projetos, Allan Sieber e Rafael Sica, já foram informados da decisão.

"Encaminhamos todos os álbuns para outras editoras, fizemos o possível pra não deixar ninguém na mão." 

                                                          ***

Lobo e Odyr trabalharam juntos por mais de um ano na área de quadrinhos da Desiderata.

Produziram nesse período alguns dos álbuns nacionais mais destacados dos últimos anos.

Os dois se desligaram da empresa no meio do ano passado, meses após a venda da editora para a Ediouro, realizada na virada de 2007 para 2008. 

Eles tornaram pública a ideia de criar a Barba Negra em novembro passado.

A dupla não descarta trabalhar em outras editoras de forma terceirizada. Lobo diz já ter algumas conversas encaminhadas.

                                                           ***

O lado autoral deles ganha novo impulso com o álbum "Copacabana", da Agir, projeto gestado quando ainda era editor da Desiderata. A obra começou a ser vendida neste mês.

Lobo, que foi um dos editores da revista independente "Mosh!", diz que já trabalha no próximo projeto.

Será uma adaptação de "A Alma Encantadora das Ruas", do escritor João do Rio (1881-1921). Segundo ele, o álbum vai se chamar "Urubus".

"Foi um convite do desenhista Allan Rabello, que trabalha nesta adaptação faz um tempo."

                                                           ***

Nota: o blog resenha nesta quarta-feira o álbum "Copacabana", de Lobo e Odyr.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h04
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Governo de SP renova edital de incentivo à produção de quadrinhos

A polêmica envolvendo a seleção de obras em quadrinhos para escolas paulistas não interferiu na renovação do edital de incentivo à criação de histórias em quadrinhos.

A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo incluiu os quadrinhos, pelo segundo ano seguido, em um programa de apoio à produção cultural.

O edital deste ano segue o mesmo molde do aplicado em 2008. Uma comissão vai selecionar dez projetos. Cada um vai receber R$ 25 mil para produzir a história.

Setenta por cento do dinheiro é liberado após a assinatura do contrato. O restante sai quando o álbum estiver concluído. Os autores têm oito meses para finalizar o projeto.

                                                         ***

A contrapartida também é idêntica ao do edital passado. Os selecionados terão de fazer um workshop a preços populares e fornecer 200 exemplares para o acervo do governo estadual.

As inscrições começam nesta quarta-feira e vão até 27 de julho. O edital vale apenas para pessoas que morem no Estado de São Paulo há pelo menos dois anos.

Cada autor poderá inscrever até duas histórias. Mas só é permitida a seleção de uma delas.

O texto completo do edital, que traz os detalhes de como se inscrever, pode ser lido no site da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Para acessar, clique aqui.

                                                         *** 

Os selecionados do edital de 2008 foram definidos e divulgados em dezembro passado.

O escritor Lourenço Mutarelli, que trabalhou por anos com quadrinhos, presidiu a comissão.

Até agora, só um dos projetos foi publicado. Foi o álbum de tiras "Caroço no Angu", de Gilmar. A obra foi lançada no fim de abril, em São Paulo.

Os demais autores criaram um blog, o "PAC 23", para relatar as etapas de produção dos projetos. A ideia foi do roteirista Celso Menezes, autor de um dos trabalhos.

                                                          ***

Nota: agradeço à jornalista Sandra Monte, do blog "Papo de Budega", pela dica desta informação.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h43
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08.06.09

Sam Hart finaliza adaptação inglesa de Robin Hood

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum começa a ser vendido neste mês na Inglaterra; desenhista prepara para 2010 versão de Rei Artur

 

 

 

 

 

 

 

 


O nome estrangeiro não é uma estratégia para se adequar ao mercado de fora, como fazem alguns desenhistas brasileiros. Sam Hart vem de berço. Da Inglaterra, onde nasceu.

Filho de inglês com brasileira, ele veio ao Brasil quando tinha 10 anos. Ironia ou não, ele se destaca agora justamente na Inglaterra. É dele a arte de uma adaptação de Robin Hood.

O álbum "Outlaw - The Legend of Robin Hood" começa a ser vendido neste mês no país europeu. A obra, escrita por Tony Lee, demorou um ano e meio para ficar pronta.

Hart e Lee já haviam atuado juntos em outros dois trabalhos. E foi desse contato prévio que surgiu o projeto de recriarem a lenda do ladrão que rouba dos ricos para dar aos pobres.

                                                            ***

Segundo o desenhista, a história seria para uma revista mensal. A publicação foi cancelada. Por pouco, também o projeto. Hart decidiu mostrar a Lee como tinha imaginado Robin Hood.

"Ele gostou tanto da ilustração que de imediato falou com três editoras onde tinha contato. E a que fez a melhor proposta foi onde fechamos contrato", diz Hart, por e-mail.

A editora é inglesa Walker Books, que lança agora o álbum, de 142 páginas.

Hart espera sentir o lançamento para, só depois, ver se vale lançar a obra no Brasil, tão ávido por adaptações. Os direitos, diz, pertencem aos dois autores, e não à editora.

                                                            ***

O desenhista de 35 anos diz que o Tony Lee não se inspirou em uma versão específica de Robin Hood. Pesquisou diferentes olhares sobre a lenda. O mesmo ocorreu com a arte.

"Procurei não ignorar nenhuma versão clássica", diz. "Assisti ao desenhos da Disney de novo, a versão com Sean Connery fazendo Robin velho, as do Errol Flynn e Kevin Costner."

"Teve um seriado na TV inglesa nos anos 1980 e assisti a alguns capítulos. Só não vi o seriado recente da BBC, por medo de ficar parecido."

O resultado já colhe pelo menos um fruto: o interesse da Walker Books. A editora já pautou a dupla para uma versão de Rei Artur, prevista para 2010.

                                                          ***

Apesar de ter trabalho no mercado inglês, o vínculo com o país hoje é limitado aos parentes que ficaram por lá. Ele diz que ter nascido lá foi "acidente".

"Tenho família lá e gosto de visitar, mas prefiro morar no Brasil. Sol, praia, amizades. Para mim, essas coisas compensam mais do que segurança financeira ou tecnologia de última geração."

Por aqui, ele faz ilustrações para a "Folha de S.Paulo" e para revistas da Editora Abril. Também da aulas de desenho em uma academia de São Paulo e em um projeto da prefeitura paulistana.

Ele conta que decidiu que trabalharia com quadrinhos aos seis anos. Oito anos depois, estreava na revista infantil "Cuca", na seção de passatempos.

                                                          ***

Hart formou-se em arquitetura pela Universidade de São Paulo. Produziu quadrinhos nessa época. Entre 1995 e 97, atuou como assistente do desenhista John Higgins na Inglaterra.

Nos últimos anos, ele tem alternado trabalhos com autores independentes paulistas do grupo Quarto Mundo. Ele integrou o lançamento do movimento há dois anos.

O trabalho independente de mais destaque dele talvez seja "Shem Ha-Mephorash", feito em parceira com a escritora Marcela Godoy.

Com o que produz por aqui e no país de origem, tem conseguido se manter com arte. "Entre os três trabalhos, quadrinhos, ilustrações e aulas, dá para pagar as contas."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h04
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07.06.09

Revista de Luluzinha adolescente recria personagem do zero

 

Crédito: Divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Primeiro número da revista com versão adolescente da personagem já está nas bancas 

 

 

 

 

 

 


Parte-se da premissa de que uma adaptação, qualquer que seja ela, conserva elementos do texto fonte, em maior ou menor grau.

Não é o que ocorre com a versão adolescente de Luluzinha, como se vê no primeiro número de "Luluzinha Teen e Sua Turma", à venda desde sexta-feira (Pixel, 100 págs., R$ 6,40).

A personagem norte-americana foi recriada do zero em formato mangá. O leitor não verá na protagonista nem uma sombra da menina sapeca e ingênua de vestido vermelho.

A ausência de elementos das antigas histórias é tão gritante que os personagens poderiam ter até outros nomes que a história seria entendida do mesmo jeito.

                                                          ***

O cenário criado para Luluzinha jovem se parece com o da novela "Malhação", da TV Globo.

Ela e os amigos - Bolinha, Alvinho, Glorinha, Aninha e mais alguns personagens novos, todos adolescentes - vivem numa cidade fictícia litorânea chamada Liberta.

O grupo frequenta um colégio, o Escola Unida. O "point" deles é um lugar chamado "Livre". Bolinha agora é ex-gordinho e integra uma banda de rock.

A qualidade da história de estreia poderia contornar o inevitável estranhamento entre esta e a antiga Luluzinha. Mas não é o caso.

                                                          ***

Há dois problemas centrais nesta história de estreia. O primeiro é o roteiro em si. Fica clara a interferência da editora no projeto. O que se lê é um vai-e-vem de situações.

A trama central são os casos de vandalismo de que a escola é vítima. Lulu tenta descobrir quem são os autores. O mistério da história é descobrir quem são.

Em meio a isso, a banda de Bolinha procura um vocalista para abrir o show da cantora Pitty. Esta aparece em mais de um momento dando conselhos ao grupo.

Além disso, há o cuidado de mostrar Lulu postando mensagens em seu blog. Em dois momentos, ocorre um explícito convite para o leitor visitar a página virtual.

                                                           ***

O blog de Luluzinha existe e faz parte do projeto editorial. A Pixel, selo da carioca Ediouro, quer que o leitor migre do papel para a internet.

Não há nada de mal nisso. Nem na tentativa de a Ediouro pensar a revista como projeto visando lucro. As editoras, como toda empresa, querem e precisam ganhar dinheiro.

Mas o diálogo entre mídias não pode se sobrepor à qualidade do produto. O projeto peca em outros aspectos. O primeiro é  usar o nome Luluzinha apenas como chamariz.

A personagem empresta o nome a uma estratégia de marketing. A história em si ignora por completo os elementos visuais e de personalidade da  versão norte-americana.

                                                          ***

Esta Luluzinha teen tenta copiar o sucesso de "Turma da Mônica Jovem", que também peca nos roteiros. O formato é o mesmo e a capa também registra a frase "em estilo mangá".

As histórias também são feitas por autores nacionais, o que não deixa de ser um aspecto positivo. Mas a escolha de Luluzinha talvez seja o principal equívoco do projeto.

Ela é um dos raros casos de história em quadrinhos que pode ser lida em qualquer idade. Inclusive os pré-adolescentes. Há uma ingenuidade cativante que atinge a todos.

Para recriar a personagem do zero, de modo a atingir determinado público específico, só se fosse para oferecer algo melhor. E, como já dito, não é o caso.

Melhor esperar pelos álbuns da Devir, que desde 2006 tem relançado as histórias antigas da personagem, em ordem cronológica. A editora programa mais dois para este ano.

                                                          ***

Nota: Renato Fagundes, roteirista desta primeira história, comenta críticas ao projeto e detalha a concepção da série no blog "Gibizada", de Telio Navega. Para ler, clique aqui.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h23
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06.06.09

Quadrinhos ocupam espaço privilegiado na imprensa

Direto aos fatos, lidos entre ontem e hoje:

- O caderno de cultura de "O Estado de S. Paulo" deste sábado dedica sete páginas a quadrinhos e obras ilustradas. O jornal noticia de quando em quando o tema. Mas nunca com tanto espaço e com vários títulos de uma só vez.

- A "Carta Capital" desta semana traz matéria de quatro páginas sobre obras que "fazem romance por meio de quadrinhos". Das quatro semanais, a revista é a única que mantém uma regularidade de pautas sobre quadrinhos. Mas nunca chegou a tantas páginas.

- A revista "Piauí" deste mês traz um capítulo de "Cachalote", de Daniel Galera e Rafael Coutinho, álbum nacional que o selo Quadrinhos na Cia. lança em breve. A narrativa ocupa sete páginas da publicação.

                                                          ***

Por mais que a grande mídia tenha aumentado o espaço dedicado aos quadrinhos de 2006 para cá, é raro, raríssimo o tema ocupar tanto espaço numa tacada só.

Ainda mais num espaço da imprensa tradicionalmente dedicado à literatura.

A leitura que se pode fazer é que a entrada no mercado do Quadrinhos na Cia., selo da Companhia das Letras, já começa a ecoar nos veículos de imprensa.

A editora paulista é uma das que mais emplaca pautas na mídia cultural. O mesmo tem ocorrido com os quatro primeiros títulos do selo que começou a vender no fim de maio.

                                                           ***

É esse, pelo menos, o ponto comum entre todas as inserções mencionadas acima.

O Quadrinhos na Cia. aparece no "Estadão", "na "Carta Capital" (em ambos com "Retalhos", de Craig Thompson), na "Piauí".

Resenhávamos nesta semana que a entrada do selo poderia chacoalhar o mercado.

Um dos motivos é que a Companhia tem bom trânsito entre os chamados "formadores de opinião" da mídia cultural, como já se vê.

                                                           ***

Outro motivo é que procura conquistar um novo leitor. É a pessoa que não necessariamente acompanha quadrinhos, mas que frequenta livrarias e aprecia um bom romance.

As matérias lidas neste início de junho na imprensa mostram que o diálogo com esse novo leitor já começa a ser feito.

Os quadrinhos ocuparam, nas três publicações mencionadas, um espaço normalmente preenchido pela literatura. E o mesmo vai se repetir na próxima Flip, em julho.

A Festa Literária de Paraty vai ter uma mesa dedicada a quadrinhos, com presença de Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Grampá e Rafael Coutinho, de "Cachalote".

                                                          ***

A estratégia tende a agregar valor aos quadrinhos e afinar o diálogo que existe com a literatura. Embora sejam linguagens diferentes, apresentam inegáveis pontos comuns.

Ainda é cedo para perceber onde isso vai dar. Mas, parece, é algo positivo. E serve de contraponto a quem ainda mantém o argumento de que quadrinhos são só para crianças.

Como a pauta recente da mesma imprensa mostrou, é um discurso ainda presente.

O fato é que os quadrinhos neste começo de mês tomaram um espaço habitualmente destinado à literatura. Pode ser o início de algo novo. É para ser observado bem de perto.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h58
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05.06.09

Livro mostra trajetória de Fantasma dentro e fora dos quadrinhos

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra escrita por Marco Aurélio Lucchetti começa a ser vendida em São Paulo neste sábado 

 

 

 

 

 

 

 

Quando a Opera Graphica anunciou no fim do ano passado que iria encerrar as atividades, a editora informou que publicaria ainda duas obras ligadas a quadrinhos.

Uma foi lançada em dezembro, um volume de Príncipe Valente. A outra começa a ser vendida neste sábado. É um álbum de luxo, que relata a trajetória do herói Fantasma.

A publicação de "Fantasma - A Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos" vem sendo adiada desde 2006, quando o herói completou 70 anos de criação.

Para quem é fã do personagem, talvez essa espera tenha valido a pena, como se diz no ditado. A obra esmiúça a evolução do herói, dentro e fora do universo do quadrinhos.

                                                           ***

O livro, de capa dura e formato grande (26,5 cm X 36 cm), foi escrito por Marco Aurélio Lucchetti, autor de outras obras sobre quadrinhos e fã do herói, criado por Lee Falk e Ray Moore.

A obra, organizada por Franco de Rosa, um dos diretores da Opera Graphica, foi dividida em 17 capítulos. Começa com a criação dele, no começo de 1936, nos Estados Unidos.

Depois, explora as principais histórias, os coadjuvantes, a relação e o casamento com Diana, biografias dos autores, migração para outras mídias, citações em outros quadrinhos.

A trajetória do personagem no Brasil também é explorada. Há entrevistas com Gutemberg Monteiro e Walmir Amaral, que produziram capas da revista do herói para a RGE.

                                                          ***

A duradoura presença de Fantasma no Brasil é um dos pontos que mais chama a atenção do livro. Há uma detalhada cronologia da publicação do personagem.

Da estreia em um encarte de "Correio Universal", em março de 1936, à última aparição em bancas, em revista da Mythos, há dois anos.

Há mais: 13 páginas coloridas trazem 818 capas de revistas, livros e suplementos onde o espírito-que-anda - como também é conhecido - foi publicado.

Há raridades, como imagens do "Correio Universal" e do "Globo Juvenil", época em que o personagem tinha sido batizado de "O Fantasma Voador". É feito por fãs e para fãs.

                                                           ***

Lançamento de "Fantasma - A Biografia Oficial do Primeiro Herói Fantasiado dos Quadrinhos". Quando: sábado (06.06). Horário: 15h. Onde: Comix. Endereço: alameda Jaú, 1998, Cerqueira César, São Paulo. Quanto: R$ 109.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h57
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Álbum faz documentário com versões caricatas de animações

 

Crédito: divulgação

 

Há um dado na concepção de "Três Dedos: Um Escândalo em Quadrinhos" que ajuda a singularizar o álbum: trata-se de um documentário feito na forma de quadrinhos.

Os depoimentos lidos no álbum - à venda em livrarias e lojas de quadrinhos (Gal, 144 págs., R$ 39,90) - abordam um fictício mistério que pauta o título do livro.

Há também outro fato que contribui para particularizar a obra. Os entrevistados são versões caricatas dos primeiros personagens dos desenhos animados norte-americanos.

O enredo do álbum parte da premissa de que esses personagens eram atores reais, que atuavam nas animações das décadas de 1930 em diante.

                                                           ***

A ideia do escritor e desenhista Rich Koslowski refaz toda a trajetória dos pioneiros dos desenhos animados nos Estados Unidos, com fatos que realmente aconteceram.

O foco está na trajetória de Walt Disney. Ou Dizzy Walters, como é mostrado no álbum.

As entrevistas com as animações, que ajudam a conduzir a narrativa do documentário ficcional, reconstituem os primeiros projetos dele. E o encontro inicial com Mickey Mouse.

Mickey Mouse, não. Correção. Na obra de Koslowski, é o ator Rickey Rat. Mas o visual, a exemplo de Disney/Dizzy, é o mesmo que marcou o personagem.

 

Crédito: divulgação

 

Rickey Rat é mostrado em dois momentos. No passado, é mostrado como o camundongo feliz e sorridente que todos conhecem, que firmou parceria com Disney/Dizzy.

No presente, fuma, está barrigudo e deprimido. Aperece na entrevista em que relembra o início da carreira e o sucesso que alcançou, a ponto de ser copiado por outros atores.

O mesmo ocorre com outras versões caricatas de animações da época. E não só da Disney. Há várias menções aos personagens dos Estúdios Warner Bros (ou Warmer Bros.).

São mostrados como eram nos desenhos e como estão hoje, vistos nos depoimentos.

                                                           ***

"Três Dedos: Um Escândalo Animado" conquistou nos Estados Unidos, em 2002, o prêmio Ignatz de melhor graphic novel. O prêmio é dedicado a obras em quadrinhos.

É curioso que um trabalho tão singular tenha demorado tanto para ser publicado no Brasil. Ainda mais num mercado tão ávido por novidades estrangeiras.

A ideia é singular, em todos os aspectos. E tem referências de sobra para quem aprecia as animações da época. O único senão é o desfecho que, claro, não será revelado aqui.

Koslowski antecipa no meio do álbum qual é o escandaloso mistério que dá título à obra. Isso tira um pouco o interesse do que vem na sequência. E o ar de novidade se perde.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h21
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04.06.09

Livro faz homenagem tímida aos 40 anos do Pasquim

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Obra da editora Desiderata, já à venda, traz capas do jornal e quatro artigos sobre a publicação alternativa

 

 

 

 

 

 

 

Há exatos 40 anos, em junho de 1969, o leitor brasileiro tinha contato com a primeira edição de "O Pasquim". Não demorou para que se tornasse um dos instrumentos de resistência do regime militar (1964-1985).

Hoje, a sábia distância do tempo permite afirmar com mais certeza o que já se percebia na época: o jornal deixaria sua marca. No país, no jornalismo, nos quadrinhos nacionais.

Por isso, e por muito mais, é justificável e até desejável uma edição para marcar as quatro décadas de vida da publicação.

O que não era de se esperar é que a obra fizesse uma acanhada homenagem.

                                                           ***

"O Pasquim 40 Anos! - Edicão Comemorativa" (Desiderata, 40 págs., R$ 39,90) traz 31 capas originais do jornal. Outra, inédita, foi feita por Millôr especialmente para a obra.

Millôr, um dos integrantes da trupe original, assina um dos quatro textos do livro. Os outros são do desenhista Jaguar, do jornalista Sérgio Augusto (também equipe original) e do chargista Chico Caruso.

E só. Não há uma contextualização maior do jornal. Ou de sua importância para a linguagem jornalística. Ou aos quadrinhos. 

O acanhamento aumenta se visto que os textos de Augusto e Jaguar aparecem espremidos, lado a lado na primeira orelha da capa.

                                                           ***

Melhor homenagem faz a mesma Desiderata com outro livro, lançado ao mesmo tempo.

Trata-se da terceira antologia do jornal (376 págs., R$ 79,90), organizada, uma vez mais, pela dupla Sérgio Augusto e Jaguar.

O contato com os textos originais de "O Pasquim" apresenta o que a publicação representou e revela, curiosamente, que muitos dos temas permanecem atuais.

Violência urbana, crescimento desordenado das cidades, até quedas de avião. Tudo é (re)lido com os olhos de hoje. Mas com o contexto de ontem. E o humor de sempre.

                                                           ***

Ao leitor de quadrinhos há um interesse especial. Ziraldo, Henfil e companhia influenciaram e serviram de molde inicial a vários desenhistas que surgiam na década de 1970.

O jornal, para os quadrinhos, funcionava como um suporte privilegiado de publicação. E ajudou a levar os diferentes gêneros quadrinísticos ao leitor adulto.

Os cartuns - em particular os de Ziraldo - são a maioria desta terceira antologia, que reedita os jornais dos números 201 a 250 (de maio de 1973 a abril de 1974).

Mas há também os quadrinhos tradicionais. E os de Henfil (1944-1988), autor singular que sempre merece menção à parte.

                                                           ***

Os dois livros marcam uma volta da carioca Desiderata às antigas edições de "O Pasquim".

As duas antologias do jornal, lançadas a partir de 2006, tiveram forte repercussão na imprensa e nas vendas. Tornaram-se rapidamente a galinha dos ovos de ouro da editora.

E foi o que cacifou a empresa a ser vendida ao grupo Ediouro na virada de 2007 para 2008.

Desde então, as reedições do jornal continuavam apenas nas estantes de colecionadores e na memória de uns poucos privilegiados.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h39
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Duas tiras que merecem registro

 

Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Crédito: Laerte, nas edições de ontem e de hoje do jornal "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h43
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03.06.09

Claudio: do menino desenhista ao chargista profissional

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

O jornalista e desenhista Claudio Oliveira trocou o frio paulistano desta semana por uma temperatura mais amena. Ele passa o restante da semana no Acre.

A troca de ares - e de temperaturas - é por motivos profissionais. O chargista da capa do jornal "Agora", de São Paulo, participa da 1ª Bienal do Livro e da Leitura do Acre.

Claudio integra uma mesa nesta quinta-feira, das 9h às 11h da manhã. Aproveita para relançar seu livro de charges, "Pizzaria Brasil", lançado em 2007 pela Devir.

Na sexta e no sábado, faz duas oficinas de quadrinhos, uma matutina, outra vespertina.

                                                           *** 

Claudio colhe os louros de uma carreira iniciada bem cedo, aos 12 anos. Ele tem trajetória semelhante à de João Montanaro, também de 12 anos, noticiado no blog em abril.

João faz tiras de adultos em seu blog. Claudio não tinha as facilidades da internet. Os jornais na metade da década de 1970 eram a grande janela. E foi num deles que estreou.

Ele conseguiu emplacar a primeira história no "Diário de Natal", em 1975. Uma façanha, ainda mais para quem tinha apenas 12 primaveras nas costas. Seu "Juca, o Vaga-Lume" rendeu até matéria no suplemento "O Poti", em junho daquele ano, (início da postagem).

Ele vê vantagens no início precoce. "Ao entrar em contato com profissionais, tem a possibilidade de amadurecer o trabalho mais cedo", diz o chargista, por e-mail.

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

O amadurecimento dele se deu na redação do jornal. Conheceu autores como Emanoel Amaral, seu primeiro "professor" e um dos fundadores do Grupeq.

O Grupo de Pesquisas em Histórias em Quadrinhos - sigla do Grupeq - publicou em 1976 uma revista independente chamada "Maturi", recentemente relançada por lá.

Claudio conseguiu outro feito precoce, o de publicar numa publicação em quadrinhos.

"Aprendi muito, saí dos desenhos ingênuos, influenciados por Carl Barks, da Disney, e fui direto para a influência da contracultura de um Robert Crumb."

                                                           *** 

O ano de 1976 foi marcante na formação dele por outros motivo. Foi quando indicaram a ele a leitura do jornal "Pasquim". O primeiro contado se deu quando conheceu Henfil.

Henfil passou a morar naquela época em Natal, onde Claudio morava. Foram apresentados. Claudio encontrou nele um segundo professor. Vale ler na íntegra o relato dele.

"[Henfil] gostou do meu trabalho, convidou-me para desenhar para o ´Pasquim´ e preencehu de próprio punho a minha fica de colaborador. Toda quarta-feira ia a casa de Henfil para enviar meus desenhos junto aos dele pelo malote aéreo. E passava um bom pedaço da tarde com ele a me dar dicas. Não só em relação à técnica do desenho, mas especialmente ao conceito de que a charge e os quadrinhos eram armas poderosas de crítica política e social."

"Henfil influenciou muito não só no traço quanto na minha politicação. Não era raro sair de lá com exemplares de jornais políticos da imprensa alternativa debaixo do braço, como "Opinião" e "Movimento", do qual ele era colaborador."

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

A influência de Henfil se deu também no traço. Não demorou para os desenhos de Claudio se parecessem com os do professor. Foi a tônica de suas histórias no anos seguintes, como "Bundão e Sua Turma", em que assinava como Cacau.

No início da década de 1980, foi alertado de que seu estilo era "chupado" do de Henfil. Decidiu buscar outros caminhos. Encontrou influência nos desenhistas Nássara e J. Carlos.

O que o chamava a atenção era a possibilidade de usar poucos traços para definir o personagem. Era visível a presença do estilo de J. Carlos nessa fase.

O desenho pessoal que marca as charges diárias do "Agora" veio quando retornou da República Tcheca. Viajou ao país para estudar desenho. Chegou a publicar por lá.

                                                          ***

A passagem no exterior serviu para amadurecimento teórico e do traço.

Lido em sequência, o livro "Pizzaria Brasil" evidencia isso. A obra faz uma coletânea de suas charges ao longo do tempo.

O curso que ministra nesta semana exigiu dele retomar toda essa trajetória, lida nesta postagem. E pesquisar sobre novos temas, como os mangás, os quadrinhos japoneses.

"Pretendo concentrar a oficina na parte técnica dos quadrinhos, como uma linguagem para contar história e transmitir ideias e valores", diz.

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

Serviço 1 - Palestra de Claudio Oliveira na 1ª Bienal do Livro e da Leitura no Acre. Quando: quinta-feira (04.06). Horário: das 9h às 11h. Onde: sala de cinema do Sesc de Rio Branco.

Serviço 2 - Oficina de quadrinhos com Claudio Oliveira. Quando: sexta-feira e sábado (05 e 06.06). Horário: das 9h às 11h e das 15h às 17h. Onde: auditório da Prefeitura de Rio Branco, no Acre.  

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h27
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Abril teve projeto de versão jovem de Luluzinha

 

Crédito: reprodução do blog Papo de Budega

 

 

 


Projeto foi pensado na década de 1990 e foi engavetado 

 

 

 

 

A editora Abril havia planejado uma versão jovem de Luluzinha e Bolinha na segunda metade da década de 1990. O projeto era desconhecido até o momento e não foi adiante.

A informação veio a público nesta quarta-feira em nota do blog "Papo de Budega", da jornalista Sandra Monte. É de lá a imagem acima, produzida pela Abril na época.

A existência do projeto foi passada a Monte por Primaggio Mantovi, então diretor de redação dos quadrinhos da Abril. Ele não explica o que levou a engavetar a ideia.

                                                           ***

Segundo Mantovi, o roteirista Gerson Borlotti e o desenhista Fernando Bonini ficaram a cargo das primeiras histórias. 

A ilustração que mostra os dois personagens como dois namoradinhos - feita por Bonini - foi a que deu origem ao projeto. E a única que restou no arquivo dele.

A Pixel, um dos selos da Ediouro, lança nesta semana uma revista de Luluzinha adolescente. As histórias foram produzidas no formato mangá. Saiba mais aqui e aqui.

                                                           ***

Post postagem (03.06, às 14h10): o colega Delfin me alerta, por e-mail, sobre um dado a respeito dessa nota que realmente precisa ser registrado.

A imagem - a única que teria restado no acervo de Mantovi, segundo o "Papo de Budega" - é do álbum "Luciano", publicado por ele e Bonini em 2005 pela Via Lettera.

A versão adolescente de Luluzinha e Bolinha aparece no sexto quadrinho da página 41. Se o álbum é de 2005, como o projeto foi pensado pela Abril quase dez anos antes?

No momento, não sei a resposta. Creio que a história é da década de 1990. Vou checar.

                                                          ***

Post postagem 2 (03.06, às 14h51): Acabei de conversar por telefone com Primaggio Mantovi. Está correta a informação desta postagem.

Segundo ele, a história foi feita na primeira metade da década de 1990. Ficou parada até ser publicada pela Via Lettera em 2005, mesmo ano da morte de Fernando Bonini.

Ele confirma que foi a partir de uma das imagens da história, a que abre a postagem e incluída na obra, que surgiu a ideia de criar uma versão adolescente de Luluzinha.

"O projeto simplesmente não saiu", disse. "Parou no meio do caminho. A diretoria [da Abril] não deu sinal verde." Segundo Mantovi, foram feitas cerca de seis histórias.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h54
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02.06.09

Imprensa perde critério no caso dos quadrinhos na escola

 

Crédito: reprodução do site da editora Devir 

 

 

 

 

 

 

Telejornal da TV Globo questiona presença de obra adulta de Will Eisner em biblioteca de uma escola da Grande SP

 

 

 

 

 

 


É preciso entender o modus operandi da imprensa para perceber que ela já começa a perder critério na cobertura dos livros em quadrinhos levados à escola.

A mídia informativa costuma explorar muito os modismos. Se um assunto encontra eco na população, é forte candidato a ganhar uma suíte, jargão jornalístico para uma reportagem que dá sequência a determinado tema.

Quando essas ondas de modismo ocorrem, qualquer caso semelhante ganha imediatamente os holofotes, mesmo que, numa análise fria, merecesse apenas uma nota ou até nem ser noticiado.

Um caso da semana, apenas para ilustrar. Qualquer mínimo problema técnico que um avião tiver nos próximos dias vai ganhar manchete. O modismo é espelhado na queda do Air Bus-A330 da Air France, que ia do Rio de Janeiro a Paris.

                                                           ***

Nesses casos, há o sério risco de o modismo se sobrepor ao juízo jornalístico. Valoriza-se muito o que não merecia tanto destaque. Basta olhar um pouco atrás o caso da morte da menina Isabela Nardoni, em que a mesma informação foi exaustivamente noticiada.

Está ocorrendo exatamente isso na cobertura da entrada de quadrinhos nas escolas. Isso fica bem claro numa matéria de hoje do "SPTV 1ª Edição", telejornal local da TV Globo.

A reportagem informa que o álbum "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço", de Will Eisner, é outra obra distribuída pelo governo com conteúdo inadequado a alunos. Neste caso, da sexta série (em torno de 11 anos).

                                                         ***

O livro, reeditado pela Devir em 2007, integra a lista de obras deste ano do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola). O programa do governo federal distribui livros e quadrinhos a escolas de todo o país.

Ainda segundo a reportagem, o livro foi descoberto por uma diretora de escola de Ferraz de Vasconcelos, cidade da Grande São Paulo. Ela identificou a obra na biblioteca, frequentada por alunos de sexta série.

Nas palavras da repórter Daiane Garbin, da Globo, "pelo nome, o livro de quadrinhos parece inofensivo, mas, virando as páginas, o que se encontram cenas de sexo e violência. Em uma cena, haveria referência à pedofilia e à prostituição infantil".

Ela destaca também uma cena que insinua pedofilia e outra, em que o pai esbofeteia a mãe e arremessa um bebê no sofá. Tudo fartamente ilustrado. A diretora não aparece na matéria.

 

 

À reportagem da Globo, vale reforçar, o ministério da Educação disse que a obra é adequada a estudantes do ensino médio, com mais de 15 anos. E que cabe às escolas a responsabilidade pelos empréstimos.

Os dois apresentadores do telejornal, Carla Vilhena e Cesar Tralli, registraram numa nota-pé (nome do texto lido do estúdio após a exibição da reportagem) que Eisner é um autor reconhecido mundialmente e que apenas a adequação da obra era discutida.

É um claro e tardio mea culpa público. Há exatas duas semanas, os mesmos âncoras questionaram, sim, a qualidade de "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", álbum feito por diferentes autores nacionais e destinado ao leitor adulto.

O livro foi comprado pelo governo de São Paulo e seria levado a estudantes da terceira série. O governo admitiu a falha. No "SPTV", o governador José Serra classificou a obra de muito mau gosto, um horror. Carla Vilhena se mostrou chocada na primeira pergunta feita a Serra.

                                                          ***

Como comentamos em texto veiculado na última sexta-feira aqui no blog, o discurso da mídia sobre o caso mudou. Há sinais claros disso na reportagem em pauta.

Tralli e Carla Vilhena explicitaram um tardio - embora educativo a eles e ao público - atestado de que a cobertura anterior teve falhas, assim como o processo seletivo.

Mas fica a pergunta aos pauteiros do "SPTV 1ª Edição": valia a matéria?

Observando o caso friamente, descolado das reportagens recentes, é algo que pouco se sustenta jornalisticamente. É de espantar que tenha sido levado ao ar, ainda mais na Globo.

                                                          ***

É de uma obviedade absurda dizer que uma obra direcionada a adolescentes e adultos esteja numa biblioteca. Mesmo sendo um espaço frequentado por crianças.

O óbvio é que isso ocorre em qualquer biblioteca escolar. Há livros para diferentes públicos. Inclusive o infantil. Cabe a uma bibliotecária controlar o acervo e o empréstimo. O alarde da diretora evidencia um claro despreparo dela. Essa, talvez, seria a matéria.

Mais um fato poria a pauta à prova: o ministério da Educação está correto. A obra foi selecionada para o ensino médio, de modo a compor bibliotecas escolares.

A lista do PNBE inclui para o mesmo público outras duas obras de Eisner - "O Sonhador" e "A Força da Vida" - e duas nacionais - "Domínio Público - Literatura em Quadrinhos" e "O Alienista", vencedora de um Prêmio Jabuti em 2008.

                                                           ***

Outros questionamentos, que faltaram à reportagem, ajudariam a derrubar a matéria.

Primeiro: será que a diretora - que não aparece na matéria - viu inadequação também nas obras literárias presentes no acervo do PNBE? Por que o foco só no álbum em quadrinhos?

Segundo questionamento: qual o contexto das histórias mostradas no álbum de Eisner? O tema era sexo, violência e alusão a pedofilia? Ou eram histórias humanas, situadas nos cortiços nova-iorquinos, onde o autor passou a infância? Enfim: a obra foi lida?

Terceiro questionamento: se vale o que os âncoras disseram, que o objetivo não era questionar a qualidade da obra e do autor, por que o conteúdo do primeiro OFF (narração feita pelo repórter) disse que o "livro parece inofensivo"? Houve contradição.

                                                           ***

Os modismos acabam, é questão de tempo. São sobrepostos por outros modismos.

Mas, até lá, esse modus operandi da imprensa tende a dar corda a um novelo que já não tem mais linha. E passa pelo sério perigo da perda do critério jornalístico, de destacar algo que não merecia ser noticiado. Como neste caso sobre a obra de Will Eisner.

A imprensa corre também o risco de cometer erros nesse processo. Os casos da Escola Base e do Bar Bodega, ambos da década de 1990, são tristes exemplos disso.

Noticiou-se por semanas, à exaustão, a culpa de um grupo de pessoas. Nenhuma era culpada. A correção rendeu uma nota, meses depois. Isso quando houve correção.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
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Uma tira sobre o caso do Airbus-A330

 

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou nesta terça-feira que destroços encontrados na região do arquipélago de Fernando de Noronha são do Airbus-A330.

O avião da Air France era dado como desaparecido desde a noite de domingo.

Ia do Rio de Janeiro a Paris.

Tinha 228 pessoas a bordo entre passageiros e tripulantes.

Segundo a companhia aérea, 58 eram brasileiros.

 

Crédito: Paulo Stocker

 

A tira-homenagem é de Paulo Stocker e foi postada à tarde no blog dele.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h56
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01.06.09

Quadrinhos na Cia. tem desafio de conquistar novos públicos

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Retalhos", do norte-americano Craig Thompson, um dos lançamentos do novo selo da Companhia das Letras 

 

 

 

 

 

 

 


Os primeiros lançamentos do selo Quadrinho na Cia. já estão à venda nas livrarias e lojas especializadas. Mais do que quatro álbuns, podem ser o início de uma mudança.

O novo selo que a Companhia das Letras inaugurou no fim de maio pode dar uma chacoalhada no mercado brasileiro de quadrinhos produzidos em forma de livro.

E por vários fatores. O primeiro é o que investimento é feito por uma das principais editoras do país e uma das que mais conseguem penetrar pautas nos cadernos de cultura.

Os jornais ainda são o principal termômetro para medir a influência de uma obra no leitor, mesmo com a cada vez mais acentuada presença da internet.

                                                           ***

Uma resenha impressa e outra virtual têm pesos diferentes no Brasil.

A crítica lida num jornal ou revista tende a gozar de mais prestígio e funciona como formadora de opinião, inclusive para outros veículos midiáticos.

Os livros da Companhia das Letras são assíduos frequentadores desses espaços. Pela qualidade, pelo volume mensal de novos títulos e pela estratégia de marketing.

O mesmo processo deve ser repetido com o selo dedicado exclusivamente a quadrinhos.

                                                            ***

A divulgação da Companhia já trouxe um resultado. A edição de domingo da "Folha de S.Paulo" trouxe resenha de "Retalhos", de Craig Thompson, um dos lançamentos do selo.

Resultado: há a chance de pessoas que normalmente não liam quadrinhos passarem a saber da existência deles. E serem convidadas a ver os álbuns de modo mais sério.

Esse é o segundo ponto que pode movimentar o meio editorial, a conquista de novos leitores. O perfil é o da pessoa que frequenta livrarias, mas não as estantes de quadrinhos.

Tanto que a editora fez na semana passada uma manhã de palestras a livreiros para explicar o tema. Fui um dos convidados. Havia cerca de cem pessoas na plateia.

                                                           ***

Quadrinhos em forma de livro não são algo novo no país. O que tem ocorrido é a entrada em massa deles nas livrarias, fenômeno que aumentou de 2005 para cá. A própria Companhia das Letras criou um catálogo com quadrinhos nesse período.

Com o cuidado de escolher obras aceitas pelos não leitores de quadrinhos, como "Tintim", "Maus", de Art Spiegelman, e "Persépolis", de Marjane Satrapi.

Há um pouco disso nos novos títulos, que tiveram tiragens entre 4 mil e 5 mil exemplares.

Além de "Retalhos", há um álbum de Will Eisner "Nova York - A Vida na Grande Cidade" (440 págs., R$ 55), "O Chinês Americano" (238 págs., R$ 47,50), de Gene Luen Yang, e o nacional "Jubiabá de Jorge Amado" (R$ 33), de Spacca. 

                                                           *** 

O terceiro ponto que pode mexer com o mercado é o próprio fato de a Companhia das Letras investir de forma mais explícita no ramo de quadrinhos.

É possível que outras editoras de médio e grande porte passem a apostar no setor, mesmo sem saber direito o que publicar. Seria uma forma de responder à concorrência.

Por enquanto, editoras que não investiam em quadrinhos têm se dedicado a adaptações literárias. São obras feitas sob medida para vender às listas educacionais do governo.

Investir apenas em listas governamentais é uma aposta lucrativa. Mas tênue. Se a política educacional, afunda as obras pautadas pelo governo.

                                                          ***

A Companhia das Letras já teve obras em quadrinhos incluídas na relação do governo federal e deve ter outras. É um mercado não ignorado pela editora.

Mas a diversidade e a aposta em obras nacionais sugere uma trajetória mais autônoma e sustentável, pautada na criação e formação de um público leitor.

São as editoras e os autores que devem pautar o governo, e não o contrário. Se bem-sucedida, a estratégia causará impacto no mercado editorial brasileiro. 

O principal louro a ser colhido seria a conquista de um novo perfil de leitor. Estaria formado, assim, um sistema mais sólido de produção e consumo de obras em quadrinhos.                                                                            

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h17
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FIQ confirma mais estrangeiros e começa contatar brasileiros

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

Desenho do brasileiro Ivan Reis, um dos autores que vão participar da 6ª edição do festival de quadrinhos

 

 

 

 

 

 

Os organizadores do 6º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos - confirmaram a presença de mais seis estrangeiros no evento, que será realizado em outubro em Belo Horizonte. Autores brasileiros também começaram a ser contatados.

Ivan Reis está confirmado. O desenhista atua nas revistas da norte-americana DC Comics.

Segundo os responsáveis pelo festival, Rafael Grampá, Fábio Moon, Gabriel Bá e Mike Deodato também serão convidados. Outros autores nacionais devem ser contatados.

Joe Bennett terá uma exposição no encontro de quadrinhos. O nome dele tinha sido um dos primeiros a serem divulgados pela coordenação do evento. 

                                                           ***

A maioria dos seis estrangeiros - que se somarão aos outros já confirmados - é desconhecida do leitor brasileiro. Três deles foram divulgados no blog oficial do festival.

São o estadunidense Ivan Brandon, o alemão Reinhard Kleist e a espanhola Teresa Valero.

A coordenação do FIQ confirmou hoje ao blog três outros nomes: o desenhista chinês Benjamin, o editor de quadrinhos chineses na França, Patrick Abry, e Eddie Berganza.

Berganza é um dos editores das revistas de super-heróis da DC Comics. Ele esteve na última edição do festival, em 2007. Não foi confirmado se virá por conta própria ou não.

                                                           ***

O caso de Berganza ilustra um comportamento de bastidores inédito nas edições anteriores do FIQ. Pessoas ligadas à DC e à Marvel estão se convidando para o evento.

"O que é curioso, porque o FIQ nunca teve o foco no mercado norte-americano", diz por telefone Roberto Ribeiro, editor da Casa 21 e um dos responsáveis pelo festival.

O encontro sempre priorizou autores europeus. Até agora, eles são a maioria entre os outros estrangeiros confirmados e já noticiados pelo blog em fevereiro e abril.

Da Itália, virá Liberatore. Da Espanha, Juan Díaz Canales. Dos Estados Unidos, Ben Templesmith. Do Canadá, Guy Delisle. Da Alemanha, Jens Harder.

                                                          ***

Da França, estão confirmados os nomes de Marc-Antoine Mathieu, Nicolas de Crecy, Christophe Blain, Cizo e Felder. Moebius foi convidado, mas ainda não garantiu presença.

A maioria de nomes franceses é explicada pelo fato de o festival integrar a programação do ano da França no Brasil, intercâmbio cultural entre dos dois países.

Mas o homenageado será brasileiro. É o desenhista Renato Canini, conhecido por dar uma cara nacional às histórias de Zé Carioca na década de 1970. Hoje, faz charges no sul.

O FIQ vai ser realizado na semana de 6 a 11 de outubro, em Belo Horizonte.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h27
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