31.07.09

Cartilha reproduz tira de Chico Bento com palavrão

Parece haver uma epidemia de falhas nas secretarias estaduais de ensino nos últimos meses. O mais recente equívoco - de novo com quadrinhos - foi feito pelo governo baiano.

A Secretaria de Educação distribuiu uma cartilha que trazia uma tira de Chico Bento com um palavrão. O conteúdo da fala do personagem havia sido modificado do original.

Dez mil professores receberam o material. Para contornar o problema, foi colocado um carimbo bem em cima do balão que trazia a palavra.

                                                          ***

O governo da Bahia assumiu a falha e enviou desculpas ao Estúdio Mauricio de Sousa.

Mas não deixa de ser surreal ter ocorrido outro caso envolvendo a equação quadrinhos, palavrões e distribuição de obras didáticas por governos estaduais.

O assunto foi noticiado na edição desta sexta-feira do "Jornal Hoje", da TV Globo. Reproduzo abaixo o vídeo com a reportagem, duplicada do portal Globo.com.

 

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h40
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30.07.09

Graffiti mescla histórias brasileiras com trabalhos de fora

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

Novo número da revista independente mineira traz histórias de dois desenhistas sérvios e de 11 autores nacionais

 

 

 

 

 

 

 

O prato número 19 do cardápio da "Graffiti 76% Quadrinhos" traz um tempero importado. O sabor é sérvio e é trazido pelos desenhistas Maja Veselinovic e Aleksandar Zograf.

Os dois são apresentados com destaque ao cliente leitor. O sabor de fora é percebido logo na entrada e, depois, no meio da degustação.

Veselinovic aborda o papel de uma ponte para os moradores de uma pequena cidade. Zograf apresenta dois relatos que tentam fazer um jornalismo literário em quadrinhos.

O prato, não se deve deixar de mencionar, traz os tradicionais ingredientes brasileiros, preparados na já eficiente cozinha mineira, onde é produzido.

                                                          ***

Os cozinheiros mineiros mantêm, a cada novo prato oferecido aos leitores, uma regularidade rara no sabor dos quadrinhos coletivos produzidos no país.

No geral, o cliente encontra o mesmo serviço, mas com sutis mudanças na lista de opções. O garçom Eloar Guazzelli, por exemplo, continua firme e forte por lá.

A listagem do cardápio tem um ponto comum: serve quase a mesma proporção em cada uma das histórias. Algumas, é verdade, são mais bem servidas que outra.

Mas quem vai perceber isso é quem a degusta. E, tal qual o paladar, é algo subjetivo. Uns irão preferir o que é servido no começo. Outros, o prato principal. Ou a sobremesa.

                                                           *** 

O restaurante mineiro é mantido de forma independente já há alguns anos. Mas conta com lei de incentivo à cultura da Prefeitura de Belo Horizonte, o que ajuda muito.

É curioso como a cada final de refeição de uma Graffiti bem servida, fica a mesma sensação das edições anteriores, a de já ter saboreado o prato em outras paragens.

A receita parecida é da "Fierro", produzida na capital argentina, cidade que também tem um cardápio riquíssimo.

Não se trata de cópia de receita. Nada disso. É uma coincidência de ingredientes na hora da preparação. Ter receita nacional parecida com a portenha é sinal de bom apetite.

                                                          ***

Este prato da "Graffiti 76% Quadrinhos" já foi servido e degustado pelos mineiros de Belo Horizonte no começo do mês. Agora, será testado pelo paladar dos paulistas.

A receita será oferecida em duas ocasiões. Alguns dos garçons estarão nesta sexta-feira, às 19h, no +Soma, que fica na rua Fidalga, 98, na Vila Madalena.

No sábado, dia 1º de agosto, fazem novo serviço na HQMix Livraria, às 19h30. Fica na Praça Roosevelt, 142, no centro de São Paulo.

Em tempo: no sábado, também na HQMix Livraria e no mesmo horário, será lançado um informativo de autores independentes do grupo Quarto Mundo. O informativo é de graça.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h55
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Simulado do novo Enem inclui questões de quadrinhos

 

Cartum feito pelo argentino Quino

 

 

 

 

 

Cartum de Quino foi usado em uma dos testes da prova divulgada pelo governo federal 

 

 

 

 

 

 

Uma dica aos professores de cursos pré-vestibulares: digam aos alunos que a nova prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) deve manter a tradição de usar histórias em quadrinhos nas questões.

Outra sugestão: digam aos estudantes que há chances reais de caírem na prova gêneros dos quadrinhos que transitam em veículos midiáticos de grande circulação ou acesso.

Tradução disso: as questões deverão se pautar em charges, tiras cômicas e cartuns.

Se os alunos perguntarem como você, professor, sabe disso, diga o óbvio: sua leitura se pauta nas edições anteriores do Enem e no simulado da  prova, divulgado nesta semana.

                                                          ***

O simulado tenta apresentar alguns modelos de questões para que os estudantes possam adotar como parâmetro para a prova, que será realizada nos dias 3 e 4 de outubro.

O novo Enem - que antes era realizado num dia só - vai abordar quatro campos temáticos: ciências humanas, ciências da natureza, matemática e linguagens e códigos.

Em dois testes do simulado, os organizadores da prova usaram um cartum do argentino Quino - criador da Mafalda - e uma tira de Chico Bento, de Mauricio de Sousa.

A primeira foi extraída de um site sobre filosofia e é mostrada no início desta postagem. A segunda, vista abaixo, foi publicada no caderno de cultura do jornal carioca "O Globo".

 

Tira cômica de Chico Bento, de Mauricio de Sousa

 

As duas questões, bem como as demais, foram feitas na forma de testes. A que trazia o cartum exigia o entendimento de que o texto abordava relações de poder.

A pergunta com a tira de Chico Bento abordava a variante de fala caipira usada por ele, tema recorrente, inclusive no próprio Enem.

O exame - que é elaborado pelo governo federal - ganhou mais destaque neste ano por funcionar como substitutivo do vestibular para algumas universidades, a maioria federais.

As edições passadas da prova costumavam também trabalhar charges e tiras. A leitura de textos em outras linguagens - caso dos quadrinhos - é um dos conteúdos exigidos na prova.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h33
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29.07.09

Mauricio de Sousa prepara versão jovem de Chico Bento

Depois da Turma da Mônica, o caipira Chico Bento também terá uma versão adolescente.

A notícia foi dada pelo criador do personagem, Mauricio de Sousa, em entrevista  ao "Programa Amaury Jr.", da Rede TV. A íntegra está disponível no site do apresentador.

A assessoria de imprensa do desenhista confirmou a informação ao blog nesta quarta-feira. Mas, por ora, revela poucos detalhes.

Segundo a assessoria, o projeto está em andamento e não será em versão mangá, como a revista "Turma da Mônica Jovem", lançada há um ano.

Será um projeto paralelo, com revista própria. Chico Bento vai continuar fora da cidade grande e vai abordar temas ecológicos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h47
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28.07.09

Jornal de Goiânia vende livros de tiras para assinantes

 

Crédito: capa fornecida pelo autor

 

 

 

 

"O Popular" faz promoção com coletâneas da série Cabeça Oca 

 

 

 

 

O jornal "O Popular", de Goiânia, vende nesta semana dois livros da série Cabeça Oca para assinantes da publicação. A promoção envolve os volumes 9 e 10 da coleção de tiras.

Os dois volumes saem por R$ 15,80. Um só, por 8,90. A promoção vai até o próximo domingo. Há ideia de, depois dessa data, ampliar a venda a não assinantes.

Essa é a terceira venda de álbuns da série por meio do jornal. A primeira foi em 2006, com os seis primeiros volumes. A segunda ocorreu no ano seguinte, com os restantes.

"Eu li uma notícia em 2005 sobre esse tipo de promoção em jornais europeus", diz Christie Queiroz, autor das tiras. "Fiz um projeto, apresentei a proposta e eles gostaram da ideia."

                                                          ***

As tiras criadas por ele são bastante conhecidas em Goiás. As histórias de Cabeça Oca e da irmã dele, Mariana, são publicadas aos domingos no caderno infantil de "O Popular". A série circula também em jornais do Rio Grande do Sul e do Tocantins.

A campanha para a venda dos volumes 9 e 10 conta até com comercial em emissoras de televisão. O autor já planeja vincular ao jornal o lançamento do próximo volume.

Segundo Queiroz, o fato de ser uma obra em quadrinhos - e não um CD ou DVD - tende a diferenciar a promoção. E a se destacar aos olhos do leitor do jornal.

"Investir em quadrinhos é realmente uma aposta  inovadora. Porque ninguém faz isso", diz. "O livro na livraria custa R$ 20,00 e sairá pelo jornal a R$ 8,90."

                                                          ***

Embora jornais de todo o país tenham a política comercial de vender produtos junto com as edições, a prática de comercializar quadrinhos não é comum no Brasil.

Na Argentina, ao contrário, a venda de livros em quadrinhos já é uma tradição entre os três principais jornais de Buenos Aires, "Clarín", "La Nacion" e "Página 12".

O "Clarin" lançou nos últimos anos duas coleções de obras clássicas das histórias em quadrinhos, vendidas a preços populares junto com o jornal. Neste ano, lança Batman.

O "La Nacion" lançou alguns livros com tiras de Gaturro. O "Página 12" circula uma vez por mês a revista "Fierro", a principal publicação em quadrinhos argentina.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h47
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27.07.09

Livros produzem híbrido de quadrinhos e literatura infantil

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Diário de um Banana - Rodrick É o Cara", obra norte-americana que mescla texto com linguagem das histórias em quadrinhos 

 

 

 

 

 

 

 

Não é de hoje que se percebe o quão tênue é a fronteira entre a literatura infantil e as histórias em quadrinhos. Um dos pontos comuns é a presença de imagens.

A aposta no elemento visual tem aumentado de uns anos para cá. A ilustração deixou de ser apenas um enfeite para o texto. Ela passou a ser imprescindível para a narrativa.

Tanto que a associação dos ilustradores começa a questionar - com razão - de quem seria a autoria da obra: de quem manejou as palavras ou de quem moldou a arte.

Duas obras, lançadas de junho para cá, ajudam a nublar ainda mais essa fronteira entre as duas áreas. Ambas mesclam a narrativa em palavras com trechos em quadrinhos.

                                                          ***

O recurso, é verdade, não é inédito. Mas volta à pauta por conta dos dois títulos. Um é "Diário de um Banana - Rodrick É o Cara", de Jeff Kinney (V&R, 244 págs., R$ 32,90).

O livro é uma continuação de "Diário de um Banana", lançado no Brasil no ano passado. Nos Estados Unidos, a obra teve boa repercussão e vai ser adaptada para o cinema.

A história se ancora em Greg Heffley, um menino comum, que divide o tempo entre a família, a escola, os amigos e as confusões que a vida apresenta.

É o próprio Heffley quem narra seu dia-a-dia. O relato é feito em um diário, ganhado da mãe. As frases de Greg são intercaladas por quadrinhos, ficcionalmente feitos por ele.

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

"Jahú - Sonho com Asas" também usa quadrinhos para narrar trechos da história 

 

 

 

 

 


O outro lançamento híbrido é o nacional "Jahú - Sonho com Asas" (Panda Books, 56 págs., R$ 28,90). A obra é escrita por Ivan Jaf e desenhada por Ronaldo Barata.

O livro narra a história real do aviador João Ribeiro de Barros (1900-1947). O piloto foi o primeiro brasileiro a cruzar o Atlântico num avião.

Apesar de real, a narrativa usa elementos ficcionais para relatar a trajetória de Barros. Ele é mostrado como uma estátua que consegue se mexer quando ninguém está olhando.

O aviador encontra o engraxate Almir, um menino que desistiu do sonho de ser advogado. Barros decide relatar sua história para mostrar que as adversidades podem ser superadas. 

                                                          ***

No enredo criado por Jaf - autor de mais de uma adaptação literária em quadrinhos -, as cenas do passado são mostradas em quadrinhos. E o engraxate Almir faz parte delas.

É outro ponto comum entre os dois livros: en nenhum momento, os quadrinhos funcionam como uma repetição do texto. Pelo contrário. Eles acrescentam elementos à narrativa.

Para as editoras, obras assim podem se tornar um bom negócio: concorrem tanto como literatura infantil como em quadrinhos nas atraentes listas compradas pelo governo. 

Do ponto de vista dos autores, trazem mais um argumento para os defensores da co-autoria. E apresentam um rico caminho estético, que nubla mais a fronteira entre as áreas. 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h11
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26.07.09

Série Aventuras Família Brasil pode ser vista na internet


Os quatro episódios da série "Aventuras da Família Brasil" estão disponíveis na internet. Podem ser vistos no site da emissora gaúcha RBS, que adaptou as tiras para a TV.

A série - até então vista apenas no Rio Grande do Sul - é baseada nos quadrinhos de Luis Fernando Verissimo, publicados em jornais como "Zero Hora" e "O Estado de S. Paulo".

O escritor diz que a família "pretende ser um retrato da classe média brasileira".

Cada um dos episódios tem 15 minutos em média. Foram exibidos entre 23 de maio e 13 de junho. O primeiro, "Problemas Domésticos", pode ser visto a seguir:

 

 

Os outros episódios - "Vovô e a Disney", "Ensaiando no Escuro" e "O Cheiro do Bafo" - podem ser vistos por meio deste link, que leva ao site da RBS.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h51
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25.07.09

Autores estrangeiros vencem categorias do Eisner disputadas por Bá

Os desenhistas Guy Davis e James Jean venceram as categorias de melhor desenhista e melhor autor de capas do Eisner Awards, espécie de Oscar da indústria dos quadrinhos norte-americana. O brasileiro Gabriel Bá disputava com eles. 

Bá e o irmão, Fábio Moon, participaram da cerimônia, realizada na noite de sexta-feira na San Diego Comic-Con, principal convenção de quadrinhos dos Estados Unidos.

O brasileiro concorria em outra categoria, melhor reimpressão de álbum, por "The Umbrella Academy", desenhada por ele. A premiada foi "Hellboy Library Edition", de Mike Mignola.

Na rede social Twitter, Bá disse, durante a madrugada deste sábado, que "perder para Guy Davis, James Jean e Mignola é uma grande realização. Estou feliz!".

                                                         ***

Gabriel Bá e o irmão haviam vencido o Eisner o ano passado na categoria melhor antologia, pela publicação independente "5", que contava com outro brasileiro, Rafael Grampá.

Eles ganharam também pelas séries que desenhavam, "The Umbrella Academy" e a virtual "Sugarshock!".

Bá disputa neste ano outro prêmio norte-americano de quadrinhos, o Harvey Awards. Ele concorre em duas categorias, melhor desenhista e melhor série contínua ou minissérie.

Ele e Moon concorrem ainda na categoria melhor antologia pelo primeiro número de "Pixu". A história de terror, dividida em duas partes, foi publicada somente nos EUA.

                                                          ***

O site oficial do Eisner Awards listou todos os vencedores deste ano da premiação. A página pode ser acessada neste link.

E clique aqui para saber mais sobre a indicação de Bá e Moon ao Harvey Awards.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h49
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Livro de caricaturas tem lançamento sábado em São Paulo

Registro rápido. O sociólogo e desenhista Toni D´Agostinho lança neste sábado à noite, em São Paulo, o livro "50 Razões para Rir" (Editora Noovha América).

A obra é uma versão impressa de exposição mostrada no primeiro semestre em estações do metrô paulistano. Frases sobre o riso acompanham as ilustrações.

O lançamento vai ser a partir das 19h30 na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, centro).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h27
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23.07.09

HQ sobre Corinthians é cara demais para qualidade de menos

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

"Timão em Estilo Mangá" conta trajetória recente da equipe paulista e é vendida em duas versões: a mais barata sai por R$ 29,90 e a mais cara, por R$ 59,90 

 

 

 

 

 

 

 

Há uma expressão muito comum que recomenda não discutir sobre preferência de time esportivo e opção religiosa. Ainda mais num país em que, para muitos, o futebol é a religião.

O dito tem muito de verdade. A torcida e a crença residem no plano do emocional, não do racional, algo que nubla um debate são. Mas, às vezes, é necessário que a razão prevaleça.

É importante ter isso em mente antes de pensar na compra de "Timão em Estilo Mangá", álbum que começou a ser vendido neste encerramento de semana.

A obra foi produzida em dois formatos. Um, de luxo e em capa dura, sai por R$ 59,90. Outra, com capa mole, R$ 29,90. Nenhuma das duas versões vale o que oferece.

                                                          ***

Independentemente do time para o qual a pessoa torce - eu, por exemplo, sou sãopaulino - , há de se reconhecer os méritos da trajetória recente do Corinthians.

O time caiu para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em dezembro de 2007. Retornou um ano depois. Contratou e reabilitou o atacante Ronaldo.

Neste ano, conseguiu a façanha de ser campeão paulista invicto. São superlativos que tornam a ascensão e a queda quase um roteiro pronto. E atraente.

O álbum se propõe a narrar exatamente esse período de um ano e meio na vida do time. Mas o que se lê tira o brilho da rica e saborosa história que o time tem para contar.

                                                          ***

Trata-se de um relato infantilizado e estereotipado. Alguns dos adversários do time nem são citados. Assim como as datas. Nem todas constam, mesmo as relevantes.

O ponto alto da narrativa deveria ser o retorno à primeira divisão. Os desenhos - que tentam recriar o traço dos mangás - revelam pouca emoção inclusive nesse momento.

A cena mais emotiva do relato sobre o time é o gol histórico de Ronaldo em uma partida contra o Palmeiras, que impediu o Corinthians de perder o jogo. 

Há, como se vê, problemas de roteiro. E de condução da arte, caricata na pior acepção do termo. É difícil, por exemplo, identificar o Ronaldo real no Ronaldo desenhado.

                                                          ***

Há um explícito interesse marqueteiro neste lançamento. Não há, em tese, algo de mal nisso. O time e a BB - empresa que fez a obra - querem lucrar com o produto.

Mas a história muda com relação ao conteúdo. O leitor deve sempre se pautar pela qualidade e tem direito a ela. E não encontra isso nas duas versões do álbum.

Isso torna ainda mais obsceno o preço cobrado. E transforma o marketing em oportunismo, às custas do sincero e natural interesse do torcedor corinthiano sobre o assunto.

Se imperar a razão, fuja do álbum. É caro e não faz jus ao conteúdo. Muito pelo contrário. Se a emoção falar mais forte, continue fugindo. Se não der, opte, então, pela mais barata.

                                                         ***

Nota: a penúltima página da obra anuncia mais um volume sobre o time: "Centenário em Estilo Mangá". Logo abaixo, aparece um "aguarde". Ou não, a se pautar por este álbum.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h56
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22.07.09

Fabio Zimbres lança coletânea de tiras e prepara volta da miniTonto

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 


Capa de "Vida Boa", que traz tiras da série publicada pela "Folha de S.Paulo" entre 1999 e 2001 

 

 

 

 

 

Este ano tem um quê de volta ao passado para o desenhista e ilustrador Fabio Zimbres. Ele retoma uma antiga série e prepara a volta das edições da coleção miniTonto.

A série são as tiras de "Vida Boa", reunidas numa coletânea (Zarabatana, 166 págs., R$ 39). As histórias haviam sido publicadas pela "Folha de S.Paulo" entre 1999 e 2001.

O álbum traz quase todas as tiras. Quase porque algumas foram cortadas por serem muito datadas. Parte do material foi refeita durante a revisão das histórias.

"Reescrevi algumas para melhorar a piada", diz o desenhista, de 49 anos. "Fiz uma intensa revisão, mudei alguns desenhos e frases."

                                                           ***

A série narra a vida de Hugo, uma espécie de Cândido, de Voltaire, mas sem o otimismo. Desempregado, passa o tempo refletindo as mazelas que a vida trouxe a ele.

Lidas em sequência, as tiras formam uma história maior. Do começo ao fim, o leitor tem contato com dois dias da vida de Hugo.

"Foi uma oprtunidade de fazer uma espécie de romance, quando, normalmente, só se trabalha no formato de conto", diz o desenhista, que também é ilustrador e designer.

Algumas das tiras são inéditas. Foram feitas especialmente para encerrar a trajetória do protagonista. As novas histórias aparecem no final do último capítulo e no epílogo.

                                                           ***

"Vida Boa" foi criada para um concurso de tiras feito pelo jornal paulista. Laerte era um dos jurados. A série venceu e passou a ser publicada no caderno de cultura, em 1999.

Dois anos antes, Zimbres inaugurava outro projeto: a coleção miniTonto. A proposta era publicar pequenas edições, de 32 páginas, em formato de bolso.

A  coleção teve 16 revistas e trouxe histórias de autores como Lourenço Mutarelli, Allan Sieber e Eloar Guazzelli. O próprio Zimbres lançou uma, "O Apocalipse Segundo Dr. Zeug".

A série estava parada há alguns anos. Zimbres diz que pretende retomar a linha de revistas. Diz já ter um pronto, de Rafael Sica, e outros seis encomendados.

                                                           ***

Os títulos em produção, segundo ele, são de Chiquinha, do peruano Jorge Perez-Ruibal, de Eloar Guazzelli, Diego Medina, do argentino Ernan Ciriani e de MZK.

"Tenho um crédito numa gráfica e quero usar pra imprimir mais quatro pelo menos, se não der tenho que procurar mais uma parceria", diz.

"É algo que não vai morrer nunca, quer dizer, nunca vou assumir que vou parar, mas vai ter que ir no meu ritmo, preciso de dinheiro, tempo e ajuda dos amigos pra fazer."

O catálogo eclético da coleção é reflexo da experiência diversificada dele na área de quadrinhos. Publicou em diferentes revistas, tanto nacionais como estrangeiras.

                                                         ***

A experiência autoral e editorial de Fabio Zimbres põe uma natural lupa em suas opiniões. 

Na leitura dele, o atual mercado brasileiro tem sido bastante promissor. "Estou tentado a dizer que nunca esteve melhor." Um dos diferenciais seria a variedade de títulos e gêneros.

A produção brasileira foi um dos temas abordados nesta entrevista com ele, feita após uma série de trocas de e-mail.

Zimbres fala também sobre a série "Vida Boa". É ela que inicia a conversa.

                                                          ***

Blog - "Vida Boa" é um dos poucos casos de tiras cômicas que contam uma história maior, em capítulos diários. Quando você imaginou a série, já tinha ideia de que seria assim?
Fabio Zimbres - Não. Na verdade não tinha nenhuma ideia do que seria a tira, tirando o fato de o título "Vida Boa" ser irônico desde o princípio, tudo estava em aberto. A ideia de continuidade foi sendo criada aos poucos até que eu aceitei como uma das características. Acho que começou porque eu nunca fazia as tiras uma a uma, eu sempre me sentava pra fazer todas as da semana e sempre ficava mais interessante ficar explorando e fazendo variações num tema que ficar fazendo piadas sobre assuntos aleatórios.

 

 

Blog - Como foi a seleção da série no concurso da "Folha de S.Paulo"? Quantas tiras tiveram de ser inscritas? Elas foram reaproveitadas depois no início da série? Com quantos candidatos a tira concorreu?
Zimbres
- Não me lembro dos detalhes, quantos candidatos etc. Só me lembro que o Laerte e a Maria Eugênia (ela julgava ilustração, acho). Mas me lembro que o Arnaldo Branco ficou em segundo com Mundinho Animal. Sempre que me encontro com ele brinco que a Folha deve se arrepender até hoje. Pelo menos ele é mais engraçado. Mandei acho que três tiras e foram exatamente as rês primeiras que saíram publicadas. Nessa altura ainda não sabia que o personagem iria sofrer tanto. E também não tinha me dado conta que o Laerte já tinha um personagem chamado Hugo. Fiquei tempos sem usar o nome dele e tentando uma solução (mudar o nome dele pra Vitor Hugo, por exemplo), mas deixei pra lá.

Blog - Fica claro na leitura que uma mesma cena se mantém por várias tiras. Essa manutenção da situação também era intencional? Extraía-se o humor até quando rendia?
Zimbres
- Mais ou menos isso. Eu gosto de fazer diálogos, é mais ou menos como numa peça de teatro, você cria uma situação, uma paisagem e deixa as coisas interagirem. O humor na verdade era secundário, digamos que é uma obrigação que eu me impunha. A visão é sempre cômica, mas o que me interessava mais eram as sensações e as reflexões que certas situações podem sugerir. Quando me dei conta de que a continuidade da tira podia ser seguida à risca, acabei estruturando os eventos futuros em torno das necessidades do personagem: dormir, comer, arrumar dinheiro etc. E cada situação, por mais insignificante, se você se der ao trabalho, pode sugerir milhões de coisas. Na verdade, é como se o personagem parasse a cada momento pra pensar sobre o que estava acontecendo com ele ou qual o sentido daquilo que ele estava fazendo. E, assim, todo o ritmo fica muito lento, cada ação gera centenas de pensamentos. Tinha a sensação de ficar esticando um segundo da vida do personagem em vários minutos ou horas. Cada um daqueles pensamentos dele provavelmente são flashes instantâneos que nós todos temos e eu acabava desdobrando em várias tiras. Publiquei a tira por mais de um ano e no final se passaram dois dias na vida dele. 

 

 

Blog - A passagem da série na Folha foi relativamente curta em comparação com outras publicadas pelo jornal. O que houve?
Zimbres - Acho que não era uma tira muito querida. Conheci muita gente que gostava dela que me escrevia na época e me escrevem até hoje mas de fato não era uma tira de "massa" e nunca tive a intenção de fazer algo assim. As tiras da Folha, e acho que no Brasil em geral, têm esse hábito de visitarem muitos universos, são vários personagens e habitats que compartilham da mesma tira. Uma coisa meio esquizofrênica que tem muitas explicações pra ser assim, mas digamos que é algo completamente contrário ao que acontece nas tiras sindicalizadas americanas. Nunca fui adepto da linguagem mainstream, sempre fui mais chegado ao underground e nesse sentido as tiras brasileiras são mais pra underground que sindicato, há mais liberdade. Mas eu quis experimentar com as restrições e manter a tira nos trilhos sem grandes viagens. Mais uma ironia da tira. E, no caso, ela terminou tão claustrofóbica e depressiva que acabava afastando as pessoas. A tira saiu antes que eu mesmo me cansasse e fizesse como os outros cartunistas e inventasse outros personagens pra aliviar a barra do Hugo e do leitor um pouco, mas eu fico contente com o tempo que tive pra escrever até onde escrevi e fechar esses dois dias na vida do Hugo.                                                       

Blog - Você tem uma experiência ampla no mercado de quadrinhos brasileiros. Como você analisa o atual momento nacional?
Zimbres
- Olha, estou tentado a dizer que nunca esteve melhor. Se nos anos 1950 e parte dos 60 havia uma indústria e, antes disso, havia os quadrinhos infantis (indústria que nunca chegou ao que era na Argentina, é verdade), agora temos tudo isso e mais. Quem quer indústria trabalha pros EUA, Europa e Mauricio. E temos muitas editoras, dá pra dizer que se você quer publicar é fácil publicar, seja com autoedição ou através de editoras. Mas é certo também que isso tudo é meio pequeno e não sabemos aonde vai chegar, se o interesse das editoras vai acabar quando o governo parar de comprar livros. Continua ridiculamente difícil distribuir no Brasil e a banca de revistas é um território quase que exclusivamente estrangeiro. Quadrinhos no Brasil sempre foi uma montanha-russa, altos e baixos e sempre vemos a moda anterior ser substituída pela moda mais recente, então não dá pra fazer previsão. Mas o que eu gosto da situação de hoje é que tem muita gente nova fazendo quadrinhos e publicando e há vários tipos de quadrinhos, de humor a romances, históricos, experiências que não se definem entre mainstream ou underground, coisas pop, há de tudo e isso é bem estimulante.

                                                          ***

Nota: a editoria de cultura do UOL fez um álbum virtual com algumas tiras da série "Vida Boa". O material pode ser visto neste link.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h41
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21.07.09

Álbum sobre Revolução de 32 ganha autoelogio de Serra

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Livro sobre a Revolução Constitucionalista foi produzido pela Imprensa Oficial, mantida pelo Estado de SP

 

 

 

 

 

 

 


Ainda há de se dar tempo ao tempo para entender todo o impacto que o Twitter está causando na forma de acesso à informação.

Mas já se percebe pelo menos uma mudança provocada pela rede relacionamentos: ela facilita o contato com opiniões de pessoas de difícil acesso, inclusive para a imprensa.

Personalidades, empresários, políticos têm aderido ao novo sistema virtual. Um dos adeptos é o governador de São Paulo, José Serra. Ou @joseserra_, como ele aparece no Twitter.

E foi lá que ele twittou, às 4h15 da madrugada do último dia 14, esta frase: "Ótima a HQ sobre a Revolução de 32, do cartunista Maurício Pestana. Saiu pela Imprensa Oficial de SP, que faz bom trabalho na área cultural".

                                                          ***

A frase - com o limite de 140 caracteres, exigência do Twitter - fazia menção ao álbum "Revolução Constitucionalista de 1932 em Quadrinhos", lançado neste mês (R$ 12).

O estranhamento do elogio é porque ele destoa do que o mesmo governador disse no começo de maio sobre o livro "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol".

Só relembrando: o trabalho, feito por vários autores nacionais, foi comprado pelo governo do Estado para ser levado a estudantes na faixa dos nove anos. A obra é para adultos.

O caso foi noticiado pela imprensa e, imediatamente, começou um discurso de desqualificação da obra. Sobre ela, Serra disse que era de muito mau gosto, horrível, inclusive os desenhos.

                                                          ***

Uma opinião tão oposta no Twitter instiga uma investigação mais detalhada sobre a obra, até para se ter um parâmetro mais crítico sobre como o governador vê os quadrinhos. 

Vendo a obra, percebe-se que não se trata de um elogio, mas de um autoelogio.

O álbum - como Serra registra - é da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, mantida pelo governo.

Os créditos finais do livro trazem, inclusive, o nome de Serra, na qualidade de governador. Isso ele não registra no Twitter.

                                                          ***

Na página 23, um desenho do ex-governador do Estado Mário Covas, do PSDB, mesmo partido de Serra, reforça o tom elogioso. Foi Covas quem tornou a data feriado estadual.

A impressão que fica é que a menção à obra em quadrinhos não seja gratuita. Serra, no ápice do caso Dez na Área, recebeu uma onda de mensagens de repúdio via Twitter.

O elogio seria uma forma de ecoar as críticas em sentido contrário. Mais ainda. Segundo o site do governo, o livro vai ser usado pela rede estadual de ensino.

Mesmo com o nome do governador aparecendo no expediente em ano pré-eleitoral. E Serra, não custa registrar, é pré-candidato à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.

                                                          ***

É importante, no entanto, separar esta análise da obra em si, escrita e desenhada por Maurício Pestana. Ele faz exatamente aquilo a que se propõe o livro.

A proposta é explicar, de forma bem didática, o que foi a Revolução Constitucionalista de 1932, que contou com a participação armada dos paulistas contra tropas federais.

Para ajudar no tom explicativo, Pestana usa duas crianças. Por meio do diálogo delas é que são reconstruídos os eventos históricos.

O autor se baseou em fotos da época para criar as imagens de parte dos quadrinhos. E tomou o cuidado de incluir o papel dos negros na revolução, algo geralmente esquecido.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
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Daniel Azulay volta a ensinar desenho. Agora na internet


Quem tem mais de 30 anos provavelmente se lembra das aulas de desenho dadas na TV por Daniel Azulay no programa infantil "A Turma do Lambe-Lambe".

Ele ensinou a arte do traço nas TVs Educativa e Bandeirantes nas décadas de 1970 e 80. Os personagens dele chegaram a ser publicados em quadrinhos pela Editora Abril.

Azulay voltou a dar as aulas. Mas, agora, na internet, na editoria infantil do portal UOL.

É de lá que reproduzo o vídeo de 7 minutos, que pode ser visto logo abaixo:

 

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h33
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Festival no RJ faz concurso de tiras politicamente correto

Os organizadores da 4ª edição do Animaserra, realizado no Rio de Janeiro, abriram inscrições para um concurso de tiras. Mas há restrições ao conteúdo dos trabalhos.

Os interessados devem concordar com duas condições: cessão dos direitos autorais e adequar o conteúdo das tiras.

Embora o tema seja livre, o regulamento veta racismo, pornografia, uso de drogas, apologia ao crime e homofobia. A idade mínima para participação é 18 anos.

Os interessados podem enviar as tiras até 30 de setembro. O primeiro colocado ganha um software de animação. O site do festival traz outras informações sobre a inscrição.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h24
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20.07.09

Crise final traz nova história para antigo enredo

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 


Capa do primeiro número da minissérie "Crise Final", que chegou às bancas nesta segunda-feira 

 

 

 

 

 

 

 

 


O termo "crise" nos quadrinhos da editora norte-americana DC Comics é sinônimo de um desastre universal iminente que irá mexer com a realidade dos super-heróis.

É esse o enredo que pautou as duas outras minisséries que usaram o rótulo: "Crise nas Infinitas Terras", na metade da década de 1980, e "Crise Infinita", há poucos anos.

E é o que se vê, pela terceira vez, em "Crise Final". O primeiro número da minissérie começou a ser vendido neste início de semana (Panini, 36 págs., R$ 5,50).

A concepção é a mesma. Diferentes versões do planeta Terra, cada uma com uma realidade própria e paralela, correm o risco de serem extintos. E os heróis têm de impedir.

                                                           ***

No meio do caminho, como é de praxe, alguns dos personagens serão redefinidos e outros morrerão. Já há uma perda logo neste primeiro número, um integrante da Liga da Justiça.

Tantas crises, que já deveriam ter sido finais há mais de 20 anos, são respostas editoriais a dois comportamentos do mercado norte-americano de super-heróis.

Um é a necessidade de criar megaeventos que interliguem os títulos mensais da editora, de modo a turbinar as vendas de Super-Homem, Batman e companhia. 

A promessa de repaginar os heróis também tem a ver com isso. As mudanças são uma maneira de atrair novos leitores, que encontram um ponto zero para iniciar a leitura.

                                                          ***

Outro motivo que leva às sucessivas crises vistas nos últimos três anos é a concorrência. E a concorrência atende pelo nome de Marvel Comics, editora de Homem-Aranha e X-Men.

A Marvel também tem feito suas sucessivas crises. Mas, na realidade ficcional dos super-heróis da empresa, as palavras-chave são "guerra" e "secreta".

A primeira foi "Guerras Secretas", nos 1980. Houve há pouco "Guerra Civil", que pôs herói contra herói. A mais recente é "Invasão Secreta", publicada atualmente pela Panini.

Na prática, as editoras entram num círculo vicioso, difícil de escapar. Pautam tais eventos para superar uma eventual perda nas vendas. Mesmo que seja reciclando velhas fórmulas.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h32
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Craig Thompson confirma presença no próximo FIQ

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Retalhos", álbum de Craig Thompson lançado no Brasil em maio deste ano 

 

 

 

 

 

 

 

 

O norte-americano Craig Thompson vai participar do próximo FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, que será realizado entre 6 e 11 de outubro em outubro, em Belo Horizonte.

A informação foi confirmada agora há pouco, por telefone, por Roberto Ribeiro, um dos organizadores do festival. Thompson virá com a esposa, a editora Sierra Hahn.

O quadrinista começa a ficar mais conhecido no Brasil por conta do autobiográfico "Retalhos", lançado no fim de maio pelo Quadrinhos da Cia.

O álbum foi uma das primeiras obras do novo selo editorial da Companhia das Letras, voltado exclusivamente a produções em quadrinhos.

                                                          ***

A lista de estrangeiros inclui nomes de diferentes países. Além dos Estados Unidos, haverá autores do Canadá, França, Itália, Alemanha, Espanha, Argentina e China.

A maior parte dos convidados é francesa, pelo fato de o festival integrar a programação oficial do ano da França no Brasil, intercâmbio cultural entre dos dois países.

Brasileiros que atuam no exterior - como Gabriel Bá, Fábio Moon e Ivan Reis - também irão participar do FIQ, que é realizado a cada dois anos.

O homenageado desta sexta edição será o brasileiro Renato Canini. Ele criou personagens como Kactus Kid e foi o mais conhecido desenhista brasileiro de Zé Carioca.

                                                          ***

Leia mais sobre os outros convidados do FIQ em postagens de fevereiro, abril, junho e do último dia 6 deste mês.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h14
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19.07.09

Livros trazem mangá que inspirou desenho de Speed Racer

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do primeiro volume - de um total de dois -, que começou a ser vendido neste meio de mês 

 

 

 

 

 

 

 

 

É saudosa a tarefa de resenhar um lançamento como o dos livros que trazem as histórias em quadrinhos que serviram de base para o desenho animado de Speed Racer.

As aventuras do jovem piloto foram reunidas em dois volumes, que começaram a ser vendidos neste meio de mês em lojas de quadrinhos paulistanas (NewPOP, R$ 60).

O saudosismo está na inevitável associação da leitura com a memória visual da série, arquivada numa sala especial da memória de quem tem mais de 30 anos, meu caso.

A animação foi uma das mais vistas e comentadas na infância dessa geração. Os 52 episódios foram exibidos à exaustão pela TV aberta, em particular a Record.

                                                          ***

Sabia-se à época que a produção tinha raízes japonesas. Mas não se imaginava naqueles anos pré-internet é que o desenho havia surgido num mangá, nome dos quadrinhos de lá.

O mangá foi publicado no Japão entre 1966 e 1968. Trazia as aventuras do piloto de corridas Speed Racer. Corajoso e hábil, dirigia o carro Mach 5, desenvolvido pelo pai, Pops.

A criação do veículo e as primeiras corridas estão descritas nos dois volumes, vendidos numa caixa especial. O primeiro livro tem 296 páginas. O segundo, 328.

As histórias são do criador da série, Tatsuo Yoshida (1932-1977). A versão para a TV também é dele. O quadrinista mantinha com os irmãos uma empresa de animação.

                                                         ***

Três das histórias já haviam sido publicadas no Brasil pela editora Conrad, em 2002. O material agora trazido pela NewPOP reúne toda a série, até então inédita no país. 

A leitura dos dois volumes vai dialogar diretamente com a memória dos adultos de hoje, crianças de ontem. Há cenas e enredos reproduzidos ipsis-literis na série televisiva.

Parte das páginas iniciais serviu de base para a abertura do desenho animado. Também estão lá disputas com a equipe acrobática e corredores vilões, como Malange.

O primeiro número traz as quatro histórias que iniciaram o mangá. O segundo, outras seis. Uma delas repete, com sutis nuances, o encontro de Speed Racer com o Corredor X.

                                                          ***

Como se dizia na animação, o Corredor X era, na verdade, o irmão de Speed, Rex. Só que o protagonista não sabia disso, o que dava uma cor extra aos contatos entre eles.

O mangá traz uma espécie de desfecho na página de encerramento do segundo volume. É algo que envolve diretamente o Corredor X e sua relação com o irmão mais jovem.

O que se lê é grande parte do que se via na série, que narrou ainda mais histórias.

E corrige um fardo histórico: o de versões quadrinizadas de Speed Racer bem aquém da vista na televisão.

                                                          ***

O personagem teve passagens por diferentes editoras de quadrinhos brasileiras. As primeiras revistas traziam material produzido aqui no Ocidente.

A largada foi dada pela Editora Abril, primeiro em um especial, depois em revista própria, publicada entre 1977 e 1979. Durou 18 números.

O circuito incluíu a Escala, em 1994. A editora paulista lançou "As Novas Aventuras de Speed Racer". Teve vida curta, duas edições.

A Abril retornou ao personagem em 2000, numa minissérie em três edições. A Conrad, como já comentado, havia trazido em 2002, pela primeira vez, parte do mangá.

                                                           ***

A NewPOP havia anunciado em fevereiro que iria lançar o mangá em dois formatos. O leitor poderia comprar a caixa com os dois volumes ou os livros de forma separada.

Segundo a editora, criada há dois anos, os custos de produção de menos caixas aumentariam o preço final. A opção foi manter apenas o pacote com as duas obras.

O lado pessoal diria que este é um dos melhores lançamentos do ano. O lado jornalista, mais crítico, pede cautela. E lembra que o saudosismo pode ter nublado o superlativo.

Mas tanto o telespectador de ontem quanto o jornalista de hoje convergem para um ponto comum: dos mangás lançados neste ano até esta data, é o mais interessante.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
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18.07.09

Homenagens marcam 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa

 

Crédito: divulgação

 

Diferentes blogs de desenhistas brasileiros têm convergido para um tema comum nas últimas semanas: o aniversário dos 50 anos de carreira de Mauricio de Sousa.

Um grupo de 46 autores se organizou virtualmente para produzir pequenas histórias ou ilustrações como forma de homenagear o criador da Turma da Mônica.

O ápice é neste sábado, data em que o quadrinista e empresário publicou sua primeira tira. Trazia Bidu e Franjinha e circulou em 18 de julho de 1959, no jornal "Folha da Manhã".

As imagens foram postadas individualmente nas páginas virtuais de cada um dos autores. Amanhã, estarão disponíveis também num blog, criado especialmente para a ocasião.

 

Crédito: tiras de Fabio Ciccone, do blog Magias e Barbaridades

 

Outros autores também têm veiculado nas últimas semanas, em sites e blogs, uma prévia de versões pessoais dos personagens criados por Mauricio.

A diferença, nesse caso, é que os desenhos foram feitos sob encomenda dos Estúdios Mauricio de Sousa. Os trabalhos vão integrar uma obra comemorativa.

O número 50 sintetiza a proposta do livro: 50 autores trarão 50 olhares diferentes da Turma da Mônica para marcar os 50 anos de carreira do desenhista e empresário.

Segundo a editora Panini, que publica desde 2007 as revistas da Turma da Mônica, a publicação será lançada em setembro, na Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro.

 

Crédito: Benett, reproduzido do blog do autor

 

O dia de homenagens continua à noite. Às 22h, o canal The Biography Channel exibe o documentário "Biography: Mauricio de Sousa", com diferentes depoimentos.

Um pouco antes, às 19h, há abertura para a imprensa e convidados da exposição Mauricio 50 Anos. Será no MuBE, Museu Brasileiro da Escultura, em São Paulo.

A lista de convidados inclui autoridades, como o ministro da Cultura, Juca Ferreira. O acervo trará quadros, ilustrações e esculturas ligadas aos personagens de Mauricio.

Para os próximos meses, as homenagens incluem um CD e outros dois livros, um sobre a trajetória profissional dele e outro sobre os 50 anos do cachorrinho Bidu. 

                                                           ***

Serviço - Exposição Mauricio 50 Anos. Quando: abre para o público amanhã e vai até 18 de agosto. Horário: terça a domingo, das 10h às 19h. Onde: MuBE. Endereço: av. Europa, 218, São Paulo. Quanto: de graça.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h20
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17.07.09

Có! E se fez uma história em quadrinhos

 

Crédito: Gustavo Duarte

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Có!", revista independente que o desenhista Gustavo Duarte lança no mês que vem

 

 

 

 

 

 

 

 

Fazer uma história em quadrinhos mais longa era uma promessa para este 2009, feita não no fim, mas no meio do ano passado. Promessa é dívida. E Gustavo Duarte cumpriu.

O desenhista batizou o projeto de "Có!". Ele é econômico na descrição da revista, produzida com dinheiro do próprio bolso.

Como a história não tem palavras e é relativamente curta - 32 páginas -, ele tem medo de adiantar algo que possa comprometer a leitura. Mas dá algumas pistas.

Uma: se passa num sítio, durante uma noite. Outra: tem humor. "É galhofa. Não conseguiria fazer uma coisa que não fosse", disse ao blog, por telefone.

                                                          ***

A produção da revista é o projeto mais diferenciado que ele fez desde 2.000, quando saiu de Bauru, no interior paulista, e retornou a São Paulo, onde nasceu há 32 anos.

A trajetória profissional dele tem se pautado em charges, caricaturas e ilustrações para a imprensa, em particular para o "Lance!", jornal esportivo onde trabalha há nove anos.

Lá, produz charges dia sim, dia não. Nas outras datas da semana, faz ilustrações de colunas ou reportagens. A criação dessa história é para realizar um desejo antigo.

"Sempre tive vontade de fazer [uma história em quadrinhos] e não me sentia capaz", diz. "Quem me fez mudar de ideia foram o Fábio [Moon] e o Gabriel [Bá]."

 

Sequencia de Có!

 

Duarte diz que os irmãos Bá e Moon, também desenhistas de quadrinhos, têm dado "cutucadas" sobre o assunto há uns cinco anos.

A cada lançamento dos autores de Dez Pãezinhos que ele ia, a dupla lançava perguntas nas dedicatórias: e a sua história? quando vai lançar a sua? Enfim, cedeu.

Cedeu e voltou a alimentar o sonho de criança, instigado enquanto assistia a um especial do desenhista norte-americano Charles Schulz (1922-2000), pai das tiras Snoopy.

"Olhei para a minha mãe e disse: eu quero isso". Depois, cartunistas como Ziraldo e Henfil (1944-1988) também fizeram sua parte na opção pela profissão.

                                                         *** 

O roteiro de "Có!" também dialoga com a infância do autor. Parte da inspiração em desenhar os animais da fazenda veio do seriado norte-americano "Muppet Show". "Eu me lembro que chegava da escola e pegava os últimos minutos", diz.

A série foi criada por Jim Henson (1936-1990) e era toda feito com bonecos. O único "humano" era o convidado especial, um artista famoso, que variava a cada programa.

Nos Estados Unidos, o programa foi exibido entre 1976 e 1981. No Brasil, passou nas TVs Globo e Record. O primeiro ano foi lançado em DVD. Duarte comprou na semana seguinte.

No escritório dele, mantém ao lado da prancheta um dos personagens da série, Caco, o Sapo. Outro Muppet, o pianista Rowlf, fica na sala. Há um boneco de Fozzie encaixotado. 

 

Trecho de Có!

 

O roteiro de "Có!" foi escrito no ano passado. Mas só tomou forma nos últimos três meses, em meio às tribulações pessoais, entre elas a mudança de apartamento, em São Paulo.

O resultado final termina de ser impresso nesta semana. Serão 1.500 exemplares. Cada um vai ser vendido por R$ 10.

Duarte programou dois lançamentos, ambos em agosto. Um em São Paulo, dia 12, e outro, dia 19, em Bauru, onde moram seus pais e onde começou a carreira, no "Diário de Bauru".

Mas os primeiros a ler serão os norte-americanos. O desenhista viaja na terça-feira à noite para os Estados Unidos. E vai levar na bagagem edições de "Có!".

                                                          ***

Duarte vai participar da convenção de quadrinhos de San Diego, uma das mais populares do país. A ida é outra influência de Bá e Moon.

A dupla brasileira participa há mais de dez anos do evento, que revela os vencedores do Eisner Awards, espécie de Oscar da indústria de quadrinhos estadunidense.

Os desenhistas venceram em três categorias em 2008. Bá concorre uma vez mais neste ano, como melhor desenhista, melhor capista e pela série "The Umbrella Academy".

A viagem é para conhecer. Mas também com olhos profissionais.  Como "Có!" não tem texto, a revista não enfrenta a limitação da língua. O que virá a partir daí, o tempo dirá.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h31
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O Globo vai publicar perfis de autores nacionais de quadrinhos

O jornal carioca "O Globo" começa a publicar na edição deste sábado uma série de perfis de autores brasileiros de histórias em quadrinhos. A proposta é fazer um por mês.

O texto vai ocupar uma página inteira do "Prosa & Verso", caderno dedicado a literatura.

"A ideia é fazer uma reportagem falando com cada um deles e destacar as principais obras", diz Telio Navega, autor do projeto e dos textos.

Ele fez questão que os primeiros fossem autores ainda vivos. Os cinco iniciais serão Ziraldo, Laerte, Angeli, Lourenço Mutarelli e Mauricio de Sousa, que estreia a coluna.

                                                          ***

Iniciar "HQ: Perfis", nome da coluna, com Mauricio de Sousa não é coincidência. Foi exatamente no dia 18 de julho de 1959 que ele publicou a primeira tira de Bidu e Franjinha.

A coluna vai antecipar em algumas horas o início das comemorações dos 50 anos dos quadrinhos produzidos pelo criador da Turma da Mônica.

Os perfis - diz Navega - são uma forma de dialogar com outros públicos, não só com os leitores de quadrinhos. A ida das obras às livrarias ajudou a emplacar o projeto.

"A partir daí, dependendo do retorno dos leitores e da redação, continuamos, pois a lista é enorme." Ele já imagina outros nomes, das antigas e das novas gerações.

                                                           *** 

Telio Navega trabalha na área de ilustração do jornal. A presença dele na redação tem levado "O Globo" a publicar diferentes pautas e projetos ligados a quadrinhos.

O primeiro passo foi a criação há quatro anos do "Gibizada", blog especializado em notícias sobre quadrinhos. A página é hospedada no portal do jornal.

O blog migrou para o impresso no caderno jovem, o "Megazine". Depois, a coluna foi rebatizada para "Liquidificador" e ampliou as notícias para outras áreas culturais.

"O importante é disseminar os quadrinhos para diferentes leitores", diz. Isso ele tem feito. E feito diferença num dos principais jornais do país. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h47
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16.07.09

Série Tiras de Letra vai ter novo volume

 

Crédito: Desenho da capa é do cartunista Gilmar

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Tiras de Letra na Batalha", livro que reúne tiras de 27 desenhistas de diferentes parte do país 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A série Tiras de Letra vai ganhar um oitavo volume. O lançamento está programado para agosto. O grupo que irá participar de "Tiras de Letra na Batalha" já foi definido.

Como nas edições anteriores, também publicadas pela editora Virgo, serão 27 tiristas de diferentes partes do país. A maior parte dos autores é pouco conhecida pelos leitores. 

Os nomes mais famosos são Antônio Cedraz, da "Turma do Xaxado", Gilmar, de "Ócios do Ofício", e Mário Mastrotti, autor de várias séries, entre elas a do personagem Cubinho.

É de Mastrotti a ideia e a organização do projeto, que existe desde 2003. A proposta é publicar a obra em sistema de cooperativa. O grupo mantém também um blog sobre a série.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h36
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15.07.09

Álbuns encerram séries Predadores e Local

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Capa do quarto e último volume de "Predadores", que começou a ser vendido nesta semana 

 

 

 

 

 

 

 


Duas séries que se destacaram em 2008 têm suas partes finais lançadas nesta primeira quinzena de julho. Uma é a francesa "Predadores". Outra é a norte-americana "Local". 

A primeira é sobre a caça de vampiros que fincaram em postos de poder. A outra mostra a trajetória de uma jovem por diferentes cidades dos Estados Unidos.

Embora diferentes, têm em comum o encerramento lançado na mesma época ao leitor brasileiro e serem publicadas pela mesma editora, a paulista Devir.

O desfecho de "Predadores" estava programado para este segundo semestre. Mas veio antes do que o leitor imaginava. O intervalo entre este volume e o anterior foi de 15 dias.

                                                           ***

Esta quarta e última parte - que começa a ser vendida nesta semana (64 págs., R$ 29,90) - é calcada em decisões que os protagonistas têm adiado a tomar.

A ex-detetive Vicky Lenore e Aznar Akeba, filho de um dos predadores que dão título a série, têm de escolher um lado na vingança travada contra uma raça de vampiros.

Ou seguem esses seres, que se apossaram de postos-chave da sociedade, ou apoiam a luta dos caçadores de vampiros Camila e Drago, os predadores da série.

Não se pode adiantar o final. Mas pode-se dizer que a saída que encontram é diferente da esperada. E que há a volta da ação que marcou os dois primeiros volumes.

                                                          ***

O roteiro é do belga Jean Dufaux e os desenhos de Enrico Marini, suíço naturalizado italiano que tem se firmado no mercado europeu de quadrinhos.

A série francesa foi publicada entre 1998 e 2003 em quatro tomos, nome dado na Europa a cada um dos volumes de uma história narrada em partes.

A Devir lançou os dois primeiros no meio do ano passado. O terceiro, no fim de junho.

Uma dica: para entender este final, é bom ler os outros volumes. Do contrário, vai ser difícil entender a amarração dos fatos que levam a este final.

                                                           ***

"Local - Fim da Jornada" (208 págs., R$ 36,50) narra o que o título propõe: põe um ponto final nas viagens da jovem Megan McKeenan por diferentes cidades estadunidenses.

O périplo da protagonista teve início, no Brasil, no álbum "Local - Ponto de Partida", publicado pela Devir em junho de 2008. A obra trazia seis histórias, seis paradas.

Este novo volume traz as seis narrativas finais, lançadas nos Estados Unidos entre junho de 2006 e maio de 2008.

Em comum, há as viagens da personagem. Mas o tom da trama se volta mais para a vida familiar dela. Um dos problemas que tem de enfrentar é a morte da mãe.

                                                          ***

O foco nos dramas de McKeenan - visivelmente mais madura a cada nova história - são a forma que o roteirista Brian Wood encontrou para dar um porto seguro a ela.

Mas isso tira um dos pontos altos do volume anterior. As histórias iniciais mostravam não apenas a protagonista, mas a vida que ela criava em cada uma das cidades.

Isso se perde um pouco nestes capítulos finais. E tiram um pouco do ar inovador que a série e o roteiro tinham. O primeiro volume era melhor, mais intenso.

Como no álbum anterior, Wood e o desenhista Ryan Kelly trazem alguns bastidores de cada um dos capítulos. E com sugestão de trilha sonora para leitura.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h29
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14.07.09

Literatura e jornalismo: os novos projetos de Allan Sieber

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "É Tudo Mais ou Menos Verdade", um dos livros que o quadrinista prepara para serem lançados pela editora Desiderata

 

 

 

 

 

 

O futuro de Allan Sieber nas livrarias dialoga com três áreas: literatura, jornalismo e histórias em quadrinhos.

Da literatura, o diálogo é com parte da obra de João do Rio, pseudônimo mais famoso usado pelo escritor e jornalista Paulo Barreto (1881-1921).

Do jornalismo, a relação é com reportagens feitas para as revistas "Trip", "Playboy" e "Sexy". Serão reunidas num livro, a ser lançado possivelmente em setembro.

Dos quadrinhos, usa a linguagem para narrar as duas áreas anteriores.

                                                         ***

Sieber ainda finaliza as adaptações sobre a obra de João do Rio. A coletânea das reportagens em quadrinhos está mais avançada. Já tem uma primeira versão da capa.

O título do livro brinca com alguns dos cânones do jornalismo: "É Tudo Mais ou Menos Verdade - O Jornalismo Investigativo, Tendencioso, Ficcional de Allan Sieber".

A reunião mostra passagens pelo camarote carnavalesco da Brahma, pelos desfiles da Fashion Rio e por outras situações, relatadas em quadrinhos com o olhar dele.

"Basicamente tudo tem a ver com algo que aconteceu, mas não chega a ser datado", diz o desenhista, que completou 37 anos na semana passada.

                                                           ***

Sieber diz também que o livro terá trabalhos autobiográficos. Um deles é o publicado na edição de março da revista "Piauí".

Vai ficar de fora da coletânea apenas o que desenvolve neste momento. São textos e cartuns sobre a última Flip - Festa Literária Internacional de Paraty -, realizada neste mês.

A obra com as reportagens em quadrinhos e as histórias de si mesmo será lançada pela carioca Desiderata, um dos selos do grupo Ediouro.

É a mesma editora que publicou o último trabalho de Sieber, a coletânea de quadrinhos "Mais Preto no Branco", lançado em agosto de 2007.

 

Crédito: trecho de um dos contos da adaptação de João do Rio

 

A adaptação de textos de João do Rio também será lançada pela Desiderata. Foi uma mudança de planos. Inicialmente, seria editada pela Agir, outro selo da Ediouro.

A primeira conversa foi para levar para os quadrinhos o romance "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto (1881-1922). Achou que seu traço não se adequaria.

Sugeriram, então, João do Rio. Negócio fechado. "Eu já conhecia os livros dele e achei que ficaria legal com meu desenho", diz.

Sieber começou, então, um périplo para produzir a obra. Fechou o roteiro em 2007, deveria terminar em 2008, não terminou, finaliza o livro neste ano, pode lançar em 2010.

                                                           ***

"Por vários problemas pessoais e excesso de trabalho, parei de tocar o álbum, mas agora que foi para a Desiderata, retomei. Minha idéia é entregar todo o material até setembro."

O nome, ao contrário, está adiantado: "Dentro da Noite e Outras Histórias". Segundo ele, será dividido em três partes, que captam as diferentes facetas literárias de João do Rio.

Uma com contos, outra parte com a história "O Homem de Cabeça de Papelão" - trecho mostrado acima - e a final com reportagens do livro "A Alma Encantadora das Ruas".

Um dos contos é o que intitula a obra. Mostra o relato obcecado de um homem pela noiva. Os outros são "O Bebê de Tarlatana Rosa", "Emoções" e "História de Gente Alegre".

                                                           ***

Pergunto a Sieber se a incursão pela literatura não destoa um pouco de seu estilo.

"Um pouco", diz. O traço dele é centrado num humor bastante ácido.

"Mas desde já adianto que não será uma adaptação para historiadores. Não terá uma pesquisa histórica rígida, é o meu desenho."

"Claro que as pessoas não usarão All Star, mas pretendo é pegar a alma e escrotidão próprias do texto do João do Rio."

                                     

Trecho de uma das adaptações de João do Rio

  

O gaúcho Sieber mora há dez anos no Rio de Janeiro. A mudança casa com o momento profissional que vive hoje. Divide os quadrinhos com as animações.

Um curta dele, "Deus É Pai", foi premiado no Festival de Gramado. Ele agora prepara uma experiência em outra mídia: adapta para a TV os quadrinhos de "Vida de Estagiário".

O projeto foi um dos oito finalistas de um edital do Ministério da Cultura que destina verba para a produção de uma série de TV. Cada um recebeu R$ 250 mil para fazer um piloto.

Os três melhores recebem verba de R$ 2,6 milhões para produzir uma série de 13 episódios. Sieber - que participa do texto - espera que fique pronto até o fim do ano.

                                                          ***

Um dos parceiros no roteiro é o também quadrinista Arnaldo Branco. Os dois - ao lado do cartunista Leonardo - foram os criadores da revista de humor "F.". De início independente, teve um quarto número lançado em 2006 pela Conrad. Foi a última edição.

De quando começou nos quadrinhos para hoje, ele enxerga um outro momento editorial no país. "Uma mudança bem grande, tem muito mais quadrinho na livraria", diz.

"Acho que quem puxou esse bonde foi a Conrad, que uma época tinha um ritmo de lançamentos insano. Mas, em revistas e jornais, ainda o espaço para quadrinhos é reduzido e não muito levado a sério. Para minha sorte, uma excessão é a "Folha de S. Paulo"."

A "sorte" é por ele ser um dos tiristas do jornal paulista. Sieber assina a série semanal "Preto no Branco", publicada aos sábados.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h36
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Salão quer incluir Belo Horizonte no circuito do humor

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

Desenhistas organizam primeira edição do evento, que terá duas categorias: cartum temático - sobre lixo - e caricatura; salões de Piracicaba e Caratinga também começaram a receber inscrições 

 

 

 

 

 

 

 

 

Era um projeto, virou realidade. Ou vai virar. Em 10 de setembro, a capital mineira vai abrigar um salão internacional de humor. A proposta é pôr Belo Horizonte no circuito dos salões.

"Não justifica um Estado revelar tantos cartunistas e não ter um salão em sua capital", diz o chargista Duke, que divide a organização com os desenhistas Lor e Lute.

"No estado já existem os salões de Caratinga e de Varginha, mas é importante que Belo Horizonte sedie um."

O projeto foi pautado em outro salão, feito dois anos atrás a convite da Câmara dos Vereadores. "Como era ano eleitoral, era esperado que não desse certo."

                                                          ***

Duke refez, então, o projeto de 2007 e o apresentou à prefeitura. Foi aprovado. A verba virá da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, que já promove outros trabalhos em quadrinhos.

O projeto, agora em andamento para se tornar real, prevê duas categorias: cartum temático - sobre lixo - e caricatura. A inscrição vai até 1º de setembro.

Cada um dos primeiros colocados vai receber R$ 10 mil. Os segundos, R$ 3 mil. Os terceiros, R$ 1 mil. Além disso, vai haver um prêmio a alunos do ensino fundamental.

A logomarca, mostrada acima, feita pelo cartunista Dum, vai servir de troféu aos premiados desta primeira edição. Há mais detalhes no site oficial do salão.

                                                           ***

Outro salão mineiro, o de Caratinga, também está com inscrições abertas para trabalhos. Podem ser enviados até 10 de setembro.

São cinco categorias: charge, cartum, caricatura e caricatura temática - sobre Agnaldo Timóteo. Os primeiros colocados ganham, cada um, R$ 3 mil.

Em São Paulo, o Salão Internacional de Humor de Piracicaba, um dos principais do país, também começou a receber desenhos para a edição deste ano.

As inscrições vão até 3 de agosto. As categorias são as mesmas de 2008: charge, cartum, caricatura, tiras e vanguarda, esta para trabalhos que utilizem outros recursos.

                                                          ***

Os primeiros colocados em cada uma das categorias vão receber R$ 4 mil cada um. E disputam o grande prêmio do salão, no valor de R$ 5 mil. A abertura é em 29 de agosto.

Há detalhes sobre como se inscrever no Salão Internacional de Humor de Piracicaba no site do evento. O mesmo vale para informações sobre o Salão de Caratinga.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h29
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13.07.09

Livro mostra Cristo Redentor de 36 pontos de vista diferentes

 

Crédito: reprodução

 

É comum nas ciências humanas a máxima de que o ponto de vista faz o objeto. A premissa vale também para o livro "36 Vistas do Cristo Redentor" (Casa 21, 84 págs., R$ 60).

A proposta da obra é mostrar o ponto turístico do Rio de Janeiro de 36 formas diferentes.

O designer gráfico Renato Alarcão, autor das ilustrações, optou por dois caminhos. Num mostrou a imagem em si; noutro como era vista ou reproduzida pelos cariocas.

O Cristo Redentor é visto tanto sob diferentes ângulos de visão como em desenhos feitos na lateral de um ônibus, refletido na água, num colar de uma banhista tomando sol.

 

Crédito: site dedicado ao livro

 

Apresentar o Cristo Redentor - inaugurado em outubro de 1931 - é uma versão nacional de um projeto inaugurado no Japão na primeira metade do século 19.

O artista Katsushika Hokusai (1760-1849) teve a ideia de desenhar, em xilogravuras, o Monte Fuji de 36 pontos de vista distintos.

O livro migrou para a Europa anos depois. E influenciou diretamente o francês Henri Rivière, que fez uma versão regional, intitulada "As 36 Vistas da Torre Eiffel".

É com essas experiências de mais de um século que o projeto brasileiro dialoga. O resultado pode ser visto também num site criado para a obra. Para visitar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h38
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Uma tira do dia

 

Da série "Piratas do Tietê", de Laerte:

 

Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Crédito: a tira foi publicada na edição desta segunda-feira do jornal "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h08
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12.07.09

Iraniano vence Salão Internacional de Humor do Piauí

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Trabalho de Mohammad Ali Khalaji disputou com outros 2 mil desenhos; tema era meio ambiente 

 

 

 

 

 

 

 

 


O iraniano Mohammed Ali Khalaji foi o vencedor deste ano do Salão Internacional de Humor do Piuaí. O resultado foi divulgado nesta semana no encerramento do evento, em Teresina.

O tema era meio ambiente. O trabalho disputou com cerca de 2 mil desenhos inscritos, vindos de 62 países. Mohammed vai ganhar um prêmio de R$ 10 mil.

O desenho de outro iraniano, Mahmood Nazari, foi indicado como menção honrosa, título dado a trabalhos não premiados que mereçam distinção do júri.

Outro estrangeiro, Pol Leurs, de Luxemburgo, também recebeu menção honrosa nesta 26ª edição do salão. Os desenhos dos dois autores podem ser conferidos a seguir:

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

Duas menções honrosas do salão: o desenho de Pol Leurs, ao lado, e do iraniano Mahmood Nazari, logo abaixo

 

 

 

 

 

 

 

Crédito: divulgação

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h10
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11.07.09

Toque de Midas de Geoff Johns cresce histórias de Super-Homem

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Revista "Superman" deste mês inicia série que termina com morte de personagem ligado ao herói 

 

 

 

 

 

 

 

 

Merece um olhar mais detalhado a edição deste mês da revista "Superman", que começou a ser vendida nesta semana (Panini, 100 págs., R$ 7,50).

A publicação dá início a uma série de histórias que culmina na morte de um personagem bem próximo ao herói de Krypton. A cena será revelada no próximo número.

Há, porém, um outro apelo na edição, menos comercial ou carregado no marketing virtual dos chamados "spoilers", informações que antecipam detalhes das tramas.

A série traz uma boa história. É algo que deveria ser regra, mas que tem se tornado raro no atual momento dos quadrinhos de super-heróis norte-americanos.

                                                          ***

A série reforça máxima comum nas histórias de super-heróis: a de que não há personagem bom ou ruim. Há, pelo contrário, escritores que produzem tramas boas ou ruins.

O norte-americano Geoff Johns pertence ao grupo dos bons. E é dele o roteiro dessa sequência de Super-Homem, que inicia um confronto do herói com o vilão Brainiac.

Johns mantém uma regularidade qualitativa rara no mercado estadunidense, cheio de poucos altos e muitos baixos.

Os textos dele turbinam as vendas e, principal, crescem as histórias do herói. O toque de Midas dele tem sido lido em diferentes títulos da editora DC Comics.

                                                           ***

Um dos títulos é "Action Comics", que traz aventuras de Super-Homem. A passagem dele pela publicação teve início em 2007, em parceria com o diretor de cinema Richard Donner.

As primeiras histórias, já publicadas pela Panini, eram centradas num filho de Clark Kent e Lois Lane e já traziam algo de novo.

Sem Donner, Johns continuou com os roteiros interessantes, pautados na introdução de elementos antigos do homem de aço, mas com uma nova roupagem.

Essa tem sido, aliás, uma das marcas do roteirista. Ele consegue articular - muito bem - o histórico do personagem sem ignorar a necessidade de atualizar tais dados.

                                                           ***

Vê-se exatamente esse tom de atualização nas três histórias de "Action Comics" reunidas neste número 80 da revista "Superman". A capa já sinaliza isso com a frase "nova fase".

Ante a ameaça de um recriado Brainiac - que sequestrou uma cidade de Krypton antes de o planeta explodir -, o herói decide rumar ao espaço em busca do vilão alienígena.

As nuances do texto e dos diálogos dos personagens é o que dão o toque à narrativa. A arte realista de Gary Frank ajuda a tornar o resultado final mais atraente ao leitor.

Frank desenha Clark Kent e Super-Homem com o rosto do falecido Christopher Reeve, ator que interpretou o herói no cinema. Isso só reforça o sabor de nostalgia criado por Johns.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 16h51
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10.07.09

Via Lettera vai discutir na Justiça caso Dez na Área

A editora Via Lettera vai discutir juridicamente o resultado da sindicância feita pelo governo de São Paulo sobre a compra do livro "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol".

A sindicância concluiu nesta semana que houve omissão da editora sobre o conteúdo, considerado impróprio, e que deve haver reembolso. A Via Lettera não concorda. 

"Evidente que iremos garantir nosso direito à defesa jurídica nesse caso", disse agora à tarde, ao blog, Roberto Gobatto, gerente de marketing da editora paulista.

"Prezamos por nosso compromisso com o organizador e os autores da obra. Não podemos, em hipótese alguma, aceitar essa ´decisão´, portanto passamos o caso ao nosso departamento jurídico."

                                                          ***

A obra nacional, publicada pela editora em 2002, foi comprada pelo governo paulista para ser levada a alunos do terceiro ano do ensino fundamental, na faixa dos nove anos.

Há, na obra, alusões a sexo, palavrões e menções à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital), vistas como inapropriadas pelo Estado.

A sindicância concluiu também que apenas o prefácio, feito pelo ex-jogador Tostão, foi lido pelos avaliadores. Os responsáveis pela seleção serão multados.

Segundo Gobatto, a editora não insistiu para que o governo adquirisse o livro. "Quem comprou, leu". Leia a seguir a resposta dele, enviada por e-mail na tarde desta sexta-feira.

                                                          ***

A editora acredita no livro. Desde 2002 trabalhamos o Dez na Área como quadrinhos de humor, devidamente assinado por feras do cartum e da HQ.

Não rotulamos artistas e obras nesta editora. Não acreditamos em recomendações de faixa etária em nenhum título.

Não insistimos para o FDE [Fundo para o Desenvolvimento da Educação, ligado ao governo paulista] comprar nosso livro, não fizemos lobby, não demos “presentinhos” e etc.

O título faz parte de um kit de mais de 80 títulos, quem comprou leu.

Fato: nenhum outro título desse kit fora escolhido, somente o Dez na Área. Não me surpreende o resultado da “sindicância”.

A editora assume a responsabilidade pelo CONTEÚDO da obra, nós publicamos o livro. Vendemos a quem quiser comprar.

Não é um livro pornográfico é um livro de humor.

Todas as expressões utilizadas fazem parte de nosso cotidiano, dos campinhos, das peladas de rua, na mídia, nos presídios, na periferia e etc, é tão óbvio isso que desde de o início acreditávamos que não era preciso explicar.

Existe agora um movimento de preparação para as eleições presidenciais, toda essa polêmica é acima de tudo movimentos no jogo de xadrez político, desenhar e redesenhar cenários não interessam as conseqüências. “Oras, retirem Eisner das escolas”

Fechando o raciocínio, Paulo: Estamos no meio do início de um movimento inconseqüente no cenário político brasileiro, doa a quem doer. Nosso livro é uma gota nesse oceano.

A Via Lettera tomará as providencias necessárias para se defender.

Reforço: DEZ NA ÁREA, UM NA BANHEIRA E NINGUÉM NO GOL não é uma obra adulta, é uma obra de humor.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h14
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09.07.09

Governo de SP vai pedir reembolso por compra de Dez na Área

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Sindicância conclui que obra nacional não foi lida e que editora Via Lettera omitiu conteúdo impróprio

 

 

 

 

 

 

 

 

O governo de São Paulo finalizou a sindicância que apurava a compra do álbum em quadrinhos "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", feito por diferentes autores.

A decisão do governo: multar a consultoria que selecionou a obra e pedir reembolso da Via Lettera, editora do livro. Os valores não foram divulgados.

A informação foi noticiada na edição desta quinta-feira do jornal "Agora São Paulo".

Segundo a reportagem, assinada por Livia Sampaio, o texto da sindicância registra que houve omissão da editora a respeito do conteúdo impróprio.

                                                           ***

O álbum traz conteúdo adulto e foi feito por conta da Copa de 2002. O livro foi comprado pelo governo para ser levado a alunos da terceira série, na faixa dos nove anos.

Outra conclusão da sindicância é que os responsáveis pela seleção não leram a obra. Eles teriam se pautado apenas no prefácio feito pelo ex-jogador Tostão.

O caso foi noticiado pela "Folha de S.Paulo" no dia 19 de maio de maio. Na ocasião, o governador do Estado, José Serra, assumiu que houve falha e instaurou uma sindicância.

A informação era que a apuração duraria 30 dias. O resultado final só saiu agora, 50 dias depois. O governo pretende mudar daqui para a frente a forma de seleção das obras.

                                                           ***

Leia mais sobre a polêmica: a notícia, a versão do governador, o repúdio da associação dos cartunistas, o lado do organizador da obra, Orlando Pedroso, as frases ditas na imprensa. 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h04
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08.07.09

Álbum nacional faz biografia de vidas passadas

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Uma das páginas de "7 Vidas", obra em que o roteirista André Diniz relata sessões de regressão das quais participou 

 

 

 

 

 

 

 


Imagine uma escada escura. A cada degrau descido, ilumina-se uma inesperada narrativa sobre possíveis vidas passadas suas. Cada descoberta guarda uma história em particular.

É isso que o roteirista carioca André Diniz propõe relatar em "7 Vidas", álbum que começou a ser vendido neste mês em livrarias e lojas de quadrinhos (Conrad; 128 págs.; R$ 26).

Ele descreve o que sentiu em sessões de regressão, vividas entre 2004 e 2005. A experiência rendeu contato com sete fragmentos do que seriam vidas anteriores dele.

O relato mescla as impressões mentais com os momentos reais que espaçaram cada uma das sessões. É uma autobiografia do hoje perpassada por biografias do ontem.

                                                          ***

Segundo a narrativa de Diniz, a decisão de participar das sessões amadureceu após ter alguns "insights" de memória. Do nada, tinha um estalo e fugia da realidade.

Uma amiga recomendou Zélia, especialista em regressões. Foi com ela que oficializou as fugas a outras realidades por meio das sessões.

Aos poucos, ele encontra o que seriam suas outras vidas. Algumas no século 20, no Brasil. Outras em países estrangeiros, em momentos históricos anteriores.

Algumas tinham em comum a perna direita, por diferentes motivos. Também sentiu a presença da esposa e da sogra próximas de si nas outras encarnações.

                                                          ***

A tarefa de transformar em imagens os relatos pessoais coube ao curitibano Antonio Eder, parceiro de Diniz em outros trabalhos em quadrinhos, o último lançado no ano passado.

A quem lê, parece o funcionamento de um controle remoto quando se assiste a um DVD.

Vê-se determinado momento da vida da pessoa. Uma voz diz: "avance adiante". A mente dá um salto para anos no futuro. Pode-se ver até o momento da morte.

Em duas ocasiões, o fim foi trágico. As pessoas foram queimadas vivas.

                                                            ***

Quando este blog antecipou o projeto, em agosto do ano passado, Diniz questionava se os relatos eram mesmo de vidas passadas ou um retorno do que se passava na mente.

Mas reforçava que isso não diminuía a experiência, fascinante e "muito mais do que meros sonhos ou exercícios de imaginação", nas palavras dele.

Independentemente do princípio que esteja por trás dos relatos, trata-se de uma atitude corajosa. Diniz se desnuda ao leitor em diferentes níveis, no pessoal e no introspectivo.

Tanto que fica clara a sua história. E a da esposa. E a de outros personagens, reais ou frutos do subconsciente. Mas é fato que são relatos singulares. Biograficamente singulares.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h51
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Caixa relança Antologia Chiclete com Banana

Os oito primeiros números da "Antologia Chiclete com Banana" foram relançados de uma vez só. As revistas foram reunidas em uma caixa, que começou a ser vendida nesta semana nas bancas (Sampa/Devir; R$ 29).

A antologia reedita material da antiga revista encabeçada por Angeli, publicada entre 1985 e 1991. A proposta é publicar 16 edições. A de estreia foi lançada em junho de 2007.

A ideia inicial era que fosse mensal. A revista, no entanto, começou a espaçar o intervalo entre uma edição e outra. Passou a ser de 45 dias, dois meses, meses.

A última a chegar às bancas, a número oito, foi publicada em fevereiro deste ano. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h20
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06.07.09

Liniers vai participar do próximo FIQ

 

Liniers em sessão de autógrafos, realizada em São Paulo, no ano passado

 

 

 

Desenhista argentino confirmou presença para o festival de quadrinhos, realizado em outubro, em Belo Horizonte 

 

 

 

 

O desenhista argentino Liniers é outro estrangeiro confirmado para participar do próximo Festival Internacional de Quadrinhos, FIQ, realizado em outubro, em Belo Horizonte.

A informação foi colocada no blog do evento, um dos principais da área no país.

O trabalho do quadrinista tem ganhado mais corpo neste ano no Brasil. As tiras dele, a série "Macanudo", são publicadas no jornal "Folha de S.Paulo" desde o mês passado.

A editora Zarabatana programa uma segunda coletânea para este semestre. O primeiro álbum foi publicado em novembro do ano passado. Liniers veio ao Brasil para o lançamento.

                                                          ***

Os organizadores têm reforçado também os convites a brasileiros que atuam no exterior.

É o caso de Will Conrad, Eddy Barrows e Rafael Albuquerque, que fazem trabalhos para o mercado norte-americano.

Eles se somam a Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Grampá e Ivan Reis, outros brasileiros que desenham para editoras dos Estados Unidos e que também participarão do evento.

Os nomes deles já haviam sido noticiados pelo blog no começo de junho. Saiba quem são outros estrangeiros que estarão no FIQ em postagens de fevereiro e abril deste ano. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h41
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05.07.09

Álbum relança queda e troca de Lanterna Verde

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Histórias mostram o surgimento de um novo herói, Kyle Rainer, no lugar do Lanterna Verde tradicional, Hal Jordan 

 

 

 

 

 

 

 

Quem acompanha os quadrinhos da editora norte-americana DC Comics sabe, de antemão, que a vida do herói Lanterna Verde passou por mais de uma reviravolta nos últimos 15 anos.

E sabe também que os fatos narrados em "Lanterna Verde - Crepúsculo Esmeralda / Novo Amanhecer" (Panini, 196 págs., R$ 23,90) já foram todos revisitados e alterados.

Apesar disso, o álbum - que começou a ser vendido nas bancas na última sexta-feira - traz histórias importantes para entender a trajetória recente do personagem.

Do personagem e do momento editorial vivido pela DC na década de 1990.

                                                          ***

A editora havia percebido em 1992 que mudanças drásticas tinham forte apelo de vendas e na mídia pré-internet. A descoberta ocorreu com as histórias da morte do Super-Homem.

O homem de aço não havia morrido de verdade. No ano seguinte, ele voltaria em "O Retorno do Super-Homem", lançado por aqui, pela Abril, entre setembro e novembro de 1994.

Esse regresso mexia também com a vida do Lanterna Verde. A cidade dele, Coast City, foi totalmente destruída. As histórias deste álbum iniciam desse ponto.

Hal Hordan, o homem por trás da máscara do Lanterna Verde, enfrenta um conflito interno para mudar a tragédia. E parte em busca de poder para alterar o passado.

                                                            ***

A sequência recebeu o nome de "Crepúsculo Esmeralda" e é narrada nas três primeiras aventuras do álbum, lançadas nos Estados Unidos em 1994.

Para conseguir poder, Jordan enfrenta antigos colegas da Tropa dos Lanternas Verdes, força intergalática da qual fazia parte. O confronto dizima a tropa.

O herói, agora alçado a vilão, consegue mais poder. Sobra apenas um anel energético - marca do herói - enviado para o terráqueo Kyle Rainer, que se torna o novo Lanterna Verde.

É o começo da segunda sequência da obra, "Novo Amanhecer", que narra as primeiras aventuras do desenhista Rainer no papel do herói.

                                                           ***

Houve, claro, reclamações dos leitores mais nostálgicos. E defensores do novo dono do anel, que permite criar qualquer imagem sólida (o limite é a imaginação de quem o usa).

Rainer ficou sozinho no cargo por mais de dez anos. Até que a DC decidiu reviver todos os lanternas verdes. Inclusive Hal Jordan. A reengenharia coube ao roteirista Geoff Johns.

A série foi lançada há alguns anos no Brasil pela Panini e recriou o cenário para que Jordan voltasse a ser o Lanterna Verde oficial.

A nova fase - desenhada pelo brasileiro Ivan Reis - tem tido boa repercussão nos Estados Unidos. No Brasil, é publicada na revista mensal "Dimensão DC: Lanterna Verde".

                                                           ***

Apesar de serem datadas, as histórias desta coletânea que a Panini põe à venda neste início de mês têm seus momentos, é preciso reconhecer.

A ida de Hal Jordan para o lado do mal é marcada por assassinatos. Algo que incomoda, mesmo na releitura, quem costumava ver apenas os feitos heroicos dele.

As histórias iniciais de Kyle Rainer, escritas por Ron Marz, também guardam pelo menos uma cena marcante, uma das mais violentas das histórias de super-heróis.

Ao chegar em casa, ele encontra a namorada morta, dentro da geladeira. Foi colocada lá pelo vilão Major Força. Pretexto para mais um quebra-pau. E para assumir de vez o anel.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h27
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04.07.09

Chico Buarque elogia inspiração quadrinista de Mutarelli

Uma das frases-surpresa desta edição da Festa Literária Internacional de Paraty:

""Quando li 'O Cheiro do Ralo', eu pensei: isso aqui é muito novo, isso é muito bom. Só podia ser um livro escrito por um quadrinista. É muito bom que ele tenha trazido isso para a literatura."

A declaração, sobre Lourenço Mutarelli, é do cantor, compositor e escritor Chico Buarque, durante debate com Milton Hatoum realizado ontem na Flip, em Paraty, no Rio de Janeiro.

Mutarelli foi um dos principais autores de quadrinhos da década de 1990 e do começo deste século. Ele abandonou a área para se dedicar à literatura, ao cinema e ao teatro.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h17
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03.07.09

Álbum de Dahmer extrai humor da tristeza e da solidão

 

Crédito: divulgação

 

O copo servido pelo quadrinista André Dahmer é amargo. Tem gosto de solidão e tristeza.

Os dois sabores são recorrentes em sua nova coletânea, "A Cabeça É a Ilha" (Desiderata, 152 págs., R$ 34,90). Mas, contraditoriamente, ele extrai humor da fossa humana.

Tal qual uma bebida, as 238 tiras cômicas têm de ser apreciadas sem pressa. Do contrário, pode-se embriagar com o conteúdo politicamente incorreto. Ou ser convidado a pensar.

A reflexão surge após a piada. Percebe-se, em maior ou menor grau, que o riso surgiu das mazelas dos outros, como preveem autores com Henri Bergson (1859-1941).

                                                           ***

Pelo cardápio lido até aqui, o freguês já nota que se trata de um humor peculiar. Não é para todos. Mas tem agradado a muitos, vide o número de acessos do site de Dahmer.

A página "Malvados", criada em 2001, tem recebido mais de 1,5 milhão de visitas por mês. O boca a boca virtual já levou o autor aos jornais, caso do "Jornal do Brasil".

Desde dezembro passado, o jornal carioca deixou de publicar a série. Todas as séries, aliás. Contenção de gastos, disseram. E Dahmer continuou com o foco apenas no site.

No site e nas coletâneas. Esta é a terceira que ele lança pela Desiderata. Publicou também "O Livro Negro de André Dahmer", em 2007, e "Malvados", no ano passado.

 

Crédito: divulgação

 

As tiras com as plantinhas de "Malvados" migraram para o papel dois anos antes, numa coletânea publicada em 2005 pela editora Gênese.

As plantinhas não aparecem neste novo álbum, que reúne histórias dos dois últimos anos. Há situações totalmente novas e outras, vividas por personagens mais recorrentes.

É o caso das histórias de Ulisses, vítima de uma eterna fossa por conta do fim do relacionamento com Rebeca. Ou de Sara, a Sofrida, que sempre se dá mal com homens.

Ou ainda nas pílulas de Minidahmer, em que o autor descreve situações deprê supostamente vividas por ele.

                                                            ***

Fora das amarras temáticas de Malvados, o fluminense André Dahmer revela um processo criativo mais solto e eclético, diluído no tom melancólico nas tiras da coletânea. 

 Há também um quê autoral. Não necessariamente autobiográfico. Mas no sentido de uma autoria percebida por meio de um estilo, tanto no traço como na temática.

O desenhista diz na introdução da obra que o álbum ficou um livro estranho. "Não era o que eu pretendia, não era para ser assim. Mas já foi, Já é."

Estranho talvez. Afinal, é difícil extrair riso de uma situação depressiva. Mas há humor, bom humor, em meio à estranheza.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h21
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Uma tira do dia

 

Níquel Náusea, de Fernando Gonsales:

 

Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Crédito: edição desta sexta-feira do jornal "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h38
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Quadrinhos são tema de feira do livro de Porto Alegre

Uma feira de livros vai ter as histórias em quadrinhos como tema central. O evento ocorre neste sábado em Porto Alegre (RS) e conta com a participação de diversos autores.

A maior parte é gaúcha. Caso de Santiago, Rodrigo Rosa, Edgar Vasques e Cláudio Levitan. Eles fazem sessão de autógrafos às 11h da manhã, meia hora depois da abertura oficial.

Rosa participa também, às 14h, de um debate sobre adaptações em quadrinhos de obras literárias. Ele divide a mesa com o Bira Dantas.

                                                          ***

Dantas é o único autor de fora de Porto Alegre. Mora em Campinas, no interior paulista. É dele uma das versões em quadrinhos de "Dom Quixote", publicada pela Escala.

Rosa tem duas versões de romances prontas para serem lançadas: uma de "O Cortiço", pela Ática, e outra de "Os Sertões", pela Agir.

A Feira do Caminho do Livro terá também apresentações musicais. O evento será realizado na rua Riachuelo, no centro histórico da cidade.

                                                          ***

Serviço - Feira do Caminho do Livro. Quando: sábado (04.07). Horário: das 10h30 às 16h.  Onde: rua Riachuelo, no centro histórico de Porto Alegre. Quanto: de graça.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h31
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02.07.09

Jornal associa situação de Sarney a quadrinhos de Carlos Zéfiro

 

Crédito: reprodução da parte superior da capa do jornal Extra

 

Merece registro a capa da edição desta quinta-feira do jornal "Extra", do Rio de Janeiro.

A publicação usou dois desenhos inspirados nos quadrinhos de Carlos Zéfiro para explicar duas das acusações enfrentadas pelo presidente do Senado, José Sarney.

Os desenhos podem ser vistos na imagem acima, que reproduz a parte superior da capa.

Carlos Zéfiro era o nome que o funcionário público Alcides Caminha (1921-1992) usava para assinar os quadrinhos pornográficos que criou entre as décadas de 1950 e 70.

As revistas ficaram conhecidas como "catecismos" e foram muito populares na época. Foi uma das primeiras produções independentes de destaque no país.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h02
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Parque da Mônica pode ser fechado

A informação é de Mauricio de Sousa: o Parque da Mônica pode fechar as portas.

Segundo ele, o espaço foi pedido de volta pela administração do shopping Eldorado, em São Paulo, onde fica o parque infantil. O local emprega mais de 300 pessoas.

O desenhista e empresário circulou a notícia hoje no microblog Twitter. Ele diz que negocia o caso com os responsáveis pelo shopping.

"Naturalmente não ficaremos sem parque", disse, no Twitter. "Mas precisaremos de um tempo adequado para encontrarmos outro bom local. E para a construção."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h15
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Mesa de quadrinhos da Flip atinge público não leitor de HQs

Há que se dar tempo ao tempo para perceber que recepção terá a mesa sobre quadrinhos realizada nesta quinta-feira de manhã na Flip, em Paraty, no sul, do Rio de Janeiro.

A Festa Internacional de Literatura de Paraty convidou Rafael Coutinho, Rafael Grampá e os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon para um bate-papo sobre o tema.

Mas já se percebe que um dos impactos da presença deles no evento seja um diálogo com pessoas que tradicionalmente não leem histórias em quadrinhos.

Um dos sinais disso foi percebido em parte das perguntas do debate, transmitido ao vivo pelo site da Flip e pelo portal G1. Havia um ar de novidade sobre o assunto.

                                                           ***

Por pouco mais de uma hora, tempo de duração da mesa, os quatro autores falaram sobre sua carreira e sobre como produzem as histórias.

Mas também responderam a questões sobre o mercado norte-americano, a ida dos álbuns autorais às livrarias e se enxergam os quadrinhos como literatura.

"Na verdade, isso não importa. Não deveria importar a forma, deveria importar o conteúdo", disse Fábio Moon, em resposta ao mediador, o escritor Joca Reiners Terran.

"Às vezes você se expressa por um livro, às vezes pelo cinema, às vezes por escultura, às vezes por quadrinhos. A gente escolhe os quadrinhos."

                                               ***

Outro sinal claro de que o tema dialoga com outros públicos foi a reportagem exibida na hora do almoço no "Jornal Hoje", da TV Globo.

Segundo a matéria, os quadrinhos fazem sucesso entre os jovens da Flip. A reportagem deu enfoque também à produção norte-americana e à ida dos heróis ao cinema:

 

 

Só para registro: nem de longe lembra a reportagem exibida pelo mesmo telejornal, há dois meses, por conta da inadequação de "Dez na Área, Um na Banheira de Ninguém no Gol".

O álbum nacional foi criado para ser lido por adultos. Mas foi selecionado pelo governo de São Paulo para crianças de nove anos. O governo assumiu a falha.

O "Jornal Hoje" e o "SPTV 1ª Edição", telejornal exibido um pouco antes, mostraram na ocasião um tom de indignação aos quadrinhos e à escolha da obra.                                                 

            ***

Sabe de outras reportagens ou resenhas sobre a mesa de quadrinhos da Flip?

Agradeceria se registrasse no espaço abaixo, destinado aos comentários.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h36
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Álbum descreve revolta realizada há 171 anos no Maranhão

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

Capa de "Balaiada - A Guerra do Maranhão", que tem lançamento nesta quinta-feira à noite em São Luís 

 

 

 

 

 

 

 

O movimento da Balaiada, iniciado em 1938 na então Província do Maranhão, não tem muito espaço nos livros escolares de história. Um álbum tem a proposta de preencher a lacuna.

"Balaiada - A Guerra do Maranhão" foi produzido por três quadrinistas maranhenses. Eles lançam a obra nesta quinta-feira à noite na capital São Luís.

O roteiro é de Iramir Araújo, que é também historiador, formado na Universidade Federal do Maranhão. Segundo ele, a ideia vem sendo amadurecida nos últimos dez anos.

A fagulha inicial para a construção do álbum em quadrinhos surgiu quando acompanhou uma escavação na cidade de Caxias, onde ocorreu parte do movimento popular.

                                                           ***

"Daí comecei a pesquisar o tema e vi que a bibliografia era extremamente escassa", diz o roteirista, por e-mail.

"Mas aos poucos fui tomando conhecimento de trabalhos acadêmicos e teses de mestrado sobre a Balaiada e personagens envolvidos no movimento."

Das pesquisas, começou o processo de arrecadação de verbas para a produção da obra. Foram várias tentativas e vários nãos. Conseguiu ser ouvido pela Secretaria de Cultura do Estado.

"Um dos argumentos que expus para eles foi que um movimento dessa importância, que completa 170 anos não poderia passar em brancas nuvens", diz.

                                                           ***

A verba permitiu, enfim, a finalização do projeto, realizado em 2008. Os desenhos ficaram a cargo de Beto Nicácio e Ronilson Freire, que atua também no mercado norte-americano.

Coube a eles a tarefa de dar forma ao movimento popular. A Balaiada, como ficou conhecida, foi um levante contra as autoridades da Vila da Manga, da província maranhense.

O início do conflito foi a prisão do irmão de Raimundo Gomes Jutahy, considerada equivocada por ele. Jutahy reuniu um grupo de homens e libertou o irmão e outros presos.

Os revoltosos passaram a ser chamados de balaios. O protesto durou três anos, até ser contido pelas autoridades.




Crédito: divulgação




O lançamento do álbum é às 19h na Galeria de Arte do Sesc de São Luís. Fica na rua Gomes de Castro, 132, no centro. Custa R$ 25.

Outra forma de comprar é por meio do e-mail do roteirista: iramiraraujo@ig.com.br

Nota: há outro lançamento nacional nesta quinta-feira à noite, também produzido com verba pública. Os mineiros da "Graffiti 76% Quadrinhos" lançam o número 19 da revista.

A festa de lançamento vai ser na Velvet Club, que fica na rua Sergipe, 1.493, em Belo Horizonte (MG). O ingresso custa R$ 15 e dá direito a um exemplar da publicação.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h51
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Chargista de Honduras é solto após ficar 24 horas detido

O chargista hondurenho Allan McDonald foi solto na manhã de quarta-feira após permanecer 24 horas detido. Ele tinha sido preso pelo Exército do país há dois dias.

A informação foi confirmada por sites alternativos de Honduras. A mesma notícia ecoou na página virtual do jornal "USA Today", dos Estados Unidos.

Segundo o blog "Habla Honduras", ele já estaria em casa, em segurança.

A nota da página virtual informa também que McDonald credita sua libertação à pressão internacional, ao site "Rebelion", do qual é colaborador, e à Igreja Católica da Espanha.

                                                           ***

McDonald foi detido em casa, por um grupo do Exército, na madrugada de terça-feira. Foi levado a um centro militar com outras 15 pessoas. O destino delas é desconhecido.

O site "Rebelion" havia informado, inicialmente, que o governo havia pedido que ele procurasse exílio em outro país. Não se sabe se a libertação anula esse dado.

O chargista tinha feito desenhos contrários à proibição de um referendo, que definiria uma Assembleia Constituinte. Uma das mudanças previa um segundo mandato presidencial.

A Justiça determinou a não-realização da consulta. O Exército acatou. Mas não o então presidente Manoel Zelaya. Ele foi deposto no domingo pela manhã.

                                                           ***

O presidente da Câmara, Roberto Micheletti, assumiu no lugar dele. A ONU (Organização das Nações Unidas) condenou o golpe e exigiu a volta de Zelaya ao cargo.

Nessa quarta-feira, o Congresso hondurenho suspendeu os direitos civis por 72 horas. A medida suspende a liberdade de reunião e de livre circulação.

Externamente, aumenta a pressão pela volta de Zelaya ao cargo. A OEA (Organização dos Estados Americanos) concedeu as mesmas 72 horas para o retorno do presidente deposto.

Um grupo de desenhistas manifestou apoio a Allan McDonald na forma de charges. Os trabalhos foram veiculados no site "Rebelion". É de lá a charge abaixo:

 

Reprodução: site Rebelion, de Honduras

 

Leia mais sobre a prisão de Allan McDonald na postagem do blog de 30 de junho.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 01h47
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Gabriel Bá e Fábio Moon são indicados a mais um prêmio nos EUA

 

Crédito: reprodução do Flick de Gabriel Bá e Fábio Moon

 

 

 

 

 

 

 

 

Desenhistas concorrem ao Harvey Awards pelo primeiro número da série de terror "Pixu", inédita no Brasil 

 

 

 

 

 

 

 

 

O certo era que os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon seriam notícia nesta semana por conta da participação na Flip, Festa Literária de Paraty, nesta quinta-feira de manhã.

O que não se sabia é que seriam pauta de outra informação: a dupla foi indicada a mais um prêmio de quadrinhos dos Estados Unidos. Desta vez, o Harvey Awards.

Os dois desenhistas disputam na categoria melhor antologia pelo primeiro número de "Pixu". A história de terror, dividida em duas partes, foi publicada somente nos EUA.

A publicação foi feita em parceria com Vasilis Lolos e Becky Cloonan, autores com quem haviam trabalhado na revista independente "5", premiada em 2008 com um Eisner Awards.

                                                          ***

Gabriel Bá concorre em outras duas categorias: melhor desenhista e melhor série contínua ou minissérie. Ambas pelo trabalho feito na série "The Umbrella Academy".

O título é publicado pela editora Dark Horse e é escrito por Gerard Way, vocal da banda The Chemical Romance. A série rendeu a ambos outros prêmios em 2008.

Venceu como melhor minissérie no Eisner Awards e melhor nova série no Harvey, premiação que presta homenagem ao Harvey Kurtzman (1924-1993).

Bá foi escolhido melhor desenhista também no Scream Awards, prêmio dado pelo canal de TV Spike, voltado a filmes, seriados e quadrinhos de horror e ficção científica.

                                                           ***

Os vencedores do Harvey Awards serão divulgados em outubro. Antes disso, em julho, Bá descobre se faturou outra premiação, o Eisner, espécie de Oscar dos quadrinhos nos EUA.

Ele concorre em três categorias. Individualmente como melhor desenhista, por "The Umbrella Academy", e melhor autor de capas, que inclui o trabalho em outro título, "Casanova".

Uma edição de luxo do arco "The Umbrella Academy - Apocalypse Suite", também desenhada por Bá, foi indicada na categoria melhor reimpressão de álbum.

Bá e seu irmão, Fábio Moon, concorrem indiretamente em uma quarta categoria, a de melhor antologia, por "My Space Dark Horse Presents". Ambos têm histórias na obra.

                                                          ***

Longe das premiações norte-americanas, os dois irmãos aproveitam o ar histórico da cidade de Paraty, no Rio de Janeiro, sede da Flip.

Eles participam às 10 da manhã de uma mesa-redonda sobre literatura e quadrinhos.

A dupla divide a discussão com os desenhistas Rafael Grampá e Rafael Coutinho. Grampá venceu com eles um Eisner em 2008 pela independente "5".

Um dos fatores que aproxima Bá e Moon da literatura foi o Prêmio Jabuti, recebido no ano passado pela adaptação do conto "O Alienista", de Machado de Assis (1839-1908).

Escrito por PAULO RAMOS às 00h36
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Exposições marcam edição 2009 do Salão de Humor do Piauí

  

Crédito: reprodução do site do Salão Internacional de Humor do Piauí

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Caricatura do técnico da seleção brasileira Dunga, feita por Dálcio Machado, integra uma das cinco mostras do evento

 

 

 

 

 

 

 

Uma tradição do Salão Internacional de Humor do Piauí, as mostras a céu aberto, será repetida na 26ª edição do evento, que tem início nesta quarta-feira em Teresina.

O salão deste ano conta com cinco exposições. Uma delas comemora os 50 anos de carreira de Zélio Alves Pinto, irmão de Ziraldo.

As outras são dos desenhistas Alcy, do grupo de Os 7 e do premiado Dálcio Machado, autor da caricatura que abre esta postagem. 

Fecha a mostra a exposição "A História do Futebol Brasileiro Através da Chuteira", que reúne trabalhos do período de 1930 a 2002.

                                                           ***

Os desenhos serão expostos em diferentes pontos da cidade. Um deles é a Praça Pedro II, em Teresina. O salão vai até o próximo dia 7.

Outro destaque do evento de humor é a mostra seletiva. O tema foi o meio ambiente.

Segundo os organizadores, foram enviados cerca de 2 mil desenhos, vindos de 62 países.

A programação pode ser conferida no site do salão de humor. A página também traz uma exposição virtual das mostras deste ano. Para conferir, clique aqui

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h57
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01.07.09

Chargista de Honduras é detido e orientado a deixar país

 

Crédito: reprodução do site do jornal El Heraldo, de Honduras 

 

O chargista hondurenho Allan McDonald foi detido pelo governo do país na madrugada desta terça-feira. As autoridades pediram que o desenhista deixe o país imediatamente.

As informações, por ora, restringem-se ao universo virtual. A confirmação da prisão foi dada pelo site "Rebelion", onde ele atua. 

Segundo a página virtual, os detalhes foram passados pelo próprio desenhista. O site não informa como manteve contato com ele.

Pelo relato de McDonald, reproduzido por "Rebelion", ele foi detido em casa, por militares. Desenhos dele e seu computador teriam sido destruídos.

                                                          ***

Ainda de acordo com o relato, ele foi levado a um centro militar com jornalistas, artistas e líderes populares. O grupo integraria uma lista de 300 nomes feita pelo governo.

Lá, teriam sido orientados a procurar exílio no exterior. Segundo o "Rebelion", ele pode deixar nas próximas horas o país, que fica na América Central.

McDonald trabalha ainda no jornal "El Heraldo", também de Honduras. A última charge dele, sobre o processo migratório, circulou nesta terça-feira. É a que abre esta postagem.

O desenhista tem feito uma leitura crítica da situação política do país, que viveu um golpe no último domingo. E que motivou sua prisão.

                                                           ***

A deposição do presidente Manoel Zelaya foi o ápice de uma situação tensa, enfrentada no país nos últimos meses.

Zelaya propôs um plebiscito para uma Assembleia Constituinte, a ser iniciada em novembro. Um dos itens da reforma magna era a possibilidade de reeleição presidencial.

O Congresso do país e a Suprema Corte - indicada pelo Legislativo - se opuseram à consulta popular. O Exército se recusou a colaborar para não despeitar a lei.

O chefe do Exército foi demitido. A Suprema Corte determinou o retorno dele ao cargo. Zelaya se recusou. Ele foi deposto no domingo, por militares do país.

                                                          ***

No lugar dele, assumiu o presidente da Câmara, Roberto Micheletti. A ONU (Organização das Nações Unidas) condenou o golpe e exigiu a volta de Zelaya ao cargo.

O Brasil orientou o embaixador de Honduras a não retornar ao país. Cinquenta mil hondurenhos se reuniram hoje para pedir o retorno do presidente deposto.

Dias antes do golpe, McDonald já dava as tintas da situação negra por que passava o país.

Um das charges dele, publicada dia 26 em "El Heraldo", mostrava a urna do plebiscito, num canto, envolta por um cenário todo preto. O título era "chega de escuridão".   

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
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Brasileiros disputam mostra de humor sobre blues

Três desenhistas brasileiros tiveram trabalhos selecionados para o "Trasimeno Blues Cartoon Fest", mostra internacional de humor que tem o blues como tema.

Os cartuns de Junior Lopes, Ronaldo Cunha Dias e Luiz Carlos Fernandes estão entre os 30 selecionados pelo júri do evento italiano. O vencedor ganha prêmio de 250 euros.

Todos os desenhos selecionados vão integrar uma mostra paralela ao Trasimeno Blues Festival, que será realizado na Itália entre 23 de julho e 2 de agosto.

A definição do primeiro colocado será feita por votação na internet. Clique aqui para conhecer os 30 trabalhos escolhidos - e votar, se quiser.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h52
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