31.12.09

Um bom 2010. De preferência, com muito humor

 

Crédito: Orlando Pedroso

 

O cartão foi enviado, via e-mail, por Orlando Pedroso. Faço os votos dele também os meus.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h11
[comente] [ link ]

30.12.09

Diga-me o que lanças e dir-te-ei o que publicaste em 2009

 

As Tiras Clássicas da Turma da Mônica, vol. 5 - Crédito: reprodução

 

As editoras tiveram fôlego para pôr novos títulos nas lojas de quadrinhos nesta última semana de 2009, que já está em clima de folga e de festas por conta da virada do ano.

São obras nacionais e estrangeiras, que ecoam neste finzinho de dezembro o modo como suas editoras atuaram ao longo dos demais meses do ano.

A maior parte dos lançamentos é da Panini, editora multinacional que continuou o ritmo de lançamentos em livrarias e bancas, onde permanece como líder do segmento.

Um deles é o álbum "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" (132 págs., R$ 19,80).

                                                         ***

A exemplo das edições anteriores, este quinto volume reedita tiras antigas dos personagens de Mauricio de Sousa. O álbum reúne 360 tiras publicadas nos jornais entre 1968 e 1970.

O álbum encerra um ano plural de publicações especiais ligadas ao desenhista e empresário, que comemorou 50 anos de carreira. Dois se destacam, ambos da Panini.

Seu grupo editorial pôs no mercado uma coletânea de histórias de Bidu, personagem que completa jubileu de ouro junto com seu criador.

O outro título foi o livro homenagem "MSP50 - Mauricio de Sousa por 50 Artistas". Foi o segundo mais indicado por críticos da área entre os melhores do ano.

                                                         ***

Mauricio de Sousa também consolidou a revista "Turma da Mônica Jovem". A vendagem é de cerca de 400 mil exemplares, segundo sua assessoria.

O senão são os atrasos nas edições especiais, problema dividido entre os demais títulos especiais de super-heróis da Panini.

Este quinto volume da coleção de tiras deveria ter sido lançado em novembro. A data consta nos créditos finais. Chega ao leitor no mês seguinte, na última semana do ano.

Álbuns norte-americanos, como "Fábulas - A Marcha dos Soldados de Madeira" e "Universo Wildstorm por Alan Moore", anunciados para este, ficarão para 2010. 

Frequência Global, vol. 1 - Crédito: divulgação

O que a Panini programou e conseguiu cumprir o prazo antes da virada do ano foram outros dois álbuns da Vertigo e da Widstorm, selos adultos da DC Comics, a mesma de Batman.

"Frequência Global - Volume 1" (148 págs., R$ 39,90) não é exatamente uma novidade para o leitor da área. Parte da série já havia sido publicada no Brasil.

As primeiras seis histórias haviam sido lançadas pela Pandora. Outras saíram no ano passado pela Pixel, que então detinha os direitos da Vertigo e da Wildstorm.

Este volume, feito em capa dura e direcionado também às livrarias, relança as seis primeiras narrativas, lançadas nos EUA entre dezembro de 2002 e maio do ano seguinte.

                                                          ***

Frequência Global é o nome de organização internacional que aciona agentes pré-cadastrados quando surge alguma situação de risco. Cada história foca um deles.

Os roteiros são de Warren Ellis. Cada sequência tem arte de um desenhista diferente, como Steve Dillon - de "Preacher", outra série da Vertigo - e David Lloyd - de "V de Vingança".

A Panini também lançou nesta semana final do ano "Hellblazer - Congelado" (172 págs., R$ 24,90). O álbum reúne sete histórias do título norte-americano.

A série integra também a revista "Vertigo", que teve o segundo número lançado neste mês. A Panini adquiriu os direitos de Vertigo e Wildstorm no segundo semestre.

                                                         ***

A semana teve ainda o lançamento da revista "História do Brasil - Proclamação da República", publicada pela editora Europa (72 págs., R$ 19,90).

A obra cumpre aquilo que o título sugere, relatar de forma didática os fatos que levaram à proclamação. O roteiro é de Edson Rossatto e a arte de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole.

Esse é o segundo lançamento feito pelo grupo à frente da revista "Mundos dos Super-Heróis", especializada em quadrinhos. O primeiro, de 2008, abordava a Independência.

A revista traz uma curiosidade. Os autores quiseram homenagear figuras ligadas à área de quadrinhos no Brasil e as desenharam em trechos espalhados pela narrativa.

 

1 Litro de Lágrimas. Crédito: divulgação

 

Voltando um pouquinho para os dias que antecederam o Natal, houve também alguns lançamentos pontuais naquela semana. Parte mangás, parte manwhás.

A NewPOP publicou o mangá "1 Litro de Lágrimas" (176 págs., R$ 14,90). O quadrinho japonês, feito em volume único, narra a história real da jovem Aya Kita.

Portadora de uma doença degenerativa que a privaria dos movimentos, ela foi recomendada a relatar sua experiência num diário.

Essa experiência foi vertida em livro, em série e, agora, na forma de quadrinhos, escritos e desenhados por Ichi Rittoru no Namida.

                                                         ***

A NewPOP lançou outro mangá, "Kanpai", primeiro de dois volumes. A revista encerra um ano bom para a editora, que teve na coletânea de Speed Racer sua principal obra.

Os mangás da NewPOP dividem as prateleiras com os da Panini, da JBC e com os coreanos da Conrad, que retorna ao segmento em que já foi líder com os mangás.

Poucos dias antes do Natal, a editora publicou os segundos números dos manhwás "Banya", "Gui" e "Dangu" (R$ 12,90 cada um).

Os títulos coreanos preenchem o espaço dos mangás iniciados pela Conrad e ainda não encerrados, como "Battle Royale". E ainda sem sinal concreto de finalização.

                                                          ***

A Conrad iniciou o ano vendida para o grupo IBEP/Companhia Editora Nacional. A editora retomou o ritmo de lançamentos de álbuns nos primeiros meses de 2009.

Foi dessa leva "Sábado dos Meus Amores", livro com crônicas em quadrinhos feitas por Marcello Quintanilha. A obra foi a mais indicada pelos críticos como a melhor de 2009.

No segundo semestre, o foco principal da Conrad foi o lançamento mundial da versão do livro do "Gênesis" feito pelo norte-americano Robert Crumb.

A obra teve boa divulgação na mídia escrita, muito por conta de Crumb ter sido o pai do quadrinho underground nos EUA. A fidelidade ao texto bíblico diluiu a esperada polêmica.

 

Zoo. Crédito: divulgação

 

Ao contrário da Conrad, a Devir deixou um vácuo de títulos novos no primeiro semestre por cautela com relação à crise econômica mundial, segundo dito à época.

A partir do meio do ano, no entanto, engatou uma quinta marcha na velocidade dos lançamentos. Pôs no mercado religiosamente toda semana pelo menos uma obra nova.

A última do ano foi o terceiro tomo de "A Casta dos Metabarões" (R$ 49,90). É a terceira série relacionada à ficção científica "Incal", de Alejandro Jodorowski e Moebius.

O desenhista francês, uma vez mais, não participa. A arte ficou a cargo do argentino Juan Gimenez. Inédito no Brasil, o álbum traz o desfecho da saga dos Metabarões. 

                                                        ***

No meio de dezembro, a HQM lançou em São Paulo dois álbuns nacionais: "Zoo", de Nestablo Ramos Neto, e "Necronauta - O Solado Assombrado e Outras Histórias", de Danilo Beiruth.

As obras marcaram o retorno da editora ao circuito de títulos nacionais. Dois meses antes, "Mortos-Vivos" marcava a volta da HQM aos lançamentos, após um jejum de meses.

A GAL trouxe ao Brasil os adiados "Três Dedos" e "Fracasso de Público". A Globo, o argentino "Perramus", de Juan Sastuarian e Alberto Breccia. A L&PM retomou os álbuns.

A Via Lettera foi tímida, fruto de uma crise financeira que quase derruba a editora, segundo a própria. Isso somado ao caso "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol".

O álbum adulto, que trazia alguns palavrões e alusão a sexo, foi comprado pelo governo paulista e levado a alunos de nove anos.

                                                          ***

Administração estadual e grande mídia associaram o caso à incompatibilidade de os quadrinhos terem conteúdo adulto e gerou uma caça aos quadrinhos nas escolas.

Nem Will Eisner escapou. Respeitado por ser um dos primeiros a produzirem álbuns com temáticas adultas nos Estados Unidos, teve uma de suas obras rotulada de pedófila.

O álbum "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço" foi incluído na lista do PNBE, programa do governo federal que leva obras em quadrinhos e livros a escolas.

O argumento de diretores e secretários municipais e estaduais de educação foi que o livro tinha cenas de sexo e alusão à pedofilia. O governo federal reiterou a seleção da obra.

Charge feita por Diogo Sales para o Jornal da Tarde

 A Companhia das Letras lançou neste mês "Jimmy Corrigan - O Garoto Mais Esperto do Mundo" (388 págs., R$ 49), de Chris Ware. Um pouco antes, "Breakdows", de Art Spiegelman, mesmo autor de "Maus" (que tem a primeira versão mostrada nessa obra).

As duas obras fecham o primeiro ano do Quadrinhos na Cia., selo da editora voltado especificamente a publicações da área. Isso deu uma sacudida no meio editorial.

Um dos diferenciais é que leva quadrinhos a outro tipo de leitor, que não necessariamente aquela pessoa que acompanha quadrinhos mês a mês.

"Retalhos", de Craig Thompson, teve uma venda relâmpago, segundo se diz nos bastidores. A obra autobiográfica foi uma das mais divulgadas pelo eficiente marketing da editora.

                                                          ***

Seguiram-se outras obras, como "Umbigo sem Fundo", de Dash Shaw. De material nacional, limitou-se à adaptação "Jubiabá de Jorge Amado", feita por Spacca.

As adaptações, também neste ano, proliferaram no mercado editorial brasileiro, inclusive em empresas que nunca antes haviam investido na área de quadrinhos.

O foco é incluir uma das obras em listas governamentais, como a do PNBE, que compra lotes de cerca de 30 mil exemplares.

A última a ser lançada foi "O Corvo em Quadrinhos", feito por Luciano Irrthum com base no conto de Edgar Allan Poe (1809-1849). A obra é da editora Peirópolis.

                                                          ***

Esse foi o segundo álbum lançado por Irrthum em 2009. O primeiro foi "A Comadre do Zé", lançado pelo grupo mineiro da revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos".

Também foi deles outro álbum, "Saída 3", de Guga Schultze. O grupo optou  no fim do ano em se desligar do Quarto Mundo, selo que agrega autores independentes.

O Quarto Mundo, por sua vez, manteve os lançamentos, porém com intervalos maiores entre eles. Concentrou vários no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em setembro.

"Có", de Gustavo Duarte, "Candyland", de Olavo Rocha e Guilherme Caldas, e "Macaco Albino", de Leandro Robles, foram outras boas surpresas do ano, bancadas com dinheiro do próprio bolso. Além da "Ragu", revista que virou livro de capa dura em uma edição especial.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h06
[comente] [ link ]

29.12.09

Uma ideia para os jornais brasileiros

Enquanto no Brasil há jornais que descartam a publicação de quadrinhos - vide "Jornal do Brasil", do Rio de Janeiro -, na Argentina as tiras vão muito bem, obrigado.

As tiras estampam a prestigiada última página dos principais jornais portenhos. E os periódicos costumam vender coleções de obras em quadrinhos.

O "Clarin", o de maior vendagem no país, encerrou neste ano uma coleção em capa dura com histórias de Batman e emendou outra, com tiras de Mafalda, de Quino.

A nova coleção sai toda segunda-feira e tem 14 volumes ao todo. Ganhou até comercial:

 

 


Detalhe importante: cada edição custa 4,90 pesos argentinos. Como um real nosso equivale a menos metade da moeda de lá, o custo, para nós, seria em torno de R$ 2,45.

Barata, como a maioria das obras em quadrinhos de lá. Ao contrário daqui. Outro contraste é o tratamento dos jornais de lá em relação aos quadrinhos.

Há casos pontuais de venda de álbuns em quadrinhos via jornais. Um caso é a coleção de tiras de "Cabeça Oca" no jornal onde é publicado em Goiânia.

Mas são exceções. Aqui, a cultura é a de encartar fascículos, DVDs e afins. Nesse ponto, temos muito o que aprender com los hermanos argentinos. Fica a ideia aos jornais.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
[comente] [ link ]

28.12.09

Sábado dos Meus Amores é a melhor HQ de 2009

 

Capa de Sábado dos Meus Amores, de Marcelo Quintanilha

 

 

 

 

 

 

 

Álbum de Marcello Quintanilha foi o mais indicado em lista feita por críticos de quadrinhos 

 

 

 

 

 

 

 

O álbum "Sábado dos Meus Amores", do fluminense Marcello Quintanilha, foi o mais citado por críticos de quadrinhos em lista que indicou quais os melhores lançamentos de 2009.

A obra foi publicada pela editora Conrad em maio deste ano e trazia contos curtos sobre pessoas comuns, ambientados na periferia do Brasil.

A relação foi divulgada nesta segunda-feira no blog "Gibizada", de Telio Navega, que contatou os críticos. A página do portal de "O Globo" é especializada em quadrinhos.

Participaram da lista 16 pessoas ligadas à área de quadrinhos, entre elas este jornalista. Cada um indicou dez títulos publicados no Brasil ao longo do ano.

                                                          ***

"Sábado dos Meus Amores" apareceu em 12 das 16 listas. O segundo indicado, com 11 votos, foi "MSP50 - Mauricio de Sousa por 50 Artistas", homenagem ao criador da Mônica.

Em terceiro, aparecem empatados os álbuns "Retalhos", de Craig Thompson, e "Peanuts Completo - 1950/1952", coletânea das primeiras tiras de Snoopy, de Charles M. Schulz.

Ambos tiveram nove indicações cada um. Depois, aparecem "Gênesis" (8 votos), "Jimmy Corrigan - O Menino Mais Esperto do Mundo" (7) e "Crônicas Birmanesas" (6).

Os álbuns estrangeiros "Verão Índio", "O Chinês Americano", "Umbigo sem Fundo" e "Umbrella Academy- Suíte do Apocalipse" tiveram cinco indicações cada um.

                                                         ***

Este é o segundo ano que a lista do "Gibizada" é feita. Apesar do pouco tempo de existência, a relação já se tornou referência na área de quadrinhos.

A lista passada, divulgada também na semana final do ano, elencou outro álbum da Conrad como o melhor de 2008: "Chibata! João Cândido e a Revolta Que Abalou o Brasil".

                                                          ***

Comentário: listas assim costumam indicar convergências e divergências. E todas as opiniões devem ser respeitadas. Mas estranho a falta de uma obra e a presença de outra.

Estranho a falta de menções a "Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo", de Laudo Ferreira Jr. Lançada neste mês, mostra uma versão humanizada da vida de Cristo.

Na minha avaliação, a obra deveria figurar nos primeiros lugares da lista.

Vejo também uma supervalorização de "Retalhos", obra inflada no lançamento pelo eficiente marketing da Companhia das Letras. O álbum é bom, mas aquém do que se apregoa.  

                                                         ***

Mas concordamos quanto à escolha de "Sábado dos Meus Amores" para o topo da lista, a cada ano mais difícil de ser feita (o que não deixa de ser um bom sinal).

Na resenha da obra, postada em 07 de maio, já encerrávamos o texto dizendo que, até aquela data, era o melhor lançamento do ano.

A resenha do álbum de Marcello Quintanilha, que vive na Espanha, pode ser lida neste link.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h15
[comente] [ link ]

Zoo põe humanos como vítimas de maus-tratos dos animais

 

Zoo, capa um. Crédito: divulgaçãoZoo, capa dois. Crédito: divulgação

 

 

 

Álbum de Nestablo Ramos Neto foi lançado neste mês e tem duas versões de capa 

 

 

 

O subtítulo do álbum "Zoo" resume com precisão a proposta da obra: "em um mundo onde os humanos são os animais, ainda há quem lute por eles".

Lançado neste mês (HQM, 136 págs., R$ 34,90), Zoo se passa num espaço ficcional geograficamente não revelado. Lá, os animais são racionais e estão no poder.

Nesse mundo invertido, são os humanos que estão à merce dos bichos. São mantidos em cativeiro, criados pelos animais e até vítimas de maus-tratos.

A troca de papeis é a forma que Nestablo Ramos Neto, autor da obra, encontrou para demonstrar que é necessário proteger a vida animal em nosso mundo nada ficcional.

                                                         ***

A preocupação como esse lado de conscientização é expressada logo nas primeiras páginas. Uma das dedicatórias é a "toda vida animal, nossos irmãos e maior riqueza".

Também no início da obra, o autor dá destaque a uma lista de cinco páginas virtuais de grupos de de proteção da vida animal. Só então é que a história realmente começa.

A metáfora ancorada na inversão de papeis é o que pauta toda a narrativa. Os personagens e as situações criadas são o instrumento para alcançar essa meta.

Na trama, há dois grupos antagônicos. Num lado, uma equipe formada por animais que se preocupam com o bem-estar dos humanos. Do outro, bichos que abusam da vida humana.

                                                          ***

Os abusos aos humanos, uma vez mais, procuram lembrar como parte destes age com os bichos no nosso mundo real.

Não é por acaso que a história começa com um "Zoo Fashion Week", evento em que algumas das modelos desfilam com polêmicos adereços humanos, como dentes e orelhas.

Por mais incômoda que pareça ser a cena, há sempre a pulga atrás da orelha de que nossos Fashion Week têm top models com peles de animais.

Entender o Zoo ficcional é nos lembrar de como se age no mundo real.

                                                          ***

Nestablo Ramos Neto cria uma narrativa de mistério e aventura, mas preocupada em alertar sobre os maus-tratos recebidos pelos animais, vistos na metáfora aos humanos.

Produzido com duas versões de capa - uma com o nome da obra escondido atrás das imagens -, o álbum termina com um gancho para uma sequência, ainda sem confirmação.

Carioca de nascimento e hoje morando em Brasília, o autor tem na manga outro álbum, "Zona Zen". São histórias sobre relacionamentos humanos, que publica em seu blog.

A obra deveria ter sido publicada neste ano pela editora Bossa Nova, que adiou o projeto de títulos nacionais de quadrinhos. Tudo indica que deva sair pela HQM.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h45
[comente] [ link ]

26.12.09

Uma tira que merece registro (de Laerte, mais uma vez)

 

Não me lembro de ter visto uma tira com legendas como estas feitas por Laerte:

 

Piratas do Tietê, de Laerte. Reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

As palavras continuam de uma legenda para outra, de um quadrinho a outro.

Em tempo: a tira de Laerte foi publicada na edição deste sábado da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h06
[comente] [ link ]

25.12.09

Yeshuah faz relato humanizado da vida de Cristo

 

Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 


Obra foi escrita e desenhada por Laudo Ferreira Jr. e começou a ser vendida neste mês 

 

 

 

 

 

 

 


É uma dupla coincidência resenhar numa data como hoje o álbum "Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo", lançado neste mês (Devir, 160 págs., R$ 23).

A primeira coincidência está na data em si. O dia 25 de dezembro marca o nascimento de Jesus Cristo, que tem a trajetória narrada no álbum nacional, feito por Laudo Ferreira Jr.

O segundo ponto comum é a proximidade do final do ano, época propícia para reavaliar quais foram as melhores publicações.

Num ano rico de bons títulos nacionais, a obra de Laudo traz uma história madura e pesquisada, que a põe no topo da lista dos trabalhos nacionais lançados neste 2009.

                                                          ***

O projeto de Yeshuah começou a ser pensado em 2000. O autor buscava um novo desafio, um projeto que permitisse ousar mais no processo de criação.

Encontrou na vida de Jesus Cristo o foco de sua história em quadrinhos. Dividiu os anos seguintes entre os trabalhos profissionais e a pesquisa para a  narrativa.

"A idéia desse quadrinho é contar uma versão da história de Jesus sem uma tendência religiosa e nem satírica, crítica ou qualquer coisa assim que é comum acontecer", disse o autor ao blog, em entrevista em agosto de 2008, primeira vez em que o projeto foi noticiado.

"A história é apresentada dentro de uma versão livre, porém baseada numa extensa pesquisa que venho fazendo ao longo desse tempo."

                                                          ***

A pesquisa incluiu de obras canônicas a textos apócrifos. As fontes bibliográficas foram listadas no fim do livro. Vistas em conjunto, revelam uma investigação ecumênica.

O Cristo mostrado em suas páginas é ancorado nesses estudos. Mas é também objeto de um olhar pessoal, em particular nos diálogos criados e nas reações dos personagens.

Cristo e as demais figuras bíblicas também são mostrados de forma intencionalmente humanizada, tanto no vestiário, sujo e diferente da visão católica, quanto nas atitudes.

Maria, por exemplo, se questiona ao saber que está grávida do salvador. A dúvida seria própria da juventude. Na visão católica, ela teria dito "eis aqui a serva do Senhor".

                                                         ***

O álbum é o primeiro de uma trilogia, que chegou a ser anunciado por outra editora, a HQM. O livro narra a história de Cristo até ele se descobrir filho de Deus, após ser batizado. 

Este volume inicial está mais centrado nos nascimentos de Maria, de João Batista e, por fim, de Cristo.

Ou melhor: de Miriam, de Yohanán, de Yeshu, como os três são chamados na obra, respectivamente. O autor optou por usar os nomes do hebraico. Yeshuah, título do álbum, significa "salvação". Deus é Adonai.

Os termos e seus correlatos ocidentais aparecem num glossário ao final do álbum. As versões foram feitas com a ajuda de uma tradutora.

                                                         ***

Ironicamente, Laudo Ferreira Jr. pensou a obra sacra no mesmo ano em que criou a fogosa Tianinha, personagem que publicou até este ano em revistas eróticas.

Há dois anos, o quadrinista tem direcionado seus projetos para trabalhos mais pessoais. Um deles são quadrinhos com histórias dos músicos do Clube da Esquina.

"Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo" é, sem dúvida, sua obra mais autoral. Laudo conseguiu verter nela o amadurecimento que buscava, tanto no texto quanto nos desenhos.

A obra revela um Cristo diferente do mostrado, o que, por si só, já justificaria o interesse pela obra. É um trabalho que faz por merecer o topo da lista dos melhores de 2009.

                                                          ***

Nota: aproveito para desejar a todos um feliz e santo Natal.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h24
[comente] [ link ]

23.12.09

Desentendimento adia biografia de Adoniran Barbosa

 

Adoniran Barbosa, no desenho de Marcatti. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 

 

 

 

Impasse é entre o autor, Marcatti, e a editora da obra, Conrad, que iria lançar o álbum neste ano 

 

 

 

 

 

Marcatti transformou em quadrinhos duas músicas de Adoniran Barbosa, "Samba do Arnesto" e "Saudosa Maloca". As versões compuseram o segundo livro da coleção "Lado A/Lado B", da editora gaúcha Dulcinéia. É da obra a imagem acima.

Feita em formato quadrado, lembrando um compacto de vinil, a obra de 24 páginas traz uma música num lado, outra no outro. Foi lançada no mês passado. 

O convite surgiu em julho, após a editora saber que o desenhista preparava uma biografia em quadrinhos do compositor paulista, morto em 1982, aos 70 anos. O álbum seria publicado neste ano pela Conrad.

Ironia. As histórias dos sambas saíram antes da biografia que pautou o livro da coleção da Dulcinéia. E ainda é dúvida se o projeto será mesmo realizado.

                                                          ***

O motivo do adiamento é um desentendimento entre autor e editora. O impasse está no pedido de um adiantamento de direitos autorais para realizar a obra, negado pela Conrad.

Segundo o desenhista, a solicitação foi formalizada por telefone. Ouviu, em maio deste ano, que isso não casaria com a política da editora.

"Ouvi ´faz aí´. Aí eu parei. Acho que o [livro do] Adoniran merece muito mais do que isso", diz Marcatti, que não toca no projeto desde junho.

Ele diz ter rascunhado o esqueleto da obra, com as datas principais que comporiam a narrativa da biografia. Imaginou a versão final com cerca de 250 páginas.

                                                          ***

Marcatti não pensa em levar o projeto a outra editora. Diz que há aí um princípio moral, que quer respeitar: a ideia da biografia partiu da Conrad.

A primeira conversa, segundo ele, surgiu no começo de 2008, após ele publicar a adaptação do romance "A Relíquia", de Eça de Queiroz, obra publicada pela editora.

O desenhista começou, então, a fazer a pesquisa. Contatou a família, leu livros a respeito, entre eles "Adoniran: Uma Biografia, de Celso de Campos Jr., sua principal fonte.

Recebeu R$ 3 mil por esse serviço inicial, feito até outubro de 2008. O autor imagina que precisaria de quatro meses para finalizar o projeto.

                                                          ***

Outro lado. Segundo Rogério de Campos, diretor da Conrad, a editora está no aguardo da biografia de Marcatti. Segue a resposta dele, enviada por e-mail:

"Diferente do que é o padrão nosso, pagamos um advance para ele fazer o trabalho. O prazo de entrega era 2008 (agosto, se não me engano). Aí o Marcatti pediu para adiar."

"Adiamos para 2009. E neste ano o Marcatti disse que não conseguiria cumprir o novo prazo porque estava com problemas financeiros que o levavam a priorizar neste momento os trabalhos que dessem dinheiro mais rapidamente. Nós dissemos: OK, termine quando puder."

"Ele nos perguntou então se era possível um novo adiantamento. Não foi possível. Seja como for, estamos esperando o trabalho."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
[comente] [ link ]

22.12.09

Fracasso de Público faz crítica ao mercado editorial dos EUA

 

Fracasso de Público - Heróis Mascarados e Amigos Encrencados. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do primeiro volume da série, escrita e desenhada pelo norte-americano Alex Robinson  

 

 

 

 

 

 

 

Rotular o álbum "Fracasso de Público - Heróis Mascarados e Amigos Encrencados" (Gal, 240 págs., R$ 38) como um romance gráfico implica que o conteúdo dialogue com conflitos pessoais de alguma ordem. De fato, há tais conflitos.

Mas a obra tem uma outra preocupação. Usa os frustrados personagens centrais para fazer uma ácida crítica ao mercado editorial dos Estados Unidos, em particular o de quadrinhos.

Há na voz protagonistas traços autobiográficos do autor, o norte-americano Alex Robinson. Abandonou um emprego numa livraria para se dedicar à criação de quadrinhos.

A vida na livraria é o trauma de Sherman Davies, um dos personagens, um escritor sem vez nas editoras. Ed Velasquez, seu melhor amigo, é um quadrinista sem sucesso.

                                                          ***

O fracasso privado, e de público, de Sherman e Ed pontuam o tom crítico ao mercado editorial. Nenhum dos dois encontra lugar ao sol no acirrado mundo dos publishers.

Há, ao menos neste primeiro volume, uma atenção especial do autor em cutucar as grandes editoras de quadrinhos. A crítica se dá via Ed e do rabalho que conseguiu arrumar.

Ed se torna assistente de um ex-autor de quadrinhos, o idoso Irving Flavor, criador do super-herói Nightstalker. É uma espécie de Batman, criado décadas atrás.

Nightstalker se tornou a galinha dos ovos de ouro da editora que o publica. Teve até bem-sucedidas versões para o cinema. O senão é que Flavor não recebe nada por isso.

                                                          ***

Um editor de uma revista sobre quadrinhos voltada a fãs - algo como a norte-americana "Wizard" - descobre a história e se propõe a contar.

A entrevista concedida por Flavor ganha destaque natural nas páginas finais do álbum. E funciona como uma caricatura do que muitos autores reais viveram nos Estados Unidos.

Para quem gosta de quadrinhos, essa sequência é saborosa, está cheia de referências. A dúvida é se o não leitor da área - um dos públicos-alvo da obra - vai entender os diálogos.

Mas tanto um leitor quanto outro vão perceber que estão nos fracassos editorias de Sherman, Ed e Flavor o real alvo das críticas da obra, que está  apenas no primeiro volume.

                                                          ***

Independentemente de quem seja o leitor, há na obra alguns recursos narrativos que a singularizam e, por si só, justificariam um olhar mais acurado na publicação.

Dois deles, a título de exemplificação. Os personagens centrais são apresentados logo na primeira página. Cada um diz quem é antecipa, de forma vaga, seu papel na trama.

Outro recurso são as sucessivas sobreposições de vozes, com um balão cobrindo o outro. O recurso não é novo. Mas é próprio da linguagem e de difícil reprodução num romance.

A editora anuncia nas páginas finais do álbum o segundo volume, intitulado "Fracasso de Público - Desencontro de Titãs". O texto diz que será publicado em breve.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h22
[comente] [ link ]

Necronauta traz contos maduros sobre herói do além

 

Necronauta. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Coletânea de histórias do personagem brasileiro começou a ser vendida na virada da semana 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Houve um momento, na década de 1980, em que as histórias de super-heróis deram um salto qualitativo e se tornaram mais maduras, voltadas também ao leitor adulto.

São dessa época minisséries como "Batman - O Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller, e "Watchmen", de Alan Moore e Dave Gibbons, adaptada para o cinema neste ano.

Esse amadurecimento foi um caminho sem volta no mercado norte-americano. Foi oficializado em selos editorais próprios - como o Vertigo, da DC - e se mantém até hoje.

Todo esse preâmbulo é para contextualizar a coletânea de histórias de Necronauta, personagem brasileiro que transita justamente nesse universo adulto dos super-heróis.

                                                         ***

"Necronauta - O Soldado Assombrado e Outras Histórias - Volume 1" (HQM, 88 págs., R$ 29,90), lançado no fim de semana, reúne os cinco números da revista do herói.

São contos curtos, em preto-e-branco, publicados de forma independente entre novembro de 2007 e setembro de 2008.

A obra traz também uma história inédita no Brasil, publicada em abril deste ano em uma antologia da Image Comics, nos EUA. É a única narrativa em cores do personagem.

Criado por Danilo Beiruth - inexplicavelmente creditado apenas em uma discreta assinatura na capa do álbum -, Necronauta tem a função mórbida de levar os mortos ao além.

                                                          ***

Mas não são quaisquer mortos. São pessoas que, por um motivo ou outro, permanecem em uma espécie de limbo, uma região transitória do pós-morte.

Cada história funciona como um conto. Um conto maduro, ao estilo do que se passou a ver nas tramas de super-heróis adultas do mercado norte-americano.

Tal qual Sandman, de Neil Gaiman - outro exemplo desse amadurecimento -, Necronauta é quase um personagem secundário nas narrativas. O foco está em quem ele vai ajudar.

Pode ser um ex-soldado preso ao batalhão, uma garotinha mantida pelo pai, também morto, um escalador de montanhas preso ao sonho de chegar ao topo.

                                                          ***

Beiruth assina três dos seis contos. Os outros foram escritos por Stephen Lindsay, Marcelo Briseno Melo e Luiz Costa Pereira Junior, editor da revista "Língua Portuguesa".

O quadrinista planeja um segundo volume. Falta apenas criar mais material. Mas não é a meta para os próximos meses. A prioridade é finalizar outro álbum, "Bando de Dois".

"Bando de Dois" será publicado pela editora Zarabatana e foi um dos dez selecionados deste ano do edital paulista de incentivo à produção de histórias em quadrinhos.

Este e os futuros álbuns ajudam a dar a merecida visibilidade ao autor, até então restrito ao circuito independente. E dá a ele a chance de ser descoberto por novos leitores.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h11
[comente] [ link ]

21.12.09

Promessa para 2009, álbuns da Bossa Nova são dúvida para 2010

 

Proscritos, de Beto Nicácio

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Proscritos", obra de Beto Nicácio que deveria inaugurar a linha de quadrinhos nacionais da editora 

 

 

 

 

 

 

 


O álbum "Proscritos", de Beto Nicácio, está diagramado e finalizado. A capa, pronta. Deveria ter sido publicado neste ano. Não foi. E não vai ser. Não pela Bossa Nova.

O autor pediu rescisão de contrato com a editora, que planejava pôr no mercado neste ano uma linha de títulos em quadrinhos nacionais. A obra seria a primeira do catálogo.

O editor e idealizador da área de quadrinhos, Glauco Guimarães, também oficializou sua saída de empresa. Ele se desligou oficialmente há um mês e meio.

O selo de quadrinhos, uma promessa para o mercado de quadrinhos nacionais para este 2009, tornou-se, na prática, uma dúvida para o ano que vem.

                                                          ***

Segundo Guimarães, também quadrinista e ilustrador, a editora paulista começou a dar sinais de que não cumpriria o acordo de publicação no começo do ano.

Os primeiros sinais disso foram delegados à crise mundial da economia, vivida principalmente no primeiro semestre. Depois, os e-mails rarearam.

Houve outra tentativa de contato, pessoal. Ele diz não ter sido recebido. O acúmulo de problemas motivou o desligamento oficial.

"Se sair alguma coisa de quadrinhos, eu não tenho nada a ver com isso", diz Guimarães.

                                                          ***

O que ficou foram os projetos e os contatos com os autores. "Estou tentando ajudar, na medida do possível, o pessoal que ficou no meio", diz.

Um é Beto Nicácio. Outro, Nestablo Ramos Neto, que deveria lançar o álbum "Zona Zen".

A editora falava em agosto de 2008 em 12 projetos de quadrinhos, voltados às livrarias. O número foi resultado de uma chamada de propostas, feita virtualmente meses antes.

Guimarães disse, à época, ter recebido cerca de 500 propostas de projetos de histórias em quadrinhos nacionais, todas com mais de 50 páginas.

                                                          ***

Outro lado.

A Bossa Nova não descarta a publicação das obras em quadrinhos. A editora manteve até sexta-feira passada a página com a linha de quadrinhos. "Proscritos" era o destaque.

O dono da editora, Carlos Eduardo, disse ao blog, por e-mail, que o adiamento do projeto se deu por "uma série de razões".

"Pretendemos retomá-lo assim que as coisas as coisas se acalmarem", diz.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h36
[comente] [ link ]

Álbum de Ex-Machina finaliza história iniciada pela Pixel

 

Ex-Machina - Fato vs. Ficcção. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Obra marca volta da série norte-americana à editora Panini, a primeira a lançar o título no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Há um dito no país que sugere ser pertinente, às vezes, dar um passo para trás para avançar dois à frente. Foi um pouco disso o que a editora Panini fez com Ex-Machina.

"Ex-Machina - Fato vs. Ficcção" (146 págs., R$ 19,90), à venda em lojas de quadrinhos desde a virada de semana, reedita parte da história para dar sequência a ela.

Explico melhor: uma das tramas do título norte-americano, "Fato vs. Ficção", havia sido iniciada no ano passado pela Pixel, última editora a publicar a  série no Brasil.

O porém é que a aventura ficou sem fim com o cancelamento da revista "Pixel Magazine", que lançava Ex-Machina. Faltava um capítulo para encerrar a história. A Panini corrige isso.

                                                         ***

Ex-Machina integra a Wildstorm, um dos selos adultos da norte-americana DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem, linha que a Panini começou a publicar neste ano.

A série mostra um ex-super-herói, a Grande Máquina, que desistiu da carreira de aventuras para assumir a prefeitura de Nova York. O dia-a-dia político é o mote das histórias.

Em "Fato vs. Ficcção", Mitchell Hundred, o prefeito, é selecionado para integrar um júri popular. Ele deveria usar a oportunidade para mostrar que segue a lei. Mas dá errado.

Outro dos selecionados quer que Hundred use seus poderes - manipular qualquer tipo de máquina - para curá-lo de um mal que só ele enxerga. Do contrário, mata uma vítima.

                                                          ***

Em paralelo, um fantasiado se passa pela versão heroica do prefeito. A Pixel publicou as histórias até esse ponto, correspondente ao número 13 da revista norte-americana.

A Panini finaliza a sequência e avança até a edição 16, que mostra o encontro de Hundred com a mãe. O roteiro é de Brian k. Vaughan e os desenhos, de Tony Harris.

A obra, na verdade, marca uma volta de Ex-Machina à Panini. Foi a editora que publicou a série pela primeira vez no Brasil, num álbum lançado em outubro de 2005.

A Pixel continuou do ponto onde a série havia parado, primeiro numa minissérie em três partes, depois na revista "Pixel Magazine", cancelada no fim do ano passado.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 10h46
[comente] [ link ]

Uma tira que merece registro

 

Piratas do Tietê, de Laerte

 

Da série "Piratas do Tietê", de Laerte, publicada na edição de hoje da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h15
[comente] [ link ]

20.12.09

Revistas marcam datas especiais de Mickey e Superpato

 

Superpato 40 Anos. Crédito: divulgação 

 

 

 

 

 

"Superpato 40 Anos" e "As Grandes Aventuras do Mickey" começaram a ser vendidos nas bancas na última semana 

 

 

 

 

 

 

 

 


Há diferentes motivos que pautam ou servem de pretexto para uma publicação especial. Datas comemorativas são uma das razões e justificou dois lançamentos do mês.

"Superpato 40 Anos" e "As Grandes Aventuras do Mickey" (Abril, ambos com 196 págs. e a R$ 8,95 cada um) começaram a ser vendidos nas bancas na última semana.

Ambos se ancoram em diferentes datas. O primeiro, como o título já entrega ao leitor, marca os 40 anos de criação do Superpato, herói encarnado pelo Pato Donald.

A revista traz sete histórias vividas pelo personagem, duas delas inéditas. A que abre a revista mostra a origem do herói de Patópolis.

                                                          ***

O segundo lançamento marca os 20 anos de morte de Paul Murry, um dos principais criadores das histórias do camundongo detetive.

Uma de suas marcas era pôr Mickey e Pateta em diferentes investigações. "As Grandes Aventuras do Mickey" publica 12 delas.

Assim como no especial de Superpato, duas são inéditas no país. As demais foram publicadas nos Estados Unidos entre 1954 e 1975.

Murry foi outro dos desenhistas que produziam quadrinhos para Disney levar a fama pela criação. O caso mais marcante foi o de Carl Barks, verdadeiro criador das histórias de pato.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h55
[comente] [ link ]

Ponto de vista do fã pontua biografia sobre Michael Jackson

 

Eternamente Michael. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

"Eternamente Michael", lançada neste mês, foi produzida por autores brasileiros em estilo mangá 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

É muito tênue a linha que separa o tributo do fã da exploração pura e simples quando o assunto é Michael Jackson. Morto em 25 de junho,  continua vivo. Ao menos na mídia.

Equilibra-se nessa linha o álbum "Eternamente Michael - Biografia em Mangá", lançado neste mês (Seoman, R$ 26,90).

Produzido por brasileiros, narra a trajetória do cantor com o olhar do fã, lado assumido pelos dois roteiristas, os paulistas Ledo Vieira e Joice Castilho (não creditada na capa). 

Por mais bem intencionada que seja a proposta, ela não deixa de beber da mesma fonte explorada por tantos após a morte do astro norte-americano.

                                                          ***

A leitura mostra que é trabalho de fã para fã. Ou, no máximo, vale a quem se interesse em conhecer um pouco mais sobre a vida do cantor. Mas com os fatos simplificados.

O álbum recria - os diálogos ficcionais provam isso - os pontos focais que marcaram sua trajetória musical, iniciada na infância com o Jackson Five, formado com os irmãos.

Destaque natural do grupo, ele passa gradativamente a tatear a carreira solo, até se firmar fora da trupe. A obra sugere músicas dele para ouvir em cada etapa da leitura.

A publicação procura recriar todas essas etapas, inclusive mostrando a relação tensa com o pai e empresário. Termina com a descoberta de que é portador de vitiligo.

                                                         ***

Tal qual os quadrinhos japoneses, o final em aberto cria o suspense para o número seguinte, que deverá vir no ano que vem. A capa já anuncia que este é o "volume um".

O recurso de produzir a história em mangá  - os desenhos são de Fabio Shin e Rafael Kirschner - ajuda a aproximar o trabalho do lado comercial.

O estilo tem tido boa aceitação no mercado brasileiro e foi usado até por Mauricio de Sousa na composição da "Turma da Mônica Jovem", que mostra seus personagens na adolescência.

Apesar do aspecto mercadológico, é trabalho de fã. Essa opção atenua os erros cometidos pelo cantor. Ou, quando muito, os filtra. E leva a história para o mundo de Neverland.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h30
[comente] [ link ]

18.12.09

Dois álbuns nacionais têm lançamento sábado em São Paulo

 

Necronauta. Crédito: divulgação

O quarto volume da série norte-americana "Os Mortos-Vivos", publicado no fim de outubro, marcou a volta da HQM aos quadrinhos e puxou a fila dos lançamentos, adiados desde 2008.

Dois novos títulos nacionais têm lançamento neste sábado à tarde em São Paulo: "Necronauta", do paulista Danilo Beiruth, e "Zoo", do brasiliense Nestablo Ramos Neto.

"Necronauta Volume 1: O Soldado Assombrado e Outras Histórias" (88 págs., R$ 29,90) reúne os seis primeiros números da revista do personagem, publicada desde 2007 de forma independente.

O protagonista é um ser que ajuda a conduzir pessoas mortas ao além.

O universo de "Zoo" (136 págs., R$ 34,90) se diferencia por ter como personagens centrais apenas animais.

Zoo. Crédito: divulgaçãoMas, na história, há uma inversão de papéis: são os humanos os explorados por maus-tratos.

Os dois álbuns marcam um retorno da HQM também aos trabalhos nacionais.

A editora havia iniciado um catálogo de publicações brasileiras em 2007.

Os lançamentos incluíram álbuns de José Aguiar - "Quadrinhofilia" -, o retorno da série Leão Negro e a volta às bancas da revista em quadrinhos de Senninha.

                               ***


Serviço - Lançamentos de "Necronauta Volume 1: O Soldado Assombrado e Outras Histórias" e "Zoo". Quando: sábado (19.12). Horário: a partir das 14h. Onde: loja Comix. Endereço: Alameda Jaú, 1998, São Paulo. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h01
[comente] [ link ]

16.12.09

Senado aprova Vale-Cultura e mantém compra de revistas

O Senado aprovou o projeto que estabelece a criação de um Vale-Cultura para trabalhadores, servidores públicos e estagiários que recebam até cinco salários-mínimos.

Pela proposta, o valor condedido seria de R$ 50. Aposentados teriam direito a R$ 30.

O texto manteve a possibilidade de compra de revistas, tema que gerou polêmica na discussão anterior do projeto. Houve quem entendesse que gibis (SIC.) não seriam cultura.

O texto sofreu alteração e, por isso, passa por nova apreciação no Senado antes de ser encaminhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

                                                          ***

Nota: tomo como base para a elaboração desta nota informações veiculadas na rádio CBN.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h32
[comente] [ link ]

Revista independente faz edição latino-americana

 

Zine Royale 4. Crédito: imagem cedida pelo editor

 

 

 

 

 

 

 

Capa do quarto número de "Zine Royale", que tem lançamento na próxima sexta-feira em São Paulo 

 

 

 

 

 

 

 

 

O quarto número de "Zine Royale" faz uma edição sul-americana. Ou "edición latinoamerica", como registra a capa da revista, que será lançada sexta, em São Paulo.

A ideia é de Jozz, editor da publicação, que neste ano estreitou contatos com autores de países vizinhos. Para facilitar o intercâmbio, fez a edição em português e castelhano.

Ele e outros autores brasileiros dividem as 64 páginas da revista independente com quadrinistas do México (José Alfaro) e da Argentina (Cammie). A revista custa R$ 4.

Não é a primeira vez que títulos independentes daqui abrem espaço para autores latino-americanos. A "Graffiti 76% Quadrinhos" também fez um de seus números bilíngue.

                                                          ***

Serviço - Lançamento de "Zine Royale" 4. Quando: sexta-feira (18.12). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 4.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h49
[comente] [ link ]

15.12.09

Cremado corpo do editor que trouxe mangás ao Brasil

 

Foto tirada na cerimônia de entrega do Troféu HQMix, em 2008

 

Uma cerimônia realizada hoje às 10h15 no Crematório Memorial Paulista em Embu das Artes, na Grande São Paulo, marcou o sepultamento do editor de quadrinhos Minami Keizi.

Keizi morreu nessa segunda-feira. O corpo ficou entre ontem e hoje no velório de Itapevi, também na região metropolitana de São Paulo. Cedo, foi levado a Embu das Artes.

Segundo o velório de Itapevi, a morte se deu por uma série de fatores: broncopneumonia, insuficiência renal crônica, diabetes e encefalopatia (alteração nas funções mentais).

Nos últimos meses, ele já vinha se mostrando debilitado. Em 2004, um derrame havia deixado o corpo do editor parcialmente paralisado.

                                                          ***

Minami Keizi esteve entre os homenageados do Troféu HQMix de 2008. A premiação de quadrinhos lembrou as pessoas que participaram da extinta editora Edrel.

Foi pela Edrel, de Keizi, que foram publicados no Brasil os primeiros mangás. Um dos autores que se destacaram no estilo japonês foi Cláudio Seto, morto poucos meses depois.

A homenagem se pautava no Centenário da Imigração Japonesa, comemorado no ano passado. A cerimônia foi realizada em julho no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo.

No palco, Keizi fez um discurso muito emocionado. Foi bastante aplaudido. Cláudio Seto também. A estátua dada aos premiados se baseou em Samurai, personagem criado por ele.

                                                         ***

O jornalista Gonçalo Júnior pesquisava a vida de Minami Keizi. Ele faz um relato sobre a trajetória - pessoal e profissional do editor - na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h04
[comente] [ link ]

Minami Keizi sabia que tinha pouco tempo de vida

O jornalista e pesquisador Gonçalo Júnior conhece como poucos a vida e a trajetória profissional de Minami Keizi, morto na segunda-feira.

Nos contatos regulares que mantinha com ele, Gonçalo ficou com a impressão de que o editor de quadrinhos sabia que tinha pouco de vida. Mostrava-se debilitado a cada conversa.

O blog convidou Gonçalo a comentar um pouco dessa relação dele com Minami.

O relato, gentilmente aceito, transformou-se nesta preciosa descrição sobre o editor.

                                                         *** 

Conheci Minami em 1992, quando eu morava em Salvador e o contatei por telefone para que me respondesse um longo questionário, pois meu trabalho de conclusão do curso de jornalismo que fiz na Universidade Federal da Bahia seria sobre a Edrel e a Grafipar, duas editoras que se destacaram por publicar quase exclusivamente material nacional e de sexo durante a ditadura militar e que, na minha opinião, foram projetos editoriais de vanguarda.

Em pouco tempo, recebi um calhamaço datilografado com longas respostas, no qual ele revelava em detalhes a história de sua até então esquecida editora. Eu soubera da Edrel por Antônio Cedraz (criador das tiras da Turma do Xaxado). Minami publicara seus primeiros cartuns em "Garotas e Piadas" por volta de 1964 e me encantara com seus gibis.

Trocamos cartas e nos falamos por telefone durante três anos. Quando me mudei para São Paulo, em 1997, procurei-o para uma longa entrevista ao vivo, pois pretendia transformar meu TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) em livro - que resultaria no "Guerra dos Gibis" 2.

Passei um dia inteiro em sua casa. Seus filhos estavam fora e ele, gentilmente, fez um delicioso almoço para nós, mostrou-me seu arquivo, falou dos mais de 1,5 mil livros que escrevera com dezenas de pseudônimos, principalmente sobre astrologia. Falava disso sem queixa, com a elegância de quem não olha para trás e chora o leite derramado. Não se achava vítima de ninguém.

Esse contato resultou em mais dois almoços – um deles, no centro de São Paulo. Trocávamos livros, revistas. E sempre deixávamos numa loja de ponta de estoque na Luz, que pertencia a uma amiga sua. Sempre nos falávamos por e-mail e telefone. Pelo menos uma vez por semana. Às vezes, dez vezes num único dia.

Cuidei para a Opera Graphica da edição do livro que tanto gostaria de publicar sobre a pornochanchada no Brasil e que não conseguiu ver pronto. Afinal, Minami fora o editor da revista "Cinema em Close-UP", que circulou de 1974 a 1979 e é considerada a bíblia do gênero.

Nos comunicamos assim até o começo do ano, quando comecei a receber e-mails melancólicos e com longos espaços de tempo. Minami sabia que tinha pouco tempo de vida. Falava dos amigos que tinham partido e dizia que sua hora estava próxima, que perdera o interesse pela vida, que estava cansado. Ficara muito debilitado por causa de um derrame que o deixara parcialmente paralisado em 2004. Estava arrasado com a morte de Cláudio Seto no ano passado.

Em agosto deste ano, Thyago Mendonça, diretor do curta-metragem "Minami em Close-Up", vencedor do Festival de Brasília do ano passado, ligou-me
para perguntar sobre ele. O filme ia ser lançado - na mesma noite da entrega do Troféu HQMix - e ele queria muito convidá-lo. Estava preocupado
com seu silêncio. Só muitos dias depois, soubemos pelo filho que ele tinha passado um longo tempo internado por causa de problemas renais.

Em setembro, falei com ele e fiquei deprimido. Sua voz não passava de um fio de som distante, tristonho, sem esperança. Ele se esforçava para explicar que estava com sérios problemas de saúde. Ofegante, muito ofegante.

Vou sentir muita falta dele, dos conselhos, das sábias observações sobre o comportamento humano, das maravilhosas histórias que contava da Boca do Lixo, das batidas que a Polícia Federal fazia em seu apartamento em busca de pornografia – como rotulavam suas revistas.

Eu não conseguia acreditar que pudesse haver um ser humano tão generoso. Um dia, Minami me ligou e pediu para “maneirar” no livro com um ex-sócio, o mesmo que lhe tomara a Edrel em 1972. Disse que eram coisas do passado e que mágoas não deveriam ser guardadas, fazia mal ao coração. Depois, confessou que o mesmo o havia procurado em busca de perdão, arrependido. O sujeito estava em dificuldades financeiras e Minami produziu uma série de revistas, sem remuneração, para ajudá-lo.

Chamava-me de mestre e cada palavra sua expressava um imenso carinho, atenção e respeito. Confiou-me sua vida, sua história, suas confissões, seus documentos de vida. Jamais quis saber o que eu estava escrevendo. E ligava para contar alguma história nova que havia se lembrado. E eu dizia: “Mas, Minami, vou ter de reescrever o capítulo de novo. Por favor, não me conte mais nada”. E ríamos.

Eu estava empenhado em conseguir um advogado para requerer junto ao Ministério da Justiça uma aposentadoria para ele como vítima da ditadura que foi. Ele deixou comigo papéis que mostram como 28 revistas suas foram canceladas por ordem da censura, o que o levou à falência. Todo este material estará no livro. Consegui dois advogados, mas estava à espera de uma reunião com ele. Minami adiou várias vezes porque não conseguia mais se locomover.

Por causa da ditadura, perdeu tudo. Inclusive seus imóveis. Vivia muito modestamente, tinha de continuar escrevendo, mesmo com as limitações físicas causadas pelo derrame. Não foi pior porque contou com a ajuda de queridos amigos como Carlos Casamata, Carlos Mann, Franco de Rosa e Fausto Kataoka, que nunca o abandonaram.

Não quero aqui aproveitar a morte de Minami para falar do meu livro. O propósito é exclusivamente usar a oportunidade para lembrar que este sim foi um cara importante para os quadrinhos brasileiros e merece ser citado dessa forma e sua morte lamentada. Minami não apenas introduziu o mangá no Ocidente vinte anos antes dos americanos.

A Edrel foi um laboratório para uma brilhante geração de jovens artistas, a maioria descendentes de japoneses, que exploraram todas as potencialidades dos mangás no auge da contracultura, capitaneados por Minami, Claudio Seto, Fernando Ikoma e Paulo Fukue.

E quero aqui também expressar, no espaço oferecido por este Blog, o sentimento pela partida de um querido amigo do qual não me afastarei jamais. Mesmo que pela lembrança e pela saudade.

                                                          ***

O livro a que Gonçalo Júnior se refere no texto é "Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Gibis, Pornografia e Censura na Ditadura Militar (1964-1985)", programado para 2010.

A obra pretende contar a trajetória das editoras Edrel e Grafipar e terá Minami Keizi e Cláudio Seto, morto no ano passado, como personagens centrais.

A publicação será uma sequência de outro livro do jornalista, "A Guerra dos Gibis - A Formação do Mercado Editorial Brasileira e a Censura aos Quadrinhos (1933-64)".

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h44
[comente] [ link ]

14.12.09

Que venham as coletâneas nacionais de humor

 

Tulípio - Humor de Botequim. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Tulípio - Humor de Botequim", um dos livros que têm lançamento nesta semana em São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

Este mês tem uma concentração de coletâneas de histórias em quadrinhos de humor, todas nacionais e feitas por diferentes autores. Duas delas têm lançamentos nesta semana.

"Tulípio - Humor de Botequim" (Devir, 208 págs., R$ 35) teve uma primeira sessão de autógrafos na noite desta segunda-feira na capital paulista. Há outra programada para quarta-feira, às 19h30, na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo).

A obra reúne cartuns do personagem-título criado por Eduardo Rodrigues e Paulo Stocker. As histórias - algumas inéditas - se passam num bar e extraem humor desse cenário.

O álbum compila, em formato maior, as oito primeiras revistas de bolso de Tulípio, distribuídas de graça em bares de São Paulo e Rio. O lançamento terá o nono número.

 

Nicolau e Seus Queridos Vizinhos. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

A coletânea "Nicolau e Seus Queridos Vizinhos", de Lucas Lima, também tem lançamento em São Paulo nesta semana  

 

 

 

 

 

 

 

Outro lançamento, também na HQMix Livraria, é "Nicolau e Seus Queridos Vizinhos" (Enquadrinho, 84 págs., R$ 38), coletânea de tiras da série criada há cinco anos por Lucas Lima.

É o segundo álbum publicado por ele, o primeiro por editora própria, a Enquadrinho. A obra traz 407 tiras, que são publicadas em jornais do interior paulista, no Rio de Janeiro e no sul.

As histórias giram em torno de Lucas, menino de oito anos que mora num condomínio. Sua família e os funcionários do prédio constroem o rol de personagens da tira cômica.

A sessão de autógrafos será no próximo sábado, às 19h30.

 

Bichinhos de Jardim. Crédito: reprodução do blog da autora 

 

Outra série que ganhou uma coletânea foi "Bichinhos de Jardim" (BlogBooks, R$ 29,90). A obra traz mais de 200 tiras, veiculadas desde 2006 no blog da autora, Clara Gomes.

O livro foi resultado da conquista do Prêmio Blog Books, promovido no meio do ano.

O grupo responsável pela premiação indica blogs em diferentes categorias e usa a popularidade das páginas virtuais para alimentar a votação on-line.

Bichinhos de Jardim foi o mais votado dos dez selecionados na área de quadrinhos. A série mostra situações vividas diferentes bichos, em particular um caramujo e uma joaninha.

                                                         ***

Uma festa no começo do mês marcou o lançamento da quarta coletânea de histórias dos namorados roqueiros Roko-Loko e Adrina-Lina (Grrr!, 52 págs.).

Desde o álbum anterior, as obras têm sido publicados pelo selo do autor, Márcio Baraldi.

O mote da série é pôr a dupla principal em situações que dialoguem com o mundo do rock. São comuns nas histórias "participações especiais" de cantores e de bandas.

Este álbum traz histórias publicadas originalmente entre 2004 e 2006 na "Rock Brigade", revista especializa em rock. A coletânea elenca as narrativas em ordem cronológica.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h35
[comente] [ link ]

Encadernado vai reunir sequência de Surpreendentes X-Men

 

Surpreendentes X-Men: Destroçados. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Álbum do grupo de mutantes da Marvel Comics integra lista de lançamentos da editora Panini para este mês 

 

 

 

 

 

 

 

 


A Panini vai lançar mais um encadernado com histórias dos Surpreendentes X-Men. O álbum faz parte da lista de lançamentos da editora programados para este fim de ano.

A série da Marvel Comics foi premiada nos Estados Unidos. O texto é de Joss Whedon, criador do seriado de TV "Buffy, a Caça-Vampiros". Os desenhos são de John Cassaday.

"Surpreendentes X-Men: Destroçados" vai reunir as histórias dos números 13 a 18 da revista norte-americana dos heróis mutantes. As aventuras já haviam sido publicadas no Brasil, também pela Panini, na revista "X-Men Extra" entre julho e dezembro de 2007.

Segundo a Panini, o álbum terá 156 páginas. O preço não foi informado. Em agosto do ano passado, a editora lançou outro álbum, com as primeiras 12 histórias da série.

                                                          ***

A relação de lançamentos da editora para dezembro inclui também o segundo número da revista mensal "Vertigo". A publicação deveria ter saído em novembro.

A Panini pretende lançar neste mês quatro álbuns da Vertigo e da Wildstorm, selos adultos da norte-americana DC Comics que a editora passou a publicar no Brasil em outubro. Todas as obras trazem séries já iniciadas por aqui.

"Ex-Machina: Fato vs. Ficção" traz seis histórias inéditas do título, que mostra um super-herói como prefeito de Nova York. "Fábulas: A Marcha dos Soldados de Madeira" completa a sequência iniciada pela Pixel, última editora a publicar as séries no Brasil.

"Frequência Global" relança os seis primeiros números. E "Universo Wildstorm por Alan Moore" reúne histórias de diferentes séries escritas pelo criador de "Watchmen". 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h25
[comente] [ link ]

13.12.09

Mauricio de Sousa recebe homenagem inédita da ONU

 

 


Mauricio de Sousa recebeu nesta semana homenagem do UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime). A distinção é inédita a um autor de quadrinhos brasileiro.

A placa entregue ao desenhista e empresário registra que a honra se deu por "contribuição em favor da conscientização pública sobre prevenção e combate à corrupção".

A cerimônia de entrega ocorreu em Brasília na última quarta-feira, Dia Internacional contra a Corrupção. 

O ministro Gilson Dipp, do Conselho Nacional de Justiça, também foi homenageado na cerimônia, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h44
[comente] [ link ]

12.12.09

Homenagem a dramaturgo reuniu duas gerações de quadrinistas

O Espaço Parlapatões, na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, costuma ser sempre cheio nas noites de sexta. Ontem, estava mais. Até na rua se andava disputando espaço.

No lado de dentro, ocorria um leilão em prol de Mario Bortolotto, baleado ali mesmo, uma semana antes durante tentativa de assalto. O dramaturgo está em recuperação.

Também ali estavam duas gerações de quadrinistas. Juntos e concomitantemente, dividiam a tarefa de desenhar dois grandes painéis, um em cada canto do espaço cultural.

Deixaram sua marca por lá Laerte, Caco Galhardo, Lourenço Mutarelli - cada vez mais de volta aos quadrinhos -, Fábio Cobiaco, Gabriel Bá, Fábio Moon, Rafael Grampá, Rafael Coutinho, Gustavo Duarte, André Kitagawa.

                                                          ***

Kitagawa talvez seja o que tenha uma relação profissional mais eloquente com Bortolotto, figura muito conhecida na Praça Roosevelt.

Em 2006, o dramaturgo levou aos palcos a peça "Chapa Quente", baseada em contos urbanos em quadrinhos feitos por Kitagawa. A apresentação voltou à cena meses depois.

A peça é um dos diálogos entre Bortolotto e os quadrinhos. Na noite de sexta-feira, dia 11, inspirou, involuntariamente, outra. Com gente de peso, de diferentes gerações.

É daquelas notícias simples, mas muito, muito mais importantes e nobres do que tantas outras veiculadas neste blog. Arte em quadrinhos pela vida. Que sirva de exemplo.

                                                          ***

A editoria de entretenimento do UOL registrou alguns momentos da produção coletiva feita no Espaço Parlapatões. As fotos dão uma boa ideia de como foi. Veja neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h52
[comente] [ link ]

Álbum recria Fausto, de Goethe, na Estação da Luz

 

Estação Luz

 

 

 

 

 

 

 

Obra de Guilherme Fonseca e Renoir Santos começa ser vendida neste fim de semana 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Estação da Luz é uma das tantas contradições paulistanas. Ao mesmo tempo em que dialoga com a cultura, é palco dos passos frenéticos de quem toma diariamente os trens.

A estação ferroviária conserva uma arquitetura do fim do século 19 e hospeda o Museu da Língua Portuguesa, inaugurado em 2006. Mas mantém a antítese social de quem pouco tem e consegue superar a constrangedora barreira do pedir.

Foi nesse cenário de opostos que foi criado o roteiro de "Estação Luz", álbum nacional que começa a ser vendido em lojas de quadrinhos neste fim de semana (Devir, 80 págs., R$ 25).

A história faz uma recriação livre do Fausto, de Goethe (1749-1832). Tal qual a obra clássica do escritor alemão, há um pacto demoníaco em prol de perspectivas melhores na vida.

                                                          ***

O Doutor Fausto, culto e douto no livro alemão do começo do século 19, é atualizado para a figura de Wagner, catedrático em Semiótica e História da Arte.

Nos arredores da estação título da obra, ele encontra um mendigo inesperadamente culto e que sabe seu nome, mesmo sem que o tenha dito.

Não demora para perceber que se trata de um suposto mendigo. A curiosidade leva o professor universitário a retornar à Luz em busca do misterioso homem.

O estranho contato se estreita até seja firmada uma amizade e um pacto em nome do desejo de "ter tudo o que quiser".

                                                          ***

Embora tenha o enredo central baseado em Fausto, trata-se de uma adaptação livre da obra alemã. A começar pela ambientação, passada na conhecida estação paulistana.

Há outros pontos que irão divergir do livro de Goethe, mas cabe ao leitor descobri-los.

A ideia do álbum é do ilustrador Guilherme Fonseca. Ele conta que teve a fagulha para a história após ler Fausto. A Luz surgiu após chegar a São Paulo, em 1990, vindo de Curitiba.

"Passando um dia pela Estação da Luz, imaginei um demônio que morasse dentro do relógio, situação que remetia à dualidade luz e trevas", diz Fonseca no final da obra.

                                                         ***

"Estação Luz" é um dos dez projetos selecionados pelo Proac, programa de incentivo cultural patrocinado pelo governo paulista.

Cada um dos autores recebeu R$ 25 mil para tornar real a ideia da história em quadrinhos.

Este é o segundo trabalho fruto do edital publicado neste mês pela Devir. O outro álbum, "Fractal", mostra a investigação sobre um serial killer na cidade de São Paulo.

Os autores das duas obras participam de uma mesa com outros quadrinistas, seguida de autógrafos, neste sábado, às 22h, na loja da Devir (rua Teodureto Souto, 624, São Paulo).

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h01
[comente] [ link ]

11.12.09

Fractal traz história sobre serial killer ambientada em São Paulo

 

Fractal. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa do álbum de Marcela Godoy e Eduardo Ferigato, publicado com verba do governo paulista

 

 

 

 

 

 

 

 

A estreita janela que mostrava o que seria publicado neste ano de 2009 apresentava uma perspectiva real de um volume grande de álbuns nacionais com narrativas mais longas.

Uma das iniciativas que autorizava tal leitura era o edital de incentivo à produção de histórias em quadrinhos, promovido pelo governo do Estado de São Paulo.

Os dez selecionados tiveram este ano para produzir os projetos. Três já foram lançados. A maior parte ficou mesmo para dezembro e o começo de 2010.

É desse lote o álbum "Fractal", de Marcela Godoy e Eduardo Ferigato, à venda em lojas de quadrinhos (Devir, 64 págs., R$ 18). É uma história bem amarrada sobre um serial killer.

                                                          ***

Quando se diz que a trama é bem amarrada não se trata de força de expressão. Há uma engenharia narrativa no texto que liga pontas desde o começo até as páginas finais.

O foco narrativo é mostrado por meio de Liel Lorca, um perito criminal do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), órgão da polícia paulista.

Ele é convidado por um colega de departamento a investigar uma série de assassinatos de gêmeos. O modus operandi sugere que seja um serial killer. Resta saber quem.

O criminoso é revelado no fim, como deve ser. E, também como deve ser, não se pode falar muito sob o risco de estragar a leitura. Mas pode-se dizer que há uma sucessão de surpresas na páginas finais.

                                                         ***

O texto de Marcela Godoy, como dito, traz uma eficiente e bem costurada história policial, com o diferencial de ser ambientada em São Paulo, algo raro no mercado.

E não deixa de ser curioso o fato de a obra ser bancada com verba do governo paulista.

O mesmo governo que demonstrou, em maio, uma visão preconceituosa e infantilizada sobre as histórias em quadrinhos, que não poderiam ter palavrões, violência e sexo.

"Fractal" contém linguagem chula ("porra", "filho da puta"), insinuação de cena de sexo, violência visual e temática. E é uma boa história. Voltada ao leitor adulto, claro.

                                                          ***

É como se existissem dois governos estaduais em São Paulo. Num deles, haveria o governador José Serra e a Secretaria de Educação, ambos com um olhar estreito sobre os quadrinhos, ainda ancorado na metade do século passado.

No outro governo, haveria a Secretaria de Cultura, que selecionou dez projetos de quadrinhos, inclusive com conteúdo adulto, para serem publicados com dinheiro público.

Pelo edital, 200 exemplares têm de ser doados à Secretaria de Cultura. Não está clara qual será a destinação das obras. Se for ao outro governo, o da área de ensino, avizinham-se problemas, principalmente se o caso for noticiado sem contexto pela grande mídia.

De todo modo, fica a lição de que, sem preconceito governamental, é possível conseguir bons resultados com as histórias em quadrinhos, como bem ilustra "Fractal".

                                                         ***

Nota: a Devir publica neste fim de semana outro álbum do edital paulista, "Estação Luz", de Guilherme Fonseca e Renoir Santos. É o tema da resenha do blog deste sábado.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h38
[comente] [ link ]

10.12.09

Loja em SP vende quadrinhos com desconto no fim de semana

Registro rápido. A loja da Devir, em São Paulo, faz neste fim de semana uma maratona de venda de quadrinhos, todos com desconto.

A promoção começa às 22h desta sexta-feira e vai até as 16h do domingo. O local não fecha durante essas 42 horas de evento.

Durante o dia, o desconto mínimo é de 20%. Da meia-noite às seis, aumenta para 40%. Além das vendas, vai haver uma programação com palestras, autógrafos e oficinas.

Esta é a quinta vez que a loja faz a maratona, realizada sempre entre o fim de novembro e o começo de dezembro. A loja fica na rua Teodureto Souto, 624, no Cambuci.

                                                           ***

Nota: também nesta sexta-feira, há o lançamento do segundo número da revista independente "Macaco Albino", de Leandro Robles. A sessão de autógrafos será às 19h30 na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, centro).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h53
[comente] [ link ]

07.12.09

Autores da Graffiti deixam Quarto Mundo

 

A Rua de Lá, de Evandro Alves. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 

 

 

 

 

 

Página de "A Rua de Lá", álbum que o grupo mineiro programa para 2010

 

 

 

 

 

 

 

 

O grupo da revista mineira "Graffiti 76% Quadrinhos" decidiu não fazer mais parte do Quarto Mundo, selo que reúne autores independentes de todo o país.

A decisão foi oficializada neste mês na lista de discussão dos integrantes, mas já circulava desde o mês passado. O motivo foi diferenças quanto ao modo de funcionamento do grupo.

"O Quarto Mundo não é o que queremos, e nem nós podemos dar ao Quarto Mundo o que o grupo precisa" diz Fabiano Barroso, um dos editores à frente da Graffiti.

O modelo defendido pelos autores mineiros é de uma profissionalização desse setor, que preste serviço a autores e editoras. Como está, eles veem mais quantidade que qualidade.

                                                          ***

O grupo mineiro entrou para o coletivo do Quarto Mundo há pouco mais de dois anos. O ingresso ocorreu pouco depois de o selo ser oficializado, em outubro de 2007.

A revista editada pela Graffiti é uma das principais do setor hoje no país. Cada número reúne histórias de diferentes autores.

A publicação tem sido editada há alguns anos com ajuda de lei de incentivo cultural de Belo Horizonte. A verba permitiu ao grupo produzir também uma série de álbuns nacionais.

Foram lançados quatro até agora, dois neste ano. E há planos de mais cinco.

                                                           ***

Dois dos álbuns estão confirmados. Um se chama "A Rua de Lá" e é produzido por Evandro Alves. É da obra a página que abre esta postagem. O outro trabalho, "Poço", tem roteiro de Bruno Azevêdo.

Os próximos volumes da coleção "100% Quadrinhos" são um dos temas da entrevista que o blog fez com Fabiano Barroso.

Na conversa, ele detalha também como imagina a edição comemorativa da Graffiti, a ser lançada em 2010, quando a revista completa 15 anos. Os planos são de uma obra de luxo, em capa dura, de cerca de 300 páginas.

O contato, feito por meio de uma série de trocas de e-mail, inicia pelo hoje, ou seja, pelos motivos - e as críticas - que levaram o grupo a se desligar do Quarto Mundo. 

                                                           ***

Blog - Por que a Graffiti saiu do coletivo Quarto Mundo?
Fabiano Barroso
- A Graffiti saiu do Quarto Mundo por considerar que o grupo evolui por rota diferente da esperada pela revista. Honestamente, eu desejava que o Quarto Mundo se tornasse uma espécie de "consultoria" relativa aos quadrinhos independentes. Que desenvolvesse soluções de logística para editar, publicar e distribuir quadrinhos, criando uma rede cada vez maior e mais qualificada dentro do mercado. Vejo, porém, o Quarto Mundo como um grupo confuso, sem metas definidas, e que busca crescer por meio do aumento puro e simples de associados, sem se preocupar muito em realizar um trabalho de qualidade. Os líderes do coletivo não se assumem formalmente como tal, por considerar e acreditar que grupo deve ser um organismo horizontalizado, sem qualquer espécie de hierarquia profissional. Isso gera trabalho sem padrão, sem qualidade e sem critério. Acho que o Quarto Mundo, para crescer, tem que diminuir. Apostar e investir na qualidade e na visão dos seus líderes, porque, no final das contas, eles são o Quarto Mundo. Os outros setenta, setenta e cinco associados - Graffiti incluída - não passam de membros esforçados. Seria mais justo, e mais positivo, se todos eles fossem clientes do Quarto Mundo, e não membros.

Blog - Qual o modelo que você e seus colegas têm e que não é visto no Quarto Mundo?
Barroso
- A Graffiti tem um modelo talvez seguido por outras revistas associadas ao coletivo - a "Ragu", por exemplo. Mas os motivos para a nossa saída não passam por aí. Passam, sim, pela falta, como já dito, de um padrão, e de uma certa preocupação formal com a qualidade. O Quarto Mundo é um selo? Se for, é preciso avaliar, sob critérios técnicos ainda não definidos, o que pode e o que não pode vir com o selo Quarto Mundo na capa. E, mesmo se for apenas um coletivo, acho que é preciso instituir um padrão, um caminho a ser trilhado. Estamos falando de um grupo de oitenta e tantas pessoas, isso é impossível de ser feito. Há, no mesmo grupo e com os mesmos poderes, jovens iniciantes e "tiozões" com o trabalho já consagrado nacionalmente. Isso pode ser muito bonito, mas honestamente não traz resultados práticos. Não sou anarquista, acredito na hierarquia profissional. Ainda mais quando o grupo é grande e seus membros estão distantes uns dos outros, fisicamente falando.

Blog - Quando foi formalizada a saída? Houve algum tipo de atrito?
Barroso
- A saída foi formalizada entre mim e alguns dos principais membros há uma semana. Não houve atrito, muito pelo contrário; os membros para quem eu enviei o contato entenderam e aceitaram nosso ponto de vista.

Blog - Você havia comentado comigo que pretendia que a Graffiti se tornasse dependente - e não independente - em 2010. Do que se trata? Houve contato com alguma editora?
Barroso
- Bom, iniciei uma conversa com o Cláudio Martini, da Zarabatana, durante o FIQ [Festival Internacional de Quadrinhos, realizado em outubro em Belo Horizonte]. É bom deixar claro que por enquanto é apenas uma conversa, mas ele tem bastante interesse, como nós também temos, de que a Graffiti e os álbuns "100% Quadrinhos" se tornem parte do catálogo da editora. Acho que depende apenas de formalizar a parceria, e para isso dependemos da aprovação de nosso projetos em trâmite. A Zarabatana é uma editora linda, trabalha com tiragens baixas, está
montando aos poucos o seu catálogo, que guardadas as devidas proporções lembra o da [norte-americana] Fantagraphics. Acreditamos que será um casamento e tanto. E acredito que pode ser esta a saída editorial para a Graffiti. A Zarabatana está crescendo com muita qualidade, e penso que quem gosta do que é publicado pela editora gosta também da Graffiti, há uma afinidade muito grande entre a editora e o trabalho desenvolvido pela gente.

Blog - Para 2010, de onde virá a verba dos títulos programados? Da lei de incentivo de Belo Horizonte?
Barroso
- Não temos certeza de nada, pois aguardamos aprovação. Temos projetos previstos na lei de incentivo à cultura de Belo Horizonte e na Lei Rouanet.

Blog - Queria que me detalhasse os próximos álbuns da coleção "100% Quadrinhos".
Barroso
- Essa resposta é um tanto complicada, mais por causa da inconstância dos autores do que por incerteza de publicação. O que posso te dizer é que o Evandro Alves está finalizando o trabalho dele, e ele até publicou algumas coisas em seu blog, e o Bruno Azevêdo está fazendo o trabalho dele, "Poço", em parceria com um desenhista maranhense.

                                                           ***

Nota: o blog entrou em contato com Cláudio Martini, editor da Zarabatana. Ele reforça as informações de Fabiano Barroso: há o contato, mas nada acertado ainda. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h55
[comente] [ link ]

06.12.09

 Questão anulada do Enem trazia história em quadrinhos

 

 

 

 

 

 

Pergunta era baseada na história ao lado e trazia duas respostas possíveis

 

 

 

 

A questão do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) anulada na noite deste domingo era baseada em uma história em quadrinhos, reproduzida do site "Releituras".

O teste foi cancelado pelo Inep (Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais) por trazer duas respostas possíveis.

A pergunta integrava a prova de Linguagens e Outros Códigos, aplicada na tarde deste domingo. O enunciado pedia que o estudante dissesse qual dos trechos dos balões seguia rigorosamente a variante culta da língua.

A mesma prova trazia outras duas questões baseadas em tiras, uma de "La Vie En Rose", de Adão Iturrusgarai, e outra de "Hagar, o Horrível", de Dik Browne. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h05
[comente] [ link ]

05.12.09

Turma da Mônica ganha nova chance no formato de bolso

 

  

 

 

Livros de tiras integram coleção da L&PM e começaram a ser vendidos neste mês 

 

 

 

 

As tiras da Turma da Mônica voltaram a ser publicadas no formato de livro de bolso, agora pela L&PM. Os dois primeiros começaram a ser vendidos neste mês (R$ 11 cada um).

"Mônica Tem Novidades" e "Cebolinha em Apuros" integram da linha de pockets da editora gaúcha, líder desse segmento no país. Outros oito livros estão programados.

A L&PM havia anunciado os títulos com personagens de Mauricio de Sousa em agosto deste ano. Outros volumes trarão tiras de Magali, Cascão, Penadinho e Os Sousa.

No caso de Os Sousa, trata-se da volta de um material raro. Voltado ao leitor adulto, trazia as confusões da família que intitulava a série, publicada nas décadas de 1970 e 80. 

                                                         ***

A Panini, que publica os quadrinhos dos Estúdios Mauricio de Sousa e que detém a prioridade na edição do material, havia lançado cinco livros de bolso em junho de 2008.

As obras traziam tiras de Mônica, Cebolinha, Chico Bento, Penadinho e Bidu.  Foram editadas no mesmo formato da L&PM e também com duas tiras verticais por página.

A editora havia anunciado, à época, que a coleção "As Melhores Tiras" seria publicada regularmente. Não passou do primeiro número. Ganha nova chance, agora, pela L&PM.

Os livros de bolso são o único filão em que a Panini não conseguiu bons resultados. A multinacional lidera o mercado de bancas e tem conquistado mais espaço nas livrarias.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h06
[comente] [ link ]

Revista inclui Rafael Grampá entre os cem mais influentes de 2009

A edição deste fim de semana da revista "Época" traz uma lista dos cem brasileiros mais influentes de 2009. A relação inclui o quadrinista Rafael Grampá.

Grampá ficou mais conhecido após lançar o álbum "Mesmo Delivery", em 2008. Pelo trabalho, venceu o HQMix deste ano, principal premiação da área de quadrinhos no país.

Neste ano, o desenhista publicou no mercado norte-americano. No Brasil, ele tem recebido convites e sondagens de diferentes editoras.

No ano passado, a "Época" inclui na relação entre os mais influentes de 2008 dois outros quadrinistas: os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon. Leia mais aqui.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h33
[comente] [ link ]

03.12.09

Gibi é cultura?

A pergunta que pauta esta postagem - gibi é cultura? - surgiu ontem numa comissão do Senado Federal.

Reproduzo nota sobre o assunto, noticiada nesta quinta-feira na "Folha de S.Paulo":

                                                         ***

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou ontem, de forma preliminar, a proposta do governo que institui o Vale-Cultura.

A ideia é dar um benefício de R$ 50 para que trabalhadores gastem em atividades ou produtos culturais. O empregador distribui o cartão e deduz o valor do Imposto de Renda.

A votação causou polêmica porque uma emenda, apresentada ontem, incluiu livros, jornais e revistas entre os produtos que podem ser comprados.

A matéria foi aprovada com a emenda, apesar do questionamento de senadores se revistas como a "Playboy" e gibis estariam incluídos.

Ela ainda pode ser alterada no plenário. Depois, volta à Câmara.

                                                         ***

Não há nada oficializado ainda, como a nota deixa bem claro.

Mas a pergunta é pertinente: quadrinhos devem ser incluídos no Vale-Cultura?

O que você acha?

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h56
[comente] [ link ]

02.12.09

Álbum nacional sobre história de Cristo tem lançamento em SP

 

Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo. Crédito: Laudo Ferreira Júnior

 

 

 

 

 

 

"Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo", de Laudo Ferreira Júnior e Omar Viñole, narra a vida de Cristo do ponto de vista hebraico 

 

 

 

 

 

 

 

Um álbum nacional que narra a vida de Jesus Cristo sob outro ponto de vista tem lançamento nesta sexta-feira à noite em São Paulo.

"Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo" (Devir, 160 págs., R$ 23) reconta a história bíblica com um olhar não ocidental.

Os nomes, por exemplo, vêm da forma hebraica. Jesus é Yeshuah. Maria, Mirian.

O trabalho é, talvez, o mais autoral de Laudo Ferreira Júnior, que assina a obra com Omar Viñole. Laudo pesquisa o tema há anos.

                                                           ***

A proposta é que este seja o primeiro livro de uma trilogia.

Inicialmente, este volume de estreia iria ser publicado pela HQM, como este blog noticiou em agosto do ano passado.

O livro migrou, neste ano, para a Devir. Segundo o autor, a troca foi motivada por um intervalo sem contato por parte dos editores.

Leia as duas reportagens do blog sobre nas postagens de agosto de 2008 e de 25 de setembro deste ano.                        

                                                           ***

Serviço - Lançamento de "Yeshuah - Assim em Cima Assim Embaixo". Quando: sexta-feira (04.12). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Paraça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 23.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h13
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]