31.03.10

Nova editora planeja investir em álbuns nacionais

 

A Balada de Johnny Furacão, de Eduardo Filipe. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Trecho de "A Balada de Johnny Furacão", um dos álbuns nacionais programados pela parceria entre a Barba Negra e a portuguesa LeYa 

 

 

 

 

 

 

No princípio, era o Twitter. E a rede social levou o contato ao e-mail. Das conversas virtuais, as conversas pessoais. E, por fim, o acordo.

Foi desse jeito meio pós-moderno o retorno do selo editorial Barba Negra, de S. Lobo, agora associado ao grupo português LeYa, protagonista das primeiras interações virtuais.

"Pensei que a Leya quisesse negociar um álbum, mas me fizeram uma poposta editorial", diz Lobo. Ele não revela os detalhes do negócio. Diz apenas que ambos pensam de forma.

O projeto da editora é ambicioso. Publicar dez álbuns nacionais ainda este ano e alguns estrangeiros, como "Cicatrizes", de David Small, e o iraniano "Zahra´s Paradise".

                                                          ***

O diferencial, no entanto, parecem mesmo ser os trabalhos nacionais. Por enquanto, ele revela quatro:

"A Balada de Johnny Furacão", de Eduardo Felipe, o Sama; "Mix Tape", com a Menina Infinito de Fábio Lyra; um roteiro de Mário Bortolotto; uma adaptação de Plínio Marcos. 

O trabalho com autores e obras nacionais é uma das especialidades de Lobo. Ele é responsável por uma das mais bem-sucedidas experiências na área.

Foi o editor que esteve à frente da aposta da Desiderata em títulos nacionais. Num prazo de pouco mais de um ano, a empresa carioca lançou uma série de álbuns.

                                                         ***

A venda da Desiderata para a Ediouro, na virada de 2007 para 2008, minou a produção nacional e levou à saída de S. Lobo - o Sandro ele prefere registrar apenas com a inicial do nome. Ele decidiu, então, criar uma editora própria, batizada de Barba Negra.

O projeto foi divulgado em outubro de 2008 e seria feito em parceria com o desenhista Odyr Bernardi, responsável pela parte gráfica das obras.

Os dois primeiros títulos seriam trabalhos de Allan Sieber e de Rafael Sica. Ambos acabaram não vingando, pelo menos não pela editora. Lobo e Odyr abortaram a ideia.

"O mercado está amadurecendo, as grandes editoras estão começando a investir de forma correta, nos pareceu mais acertado investir na carreira autoral", justificou Lobo ao blog, na postagem de 9 de junho do ano passado.

                                                          ***  

Desde então, ele trocou a edição pelo roteiro. Escreveu o álbum "Copacabana", desenhado pelo parceiro Odyr. A obra mostrava as prostitutas e outras figuras urbanas do bairro.

É no mesmo bairro que há anos adotou como moradia fixa que Lobo irá tocar o novo projeto, que promete disputar a mesma fatia do selo de quadrinhos da Companhia das Letras.

Mas, desta vez, sem Odyr, que se dedica no momento a outros projetos em quadrinhos. A parte visual vai ficar a cargo do designer gráfico Christiano Menezes.

Nesta entrevista ao blog, feita após uma série de trocas de e-mails, ele dá mais detalhes sobre o projeto e explica os motivos que o levaram a ressuscitar a Barba Negra.

                                                         *** 

Blog - Qual é a proposta do projeto editorial e qual será exatamente o seu papel? Na Desiderata, você trabalhou bastante com autores e álbuns nacionais. Você pretende repetir o mesmo caminho editorial?
S. Lobo
- Nosso caminho editorial é sempre o mesmo. Apostamos todas as fichas no talento nacional. Vamos ter uma linha de humor, álbuns autorais e quadrinhos policiais. Também publicaremos estrangeiros que se adequem ao que estamos pensando.
 
Blog - Quais serão os primeiros títulos a serem publicados? Quais os trabalhos nacionais que estão em pauta?
Lobo
- Estamos trabalhando em uma adaptação de uma peça do Plínio Marcos e outra do Mário Bortolotto. Vamos lançar "A Balada de Johnny Furacão", do Sama, inspirada numa música do Erasmo Carlos. Vai ter também um álbum da "Menina Infinito",do Fábio Lyra, chamada "Mix Tape". E tem muito mais por vir.

Blog - Os álbuns citados por você saem ainda este ano?
Lobo
- Sim. Todos saem.

 

Mix Tape, de Fábio Lyra. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

Arte de Fábio Lyra para "Mix Tape", outro álbum brasileiro do novo selo editorial progranado para este ano
 
















Blog - Há um grupo de autores que costuma acompanhar você nos projetos: Fábio Lyra, Odyr, Rafael Grampá, Rafael Coutinho, Rafael Sica, para citar alguns. Eles estarão na nova empreitada?
Lobo
- São todos grandes amigos e, acima de tudo, grandes profissionais. As portas da Barba Negra estarão abertas para eles todos.
 
Blog - Você havia comentado, em junho do ano passado, que havia desistido da Barba Negra. Na ocasião, você disse que "o mercado está amadurecendo, as grandes editoras estão começando a investir de forma correta, nos pareceu mais acertado investir na carreira autoral." O que o fez reavaliar a decisão?
Lobo
- Na verdade, adoro ser autor e não pretendo abrir mal deste lado, mas sinto uma falta danada do cotidiano de editor, pensar livros é o melhor modo de realizá-los. Além do que a proposta que a Mariana Rolier, editora da Leya, me fez foi perfeita, em total sintonia com o que penso do mercado editorial de quadrinhos. Simplesmente não resisti.

Blog - Qual foi exatamente a proposta feita pela editora Mariana Rolier a você?
Lobo
- Aqui são detalhes do negócio que não gostaria de divulgar.
 
Blog - Seu trabalho na Desiderata foi prejudicado após a editora ser vendida para a Ediouro. Que lição você tirou dessa experiência? Quais as garantias de que algo semelhante não se repita nesta nova casa editorial?
Lobo - Eu sempre soube que haveria mudanças quando a Desiderata fosse absorvida pela Ediouro, é natural que isso aconteça e realmente acreditava que pudesse ser bom para editora, como foi. Lá tive estrutura para lançar o álbum "Mesmo Delivery" em cores, algo que seria muito complicado sem o poder de uma grande editora, por exemplo. Mas eu sou romântico, gosto de guerrilha, e da agilidade e autonomia que um grupo reduzido pode ter. Portanto, está tudo acertado com a Leya quanto aos nossos métodos de trabalho e expectativas em relação ao mercado de quadrinhos.

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Escrito por PAULO RAMOS às 11h12
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29.03.10

Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos

 

Capa de Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos

 

Capa do livro "Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos".

A arte, feita especialmente para a obra, é do argentino Liniers, da série "Macanudo".

O livro foi escrito por este jornalista e será publicado pela editora Zarabatana. Trabalhamos com a ideia de lançar no fim de abril, em São Paulo.

O leitor deste blog está, desde já, convidadíssimo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h59
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27.03.10

Turma do Xaxado ganha revista em quadrinhos

 

Xaxado e Sua Turma. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Revista infantil com personagens de Antonio Cedraz começou a ser vendida nesta semana

 

 

 

 

 

 

 

 

Os personagens do desenhista baiano Antonio Cedraz ganharam uma nova vitrine na forma da revista em quadrinhos "Xaxado e Sua Turma" (HQM / Editora Cedraz, 36 págs., R$ 2,90).

O título infantil começou a ser vendido nesta semana em lojas de quadrinhos. Deve seguir o mesmo caminho de "Senninha", também da HQM, e ser comercializado nas bancas.

Os dois primeiros números foram publicados ao mesmo tempo. O de estreia traz data de fevereiro e o seguinte, deste mês. A revista estava na lista da HQM há mais de um ano.

As histórias da Turma do Xaxado se passam numa cidade do interior do Brasil. Até agora, a série vinha sendo publicada principalmente em livros e em coletâneas de tiras.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h04
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26.03.10

Exposição de cartunistas faz homenagem a Glauco

 

Cartaz da exposição Fala Panga

 

O modo como Glauco se referia aos colegas é o nome da exposição em homenagem a ele feita por um grupo de 28 cartunistas, entre eles o parceiro Angeli.

A abertura de "Fala, Panga!" será na próxima terça-feira, às 20h, na Pizza do Babbo, em São Paulo, tradicional ponto de encontro de desenhistas (rua Joaquim Antunes, 824).

A mostra fica até 30 de maio e faz uma homenagem póstuma ao desenhista, assassinado no dia 12 deste mês em Osasco, a Grande São Paulo. O filho, Raoni, também foi morto.

A curadoria é de Orlando Pedroso. Foi ele quem forneceu as imagens abaixo, que integram a mostra. Os trabalhos são de Ziraldo, Jaguar, Angeli - que já havia publicado a tira na "Folha de S.Paulo" -, do próprio Orlando e de Spacca.  

 

Homenagem de Ziraldo 

 

Homenagem de Jaguar

 

Homenagem de Angeli

 

Homenagem de Orlando

 

Homenagem Spacca

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h03
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Exposição resgata charges históricas de Curitiba

 

Charge de Alceu Chichorro

 

 

 

 

 

 

 

Uma das charges da mostra, que tem abertura hoje à noite na cidade paranaense

 

 

 

 

 

 


Uma exposição recupera charges e caricaturas de Curitiba da primeira metade do século 20. A mostra, que tem abertura na noite desta sexta-feira, traz 108 imagens.

O destaque são os trabalhos de Alceu Chichorro (1896-1977). Ele é tido como um dos expoentes da arte na cidade paranaense.

"Factos da Actualidade: Charges e Caricaturas em Curitiba, 1900-1950", nome da mostra, terá também uma versão impressa, escrita pelas pesquisadoras Aparecida Vaz da Silva Bahls e Mariane Cristina Buso. O lançamento também será nesta sexta à noite.

A mostra marca ainda a reabertura da Casa Romário Martins, que passava por restauração.

                                                          ***

Serviço - Abertura e lançamento de "Factos da Actualidade: Charges e Caricaturas em Curitiba, 1900-1950". Quando: hoje (26.03). Horário: 19h. Onde: Casa Rosário Martins. Endereço: Largo da Ordem, 30, Curitiba. Quanto: entrada franca.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 07h17
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25.03.10

Álbum narra fuga de escravos no Brasil do século 19

 

Quilombo Orum Aiê. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Quilombo Orum Aiê", de André Diniz, obra que deve chegar às livrarias nos próximos dias 

 

 

 

 

 

 

 

 


Na Salvador de 1835, três escravos aproveitam uma rebelião da classe para fugir de seus donos. Eles se unem a um senhor de meia idade, branco, e partem rumo a um quilombo de que ouviram falar, um lugar de paz, sem doenças, guerras e violência.

A tal Pasárgada dos escravos se chama Quilombo Orum Aiê, nome que também intitula o álbum escrito e desenhada por André Diniz (Galera Record, 112 págs., R$ 32,90).

A editora da obra, Galera Record, selo juvenil da Record, informa em seu site que a publicação já está à venda. Busca em livrarias revela que ainda não chegou. 

O trabalho, no entanto, já foi impresso. Quando chegar aos pontos de venda e, por consequência, ao leitor, este verá que se trata da história mais bem narrada do quadrinista.

                                                          ***

O carioca André Diniz tem uma predileção por temas históricos. Suas tramas já passearam por diferentes épocas, do período imperial à truculência da ditadura militar (1964-1985).

Este "O Quilombo Orum Aiê" se soma a essa tendência. O autor constrói no álbum o que se espera de qualquer narrativa: um relato eficiente, criativo, bem amarrado.

A busca pelo quilombo prometido é conduzida por meio dos diálogos entre os quatro fugitivos, cada um com uma personalidade própria. A sonhadora Sinhana, o bravo Abul, o enigmático Antero, que aproveitou o tumulto para fugir da cadeia.

O destaque entre todos é o jovem Vinícius - que todos apelidam de capivara, por ele não comer carne. O moço é um filósofo nato, mesmo sem se dar conta disso.

                                                         ***

André Diniz não desenha todas as obras que produz. Neste caso, assumiu também a arte. É, seguramente, o seu melhor trabalho. Alterna o traço conforme o ritmo da ação narrativa.

Dizer que "O Quilombo Orum Aiê" seja sua obra mais autoral talvez não seja bem verdade. Nesse quesito, o autobiográfico "7 Vidas", sobre vidas passadas, ainda se destaca.

Mas a história dos escravos é a mais bem construída. Tanto que pode ser lida sem problemas pelos jovens - público-alvo do selo editorial - quanto pelos adultos.

Há um pouco de história, de defesa da filosofia, mas sem cair no caminho fácil das obras paradidáticas. E a trama cresce no final que, evidentemente, não será revelado aqui.

                                                          ***

O livro reúne qualidades suficientes para falar por si, sem que a editora tivesse de apelar para o recurso - cada vez mais comum - de se apoiar na credibilidade de frases de jornalistas e especialistas para vender a obra ao leitor.

A Galera Record preencheu a contracapa com opiniões pinçadas de sites de quadrinhos.

Pelo menos um dos autores citados ali não leu o livro e não opinou sobre ele. Mesmo assim, apareceu elogiando o álbum. A frase dele foi tirada de outra matéria, fora do contexto. Atitude questionável da editora, para dizer o mínimo.

É uma postura menor, no pior sentido do termo, que contrasta com o trabalho maior de André Diniz, no melhor sentido da expressão.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h13
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24.03.10

Peanuts Completo: 1953-1954

 

Peanuts Completo: 1953-1954. Crédito: reprodução

 

 

 

 

Segundo volume da coleção começou a ser vendido no fim de semana

 

 

 

 


Snoopy ainda é apenas um cãozinho, mascote da turma, na segunda coletânea de tiras de Charles Schulz, que começou a ser vendida no fim de semana (L&PM, 321 págs., R$ 68).

O título, "Peanuts Completo: 1953-1954", já resume a proposta da obra. O livro reúne as tiras e páginas de quadrinhos publicadas nos Estados Unidos entre 1953 e 1954.

Nessa época, o ignorado Charlie Brown e a cínica Lucy já tinham as características que os marcaram nas décadas seguintes, inclusive físicas.

O perfil e o visual de Snoopy mudariam nos anos seguintes e ele ganharia o jeitão como ficou conhecido. As características também o tornariam a principal marca da franquia.

                                                         ***

Este é o segundo volume da coleção, que, no exterior, já soma uma dezena de títulos. A série de livros é o mais completo resgate dos trabalhos de Schulz.

O autor publicou a primeira tira da série em 2 de outubro de 1950. A última foi publicada um dia após sua morte, em 13 de fevereiro de 2000. O desenhista foi vítima de câncer.

A L&PM iniciou a reedição no fim do ano passado com as primeiras histórias, de 1950 a 1952. As versões nacionais seguem os moldes da edição original, também em capa dura.

A editora gaúcha anuncia no final da obra o terceiro volume, com histórias produzidas entre 1955 e 1956. O livro está programado para este ano.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h38
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Álbum sobre aviação brasileira tem lançamento 6ª em SP

 

Jambocks! Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Jambocks! Parte 1: Prelúdio para a Guerra", um dos trabalhos selecionados no edital paulista de produção de quadrinhos 

 

 

 

 

 

 

 

 


Um álbum sobre a participação dos caças brasileiros na Segunda Guerra Mundial será lançado nesta sexta-feira em São Paulo.

"Jambocks! Parte 1: Prelúdio para a Guerra" (Zarabatana, 48 págs., R$ 30) foi feito pelos paulistas Celso Menezes (roteiro) e Felipe Massafera (desenhos).

A obra foi um dos dez trabalhos selecionados em 2008 no edital paulista de produção de quadrinhos, mantido pelo governo do Estado de São Paulo.

Em princípio, deveria ser uma edição só. Os autores optaram por dividir a história em outros volumes. Este primeiro álbum mostra a entrada no Brasil no conflito mundial.

                                                         ***

Serviço - Lançamento de Jamboks! Parte 1: Prelúdio para a Guerra". Quando: sexta-feira (26.03). Horário: das 17h30 às 19h30. Onde: loja Comix. Endereço: alameda Jaú, 1998, São Paulo. Os cem primeiros que comprarem o álbum ganham um pôster da obra.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h25
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23.03.10

Diálogo sobre assinaturas num shopping de São Paulo

Protagonizei cena curiosa na tarde desta terça-feira num shopping de São Paulo. Havia ali uma banca de assinaturas da editora Panini. Por curiosidade, fui me informar.

Recebi da vendedora, bastante atenciosa, a oferta de um pacote de revistas dos super-heróis da Marvel e da DC Comics. Ela perguntou se eu já conhecia. Disse que sim.

No caso da DC, o pacote completo incluía todos os títulos mensais e também a revista "Superman & Batman", recentemente cancelada pela editora.

Estranhei. Perguntei a ela se iria receber "Superman & Batman" no mês seguinte, caso viesse a assinar. Ouvi um sim como resposta. Insisti:

- "Se eu assinar, receberei todas essas revistas em casa, no mesmo formato como são vendidas nas bancas, com cem páginas cada uma? Não há chance de isso mudar?"

Ouvi da vendedora que "não vai mudar nada".

Não é o que as seções de cartas das revistas têm sugerido desde o mês passado. Os textos sinalizam para uma "revolução editorial". Um anúncio promete "novos títulos".

                                                          ***

Há uma lei do silêncio imposta pela Panini aos editores da casa. Por isso, não se sabe ainda quais serão essas mudanças.

Mas, se há alterações editoriais em vista, alguma coisa muda. Ao contrário do que me informou a vendedora na tarde desta terça-feira.

A Panini precisa unificar o discurso editorial com o dos vendedores de assinaturas para não oferecer ao leitor título já cancelado e produtos que, talvez, não possa honrar.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h24
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Graffiti fica sem verba da lei de incentivo à cultura de Belo Horizonte

 

Logo Graffiti 76% Quadrinhos. Crédito: reprodução do site da revista



A prefeitura de Belo Horizonte não renovou o apoio cultural para a produção da revista "Graffiti 76% Quadrinhos". A verba estava atrelada a uma lei municipal de incentivo à cultura.

É a primeira vez em dez anos que os editores da publicação mineira ficam sem o incentivo. A decisão é irrevogável e, para os autores, inesperada.

"Ainda não sabemos exatamente o que fazer, nos reuniremos e chegaremos a uma conclusão", diz Fabiano Barroso, um dos editores da revista.

"Uma coisa é certa: a Graffiti não acaba por isso, pois seria aceitar uma derrota e condicionar o sucesso da revista à Secretaria Municipal de Cultura, o que não seria justo nem com nós nem eles."

                                                         ***

A "Graffiti 76% Quadrinhos" completa 15 anos agora em 2010, tempo que tornou a publicação uma das mais tradicionais do circuito independente do país.

Cada edição traz histórias em quadrinhos feitas por diferentes autores, alguns deles estrangeiros. O último número, o 20º da coleção, foi lançado no fim de 2009.

Para este ano, os editores programavam um número especial, com mais páginas, reunindo antigos trabalhos publicados ao longo da década e meia de existência.

O grupo mantém também uma coleção de álbuns. Já foram lançados quatro e havia outros dois programados para este ano: "A Rua de Lá", de Alves, e "O Poço", de Bruno Azevêdo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h02
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21.03.10

Álbum ajuda a entender trajetória editorial de Gasparzinho

 

Gasparzinho, o Fantasminha Camarada. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Gasparzinho - O Fantasminha camarada", obra que começou a ser vendida nesta virada de semana 

 

 

 

 

 

 

 

Há uma curiosa contradição sobre Gasparzinho. O fantasma bonachão é uma figura mundialmente popular, conhecida por mais de uma geração. Mas, ao mesmo tempo, pouco se sabe sobre sua gênese ou seus criadores.

“Gasparzinho – O Fantasminha Camarada” corrige tais lacunas de informação e (re)apresenta as primeiras histórias em quadrinhos dele, criadas há mais de 60 anos.

O álbum começou a ser vendido em lojas de quadrinhos nesta virada de semana (Devir, 192 págs., R$ 26,90) e traz 40 aventuras, produzidas pouco depois da estreia dele nos cinemas.

O primeiro desenho de Gasparzinho foi exibido pela primeira vez em 1945.

                                                          ***

“The Frindly Ghost”, título do desenho de estreia, dava forma a uma idéia dos animadores Seymour Reit e Joe Oriolo.

Os dois imaginaram o personagem pouco antes de irem para a Segunda Guerra Mundial. Quando voltaram aos Estados Unidos, venderam o projeto à Paramount.

A animação foi feita pelo Famous Studios, da Paramount Pictures. O estúdio era o mesmo que produzia desenhos com músicas.

Foi outra animação que marcou a geração que hoje tem 30, 40 anos. Uma bolinha acompanhava as palavras da canção, mostradas numa legenda, na parte de baixo da tela.

                                                          ***

Gasparzinho ganhou outros dois filmes animados, um em 1948 e o outro um ano depois. A exibição da terceira animação coincidiu com o lançamento do fantasminha nos quadrinhos.

As histórias foram criadas pela editora St. John e repetia no papel os enredos da tela. O protagonista procurava fazer amigos, mas sempre assustava involuntariamente as pessoas.

A primeira aventura, de 1949, é a que abre o álbum - a primeira página é mostrada abaixo. Cansado de afugentar todos com quem conversa, o personagem tenta se suicidar, pulando de um penhasco – sim, o público-alvo eram crianças.

Como é um fantasma, não morre. Mas isso o ajuda a encontrar um príncipe, de quem, enfim, fica amigo e passa a ajudar.

 

 Primeira história em quadrinhos de Gasparzinho, de 1949

 

A fase mais marcante do fantasminha nos quadrinhos teve início em 1952, com o lançamento de “Casper, the Friendly Ghost”.

A revista foi publicada por outra editora, a Harvey, que iria comprar em definitivo da Paramount, poucos anos depois, os direitos do personagem.

O álbum traz a primeira aventura pela Harvey. A coletânea, que vai até 1954, marca também o início de uma transição nos temas abordados – Gasparzinho não se limitava mais aos sustos involuntários que causava.

 As duas histórias inaugurais – a estreia na St. John e na Harvey – são as únicas da reeditadas em cores. Segundo Leslie Cabara, responsável pela reunião de histórias, a opção pelo preto-e-branco nas demais é para manter a qualidade do traço dos desenhos originais.

                                                         ***

Os quadrinhos da Harvey tinham o diferencial de serem produzidos por animadores do Famous Studios. Isso dava às aventuras um toque de desenho animado.

Todos esses detalhes são explicados numa longa introdução, assinada por Jerry Beck, que a edição nacional acerta em reproduzir e que pauta as informações desta resenha.

O senão do álbum é justamente esse, o de ficar extremamente ancorado na versão norte-americana, lançada pela editora Dark Horse.

Faltou à obra um texto que recuperasse a trajetória brasileira de Gasparzinho, o que aproximaria ainda mais o personagem às memórias dos leitores daqui.

                                                          ***

O fantasminha teve revista própria, publicada pela extinta editora da revista “O Cruzeiro”. Na década de 1970, migrou para a Vecchi e, depois, para a Globo - a partir de 1987.

Os antagonistas de suas histórias, como a bruxinha Luísa e o sarnento Lelo, também encabeçaram revistas em quadrinhos direcionadas ao leitor infantil.

Este novo álbum, ao contrário, alarga o público-alvo. Crianças podem até ler as aventuras ingênuas do fantasminha, mas o foco são mesmo os adultos, mesmo perfil de quem comprou os recentes livros de Luluzinha.

A Devir lançou a primeira coletânea da menina travessa em 2006, com boa repercussão entre os adultos. O fantasminha é um personagem com trajetória muito parecida à dela. A obra tem os quesitos para atingir o mesmo público.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 17h53
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Registros rápidos

 

Novo talento

O Salvador, de Elvis Israel. Crédito: tira fornecida pelo autor

A tira acima, batizada de "O Salvador", foi a vencedora do Concurso Nacional Novos Talentos de Humor, promovido pelo Risadia, encontro realizado nessa semana em São Paulo. O trabalho é de Elvis Israel. O autor mantém o blog "O Castelo Animado".

Sesinho adolescente

Sesinho é outro que virou adolescente. A mudança é para marcar o centésimo número da revista do personagem, que pode ser lida on-line. Os autores não descartam dar continuidade à experiência. Sesinho é mantido pelo Sesi e foi criado em 1947.

Lançamento 1

Edgar Franco lança neste mês o quarto número de "Artlectos e Pós-Humanos" (R$ 6), série com quadrinhos fantástico-filosóficos do autor. A obra é da Marca de Fantasia, de João Pessoa. As compras são feitas via site da editora.

Lançamento 2

O herói nacional Meteoro ganha uma nova revista, "Almanaque Meteoro" (R$ 5). O título foi lançado pelo Guedes Manifesto, selo editorial mantido por Roberto Guedes, que criou o personagem em 1992. A publicação também traz textos sobre a área de quadrinhos.

9ª Art

Um encontro vai reunir trabalhos de quadrinistas do Vale do Paraíba. Intitulada 9ª Art, a exposição tem início no dia 22 e vai até 4 de abril. A mostra pode ser vista no Vale Sul Shopping, em São José dos Campos, cidade do interior paulista.

Curso de quadrinhos

A PUC-RS vai hospedar um curso de extensão em histórias em quadrinhos, que é realizado pela terceira vez. Serão 13 encontros, nos sábados pela manhã. As aulas começam no dia 10 de abril. As inscrições podem ser feitas na pró-reitoria da universidade, em Porto Alegre.

Reino do Amanhã

A minissérie "Reino do Amanhã", que mostra um futuro possível de Super-Homem, Batman e outros heróis, teve o final ampliado na edição deste mês da revista "Liga da Justiça", da Panini (R$ 7,95). A história encerra uma longa saga da superequipe Sociedade da Justiça.

Nada ainda

A Panini ainda mantém a lei do silêncio entre os editores sobre a "revolução editorial" por que passarão as revistas de heróis. As poucas pistas se limitam às seções de cartas. Uma delas diz que as mudanças começam em maio. Um anúncio promete "novos títulos".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h36
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18.03.10

Atrasos da Via Lettera levam à dissolução do conselho da Front

 

Lado A Lado B, uma das histórias da nova Front

Lado A: segundo autores, volume está pronto desde fim de 2008, com histórias como esta

 

Lado A Lado B, uma das histórias da nova Front 

Lado B: Via Lettera credita o atraso a problemas financeiros e elogia fim do conselho

 

Os sete integrantes do conselho editorial da Front decidiram desfazer o grupo que cuidava da publicação, que reunia a cada número quadrinhos de diferentes autores.

O que motivou a decisão foram os sucessivos atrasos da Via Lettera no lançamento do novo número, o vigésimo da coleção.

Segundo os autores, a obra está pronta deste o final de 2008. Todas as histórias são sobre música, o tema da edição. Cada volume é dedicado a um assunto diferente.

A editora paulista foi comunicada da decisão por e-mail. A mensagem virtual foi encaminhada no último dia 11, sob o título “estamos nos desligando do conselho”.

                                                         ***

Os desenhistas disseram que, até o momento, não tiveram resposta. Ao blog, a editora credita o atraso a problemas financeiros e entende ser saudável a dissolução do conselho (leia o lado da editora na postagem abaixo).

No e-mail à editora, o grupo diz que o conselho “perdeu o sentido” e critica a falta de informação por parte da empresa, bem como os atrasos na edição.

“Por isso, somando esse atraso aos rumos que Via Lettera vem tomando, nós decidimos que a Música, quando for publicada, será a última colaboração deste atual conselho editorial com a Front”, escrevem, no e-mail à editora.

 “Vale dizer que isto não é necessariamente o fim da Front, nem que isto impeça que outras pessoas possam assumir o Conselho, se a editora assim quiser.”

                                                          ***

O atual conselho da Front era composto pelos quadrinistas Bira Dantas, Daniel Esteves, André Feitas, Mário César, Mário Cau, Sidney Akiyoshi e Will. A formação, com todos eles, existe desde 2008.

Cabia ao grupo a coordenação da lista de discussão, da qual participavam dezenas de autores. As conversas virtuais pautavam o tema da edição, os rumos das histórias e a definição de quais delas entrariam na obra impressa.

O livro chegava pronto à Via Lettera, que ficava encarregada da revisão, impressão e lançamento.

O primeiro número em papel foi o sétimo, publicado em abril de 2001. O último havia sido uma edição especial sobre o centenário da imigração japonesa, lançada no meio de 2008.

                                                          ***

O blog conversou por e-mail com os integrantes do conselho editorial da Front.

Nesta entrevista, eles detalham a dissolução do atual conselho e comentam o destino da publicação de quadrinhos, vencedora de oito troféus HQMix.

Os sete membros preferiram formular e assinar as respostas em conjunto, repetindo em palavras o modo como produzem a Front.

                                                         ***

Blog - O que pautou o fim?
Conselho editorial da Front
- A última edição da Front, o vigésimo número de tema Música, apesar de alguns atrasos, foi fechada no final de 2008. As primeiras previsões de lançamento ficaram para início de 2009. Porém a editora não conseguiu cumprir esse cronograma e com as cobranças do conselho e da própria lista de trabalho essas previsões foram sendo empurradas de tempos em tempos. Pra março de 2009. Depois junho de 2009. Depois pro HQMix (agosto de 2009) e logo em seguida para o FIQ [Festival Internacional de Quadrinhos] (outubro de 2009). Em últimas conversas com a editora, nos foi garantido que a Front sairia no início desse ano, logo após a publicação do álbum “O Mistério da Mula sem Cabeça” do Alex Mir, do Laudo Ferreira e do Omar Viñole. Porém, mais uma vez ficamos tanto sem o lançamento como sem notícias do que aconteceria. Em última conversa com a editora nos foi dito que ainda existe o interesse em publicar a edição, no entanto a mesma não pode dar uma previsão para isso. Frente a esse tipo de coisa e desanimados com os rumos da publicação, o atual conselho preferiu abandonar suas funções, num misto de protesto e de falta de motivos pra continuar existindo. Gostaríamos muito de ter essa edição já lançada e nosso problema ser discutir as próximas. Mas como fazer isso se ainda nem sabemos quando a Música sairá? Como continuar coeditando uma publicação que nem sequer existe? Qual a função do atual conselho nesse momento?

Blog  - Qual será o destino da Front?
Conselho
- Todos do conselho esperam muito que a Front continue. Tanto é que nenhum dos membros se desvinculou por completo da Front, apenas saímos do conselho editorial. Mas é difícil prever o que acontecerá. Fato é que existe uma ótima edição diagramada e pronta pra ser lançada já há mais de um ano. Quando isso vai acontecer foge do nosso controle. Alguns falam que é o FIM da Front, mas não é a primeira vez que isso é dito e não dá pra ter certeza se a publicação vai ou não continuar. Outros chegaram a cogitar continuar por outra editora, ou até de forma independente, mas o conselho pensa que a Front não é a única possibilidade de se publicar HQs no Brasil e por isso novas iniciativas podem ser pensadas por membros da Front, mas sem ter necessariamente esse nome. Tanto é que muitos que nela publicam atualmente, ou que publicaram antes, também produzem outros materiais, seja em coletâneas ou individualmente e várias parcerias e novas publicações surgiram a partir da Front. O conselho, apesar de dissolvido, ainda discute algumas coisas a respeito da atual edição, já que foi ainda um fruto de sua gestão. Estamos até mesmo pensando em disponibilizar essa edição pronta em algum site para as pessoas conhecerem o material e divulgá-la, ainda contando com a publicação futura dela. Porém, nesse caso ainda precisamos da autorização de todos os autores que dela fazem parte. E muito se conversa na lista a respeito do que acontecerá daqui pra frente. O que podemos dizer de concreto mesmo é que no mínimo existe mais uma Front pra ser lançada, ou um álbum fruto dos trabalhos frontianos.

                                                          ***

Leia na postagem abaixo o posicionamento da Via Lettera sobre o assunto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h01
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Outro lado: Via Lettera credita atraso a problemas financeiros

Segundo Roberto Gobatto, editor da Via Lettera, a empresa passa por problemas financeiros, que exigiram repensar o cronograma das publicações em quadrinhos, entre elas o vigésimo número da "Front".

No entender dele, a saúde das finanças foi reflexo de erros administrativos. "Erros na condução do negócio nos limitaram, endividaram a editora, depreciaram a marca."

Gobatto considera saudável a dissolução do conselho responsável pela Front e vê no gesto uma tentativa de rotulá-lo como o vilão da história.

"Não me sensibiliza a dissolução do conselho, cheira a rato abandonando o navio", diz.

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O blog entrou em contato com o editor por e-mail. Foram feitas três perguntas:

- Os autores dizem que o volume 20 foi finalizado no fim de 2008 e que houve sucessivas remarcações de datas de lançameno ao longo de 2009, a última para o início deste ano. O que fez com que a obra não fosse editada até agora?
 
- A editora ainda tem interesse na Front e também neste último volume?
 
- Como a editora viu a dissolução do atual conselho da obra?

Roberto Gobatto formulou as respostas num longo texto, que o blog reproduz a seguir:

                                                          *** 

Começo com um “INFELIZMENTE”, sonoro. Infelizmente estamos com sérias dificuldades financeiras. Isso não é segredo para ninguém. Estamos há mais de um ano retrabalhando contratos, renegociando com credores, reorganizando a casa e reinventando ações que preveem o mínimo de perda para a editora. Vamos aos fatos:

- Nunca existiu uma falta de posicionamento da editora quanto à data de impressão e distribuição do livro. O que sempre existiu é a necessidade de – como já disse – reinventar-se a cada semana. Nosso planejamento previa livros A, B e C. Acontece que, por força de contrato, muitas vezes com entidades públicas, livro B seria substituído por livro D e assim se fez até agora com todos os livros do casting. Não é só o Front que carece de data definida e foi adiado milhares de vezes, temos aí nesse bojo:

- Bone 14
- Livro negro da psicanálise
- Castelo Adormecido
- Almanaque da Cultura Pop Japonesa (2ª edição)
- Love & Rockets (Mechanics)
- Usagui... Dentre outros.
 
Deu pra perceber o drama? Estamos em um mercado cada dia mais voltado a mídia de massa e aos “sucessos” passageiros. Evidente que algumas decisões administrativas equivocadas nos levaram a essa descida, pois é, não vamos evitar esse assunto. Erros na condução do negócio nos limitaram, endividaram a editora, depreciaram a marca. A conseqüência disso é o atraso nas publicações, na remuneração dos direitos autorais, troca constante de quadro de funcionários e diversos problemas que muitos empresários já passaram ou passam por isso. Aconteceu com Stan Lee...

Hoje, nosso quadro de publicações depende muito da performance anterior do livro. A Front é um livro que nunca foi pensado para ser um livro com força de venda. A Via Lettera chegou à conclusão que isso deve ser repensado. Com isso criamos um sério problema, a tal dúvida filosófica, como podemos sustentar uma publicação que não tem como finalidade principal ser um sucesso de vendas e sequer tem capacidade para pagar a tiragem a preço de custo? Não podemos mudar o direcionamento da publicação sem afetar humores, amores, vaidades, e, evidentemente a dedicação de profissionais capacitados que pensam a publicação com essa direção.

Particularmente, não vou dizer que a Front seja meu livro preferido e é um livro que já existia antes de mim aqui na editora, muito antes. Respondendo pela editora, é lamentável isso acontecer e estamos e estaremos sempre abertos ao diálogo para qualquer participante da lista do Front.

Ainda respondendo a suas perguntas:

Acho saudável a dissolução do conselho. Nada é eterno. Mudar é bom. Resistir, sobreviver, insistir, rever, refazer... Particularmente estou cansado de ser visto como o inimigo da pureza da arte. A editora capitalista, devoradora e exploradora do talento alheio. Não visto a capa de vilão. Não me sensibiliza a dissolução do conselho, cheira a rato abandonando o navio, no momento, sou o capitão e vou continuar nesse navio. Não é falta de inteligência, é coragem e ousadia. Quem vai à batalha tem que ter a certeza de que será alvejado. Os corajosos lutam e assumem o Front.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 08h33
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17.03.10

Overdose de lançamentos no fim de semana em São Paulo

 

Café Espacial 6. Crédito: divulgação

 

Uma concentração de lançamentos de quadrinhos recheia a agenda noturna da próxima sexta-feira e sábado em São Paulo.

A programação inclui seis novos títulos:  "Almanaque Gótico", "Capitu", "Jam", "Enquanto Isso...", de Will, "Mariazinha" e o sexto número da "Café Espacial".

Esta primeira edição do ano da "Café Espacial" - capa aberta no início da postagem - traz sete histórias em quadrinhos de autores nacionais.

Criada em 2007, a revista venceu o Troféu HQMix no ano passado como melhor revista independente de grupo.

                                                           ***

Serviço - Lançamentos de obras em quadrinhos em São Paulo. Quando: sexta-feira, "Almanaque Gótico", "Capitu", "Jam" e "Mariazinha"; sábado, "Café Espacial" e "Enquanto Isso...". Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h44
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Folha de S.Paulo vai reeditar tiras de Glauco por um ano

 

Geraldão, de Glauco. Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Glauco vai continuar na página de tiras da "Folha de S.Paulo". O jornal decidiu relançar, pelo período de um ano, uma seleção de histórias criadas por ele.

A edição desta quarta-feira, mostrada acima, traz a estreia de Geraldão, que começou a ser publicado no jornal em 4 de outubro de 1983.

Desde então, o desenhista criou uma série de personagens, que tinham em comum as neuroses urbanas.

A Folha tem procurado manter vivo o trabalho do quadrinista, assassinado na sexta-feira passada. O jornal publicou ontem um "Gibi do Glauco", coletânea de desenhos dele.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h26
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16.03.10

Brabos Comics, prontos a serem descobertos

 

Brabos Comics. Reprodução do blog do autor

 

Brabos Comics. Reprodução do blog do autor

 

Os jornais, já não é de hoje, não são mais hegemônicos na divulgação das tiras cômicas. Por ser curto, o gênero dos quadrinhos encontrou na internet uma janela atraente para os desenhistas exporem seus trabalhos.

Mesmo quem publica nos diários impressos tende a reproduzir as histórias de humor na internet, ultrapassando os limites regionais.

É o caminho que faz, por exemplo, Pablo Mayer, autor que tem se destacado no vasto universo virtual e que está pronto para ser (re)descoberto. O desenhista de 23 anos produz tiras no jornal "A Notícia", de Joinville (SC), onde mora.

O que o leitor acompanha no papel, pouco depois, migra para a tela do computador, no blog “Brabos Comics”, mantido por ele.

                                                          ***

"O retorno da internet é mais rápido e mais abrangente. Pessoas do Brasil inteiro podem ler meus quadrinhos", diz Mayer, por e-mail.

Ele pondera, no entanto, que não estaria criando as tiras se não fosse pelo jornal, uma de suas fontes de renda - não se vive só de tiras.

O nome da série surgiu por falta de opção. Segundo o desenhista, os títulos legais - como Chiclete com Banana - já haviam sido usados.

"O Brabos vem de uns quadrinhos e animações que eu fazia ainda no colégio, foi o único nome que pensei na hora de nomear as tiras", diz. "Depois virou nome do blog."

 

 

Brabos Comics. Reprodução do blog do autor

 

As tiras não têm personagem fixo, tendência que tem ganhado corpo no Brasil nos últimos dez, quinze anos.

As histórias de humor abordam temas dos mais variados. O limite é a sacada diária do desenhista.

"Gosto da idéia de não usar personagens fixos, como as sketches do [grupo de atores britânico] Monty Phyton, por exemplo", diz o desenhista, nascido em Curitiba (PR).

"Numa tira de personagem, os leitores tem maior identificação, mas ter um personagem pré-definido é, por muitas vezes, limitado. Em tiras soltas, sem personagens fixos, dá para brincar sem restrições."

                                                         ***

O trabalho com as tiras, diz, muda um pouco o modo de enxergar o mundo. As cenas da vida são quebradas em quadros, finalizados com um toque de humor.

"Chega uma hora você acaba criando ´um terceiro quadrinho´ em tudo. O cérebro já fica ligado e absorvendo a realidade para transformá-la em uma piada."

Nascido em Curitiba (PR), Mayer desenha desde criança. Teve forte influência do pai, também desenhista e artista plástico.

O início foi via animação. Fez charges animadas para um candidato da região. A estreia profissional com tiras foi aos 18 anos, em outro jornal. A série se chamava "Água da Torneira".

 

 

Brabos Comics. Reprodução do blog do autor

 

"Brabos Comics" é uma volta ao gênero. Entre os 18 e os 23 anos, tomou atalhos em narrativas mais longas, como "A Casa do Lado", história de mistério escrita por Diogo César, lançada pela editora HQM.

Mas o vai-e-vem entre gêneros parece ser a tônica de sua produção. Ele colabora na revista "Mad" e desenvolve com Ricardo Giassetti um álbum intitulado "Os Passos", também perto de ser descoberto.

"Os Passos conta a história de Davi Correia, um hacker viciado em informação envolvido com o Partido Pirata. A trama tem ação, aventura, humor (claro) e mistério."

"Lida com o tema de liberdade de informação – pirataria digital, conspirações, etc – usa como cenário principal uma cidade comandada por velhinhos donos de uma fábrica de refrigerante de maçã." 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h40
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Folha publica coletânea de quadrinhos de Glauco

As homenagens a Glauco continuam. A "Folha de S.Paulo" circula na edição desta terça-feira um suplemento com charges, tiras e cartuns feitos pelo desenhista durante os 33 anos em que trabalhou para o jornal.

"Gibi do Glauco", nome do caderno especial de 32 páginas, faz um mosaico da produção do quadrinista, assassinado na sexta-feira passada.

Há desde o primeiro cartum, publicado em 26 de março de 1977, a trabalhos realizados nos últimos anos.

Além dos desenhos iniciais, o suplemento traz charges dele, separadas de acordo com o mandato presidencial da época: José Sarney (1985-1990), Fernando Collor de Mello (1990-1992), Itamar Franco (1992-1994), Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) e Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010).

                                                           ***

A metade final do caderno especial é dedicada às tiras e aos vários personagens criados por Glauco. Cada criação é acompanhada de um resumo.

Geraldão, seu neurótico mais famoso e, por isso, mostrado na capa, abre a coletânea. 

A ele seguem Geraldinho, Casal Neuras, Dona Marta, Nojinsk, Ozetês, Doy Jorge, Zé do Apocalipse, Edmar Bregman, Módulo Lunático, Vicente Tarente, Zé Malária, Faquinha, Cacique Jaraguá e a autobiográfica BR-3, a Banda, da qual o desenhista fez parte. 

"Gibi do Glauco" traz também uma das histórias de "Los Tres Amigos", série que Glauco criou em parceria com os amigos Angeli e Laerte. Adão Iturrusgarai se tornou, depois, o quarto integrante do trio - por mais contraditória que a soma seja.

                                                          ***

Na página de tiras da Folha, houve duas outras homenagens.

Uma de Angeli, que se desenhou escrevendo a nanquim o nome de Glauco no braço.

A outra foi de Adão Iturrusgarai. O quadrinista fez uma alusão às histórias da série "Anos de Análise", criadas por ele:

 

Mundo Monstro, de Adão Iturrusgarai. Crédito: versão on-line da Folha de S.Paulo     

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h40
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15.03.10

Uma tira (em tom de homenagem) que merece registro

 

Caco Galhardo. Reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Tira de Caco Galhardo, na edição desta segunda-feira da "Folha de S.Paulo".

Foi uma forma de manter o trabalho de Glauco vivo na página de tiras.

A última história criada por ele foi publicada na edição de ontem do jornal.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h10
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14.03.10

Imprensa dá a Glauco tratamento à altura da importância dele

 

Geraldão e Geraldinho, personagens de Glauco

 

 

 

 

Geraldo de Geraldinho, personagens do desenhista

 

 

 

 

 



O desenhista Jean assinou a charge da edição deste domingo da “Folha de S.Paulo”. O humor se ancorava na disputa entre os pré-candidatos presidenciais Dilma Roussef e José Serra, mediados por Lula, na hora de inaugurar uma obra.

O diferencial do trabalho é que reproduziu o estilo que marcou Glauco nas últimas três décadas, inclusive no privilegiado espaço de charges do jornal. Jean dedicou o desenho ao colega. Até intitulou como “Casal Neuras”, alusão a uma das criações de Glauco.

Na véspera, a Folha, jornal onde Glauco trabalhava desde o final da década de 1970, fez uma homenagem histórica ao quadrinista. O espaço de todas as ilustrações não foi preenchido. Charge, ilustrações, todas as tiras, tudo ficou vazio, num branco que fez as vezes do negro no luto.

A Folha produziu, também no sábado, um caderno especial, de seis páginas. A convite do jornal, autores gráficos fizeram desenhos para marcar a morte do colega. O de maior destaque foi o assinado em conjunto por  Angeli e Laerte, órfãos do amigo com quem compunham a série "Los Três Amigos".

A ilustração de Angeli e Laerte representou em desenho o sentimento da perda. Mostrava um fragmento de uma escura metrópole. Os prédios traziam placas com os nomes motel, sex, drive thru, cartel, próprios do universo de personagens criado por Glauco. No centro, em primeiro plano, havia uma árvore branca, com o rosto de um Geraldão atônito. 

O solteirão neurótico foi o personagem de Glauco mais usado nas várias homenagens visuais que tomaram conta da internet e de telejornais desde a sexta-feira, dia 12, data da morte do desenhista, então com 53 anos.

Os trabalhos foram a forma encontrada por muitos quadrinistas de expressar o que as palavras dificilmente poderiam explicar. Habituados a acompanharem Glauco nas seções de humor, acordaram com o rosto e os personagens dele em destaque na pauta policial.

Glauco Vilas Boas havia sido assassinado na madrugada daquela sexta-feira, pouco depois da meia-noite, na fazenda onde morava, em Osasco, na Grande São Paulo. Os tiros fatais atingiram também o filho dele, Raoni, de 25 anos.

Desde então, a imprensa tem dado ao caso um destaque digno da importância do desenhista, algo incomum na mídia brasileira quando o assunto é quadrinhos.

Os sites noticiosos já punham o assunto como a principal manchete do dia na manhã da sexta. Os telejornais de fim de noite iniciaram as edições com a morte e a vida de Glauco.

Os principais jornais do país estamparam na capa das edições de sábado fotos de Glauco e desenhos de Geraldão, alguns com maior espaço do que a Folha, caso do “Jornal da Tarde”, ligado ao grupo do concorrente “O Estado de S. Paulo”.

Os depoimentos de colegas e de pessoas ligadas direta ou indiretamente à área ajudaram a construir uma imagem de como o desenhista era por trás dos quadrinhos que fazia. Pessoa tímida, doce, inteligente, desapegada, inclusive dos prazos de entrega dos trabalhos.

Houve também – sempre há – alguns oportunistas que se aproveitaram do caso. Como certa autoridade que analisou com suposta propriedade o traço do desenhista menos de um ano depois de classificar como “um horror” o estilo de autores que dividem com Glauco a página de tiras da Folha.

Alguns dos depoimentos, por mais bem intencionados que fossem, externavam um profundo desconhecimento sobre a área. Mais de uma pessoa viu no desenho de Glauco um estilo infantilizado. Confusão entre traço pueril com simplificado e, por isso mesmo, rico.

Quem corrigia era o próprio desenhista, em entrevista de 2003, num diálogo póstumo com esses autores: “Tentei usar o computador para desenhar, mas meu desenho sai como se fosse de uma criança”. Não era, portanto, um estilo infantilizado.

No geral, no entanto, a morte de Glauco – injustificável por todos os ângulos por onde se olhe – pôs em evidência para a sociedade – inclusive para quem nunca o tinha lido – a importância que ele teve para a consolidação do humor e dos quadrinhos nacionais no passado recente do país.  

Glauco se destacou nacionalmente nos salões de humor de Piracicaba de 1977 e de 1978, premiado em primeiro e segundo lugares, respectivamente, com desenhos que criticavam, com seu tradicional humor, a falta de liberdade no período militar (1964-1985).

Na mesma década, começou a fazer trabalhos eventuais para a Folha, até que estreou Geraldão no espaço de tiras do jornal. A retrospectiva de sua morte ajudou a precisar a data da primeira história: 4 de outubro de 1983, e não 1984, como se imaginava antes. Em abril de 1985, criou Geraldinho, versão infantil do personagem.

O solteirão foi sua criação mais famosa, popularidade reforçada pelo uso dele na maioria dos desenhos feitos em homenagem a Glauco nos dois últimos dias. Foi um personagem que deu o tom dos demais seres com quem iria dividir o espaço diário de tiras nos anos e décadas seguintes.

Glauco era hábil em encarnar as neuroses sociais em seus personagens. De uma funcionária tarada – Dona Marta – ao problemático relacionamento conjugal – Casal Neuras, que assume a neurose no nome. De um homem obcecado pelo fim do mundo – Zé do Apocalipse – a um  drogadito – Doy Jorge.

A tendência em representar a neurose, embora não fosse regra, sintetizava o modo de ser de muitas de suas criações, ao mesmo tempo em que as distinguia das do amigo Angeli, vizinho da parte nacional das tiras da Folha. O autor de “Chiclete com Banana” moldava tipos urbanos. Glauco, as neuroses urbanas.

Geraldão ganhou revista própria pela Circo Editorial. Pela mesma editora, Glauco dividiu trabalhos com os parceiros Angeli e Laerte. O livro “Três Mãos Bobas”, lançado pela Devir em 2006, reúne algumas dessas parcerias feitas a várias mãos.

O ápice, no entanto, se deu com “Los Três Amigos”, sátira dos filmes de faoreste. Laerte era Laerton; Angeli, Angel Villa; Glauco; Glauquito. Riam deles mesmos nos desenhos que faziam de si. Não por acaso, Angeli declarou que, com a morte do amigo, perdia parte de sua história.

O trio ajudou a redefinir o humor brasileiro no período pós-ditadura, época em que as liberdades eram postas à prova. E Glauco a pôs, justamente com sua criação mais conhecida. Geraldão, que de início andava pela casa com uma cuecona de elástico solto, foi mostrado completamente nu, com a genitália desnuda, como ficou conhecido o caso.

Para dar a justa medida do caso: foi a primeira vez que um protagonista de tiras cômicas brasileiras passou a ser representado sem roupa, maneira provocadora de testar a liberdade democrática. O caso é histórico e precisa ser relembrado em futuras obras que se proponham a explicar a trajetória das tiras no Brasil.

Geraldão, os demais personagens de Glauco e também os de Angeli ajudaram a tornar as tiras cômicas brasileiras definitivamente adultas, terreno que já vinha sendo trilhado, na década de 1970, por Edgar Vasques, Henfil e Ciça.

No plano pessoal, como foi tão noticiado nos últimos dias, Glauco se tornou um dos fundadores e dirigentes da igreja Céu de Maria, ligada à filosofia do Santo Daime. No plano profissional, continuou com os trabalhos da Folha.

Nas charge para o jornal, seu estilo cartunizado ajudava a fazer um contraponto mais leve e humorístico, sem perder a criticidade, aos trabalhos ácidos do amigo Angeli. Nas tiras, Glauco continuou alternando os personagens antigos com outros, novos, com suas neuroses peculiares.

As tiras dele neste século já não tinham o mesmo impacto provocador das duas décadas anteriores. Isso não tira a importância delas, nem seu valor. Ao contrário do colega Laerte, vizinho de página, que abandonou os personagens fixos e se reinventou no gênero – e o gênero em si –, Glauco se manteve fiel ao uso de suas criações.

Os corpos de Glauco e de seu filho foram enterrados no sábado de manhã no Cemitério Parque Gethsemani Anhanguera, em Osasco. Com o enterro, o noticiário tende a deixar de equilibrar a importância do quadrinista com as informações sobre sua morte.

As investigações sobre o suspeito do crime – inocente até que seja julgado, não custa registrar – vão nortear o noticiário policial, como já vem ocorrendo desde a tarde deste domingo. É de se esperar também pautas sobre o entorno do caso: drogas, comportamento errático, cultos religiosos.

Do ponto de vista do leitor, tais notícias não irão preencher o vácuo deixado na página de tiras da Folha, espaço que Glauco ajudou a tornar tão popular na imprensa brasileira. Mesmo que seus personagens já não tivessem o mesmo impacto de antes, era como se fossem pessoas próximas, que costumamos ver todos os dias. E que, abruptamente, não veremos mais.

O novo editor-executivo da “Folha de S.Paulo”, Sérgio Dávila, que assume o cargo nesta segunda-feira, disse em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo” que a página de tiras será remanejada. A última história foi publicada neste domingo. Dávila reforçou, acertadamente, que Glauco é insubstituível.

Como disse Laerte, “perde-se uma pessoa maravilhosa e doce, mas o trabalho dele fica”.

Fica mesmo, Laerte.

O que a imprensa noticiou nos últimos dias ajudou a relembrar à sociedade a importância do desenhista e deu a ele o merecido destaque histórico que sempre teve.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h08
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A última tira de Glauco na Folha

 

Dona Marta, de Glauco. Crédito: versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Tira de "Dona Marta", de Glauco, publicada neste domingo na "Folha de S.Paulo".

Segundo o jornal, é a última tira produzida pelo desenhista, assassinado na sexta-feira.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h57
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12.03.10

Glauco (1957-2010)

 

Crédito: Bel Pedrosa, arquivo da Folha Online

 

 

 

Desenhista foi assassinado na madrugada desta sexta-feira em Osasco, na Grande São Paulo

 

 

 

 

Dona Marta, de Glauco. Reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

A tira de "Dona Marta", publicada na edição desta sexta-feira do jornal "Folha de S.Paulo", mostrava a personagem de Glauco numa disputa armada com seu chefe.

Numa daquelas inexplicáveis ironias, o criador da tira vivia situação semelhante em Osasco, na Grande São Paulo. A diferença é que as palavras dos assaltantes não ficaram apenas na ameaça.

O desenhista de 53 anos e um de seus filhos, Raoni, de 25, foram assassinados na frente da casa na madrugada desta sexta-feira.

O velório será na própria casa, que serve também de sede para a igreja Céu de Maria, fundada por ele e ligada à filosofia do Santo Daime.

                                                         ***

A polícia ainda investiga o caso. Uma das versões foi reportada pelo advogado do desenhista, Ricardo Handro, à "Folha Online". Segundo Handro, a casa teria sido invadida por volta da meia-noite por dois homens armados.

O desenhista e a esposa teriam sido agredidos. Ficou acertado que sairiam, possivelmente para sacar dinheiro.

Quando saíam, chegava Raoni. Ao ver o pai sangrando e com uma arma apontada para ele, houve discussão e os tiros fatais.

Há outra versão, noticiada no fim da manhã pela rádio CBN. Pai e filho estariam circulando pela rua, perto de casa, quando foram abordados.

                                                           ***

Na internet, por e-mail e via Twitter, já circulam manifestações de desenhistas a respeito da morte de Glauco.

O tom das manifestações é o da incredulidade e do inconformismo sobre a violência urbana, aliado às memórias sobre os contatos com ele.

Paranaense, natrual de Jandaia do Sul, Glauco Villas-Boas ganhou destaque após vencer, em 1977 e1978, o Salão de Humor de Piracicaba.

Pouco depois, estreava na "Folha de S.Paulo". Inicialmente como colaborador eventual, ele passou a fixo em 1984, com a tira "Geraldão".

                                                          ***

"Geraldão" não foi sua única criação - houve também Zé do Apocalipse, Dona Marta, Doy Jorge, Casal Neuras e tantos outras. Mas o filho folgado é seguramente a de maior repercussão, dentro e fora do jornal.

Na Folha, foi histórica a nudez do personagem. De início apenas com uma cueca, que ficava sempre segurando, ele foi depois mostrado totalmente nu, algo que só foi possível por conta do período democrático.

O personagem teve revista em quadrinhos própria, lançada pela Circo Editorial. Houve outros ensaios de volta às bancas, sem sucesso.

Nos últimos anos, ganhou três coletâneas em formato de bolso publicadas pela L&PM. A editora gaúcha lançou também uma reunião de charges feitas para a Folha, "Abobrinhas da Brasilônia".

                                                          ***

O livro de charges traz um prefácio da Angeli, autor das tiras de "Chiclete com Banana" e que criou com Laerte e Angeli as histórias de "Los Três Amigos", sátira das histórias de faroeste, que tinha como protagonistas o trio de desenhistas.

No prafácio, Angeli brincava que havia encontrado em Glauco um nariz maior que o seu.

"Mas deixando o nariz de lado - o que é difícil devido a seu tamanho - Glauco chegou arrasando. Os carrascos habitavam com desenvoltura o humor brasileiro."

"Nós, cartunistas, com raras exceções, tratávamos essas repelentes figuras como um monstro invencível. Efeitos de uma época."

                                                          ***

"Mas Glauco apareceu com um cartum onde o torturado, pendurado pelas mãos por fortes correntes, estica a perna para alcançar o traseiro do sisudo carrasco e, com cara de safado, diz: ´Bundão, hein?´"

"Quebrou tudo. Foi-se pras picas toda aquela oposição respeitosa que fazíamos nos últimos anos do governo Geisel."

E finaliza: "Glauco, em companhia de seu nariz, desarticulou o aparelho e tornou públicas nossas fraquezas."

"Mostrou que humorista só presta mesmo para fazer humor e mais nada."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h29
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11.03.10

Um jornal brasileiro - enfim - publica coleção de HQ

A notícia é do blog "Gibizada", mas merece repercussão aqui também. Um jornal brasileiro, enfim, vai publicar uma coleção de histórias em quadrinhos junto com a edição impressa.

A iniciativa é do "Extra", do Rio de Janeiro. O diário vai lançar obras da coleção Literatura Brasileira em Quadrinhos, da editora Escala, já vendidas em livrarias há alguns anos.

Serão dez volumes semanais, a R$ 5,90 cada um. A estreia ocorre na semana que vem, no dia 17. O primeiro título será "Triste Fim de Policarpo Quaresma".

Os demais são adaptações de "Memórias Póstumas de Brás Cubas", "Memórias de um Sargento de Milícias", "O Cortiço", "Nova Califórnia", "A Cartomante", "O Enfermeiro", "O Alienista", "O Homem que Sabia Javanês" e "A Cartomante", este para 19 de maio.

                                                          ***

Há iniciativas pontuais de publicação de obras em quadrinhos nos jornais brasileiros, como ocorreu com a série de tiras "Cabeça Oca", em Goiás. Mas, como dito, são casos pontuais.

Na Argentina, a venda de coleções em quadrinhos com os diários do país é uma estratégia comercial recorrente e existe desde 2003.

Neste ano, o diário "Clarín", um dos principais de lá, publica uma série de volumes com aventuras do Homem-Aranha.

A revista "Ñ", também ligada ao "Clarín", iniciou outra coleção, com histórias de Corto Maltese, aventureiro criado pelo italiano Milo Manara.

                                                          ***

Post postagem (11.03, às 17h38) - O criador de Corto Maltese é Hugo Pratt, e não Milo Manara, como inexplicavelmente registro nesta postagem. Fica a correção. Agradeço a todos os que tiveram a atenção de me avisar sobre a troca dos nomes (preciso de férias...).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h56
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09.03.10

O triste fim de Policarpo marca o feliz retorno de Edgar Vasques

 

Triste Fim de Policarpo Quaresma. Crédito: reprodução do blog do autor

 


A adaptação de “Triste Fim de Policarpo Quaresma” marca o feliz retorno do desenhista Edgar Vasques às histórias em quadrinhos mais longas.

Mesmo que a concepção da história não seja dele – o livro de Lima Barreto foi adaptado por Flávio Braga –, percebe-se a presença do artista gaúcho na resolução visual dada a trechos do romance.

A recriação da narrativa e imagens – processo subjetivo, portanto – é o que singulariza ao mesmo tempo em que distancia uma adaptação se comparada ao texto fonte.

E, nas mãos de um Edgar Vasques, as chances de o resultado final serem atraentes são sempre maiores.

                                                          ***

A obra se limita aos principais trechos narrativos do romance, processo semelhante ao de muitos outros adaptações literárias em quadrinhos.

O militar Policarpo Quaresma é tido como louco por conta do nacionalismo exacerbado, mas sai da reclusão para defender a pátria que tanto ama.

Diante da simplificação em fragmentos centrais da trama, é justamente a presença do desenhista que dá o sabor desta versão quadrinística, à venda desde fevereiro (Desiderata, 72 págs., R$ 44,90).

Muito do interesse nessa versão é saber – e ver – as soluções visuais dadas por ele aos diferentes trechos quadrinizados.

                                                          ***

Vasques vive a área de quadrinhos desde a década de 1970, quando criou o esfomeado Rango, retrato da pobreza brasileira.

As tiras do personagem, fartamente editadas e relançadas pela L&PM, são ainda sua criação mais conhecida.

Mas há outras, mais longas, em que a veia autoral de Vasques fica mais à mostra.

São dele trabalhos como a pouco conhecida história do Rio Grande do Sul e “Sottovoce, a Morte Fala Baixo”, lançado há 12 anos e já merecedor de ser redescoberto editorialmente.

                                                          ***

Ter Edgar Vasques numa adaptação é uma sombra do que ele pode produzir.

As editoras veem em autores como ele a oportunidade de produzir, com um pouco mais de qualidade, obras literárias em quadrinhos sob medida para listas governamentais, criadas com base em autores em domínio público – bebe-se da popularidade deles a custo zero.

As empresas editoriais, não custa registrar, estão no direito delas. Uma venda dessas é um bom negócio.

                                                          ***

Houve sensíveis avanços na inclusão de quadrinhos na escola via governo federal. Isso não se discute.

Mas alguém precisa lembrar às autoridades do Ministério da Educação que álbuns como este “Triste Fim de Policarpo Quaresma” não são iguais à obra original, nem a substituem.

Também não há ainda nada que comprove a premissa imaginária de que vá instigar a leitura do romance.

Não custa registrar também que custa três vezes mais do que o livro de Lima Barreto. Do ponto de vista da uso de verba pública, é algo, no mínimo, questionável.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h54
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08.03.10

Invasão dos Mortos mostra epidemia do além na Terra

 

Invasão dos Mortos. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Álbum escrito por Phil Hester e desenhado por John McCrea e Will Volley começou a ser vendido neste mês 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagine que os falecidos encontrassem um jeito de voltar à Terra, ocupando o corpo dos vivos. É a premissa de "Invasão dos Mortos", álbum que começou a ser vendido em lojas de quarinhos neste mês (Gal, 112 págs., R$ 29,90).

Na história, a tal invasão tomou posse de tantos corpos que se tornou epidemia. As autoridades norte-americanas logo entram em ação, alertadas por dois comportamentos.

O primeiro é o fato de os alvos serem pessoas jovens. O segundo comportamento é os mortos, agora vivos, se dirigirem à cidade de Winnipeg, no Canadá.

Por quê? Está lançado o mistério, que conduzirá os quatro capítulos da série, compilados em forma de livro.

                                                         ***

O caso passa a ser capitaneado pela agente Melissa Nguyen e pelo cético Antoine Sharpe, consultor chamado em casos de difícil explicação, como este.

A incredulidade de Sharpe e a dureza com que lida com a situação são elementos que ajudam a dar carisma ao personagem e, por consequência, à narrativa de Phil Hester.

Para quem acompanha histórias de super-heróis, o nome de Hester talvez seja familiar. Foram dele os desenhos de muitas histórias do Arqueiro Verde, personagem da editora DC Comics, já  publicadas no Brasil pela editora Panini.

A novidade é vê-lo no roteiro. Ele se sai bem. Constrói uma história bem amarrada, que consegue deixar o leitor curioso.

                                                         ***

Os desenhos do álbum foram divididos entre John McCrea - outro nome conhecido dos títulos de heróis - e Will Volley, que possui um estilo bem diferente do colega.

"Invasão dos Mortos" é a primeira obra do ano lançada pela Gal, que tem somado bons títulos em seu catálogo.

Este trabalho é interessante, mas não excepcional, como apregoam as citações extraídas da imprensa, lidas no verso e até na capa da obra - recurso muito usado pela editora.

É mais ou menos como "Guerra ao Terror", vencedor do Oscar de melhor filme, no último domingo. É correto, bem feito e entretém. Mas você já viu produções melhores.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h46
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Lembranças da Dundum

 

Mundo Monstro. Crédito: versão on-line da Folha de S.Paulo

 

A tira autobiográfica de Adão Iturrusgarai foi publicada na edição desta segunda-feira da "Folha de S.Paulo" e lembra uma das polêmicas envolvendo os quadrinhos no país.

A "Dundum" a que ele se refere foi produzida há cerca de 20 anos em Porto Alegre e contava com trabalhos de Adão e de outros autores, como Gilmar Rodrigues e Eloar Guazzelli.

Os quadrinistas tiveram apoio municipal para produzir a revista. Foram acusados pela oposição de mau uso do dinheiro público. 

O grupo teve de discutir o caso na justiça. Os autores foram inocentados.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h46
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02.03.10

Duas tiras - de Laerte - que merecem registro

 

Piratas do Tietê. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo

 

Piratas do Tietê. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo

 

Da série "Piratas do Tietê", de Laerte, nas edições de ontem e de hoje da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h29
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01.03.10

Welcome back, Preacher. Again

 

Preacher - Salvação. Crédito: reprodução do blog da editora

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Preacher - Salvação", álbum que marca o retorno da série norte-americana no Brasil 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esperança e frustração. As duas palavras, semanticamente opostas, sintetizam a trajetória de Preacher no Brasil.

A série norte-americana estreou no século passado, ganhou revista própria, cancelada a poucos números do final da saga. 

Reestreou em 2006 em outra editora, novamente do início, na forma de coletâneas.

Teve alguns álbuns, trocou de editora, ganhou mais obras, outra mudança editorial e se chega a este "Preacher - Salvação", à venda em lojas de quadrinhos desde a semana passada (Panini, 260 págs., R$ 62).

                                                         ***

A nova casa optou - acertadamente - em dar sequência à série do ponto onde a editora anterior, Pixel, havia parado.

O álbum compila os números 41 a 50 do título, publicado nos Estados Unidos pela Vertigo, selo editorial da DC Comics, mesma empresa de Batman e Super-Homem.

Para quem não conhece a série, é um bom ponto de entrada. O protagonista, o durão Jesse Custer, procura um tempo para si mesmo na pequena Salvation, no Texas.

Lá, torna-se xerife, reencontra sua mãe, tida como morta, e enfrenta um poderoso empresário local, Odin Quincannon.

                                                          ***

Quincannon repete uma característica do escritor Garth Ennis, impregnada em Preacher do início ao fim da série: o uso de antagonistas mentalmente problemáticos, narrados de forma politicamente incorreta e irônica.

O empresário de Salvation - a forma traduzida "salvação" aparece apenas no título da obra - é um racista de marca maior. Luta com todas as forças para destruir Custer e sua assistente, negra.

Paralelamente, sua advogada é uma sadomasoquista que adora Hitler e o nazismo.

Como dito, ironia politicamente incorreta. Mas são as marcas da série e o que a singularizam. E que dão o sabor da série, que deve ser apreciada como se fosse um bom filme de aventura.

                                                           ***

Essas histórias, desenhadas por Steve Dillon, já haviam sido publicadas no Brasil. A qualidade da série justifica uma reedição.

A Panini optou por um formato de luxo, em capa dura, o que encarece o preço final. A estratégia pode tornar as vendas mais tímidas.

Resta a esperança - sempre acionada quando o assunto é Preacher no Brasil - de que o retorno das vendas estimule a publicação dos dois álbuns que faltam para o desfecho da trama - "Às Portas do Inferno" e "Álamo".

Afinal, o leitor brasileiro já pagou caro, muito caro, durante anos seguidos para, uma vez mais, ver a esperança vertida em frustração.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 14h28
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