31.05.10

HQMix: edição estrangeira, humor e adaptação

A Comissão Organizadora do 22º Troféu HQMix divulgou nesta segunda-feira os indicados a mais três categorias da premiação de quadrinhos, a principal do país.

Os selecionados são para as categorias edição especial estrangeira, publicação de humor e adaptação para outro veículo. Os nomes indicados são:

Edição Especial Estrangeira:

  • Crônicas Birmanesas - Guy Delisle (Zarabatana)
  • Fracasso de Público - Heróis mascarados e amigos encrencados - Alex Robinson (Gal Editora)
  • Gênesis - Robert Crumb (Conrad)
  • Jimmy Corrigan - O Garoto mais Esperto do Mundo - Chris Ware (Quadrinhos na Cia.)
  • Retalhos - Craig Thompson (Quadrinhos na Cia.)
  • The Umbrella Academy - Suite do Apocalipse - Gerard Way e Gabriel Bá (Devir)
  • Três Dedos: Um Escândalo Animado - Rich Koslowski (Gal Editora)

Publicação de Humor:

  • As Eletrizantes e Etílicas Aventuras das Velhas Virgens - Alexandre "Cavalo" Dias, André Andrade e Deivy Costa (Independente)
  • Capitu #1 - Sacramento de Oliveira e Turbay (Independente)
  • É tudo mais ou menos verdade - Jornalismo investigativo, tendencioso e ficcional - Allan Sieber (Desiderata)
  • Fráuzio - Ares da Primavera - Marcatti (Devir)
  • Mad #14 - vários (Panini)
  • Mundo Canibal #3 - vários (Mythos)
  • Roko-Loko - Hey Ho, Lets Go! - Marcio Baraldi (Editora Rock Brigade)

Adaptação para outro veículo:

  • Aline (série de TV)
  • Avenida Dropsie (teatro)
  • Batman - Arkham Asylum (video game)
  • Los Três Amigos (curta de animação)
  • Watchmen (filme)
  • X-Men Origens: Wolverine (filme)
  • Death Note (teatro)

Os nomes, neste ano, têm sido apresentados num blog, mantido pela comissão organizadora da premiação.

A apresentação dos selecionados teve início neste domingo, com as categorias adaptação para os quadrinhos, edição especial nacional e publicação infantil e juvenil.

A proposta do prêmio é ouvir os comentários sobre os indicados e, se for o caso, a comissão admite reavaliar algum nome indicado em caso de eventual omissão.

Leia mais na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h29
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HQMix cria blog para mostrar indicados ao prêmio

 

Logo do blog do Troféu HQMix

 

A Comissão Organizadora da próxima edição do Troféu HQMix criou um blog para mostrar quem são os indicados ao prêmio, o principal da área de quadrinhos do país.

É a primeira vez que a medida é adotada nos 22 anos de existência da premiação. A proposta é que o público possa opinar sobre os nomes selecionados.

Segundo texto inserido no blog, a comissão vai levar os comentários em consideração e poderá, eventualmente, reavaliar casos de "omissão ou desconhecimento".

Os primeiros nomes selecionados entraram no ar neste domingo. São os indicados a três categorias: adaptação, edição especial nacional e publicação infantil e juvenil. Seguem:

Adaptação para os quadrinhos

  • A Luneta Mágica em Quadrinhos (Panda Books)
  • Balaiada - A Guerra do Maranhão (Independente)
  • História do Brasil em Quadrinhos: Proclamação da República (Editora Europa)
  • Jubiabá (Companhia das Letras)
  • O Cortiço (Ática)
  • O Guarani (Ática)
  • O Pagador de Promessas (Agir)

Publicação Infantil e Juvenil

  • 1000 Tiras em Quadrinhos (Independente)
  • Clássicos do Cinema #15 - Cascão Porker e a Pedra Distracional (Panini)
  • Disney Big #1 (Abril)
  • Naruto #21 (Panini)
  • Nicolau e seus Queridos Vizinhos (Editora Enquadrinho)
  • Tataribú (Independente)
  • Turma da Mônica Jovem #10 (Panini)

Edição Especial Nacional

  • Copacabana - S. Lobo e Odyr (Desiderata)
  • Estação Luz - Guilherme Fonseca e Renoir Santos (Devir)
  • Fractal - Marcela Godoy e Eduardo Ferigato (Devir)
  • MSP50 - Maurício de Sousa por 50 Artistas - vários (Panini)
  • Os Brasileiros - André Toral (Conrad)
  • Sábado dos Meus Amores - Marcelo Quintanilha (Conrad)
  • Yeshuah - Laudo Ferreira e Omar Viñole (Devir)

                                                          ***

O blog do HQMix não informa quando serão inseridas as demais indicações. A comissão organizadora trabalha com a ideia de fazer a cerimônia de premiação em agosto ou setembro.

Os votos são feitos eletronicamente por nomes ligados à área de quadrinhos, previamente cadastrados. Em 2009, a lista contava com cerca de 2 mil pessoas.

O Troféu HQMix, neste ano, é organizado por Andrea de Araújo, Benê Nascimento, Cris Merlo, Daniela Baptista, Gualberto Costa, José Alberto Lovetro - o JAL -, Nobu Chinen, Sam Hart, Silvio Alexandre, Tiago Souza, Waldomiro Vergueiro e Will.

A presidência desta 22ª edição é dividida entre a pesquisadora Sônia Bibe Luyten e o jornalista Marcelo Alencar.

                                                          ***

Link: para acessar o blog do Troféu HQMix, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
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29.05.10

Desenhista de 13 anos assume tira da Folhinha

 

Eric, de Pedro C. Crédito: versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Pedro Cobiaco, desenhista de 13 anos, estreou neste sábado uma nova série no "Folhinha", suplemento infantil do jornal "Folha de S.Paulo".

A história inaugural é a mostrada acima. "Eric", nome da série, é sobre um garoto que curte rock´n roll - e batata frita, como diz a tira.

Pedro C., como o quadrinista prefere assinar, assume a vaga deixada por João Montanaro, de 14 anos, que havia estreado na "Folhinha" em janeiro deste ano.

Montanaro passou a integrar a equipe de chargistas da Folha. O jornal estreou nesta semana, no caderno de vestibular, outra tira, "Os Bixos", de Spacca e Mandrade.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h05
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28.05.10

Registros rápidos

Saído do forno 1
A Conrad pôs à venda nesta semana o terceiro volume de "Bórgia", inédito no país (R$ 43). O álbum é escrito por Alejandro Jodorowsky e desenhado por Milo Manara. Os dois volumes anteriores também haviam sido publicados pela editora paulista.

Saído do forno 2
Semana, aliás, de muitos lançamentos nas lojas de quadrinhos: versão de "Príncipe da Pérsia" (Galera Record, R$ 39,90), o nacional "Xampu", de Roger Cruz (Devir, R$ 29,50) e novos volumes de "Fracasso de Público" (Gal, R$ 38) e "Ex-Machina" (Panini, R$ 19,90).

Saindo do forno
Três livros sobre quadrinhos estão prestes a serem publicados: a trajetória de Angelo Agostini, de Gilberto Maringoni (Devir), "Gibi - A Revista Sinônimo de Quadrinhos", escrito por quatro pesquisadores (Via Lettera), e "O Beijo nos Quadrinhos", de Gonçalo Junior.

Degustação paulistana 1
O álbum "Katita - O Preconceito é um Dragão" (Marca de Fantasia, R$ 5) tem lançamento neste sábado, às 19h30, em São Paulo (HQMix Livraria, Praça Roosevelt, 142). A personagem lésbica foi criada por Anita Costa Prado e Ronaldo Mendes.

Degustação paulistana 2
"Homem Gravidade Zero" (Jaboticaba, R$ 39,90) é um álbum nacional que dialoga com temas da filosofia. O trabalho é de Leo Slezynger, Filippo Croso e Kris Zullo. Os autógrafos serão no dia 01º.06, às 18h30, na Livraria da Vila (r. Fradique Coutinho, 915).

Aperitivo para a Copa
A mostra "Craques do Cartum na Copa" reúne trabalhos de 11 desenhistas, de Mauricio de Sousa e Ziraldo ao já falecido Henfil. A abertura será na próxima terça, às 20h, no Centro Cultural Banco do Brasil (r. Álvares Penteado, 112, em São Paulo). A visita vai até 18.07.

Parrilla argentina
Faço palestra sobre os quadrinhos argentinos neste domingo, às 14h, na Casa das Rosas, em São Paulo (Avenida Paulista, 37). No mesmo local, mas na véspera, às 15h, há mesa-redonda sobre os quadrinhos japoneses, com editores da JBC.

Preparando os ingredientes
Dois salões de humor recebem inscrições. Do Piauí, vão até segunda-feira (pelo e-mail fundacaohumor@hotmail.com). O tema é "trânsito e sociedade". O Salão de Piracicaba recebe trabalhos até 3 de agosto para as cinco categorias do evento (link para o site).

Lenha na fogueira
Pergunta ainda sem resposta: como os cartunistas irão se posicionar ante o Salão de Piracicaba deste ano? A classe havia ensaiado um protesto - alguns falaram até em boicote - para criticar o afastamento de Zetti, antiga responsável pelo evento.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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27.05.10

Coleção reúne histórias literárias com personagens Disney

 

Clássicos da Literatura Disney - Volume 1. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Capa do primeiro volume de "Clássicos da Literatura Disney", lançado nesta semana nas bancas 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Abril aposta alto na coleção "Clássicos da Literatura Disney", que começa a chegar nesta semana às bancas (156 págs., R$ 9,95). A série conta até com comercial de TV.

A proposta é reunir ao longo de 20 livros histórias literárias protagonizadas pelos personagens Disney. Nesta estreia, o diálogo principal é com obras de Alexandre Dumas.

Em "Os Três Mosqueteiros", história de 62 páginas que abre o livro, Donald faz as vezes de D´Artagnan e seus sobrinhos, o trio de espadachins: Hugo-Atos, José-Portos e Luís-Aramis.

Donald D´Artagnan retorna em "O Máscara de Ferro", segunda aventura da obra. A terceira e última história mostra um encontro do pato com Branca de Neve e os Sete Anões.

                                                         ***

As três histórias são inéditas no Brasil, segundo informa o texto introdutório do livro de estreia. Os outros volumes irão mesclar tramas novas com reedições.

A programação da editora é lançar um novo volume a cada quinta-feira. O segundo terá histórias de "A Ilha do Tesouro", "Marujos Intrépidos" e "O Fantasma de Canterville".

A coleção foi pensada para comemorar os 60 anos da revista "Pato Donald". Por isso, este volume de estreia traz também uma reprodução do primeiro número, de julho de 1950.

Foi a segunda revista da Abril, ao contrário do que informa a contracapa do livro. A primeira foi "Raio Vermelho", de maio de 1950, quando a editora ainda se chamava Primavera.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h30
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26.05.10

Uma tira do dia que merece registro

 

Piratas do Tietê, de Laerte. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo

 

Da série "Piratas do Tietê", de Laerte, na edição desta quarta-feira da "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h13
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25.05.10

Álbum resgata no Brasil quadrinhos de Tarzan

 

Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

Capa de "Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias", álbum que relança histórias do personagem publicadas em 1972 

 

 

 

 

 

 

 

Tarzan foi um dos personagens mais longevos a ocupar as bancas brasileiras. Andava sumido. É resgatado agora num álbum, que relança oito de suas aventuras.

"Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias" (Devir, 208 págs., R$ 49) cumpre à risca o que o subtítulo vende: mostra como tudo começou e mais quatro tramas.

As histórias são de um momento de transição. O personagem saía da editora norte-americana Gold Key e migrava para a DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

A estreia em abril de 1972. A nova casa procurou dar um ar de continuidade, mantendo a numeração da revista mensal. Os rumos criativos, no entanto, foram revistos.

                                                        ***

Quem assumiu as histórias do Homem-Macaco foi Joe Kubert, que já trabalhava nos quadrinhos da DC. O quadrinista procurou recriar o clima das primeiras aventuras.

"Minha intenção ao fazer Tarzan era injetar a emoção e a proximidade que senti quando li suas histórias pela primeira vez", diz o quadrinista, na apresentação do álbum.

A missão incluiu reler a literatura sobre o personagem, lapidada por Edgar Rice Burroughs (1875-1950). O escritor publicou a primeira história de Tarzan em 1912.

Do contato com os livros, surgiu a recriação da origem do herói das selvas, algo propício para um momento de reinício da revista editorial da revista nos Estados Unidos.

                                                          ***

Kubert relembra o leitor os fatos que tornaram Tarzan o rei dos macacos. Ainda bebê, ficou órfão em plena floresta africana. Foi criado a partir de então por uma macaca, Kala.

O menino se desenvolveu na selva até encontrar caminhos para reconstruir seu passado e o contato com outros humanos. As demais histórias trazem tramas após tais fatos.

A reedição do álbum, na prática, funciona como um resgate do personagem no Brasil, como bem relembra um texto, no final da obra, assinado pelo editor Leandro Luigi Del Manto.

Tarzan estreou por aqui em 1934, no extinto "Suplemento Juvenil". A carreira como personagem-título de revista em quadrinhos teve início em 1951. Foi publicado até 1989.

                                                          ***

Desde então, o Homem-Macaco tem feito aparições em edições especiais ao lado de super-heróis ou numa luta contra o Predador dos cinemas. Nada à altura de sua trajetória.

A estreia do personagem ocorreu em 1929, época em que as tiras de jornais eram quase todas de cunho cômico.

Tarzan não. O foco era na aventura, desenhada por Hal Foster (1892-1982), que depois ficou ainda mais famoso com a série "Príncipe Valente".

O ingresso da ação agregou um novo gênero às tiras e estimulou uma lista de outros personagens afins: Jim das Selvas, Flash Gordon, Buck Rogers, Fantasma.

                                                         ***

Este álbum é de outro momento do personagem. Mas procura dialogar com o passado dele, inclusive com a participação de Burne Hogarth (1911-1996) na arte de uma das histórias.

Hogarth foi quem substitui Hal Foster nos desenhos do Homem-Macaco, em 1937. É tido como uma das principais referências visuais do personagem nos quadrinhos.

O trabalho de Joe Kubert procura recriar esse clima das décadas de 1930 e 40. E consegue, em particular nos quatro primeiros capítulos, que narram a origem do herói.

O álbum da Devir resgata a importância de Tarzan para os quadrinhos e dá um primeiro passo para o retorno de outras aventuras dele. É algo histórico, que precisa ser recuperado. 

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h46
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24.05.10

Lelis: de Minas para o Brasil, do Brasil para a Europa - I

 

Clara dos Anjos. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 

 

 

 

 

 

 

Desenhista divide tempo entre adaptação do romance "Clara dos Anjos" (página ao lado) e segundo álbum para o mercado francês

 

 

 

 

 

A imprensa daqui costuma dar um generoso espaço aos autores nacionais que conquistam trabalhos nos EUA. Costumam deixar de lado, no entanto, quem publica na Europa.

É na França, um dos principais polos mundiais de produção de quadrinhos, que um mineiro começa a se destacar. Já lançou um álbum por lá, em 2009, e já faz os esboços do segundo.

Marcelo Eduardo Lelis de Oliveira, ou somente Lelis, como ele assina suas produções, prepara também dois livros em quadrinhos para o mercado brasileiro.

Um é uma adaptação de "Clara dos Anjos", romance de Lima Barreto (1881-1922). O outro é uma reedição de "Saino a Percurá", reunião de contos regionais em quadrinhos.

                                                          ***

A primeira versão de "Saino a Percurá" havia sido publicada em 2001. A nova edição sairá no segundo semestre pela Zarabatana e trata histórias não incluídas no original.

A adaptação da obra de Lima Barreto será publicada pelo Quadrinhos na Cia., da Companhia das Letras. E editora espera lançar o trabalho no final do ano.

"Clara dos Anjos" tem roteiro de Wander Antunes, outro brasileiro que encontrou espaço no mercado francês.

O escritor teve mais de um álbum publicado na Europa. O mais recente é "Toute la Poussière du Chemin", lançado neste ano. A arte é do espanhol Jaime Martin.

                                                         ***

A entrada de Lelis na França se deu por meio de seu blog, o "Aqualelis", mantido desde 2006. Foi lá que foi descoberto pelo roteirista Antoine Ozanam.

O escritor entrou em contato com o desenhista mineiro e propôs a parceria.

Os dois fizeram o álbum "Last Bullets", ambientado nos Estados Unidos do fim do século 19. A história é uma mistura de faroeste com realismo fantástico.

Ozanam já acertou um segundo projeto com Lelis, "Gueules Noires" (bocas negras). O desenhista já rascunha as páginas do novo álbum, ainda sem data para lançamento.

                                                         ***

Nascido em Montes Claros, Lelis trocou o interior mineiro pela capital, Belo Horizonte, por conta da profissão: trabalha como ilustrador no jornal o "Estado de Minas".

Aos 42 anos, divide o expediente da redação - onde vai diariamente - com as ilustrações de livros, os trabalhos com quadrinhos e as plantas, uma de suas paixões.

Casado com uma psicóloga e pai de Beatriz, de cinco anos, é dono de um jeito cortês, acessível e humilde, que contrasta com a grandiosidade de seu desenho, feito em aquarela.

Nesta entrevista, feita após uma série de trocas de e-mail e dividida em duas postagens, Lelis detalha os novos projetos, fala da experiência no exterior e sobre o início da carreira.

 

Clara dos Anjos. Crédito: imagem cedida pelo autor

                                                    

Blog - Começo com "Clara dos Anjos". Como surgiu a ideia de fazer a adaptação. Foi uma iniciativa sua ou um convite da Companhia das Letras?
Marcelo Lelis
- O André Conti, [editor] da Companhia, me procurou. A minha resistência inicial era com relação aos prazos. Negociei com o André durante um tempo para acertarmos um prazo um pouco mais longo. Por fim me deram 15 meses ao invés de 12, como é usual.

Blog - Você já havia lido a obra? E outros romances de Lima Barreto?
Lelis
- Não, nunca havia lido nada do Lima.

Blog - Como o Wander Antunes entrou no projeto? A participação dele foi prevista desde o início?
Lelis
- Inicialmente o André me propôs fazer todo o trabalho ou seja, roteiro e arte. De cara declinei. Primeiro porque não sei se daria conta de transformar um romance de um autor consagrado em um quadrinho potencialmente comercial. E segundo porque não haveria tempo hábil para as duas tarefas. O André então disse que tinha alguns nomes para o roteiro, mas não me disse quais. Aí eu citei o Wander, que é um cara que ensaiamos trabalhar juntos algumas vezes e, por um motivo ou por outro, nunca fizemos nada. Achei que ele seria o cara perfeito. Ele é craque. O André, que já o conhecia, achou boa a idéia e cá estamos. O Wander é muito tranquilo. Ele saca demais esse negócio de quadrinhos e amarra bem demais a trama.

Blog - Houve alguma orientação para tornar a obra mais acessível ou didática, de modo a vender o projeto para listas do governo?
Lelis
- Não. Em nenhum momento houve por parte da editora qualquer tipo de interferência. Pelo contrário, eu e o Wander estamos tendo liberdade total para criar. Da nossa parte, é claro, temos alguns limites que achamos pertinentes e, de comum acordo, procuramos fazer um livro que seja o mais acessível possível.

Blog - Quando a obra fica pronta e há previsão de quando seja lançada?
Lelis
- Fiz um contrato de 15 meses que se iniciou em outubro. Espero terminar antes desses 15 meses previstos. Se isso acontecer, acho que haverá tempo hábil para a Companhia lançá-lo ainda em 2010.

Blog - Queria uma opinião sua sobre esse momento das adaptações literárias em quadrinhos. Uma editora grande o contrata para que você adapte a obra de um romancista, mas não uma obra autoral sua. Como você enxerga isso?
Lelis
- Mas eu nunca apresentei nenhum projeto de quadrinhos à Companhia das Letras ou a qualquer outra editora brasileira. E outra, sou um quadrinista sazonal, não é? De "Saino a Percurá" pra cá são dez anos de hiato. Às vezes nem eu sei como ainda me consideram um quadrinista. Talvez algum outro autor mais profícuo teria mais a reclamar. Mas também penso que isso tudo é um processo. Quando uma editora cria um selo para o segmento dos quadrinhos significa que ela já descobriu que temos um mercado crescente por aqui. Por consequência, as próprias editoras perceberão com o tempo que, além de programas de governo, temos leitores ansiosos por consumirem muito mais do que adaptações.

 

Saino a Percurá. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 

 

 

 

 

 

 

Imagem da capa do álbum "Saino a Percurá", que terá uma nova edição neste ano
















Blog - Você tinha uma conversa com a editora Zarabatana para relançar "Saino a Percurá". A conversa avançou para algo concreto?
Lelis
- Sim, sai este ano. O Cláudio [Martini, editor da Zarabatana], muito paciente, aguarda que eu envie as imagens pra ele. É que eu redigitalizei todo o livro e estou terminando de fechar os arquivos. As cores agora estarão mais fiéis aos originais porque a tecnologia dos scanners hoje em relação a 2001 mudou muito. E com meu próprio equipamento posso controlar mais a qualidade. "Last Bullets", por exemplo, eu mesmo digitalizei. Olhando os originais não há muita diferença na impressão final.

Blog - "Saino a Percurá" foi seu único álbum em quadrinhos lançado no Brasil. E no exterior?
Lelis
- Na Espanha a editora De Ponent fez uma edição de Saino a Percurá que lá se chama "Yendo a Buscar: historietas de Lelis".

                                                         ***

A entrevista com Lelis continua na postagem abaixo.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h01
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Lelis: de Minas para o Brasil, do Brasil para a Europa - II

 

Gueules Noires. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

Blog - De um projeto para outro. Você comenta em seu blog que tem pautado um segundo álbum em parceria com Antoine Ozanam. Do que se trata? Para quando é?
Marcelo Lelis
- O Antoine é um bom amigo e um excelente roteirista. Nunca me encontrei com ele e arriscamos uma vez um contato telefônico que não foi muito inteligível. Mas, depois do nosso primeiro livro, ele me apresentou algumas histórias que pensava em publicar. Dentre essas histórias, gostei muito de Gueules Noires, ou Bocas Negras, numa tradução literal. É a história de um mineiro do norte da França que, cansado da vida dura nas minas de carvão, decidiu tentar a vida em Paris. A história é muito bonita, cheia de reviravoltas e de personagens fortes. Mas demoramos para acertar alguns detalhes e já havia escrito a ele dizendo sobre a possibilidade de fazer o livro da Companhia da Letras. A [editora francesa] Casterman gostou do projeto, mas resolvi pedir a ele para não fazermos um contrato ainda porque aí não conseguiria entregar dois livros no mesmo ano. Assim, vamos trabalhando nas páginas com calma, para amadurecermos as escolhas gráficas e outros detalhes.

Blog - Vocês estiveram juntos em "Last Bullets". Como foi a experiência de desenhar uma história em quadrinhos para o mercado francês?
Lelis
- Realmente foi estupenda. O mercado europeu de quadrinhos sempre me interessou. Mais até que o norte-americano. Uma das coisas que ficaram nessa minha experiência é o quanto eles levam a sério o quadrinho. Não é só uma forma de expressão. É algo muito maior que fica até difícil pra gente aqui no Brasil entender. Sabe aquele negócio do gringo que chega aqui e vê um menino fazendo embaixadinha até com uma laranja? A comparação parece exdrúxula, mas confere. Assim como o futebol está em todo lugar aqui, lá podemos dizer que o quadrinho está no sangue deles. Se simplificamos dizendo que eles têm mais condições financeiras do que nós, erramos se compararmos os países europeus, tão ou mais ricos que os franceses e que nem por isso têm uma produção equivalente. Pelo contrário. A Alemanha, que tem uma economia mais pujante não produz 1% do que eles fazem. Então a resposta é outra. Fazer parte dessa engranegem, publicando em uma das 5 maiores editoras franco-belgas foi muito motivador. Você abre um novo horizonte. Se não dá pra viver só de quadrinhos hoje, dá pra projetar a médio prazo viver dele mais do que vivo hoje. E isso é revigorante. Me motiva a criar, a escrever novamente, a focar mais em minha carreira de quadrinista.

Blog - Como surgiu o convite para o projeto?
Lelis
- O Antoine viu meu blog e me escreveu.

 

Last Bullets. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Página de "Last Bullets", álbum desenhado por Lelis, lançado ano passado na França
















Blog - Você sente um tratamento diferente entre as editoras de fora e as de cá?
Lelis
- Se falamos de quadrinhos, lá como aqui eu sou considerado autor, mesmo que eu não seja também o roteirista do álbum. Mas no mercado editorial brasileiro, um ilustrador não tem os mesmos direitos de quem escreve a obra, ao contrario de lá. Por aqui a minha contribuição, digamos, pictórica, se encerra na primeira edição de um livro sem qualquer participação caso a obra ganhe outros rumos. Acho que isso está mudando, principlamente por causa das associações de ilustradores, como a SIB por exemplo, que tem sistematicamente debatido com as editoras essa questão.
Blog - Ainda na comparação entre editoras: não precisa me dizer quanto, claro, mas paga-se muito mais por um álbum no exterior?
Lelis
- São economias e mercados muito distintos né, Paulo? Não podemos comparar um quadrinho institucionalizado como o franco-belga com o do mercado brasileiro. Lá o governo banca muita coisa. Bande dessinée lá é estratégica. Há décadas eles entenderam isso. Depois é pura matemática. Se eles tem um mercado super aquecido, ávido por coisas novas, com cerca de 3.500 novos títulos por ano, com feiras o ano inteiro, a consequência é que o pedaço do bolo é sempre mais generoso. É um sgmento econômico como qualquer outro por lá.

Blog - Além de quadrinista, você tem uma carreira de destaque na área da ilustração. Você tem somados quantos livros já ilustrou?
Lelis
- Ah, perdi a conta. Com certeza mais de 70. Mas o número exato eu não sei.

Blog - Queria entender melhor a sua rotina de produção. Trabalha no jornal "Estado de Minas" todos os dias, na redação ou em casa?
Lelis
- Trabalho todos os dias das 14 às 21h. Tenho que ir lá diariamente, bater ponto, etc. Um emprego formal, enfim.

Blog - Quando - em que horário do dia - sobra tempo para as ilustrações e os quadrinhos?
Lelis
- Hahaha! Essa foi sua pergunta mais difícil. Não sobra tempo, Paulo. Nem sei como faço tudo isso. Acordo todos os dias às 06:00h para adiantar o que posso. Quando chego em casa, à noite, nem olho para a prancheta. Mas ainda produzo. Acabei de escrever um álbum de 56 páginas. Rafeei umas 25 e assim que der uma brecha começo a finalizar. Não sei o destino dele e nem estou pensando nisso por isso nem dá pra falar muito sobre ele ainda. Só sei que estou curtindo fazer cada página.

Blog - E para as plantas? Li em seu blog que você tem um carinho especial pelo assunto.
Lelis
- Ah, sim. Tenho no lote que estou construindo minha casa/ateliê quatro pés de jatobá, um de pequi (árvove típica do cerrado) e algumas outras que ainda estou identificando. Enchi a paciência da arquiteta para que ela harmonizasse isso tudo. Um amigo me deu uma muda de ipê amarelo. Também gosto de hortas, galinhas, cachorros e cavalos. Enfim, nunca tirei os pés da roça.

 

Crédito: imagem cedida pelo autor

 

Blog - Queria entender o seu início de carreira. Li uma entrevista sua em que você menciona que desenhava desde os tempos de escola, nas aulas. É isso mesmo? Quando o interesse se tornou profissão?
Lelis
- Que eu me lembre, comecei ainda no antigo primário (atual ensino fundamental). Uma vez resgatei um caderno repleto de caubóis e jogadores de futebol. Era praticamente um fossil de tão velho. Nas férias escolares, sempre ia para a fazenda do meu avô. Lá pegava uns cadernos e ficava horas desenhando. Me sentava na cerca do curral e enquanto os vaqueiros ordenhavam as vacas eu não desgrudava do caderno. Era muito divertido. Gostava muito também de acompanhar os vaqueiros quando eles levavam o gado para outro pasto ou até mesmo outra fazenda distante. Era uma espécie de viagem a la Guimarães Rosa. Foi um período muito importante e decisivo na minha vida. Tanto que, quando fui fazer "Saino a Percurá", eu nem sabia que faria um livro sobre histórias do sertão. Sabia apenas que tinha um projeto aprovado pela lei de incentivo cultural da prefeitura de Belo Horizonte e que obrigatoriamente teria que entregá-lo num prazo máximo de um ano. Em duas tardes, escrevi todo o livro. Parece que todos os personagens que cruzei na época das minha ferias de infância na roça me visitaram naquelas duas tardes. Sobre o início, quando terminei o segundo grau, fui trabalhar em jornais de Montes Claros. Eram jornais rudimentares com aquele velho processo de impressão tipográfica com aquelas linotipos enormes e usando ainda o chumbo derretido para compor os tipos. Primeiro me colocaram como assistente de repérter policial. Sabiamente viram que meu negócio era outro. A partir daí passei a fazer charges, ilustrações e montar anúncios para o departamento de publicidade. Foi uma grande escola, sem dúvida.

Blog - E o uso de aquarela? É sua marca principal?
Lelis
- 100% das veszes que me procuram pra que eu ilustre um livro, já esperam que eu faça em aquarela. Ainda não sei se isso é bom ou ruim.

Blog - Você nasceu e cresceu em Montes Claros, confere? Quando se mudou para Belo Horizonte e como se deu sua passagem por São Paulo?
Lelis
- Nasci em Montes Claros e fiquei por lá até os 24 anos. Em 1992, meu pai queria vir para Belo Horizonte e me chamou para vir com ele. Nem titubeei. Chegando aqui o primeiro lugar que levei meus desenhos foi o jornal "Estado de Minas". No dia seguinte, já publicava lá. Foi aí que me tornei realmente profissional da ilustração. Em Montes Claros, por motivos óbvios, além de ilustrar, eu desempenhava muitas outras funções. No "Estado de Minas" não. Havia o cargo de ilustrador. Achei engraçado aquilo porque nem sabia que existia essa profissão. Mas foi ali, no dia a dia, ao lado de grandes profissionais, que aprendi muito, Ali comecei a colocar cor nos meus desenhos pela primeira vez. Em 1997, a editora de artes da "Folha de São Paulo" viu meu portfolio através do Osvaldo Pavanelli e me convidou para trabalhar. Não havia internet estável ainda. Os ilustradores enviavam o trabalho através de modem. Era um horror. A conexão caía durante o envio. Então decidi me mudar para São Paulo e trabalhar dentro da redação. Acho que foi uma boa decisão. Além de publicar em um dos maiores jornais do país e fazer grandes amzades, foi legal ficar um tempo em Sampa. Aproveitei para fazer muitos contatos. Mas, quando fui, sabia que seria por um tempo. Sabia que seria o tempo da estabilização da internet. E foi o que aconteceu. No final de 98, negociei com a Folha para trabalhar on-line de Belo Horizonte. A distância não fez a menor diferença. Tecnicamente, é claro. Trabalhava on-line nos chamados pescoções da sexta-feira e nunca deixei o editor de arte na mão. Pelo contrário. Quando alguém estava com problemas, o pessoal da arte me ligava e eu cobria.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h37
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23.05.10

João Montanaro faz charges para a Folha de S.Paulo

 

Charge de João Montanaro, na Folha de S.Paulo deste domingo

 

 

 

 

 

 

 



João Montanaro deu mais um passo largo na sua precoce carreira como desenhista. Com 14 anos, ele se tornou um dos chargistas da página dois da "Folha de S.Paulo".

A charge acima foi publicada na edição deste domingo. No início do ano, Montanaro havia estreado uma tira na "Folhinha", suplemento infantil do jornal.

Nesta semana, o desenhista foi destaque no programa de Jô Soares, na TV Globo.

Ele prepara também sua coletânea de quadrinhos, programada para ser lançada nos próximos meses.

                                                         ***

Leia mais sobre a trajetória precoce de João Montanaro na postagem de 22.04.09 (uma curiosidade: foi a primeira reportagem feita com ele).

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h56
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21.05.10

Lançamento de Bienvenido em João Pessoa

 

 

Com a ida a João Pessoa, encerro essa maratona inicial de lançamentos de Bienvenido.

Com isso, terei tempo de retornar à rotina das postagens aqui no blog.

Agradeço a paciência do leitor e a atenção de todos os que ajudaram a divulgar o livro.

Valeu mesmo!

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h22
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14.05.10

Próximas paradas de Bienvenido: Santos, RJ e SP

 

Foto da estátua de Mafalda, em Buenos Aires

 

Faço nos próximos dias mais três lançamentos de "Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos", obra que publico pela editora Zarabatana (176 págs., R$ 36):

- Santos
  Sábado (15.05), às 19h30, na livraria Realejo (r. Marechal Deodoro, 2, no Gonzaga)

- Rio de Janeiro
  Segunda-feira (17.05), às 19h, na livraria Travessa de Ipanema (r. Visconde Pirajá, 572)

- São Paulo
  Quinta-feira (20.05), às 19h, na Fnac da Avenida Paulista (número 901)
  Antes do lançamento em São Paulo, vai haver um bate-papo sobre os quadrinhos argentinos e os bastidores da obra, mediado por Eduardo Nasi, do site "Universo HQ"    

Ficam os convites. Espero poder vê-los nos lançamentos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h16
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Álbum relança Drácula de Eugênio Colonnese

 

A Hora do Terror - Drácula de Bram Stocker. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

"A Hora do Horror - Drácula de Bram Stoker" reedita história criada pelo desenhista no fim da década de 1960 

 

 

 

 

 

 


A ida às bancas de quando em quando traz algumas surpresas. Esta semana é um bom exemplo. As prateleiras expõem um álbum nacional sobre o Drácula de Bram Stoker (Escala, 112 págs., R$ 14,90).

A obra, na verdade, é uma reedição de um trabalho feito pelo ítalo-brasileiro Eugênio Colonnese (1929-2008), produzida no final da década de 1960 para a extinta editora Taika.

É preciso olhar com mais atenção a história original para comparar as duas versões editoriais. Na falta dela, confia-se nas informações apresentadas pelo álbum.

Um texto, ao final, diz que os quadrinhos do desenhista foram colorizados - eram em preto-e-branco - e a parte verbal foi atualizada.

                                                          ***

Com ou sem explicações, fica evidente que houve um novo tratamento à história. O formato é próximo, por exemplo, é próximo ao das graphic novels. A parte interna também.

O molde das graphic novels - e até mesmo o nome - inexistiam na época em que a narrativa foi publicada. Ironia. Hoje, são os quadrinhos de terror nacionais que inexistem.

O Brasil foi um grande produtor de histórias de terror entre as décadas de 1950 e 80. Autores nacionais criaram um sem-número de tramas por diferentes editoras.

Trazer à vida este Drácula de Colonnese é uma forma de relembrar um pouco dessa época, ainda tão pouco explorada editorialmente e guardada apenas na memória de alguns.

                                                         ***

Colonnese, que adotou o Brasil como morada fixa em 1964, foi um dos principais criadores dessas histórias. Chegou a criar uma editora, a D-Arte, que publicava histórias assim.

Ele foi também o pai de uma das personagens mais famosas do gênero, Mirza, a Mulher-Vampiro, homenageada em 2009 no HQMix, principal premiação de quadrinhos no país.

Esta reedição tem o cuidado de valorizar os desenhos de Colonnese e de contextualizar a trajetória dele nos quadrinhos e de Drácula no cinema. O tom é de homenagem.

O que o álbum não informa são os motivos da reedição: pura homenagem ou a oportunidade de pôr na praça mais uma adaptação. O histórico da Escala sugere a segunda opção.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 09h55
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13.05.10

Diário de um Banana ainda entretém, mas perde ar de novidade

 

Diário de um Banana - A Gota d´Água. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 


Capa do terceiro da série norte-americana, que começou a ser vendido no Brasil 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O molde é o mesmo dos demais volumes da série. Talvez por isso a terceira parte de "Diário de um Banana" já perca um pouco do ar de novidade que pautou os dois anteriores.

Um sinal disso é que esta nova obra - que tem o subtítulo "A Gota d´Água" (218 págs., R$ 34,90) - já não se preocupa em explicar ao leitor por que foi produzida no formato de um diário. Trabalha-se como se fosse já um fato consumado.

Nos primeiros livros, lançados no Brasil em 2008 e 2009, respectivamente, o protagonista Greg Heffley fazia questão de dizer que não era um diário, mas um "livro de memórias".

O diário, ou o livro de memórias, havia sido dado pela mãe para que o garoto escrevesse ali o que quisesse. Ele optou por relatar seu dia a dia, da escola às situações familiares.

                                                         ***

A leitura é feita do ponto de vista de Greg. Os relatos dele são mesclados com histórias em quadrinhos, supostamente desenhadas por ele, que se somam à narrativa.

O resultado, um híbrido de quadrinhos com literatura infantil, foi o grande diferencial da série no início. A obra vendeu mais de 20 milhões, como a capa faz questão de lembrar.

E, como toda boa ideia, passou a ser explorada comercialmente. Gerou outros três volumes e ganhou neste ano uma adaptação para o cinema, "Diary of a Wimpy Kid".

A Vergara & Riba, que edita a obra no Brasil, já anuncia outra obra vinculada à série: "Diário de um Banana: Faça Você Mesmo".

                                                          ***

A superexposição e a redundância da fórmula tiram um pouco o brilho deste terceiro volume da série, criada pelo norte-americano Jeff Kinney.

Também não é tão divertido quanto os dois livros anteriores. Mas entretém e tem lá seus momentos, como quando o autor ironiza os escritores de livros infantis.

"Em primeiro lugar", escreve Greg, em seu diário, "quase não há palavras nesses livros. E imagino que deva levar mais ou menos cinco segundos para se escrever um."

"Acredite, foi a coisa mais fácil do mundo. É só inventar um personagem com um nome divertido e depois fazê-lo aprender uma lição no final do livro."

                                                         ***

Kinney, pelo menos, tem o mérito de fugir desse rótulo que ele mesmo autoironiza na obra. Tem um texto afiado, que recria com precisão a identidade de Greg.

Os desenhos em quadrinhos, feitos intencionalmente com um estilo infantilizado, também ajudam a tornar a leitura mais fluida, sem serem uma redundância do que se lê.

O autor explica em seu site que queria escrever um livro sobre as partes divertidas do crescimento. "Meu acerto na escrita do livro foi fazer as pessoas rirem", diz.

De fato, há riso. Mas em menor número que nos anteriores. Esta terceira parte entretém e diverte. E prepara o terreno comercial para o filme. Não muito mais que isso.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 19h41
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12.05.10

Duas vezes Quino

 

Que Presente Inapresentável! Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

"Que Presente Inapresentável!", um dos dois novos álbuns do criador de Mafalda, já à venda nas livrarias

 

 

 

 

 

 

 


Mafalda é, sem sombra de dúvidas, a criação mais famosa de Quino. Mas existe uma produção dele, igualmente rica, produzida após o fim das tiras da personagem, em 1973.

O desenhista argentino dizia querer uma maior liberdade de criação, sem as amarras de um personagem fixo. Enveredou, então, pelas histórias feitas no espaço de uma página.

A nova fase, uma vez mais pautada nos caminhos do humor, já foi reunida em diferentes álbuns, nove deles já lançados no Brasil. Agora, a coleção é engordada com outros dois.

Os títulos, como de costume, sintetizam algum aspecto da obra. No caso, "Que Presente Inapresentável!" (136 págs., R$ 45) e "Humanos Nascemos" (128 págs., R$ 45).

                                                          ***

Talvez justamente por ser uma busca por maior liberdade, Quino não mantém uma forma, um molde rígido para as produções de humor lidas nos dois álbuns.

Elas transitam entre as histórias em quadrinhos tradicionais e o cartum, com diferentes temáticas. Os assuntos vão da falta de segurança ao papel do homem no mundo.

A linguagem dos quadrinhos e o tom cômico e crítico é o fio que une todos os trabalhos, cada um deles acima da média. A exceção são os temas ligados ao meio ambiente.

A natureza parece ser levada rigidamente a sério por ele. O assunto, quando abordado, não apresenta o tradicional final inesperado, fonte do humor. Traz, ao contrário, uma forte crítica.

                                                          ***

Os dois livros reforçam o catálogo do autor já publicado pela WMF Martins Fontes, editora que também lançou no país as coletâneas de Mafalda.

A editora brasileira traduz para o português os álbuns argentinos, publicados por lá pela Ediciones de la Flor, tradicional editora de títulos de humor, inclusive os de Quino.

Na argentina, estes e outros álbuns de Joaquín Salvador Lavado - nome completo de Quino - costumam ser tão fáceis de encontrar quanto pôsteres de Carlos Gardel e de Che Guevara.

O humor solto do pai de Mafalda é, como dito, acima da média, característica acentuada por um ano ainda morno de bons lançamentos. Quino ajuda  muito a preencher esse vácuo.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 10h58
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11.05.10

O Globo renova página de tiras

 

Agente Zero Treze, de Arnaldo Branco e Claudio Mor

Tira da edição de hoje de "Agente Zero Treze", de Arnaldo Branco e Claudio Mor...

 

Dustin, de Steve Kelley e Jeff Parker

... e a estrangeira "Dustin", duas das novas séries em quadrinhos do jornal carioca

 

Uma metáfora pinçada da informática ajuda a entender o processo pelo qual passou a página de quadrinhos do jornal carioca "O Globo" nesta semana.

É como se fosse um computador, reiniciado do zero. O novo visual da tela é uma versão modernizado, 2.0.

Da configuração antiga das tiras, restou apenas "Urbano, o Aposentado", de A. Silvério.

O reload teve início no domingo passado. O jornal trouxe apenas séries novas, todas nacionais. A partir de segunda-feira, estreou outras cinco tiras, três delas brasileiras.

                                                          ***

A mudança ocorreu por conta de uma troca de comando do "Segundo Caderno", que reúne as informações culturais do jornal e onde estão abrigadas as tiras. Saiu Artur Xexéo e entreou Isabel De Luca.

"Como ela curte quadrinhos, quis mudar a página. Daí, pediu sugestões a mim e ao Rodrigo [Fonseca, repórter do caderno]", explica Telio Navega, que trabalha na área de arte do jornal e que mantém o blog "Gibizada" no portal de "O Globo".

"Procuramos escolher boas tiras que ainda não eram publicadas em outros jornais brasileiros. E a ideia foi privilegiar os autores nacionais, principalmente os cariocas."

A nova seleção de tiras foi dividida em dois grupos. Uma parte publicada de segunda a sexta e outra, nos finais de semana.

 

Seção de tiras de O Globo, publicada em 10.05

 

Por enquanto, como em toda nova tira, o leitor vai sendo apresentado aos personagens. Durante a semana, a página tem estas séries:

  • "Bichinhos de Jardim", de Clara Gomes;
  • a norte-americana "Liberty Meadows", de Frank Cho;
  • a também estadunidense "Dustin", de Steve Kelly e Jeff Parker, inédita no Brasil;
  • "Agente Zero Treze", da dupla Arnaldo Branco e Claudio Mor;
  • "A Cabeça É a Ilha", de André Dahmer, autor de outra série, "Malvados";
  • "Urbano, o Aposentado", de A. Silvério, a única mantida após as mudanças.

E estas, aos sábados e domingos:

  • "Menina Infinito", de Fábio Lyra, uma volta das tiras seriadas;
  • "Luluzinha Teen", sem indicação de crédito para o autor; também não ficou claro o critério envolvido na seleção da série;
  • "Valente", de Vitor Cafaggi, produzida no tamanho equivalente ao de duas tiras;
  • o cartum "A Arte de Zoar", de Reinaldo, do Casseta & Planeta, que retorna aos desenhos de humor - arte que ele fazia desde a decada de 1970.

Outra novidade na edição do último domingo foi uma tira em branco. A proposta é ocupar o espaço com trabalhos enviados pelos leitores (podem ser enviados neste link).

Com as alterações, "O Globo" deixa de publicar séries tradicionais, como "Recruta Zero", Snoopy", "Hagar", "Turma da Mônica" e "O Menino Maluquinho".

                                                          ***

Post postagem (às 17h39): o colega Telio Navega me corrige uma informação. As tiras do fim de semana valem apenas para o domingo. Os sábados acompanham as séries dos demais dias da semana. Fica valendo essa informação.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 10h04
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10.05.10

Panini começa a vender revistas de heróis com menos páginas

 

Superman 90. Crédito: reprodução do site Guia dos Quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Superman 90", um dos títulos mensais que passaram de cem para 84 páginas 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A anunciada - e aguardada - mudança nos moldes editoriais da Panini começou a ganhar forma neste início de mês.

Bancas e lojas de quadrinhos já vendem as primeiras revistas de super-heróis com menos páginas - passaram de cem para 84 páginas.

Os dois primeiros títulos com as alterações são "Superman" e "Batman", lançados na última sexta-feira. Cada um custa R$ 6,50. Antes, saíam por R$ 7,95.

Apesar das mudanças, a numeração foi mantida. As duas revistas, por exemplo, estão no número 90.

                                                         ***

A redução das páginas e do preço faz parte de uma mudança editorial, oficializada em abril.

Nos dois meses anteriores, a Panini impôs aos editores um forte sigilo sobre o assunto, tratado como uma "revolução".

A principal alteração foi mesmo no número de páginas e o cancelamento de algumas revistas, válido para títulos da DC e da Marvel, editoras de Super-Homem e Homem-Aranha, respectivamente.

A Panini programa também o lançamento de alguns almanaques, com 148 páginas e uma seleção maior de histórias e personagens.

                                                          ***

Nota: a Panini programa para este mês uma overdose de álbuns da Vertigo e Wildstorm, selos adultos da DC. Fazem parte da lista continuações de "Fábulas", "Y - O Último Homem", "ZDM" e "Ex-Machina".   

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h14
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07.05.10

Convite: lançamento de Bienvenido em Curitiba

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h40
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06.05.10

The boys mostra lado politicamente incorreto dos heróis

 

The Boys - O Nome do Jogo. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 


Álbum escrito por Garth Ennis apresenta um lado B dos super-heróis, mais preocupados com sexo do que com a morte de civis 

 

 

 

 

 

 

 

 

Há roteiristas de quadrinhos que conseguem impor uma marca pessoal aos textos que escrevem. É o caso, por exemplo, do irlandês Garth Ennis. O escritor costuma permear suas histórias com situações politicamente incorretas, acidamente cômicas.

"Preacher", sua série mais famosa, é recheada de situações assim. O estilo retorna agora em "The Boys - O Nome do Jogo", álbum já à venda (Devir, 152 págs., R$ 39,50).

As situações corrosivas são lidas em doses homeopáticas. De um cachorrão truculento que transa com delicadas cadelinhas "lulu" à chefona da CIA, sempre subordinada no sexo.

Mas o alvo mor da incorreção são os heróis imaginados por Ennis. Os super-seres vivem num mundo de orgias e de abuso do poder, mesmo que à custa de vidas inocentes.

                                                         ***

Os heróis consideram baixas aceitáveis as vítimas que morrem durante as lutas contra os vilões. Eles trabalham até com um percentual de quantos civis podem morrer.

Uma das mortes foi a namorada de Hughie Mijão, personagem criado com o rosto do ator inglês Simon Pegg, o Scott da nova versão cinematográfica de "Jornada nas Estrelas".

Hughie, de mãos dadas com a namorada, rodava com ela, cheio de amor. Abruptamente, um dos heróis é arremessado e esmaga a moça contra a parede.

Apesar de chocante, a cena é aceitável, pelos padrões adotados. Os excessos passam então a ser controlados por The Boys, um grupo de civis com carta-branca do governo.

                                                          ***

O líder da trupe é Billy Carniceiro, inglês que também perdeu a esposa por causa de abusos de um dos super-seres. Desde então, tem direcionado a vida para o combate deles.

Nas seis histórias agrupadas no álbum, Carniceiro reorganiza o antigo grupo para, uma vez mais, partir para cima dos heróis. E convida Hughie para compor a equipe.

As dúvidas de Hughie e a apresentação do mundo incorreto dos super-heróis - balizado pelo sexo desenfreado - pontuam este início da série norte-americana da Dynamite.

Os desenhos são de Darick Robertson, parceiro de Ennis em outros projetos. Mas é a marca do escritor, carregada de humor ácido, que se destaca e que dá o sabor à história.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h38
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03.05.10

Cartunista processo loja de roupas por uso indevido de imagem

 

Cartum de Walmir Orlandeli

 

 

 

 

 

 

Cartum do desenhista Walmir Orlandeli, premiado em 2005 no Salão de Paraguaçu Paulista...

 

 

 

 

 

 

  Foto de camiseta vendida nas lojas Riachuelo

 

 

 

 

 

 

... foi usado em camiseta vendida nas lojas Riachuelo sem autorização, segundo o autor

 

 

 

 

 

 

 


O desenhista Walmir Orlandeli entrou com um processo por danos morais e materias contra a Confecções Guararapes, que controla a rede de lojas Riachuelo.

O autor pede indenização mínima de R$ 171 mil por ter um cartum seu usado em uma camiseta, vendida em unidades da loja de diferentes partes do país.

"Não é o meu traço, mas é inquestionável que copiaram descaradamente o trabalho", diz Orlandeli, por e-mail.

O desenho havia sido premiado em 2005 no 1º Salão de Humor de Paraguaçu Paulista. Ficou em segundo lugar na categoria cartum.

                                                        ***

Orlandeli ficou sabendo do caso em março de 2009. Um colega de Recife, Laerte Silvino, também ilustrador, viu o cartum estampado na camiseta e informou o autor, por e-mail.

"Pedi para enviar uma foto e, comprovado que a estampa era realmente do meu cartum, resolvi procurar na Riachuelo da minha cidade [São José do Rio Preto, no interior Paulista], onde também tinha a camisa."

O advogado do desenhista, José Galhardo Viegas de Macedo, deu entrada no processo no último dia 20. O caso tramita na 3ª Vara Cível de São José do Rio Preto.

Antes de entrar com a ação, ele diz ter comprado camisetas em lojas em Manaus, Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Campo Grande, São Paulo e São José do Rio Preto.

                                                          ***

As notas fiscais registram que a rede cobrava R$ 19,90 por unidade. Macedo diz que a peça já estava esgotada em Porto Alegre, Florianópolis, Fortaleza e Guaratinguetá.

O cuidado em quantificar onde a camiseta era vendida é para fixar o valor da indenização, somado à quantia por danos morais, prevista em 200 salários mínimos.

O advogado trabalha com o número mínimo de 3 mil peças vendidas. Se for provado judicialmente que a quantia é maior, a indenização pode ser ampliada.

"Vou pedir em juízo para saber nos livros contábeis o valor comercializado", disse Macedo ao blog, por telefone, na tarde desta segunda-feira.

                                                          ***

Outro lado.

Em nota, a Riachuelo admite que usou "inadvertidamente a obra intelectual criada pelo cartunista Walmir Orlandeli" e diz ter pedido a retirada da peça do setor de vendas.

Leia a íntegra do texto, enviado ao blog pela assessoria de imprensa da loja:

"O departamento jurídico das Lojas Riachuelo esclarece que inadvertidamente a obra intelectual criada pelo cartunista Walmir Orlandeli foi utilizada por um funcionário do departamento de criação para a estampa de camisetas, as quais foram imediatamente retiradas da área de vendas após a empresa haver tomado conhecimento do ocorrido, tendo inclusive sido determinado ao departamento responsável que se abstenha de utilizar a citada estampa. A empresa esclarece, ainda, que não foi cientificada quanto a eventual ação proposta pelo cartunista."

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h12
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Agende-se

 

Roda Viva
Os desenhistas Gabriel Bá e Fabio Moon participam hoje, às 22h, do "Roda Viva", da TV Cultura. Os dois irmãos serão entrevistados por André Forastieri, Érico Borgo, Danilo Gentili e este jornalista. O programa é exibido ao vivo e pode ser visto também pela internet.

Charges em Brasília
Lailson Cavalcanti inaugura nesta terça-feira, às 17h, a exposição "Arraestaqui - Miguel Arraes em charges de 1979 a 2002". A mostra traz 200 desenhos com o ex-governador e pode ser visitada até o dia 13 no anexo 2 da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Centenário de Agostini
Um debate vai discutir os cem anos da morte do ítalo-brasileiro Angelo Agostini, um dos pioneiros dos quadrinhos no Brasil. Um dos integrantes da mesa-redonda é o pesquisador Antonio Luiz Cagnin. às 8h30, no teatro do Ciee, em São Paulo (rua Tabapuã, 445).

Casa das Rosas
A Casa das Rosas, em São Paulo, faz uma extensa programação de debates, palestras e oficinas de quadrinhos durante todo o mês. Desenhistas, jornalistas e editores participam do cardápio, em diferentes dias e horários (a relação completa pode ser lida no site).

Quadrinhos na bienal
A Bienal do Livro de Minas vai ter uma mesa sobre quadrinhos, sob o tema "como casas texto e imagem". O tema será discutido pelos desenhistas Spacca e Lelis e pelo roteirista e editor Wellington Srbek. Dia 19 de maio, às 17h, no Expominas, em Belo Horizonte.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h31
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02.05.10

Homem de Ferro 2 avança cronologia Marvel no cinema

 

Cena de Homem de Ferro 2. Crédito: divulgação

 

Para quem normalmente não acompanha as histórias de super-heróis, o termo "cronologia" talvez seja um ilustre desconhecido.

A palavra sintetiza o modo como as histórias são contadas: uma novela sem fim, em que os eventos lidos em uma revista interferem nas aventuras dos demais títulos.

A sacada do primeiro longa-metragem de Homem de Ferro, de 2008,  foi dar início a uma versão cinematográfica dessa costura narrativa dos quadrinhos do gênero.

O recurso é retomado agora no segundo filme da franquia, que estreou no Brasil na última sexta-feira. A produção põe novas peças num quebra-cabeças bem maior.

                                                         ***

O diálogo interfilmes ficou mais nítido entre o primeiro longa e o filme do Incrível Hulk, lançado também em 2008.

Tony Stark, milionário que usa a armadura do Homem de Ferro, aparece numa das cenas conversando com Bruce Banner, cientista que se transforma no poderoso ser verde.

Nesta continuação, há a presença marcante de Nick Fury, chefe da agência de espionagem Shield, já mostrado rapidamente nos créditos do filme de estreia.

Fury quer cooptar Stark para integrar o projeto Vingadores que, a exemplo dos quadrinhos, é formado pelos principais heróis da editora norte-americana Marvel Comics.

                                                          ***

Os diálogos com Fury e a presença da Viúva Negra - interpretados por Samuel L. Jackson e Scarlett Johanson -, embora relevantes, ainda ficam em segundo plano.

São sementes para o futuro, a ser narrada em outros filmes com integrantes dos Vingadores, caso de Thor e de Capitão América - o escudo dele aparece neste filme.

Por ora, o que se tem é outro filme pipoca, descompromissado, com diferenças sutis se comparado ao anterior: menos ar de novidade e mais ação, em especial no fim.

Mesmo assim, o Homem de Ferro do cinema continua melhor que muitos quadrinhos do herói. E Robert Downey Jr., uma vez mais, rouba a cena no papel do excêntrico milionário.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h51
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Vida de Estagiário, de Allan Sieber, vai virar série de TV

As histórias humilhantes do estagiário Oséas serão narradas numa série, que será exibida pela TV Brasil e tem até dezembro para ficar pronta.

"Vida de Estagiário", baseada nos quadrinhos de Allan Sieber, foi um dos três vencedores de seleção do Ministério da Cultura para produção de séries voltadas a jovens.

Os outros dois trabalhos aprovados foram "Brilhante Futebol Clube", sobre meninas que formam um time de futebol, e "Natália", uma jovem que entra no mundo da moda.

O trio vencedor terá verba de R$ 2,6 milhões para produzir 13 episódios de 26 minutos. As séries - e outras cinco concorrentes - tinham ganhado um piloto, exibido em abril deste ano.

                                                         ***

Leia mais sobre a série em quadrinhos "Vida de Estagiário" neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h43
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