28.03.11

Obra de realismo fantástico inaugura coleção com HQs argentinas

 

  • "Noturno" abre coleção de histórias argentinas publicadas na revista "Fierro"
  • Obra começou a ser vendida neste fim de mês em livrarias e lojas de quadrinhos
  • Álbum é escrito e desenhado por Salvador Sanz, dono de estilo hiper-realista


 

Noturno. Crédito: editora Zarabatana

 

 

O desenhista Salvador Sanz defende que sua melhor obra é sempre a mais recente. Não seria ela, então, "Noturno", seu penúltimo trabalho produzido na Argentina.

A trajetória do álbum, no entanto, contradiz as palavras do quadrinista. A história é, sem dúvida, seu trabalho mais (re)conhecido. Pelo menos até o momento.

Mede-se isso pela repercussão. Já chegou à Espanha, está pronta para aportar na Itália e chega neste fim de mês ao leitor brasileiro (Zarabatana, 144 págs., R$ 41).

O trabalho inaugura uma série de obras em quadrinhos impressas originalmente na revista "Fierro", a mais importante publicação de quadrinhos da Argentina na atualidade.

                                                          ***

Este número inaugural da "Coleção Fierro" mostra uma história de realismo fantástico, mostrada com uma arte hiper-realista, marcas da produção de Sanz.

O álbum narra os problemas de dois jovens, Lúcio e Lúcia, após descobrirem que são canais de entrada para estranhos seres na forma de enormes pássaros, os tais noturnos.

As enigmáticas aves se valem do corpo dos homens para passar à nossa dimensão. Os dois jovens descobrem, então, que para enfrentarem essa ameaça precisam se unir.

União que se desenhava desde o início da narrativa. Ambos participaram de um mesmo um show de magia. As metamorfoses começaram após a apresentação.

                                                         ***

"Noturno" foi publicada em capítulos na "Fierro", que é publicada mensalmente com quadrinhos de autores argentinos. A história teve início em maio de 2007.

Durou dois anos e dois meses para ser concluída. Foi compilada em álbum em 2009. E se tornou uma janela para o trabalho de Sanz.

Este morador de Buenos Aires, de 35 anos, é hoje um dos mais proeminentes autores da nova geração de quadrinistas argentinos.

Diferencia-se por seguir a escola da ficção científica, iniciada e popularizada nos quadrinhos do país pelo roteirista Héctor Germán Oestrehled, criador da série "El Eternauta".

                                                         ***

Os primeiros trabalhos de Sanz foram no circuito independente. Editou com colegas, durante seis anos, um fanzine chamado "Catzole". Depois, migrou para a animação.

Produziu alguns curtas, como "Gorgonas", outro representante de sua inclinação pelo realismo fantástico, e dois álbuns "Desfigurado" e "Legion".

Hoje, divide os quadrinhos com storyboards e aulas de desenho. Não vive de quadrinhos, como a maioria dos autores da Argentina. "Mas, sim, vivo do desenho", diz. Atualmente, produz outra série para a "Fierro", "Ángela Della Morte".

Às vésperas de ser pai de uma menina, ele arrumou algumas brechas de tempo para responder à entrevista a seguir, feita após uma série de trocas de e-mails.

 

Trecho de Noturno. Crédito: editora Zarabatana

 


Blog - Há um estilo hiper-realista em seus desenhos e uma temática fantástica em seus roteiros. Quando você descobriu essas características para a criação de histórias em quadrinhos?
Salvador Sanz
- Desde sempre gostei do gênero fantástico, é o gênero que sempre me interessou narrar. Ele tem um cenário real, um aspecto reconhecível que o leitor pode identificar. Gosto que a fantasia vá inundando a realidade aos poucos até transbordá-la. Sempre tratei de desenhar de forma realista, um estilo que esteja a serviço da história. Acredito que, em um estilo realista, o elemento fantástico contrasta ainda melhor. Trata-se de representar algo que não existe, desenhado da forma mais realista possível.

Blog - "Noturno" narra uma história entre dimensões. O que você procurou mostrar nessa história em quadrinhos?
Sanz
- Uma das coisas que me interessam no gênero fantástico é que se pode criar um mundo novo, e é algo a que me propus fazer em "Noturno". Imaginei uma estranha fauna de aves inteligentes e o lugar de onde vieram. E logo mostrei a interligação com a nossa realidade. Essa história foi se armando aos poucos na minha cabeça, fui descobrindo episódios e, à medida que os ia publicando, comecei a pensar [a trama] como um todo. Por isso, usei muito improviso no roteiro.

Blog - Você acredita que "Noturno", hoje, seja o seu melhor trabalho?
Sanz
- Em cada obra que trabalho, eu me envolve de forma completa, por isso é que gosto de fazer tudo, o roteiro e os desenhos, É algo muito pessoal e, enquanto faço, perco objetividade e sempre penso que estou produzindo minha obra-prima. No momento em que a vejo editada, posso ver os acertos e os erros do meu trabalho. Mas creio que sempre há uma evolução em meu trabalho, por isso que gosto mais do último. Diria a você que o meu melhor trabalho é "Ángela Della Morte", que é posterior a "Noturno".

Blog - Como é esse novo trabalho para a "Fierro" ["Ángela Della Morte"]? Há planos para ser compilado em livro?
Sanz
- "Ángela Della Morte" é uma nova série de ficção científica com algo de horror que estou publicando para a "Fierro". Trata de uma misteriosa organização que aprendeu a separar a alma do corpo e que pode mudar de corpos como se fossem roupas. Já tenho umas 80 páginas feitas e, em um mês, sai o primeiro livro na Argentina. A ideia é que haja um segundo livro desse personagem, que em breve vai continuar na "Fierro".

Blog - Qual a sua leitura do mercado argentino de quadrinhos de hoje? Está melhor que, digamos, o de dois anos atrás?
Sanz
- Que haja uma revista "Fierro" nas bancas todos os meses publicando os novos autores é algo significativo. Logo surgiram outras revistas mais independentes no formato antologia, como a "Comic.ar" e a "Murcielaga". Há também algumas editoras de narrativas gráficas com autores muito bons, três editoras que editam mangás e outra que lança Marvel e coisas americanas. Não é muito, mas estamos melhor do que os anos 1990.

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 20h09
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26.03.11

Congresso de quadrinhos na USP recebe resumos até dia 31

 

Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h16
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24.03.11

Charge causa demissão de cartunista no Paraná

 

  • Desenho foi publicado sábado no jornal virtual "Paraná On-Line"
  • Charge de Solda repercutiu na internet como sendo racista
  • Cartunista diz que intenção foi mostrar brasileiros dando "banana" a EUA

 

Charge de Solda. Crédito: desenho cedido pelo autor

 

 

O cartunista Solda foi chamado pela redação do "Paraná On-Line", no início da semana, para uma conversa. Soube, então, que havia sido demitido do site, onde atuava desde 2005.

O motivo foi a má repercussão de uma charge sua, publicada no último sábado, dia 19. A arte fazia alusão à visita ao Brasil do presidente norte-americano Barack Obama.

O desenho mostrava um macaco dando uma "banana". Uma legenda trazia a frase "Almoço para Obama terá baião de dois, picanha, sorvete de graviola e banana, muita banana!".

O trabalho repercutiu na rede. O maior eco se deu após ser reproduzido no domingo no blog do jornalista Paulo Henrique Amorim, que viu no trabalho um conteúdo racista.

                                                         ***

Até as 17h desta quinta-feira, havia 192 comentários na postagem de Amorim sobre o assunto. Parte delas defendia o cartunista. Outra enxergava ali teor racista.

A associação feita foi a de que o macaco representaria o presidente norte-americano, algo que já ocorreu nos Estados Unidos durante a campanha eleitoral dele.

"Jamais imaginei isso", diz Luis Solda, por telefone. "Jamais faria isso com um chefe de estado ou com um irmão meu. Aí é racismo mesmo. O macaco é o povo brasileiro."

O desenhista diz que o alvo eram os Estados Unidos. "O brasileiro dando uma ´banana´para os americanos que sempre consideram os sul-americanos o quintal da casa deles."

                                                        ***

"A repercusão me causou espanto. Sou um sujeito pacato, modesto, não saio de casa e jamais imaginei que uma charge minha serviria para esse rebuliço todo."

A charge foi retirada do arquivo virtual do jornal on-line. Na conversa sobre sua demissão, Solda diz ter ouvido do site que diversas entidades de negros estavam processando o jornal.

"O jornal tirou o deles da reta e eu fui mandado embora", diz o desenhista de 58 anos, vencedor por três vezes no Salão Internacional de Humor de Piracicaba na categoria charge.

Nas leitura dele, "estão ateando fogo aos chargistas". A frase faz referência a outra charge que causou polêmica na semana passada, publicada na "Folha de S.Paulo".

                                                          ***

O jornal paulista veiculou uma charge sobre o tsunami que devastou parte do Japão. O desenho, de João Montanaro, recuperava uma pintura antiga e dava nova leitura a ela.

A arte de Montanaro foi interpretada por alguns leitores do jornal como um ato de mau gosto, como sendo uma piada sobre a tragédia. Muitos cartunistas defenderam o desenho.

O assunto foi, inclusive, tema da ombudsman da Folha, Susana Singer, na coluna do último fim de semana.

"Há uma intolerância contra os chargistas. Não dúvida", diz Solda.

                                                          ***

Outro lado. Rafael Tavares, diretor-executivo do grupo Paulo Pimental, que administra o "Paraná On-Line", entende que houve um erro na veiculação da charge de Solda.

"Acho que não deveria ter sido publicada", disse no fim da tarde, por telefone. "Acho que ela permite a interpretação [feita] pelos outros e também a que Solda fez."

Tavares diz que, após ver o desenho, pediu que a arte fosse retirada do ar. O jornalista entende, no entanto, que a maior repercussão se deu fora do site.

Ele diz ter recebido nesta quinta-feira um manifesto contra a charge assinado por cinco entidades ligadas a grupos de defesa dos direitos dos negros.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h17
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18.03.11

2011, o ano dos encontros internacionais de quadrinhos no Brasil

 

  • Em Curitiba, evento trará em julho Fabio Civitelli, Giovanni Ticci e Ernesto Seijas
  • No Rio de Janeiro, Rio Comicon terá em outubro Chris Claremont e Dennis Kitchen
  • Em Belo Horizonte, FIQ já fechou com autores nacionais e negocia estrangeiros

 

Coincidência ou não, este ano terá uma concentração de encontros internacionais de quadrinhos aqui no Brasil no segundo semestre.

Nos bastidores, os convites aos autores brasileiros e estrangeiros já começaram. Alguns foram confirmados. Bem como as datas dos eventos, realizados em diferentes capitais.

A largada será em Curitiba. A cidade paranaense irá sediar uma convenção de quadrinhos entre 15 e 17 de julho. Nomes da Itália, Alemanha e Argentina estão confirmados.

Os organizadores, no entanto, confirmam oficialmente apenas os italianos Fabio Civitelli e Giovanni Ticci e o argentino Ernesto Seijas, todos desenhistas da série de faroeste "Tex".

                                                          ***

A segunda edição da Rio Comicon também está com data marcada: entre 20 e 23 de outubro. Está quase tudo fechado para ser realizada no Píer Mauá, no Rio de Janeiro.

A organização diz já ter acertado alguns nomes estrangeiros. Libera apenas dois, ambos norte-americanos: Chris Claremont e Dennis Kitchen.

Claremont ficou conhecido por escrever durante décadas as histórias do grupo de super-heróis X-Men para a editora Marvel Comics.

Kitchen teve atuação no mercado independente e fundou uma editora que leva seu sobrenome. Ganhou destaque ao publicar obras de Will Eisner (1917-2005).

                                                         ***

Roberto Ribeiro, editor da Casa 21 e diretor do encontro, diz que aguarda a resposta de algumas parcerias. Programa fazer o lançamento oficial no mês que vem.

"Eu estou tentando compor quadrinhos e cultura urbana. Isso cria um universo de artistas muito grande, grafiteiros, cinema, televisão", diz, por telefone.

A edição anterior recebeu entre 12 mil e 15 mil pessoas, segundo estimativas dele e dos demais organizadores. Para este ano, pretende segmentar o evento em áreas temáticas.

Uma será para crianças, outra para jovens e uma terceira para cinema. "Mas o conjunto do evento é dos adultos". É nesse segmento que serão direcionadas palestras e mostras.

                                                         ***

Ribeiro será também consultor e apoiador do 7º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), encontro que ajudou a criar em 1999 e ao qual esteve diretamente ligado até 2009.

"Eu tive de sair porque percebi que tinha uma dificuldade de ordem ética. Eu senti que seria bombardeado de permanecer na gestão do FIQ", diz.

O termo "bombardeado" faz alusão à pressão que diz ter sofrido, muito por ser representante de uma empresa de fora de Minas Gerais (a editora dele é do Rio de Janeiro).

"Houve todo um movimento para que a prefeitura rompesse conosco." Mas a saída, segundo ele e confirmada pelo FIQ, deu-se com o compromisso de ajudar. O que vem fazendo.

                                                           ***

Uma das pontes entre a Rio Comicon e o FIQ pode se dar por meio de exposições comuns.

Como as datas são próximas - o FIQ será entre 9 e 13 de novembro -, Ribeiro diz manter conversas para que algumas das mostras sejam levadas também a Belo Horizonte.

Hoje, o encontro é organizado pela prefeitura da capital mineira. O local também já foi definido. Será na Serraria Souza Pinto, que sediou o evento há quatro anos.

Segundo a organização, outros pontos da cidade também serão palco da programação.

                                                         ***

Uma das propostas é que o FIQ funcione como uma espécie de epicentro de uma série de atividades de quadrinhos já desenvolvidas na cidade.

"Por exemplo, uma oficina de quadrinhos desenvolvida em uma de nossas bibliotecas ao longo do ano, pode ter sua culminância no Festival, como um workshop para os alunos desta oficina, durante o FIQ com um dos convidados internacionais", diz Afonso Andrade, que coordena a edição deste ano.

"Outro exemplo: um dos clubes de leitura pode se transformar em uma das mesas da programação oficial." Outra intenção é dar maior destaque ao leitor de quadrinhos.

"Geralmente trabalhamos em um evento como este centrados nos quadrinistas e editores. O Leitor acaba tendo um participação passiva", diz.

                                                        ***

"No entanto, muitas pessoas passam o dia no evento, outras vão todos os dias, marcam com os amigos, ficam o dia interiro conversando sobre quadrinhos."

"Queremos trazer isto para o Festival, esta experiência. Mas temos de fazer algo que não seja só para os fãs, o leitor casual também poderá viver isto."

Por ora, os nomes internacionais são guardados a sete chaves, bem como o do homenageado desta edição. Andrade confirma apenas alguns dos nacionais.

Ele cita Gabriel Bá, Fábio Moon, Laudo Ferreira Jr., Laerte, Vitor Cafaggi, Eduardo Pansica, Cris Bolson, Rodney Buchemi, Eddy Barrows e os mineiros da Graffiti e do Lady´s Comics.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 05h14
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17.03.11

ProAC de quadrinhos vai continuar, segundo secretário

Foram só duas palavras: "vai continuar!". Mas foram suficientes para o Secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo, confirmar a manutenção do ProAC de quadrinhos.

A resposta foi dada pelo Twitter durante a noite passada. A pergunta havia sido feita pelo roteirista Celso Menezes, do álbum "Jambocks!", duas vezes contemplado pelo edital.

O ProAC (Programa de Ação Cultural) banca a produção de álbuns. São selecionados dez a cada edição (já houve três). Os autores recebem R$ 25 mil cada um para produzir a obra.

Um dos álbuns foi "Bando de Dois", de Danilo Beyruth, um dos melhores trabalhos nacionais do ano passado. Os projetos do último edital (2010) serão publicados neste ano.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h44
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15.03.11

 Casos como o do Japão comportam charges?

 

Charge de Xalberto. Crédito: site Charge Online

 

A provocativa pergunta que intitula esta postagem foi pinçada da carta de um leitor do jornal "Folha de S.Paulo", publicada na edição de segunda-feira. No texto, ele questionava:

"... penso ser importante rir da tragédia humana. Mas rir inclusive das que não foram causadas por outro homem? Ou das que morrem centenas de inocentes?"

E conclui: "Momentos como este não comportam essas charges". O pronome "essas" remetia à charge publicada pelo jornal no sábado, de autoria de João Montanaro.

O desenho mostrava o tsunami arrastando casas, carros e árvores. Ao fundo, uma usina nuclear. O título dado foi "Xilogravuras Japonesas - A Onda".

                                                         ***

Havia um toque crítico e de humor na charge, características próprias do gênero. No entender do leitor, tais elementos não seriam propícios a determinados assuntos.

A leitura feita por Montanaro, e endossada pelo staff do jornal, é que o principal assunto do noticiário dos últimos dias é passível, sim, de um olhar crítico, com verniz de humor.

A mesma interpretação fizeram pelo menos outros 16 chargistas, que nesta terça-feira publicaram seus desenhos sobre a tragédia no Japão em diferentes jornais do país.

Pelo menos é o que se conclui após a leitura do site "Charge Online", que reúne trabalhos de todo o país. O assunto é o mais abordado na manhã de hoje.

                                                         ***

Quem também compratilha dessa leitura é o cartunista Laerte Coutinho. Em texto publicado hoje na seção de cartas da Folha, ele sai em defesa do colega de jornal.

Na leitura de Laerte, "talvez tenha havido pressa no julgamento que alguns leitores fizeram, condenando o trabalho por um suposto desrespeito à dor humana num momento de tragédia. No entanto, João revelou audácia, e não insensibilidade".

"Usando um ícone da cultura japonesa, ele nos remete a uma reflexão sobre contrastes: o milenar, permanente, sólido; e o instantâneo, devastador."

Segundo Laerte, "o autor se preocupou em não colocar nenhuma figura humana no desenho, sinal de que percebeu a gravidade do tema e a necessidade de localizar o comentário na esfera da relação entre a cultura humana com o meio ambiente." E conclui: Isso é um alerta, e não um sinal de zombaria".

                                                          ***

Em situações-limite como essa, torna-se, de fato, ainda mais desafiador o papel do chargista. Como bem sintetiza o desenho de Xalberto acima e lido no "Charge Online".

Por ser um fato que choca, há o sério risco de ser mal-interpretado, lido como zombaria, e não como crítica. É nesses casos que fica evidente quem de fato entende o papel da charge e quem não.

Leitores habituais de jornais, de quadrinhos e de charges tendem a aceitar sem problemas tais abordagens, mesmo que limítrofes, como a do Japão.

Parte dos demais tende a enxergar na charge apenas a piada, o humor, e não o papel da crítica. E verão apenas o texto visual, equivocadamente, apenas como uma chacota.

 

Preto no Branco, de Allan Sieber. Crédito: reprodução da edição on-line da Folha de S.Paulo

 

É a mesma desinformação que pautou outra carta publicada na edição desta terça-feira da Folha. Uma leitora classificava como "lamentável" a tira acima, de Allan Sieber.

No entender dela, o desenhista estaria "depreciando o teatro para crianças". Para ela, Sieber deveria se informar mais sobre o tema antes de "debochar" de forma "preconceituosa".

Embora a opinião deva ser respeitada, ela ignora o fato de o humor da tira ter se pautado num senso comum, evidenciado e reforçado pela contundente resposta escrita pela leitora.

A carta sugere também que, mesmo o teatro infantil sendo de qualidade, ele estivesse fora de uma abordagem cômica e crítica. Seguindo o raciocínio, haveria um "filtro" para o humor.

                                                          ***

De todo modo, o caso da tira de Sieber e a abordagem sobre o Japão não foram o primeiro - e nem serão o último - caso a pôr à prova o papel da charge.

Em 2005, um desenho que mostrava Maomé com um turbante explosivo gerou uma série de violentos protestos de seus seguidores na Europa e no Oriente Médio.

Vale o bom senso, claro, mas dizer que um assunto não cabe numa charge está no limite da censura.

Em tese, tal decisão deve caber apenas ao chargista, pautada na necessária liberdade dada a ele.

                                                         ***

Mas temas delicados são, de fato, desafios para os quadrinistas, que, mesmo assim, podem obter resultados primorosos.

Um exemplo foi a charge do desenhista Jean, na edição de domingo da mesma Folha e também sobre a tragégia no Japão.

O trabalho mostrava a bandeira do Japão com uma lágrima vermelha.

Sensível, não deixou de ser crítico e de abordar o tema.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 08h32
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14.03.11

Brasil terá mais um congresso científico de histórias em quadrinhos

Um congresso em Recife vai servir para discutir trabalhos científicos ligados a histórias em quadrinhos e outras formas de arte pop, como os games e os desenhos animados.

O 1º Encontro Nacional de Estudos sobre Quadrinhos e Cultura Pop, nome do congresso, será realizado na Universidade Federal de Pernambuco entre 29 e 31 de julho.

Os organizadores irão receber as propostas para minicursos, mesas-redondas e resumos até o próximo dia 14 de abril. Há mais detalhes no site do encontro.

Este é o segundo congresso científico sobre quadrinhos a ser realizado neste ano. Na USP, em agosto, irão ocorrer as I Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 09h27
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13.03.11

Duas tiras do dia que merecem registro

 

A estreia da nova fase de Allan Sieber na "Folha de S.Paulo"...

 

Preto no Branco, de Allan Sieber. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo

 

... e Rocky e Hudson, de Adão Iturrusgarai, também na Folha de hoje:

 

Mundo Monstro, de Adão Iturrusgarai. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h46
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12.03.11

Allan Sieber substitui tiras de Glauco na Folha

 

Tira deste sábado de Allan Sieber. Crédito: reprodução da edição on-line da Folha de S.Paulo

 

O desenhista gaúcho Allan Sieber ocupa a partir de hoje a vaga deixada por Glauco Vilas Boas no espaço de tiras do caderno de cultura da "Folha de S.Paulo".

Glauco e seu filho Raoni foram assassinados neste mesmo dia, há um ano. Desde então, o jornal tem reeditado histórias criadas por ele. A última foi publicada na edição de ontem.

"É um jeito muito triste de entrar, após a morte de Glauco. Não há dúvida de que sou filho do humor dele, além do de Laerte e Angeli", disse Sieber, em reportagem de hoje do jornal.

O desenhista já publicava nos fins de semana a tira "Preto no Branco", que continua de sexta a domingo. Nos demais dias, ele assinará a série "Bifaland, a Cidade Maldita".

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h51
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Alguma editora interessada em publicar?

Duas séries em quadrinhos irão ganhar versões para o cinema neste ano: a belga Smurfs e a italiana Dylan Dog. Os longas estão programados para estrear por aqui em agosto.

Ambas têm outro ponto em comum: foram publicadas no Brasil mais de uma vez, por diferentes editoras, e tiveram o mesmo destino, o cancelamento.

Os filmes são um bom gancho para um retorno. Alguma editora interessada?

Seguem abaixo os trailers dos dois filmes.

 


 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h09
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11.03.11

Nanquim (nada) Descartável

 

  • Quarto número é o melhor da série criada por Daniel Esteves
  • Parceria com editora permite venda do álbum em livrarias
  • Festa neste sábado faz mais um lançamento da obra

 

Nanquim Descartável 4. Crédito: imagem cedido pelo autor

 


Há que se concordar com um trecho do prefácio do novo número de "Nanquim Descartável", à venda desde o fim de janeiro e que tem novo lançamento neste sábado, em São Paulo.

Daniel Esteves, roteirista da obra, diz no texto que "mesmo com todos os atropelos, essa será a melhor revista que já editei". De fato, este quarto número é o melhor da série.

Não porque tenha o diferencial de ter sido produzido com mais páginas e no formato álbum - ficou 96 páginas (R$ 15) -, mas, sim, pelo conteúdo e pela história bem amarrada que traz.

E, nesse ponto, há de se concordar uma vez mais com Esteves. No mesmo prefácio, resume a série como um lugar "onde nada acontece, mas muita coisa é dita".

                                                         ***

Como nos demais números, a trama gira em torno da vida das protagonistas Ju e Sandra, duas amigas que dividem o apartamento e confidências.

Neste número, ambas têm de enfrentar casos mal resolvidos do passado. Dois relacionamentos com ex-namorados que terminaram pontas soltas e, por isso, não encerrados por completo.

É esse o tema central do álbum. Situação comum, mas, justamente por isso, de fácil identificação por parte do leitor. E diferenciado aqui pela criativa condução narrativa de Esteves.

Ele consegue criar situações e diálogos - uma das marcas da série - que ligam de forma peculiar os dois confrontos das personagens com os amores do passado.

                                                        ***

Um dos confrontos se dá na mente de Ju, após uma queda em seu quarto.

O trabalho gráfico feito por Mário Cau nas cenas imaginadas por ela é um dos diferenciais do álbum. Cada situação rememorada é mostrada com um estilo distinto do outro.

A impressão que a arte de Cau cria é que se trata de diferentes desenhistas, embora se saiba ser apenas um.

Como nos números anteriores, a arte é dividida entre vários autores. Participam também Wanderson de Souza, Alex Rodrigues, Fred Hildebrand, Wagner de Souza, Julio Brilha e Mário César.

                                                         ***

Uma parceria com a editora Via Lettera permitiu que a obra independente chegasse nas últimas semanas às livrarias também. Outra peculiaridade  deste quarto número.

A obra, por si só, já se diferencia por ser a melhor da série e por ser produzida no formato álbum, apesar de bancada pelo autor, que faz uma ponta no final da história.

Mas, a se pautar por este resultado, é um caminho a ser explorado. Seria prematuro dizer em março que se trata de um dos melhores trabalhos nacionais do ano.

Mas não seria incorreto registrar, ainda neste primeiro trimestre, que a obra se diferencia pela qualidade e que está, sim, entre os destaques deste 2011.

                                                         ***

Serviço - Festa de lançamento de "Nanquim Descartável 4". Quando: sábado (12.03). Horário: a partir das 18h. Onde: Estúdio HQEMFOCO. Endereço: av. álvaro Ramos, 404, sala 11, São Paulo. Quanto: o álbum custa R$ 15.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h22
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03.03.11

Fierro Brasil trará histórias de autores nacionais

 

Capa da Fierro Brasil. Crédito: editora Zarabatana

 

 

 

 

 

 

 

Capa da "Fierro Brasil", desenhada pelo argentino Liniers, um dos autores da obra...

 

 

 

 

 

 

 

4ª capa da Fierro Brasil. Crédito: editora Zarabatana

 

 

 

 

 

 

 

... e quarta capa da edição nacional, com arte de Lucas Varela

 

 

 

 

 

 

 

 

A edição nacional da "Fierro", principal revista em quadrinhos da Argentina, trará histórias de seis autores nacionais. As narrativas serão mescladas às produções estrangeiras, todas inéditas por aqui.

São seis os brasileiros: Danilo Beyruth, Gustavo Duarte, Santiago, Adão Iturrusgarai, Fábio Zimbres e Eloar Guazzelli. Os três últimos já haviam publicado no título argentino.

As demais narrativas fazem uma seleção de histórias publicadas desde 2006, quando a revista voltou a circular na Argentina, vendida uma vez por mês com o jornal "Página/12".

São tramas curtas, de temas variados. Parte é de nomes conhecidos, como Liniers e Maitena. A maioria dos autores, no entanto, será publicada pela primeira vez no país.

                                                         ***

A "Fierro Brasil" terá 160 páginas e foi produzida num formato maior, equivalente ao de uma revista. A programação da Zarabatana, editora da obra, é lançar na virada do mês.

"Eu acredito que vai ser um dos lançamentos mais importantes do ano", diz Claudio Martini, editor da Zarabatana. "Pela qualidade do trabalho e dos autores que está reunindo."

Não se trata apenas de um natural otimismo editorial. O blog teve acesso à revista, que foi para a gráfica nesta semana.

Pelo que se leu, é possível dizer que será um dos destaques do ano na área de quadrinhos.

                                                         ***

A revista, feita no Brasil na forma de álbum, traz os nomes mais importantes do quadrinho argentino dos últimos 35 anos, do veterano escritor Carlos Trillo ao inovador Minaverry.

Como dito, a maioria é desconhecida dos leitores daqui. Outra importância da publicação: aproximar os autores e a até então desconhecida produção de lá ao público de cá.

O projeto da editora é casar o lançamento da obra com um álbum que reúne histórias mais longas da "Fierro", narradas em capítulos. A série será chamada de "Coleção Fierro".

O primeiro será "Noturno", de Salvador Sanz. O álbum será publicado num formato maior que o original, versão inédita no mundo. O livro também sai na virada do mês.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h04
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02.03.11

Começam inscrições para congresso internacional de quadrinhos

 

I Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos

 

Começaram nesta semana as inscrições para as I Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos, congresso que será realizado entre 23 e 26 de agosto na USP, em São Paulo.

Há duas formas de participação. Na primeira, a pessoa inscreve um trabalho para ser apresentado. Nesse caso, a submissão dos resumos vai até o dia 31 deste mês.

A segunda maneira de participar é como ouvinte. Mesmo assim, a pessoa precisa se inscrever. Mas, nesse caso, o prazo é um pouco mais folgado, vai até 31 de julho.

As inscrições podem ser feitas por meio do site do congresso:

A página virtual traz também outras informações sobre o evento científico.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h23
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