30.04.11

Thor repete fórmula de Homem de Ferro

 

  • Filme, que estreou neste fim de semana, procura dar toques de humor a protagonista
  • Reconstrução do super-herói integra estrátégia para dialogar com diferentes públicos
  • Estratégia funcionou com Homem de Ferro, outro personagem secundário da Marvel

 

Thor

 


Assistir a uma sessão de "Thor" ajuda a entender não só a megaprodução que estreou neste fim de semana, mas também o público que ela tenta atingir. Basta observar com cuidado.

Vi o filme nessa sexta-feira, num shopping de São Paulo. Sessão das 18h30. Versão dublada, por opção minha. Apesar do horário, sala com mais da metade das cadeiras ocupadas.

Trailers. A maioria dava um tira-gosto das novas adaptações de super-heróis: "X-Men - Primeira Classe", da mesma Marvel Comics de Thor, e "Lanterna Verde", da concorrente DC Comics.

Terminada a entrada, o cardápio principal. As cenas iniciais já sinalizavam que um dos protagonistas do filme seriam não os atores, mas os efeitos especiais.

                                                          ***

A história inicia em Asgard, reino além da visão humana onde moram os deuses nórdicos. Cenário impressionante de ser ver, independentemente do gênero do filme.

As divindades são comandadas pelo poderoso Odin (Anthony Hopkins).

Os minutos iniciais mostram o conflito dele com os homens de gelo e apresentam seus dois filhos-herdeiros: o orgulhoso Thor (Chris Hemsworth) e o ardiloso Loki (Tom Hiddleston).

Já adulto, foi a impulsão de Thor que  levou a uma retomada do confronto com os seres de gelo. E que acarretou sua expulsão de Asgard. O confinamento seria na Terra.

                                                          ***

É aí que se percebem bem claramente as semelhanças com a adaptação de outro personagem do segundo escalão da Marvel Comics, Homem de Ferro.

De tão bem-sucedida, a produção ganhou uma sequência e projetou o personagem para um público muito diferente do dos quadrinhos de super-heróis.

A fórmula de Homem de Ferro era ter efeitos especiais de primeira, um elenco afiado, um protagonista carismático, que mescla momentos de humor e de ação.

Assim como o Tony Stark vivido por Robert Downey Jr., este Thor dirigido por Kenneth Branagh põe o poderoso herói em situações inesperadas e, por isso, cômicas.

                                                         ***

O humor nas histórias em quadrinhos de Thor, quando havia, era restrito a personagens coadjuvantes.

Criado em 1962 por Larry Lieber, Jack Kirby e Stan Lee (sim, ele faz a tradicional ponta no filme), o herói sempre foi representado de forma nobre, inclusive na fala.

O personagem passou por vários escritores ao longo das décadas. O protagonista do filme é uma amálgama de vários deles, inclusive no visual, baseado numa versão mais recente.

Mas o humor é novo. E torna o Thor do cinema um personagem mais interessante que o dos quadrinhos, assim como o Homem de Ferro.

                                                         ***

Mas não se pode esperar muito mais que isso. Trata-se de um roteiro simples, camuflado pelo roteiro simples e por rostos de alguns atores conhecidos.

Nem a presença da oscarizada Natalie Portman sobressai. Constrói-se um forçado interesse do deus nórdico por ela, que se torna mais um rosto na produção, como os demais.

É daqueles filmes para não pensar muito. É para sentar e deixar se envolver pelos efeitos especiais, o humor e os efeitos. E só.

A fórmula funcionou com Homem de Ferro. Tem tudo para ser repetida com "Thor". A recepção junto à grande massa é quem dirá.

                                                         ***

A plateia comum de filmes de ação era a maioria, pelo menos na sessão a que assisti. Como dito no início destas linhas, basta observar com cuidado.

Terminado o filme, a maioria se levantou para sair. Permaneciam nas sala uns poucos casais de namorados, como de praxe, e um grupo de oito pessoas, eu entre elas.

Eram os leitores de quadrinhos, que sabiam que as adaptações da Marvel dialogam entre si, como nos quadrinhos, e que haveria pistas após os créditos.

Dito e feito: aparecia o Nick Fury de Samuel L. Jackson para indicar o caminho do roteiro de "Vingadores", com Thor e Homem de Ferro. Não falo o que é para preservar a surpresa.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 11h54
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25.04.11

Mais um quadrinista na Flip

 

  • André Diniz irá participar da edição deste ano da Festa Literária de Paraty
  • Quadrinista será um dos convidados da ala jovem do encontro, realizado em julho
  • Autor programa três álbuns para 2011 e fechou contrato para produzir outros dois

 

Página de A Cachoeira de Paulo Afonso. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


A agenda de André Diniz está disputada. Em julho, o quadrinista se divide entre um encontro da área na Bolívia e a Festa Literária Internacional de Paraty, no Rio de Janeiro.

A participação na Flip será entre 6 e 10 de julho, na ala infanto-juvenil. Na seção adulta, está acertada a vinda de Joe Sacco, conhecido por fazer reportagens em quadrinhos.

O convite a Diniz surgiu por conta do álbum "O Quilombo Orum Aiê", lançado em 2010 pela Galera Record. Eclética, a obra dialogava tanto com os mais jovens quanto com os adultos.

Ecletismo que não passou despercebido do meio editorial e pautou outros compromissos em sua agenda: programa lançar três álbuns neste ano, cada um por uma editora.

                                                         ***

Uma das editoras é a Barba Negra, com quem assinou contrato para produzir três obras até 2013. "O primeiro deve ser lançado em julho", diz.

"É um quadrinho biográfico sobre um fotógrafo do Rio de Janeiro, que tem uma história de vida e uma trajetória profissional incríveis."

"Quanto aos dois outros títulos, estamos definindo entre quatro outras ideias minhas, duas na verdade já com roteiros prontos, e por isso são grandes candidatas."

Diniz também foi um dos finalistas do concurso de quadrinhos da editora. O prêmio prevê a edição de um álbum. Foram selecionados três projetos. O vencedor foi Wesley Rodrigues.

                                                        ***

Não ter vencido o concurso, na prática, apenas deixou em branco algumas páginas da agenda do quadrinista. Ele lança no segundo semestre outros dois trabalhos.

Um será pela editora Pallas. Trata-se de uma adaptação do poema "A Cachoeira de Paulo Afonso", de Castro Alves (1847-1871), em que ele acumula texto e desenho.

"Não foi um trabalho por encomenda. Apesar de ser uma adaptação de um clássico, o que a princípio interessa às editoras, fiz o álbum por conta própria e depois busquei a editora."

"Isso porque esse era um trabalho que eu queria fazer de qualquer jeito, era um desejo antigo meu o de misturar quadrinhos e poesia."

 

Trecho de Mwindo. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


O outro álbum será uma nova parceria com a Galera Record. "Mwindo", título da obra, narra a lenda de um rei africano que proíbe suas sete mulheres grávidas gerarem meninos.

Seis cumprem a ordem. A sétima, no entanto, dá à luz Mwindo. O pai decide dar cabo do filho, mas o bebê, mesmo recém-nascido, lidera uma guerra contra ele.

A obra traz uma novidade na carreria de Diniz. Ele faz apenas a arte. O roteiro ficou a cargo da escritora Jacqueline Martins, que soma duas décadas mexendo com histórias infantis.

"Já era um desejo meu fazer algo com a Jacqueline e, quando descobri essa lenda, achei que ia dar uma história deliciosa passando pelas mãos dela."

                                                         *** 

A agenda cheia casa com um novo momento pessoal. Desde a virada do ano, ele trocou de estado: saiu do Rio de Janeiro e se estabeleceu em São Paulo com a família.

A vinda para a capital paulista foi facilitar o aperfeiçoamento profissional da esposa, Marcela, na atividade de ilustradora. São Paulo, diz, apresenta mais opções na área.

Na nova morada, Diniz divide os projetos para o papel com os virtuais. Quer retomar um campo de que foi um dos pioneiros no Brasil, os quadrinhos na internet.

Ele foi um principais responsáveis pelo site Nona Arte, que abrigava histórias suas e de outros autores.

                                                          ***

"Fiquei tão marcado pelo site Nona Arte, que começou meio por acaso e acabou tomando muito do meu tempo, que eu quis propositalmente dar um bom tempo no virtual."

Ele conta que planejou uma volta há questão de um ano. Não deu certo. De rascunho em rascunho, amadureceu um molde, prestes a ganhar forma num novíssimo site.

"O que vem aí é um site com HQs minhas semanais, com um ponto de partida que vai me permitir criar com liberdade e experimentar também, sem me distanciar do leitor."

"Acredito que, quem gostou do meu álbum ´7 Vidas´ vá gostar bastante." A ver. O nome da página será "Duas Luas", nome do projeto dele que concorreu no concurso da Barba Negra.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h35
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Blog dos Quadrinhos: 5 anos no ar

Registro rápido.

Nesta segunda-feira, dia 25, este blog completa cinco anos no ar.

Sei que é chavão, mas passou muito rápido. Parece que foi ontem...

De todo modo, fica o registro e o agradecimento ao leitor pela convivência de longa data.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h20
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21.04.11

Troféu HQMix começa a definir indicados

 

  • Seleção dos indicados ao prêmio de quadrinhos teve início nesta semana
  • Nomes dos indicados pela organização do troféu são divulgados no blog do HQMix
  • Até o momento, foram apresentados trabalhos de seis categorias da premiação

 

A organização do Troféu HQMix começou a divulgar nesta semana os trabalhos indicados à premiação, a principal da área de quadrinhos do país.

Os trabalhos selecionados são apresentados no blog do evento. Todas obras foram publicadas durante 2010 (o troféu premia os melhores do ano anterior).

Até o momento em que esta postagem é escrita, foram apresentados os indicados para seis categorias. Veja quais são e os nomes selecionados:

 

Adaptação para outros veículos
  • Malditos Cartunistas (documentário)
  • Laerte (minidocumentário)
  • Kick-ass: Quebrando tudo (filme)
  • Mulheres Alteradas (teatro)
  • A Super Comédia Canibal (show de comédia)
  • Super-heróis - O Poderoso Livro Pop-up (livro)
  • Menino Caranguejo (iphone)
 
Livro teórico
  • Bienvenido - Um passeio pelos quadrinhos argentinos – Paulo Ramos (Zarabatana)
  • Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e censura na Ditadura Militar – 1964-1985 – Guerra dos Gibis 2 - Gonçalo Junior (Peixe Grande)
  • Smack! O beijo nos Quadrinhos – Gonçalo Junior (Comix)
  • Universo Onírico de Neil Gaiman - Heitor Pitombo (Kalaco)
  • Almanaque de Desenhos Animados - Paulo Gustavo Pereira (Matrix)
  • O Quadro nos Quadrinhos - Fabio Luiz Carneiro Mourilhe Silva (Multifoco)
  • Ciência em Quadrinhos - Imagem e texto em cartilhas educativas - Márcia Mendonça (Bagaço)
 
Publicação de Aventura/Terror/Ficção
  • Vertigo (Panini)
  • Invasão dos Mortos (Gal Editora)
  • O que aconteceu ao homem mais rápido do mundo? (Gal Editora)
  • Mágico Vento (Mythos)
  • J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga (Mythos)
  • Starcraft – Linha de Frente (Conrad)
  • Batman Anual (Panini)
Adaptação para os quadrinhos
  • Triste Fim de Policarpo Quaresma (Desiderata)
  • Clássicos da Literatura Disney (Abril)
  • Demônios (Peirópolis)
  • Kiki de Montparnasse (Record)
  • Classics Ilustrated - Alice Através do Espelho (HQM)
  • Anita Garibaldi - O Nascimento de uma Heroína (Independente)
  • Memórias Póstumas de Brás Cubas (Desiderata)

Publicação infanto/juvenil

  • Monica y su Pandilla / Monica's Gang (Panini)
  • 50 Anos da Turma do Pererê (Globo)
  • Pequenos Heróis (Devir)
  • Disney Big (Abril)
  • Pequeno Vampiro e o Kung Fu (Jorge Zahar Editor)
  • Mumin (Conrad)
  • Banzo e Benito (Zarabatana)

Publicação de clássico

  • Ranxerox (Conrad)
  • Ao Coração da Tempestade (Quadrinhos na Cia.)
  • Flash Gordon (Kalaco)
  • As Cobras - Antologia Definitiva (Objetiva)
  • Tarzan - A Origem do Homem-Macaco e Outras Histórias (Devir)
  • Fawcett (Devir)
  • Peanuts Completo (L&PM)


A proposta em pôr os nomes no blog da premiação é a de estimular comentários sobre os indicados, de modo a possibilitar eventuais ajustes.

Esta é a segunda etapa da premiação. A primeira, também feita por meio do blog, foi a divulgação de todos os lançamentos de 2010, divididos por categorias.

Houve quem achasse que essa fase inicial já fossem os nomes indicados. Alguns autores até iniciaram uma campanha antecipada por votos via e-mail e redes sociais.

Os indicados das demais categorias serão apresentados nas próximas semanas (link para o blog). A comissão organizadora não informou quando os premiados serão divulgados.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h27
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17.04.11

Fidel Castro em quadrinhos

 

  • Álbum narra trajetória do líder cubano, da revolução aos dias de hoje
  • História foi feita pelo alemão Reinhard Kleist, especializado em biografias
  • Obra mescla acontecimentos reais com elementos ficcionais

 

Castro. Crédito: editora 8Inverso

 


É tentador, porém impreciso, rotular o álbum "Castro" como uma biografia ipsis literis.

A obra mescla aspectos ficcionais aos dados reais sobre Fidel Castro e o povo cubano.

Seria, então, uma biografia ficcional. Ou algo próximo a isso.

E está aí o acerto deste novo trabalho do alemão Reinhard Kleist, à venda em livrarias e lojas de quadrinhos (8Inverso, 288 págs., R$ 51).

                                                         ***

Para transpor uma biografia à linguagem dos quadrinhos, é necessário imaginar como se deram algumas das cenas e dos diálogos narrados.

Por essa aparente limitação, é difícil ser cem por cento fiel ao que está representado nos quadrinhos, por mais exato que se tenha pretendido ser.

Kleist derruba essa restrição ao assumir a mescla ficcional com os dados reais. Daí o acerto: ele diz ao leitor que algumas situações provavelmente ocorreram daquela maneira.

O recurso narrativo - que assume a imprecisão - ajuda a lançar o foco no ponto que realmente interessa: a trajetória de Castro e de Cuba e a rica história por trás deles.

                                                        ***

Boa parte dos fatos é relatada pelo olhar de um jornalista alemão, Karl Mertens.

O personagem criado por Kleist é uma forma inteligente de aproximar a obra ao leitor da Alemanha, país onde o quadrinista concetra sua produção.

O jornalista desembarca em Cuba em 1960 com a missão de entrevistar o então enigmático líder revolucionário.

Consegue realizar a matéria e se aproxima dos ideiais revolucionários. Decide deixar a Europa e se instalar no país sul-americano.

                                                         ***

O que o jornalista vê são os acontecimentos que, de fato, ocorreram e marcaram a história de Cuba e da relação do país com as grandes potências.

Usar o personagem alemão ajuda a narrar os acontecimentos sob o ângulo de um estrangeiro, como o autor, e a filtrar o olhar dado a Castro. Mas sem perder a criticidade.

Fidel é representado como uma figura carismática no período pré-revolução. Depois, já no poder, tem seus ideais adaptados à nova realidade do país.

A mudança política dialoga com atitudes autoritárias, de cerceamento à liberdade de expressão, aspectos não escondidos ao longo da obra. Mostra-se um outro Fidel.

                                                         ***

As fontes pesquisadas sobre o tema, elencadas no final da obra, revelam que houve uma real intenção de Kleist em ser o mais fiel possível aos fatos.

O autor também passou quatro semanas em Cuba, aprimorando a pesquisa. Inclusive da parte visual. Contou ainda com a consultoria de um biógrafo de Castro.

Mesmo com esses cuidados, é possível que o livro desperte emoções díspares em quem que o lê, a depender de como cada um enxerga o papel político de Fidel.

Afora a discussão ideológica, trata-se do melhor trabalho de Kleist publicado até o momento no Brasil. Especializado em biografias, já narrou as histórias de Jonhy Cash e de Elvis.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h24
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16.04.11

O segredo de seus olhos, descobertos via blog

Recebi nesta semana o e-mail de um leitor. Ele dividia comigo uma história pessoal, que envolvia tanto este blog quanto o filme argentino "O Segredo de Seus Olhos".

Achei o relato tão saboroso de ser lido que pedi autorização ao autor, o advogado Pedro Fialho, de 28 anos, morador de Vitória da Conquista, no interior baiano, para postar aqui.

Autorização concedida, segue o registro encaminhado por ele.

                                                        ***

Olá, Paulo.
 
Me chamo Pedro e acompanho seu blog a uns dois ou três anos, não sei ao certo. 

Essa é uma historia que tem "certa participação" de uma informação do blog, fica de registro pra ilustrar a história do blog.
 
Há mais de um ano eu passeava por suas postagens quando te vi comentando de um filme argentino que você tinha assistido e gostado muito. Era "O Segredo de Seus Olhos".

Àquela altura, não se falava tanto assim do filme, era por volta de janeiro de 2010.

As conversas do Oscar não estavam muito latentes, pelo menos não no meu "campo de visão" (virtual, diga-se, moro em Vitória da Conquista, no interior da Bahia, onde não há um grande círculo cultural, sobretudo pra cinema latino-americano.)
 
Pois bem, da sua informação eu resolvi procurar e assistir ao filme. O fiz. Gostei demais.
 
Na época, uma então amiga me pediu uns filmes emprestados. Eu, logo na segunda-feira seguinte de ter assistido, emprestei para ela.

Depois pedi de volta, pois iria assistir o filme com uma outra amiga de Salvador que veio me visitar.

Ela – a primeira a quem eu havia feito o empréstimo - disse que queria ficar com o filme porque tinha gostado muito, mas me devolveu.
 
Na hora devolver, entreguei o DVD do filme que eu havia baixado e copiado junto com um cartão que redigi em uma máquina de escrever do meu trabalho, cartão escrito sem as letras "a".
 
Bem... de lá pra cá... um ano e tanto de namoro, de um relacionamento que, pra encurtar, pretende-se vire casamento em breve.
 
Pode parecer forçado incluir o blog como algo "responsável" por meu encontro com ela, mas por motivos de ambas as partes o período em que tudo aconteceu foi determinante pra que as coisas se desenvolvessem.

Seguramente eu acabaria esbarrando no filme, sobretudo depois que venceu o Oscar, mas me custa crer que qualquer coisa viesse a acontecer tão "bem acontecido" como ocorreu.
 
E devo ao blog ter visto o filme naquele exato momento da minha vida e dali ter determinado coisas que hoje se apresentam como a própria vida em si.
 
Sem falar que é sempre bom olhar pro passado e poder contar uma boa história, pois fica bem mais divertido contá-la falando que colhi aquilo de um blog sobre quadrinhos que eu conhecia.

É assim que gosto de me referir a todos esses acontecimentos, que são absurdamente surreais, inesperados e perfeitos pra mim.
 
Fica aí uma historia do seu blog pra ser contada um dia. 

E eu finalmente te digo "muito obrigado".
 
Algo que queria fazer há tempos, mas nunca me livrara de uma timidez quase tacanha de mandar este e-mail. 
 
Pedro Fialho

                                                        ***

Em tempo: Pedro e Analyz, sua noiva, já arranjam os detalhes para o casório. Por vontade deles, seria em 2012. Mas precisam, antes, aguardar o arranjo de detalhes profissionais.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 18h46
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15.04.11

#LatveriaFree

 

 

Sabe lá como essas coisas surgem na internet. Fato é que esta sexta-feira no Twitter está pautada ppor uma brincadeira intitulada #Latveriafree, com farta adesão dos brasileiros.

O objetivo dos internautas é criar frases sobre um cenário ficcional de como seria um movimento pela libertação da Lavteria.

Nos quadrinhos de super-heróis, o país é comandado de forma ditatorial pelo vilão Doutor Destino, inimigo do supergrupo Quarteto Fantástico, da editora norte-americana Marvel Comics.

Alguns dos internautas imaginaram até como o assunto seria repercutido pela mídia. Caso da suposta capa de "Veja" acima, que mostra como o assunto sairia na revista brasileira.

                                                         ***

Nota: para seguir os comentários, basta seguir, no Twitter, a tag #Latveriafree.

Crédito: a ficcional capa de "Veja" foi imaginada por Rodrigo Motta.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h51
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Um convite

 

Enquanto Danilo Beyruth, Eloar Guazzelli e Gustavo Duarte lançam a "Fierro Brasil"...

 

 

... estarei por lá autografando "Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos".

Fica o convite.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h59
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14.04.11

Do Orum ao Ayê, do ProAC às livrarias

 

  • "Orixás - Do Orum ao Ayê" narra surgimento do homem do ponto de vista africano
  • Obra de Alex Mir, Caio Majado e Omar Viñole tem lançamento nesta quinta em SP
  • Álbum foi um dos projetos selecionados por edital de incentivo à produção de HQs

 

Orixás - Do Orum ao Ayê. Crédito: editora Marco Zero

 


O roteirista Alex Mir despontou no circuito independente paulista com histórias de super-heróis nacionais. Mas ficava um quê de que ele poderia render mais em outro gênero.

"O Mistério da Mula sem Cabeça", lançado em janeiro do ano passado, já sinalizava um flerte dele com a narrativa em quadrinhos mais longa.

É desse flerte que vem este "Orixás - Do Orum ao Ayê", álbum escrito por ele que tem lançamento nesta quinta-feira à noite em São Paulo (Marco Zero, 80 págs., R$ 19,90).

Desenhado por Caio Majado e arte-finalizado por Omar Viñole, ambos também do meio alternativo paulista, a obra narra o surgimento do homem do ponto de vista africano.

                                                         ***

A grande curiosidade da obra é justamente essa, a de apresentar ao leitor brasileiro como foi vista e narrada a criação do homem pelos Orixás, figuras tidas como semideuses.

O álbum reconstroi o surgimento do primeiro Orixá, Oxalá, e o modo como os deuses foram incumbidos de sair do Orum (moradia divina) para gerar o ser humano no Ayê (a Terra).

Essa transição de planos é antecipada pelos nomes escolhidos como subtítulo da obra. Só não explica tudo, como por que os homens seriam idiferentes uns dos outros.

Curiosidades relatadas de uma maneira bastante acessível e divididas ao longo de cinco capítulos, cuja ligação poderia ter sido mais bem arquitetada.

                                                          ***

Por ser uma narrativa dividida em capítulos, "Orixás - Do Orum ao Ayê" deveria tornar fluida a ligação entre uma etapa e outra. Pelo menos, é o pressuposto que se cria no leitor.

É isso que causa certa estranheza em haver dois prólogos no início do terceiro capítulo. Outro incômodo é ler a palavra "fim" na última página do capítulo quarto (o total são cinco).

Apesar disso, preserva-se o interesse, muito pelo desconhecimento do conteúdo, baseado na cultura africana. A obra se propõe a apresentá-lo ao leitor. E cumpre a meta.

O álbum foi um dos dez trabalhos selecionados em 2010 pelo ProAC, programa paulista de incentivo à produção de quadrinhos. O governo já anunciou um novo edital para este mês.

                                                         ***

Serviço - Lançamento de "Orixás - Do Orum ao Ayê". Quando: hoje (14.04). Horário: das 19h às 21h30. Onde: Livraria da Vila. Endereço: alameda Lorena, 1.731, São Paulo. Quanto: R$ 19,90.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 00h10
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12.04.11

Vertigo + Panini = saldo positivo até aqui

  

  • Séries tradicionais do selo adulto da DC conseguiram ter continuidade no país
  • Com um ano e meio à frente da Vertigo, Panini programa novidades
  • Uma delas é o relançamento dos dois primeiros números de "100 Balas"

 

Sandman Edição Definitiva - Volume 2. Crédito: editora Panini

 


A lista de lançamentos que a Panini divulga a cada 30 dias à imprensa inclui dois novos títulos para este mês: uma edição de luxo de Sandman e mais de Y - O Último Homem.

O primeiro começou a ser vendido nos últimos dias e é dirigido a livrarias (620 págs., R$ 145). Trata-se do segundo volume da coleção que relança a badalada série de Neil Gaiman.

O outro título, com capa cartonada e com tratamento editorial mais simples, foi planejado para as bancas (196 págs., R$ 24,90). Traz o quinto volume do título.

As duas obras resumem a opção editorial da Panini à frente dos selos Vertigo e Wildstorm. Livros de luxo, em capa dura, nas livrarias. Os demais, nas bancas. Todos em lojas de HQ.

                                                          ***

É dessa forma que a multinacional tem mantido no Brasil a regularidade nos lançamentos dos selos adultos da DC Comics, mesma editora de Super-Homem e Batman.

Trata-se de um feito raro no tocante a essas obras. De editora em editora, elas vêm sendo publicadas e republicadas de forma esparsa na última década e meia.

Muitas das séries nem chegaram a ter o final lançado no país. O caso de "Preacher", interrompido a poucos números do desfecho da série, talvez seja o caso mais emblemático.

O contrato da Panini, firmado no segundo semestre de 2009, permitiu agregar todos os títulos numa casa só. E, até o momento, numa cadência ritmada e constante.

                                                         ***

A maior parte dos lançamentos se resume a coletâneas das séries regulares. A exceção é a revista "Vertigo", de 132 páginas, publicada mensalmente há um ano e meio.

O planejamento da editora é retomar o que já havia sido iniciado anteriormente e concluir os títulos já iniciados. "Preacher", se tudo der certo, termina, enfim, neste ano.

Outra medida é reeditar o início de algumas das séries. O primeiro teste será pôr no mercado os dois volumes iniciais de "100 Balas" (na Panini, a série teve início no terceiro).

O motivo: quando tomou as rédeas dos selos da DC, a Panini optou por dar sequência do ponto onde a anterior, Pixel, havia parado, após rescindir o contrato, no início de 2009.

                                                          ***

Outra novidade é a publicação de "Daytripper", como o blog antecipou na postagem de 07.02. A minissérie foi criada pelos brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon para a Vertigo.

O título foi indicado na semana passada a dois Eisner Awards, principal premiação de quadrinhos dos Estados Unidos e já vencida pela dupla em anos anteriores.

Quem está à frente dos selos da Vertigo e da Wildstorm no Brasil é Fabiano Dernardin, deslocado das funções de editor sênior da área de super-heróis para tocar a nova tarefa.

O blog conversou com Denardin durante semanas, por e-mail. Nas respostas, apesar da insistência, ele deixa claro que prefere não antecipar tudo. Mas é bastante claro também nas opções editoriais que pautaram a editora nesse um ano e meio de publicações.

                                                          ***

Blog - Começo com Preacher. O volume final irá ser publicado ainda este ano?
Fabiano Denardin
-
Salvo hecatombes, revoluções, ataques nucleares, invasões alienígenas ou investidas diretas do todo-poderoso, tudo indica que sim. Imagino que vá ser um alívio para os fãs que acompanharam a série em suas múltiplas encarnações.
 
Blog - Você tem feito um trabalho editorial elogiável à frente dos selos Vertigo/Wildstorm. Qual tem sido o retorno no outro extremo, nas vendas?
Denardin
-
Muito obrigado, Paulo. O meu trabalho é só a ponta de um iceberg. Abaixo da superfície tem um monte de gente trabalhando para que o resultado seja esse, e isso envolve a Panini Brasil, Panini Itália e a Mythos Editora (empresa onde trabalho e que faz a produção editorial para a Panini). Felizmente eu acho que, desta vez, a Vertigo encontrou uma casa por um bom tempo. O retorno das vendas, até onde eu acompanho, tem sido bem dentro do esperado, o que mantém a linha com um bom ritmo de publicações. Ainda não é o ritmo que alguns leitores queriam (já chegaram a pedir o Sandman Edição Definitiva como mensal, por exemplo!), mas acho que está bom. Isso me traz a uma das nossas principais preocupações: não saturar as bancas. Não adianta sair lançando tudo alucinadamente e não dar tempo para as séries se sedimentarem. Na minha opinião, tudo tem que ser feito sem afobação. Além disso, temos que ser malabaristas e equilibrar as necessidades da empresa, as expectativas do público em relação ao que lançamos e em relação ao que vamos lançar. Leitores de séries que já começaram, por exemplo, pressionam por mais edições dessas séries. Por outro lado, fãs de materiais que ainda não começamos a lançar pressionam para que a gente lance esses materiais. Mas acho que temos conseguido equilibrar a dose. 
 
Blog - Queria entender qual o critério para a definição das edições em capa dura e as em capa cartonada. Por que, por exemplo, ZDM foi feito em dura e Fábulas, em cartonada?
Denardin
-
No planejamento da linha, houve o entendimento de que algumas séries deveriam ser dirigidas para o canal de livrarias e outras diretamente para as bancas, colocando séries mais populares nas bancas (claro) e séries um pouco menos conhecidas nas livrarias. Só que um dos fatores que acabou pesando é que nossas publicações de livraria têm um acabamento mais sofisticado. Por essa razão, ZDM ganhou capa dura e Fábulas, por ser um lançamento de bancas, ganhou a capa cartão. Estamos analisando esses critérios (a gente tem avaliado a linha inteira o tempo todo, ainda mais agora após um ano de experiências) e acredito que poderemos ter algumas boas novidades para o público até o final deste ano e uma divisão mais clara do material.  




 

Blog - A Panini tem priorizado as séries já iniciadas por outras editoras nesse pouco mais de um ano e meio à frente dos selos adultos da DC. Essas séries continuarão em que ritmo neste ano?
Denardin
-
No caso dos encadernados, temos publicado pelo menos um volume de cada série por ano. Chegando até a três em alguns casos, como Y - O Último Homem e Fábulas. Os encadernados de livraria, até em função do preço, têm um ritmo mais lento. Nosso foco agora é mostrar aos leitores que não estamos brincando com a Vertigo. Queremos que as séries tenham começo, meio e fim no Brasil. Por essa razão, anunciamos logo os dois próximos volumes de Loveless, o que conclui a série aqui (os dois volumes terão o preço promocional de R$ 16,90, mais baratos do que outros lançamentos na mesma estrutura). É um passo simbólico importante pro nosso trabalho. O trabalho sério e o compromisso com as publicações são uma boa resposta às críticas que recebemos ao começarmos a linha, principalmente no que dizia respeito ao temor pela continuidade das séries. E Preacher faz parte disso. Concluir esse título não é nem um objetivo, já é uma obsessão. E os leitores podem ficar tranquilos, o último volume já está até sendo traduzido. Até onde eu sei, o tradutor passa bem. O mercado de publicações no Brasil tem uma série de armadilhas para quem publica, e, por tabela, para quem compra. É difícil garantir a continuidade e a conclusão de uma série longa cuja popularidade não seja muito boa e, consequentemente, não tenha vendas estáveis. (Aliás, até mesmo séries populares já tiveram essa dificuldade aqui! É só ver o histórico de publicações Vertigo.) Alguns leitores comparam o nosso ritmo de lançamento com o da DC, por exemplo, sem conhecer as diferenças entre os mercados. O mercado de bancas tem muito mais armadilhas para quem publica do que o mercado de venda diretas típico dos Estados Unidos, que divide o risco entre quem publica e as comic shops que revendem o material. Mas estamos tentando nos cercar de todos os cuidados necessários. O que eu posso prometer é que vamos tentar ao máximo concluir todas as séries. Mas, se algum título, por uma razão ou outra, tiver um desempenho muito abaixo do esperado, fica difícil lançá-lo até o final. Por enquanto, acredito que não seja o caso de nenhuma de nossas séries.
 
Blog - Quais as outras publicações da Vertigo/Wildstorm que podem ser adiantadas?
Denardi
n -
Os lançamentos mais recentes foram os novos volumes de ZDM e Ex Machina. Há pouco já tínhamos noticiado mais 100 Balas e Loveless (que deve ser concluída este semestre, se tornando nossa primeira série "regular" Vertigo a ser concluída), além do Volume 2 de Sandman. O quinto volume de Y - O Último Homem já está a caminho, bem como mais uma edição de Fábulas. Hellblazer: Pandemônio, que traz Jamie Delano - o roteirista original da série Hellblazer - de volta ao personagem, acabou de chegar às bancas. Então ainda tem coisa pra sair este semestre. 
 
Blog - O que mais está previsto para sair neste semestre?
Denardin
- Preferia manter a resposta das novidades como está, tudo bem? Temos soltado as novidades aos poucos.

Blog - Você comentou numa das edições da revista "Vertigo" - e também no blog da editora - que antigas séries voltarão. Do que se trata?
Denardin
- Como tivemos que fazer uma transição entre o que vinha sendo publicado antes e as séries que iríamos publicar, algumas coleções começaram pela gente no número três (100 Balas e Ex Machina), quatro (Fábulas). Já há algum tempo os leitores pedem para relançarmos as primeiras edições desses materiais. E é o que vamos fazer este ano, com 100 Balas 1 e 2. A ideia é aproveitar que a série começou a ser publicada já há algum tempo e lançar essas duas edições, permitindo que os nossos leitores tenham a coleção inteira pela Panini. Já temos mais uma série engatilhada para republicar as primeiras edições, mas acredito que o desempenho desse lançamento vai ser vital para termos mais.
 

Blog - Falando da "Vertigo", como a revista tem se saído nas bancas?
Denardin
-
A revista está indo bem e a estreia de Vampiro Americano, com arte do brasileiro Rafael Albuquerque, ajudou ainda mais. Acho que o fator surpresa de a gente ter publicado um material tão recente lá fora ajudou na popularidade da publicação. Já passamos de um ano com a revista e acredito que ela atravesse 2011 sem problemas.

Blog - A editora confirmou a publicação de "Daytripper", mas não havia definido como seria lançado no Brasil. Isso já foi acertado?
Denardin
- Fico te devendo os detalhes.

Escrito por PAULO RAMOS às 00h13
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10.04.11

O segundo retorno da verdadeira Luluzinha

 

  • Pixel põe nas bancas revista com histórias antigas de Luluzinha e Bolinha
  • Até o meio do ano passado, personagem era publicada pela Devir
  • Antiga editora lançou oito álbuns, direcionados a lojas de HQ e livrarias

 

Luluzinha. Crédito: editora Pixel

 


É preciso olhar com mais criticidade o marketing em torno do primeiro número da revista "Luluzinha", à venda nas bancas desde a virada do mês (Pixel, 52 págs., R$ 3,10).

Do contrário, corre-se o risco de comprar apenas o discurso capitaneado pelo marketing da editora. O primeiro ponto, pouco alardeado, foi o anúncio premeditado do lançamento.

Durante semanas, a editora inseriu uma chamada nas seções de palavras cruzadas dos jornais registrando que a publicação já estaria "nas bancas e livrarias".

A venda de fato teve início nos últimos dias de março. Um lançamento oficial foi realizado no último dia 2 na livraria de um shopping de São Paulo, com a presença de atores mirins.

                                                         ***

Apesar de a sessão de autógrafos ter ocorrido numa livraria, a publicação foi direcionada às bancas, e não aos dois pontos de venda, como informava a publicidade antecipada.

Também não se tratava de uma volta, como a assessoria informou à imprensa.

Tratava-se, a bem da verdade, de um segundo retorno. A retomada das histórias antigas da personagem ocorreu em 2006, pela Devir.

A editora lançou oito álbuns, direcionados às livrarias e lojas de quadrinhos. O último data de 2010, menos de um ano até esta "volta". Houve, na verdade, uma troca de casa.

                                                          ***

O que é correto é o retorno ao formato revista. A última experiência nesse molde editorial havia sido feita pela Abril. A publicação havia sido cancelada no meio da década de 1990.

Vale também aí uma leitura mais crítica. Nenhuma retomada de personagens clássicos dos quadrinhos nas bancas, na forma de revista, foi bem sucedida nos últimos cinco anos.

Recruta Zero, Fantasma e Hagar são três dos exemplos. Alguns dos títulos mal passaram do primeiro número. 

"Luluzinha" deve chegar a outras edições, muito por conta do marketing em torno desta edição inaugural. Mas, a se pautar pelos outros casos, é dúvida para o futuro.

                                                         ***

Não se quer dizer que a revista já é, desde agora, fadada ao fracasso. Nem se deseja isso. O conteúdo, ingênuo sem deixar de ser inteligente, vale ser lido em qualquer formato.

Mas é para pensar se a estratégia da editora foi a mais certeira. Os exemplos de ontem são desanimadores. E o que mantinha a boa circulação da personagem era o molde do álbum.

Álbum que permitia o conteúdo chegar ao público adulto, que lia as histórias durante a infância e encontrava nelas memórias guardadas em algum canto da memória.

Este primeiro número deixa claro que o público-alvo são as crianças. Sinal disso é a presença, ao final das sete histórias, de um passatempo (jogo dos erros).

                                                         ***

Os passatempos tomam também metade de um almanaque, em tamanho maior, vendido com este número inaugural.

A outra metade procura fazer uma ponte entre a versão original da personagem com a adolescente, criada pela Pixel especialmente para o Brasil e vendida também nas bancas.

Não deixa de ser estranho ver a Luluzinha jovem apresentando como ela era na infância, nas histórias publicadas a partir da metade da década de 1940. Deveria ser o contrário.

É bom ter Luluzinha publicada. Ainda mais as histórias antigas. Mas é um projeto de risco, que precisa ser lido com criticidade. Ao contrário do que propõe o discurso do marketing, comprado cegamente e com destaque por alguns veículos da grande imprensa.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h32
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09.04.11

Tiras politicamente incorretas

 

  • Dois novos álbuns trazem coletâneas de autores nacionais
  • "Ocre", de Gilmar, faz sessão de autógrafos na noite deste sábado em São Paulo
  • Daniel Lafayette, criador de "Ultralafa", faz lançamento dia 13 no Rio de Janeiro

 

Ocre - Quadrinhos não Recomendáveis para Pessoas Românticas. Crédito: editora Zarabatana

 

Ultralafa - O Mundo Paralelo do Nosso Dia a Dia - Crédito: Leya/Barba Negra

 


Duas novas coletâneas de tiras trazem alguns pontos comuns: são de autores nacionais, têm lançamentos em datas próximas e se pautam no humor politicamente incorreto.

"Ocre - Quadrinhos não Recomendáveis para Pessoas Românticas", de Gilmar, tem lançamento na noite deste sábado, em São Paulo (Zarabatana, 48 págs, R$ 29).

A obra reúne histórias publicadas em diferentes jornais do país. As piadas se ancoram em situações conjugais, muitas delas bem apimentadas.

Todas têm como protagonista um sujeito comum, narigudo e com um acentuado cavanhaque. É a quinta coletânea do autor, que criou também as tiras de "Ócios do Ofício".

                                                          ***

Daniel Lafayette, autor de "Ultralafa - O Mundo Paralelo do Nosso Dia a Dia", lança a coletânea no próximo dia 13, no Rio de Janeiro (Leya, Barba Negra, 176 págs., R$ 39,90). 

O álbum é resultado de uma sacada ainda pouco explorada pelo meio editorial: a reunião impressa de tiras criadas para blogs. No caso, para o blog que intitula a obra.

As situações criadas por Lafayette é plural: de referências ao mundo pop a cenas vividas por sarcásticos animais. Algumas tiras formam pequenas séries, se lidas em sequência.

O autor já circulou por obras em papel. Ele é um dos integrantes do álbum independente "Beleléu", produzido por autores do Rio de Janeiro.

                                                          ***

Serviço
Lançamento de "Ocre - Quadrinhos não Recomendáveis para Pessoas Românticas". Quando: hoje (09.04). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 29).
Lançamento de "Ultralafa - O Mundo Paralelo do Nosso Dia a Dia". Quando: quarta-feira (13.04). Horário: 19h. Endereço: rua Teixeira de Melo, 31H, Ipanema, Rio de Janeiro. Quanto: R$ 39,90.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h55
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Uma tira do dia que merece registro

 

Piratas do Tietê, de Laerte. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo

 

Da série "Piratas do Tietê", de Laerte, na edição deste sábado da "Folha de S.Paulo".

Leia mais sobre a polêmica envolvendo o cartunista Solda na postagem de 24.03.

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h28
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