27.05.11

Vigor Mortis: terror, teatro e quadrinhos

 

  • "Vigor Mortis Comics" recria situações ambientadas inicialmente em peças de teatro
  • Obra foi produzida a seis mãos por José Aguiar, DW Ribatski e Paulo Biscaia
  • Álbum dialoga com gênero terror e tem lançamento neste sábado em São Paulo

 

Vigor Mortis Comics. Crédito: editora Zarabatana

 


Há um diálogo plural entre as linguagens do teatro e das histórias em quadrinhos em "Vigor Mortis Comics", álbum que tem lançamento neste sábado à tarde em São Paulo.

A obra faz criações livres baseadas em situações vividas inicialmente nos palcos pela companhia de teatro curitibana Vigor Mortis.

Dirigido por Paulo Biscaia, o grupo já flertava com as HQs desde 2004, ano em que produziu a peça "Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos" (já levada ao cinema).

O flerte virou namoro em montagens seguintes e, por fim, chegou a este casamento em papel, que funde um pouco das duas linguagens.

                                                        ***

A obra (Zarabatana, 112 págs., R$ 30) foi produzida por meio de verba de incentivo cultural e foi encabeçada por Biscaia e os quadrinistas José Aguiar e DW Ribatski.

A participação dos dois desenhistas é coerente com o passado da companhia. Foram deles as participações dos quadrinhos nas montagens da companhia teatral.

Foi DW quem imaginou o morto-vivo Osvald na peça de 2004. E veio de Aguiar a ambientação em quadrinhos de "Graphic", iniciada em 2006.

A seis mãos, o trio imaginou oito contos curtos sobre personagens ou cenas encenadas nos palcos. Em comum, o diálogo com as peças e o verniz de terror dado às histórias.

                                                         ***

O terror é visto nos personagens - caso específico de Osvald - e em parte das situações. Algumas, é verdade, chegam a extrair humor. Negro, mas ainda assim humor.

A leitura não exige um conhecimento prévio das peças de Biscaia para ser compreendida. Mas ter assistido a alguma delas ajuda a estabelecer as intenções referências com elas.

A arte é alternada por DW e Aguiar, já envolvidos com outros trabalhos: o primeiro finaliza um álbum para a Quadrinhos na Cia.; o segundo, uma adaptação de "Dom Casmurro".

A releitura do romance de Machado de Assis será feita para a novata editora Nemo, que guarda as imagens da obra a sete chaves (embora o blog tenha tentado, registre-se).

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O blog conversou com José Aguiar sobre a adaptação machadiana e a respeito de "Vigor Mortis Comics", que já teve um primeiro lançamento em Curitiba.

O desenhista comentou também sobre o Gibicon, encontro de quadrinhos que será realizado na capital paranaense em julho e do qual participa da organização.

A conversa, feita por e-mail, tem início com o assunto mais atual, o álbum sobre as peças dirigidas por Paulo Biscaia.

E também acerca do papel que teve nas encenações teatrais.

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Blog - Queria entender como começou seu relacionamento profissional com a companhia de Paulo Biscaia.
José Aguiar -
Eu conhecia o Biscaia de fama. Ele era professor na FAP, onde foi professor de minha esposa no curso de teatro. Assisti às suas primeiras peças e tínhamos amigos em comum. Um inclusive uma vez disse: "Vocês tem que se conhecer".  Mas só nos víamos de longe. Quando assisti a "Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos", em 2004, saí tão empolgado que escrevi para ele falando de como aquele espetáculo que misturava teatro com cinema, quadrinhos, música e vídeo rompera com o que eu achava ser possível no palco. Passamos a nos corresponder de vez em quando e, em 2006, ele me chamou para colaborar na peça Graphic. Em Graphic, surgiu o personagem Artie, um ex-aluno de oficina de quadrinhos que se tornou um frustrado desenhista de manual de instruções. Ele criou um personagem chamado de Homem-Sombra, um amontoado de clichês de quadrinhos de super-heróis. Eu fazia os desenhos dele, que eram projetados no palco. Nessa mesma peça o DW fazia os desenhos de outra personagem que frequentou a mesma oficina e acabou em meio a gráficos financeiros. Sem falar que ele já tinha criado Osvald – O Morto-Vivo para a peça "Morgue Story". Como ele era criação de uma quadrinista bem-sucedida, tínhamos uma oposição de personagens bem bacana e que dava base para um universo coeso. Biscaia já fazia isso sutilmente ao colocar referências comuns a lugares, personagens e situações em seus espetáculos. E decidimos lapidar isso juntos. A partir do sucesso desse espetáculo, passamos a discutir a ideia de migrar o elenco daqueles espetáculos para o papel. Chegamos à conclusão de que os quadrinhos poderiam ser uma maneira de mostrar um lado desse universo que seria impossível nos palcos. Uma maneira de dar sobrevida aos personagens.

 

Vigor Mortis Comics. Crédito: editora Zarabatana

 



Blog - E o de DW? Ainda sobre DW: ele foi um de seus alunos de desenho?
Aguiar
- O DW era uma figura folclórica na Gibiteca de Curitiba quando era adolescente. Fanzineiro que vivia lá o tempo todo com seus amigos hiperativos e produtivos. Eu dava aulas na Gibiteca e sempre conversava com ele e lia seus zines. Nessa época, ele ficava num sofá assistindo às minhas aulas à distância e, claro, sem se matricular. Até que um dia o chamei para ser meu assistente no curso. Como ele havia criado o Osvald - O Morto Vivo para a peça Morgue Story, era inevitavel que ele fosse parte do projeto dos quadrinhos. Ele foi uma presença que acrescentou muito, mesmo a distância, pois hoje ele mora em São Paulo. Mas, no fim do processo, passamos uma semana juntos trabalhando na última HQ do livro. Estilo de traços e métodos de trabalho completamente diferentes. Enfim, foi muito legal experimentar junto dele.  Creio que a soma de nossos estilos tão distintos é um dos charmes do livro.
 
Blog - O álbum registra que os roteiros são seus e de Biscaia. Como foi dividida a autoria das histórias?
Aguiar -
Biscaia e eu nos encontrávamos semanalmente para falar da vida, de filmes trash, quadrinhos, teatro para disso bolar ideias para os textos. Escrevíamos literalmente a quatro mãos. Quando um parava, outro assumia o lap top, reescrevia o que já havia sido feito. Foi um processo muito fluido. Mais tarde, DW acrescentou elementos nas HQs que desenhou: alterou frases, inseriu ou cortou quadros. Isso porque eu queria que não parecesse uma HQ de encomenda para ele, mas que fosse algo que ele se sentisse à vontade, porém desafiado a fazer. A única HQ que difere um pouco dessa lógica foi Ursula Unchained, em que criei toda a sequência narrativa antes do texto. Paulo [Biscaia] escreveu a primeira versão sobre as imagens e eu retrabalhei esse texto para a versão final. Enfim, o livro foi um processo muito livre de criação para todos.

Blog - O resultado final tem muito de terror. A proposta foi essa mesmo?
Aguiar -
Desde o início era o que queríamos. Em nossa primeira reunião, Paulo e eu listamos uma série de "medos modernos" que queríamos que fossem a base dos roteiros: solidão, estupro, fracasso, lendas urbanas... Não estávamos interessados em terror clássico. A não ser como referência. Queríamos algo contemporâneo, urbano. Inclusive a ideia de imprimir em vermelho e preto é uma alusão aos jornais sensacionalistas, aqueles que você "expreme e sai sangue". Mas creio que o livro não é só isso. Ele também é repleto de humor. Meio negro, claro.

 

Vigor Mortis Comics. Crédito: editora Zarabatana

 

 
Blog - José, é a segunda obra sua que leio - a primeira foi "Quadrinhofilia", da HQM - que fico espantado com a mudança de estilos que você apresenta em cada uma das histórias, como se fosse um camaleão do desenho. Como você transita entre um estilo e outro e qual a opção pelo uso de cada um? 
Aguiar -
Às vezes não sei se esse é um mérito, mas gosto de me adaptar ao que pede cada roteiro. Em "Vigor Mortis Comics", eu tinha a liberdade total (pois era meu próprio editor) e a responsabilidade de fazer o melhor livro possível com os recursos de um edital público. No caso das HQs com Artie e o Homem-Sombra, eu tinha dois mundos. O dele e o de sua imaginação, mais rico e dinâmico. Isso facilitava as escolhas estéticas. Mas, no fim, o que muda mais nesse livro não é tanto o traço, mas a forma de acabamanto dos desenhos.  Há o uso de texturas, retítulas, gradientes, variações de tonalidade. Em cada HQ, há uma pequena variante dessas soluções. Brinquei com as limitações de usar apenas duas cores. Tudo isso cria atmosferas. Inclusive é o que dá um puco da liga que une meus traços com os do DW. 
 
Blog - Noticiei na semana passada a nova leva de títulos da editora Nemo e lá consta sua participação na adaptação de Dom Casmurro. Em que etapa está a adaptação e como você pretende resolver visualmente o enigma sobre a suposta traição de Capitu?
Aguiar -
  Estamos trabalhando para lançar o livro no segundo semestre. E, sobre o enigma de Capitu, isso eu não posso contar. Mas confesso que essa danada esta me dando dor de cabeça. Sem falar que grande parte do mérito virá do texto do Wellington Srbek, que está fazendo uma bela homenagem ao texto original.

Blog - E o GibiCon? Já é possível dizer quais são os convidados nacionais e estrangeiros confirmados?
Aguiar -
A Gibicon está prestes a explodir. O site está em fase de teste e em breve iremos divulgar a programação. Será um evento rápido, porém intenso. Mas, como dependemos de alguns apoiois a serem confirmados, tenho que segurar as informações dos conviados e a programação até começo de junho. Depois, você irá ter informações a todo momento.

                                                         ***

Serviço - Lançamento de "Vigor Mortis Comics". Quando: sábado (28.05). Horário: a partir das 14h. Onde: loja Comix. Endereço: alameda Jaú, 1.998, São Paulo. Quanto: R$ 30. 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h47
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26.05.11

Páginas de uma carreira bem-sucedida

 

  • Renato Guedes lança livro com ilustrações suas nesta sexta-feira em Porto Alegre
  • Obra foi produzida de forma independente pelo autor, especializado em super-heróis
  • Desenhista atua no mercado norte-americano e atualmente trabalha com Wolverine

 

Artbook de Renato Guedes. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


Num encontro de quadrinhos no último sábado, em São Paulo, o nome de Renato Guedes foi mencionado numa das mesas.

O registro era que o desenhista paulistano pertencia a uma segunda geração de autores brasileiros que conquistaram espaço na disputada indústria norte-americana de quadrinhos.

De fato, Guedes chegou depois de Mike Deodato, Marcelo Campos e outros criadores daqui. Mas nem por isso deixou de ocupar espaço por lá.

Hoje, figura entre os principais nomes da arte de histórias de super-heróis dos Estados Unidos. Uma trajetória que relembra, agora, na forma de um livro com ilustrações suas.

                                                         ***

Nas palavras de Guedes, o livro tem "um pouco de tudo". Passa pelas capas de revistas norte-americanas, pelo processo de criação dos desenhos, por uma galeria com cénários.

O "artbook" une os leitores pela linguagem universal do desenho. Na parte verbal, no entanto, priorizou os que dominam o inglês, forma de viabilizar a publicação fora do país.

Tanto que o primeiro lançamento foi feito na Colômbia. Só então fez a segunda sessão de autógrafos, em São Paulo, no começo do mês. Com casa cheia, segundo ele.

O terceiro lançamento será nesta sexta-feira à noite em Porto Alegre (164 págs., R$ 40).

                                                         ***

O desenhista imprimiu 1.500 cópias, pagas do próprio bolso. Tem planos de fazer novas sessões de autógrafos na Argentina, na França e, talvez, em outras cidades brasileiras.

O eco de seu trabalho no exterior é consequência da popularidade conquistada com a arte em revistas de super-heróis.

As de maior projeção foram as da DC Comics, casa de Super-Homem, personagem que chegou a desenhar. Outras publicações ligadas ao herói também passaram por suas mãos.

Não é por acaso que a capa do livro ilustrado tenha o herói e a prima dele, Supermoça, como destaques.

 

Wolverine, por Renato Guedes. Crédito: imagem cedida pelo autor 

 

Em busca de novos ares, trocou a DC pela concorrente Marvel Comics, editora de Homem-Aranha e X-Men. Na nova empresa, desenha a revista mensal do popular Wolverine.

Guedes mantém um contrato de exclusividade por dois anos. Situação bem mais confortável que o começo nos EUA, em 2002, viabilizado pela agência Art & Comics. 

Ao longo dos anos, foi saltando de títulos secundários para os mais importantes da DC. E passou a deixar também sua marca neles, tanto no estilo quanto nas referências.

São comuns, em sua arte, desenhos de personalidades brasileiras. "Faço isso o tempo todo. Adoro fazer esse tipo de brincadeiras", diz. "Está cheio de mensagens submilinares."

                                                         ***

Nada subliminar - bem mais concreta, diga-se - é sua rotina de trabalho para manter o ritmo dos prazos apertados da indústria editorial de super-heróis.

"Essa é uma luta eterna de disciplina e procrastinação. Tento começar às 10 da manhã e termino quando termino a meta, que me proponho durante o dia."

"Mas geralmente são muitas horas de trabalho diário. Dificilmente menos de dez horas diárias!". Exceto nos dias de lançamento, quando dá voz a seu trabalho de outra forma.

"Eu sempre gostei muito de artbooks, tenho de vários artistas, de filmes, desenhos animados. Então pensei, ´se gosto tanto de artbooks, por que não fazer o meu?´".  

                                                         ***

Serviço - Lançamento de artbook de Renato Guedes. Quando: sexta-feira (27.05). Horário: 21h. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: Rua Coronel Camisão, 100, bairro Higienópolis, Porto Alegre. Quanto: R$ 40. Onde encontrar: na Quanta e, on-line, via e-mail renatoguedesartbook@gmail.com (com Regina). 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h17
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23.05.11

Mauricio de Sousa, o homenageado do FIQ

 

  • Desenhista e empresário será principal destaque do festival de quadrinhos
  • Criador da Turma da Mônica está entre os mais de 60 convidados do evento
  • Sétima edição do FIQ será realizada entre 9 e 13 de novembro em Belo Horizonte

 

Mauricio de Sousa, durante entrega do Troféu HQMix, em 2010

 


Mauricio de Sousa será o homenageado da sétima edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), encontro realizado a cada dois anos em Belo Horizonte (MG).

A organização conta com a presença do desenhista e empresário logo na abertura, no dia 9 de novembro. E já estuda ampliar a presença dele por mais alguns dias.

Segundo Afonso Andrade, um dos nomes à frente do festival, a escolha de Mauricio foi a "mais óbvia possível". "Ele ainda não tinha sido homenageado pelo festival", diz, por e-mail.

"Como um dos maiores nomes da história do quadrinho mundial, o FIQ já estava devendo esta homenagem que,  apesar do atraso, vem em um bom momento."

                                                        ***

Andrade diz que a intenção inicial é que o criador da Turma da Mônica participe de um bate-papo e de uma sessão de autógrafos. Mas já se sabe que será mais que isso.

A homenagem, como nas edições anteriores, não se resume apenas à presença do autor no encontro. O nome principal é usado também para construir a identidade visual do evento.

"Teremos também uma exposição alusiva a sua obra", diz Andrade. Além de Mauricio, o FIQ já soma mais de 60 nomes convidados, entre editores, quadrinistas e jornalistas.

A relação foi confirmada na tarde desta segunda-feira com o professor universitário Daniel Werneck, que também cuida da seleção dos convidados do FIQ. 

                                                         *** 

Parte dos nomes já havia sido antecipada pelo blog na postagem de 18.03.

Segundo a relação, virão sete quadrinistas do exterior: Cyril Pedrosa, Cebulski, Eddie Berganza, Jill Thompson, Kelly Sue, Matt Fraction, Park Sang-Sun.

Entre os nacionais, alguns dos nomes são de Minas Gerais: Alves, Chantal, Cris Bolson, Duke, Eddy Barrows,  Eduardo Damasceno e Luis Felipe Garrocho (do site "Quadrinhos Rasos"), Eduardo Pansica, Fabiano Barroso, Guga Schultze, João Marcos Mendonça, Lelis, Luciano Irrthum, Marilda Castanha, Piero Bagnariol, Rodney Buchemi, Ryot, Vitor Cafaggi, Will Conrad e as meninas do site "Lady´s Comics".

Dos outros estados: Adriana Melo, Ana Luiza Koehler, André Conti, André Dahmer, Bira Dantas, Chiquinha, Claudio Martini, Cris Peter, Daniel Esteves, Danilo Beyruth, Eduardo Medeiros, El Cerdo, Fábio Moon, Gabriel Bá, Guazzelli, Gualberto Costa, Flávio Luiz, Flavio Teixeira, Gustavo Duarte, Ivan Reis, Jean Galvão, João Montanaro, Joe Prado, Laerte, Laudo Ferreira Jr., Lourenço Mutarelli, S. Lobo, Mike Deodato, Pedro Franz, Rafael Coutinho, Sidney Gusman, Roberto Ribeiro, Matheus Santolouco e Wander Antunes. Este jornalista também foi convidado.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h23
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19.05.11

Nova editora de quadrinhos na praça

 

  • Nemo pretende lançar obras nacionais e álbuns europeus de Moebius e Hugo Pratt
  • Primeiros trabalhos da editora estão programados para a virada do semestre
  • Linha de quadrinhos é coordenada pelo roteirista e pesquisador Wellington Srbek

 

Corto Maltese - A Juventude. Crédito: editora Nemo

 

Ciranda Coraci. Crédito. editora Nemo

 


De quando em quando, surge alguma surpresa no meio editorial. A deste mês é o surgimento de uma nova editora de quadrinhos, a Nemo.

A notícia surgiu na última segunda-feira. No fim da manhã, a assessoria de imprensa apresentava o selo editorial por meio de um release, texto padrão divulgado à imprensa.

O e-mail listava mais de dez títulos, europeus e nacionais. Dos estrangeiros, marcava a volta da série italiana "Corto Maltese" e anunciava trabalhos do desenhista francês Moebius.

Os nacionais ajustavam o foco em adaptações literárias e em fatos e eventos históricos narrados na linguagem dos quadrinhos.

                                                         ***

Os releases, como dita o bom jornalismo, são apenas um pontapé inicial de uma reportagem. Um telefonema à assessoria da editora revelou mais alguns detalhes.

Os primeiros lançamentos estão programados para julho. O contato reforçou outra informação, já antecipada pelo e-mail: o nome de quem teria todas as informações.

A pessoa em questão é o mineiro Wellington Srbek, que irá atuar como editor da Nemo. Srbek deveria dispensar apresentações entre os leitores de quadrinhos.

Ele foi roteirista de uma série de trabalhos, entre eles o álbum "Estórias Gerais", desenhado por Flavio Colin. Doutor em educação, também tem livros publicados sobre quadrinhos.

                                                          ***

O agora editor Wellington Srbek confirma o conteúdo do release. A programação da Nemo irá se pautar em quatro coleções e duas séries.

Uma das séries, "Mitos Recriados em Quadrinhos", terá inicialmente dois trabalhos, "Ciranda Coraci" e "O Senhor das Histórias", ambos produzidos por Srbek e pelo desenhista Will.

A outra série será centrada nas histórias de "Corto Maltese", criadas pelo italiano Hugo Pratt (1927-1995) e publicadas pela última vez no país pela editora Pixel entre 2006 e 2008.

O álbum de estreia, "Corto Maltese - A Juventude", é inédito no Brasil.

                                                          ***

Um das quatro coleções também trará material europeu. Ela irá publicar histórias produzidas pelo francês Moebius, um dos nomes mais importantes dos quadrinhos europeus.

O primeiro álbum será "Arzach", um dos primeiros da editora que devem chegar ao mercado de livrarias e lojas de quadrinhos. O segundo, "Pesadelo Branco & Outras Histórias".

As demais coleções se dividem entre fatos históricos e adaptações literárias.

São duas áreas que tiveram um aumento no volume de publicações por conta das pomposas compras do governo federal via PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

                                                         ***

Entre as adaptações, algumas já têm os autores definidos. Srbek e José Aguiar assinam uma versão do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis (1839-1908).

A leitura do texto machadiano era um projeto que ele mantinha desde o ano passado, como o blog noticiou em postagem de 9 de fevereiro de 2010.

Os demais integram uma coleção à parte, baseada em versões de textos literários do inglês William Shakespeare (1564-1616).

A lista conta com adaptações de "Romeu e Julieta", "Sonho de uma Noite de Verão", "Otelo", "Hamlet", "Macbeth", "Rei Lear" e "A Tempestade".

                                                         

Arzach. Crédito: editora Nemo

 


Wellington Srbek confirma mais algumas informações. Uma delas é que há outros títulos europeus em pauta. Uns são de Moebius. Os demais, ele não revela quais são.

O álbum de Moebius e o nacional "Ciranda Coraci" devem encabelçar a lista de lançamentos na virada do semestre. Parte dos demais fica para os meses seguintes.

Outra novidade é que os trabalhos nacionais estarão disponíveis também em versão digital, para leitura nas plataformas iPad e iPhone.

Nesta entrevista, feita por e-mail, ele conta um pouco mais sobre o projeto da Nemo e como passou a ser o editor do catálogo, mantido pelo grupo editorial Autêntica.

                                                          ***

Blog - Como surgiu a oportunidade de atuar na editora? 
Wellington Srbek -
Resumindo, a editora de livros infantis do Grupo Autêntica, Sônia Junqueira, entrou em contato comigo para conversarmos sobre um livro, pois ela já conhecia meu trabalho de pesquisa e produção de quadrinhos. Comentei então sobre meu roteiro para a adaptação de "Dom Casmurro", que estava praticamente finalizado na época. Mandei as primeiras páginas do roteiro para a Autêntica e eles gostaram bastante. Então, fui chamado para uma reunião na editora, pois Rejane [Dias, diretora editorial] e Arnaud [Vin, diretor-executivo] já planejavam lançar uma editora de quadrinhos. Neste caso, para minha felicidade, eu estava no lugar certo, na hora certa.
 
Blog - Qual é a intenção da editora? 
Srbek
- A intenção é publicar e produzir quadrinhos de alta qualidade, com boa produção gráfica e a preços acessíveis. Queremos trazer para o mercado brasileiro obras de grandes nomes dos quadrinhos internacionais e também valorizar a produção nacional.
  
Blog - Vendo a lista de obras programadas, vê-se um diálogo com clássicos franceses de Moebius e do italiano Pratt e obras nacionais. As nacionais são voltadas a adaptações ou apresentam viés histórico. O olhar desses trabalhos sugere um interesse editorial nas listas do governo de compra de quadrinhos. Como foi a discussão desse assunto com a editora? 
Srbek -
No caso dos quadrinhos brasileiros, temos três coleções principais em produção: "História & Quadrinhos", com HQs sobre importantes momentos de nossa história, "Shakespeare em Quadrinhos", com as principais peças do autor inglês, e "Versão em Quadrinhos", que trará adaptações como Dom Casmurro, de Machado de Assis. Em todas elas, nosso objetivo principal é produzir quadrinhos de alta qualidade. Algo que foi uma demanda específica da editora foi a produção de quadrinhos infantis, que deu origem à série Mitos Recriados em Quadrinhos, que são álbuns de 20 páginas, fantasticamente desenhados pelo Will.
 
Blog - Sobre os títulos europeus, há outros interesses na lista?
Srbek -
Com certeza! A própria "Coleção Moebius" não terá apenas dois volumes. E temos muitos outros trabalhos europeus em nossos planos e sendo estudados no momento. Claro que não posso revelar agora o nome de mais nenhum autor ou título...
 
Blog - O objetivo é fazer as vendas onde, em livrarias/lojas de quadrinhos ou em bancas também? 
Srbek -
Neste primeiro ano, estamos lançando as bases de um projeto a longo prazo. Inicialmente, pelo próprio perfil “álbum”, os lançamentos da Nemo estarão à venda em livrarias, lojas de quadrinhos e, é claro, também pela Internet. Sendo que em breve os álbuns nacionais da editora estarão disponíveis em versão digital para iPad e iPhone. 

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h28
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15.05.11

Alain Voss (1946-2011)

 

  • Corpo do desenhista será cremado nesta segunda-feira em Lisboa, onde morava
  • Quadrinista morreu na sexta-feira em Portugal, após longo período de internação
  • Alain Voss passou parte da vida no Brasil e ganhou projeção ao publicar na Europa

 

Heilman. Crédito: Alain Voss

 

O corpo do desenhista Alain Voss será cremado nesta segunda-feira, em Lisboa, onde ele morava com a família. Ele morreu na última sexta-feira, vítima de infecção generalizada.

Voss estava internado há algumas semanas num hospital da capital portuguesa. Nos últimos três anos, ele passou por três AVCs (acidentes vasculares cerebrais).

"Fui visitá-lo lá [em Portugal] há uns 20 dias, mas ele não respondia. O olhar já estava distante", disse o amigo Hermes Ursini hoje, por telefone.

Publicitário e ilustrador, Ursini conhece Voss desde a década de 1970. Soube do falecimento por um telefonema dado pela esposa do desenhista, que estava com 65 anos.

                                                         ***

Ursini cedeu a casa a Voss em mais de uma passagem dele pelo Brasil. A trajetória do desenhista foi marcada por uma série de idas e vindas do país.

Voss nasceu na França, em 1946, mas cresceu e teve os primeiros trabalhos publicados no Brasil. Ele retornou à Europa em 1975. Foi um dos primeiros quadrinistas daqui a conseguir projeção no exterior.

O desenhista publicou na "Metal Hurlant", principal revista em quadrinhos francesa de então, e produziu álbuns entre o fim da década de 1970 e o início da seguinte.

Um dos mais polêmicos foi "Heilman". A obra misturava o movimento punk com esoterismo e alusões ao nazismo. Chegou a ser proibida na Alemanha.

                                                        ***

Segundo Ursini, Voss teve passagens pela Grécia e pela Iugoslávia. Retornou ao Brasil em 1981. Ficou até a virada da década, quando voltou à Europa e se estabeleceu em Portugal.

Ele passou a se dedicar mais à ilustração publicitária.

Voss teve mais um regresso ao Brasil em 2009. Nesse período, produziu a série de tiras "Os Zensectos", publicada na revista "Caros Amigos".

Na metade de 2010, a saúde debilitada o levou, uma vez mais, a Lisboa, para ficar com a família. Seu quadro clínico foi piorando desde então.

 

Os Zensectos. Crédito: Alain Voss

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h12
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14.05.11

De moedinha em moedinha, fez-se um Naruto

 

Naruto

 

Tenho uma rotina nos sábados de manhã: ida a alguma banca ou loja de revistas para comprar as publicações semanais de notícias.

Foi numa dessas compras que presenciei uma cena que há muito tempo não via: o esforço feito para comprar uma revista em quadrinhos.

Explico. Na fila para pagar, havia um garoto na minha frente. Via que minha vez demorava a chegar. O motivo era simples: a vendedora estava somando moedinhas, uma a uma.

O menino levou vários saquinhos de papel, cheios de moedas. À caneta, escreveu quanto havia em cada um: R$ 3, R$ 2,50... Eram para comprar o mangá "Naruto".

                                                          ***

A contagem das moedas demorou a chegar aos R$ 9,90 cobrados pela revista da editora Panini. Mas quase não percebi o tempo passar.

Vi no menino quieto e ansioso um pouco do muito que vivi na infância, ainda um ingressante na leitura. Uma das primeiras compras de quadrinhos que fiz foi juntando moedinhas. 

Entreguei todas ao jornaleiro na esquina de casa e comprei um número de "Edição Extra".

O título da editora Abril destava a cada edição histórias de algum personagem da Disney. Aquele número trazia os Irmãos Metralha. Guardo a revista em minha coleção até hoje.

                                                          ***

Os anos trouxeram empregos e, com eles, maior poder aquisitivo. As compras de quadrinhos, hoje, tornaram-se mais rápidas, quase automáticas.

Por isso, é bom ser relembrado sobre a dificuldade que era levar uma revista em quadrinhos para casa. Dava-se mais valor ao produto e ao esforço em chegar até ele.

Bom saber também que ainda há crianças que economizam para comprar quadrinhos (apesar de estes estarem hoje bem mais caros do que eram em minha infância).

O garoto da banca e a criança que fui ontem têm muito a ensinar ao adulto de hoje.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h24
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12.05.11

Dos quadrinhos para o cinema. E vice-versa

 

  • Adaptações de Thor e Capitão América para o cinema pautam série de lançamentos
  • Heróis aparecem em edições especiais que republicam HQs de destaque dos dois
  • Capitão América terá histórias recentes reunidas em dois álbuns de luxo da Panini

 

Marvel Deluxe Capitão América 1. Crédito: editora Panini

 


Ocorre um comportamento circular com os super-heróis que tiveram suas histórias adaptadas para o cinema. 

É como se fosse um bumerangue arremessado, que volta ao mesmo lugar: os quadrinhos servem de base para os filmes e estes pautam uma série de lançamentos em quadrinhos.

O comportamento, comum nos Estados Unidos, é percebido no Brasil também. Exemplo recente: a adaptação de Thor levou a Panini a lançar uma série de especiais com o herói.

A editora também já prepara dois álbuns de luxo com histórias do Capitão América, personagem cujo longa-metragem está previsto para estrear no país no fim de julho.

                                                         ***

A Panini planeja lançar os dois especiais do Capitão América nas semanas que antecedem a estreia. O primeiro, "Marvel Deluxe - Capitão América: O Soldado Invernal", está programado para junho.

Com 304 páginas, o álbum reunir os números de um a nove e de 11 a 14 do título norte-americano do herói. O segundo, programado para o mês seguinte e com 216 páginas, trará as edições 15 a 21.

Os livros reúnem histórias recentes do personagem, que marcaram o retorno de Bucky Barnes, parceiro do herói dos tempos da Segunda Guerra Mundial e dado como morto.

As aventuras já haviam sido publicadas pela Panini na revista mensal "Os Novos Vingadores" e foram produzidas por Ed Brubaker e Steve Epting.

                                                          ***

"Filmes em geral costumam acarretar um pequeno aumento nas vendas na época do lançamento, algo em torno de 20% a 30%", diz Fernando Lopes, editor sênior das revistas dos heróis da Marvel Comics. 

"Mas a retenção costuma ser baixa", acrescenta, "já que os personagens normalmente apresentam grande diferença em relação às suas versões cinematográficas."

Segundo Lopes, o retorno dos especiais varia muito conforme o conteúdo. "Teremos uma boa base de avaliação com esses do Thor e do Capitão."

                                                        ***

Com Thor, a estratégia da editora incluiu especiais e a inclusão do nome do personagem no título da revista mensal do Homem de Ferro, até então único "dono" da publicação.

Dos álbuns programados, um já está à venda, uma compilação das primeiras histórias escritas por J. Michael Straczynski, que também participou do roteiro do filme.

Assim como Capitão América, "Thor - O Renascer dos Deuses" (164 págs., R$ 48) traz aventuras recentes do herói.

A Panini programa também o quarto volume de "Os Maiores Clássicos do Poderoso Thor", de Walt Simonson, tido por muitos leitores como um dos melhores momentos do herói. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h08
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11.05.11

Tiras de adeus a Carlos Trillo

 

Tiras do "La Nacion" e do "Página/12", dois dos principais jornais argentinos, fizeram homenagens ao roteirista Carlos Trillo nas edições desta terça-feira e na de ontem.

Trillo, morto no último domingo aos 68 anos, foi um dos mais destacados autores de histórias em quadrinhos do país.

A seguir, duas das tiras, de autorias de Max Aguirre e Rep, respectivamente.

 

Tira de Max Aguirre. Crédito: edição on-line do jornal La Nacion

 

 

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h28
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09.05.11

Carlos Trillo (1943-2011)

O roteirista argentino Carlos Trillo morreu nesse domingo, em Londres, para onde havia viajado. Os motivos ainda não são claros. Ele estava com 68 anos.

Trillo era um dos principais autores de histórias em quadrinhos da Argentina. Dono de um texto eclético, transitava bem e com destaque entre diferentes gêneros.

Sua relação com os quadrinhos começou na metade da década de 1970. Ganhou destaque no país ao criar a tira "El Loco Chávez" para o jornal "Clarín".

Ele mesclava o roteiro da série com outras histórias, tanto para revistas como no formato álbum. Muitas delas foram publicadas no exterior.

                                                        ***

Trillo fez parceria com vários desenhistas: Alberto Breccia, Horacio Altuna, Domingos Mandrafina, Eduardo Risso (com que publicou um grande número de álbuns).

Atualmente, a arte de suas histórias costumava ser feita por Lucas Varela. É deles o álbum "Síndrome Guastavino", uma crônica ambientada na ditadura argentina.

Na Europa, tornou-se um roteirista respeitado. Era escritor regular de álbuns franceses e mantinha uma personagem, "Clara da Noite", na revista espanhola "El Jueves".

"Clara da Noite" chegou a ter um álbum lançado no Brasil pela Zarabatana. A editora publicou também outro trabalho dele, "Cicca Dum-Dum".

                                                          ***

Comentário: entrevistei Carlos Trillo para o livro "Bienvenido - Um Passeio pelos Quadrinhos Argentinos". Sempre acessível, era uma memória viva da história dos quadrinhos do país.

O último contato com ele foi no congresso Viñetas Serias, encontro acadêmico realizado em Buenos Aires no segundo semestre do ano passado.

A conferência dele, como era de se esperar, lotou. Era muito respeitado no país, parte pela maneira de ser, parte por ser um roteirista acima da média.

São dele duas das melhores histórias em quadrinhos que tive oportunidade de ler: "Cosecha Verde" e "Las Puertistas del Señor Lopez", inéditas no Brasil. Fará falta.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h38
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08.05.11

Iniciada safra 2011 dos livros teóricos

 

  • "Angelo Agostini" mostra trajetória editorial e pessoal do pioneiro das HQs
  • Obra virtual detalha curiosidades dos mangás e da cultura pop japonesa
  • Livro com artigos de pesquisadores discute quadrinhos na educação

 

Angelo Agostini - A Imprensa Ilustrada da Corte à Capital federal, 1864-1910 

 

Diferentes obras lançadas de um mês para cá dão início às publicações teóricas deste ano sobre quadrinhos. Os temas variam, como é próprio dos estudos sobre a área.

As abordagens passam pelos mangás, por Angelo Agostini, tido como pioneiro dos quadrinhos no país, e pelo uso dos quadrinhos na área do ensino.

"História em Quadrinhos & Educação - Formação e Prática Docente" (Umesp, 151 págs., R$ 30) reúne oito artigos sobre aplicação das HQs em diferentes campos pedagógicos.

A obra foi organizada pelos pesquisadores Elydio dos Santos Neto e Marta Regina Paulo da Silva e tem lançamentos nesta segunda e terça-feiras em São Bernardo do Campo (abaixo).

                                                         ***

A trajetória editorial e empresarial do pioneiro dos quadrinhos no Brasil é o tema do livro do pesquisador, professor, jornalista e desenhista Gilberto Maringoni.

"Angelo Agostini - A Imprensa Ilustrada da Corte à Capital Federal, 1864-1910" (Devir, 256 págs., R$ 39,50) compila em livro o doutorado do autor em História Social, de 2006.

A pesquisa, desenvolvida na Universidade de São Paulo, estuda 43 anos de produção gráfica de Agostini. O passar dos anos mudou seu desenho e posicionamentos políticos.

"[Agostini] Revelou um elitismo e um racismo surpreendentes vindos de quem se colocara, anos antes, como porta-voz de uma causa democrática contra a Abolição", explica Maringoni, no final da obra.

                                                          ***

"Cultura Pop Japonesa - Histórias e Curiosidades" faz justamente o que sugere o subtítulo. A obra reúne os bastidores de mangás, animês e seriados japoneses de monstros.

Os temas foram divididos em quatro capítulos. O inaugural aborda especificamente os quadrinhos japoneses, da primeira menção ao termo, no século 19, à produções atuais.

Os autores - Alexandre Nagado, Michel Matsuda e Rodrigo de Goes - relembram também as primeiras produções nacionais de mangás.

A obra foi feita para ser lida e comercializada na internet (203 págs., R$ 10,90). A compra é feita por meio do blog de Nagado, autor de outros livros sobre o tema. 

                                                          ***

Serviço - Lançamentos de "Histórias em Quadrinhos & Educação - Formação e Prática Docente".
-  Quando: segunda-feira (09.05). Horário: 19h30. Onde: campus Vergueiro da Universidade Metodista de São Paulo. Endereço: avenida Senador Vergueiro, 1.301, São Bernardo do Campo (SP).
-  Quando: terça-feira (10.05). Horário: 9h30. Onde: Centro de Convivência da Universidade Metodista de São Paulo. Endereço: rua Alfeu Tavares, 149, São Bernardo do Campo (SP).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h33
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07.05.11

Conrad oficializa fim da maior parte dos mangás 
  • Editora paulista suspendeu em definitivo negociação com Shueisha, de Dragon Ball
  • Informação foi apresentada em carta ao leitor, veiculada via Twitter
  • Conrad diz que irá retomar "Cavaleiros do Zodíaco", "Battle Royale" e reeditar "Gen"

 

Battle Royale 9. Crédito: editora Conrad

 


Uma novela que se arrastava há mais de três anos teve seu último capítulo neste encerramento de semana: a Conrad suspendeu em definitivo a maior parte de seus mangás.

A informação foi oficializada em uma carta direcionada ao leitor, veiculada via site de relacionamentos Twitter e assinada por Rogério de Campos, diretor editorial da Conrad.

O texto põe um ponto final nas negociações com a Shueisha, principal editora japonesa de mangás e detentora dos direitos de séries como "Dragon Ball" e "One Piece".

Segundo a carta, houve "exigências impossíveis de serem satisfeitas" pela editora.

                                                          ***

"Durante os últimos anos, nos esforçamos muito para que chegássemos a uma solução que permitisse continuarmos publicando os títulos dessa editora no Brasil", escreve Campos.

"Para nós, a questão nem era de interesse financeiro, mas do desejo de continuar o trabalho que havíamos iniciado. Infelizmente, tudo o que pudemos e fizemos não foi o bastante."

"Por isso, estamos anunciando a suspensão da publicação dos títulos vinculados à Shueisha em definitivo."

A circulação havia sido interrompida nos últimos anos. Desde então, a editora paulista vinha informando ao blog que mantinha as negociações e que tentava chegar a um acordo.

                                                         ***

Apesar da suspensão, agora em definitivo, a Conrad anunciou na carta a retomada de duas séries - no segundo semestre - e a reedição de outra.

A editora diz que irá voltar a publicar "Battle Royale", mangá que deixou de circular em dezembro de 2007, a poucos números do fim.

"Cavaleiros do Zodíaco Episódio G" será retomada do ponto onde havia parado pela editora.

A reedição é da série autobiográfica "Gen Pés Descalços", de Keiji Nakazawa, publicado entre 2000 e 2001. A história mostra a difícil realidade de vítimas da bomba de Hiroshima.

                                                         ***

O blog tentou conversar com Rogério de Campos no começo da noite desta sexta-feira.

Por e-mail, ainda não houve retorno. Por telefone, a resposta é que ele já havia saído da editora. O contato foi feito às 18h30.

A incógnita, agora, é saber o destino dos demais mangás, alguns deles bastante populares, inclusive no Brasil.

Atualmente, duas editoras daqui publicam títulos da Shueisha: Panini e JBC.                      

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 01h28
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06.05.11

Três sombras, uma metáfora e muitas dualidades

 

  • Álbum mostra enigmáticas sombras que querem tirar criança de sua família
  • História é inspirada em casal de amigos do autor, que conviveu com perda do filho
  • Desenhista francês Cyril Pedrosa virá ao Brasil no segundo semestre

 

Três Sombras. Crédtio: Quadrinhos na Cia.

 


Há um ar tradicional, já visto em muitos filmes, nas páginas iniciais de "Três Sombras", à venda em livrarias e lojas especializadas em HQ (Quadrinhos na Cia., 272 págs., R$ 39,50).

Uma família tem a vida resumida à casa no campo e ao entorno dela. As tarefas diárias são a busca por alimento ou o desfrute das belezas naturais. Tudo na mais perfeita harmonia.

A tranquilidade do pequeno Joachim e dos pais, Louis e Lise, é quebrada quando avistam ao longe três enigmáticas sombras. Descobrem depois serem três cavaleiros.

Mais do que aparentes seres humanos, trata-se de um trio de entidades que vieram para buscar o menino. Incapaz de lutar contra elas, o pai decide fugir com o menino.

                                                          ***

A superfície do enredo criado pelo francês Cyril Pedrosa esconde, tal qual suas sombras, outras intenções.

Muitas delas são calcadas numa grande metáfora, a da sombra, e em dualidades: segurança e medo, união e separação, presente e futuro, e a principal delas, vida e morte.

O tema da morte, de certa forma, pauta toda a história, inspirada numa situação real, como o desenhista revelou neste mês em entrevista a Telio Navega, do blog "Gibizada".

A busca por Joachim estabelece um diálogo com a morte do filho de um casal de amigos.

                                             ***

"Não consigo encontrar palavras para expressar o trauma que foi para eles. É a pior coisa que pode acontecer com um ser humano", diz Pedrosa, na entrevista ao "Gibizada".

Anos depois, teve a ideia de verter a experiência em imagens e palavras.

"Por um tempo, lutei contra a ideia, mas, no fim, admiti que seria importante realizá-la. Talvez pareça estúpido, mas pensei que poderia ser um presente para eles."

O resultado teve boa repercussão. A obra esteve entre as premiadas do Festival Internacional de Quadrinhos de Angouleme, um dos mais importantes da Europa.

                                             ***

Há méritos na premiação. Pedrosa soube trabalhar nas páginas o drama vivido pelos amigos. Os desenhos, em particular, constroem a necessária sensilibidade exigida na obra.

Isso ajuda a enriquecer o roteiro que, a bem da verdade, é bastante simples. Simples, mas correto, bem conduzido.

De todo modo, como o lado emocional em geral fala mais alto durante o processo de recepção, pode ser que "Três Sombras" seja mais lembrado justamente por isso.

O burburinho em torno do álbum deve aumentar no segundo semestre, quando o autor virá ao Brasil para participar do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em Minas Gerais.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 13h10
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02.05.11

Governo de São Paulo renova ProAC com mesmas regras

 

  • Edital paulista mantém verba de R$ 25 mil para cada um dos projetos selecionados
  • Programa da Apoio Cultural irá selecionar dez propostas de histórias em quadrinhos
  • Prazo de inscrição para esta quarta edição vai de 4 de maio a 17 de junho

 

Há nos bastidores uma declarada disputa por espaço interno no PSDB entre o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e seu antecessor, o ex-candidato a presidente José Serra.

A briga entre os dois políticos tucanos, pelo que se vê, não afetou o ProAC (Programa de Ação Cultural), que banca a produção de histórias em quadrinhos.

O projeto estadual terá uma quarta edição neste ano. Os detalhes foram disponibilizados nesta segunda-feira no site da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo.

O edital manteve as mesmas regras das edições passadas. O governo irá bancar a produção de dez álbuns, pagando R$ 25 mil a cada um dos autores.

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Outros itens do edital também foram reprisados. Os autores selecionados deverão promover, como contraparte, oficinas de no mínimo oito horas a preços populares.

Cada obra deverá ter tiragem mínima de mil exemplares (200 serão doados ao governo). O prazo de produção é de oito meses. As inscrições vão de 4 de maio a 17 de junho.

O programa tem sido um dos principais estímulos à produção de quadrinhos nacionais nos últimos anos. A iniciativa recebeu em 2010 o Troféu HQMix de contribuição à área.

Uma das obras produzidas por meio do edital foi "Bando de Dois", de Danilo Beyruth, tida como um dos principais trabalhos nacionais publicados no ano passado.

                                                         ***

Os dados sobre o edital estão disponíveis no site da Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo. Para acessar, clique aqui.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 22h20
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