28.07.11

A volta de Los Três Amigos

 

  • Quadrinhos da Cia. vai lançar coletânea da série de Angeli, Laerte e Glauco
  • Editora programa publicar a obra no ano que vem, incluindo extras inéditos
  • Lista de lançamentos inclui tiras de Laerte e charges de guerra de Angeli

 

Los Três Amigos. Crédito: reprodução

 

As histórias de Los Três Amigos serão reunidas numa edição de luxo. A obra será lançada pelo Quadrinhos da Cia. e está programada para o ano que vem.

Segundo a editora, o contrato com os autores foi fechado há três meses. O nome do álbum ainda não foi definido. Sabe-se, no entanto, que terá algumas páginas nunca publicadas.

"Os originais estão sendo restaurados, com algum material de extras inéditos", diz André Conti, editor responsável pelo selo de quadrinhos da Companhia das Letras.

Ainda de acordo com Conti, a reunião de histórias irá pegar todas as fases da série, do início, apenas com Angeli, Laerte e Glauco, até a inclusão de Adão Iturrusgarai à trupe.

                                                         ***

O interesse do Quadrinhos da Cia.  não se limita a apenas a essa obra. A editora fechou contrato para publicar também duas outras antologias, uma de Laerte, outra de Angeli.

De Laerte, será uma reunião das tiras feitas por ele nos últimos anos para a "Folha de S.Paulo" e reproduzidas, depois, no "Manual do Minotauro", blog mantido pelo desenhista.

Ainda não se sabe se serão todas as tiras ou apenas uma seleção delas. A data de lançamento também não foi definida.

De Angeli, será uma coletânea das charges de guerra feitas por ele também para a "Folha de S.Paulo". O livro pode ser lançado ainda neste semestre.

                                                        ***

A participação no jornal paulista foi apenas um dos pontos em comum entre Angeli, Laerte e Glauco, morto em março de 2010.

Nas charges e nas tiras, produziam isoladamente. Em conjunto, criaram para as revistas da Circo Editorial na segunda metade da década de 1990 e fizeram "Los Três Amigos".

Os desenhistas se inspiraram no filme "Três Amigos!", de 1986. A versão em quadrinhos ironizava as histórias de faroeste ambientadas na divisa com o México.

Angeli era Angel Villa, Laerte, Laerton, e Glauco, Glauquito. A primeira história foi publicada em novembro de 1987, na revista "Chiclete com Banana". Na década seguinte, o trio virou quarteto com a entrada de Adão. Desde então, não é mais produzida. 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h30
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27.07.11

Definidos projetos de edital paulista de quadrinhos

 

  • Nomes dos dez projetos vencedores foram divulgados nesta quarta-feira
  • Lista inclui adaptação do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis
  • Edital do governo paulista dará R$ 25 mil a cada um dos autores selecionados

 

Dom Casmurro. Crédito: Mario Cau

 

A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo divulgou os nomes dos dez projetos selecionados no edital de incentivo à produção de histórias em quadrinhos.

Os autores e os títulos das obras foram publicados na edição desta quarta-feira do "Diário Oficial" do estado. Cada proponente irá receber R$ 25 mil para produzir a obra.

A lista deste ano trouxe uma novidade em relação às edições anteriores, uma proposta de adaptação literária do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis (imagem acima).

Veja a seguir os dez autores e projetos selecionados:

  • Mario Cau - Dom Casmurro
  • Céu D´Ellia - Zu Kinkajú
  • Luiz Carlos Fernandes - Alma: A História da Praça Esportiva Mais Antiga do País
  • Roberto Skubs Sobrinho - Fade Out: Suicídio sem Dor
  • Marcelo Shun Izumi - A Jornada de Gugu e Leo
  • Pablo Carranza - Se a Vida Fosse como na Internet
  • Éder Gil de Souza - Seu Turno
  • Leandro Melite Moraes - A Desistência do Azul
  • George Victor Schall - Sabor Brasilis
  • Daniel Esteves - Quilômetros Blues

É a quarta vez que o governo estadual reprisa o edital do ProAC (Programa de Ação Cultural). Na edição deste ano, houve 136 projetos inscritos, como o blog noticiou em 10.07.

Da seleção passada, só um dos dez trabalhos selecionados foi publicado até o momento: "A Chave do Universo - As Nove Máscaras e o Eneagrama", de Alexandre Montandon.

Outro está na gráfica: "Histórias do Clube da Esquina", de Laudo Ferreira Jr. e Omar Viñole. A obra será publicada pela editora Devir.

O edital paulista tem se tornado um dos principais estímulos recentes à produção de quadrinhos no país. Em 2010, recebeu um Troféu HQMix pela contribuição dada à área.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 18h12
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24.07.11

Vídeo mostra premiação de Daytripper nos Estados Unidos

Caiu no YouTube um vídeo que mostra a premiação de "Daytripper", dos brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon, no Eisner Awards, espécie de Oscar dos quadrinhos nos EUA.

A cerimônia ocorreu na San Diego Comic Con na noite de sexta-feira (madrugada de sábado aqui no Brasil). O trabalho venceu na categoria melhor minissérie.

O começo do vídeo ficou um pouco fora de enquadramento, algo justificável por conta da euforia após o anúncio da premiação. Depois tudo se ajeita e é possível ouvir o discurso.

Lá pelas tantas, Fábio Moon, visivelmente empolgado, solta: "It´s awesome. It´s really awesome... like fora pra caralho!". Pode ser visto neste link.

                                                        ***

Leia mais sobre a premiação de Gabriel Bá e Fábio Moon no Eisner Awards, que também foi conquistado por outro brasileiro, Rafael Alburquerque, na postagem abaixo.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 12h04
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23.07.11

Brasileiros são premiados nos Estados Unidos

 

  • Gabriel Bá, Fábio Moon e Rafael Alburquerque venceram o Eisner Awards
  • Prêmio, entregue neste fim de semana, é considerado o Oscar das HQs nos EUA
  • Desenhistas se destacaram pelas séries "Daytripper" e "Vampiro Americano"

 

Daytripper, de Gabriel Bá e Fábio Moon 

Eisner Awards, recebido por Gabriel Bá e Fábio Moon

 

Numa entrevista ao blog em julho de 2007, um ano antes de Gabriel Bá e Fábio Moon conquistarem o primeiro prêmio nos Estados Unidos, eles diziam o que buscavam no país.

A dupla queria ser reconhecida no mercado norte-americano como contadores de histórias, e não apenas como desenhistas. Conseguiram neste fim de semana.

Uma das histórias dos dois irmãos gêmeos, "Daytripper", venceu o Eisner Awards na categoria melhor minissérie. O prêmio é considerado o Oscar dos quadrinhos nos EUA.

O trabalho recebeu menção também no item colorização. Dave Stewart, responsável pelas cores, atuou ainda em outros títulos.

                                                         ***

O outro brasileiro premiado foi Rafael Albuquerque. A revista que ele desenha nos Estados Unidos, "Vampiro Americano", venceu na categoria melhor nova série.

No Twitter, o estreante Alburquerque vinha registrando estar bastante nervoso momenos antes da premiação. Após receber o troféu, agradeceu a todos os que torceram por ele.

"Muito obrigado a todos os que torceram pelo Eisner. Foi foda demais. Amo vocês", escreveu. Bá postou a foto do troféu, reproduzida logo acima.

"Vampiro Americano" tem roteiro de Scott Snyder e do famoso escritor Stephen King e é publicado no Brasil na revista mensal "Vertigo", da editora Panini.

                                                        ***

É também a Panini que irá publicar neste semestre o ainda inédito por aqui "Daytripper". A editora optou por lançar a versão encadernada, que reúne os dez capítulos da minissérie.

A antologia é a mesma que foi incluída, em fevereiro deste ano, na lista de mais vendidos do jornal "New York Times", na categoria coletâneas.

“Daytripper” se passa no Brasil e mostra diferentes momentos da vida de Brás de Oliva Domingos.

Escritor de obituários, ele é instado e enfrentar tanto a morte quanto as diferentes situações que a vida lhe apresenta.

                                                         ***

A minissérie foi publicada pela Vertigo, sleo adulto da DC Comics, mesma editora de Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha.

É a obra de maior fôlego da dupla, que iniciou os trabalhos em quadrinhos em 1997 com o fanzine (forma de publicação independente, feita em sulfite) “10 Pãezinhos”.

Desde então, Bá e Moon têm se firmado no mercado nacional e norte-americano, onde têm atuado nos últimos anos, mais como desenhistas de outras séries.

Os dois já venceram o Eisner Awards em 2008, pela publicação independente “5”, da qual participou outro brasileiro, Rafael Grampá. No ano seguinte, Bá teve três indicações.

                                                         ***

A cerimônia de entrega do Eisner Awards ocorreu na San Diego Comic Con, tradicional convenção estadunidense de histórias em quadrinhos e cultura pop.

A festa foi realizada na noite dessa sexta-feira (madrugada de sábado aqui no Brasil).

Os três desenhistas estiveram presentes à entrega dos prêmios. No caso específico de Bá e Moon, eles participam da convenção, anualmente, desde a virada do século.

Um esforço do qual colhem os frutos agora. No Brasil, eles preparam uma adaptação do romance "Dois Irmãos", de Milton Hatoum, a ser publicado pelo Quadrinhos da Cia.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h23
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22.07.11

Capitão América volta a ser protagonista de revista

 

  • Depois de anos, personagem volta a encabeçar o título de uma revista mensal
  • Publicação da Panini está programada para as próximas semanas
  • Lançamento se pauta no filme do herói, que estreia no Brasil no dia 29

 

Capitão América e os Vingadores Secretos 1. Crédito: editora Panini

 

Faz 11 anos que os leitores brasileiros viram pela última vez o nome Capitão América no título de uma revista em quadrinhos mensal. O personagem agora volta ao protagonista.

Ele irá encabeçar, uma vez mais, uma publicação mensal, "Capitão América e os Vingadores Secretos" (Panini, 84 págs.).

Segundo a editora, a revista está programada para chegar às bancas um pouco depois da exibição do filme do personagem, que estreia no Brasil no próximo dia 29.

O longa-metragem, aliás, é o mote desse retorno ao destaque de uma revista própria. Dividida com outro projeto cinematográfico, o do supergrupo Vingadores.

                                                         ***

"Com o filme dos Vingadores a caminho, é fundamental divulgar a marca", diz Fernando Lopes, editor sênior da Mythos, que cuida da produção das revistas da Panini no Brasil.

"A Marvel vem investindo fortemente na linha dos Vingadores há alguns anos, e os filmes inspirados nos três membros mais importantes do grupo — Homem de Ferro, Thor e agora o Capitão — ajudam a divulgá-los pro grande público. Assim, nada mais natural que investir nesses personagens."

Segundo ele, a experiência em traduzir nas revistas o impacto dos longas tem sido positiva. Cita como exemplo o Homem de Ferro, que também ganhou revista própria, em 2010.

"O título dele surgiu com o filme e vem se mantendo bem, ainda mais com a passagem do Thor pra revista. São personagens que por muito tempo foram relegados a uma posição secundária, apesar de seu peso pro contexto do Universo Marvel. É bom vê-los tendo o destaque que merecem."

                                                         ***

O Poderoso Thor, Homem de Ferro e Capitão América protagonizaram revistas desde 1967, quando a linha Marvel ainda engatinhava no Brasil pela extinta Ebal (Editora Brasil-América).

Era comum, nesses primeiros anos, dois ou três dos personagens dividirem o nome da publicação. Do trio de heróis, Capitão América foi o que teve maior destaque.

Ele estava à frente de títulos da Bloch (1975-1977, 20 números) e da Abril, em dois momentos (1979-1997, 214 números; projeto Heróis Renascem, 1998-1999, 12 números).

Desde a virada do século, o herói dividia as páginas das publicações com outros personagens da norte-americana Marvel Comics.

                                                        ***

A exemplo de outros filmes de super-heróis, a Panini programou lançamentos especiais em torno do personagem, criado em 1941 por Jack Kirby e Joe Simon, por conta da guerra.

Perto da estreia do longa, a editora irá pôr nas bancas uma edição de "Marvel + Aventura" com as origens de Capitão América e de seu principal inimigo, o Caveira Vermelha.

A outra parte dos títulos havia sido antecipada pelo blog em 12 de maio. A editora publica uma antologia, em dois volumes e em capa dura, das histórias mais recentes dele.

O herói é também um dos personagens de "Projeto Marvels", obra já lançada, que reconta os primeiros dias dos heróis da franquia durante a Segunda Guerra Mundial.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 14h20
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21.07.11

Justiça condena Riachuelo por uso indevido de cartum

 

  • Valor da indenização chega a R$ 100 mil e se refere a desenho em camiseta
  • Arte era de Walmir Orlandeli, autor da ação, que tramitava desde 2010
  • Confecções Guararapes, que controla a Riachuelo, diz que possivelmente vai recorrer

 

Cartum de Orlandeli usado em camiseta da Riachuelo

Cartum de Orlandeli

 

A Confecções Guararapes, que cuida da rede de lojas Riachuelo, foi condenada a pagar indenização por uso indevido de obra artística. O valor, somado, chega a R$ 100 mil.

A sentença foi dada no último dia 14 na 3ª Vara Cível de São José do Rio Preto, cidade do interior de São Paulo. A ação havia sido movida em 2010 pelo desenhista Walmir Orlandeli.

Orlandeli é o autor do cartum usado em camisetas comercializada pela loja (imagens acima). Segundo ele defendeu na justiça, não houve nenhum pedido prévio de autorização. 

O trabalho havia sido premiado em 2005 no Salão de Humor de Paraguaçu Paulista. A arte ficou em segundo lugar na categoria cartum.

                                                         ***

"Foi bom que saiu isso [a decisão], até para servir de alerta sobre o uso de imagem", diz Orlandeli, por telefone. Segundo ele, o plágio foi evidente e a sentença constatou isso. 

O assunto havia sido noticiado pelo blog em 3 de maio do ano passado.

O desenhista soube do uso de seu cartum em março de 2009, por meio de um colega de Recife, que enviou um foto da camiseta. A peça estava à venda na capital pernambucana.

O advogado de Orlandeli diz ter registrado a peça também em lojas de Manaus, Recife, Brasília, Rio de Janeiro, Campo Grande, São Paulo e São José do Rio Preto.

                                                         ***

A sentença foi dividida entre danos materiais (R$ 59.700) e morais (R$ 21.800), além do pagamento de juros e de honorários que, segundo a defesa, chega a R$ 100 mil.

A justiça também determinou que as camisetas em estoque, com a imagem do cartum, sejam repassadas ao desenhista. Não se sabe ainda quantas restaram.

Outro lado. O setor jurídico da Confecções Guararapes disse por telefone, no início da tarde desta quinta-feira, que analisava a sentença e que muito provavelmente iria recorrer.

O mesmo setor jurídico informou que iria discutir o assunto junto à diretoria e que retornaria a ligação ao blog em poucos minutos. Não houve retorno até as 15h39, hora em ponho esta postagem no ar.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h32
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19.07.11

Moebius inédito no Brasil

 

  • "Arzach" traz histórias de experimentalismo gráfico e temático do desenhista
  • Trabalho do autor francês é o primeiro lançamento estrangeiro da Nemo
  • Editora programa mais trabalhos dele e de outros quadrinistas europeus

  

Arzach. Crédito: Moebius 

 

Moebius é daqueles autores que são mais comentados e elogiados do que propriamente lidos. Relação contraditória, acentuada pela fragmentada publicação dele no Brasil.

Os trabalhos dele passaram nas últimas três décadas pela L&PM, Globo, Abril, Panini e Devir, que lançou somente em 2006 uma de suas principais obras, "Incal".

Ter uma coleção de produções do desenhista francês, proposta da estreante editora Nemo, ajuda a compreender melhor a trajetória do autor.

Ainda mais com um trabalho inédito e igualmente comentado, o até agora enigmático "Arzach", lançado no início deste mês (56 págs., R$ 42; capa aqui).

                                                         ***

É preciso contextualizar a obra para entender o papel histórico dela. Como o próprio autor explica na introdução, viviam-se dias conservadores nos quadrinhos franceses.

Em dado momento, os responsáveis pela "Pilote", revista voltada a adolescentes, resolveram dar uma mexida no conteúdo e arriscar algumas inovações gráficas.

Uma delas é a que abre o álbum da Nemo. "Desvio" é uma história de realismo fantástico, mesclada com elementos autobiográficos. Moebius aparece na trama com a família.

Todos rumam de carro, em férias, para uma ilha. Decidem por um caminho alternativo. Alternativo mesmo: há gigantes, luta contra um enorme exército e outros desafios afins.

                                                         ***

O restante do álbum reúne as experimentações que deram sequência a essa inovação inicial. É aí que surge "Arzach", sempre acompanhado de seu pterodáctilo voador.

Não há propriamente uma história clara, com começo, meio e fim bem delineados. O que existe são desenhos minuciosos, detalhados, buscando produzir algo novo.

Lançadas na revista francesa "Metal Hurlant", uma das principais da época no mundo, as narrativas foram comparadas por Moebius, nas palavras dele, a uma espécie de surto.

"Eu tinha como projeto expressar o nível mais profundo da consciência, nas franjas do inconsciente. Esta história pulula, então, de elementos oníricos", diz, na introdução.

                                                         ***

De "Arzach", Moebius migrou para outros trabalhos, dentro e fora do meio impresso, e se firmou justamente como um dos grandes nomes da ficção científica quadrinizada.

Mais do que isso, tornou-se uma referência a novas gerações de autores. A importância deste álbum é mostrar como se deu o início desse processo, inédito por aqui.

A Nemo pretende agregar outros trabalhos do autor a esta coleção. E somar a ela títulos de outros autores europeus. Um já havia sido anunciado: "Corto Maltese", de Hugo Pratt.

A editora confirmou mais alguns, também para este semestre: "A Trilogia Nikopol", de Enki Bilal, reunida num só volume, e "Era a Guerra de Trincheiras", de Jacques Tardi.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h27
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18.07.11

Por que Necronauta mudou de editora?

 

  • Segundo volume do personagem nacional sairá pela Zarabatana, e não pela HQM
  • Danilo Beyruth, autor da série, diz que prazo motivou a mudança de editora
  • Número anterior havia sido selecionado pelo governo para ser levado a escolas

 

 Necronauta. Crédito: site http://www.uarevaa.com/

 

A surpresa foi anunciada a mim e a outros dois colegas, no último sábado, no café da manhã onde estavam hospedados os convidados do Gibicon, realizado em Curitiba.

Quem trazia a notícia era o editor da Zarabatana, Claudio Martini. O segundo volume de "Necronauta" sairia pela editora dele, e não mais pela HQM, como vinha sendo anunciado.

A primeira pergunta feita a ele foi o motivo da mudança. Ele se limitou apenas a dizer que o álbum será publicado nos próximos meses.

Outras questões deveriam ser feitas diretamente ao autor, Danilo Beyruth. Foi o que o blog fez nesta segunda-feira, por e-mail.

                                                          ***

"Na verdade não existe nenhuma grande polêmica ou fato por trás dessa decisão", diz.

"O que aconteceu foi que, até mesmo por um atraso meu em produzir o material, a HQManiacs talvez não conseguisse editar o álbum no tempo que gostaria."

"Como não havia nenhum contrato me obrigando a ficar com eles para um segundo volume, optei por procurar outra editora."

"A primeira a ser consultada, é claro, foi a Zarabatana, que aceitou de pronto."

                                                          ***

O "é claro" da resposta de Beyruth é por conta da bem-sucedida parceria em torno do álbum "Bando de Dois", lançado em 2010 e um dos mais comentados do ano.

Necronauta havia sido publicado inicialmente de forma independente. As histórias mostram a forma como o personagem ajuda as pessoas a chegar ao além-vida.

O volume lançado pela HQM em dezembro de 2009 reunia as histórias avulsas. A obra foi selecionada pelo governo federal para ser levada a bibliotecas escolares de todo o país.

Este novo número traz tramas inéditas. A HQM não lançou novos títulos neste ano. Um dos mais aguardados é a continuação da série norte-americana "Mortos-Vivos". 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h34
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17.07.11

Dias de Angoulême no Brasil

 

  • Gibicon, encerrado neste domingo, em Curitiba, estreia com pé direito
  • Toda a cidade respirou o encontro, algo comum ao Festival de Angoulême
  • Se depender da repercussão desta edição-piloto, evento terá reprise em 2012

 

Entrada do Paço da Liberdade, um dos locais do Gibicon. Crédito: Coletivo.50

 

Já havia pistas de que havia um quê diferente no Gibicon logo na saída do aeroporto Afonso Pena, que fica em São José dos Pinhais, cidade vizinha a Curitiba.

No balcão de informações, havia um enorme cartaz afixado na mesa de vidro.

Os dizeres anunciavam o encontro de quadrinhos na capital paranaense, iniciado na sexta-feira e encerrado neste domingo.

O trajeto até Curitiba comprovou que não se tratava apenas de impressão. Toda a cidade estava pontuada pelo evento, algo atípico de ser ver no Brasil.

                                                         ***

Os pontos de ônibus tinham um enorme cartaz, aos olhos de todos, com parte do uniforme do Homem-Aranha. E, claro, uma chamada para o Gibicon.

Outros anúncios foram colocados em praças. Em alguns cafés e restaurantes, havia flyers. Até quando não se esperava, viam-se alusões ao encontro.

Os jornais e emissoras locais encamparam o evento com reportagens. Até veículos nacionais deram atenção. O "Jornal da Globo" exibiu matéria na madrugada de sexta-feira.

Um bom destaque, apesar de a repórter iniciar o texto com um antigo chavão: "foi só aparecer o desenho no papel para marmajo voltar a ser moleque".

                                                          ***

Ao contrário do que a reportagem da TV Globo procurou mostrar, a programação era voltada ao público adolescente e adulto.  Que compareceu. E não só de Curitiba.

O que o público viu foram dias de Angoulême, cidade francesa que hospeda anualmente um festival homônimo, tido como um dos principais do mundo.

A comparação foi ouvida em mais de uma roda de conversas. Assim como a cidade europeia, Curitiba tocou uma orquestra afiada, envolvendo todos os seus músicos.

O som agradou, impressionou. Até são Pedro, um músico inesperado, ajudou. A temperatura inesperadamente subiu dez graus. Foram dias quentes e ensolarados.

                                                         ***

A orquestra quadrinizada foi tocada em diferentes pontos do atraente centro histórico curitibano, revistalizado e que , por si só, já justificaria uma visita.

Apesar de espalhada, a programação contou com boa plateia. O menor público visto no sábado, por exemplo, foi pouco menos da metade das cadeiras vazias.

A diversidade de locais e de mesas em paralelo foi talvez a maior dificuldade vista no encontro. Havia uma escolha de Sofia na hora de optar para onde ir.

Por isso, é possível que se forem ouvidas cem pessoas que visitaram a Gibicon, ouçam-se cem roteiros distintos, tal qual a teia construída por um passeio na internet.

                                                         ***

Posso dividir com o leitor o roteiro que fiz, já estava definido antes mesmo de chegar, na sexta. Iria participar de uma mesa sobre produção argentina e mediar outras duas.

Já havia ficado impressionado com a galeria de arte, que concentrou parte das exposições na abertura oficial do evento.

Impressionado porque, num mesmo espaço, dava-se tratamento à altura a desenhos de Tex feitos por autores italianos e brasileiros. Estes deram sua leitura do personagem.

Paralelamente, uma ala apresentava ao público quais eram os autores da região. Nomes de Curitiba, de projeção nacional, dividiam as paredes com colegas locais.

                                                         ***

Os quadrinhos curitibanos foram tema de mais de um debate. Tive a oportunidade de mediar uma delas, sobre o humor feito na região.

Participaram Solda, Benett, Pryscila Vieira e Marco Jacobsen. Os quatro puderam falar, sem autocensura, as restrinções a que muitas vezes têm de se sujeitar.

Solda comentou pela primeira vez a uma plateia sua demissão de um jornal local por conta de uma charge sua mal-interpretada.

Talvez uma frase de Jacobsen dita no dia resuma bem a questão: "o politicamente correto é o câncer do humor".

                                                          ***

Mediei também uma mesa sobre a importância das gibitecas, possivelmente a de cunho mais político do evento. Isso porque envolveu diretamente políticas de governo sobre o setor.

Uma possível conclusão é que não basta ter quadrinhos nas escolas: é preciso orientar o professor. E até estimular movimentos para discutir os quadrinhos junto às autoridades.

Estiveram presentes Maristela Garcia, coordenadora da pioneiro Gibiteca de Curitiba, a especialista em quadrinhos Sonia Bibe Luyten, e Afonso Andrade.

Andrade é um dos organizadores do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), outro encontro da área, que será realizado em novembro, em Belo Horizonte.

                                                         ***

Com debatedor, e não como mediador, estive com o editor da Zarabatana, Claudio Martini, e com o desenhista argentino Salvador Sanz, autor do álbum "Noturno".

Sanz apresentou seu trabalho e espantou a plateia ao dizer que demora dois dias - no mínimo - para fazer uma página em quadrinhos.

Martini, um dos poucos editores presentes no encontro, apresentou a capa de "Dora", obra argentina de Ignacio Minaverry que irá lançar neste segundo semestre.

Ele também surpreendeu os jornalistas, na manhã de sábado, ao dizer que irá publicar "Necronauta 2", de Danilo Beyruth. A surpresa é porque havia sido anunciado pela HQM.

                                                         ***

No domingo, a programação teve sequência, com as tradicionais mesas, debates e sessões de autógrafos (muitas com uma gorda fila).

A proposta de José Aguiar e Fabrizio Andriani, coordenadores do Gibicon, é que esta seja uma edição-piloto. A ideia é mostrar ao município que algo assim pode ser feito na cidade.

A média e longo prazos, o interesse é que o evento integre o calendário anual de atividades culturais da capital paranaense. A se pautar por este, terá reprise no ano que vem.

Sondei antes de ir embora qual foi a impressão que as autoridades de lá tiveram. Ouvi como resposta que "eles estão sorrindo". Bom sinal. Sorrimos também todos nós.

                                                          ***

Nota: participei do Gibicon a convite da coordenação do encontro.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 21h39
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15.07.11

Todos os olhares se voltam para Curitiba

 

  • Capital paranaense sedia de hoje a domingo encontro internacional de quadrinhos
  • Gibicon procura inserir cidade no circuito nacional de eventos do setor
  • Programação inaugura série de encontros, que serão realizados neste semestre

 

Gibicon. De 15 a 17 de julho, em Curitiba

 

Curitiba se insere a partir desta sexta-feira no circuito nacional de encontros de histórias em quadrinhos. O Gibicon irá reunir até domingo tanto convidados nacionais quanto de fora.

Os nomes já circulam nas redes sociais há pelo menos um mês. Dos internacionais, a maior parte dos convidados é da Europa.

Da Itália, vêm os desenhistas Fabio Civitelli e Lucio Filippucci, o jornalista e roteirista Luca Raffaelli e o produtor Tommaso D’Alessandro. Da Alemanha, Jens Harder.

Da França, Hervé Bourhis, autor de "Pequeno Livro dos Beatles". Fora do Antigo Continente, a exceção é o argentino Salvador Sanz, do álbum "Noturno".

                                                         ***

Os nomes de fora se juntam aos daqui para compor as várias mesas, oficinas e palestras que compõem os três dias de encontro.

A lista de brasileiros ligados à área de quadrinhos é ao mesmo tempo longa e eclética. Mas pode ser agrupada por afinidades regionais ou profissionais.

Do Paraná, por exemplo, estarão presentes os desenhistas André Caliman, Benett, Carlos magno, Fulvio Pacheco, Paixão, Solda, Rômolo, Pryscila Vieira e Guilherme Caldas.

Também integra a lista regional o roteirista Leonardo Melo e DW, desenhista curitibano que hoje mora em São Paulo. A produção local será tema de duas das mesas da programação.

                                                         ***

De fora do estado, há autores de álbuns, casos de André Diniz e Lourenço Mutarelli, e do meio independente, como a dupla Lídia Basoli e Sergio Chaves, da "Café Espacial".

Mas o predomínio é mesmo de desenhistas brasileiros que atuam no mercado externo, em particular o norte-americano. 

A lista inclui Ricardo Manhães, Eddy Barrows, Erica Awano, Fábio Moon, Gabriel Bá, Ibraim Roberson, Ivan Reis, Joe Benett, Joe Prado e Klebs Jr.

O Gibicon irá contar também com as presenças dos editores André Conti da Quadrinhos da Cia., Claudio Martini, da Zarabatana, e Guilherme Kroll, da Balão Editorial.

                                                        ***

Também integro a programação, assim como os jornalistas Sidney Gusman e Marden Machado e o crítico e tradutor Érico Assis.

Mas a lista não explicita um outro nome, que permeia todas as mesas do encontro de quadrinhos: o curitibano José Aguiar.

O desenhista é a peça-chave do evento, que vem sendo rascunhado há meses em contatos locais e externos, e não só entre autores.

A existência do encontro se deve muito ao esforço dele. O objetivo de Aguiar é fazer destes três dias um marco zero, uma espécie de projeto piloto para as próximas.

                                                          ***

A Gibicon de Curitiba dá a largada para uma série de outros eventos de histórias em quadrinhos, que serão realizados nos próximos meses em diferentes capitais.

Entre os principais, figuram a segunda edição do Rio Comicon, em princípio programada para 20 a 23 de outubro, e o 7º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), no mês seguinte.

Apesar de ser realizado pouco depois, entre 9 e 13 de novembro, em Belo Horizonte (MG), a organização do FIQ já se adiantou e divulgou os nomes dos convidados do evento.

A lista passa de 60 nomes, como o blog noticiou em maio. O homenageado desta edição será o desenhista e empresário Mauricio de Sousa.

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Nota: é ético de minha parte registrar que participo do Gibicon a convite da organização.

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Serviço - Gibicon. Quando: de hoje (15.07) a domingo (17.07). Onde: diferentes locais de Curitiba; a lista de endereços e a programação completa pode ser vista no site do encontro de quadrinhos. Quanto: de graça.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h46
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12.07.11

A batalha, ao que tudo indica, chegará ao fim

 

  • Depois de quatro anos e meio, Conrad retoma mangá "Battle Royale"
  • 13º número começou a ser vendido neste mês; série tem 15 volumes
  • História mostra disputa entre jovens; vencedor é quem mata todos os outros

 

Battle Royale # 13. Crédito: editora Conrad

 

Numa das muitas passagens por Buenos Aires nos últimos anos, comprei o 15º e último número de "Battle Royale", publicado lá pela editora Ivrea, especializada em mangás.

Na Argentina, a série havia sido encerrada alguns meses antes. Eu acreditava ser uma oportunidade rara de ler o desfecho da saga, interrompida no Brasil a três edições do fim.

Na época, não havia muita esperança de retomada do mangá aqui neste país vizinho.

Divido esta impressão pessoal porque creio ser a mesma vivida por vários outros órfãos do mangá, que, só agora, descobriram que os pais, na verdade, não estavam desaparecidos.

                                                         ***

Quatro anos e meio depois do último número lançado no Brasil, o 12º da coleção, a Conrad retomou a série do ponto onde havia parado.

O novo volume já está à venda em bancas e lojas especializadas em quadrinhos (R$ 13,90).

A edição mostra a tensão entre os cinco últimos sobreviventes da matança iniciada logo no primeiro número do mangá, feito por Koushun Takami e Masayuki Taguchi.

Na história, o governo seleciona uma sala de aula e isola os alunos numa ilha. Só um sairá de lá vivo. Para isso, tem de vencer a disputa imposta: matar todos os outros.

                                                         ***

Desnecessário registrar que a série concentra doses cavalares de violência, tanto temática quanto explícita. Não por acaso é recomendada para maiores de 18 anos.

A história foi feita inicialmente em livro, escrito por Takami em 1999. Um ano depois, ele levou a ideia para os quadrinhos.

A estreia ocorreu um mês antes da versão cinematográfica. Houve uma sequência, "Battle Royale: Requiem", lançada em 2003.

O vídeo do longa-metragem chegou ao Brasil. Um final, ao menos, a saga já teve. Se não houver outros revezes, espera-se que o desfecho, agora, ocorra também nos quadrinhos.

                                                          ***

A volta de "Battle Royale" se soma à de "Cavaleiros do Zodíaco - Episódio G", também retomado do ponto onde havia parado. Mas são as exceções.

A editora, que tinha a dianteira do segmento, parou todas as séries orientais nos últimos três, quatro anos. Muitas séries ficaram pelo caminho.

A Conrad oficializou no começo de maio o fim das negociações com a Shueisha, principal editora de quadrinhos no Japão. Não é o cenário ideal, se visto do ponto de vista do leitor. Mas, justiça seja feita, este retorno cumpre o que a Conrad sempre disse sobre o assunto.

Nas várias vezes em que o blog questionou a respeito da interrupção dos mangás, a editora respondia que estava em negociação e que pretendia retomar. Não retomou tudo. Mas, é fato, retomou.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 23h43
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11.07.11

Dois olhares sobre a vida na favela

 

  • Álbum faz biografia de fotógrafo que cresceu em meio à violência de morro carioca
  • História de Maurício Hora é narrada sob o olhar do quadrinista André Diniz
  • "Morro da Favela" tem lançamento nesta terça-feira à noite, no Rio de Janeiro

 

Morro da Favela. Crédito: editora Leya/Barba Negra

 

Às favas com o politicamente correto. Nada do termo "comunidade", tão cunhado pela mídia de uns tempos pra cá. Favela é favela no novo trabalho de André Diniz. Sem eufemismo.

Tanto que o autor faz questão de explicar, logo na página inicial, a evolução da palavra. De árvore sertaneja a conjunto de moradias. Ou uma delas em particular, no Rio de Janeiro.

O "Morro da Favela", que dá nome ao álbum (Leya/Barba Negra, 128 págs., R$ 39,90), é também onde se ambienta a história real do fotógrafo Maurício Hora.

Ele foi criado desde 1968 onde hoje fica a região da Providência. Antes de polícias pacificadoras, presenciou o melhor e o pior dos meandros do morro.

                                                         ***

São dois olhares sobre o mesmo objeto. As memórias do fotógrafo serviram de base para a história, conduzida pelo ângulo narrativo de André Diniz, que acumula roteiro de arte.

Hora retoma as lembranças da infância e da difícil vida no morro. Difícil por ter de conviver com os ecos do mercado paralelo, dos primórdios do jogo do bicho ao tráfico de drogas.

O pai dele, segundo o relato, teria sido um dos primeiros a mexer com essa área. A atividade rendeu idas e vindas à prisão e sucessivas batidas policiais em casa.

Foram tantas "visitas" da polícia que o fotógrafo lembra de desisitir de arrumar os armários. Pra quê, se seriam revirados mesmo a cada batida?

                                                         ***

Assistir à história do privilegiado ponto de vista do leitor permite perceber que, com o passar dos anos, a violência no local deixa de ser apenas física. Passa a ser armada também.

A partir da metonímica história de Maurício Hora, o álbum constrói um fragmento da realidade contemporânea, que começou a receber atenção apenas recentemente.

Tal qual "Cidade de Deus", filme que ajudou a dar voz ficcional à vida na favela carioca, vê-se o que de pior os morros têm a oferecer (e de forma não ficcional, nesse caso).

Mas, ao contrário do longa-metragem, a obra se distingue por apresentar também o que a favela tem de bom a oferecer. Como já dito, trata-se do melhor e do pior do morro.

                                                         ***

O lado positivo, por assim dizer, teve início quando Hora descobriu a vocação para a captura de imagens. Foi a descoberta também de que havia cenas boas a serem registradas.

As fotografias - muitas tiradas apenas com autorização dos chefes do tráfico - obtiveram repercussão dentro e fora do Morro da Favela. E muito fora. Chegaram à Europa.

Esses dois lados antagônicos é que pautam as memórias dele. O que por si só não seria suficiente se não estivessem casadas com a eficiente narrativa construída por Diniz.

Do circuito independente ao comercial, ele tem sistematicamente aprimorado seus trabalhos. Ele já havia demonstrado maturidade na obra anterior, "O Quilombo Orum Aiê". Conseguiu se superar com este novo trabalho. É  o melhor que ele produziu até aqui.

                                                         ***

Serviço - Lançamento de "Morro da Favela", de André Diniz. Quando: terça-feira (12.07). Horário: 18h. Onde: Livraria da Travessa. Endereço: rua 7 de setembro, 54, centro do Rio de Janeiro. Quanto: R$ 39,90.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 22h50
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10.07.11

Edital paulista recebe 136 projetos

 

  • Lista com nomes dos inscritos faz parte da primeira etapa do processo seletivo
  • Programa de apoio à produção de quadrinhos irá escolher dez projetos
  • É a quarta vez que o edital de incentivo é realizado no Estado de São Paulo

 

A Chave do Universo. Crédito: Qualidade em Quadrinhos Editora

 

A Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo recebeu 136 projetos para a edição deste ano do ProAC (Programa de Ação Cultural), edital de incentivo à produção de quadrinhos.

A lista traz tanto nomes conhecidos (como os de Eloar Guazzelli, Fábio Yabu e Klébs Jr.) quanto autores já contemplados em anos anteriores (Custodio, Orlandeli, entre outros).

O rol de inscritos faz parte do processo seletivo. O próximo passo é definir os dez projetos que serão escolhidos. Cada autor recebe R$ 25 mil para produzir um álbum.

Esta é a quarta vez que o edital é feito no Estado de São Paulo. As outras edições geraram trabalhos como o elogiado "Bando de Dois", de Danilo Beyruth.

                                                         ***

Dos dez projetos selecionados em 2010, só um foi publicado até o momento, "A Chave do Universo - As Nove Máscaras e o Eneagrama", de Alexandre Montandon (Qualidade em Quadrinhos Editora, 64 págs., R$ 39,90).

O álbum é direcionado ao público infanto-juvenil e discute a importância do ser humano.

A obra é um bom exemplo de como funciona a contraparte do edital. O autor tem de doar 200 exemplares ao governo e oferecer oficinas a preços populares.

Montandon irá fazer o workshop no próximo dia 23, das 10h às 19h, em São Paulo (no Espaço Tatuapé, rua Antônio de Barros, 2391, 11ºandar). O valor é R$ 10. 

                                                         ***

Nota: a relação completa dos inscritos no edital, bem como os nomes dos projetos, pode ser vista neste link.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 23h01
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