27.01.12

Maratona do Dia do Quadrinho Nacional 2012

 

Este blog vai realizar, pelo quinto ano seguido, a Maratona do Dia do Quadrinho Nacional. A proposta é aproveitar a data para divulgar sites e blogs de quadrinhos nacionais.

O processo será igual ao realizado na edição passada, em 2011. O próprio autor divulga o trabalho no espaço dos comentários desta postagem, logo abaixo.

Como nos anos anteriores, peço que coloque:

  • nome
  • onde mora
  • título da série em quadrinhos ou da página virtual
  • endereço eletrônico para que todos possam visitar

O Dia do Quadrinho Nacional é comemorado na próxima segunda-feira, 30 de janeiro.

Mas já está valendo: pode inserir o link no espaço dos comentários e espalhar a maratona a outros autores de quadrinhos via redes sociais.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h54
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24.01.12

Tira causa polêmica na Argentina

 

  • Publicada no "Página/12", história mostrava judeus em campo de concentração
  • Tira de Gustavo Sala foi lida como ofensiva por entidade ligada à comunidade israelita
  • Jornal emitiu nota de desculpas; quadrinistas fazem abaixo-assinado em defesa

 

Tira de Gustavo Sala. Crédito: jornal Página/12

 

Quadrinistas e profissionais argentinos ligados à área de quadrinhos circulam nesta semana, por e-mail, um abaixo-assinado em defesa do desenhista Gustavo Sala.

O apoio público é uma resposta da classe a uma tira cômica feita por Sala e publicada na quinta-feira passada (19.01) em "No", suplemento jovem do diário "Página/12".

A história mostrava um DJ tentando animar judeus num campo de concentração. Os prisioneiros dizem que não têm o que festejar. "Nos matam e exterminam em massa."

Com a interferência de Adolf Hitler, eles acabam por concordar. Na cena final, o líder nazista conclui: relaxados, os detentos geram um sabão muito melhor após mortos.

                                                        ***

A tira gerou repercussão no mesmo dia. A Delegação de Associações Israelitas Argentinas repudiou "energicamente" a história e diz que ela história banaliza o Holocausto.

"É lamentável que nesta sociedade, em que buscamos integração e pluralismo, existam seres inadaptados", disse o presidente da instituição, Guillermo Borger, ao jornal "Clarín".

O "Página/12" emitiu uma nota de desculpas.

"De acordo com sua histórica tomada de posição contra a discriminação, ´Página/12´ lamenta ter provocado angústia ou dor e pede desculpas a todos os que possam ter se sentido afetados."

                                                         ***

Os que assinam o abaixo-assinado em defesa do desenhista faz alusão direta à posição da entidade de representantes israelitas.

Eles rechaçam, também energicamente, os agravos contra Gustavo Sala e que o conteúdo da tira tenha banalizado o Holocausto.

Os autores do texto também registram respeitar o direito de quem tenha se sentido ofendido com o conteúdo da história de humor.

"Mas, de modo algum, aceitamos os ataques nem as ameaças tanto judiciais como violentas pelas quais nosso companheiro Sala está passando", diz o abaixo-assinado.

                                                         ***

O blog entrou em contato com Gustavo Sala, por e-mail, na tarde desta terça-feira (24.01). Ainda não houve resposta.

Em uma entrevista a uma emissora de rádio argentina, reproduzida em reportagem do jornal "Clarín", ele se disse surpreso com a repercussão.

"Sempre faço paródia de estereótipos. É uma tira medíocre, que tem o ingrediente do tema politicamente incorreto", disse. "A ideia foi parodiar um estereótipo."

Sala produz a tira para o "Página/12" há 15 anos. Ele também é um dos colaboradores regulares da revista em quadrinhos "Fierro", a principal do país, vendida com o jornal.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h45
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23.01.12

Brasileiros em Angoulême

 

  • Cinco trabalhos nacionais disputam principal prêmio francês de quadrinhos
  • Obras concorrem com outras 33 na categoria de produções alternativas
  • É o segundo ano seguido que brasileiros participam do Angoulême

 

São Jorge da Mata Escura. Crédito: reprodução

 

Cinco trabalhos nacionais concorrem ao Angoulême, principal premiação de histórias em quadrinhos da França e uma das mais importantes do mundo.

As obras disputam na categoria de produções alternativas. Ao todo, são 38 estão no páreo. As inscrições foram feitas pelos próprios autores.

A seleção incluiu “Silêncio”, de Lucas Pimenta e Adalfan, “São Jorge da Mata Escura”, de Marcelo Fontana, André Leal, Naara Nascimento e Antônio Cedraz, o décimo número de “Café Espacial”, editado por Sergio Chaves e Lídia Basoli, “Lorde Kramus”, escrita e coordenada por Gil Mendes, e “Escorpião de Prata”, editada por Eloyr Pacheco e com histórias feitas por diferentes quadrinistas.

                                                         ***

A relação de indicados na categoria foram divulgados neste início de semana no site da premiação. Este é o segundo ano que o Angoulême incluiu trabalhos nacionais.

Em 2011, participaram "Café Espacial", "A3 Quadrinhos", "Consequências", "Top! Top!" e "Jam". O vencedor, na ocasião, foi "Arbitraire", da França.

Desde a primeira edição dessa categoria no prêmio, em 1982, os ganhadores foram sempre europeus, a maioria francês.

Os resultados do Angoulême serão divulgados no fim desta semana, durante o Festival Internacional de Bande Dessinée. A principal categoria é a seleção oficial. 

                                                         ***

Post postagem (24.01, às 19h59): os leitores Cadu Simões, Eduardo Mendes e Eduardo Pinto Barbier registram nos comentários que houve outras indicações antes de 2011.

Eles elencam os casos de "Garagem Hermética", em 2010, e do fanzine "Top! Top!". Fica feito ajuste de informação também aqui, no espaço da postagem.

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Escrito por PAULO RAMOS às 10h42
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17.01.12

Picture a Favela

 

  • Álbum "Morro da Favela", de André Diniz, será lançado na Inglaterra e na França
  • Acordo prevê que obra chegue também ao mercado norte-americano
  • Publicação está programada para este ano e é a primeira obra do autor no exterior

 

Picture a Favela   Morro da Favela

 

Na França, ainda não foi batizada. Na Inglaterra, a obra já tem o nome definido: "Picture a Favela". É onde o álbum "Morro da Favela", de André Diniz, irá aportar ainda este ano.

O autor carioca fechou os contratos há cerca de um mês. No circuito francês, a responsável pelo trabalho do brasileiro será a Des Ronds dans l´O Éditions.

No mercado inglês, será editado pela Self Made Hero, que possui outras obras estrangeiras em catálogo, como "Incal", de Moebius, e a biografia de Johnny Cash, de Reinhold Kleist.

A Self Made Hero já inclui o livro em seu site. Segundo a página virtual, o álbum estará disponível em junho. O catálogo irá chegar também aos Estados Unidos.

                                                        ***

"Não é só mais um mercado ou um maior número de leitores. É o começo de um plano. Eu realmente tinha vontade de expandir as minhas fronteiras", diz o autor, por telefone.

O tal plano mencionado por ele inclui publicar justamente no exterior. Um investimento profissional que já o levou a se matricular num curso de francês neste início de ano.

Ele vê a ida de "Morro da Favela" para a Europa e os Estados Unidos como uma porta que se abre. Acredita que isso irá permitir contatos para outros trabalhos seus.

Segundo ele, trata-se de um mercado a mais, que se soma ao brasileiro. "Hoje, eu estou me dedicando cem por cento aos quadrinhos."

                                                         ***

Hoje com 36 anos e morando em São Paulo há um ano de dois meses, Diniz revela uma produção altíssima. Ele diz ter três álbuns prontos e o roteiro de um quarto.

Dois serão lançados pela Barba Negra, responsável também por "Morro da Favela". Mas ele é econômico sobre os temas. Outro envolve uma editora, com quem ainda conversa.

O quarto trabalho será publicado pela Record e é o único em que não assina o roteiro e os desenhos. Ele fará a arte do conto africano Mwindo, escrito por Jacqueline Martins.

A fábula conta a história de um menino, nascido do dedo da mãe. Contrário ao garoto e com medo de perder o trono, seu pai, um rei, decide matá-lo.

                                                         ***

Não são muitos brasileiros que conseguem publicar no mercado europeu. Há exemplos de ontem e de hoje.

Entre os de ontem podem ser citados os trabalhos de Sergio Macedo e Leo, que trocaram o país pela Europa nas décadas de 1970 e 80.

Entre os atuais, há a arte de Sam Hart e Lelis para os mercados inglês e francês, respectivamente. Nos roteiros, Wander Antunes chegou a ser indicado a um prêmio francês.

"Morro da Favela" foi um dos destaques nacionais de 2011. O álbum faz uma biografia do fotógrafo Maurício Hora, que viveu no violento morro da Providência, no Rio de Janeiro.

                                                          ***

Leia a resenha de "Morro da Favela" na postagem de 11.07.11.

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Escrito por PAULO RAMOS às 14h43
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16.01.12

Definidos os vencedores do Prêmio Angelo Agostini

 

  • Lista de ganhadores inclui Daniel Esteves, Gustavo Duarte e Maurílio DNA
  • FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) recebe prêmio por contribuição à área
  • Cerimônia de entrega dos troféus será na tarde de 4 de fevereiro, em São Paulo

 

28º Troféu Angelo Agostini

 


Os organizadores do 28º Prêmio Angelo Agostini divulgaram na manhã desta segunda-feira os vencedores deste ano do troféu, dedicado exclusivamente ao quadrinho nacional.

Maurílio DNA (iniciais de Duarte Nunes Augusto), Daniel Esteves e Gustavo Duarte ganharam nas categorias de melhor desenhista, roteirista e cartunista, respectivamente.

O melhor lançamento de 2011, segundo os votantes, foi a "Ação Magazine", baseada em mangás produzidos no Brasil. 

"Love Hurts" foi selecionada como melhor independente e "Miséria" como melhor fanzine (nome dado a produções feitas geralmente com papel sulfite e xerocadas).

                                                         ***

Duas das categorias do Angelo Agostini são dedicadas a homenagens. Uma delas, o Prêmio Jayme Cortez, será entregue ao FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos)

O festival ocorre a cada dois anos, em Belo Horizonte. A última edição, realizada em novembro do ano passado, recebeu 148 mil pessoas, segundo a organização do evento.

Na categoria mestres do quadrinho nacional, serão lembrados os desenhistas Bira Dantas, Fernando Gonsales, Lourenço Mutarelli e Moacir Torres.

A cerimônia de entrega dos prêmios está marcada para o dia 4 de fevereiro, a partir das 14h, no Espaço Cultural Instituto Cervantes, em São Paulo (Avenida Paulista, 2.439).

                                                         ***

A programação prevê que os troféus serão entregues às 16h. Duas horas antes, estão programados lançamentos e vendas de quadrinhos.

Às 14h30, está marcado um debate sobre o projeto de lei que prevê reserva de cotas de 20% (para editoras) e 50% (para jornais) para quadrinho nacional.

Participam da mesa os desenhistas JAL (José Alberto Lovetro), Márcio Baraldi, Spacca e Guilherme Kroll, da Balão Editorial. A mediação será do jornalista Jota Silvestre.

Esse será o primeiro debate público sobre o assunto.

                                                          ***

A apuração dos premiados ocorreu neste fim de semana, em São Paulo. A votação era aberta ao público, votava quem queria. Neste ano, participaram 480 pessoas.

Por ser uma votação aberta, os resultados finais geralmente surpreendem.

Os vencedores foram divulgados no fim de semana no site da AQC (Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo), que organiza o prêmio desde 1983.

O nome da premiação é uma homenagem ao ítalo-brasileiro Angelo Agostini (1843-1910), um dos pioneiros das histórias em quadrinhos no Brasil.

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Escrito por PAULO RAMOS às 12h03
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13.01.12

55 anos depois, Eternauta é lançado no Brasil

 

  • Versão nacional da trama de Oesterheld e Solano López é publicada pela Martins
  • História de ficção científica é tida como um dos principais quadrinhos argentinos
  • Série foi publicada em capítulos semanais entre 1957 e 1959 e, depois, compilada

 

O Eternauta. Crédito: editora Martins

 

A edição nacional da série argentina "O Eternauta" começa a ser vendida neste mês. A obra foi produzida pelo selo Martins, do grupo Martins Fontes (360 págs., R$ 69,80).

O álbum, por enquanto, consta para venda apenas no site da livraria Martins Fontes. Segundo a editora, começa a chegar aos demais pontos de venda nas próximas semanas.

Esta versão nacional chega ao país 55 anos após ter sido publicada pela primeira vez na Argentina. A série foi lançada em capítulos semanais entre 1957 e 1959.

Anos depois, foi reunida em livro, base para a edição brasileira e para a de outros países, em particular da Europa. A publicação da Martins se baseia na produzida na Espanha.

                                                         ***

"O Eternauta" é a principal obra da dupla Héctor Germán Oesterheld (1919-197?) e Francisco Solano López (1928-2011).

Solano López conta que Oesterheld perguntou a ele o que gostaria de desenhar. Respondeu que seria algo sobre ficção científica, mas com uma pegada mais séria.

Surgiu, então, a série. A história mostra os argentinos sendo surpreendidos por uma neve mortal. Quem tem contato com ela morre instantaneamente.

O foco da narrativa está em Juan Salvo e em sua família e amigos. De uma hora para outra, o grupo precisa descobrir meios de sobreviver ao que parece ser um ataque.

                                                          ***

Logo na primeira página, o leitor é apresentado a Salvo. Ele se materializa diante de um surpreso escritor de histórias em quadrinhos, alter-ego de Oesterheld na trama.

Salvo se apresenta como sendo o Eternauta e passa a relatar a nevasca mortal e os fatos que sucederam a ela. E fica instaurada a dúvida sobre como ele surgiu daquele forma.

A série ganhou uma reescrita para a revista "Gente" no fim da década de 1960, desenhada por Alberto Breccia (1919-1993). Não agradou e foi cancelada.

Houve uma sequência na segunda metade da década de 1970, desta vez com Solano López. A Martins Fontes também adquiriu os direitos de publicação da história.

                                                          ***

"El Eternauta 2" continua do ponto onde a primeira parte havia terminado. O roteiro de Oesterheld mostra um Juan Salvo mais engajado e disposto à luta armada.

O cenário fictício casava com o que vivia Oesterheld á época. O escritor se tornou um dos opositores ao regime militar, instaurado na Argentina a partir de 1977.

A série continuou sendo publicada mensalmente nas bancas. O leitor, porém, não podia ser avisado de que o roteirista já havia se tornado um desaparecido político.

Ele foi sequestrado no fim de abril de 1977. Há um testemunho de que estava vivo na virada do ano. Acredita-se que tenha sido assassinado no ano seguinte.

                                                          ***

Mesmo sem Oesterheld, a série ganhou uma terceira sequência, na primeira metade da década de 1980, e outras a partir da década de 1990.

A última continuação foi conduzida por Solano López. A parte final de uma nova trilogia imaginada por ele terminou de ser publicada em 2010. Foi seu trabalho final.

A primeira parte, que agora chega ao Brasil, ainda é tida como a mais importante. Não só para a série em si, mas também para a cultura argentina.

Eternauta tornou-se uma das histórias em quadrinhos mais importantes do país, tal qual Mafalda, de Quino. Mesmo assim, chega ao país vizinho com um intervalo de 55 anos.

                                                         ***

Nota: é ético de minha parte registrar que fiz o prefácio da versão nacional de "O Eternauta", a convite da editora.

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Escrito por PAULO RAMOS às 15h47
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10.01.12

Neymar em quadrinhos

 

  • Mauricio de Sousa prepara revista em quadrinhos com jogador do Santos
  • Assessoria de imprensa do desenhista dá como certo o acordo com o atleta
  • Neymar é uma das novidades do ano, que prevê versão jovem de Chico Bento

 

Neymar. Crédito: divulgação

 

É comum a Mauricio de Sousa Produções divulgar à imprensa desenhos baseados em fatos marcantes do noticiário, como a morte de alguém conhecido. O deste início de ano foi o título de gol mais bonito de 2011, conquistado por Neymar na segunda-feira.

Os jornalistas recebemos uma reprodução do gol feito pelo jogador do Santos contra o Flamengo (vista acima) e que deu a ele a premiação internacional.

A imagem em si não é notícia. A frase que vinha no mesmo e-mail, ao contrário, era. Ela dizia que uma versão em quadrinhos do atleta "estava em negociação".

Pelo que o blog apurou, o acordo já foi firmado. Neymar irá ganhar uma revista em quadrinhos mensal, em princípio ainda este ano.

                                                          ***

A informação da versão em quadrinhos de Neymar foi confirmada ao blog nesta terça-feira, por e-mail, pela assessoria de imprensa do desenhista e empresário.

O que não há ainda são imagens do projeto, nem uma definição se o nome do jogador será usado no diminutivo, como ocorreu com Pelé/Pelezinho nas décadas de 1970 e 80.

A revista irá dividir espaço nas bancas com outra publicação baseada em um profissional do futebol, Ronaldinho Gaúcho. O título teve início em 2006.

Há dois anos, os estúdios de Mauricio de Sousa chegaram a divulgar uma reedição de histórias de Pelezinho. Mas o acordo para o retorno não foi firmado.

                                                        ***

Ter Neymar em quadrinhos, jogador que vive uma escalada galopante de popularidade no Brasil e no mundo, é o primeiro de uma série de projetos programados para este ano.

Um deles é a versão jovem de Chico Bento, já noticiada pelo blog há dois anos. A proposta de "Chico Moço" é ser uma revista mensal sobre temas ecológicos e do interior.

Apesar da insistência do blog, não foram disponibilizados esboços de Chico Bento mais velho. Nem da outra novidade, um encontro com personagens de Osamu Tezuka (1928-1989).

O encontro será publicado a partir de fevereiro, em "Turma da Mônica Jovem". Tezuka é tido como o pai dos mangás. Criou Astro Boy, A Princesa e o Cavaleiro, entre outros.

                                                          ***

Chico Bento, o tradicional, está nos planos de outra obra. Ele e Cascão irão ganhar especiais em comemoração a seus 50 anos de criação.

"Ouro da Casa" está programado para a Bienal do Livro. Trata-se de histórias mais autorais feitas por roteiristas e desenhistas que trabalham nos estúdios de Mauricio de Sousa.

Há ainda mais dez livros de bolso a serem publicados pela L&PM a partir deste ano. Quatro são da Turma da Mônica, dois de Chico Bento e outros dois de Os Sousa e Nico Demo.

Outra novidade já havia sido anunciada em novembro do ano passado, uma coleção com quatro graphic novels com Mônica e companhia. A intenção é lançar três em 2012.

                                                         ***

As graphic novels estão sendo produzidas por Danilo Beyruth, Vitor e Luciana Cafaggi, Gustavo Duarte e Shiko. Cada um ficou com um grupo de personagens diferente.

Outro projeto programado para este ano é uma coleção com reedições de histórias de Horácio, inicialmente anunciado para o ano passado.

Segundo Sidney Gusman, responsável pelo planejamento editorial da Mauricio de Sousa Produções, ocorreu com a obra o mesmo que as de 50 anos de Cascão e Chico Bento.

"Os dois, mais o primeiro da coleção do Horácio, também previsto para 2012, não saíram antes porque tivemos muitos lançamentos em 2011 e, em conversa com a Panini [editora das obras], preferimos adiar para não sobrecarregar o bolso dos nossos leitores."

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Escrito por PAULO RAMOS às 22h54
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08.01.12

De olho no leitor infantil

 

  • Abril lança de um só vez três revistas nacionais direcionadas ao público juvenil
  • "Gemini 8", "UFFO" e "Garoto Vivo" chegaram às bancas na última semana de 2011
  • Dois dos projetos foram os vencedores de concurso para revelar novos personagens

 

Página de UFFO - Uma Família Fora de Órbita, de Lucas Lima. Crédito: imagem cedida pelo autor

 

Elas foram os últimos lançamentos de 2011. Chegaram às bancas quase no mesmo dia, na semana final do ano. E são a mais recente aposta da Abril para chegar ao leitor infantil.

As três revistas - "Gemini 8", "Garoto Vivo na Villa Cemitério" e "UFFO - Uma Família Fora de Órbita" - apresentam as mesmas características.

Todas têm 36 páginas em cores, o mesmo formato, igual ao das demais publicações infantis das bancas, e são vendidas a R$ 1,95 cada uma.

Além, claro, do direcionamento juvenil. O diferencial está nos temas e nos personagens.

                                                         ***

"Gemini 8" é uma criação da TV Pinguim, empresa de animação mais conhecida por ter produzido a série "Peixonauta", exibida no canal a cabo "Discovery Kids".

Escrita por Marcela Catunda e desenhada por Ricardo Sasaki, a revista em quadrinhos mostra o ingresso involuntário do menino Marco no planeta que dá título a publicação.

Lá, conhece outro garoto, Polo, que tenta ajudar o extraterrestre a retornar para casa. "Gemini 8" é a única das três revistas que não foi selecionada por concurso.

As outras duas séries foram as vencedoras Prêmio Abril de Personagens, realizado ao longo do ano passado.

                                                         ***

"Garoto Vivo na Villa Cemitério" também se pauta em menino fora de seu ambiente natural. No caso, trata-se de Caio, que vai parar num lugar tomado de mortos-vivos.

Mas são mortos-vivos amigáveis, do bem, ao contrário da série homônima norte-americana, lançada no Brasil pela editora HQM. A série é assinada por Fabrício Pretti.

"UFFO - Uma Família Fora de Órbita" mostra quatro alienígenas que se passam por humanos para entender melhor os costumes da Terra.

Só que um garoto da escola de um dos ETs descobre quem eles realmente são. E forma a base do enredo deste primeiro número.

                                                         ***

UFFO foi criada pelo paulista Lucas Lima, de 33 anos. Casado, com dois filhos, ele é mais conhecido pelas tiras de "Nicolau e Seus Queridos Vizinhos", já reunidas em dois livros.

Segundo ele, a proposta inicial é produzir neste ano seis números da revista. O próximo está programado para março. Tornar a revista mensal também é uma possibilidade.

O desenhista diz que o acordo com a abril não aumentou muito seus ganhos. Mas ajudou a dar um foco. Organizou uma equipe de produção e tem em vista formas de licenciamento.

"Se os personagens virarem bonecos, estamparem capas de cadernos ou ficarem apenas no gibi, será ótimo igual", diz. "Apenas torço para que tenham vida longa."

                                                         ***

As três novas revistas finalizam um ano em que a seção de quadrinhos da Abril procurou diversificar seus títulos nas bancas, inclusive com essa volta à produção nacional.

O carro-chefe ainda são as publicações da Disney. Além das tradicionais, a editora apostou em almanaques, novos títulos e especiais, como a volta da coleção "Pateta Faz História".

A Abril também publicou almanaques com histórias juvenis dos super-heróis da DC Comics, baseadas nas animações da TV.

A editora lançou dois volumes de "Superman", "Batman", "Jovens Titãs" e "Liga da Justiça". Os números mais recentes também chegaram às bancas no final de 2011.

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Escrito por PAULO RAMOS às 22h31
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05.01.12

As tiras nacionais buscam seu espaço

Brasília – “Os jornais deveriam receber as tiras em quadrinhos do ´Snoopy´ como matéria paga porque aquilo que se publica é para vender camiseta, decalque, talco e todos os demais produtos que compõem o ´merchandising´do personagem.”

O protesto foi lavrado ontem perante os membros da Comissão de Comunicação da Câmara pelo desenhista Fortuna, da “Folha”, ao participar, ao lado dos cartunistas Henfil, Cláudio Paiva e Edgar Vazquez de uma mesa redonda para discutir projeto de lei para exigir dos editores a publicação de pelo menos cinqüenta por cento de historietas em quadrinhos produzidas no Brasil.

Os desenhistas disseram-se dispostos a sentar frente a frente, no dia 14 de setembro, com os editores de publicações infanto-juvenis para discutir a questão e, se possível, chegar a um acordo para implantação das medidas preconizadas pelo projeto.

Todos eles condenaram um emenda ao projeto, aprovada pelo Senado, que considera como material nacional a adaptação, no Brasil, de personagens estrangeiros. Segundo essa emenda, os heróis de Walt Disney, recriados por artistas brasileiros, seriam considerados nacionais.

Cláudio Paiva, do “Jornal do Brasil”, ressaltou que, hoje, o nível de qualidade atingido pela tira em quadrinhos produzida pelos desenhistas brasileiros os habilita a tomarem conta do mercado. “O leitor prefere o material nacional” – frisou – mas o que não podemos é concorrer com o esquema de ´merchandising´ que cerca a produção estrangeira."

                                                         ***

A matéria acima foi publicada no jornal "Folha de S.Paulo" de 23 de agosto de 1983, sob o título "As tiras nacionais buscam seu espaço", mesma manchete que usei nesta postagem.

De uma atualidade impressionante, casa perfeitamente como o momento político vivido neste 2012, ano em que a lei de cotas para quadrinhos nacionais será debatida no Senado.

O projeto, o de hoje, prevê 50% de tiras brasileiras nos jornais, mesma discussão de 29 anos atrás, e 20% de produção brasileira nas editoras.

Apenas para registro: na edição de 23 de agosto de 1983, a Folha publicou nove tiras, cinco delas nacionais: uma de Angeli, outra de Ciça e três de Mauricio de Sousa. 

                                                          ***

Saiba mais sobre a lei de cotas para quadrinhos nas postagens de 03.11.11 e de 12.12.11.

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Escrito por PAULO RAMOS às 00h09
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