Esta semana marca virada dos quadrinhos nacionais
- Semana soma quatro lançamentos de autores brasileiros, três deles via ProAC
- Número contrasta com os 5 primeiros meses do ano, dominados por obras de fora
- Tendência é de retomada do ritmo de trabalhos nacionais neste próximo semestre

Um dos editores de quadrinhos explicou certa vez o papel dos lançamentos estrangeiros num catálogo que se propõe a ter também produções feitas por autores brasileiros.
Enquanto não ficam prontas as obras nacionais, em princípio mais demoradas de finalizar, mescla-se o cardápio editorial com as de fora, mais rápidas de serem trabalhadas.
Se a máxima for posta à risca, os projetos nacionais demoraram mais do que o previsto neste 2012. Até a semana passada, o domínio foram de álbuns de outros países.
E eles continuarão vindo nos próximos meses. Mas há uma novidade no ar. Esta semana marca a virada nos lançamentos nacionais que, enfim, começam a dar as caras neste ano.
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A precisão da informação pede que se registre que houve álbuns brasileiros lançados meses atrás.
Três deles: "Adormecida: Cem Anos para Sempre", um trabalho antigo de Paula Mastroberti (8Inverso), o erótico "Juliet Circus", de Victor Diógenes (Conrad), a reedição de "Avenida Paulista" (Quadrinhos na Cia.), de Luiz Gê.
Mas nada comparado à enxurrada estrangeira vista até a semana passada, todos de destaque: "O Eternauta" (Martins), "Wilson" (Quadrinhos na Cia.), "Dora" (Zarabatana) ...
... "Incal Integral" (Devir), "Fracasso de Público - Adeus" (Gal), "O Gosto do Cloro" (Barba Negra), "Fierro Brasil 2" (Zarabatana), "O Paraíso de Zahra" (Barba Negra) ...
... "A Trilogia Nikopol" (Nemo), "Moebius - O Homem é Bom?" (nesta semana sai outro álbum do autor francês, "Garagem Hermética", ambos pela Nemo) ...
... sem falar nos mangás ("Dragon Ball", One Piece" e "Cavaleiros do Zodíaco" voltaram a ser pulicados, os dois primeiros pela Panini, o último pela JBC) ...
... e nas coletâneas norte-americanas ("Os Mortos-Vivos", pela HQM, "Ex Machina", "Fábulas", "Y - O Último Homem" e "100 Balas", todos pela Panini). E olha que há mais.
Como se vê, não é pouca coisa, que acabou por sombrear os poucos lançamentos nacionais. Mas, como dito anteriormente, esta semana começa a reequilibrar a balança.
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Dos quatro trabalhos nacionais novos que começam a ser vendidos nesta semana, três deles são frutos do ProAC (Programa de Ação Cultural).
O edital paulista tem selecionado anualmente dez projetos de álbuns e paga R$ 25 mil aos autores para viabilizar a obra. Oficinas e doação de 200 exemplares são a contraparte.
"Acordes", de Rogério Vilela, e "Jambocks Parte 2 - Defendendo o Canal do Panamá", de Celso Menezes e Felipe Massafera (R$ 29,50 e R$ 31,50 respectivamente, pela Devir).
Os dois projetos pertencem a edições anteriores do ProAC e não haviam sido finalizados. Pelo edital, deveriam ser publicados em oito meses, com chance de prorrogação.
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"Fade Out - Suicído sem Dor" é o primeiro trabalho do último edital a ser lançado (Via Lettera, R$ 19,90). É de Beto Skubs (texto), Rafael de Latorre (arte) e Marcelo Maiolo (cor).
A história inicia com o protagonista, Kurt, minutos antes de sua morte. O restante da obra mostra as reviravoltas narrativas que levaram a que ele chegasse àquela situação.
Os autores fazem uma sessão de autógrafos da obra nesta sexta-feira, dia 21, em São Paulo (às 20h, na Quanta Academia de Artes, na rua Dr. José de Queirós Aranha, 246).
Um dia depois, também na capital paulista, no sábado, às 16h, Rafael Campos Rocha lança "Deus, Essa Gostosa" (na Livraria da Vila, na unidade da rua Fradique Coutinho, 915).
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Provocadora, a obra representa Deus como uma mulher negra, que adora os prazeres do mundo. A protagonista, para se ter uma ideia, é dona de uma sex shop.
Segundo o autor, não se trata de uma coletânea, mas de uma "saga que pretendo desenvolver em três livros, se vocês comprarem esse e deixarem meu editor muito feliz".
O editor em questão é André Conti, que cuida da Quadrinhos na Cia. O próximo trabalho da editora, anunciado para este mês, é "Diomedes", reedição da mais importante história em quadrinhos de Lourenço Mutarelli, a "trilogia de quatro partes" de "O Dobro de Cinco".
Nas próximas semanas, a editora põe à venda uma coletânea de Rê Bordosa, de Angeli. E, no semestre que vem, um álbum inédito de Gustavo Duarte, entre outros projetos nacionais.
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Gustavo Duarte será destaque com outro trabalho também. Ele será um dos autores de uma série de quatro álbuns com personagens de Mauricio de Sousa.
Danilo Beyruth, Shiko e os irmãos Vitor e Lu Caffagi também integram o projeto. Se não houver nenhuma mudança de rumo, os primeiros volumes chegam no próximo semestre.
Um semestre que reserva ainda muitos outros trabalhos. Do que se sabe, há pelo menos nove projetos do ProAC passado.
Uma adaptaçõ de "Dom Casmurro", pela Devir, e "Sabor Brasilis", pela Zarabatana, são dois deles, já com editora certa. Além dos de outras edições do edital, em atraso.
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A Barba Negra programa três álbuns, resultados de concurso de seleção de roteiros, realizado no ano passado. Adão Iturrusgarai terá uma coletânea de tiras pela Zarabatana.
Antes disso, já nesta virada de semestre, Arnaldo Branco lança antologia de cartuns seus, "O Mau Humor", pela editora Flaneur.
E já circulam informações de que estão prontos os álbuns "O Inimaginável", de Vitor Batista, de Fortaleza, e uma adaptação de "Ensaio do Vazio", de Carlos Henrique Schroeder.
O trabalho irá contar com desenhos de cinco quadrinistas: os argentinos Berliac e Manuel Depetris e os brasileiros Pedro Franz, Diego Gerlach e Leya Mira Brander.
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Nas adaptações, febre nos últimos anos com olhos nas listas governamentais, já há sinais de fumaça de "O Quinze", de Shiko, e "O Ateneu", de Marcello Quintanilha.
E virão outras. Como virão também mais álbuns estrangeiros, alguns bem relevantes, como "Crônicas de Jerusalém", de Guy Delisle, pela Zarabatana.
Mas os trabalhos de fora irão ladear a lista de lançamentos com os nacionais, que, enfim, começam a sair dos escritórios das editoras e das pranchetas dos autores.
Sem falar dos independentes, que hibernam até os próximos encontros de quadrinhos - Gibicon, em Curitiba, e Rio Comicon, no Rio. Como se vê, a virada nacional começou.