24.07.12
Mesma franquia, diferentes influências
- Trilogia de Batman no cinema exerce variadas influências nas pessoas
- Nos EUA, pode ter levado um jovem a realizar massacre em exibição do longa
- Para todos os demais, produção tem impacto bem mais positivo e pacífico

Tive de resolver uns assuntos num shopping de São Paulo neste início de semana.
No corredor do centro comercial, lá longe, via um pingo de gente com uma roupa preta e capa, ao lado do que parecia ser o pai.
O passo apressado, sempre apressado, ia aproximando a imagem do garoto. Não devia ter mais que três anos. A vestimenta era o que eu já suspeitava: uma fantasia de Batman.
Todo cheio de si, o menino desfilava pela (e para a) multidão. Passei por ele, sorri, recebi outro sorriso como resposta. Na cabeça do garotinho, ele era mesmo o super-herói.
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A cena contrastava com a vivida no extremo norte do continente, na sexta-feira passada (20.07).
Em Aurora, subúrbio de Denver, nos Estados Unidos, uma sessão de estreia de "O Cavaleiro das Trevas Ressurge" foi marcada por um massacre.
James Holmes, de 24 anos, invadiu a sala armado com fuzil, escopeta e pistola automática. Usou a plateia como alvo. Com os cabelos pintados, teria dito ser o Coringa.
Doze pessoas morreram. Cinquenta e oito ficaram feridas.
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A tragédia vista nos Estados Unidos é lamentável por todos os ângulos por onde se olhe. Nada justifica a ação de Holmes.
Ele foi influenciado pelos dois filmes anteriores de Batman, exibidos em 2005 e 2008? Se o que ele e a imprensa disseram for mesmo verdade, é até possível.
Mas turvar ficção e realidade, aos 24 anos de idade, é algo fora do padrão. Revela um distúrbio de alguma natureza. Precisa ser diagnosticado por quem entende do ramo.
Os outros milhares de espectadores que viram os mesmos longas-metragens, por outro lado, influenciaram-se de maneira bem diferente e não violenta.
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É difícil medir a recepção de uma narrativa, cinematográfica ou não, baseada nos quadrinhos ou não, na vida de uma pessoa. Difícil porque se ancora na subjetividade.
Pode ser que alguém tenha ficado assustado com os filmes de Batman, a ponto de não conseguir nem olhar para a tela...
Pode ser que alguém tenha vibrado ao ver o herói tão bem representado pelo diretor Christopher Nolan...
Pode ser que alguém tenha idolatrado os longas... Pode ser que alguém os tenha odiado... Pode ser que alguém nem tenha assistido a eles...
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Talvez um norte-americano tenha se inspirado no problemático vilão do segundo filme da franquia para assassinar uma dúzia de norte-americanos e ferir outras dezenas.
No Brasil, poucos dias depois, um garotinho se baseava no mesmo herói e usava a fantasia do personagem para lutar contra o mal nos corredores de um shopping paulistano.
À maneira dele, sempre ao lado do fiel mordomo paterno...
Uma mesma narrativa conduz a diferentes percepções e reações. Se uma delas pode ter levado a um massacre, não pode resumir todas as demais, nem ser a regra contra o filme.
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Só para ficar claro: o garotinho vestido de Batman mostrado no alto da postagem não é o mesmo que vi no shopping; a foto é de um dos sites que comercializam essas fantasias.
Categoria: RESENHAS









Escrito por PAULO RAMOS às 13h48


