12.09.12

Uma charge que merece registro

 

Charge de Jean Galvão. Crédito: versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Charge de Jean Galvão, na edição desta quarta-feira do jornal "Folha de S.Paulo".

Categoria: NA MÍDIA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h02
[comente] [ link ]

11.09.12

11.09 nos quadrinhos

 

Captain America: Fight Terror. Crédito: reprodução

 

Pensei em escrever algo sobre a relação dos quadrinhos de super-heróis com os atentados do 11 de Setembro de 2011, sofridos pelos Estados Unidos.

Lembrei-me de que já havia feito uma resenha sobre o assunto há exatos seis anos, aqui mesmo no blog. Para não me redundar, voltei àquele texto.

Para minha surpresa, continuo pensando a mesma coisa a respeito do tema e de como o discurso do governo norte-americano migrou diretamente para os quadrinhos.

Para marcar a data, e para não escrever duas vezes o mesmo conteúdo, optei por reprisar o texto, na esperança de trazer a discussão aos novos leitores. A ele, então.

                                                            ***

A indústria norte-americana de quadrinhos teve um comportamento dúbio em relação aos ataques do 11 de Setembro, tragédia que completa hoje cinco anos [11 anos neste 2012]. Num primeiro momento, as editoras seguiram a tendência de solidariedade e de pesar extremo vivido dentro dos Estados Unidos (e, de certo modo, em outras nações do mundo ocidental). Esse sentimento deu o tom às primeiras histórias que abordaram o tema.Dois, três anos depois, o povo americano viu que seus filhos não voltavam da guerra. O sentimento mudou, a popularidade do presidente George W. Bush caiu (e continua baixa) e os super-heróis mudaram sua atitude em relação aos atentados e à política externa norte-americana.

A dubiedade vista nas revistas, ao longo desses cinco anos, só é coerente com o sentimento da população estadunidense.

O caso é um excelente estudo sobre uso ideológico nos quadrinhos. É algo muito parecido com o que foi feito durante a 2ª Guerra Mundial. O ataque a Pearl Harbor obrigou os Estados Unidos a entrar no conflito mundial. Não demorou para os super-heróis também estarem no front. Super-Homem, Mulher-Maravilha, Capitão América (criado para combater os nazistas) e outros passaram a viver histórias de guerra, em que os inimigos eram os países do Eixo e seus líderes. O exemplo mais exacerbado talvez tenha sido o de Flash Gordon. O herói espacial voltou do Planeta Mongo para combater ao lado dos Aliados.

Havia uma política do governo norte-americano de usar a mídia como um veículo ufanista pró-aliados (ou antinazistas). Os quadrinhos não foram exceção. Não é que a presença do conflito era necessariamente imposta pelo governo: ela era consentida pelos escritores e desenhistas. Eles também haviam captado o sentimento de sofrimento vivido em Pearl Harbor e escreviam aquilo que os leitores queriam ver. Essa interpretação é do pesquisador Chris Murray, no artigo "Popaganda: superhero in World War Two". Ele chamou de "popaganda" a mistura da propaganda governamental pró-guerra com o uso da cultura pop.

A argumentação de Murray se encaixa perfeitamente no 11 de Setembro. Novamente, os Estados Unidos foram vítimas de um ataque em larga escala. Novamente, a maior potência do mundo se sentiu ferida. Novamente, partiu para um ataque em terras estrangeiras, passando por cima de uma decisão do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas), que pedia provas mais consistentes sobre a presença de armas químicas (que o tempo mostrou inexistirem). Novamente, os Estados Unidos usaram a mídia a seu favor (hoje, a literatura sobre o assunto já é suficientemente extensa para comprovar esse ponto de vista).

O altíssimo número de mortos após os ataques do 11 de Setembro criou outro índice altíssimo: o de popularidade a Bush. Isso deu a ele o cacife necessário para implementar a política de invasões ao Eixo do Mal (outra semelhança com a 2ª Guerra). Apresentou como argumentos a caça ao terror (palavra vazia, com conteúdo vago e pejorativo) e a presença de armas químicas (que não foram encontradas, como admitiu a Casa Branca anos depois).

Os primeiros quadrinhos sobre o conflito refletiam essa soma de características. A primeira história veio da Marvel Comics, que fez uma edição com capa toda preta, numa clara demonstração de luto. Era do Homem-Aranha, mas mostrava a comoção de todos os heróis da editora. Heróis e vilões. Havia uma cena em que até o inescrupuloso Doutor Destino chorava (veja na imagem abaixo). Houve, com o passar dos meses, outras publicações semelhantes. Só para citar um exemplo, o Capitão América (aquele da 2ª Guerra) passou a caçar terroristas.


Doutor Destino. Crédito: reprodução

 

A invasão norte-americana no Iraque – ainda não resolvida - fez a popularidade de Bush cair vertiginosamente. Havia um novo sentimento no povo norte-americano, sintetizado no documentário "Farenheit 11/9", do polêmico Michael Moore. Os soldados estavam morrendo. E nada parecia justificar racionalmente o conflito.

Os quadrinhos passaram a refletir esse sentimento. É difícil dizer a data exata da virada na abordagem, mas parece ser 2004. Alguns escritores da DC Comics começaram a dar cutucadas na política externa dos Estados Unidos. Um caso. Joe Kelly escreveu uma história da Liga da Justiça (publicada aqui no número 25 da revista homônima) em que Super-Homem tem uma série de visões. Numa delas, argumenta com o então presidente Lex Luthor sobre a irracionalidade de uma invasão a um país indefeso. Luthor, metáfora de Bush, responde aos gritos que invadirá, sim: "É assim que manteremos a paz. Mostrando a terroristas e ditadores que eles não podem desafiar a ONU. Se o Conselho de Segurança não entende isso os Estados Unidos suportarão esse fardo sozinhos se for preciso. Infelizmente, não vejo outra saída". Oficialmente, o tom de crítica fica para o leitor mais atento, já que a história não passa de uma visão do homem de aço.

Outro exemplo, também já publicado no Brasil, é de autoria de Greg Rucka e tem a esposa do Super-Homem como protagonista. Lois Lane não aceita receber notícias do exército norte-americano, como os demais repórter se sujeitaram a aceitar. Ela não queria o discurso oficial, compartilhado por todos os jornais e redes de televisão. Perry White, seu editor, alerta que sair das asas do governo implicaria correr riscos desnecessários na região do conflito. Resposta: "O governo vai controlar a reportagem, Perry. Se não diretamente, vai restringir acesso e censurar o que eu mandar. Me deixe pegar a história inteira" (leia diálogo abaixo). Lois foi.


Lois Lane. Crédito: reprodução


Há, certamente, outros exemplos. Hoje, as produções fazem a crítica de forma ainda mais acirrada e explícita. Um caso é o álbum "A sombra das torres ausentes", de Art Spiegelman (pela Companhia das Letras). Outro é "9/11 Report", versão quadrinizada do relatório da Comissão de Ataques Terroristas, recém-lançado nos Estados Unidos e que solta várias farpas na direção de Bush.

De cinco anos para cá, os quadrinhos deixaram de produzir histórias ufanistas sobre os ataques do 11 de Setembro e seguiram o comportamento crítico do povo norte-americano. Tal qual na 2ª Guerra Mundial, o comportamento dúbio é um reflexo do sentimento vivido pela sociedade, coerente apenas com esse sentimento. Tudo o que lemos é um reflexo do social? Tudo indica que sim.

Categoria: RESENHAS

Escrito por PAULO RAMOS às 12h40
[comente] [ link ]

05.09.12

Cerimônia do adeus

 

  • Revista mineira "Graffiti 76% Quadrinhos" será cancelada no número 23
  • Iniciada em 1995, era uma das mais antigas publicações independentes do país
  • Um dos editores planeja usar experiência na criação de uma editora de quadrinhos

 

Graffit 76% Quadrinhos # 23. Crédito: editores da revista

 

A revista "Graffiti 76% Quadrinhos" deixará de existir. O último adeus será dado com a publicação do 23º número, que tem lançamento nesta quinta (06.09) em Belo Horizonte.

O cancelamento põe fim a uma das mais antigas publicações independentes de quadrinhos do país. Iniciada em 1995, antecipou a tendência de autopublicação explorada hoje no país.

Segundo Fabiano Barroso, um dos editores da revista, houve uma soma de fatores que levaram à decisão, que atendem pelas faltas de motivação, recursos e tempo.

O alento é que ele planeja levar a experiência acumulada para um selo editorial, que também terá como proposta o lançamento de quadrinhos.

                                                             ***

Ao longo desses 17 anos de existência, a "Graffiti 76% Quadrinhos" era tida como uma referência no circuito alternativo brasileiro de quadrinhos.

Passaram pelas páginas da revista mais de cem autores, tanto nacionais quanto de outros países. A proposta era reunir histórias curtas de cada um deles a cada número.

Paralelamente, o grupo mineiro produziu uma coleção de narrativas mais longas, produzidas no formato álbum. Foram publicados cinco números ao todo, o último no começo do ano.

O blog conversou com Barroso por e-mail. Ele fez um depoimento sobre os motivos que levaram ao fim da revista. Depoimento que fala por si e que pode ser lido a seguir.

                                                             ***

O projeto terminou porque não nos sentimos mais tão à vontade fazendo a Graffiti. Ela se tornou, creio que a partir do número 22 (mas já havia indícios antes), uma proposta editorial um tanto maneirista, o que não condiz com o espírito inicial da revista. A Graffiti já foi uma exploradora de tendências, um laboratório, aonde fazíamos e incentivávamos experiências usando o quadrinho como tema central.

Editorialmente falando, nós contribuímos para abrir portas importantes dentro do restrito e intrincado mercado de quadrinhos nacional, pois entramos pela porta do fanzine, mas tendo sempre a pretensão de fazer um produto de luxo, graficamente falando.

Ou seja, ajudamos a inaugurar um modo de fazer & publicar quadrinhos que, no início, era o modelo a ser alcançado. Depois passou a ser tendência. Agora é usual e, quase, obrigatório. Ou seja, enquanto todo mundo evoluiu, a Graffiti estacionou e, hoje, temos dificuldade para sair do lugar onde estamos, seja por motivação, por tempo ou por recursos financeiros e estruturais.

A Graffiti é movida por projetos. A cada final de projeto, nos reunimos para planejar o(s) próximos projetos, se envolverão lei de incentivo, se terão edições 100% quadrinhos, temáticas, nomes de autores, etc. O atual projeto envolveu a publicação de duas edições regulares (22 e a que estamos lançando, 23) e um álbum (A Rua de Lá, do Alves).

Ele chegou ao final, quer dizer, tem a fase de lançamentos, distribuição e tal, mas a produção chegou ao fim, e consequentemente nos reunimos para ver o que faremos. Assim, decidimos que não faremos mais revistas, pelos motivos que citei.

Dos álbuns pendentes, o único que chegou a ser divulgado foi o do Bruno Azevêdo [O Pôço]. Pretendemos, sim, realizar projetos diferentes, mas ainda não podemos afirmar que a Coleção 100% Quadrinhos está entre eles. Um destes projetos já está em início de produção, e não envolve diretamente os quadrinhos.

Do ponto de vista estratégico, pode ser interessante formalizar um selo Graffiti. Falamos sobre isso por alto, mas ainda temos que acertar os pontos. Pessoalmente tenho a pretensão de montar uma pequena editora e publicar quadrinhos (meus e de outros) nos moldes que sempre publiquei.

Na verdade, a editora já existe juridicamente, desde o início do ano, mas não pude me dedicar a ela como gostaria, justamente por causa da Graffiti. Então, espero consolidar esta editora a partir do ano que vem, usando ou não o nome da Graffiti e a parceria com os membros.

A princípio, é um projeto pessoal. Pode ou não envolver meus parceiros, mas todos têm obrigações profissionais que, talvez, sirvam como impedimento. No meu caso, pretendo me dedicar de forma (quase) exclusiva.

Pretendo publicar trabalhos na linha do que sempre busquei publicar na revista e nos álbuns. Tenho pretensões de ser competitivo, vender, procurar os programas de compra de livros pelos governos, mas sem perder de vista os motivos pelos quais entrei nessa.

A Graffiti é formada por Pablo Pires (jornalista) e Piero Bagnariol (quadrinista e educador), que fundaram a revista há 17 anos. Eu entrei em janeiro de 1996, aos 18 anos, como distribuidor da recém-lançada número zero. Rafael Soares entrou em 1997, como produtor. E a Alexandra Martins, jornalista, entrou em 2008.

                                                             ***
Serviço - Lançamento da "Graffiti 76% Quadrinhos" # 23. Quando: quinta-feira (06.09). Horário: 21h. Onde: CCCP. Endereço: rua Levindo Lopes, 358, Savassi, Belo Horizonte (MG).

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 00h28
[comente] [ link ]

02.09.12

Convite

 

Lançamento de Revolução do Gibi em Natal, dia 05.09

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 19h15
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]