27.11.12

Daytripper no Angoulême

 

  • Obra de Gabriel Bá e Fábio Moon concorre a principal prêmio europeu de quadrinhos
  • Trabalho já conquistou troféus nos Estados Unidos e Inglaterra
  • Escolha dos vencedores do Festival Internacional de Angoulême irá ocorrer em 2013

 

Daytripper. Crédito: editora Panini

 

Habituados a conquistar prêmios nos Estados Unidos, os irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon têm agora a chance de somar mais um, em outro país.

"Daytripper", obra criada pelos dois, foi uma das selecionadas do Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, uma das mais relevantes premiações mundiais da área.

A obra concorre na categoria "seleção oficial", a mais importante categoria do Angoulême. O trabalho disputa com outras 31 histórias, a maioria inédita no Brasil.

O resultado será divulgado ao público durante a realização do festival, que vai de 31 de janeiro a 3 de fevereiro do ano que vem. Os vencedores geralmente são conhecidos nos dias finais do evento.

                                                           ***

"Daytripper" vem somando uma série de prêmios internacionais. Conquistou o Eisner Awards e o Eagle Awards, principais premiações dos Estados Unidos e Inglaterra, respectivamente.

A obra foi lançada inicialmente numa minissérie de dez números, publicados entre 2009 e 2010 pela Vertigo, selo adulto da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

Ganhou depois uma versão encadernada, a mesma que a Panini trouxe ao Brasil no meio do ano passado.

O trabalho mostra fragmentos da história de Brás de Oliva Domingos, um escritor de obituários que se vê sistematicamente frente a fatais situações-chave da vida.

                                                            ***

Os dois autores, que são irmãos gêmeos, confirmaram no blog que mantêm que irão ao festival francês. 

A dupla tem se destacado nos últimos anos no mercado norte-americano de quadrinhos. Um dos sinais concretos disso são as sucessivas premiações que conquistaram, em particular no Eisner Awards.

A projeção internacional foi reconhecida também no Brasil. O Troféu HQMix, principal premiação de quadrinhos do país, selecionou Bá e Moon como destaques internacionais do ano passado.

Os quadrinistas trabalham atualmente em um volume da coleção "Cidades Ilustradas", da editora Casa 21, e numa adaptação do romance "Dois Irmãos", de Milton Hatoum, para o Quadrinhos na Cia.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 15h40
[comente] [ link ]

23.11.12

 Uma história-convite

 

 

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h07
[comente] [ link ]

22.11.12

Leya mantém silêncio sobre fim da Barba Negra

O grupo Leya informou nesta quinta-feira, no fim da tarde, que não irá comentar o fim do selo Barba Negra, que concentrava os lançamentos de quadrinhos da editora.

A resposta foi dada após consulta feita pelo blog à assessoria de imprensa da empresa, por e-mail, também nesta quinta-feira.

"Infelizmente a editora Leya não vai se pronunciar quanto a esse assunto", retornou a assessoria, em mensagem enviada às 17h07.

O blog havia feito duas perguntas à editora: 1) quais os motivos do cancelamento da parceria envolvendo a Barba Negra; 2) o que irá acontecer com o catálogo de quadrinhos.

                                                           ***

A informação do fim do selo dedicado a quadrinhos foi oficializada pelo editor da Barba Negra, Sandro Lobo, conforme o blog noticiou na quarta-feira (leia postagem abaixo).

O editor também não deixa claro quais os reais motivos do cancelamento da parceria. Ele sugere, embora não confirme, que a razão seria expectativas diferentes dos dois lados envolvidos no acordo.

Outro assunto incerto é o destino dos lançamentos em quadrinhos já anunciados pela empresa. Segundo Lobo, os selecionados em concurso feito pela editora seriam honrados.

A Barba Negra, em pouco mais de dois anos, consolidou um catálogo que a alçou a uma das principais do segmento. Pelo trabalho, foi premiada como melhor editora de 2011 pelo Troféu HQMix, o principal da área de quadrinhos no país.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 17h38
[comente] [ link ]

21.11.12

Barba Negra chega ao fim

 

  • Selo editorial do grupo Leya deixará de publicar álbuns em quadrinhos
  • Parceria foi encerrada no início do mês; só obras já acertadas devem ser lançadas
  • Iniciada há dois anos, editora foi premiada no HQMix como a melhor do segmento

 

"Infelizmente é isso mesmo, a parceria entre Leya e Barba Negra chega ao fim."

Foi dessa forma, bastante pontual e objetiva, que o responsável pelo selo editorial, Sandro Lobo, confirmou o fim da parceria entre ele e o grupo Leya. O catálogo tinha nos quadrinhos seu carro-chefe.

Segundo Lobo, como é mais conhecido no meio, o acordo foi cancelado no início do mês. O site da Barba Negra já está fora do ar. O acesso foi suspenso há duas semanas.

Ainda há uma nuvem que nubla os motivos do encerramento. Lobo sugere, mas não confirma, que teria havido diferenças entre as expectativas dele e as do grupo, responsável pelo aporte financeiro.

                                                          ***

Lobo diz que não pretende dar sequência a um selo por conta própria. Não no momento, pelo menos. Outra nuvem de incerteza envolve os trabalhos em quadrinhos já anunciados pela editora. 

De acordo com Lobo, devem ser honrados, pelo menos, os projetos selecionados no concurso de novos roteiros promovido pelo grupo no ano passado - houve 402 inscritos.

O prêmio seria a publicação da obra e o recebimento de R$ 20 mil para a produção do álbum. O trabalho vencedor foi do goiano Wesley Rodrigues, obra inicialmente anunciada para ser lançada no ano passado.

Outros dois projetos, um do paulista Mateus Acioli e outro de Plínio Fuentes, de Corumbá (MS), também haviam sido selecionados. Se publicados, seriam os primeiros álbuns nacionais do ano da editora.

                                                           ***

Neste 2012, a Barba Negra pôs à venda três obras, todas elas estrangeiras - "O Gosto do Cloro", "O Paraíso de Zahra" e "Guerra dos Tronos em Quadrinhos".

O cancelamento da parceria contrasta com o destaque conquistado pelo selo editorial nesses cerca de dois anos de existência, período em que formou um catálogo eclético, de obras daqui e de fora.

Pelo trabalho, a Barba Negra foi escolhida como a melhor editora de 2011 no Troféu HQMix deste ano, a principal premiação da área de quadrinhos do país.

Lobo esteve à frente de outro projeto editorial de destaque na área de quadrinhos, há cinco anos, junto à Desiderata. A venda da editora ao grupo Ediouro também pôs fim ao projeto.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 16h21
[comente] [ link ]

17.11.12

O ponto de vista indígena

 

  • Álbum reconta histórias de tribos brasileiras sob o ponto de vista do índio
  • Obra é resultado de passagem do autor, Sérgio Macedo, por tribos de Mato Grosso
  • "Povos Indígenas em Quadrinhos" começa a ser vendido na semana que vem

 

Povos Indígenas em Quadrinhos. Crédito: Zarabatana Books

 

Um projeto antigo do quadrinista Sérgio Macedo sai do forno na semana que vem. Trata-se da história de tribos brasileiras narradas pelo ponto de vista do próprio índio.

"Povos Indígenas em Quadrinhos" (Zarabatana Books, 88 págs., R$ 51) é resultado de impressões e relatos coletados dos próprios protagonistas do álbum.

Macedo conviveu por alguns meses com índios da aldeia Kayapó Metyktire, localizada em Mato Grosso. Lá, entendeu melhor o papel e a realidade daqueles povos.

A experiência, vivida em 1987, somou-se a outros dados. A outros dados e às pesquisas visuais, que ajudaram na composição dos desenhos realistas, marca principal do autor.

                                                            ***

O álbum inicia com uma história universal do povos indígenas. Da Idade do Gelo até as aldeias atuais. Dos primeiros habitantes americanos à realidade brasileira contemporânea.

Os capítulos que se seguem recontam as histórias das tribos Yanomami, Xavante, Kayapó, Suruí e Panará. Tudo pelo viés do olhar indígena.

Este é o terceiro álbum que Macedo lança no Brasil. O primeiro, "O Karma da Gaargot", foi publicado em 1973. No ano seguinte, o autor se mudou para a Europa.

Na França, assinou 15 álbuns, alguns deles traduzidos nos Estados Unidos. Macedo se estabeleceu, depois, no Taiti, onde morou por mais de 25 anos. Retornou em 2007.

                                                           ***

Foi nessa volta ao Brasil que Macedo cometou pela primeira vez sobre o projeto de "Povos Indígenas em Quadrinhos". Na ocasião, aventou-se que seria lançado pela Devir.

A ligação com a Devir é porque foi a editora que lançou o segundo álbum do autor no país, "Xingu!", também em 2007. No mesmo ano, Macedo foi homenageado no Troféu HQMix.

As voltas para tornar a obra real são um dos temas desta entrevista com Macedo, feita por e-mail. As respostas foram escritas de Juiz de Fora (MG), onde cresceu e está atualmente.

Ele faz só um pedido: a cópia das respostas na forma como foram escritas. "Estou cansado de ter tido frases minhas transformadas e, consequentemente, distorcidas em relação ao sentido original." Seguem as respostas. Na íntegra.

                                                            ***

Blog - Começo justamente pelas dificuldades de publicar a obra no Brasil. Lembro-me de você tê-la comentado na última vez em que conversamos e que seria publicada, na ocasião, pela Devir. O que mudou?
Sérgio Macedo
- Sim, era esse o projeto inicial. Então, fui para a Bahia e me estabeleci no litoral, perto de Itacaré. Como tinha vivido décadas fora do Brasil, aproveitei para curtir as belezas do Patropi e, durante muito tempo, deixei de lado a HQ em geral. O surf de Itacaré é lixo (falo da qualidade das ondas) em comparação com o surf nas ilhas do Pacífico e suas ondas sobre bancadas de coral, mas a galera baiana é muito legal e, junto com o calor e a beleza natural da região, me diverti um bocado. A Bahia tem muita beleza e, longe dos centros urbanos, as pessoas são muito mais humanas, gentis, alegres e comunicativas. Quando recomecei a trabalhar, enviei mensagem ao Douglas [Quinta Reis, diretor editorial], da Devir, comunicando o projeto e perguntando a disponibilidade da editora para publicá-lo. Como não houve retorno, escrevi novamente. Mesmo resultado. A gente sabe que a net não é infalível, e tentei mais uma vez. Não tive resposta, me toquei que não havia interesse, e decidi procurar outra editora. Fui a Sampa, e um amigo desenhista me levou na editora DCL. O diretor, Raul Maia, foi muito legal e decidiu publicar o livro. Fechamos negócio, voltei para a Bahia, e continuei a desenhar as HQs do livro. Quando quase tudo estava pronto, a editora literária me comunicou que o livro não poderia ter imagens de índios nus... Quase um ano depois do contrato assinado e da equipe editorial ter visto uns 40 originais onde não faltavam índios nus. Ah, Brasil!... Isso desencadeou problemas consecutivos e, quando um grafista da editora modificou digitalmente várias imagens, decidi partir para outra. O que se seguiu foi uma série de contatos, envio dos arquivos do livro pela net, até que Claudio Martini, [editor da] Zarabatana Books, decidiu publicar o livro.
(Se você quiser, posso fazer um histórico da saga-editoras e das peripécias que rolaram, como quando na Abril Educação, após aprovação da diretoria, comitê editorial e etc, rolou um veto do setor jurídico logo antes que assinássemos o contrato, pois eu propus uma cláusula em que haveria uma contribuição financeira (como se passa agora com Zarabatana) do autor e do editor para os índios retratados na obra).
 
Blog -Quando exatamente você começou a produzir a obra e quando a terminou?
Macedo
- Nos anos 80. A página sobre a Hutukara Associação Yanomami [no final da obra], feita a pedido dos Yanomami, foi finalizada poucos dias antes da impressão do livro.
 
Blog - O livro mostra o lado dos índios e caracteriza como maus, por assim dizer, todos os invasores e políticos responsáveis por programadas indígenas. Isso não pode gerar algum questionamento de que o outro lado não teria sido ouvido?
Macedo
- Cuidado para não cair na armadilha maniqueísta judaico-cristã e seus conceitos de bom e mau. A TV e demais mídias brasileiros, instrumentos dos interesses econômicos das multinacionais e dos lobbies nos bastidores do governo, inculca na cabeça do povo noções absolutamente falsas e errôneas sobre os povos indígenas, e a infeliz política atual da Funai é coptar as lideranças indígenas a aceitar o jogo dos brancos, a enfraquecer sua cultura (a instalação de televisões nas aldeias é uma ferramenta para isso) a fins de que eles não oponham resistência à corrupção que impera na sociedade nacional. Convivi com garimpeiros, posseiros, caçadores, empregados de fazendas, aviadores que levavam garimpeiros nas terras indígenas, etc, conheço os dois lados e vejo bem que a grande maioria desses invasores está na necessidade e busca, antes de mais nada, a sobrevivência. Eles não têm noção correta do impacto de suas ações sobre o povo indígena. Quanto aos latifundiários, empresários e grupos econômicos que os manipulam, a realidade é outra, assim como a ausência de intervenção efetiva do governo, que tem, no mínimo, a obrigação de respeitar os direitos humanos. É claro, alguém que vive na cidade, mesmo com a maior dose possível de informação adquirida nos centros urbanos, não compreende nem de longe o que se passa na mata e nas terras indígenas.
 
Blog - Sérgio, para encerrar, queria saber o que o motivou a retornar ao Brasil e a se estabelecer em Juiz de Fora. E com quantos anos está hoje?
Macedo
- Após mais de 33 anos no exterior, eu ainda lembrava das maravilhas naturais do Brasil, e voltei para revivê-las. Nunca me estabeleci em Juiz de Fora, que é uma das cidades mais caretas e tristes desse planeta. No ano passado, vim a Juiz de Fora visitar minha mãe. Uma manhã, praticando corrida a pé numa trilha de fazenda, fui picado por uma cascavel. Estava longe de tudo, foram 4 horas até ser socorrido na cidade, e quase fui para o outro mundo. Mas vaso ruim não quebra à toa, e ainda continuo vivo. Mas a recuperação foi muito longa, e acabei ficando no sítio dos meus pais. Mas meu projeto é voltar para as ilhas do Taiti, cuja realidade é paradisíaca em comparação com a do Brasil. Mas tenho alguns projetos HQ a finalizar antes disso. Nasci no 8-4-51, tenho 61 anos (os dados biográficos estão no livro). Allright, Joe?

Categoria: ENTREVISTA

Escrito por PAULO RAMOS às 11h18
[comente] [ link ]

13.11.12

E o ProAC 2012 vai para...

 

  • Júlia Nascimento Bacellar (Júlia Bax) - "Remy"
  • Rogério da Cruz Kuroda (Roger Cruz) - "Quaisqualigundum"
  • Magno Costa - "A Vida de Jonas"
  • Marcos Leandro de Oliveira - "Aos Cuidados de Rafaela"
  • Olavo Costa - "Ronda Noturna"

 

Depois dos nomes, as explicações.

Os cinco autores elencados acima e os nomes das respectivas obras são os selecionados deste ano do ProAC (Programa de Ação Cultural), mantido pelo governo estadual paulista.

Todos integraram o edital relacionado a histórias em quadrinhos. A proposta do programa, que é anual, é a de viabilizar a produção de trabalhos culturais de diferentes áreas.

Os finalistas foram divulgados nesta terça-feira. Cada um deles irá receber R$ 40 mil para produzir as obras. O prazo para conclusão e publicação é de 12 meses.

                                                           ***

O prazo de um ano é apenas uma das mudanças do edital do ProAC deste ano, como o blog noticiou em agosto deste ano.

Nas edições passadas, o autor contemplado com a verba pública tinha oito meses para finalizar a obra. Há possibilidade de prorrogação de 90 dias.

Outra alteração foi uma redução pela metade no número de selecionados. De dez, caiu para cinco. A verba aumentou de R$ 25 mil para os atuais R$ 40 mil.

Mas, no geral, significa um investimento menor do estado. Se antes eram desembolsados R$ 250 mil no total, agora são R$ 200 mil.

                                                            ***

Uma das explicações para as alterações foi que o governo paulista estaria atendendo a pedidos dos autores, que teriam solicitado um prazo maior.

Essa informação veio a público em matéria do blog "Papo de Quadrinho", do jornalista Jota Silvestre, publicada em 3 de outubro.

O governo, no entanto, não explica por que houve redução também na verba destinada ao programa e no número de inscritos.

Demandas que dificilmente teriam partido dos quadrinistas.

                                                            ***

O ProAC tem se firmado nos últimos anos como uma das principais políticas de fomento à produção de histórias em quadrinhos no país. Neste ano, foram 155 inscritos.

Um dos frutos do programa foi "Bando de Dois", de Danilo Beyruth. De todas as obras do edital, foi a que obteve maior repercussão até o momento.

O álbum, sobre cangaceiros zumbis, venceu há dois anos três troféus HQMix, principal premiação da área de quadrinhos no país.

O programa  tem como calcanhar-de-aquiles o não cumprimento dos prazos do edital. Parte dos trabalhos de edições passadas foi publicada com atraso de mais de um ano.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 13h03
[comente] [ link ]

05.11.12

De volta à produção nacional

 

  • Editora Abril volta a produzir no país histórias para os quadrinhos Disney
  • Por enquanto, apenas Zé Carioca terá trabalhos realizados no Brasil
  • Primeiras produções começam a sair no fim do mês, em especial do personagem

 

Zé Carioca 70 Anos - Volume 1. Crédito: divulgação

 

Trata-se ainda de um retorno tímido. Mas, é fato, trata-se de um retorno. A editora Abril voltará a criar no país histórias para os quadrinhos Disney, algo que não faz há uma década.

Os primeiros trabalhos serão publicados no fim do mês, data em que está programado o segundo volume do especial "Zé Carioca 70 Anos" - o anterior foi lançado semana passada.

A edição especial irá trazer duas histórias com o papagaio brasileiro. Uma será escrita e desenhada por Fernando Ventura, especialista em produções de personagens Disney.

A outra terá traço de Luiz Podavin, profissional que participou da arte de vários trabalhos realizados pela editora entre meados da década de 1970 até o começo deste século.

                                                            ***

A informação sobre esse retorno à produção nacional foi confirmada pelo editor da linha Disney, Paulo Maffia, durante o Gibicon, congresso de quadrinhos realizado em Curitiba.

Informalmente, o fato já circulava há pelo menos um ano, mas não era oficialmente confirmado pela empresa. Segundo Maffia, a volta se resume por ora apenas ao Zé Carioca.

A proposta é inverter o eixo do que ocorre atualmente. Em vez de reprisar ou importar histórias do personagem, ele pretende levar as narrativas daqui para o mercado externo.

O editor diz que há ainda alguns ajustes finais. Mas, se tudo correr como planejado, a proposta é ter uma história nova a cada número da revista mensal "Zé Carioca".

                                                            ***

Faz parte do pacote também especiais sobre a Copa do Mundo e a Olimpíada. Os dois eventos esportivos serão realizados no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente.

A Editora Abril produziu quadrinhos no país desde meados os anos 1960. O ponto alto da produção ocorreu nas três décadas seguintes.

O processo foi abandonada na entrada do século. Segundo Maffia, o que já estava produzido foi publicado até meados de 2002. Desde então, tem havido apenas reedições.

A volta casa com os 70 anos de criação de Zé Carioca, marcados pelos dois especiais com o personagem. O primeiro, à venda nas bancas, reúne histórias raras dele.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h57
[comente] [ link ]

04.11.12

Capitão América caiu no Enem

 

  • Capa da revista do personagem foi usada como tema de questão do Enem 2012
  • Pergunta exigia que candidatos contextualizassem atuação do herói na 2ª Guerra
  • Quem já lia suas histórias em quadrinhos conseguiria responder com maior facilidade

 

Captain America 1. Crédito: reprodução

 

No meio do questionário, havia uma capa. Uma capa do primeiro número de "Captain America", de março de 1941, revista que marcava a estreia do super-herói estadunidense.

Setenta e um anos depois, a imagem do Capitão América dando um expressivo soco no líder nazista Adolf Hitler (1889-1945) foi usada no Enem (Exame Nacional do Ensino Médio).

A prova foi aplicada neste fim de semana. Os organizadores da prova apresentaram uma resenha do filme do personagem, "O Primeiro Vingador", exibido em 2011.

Depois, perguntaram a quem o herói e os Estados Unidos lutavam. A resposta correta era a que fazia menção aos "regimes totalitários, na Segunda Guerra Mundial".

                                                            ***

Para responder à questão, os estudantes deveriam ler as imagens da capa. A saída para assinalar a alternativa correta estava na identificação de Hitler e das suásticas presentes.

As demais alternativas sugeriam conflitos situados em outras épocas históricas: Primeira Guerra Mundial, Guerra Fria, Guerra do Vietnã, respostas aos ataques do 11 de Setembro.

Essa contextualização é familiar a quem já acompanha as aventuras do super-herói da editora norte-americana Marvel Comics, independentemente do que era visto na capa.

Fato raro: ler quadrinhos de super-heróis ou assistir ao filme do personagem teriam ajudado os estudantes a responder à questão com mais facilidade.

                                                            ***

Outra raridade é ter uma capa de revista de super-heróis usada como texto de questão. O Enem, até então, usava apenas charges e tiras nos enunciados de seus testes.

O uso desses dois gêneros dos quadrinhos tem sido frequente no histórico da prova. É comum aparecer, todos os anos, mais de uma pergunta pautada em produções assim.

No exame deste ano, houve uso de três charges e de três tiras, uma delas de Laerte.

O Enem tem sido usado nos últimos anos não mais como uma forma de avaliação do ensino médio, mas como um vestibular para acesso a vagas de universidades federais.

Categoria: NOTÍCIA

Escrito por PAULO RAMOS às 21h29
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]