Versão sem cortes de matéria minha, publicada na edição de 19.11 da "Folha de S.Paulo".

 

 

Houve três criações importantes do mercado franco-belga de quadrinhos que chegaram ao Brasil na década de 1960. Duas delas – Asterix e Tintim – encontraram novas editoras e permanecem em catálogo. Faltava reeditar a terceira, Lucky Luke. Faltava. A sátira às histórias de faroeste criadas por Morris (1923-2001) será retomada a partir deste fim de ano.

A coletânea vai ser publicada pela Zarabatana Books. Serão 24 volumes, cada um deles com mais de uma aventura do caubói, conhecido por atirar “mais rápido que a própria sombra”. A coleção irá reunir todas as histórias desenhadas por Morris, de 1946 a 2002. Parte delas são inéditas no Brasil.

O conteúdo se baseia no formato como os livros foram publicados na França pela editora Dupuis. Na versão em português, os títulos serão impressos em duas versões: uma em capa dura, com menor tiragem, e outra em capa mole (144 págs. cada uma).

Segundo Claudio Roberto Martini, 59, editor da Zarabatana Books, a programação é lançar dois álbuns por ano. Se não houver alterações, a coletânea estará concluída em 2026. Ao contrário do que ocorreu na França, a coleção irá iniciar pelo quarto volume, que traz histórias publicadas entre 1956 e 1957.

“É a partir dessa data que está consolidado o traço do Morris e é quando o [René] Goscinny começa a escrever os roteiros. As histórias e os personagens ficam mais bem estruturados”, diz Martini. De acordo com ele, os três primeiros livros serão editados depois.

René Goscinny (1926-1977) é mais conhecido pelo trabalho com Asterix, série criada por ele e pelo desenhista Albert Uderzo em 1959. A parceria com Morris – pseudônimo do belga Maurice De Bevere – teve início quatro anos antes. O escritor, porém, só passou a ser creditado em 1956.

No livro da Zarabatana Books, Goscinny assina duas das três histórias: “Lucky Luke contra Joss Jamon” e “Os Primos Dalton”, lançadas originalmente em capítulos entre 1956 e 1957. Na primeira, Goscinny faz uma participação: Morris desenhou um dos vilões, Pete Indeciso, com o rosto do roteirista francês.

Criação

Lucky Luke foi criado em 1946 para uma edição especial da publicação belga “Le Journal de Spirou”. No ano seguinte, o caubói se tornou personagem fixo. Pouco depois, as histórias começaram a ser reeditadas em álbum.

As compilações ajudaram a dar maior longevidade à série e a conquistar novos mercados. No Brasil, “Os Primos Dalton” foi lançado em 1966 pela extinta Bruguera. A editora era responsável também pela revista semanal “Tintim”. Foi nela que saiu, dois anos depois, a história “Lucky Luke contra Joss Jamon”, em 21 capítulos.

O personagem teve ainda passagem pela RGE (Rio-Gráfica Editora), que publicou cinco álbuns e um livro de bolso na década de 1970. A série foi retomada em 1983 pela Martins Fontes, que lançou 20 obras num período de quatro anos. Lucky Luke não era editado desde então.