04.07.08

Para onde caminha o quadrinho independente brasileiro?

Autores de quadrinhos independentes vão participar no próximo domingo, em São Paulo, do 16º EIRPG, evento especializado em RPG (role-playing game).

 

Eles farão durante toda a tarde oficinas de roteiro, de fanzines e uma jam session de quadrinhos, uma marca do grupo.

 

É mais um espaço que o movimento procura ocupar.

 

É algo que tem se tornado constante desde que os autores criaram em setembro do ano passado o 4º Mundo, um selo que reúne quadrinistas nacionais de diferentes partes do país (mais aqui).

 

Os autores já conversam sobre participar da Bienal do Livro, talvez em parceria com alguma editora.

 

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O primeiro evento de que o grupo participou foi o FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), realizado em outubro, em Belo Horizonte, Minas Gerais.

 

Os autores alugaram um estande e dividiram os custos entre eles.

 

A presença dos independentes foi um dos destaques do festival (reveja aqui).

 

Desde então, o 4º Mundo tem alcançado mais projeção, diversificado o catálogo de títulos e trilhado dois caminhos: o virtual e o impresso.

 

Uma parte tem publicado em revistas e outra parte em sites pessoais ou no blog do grupo (link). E há quem trabalhe paralelamente nos dois flancos.

 

Há a idéia de traduzir algumas das histórias virtuais para atingir o público estrangeiro e aumentar o volume de leitores.

 

Até este momento, há 26 disponíveis no blog, como a mostrada abaixo, "Os 303 de Esparta", de Marlon Tenório.

 

 

 

 

 

                                                                          

 

Mas e mais à frente? Para onde caminha o 4º Mundo?

 

Segundo Cadu Simões, um dos organizadores do movimento, há muita conversa sobre isso no Quinto Mundo, nome dado à lista de discussão do grupo.

 

“A principal questão da discussão está relacionada à distribuição”, diz Simões, por e-mail.

 

“O nosso modelo de trocas de revistas entre os integrantes não está mais dando conta do atual volume de publicações e vendas do 4º Mundo.”

 

O problema tem levado a algumas propostas.

 

Uma delas é negociar com distribuidoras profissionais.

 

“Outro ponto de discussão que está rolando no momento é sobre a formalização do 4º Mundo numa fundação, ou até mesmo numa empresa”, diz Simões, criador do personagem Homem-Grilo.

 

“Tem uma série de ações que ficamos impedidos de fazer pela falta de CNPJ e, se o 4º Mundo fosse uma empresa, isso seria resolvido.”

 

                                                            ***

 

Simões dá outras informações sobre os rumos do movimento independente nesta entrevista, feita em dois momentos diferentes.

 

Blog - Estamos perto de comemorar um ano de 4º Mundo. Qual avaliação você faz desse período?
Cadu Simões
- Nesse quase um ano, acredito que o 4º Mundo conseguiu cumprir algumas das suas metas, como fomentar a produção de quadrinhos independentes, divulgar esses quadrinhos na grande mídia e dar saída à produção já existente, atingindo um novo público-leitor através de canais de venda alternativos como festas, shows e feiras populares (público esse que as editoras não conseguem atingir nas bancas, livrarias ou comic shops). E, principalmente, estamos formando o nosso próprio público-leitor. Ainda que seja um número pequeno, já existe um grupo de leitores que não era leitor habitual de quadrinhos e que começou a ler por causa das publicações do 4º Mundo.

Blog - Há uma tendência entre os integrantes do movimento independente de construir histórias curtas. Existe algo planejado para criação de álbuns mais longos, como ocorre, por exemplo, na França? Ou não há interesse nisso?
Simões
- Bem, os quadrinistas começam fazendo histórias curtas, pois, com elas, é mais fácil treinar suas habilidades técnicas e artísticas e também são bem mais fáceis de se produzir. Mas uma vez que ele já sinta que possui um bom domínio do processo de construção de histórias em quadrinhos, vai querer tentar fazer histórias maiores. E é o que já vem acontecendo com alguns quadrinistas independentes. Eu mesmo, a partir do próximo número da [revista independente] “Garagem Hermética”, começarei a publicar uma história seriada mais longa. O [Daniel] Esteves também está fazendo histórias seriadas com a “Nanquim Descartável”. Outro exemplo é a Avenida, cujas as histórias também possuem uma certa continuação e desenvolvimento.

 

Blog - A proposta do 4º Mundo agora é pôr mais material na internet? Essa estratégia caminha em paralelo às produções em papel?

Simões - Sim, a proposta é publicar também na internet através do blog do coletivo, tanto histórias em quadrinhos que já foram publicadas em revistas impressas quanto ainda inéditas. Assim, com a publicação das histórias em quadrinhos on-line,  atingimos um público maior do que apenas com as revistas impressas e, ao mesmo tempo, serve como um tipo de propaganda para essas revistas.

 

Blog - Como se dá a seleção das histórias do site e de quando em quando é a atualização?

Simões - Não há bem uma seleção das histórias. Assim como não tem um editor ou uma linha editorial. Cada membro do 4º Mundo tem liberdade para publicar seus quadrinhos no blog do coletivo sem precisar da aprovação dos outros membros. Também aceitamos colaborações dos quadrinistas que não pertencem ao 4º Mundo. Nesse caso, ele deve submeter a sua história no nosso fórum, o Quinto Mundo, e é a comunidade do fórum que irá decidir se será publicada ou não através de votação. As atualizações são diárias, sempre com a publicação de uma página por dia. E, terminando de publicar uma história em quadrinhos, já começamos a publicar outra logo em seguida.

 

Serviço - 4º Mundo no 16º EIRPG. Quando: domingo. Horário: a partir das 12h. Onde: Colégio Marista Arquidiocesano. Endereço: rua Domingos de Morais, 2.565, Vila Mariana, São Paulo.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h01
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11.06.08

Tese da USP mostra que quadrinhos estimulam crianças a ler

Há um conjunto de rótulos pejorativos sobre os quadrinhos, a maioria herdada de décadas anteriores. Um deles bate na jocosa tecla de que "quadrinhos são coisa de criança". 

Uma tese de doutorado da USP (Universidade de São Paulo) pôs a expressão à prova.

E mostrou que ela é verdadeira, sim. Mas não no sentido depreciativo.

A pesquisa chegou a basicamente duas conclusões: 1) quadrinhos estimulam as crianças a ler; 2) esse estímulo fomenta a migração para outras formas de leitura, como os livros.

A tese foi defendida -e aprovada- há pouco mais de um mês na ECA (Escola de Comunicações e Artes) da universidade.

A autoria é da paulistana Valéria Aparecida Bari, de 42 anos.

(É ético de minha parte registrar que integrei a banca de doutorado).

As conclusões foram possíveis por meio de entrevistas feitas com alunos da própria USP que tinham o hábito de ler quadrinhos. O levantamento foi feito entre 2001 e 2007.

A pesquisadora confrontou os resultados com a realidade observada na Espanha, onde fez parte do estudo.

O objetivo da viagem ao país europeu era perceber se a realidade brasileira é válida também em outro universo de leitores. Conclui que é.

E que a Espanha já desenvolve projetos de leitura com quadrinhos.

Nesta entrevista, feita por e-mail, Valéria Bari detalha um pouco mais sobre a tese, intitulada "O Potencial das Histórias em Quadrinhos na Formação de Leitores: Busca de um Contraponto entre os Panoramas Culturais Brasileiro e Europeu".

Para ela, a leitura de quadrinhos deve ser estimulada não só nas escolas, mas também pelos pais, dentro de casa, e nas bibliotecas públicas.

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Blog - Por que, no seu entender, sempre circulou um discurso contrário à idéia de que quadrinhos estimulam a leitura?

Valéria Bari - Como a posse da informação sempre representou uma forma de poder socialmente constituído, naturalmente é desinteressante para os detentores dessa informação que ela transite livremente. Como a linguagem dos quadrinhos sempre foi representativa na leitura infantil e das camadas populares, sua validade cultural é questionada por aqueles que preferem privilegiar linguagens, discursos e obras inacessíveis. 

 

Blog - Os pais, então, devem estimular a leitura dos quadrinhos?

Valéria - Se o interesse dos pais é a criação de filhos inteligentes e curiosos, que saberão buscar informações e conhecimentos com autonomia e competência, que terão habilidades para ler, escrever e se comunicar por meio de diversas outras linguagens, inclusive as digitais, é ótimo que disponibilizem histórias em quadrinhos para a leitura de seus filhos no lar. Permitam também que seus filhos pratiquem escambo com suas revistas em quadrinhos, para que conheçam outros amigos que gostam de ler e compartilhem o que estão aprendendo. Respeitem as coleções pessoais dos seus filhos, que são tão importantes para eles quanto os livros e papéis completamente insossos que nós adultos adoramos acumular e dar tanta importância. Uma criança adquire o gosto pela leitura em um ambiente no qual sua infância é respeitada, os seus gostos pessoais são respeitados e as atitudes dos adultos que o rodeiam denotem que a leitura é fonte de prazer e alegria.

 

Blog - O governo federal distribui quadrinhos às escolas do ensino fundamental desde 2006. Como você analisa esse programa [chamado PNBE, Programa Nacional Biblioteca na Escola]?

Valéria - O programa, assim como o elenco de políticas públicas que visam incentivar o gosto pela leitura e a formação do leitor, esbarra em uma limitação muito importante: a falta do acompanhamento do uso que o material disponibilizado recebe. Assim, as histórias em quadrinhos disponibilizadas recentemente aos estudantes, assim como outras amostras de leitura infanto-juvenil, não estão alcançando toda a sua potencialidade na formação do leitor.  É necessário que as políticas públicas contemplem a formação dos professores, a inserção da leitura como atividade-fim nas grades curriculares, a formação natural de espaços de leitura dentro e fora dos espaços escolares.

 

Blog - Como os quadrinhos deveriam ser tratados pelo governo?

Valéria - Os quadrinhos deveriam ser tratados como um material bibliográfico relevante à formação dos leitores. Atualmente, as bibliotecas públicas estão desenvolvendo acervos de histórias em quadrinhos, pois esta nova forma de ver as histórias em quadrinhos já está ocorrendo. Porém, mais e mais crianças e jovens que são egressos de famílias completamente iletradas estão sendo escolarizados, o que significa que toda a sociedade tem de fazer esforços redobrados, para que a formação desses novos leitores não fique perdida pelo caminho. A mobilização da sociedade sobre a questão da leitura é essencial para o êxito da escolarização universalizada, e as histórias em quadrinhos certamente têm muito a contribuir para a evolução desse preocupante quadro social.

 

Blog - E qual o papel das bibliotecas – escolares ou não – nesse processo?

Valéria - As bibliotecas públicas e escolares, por sua proximidade social com os leitores novatos, também têm o papel de atuar no desenvolvimento do gosto pela leitura. Ocorre que, apesar da recente melhora na qualidade e quantidade dos acervos, este papel ainda não está sendo desempenhado como deveria. Para tal desempenho, é necessária uma mudança de mentalidade e uma disposição dos profissionais envolvidos em assumir esta nova responsabilidade.   

 

Blog - Sua tese comparou a realidade brasileira com a espanhola? Quais as diferenças e o que há em comum?

Valéria - Para compreender melhor o problema da leitura no Brasil, fiz uma viagem de estudos à Espanha. Entre espanhóis e brasileiros, existem muitas coisas em comum, quando se trata do letramento e da formação do leitor. Em ambos os casos, a cultura das famílias não enfatizava a leitura doméstica até datas recentes, assim como o nível de escolarização era heterogêneo. A principal diferença entre os dois povos está na inovação rápida das políticas públicas e na mentalidade dos profissionais, no caso espanhol, que estão aplicando exemplarmente o potencial dos quadrinhos. Porém, o Brasil tem a possibilidade de difundir o gosto pela leitura por toda a sociedade, apesar das severas restrições orçamentárias, caso invista criteriosamente na formação de seus profissionais e na disponibilização de acervos estrategicamente desenvolvidos, sempre com a presença das histórias em quadrinhos.

 

Blog - Qual o papel dos quadrinhos na formação das pessoas?

Valéria - As necessidades individuais não se restringem à alimentação e o abrigo. O ser humano chega a um estado social de dignidade se lhe é dado o direito de sonhar, de se alegrar, de compartilhar suas experiências e fantasias com outras pessoas e ser compreendido. As histórias em quadrinhos estabelecem uma relação leitora que, além da natural carga de informação do texto escrito, investe muito no onírico, no sonho, de forma individual e social. Pela leveza e articulação da linguagem dos quadrinhos, a sua leitura é relaxante, mesmo quando os temas e enredos abordados são mais sérios e pertencem à temáticas adultas. A leitura em quadrinhos é naturalmente atrativa e, além de preparar o cérebro para apropriar toda a natureza de linguagens complexas, ajuda a enfatizar a imaginação e fomentar os sonhos, o que é importantíssimo para todas as pessoas, sejam crianças ou adultos.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h56
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06.06.08

Pixel lança nova revista mensal e prepara mais encadernados

Capa aberta do primeiro número de "Fábulas Pixel", título que começou a ser vendido nesta semana 

 

Dos formatos tateados pela Pixel do ano passado para cá, o que surtiu mais receptividade, de acordo com a editora, foi o da chamada revista mix, que reúne diferentes personagens.

"Pixel Magazine", publicada desde 2007, tem esse molde. Espelhada nela, a editora lança nesta semana um segundo título mensal, "Fábulas Pixel" (100 págs., R$ 10,90).

A revista já está à venda nas bancas e lojas especializadas em quadrinhos.

A proposta da publicação é reunir títulos ligados a fantasia e magia.

"Fábulas", série que empresta nome à revista, é o carro-chefe.

A obra faz uma versão adulta e modernizada dos contos de fadas.

As duas histórias de "Fábulas" deste número de estréia, ambas inéditas, mostram o surgimento de Chapeuzinho Vermelho e a candidatura do Príncipe Encantado ao cargo de prefeito dos seres fictícios.

A trama continua do ponto onde parou a Devir, que iniciou a publicação da série no Brasil. A Devir lançou três álbuns. O primeiro foi reeditado pela Pixel.

A revista traz ainda "Astro City", série escrita por Kurt Busiek, "Histórias do Amanhã", com texto de Alan Moore, e "Sandman Apresenta".

Os títulos pertencem das linhas Vertigo, Wildstorm e ABC, que publicam material voltado a um leitor adulto. Os três selos estão vinculados à editora norte-americana DC Comics, a mesma de Super-Homem e Batman.

A Pixel começou a publicar esse material com exclusividade no ano passado (mais aqui).

Desde então, tem testado o mercado com especiais, revistas e publicações encadernadas de obras inéditas ou já lançadas meses atrás.

Os primeiros encadernados com republicações começaram a ser vendidos no mês passado.

Houve reedição de especiais de "100 Balas" e de "Astro City".

Pelo menos dois outros estão em pauta.

Um com "Promethea" e outro com "Planetary", ambos já publicados na "Pixel Magazine".

A Pixel programa, também para este ano, um álbum nacional.

Na entrevista a seguir, feita por e-mail, o editor-chefe da Pixel, Cassius Medauar, dá mais detalhes sobre a nova publicação, fala sobre os encadernados e comenta a respeito de novos lançamentos. 

                                                               ***

 

Blog - A ”Fábulas Pixel” estava prevista para abril. O que levou ao adiamento?

Cassius Medauar - Foram diversos fatores. Os principais foram o atraso no envio de arquivos por parte da DC Comics e a discussão com a gráfica por um orçamento melhor.

 

Blog – “Fábulas”, como o título da revista indica, será o carro-chefe da publicação. Como será formado o restante do título. Haverá histórias de “Astro City” e “Sandman Apresenta” todos os meses? Algum outro título?

Medauar - Sim, teremos “Astro City” pelo menos quatro meses seguidos e “Sandman Apresenta” nos primeiros cinco meses, quando acaba a minissérie “Fúrias”. Depois dela, virá outra míni de “Sandman Apresenta” que estamos definindo. A revista ainda terá “Livros da Magia: Life During War Time” e “Promethea”, que entrarão mais pra frente. E aqui e ali teremos “Histórias do Amanhã”.

 

Blog - Muda algo em 'Pixel Magazine'?

Medauar – Sim. “Y - O Último Homem” entra na revista na edição 16. Na 15, deste mês, teremos mais uma história de “Freqüência Global”. E estamos estudando o que virá a seguir.

 

Blog - A Pixel tem demonstrado um canal muito forte de abertura com o leitor, principalmente por meio do blog da editora. Até que ponto o leitor realmente pauta os lançamentos?

Medauar - Olha, posso dizer que as enquetes que fazemos e as opiniões dadas lá nos ajudam bastante a escolher lançamentos e mudanças de direção. Como leitor, colecionador e fã, acho muito importante sabermos a opinião do nosso publico alvo pra saber que caminhos seguir. Lançar Monstro do Pântano colorido e lançar o especial Spawn Godslayer foram algumas coisas que fizemos depois de ver o que os leitores achavam.  

 

Blog - No ano passado, André Forastieri [um dos sócios da Pixel] dizia que as histórias então publicadas seriam relançadas num segundo momento na forma encadernada (link). Isso de fato começou a ocorrer neste ano. Já houve uma edição de “100 Balas” e outra de “Astro City” (capa ao lado). Qual o objetivo?  Venda nas livrarias?

Medauar - São vários objetivos. Ter mais encadernado para as livrarias, ter mais encadernados pros fãs que só gostam de encadernado, e é também um meio de otimizar nossas vendas, afinal, a venda em banca no Brasil diminui a cada ano.

 

Blog - O material que saiu na 'Pixel Magazine', caso de Planetary, por exemplo, também sairá em formato encadernado?

Medauar - Sim, mas aos poucos e vamos ver se dá certo. Começaremos com “Planetary” e “Promethea” e veremos qual a aceitação do público.  

 

Blog - A existência da “Pixel Fábulas” vai inibir um pouco a quantidade de especiais?

Medauar - Na verdade, não vai inibir. Isso é uma mudança de linha editorial, já que os especiais lançados no ano passado não tiveram um bom histórico de vendas.

 

Blog - A linha Vertigo, ABC e Wildstorm está com a Pixel já há mais de um ano. A editora testou vários formatos e públicos nesse período. Que saldo você faz? O que funcionou e o que não deu muito certo? 

Medauar - Ainda é cedo para termos um resultado. Como disse acima, os especiais não foram como a gente esperava, acabamos descobrindo que a revista mix é o que funciona no Brasil. E o mercado de encadernados é um mercado difícil. As livrarias ainda não tem uma cultura de quadrinhos e é complicado fazê-las pedir e expor direito o seu produto.

 

Blog - No ano passado, houve a saída do então editor-chefe Odair Braz Junior e a informação de que o diretor André Forastieri  sairia do dia-a-dia dos quadrinhos publicados pela Pixel. Muitos tiveram a sensação de que a editora passava por algum tipo de turbulência. Divido a pergunta em duas. Primeira: houve mesmo essa turbulência?

Medauar - Não foi bem uma turbulência, foi a hora de avaliar o que tinha sido feito até ali e que caminho tomar a seguir.

 

Blog - Segunda parte da pergunta: hoje, como anda a saúde da Pixel?

Medauar - Isso quem poderia responder é o departamento financeiro. Pelo que eu sei, vai indo tudo bem, na medida do possível nesse mercado complicado de quadrinhos.

 

Blog - Em maio, foi lançado um álbum com “Invisíveis”, obra muito esperada no Brasil (capa ao lado).

Que outras novidades a editora terá até o fim do ano?

Medauar - Por enquanto ainda não estamos revelando muita coisa porque estamos fazendo o planejamento do segundo semestres, mas com certeza teremos o “Sandman” e mais um álbum do “Constantine”.

 

Blog - E sobre outros títulos? Haverá mais Corto Maltese? Algum material nacional em pauta?

Medauar - Queremos lançar mais um álbum nacional este ano. Sobre Corto Maltese, o próximo deve sair apenas no começo do ano que vem.

 

                                                                *** 

 

Nota: o último álbum de Corto Maltese, "As Etiópicas", foi lançado no mês passado.

 

Neste mês, a editora programou outro trabalho europeu: "Emmanuelle", de Guido Crepax.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h00
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05.06.08

Livro faz raio-x do terror nos quadrinhos e em outras artes

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"Enciclopédia dos Monstros", assinada pelo jornalista Gonçalo Junior, começa a ser vendida nas livrarias neste fim de semana

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A existência da "Enciclopédia dos Monstros", escrita pelo jornalista e pesquisador Gonçalo Junior, já tinha sido antecipada por este blog em dezembro do ano passado.

 

A novidade é que a obra está pronta e começa a chegar às livrarias neste encerramento de semana (Ediouro, 304 págs., R$ 59,90).

 

O livro foi produzido nas cores preta e vermelha e mostra as várias formas do terror em diferentes gêneros artísticos, inclusive nos quadrinhos, área em que o autor tem vários livros publicados.

 

O mais conhecido é "Guerra dos Gibis", lançado pela Companhia das Letras.

 

Gonçalo Junior tem uma trajetória muito ligada aos quadrinhos de terror.

 

Iniciou a coleção ainda criança. Comprava revistas do gênero publicadas pela editora Bloch.

 

Depois, migrou para outras publicações, entre elas as da D-Arte.

 

A extinta editora lançava revistas hoje clássicas, como "Calafrio" e "Mestres do Terror".

 

"Tornei-me fanático", diz o jornalista baiano, que há alguns anos mora em São Paulo.

 

"Enquanto isso, descobria o cinema de horror e, principalmente, a literatura gótica dos séculos 18 e 19. Tanto que 99% das imagens do livro vieram de meu acervo particular."

 

Ele diz que, do convite à finalização, demorou um ano e meio para compor a obra.

 

Nesse período, houve alguns ajustes. Um deles foi o nome.

 

Deixou de ser "Livro dos Monstros" e incluiu a palavra "enciclopédia" no título.

 

Outra alteração foi no número de páginas. Caiu de 360 para 304.

 

Isso o obrigou a enxugar parte do conteúdo, inclusive na parte de quadrinhos.

 

Gonçalo Junior tem outra obra de terror em finalização. É um roteiro de quadrinhos.

 

O álbum, desenhado por Leônidas Grego, transforma cangaceiros em zumbis (leia aqui).

 

Ele tem também outras três obras prontas, de cunho biográfico, e uma terceira em revisão, sobre os quadrinhos eróticos publicados no Brasil durante o período militar (mais aqui).

 

Na entrevista a seguir, feita por e-mail, o jornalista fala um pouco mais sobre esses trabalhos -dois deles já têm editora definida- e detalha o conteúdo do novo livro.

 

Leia a entrevista na próxima postagem.

Escrito por PAULO RAMOS às 09h00
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Livro faz raio-x do terror nos quadrinhos e em outras artes - 2

Blog - O livro aborda quais temas ou gêneros do terror?

Gonçalo Junior – O enfoque é mais cultural, o monstruoso no imaginário popular (que inclue as artes em geral). Trata dos monstros no cinema, nos quadrinhos, nas artes plásticas, na literatura, no rock, na TV etc. Por causa do gigantismo que rendeu, tive de tirar alguns tópicos menos relevantes, como os monsters trucks (aqueles carros com rodas gigantes), monstros nas tatuagens, serial killers, no cordel etc.

 

Blog - Na última vez em que conversamos (link), você mencionou que a obra teria por volta de 360 páginas e se chamaria "Livro dos Monstros". O site da editora mostra que a versão final ficou com 304 páginas e teve o nome alterado para "Enciclopédia dos Monstros". O que ocorreu?

Gonçalo – Adequação de mercado. Foi preciso deixar tudo muito enxuto para se fazer um livro que o máximo de pessoas pudessem adquiri-lo. Por exemplo: os dráculas do cinema: são dezenas, mas precisei selecionar meia dúzia. O mesmo vale para os quadrinhos. Dos 53 dráculas, deixei seis ou sete. Claro que, com isso, corro o risco de ser criticado por esquecido algum monstro, pois sempre aparece um pentelho para aproveitar e mostrar que ele sabe mais que tudo mundo. Faz parte da vida. Mas fiquei feliz com o resultado, não me violentei em nenhum momento por ter de cortar textos e imagens. Tudo foi feito com extrema gentileza por Pedro Almeida [editor da Ediouro], que sabe ver o lado comercial das coisas, mas é extremamente respeitoso com o autor. Um editor raro.

 

Blog - Na mesma entrevista, você dizia que o livro teria um terço do conteúdo relacionado a quadrinhos. Isso se manteve?

Gonçalo – Quadrinhos e cinema ocupam espaços mais ou menos do mesmo tamanho, o que dá mais da metade do livro. Cortei muita coisa de quadrinhos – pelos meus cálculos, ocupariam 600 páginas. De modo geral, porém, os textos introdutórios dão um panorama mais completo do que planejei inicialmente, o que torna a obra menos passível de críticas quanto à sua profundidade. Além disso, preservei a idéia inicial de oferecer ao leitor um passeio visual pelo mundo do horror. As crianças vão adorar nesse aspecto.

 

Blog - O que da área de quadrinhos você aborda na obra?

Gonçalo – Optei por duas partes: uma seleção dos mais importantes monstros de todas as editoras nacionais – La Selva, Outubro, Taika, Ebal, RGE, Vecchi, Grafipar, Press, D-Arte, Nova sampa etc) e outra com subgêneros: vampiros, dráculas, lobisomens, múmias, crianças-monstros, vilões-monstros, monstros japoneses, monstros infantis, monstros do pântano etc. O mesmo vale para cinema e TV.

 

Blog - Quanto do material abordado no livro é de quadrinho nacional e quanto é de publicações estrangeiras?

Gonçalo – Não me preocupei com isso. Tentei abraçar ao máximo tudo que foi publicado, com ênfase em descobrir criaturas esquecidas e sem deixar de fora as mais populares. No ítem "Monstros do Pântano", por exemplo, encontrei quase 20, desde 1950. Mas a parte nacional está mais completa, creio, porque o Brasil tem uma tradição de terror só comparável aos Estados Unidos. Em número de títulos, acho que somos o número um do mundo em todos os tempos.

 

Blog - O Brasil tem esse histórico de publicações de terror em quadrinhos. Da década de 1980 para a seguinte, sumiram. Você conseguiu mapear o motivo disso?

Gonçalo – Boa pergunta. Resposta complexa. A última editora atuante de terror foi a D-Arte, que encerrou suas atividades em 1993. De lá para cá, revoluções aconteceram no mercado com as graphic novels e os mangás, principalmente. O Brasil se profissionalizou também, os artistas foram para os quadrinhos mais autorais, undergrounds no sentido da crítica social e de comportamento, ou partiram para produzir super-heróis. E o terror, que já dava sinais de saturamento, desapareceu. Acho que os editores não apostam mais em sua viabilidade. Há um vácuo de uma geração aí e a molecada não cresceu lendo esse gênero, o que reflete a falta de interesse. O terror está sendo renovado no cinema com a tecnologia digital e isso ainda não refletiu nos quadrinhos. Embora o Brasil tenha tradição, cá entre nós, produzimos muito lixo, muito plágio descarado dos quadrinhos da EC Comics nos anos de 1950 e 1960 (a renovação só veio com Spektro, criada em 1977). Esse é um aspecto que precisa ser desmistificado. No dia em que um acadêmico parar para ler e estudar essas histórias, ficará com vergonha, com raríssimas exceções. Na verdade, nós idolatramos nossos artistas pelo desbravamento e coragem e não pelo conteúdo em si do que fizeram. Só sairemos do atraso no dia em que isso for revisto.

 

Blog - E suas outras obras? A biografia de Álvaro de Moya [pesquisador de quadrinhos], o livro sobre as editoras de revistas eróticas da década de 1970. A quantas andam?

Gonçalo – As biografias de Moya e Rodolfo Zalla [um dos mais antigos desenhistas com atuação no Brasil]– que fiz em 2005 e 2003, respectivamente - sairão até o fim do ano por uma editora de São Paulo que respeito muito pela ética e boa conduta no mercado, pela relação que tem com os autores. Sairão com os nomes deles como autores. Apenas colhi suas maravilhosas histórias e botei no papel. A Guerra dos Gibis 2 (sobre revistas eróticas) está concluída, mas preciso dar umas mexidas – e sem qualquer pressa para publicação, se isso acontecer um dia. Tem ainda uma microbiografia de Colin que deve sair pela Marca de Fantasia e um livro sobre a revista O Grilo, ainda sem editor (e não vou correr atrás de nenhum). Essas são as minhas saideiras do mundo da pesquisa dos quadrinhos. São coisas que estão na gaveta faz tempo. Depois, vou sair completamente desse meio. Quero me dedicar a pesquisas em outras áreas (aliás, o que já estou fazendo).

 

                                                                   ***

 

Nota: o blog apurou qual é a editora paulista que vai publicar as obras sobre Álvaro de Moya e Rodolfo Zalla.

 

Não é mais a Opera Graphica, editora que iria inicialmente lançar as obras.

 

A fonte confirmou a publicação dos dois livros, mas pediu sigilo sobre o nome da editora.

 

Leia mais sobre os livros aqui e aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 08h50
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29.05.08

Livro traz nova coletânea de Malvados, de André Dahmer

 

 

 

 

 

Seqüência da tira cômica, criada pelo desenhista fluminense em 2001

 

 

 

 

 

 

O desenhista André Dahmer tem nas plantas e no cultivo delas um de seus hobbies, exercitado em seu sítio, na serra fluminense.

A atividade extra não fez florescer o visual dos protagonistas da tira "Malvados", criada por ele e compilada num álbum homônimo, lançado neste mês (Desidetara, 114 págs., R$ 29,90).

Os personagens parecem girassóis. Mas só parecem, segundo Dahmer.

"Eu nunca disse que eram girassóis, mas também não me importo."

O termo, diz, foi herança de uma reportagem, feita anos atrás. "Pegou e ficou."

Plantas ou não, os personagens caíram no gosto dos leitores. Primeiro entre os internautas.

A série surgiu num site, criado pelo desenhista em 2001 e mantido até hoje.

O boca a boca, ou o link a link, ajudou a difundir as piadas feitas por ele.

A tira migrou para o impresso –é publicada no "Jornal do Brasil"- e ganhou uma primeira coletânea em 2005, pela Editora Gênese.

Há algumas tiras do primeiro livro nesta nova coletânea, embora a maioria seja dos dois últimos anos.

"Achei importante colcoar algumas delas porque queria um livro que representasse toda essa trajetória", diz o desenhista, nascido em Botafogo, em 1974.

"Esse livro é mais completo porque agora, ao contrário de 2005, tenho um trabalho mais sólido e organizado."

Os temas variam. Assim como o tempo de produção de cada história.

"Algumas tiras faço em cinco minutos, outras demoram três dias. Não há uma regra, infelizmente".

O que há, segundo ele, é um prazer na criação das tiras.

Esse seria, no seu entender, um dos motivos da repercussão de Malvados.

"Aprendi com meu pai que trabalho é feito para dar prazer, não o contrário", diz.

"Acho que todo trabalho feito com amor tem grande chance de reconhecimento. E se mesmo assim não houver reconhecimento, você o fez com amor e, por isso, já basta."

O desenhista tem planos de produzir uma história em quadrinhos mais longa.

Mantém projetos no âmbito pessoal também.

Casado há três anos, pretende ter um filho e adotar outro nos próximos dois ou três anos.

 

 

Nesta entrevista, feita por e-mail, André Dahmer fala sobre o trabalho em Malvados e como vê o papel da internet na produção de tiras hoje no país.

                                                           ***

Blog - "Malvados" é um exemplo bem-sucedido de tira que migrou do meio virtual para o papel. Como você vê hoje o papel da internet na produção de tiras brasileiras?
André Dahmer - Acho que a internet foi fundamental para toda essa geração de novos quadrinistas, gente que ainda não está no tal mercado, jovens com poucas opções para divulgar seus trabalhos na mídia impressa. Na verdade, sabemos que são tempos difíceis para todos os trabalhadores de maneira geral. Mesmo assim, acho que a rede ainda vai revelar muitos grandes profissionais na área. Vejo todo mês coisas novas, muita gente fazendo da web um lugar para divulgar quadrinhos, alguns deles realmente de alto nível.

Blog - Mesma pergunta, mas focada em outro meio de divulgação: qual o papel dos jornais, hoje, na difusão das tiras, no seu entender?
Dahmer - Hoje é, infelizmente, um papel pouco importante. A maior parte dos grandes jornais não desempenha mais o papel de divulgador de novos talentos nacionais nos quadrinhos há muito tempo. Há anos eles preferem comprar pacotes de tiras americanas, que sai bem mais em conta do que pagar um quadrinista nacional. É a lógica do lucro, mas por outro lado a mentalidade está mudando. Tenho visto pequenos movimentos no sentido oposto, ainda que raros. Mesmo assim, os jornais estão perdendo leitores dia após dia, passam por um processo de corte de custos e pessoal característicos dos tempos bárbaros em que vivemos. Se eu estivesse começando, não contaria com eles para divulgar e viver do meu trabalho. O caminho é mesmo a rede e a produção de livros independentes, se não houver editora que pague o necessário para um quadrinista trabalhar com dignidade.

 

 

Blog - Você já mencionou mais de uma vez que começou a fazer "Malvados" por puro prazer, tanto que produzia as tiras em baixa resolução. Hoje, a tira cresceu, é publicada também em jornal e em mais de uma coletânea em livro. O prazer na produção das histórias se mantém ou já se tornou um negócio?
Dahmer - Faço com imenso prazer até hoje, não sou bobo de burocratizar ou sacrificar meu trabalho em nome de qualquer dinheiro. Não sou desses que odeia dinheiro, mas meu trabalho (e meu prazer em trabalhar) estão muito acima dessa questão.

Blog - A propósito: por que "Malvados"? De onde surgiu o nome?
Dahmer - Eu não tenho uma explicação para o nome, nem como ele surgiu. Ajudou o fato de ter apenas oito letras, sem acentos ou cedilha. Queria um domínio na rede fácil de escrever e de lembrar.

Blog - Você comenta no livro que tem receio de ser rotulado como o "autor de Malvados". Mas seu trabalho não caminha um pouco nesse sentido?
Dahmer - Tenho imenso prazer em desenhar Malvados, mas também tenho o direito de estar livre para fazer o que bem quiser na minha vida, sem patrulha de ninguém. Tenho outros caminhos para trilhar e outras coisas a experimentar em desenho de quadrinhos ainda. Tenho só 33 anos e estou aprendendo, experimentando. Realmente não devo me preocupar com o que os outros querem e nem devo viver de uma fórmula qualquer, se ela não me der prazer.

Blog - Quais seus próximos projetos em quadrinhos?
Dahmer - Pretendo publicar uma história em quadrinhos longa, um livro inédito. Está em meus planos e já tenho algo para um roteiro, mas não sei quando farei ou mesmo se farei. No momento, prefiro ter calma para pensar em meu trabalho de maneira mais arejada. Após o lançamento do livro, entro de férias e devo sair um pouco do Rio de Janeiro.
  

                                                           ***

"Malvados" é o segundo livro de Dahmer pela Desiderata e o primeiro de quadrinhos da editora carioca após ser comprada pela Ediouro (leia mais aqui).

No ano passado, ele lançou uma coletênea de tiras sem personagens fixos.

Leia mais sobre "O Livro Negro de André Dahmer" neste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h10
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21.05.08

Editora Nacional lança cinco adaptações em quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Triste Fim de Policarpo Quaresma", de Lima Barreto, obra adaptada por Laison de Holanda Cavalcanti

 

 

 

 

 

 

 

O gênero literatura em quadrinhos continua em alta no mercado brasileiro. E tem atraído novas editoras.

A Companhia Editora Nacional lançou neste mês, de uma tacada só, cinco adaptações.

Três delas são de obras estrangeiras: "Moby Dick", de Herman Melville (1819-1891), "A Ilha do Tesouro", de Robert Louis Stevenson (1850-1894), e "Viagem ao Centro da Terra", de Júlio Verne (1828-1905).

Cada uma custa R$ 18. As três foram produzidas no exterior.

Os desenhos são de Penko Gelev e os textos de Sophie Furse e Fiona Macdonald.

Os outros dois lançamentos são da literatura brasileira: "Memórias de um Sargento de Milícias" (R$ 18), do romance de Manuel Antônio de Almeida (1831-1859), e "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (R$ 23), do escritor Lima Barreto (1881-1922).

As duas adaptações foram feitas pelo recifense Lailson de Holanda Cavalcanti.

Foi dele também a versão em quadrinhos de "O Alienista", de Machado de Assis (1939-1908).

A obra, lançada em março, inaugurou a linha de adaptações literárias da Companhia Editora Nacional (leia mais aqui).

O desenhista diz que a idéia de produzir as obras foi conjunta.

Surgiu enquanto ele fazia o álbum "Lusíadas 2500", lançado pela editora em 2006. O trabalho fazia uma leitura futurista da obra do português Luís Vaz de Camões.

"Policarpo Quaresma era um desejo antigo meu", diz Cavalcanti, por e-mail.

"O Alienista era um clássico tão óbvio que não poderia ficar de fora. E o Sargento de Milícias surgiu naturalmente como a terceira obra."

O desenhista, hoje com 55 anos, diz que demorou em média três meses para produzir cada uma das adaptações.

Na entrevista abaixo, ele fala um pouco sobre o processo de adaptação das obras literárias.

E sobre como vê o fato de haver tantas versões em quadrinhos de "O Alienista" (foram lançadas três de 2006 para cá).

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Blog - Já houve duas adaptações recentes de "O Alienista". Não há o risco de haver uma "overdose" dessa obra?

Lailson de Holanda Cavalcanti - Não, não acho. São como adaptações teatrais ou cinematográficas. Cada autor irá interpretar a obra à sua maneira, com sua visão estética e de conteúdo. No final das contas, comparando as três obras, pode-se ver subjetividades que escaparam a um ou a outro. Caberá ao  leitor (ou ao educador, se for o caso) fazer a sua escolha. Como digo nos textos que constam dos álbuns, onde relato o processo de adaptação que usei, minha preocupação primeira foi situar a obra no seu contexto temporal. No Alienista, por exemplo, já vi adaptações em diferentes mídias, além dos quadrinhos, onde ele é a cara de Freud: barba, óculos, paletó, gravata, coisas que são incongruências em relação à obra original, pois se o leitor prestar atenção, verá que a história se passa no tempo do Vice-Rei. E já no primeiro parágrafo, Machado diz que as crônicas de Itaguaí falam que "em tempos remotos", viveu ali o Dr. Simão Bacamarte. Considerando que a obra original foi publicada em 1882, isso nos leva a colocar o tempo narrativo no final do século 18, entre a Revolução Francesa e a vinda da Família Real para o Brasil. A arquitetura, então, é colonial e o vestuário não inclui gravatas modernas nem rostos barbados. É o período Napoleônico e a moda dominante era de rostos raspados, com suíças, calções, meiões, jaquetas de três cortes atrás, coletes, cartolas, laços no pescoço, vestidos femininos de busto descoberto e mangas longas, de cintura alta. Itaguaí, obviamente, seria uma cidadezinha de nada, mas aí usei a licença poética para criar uma "versão cenográfica" (ou "quadrinhográfica"!), para valorizar o cenário. A cidade tornou-se uma cidade ideal dos tempos coloniais, dando um pano de fundo para que a mesma possa ser compreendida mesmo em traduções para outros idiomas.

 

Blog - As adaptações parecem ter um cuidado didático, como as edições da Ática voltadas à literatura brasileira e portuguesa. Isso, de certa forma, pautou o modo como as adaptações foram feitas?

Cavalcanti - Sim, esta foi uma das minhas principais preocupações e da editora também. Meu primeiro livro publicado pela Companhia Editora Nacional/IBEP, que é "Pindorama - A outra História do Brasil" [de 2004], eu considero muito útil para uma compreensão do desenrolar sócio-político brasileiro; mas é uma obra onde a sátira está muito presente, há um viés meu muito particular na interpretação dos fatos. As crianças teriam dificuldades em perceber essas sutilezas se ele fosse usado como um livro didático. Então, ele é uma obra paradidática, e não, didática. Nestas adaptações agora, a preocupação foi fazer com que elas cumprissem realmente uma função de dar a melhor base possível para que um jovem entre em contato com os clássicos da literatura brasileira e, a partir daí, busque conhecer melhor os originais. Por isso, ao final de cada adaptação, existe um glossário, uma biografia do autor da obra, uma linha do tempo sobre ele, um texto meu sobre os critérios que usei para a adaptação e uma biografia minha.

 

Blog - Você procurou ser bastante fiel às obras originais. Como se deu esse processo de passar o texto para a linguagem dos quadrinhos?

Cavalcanti - Minha preocupação foi manter a adaptação o mais próxima possível do texto original, adaptando-o para facilitar a sua compreensão pelo leitor atual, sem perder o seu valor literário original. Fiz apenas modificações de tempo verbal e transformei em diálogos muitas descrições de cena. O que o texto não descreve, as imagens mostram e o que elas não podem mostrar, está no texto. Ao invés de colocar uma legenda repetindo o óbvio, dramatizei a narrativa, mantendo as palavras originais do autor. Não existem palavras minhas nas adaptações, todas são originais dos autores. Acho que a narrativa gráfica, a arte seqüencial, é isso, essa síntese entre imagem e texto onde cada parte pode ser apreciada separadamente, mas o conjunto deve formar um todo coerente, sem redundâncias.

 

Blog - Como você vê essa retomada do gênero literatura em quadrinhos? Trata-se de um modismo voltado às compras de quadrinhos pelo governo federal ou algo mais consolidado?

Cavalcanti - A coleção "Classic Illustrated" foi uma das minhas favoritas na infância, junto com as Edições Maravilhosas da EBAL. Sempre houve no Brasil e no mundo esse interesse em tornar acessíveis as obras da Literatura aos jovens, mas a metodologia também sempre esbarrou numa fórmula muito didática, que afastava o leitor médio de quadrinhos. Aqui no Brasil tentava-se dar uma seriedade que destoava. E o produto final acabava muito mais uma narrativa ilustrada e não uma obra de narrativa gráfica seqüencial. Além do mais, durante muito tempo as HQ ficaram com o "Estigma do Dr. Werthan" [psiquiatra norte-americano que criticava os quadrinhos na década de 1950] e eram consideradas uma literatura nociva à juventude. O fato de o MEC ter decidido aceitá-las como processo didático abriu grandes possibilidades e creio que todas as editoras viram seu interesse neste nicho de mercado. Se soubermos trabalhar isso e se a produção mantiver padrões de qualidade, creio que seja uma forma de educação cultural permanente e não apenas uma moda passageira.

 

Blog - Há outros projetos em quadrinhos em pauta? Quando virá a seqüência de Lusíadas 2500?

Cavalcanti - O segundo volume dos Lusíadas 2500 deverá ser lançado no final deste ano ou no princípio do próximo. Tive que atrasá-lo por conta dessas adaptações. E para retomar o ritmo, levou algum tempo. A coleção "Quadrinhos Nacional" deve ser ampliada, mas os novos títulos ainda estão em estudo. Aqui em Pernambuco continuo desenvolvendo trabalhos educativos em quadrinhos para o trânsito, educação, saúde, consciência ambiental e consciência fiscal. A Turma do Fom-Fom, por exemplo, que criei para o Detran de Pernambuco, foi uma das campanhas educativas mais bem sucedidas já vistas, com tiragens de revistas em quadrinhos na casa de 200 mil exemplares em cada edição. Para o futuro, continuo trabalhando nessas áreas. 

Escrito por PAULO RAMOS às 20h20
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31.03.08

Pesquisa lança olhar literário sobre os quadrinhos de Mutarelli

 

 

 

 

 

 

 

Mestrado defendido em Curitiba, no Paraná, estudou toda a produção de Lourenço Mutarelli, como a "A Soma de Tudo", álbum visto ao lado

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
É possível dar aos quadrinhos o mesmo tratamento dedicado à análise de uma obra literária. Essa é uma das novidades de um mestrado, que estudou toda a produção em quadrinhos de Lourenço Mutarelli.
 
A pesquisa, feita em Curitiba, no Paraná, investigou desde os primeiros trabalhos dele, produzidos no fim da década de 1980, até os último álbum dele, o autobiográfico "Caixa de Areia (ou Eu Era Dois em Meu Quintal", lançado pela Devir em 2006.
 
Depois dessa data, Mutarelli deixou os quadrinhos de lado.
 
Ele passou a investir na literatura -já havia lançado alguns livros-, ao teatro e ao cinema.
 
É dele o livro que "O Cheiro do Ralo", que inspirou o filme homônimo, exibido no ano passado.
 
O autor da pesquisa, o curitibano Liber Paz, de 33 anos, dividiu a produção quadrinística de Mutarelli em diferentes fases, como ocorre nas análises literárias:
 
  • início da carreira (de 1988 a 1990)
  • os quatro primeiros álbuns (de 1991 a 1996)
  • as histórias coloridas (de 1998 a 2000)
  • a triologia em quatro partes do detetive Diomedes: "O Dobro de Cinco", "O Rei do Ponto", "A Soma de Tudo" partes um e dois (de 1999 a 2000)
  • a "Caixa de Areia" (2006)
 
Algumas conclusões da pesquisa: a obra de Mutarelli reflete e refrata elementos sociais e tecnológicos, há uma tendência a abordar temas como solidão e melancolia, há uma fixação do autor por figuras deformadas.
 
O mestrado, de 260 páginas, foi defendido em fevereiro na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (é ético registrar ao leitor que fiz parte da banca).
 
Nesta entrevista, o professor e designer gráfico Liber Paz comenta mais sobre os bastidores e os resultados de seu estudo, que insere um olhar literário sobre a produção de quadrinhos.
 
                                                          ***
 
Blog - O que o motivou a escolher Lourenço Mutarelli para pesquisar?
Liber Paz - Foi uma questão pessoal e prática. Aquela história de "unir o útil ao agradável". Quando eu comecei a esboçar o projeto de mestrado, minha idéia era estudar algum autor de quadrinhos de que eu gostasse e que tivesse uma obra com proposta e conteúdo mais denso, dentro do qual eu pudesse desenvolver as questões sobre cultura e tecnologia [proposta do mestrado da Universidade Tecnológica Federal do Paraná]. Eu sempre gostei dos quadrinhos do Lourenço e o trabalho dele se encaixava direitinho dentro das minhas idéias para o projeto, por isso o escolhi.
 
Blog - O que procurou mostrar no trabalho?
Liber Paz - Eu fiz o mestrado através de um programa de pós-graduação que tem por prioridade o estudo da tecnologia e a questão da cultura e dos estudos interdisciplinares. Dentro da nossa sociedade, muito do que pensamentos, muito do modo como vemos e julgamos o mundo é construído com base nas nossas relações com outras pessoas e com a natureza ao nosso redor. E, como diz um dos autores que estudei, "a tecnologia acaba constituindo uma segunda natureza". A partir daí, pensei em procurar nas histórias em quadrinhos elementos que mostrassem como a tecnologia interage com a condição humana contemporânea. Procuro usar o trabalho de Lourenço Mutarelli para mostrar esses elementos. Eu também tinha interesse em mostrar histórias em quadrinhos por um viès mais "literário". Eu acredito que uma história em quadrinhos pode ser uma obra com valor estético, como um livro de Kafka, permitindo diversas leituras e releituras, discussões e novos significados. Espero ter conseguido mostrar isso no trabalho.
 
Blog - E qual foi sua conclusão?
Paz - A obra de Lourenço Mutarelli mostra como objetos do dia-a-dia acabam ganhando um significado muito maior por representar um modo de estender a permanência humana e manifestar a materialização de idéias e sentimentos às vezes inexprimíveis. Um dos maiores exemplos é a fotografia. No álbum "Mundo Pet", ela serve de suprote para o autor construir as histórias, pintando sobre fotografias. Mas, além disso, a fotografia serve como uma materialização da memória e como um modo de entrar em contato com as pessoas ausentes. A fotografia é um canal de contato e ganha um valor emocional gigantesco.
 
Blog - Você conseguiu identificar quais as características estilísticas que compõem Mutarelli como autor de quadrinhos?
Paz - A respeito das questões formais, Mutarelli usou pouquíssimas onomatopéias e linhas de movimento durante toda a sua produção. Podemos dizer que há um constante e pesado silêncio em suas histórias. Suas histórias também apresentam poucas seqüências de ação, exceção maior feita à série do Detetive Diomedes, a "Trilogia do Acidente". Mutarelli emprega muitas cenas de diálogo, com o quadrinho passando de um rosto a outro. O modo como "edita" suas cenas parece evocar uma passagem de tempo mais lenta, demorada. Isso também pode ser verificado no cuidado com que Mutarelli desenha os detalhes de seus quadros, que pedem uma observação mais contemplativa, sem pressa. Ler um álbum de Mutarelli requer uma desaceleração do ritmo cotidiano. Essas características formais interagem com os temas principais de Lourenço Mutarelli, como a instrospecção e a melancolia.
 
Blog - Você dividiu a produção em períodos. Quais foram os critérios para o início de cada um deles?
Paz - A divisão em períodos acabou acontecendo naturalmente. Está muito vinvulada ao desenvolvimento do trabalho do autor, com relação a sua narrativa e temáticas. Temos um primeiro momento com um flerte com o humor nas histórias curtas publicadas ao final da década de 1980. Com o lançamento de "Transubstanciação" [ao lado, a capa da segunda edição], começa uma fase completamente distinta, a dos álbuns, que inclui "Desgraçados", "Eu Te Amo Lucimar" e "A Confluência da Forquilha". Percebemos como temas principais nessas obras a angústia e o grotesco apresentados de maneira visceral ao leitor. São álbuns impactantes, em que o autor se expressa de maneira espontânea e intensa. Após esses álbuns, ele faz uma pausa em sua produção de quase um ano. Retoma com a produção de algumas histórias curtas e começa a desenvolver o álbum "O Dobro de Cinco", que daria origem à "trilogia de quatro partes" do detetive Diomedes e a uma nova fase. Nos álbuns de Diomedes, ainda estão presentes a melancolia, a angústia e o grotesco, mas de uma maneira mais refinada. O autor está mais maduro e apresenta seus temas ordenados na forma da história de detetive. Em paralelo com a produção de Diomedes, Mutarelli produz histórias curtas e coloridas para o site Cybercomix (depois publicadas em "Mundo Pet"). Tanto nessas histórias curtas quanto em Diomedes, Mutarelli lapida sua narrativa, desenvolve sua poética e começa a abordar novos temas, como a questão da representação. Em "A Caixa de Areia", seu último e, na minha opinião, melhor trabalho, ele leva essa questão do real e da ficção ao extremo. Todos os álbuns precedentes tinham suas histórias se psassando em um universo fictício comum, com elementos que se tocavam, como o "Grande Circo", que é mencionado em "Transubstanciação" e também na trilogia de Diomedes. "A Caixa de Areia" não participa desse universo fictício. Mutarelli procura em uma linha narrativa apresentar uma "reprodução" fiel da realidade e em outra uma situação completamente absurda e impossível. A partir de um jogo de metalinguagem, ele faz reflexões bem interessantes sobre as limitações do "quadrinho autobiográfico" e mesmo das formas de representação em geral. Considero "A Caixa de Areia" sua obra-prima.
 
Blog - Você entrevistou Mutarelli para compor a pesquisa. O que ele revelou sobra a obra dele? E por que decidiu desistir de produzir quadrinhos?
Paz - Dos encontros que tive com Lourenço Mutarelli, ficou muito evidente para mim a atitude e posicionamento do autor com relação a seu trabalho. Mutarelli tem um respeito profundo pelos quadrinhos. Seus trabalhos são feitos com esmero, priorizando aspectos estéticos e literários. A respeito da desistência da produção de quadrinhos., não posso falar com propriedade a respeito de suas razões particulares. A meu ver, Mutarelli cansou-se do descaso e da falta de reconhecimento que existe em relação aos quadrinhos.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h47
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20.03.08

Guia dos Quadrinhos: um ano e 4.500 capas depois

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Primeiro número da revista "O Pato Donald", de 1950, é uma das 4.500 capas disponíveis para consulta na página virtual
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A página de abertura do "Guia dos Quadrinhos" revela a proposta ambiciosa do site: "catalogar todos os quadrinhos que foram publicados no Brasil".
 
O projeto começou com 600 capas. Hoje, chega a 4.500. 
 
E há outras 2.000 na fila de espera. Fora as edições catalogadas, mas sem capa.
 
Algumas das imagens já colocadas no site são raras, caso da capa do primeiro número de "O Pato Donald", de 1950. Ou da edição de estréia da revista do Homem-Aranha, de 1969.
 
O site foi criado pelo designer gráfico carioca Edson Diogo, de 39 anos.
 
É ele que banca todos os custos da página.
 
Diogo diz que a idéia existe desde 2001. Mas só tomou forma no ano passado, quando a página virtual entrou no ar, no dia 5 de março.
 
Nesse primeiro ano, o site se tornou um dos principais acervos virtuais sobre quadrinhos publicados no Brasil.
 
Parte do que se vê na tela veio do acervo pessoal dele. O designer diz que sua coleção soma 8.000 obras em quadrinhos.
 
O restante do material vem de pesquisas e de colaborações de internautas.
 
Além das capas, ele põe também uma ficha técnica de cada obra, inclusive com os nomes das histórias que a revista tem.
 
Nos títulos de super-heróis, há também a data em que foram publicadas nos EUA.
 
O trabalho é feito em São Paulo, onde mora há 16 anos. Diz gastar quatro horas diárias no processo de atualização do banco de dados virtual.
 
Nesta entrevista, feita por e-mail, Edson Diogo dá outros detalhes sobre como elabora o site e quais são seus planos para este segundo ano de vida da página virtual.
 
                                                             ***
 
Blog - Qual era o seu objetivo quando criou o site, há um ano? A meta foi cumprida nesses primeiros doze meses?
Edson Diogo
- O objetivo era cativar o maior número possível de amantes de quadrinhos para que pudessem ajudar na formação do banco de dados. Um ano depois, o site já conta com 2.700 participantes e o número de visitantes cresce a cada dia, então acho que posso dizer que esse meta foi cumprida.

Blog - Como surgiu a idéia de criar a página virtual?
Diogo - A idéia de construir um grande catálogo, em forma de livro, surgiu pela primeira vez em 1996, quando eu fazia o guia de preços da revista "Wizard", na editora Globo. Depois comecei a pensar na possibilidade de lançá-lo em CD-ROM. Somente em 2001 surgiu a idéia de criar um site. Como eu não sabia nada sobre o assunto, comprei vários livros e fiz muitas pequisas para encontrar o melhor formato. Em 2006, quando já estava tudo pronto, mostrei para um grande amigo, Ricardo Soneto [jornalista especializado em música e artes narrativas], que sugeriu que o site funcionasse como a Wikipedia. Como todo o sistema do site foi desenvolvido por mim, demorei mais sete meses para criar a parte de cadastramento e envio de capas.
 
Blog - Acredito que seja uma dúvida corrente: como você faz para ter acesso a tantas obras? São de arquivo pessoal, de contribuições ou de ambos?
Diogo - Muitas informações eu já tinha da época que fazia o guia de preços da "Wizard". Uma parte é da minha própria coleção e restante foi resultado de pesquisa com colecionadores e nas editoras. Bem, isso só as primeiras 15.000 edições. As outras 42 mil foram cadastradas pelos internautas.
 
Blog - Seu arquivo pessoal físico tem quantas revistas? O interesse começou quando?
Diogo
- Atualmente, eu devo ter umas 8.000 revistas. Comecei a comprar quadrinhos ao 13 anos porque queria desenhar os personagens. Até ver um anúncio do "Heróis da TV" número 37, com a estréia de Warlock [publicada em julho de 1982, pela editora Abril]. Achei legal e passei a comprar todos os meses. Depois de certo tempo, eu nem desenhava mais, só lia.
 
Blog - Por curiosidade: quantas horas por dia ou por semana você dedica à página? Ela é bem visitada?
Diogo
- Mais ou menos umas quatro horas por dia, ou melhor, por noite. Tempo usado para responder e-mails, corrigir erros, tratar as capas e fazer mudanças na programação. Atualmente, o Guia tem 20 mil visitantes por mês ou 10 mil visitantes únicos.
 
Blog - Qual sua meta para este segundo ano?
Diogo - Agilizar o processo de colocação das capas no ar, descentralizar algumas funções, fazer parcerias com outros sites e consegui alguma forma para custeia as despesas do site.
 
Para acessar a página, clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h03
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