21.02.09

A hora e a vez de Rodrigo Rosa nos quadrinhos

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa

 

 

 

 

 

 

Trecho da adaptação de "O Cortiço", obra feita pelo desenhista gaúcho, com lançamento programado para o segundo semestre 

 

 

 

 

 

 

Não foi intencional. Mas, nos últimos anos, o desenhista gaúcho Rodrigo Rosa se tornou um ímã de convites editoriais para adaptar obras da literatura brasileira.

Recebeu quatro propostas ao todo. Duas não vingaram. Foram pilotos para "Capitães de Areia", de Jorge Amado (1921-2001), e "Vidas Secas", de Graciliano Ramos (1892-1953).

Ambos foram feitos para a Editora Globo e tiveram apenas em algumas páginas produzidas.

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Rosa teve melhor sorte com as outras duas adaptações.

Finalizou no ano passado para a Agir uma versão em quadrinhos de "Os Sertões", de Euclides da Cunha (1866-1909), ainda inédita.

Neste mês, termina a adaptação de "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo (1857-1913).

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A adaptação integra uma coleção de obras literárias brasileiras em quadrinhos produzidas pela Ática, como o blog noticiou nesta sexta-feira (leia mais na postagem abaixo).

Segundo a editora, o álbum deve ser lançado no começo do segundo semestre.

O texto ficou a cargo de Ivan Jaf, escritor de livros infanto-juvenis e autor de antigos quadrinhos de terror.

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Rosa - que completa 37 anos em junho - vê nos dois álbuns a concretização de um desejo antigo, o de ter condições financeiras melhores para se dedicar aos quadrinhos.

Ele diz que ficou uns 20 anos - nas palavras dele - idealizando a ideia de tornar os quadrinhos uma profissão. 

Tem se dedicado mais intensamente à área no último ano. Até então, a ilustração para livros rendia mais.  

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A adaptação de "Os Sertões", feita em parceria com Carlos Ferreira, já deveria ter sido lançada. Está parada na editora Agir, onde o material foi entregue em março de 2008.

Nesta entrevista, resultado de diferentes trocas de e-mail, Rodrigo Rosa comenta sobre a demora na publicação da obra de Euclides da Cunha e comenta sobre "O Cortiço".

O desenhista - que nasceu e vive em Porto Alegre - fala também sobre a necessidade de tempo para pesquisar o que vai pôr no papel.

Algo que, segundo ele, parte das editoras não vê.

 

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Blog - É a segunda adaptação literária sua em curto prazo de tempo. É uma coincidência de propostas ou é um desejo profissional investir nesse ramo?
Rodrigo Rosa
- Meu interesse é, antes de tudo, fazer quadrinhos e esse filão das adaptações literárias foi o que as editoras acharam pra tentar fazer as tão cobiçadas vendas para o governo federal. Foi aí que alguns editores me acharam e fechei esses dois trabalhos - houve mais outros dois que não passaram do piloto. Eu espero sinceramente que essa linha de pensamento dos editores seja apenas a porta de entrada dentro dessa novidade que é editar álbuns de quadrinhos por aqui e que, logo adiante, comecem a pensar em editar boas histórias em quadrinhos com cara de Brasil, sem
necessariamente ter de continuar na linha dos clássicos literários.

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa



Blog - Como surgiu a oportunidade - ou a proposta? - de fazer "O Cortiço" pela Ática?
Rosa
- Fui procurado pela Ática depois que eles viram algumas páginas d'Os Sertões. Fizeram a proposta mais justa economicamente que recebi até agora, porque já teve editora grandona que me apareceu com proposta simplesmente ridícula.

Blog - Queria insistir sobre quais editoras eram e quais as propostas foram feitas.
Rosa
- Não vou falar especificamente de valores pois isso é um assunto privado e também acho pouco profissional. Não falaria se estivesse recebendo grandes somas, tampouco citarei valores que considero baixos. Até porque, nessa segunda hipótese, isso poderia me queimar com editoras com as quais trabalho e infelizmente não tenho condições de dizer "tô cagando pra eles"... ainda não. Possivelmente, nunca. Mas, via de regra, os valores oferecidos pelas editoras pra fazer quadrinhos oscilam entre o "estapafúrdio" (adoro essa palavra) e o "ok, eu me aperto um pouquinho, mas dá pra levar". Aí se trabalha. Mas o que me deixou muito chateado com essa proposta que não aceitei é que eu tinha (tenho) muita vontade de fazer esse projeto, pois acho a linha editorial desse selo de quadrinhos muito boa. A melhor pensada pro nosso mercado até agora, uma verdadeira aposta no quadrinho autoral brasileiro. Eu tinha, inclusive, informação que essa gente fechou parcerias com excelentes artistas novos e com muito boa remuneração. Mas, quando me procuraram – o que me deixou a princípio muito animado – ofereceram um valor que mal dá pra pagar meu aluguel (isso que eu moro num apê barato, de um quarto) e a conta do telefone, e isso por um trabalho que me levaria cerca de um ano pra fazer, pelo grande volume de páginas. Esse tipo de coisa é muito frustrante! Eu sou um apaixonado por quadrinhos, faço muito com o coração, mas não consigo trabalhar sem me sentir minimamente valorizado profissionalmente.

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa

 

Blog - Outra pergunta: vi em seu blog que foi feito um processo de estudo visual da época. Como foi feita essa pesquisa e de que modo ela se refletiu no produto final?
Rosa
- A pesquisa é fundamental dentro de qualquer trabalho artístico que registre um momento histórico, seja passado ou presente. É essa pesquisa que vai transportar o leitor pro período no qual se passa sua história, dando sentido à trama nos seus mínimos detalhes. Esse é outro problema que em geral temos na relação editor/artista: via de regra, os editores não prevêem que os artistas necessitem de algum tempo pra essa tarefa essencial da pesquisa nos seus cronogramas de produção de uma obra. Isso deveria ser encarado como uma fase de pré-produção do livro. E é algo que leva algum tempo, é um trabalho de formiguinha: Vai aqui, vai ali, acha-se coisas no museu tal, depois num outro, na internet, etc. E como acontece geralmente? O editor te passa o roteiro quase sempre prevendo um tempo mínimo que seja o de já sair desenhando as páginas de hq pra entregar no prazo acertado. Aí o artista tem que sair fazendo tudo ao mesmo tempo, pesquisando e já desenhando as páginas junto. É como colar numa prova: responde-se a questão, mas não se sabe com segurança qual é a resposta. E sinceramente, dentro dessa correria a gente até tem conseguido sair-se bem, sem grandes mancadas de desenhar algum elemento não tenha nada a ver com o período em que estamos lidando. Enganamos bem. No O Cortiço, assim como n'Os Sertões, a pesquisa está em tudo: na arquitetura das casas, na geografia, na roupa de cada personagem, nos cortes de cabelo, em cada objeto presente na cena, tudo tem algo ver com o final do século dezenove, época descrita nos livros. Nos dois casos, nós viajamos (por conta própria) pra ir aos lugares onde se passam as histórias. Entrevistamos pessoas, buscamos outros livros,
sentimos o clima do lugar. Esse envolvimento foi especialmente emocionante no caso d'Os Sertões, quando o Carlos Ferreira e eu fomos à região de Canudos, subimos nos morros onde aconteceram as batalhas, falamos com netos de conselheiristas, tomamos banho no lago onde está submerso o arraial. Tudo isso, de algum modo, mais prático ou mais sutil, está no quadrinho.

 

Crédito: blog de Rodrigo Rosa

 

Blog - Por falar na obra de Euclides da Cunha, a quantas anda? O que a editora diz aos autores?
Rosa
- Nós entregamos o trabalho em março e os caras demoraram meses pra dizer algo. Disseram depois de um tempão que iriam pedir umas mudanças – nossa versão leva o livro em conta, mas é muito livre e aberta, também. Depois o editor que cuidava do álbum saiu da Agir, que depois reorganizou toda sua agenda de lançamentos por causa da compra da Desiderata. Enfim... brinco com o Carlos [Ferreira, escritor da obra] dizendo que nosso álbum teve o mesmo destino do arraial de Canudos: está submerso.

Escrito por PAULO RAMOS às 03h38
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10.02.09

Mangá de Speed Racer está programado para julho

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das páginas da história em quadrinhos japonesa, que será lançada no Brasil pela NewPOP

 

 

 

 

 

 

 

 

Go, Speed, Go! Ou na versão dublada: vai, Speed, vai! E o jovem corredor foi.

Saiu das páginas dos quadrinhos japoneses, conquistou a TV e subiu até o pódio em diferentes telas espalhadas pelo planeta. No Brasil,a animação foi exibida e reexibida mais de uma vez, com mais de versão em português.

Como num circuito oval de corrida, Speed Racer e seu multifuncional Match 5, após a corrida, retornam ao ponto de partida.

O mangá que deu origem à série será lançado no Brasil neste ano pela NewPOP. A editora programou dois volumes. O primeiro, no fim de julho. O outro, em setembro.

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A história que será mostrada nos dois álbuns foi publicada no Japão entre junho de 1966 e maio do ano seguinte. A série foi escrita e desenhada por Tatsuo Yoshida.

É nela que o leitor é apresentado a Speed Racer, o jovem e audaz piloto de corridas, que quer se firmar como um dos melhores do mundo.

O piloto é assessorado diretamente perto pela família e "desassessorado" pelo atrapalhado irmão caçula Gorducho e o macaco dele, Zequinha (virou Zezinho na redublagem).

São basicamente as mesmas informações vistas em 2008 na versão cinematográfica.

 

Crédito: divulgação

 

O leitor brasileiro já teve contato com mais de uma versão em quadrinhos da série animada. Speed Racer já percorreu bancas pelas editoras Abril e Conrad.

A Conrad lançou parte da versão japonesa em um álbum de 158 páginas, publicado em 2002. A versão da NewPOP mostra pela primeira vez a história original na íntegra.

Cada um dos álbuns deve ter em torno de 300 páginas. Será, segundo a editora, semelhante a "Persépolis Completo", publicado pela Companhia das Letras.

Parte das páginas será colorida, como na versão da década de 1960. E vai manter a leitura de trás para a frente, como ocorre nos demais mangás lançados atualmente no Brasil.

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A NewPOP entrou no mercado há exatos dois anos. Especializada em mangás, tem posto no mercado títulos mais voltados a um leitor adolescente.

Neste ano, lançou á série "Vampire Kisses - Laços de Sangue", sobre os perigos enfrentados por uma jovem, Raven, no relacionamento amoroso com uma vampiro, chamado Alexander.

Speed Racer é o primeiro título mais conhecido junto ao grande público.

Outro nesses moldes está na lista para este ano: uma versão de "Os Caça-Fantasmas".

 

Crédito: divulgação

 

O blog conversou por e-mail com Junior Fonseca, editor da NewPOP.

A conversa tem início exatamente sobre esse apelo que a série tem com o grande público.

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Blog - Esse parece ser o lançamento de maior destaque da NewPOP junto ao leitor que tradicionalmente não lê quadrinhos. Há outros materiais assim programados?
Junior Fonseca
- Sem dúvidas, esse é o lançamento de maior destaque da NewPOP diante do publico de mangás e também entre os que não têm tanto contato com esse universo. Speed Racer vai além dos quadrinhos e acerta em cheio no publico saudosista que assistiu ao animê na TV e também nos jovens, que cresceram ouvindo comentários a respeito do Mach 5 de seus pais. Fugindo ao estilo de Speed Racer, também já licenciamos a versão em quadrinhos de Os Caças-Fantasmas.

Blog - Quais outros tí­tulos a editora deve lançar ao longo do ano?
Fonseca
- Já licenciamos cerca de oito séries novas que só serão lançadas e trabalhadas depois que finalizarmos "Doors of Chaos", "Dark Metrô" e "Ark Angels" (os dois primeiros estamos aguardando o material do Japão). Mas já temos novidades. Além de Speed Racer e Os Caça-Fantasmas, licenciamos nosso primeiro light novel, baseado no bem-sucedido "Tarot Café", e "Kanpai!", um mangá em dois volumes da mesma autora de "Gravitation". Porém, trata-se de um shounen [gênero direcionado a jovens do sexo masculino].

Escrito por PAULO RAMOS às 22h36
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