22.05.09

Adão volta ao Brasil para lançar dois álbuns de tiras

 

Crédito: reprodução  Crédito: reprodução

 

O leitor diário das tiras cômicas de Adão Iturrusgarai na "Folha de S.Paulo" talvez não saiba. Mas o desenhista produz da Argentina as piadas publicadas no jornal.

A rotina já dura dois anos, quando se mudou para Buenos Aires. Há oito meses, trocou a capital argentina pela fria Patagônia. Mora num vilarejo chamado Playa Union.

"Uma praia pequenininha, com sete mil habiantes", diz o quadrinista gaúcho. Há tanto tempo fora do Brasil, é bem possível que ele estranhe a passagem por São Paulo.

Ele lança neste sábado à noite, na capital paulista, duas coletâneas de tiras suas: "No Divã com Adão" e "Aline - Viciada em Sexo".

                                                          ***

"No Divã com Adão" (Planeta, 160 págs., R$ 34,90) está à venda desde setembro do ano passado. Não foi lançada oficialmente ainda por ele morar fora do país.

O álbum faz uma coletânea de tiras publicadas entre 2005 e 2008 no jornal "Folha de S.Paulo". Quinze delas são inéditas.

A estrutura das histórias é semelhante. Adão desenha diferentes situações cotidianas imaginando, para cada uma delas, uma forma de punição.

O tamanho do flagelo é medido em anos de análise, aves-marias, tempo no inferno. O último traz sempre a punição mais exagerada. 

                                                           ***

"Aline - Viciada em Sexo" (L&PM, 128 págs., R$ 11) também reúne tiras já veiculadas na Folha. A diferença é que a obra começou a ser vendida neste ano.

É a terceira coletânea de bolso lançada pela editora gaúcha, dentro da linha "Pocket". O material é de 1998, segundo o autor.

São tiras de uma fase em que Adão fazia um desenho mais "bonitinho", como ele mesmo diz. Os personagens tinham um traço mais arredondado.

Na virada do século, ele voltou a seu estilo inicial, da primeira metade da década de 1990. Era um traço mais solto e despreocupado, que o acompanha até hoje.

                                                            ***

Para o grande público, este livro de bolso de Aline tem outro apelo. A personagem que divide um apartamento com dois amantes, agora, não está apenas nos quadrinhos.

Ela foi levada para a TV aberta num especial de fim de ano da Globo. Segundo Adão, vai virar série e entrará na grade da emissora.

Na entrevista a seguir, possível pela distância encurtada com a ajuda da tela do computador, o desenhista de 44 anos diz que a negociação com a Globo não foi nada fácil.

E começa dizendo o que o levou a morar na Patagônia. Ou quem o motivou. Ela atende pelo nome de Laura. E gerou um outro amor: a filha Olívia. O casal espera outro filho.

                                                            ***

Blog – O que o levou à Argentina?
Adão Iturrusgarai
- Me apaixonei por uma argentina e me mandei pra lá. Assim, bem simples. Saí do Rio de Janeiro e fui morar em Buenos Aires. Por que fui à Patagônia? Bom, minha mulher é da Patagônia e gostei do pedaço e, com a vinda de um filho, achamos melhor criá-lo num lugar pequeno. Mas lá tem supermercado e quase tudo que uma cidade normal tem. Só nã tem engarrafamento.

Blog - Por mais que a internet reduza a distância, estar fora do país não dificulta a sua atuação por aqui?
Adão
- Se eu trabalhasse com charge política, talvez ia me complicar um pouco. Aí eu acho que você tem que estar mergulhado no país do qual você está escrevendo. Mas meu humor é mais de comportamento. Meu cérebro é tipo um HD de muitos gigas lotados de experiências. 11 anos em Porto Alegre, nove anos em São Paulo, sete no Rio. Mesmo morando num vilarejo, tenho um montão de material pra piadas. Mas, falando em distância, internet, acho que hoje em dia a internet afastou um pouco as pessoas. Vejo hoje muitos colegas ilhados em seus estúdios. Então, tanto faz você estar aqui ou acolá.

Blog - Você se inseriu bem no mercado argentino. Participa da "Fierro", chegou a desenhar recentemente uma tira de "Macanudo", de Liniers. Como foi sua recepção por lá?
Adão
- Até agora eu publico somente na revista "Fierro". O que já acho grande coisa. Bom, não sei se é um pouco de influência minha, mas também de outros desenhistas argentinos de humor, a "Fierro" está tendendo pro humor. Antes, ela não era assim. Era mais quadrinhos de aventura, histórias de continuação. Mas a idéia é expandir minha invasão na Argentina. Lançar algum livro em espanhol ou entrar em algum jornal está nos meus planos. Tanto que tenho uma versão do meu blog em espanhol. O Liniers, que é gente finíssima, diz que quer que "iturrrusgarai" seja um nome famoso na argentina.

Blog - Houve algum tipo de preconceito por ser brasileiro?
Adão
- Nenhum. Eles adoram brasileiros por lá. Mas, no caso da "Fierro", fiquei com pé atrás porque o slogan da revista é "historieta argentina". Mas eles abriram exceção pra mim quando mostrei o meu documento de "residência precária", primeiro passo pra virar residente argentino. 

Blog - E a entrada na "Fierro"? Você procurou a revista? Como foi esse contato inicial?
Adão
- Fui lá com minha mesma cara de pau de sempre. Procurei o Lautaro Ortiz, que edita a revista. Muito simpático, me recebeu muito bem. Me perguntou se eu estava bem em Buenos Aires, ofereceu ajuda. Pegou meu material, mas disse que tinha esse problema de eu ser brasileiro. Mas falou que tinha gostado muito do meu trabalho e que ia conversar com o [Juan] Sasturain, que é editor também. Em uma semana, ele me ligou e falou que queria me publicar já. Eu comecei com duas tiras por edição e, agora, estou com duas páginas. 

Blog - Aline ganha novo impulso agora por conta do especial exibido na Rede Globo. Como se deu a negociação? Você procurou a emissora ou ela o contatou?
Adão
- Foi um amigo, Mauro Wilson, que sempre quis adaptar o personagem. Passaram anos, achei que não ia rolar e, justamente quando fui morar na Patagônia, o Mauro me ligou dizendo que estava tudo certo, se encaminhando. Foi uma negociação complicadíssima e só acabei aceitando em prol do meu amigo. Parece estranho, mas o que aconteceu foi isso mesmo. Se não fosse por ele, o especial não teria ido pro ar. Negociar com a Globo não é nada fácil. Bom, no início fiquei super pé atrás com o projeto, mas acabei adorando o especial. Incrivelmente não tenho nenhum senão. Gostei de tudo que vi. E parece que agora acabaram decidindo que vai virar seriado. Vão começar gravando dez capítulos. Eu estou feliz, porque vou poder continuar trabalhando com mais tranquilidade. E é importante frisar aqui que a Aline da Globo passa a ser da Globo, do Mauro Wilson e do Mauricio Farias [diretor do especial]. Não se deve confundir a Aline do papel com a da TV. Mas o especial ficou igual às minhas tiras. Todas as minhas piadas estão lá.

Blog – Em "No Divã com Adão", você comenta que fazia análise. Continua fazendo no novo país?
Adão
- Eu fiz um tempo, mas parei. Se você chutar uma moita em Buenos Aires, salta um montão de analistas. E desenhistas também. Agora, estou com uma filhinha de um ano e minha mulher está novamente grávida. Ou seja, não tenho mais tempo pro divã. Acho que estou na Patagônia pra povoar o pedaço, que é muito desértico.

Blog - Como vê a diferença entre o mercado de quadrinhos e lá e o de cá?
Adão
- A diferença maior que vejo entre nosso país e a Argentina é a seguinte: lá, eles leem mais que nós, brasileiros, mas tem uma economia mais complicada e menos habitantes. O Brasil tem uma economia mais sólida, mas se lê menos por aqui. O que salva o Brasil é' nossa população. Muita gente, muito consumo. Cabe explicar que Buenos Aires é' completamente diferente do resto da Argentina. Dizem que a Argentina é' um gigante com a cabeça (Buenos Aires) muito grande. As províncias [como são chamados os estados] todas têm uma rixa com o portenho. Você vê Buenos Aires parecida com uma cidade europeia. Mas o resto da Argentina é bem mais simples. As pessoas também.

Blog - Para finalizar, você tem planos de voltar ao Brasil?
Adão
- Sim, tenho planos de voltar pro Brasil. Não sei se vamos querer criar filhos no frio tremendo de lá. Mas não quero morar numa cidade grande. Vamos morar numa praia, acho. Só vou sentir saudades do vinho e da carne argentina. Chuif.

                                                           ***

Serviço - Lançamento de "No Divã com Adão" e "Aline- Viciada em Sexo". Quando: sábado (23.05). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 34,90 e R$11, respectivamente.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h22
[comente] [ link ]

20.05.09

Organizador de Dez na Área vê engano na seleção do álbum

O organizador do álbum "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", Orlando Pedroso, vê um "engano" na escolha da obra, que seria levada a estudantes paulistas do terceiro ano do ensino fundamental.

"Há claramente aqui um engano", disse o ilustrador, que trabalha na "Folha de S.Paulo". Segundo ele, o trabalho, publicado por ocasião da Copa de 2002, foi feito para adultos.

"Mas isso não quer dizer que um pai ou uma mãe não possam sentar com seu filho e se divertirem com essa ou aquela história como fazem com a TV, com o cinema ou alguns tipos de revistas."

                                                            ***

A obra foi comprada pelo governo de São Paulo para ser distribuída a alunos do terceiro ano, com idade média de nove anos. Parte do conteúdo traz conteúdo sexual e palavrões.

Menções ao PCC (Primeiro Comando da Capital) também motivaram o recolhimento da obra, segundo noticiou a "Folha de S.Paulo" nesta quarta-feira.

O álbum foi recolhido. O governador José Serra disse que os responsáveis pela seleção serão punidos. Serra também avaliou a obra como de "muito mau gosto".

                                                            ***

Orlando Pedroso - ou somente Orlando, como assina seus trabalhos - é um dos lados da polêmica ainda não ouvido pela grande imprensa.

A entrevista a seguir, realizada entre ontem e hoje de manhã, dá voz a ele.

                                                             ***

Blog - Como você analisou a compra de Dez na Área para estudantes paulistas do ensino fundamental?
Orlando Pedroso - Há claramente aqui um engano. O álbum foi concebido e produzido para um público adulto às vésperas da copa de 2002. Tanto eu quanto os artistas escolhidos por mim tiveram plena liberdade na escolha do enfoque dos temas e roteiros assim como na produção do material. Acho que o governo estadual e o federal têm feito um grande trabalho na escolha dos títulos de livros a serem adotados na rede pública de ensino. Contrariando o que eu achava, livros arrojados, com enfoques e linguagem moderna, alguns sem texto foram e são adotados. No caso do Dez na Área, houve realmente um equívoco.

Blog - A "Folha de S.Paulo" noticiou hoje que referências ao PCC também motivaram o recolhimento do álbum. Como você avalia essa questão?
Orlando - Quando vi a matéria hoje cedo na Folha fiquei chocado. Peladas dentro de presídios fazem parte do cotidiano dos detentos assim como nos campos de várzeas na periferia. Em nenhum momento o trabalho do Lélis faz apologia ao crime ou ao PCC. Ele retratou a rotina de um grupo confinado que tem, sim, características particulares e de domínio público. Quem condenaria o livro "Carandiru" ou o filme simplesmente por existirem? Ninguém. Pode-se gostar ou não deles, mas daí a dizer que são de mau gostou ou "um horror" há uma distância. Todo o erro está numa adoção equivocada da publicação para um público infantil não na existência da obra.

Blog - No seu entender, as pessoas que selecionaram o álbum leram a obra?
Orlando
- Não gostaria de entrar nesse mérito. Acho que pode ter havido um engano. Às vezes como o livro ir pro montinho errado. Foi pro dos aprovados quando deveria ter ido pro dos rejeitados. Não quero crer que essas pessoas não façam seu trabalho seriamente e erros acontecem.

Blog - O governador José Serra classificou a obra de "muito mau gosto". Como você analisa essa afirmação?
Orlando
- Essa é definitivamente a declaração mais infeliz de todas. Ele não leu o álbum. Alguém apontou dois ou três quadrinhos onde havia palavrões ou desenhos mais atrevidos e a partir daí ele tem que dizer que vai punir os responsáveis. Ele é o governador do estado, está com uma batata quente no colo e quer se ver livre dela. Seria honesto ele dizer que houve um engano na avaliação, que a sindicância vai apurar, mas que o erro é que o álbum é inadequado àquela faixa de idade, e não que a publicação é um horror. Você tem ali profissionais consagrados como o Spacca, o Lélis, Maringoni e o Caco Galhardo. Alguns estavam começando a despontar como era o caso do Allan Sieber, do Leonardo, Samuel Casal e dos gêmeos Fábio [Moon] e Gabriel [Bá]. Não dá pra falar tão mal e muito menos da qualidade dos desenhos.

Blog - Você acredita que esse caso tenha provocado um olhar mais cauteloso sobre os quadrinhos por parte de educadores e do governo?
Orlando - O mal não é a existência da publicação, mas o contexto onde ela foi colocada. Acredita-se que quadrinhos sejam só para crianças e esse pode ser um bom ponto de partida para uma discussão evitando que haja um retrocesso na adoção ou no enfoque de quadrinhos e literatura dentro da sala de aula. Eu não sei se a gente deveria usar a palavra cautela, mas zelo me parece mais adequada. As editoras têm produzido, através de novos selos ou novas empresas, uma quantidade monstruosa de títulos justamente tentando atender essa demanda do governo que, como todos sabem, é o maior comprador de livros do mundo e que tem feito muitos olhos brilharem. Ora, quantidade nunca foi sinônimo de qualidade e as bancas de avaliação precisam estar cada vez mais espertas com o que recebem em mãos. No caso do Dez na Área, há um erro claro de avaliação ou um deslize que Murphy pode explicar.

                                                            ***

Leia mais sobre o caso nas postagens abaixo.

E acompanhe também no twitter: www.twitter.com/blogpauloramos

Escrito por PAULO RAMOS às 12h07
[comente] [ link ]

18.05.09

Série Magias & Barbaridades completa 500 tiras on-line

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

A tira brasileira vive dois mundos. O primeiro é nos cadernos de cultura dos jornais impressos. O segundo é em blogs e sites.

Os jornais são ainda a principal janela. Mas já se pode dizer com segurança que a internet possui volume e qualidade à altura ou até superior ao que se lê em papel.

É nesse mundo virtual que surgiu "Magias & Barbaridades", de Fábio Ciccone. A série completa nesta segunda-feira 500 tiras veiculadas on-line.

A tira comemorativa, mostrada acima, foi feita em tamanho maior e em cores. A história dá sequência ao capítulo 12 da série, intitulado "A Dinastia Nan".

                                                           ***

"Magias & Barbaridades" mescla humor e aventura. Mostra as aventuras do trio Oc, Remmil e Ilana.

O primeiro é um bárbaro amante de Shakespeare. Remmil é um mago que sempre se envolve em enrascadas. Ilana é a corajosa integrante feminina da trupe.

O diferencial da série é que é produzida num gênero pouco visto hoje no país, o da tira cômica seriada, mescla de tira cômica com tiras seriadas ou de aventuras (como as de Fantasma e Madrake, para ficar em dois exemplos).

Cada tira traz uma piada. Mas faz parte de uma narrativa maior, contada em capítulos.

                                                            ***

Fábio Ciccone diz que se sente confortável no formato. Ele criou a série em julho de 2003. Inicialmente, chamava-se "O Tomo de Edmund", nome que foi revisto.

"Me foi sugerido que esse nome não dizia muito sobre a tira, já que ninguém sabe quem é Edmund e pouca gente sabe o que é um tomo", diz Ciccone, por e-mail.

"Assim, criei o nome ´Magias & Barbaridades´ no ano seguinte."

Desde então, a série é mantida num site, que passou por diferentes roupagens. O formato atual está no ar desde a metade do ano passado.

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

A série quase foi reunida numa coletânea em papel. O álbum deveria ser publicado no fim de 2006 pela Com-Arte, editora vinculada à Escola de Comunicações e Artes da USP (Universidade de São Paulo), onde se formou em publicadade e propaganda.

Segundo o desenhista, hoje com 27 anos, o projeto não vingou por diferenças pessoais e profissionais. Prefere não detalhar para, nas palavras dele, não criar polêmica.

Se no papel a série ainda não teve sua chance, na internet ela ganha repercussão. É uma das mais votadas no site "Top 100 Webcomics Brasil", que lista páginas de quadrinhos.

A votação teve uma forcinha. Ciccone pôs no site um desenho da personagem Ilana com uma sugestiva toalha. Se a votação fosse expressiva, ela mostraria o corpo.

                                                            ***

A votação foi expressiva. A série aparece em segundo lugar na listagem virtual.

Nesta segunda-feira, junto com a tira 500, Ilana jogou a toalha. De um jeito diferente. Mas pode-se considerar a promessa cumprida.

Essa é uma das atrações comemorativas que Ciccone criou para marcar as cinco centenas de tiras. Outra é a chance de o leitor criar um personagem para o próximo capítulo.

Ciccone também apresenta uma nova tira, diferente da anterior: "O Robô de Euclides".

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

Carioca de nascimento, criado no interior paulista e na capital do Estado desde 2001, Ciccone divide a produção das tiras com o trabalho de designer gráfico.

Nesta entrevista, ele dá mais detalhes sobre a série, diz como é seu processo de criação e fala sobre a importância da internet na difusão de "Magias & Barbaridades".

                                                           ***

Blog - Como teve a ideia de criar Magias?
Fábio Ciccone
- Ela surgiu na época da faculdade. Eu já estava fazendo quadrinhos lá, junto com meus amigos Roberto Wolvie e David Donato, e distribuindo por e-mail para os colegas. Então, juntamos mais alguns amigos e começamos a pensar em fazer meio que uma comunidade de tiras on-line, na qual cada um publicaria sua própria série. Em uma das reuniões, eu tive a ideia de fazer uma sátira com fantasia medieval e, no fim das contas, só eu é que continuei com o projeto.

Blog - Você faz uma tira cômica seriada, que mescla aventura com a estrutura da tira cômica, com uma piada no fim. É um gênero pouco trabalhado no país e de difícil construção. Como você trabalha esse processo de criação?
Ciccone - Bem, por incrível que pareça, para mim essa é forma de criação que vem mais naturalmente. No começo, imaginava fazer tiras separadas, com histórias mais longas de no máximo cinco ou seis tiras, inspirado por Bill Watterson e Laerte. Então comecei o capítulo 2 e, quando vi, ele já estava com dez, quinze, vinte tiras, e foi aí que percebi que o que estava fazendo estava mais próximo às webcomics do que com as tiras de jornal. O que acontece é que, quando começo um capítulo, sei o que quero que aconteça e tenho algumas ideias de tiras para ele, mas vou contando a história de forma orgânica, uma tira por vez, sem necessariamente ter um roteiro prévio. Assim eu tenho liberdade para dosar a história e as piadas, e, sinceramente, eu não aguentaria ter que esperar uma história inteira ficar pronta antes de mostrar às pessoas. Escrever em forma de tiras, tendo feedback frequente dos leitores, é o que mais me estimula.

Blog - Que papel a internet tem exercido para a condução da série? Seria diferente se fosse lançada em papel?
Ciccone
- Imagino que a série seria totalmente diferente se fosse em papel, especialmente quanto ao formato. Não vejo uma cultura forte de tiras seriadas no mercado de quadrinhos brasileiro, e acredito que o mercado exigiria ou tiras isoladas, como se vê em jornais, ou álbuns com histórias grandes e fechadas, como nas livrarias. Desta forma, a internet não só me inspirou como viabilizou produzir da forma que mais se adapta ao meu perfil.

 

Crédito: reprodução do blog Magias & Barbaridades

 

O blog "Magias & Barbaridades" pode ser acessado neste link.

Na página, há arquivo com as tiras de todos os 12 capítulos da série.

Escrito por PAULO RAMOS às 01h14
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]