27.05.11

Vigor Mortis: terror, teatro e quadrinhos

 

  • "Vigor Mortis Comics" recria situações ambientadas inicialmente em peças de teatro
  • Obra foi produzida a seis mãos por José Aguiar, DW Ribatski e Paulo Biscaia
  • Álbum dialoga com gênero terror e tem lançamento neste sábado em São Paulo

 

Vigor Mortis Comics. Crédito: editora Zarabatana

 


Há um diálogo plural entre as linguagens do teatro e das histórias em quadrinhos em "Vigor Mortis Comics", álbum que tem lançamento neste sábado à tarde em São Paulo.

A obra faz criações livres baseadas em situações vividas inicialmente nos palcos pela companhia de teatro curitibana Vigor Mortis.

Dirigido por Paulo Biscaia, o grupo já flertava com as HQs desde 2004, ano em que produziu a peça "Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos" (já levada ao cinema).

O flerte virou namoro em montagens seguintes e, por fim, chegou a este casamento em papel, que funde um pouco das duas linguagens.

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A obra (Zarabatana, 112 págs., R$ 30) foi produzida por meio de verba de incentivo cultural e foi encabeçada por Biscaia e os quadrinistas José Aguiar e DW Ribatski.

A participação dos dois desenhistas é coerente com o passado da companhia. Foram deles as participações dos quadrinhos nas montagens da companhia teatral.

Foi DW quem imaginou o morto-vivo Osvald na peça de 2004. E veio de Aguiar a ambientação em quadrinhos de "Graphic", iniciada em 2006.

A seis mãos, o trio imaginou oito contos curtos sobre personagens ou cenas encenadas nos palcos. Em comum, o diálogo com as peças e o verniz de terror dado às histórias.

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O terror é visto nos personagens - caso específico de Osvald - e em parte das situações. Algumas, é verdade, chegam a extrair humor. Negro, mas ainda assim humor.

A leitura não exige um conhecimento prévio das peças de Biscaia para ser compreendida. Mas ter assistido a alguma delas ajuda a estabelecer as intenções referências com elas.

A arte é alternada por DW e Aguiar, já envolvidos com outros trabalhos: o primeiro finaliza um álbum para a Quadrinhos na Cia.; o segundo, uma adaptação de "Dom Casmurro".

A releitura do romance de Machado de Assis será feita para a novata editora Nemo, que guarda as imagens da obra a sete chaves (embora o blog tenha tentado, registre-se).

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O blog conversou com José Aguiar sobre a adaptação machadiana e a respeito de "Vigor Mortis Comics", que já teve um primeiro lançamento em Curitiba.

O desenhista comentou também sobre o Gibicon, encontro de quadrinhos que será realizado na capital paranaense em julho e do qual participa da organização.

A conversa, feita por e-mail, tem início com o assunto mais atual, o álbum sobre as peças dirigidas por Paulo Biscaia.

E também acerca do papel que teve nas encenações teatrais.

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Blog - Queria entender como começou seu relacionamento profissional com a companhia de Paulo Biscaia.
José Aguiar -
Eu conhecia o Biscaia de fama. Ele era professor na FAP, onde foi professor de minha esposa no curso de teatro. Assisti às suas primeiras peças e tínhamos amigos em comum. Um inclusive uma vez disse: "Vocês tem que se conhecer".  Mas só nos víamos de longe. Quando assisti a "Morgue Story - Sangue, Baiacu e Quadrinhos", em 2004, saí tão empolgado que escrevi para ele falando de como aquele espetáculo que misturava teatro com cinema, quadrinhos, música e vídeo rompera com o que eu achava ser possível no palco. Passamos a nos corresponder de vez em quando e, em 2006, ele me chamou para colaborar na peça Graphic. Em Graphic, surgiu o personagem Artie, um ex-aluno de oficina de quadrinhos que se tornou um frustrado desenhista de manual de instruções. Ele criou um personagem chamado de Homem-Sombra, um amontoado de clichês de quadrinhos de super-heróis. Eu fazia os desenhos dele, que eram projetados no palco. Nessa mesma peça o DW fazia os desenhos de outra personagem que frequentou a mesma oficina e acabou em meio a gráficos financeiros. Sem falar que ele já tinha criado Osvald – O Morto-Vivo para a peça "Morgue Story". Como ele era criação de uma quadrinista bem-sucedida, tínhamos uma oposição de personagens bem bacana e que dava base para um universo coeso. Biscaia já fazia isso sutilmente ao colocar referências comuns a lugares, personagens e situações em seus espetáculos. E decidimos lapidar isso juntos. A partir do sucesso desse espetáculo, passamos a discutir a ideia de migrar o elenco daqueles espetáculos para o papel. Chegamos à conclusão de que os quadrinhos poderiam ser uma maneira de mostrar um lado desse universo que seria impossível nos palcos. Uma maneira de dar sobrevida aos personagens.

 

Vigor Mortis Comics. Crédito: editora Zarabatana

 



Blog - E o de DW? Ainda sobre DW: ele foi um de seus alunos de desenho?
Aguiar
- O DW era uma figura folclórica na Gibiteca de Curitiba quando era adolescente. Fanzineiro que vivia lá o tempo todo com seus amigos hiperativos e produtivos. Eu dava aulas na Gibiteca e sempre conversava com ele e lia seus zines. Nessa época, ele ficava num sofá assistindo às minhas aulas à distância e, claro, sem se matricular. Até que um dia o chamei para ser meu assistente no curso. Como ele havia criado o Osvald - O Morto Vivo para a peça Morgue Story, era inevitavel que ele fosse parte do projeto dos quadrinhos. Ele foi uma presença que acrescentou muito, mesmo a distância, pois hoje ele mora em São Paulo. Mas, no fim do processo, passamos uma semana juntos trabalhando na última HQ do livro. Estilo de traços e métodos de trabalho completamente diferentes. Enfim, foi muito legal experimentar junto dele.  Creio que a soma de nossos estilos tão distintos é um dos charmes do livro.
 
Blog - O álbum registra que os roteiros são seus e de Biscaia. Como foi dividida a autoria das histórias?
Aguiar -
Biscaia e eu nos encontrávamos semanalmente para falar da vida, de filmes trash, quadrinhos, teatro para disso bolar ideias para os textos. Escrevíamos literalmente a quatro mãos. Quando um parava, outro assumia o lap top, reescrevia o que já havia sido feito. Foi um processo muito fluido. Mais tarde, DW acrescentou elementos nas HQs que desenhou: alterou frases, inseriu ou cortou quadros. Isso porque eu queria que não parecesse uma HQ de encomenda para ele, mas que fosse algo que ele se sentisse à vontade, porém desafiado a fazer. A única HQ que difere um pouco dessa lógica foi Ursula Unchained, em que criei toda a sequência narrativa antes do texto. Paulo [Biscaia] escreveu a primeira versão sobre as imagens e eu retrabalhei esse texto para a versão final. Enfim, o livro foi um processo muito livre de criação para todos.

Blog - O resultado final tem muito de terror. A proposta foi essa mesmo?
Aguiar -
Desde o início era o que queríamos. Em nossa primeira reunião, Paulo e eu listamos uma série de "medos modernos" que queríamos que fossem a base dos roteiros: solidão, estupro, fracasso, lendas urbanas... Não estávamos interessados em terror clássico. A não ser como referência. Queríamos algo contemporâneo, urbano. Inclusive a ideia de imprimir em vermelho e preto é uma alusão aos jornais sensacionalistas, aqueles que você "expreme e sai sangue". Mas creio que o livro não é só isso. Ele também é repleto de humor. Meio negro, claro.

 

Vigor Mortis Comics. Crédito: editora Zarabatana

 

 
Blog - José, é a segunda obra sua que leio - a primeira foi "Quadrinhofilia", da HQM - que fico espantado com a mudança de estilos que você apresenta em cada uma das histórias, como se fosse um camaleão do desenho. Como você transita entre um estilo e outro e qual a opção pelo uso de cada um? 
Aguiar -
Às vezes não sei se esse é um mérito, mas gosto de me adaptar ao que pede cada roteiro. Em "Vigor Mortis Comics", eu tinha a liberdade total (pois era meu próprio editor) e a responsabilidade de fazer o melhor livro possível com os recursos de um edital público. No caso das HQs com Artie e o Homem-Sombra, eu tinha dois mundos. O dele e o de sua imaginação, mais rico e dinâmico. Isso facilitava as escolhas estéticas. Mas, no fim, o que muda mais nesse livro não é tanto o traço, mas a forma de acabamanto dos desenhos.  Há o uso de texturas, retítulas, gradientes, variações de tonalidade. Em cada HQ, há uma pequena variante dessas soluções. Brinquei com as limitações de usar apenas duas cores. Tudo isso cria atmosferas. Inclusive é o que dá um puco da liga que une meus traços com os do DW. 
 
Blog - Noticiei na semana passada a nova leva de títulos da editora Nemo e lá consta sua participação na adaptação de Dom Casmurro. Em que etapa está a adaptação e como você pretende resolver visualmente o enigma sobre a suposta traição de Capitu?
Aguiar -
  Estamos trabalhando para lançar o livro no segundo semestre. E, sobre o enigma de Capitu, isso eu não posso contar. Mas confesso que essa danada esta me dando dor de cabeça. Sem falar que grande parte do mérito virá do texto do Wellington Srbek, que está fazendo uma bela homenagem ao texto original.

Blog - E o GibiCon? Já é possível dizer quais são os convidados nacionais e estrangeiros confirmados?
Aguiar -
A Gibicon está prestes a explodir. O site está em fase de teste e em breve iremos divulgar a programação. Será um evento rápido, porém intenso. Mas, como dependemos de alguns apoiois a serem confirmados, tenho que segurar as informações dos conviados e a programação até começo de junho. Depois, você irá ter informações a todo momento.

                                                         ***

Serviço - Lançamento de "Vigor Mortis Comics". Quando: sábado (28.05). Horário: a partir das 14h. Onde: loja Comix. Endereço: alameda Jaú, 1.998, São Paulo. Quanto: R$ 30. 

Escrito por PAULO RAMOS às 17h47
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26.05.11

Páginas de uma carreira bem-sucedida

 

  • Renato Guedes lança livro com ilustrações suas nesta sexta-feira em Porto Alegre
  • Obra foi produzida de forma independente pelo autor, especializado em super-heróis
  • Desenhista atua no mercado norte-americano e atualmente trabalha com Wolverine

 

Artbook de Renato Guedes. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


Num encontro de quadrinhos no último sábado, em São Paulo, o nome de Renato Guedes foi mencionado numa das mesas.

O registro era que o desenhista paulistano pertencia a uma segunda geração de autores brasileiros que conquistaram espaço na disputada indústria norte-americana de quadrinhos.

De fato, Guedes chegou depois de Mike Deodato, Marcelo Campos e outros criadores daqui. Mas nem por isso deixou de ocupar espaço por lá.

Hoje, figura entre os principais nomes da arte de histórias de super-heróis dos Estados Unidos. Uma trajetória que relembra, agora, na forma de um livro com ilustrações suas.

                                                         ***

Nas palavras de Guedes, o livro tem "um pouco de tudo". Passa pelas capas de revistas norte-americanas, pelo processo de criação dos desenhos, por uma galeria com cénários.

O "artbook" une os leitores pela linguagem universal do desenho. Na parte verbal, no entanto, priorizou os que dominam o inglês, forma de viabilizar a publicação fora do país.

Tanto que o primeiro lançamento foi feito na Colômbia. Só então fez a segunda sessão de autógrafos, em São Paulo, no começo do mês. Com casa cheia, segundo ele.

O terceiro lançamento será nesta sexta-feira à noite em Porto Alegre (164 págs., R$ 40).

                                                         ***

O desenhista imprimiu 1.500 cópias, pagas do próprio bolso. Tem planos de fazer novas sessões de autógrafos na Argentina, na França e, talvez, em outras cidades brasileiras.

O eco de seu trabalho no exterior é consequência da popularidade conquistada com a arte em revistas de super-heróis.

As de maior projeção foram as da DC Comics, casa de Super-Homem, personagem que chegou a desenhar. Outras publicações ligadas ao herói também passaram por suas mãos.

Não é por acaso que a capa do livro ilustrado tenha o herói e a prima dele, Supermoça, como destaques.

 

Wolverine, por Renato Guedes. Crédito: imagem cedida pelo autor 

 

Em busca de novos ares, trocou a DC pela concorrente Marvel Comics, editora de Homem-Aranha e X-Men. Na nova empresa, desenha a revista mensal do popular Wolverine.

Guedes mantém um contrato de exclusividade por dois anos. Situação bem mais confortável que o começo nos EUA, em 2002, viabilizado pela agência Art & Comics. 

Ao longo dos anos, foi saltando de títulos secundários para os mais importantes da DC. E passou a deixar também sua marca neles, tanto no estilo quanto nas referências.

São comuns, em sua arte, desenhos de personalidades brasileiras. "Faço isso o tempo todo. Adoro fazer esse tipo de brincadeiras", diz. "Está cheio de mensagens submilinares."

                                                         ***

Nada subliminar - bem mais concreta, diga-se - é sua rotina de trabalho para manter o ritmo dos prazos apertados da indústria editorial de super-heróis.

"Essa é uma luta eterna de disciplina e procrastinação. Tento começar às 10 da manhã e termino quando termino a meta, que me proponho durante o dia."

"Mas geralmente são muitas horas de trabalho diário. Dificilmente menos de dez horas diárias!". Exceto nos dias de lançamento, quando dá voz a seu trabalho de outra forma.

"Eu sempre gostei muito de artbooks, tenho de vários artistas, de filmes, desenhos animados. Então pensei, ´se gosto tanto de artbooks, por que não fazer o meu?´".  

                                                         ***

Serviço - Lançamento de artbook de Renato Guedes. Quando: sexta-feira (27.05). Horário: 21h. Onde: Quanta Academia de Artes. Endereço: Rua Coronel Camisão, 100, bairro Higienópolis, Porto Alegre. Quanto: R$ 40. Onde encontrar: na Quanta e, on-line, via e-mail renatoguedesartbook@gmail.com (com Regina). 

Escrito por PAULO RAMOS às 17h17
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19.05.11

Nova editora de quadrinhos na praça

 

  • Nemo pretende lançar obras nacionais e álbuns europeus de Moebius e Hugo Pratt
  • Primeiros trabalhos da editora estão programados para a virada do semestre
  • Linha de quadrinhos é coordenada pelo roteirista e pesquisador Wellington Srbek

 

Corto Maltese - A Juventude. Crédito: editora Nemo

 

Ciranda Coraci. Crédito. editora Nemo

 


De quando em quando, surge alguma surpresa no meio editorial. A deste mês é o surgimento de uma nova editora de quadrinhos, a Nemo.

A notícia surgiu na última segunda-feira. No fim da manhã, a assessoria de imprensa apresentava o selo editorial por meio de um release, texto padrão divulgado à imprensa.

O e-mail listava mais de dez títulos, europeus e nacionais. Dos estrangeiros, marcava a volta da série italiana "Corto Maltese" e anunciava trabalhos do desenhista francês Moebius.

Os nacionais ajustavam o foco em adaptações literárias e em fatos e eventos históricos narrados na linguagem dos quadrinhos.

                                                         ***

Os releases, como dita o bom jornalismo, são apenas um pontapé inicial de uma reportagem. Um telefonema à assessoria da editora revelou mais alguns detalhes.

Os primeiros lançamentos estão programados para julho. O contato reforçou outra informação, já antecipada pelo e-mail: o nome de quem teria todas as informações.

A pessoa em questão é o mineiro Wellington Srbek, que irá atuar como editor da Nemo. Srbek deveria dispensar apresentações entre os leitores de quadrinhos.

Ele foi roteirista de uma série de trabalhos, entre eles o álbum "Estórias Gerais", desenhado por Flavio Colin. Doutor em educação, também tem livros publicados sobre quadrinhos.

                                                          ***

O agora editor Wellington Srbek confirma o conteúdo do release. A programação da Nemo irá se pautar em quatro coleções e duas séries.

Uma das séries, "Mitos Recriados em Quadrinhos", terá inicialmente dois trabalhos, "Ciranda Coraci" e "O Senhor das Histórias", ambos produzidos por Srbek e pelo desenhista Will.

A outra série será centrada nas histórias de "Corto Maltese", criadas pelo italiano Hugo Pratt (1927-1995) e publicadas pela última vez no país pela editora Pixel entre 2006 e 2008.

O álbum de estreia, "Corto Maltese - A Juventude", é inédito no Brasil.

                                                          ***

Um das quatro coleções também trará material europeu. Ela irá publicar histórias produzidas pelo francês Moebius, um dos nomes mais importantes dos quadrinhos europeus.

O primeiro álbum será "Arzach", um dos primeiros da editora que devem chegar ao mercado de livrarias e lojas de quadrinhos. O segundo, "Pesadelo Branco & Outras Histórias".

As demais coleções se dividem entre fatos históricos e adaptações literárias.

São duas áreas que tiveram um aumento no volume de publicações por conta das pomposas compras do governo federal via PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

                                                         ***

Entre as adaptações, algumas já têm os autores definidos. Srbek e José Aguiar assinam uma versão do romance "Dom Casmurro", de Machado de Assis (1839-1908).

A leitura do texto machadiano era um projeto que ele mantinha desde o ano passado, como o blog noticiou em postagem de 9 de fevereiro de 2010.

Os demais integram uma coleção à parte, baseada em versões de textos literários do inglês William Shakespeare (1564-1616).

A lista conta com adaptações de "Romeu e Julieta", "Sonho de uma Noite de Verão", "Otelo", "Hamlet", "Macbeth", "Rei Lear" e "A Tempestade".

                                                         

Arzach. Crédito: editora Nemo

 


Wellington Srbek confirma mais algumas informações. Uma delas é que há outros títulos europeus em pauta. Uns são de Moebius. Os demais, ele não revela quais são.

O álbum de Moebius e o nacional "Ciranda Coraci" devem encabelçar a lista de lançamentos na virada do semestre. Parte dos demais fica para os meses seguintes.

Outra novidade é que os trabalhos nacionais estarão disponíveis também em versão digital, para leitura nas plataformas iPad e iPhone.

Nesta entrevista, feita por e-mail, ele conta um pouco mais sobre o projeto da Nemo e como passou a ser o editor do catálogo, mantido pelo grupo editorial Autêntica.

                                                          ***

Blog - Como surgiu a oportunidade de atuar na editora? 
Wellington Srbek -
Resumindo, a editora de livros infantis do Grupo Autêntica, Sônia Junqueira, entrou em contato comigo para conversarmos sobre um livro, pois ela já conhecia meu trabalho de pesquisa e produção de quadrinhos. Comentei então sobre meu roteiro para a adaptação de "Dom Casmurro", que estava praticamente finalizado na época. Mandei as primeiras páginas do roteiro para a Autêntica e eles gostaram bastante. Então, fui chamado para uma reunião na editora, pois Rejane [Dias, diretora editorial] e Arnaud [Vin, diretor-executivo] já planejavam lançar uma editora de quadrinhos. Neste caso, para minha felicidade, eu estava no lugar certo, na hora certa.
 
Blog - Qual é a intenção da editora? 
Srbek
- A intenção é publicar e produzir quadrinhos de alta qualidade, com boa produção gráfica e a preços acessíveis. Queremos trazer para o mercado brasileiro obras de grandes nomes dos quadrinhos internacionais e também valorizar a produção nacional.
  
Blog - Vendo a lista de obras programadas, vê-se um diálogo com clássicos franceses de Moebius e do italiano Pratt e obras nacionais. As nacionais são voltadas a adaptações ou apresentam viés histórico. O olhar desses trabalhos sugere um interesse editorial nas listas do governo de compra de quadrinhos. Como foi a discussão desse assunto com a editora? 
Srbek -
No caso dos quadrinhos brasileiros, temos três coleções principais em produção: "História & Quadrinhos", com HQs sobre importantes momentos de nossa história, "Shakespeare em Quadrinhos", com as principais peças do autor inglês, e "Versão em Quadrinhos", que trará adaptações como Dom Casmurro, de Machado de Assis. Em todas elas, nosso objetivo principal é produzir quadrinhos de alta qualidade. Algo que foi uma demanda específica da editora foi a produção de quadrinhos infantis, que deu origem à série Mitos Recriados em Quadrinhos, que são álbuns de 20 páginas, fantasticamente desenhados pelo Will.
 
Blog - Sobre os títulos europeus, há outros interesses na lista?
Srbek -
Com certeza! A própria "Coleção Moebius" não terá apenas dois volumes. E temos muitos outros trabalhos europeus em nossos planos e sendo estudados no momento. Claro que não posso revelar agora o nome de mais nenhum autor ou título...
 
Blog - O objetivo é fazer as vendas onde, em livrarias/lojas de quadrinhos ou em bancas também? 
Srbek -
Neste primeiro ano, estamos lançando as bases de um projeto a longo prazo. Inicialmente, pelo próprio perfil “álbum”, os lançamentos da Nemo estarão à venda em livrarias, lojas de quadrinhos e, é claro, também pela Internet. Sendo que em breve os álbuns nacionais da editora estarão disponíveis em versão digital para iPad e iPhone. 

Escrito por PAULO RAMOS às 12h28
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