Fui convidado a fazer nesta terça-feira a conferência de abertura da 3ª Jornada do Grupo de Pesquisas Discursos na Mídia Escrita, realizada na PUC-SP.
Achei interessante registrar também por aqui o conteúdo da conferência. Segue o texto, intitulado Qual é a graça? O humor na imprensa escrita:
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A entrada do século 21 pôs em discussão o papel do jornal. O debate se baseia na migração real de leitores para a plataforma virtual. Um exemplo disso pode ser visto na Folha de S.Paulo, periódico de maior circulação no país nesta década. O jornal reduziu em 35 mil o número de exemplares impressos entre 2002 e 2008. Passou de 346.333 em 2002 para 311.287 no ano passado. Os dados são da ANJ, Associação Nacional de Jornais.
Apesar da circulação menor, estima-se que o número de jornais diários no Brasil tenha aumentado no mesmo período. Passou de 523, em 2002, para 673, em 2008, uma vez mais de acordo com informações da ANJ. São exatos 150 periódicos a mais.
O impacto do jornalismo virtual ante a tradição do impresso, como dito, está em processo de discussão. Discussão, inclusive, dentro das próprias empresas jornalísticas. Folha e Estado de S. Paulo já consolidaram a leitura das páginas de suas edições impressas na tela do computador. O acesso é permitido mediante assinatura, como na versão em papel.
Mas, independentemente da perda de leitores e de volume de impressão, e ante à real reavaliação de seu papel, vê-se que os jornais ainda cumprem hoje uma função importante na sociedade e no processo de circulação de informações, como os números ainda evidenciam. A manutenção do jornal representa também a permanência do rol de gêneros que a publicação agrega em suas páginas, do editorial às reportagens, da charge às tiras cômicas.
Está nos dois últimos, nas charges e nas tiras cômicas, o interesse deste nossa exposição. Os dois gêneros humorísticos têm e tiveram nos jornais um suporte histórico de fixação de seus modos de produção e de circulação entre um público geralmente ignorado quando se trata de história em quadrinhos: o adulto, e não a criança, vista ainda como sinônimo de leitora de quadrinhos aqui no Brasil.
A proposta neste espaço é rever, de forma sucinta, a trajetória das charges e das tiras nos jornais brasileiros, de modo a recontar uma outra história da história em quadrinhos no país, a que dialoga diretamente com o suporte chamado jornal.
Antes de avançar a discussão, ou melhor, de retroceder os exemplos até os jornais do século 19, é necessário esclarecer o que entendemos por história em quadrinhos, charge e tira cômica. Em A Leitura dos Quadrinhos, livro de nossa autoria publicado neste ano pela Editora Contexto, temos postulado que diferentes gêneros utilizam recursos comuns de uma linguagem própria da qual bebem suas produções. A saber:
como dito, diferentes gêneros utilizam a linguagem dos quadrinhos
predomina nas histórias em quadrinhos a seqüência ou tipo textual narrativo
as histórias podem ter personagens fixos ou não
a narrativa pode ocorrer em um ou mais quadrinhos, conforme o formato do gênero
em muitos casos, o rótulo, o formato, o suporte e o veículo de publicação constituem elementos que agregam informações ao leitor, de modo a orientar a percepção do gênero em questão
a tendência nos quadrinhos é a de uso de imagens desenhadas, mas ocorrem casos de utilização de fotografias para compor as histórias
Vemos que diferentes gêneros – entendidos aqui na definição clássica do russo Mikhail Bakhtin, de que "são tipos relativamente estáveis de enunciado" – dividem características comuns, sem, com isso, perder sua singularidade. Ocorre comportamento semelhante ao que o linguistica Dominique Maingueneau nomeou de hipergênero. O termo é visto pelo autor como um rótulo que daria as coordenadas para a formatação textual de vários gêneros, que compartilhariam tais elementos. Maingueneau cita o caso do diálogo, que estaria presente em vários e diferentes gêneros autônomos.
Entendemos que exista o mesmo comportamento com os quadrinhos, lidos aqui como um hipergênero que teria elementos comuns compartilhados por diferentes gêneros. Vemos as charges e as tiras cômicas entre eles, posto que ambas utilizam os elementos comuns pontuados há pouco. Unidas pela linguagem, singularizam-se pelo processo e modo de produção e de recepção.
A charge é um texto de humor que aborda algum fato ou tema ligado ao noticiário. De certa forma, ela recria o fato de forma ficcional, estabelecendo com a notícia uma relação intertextual. Os políticos brasileiros costumam ser grande fonte de inspiração. Não é por acaso que a charge costuma aparecer na parte de política ou de opinião dos jornais, espaço privilegiado dessas publicações. Um exemplo:
A charge em questão foi publicada pelo jornal Folha de S.Paulo na edição de sábado passado, dia 21 de novembro. O humor dialoga com a notícia do lançamento do filme "Lula, o Filho do Brasil", que está às vésperas da estreia. Para construir o sentido pretendido pelo autor, o leitor tem de acionar uma série de informações: que o homem de barba caricaturado no desenho é o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ele está numa sala de cinema, que a pessoa que o repreende com um puxão de orelha é a atriz Glória Pires, que interpreta a mãe dele no longa-metragem e que, por isso, teria, em tese, autoridade para castigá-lo por alguma malandragem que tivesse feito. Cabe ao leitor e ao noticiário recente sugerirem o motivo da repremenda.
Note que o efeito de humor está ancorado numa informação atual, do noticiário, veiculada ou não pelo jornal onde a charge foi impressa. Essa data de validade, por assim dizer, que a atrela ao discurso jornalístico, é o que singulariza o gênero charge em relação aos demais. Observe que teríamos maior dificuldade para entender outra charge, publicada em outra época, por conta da falta de detalhes da época. Um casso assim:
A figura representada é o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, candidato à sucessão ao primeiro mandado de Lula em 2006. Perdeu justamente para Lula. A charge faz alusão à queda nas pesquisas e à distância, cada vez maior, de ele conquistar a vaga presidencial. Alckmin é mostrado como um tucano, ave símbolo dos partidários do PSDB, a qual era e é filiado. O político olha para o céu e faz um pedido a uma estrela vermelha, justamente a marca do partido de Lula, o PT. "Oba! Uma estrela, vou fazer um pedido". O inusitado da situação – Alckmin ter de fazer um pedido à estrela do Partido dos Trabalhadores – é o que levaria ao efeito de humor pautado na corrida presidencial.
Voltando ainda mais no tempo, será que conseguiríamos recuperar as informações que pautaram este desenho?
A volta ao passado parou entre os anos 1926 e 1930, período em que Washington Luís esteve à frente do cargo de presidente da República. Para bem compreender a charge, o leitor deve reconhecer a figura dele no canto esquerdo do desenho, feito por J. Carlos, um dos mais proeminentes autores da primeira metade do século 20 no Brasil. O texto verbal escrito, abaixo do desenho, está um pouco apagado. Traz o seguinte diálogo:
Washington Luís – O que é que vocês estão fazendo?
Os ministros Lara Castro, Otávio Mangabeira, Viana de Castelo, Adolfo Konder, Pinto da Luz, Serzedelo Passos e Oliveira Botelho – Nós estamos pensando.
Washington Luís – Não é preciso. Deixem isso comigo. Eu penso.
A charge foi publicada no jornal O Malho, em 27 de novembro de 1926. A data precisa ajuda o leitor deste século 21 a afunilar um pouco mais o sentido. Trata-se do primeiro ano do mandato de Washington Luis, 12 dias após sua posse. É possível que o fato a que faz menção o desenho de humor seja a centralização que ocorreu na época, vista como uma forma de pôr a casa em ordem após um período político instável no país. Uma leitura mais precisa deveria estar atrelada aos exemplares dos jornais da época. Quanto aos ministros, é necessária uma pesquisa iconográfica para confirmas os rostos de cada um mostrados na charge.
Agora, a tira cômica.
O formato é tão presente na composição da tira que foi incorporado ao nome do gênero. A mais conhecida e publicada é a tira cômica, também chamada por uma série de outros nomes: tira diária, tirinha, tira de humor. Por ser a mais difundida, muitas vezes é vista como sinônimo de tira. É a que predomina nos jornais brasileiros – e também da maioria dos países.
A temática atrelada ao humor é uma das principais características do gênero tira cômica. Mas há outras: trata-se de um texto curto (dada a restrição do formato retangular, que é fixo), construído em um ou mais quadrinhos, com presença de personagens fixos ou não, que cria uma narrativa com desfecho inesperado no final. Alguns jornais têm fixado também um formato um pouco alargado, equivalente a "dois andares" de tira.
Em outro estudo, feito em doutorado defendido 2007 na Universidade de São Paulo, procuramos mostrar que o gênero usa estratégias textuais semelhantes a uma piada para provocar efeito de humor. Essa ligação é tão forte que a tira cômica se torna um híbrido de piada e quadrinhos. Por isso, muitos a rotulam como sendo efetivamente uma piada. Um caso:
A tira de Angeli, Chiclete com Banana, foi publicada em junho deste ano no jornal Folha de S.Paulo. Mostra a divagação de um autor, que vive um "vácuo criativo", por não escrever há meses nenhuma produção literária. Ele conclui: "O vazio também é literatura". E, assim, surge um novo movimento literário. O final inesperado, pautado na contradição de um movimento literário ser baseado no vazio, é o que leva ao efeito de humor.
Os jornais brasileiros já tiveram também outros gêneros de tiras, as seriadas ou de aventuras, as cômicas seriadas e, mais recentemente, um modo de produção novo, não baseado no humor. Mas, dada a predominância das tiras cômicas, ajustaremos o foco nelas nesta exposição.
Escrito por PAULO RAMOS às 03h16
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Qual é a graça? O humor na imprensa escrita - II
Continuação da postagem anterior.
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Tanto a charge quanto as tiras cômicas permanecem em circulação nos jornais brasileiros, em maior ou menor grau. Há quem priorize tiras nacionais, quem circule apenas material estrangeiro (mais barato), quem nem isso faz, caso do Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, que cortou todas as tiras em dezembro do ano passado por contenção de gastos. Outros jornais publicam apenas charges. E há que as ignoram por completo.
Mas, numa observação em perspectiva dos gêneros presentes nos jornais, charges e tiras são costumeiramente evidenciadas. É o que faz, por exemplo, Luiz Antônio Marcuschi em Produção Textual, Análise de Gêneros e Compreensão, livro de 2008. Marcuschi vê nos jornais um dos casos de suporte, que abrigaria em suas páginas uma gama de gêneros, entre os quais cita história em quadrinhos e charge, que seriam usados também pelas revistas. O linguista define suporte como um locus físico ou virtual com formato específico que serve de base ou ambiente de fixação do gênero materializado como texto.
Tanto tiras como charges têm no jornal um suporte privilegiado, que dialoga com leitores de maior poder aquisitivo (pelo preço do exemplar ou da assinatura) e, em tese, mais críticos. Os dois gêneros têm acompanhado os jornais desde seu surgimento no país, no século 19. Costuma-se credenciar a primeira charge a uma edição do Jornal do Commercio, de 1837. Desde então, tem passado, edição após edição, jornal após jornal, por um processo de cristalização do gênero como o conhecemos hoje.
Esse processo de consolidação geralmente não é incluído entre as obras que recuperam o surgimento dos quadrinhos no país. Se entendemos que charge é um dos gêneros de um hipergênero quadrinhos, pelos motivos expostos há pouco, temos de inseri-la obrigatoriamente nessa trajetória. E essa inclusão traz um consequência direta: a formação de um leitor adulto. Configura-se, então, o que Maingueneau, uma vez mais citado aqui, chamou de estabelecimento de parceiros legítimos.
Maingueneau defende que um gênero do discurso (termo usado por ele) não se limita apenas à organização textual, embora seja um de seus elementos. Há outras características, igualmente pertinentes e definidoras: finalidade, lugar e momento onde ocorre, suporte material ou mídium (televisão, diálogo, rádio, jornal), o estabelecimento de parceiros coerentes com a situação (o autor chama de "parceiros legítimos"). Neste último caso, acrescenta que o locutor e o interlocutor travam um contrato comunicativo, uma espécie de jogo, e que exercem papéis definidos na situação comunicativa.
Trava-se então, desde o século 19, um contrato entre autores das charges e seus leitores de que se trata de um texto adulto, em particular pela temática abordada. Tem sido assim até hoje. Ou seja: a história da história em quadrinhos não foi formada apenas por leitores juvenis, discurso que também tem sido herdado até este século, em particular na imprensa, nas escolas e entre autoridades de ensino.
As causas da "infantilização" dos quadrinhos passam pelas tiras cômicas, mas não são causadas exclusivamente por elas. A exemplo do que ocorreu com as charges, elas surgiram e se consolidaram nas páginas dos jornais. Se Bakhtin via nos gêneros uma estabilidade relativa, na virada dos séculos 19 para o 20 as tiras buscavam um norte que as tornasse estáveis. Isso pôde ocorreu nos periódicos norte-americanos do começo do século passado.
O que as particularizou inicialmente foi a temática cômica – nos Estados Unidos, os quadrinhos são chamados até hoje de comics – e o formato fixo, que permitia que uma mesma história fosse vendida a mais de um jornal. O sistema comercial permitia aos autores e, principalmente, às empresas distribuidoras, chamadas Syndicates, faturar com base num mesmo produto. Do ponto de vista dos diagramadores dos jornais, bastava deixar um espaço fixo para ser preenchido pela tira.
O modelo de produção foi consolidado pelos jornais e proliferou nos Estados Unidos, na América do Sul e na Europa. Pelos preços baixos, os donos da imprensa escrita brasileira optaram durante décadas pelas produções estrangeiras.
Na década de 1930, Adolfo Aizen e Roberto Marinho descobriram no filão uma leitura que agradava aos mais jovens. A estratégia era reunir o maior número de tiras estrangeiras – cômicas e de aventuras – e publicá-las nas páginas de um tablóide, tamanho equivalente ao de um jornal dobrado no meio. Foi uma febre. As vendas ajudaram o jornal carioca O Globo, de Marinho, a se manter firme no mercado pelas décadas seguintes.
Criava-se, por meio dos suplementos que tinham nas tiras um de seus principais gêneros, um segundo pacto entre parceiros legítimos: o leitor, agora, eram as criançase os mais jovens. Muitos passaram a ver essa forma de leitura como algo "nocivo" (reforço o uso das aspas no termo). Discursos vindos das escolas, da Igreja e de autoridades procuraram vincular, a partir da segunda metade da década de 1940, os quadrinhos à marginalidade, criminalidade, à preguiça mental.
Gonçalo Júnior, no livro O Mocinho do Brasil – A história de um Fenômeno Editorial Chamado Tex, publicado neste ano, reproduz pesquisa do Ibope realizada em 1954 no Rio de Janeiro e em São Paulo. O instituto fez a seguinte pergunta:
na sua opinião, as histórias em quadrinhos são prejudiciais ou, pelo contrário, são inofensivas à educação das crianças?
Respostas. No Rio de Janeiro, 58% disseram que sim, que são prejudiciais.
Em São Paulo, o índice foi maior: 75%.
Detalhe: a própria pergunta já traz o pressuposto de que quadrinhos seriam leitura apenas de crianças.
Mas já estavam estabelecidos nesse momento histórico do país dois públicos leitores de quadrinhos: o adulto, que acompanhava as charges e algumas tiras esporádicas nos jornais diários, e o infantil, que tinha nos suplementos e, depois, nas revistas em quadrinhos os suportes para seus diferentes gêneros, entre eles as tiras cômicas. Geralmente, os resgates históricos deixam de lado esse leitor adulto.
As revistas, que se consolidaram na década de 1950, passaram a priorizar histórias mais longas, algumas organizadas a partir de uma sucessão de tiras seriadas. Com isso, as tiras cômicas voltaram-se uma vez mais aos jornais. Em 1959, um delas começava uma trajetória de sucesso junto ao público infantil. A Folha da Manhã, hoje Folha de S.Paulo, estreava as tiras de Bidu e Franjinha, de Mauricio de Sousa. Nos anos seguintes, surgiram Cebolinha, Cascão e, por fim, Mônica. A série ganhou também as bancas a partir de 1970 e se consolidou também como tira em diferentes jornais brasileiros.
As produções underground norte-americanas e a ditadura militar ajudaram a lembrar a todos, uma vez mais, que os quadrinhos tinham feito um pacto de leitura com os adultos. Os títulos alternativos influenciaram alguns autores daqui e instigaram revistas independentes durante a década de 1970. A maior influência, no entanto, é creditada ao jornal O Pasquim, um das vozes mais eloquentes de resistência ao período ditatorial.
O jornal alternativo começou a circular em 1969 e tinha um time até hoje de destaque na área: Jaguar, Henfil, Paulo Francis, Ziraldo, Millor, entre outros. O suporte priorizava gêneros do humor. Figuravam charges, tiras, quadrinhos. Todos dialogavam, não custa reforçar, com o leitor adulto. A maior parte das revistas em quadrinhos de então, com crianças.
Fora da imprensa alternativa, leia-se fora do Pasquim, alguns jornais de diferentes partes do país também publicaram tiras voltadas ao leitor mais crítico. Parte delas trazia questionamentos à situação social e política do país, entre as quais podemos citar Rango, As Cobras (mostradas abaixo), O Pato e Zeferino.
O Pasquim e o movimento underground são vistos como dois dos fatores que influenciaram a produção de tiras e de outros quadrinhos pouco antes da abertura política e também depois dela. No caso específico das tiras nacionais, elas encontraram nos cadernos de cultura um locus de publicação que permanece até hoje. O Jornal do Brasil e, principalmente, a Folha de S.Paulo ajudaram a tornar mais críticos e sociais os temas por elas abordados, outro sinal de diálogo com o público mais maduro.
No caso da Folha, um dos propulsores da mudança foi a inclusão das tiras de Chiclete com Banana, de Angeli, em 1983. Depois vieram Geraldão, Níquel Náusea, Piratas do Tietê, Aline. No caso específico de Geraldão, houve um exemplo peculiar para medir o nível de liberdade editorial pós-ditadura. O personagem, de início, usava uma cueca samba canção de bolinhas. Aparecia quase sempre segurando a cueca para que não caísse. Depois, passou a ser desenhado com uma tarja preta para cobrir seu sexo. A tarja, em dado momento, foi eliminada. É como mostram as três tiras a seguir:
Começo a fechar as idéias recuperando o que pautou esta exposição. Os jornais têm servido de suporte histórico para dois gêneros dos quadrinhos que dialogam diretamente com o humor: as charges e as tiras cômicas. A relação entre elas e os periódicos é tão enraizada que surgiram nas páginas do jornal e até hoje se expõem nelas.
Outro ponto que procuramos demonstrar é que ambas, por serem publicadas em um suporte lido por leitores adultos, dialogam com pessoas mais críticas e maduras, e não com crianças. A estas restam, não custa registrar, os cadernos infantis e alguns casos publicados na seção de tiras entre o material adulto. Isso exige uma correção na história da história em quadrinhos e traz ao menos uma consequência prática: quadrinhos são lidos por adultos, aqui no Brasil, pelo menos desde o século 19. Ainda hoje é assim, embora geralmente se esqueça disso.
O discurso que tem predominado na sociedade brasileira é justamente aquele visto nas décadas de 1940 e seguintes, o de que quadrinhos são voltados ao leitor juvenil, com ou sem conteúdo "nocivo" (nocivo, aqui, lido uma vez mais entre aspas). Foi esse discurso o visto na imprensa em maio deste ano, quando o livro em quadrinhos Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol, voltado ao leitor adulto, foi selecionado e comprado pelo governo estadual paulista para ser levado a alunos de nove anos. O governo assumiu a falha e a obra foi recolhida.
Mas a imprensa e o governo circularam um discurso de estranheza sobre o fato de a obra ter conteúdo adulto, como palavrões. Trecho de reportagem do telejornal SPTV 2ª Edição da Rede Globo: a obra é em quadrinhos, mas o conteúdo não tem nada de infantil. O mesmo comportamento foi percebido, semanas depois, com a obra Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço, do norte-americano Will Eisner. Voltada ao leitor adulto, foi selecionada pelo governo federal para ser incluída em bibliotecas escolares destinadas a alunos do ensino médio. O jornal Agora, do grupo Folha, estampou na capa que a obra trazia cenas de pedofilia. Uma menina se insinuava ao zelador do prédio onde mora para, depois, envenenar seu cachorro e roubá-lo. O zelador se mata. Nada disso foi dito nas reportagens. O livro chegou a ser recolhido em escolas de diferentes cidades do sul do país.
Enquanto isso, em meio à polêmica, os mesmos jornais que noticiaram o caso circulavam charges e tiras em suas páginas e desconsideravam os dois gêneros nessas reportagens. O suporte jornal funcionou como uma espécie de escudo para barrar a reação social, como se não fossem gêneros dos quadrinhos. Muito disso foi apoiado no prestígio de que os jornais ainda gozam, cmomo expusemos no início desta exposição.
Temos dito em outras oportunidades que é necessário iniciar nas universidades brasileiras um adiado e já tardio estudo linguístico-discursivo das histórias em quadrinhos. Há muitas perguntas ainda e poucas respostas científicas. Um ponto que temos defendido é que é necessário fixar a idéia de que há quadrinhos infantis e quadrinhos não infantis. É uma distinção feita pela literatura infantil na década de 1980, quando esta era rotulada de leitura marginal (termo usado por Marisa Lajolo e Regina Zilberman).
Outro ponto é entender os diferentes gêneros que compõem o que temos chamado de hipergênero quadrinhos, ancorados em Maingueneau. Tal clareza é necessária para não incorrer em imprecisões como a vista na prova do vestibular da Fuvest, realizada no último domingo. Os organizadores de uma das questões do maior vestibular do país chamaram uma tira cômica de Calvin e Haroldo de charge, termo usado duas vezes no enunciado:
A confusão não comprometia a resposta do vestibulando. Mas evidencia desconhecimento da área dos quadrinhos e de seus gêneros. Assim como é fruto de desconhecimento a associação dos quadrinhos somente ao leitor infantil. Não é, como procuramos demonstrar. A solução para tais discursos, ainda sólidos na sociedade brasileira, passa pela academia e pelas pesquisas que dela resultarem.
Espero que estas palavras tenham trazido alguma contribuição nesse sentido.
Escrito por PAULO RAMOS às 03h14
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23.11.09
Feira na USP vende livros pela metade do preço
Começa nesta quarta-feira a 11ª edição da Festa do Livro da USP, realizada no prédio de História e Geografia da Universidade de São Paulo.
O atrativo da feira é que todos os livros são vendidos obrigatoriamente pela metade do preço de capa. A universidade informou que estarão presentes 130 editoras.
Os organizadores ficaram de confirmar até sexta passada quem são os expositores. Não o fizeram. Na internet, circulam listas com nomes de editoras, mas sem confirmação oficial.
Nos anos anteriores, foi comum a participação de editoras com quadrinhos no catálogo, caso da Conrad e da Via Lettera. A feira vai até sexta-feira, dia 27. Funciona das 9h às 21h.
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Post postagem (24.11, às 17h02): o site da Edusp divulgou a relação das editoras participantes. Conrad, Via Lettera e Globo se destacam entre as que vendem quadrinhos.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h20
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Registros rápidos
Festa de 20 anos Uma festa nesta segunda-feira, às 19h, marca os 20 anos de criação de Cabeça Oca, de Christie Queiroz. No evento, o autor lança o 11º álbum de tiras do personagem, "O Fabuloso Retorno do Supercabeça Oca". No buffet O Gato de Botas (av. Portugal), em Goiânia.
Umbrella & Pixu Gabriel Bá e Fábio Moon lançam no próximo sábado (28.11) em Curitiba os álbuns "Pixu" e "Umbrella Academy - Suíte do Apocalipse". Será às 18h na loja de quadrinhos Itiban (rua Silva Jardim, 845). As duas obras da Devir estão à venda desde o mês passado.
Sem estilo mangá A Panini começou a vender nas bancas um especial de "Turma da Mônica Jovem". O subtítulo "em estilo mangá", que acompanha a série desde o início, foi substituído por "em cores", diferencial da revista especial. A revista mensal é publicada em preto-e-branco.
Procuram-se tiristas O livro "Central de Tiras", publicado em 2003 pela Via Lettera, terá uma sequência, programada para 2010. Desta vez, a produção será independente. Faoza, que uma vez mais organiza o projeto, está à procura de tiristas. Contato pelo e-mail faoza@faoza.com
Exposição 1 Uma exposição em Belo Horizonte marca os 70 anos de criação de Batman. A abertura é nesta terça-feira, às 19h, com uma palestra. A mostra pode ser visitada até 12 de dezembro na Biblioteca Pública Estadual (Praça da Liberdade, 21).
Exposição 2 "História do Brasil: Proclamação da República" mostra 20 painéis sobre o tema, que será narrado numa revista em quadrinhos da Editora Europa, programada para dezembro. A exposição está na estação República do metrô paulistano e pode ser vista até o dia 30.
Poesia em quadrinhos O desenhista Leandro Dóro fez uma versão quadrinizada do poema "O Morcego", de Augusto dos Anjos. A história está disponível no blog do autor. Dóro planeja dar sequência ao projeto. Ele diz já estar em busca de editora.
Overdose de lançamentos Registro aqui o que havia colocado no Twitter (@blogpauloramos) na semana passada. Preparem-se para uma overdose de bons lançamentos até o final do ano. Fora as surpresas, que sempre surgem.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h26
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22.11.09
Questão da Fuvest confunde tira com charge
Uma tira cômica da série "Calvin e Haroldo", do norte-americano Bill Watterson, foi rotulada como sendo charge em uma das questões de interpretação de texto do vestibular da Fuvest, o maior do país. A prova foi realizada neste domingo.
A questão pedia que os candidatos lessem a "charge" mostrada no início desta postagem. Depois, reforçava: "A charge chama a atenção principalmente para a...".
Cabia aos mais de 128 mil vestibulandos escolher uma das cinco alternativas propostas. Segundo o gabarito oficial, a resposta correta era o item "B":
"expansão do capitalismo monopolista globalizado, que se caracteriza, a partir da II Guerra Mundial, pela busca de condições mais vantajosas para a produção industrial".
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Embora não afete a resposta, o enunciado não é preciso na definição do gênero.
Uma charge é um desenho de humor que dialoga necessariamente com temas do noticiário. Não por acaso, costuma ser publicada nos cadernos de política dos jornais.
A tira, embora também possa usar temas cotidianos, tem formato diferente - o de uma tira - e tem como característica principal a produção de um desfecho inesperado ao final.
A surpresa é que provoca o efeito de humor, como lido no exemplo usado no vestibular.
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A prova da primeira fase da Fuvest usou outras duas tiras, uma de Mafalda e outra de Níquel Náusea, para testes de geografia e biologia, respectivamente.
É a primeira vez que os elaboradores do exame utilizam três tiras numa mesma prova. Até então, o uso do gênero era pontual e se limitava a um caso.
A presença de histórias em quadrinhos nos vestibulares vem ocorrendo há pelo menos 20 anos. Mas o volume de exemplos tem aumentado nos últimos anos.
O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) também tem utilizado gêneros dos quadrinhos em suas questões. Tem havido predomínio de tiras cômicas e de charges.
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A prova da primeira fase da Fuvest está disponível para leitura on-line. Pode ser lida aqui.
Escrito por PAULO RAMOS às 21h29
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Fernando Gonsales recria A Origem das Espécies, de Darwin
A sequência acima faz parte de um releitura bem-humorada do livro "A Origem das Espécies", de Charles Darwin (1809-1882), criador da teoria da seleção natural.
A história foi feita por Fernando Gonsales, autor das tiras de "Níquel Náusea", e está publicada na edição deste domingo do jornal "Folha de S.Paulo".
A releitura aparece no "Mais!", caderno voltado a temas científicos, filosóficos e literários.
Há dois anos, o caderno havia publicado outra história em quadrinhos. Foi uma reportagem sobre um pelotão da Guerra no Iraque, escrita e desenhada por Joe Sacco.
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A história pode ser lida também na versão virtual da Folha, para assinantes do UOL.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h11
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21.11.09
Conrad lança três manhwás. Mau sinal para os mangás
A editora Conrad começou a vender em lojas de quadrinhos nesta virada de semana três novos manhwás, nome dado ao quadrinho coreano.
"Banya", "Gui" e "Dangu" custam R$ 12,90 cada um e serão publicados em quatro, cinco e seis volumes, respectivamente, segundo informações do site da editora.
Pensamento em forma de postagem: é um mau sinal. Indica que a Conrad está mirando os contratos coreanos (nada contra, registre-se), e não os quadrinhos japoneses.
Tradução disso: ficam mais distantes as conclusões de "Battle Royale", "Monster" e "Sanctuary", mangás abandonados pela Conrad e sem sinal concreto de volta.
Escrito por PAULO RAMOS às 15h41
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20.11.09
Álbum traz mais histórias antigas de Luluzinha
"Luluzinha - O Conquistador" é a sétima coletânea com a personagem lançada pela editora Devir
Soa até estranho ler a frase seguinte. Há duas Luluzinhas hoje no mercado editorial brasileiro. Uma mostra a personagem adolescente no traço do mangá, o quadrinho japonês.
A outra, direcionada a lojas de quadrinhos e livrarias, é a menina sapeca de vestido vermelho, a mesma que vive na memória de muitas crianças de ontem, adultos de hoje.
É essa personagem, a original, que tem mais uma coletânea lançada. "Luluzinha - O Conquistador" (120 págs., R$ 23) é o sétimo volume da série publicado pela Devir.
A obra se baseia no material publicado nos Estados Unidos pela editora Dark Horse. A coleção relança, em ordem cronológica, as primeiras histórias da personagem.
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As narrativas curtas deste e dos demais volumes da coleção tomam como ponto de partida as histórias de Luluzinha publicadas na segunda metade da década de 1940.
Foi um momento em que a personagem foi recriada pelo norte-americano John Stanley (1914-1993). Foi ele o idealizador dos colegas que dividem as travessuras com ela.
Apesar de ser o verdadeiro autor da histórias, Stanley era eclipsado pela criadora de Luluzinha, Marjorie Henderson Buell (1904-1993), que assinava apenas Marge.
Ela desenvolveu a personagem em 1935 em uma charge para a revista "The Saturday Evening Post". E manteve o nome no título da revista que era feita por Stanley.
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"Marge´s Lillte Lulu" foi publicada até 1972, quando mudou de nome e de editora. "Little Lulu", o novo título, continuou até 1984.
No Brasil, a personagem foi bastante popular. As histórias dela começaram a ser publicadas em 1955 pela extinta editora de "O Cruzeiro". Lá se manteve até 1972.
Luluzinha migrou então para a Editora Abril. As revistas dela e a de Bolinha foram publicadas de 1974 até 1993, sempre direcionadas a leitor mais jovem.
O ressurgimento dos personagens ocorreu em 2006 com o primeiro álbum da coleção publicada pela Devir. O diferencial é que incluía entre o público-alvo o leitor adulto.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h22
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Mad faz paródia de Crepúsculo (ou melhor, Prepúcio)
Capa da revista de humor com brincadeira sobre o filme "Nua Nova", alusão a "Lua Nova", que estreia nesta sexta-feira
Enquanto um monte de revistas aproveita o burburinho em torno do segundo filme da série "Crepúsculo", que estreia nesta sexta-feira, e estampa na capa os rostos dos protagonistas Robert Pattinson e Kristen Stewart, a "Mad" caminha na contramão.
A edição deste mês da revista de humor (Panini, 44 págs., R$ 6,50) faz uma paródia do longa-metragem que tem tudo para irritar as àvidas fãs da série sobre vampiros.
No lugar de Crepúsculo, Prepúcio. Em vez de "Lua Nova", título deste segundo filme, "Nua Nova". Até a masculinidade do badalado protagonista é questionada.
A revista traz também histórias de humor de artistas nacionais, como tem feito nas últimas edições. Um dos estreantes é Orlandeli, autor das tiras de "Grump".
Escrito por PAULO RAMOS às 10h49
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19.11.09
Um Adão, duas Alines e um seriado no meio
Numa tacada só, as livrarias e lojas especializadas em quadrinhos começaram a vender na última semana duas coletâneas de tiras de Aline publicadas por editoras diferentes.
O apelo dos dois lançamentos é o mesmo: aproveitar a popularidade do seriado homônimo da TV Globo, que adapta para a tela a criação de Adão Iturrusgarai.
Não é por acaso que "Aline + Otto + Pedro" (Devir, 64 págs., R$ 29) divide o título da obra com os dois namorados da personagem. Ambos têm papel de destaque na série.
Um selo no plástico que envolve a capa também explicita o diálogo com o programa de TV: "O quadrinho que deu origem ao seriado da Rede Globo. Para adultos."
***
O cuidado de direcionar a obra para adultos tem a ver com o conteúdo. Não só pelo fato de a personagem ser viciada em sexo.
Além das tiras, o álbum traz uma série de pins-ups da Aline em posições bem provocantes. Explicitamente provocantes. Os desenhos também são reedições.
O diálogo com o leitor adulto é percebido também no título de "Aline - Finalmente Nua!!!" (LP&M, 128 págs. R$ 11), quarto livro de bolso dela pela editora gaúcha.
A tal nudez faz menção a uma série de tiras que mostram o antes, o durante e o depois de Aline ter aceitado fazer fotos sem roupa. Posou para a fictícia "Baby Dolls".
***
As duas coletâneas têm também outro ponto comum. Mostram um momento em que Adão desenhava a série com um traço mais arredondado, abandonado depois.
O triângulo entre os dois álbuns e o seriado, que fez um outro público descobrir quem é Aline, é um dos assuntos da entrevista que o blog fez com o desenhista.
As respostas foram dadas por e-mail direto da Patagônia, na Argentina, onde mora com a esposa e os dois filhos. O caçula, Camilo, acabou de nascer.
Adão comenta também sobre os planos no país vizinho, onde também tem publicado.
***
Blog - As tiras das obras da L&PM e da Devir são de que época? Algum dos livros tem material inédito? Adão Iturrusgarai - As tiras da L&PM seguem a sequência de publicação em jornal [foi publicada na "Folha de S.Paulo]. A edição se restringe em cortar algumas tiras, as mais ruins, as menos engraçadas, as nada geniais. São de 1998, por aí, acho eu, putz, faz tanto tempo... Já o álbum da Devir tem algumas novidades. Tem 16 páginas a mais. Tem cinco páginas por página ao invés de quatro. E uma das séries (Aline - garota de programa) é de publicação mais recente. Esta série (uma das minhas preferidas) é de mais ou menos 2005. Uma vez um rapaz da arte da "Folha de S.Paulo" me disse que essa série fez o maior sucesso lá na redação. As pessoas ficavam todos os dias esperando ansiosamente a "chegada" da Aline. Esta série faz parte de uma fase mais moderna do meu trabalho no qual deixei o pincel redondinho de lado e passei a desenhar mais solto. Uma volta às origens, ao "Iturrusgarai selvagem".
Blog - A seleção do material foi sua ou das editoras? Adão - Minha.
Blog - As duas obras apostam no lado sexy da personagem. A L&PM deu um título que salienta a nudez e a Devir traz pin-ups ainda mais explícitas dela. Será que o recurso não põe as tiras em segundo plano? Adão - Eu dei também os títulos pros álbuns. Foi uma tentativa de atrair milhões de curiosos potenciais compradores do livro. Agora, falando muito sério... a Aline é uma personagem muito sexuada e tem várias séries que tratam do tema "treinamento de procriação". No pocket da L&PM tem a história dela posar nua pra uma revista e no da Devir tem essa série de desenhos que fiz pra revista "Simples". Acho que as tiras não ficam em segundo plano, por que ninguém compra uma revista da Aline pra bater punheta. Só se for um sujeito bastante depravado.
Blog - Foi sua a ideia de desenhar Aline em posições eróticas no álbum da Devir? Adão - Essa série saiu na revista "Simples". O Ale Fajardo (editor) me encontrou na rua e me disse: "por que você não faz um ensaio da Aline nua pra revista?" Eu tava cheio de trabalho na época e desconversei. Mas depois valeu a pena o esforço. Adoro esses desenhos. Ela acabou saindo na capa como se fosse um ensaio de revista de mulher pelada. Agora, escrevendo estas linhas, acho que na época eu devia estar fazendo a série da Aline querendo posar nua pruma revista, talvez por isso o convite. Possivelmente. Seguro.
Blog - Duas editoras diferentes publicam a mesma personagem. Não há problemas de concorrência entre elas? Adão - Acho que os formatos se complementam. O pocket é fundamental para o leitor brasileiro. Por causa do preço e tal. E o álbum tem a qualidade (e cor) que o pocket não tem.
Blog - Houve uma espécie de renascimento de Aline por conta da série da Globo. Você já sentiu se, por causa disso, há algum interesse de novos leitores para as suas tiras? Adão - Sim. No meu blog tem um monte de gente que está entrando. Gente que não conhecia o meu trabalho no papel mas que a Globo popularizou. O legal é que elas acabam conhecendo mais coisas do meu trabalho, outros personagens e tal. O lado mais selvagem, digamos.
Blog - Você havia falado bem do piloto da série, exibido em dezembro do ano passado. Você chegou a assistir aos primeiros episódios? O que achou? Adão - Eu achei legal. Tenho uma preferência pelos episódios da separação dos pais dela. Eu acho que eles fizeram uma ótima adaptação televisiva da personagem. Mas é uma adaptação. São coisas meio diferentes.
Blog - Novidades profissionais, tanto aqui no Brasil quanto na Argentina? Adão - Estou contactando editoras aqui para começar a publicar coisas em espanhol. Na argentina, continuo publicando na revista "Fierro". Eles estão abrindo cada vez mais páginas pra mim. Comecei com meia e na próxima edição me reservaram três. Se continuar nesse ritmo, em 10 anos a "Fierro" vai trocar de slogan. Vai ser algo assim: FIERRO, LA HISTORIETA DE ITURRUSGARAI.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h26
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18.11.09
Concentração de lançamentos em São Paulo, Rio e Curitiba
São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba vão sediar diferentes lançamentos nos próximos dias. A maratona de autógrafos começa já nesta quinta-feira e continua até domingo.
André Diniz e José Aguiar fazem um lançamento curitibano de "Ato 5" nesta quinta, às 19h, na Itiban (av. Silva Jardim, 845). A obra começou a ser vendida no mês passado no FIQ "Festival Internacional de Quadrinhos", realizado em Belo Horizonte.
Tmabém em Curitiba, mas no sábado, às 20h, os autores da "Quadrinhópole" autografam o oitavo número da revista na Era Só o Que Faltava (av. República Argentina, 1.334).
No dia seguinte, domingo, a partir das 16h, o grupo da "Beleléu" lança o álbum na Livraria da Travessa de Ipanema (av. Visconde de Pirajá, 572), no Rio de Janeiro.
***
Em São Paulo, vai haver três sessões de autógrafos também no final da semana.
Allan Sieber faz sessão de autógrafos da coletânea "É Tudo Mais ou Menos Verdade - Jornalismo Investigativo, Tendencioso e Ficcional de Allan Siber", à venda desde setembro. Na sexta-feira, a partir das 19h30, na HQMix Noir Livraria (rua Augusta, 331).
No sábado, no mesmo horário, os autores de "Celularidades" fazem um lançamento da obra, que reúne cartuns sobre situações vividas com os telefones móveis. Na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142).
Também no sábado, mas um pouquinho antes, às 17h, os autores dos novos números de "Sideralman", "Nanquim Descartável", "Humor em Quadrinhos" e, uma vez mais, "Quadrinhópole" autografam as revistas no sebo Multiverso (rua Cardeal Arcoverde, 422).
Escrito por PAULO RAMOS às 22h51
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17.11.09
Mauricio emite nota sobre homossexualismo em revista de Tina
Este blog optou por não noticiar a alusão a um relacionamento homossexual na história "O Triângulo da Confusão", publicada no sexto número da revista "Tina", à venda nas bancas.
O critério jornalístico que pautou a decisão: dar visibilidade à cena seria criar uma falsa polêmica e poderia alimentar um preconceito que, na verdade, não deveria existir.
Não se nega, no entanto, a curiosidade do caso, produzido pelos Estúdios Mauricio de Sousa. Foi o que possivelmente pautou outros colegas, que noticiaram a trama.
Agora, quando Mauricio de Sousa emite uma nota à imprensa "para esclarecer alguns pontos", a situação muda. Haver a necessidade de o empresário se pronunciar sobre o assunto é sinal de que houve intolerância. Isso, sim, é algo que deve ser noticiado.
***
A nota emitida na tarde desta terça-feira procura desvincular a revista das demais da Turma da Mônica, voltadas ao público infantil. Segundo o texto, creditado a Mauricio, "Tina" é destinada a um público "adulto jovem".
Outro cuidado da nota foi o de não afirmar categoricamente que o personagem Caio, alvo da suposta polêmica, seja gay.
"Não há qualquer afirmação sobre a sexualidade deste ou daquele personagem", diz.
"Lida a história, feita a interpretação, daí, sim, comentários e críticas poderão ajudar no sentido de falarmos a língua de uma sociedade esclarecida."
***
Na história, a amizade dos personagens Tina e Caio gera ciúmes no namorado dela. A situação se resolve no diálogo desta cena:
Não há uma afirmação explícita de que Caio seja gay. A homossexualidade fica sugerida.
***
A nota emitida por Mauricio de Sousa encerra registrando que o tema aparece em outras mídias. E que deve ser abordado em uma publicação voltada a um leitor não infantil.
"Vale ressaltar que publicações dirigidas a faixas de público com idades diferenciadas podem – e devem – tratar de quaisquer assuntos de maneira adequada ao seu leitor", diz, na nota.
"Mas uma posição vai se manter em TODAS as nossas produções: o respeito pelo ser humano, pela pessoa, e a elegância no trato de qualquer tema."
O tom da nota dá a entender que se repete a visão de que quadrinhos sejam voltados só ao leitor infantil. Foi o que pautou, também neste ano, polêmicas envolvendo sobre envio a escolas de obras em quadrinhos adultas, como as de Will Eisner, vistas com cunho sexual.
Escrito por PAULO RAMOS às 22h37
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Novo álbum de Asterix prioriza homenagem e esquece aventura
"O Aniversário de Asterix & Obelix - O Livro de Ouro" marca os 50 anos de criação da série francesa
Uma das marcas dos álbuns de Asterix é estamparem no título o tema da aventura vivida pelo corajoso gaulês e seu parceiro Obelix. Ironicamente, a obra que comemora os 50 anos de criação do personagem deixa de lado justamente essa característica da série francesa.
"O Aniversário de Asterix & Obelix - O Livro de Ouro" (Record, 56 págs., R$ 25,90) abandona a narrativa temática e divide a história em pílulas de homenagens. É o que une os diferentes momentos desenhados, apresentados de forma fragmentada ao leitor.
O álbum começa, por exemplo, imaginando como seriam os gauleses se tivessem envelhecido nesses 50 anos. A ideia, depois, é abandonada após um encontro com Albert Uderzo, um dos criadores da série e autor deste álbum.
A partir daí, tem início uma sucessão de homenagens isoladas, com algumas referências a personagens secundários que apareceram nos outros 42 livros da coleção, todos já publicados no Brasil.
***
Este álbum chegou às livrarias brasileiras na última semana, um mês depois de ser lançado na França e em outros países. A escolha da data não foi aleatória. Foi em outubro de 1959 a estreia da primeira aventura de Asterix.
A história inaugural começou a ser publicada na revista "Pilote". Foi escrita pelos criadores da série, os franceses René Goscinny e Albert Uderzo. Goscinny, responsável pelos textos, morreu 18 anos depois.
O parceiro passou a assumir também a escrita da série desde então. Costuma-se dizer que essa nova fase teve uma sensível perda de qualidade nos roteiros.
Mesmo com as críticas, os álbuns continuaram a ser produzidos com sucesso, dentro e fora da França. Algumas das histórias foram adaptadas em filmes e animações.
***
O sucesso da série esteve muito pautado no carisma da dupla central, Asterix e o gorducho Obelix, e na criatividade dos desenhos e dos roteiros. A estrutura inicial criada por Goscinny foi tão marcante que permaneceu após sua morte.
Essa estrutura tinha como marca uma aventura que pautava a ação dos gauleses. Característica que se perdeu neste álbum comemorativo.
Priorizar as homenagens a Asterix e Obelix tornou este "livro de ouro" um estrangeiro em meios aos demais. Ou, nos termos da série, um romano dentro da vila dos gauleses.
Asterix é o principal personagem do quadrinho francês e um dos principais do mundo. Dada a importância, merecia comemoração à altura, o que este álbum não faz. Nas homenagens de 50 anos marcadas neste 2009, o nosso Mauricio de Sousa se deu melhor.
Escrito por PAULO RAMOS às 12h43
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15.11.09
Concurso da Pixel prevê cessão de imagem e de direitos autorais
Seleção é para escolher música para ser usada na revista "Luluzinha Teen e Sua Turma"
A Pixel, selo do grupo Ediouro, promove um concurso para escolher uma música para ser usada na revista "Luluzinha Teen e Sua Turma". Pelas regras estipuladas pela editora, o vencedor cede os direitos à empresa. Em troca, tem a letra usada na publicação.
De acordo com o regulamento, os vencedores "cedem, de forma gratuita, definitiva e irrevogável, os direitos autorais patrimoniais sobre suas músicas, sem limitação de território, tornando-se de posse da Ediouro, que poderá utilizá-los como melhor lhe aprouver, com a devida indicação dos créditos".
Outro item do texto estipula que o ganhador não exigirá "qualquer remuneração sobre a utilização de sua música" na revista. E também autoriza o uso de sua imagem e voz.
"Os participantes concordam em autorizar o uso de suas imagens, som de voz, nomes e principalmente das músicas enviadas, em filmes, vídeos, fotos e cartazetes, anúncios em jornais e revistas para divulgação de sua participação e/ou contemplação neste concurso, sem nenhum ônus para a Ediouro ou seus parceiros."
***
O concurso recebe propostas até o dia 16 de dezembro. As cinco músicas mais votadas vão para a final. Até o momento em que escrevo esta postagem, há 14 inscritas.
A seleção é para escolher uma música para a Banda Loki. Um dos integrantes é Bola, nome adotado por Bolinha na versão adolescente narrada na revista.
A publicação, produzida por autores brasileiros, mostra os personagens da turma da Luluzinha já crescidos, a exemplo do que foi feito também com a Turma da Mônica.
A revista foi lançada neste ano e está no sexto número. Desde a estreia, o projeto usa a revista como plataforma para interação virtual. A editora criou até um blog para Lulu.
***
A "Piauí" promoveu - e ainda promove - concurso com regulamento semelhante. O vencedor ganha uma estátua de porcelana. A revista fica com o desenho e seu uso.
Leia mais sobre o concurso da "Piauí", vencido por Spacca, nas duas postagens abaixo.
***
Nota: agradeço ao leitor Pablo Moreira pelo registro deste concurso da Pixel.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h15
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13.11.09
Associação dos Cartunistas critica concurso de desenho da Piauí
A ACB (Associação dos Cartunistas do Brasil) disse hoje que o concurso de desenho mantido pela revista "Piauí" é, aspas, "pouco honroso para uma publicação desse porte".
A declaração consta de uma nota, emitida por conta do concurso promovido pela revista "Piauí" e noticiado pelo blog nesta sexta-feira.
A publicação oferece ao vencedor uma estátua de porcelana do pinguim-símbolo da revista e, em troca, usa o desenhos em suas páginas.
O premiado da edição deste mês, nas bancas, foi o quadrinista Spacca. A charge dele, publicada na revista, critica justamente os crítérios usados pelo concurso.
***
O texto da ACB é assinado pelo presidente da instituição, o jornalista e desenhista José Alberto Lovetro, o JAL. Leia a íntegra da nota:
Qual a função de um concurso de cartuns? Do lado do desenhista, é tentar ganhar um prêmio e reconhecimento. Do lado dos organizadores, é revelar novos autores e dar espaço para a arte do humor gráfico aos cartunistas profissionais. Esse "acordo de risco" só é válido se há um prêmio que valorize quem ganhou, já que todos os outros não ganharão nada mesmo.
Sobre o concurso da revista "Piauí" para desenhistas, que dá como prêmio um pinguim de porcelana, acho pouco honroso para uma publicação desse porte e importância.
De um lado, abrem espaço para desenhistas como Angeli com uma relação profissional que brinda os leitores da revista. De outro, desvalorizam o trabalho não pagando um prêmio justo a um vencedor, passando a ideia de que um cartum vale um pinguim. Bastava um contato com qualquer empresa que fabrica netbook, por exemplo, para garantir um prêmio que sairia de graça para a editora e quase nada para o fabricante.
Peço que a "Piauí" reveja esse detalhe e terá, com certeza, mais participantes com melhores trabalhos. Quem realmente se sentirá premiado é o leitor da revista. Aí todos ganham.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h38
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Piauí publica charge com crítica a concurso da revista
Desenho foi feito por Spacca e aparece na edição deste mês da publicação
O pinguim-símbolo da "Piauí" foi usado para dar uma cutucada em um concurso de desenhos promovido pela própria revista. A charge foi publicada na edição deste mês.
O trabalho, feito por Spacca, aparece discretamente no alto da página 77. Mostra o pinguim dando peixe a desenhistas, como em apresentações com animais aquáticos.
A charge faz alusão às regras do concurso. A "Piauí" dá como prêmio a publicação nas páginas da revista e uma estátua do pinguim de porcelana. Em troca, usa o desenho.
A "Piauí" registrou a crítica em um texto que acompanhava o trabalho de humor. E incluiu um agradecimento ao autor: "Obrigadão, Spacca!".
***
A revista já renovou o convite para uma nova rodada de desenhos do concurso, intitulado "Traços e Rabiscos". As inscrições vão até o dia 20 deste mês. O prêmio é o mesmo.
Spacca planeja ir ao escritório comercial da revista, em São Paulo, para retirar o seu pinguim de porcelana. Foi lá que indicaram a ele para pegar a estátua.
Antes que o próximo vencedor seja escolhido, o desenhista conversou por e-mail com o blog sobre o que pensa das regras do concurso e o que o levou a se inscrever.
"Queria que eles tomassem conhecimento", diz Spacca, que publicou por anos na "Folha de S.Paulo" e hoje tem se dedicado à criação de quadrinhos para a Companhia das Letras.
***
Blog - Foi uma surpresa ver que seu desenho - uma crítica ao concurso - foi escolhido pela revista para ser publicado? Spacca - Surpresa foi, porque eu não tinha visto meu desenho no site da "Piauí" entre os selecionados, mas não totalmente inesperado. O normal é que os órgãos mais importantes ou visíveis, poderosos ou cult, ignorem solenemente. Havia, porém, a possibilidade de a "Piauí "ser mais descolada e, pelo menos, selecionar também os cartuns críticos. Foi um teste para a "Piauí".
Blog - Por que você decidiu inscrever o desenho na publicação? Spacca - Quando criei, fiz muito rápido, achei o desenho bem sacado. Gostei inclusive da solução gráfica, que não costumava usar, que usa recursos do Angeli: fazer uma base de tons em preto e cinza, e colorir por cima. Mesmo os desenhistas nadando têm um olho de peixe morto que o Angeli gosta. E, quando um desenho fica bom, dá "cosquinha", a gente quer mostrar a molecagem que acabou de fazer enquanto está quente, dá um assanhamento. Imediatamente, mandei para a lista dos ilustradores da SIB [Sociedade dos Ilustradores do Brasil], que frequento todo dia. Quando alguns me sugeriram mandar para o concurso, eu já havia tomado a decisão de enviar. Pelo mesmo motivo: queria que eles tomassem conhecimento. Quando fazia charge na Folha, é óbvio que eu queria que os políticos vissem as charges que os criticavam.
Blog - Seu desenho é eloquente e já responde, mas a pergunta é necessária: como você avalia concursos como esses feitos pela "Piauí"? Spacca - Meu desenho pega um concurso apresentado como bacana, uma chance de ficar famoso, e subverte, mostra uma proposta meio humilhante. Mas é preciso considerar que a "Piauí" contrata ilustradores e, segundo me disseram, paga direitinho. A charge na verdade se aplica mais a concursos feitos por empresas de grande porte, para ter à sua disposição designers e ilustradores supostamente ávidos para trabalhar em troca de divulgação. E eu também não gosto de patrulhar colega: quer colaborar de graça, colabore. A revista "Bundas", do Ziraldo, fez muito isso e ninguém chiou. O José Simão recebe colaboração de muita gente.
Blog - O fato de servir como janela para o desenhista, mesmo que sem prêmio em dinheiro, não é um recurso válido? Spacca - É uma tendência do novato querer aparecer de qualquer jeito. Se bobear. o sujeito até pagaria por isso, especialmente se for jovem, solteiro e se não tiver contas pra pagar. E as mídias mais famosas se aproveitam, exploram. Porém, o profissional uma hora precisa parar com isso. Senão, ele vai divulgar para o próximo cliente, que também vai oferecer divulgação em troca... Onde acaba isso? O desenhista vive de brisa? Por outro lado (minhas respostas sempre têm outro lado...), reconheço o valor da divulgação. Por exemplo, já dei entrevistas em programas de TV, onde me pediram para fazer caricatura de um outro entrevistado. Fazendo isso, fiquei mais uns minutos no ar e vendi mais o meu peixe. Recentemente, no programa do João Gordo, ele entrevistando o compositor Arlindo Cruz, viu na casa dele essa caricatura, e eles falaram de mim. Então esse troço rende, repercute. Dentro de certos limites, a troca é proveitosa para os dois lados.
Blog - Mesmo com a crítica vindo de um quadrinista de destaque, a revista vai repetir o concurso. A cutucada não funcionou, a seu ver? Spacca - Não quis, nem quero impedir o concurso. Seria atribuir muito poder à charge se eu achasse que a "Piauí", vendo, botasse a "mão na consciência" e viesse a público pedir desculpas, se retratar... E seria muito sem graça também. O que eles fizeram foi muito mais inteligente e elegante, souberam absorver o impacto, e estava dentro das possibilidades que eu antevia. E estamos nos promovendo mutuamente, não é? Isso vale um peixinho :)
Escrito por PAULO RAMOS às 06h26
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12.11.09
Fernando Gonsales faz lançamento dos lançamentos em São Paulo
O mote é o lançamento de "Níquel Náusea - Um Tigre, Dois Tigres, Três Tigres", nona coletânea da série publicada pela editora Devir (48 págs., R$ 26).
Mas o álbum vai dividir o estrelato da noite desta sexta-feira, em São Paulo, com todos os outros livros e revistas publicados por Fernando Gonsales, o autor das tiras cômicas.
A proposta do desenhista é autografar não só o novo trabalho, mas também todas as outras obras de "Níquel Náusea" publicadas ao longo dos 24 anos da série.
A maior parte dos álbuns foi lançada pela Devir. Houve outras duas coletâneas, pela Circo e pela Bookmarkers. E uma revista, que circulou entre 1988 e 1996, com 25 números.
***
A nova coletânea da série começou a ser vendida na virada do mês. Saiba mais neste link.
***
Serviço - Lançamento de "Níquel Náusea - Um Tigre, Dois Tigres, Três Tigres" e autógrafo de outras obras. Quando: sexta-feira (13.11). Horário: 19h30. Onde: HQMix Noir Livraria. Endereço: rua Augusta, 331, São Paulo.
Escrito por PAULO RAMOS às 19h12
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11.11.09
Obras ajudam a criar cenário atual do quadrinho alemão
"Panorama dos Quadrinhos Contemporâneos na Alemanha" traduz histórias de 18 autores do país europeu
Vivem-se dias propícios para conhecer um pouco mais sobre os quadrinhos alemães. Editoras diferentes publicaram no intervalo de um mês duas obras com trabalhos de autores do país europeu.
Nos dois casos, são produções contemporâneas inéditas, que ajudam a preencher, ao menos parcialmente, o vácuo de publicações europeias aqui no Brasil.
"Panorama dos Quadrinhos Contemporâneos na Alemanha" (Emcomum, 200 págs., R$ 15) reúne histórias de 18 quadrinistas da Alemanha.
A outra obra é "Johnny Cash - Uma Biografia" (8 Inverso, 224 págs., R$ 44). O álbum narra a vida e a obra do cantor norte-americano e foi feito pelo alemão Reinhard Kleist.
***
A história da concepção de "Panorama dos Quadrinhos Contemporâneos na Alemanha" é tão curiosa quanto a obra em si.
O projeto surgiu em uma disciplina sobre charges, cartuns e quadrinhos alemães ministrada no curso de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais no primeiro semestre.
Coube aos 17 estudantes da matéria a tarefa de verter para o português as histórias em quadrinhos. Foi o cerne para gestar o livro.
A orientação e coordenação das traduções coube ao professor responsável, o alemão Georg Wink, que também assina a organização do álbum.
***
Wink explica no texto de introdução da obra que vê nos quadrinhos um forte aliado no processo de aprendizado de línguas estrangeiras.
Diz que as histórias de Henfil e as revistas da extinta Circo Editorial - que publicava "Chiclete com Banana", "Geraldão", "Piratas do Tietê - o ajudaram muito a compreender melhor o português.
"O efeito didático do aprendizado através dos quadrinhos é evidente e não é nenhuma novidade: a imagem permite a imediata criação de uma hipótese sobre o texto", escreve, na introdução.
"Aprende-se por enunciações contextualizadas, não por regras gramaticais ou listas de palavras", completa.
***
O resultado dos trabalhos com os alunos, lançado em livro nesta semana, procura dar ao leitor brasileiro um cenário da ainda desconhecida produção contemporânea de quadrinhos da Alemanha.
Por isso, pelo desconhecimento, o nomes dos 18 autores ainda dizem pouco ao leitor daqui. Mas a proposta é que a obra sirva, ao menos, de ponto de partida.
Esse cuidado de fazer as honras da apresentação entre quadrinistas e leitor permeia todo a obra. Cada bloco de histórias é antecedido por uma curta biografia do desenhista a ser visto nas páginas seguintes.
Em comum, as narrativas têm o humor como fio condutor. Reflexo de Wink, que demonstra uma declarada predileção por tais produções.
Biografia em quadrinhos do cantor Johnny Cash foi escrita e desenhada pelo alemão Reinhard Kleist
O alemão Reinhard Kleist, autor da biografia de Johnny Cash, somava o coro dos nomes desconhecidos entre os leitores daqui até poucos semanas atrás.
Ele reduziu o involuntário distanciamento ao seu trabalho após participar do 6º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), realizado no mês passado em Belo Horizonte (MG).
No dia 7 de outubro, Kleist fez uma oficina e participou de uma mesa redonda justamento sobre os quadrinhos alemães.
A biografia do cantor norte-americano (1932-2003) coincidiu com a vinda dele ao Brasil.
***
A exemplo da outra obra, os bastidores da gestação deste álbum se equiparam ao conteúdo. Quem o descobriu foi o tradutor, o jornalista Augusto Paim, em visita à Alemanha.
No país europeu, soube que "Johnny Cash: Uma Biografia" havia sido premiado por lá.
Publicada em 2006, recebeu o "Max und Moritz", principal premiação alemã de quadrinhos, e menções em feiras de livros.
No Brasil, a obra inaugurou a linha de quadrinhos da novata 8 Inverso, de Porto Alegre.
***
As páginas da obra narram a trajetória do cantor, da infância na fazenda, vivida no interior dos Estados Unidos, à conquista da carreira musical e da fama.
Os principais momentos da carreira dele são pontuados com os dramas pessoais, como o envolvimento com drogas e a relação com a também cantora e, depois, sua esposa June Carter (1929-2003).
Kleist prepara outra biografia, a do líder cubano Fidel Castro. A obra está programada para o ano que vem.
O contato com a cultura cubana, vista in loco, rendeu o álbum "Havana", um diário de viagem sobre o que presenciou no país. A obra já foi publicada na Alemanha.
***
A vinda de Kleist ao Brasil serviu também para que ele se torne mais conhecido entre os editores daqui. Até o momento, pelo menos, não se tem notícia se a visita algum outro fruto.
Mas já se colhem resultados destes dois livros, o de Kleist e o organizado por Georgs Wink. Eles passam a compor a limitada estante de títulos alemães publicados pelas bandas de cá.
Soma-se às exceções, como os três álbuns de Ralf König publicados pela Via Lettera, o último no ano passado. E, claro, a Juca e Chico, do alemão Wilhelm Busch, um dos primeiros quadrinhos do mundo.
Outro ponto em comum entre as duas obras. Não por acaso o nome dos dois garotos, Max e Moritz, intitula o prêmio alemão recebido por Kleist. Homenagem reprisada na capa de "Panorama dos Quadrinhos Contemporâneos na Alemanha". São os rostos deles lá.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h09
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08.11.09
Uma história que merece registro
Faz algumas segundas-feiras que o "Folhateen", caderno jovem do jornal "Folha de S.Paulo", publicou esta história em quadrinhos de Laerte.
Esperei que ele inserisse a narrativa em seu blog - intitulado "Manual do Minotauro - para reproduzi-la também aqui. É daquelas inspiradas, que merecem registro.
Escrito por PAULO RAMOS às 14h39
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06.11.09
Lourenço Mutarelli planeja volta aos quadrinhos
Quem deu a primeira dica foi o próprio Lourenço Mutarelli, há um mês. Planejava uma volta ao quadrinhos. O retorno tinha sido motivado por um convite e "por uma grana".
A informação aparecia nos dois parágrafos finais de uma reportagem sobre ele publicada no jornal "Folha de S.Paulo" no começo do mês passado.
Na época, o blog tentou checar a informação com a Devir, que publicou seus álbuns, e com a Companhia das Letras, de seus romances. Nenhuma das editoras confirmou.
Quem destrinchou o nó foi o jornalista Gonçalo Júnior, em texto veiculado nesta semana no site "Bigorna". Mutarelli já tem imaginou a obra e sabe a quem vai oferecer.
***
Segundo a matéria de Gonçalo Júnior, Mutarelli vai apresentar o projeto ao Escritório RT. Se aprovado, começa a busca por uma editora.
A empresa fica com os direitos de adaptação para outras mídias, como o cinema, outra praia de Mutarelli.
"O Cheiro do Ralo", um de seus livros, foi levado à tela grande com boa repercussão. Ele também atua como o protagonista de "O Natimorto", outro romance que virou longa.
"O Natimorto" foi relançado em outubro pela Companhia das Letras, editora dos romances dele. O último inédito, "Miguel e os Demônios", também foi lançado no mês passado.
***
O novo projeto em quadrinhos não tem nome. Tem apenas a ideia: a "decadência física e humana de uma pessoa". Pelas declarações dele, parece empolgado com a volta.
"Estou amadurecendo essa história há muito tempo e voltei a sentir a mesma empolgação do passado para fazer Quadrinhos. Daí minha decisão de voltar", disse ao "Bigorna".
Mutarelli deixou os quadrinhos há cinco anos. Dizia, então, que não retornaria à área. Um dos motivos é que conseguia com os romances repercussão maior com esforço menor.
Apesar da declaração, ele tem ensaiado voltas. Uma delas pode ser lida há poucos meses na "Piauí". Mutarelli desenhou para a revista um diário de sua vida.
***
Mutarelli desenha quadrinhos desde o final da década de 1980. Primeiro, de forma independente. Anos depois, vinculado à editora Devir, de São Paulo.
Foi pela Devir que saíram seus principais trabalhos na área. Foram nove álbuns. Os de maior repercussão foram os da trilogia em quatro partes do Detetive Diomedes.
O último trabalho pela editora foi o autobiográfico "A Caixa de Areia ou Era Dois em Meu Quintal". Desde então, ele tem priorizado os romances para a Companhia das Letras.
Mutarelli é um dos escritores contemporâneos de maior destaque hoje no país. Poucos sabem que ele era quadrinista. Não deixa de ser curioso ver seus atuais leitores migrarem para um álbum em quadrinhos dele. Como seria a recepção? A mesma de seus romances?
Escrito por PAULO RAMOS às 15h31
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Nova edição da Graffiti tem lançamento hoje em São Paulo
Capa aberta da revista, que dedica este número a histórias sobre mulheres
O vigésimo número da revista mineira "Graffiti 76% Quadrinhos" tem lançamento nesta sexta-feira à noite em São Paulo. Esta edição é toda dedicada às mulheres. As 23 histórias foram produzidas por quadrinistas brasileiros e de outros países.
A publicação independente é produzida com verba de incentivo cultural. O dinheiro permitiu que o grupo desenvolvesse também uma coleção de álbuns em quadrinhos.
O quarto e mais recente deles, "Saída 3", de Guga Schultze, também terá sessão de autógrafos hoje, no mesmo local. A obra começou a ser vendida no mês passado.
A noite de lançamentos terá ainda autógrafos de "Breganejo Blues - Romance Trezoitão", de Bruno Azevêdo. O livro mescla a narrativa com trechos de histórias de Tex.
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Serviço - Lançamentos de "Graffiti 76% Quadrinhos", "Saída 3" e "Breganejo Blues - Romance Trezoitão". Quando: hoje (06.11). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, São Paulo.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h11
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04.11.09
Livro com primeiras tiras de Snoopy tem lançamento nesta semana
"Peanuts Completo" reúne tiras da série norte-americana em ordem cronológica
Esta é a primeira tira de "Peanuts", que tinha como personagens Snoopy e Charlie Brown.
A primeira aparição de Snoopy ocorreu na terceira tira da série norte-americana:
Só alguns dias depois, Snoopy iria encontrar seu dono, Charlie Brown:
O passeio histórico pelos primeiros dias da série criada peplo norte-americano Charles M. Schulz (1922-2000) é o convite que faz o livro inaugural da coleção "Peanuts Completo". A obra chega às livrarias até o fim desta semana (L&PM, 360 págs., R$ 68).
O álbum reúne as tiras publicadas entre 1950, ano de criação dos personagens, e 1952. A L&PM programa outros dois volumes para 2010.
A coleção reproduz em português a versão lançada nos Estados Unidos pela editora Fantagraphics. No exterior, a série já chegou às tiras da década de 1970.
A L&PM incluía a estreia da coleção nos planos para este semestre, como já havia sido informado aqui no blog. Faltava apenas a confirmação da data de comercialização da obra.
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"Complete Peanuts", nome original da coleção, é a mais ousada compilação de tiras criadas por Schulz. O diferencial está na retomada da série desde o início.
A obra, anunciada pela L&PM há alguns meses, dá um novo formato à forma como a série vinha sendo lançada no Brasil.
A editora gaúcha, que vinha publicando Snoopy, lançava as tiras em edições de bolso, com material mais recente. Foram lançados oito volumes.
Snoopy e companhia já foram tema de diferentes livros e revistas no Brasil. Os personagens já passaram por uma gama de publicações, em geral com o mesmo tratamento editorial.
***
As histórias de Charles M. Schultz estrearam nos jornais norte-americanos em 2 de outubro de 1950. Não demorou para dizerem a que vieram.
A novidade eram os questionamentos infantis de temas filosóficos e próprios dos adultos. Estes, contraditoriamente, não apareciam explicitamente.
O tema e os recursos gráficos - tendência de eliminação dos cenários de fundo, pondo os personagens no foco - tiveram influência nas tiras criadas nos anos seguintes, tanto nos Estados Unidos quanto na América Latina.
A série saiu dos quadrinhos e se tornou uma rentável franquia, existente até hoje. A última tira foi publicada em 13 de fevereiro de 2000 e trazia um texto de agradecimento e de despedida assinado pelo autor.
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Esta é a segunda reunião de tiras lançada pela L&PM neste ano. Publicou também um álbum com histórias de "Garfield", mas sem o mesmo cuidado editorial.
"Garfield Série Ouro" fazia uma compilação do que havia sido publicado nas edições de bolso da editora, e fora da ordem cronológica.
As duas coletâneas de tiras se inserem num novo momento da editora gaúcha. A L&PM tem dividido os lançamentos de quadrinhos entre os livros de bolso e obras em formato maior, estratégia que ganhou mais visibilidade neste ano.
O novo tamanho faz a editora reingressar num mercado em que foi forte na década de 1980 e início da seguinte, o de álbuns em quadrinhos voltados às livrarias.
Escrito por PAULO RAMOS às 20h33
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Novas séries pautam estreia da revista Vertigo
Publicação da Panini começou a ser vendida nesta semana em bancas paulistas e traz quatro séries inéditas
A linha Vertigo ganha mais uma vez uma revista mensal no Brasil. Programada inicialmente para o fim do mês passado, a publicação homônima começou a ser vendida nesta semana em bancas paulistas (Panini, 132 págs., R$ 9,90).
O título se pauta em novas séries da Vertigo, selo adulto da editora DC Comics. Das cinco histórias deste primeiro número, quatro são inéditas.
Duas são baseadas em criações de Neil Gaiman. "A Tessalíada" dá sequência à personagem poderosa surgida nas páginas de "Sandman", escrita pelo autor inglês.
A série agora tem texto de Bill Willingham - mesmo autor de "Fábulas", também da Vertigo - e começa com uma perseguição à protagonista. A série terá quatro capítulos.
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A outra série baseada em Gaiman é "Lugar Nenhum" e também é uma minissérie. No caso, em nove partes. Como a editora define, é uma adaptação da adaptação da adaptação.
Explicação: a série verte para os quadrinhos a leitura feita para a TV baseada no romance do escritor. Nos quadrinhos, mostra um inglês comum, Richard Mayhew, às voltas com uma enigmática e poderosa mulher, Porta.
As outras duas séries novas, "Escalpo" e "Vikings" não tem nada de Gaiman. Destoam inclusive no tema.
A primeira se passa numa reserva indígena dominada por um líder corrupto. A segunda mostra o navegante Sven, que retorna à terra onde nasceu para reclamar uma herança.
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A quinta série de "Vertigo" é "Hellblazer", que mostra as aventuras místicas vividas pelo inglês John Constantine. É ele que aparece na capa da revista. Na história, ele investiga estranhos comportamentos no prédio onde mora sua irmã.
"Hellblazer" é um dos títulos mais tradicionais do selo nos Estados Unidos. Também por aqui. É o ponto que une as diferentes tentativas da Vertigo em uma revista mensal.
O nome "Vertigo" já havia sido usado em um título com proposta semelhante publicado pela Abril entre 1995 e 1996, época em que a editora detinha os direitos do selo.
John Constantine esteve presente também na revista mensal "Pixel Magazine", entre 2007 e 2008. A Pixel, selo da Ediouro, foi a última a publicar a Vertigo, até romper o contrato.
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Apesar de as três experiências de revista mensal serem semelhantes, a comparação mais próxima é mesmo com a "Pixel Magazine", a mais recente na memória dos leitores.
Pondo as duas lado a lado, esta nova revista leva vantagem: 32 páginas a mais por um real a menos. O papel, registre-se, é o mesmo das revistas de super-heróis da Panini.
A multinacional estreou a linha Vertigo no mês passado com dois encadernados: "Y - O Último Homem" e "ZDM". As duas eram publicadas pela Pixel e foram reiniciadas.
A Panini programa lançar também encadernados de "Fábulas" e de "Preacher" do ponto onde as séries haviam parado. E, para 2010, álbuns de "Sandman" e "100 Balas".
Escrito por PAULO RAMOS às 11h49
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Trechos de Tex pontuam narrativa de romance policial
"Breganejo Blues - Narrativa Trezoitão", de Bruno Azevêdo, terá lançamentos nesta semana em três cidades
Cenas de histórias de Tex pontuam o romance policial "Breganejo Blues - Novela Trezoitão", livro que terá três lançamentos nesta semana em São Paulo, Rio e Brasília.
Trechos das aventuras são usados entre os capítulos do livro. A obra, escrita por Bruno Azevêdo, também usa o mesmo da revista do personagem criado na Itália.
As cenas do faroeste são apenas um dos gêneros usados no livro, que integrou a lista de novidades do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), realizado no mês passado.
Os capítulos são alternados também por publicidades de revistas em quadrinhos da década de 1970. Uma mescla intencional, usada como uma das marcas do romance.
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A mistura do livro não é apenas de gêneros. As situações criadas por Azevêdo vão de música brega ao necessário mistério pautado na obra.
A obra foi produzida em duas versões. Uma, virtual, está disponível no site de livros virtuais "Mojo Books" (link). Pode ser lida de graça mediante cadastro prévio.
Outra forma é a impressa, com algumas diferenças. Uma delas é a capa, mostrada nesta postagem. A arte foi feita por Júlio Shimamoto, veterano desenhista de quadrinhos.
Maranhense formado em história, Azevêdo tem pelo menos mais um livro na gaveta, também com mescla de gêneros. Paralelamente, produz roteiros de quadrinhos.
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Serviço - Lançamentos de "Breganejo Blues - Novela Trezoitão". Preço sugerido: R$ 15. Hoje (04.11). Cidade: Brasília. Horário: 18h. Onde: Café com Vinil. Endereço: 413 Norte, Bloco E. Quinta-feira (05.11). Cidade: Rio de Janeiro. Horário: 20h. Onde: La Cucaracha. Endereço: rua Teixeira de Melo, 31, em Ipanema. Sexta-feira (06.11). Cidade: São Paulo. Horário: 19h. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Pça. Roosevelt, 142, centro.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h07
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03.11.09
Novo álbum de Mortos-Vivos marca retorno da HQM
Obra, lançada nas últimas semanas, é o primeiro título da editora depois de meses sem novas publicações
O quarto volume da série "Os Mortos-Vivos" marca a volta da HQM às obras em quadrinhos. A editora programa um título nacional, "Necronauta", até o fim do ano, e o retorno às bancas da revista "Senninha", com periodicidade bimestral ou trimestral.
O termo "volta" se justifica porque a HQM ficou meses sem lançar títulos. O jejum teve início meses depois de a editora anunciar uma longa lista de publicações.
A relação incluía este álbum de "Os Mortos-Vivos - Desejos Carnais", lançado no fim do mês passado. A obra mostra um grupo de pessoas ilhadas em meio a zumbis.
A série é escrita por Robert Kirkman e desenhada por Charlie Adlard e tem conseguido sucessivas indicações a prêmios norte-americanos da área. No Brasil, ganhou um HQMix.
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A lista de lançamentos, divulgada pela editora no fim de julho de 2008, relacionava também obras nacionais e estrangeiras, algumas voltadas às bancas, e mangás.
Nesse intervalo, algumas migraram para outras editoras. Um caso é "Yeshuah", sobre a vida de Jesus Cristo feita por Laudo Ferreira Jr e Omar Viñole. A obra foi para a Devir.
A programação da HQM para este ano e para 2010 é um dos assuntos desta entrevista do blog com o editor-chefe da HQM, Carlos Costa.
Feita em diferentes trocas de e-mail, a conversa começa sobre as razões que levaram a editora a ficar meses sem pôr no mercado novas obras em quadrinhos.
***
Blog - A HQM teve um intervalo na publicação de novos títulos, quebrado em outubro com o quarto volume de "Mortos Vivos". O que levou a esse jejum de lançamentos? Carlos Costa - Devido ao investimento no ano passado com "Violent Cases", "Senninha", os dois livros teóricos ("A Era de Bronze" e "Passeando com o Rei dos Sonhos") e a entrada no mercado nacional com "Leão Negro" e "Quadrinhofilia", tivemos que dar uma pausa para recuperar parte do investimento, pois, caso contrário, não conseguiríamos seguir em frente. Somado a isso, a crise financeira mundial também nos abalou. Como consequência, tivemos que protelar toda a nossa programação, aguardando o momento certo para reiniciar novamente com os lançamentos.
Blog - No ano passado, a editora havia divulgado uma longa lista de publicações. Elas ainda estão nos planos da editora? Costa - Sim, a maioria da lista ainda está. Os únicos que não estão são o "Yeshuah", do Laudo e Omar, que agora sairá pela Devir; as biografias de Álvaro de Moya e Rodolfo Zalla, organizadas pelo jornalista Gonçalo Junior, que deverão sair de formas independentes; e "Cogumelos ao Entardecer", de Jonatas Tobias, que, após sua seleção pelo Proac [programa de incentivo à produção de quadrinhos do governo paulista], resolveu também transferir o projeto para a Devir. Em contrapartida, entraram outros lançamentos na lista, como "Retro City", de Mauricio Dias, Daniel HDR e o pessoal do Dinamo Studio; "Little Heroes", de Estevão Ribeiro, desenhado por vários autores, como Fernanda Chiela, Ric Milk, David Calil, entre outros; "Necronauta", de Danilo Beyruth, que está programado ainda para este ano, entre outros. A publicação do Studio Seasons, que planejamos inicialmente como uma revista mix, foi alterada para o formato tankohon. Ou seja, cada série sairá em edições únicas, em formato parecido ao dos mangás convencionais.
Blog - As publicações nacionais - tanto álbuns quanto mangás - continuam na pauta da HQM? Costa - Sim, continuam, apesar de sabermos que, ao menos ainda por enquanto, o material nacional vende menos que o material internacional. Porém, ainda acreditamos no material nacional, devido à qualidade dos produtos que escolhemos para publicação, que são de primeira linha.
Blog - "Yeshuah", de Laudo Ferreira Jr., integrava essa lista. Mas, sabe-se agora, migrou para a Devir. O que levou à troca de editora? Costa - Creio que devido à nossa pausa nas publicações, ele tenha preferido passar para uma outra editora. Na verdade, como ficamos sem nos falar por algum tempo, a decisão do Laudo também foi surpresa para nós. Creio que houve uma falta de diálogo maior entre nós e o autor.
Blog - O que ocorreu com a revista mensal de "Senninha"? Volta às bancas? E as assinaturas? Costa - As assinaturas continuam, porém novas só são processadas quando está para sair uma nova edição. Em novembro sai a edição oito. A publicação deixa de ser mensal e deverá continuar bimestralmente ou trimestralmente.
Blog - A ideia de uma outra revista voltada para as bancas continua de pé? E a da Turma do Xaxado, de Antônio Cedraz? Costa - Sim, em parceria com a Editora Cedraz, está programado para este ano o lançamento de duas edições da Turma do Xaxado. Para o ano que vem, estamos planejamento o lançamento de uma revista de informação e outra que publicará talentos nacionais em bancas.
Blog - Como serão as duas revistas da Turma do Xaxado e a outra voltada às bancas, com talentos nacionais, como você definiu? Costa - As revistas do Xaxado serão no estilo da revista do Senninha. A parceria inicial com Antônio Cedraz planeja o lançamento, no início, de duas edições. Se as vendas forem satisfatórias, programaremos mais edições. A outra revista será algo no estilo Graphic Talents (publicação da Editora Escala que foi descontinuada há algum tempo) - cada uma dedicada a um único autor nacional. Ainda estamos estudando qual o melhor formato físico para publicação.
Blog - Até o final do ano, a HQM programa algum outro lançamento? Costa - Para este ano estão programados o relançamento do volume dois da série "Os Mortos-Vivos", que se encontra esgotada, e do "Necronauta - Volume 1", de Danilo Beyruth. Temos intenção de lançar ainda este ano "Zoo", de Nestablo Ramos, porém, este, não sabemos se dará tempo. No mais tardar, deverá sair no início de 2010. Mesmo caso da continuidade do "Leão Negro", de Cynthia Carvalho, que se não sair um novo volume este ano, sairá no início do ano que vem.
Blog - E para 2010? Já há um planejamento do que deve ser publicado? Costa - Por enquanto, não. Somente para os próximos meses. Como somos uma editora pequena e dependemos das vendas de cada título para continuidade de todo o planejamento editorial, não há como termos uma programação fixa. No entanto, para o ano que vem já está certo "Santuário", o novo volume de Estranhos no Paraíso; "Kickback", de David Lloyd; "Who Fighter", mangá de Seiho Takizawa; "I Luv Halloween", de Keith Giffen e Ben Rowan; "Retro City"; "Aventuras em Oz", de Eric Shanower; novos volumes de "Leão Negro"; as revistas que citei anteriormente entre outras novidades, como projetos para o Instituto Ayrton Senna e para o Instituto Ética nos Negócios (este último, em parceria com o cartunista Bira Dantas), que estamos desenvolvendo.
Blog - Como será essa parceria com Instituto Ética nos Negócios? Costa - A parceria com o Instituto Ética nos Negócios é a reformulação de um personagem criado por Bira Dantas para a empresa, o Ético. O Bira cuidou da concepção inicial e nós fizermos a reformulação visual do personagem. O próximo passo é a produção de histórias em quadrinhos e outros materiais relacionados ao Ético. Neste meio tempo em que pausamos os lançamentos, tentamos firmar parcerias com várias editoras do mercado, porém não obtivemos retorno esperado. Assim, resolvemos seguir ainda sozinhos. No entanto, não desistimos ainda de uma boa parceria, que possa render bons frutos para ambos os lados.
Escrito por PAULO RAMOS às 09h46
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02.11.09
Mangá de Caça-Fantasmas mantém clima do desenho animado
Obra é inspirada na franquia iniciada no cinema e está à venda em lojas de quadrinhos
"Os Caça-Fantasmas Ghostbusters" não é o primeiro caso de releitura de filme ou de história em quadrinhos vertida em mangá. Mas é o caso mais recente lançado no Brasil.
A obra chegou nas últimas semanas às lojas de quadrinhos (NewPOP, 180 págs., R$ 14) e é mais um produto baseado na franquia iniciada no cinema.
A base são os personagens dos dois longas-metragens dirigidos por Ivan Reitman, exibidos em 1984 e 1989. O clima do mangá, no entanto, é da versão animada da série.
Os desenhos - já exibidos pelas TVs daqui, também com sucesso - traziam versões cartunizadas de Peter, Ray, Egon e Winston, o quarteto central dos filmes.
***
Não há na versão em quadrinhos o fantasma verde Geleia, personagem que se tornou tão popular quanto os protagonistas. Tanto que ganhou, depois, série própria.
Mesmo assim, as situações criadas para os quatro caçadores de fantasmas lembram muito o que era visto na animação. Um primeiro ponto de diálogo é ver os heróis desenhados.
Outro ponto de contato é um ar mais ingênuo e bem humorado que segue as três histórias da obra, divididas em diferentes capítulos e por autores distintos.
Na primeira, eles têm de participar de uma peça teatral mal-assombrada. Na última, enfrentam o mundo da moda.
***
A história intemediária é a que mais destoa das anteriores. E, talvez por isso, a melhor das três. Os caça-fantasmas são capturados, um a um, por um antigo adversário.
Um dos heróis consegue driblar a captura e fica com a tarefa de resgatar os demais. Essa fórmula de aventura é antiga, inclusive nos quadrinhos. Mas funciona no mangá.
O apelo da obra, no entanto, é outro: reviver a memória das crianças de ontem adultos de hoje, que assistiram aos desenhos e ficaram cantarolando por um tempão a música tema dos filmes, cantada por Ray Parker Jr (se não sabe do que se trata, a obra não é para você).
É o mesmo apelo que a editora usou no mangá de "Speed Racer", com as histórias que pautaram a série. O interesse é esse, o saudosismo. Não muito mais do que isso.
***
Nota: a NewPOP também pôs à venda um outro mangá. "El Alamein e Outras Batalhas" (244 págs., R$ 14,90) traz diferentes histórias ambientadas na Segunda Guerra.
Escrito por PAULO RAMOS às 13h04
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30.10.09
Fernando Gonsales lança mais uma coletânea de Níquel Náusea
Álbum começa a ser vendido neste fim de mês e é o nono da série publicado pela editora Devir
O curioso dos álbuns de Fernando Gonsales é o nome escolhido, sempre singular. A nova coletânea de tiras dele mantém a tradição com um trava-língua: "Níquel Náusea - Um Tigre, Dois Tigres, Três Tigres".
O livro começou a ser vendido neste fim de mês em lojas de quadrinhos de São Paulo (Devir, 48 págs., R$ 26). Chega às livrarias nas próximas semanas.
A obra segue o padrão gráfico adotado nos demais volumes da série lançados pela Devir. Este é o nono título das tiras publicado pela editora paulista.
As piadas são reedições de material veiculado na "Folha de S.Paulo". Gonsales publica "Níquel Náusea" no jornal há mais de 20 anos, quando venceu um concurso de tiras.
A Devir programa lançar nos próximos dias outra coletânea de tiras publicadas pela Folha. É uma seleção de histórias de Aline, de Adão Iturrusgarai. Mais na postagem de 17.10.
Escrito por PAULO RAMOS às 00h49
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29.10.09
Liniers publica dois livros no Brasil em menos de um mês
Desenhista argentino lança o livro infantil "O Que Existe Antes Que Exista Tudo"...
... e segunda coletânea de tiras de "Macanudo", ambos neste mês de outubro
Não foi só a coletânea de tiras de "Macanudo" que pautou a vida editorial brasileira de Liniers neste mês. O desenhista argentino lançou por aqui também um livro infantil.
As duas obras chegaram às livrarias e lojas de quadrinhos com um intervalo de pouco mais de uma semana. E têm outro ponto em comum: ambas já haviam sido anunciadas.
O segundo volume de "Macanudo" (Zarabatana, 96 págs., R$ 35) integrou a lista de novos títulos do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), realizado entre os dias 6 e 12 em Belo Horizonte (MG). O autor veio ao Brasil especialmente para o evento.
A notícia de que o livro infantil "O Que Existe Antes Que Exista Tudo" (Girafinha, 32 págs., R$ 28) foi dada pelo próprio Liniers no ano passado, em visita ao país.
***
A passagem dele pelo Brasil em 2008 também foi para lançar "Macanudo". No caso, o volume de estreia, que compila as primeiras tiras da série.
São essas tiras iniciais que circulam diariamente na "Folha de S.Paulo". A presença no jornal paulistano - iniciada neste ano - amplia a difusão deste segundo volume.
A obra foi publicada na Argentina em 2005. No ano seguinte, já estava na terceira edição. O álbum compila as tiras veiculadas no jornal portenho "La Nacion" entre 2003 e 2004.
A série mescla personagens fixos com outros, criados para determinada situação. Os temas costumam abordar aspectos cotidianos, algumas pautadas no surrealismo.
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O outro lançamento é voltado ao leitor mirim. É um livro infantil, apesar de a editora, Girafinha, rotular a obra como história em quadrinhos na ficha catalográfica.
"O Que Existe Antes Que Exista Tudo" mostra a imaginação de um menino após a luz do quarto ser apagada na hora de dormir. Estranhos seres o visitam no quarto.
Um dos que aparecem é um monstro sombrio, que tem o mesmo nome da obra. Nos créditos, Liniers agradece aos pais, que "me apagavam a luz e acendiam a imaginação".
Apesar de ser produzido em capa dura, o livro da Girafinha tem formato menor e 64 páginas a menos do que o álbum de "Macanudo". Apesar disso, a diferença de preço é de R$ 8.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h34
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Registros rápidos
Balanço do FIQ O 6º FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos) recebeu em torno de 75 mil pessoas, segundo os organizadores. Mais que o dobro do público da edição anterior, em 2007, que teve 36 mil visitas. O festival foi realizado neste mês, em Minas, e teve um dia a mais.
Lançamento adiado A estreia da revista "Vertigo", anunciada para este mês, foi adiada para o dia 3 de novembro. Chega primeiro em São Paulo e depois nas outras praças. A Panini informou, via Twitter, que houve um problema na aprovação do material. A publicação será mensal.
Morte de Robin Lojas de quadrinhos já vendem "Batman: Morte em Família", da Panini. O álbum reedita o assassinato do segundo Robin, Jason Todd, nas mãos do Coringa. O destino do herói havia sido definido pelos leitores, por votação. A obra é em capa dura e custa R$ 68.
Salão de Humor Vão até o próximo dia 2 as inscrições para o 1º Salão de Humor de Campinas. São três categorias: cartuns (o tema é meio ambiente), charges e caricaturas. Os primeiros lugares receberão R$ 3 mil cada um. Inscrições via humorcampinas@gmail.com .
Nas bancas 1 Está à venda o segundo número do "Almanaque Piteco & Horácio". O título da Panini reedita histórias dos dois personagens. O diferencial é a presença de Horácio, pouco publicado. O dinossauro verde é talvez a criação mais autoral de Mauricio de Sousa.
Nas bancas 2 Já faz alguns meses que a Devir vende seus álbuns em bancas de grande porte da capital paulista e de cidades da Grande São Paulo e do interior do estado. A estratégia tinha sido usada pela Conrad um tempo atrás, aparentemente com bons resultados.
Nas bancas 3 Um jornal e uma revista flertam com quadrinhos. A edição de "A Voz da Serra", de Nova Friburgo (RJ), publica neste sábado uma história de Diego Vieira e Antonio Éder. E a revista "Sexy" deste mês traz uma narrativa de duas páginas feita por Odyr.
50 anos Asterix vai ser muito lembrado pela imprensa hoje. Motivo justo: completa 50 anos neste dia 29. O herói criado na França terá um álbum comemorativo, "O Aniversário de Asterix e Obelix - O Livro de Ouro". No Brasil, a obra está na lista de lançamentos da Record.
Escrito por PAULO RAMOS às 00h12
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27.10.09
Fim de semana prolongado terá lançamentos em São Paulo
O clima do feriado de Finados contrasta com a ativa pauta de lançamentos deste fim de semana prolongado em São Paulo. A programação inclui quatro sessões de autógrafos.
Todos os eventos irão ocorrer na HQMix Livraria e fazem parte das comemorações dos dois anos da livraria, que se tornou um ponto focal de lançamentos em São Paulo.
Na sexta-feira, dia 30, às 19h30, há sessão de autógrafos do álbum "As Eletrizantes e Etílicas Aventuras das Velhas Virgens". A história é baseada na banda que dá título à obra.
***
Na mesma data e horário, uma festa comemora os dois anos do Quarto Mundo, movimento que agrega autores independentes de diferentes partes do país.
No sábado, também às 19h30, há o lançamento do segundo número da revista independente "Sideralman", encabeçada por Will.
No mesmo dia, Fábio Zimbres faz uma sessão de autógrafos paulistana de "Vida Boa", coletânea de tiras publicada há alguns meses pela editora Zarabatana.
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A programação inclui ainda exposições. A livraria fica na Praça Roosevelt, 142, no centro.
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Post postagem (28.10, às 17h47): por puro esquecimento, esqueci de incluir na lista o lançamento do quinto número de "Café Espacial". Será no dia 31, às 19h30, também na HQMix Livraria. Agradeço a todos que me alertaram.
Escrito por PAULO RAMOS às 23h56
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E o detetive Diomedes ganha vida...
Circula na internet um teaser do projeto de adaptação do álbum em quadrinhos "O Dobro de Cinco", de Lourenço Mutarelli, publicado há dez anos pela editora Devir.
Mutarelli participa do vídeo, contracenando com Cacá Carvalho, irreconhecível na pele do protagonista. Veja a seguir a sequência, de pouco mais de um minuto e meio.
O vídeo foi disponibilizado no site da Birdo, empresa responsável pela sequência em animação. Os créditos incluem o quadrinista Rafael Grampá no design de produção.
São de Grampá, via Twitter, informações extras sobre o filme. Segundo ele, o projeto do longa está adormecido. O que faltaria para acordar seriam "milhões de reais".
Escrito por PAULO RAMOS às 11h05
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26.10.09
Títulos de ontem, novos números de hoje, perspectivas para amanhã
Resenhas Independentes 5
Revistas do Quarto Mundo têm tendência de trazer histórias curtas, como na curitibana "Quadrinhópole", lançada neste mês
Quando se vê uma dose concentrada de lançamentos independentes numa tacada só, como ocorreu neste mês no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), em Minas, é possível perceber com mais clareza coincidências na produção do Quarto Mundo.
Há o ponto comum de partida mais evidente, que é o compartilhamento do mesmo selo - Quarto Mundo -, grupo que reúne há dois anos quadrinistas de diferentes partes do país.
Integrar o grupo permite inserir a revista num modelo autônomo de distribuição, que consegue levar os títulos da diferentes cidades e estados. É algo a não ser ignorado.
Mas há afinidades em pelo menos outro ponto. Há uma tendência de as produções impressas do selo se pautarem em narrativas mais curtas, gerando contos em quadrinhos.
***
Como em quase tudo, há exceções. A revista "Nanquim Descartável" serve de exemplo para justificar essa premissa. Os álbuns produzidos pelos mineiros da Graffiti também.
A maioria dos lançamentos do grupo vistos no FIQ, no entanto, seguia a regra. Ora em coletâneas, ora em produções solo ou em duo, eram coletâneas de histórias.
O segundo número de "Pieces" (36 págs., R$ 6), de Mário Cau, traz mais narrativas pessoais, a exemplo da edição de estreia, publicada no primeiro semestre.
A proposta de "Duo" (40 págs., R$ 4) é resumida logo na capa: "três histórias, dois autores, uma antologia". Os dois autores, no caso, são Pablo Casado e Felipe Cunha.
***
Nas publicações mais conhecidas, que já tiveram outros números lançados, o molde de apresentar narrativas em quadrinhos curtas já se tornou a marca editorial das revistas.
É o que se vê nas novas edições de "Café Espacial" (60 págs., R$ 6, quinto número), "El Fanzine" (20 págs., R$ 2, segundo número), "Camiño di Rato" (48 págs., R$ 5, pulou do número um para o cinco) e "Quadrinhópole" (48 págs., R$ 5, oitavo número).
Um parêntese sobre a curitibana "Quadrinhópole": o editor dela, Leonardo Melo, havia dito em 2008 na entrega do Troféu HQMix que não iria produzir mais a revista.
Este oitavo número prova que a frase não se sustentou. E que a premiada publicação antologia de grupo voltou. Com narrativas curtas, todas pautadas em ficção científica.
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O Quarto Mundo completa dois anos neste mês. Há até uma festa programada para a próxima sexta-feira, às 19h30, na HQMix Livraria, em São Paulo (na Praça Roosevelt, 142).
A data é propícia para reavaliar a produção do grupo. Há mais pontos positivos que deméritos. Publicar quadrinhos na raça já deveria ser motivo de reconhecimento. E é.
Dizer que há coincidências na forma de produção editorial das histórias, priorizando narrativas mais curtas, não significa que as histórias não sejam bem escritas e desenhadas.
São, sim, embora com nuances entre elas, como é de se esperar. Qualidade o grupo tem.
***
O ponto é que o grupo já domina bem esse molde, que deve continuar sendo produzido. Mas já há maturidade profissional para tatear outras áreas, tentar outras experiências.
Uma das áreas que poderiam ser exploradas são as tramas mais longas. É um pouco do que já faz a Graffiti, que produziu quatro álbuns, um deles lançado também no FIQ.
Há a questão do custo, do tempo, da divisão da produção com outros afazeres profissionais. Pesares reais. Afinal, são pouquíssimos os que vivem só de quadrinhos no país.
Mas dois anos autoriza uma reflexão mais aprofundada. Hoje, predominam os contos curtos. Amanhã, quem sabe, narrativas longas. Seria algo tão revolucionário quanto.
Escrito por PAULO RAMOS às 15h03
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Uma tira que merece registro
A "Folha de S.Paulo" desta segunda-feira publica uma das melhores tiras que já tive oportunidade de ler. É da série "Macanudo", do argentino Liniers. Reproduzo a seguir:
Em tempo: a tira não é inédita. Foi publicada pela primeira vez no Brasil no volume inicial de "Macanudo", lançado no ano passado pela Zarabatana. A tira é a primeira da página 37.
Escrito por PAULO RAMOS às 09h46
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24.10.09
Revistas Peiote e Beleléu começam com pé direito
Resenhas independentes 4
Capa do número de estreia de "Peiote", revista independente mineira que começou a ser vendida neste mês
"Peiote" e "Beleléu" foram produzidas por grupos distintos, de estados diferentes. Mas, coincidentemente ou não, as duas revistas independentes têm pontos comuns.
As duas trazem histórias de diferentes autores. Outra convergência: ambas estrearam no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), realizado neste mês em Belo Horizonte (MG).
Tanto uma quanto outra publicam em papel tiras que destacaram virtualmente: uma nacional, "Desvio", e outra argentina, feita por Kioskerman, um dos seguidores de Liniers.
O principal elo entre as duas publicações, no entanto, é também o principal: tanto uma quanto outra começam com o pé direito, embora se destaquem por caminhos diferentes.
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"Peiote" (64 págs, R$ 10) foi produzida em Belo Horizonte. A revista mineira reúne trabalhos de autores de lá e material de de quadrinistas de outras cidades também.
A lista inclui alguns nomes familiares entre leitores da área, como Jaum - autor da maior parte das narrativas -, Luciano Irrthum, A. Moraes e Jean Okada, criadores de "Desvio".
As tiras ocupam um lugar de destaque: aparecem em duas das 16 páginas coloridas.
De temática variável, o trabalho da dupla ajuda a compor o tom fantástico da publicação, tema autoproposto por Jaum, que encabeçou o projeto.
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Quem definiu muito bem o papel da "Peiote" foi Wellington Srbek, roteirista do álbum "Estórias Gerais" e um dos autores de destaque no estado.
Na leitura dele, veiculada numa postagem em seu blog, o "Mais Quadrinhos", a publicação sintetiza um momento de renovação do quadrinho mineiro.
De Ziraldo e Henfil até os nomes atuais, as Minas Gerais têm contribuído de diferentes formas para a produção nacional.
Hoje, além da "Peiote", há outro grupo de destaque em Belo Horizonte: o que mantém os álbuns e a revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos".
Capa de "Beleléu", álbum produzido por autores do Rio de Janeiro
"Beleléu" (84 págs.) tem uma pegada diferente da vista em "Peiote". Sai o fantástico, entre o humor. Às vezes surreal. Mas, ainda assim, cômico.
O álbum carioca é encabeçado por quatro autores: Daniel Lafayette, Eduardo Arruda, El Cerdo (Tiago Lacerda) e Stêvz. É o quarteto que produz a maioria das histórias.
Eles se dividem entre as tiras, cartuns e narrativas curtas apresentadas na publicação, feita toda em cores. O conteúdo é unido pelo humor, mas díspar na temática.
Apesar disso, o grupo tentou criar dois pontos de contato. Dividiu a obra em duas partes: 1) "a morte é um estado de espírito"; 2) "viver é freestyle".
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O resultado é um produto gráfico bem cuidado, embora divergente no efeito de humor criado.
Além dos quatro autores, o grupo convidou dois quadrinistas argentinos para integrar a edição: Berliac e o já citado Kioskerman, que já sua estreia numa revista brasileira.
Dos dois, Kioskerman é sem dúvida o destaque. Ele ganhou projeção com um blog. Neste mês, parte do material foi reunida em sua primeira coletânea, "Éden".
Assim como ocorreu com "Desvio" em "Peiote", as tiras de Kioskerman captam bem a essência do humor de "Beleléu". Situações cômicas soltas, diferentes umas das outras.
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Há quem defenda que nem tudo o que se produz de forma independente é, de fato, bom. Mas, seguindo esse raciocíonio, o volume aumentariam as chances de qualidade.
Verdadeira ou não, a premissa pode ser perfeitamente aplicada a estas duas novas publicações. Com um adendo: elas se destacam logo na edição de estreia.
Mas há outra máxima sobre a publicação independente. Não basta ter um bom começo. É necessário também dar sequência ao trabalho, de forma regular.
O raciocínio também vale para "Peiote" e "Beleléu". Ambas iniciam com o pé direito, como dissemos linhas acima. O desafio é seguir em frente, sem perder a qualidade.
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Leia nas postagens abaixo resenhas de outros lançamentos independentes do mês.
Escrito por PAULO RAMOS às 20h58
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23.10.09
Ato 5 faz conto sobre amizade em meio à ditadura militar
Resenhas Independentes 3
Revista independente, lançada neste mês, foi produzida pela dupla André Diniz e José Aguiar
Há diferentes formas de mostrar os reflexos que a ditadura militar (1964-1985) teve no país. Uma delas é observar o impacto que o regime teve na vida dos brasileiros.
Foi o caminho percorrido em "Ato 5", revista independente produzida por André Diniz e José Aguiar. A história se centra num trio de amigos: Juan, Gabriel e Lorena.
Os três participam de uma companhia de teatro, obrigada a enfrentar a resistência imposta pela autoridade militar. Em meio a isso, constroi-se um triângulo amoroso entre eles.
Mais do que uma relação de amor, o foco está nos laços de amizade estabelecidos. Amizade que resiste ao período ditatorial e ao tempo.
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A revista foi lançada neste mês no FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos). Foi finalizada pouco antes do evento, realizado em Belo Horizonte (MG).
É a segunda parceria entre os dois autores publicada no último ano. A dupla fez "A Revolta de Canudos", que integra uma coleção de clássicos históricos da Escala Educacional.
Fatos históricos são um dos temas predominantes na produção em quadrinhos do eclético André Diniz, que também desenhou alguns de seus trabalhos.
Outro tema é a ditadura brasileira, assunto que pautou parte de suas histórias feitas para o selo Nona Arte, que tinha nele um dos cabeças. É agora retomado em "Ato 5".
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A revista mostra como o regime militar pode afetar diretamente a vida de um grupo de pessoas. Mas é também um relato de superação e da importância do valor da amizade.
Há um pouco disso também na própria concepção da história. Os dois autores produziram a obra do próprio bolso, como tantos outros têm feito no país nos últimos anos.
Mesmo à distância - Diniz no Estado do Rio de Janeiro e Aguiar no Paraná -, conseguiram superar os obstáculos físicos e engrenaram a parceria.
Há diferentes nomes que podem ser dados a todo esse esforço. Um deles é justamente superação. Como a lida na ficção que criaram a quatro mãos.
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Uma curiosidade: a revista, de 32 páginas, custa Cr$ 5. O valor é em cruzeiros mesmo, apesar de cobrado em reais. A brincadeira é para captar o clima monetário da época.
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Leia resenhas de outros lançamentos independentes do mês:
"Foices & Facões - A Batalha do Jenipapo", de Bernardo Aurélio e Caio Oliveira (link);
Escrito por PAULO RAMOS às 16h03
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22.10.09
Livro de Will Eisner integra lista do PNBE 2010
"Pequenos Milagres" é um dos nove títulos em quadrinhos selecionados para serem levados às escolas no ano que vem
As polêmicas envolvendo a entrada de obras de Will Eisner em escolas não ecoaram na nova lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do governo federal.
A relação de títulos selecionados para 2010 inclui "Pequenos Milagres", álbum em quadrinhos produzido pelo desenhista norte-americano e editado no Brasil pela Devir.
A publicação é uma das nove obras em quadrinhos que integram a listagem. É menos da metade do incluído no programa do ano passado, que teve 21 livros da área.
Dos nove títulos, sete são estrangeiros (o que equivale a aproximadamente 78% do total). Três são adaptações de obras literárias (33%). Destas, apenas uma é nacional.
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A relação dos livros foi publicada no Diário Oficial da União na edição do dia 13 deste mês. Veja a lista de obras em quadrinhos, destinada a diferentes níveis de escolaridade:
Ensino fundamental
"Os Pequenos Guardiões", de David Petersen (Conrad)
"Grande Junim - Histórias do Maior Baixinho da Turma do Menino Maluquinho", de Ziraldo (Globo)
"Mutts - Os Vira-Latas", de Patrick McDonnell (Devir)
"Usagi Yojimbo - Daisho", de Stan Sakai (Devir)
Educação de Jovens e Adultos, fim do fundamental e ensino médio
"Desista!", de Peter Kuper (Conrad)
"Estórias Gerais", de Wellington Srbek e Flávio Colin (Conrad)
"Memórias de um Sargento de Milícias", de Lailson de Holanda Cavalcanti (IBEP/Companhia Editora Nacional)
"Pequeno Príncipe em Quadrinhos", de Joann Sfar (Agir)
"Pequenos Milagres", de Will Eisner (Devir)
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O objetivo do programa é formar bibliotecas em escolas de todo o país. A maior parte das compras é de romances e literatura infantil. Quadrinhos entraram na lista há três anos.
O PNBE selecionou três obras de Eisner no ano passado: "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço", "A Força da Vida" e "O Sonhador".
Em 2006, um quarto título, "O Nome do Jogo", também foi listado para ser levado às escolas. Era a única obra do autor que ainda não havia causado polêmica. Era. Não é mais.
O álbum foi recolhido de bibliotecas de Vila Velha (ES) e devolvido ao governo federal, segundo noticia nesta quinta-feira o site G1. Motivo: conter cenas de sexo e termos chulos.
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Segundo a reportagem, um aluno de 12 anos retirou a obra da biblioteca da escola Leonel de Moura Brizola, onde estuda. Em casa, a mãe viu teve contato com o álbum.
"Comecei a folhear e achei um absurdo ter dentro de uma escola um livro como esse. Estou constrangida e com vergonha que meu filho tenha visto estas imagens", disse ao site.
"O Nome do Jogo" mostra duas cenas de sexo, de forma sutil, nas páginas 28 e 158. Em ambas as situações, não há nada explícito, tudo é sugerido.
A obra mostra como se dá a evolução de diferentes gerações de três famílias diferentes.
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Em junho, a polêmica girou em torno de "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço". As razões foram as mesmas: associação a cenas de sexo.
O tema permeou secretarias estaduais e municipais de São Paulo e de outros estados do sul do país. Em alguns lugares, a obra também foi recolhida.
A pessoa do governo responsável pela área, Maria do Pilar, tem defendido mais de uma vez a seleção das obras de Eisner, autor que procurava fazer romances em quadrinhos.
Em agosto, ela disse ao blog, antes da cerimônia de entrega do Troféu HQMix, temer que a onda do politicamente correto interferisse na seleção das obras deste ano. O PNBE foi premiado na ocasião por grande contribuição à área de quadrinhos no país.
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Comentário: as listas do PNBE foram analisadas criticamente no livro "Quadrinhos na Educação - Da Rejeição à Prática", lançado neste mês pela Contexto e organizado por mim e por Waldomiro Vergueiro, da Universidade de São Paulo.
A publicação também dá caminhos de como utilizar na área do ensino títulos do programa federal - "O Nome do Jogo", inclusive - e outras obras em quadrinhos.
Ótima leitura para as autoridades municipais de educação de Vila Velha.
Escrito por PAULO RAMOS às 18h41
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Ficção científica com final surpresa pauta álbum nacional
Resenhas Independentes 2
Capa de "Saída 3", obra escrita e desenhada pelo artista plástico e quadrinista Guga Schultze
Há algumas narrativas que dizem a que vieram nos minutos finais. Um caso recente é o filme "Arraste-me para o Inferno", de Sam Raimi. O longa renasce no encerramento.
Há um quê disso em "Saída 3" (108 págs., R$ 20), quarto álbum da "Coleção 100% Quadrinhos", produzida pelo grupo da revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos".
A obra, escrita e desenhada por Guga Schultze, constroi uma trama de ficção científica, tema raro em produções brasileiras mais longas, como esta.
Mas é no final, nas duas últimas páginas, que o autor dá o recado da história e revela o surpreendente motivo de tudo o que o leitor acompanhou até então.
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Claro que o desfecho não será revelado aqui. Omitir a conclusão da narrativa faz parte do acordo não declarado entre leitor e jornalista, algo inerente às resenhas.
O que se pode adiantar é que a história se passa numa região fictícia, dominada por uma força poderosa e maligna, mantida em segredo.
O assunto corre o risco de vir à tona quando um grupo de soldados cai numa armadilha e é obrigado e investigar uma enigmática e mística construção, mantida no deserto.
O contato da equipe armada com o que há nos escuros corredores do local leva aos fatos que serão trabalhados no final.
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"Saída 3" é o primeiro álbum em quadrinhos de Schultze. Antes, havia feito quadrinhos para a mineira Graffiti e outra obra independente, "A Guerra dos Imundos", de 1998.
A visita dele uma narrativa de mais fôlego marca uma boa estreia, tanto no texto quanto nos seus desenhos marcantes, que evidenciam o lado artista plástico dele.
A obra mantém a qualidade vista nos três títulos anteriores da coleção: "Um Dia, Uma Morte", "O Relógio Insano" e "A Comadre do Zé", lançado no início do ano.
O grupo da Graffiti tem acertado na escolha de seus autores e mostra um caminho a ser seguido pelas editoras, que começam a olhar com mais cuidado para produções assim.
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Leia na postagem abaixo a resenha de "Foices & Facões - A Batalha do Jenipapo", outro lançamento independente deste mês.
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Post postagem (às 22h16): leitores me informam, corretamente, que o preço do álbum é R$ 20, e não R$ 30, como informava. Esta versão da resenha já traz o valor correto.
Escrito por PAULO RAMOS às 17h06
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20.10.09
Livro resgata episódio histórico pouco lembrado
Resenhas Independentes 1
Capa de "Foices & Facões - A Batalha do Jenipapo", obra produzida por autores do Piauí
A leitura de "Foices & Facões - A Batalha do Jenipapo" (200 págs., R$ 30) revela uma série de surpresas. A primeira é a própria obra em si, lançada neste meio de mês.
É uma produção nacional, que ajuda a reforçar a máxima de que há muito mais quadrinhos fora do eixo Rio-São Paulo, principais polos de concentração editorial do país.
Produzida no Piauí, recupera um episódio histórico vivido no estado em 1823: a Batalha do Jenipapo, que dá título ao trabalho.
Pouco lembrado, o conflito ajudou a consolidar a Independência do Brasil, proclamada um ano antes por Dom Pedro no Ipiranga, em São Paulo.
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A Batalha do Jenipapo envolveu piauienses, maranhenses e cearenses. Moradores dos três estados improvisaram instrumentos de luta para barrar o avanço de tropas portuguesas.
O exército era comandado por João José da Cunha Fidié. O objetivo era forçar os brasileiros da região a manterem, à força, o apoio à Coroa e a Dom João.
O sangrento conflito e os motivos que levaram a ele são relembrados em detalhes na narrativa em quadrinhos. O assunto é esmiuçado com calma, o que dá profundidade à obra.
O livro - outra surpresa - consegue, com isso, diferenciar-se de outras produções do gênero, que se preocupam mais com o aspecto didático para vendas a listas governamentais.
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A história em quadrinhos foi produzida com verba do governo estadual e demorou quase um ano e meio para ficar pronta.
Os autores do projeto e da obra são dois irmãos: Bernardo Aurélio e Caio Oliveira. Este fez a arte; aquele, o roteiro. Ambos integram um núcleo de quadrinhos mantido no estado.
O aprofundamento no assunto, perceptível durante a leitura, possivelmente teve ajuda do lado historiador de Aurélio, formado na área pela Universidade Estadual do Piauí.
Mesmo assim, ele optou por mesclar os fatos com alguns aspectos ficcionais. Parte da narrativa se passa numa fazenda e mostra como se dá a luta entre seus moradores.
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Numa época editorial em que editoras publicam adaptações literárias e obras históricas como pretexto para gordas vendas ao governo, "Foices & Facões" se diferencia.
A obra mostra que é possível fazer obras assim com qualidade e com o aprofundamento necessário. É um caminho que poderia servir de espelho para futuras produções do gênero.
O conteúdo é acessível, mas não simplificado a tal ponto que transforme a narrativa num retalho fragmentado e vago do episódio histórico e de seus motivos.
E ajuda a relembrar o episódio a brasileiros e, em particular, os do Piauí, que tem na data um dos alicerces históricos do estado.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h48
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18.10.09
Não é só Mauricio: Bidu também completa 50 anos de carreira
Capa do livro "Bidu 50 Anos" foi inspirada no primeiro número da revista do personagem...
... publicada em 1960 pela Editora Continental; publicação é reeditada na obra comemorativa
A comemoração dos 50 anos de carreira do criador da Turma da Mônica convergiu para o livro "MSP 50 - Mauricio de Sousa por 50 Artistas", vendido desde setembro.
A obra - que traz olhares de diferentes desenhistas sobre os personagens de Mauricio de Sousa - acabou ofuscando um outro lançamento feito para marcar a data.
"Bidu 50 Anos" (Panini, 160 págs., R$ 39,90) também foi pensado para celebrar um cinquentenário. No caso, o do primeiro personagem fixo do desenhista e empresário.
O álbum, produzido em capa dura, traz 22 histórias de diferentes momentos do cachorrinho azul: de quando foi criado até os dias atuais. A última narrativa foi feita em mangá.
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A leitura em sequência ajuda a ver como se deu a evolução visual do personagem ao longo das décadas.
De início, o rosto era mais retangular e do tamanho do corpo. Com os anos, a cabeça ganhou ares proporcionais e um contorno mais arrendondado.
A estreia de Bidu - e de seu dono, Franjinha - ocorreu em 18 de julho de 1959 no jornal "Folha da Manhã", mesma empresa que hoje publica a "Folha de S.Paulo".
Mauricio dividiu a produção da série com as reportagens policiais, função que tinha no jornal. Aos poucos, surgiram os outros personagens. E os crimes foram abandonados.
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Na introdução da obra, o desenhista diz que o cãozinho foi inspirado em um cachorro que teve na infância, parte dele vivida em Mogi das Cruzes, cidade do interior de São Paulo.
Mas o animal de estimação tinha outro nome: Cuíca. Segundo ele, Bidu surgiu após uma consulta feita entre os colegas da redação.
"Passei uma folha de papel pelas mesas, entre os jornalistas, para que dessem uma sugestão de batismo. O prêmio seria uma garrafa de bom vinho", diz, no texto introdutório.
"O nome Bidu foi indicado por um colega chamado Petinatti. Que não me lembro bem se recebeu o prêmio. Naquele tempo, até uma garrafa de vinho pesava no orçamento."
***
A capa desta edição comemorativa é uma releitura do primeiro número da revista "Bidu", de 1960. Foi a primeira publicação de Mauricio de Sousa nas bancas.
A revista é reproduzida em "Bidu 50 Anos", com a mesma ortografia e tratamento editorial de quando foi lançada pela primeira vez pela Editora Continental.
O livro de luxo marca bem como se deu o início da trajetória do desenhista e empresário na área. O que veio depois todo mundo sabe, seja leitor de quadrinhos ou não.
Mais do que um registro comemorativo, a obra é um documento histórico. E, como tal, deveria ter registrado as revistas e o ano de publicação de cada uma das histórias. Faltou.
Escrito por PAULO RAMOS às 16h54
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17.10.09
Livro traz nova seleção de tiras de Aline
"Aline + Otto + Pedro" será publicado pela editora Devir, que pretende lançar a obra nas próximas semanas
A Devir finaliza mais um livro com tiras de Aline, personagem criada por Adão Iturrusgarai. A editora pretende vender a obra entre o fim deste mês e o começo de novembro.
"Aline + Otto + Pedro" será o quarto álbum da moça viciada em sexo lançado pela Devir. Segundo a editora, o diferencial é que a seleção do material foi feita pelo próprio autor.
Outro diferencial é uma série de desenhos eróticos dela feitos por Adão. As pin-ups fecham o álbum e mostram Aline em posições sexuais explícitas.
A personagem ganhou novo fôlego com a série homônima exibida pela TV Globo. Antigos livros com tiras dela - da Devir e da L&PM - têm sido expostos com destaque em livrarias.
Escrito por PAULO RAMOS às 12h50
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16.10.09
Registros rápidos
Volta dos Mortos-Vivos
A HQM confirmou o lançamento de "Mortos Vivos - Desejos Carnais" neste fim de semana na Fest Comix, feira de quadrinhos realizada em São Paulo. O quarto álbum da série (R$ 32,90) marca a volta da editora à área. A HQM ficou meses sem publicar títulos novos.
Caça-Fantasmas em mangá
A lista de lançamentos da Fest Comix - que começa hoje e vai até domingo - inclui uma versão mangá de "Os Caça-Fantasmas". A obra (R$ 14,90) é publicada pela NewPop. A editora estreia outros mangás no evento, como "El Alamein e Outras Batalhas" (R$ 14,90).
Ivan Reis não vai
O desenhista Ivan Reis cancelou a palestra que daria na Fest Comix, no próximo domingo, às 16h. O motivo foi a convocação para uma reunião com Eddie Berganza, editor da norte-americana DC Comics, em passagem pelo Brasil. Klebs Jr. o substitui no compromisso.
Robinson Crusoé
A Salamandra começou a vender nesta semana o álbum francês "Robinson Crusoé". A obra (R$ 39,90) é o segundo volume de uma coleção de adaptações que a editora programa lançar. A estreia foi com uma versão de "Frankenstein", lançada no início deste mês.
Quadrinhos em análise 1
Histórias de Luiz Gê serviram de base para o livro "Análise Textual da História em Quadrinhos", editado pela Annablume (R$ 40). A obra é coassinada pelo desenhista e por Antônio Vicente Pietroforte, professor de Linguística da Universidade de São Paulo.
Quadrinhos em análise 2
O lançamento de "Análise Textual da História em Quadrinhos" será na próxima sexta-feira, às 19h30, na HQMix Livraria, em São Paulo. A livraria fica na Praça Roosevelt, 142, no centro da cidade. Pietroforte já fez análises de quadrinhos em outras duas obras.
Filosofia mutante
Outro lançamento teórico é "X-Men e a Filosofia - Visão Surpreendente e Argumento Fabuloso", traduzido pela Madras (R$ 34,90). É a mesma editora que publicou "Batman e a Filosofia", obra que tinha proposta semelhante a esta.
Quadrinho marginal
Começa amanhã, na Gibiteca Henfil, em São Paulo, a exposição "Quadrinho Marginal - 40 Anos". A abertura será às 16h, com um debate entre Marcatti, Gualberto Costa, Will e Tiago Judas. A mostra poderá ser visitada até 14 de dezembro. De graça.
Passo maior que a perna
Algumas bancas de São Paulo e do interior do estado estão vendendo "Timão em Estilo Mangá" a R$ 9,90. O valor é três vezes menor que o cobrado no lançamento, em julho (saía a R$ 29,90). Sinal de encalhe. Outra versão, em capa dura, custava R$ 59,90.
Escrito por PAULO RAMOS às 00h53
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14.10.09
Pixu mostra experiência de Bá e Moon no gênero terror
Álbum da editora Devir traz nova parceria dos desenhistas brasileiros com os estrangeiros Vasilis Lolos e Becky Cloonan
O álbum "Pixu" tem dois fortes cartões de visita: uma indicação ao Eisner Awards, principal premiação dos quadrinhos nos Estados Unidos, e a recente vitória de um dos autores, o paulistano Gabriel Bá, como melhor desenhista norte-americano no Harvey Awards.
Mas, para o leitor brasileiro que acompanha a trajetória dos trabalhos de Bá e do irmão dele, Fábio Moon, a obra da Devir (128 págs., R$ 18,50) tem um outro atrativo.
A publicação mostra uma incursão por um gênero pouco explorado por eles, o terror. Até então, a dupla se pautava em narrativas ancoradas nas pessoas e em seus relacionamentos.
A temática nova mostra que ambos conseguem transitar bem e sem receio por outros terrenos quadrinísticos. Consequência de um amadurecimento profissional, conquistado ao longo dos anos por méritos próprios.
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Já faz alguns anos que Bá e Moon flertam com o mercado norte-americano de quadrinhos. Os dois têm galgado um gradativo destaque, refletido nas várias premiações e indicações conquistadas por lá.
"Pixu" é outro reflexo desse novo momento profissional. A obra foi lançada de forma independente primeiro nos Estados Unidos, em 2008. Agora, chega ao Brasil.
É uma nova parceria com a italiana Becky Cloonan - que vive no Brooklyn - e do grego Vasilis Lolos.
Os quatro - com o brasileiro Rafael Grampá - ja haviam trabalhado juntos na revista "5", premiada no Eisner de 2009 na categoria antologia.
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Esta história de terror é ambientada num enorme casarão, que abriga diferentes pessoas. Aos poucos, todas percebem manchas escuras no entorno de onde estão.
As enigmáticas marcas, aos poucos, começam a afetar a vida delas. E o modo como vivem e agem. Os quatro autores se alternam nos desenhos durante toda a trama.
"A Becky e o Vasilis gostam de Lovecraft, de monstros e vampiros. O Fábio e eu temos medo do escuro, daquilo que você não vê, não sabe o que é, mas imagina. O terror do inomimável", explica Bá em seu blog, o "10 Pãezinhos".
"Foi diante deste suspense em relação aos monstros invisíveis que se escondem nas sombras da nossa imaginação que nasceu o "Pixu"."
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A palavra que dá título à série, como explica a página inicial do álbum, quer dizer "a marca do mal que prenuncia a morte iminente".
O termo sintetiza exatamente o que a trama oferece ao leitor. Mas, por mais que se paute no medo, a obra revela coragem.
Coragem dos autores brasileiros de fazer uma produção diferente da que estão acostumados, buscando experimentar novos caminhos na área.
O resultado é um terror mais psicológico, que tem um lançamento paulista nesta quarta-feira à noite, em São Paulo, na Fnac Pinheiros. A primeira sessão de autógrafos foi na semana passada no FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, em Belo Horizonte.
Escrito por PAULO RAMOS às 15h43
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Exposição em SP mostra como são os quadrinhos africanos
Aqui no Brasil, os quadrinhos africanos são desconhecidos. Uma exposição, que tem abertura nesta quarta-feira à noite, em São Paulo, tenta contornar esse vácuo.
"Picha - Cultura Pop Africana", nome da mostra, vai apresentar diferentes produções feitas no continente. "Picha" é uma palavra que quer dizer "desenho".
A exposição foi organizada pela NCDO, entidade holandesa que estimula cooperação internacional entre países.
A primeira exibição da mostra ocorreu na Holanda, em 2008. Depois passou pela Nigéria, no fim do ano passado, e na Espanha, no primeiro semestre. Agora, chega ao Brasil.
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Uma das organizadoras da exposição aqui no Brasil é a pesquisadora Sônia Bibe Luyten. Segundo ela, a ideia de trazer uma mostra assim ao país vem desde 2007.
Ela estará na abertura da mostra hoje à noite. Participam também o desenhista afro-americano David Brown e o brasileiro Maurício Pestana, que tem quadrinhos sobre negros.
Outro pesquisador, Nobu Chinen, também vai participar da cerimônia de abertura. Chinen desenvolve um doutorado na Universidade de São Paulo sobre o negro nos quadrinhos.
A abertura será às 20h no Museu Afro Brasil, local da exposição. "Picha - Cultura Pop Africana" poderá ser visitada até o dia 8 de novembro.
***
Serviço - Exposição "Picha - Cultura Pop Africana". Quando: a abertura é hoje (14.10); a mostra fica até 08.11. Horário: a abertura é às 20h; nos demais dias, pode ser visitada das 10h às 17h. Onde: Museu Afro Brasil. Endereço: av. Pedro Álvares Cabral, sem número, Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Quando: de graça.
Escrito por PAULO RAMOS às 09h25
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13.10.09
Tocaia mostra lado quadrinista de Gilberto Maringoni
"Tocaia e Outros Quadrinhos" reúne 14 histórias feitas pelo desenhista entre 1989 e 2002
Gilberto Maringoni é um profissional eclético. Professor de jornalismo, pesquisador, autor de livros-reportagem, arquiteto por formação, doutor em história.
Outra das habilidades dele é a de autor de histórias em quadrinhos. É essa faceta que pauta "Tocaia e Outros Quadrinhos", que ele lança nesta terça-feira à noite em São Paulo (Devir, 112 págs., R$ 45).
O álbum é uma coletânea de 14 narrativas feitas por ele entre 1989 e 2002. A maior parte foi publicada no Brasil. Algumas, em países europeus.
Mais do que uma reunião de histórias, a obra tem uma segunda função: a de apresentar a uma nova geração quem foi Gilberto Maringoni, autor que merece ser (re)descoberto.
***
Maringoni é da geração de Lourenço Mutarelli, Marcatti, André Toral. Autores que viveram a duras penas a tarefa de publicar quadrinhos nacionais no país na década de 1990.
Esta coletânea é uma metonímia desse processo. Basta observar algumas das revistas onde as histórias foram publicadas: "Kyx-93", "Lúcifer", "Panacéia", "Metal Pesado".
São publicações que tiveram uma saúde editorial diferenciada, umas duraram mais, outras menos. Mas todas tiveram o mesmo fim terminal, como em geral ocorria na época.
Mas, em meio à UTI editorial que eram os quadrinhos nacionais adultos de então, conseguiam-se resultados muito bons. As histórias de Maringoni comprovam isso.
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O autor faz contos em quadrinhos. Narrativas curtas, porém pontuais, críticas, atuais apesar da distância de tempo de quando foram publicadas.
Maringoni tentou agrupar as histórias por temas, de modo a dar uma espécie de unidade à leitura. Não precisava. O tema urbano, às vezes biográfico, domina o conteúdo delas.
Talvez por influência da formação de arquiteto, formado pela Universidade de São Paulo, o cenário urbano aparece com maior ou menor destaque em seus contos.
Nas de maior destaque, tornam-se o tema central do conto. Como no de abertura, em que o viaduto do Minhocão, em São Paulo, cruza o apartamento de um dos moradores.
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Chargista, Maringoni tem centrado seus últimos trabalhos em quadrinhos nesse gênero. Por isso, ainda é pouco conhecido por uma nova geração.
"Tocaia e Outros Quadrinhos" ajuda a trazer as histórias dele a novos leitores e também a pessoas que normalmente não costumam ler histórias em quadrinhos.
Mesmo para quem já leu as produções dele aqui e ali, todas esparsas, a leitura em sequência ajuda a revelar nuances comuns entre os roteiros, agora redescobertos.
Maringoni é um autor acima da média, como revelam estes contos. O momento editorial é mais tranquilo que o dos 90. Quem sabe ele resolva apostar novamente na área.
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Serviço - Lançamento de "Tocaia e Outros Quadrinhos". Quando: hoje (13.10). Horário: das 18h30 às 21h30. Onde: livraria Martins Fontes. Endereço: Avenida Paulista, 509.
Escrito por PAULO RAMOS às 11h00
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Gabriel Bá vence mais um prêmio de quadrinhos nos Estados Unidos
Brasileiro foi premiado no Harvey Awards como melhor desenhista pelo trabalho na série "The Umbrella Academy", mostrada ao lado
Gabriel Bá venceu o Harvey Awards, uma das premiações da indústria norte-americana de quadrinhos. O brasileiro ganhou na categoria melhor desenhista de 2008.
Os nomes foram divulgados neste fim de semana na Baltimore Comicon, convenção de quadrinhos realizada nos Estados Unidos.
Bá foi premiado pelo trabalho feito em "The Umbrella Academy", escrita por Gerard Way. A obra já havia vencido o Harvey do ano passado como melhor nova série.
Dado curioso: o brasileiro concorria com Frank Quitely, vencedor do último Harvey como melhor desenhista. Ambos haviam sido indicados neste ano. Inverteram as posições.
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"The Umbrella Academy" venceu um segundo prêmio no Harvey deste ano, o de melhor colorista, para Dave Stewart.
As primeiras histórias da série foram lançadas no Brasil na semana passada no FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, realizado em Belo Horizonte.
Bá e o irmão dele, o também desenhista Fábio Moon, disputavam uma outra categoria, a de melhor antologia pelo número inicial de "Pixu". O prêmio ficou com "Comic Book Tattoo".
A série de terror "Pixu" também teve um primeiro lançamento no FIQ e terá uma segunda sessão de autógrafos nesta quarta-feira à noite na Fnac Pinheiros, em São Paulo.
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O trabalho em "The Umbrella Academy" tem sido bastante premiado nos Estados Unidos. No ano passado, conquistou um Eisner Awards de melhor minissérie.
O Eisner é a principal premiação de quadrinhos dos Estados Unidos. Bá concorreu neste ano como melhor desenhista e autor de capas.
Em 2008, Bá venceu com a antologia "5", feita em parceria com o irmão e com outro brasileiro, Rafael Grampá. Os estrangeiros Vasilis Lolos e Becky Cloonan também participaram.
No Brasil, ele e Fábio Moon ganharam em 2008 um Prêmio Jabuti pela adaptação em quadrinhos do conto machadiano "O Alienista".
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Gabriel Bá falou sobre "The Umbrella Academy" e a respeito de seu atual momento profissional em entrevista veiculada no blog na semana passada. Clique aqui para ler.
Escrito por PAULO RAMOS às 10h05
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12.10.09
Semana tem overdose de eventos sobre quadrinhos
O FIQ, Festival Internacional de Quadrinhos, termina hoje em Belo Horizonte e já começa uma overdose de eventos ligados à área. A maratona tem início nesta terça-feira.
No Rio de Janeiro, vai ocorrer a 2ª Semana de Quadrinhos na Travessa. Em São Paulo, três eventos: HQ o Quê, Fest Comix e inauguração da segunda loja da HQMix Livraria.
A Fest Comix é conhecida por dar descontos de pelo menos 20% no títulos em quadrinhos à venda, novos ou antigos. A feira de quadrinhos vai ocorrer entre os dias 16 e 18.
A programação terá também uma série de lançamentos. Veja a seguir a relação do que vai ocorrer, segundo os sites dos eventos e as informações passadas à impresa.
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2ª Semana de Quadrinhos na Travessa / Rio de Janeiro
13.10, 19h30 - Mesa "BD o quê? HQs à francesa no Brasil", com Guy Delisle, J.C. Camus e Olivier Tallec. Após o debate, os autores autografam os álbuns "Shenzhen", de Delisle, e "Negrinha"
14.10, 19h30 - Mesa "Muito Além do Riso - Novos Temas e Traços", com os desenhistas Tiago Lacerda, André Dahmer e Daniel Laffayete
15.10, 19h30 - Mesa "Os Quadrinhos e Seus Gêneros", com Leandro Assis e Carlos Patati
16.10, 19h30 - Mesa "HQ da Vida Real - Biografias e Reportagens em Quadrinhos", com Arnaldo Branco, Allan Sieber, Lobo e Aristides Dutra
Serviço - Todos os debates serão realizados na Livraria da Travessa do Barra Shopping, no Rio de Janeiro, sempre às 19h30. A entrada é franca.
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HQ o Quê / São Paulo
13.10, 19h - Bate-papo com Craig Thompson, com participação de Gabriel Bá e Fábio Moon
14.10, 19h - Lançamento de "Pixu", de Gabriel Bá, Fábio Moon, Vasilis Lolos e Becky Cloonan
Serviço - O bate-papo e o lançamento serão realizados na unidade Pinheiros da livraria Fnac. A entrada é franca.
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Inauguração da HQMix Noir Livraria / São Paulo
14.10, 19h30 - Festa de inauguração e lançamentos de "Shenzhen", de Guy Delisle, e sessão de autógrafos de "A Poção do Tempo", de Caio Luiz Ferrari Martins
16.10, 19h30 - Sessão de autógrafos do desenhista norte-americano David Brown e do brasileiro Maurício Pestana
Serviço - A HQMix Noir Livraria fica na rua Augusta, 331, perto do centro de São Paulo.
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Fest Comix / São Paulo
16.10 - Palestras e lançamentos
14h - Lançamento da revista de cinema "Movie", com André Forastieri
16h - Palestra com Ana Recalde, roteirista do mangá nacional "Patre Primordium"
18h - Palestra com Marcelo Cassaro e Petra Leão, de "Turma da Mônica Jovem"
17.10 - Palestras
11h - Levi Trindade, editor da DC Comics no Brasil
12h - Palestra com a desenhista Adriana Melo
14h - Bate-papo com editores da HQM
16h - Palestra com o desenhista Felipe Massafera
18h: Palestra com Marcelo Del Greco, editor da JBC
18.10
11h - Talk-show com Mitsuko Horie, cantora e dubladora
14h - Palestra com o desenhista Caio Cacau
16h - Bate-papo com o desenhista Ivan Reis
Serviço - A Fest Comix será realizada no Colégio São Luís, que fica na rua Luís Coelho, 323. Nos dias 16 e 17, fica aberta das 10h às 20h. No dia 18h, das 10h às 18h.
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Lançamentos / São Paulo
13.10, 19h30 - "Sem Palavras", de Samuca. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro
13.10, 18h30 - "Tocaia e Outros Quadrinhos". Onde: livraria Martins Fontes. Endereço: Avenida Paulista, 509
15.10, 19h30 - "Mundo Mendelévio e o Planeta Telúria", de João Marcos Mendonça. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro
15.10, 19h30 - "Foices e Facões - A Batalha do Jenipapo", de Bernardo Aurélio e Caio Oliveira. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro
17.10, 19h30 - "Quadrinhos na Educação - Da Rejeição à Prática", de Alexandre Barbosa, João Marcos Mendonça, Lielson Zeni, Túlio Vilela e Waldomiro Vergueiro. Também integro a obra. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142
Escrito por PAULO RAMOS às 20h21
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Links para saber como foi o FIQ 2009
Renato Canini em debate neste 6º FIQ
Termina hoje em Belo Horizonte (MG) a 6ª edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos). Realizado a cada dois anos aqui no Brasil, o evento tem como diferencial a reunião, num mesmo espaço, de autores nacionais e estrangeiros.
Desta vez, fiz uma passagem relâmpago pelo festival. Estive na tarde e noite da sexta-feira para um debate e o lançamento de "Quadrinhos na Educação - Da Rejeição à Prática".
Os compromissos me impediram de cobrir o FIQ como gostaria e com a seriedade que o evento exige.
Por isso, em vez de postar uma reportagem aquém, prefiro indicar quem ficou durante todo o tempo por lá e fez uma cobertura exemplar do que ocorreu no festival.
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Há boas fotos no Flickr oficial do FIQ. É de lá que reproduzi a imagem de Renato Canini, que abre esta postagem. Canini foi o homenageado desta sexta edição.
Nas reportagens, sugiro a leitura dos textos feitos pelos colegas Érico Assis, no site "Omelete", e Dandara Palankof, para a revista virtual "Zé Pereira".
Cada um se destaca por um diferencial. Érico fez um diário do FIQ, com um texto solto e gostoso de ler, mesclando informações, bastidores e impressões pessoais.
Dandara fez um relato minucioso de parte das mesas-redondas do festival. A cobertura dela dá ao leitor a sensação de ter estado no debate, mesmo que virtualmente.