Mais sinais de que muda o discurso das HQs na mídia impressa
Em agosto do ano passado, este blog registrava que o discurso sobre os quadrinhos na mídia impressa dava sinais de mudança. Neste fim de semana, houve mais dois sinais.
Os dois principais jornais paulistas, "Folha de S.Paulo" e "O Estado de S. Paulo", trouxeram matérias sobre quadrinhos.
As reportagens foram publicadas nos cadernos "Mais!" e "Caderno 2", que, aos domingos, possuem um viés mais literário ou voltado a questões intelectuais.
Ambos têm como público-alvo pessoas tidas como "formadoras de opinião".
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No "Caderno 2", do Estadão, a pauta foi uma resenha de "A Força da Vida", obra inédita de Will Eisner, lançada no Brasil no mês passado (leia mais aqui).
O jornal rotula o álbum como "obra-prima do autor".
O "Mais!" destacava na capa que "dois dos mais importantes quadrinistas da história falam do futuro das HQs". A capa da edição de domingo da Folha trazia chamada semelhante.
Os dois quadrinistas eram o underground Robert Crumb (o jornal usou matéria traduzida do "El País", da Espanha) e Albert Uderzo, desenhista e atual escritor das histórias de Asterix.
Sobre Crumb, um dos destaques foi o livro "Gênese", da Bíblia, que ele adapta para os quadrinhos. Segundo a matéria, já tem 120 páginas prontas (ele ganhou R$ 341 mil para fazer a obra).
De Uderzo, há a trajetória dele, a morte do parceiro René Goscinny, em 1977, e a publicação de sua autobiografia, "Albert Uderzo Sa Raconte...".
O curioso é que nenhum dos dois fala sobre o futuro dos quadrinhos, como anunciado nas capas do caderno e do jornal.
Quem faz isso, na terceira página do "Mais!" dedicada ao tema, é Rogério de Campos, dono da editora Conrad.
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Na leitura de Rogério de Campos, "os quadrinhos são o segmento que mais cresce no mercado editorial".
Segundo ele, "enquanto livros de referência sofrem bastante com a concorrência da internet, os quadrinhos não param de crescer e de aparecer nas listas de mais vendidos".
Um dos formatos que mais crescem, na análise dele, é o feito em preto-e-branco, como o dos álbuns de Crumb e os mangás, os quadrinhos japoneses.
O desafio, diz, é saber como a produção brasileira vai se desenvolver como linguagem específica dentro desse contexto.
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Merece registro o ar de busca por explicações sobre o mercado de quadrinhos, ponto que pautou toda a entrevista de Campos.
Merece registro também que os quadrinhos invadem, uma vez mais, um espaço dominado pelos chamados "formadores de opinião", sejam eles quem forem.
O destaque disso é que, por anos a fio, muitos dos "formadores de opinião" ignoravam o tema quadrinhos (com algumas honrosas exceções).
Agora, não ignoram tanto. Sinais de mudança.