25.03.09

Flip terá mesa-redonda dedicada a quadrinhos, segundo desenhista

A edição deste ano da Flip - Festa Literária Internacional de Paraty - terá uma mesa sobre quadrinhos. A notícia foi divulgada ontem no blog "Gibizada", de Telio Navega. 

Segundo a postagem, a informação foi dada por Rafael Grampá, um dos convidados. 

Ao lado dele, estarão outros três brasileiros: Gabriel Bá, Fábio Moon e Rafael Coutinho.

                                                           ***

Bá, Moon e Grampá venceram em 2008 o prêmio Eisner na categoria melhor antologia pela obra coletiva "5". A premiação é a principal dos Estados Unidos.

As séries desenhadas por Bá e Moon também ganharam um troféu cada uma. No Brasil, a dupla faturou um Jabuti pela adaptação em quadrinhos do conto machadiano "O Alienista".

Coutinho será destaque neste ano. Ele faz o desenho de um álbum nacional para o novo selo da Companhia das Letras dedicado exclusivamente a quadrinhos.

                                                           ***

Esta sétima edição da Flip vai ser realizada de 1º a 5 de julho na cidade histórica de Paraty, no Rio de Janeiro. Não é a primeira vez que a organização flerta com os quadrinhos.

Em 2007, Art Spiegelman, autor de "Maus", foi convidado. O nome dele chegou a ser divulgado. O desenhista, no entanto, cancelou a vinda por motivos pessoais.

Na ocasião, nenhum outro nome, nacional ou estrangeiro, foi cogitado para substituí-lo.

                                                           ***

No ano passado, o inglês Neil Gaiman foi à festa literária por conta de seu lado romancista. Mas ter sido o autor da história em quadrinhos "Sandman" falou mais alto.

A imprensa noticiou Gaiman como o "criador de Sandman", e não como autor literário. Umas quatrocentas pessoas formaram fila à espera de um autógrafo dele.

Gaiman, curiosamente, desenhou nos exemplares um singelo Sandman. 

                                                           ***

Perguntar não ofende: os brasileiros precisaram vencer prêmios fora do país - e também um Jabuti, no caso de Bá e Moon - para, só então, serem "aptos" a participar da Flip?

O trabalho deles - e de outros quadrinistas brasileiros - já não reunia adjetivos suficientes para que a festa literária os tivesse convidado antes?

Escrito por PAULO RAMOS às 16h47
[comente] [ link ]

23.03.09

O novo caminho da informação

Há cinco minutos, recebi um e-mail de um leitor, Eduardo Filipe.

Ele dividia comigo os momentos de Beirute vividos no início da noite desta segunda-feira em Copacabana, no Rio de Janeiro.

Segue o assustador relato dele.

                                                            ***

"Acabei de passar na pracinha do Bairro Peixoto, bairro onde moro na zona sul do rio, no meio de Copacabana, para devolver uns filmes na locadora."

"Na volta, quase que tive que rastejar, um comando da PM começou a tomar a praça para reter os traficantes que tinham tentado sair pela Santa Clara."

"Houve troca de tiros feroz, isso quase em frente ao quartel do batalhão da PM, que fica na Figueiredo Magalhães."

"Os ´traficantes´ recuaram pela Santa Clara e quase acessaram o bucólico Bairro Peixoto pelo túnel que liga a Santa Clara à pracinha."

"A PM já tinha tomado o perímetro da praça e ficou difícil invadir. A troca de tiros os manteve dentro do túnel."

"Vim correndo subindo a minha rua, a Décio Vilares ao lado de dois integrantes do comando especial. Estes rumavam para a saída ´alta´ do Bairro Peixoto, no intuito de cercar os traficantes pela parte alta da Santa Clara."

"Todo mundo correndo abaixado, gente chorando, os carros voltando em contra-mão da saída da Anita Garibaldi, que dá em direção ao túnel, esquina da Santa Clara, epicentro dos eventos deste começo de noite.

"Sem exagero, está sinistro!!!!!!!"

                                                           ***

Paralelamente, entro no Twitter, sistema de mensagens rápidas, com 140 caracteres.

Leio alerta do desenhista André Dahmer, outro fluminense:

"O bicho está pegando aqui em Botafogo. Muitos tiros. Muitos". 

Passo, só então, pelos sites noticiosos. Há registros da noite de tiroteios carioca, com maior ou menor destaque. Mas não com a velocidade e a emoção das outras mídias.

                                                           ***

É lamentável o que leio sobre o Rio.

Mas me chama a atenção a forma como tive contato com a informação.

Não foi pelos veículos tradicionais de imprensa. Rádio, TV, jornal. Ou mesmo os sites.

Foi por meio das mídias alternativas, que exercem função tão noticiosa quanto as demais.

                                                            ***

O alerta foi dado pelo e-mail. Depois, por meio do Twitter. Ágeis, velozes, no calor do fato.

Os teóricos do jornalismo defedem a ideia - da qual compartilho - de que a mídia é que constrói a sensação de realidade de uma pessoa.

Pauto-me no mesmo exemplo para traduzir a premissa teórica. Se o tiroteio do Rio não fosse noticiado, ele teria ocorrido para quem o presenciou. Mas não para a grande massa.

Para o restante do país, a informação não noticiada simplesmente não teria existido.

                                                           ***

Não é nada nova a afirmação de que a internet facilitou o acesso à informação, qualquer que seja ela. Os blogs - este inclusive - fazem coro virtual a esse processo.

Mas já começa a ser perceptível uma outra rede de informações, paralela aos gêneros e suportes tradicionais da internet.

Um grupo, organizado via Twitter, chegou a fazer um protesto em São Paulo. Pelo mesmo sistema, já tive acesso, hoje, ao conteúdo do "Roda Viva" que ainda nem foi ao ar.

Também não é novidade que o apreciador de quadrinhos se informa sobre a área por meio da internet, que contornou a recorrente ausência de notícias nos demais veículos.  

                                                         ***

O ponto é: não importa se algum veículo não noticiar um fato.

Há outros caminhos - alternativos até aos próprios sites - que irão informar o assunto.

A sensação de realidade já independe da mídia tradicional. E também dos sites.

Essa sensação de mundo está espalhada pelos cada vez mais inovadores recursos virtuais.

                                                          ***

Paz ao Rio.

Tenho certeza de que esse voto singelo e sincero ecoará virtualmente.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h18
[comente] [ link ]

16.03.09

Outra tira que merece registro

 

Fonte: página virtual do La Nacion

 

Crédito: "Batu", de Tute, publicada na edição de hoje do jornal argentino "La Nacion".

Escrito por PAULO RAMOS às 10h27
[comente] [ link ]

Uma tira que merece registro

 

Fonte: Folha Online

 

Crédito: Caco Galhardo, na edição desta segunda-feira da "Folha de S.Paulo".

Escrito por PAULO RAMOS às 10h05
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]