28.06.09

Mais uma charge sobre Michael Jackson

 

Ia deixar Michael Jackson finalmente em paz. Mas esta charge de Maumau merece registro.

Na minha leitura, é a melhor sobre o cantor feita após a morte dele, na quinta-feira passada:

 

Crédito da charge: Maumau

 

Crédito: reproduzo via "Quiosque da Utopia", blog mantido por Maumau.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h10
[comente] [ link ]

Folha volta a publicar Hagar na edição de domingo

 

Crédito: reprodução do jornal Folha de S.Paulo

 

Boa notícia para quem gosta das tiras de "Hagar, o Horrível". A "Folha de S.Paulo" voltou a publicar a série, mas apenas aos domingos. A reproduzida acima é da edição de hoje.

O jornal tinha deixado de circular Hagar com a entrada das tiras de "Macanudo", do argentino Liniers. A série começou a ser publicada na última segunda-feira.

Com as mudanças, "Macanudo" para a circular de segunda a sexta. Hagar, aos domingos.

Outra alteração foi pôr um novo dia, sábado, às séries que circulavam apenas aos domingos. É o caso das tiras de Alan Sieber e dor irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

                                                          ***

Para registro: duas semanais deste fim de semana trazem reportagens sobre quadrinhos. Mas, nos dois casos, são pautas antigas, já fartamente abordadas na internet.

A "Carta Capital" fez matéria sobre um dos álbuns de Will Eisner vistos com ressalva por educadores. A reportagem, no entanto, não inclui a proibição ocorrida no Rio Grande do Sul.

A "Veja" traz uma reportagem sobre desenhistas brasileiros que fazem sucesso nos Estados Unidos. O mote é Ed Benes, mas cita também Gabriel Bá e Fábio Moon.

Bá e Moon foram bastante premiados por lá em 2008. José Edilbenes - que assina Ed Benes - é um dos principais desenhistas da DC Comics, de Batman e Super-Homem.

                                                           ***

Post postagem (20.06, às 18h22): o leitor Carlos me alerta, com toda a razão, que a "Folha de S.Paulo" publicou uma tira de Hagar também no sábado.

É preciso, então, corrigir esta postagem. Onde se lê "edição de domingo", leia-se edição do fim de semana, incluindo também o sábado.

É nisso que dá postar correndo durante o intervalo de Brasil (3, de virada) e Estados Unidos.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h40
[comente] [ link ]

26.06.09

Aberta temporada de charges de Michael Jackson

É uma característica do brasileiro. Fazer piadas de uma figura conhecida logo após a morte dela. Nem Ayrton Senna escapou após morrer em uma corrida em Ímola, na Itália, em 1994.

A bola da vez é Michael Jackson, morto na quinta-feira, nos Estados Unidos, vítima de ataque cardíaco. O microblog Twitter já está cheio de piadinhas.

As charges seguem o mesmo caminho.

Duas delas, de Gió e J. Bosco, lidas no site "Charge Online":

 

Charge de Gió, veiculada no site Charge Online

 

Charge de J. Bosco para o jornal O Liberal, reproduzida pelo Charge Online

 

Vem mais por aí. Deve ser um dos mais caricaturados nos próximos salões de humor.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h15
[comente] [ link ]

24.06.09

Duas tiras do dia

 

Para aliviar um pouco a pauta tão densa dos últimos dias, duas tiras desta quarta-feira.

 

Crédito: Chiclete com Banana, de Angeli

 

Crédito: Piratas do Tietê, de Laerte

 

Crédito: Angeli e Laerte, respectivamente, na edição de hoje da "Folha de S.Paulo".

Escrito por PAULO RAMOS às 18h21
[comente] [ link ]

23.06.09

MEC defende distribuição de obras de Will Eisner a escolas

A secretária de Educação Básica do MEC, Maria do Pilar, defendeu o envio de álbuns em quadrinhos do norte-americano Will Eisner a escolas de todo o país.

Segundo Pilar, as bibliotecas escolares devem ser plurais e representar o pensamento contemporâneo. Quanto ao acervo, defende que deve ser supervisionado pela escola.

"A biblioteca da escola não é como uma biblioteca pública qualquer", disse em depoimento à Rádio Bandeirantes, de São Paulo.

"Ela [a biblioteca] tem um profissional que media o acesso dos alunos aos livros, inclusive. Porque as escolas têm crianças de sete, de dez, de 14, de 17, de 18 anos. E ele não pode ter acesso a qualquer livro".

                                                          ***

O depoimento de Pilar é uma resposta à secretária estadual de Educação do Rio Grande do Sul, Mariza Abreu. Esta entende que as obras são inadequadas ao ensino médio.

A secretária ameaçou entrar na Justiça contra o MEC e orientou que as escolas do Estado recolhessem os álbuns de Eisner, como o blog noticiou no domingo.

"É uma linguagem, cenas de sexo explícito... enfim, nós estamos considerando inadequada para o público adolescente", disse à Rádio Bandeirantes.

A decisão dela foi tomada no fim da semana passada e repercutiu em jornais gaúchos.

                                                          ***

"Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço", "O Nome do Jogo" e "O Sonhador", alvos da polêmica, integram a lista de obras do PNBE, do governo federal.

O programa existe desde 1997 e tem o objetivo de formar bibliotecas escolares em todo o país. De 2006 para cá, passou a incluir quadrinhos na relação de obras selecionadas.

Os álbuns de Eisner foram três dos títulos escolhidos para distribuição nas escolas neste ano. A seleção foi feita por um grupo de professores da  Federal de Minas Gerais.

"Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço" havia causado polêmica no Paraná e, no início do mês, em São Paulo. Uma vez mais, o caso repercutiu na mídia.

Escrito por PAULO RAMOS às 00h22
[comente] [ link ]

Mangá vai narrar volta do Corinthians à primeira divisão

 

Crédito: reprodução do portal Terra

 

 

 

 

 

 

 

 

Possível capa da publicação em quadrinhos, que será lançada no fim de julho

 

 

 

 

 

 

 

 

A notícia foi dada na manhã desta segunda-feira. Não demorou para repercutir nas editorias de esporte dos portais. O Corinthinas vai virar mangá, nome dado ao quadrinho japonês.

A proposta é da empresa de comunicação BB, que assinou contrato com o clube paulista.

"Estamos animados com a iniciativa, pois em menos de 30 dias conversamos com o clube, desenhamos o projeto e vamos colocá-lo no mercado", disse Baroni Neto, diretor comercial da BB, ao site UOL.

O projeto pretende narrar o que o time viveu nos dois últimos anos. Da queda para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro ao retorno, no ano seguinte.

A contratação de Ronaldo e a recente conquista do Campeonato Paulista também vão integrar a revista. A obra será lançada em 25 de julho, com tiragem de 50 mil exemplares.

                                                          ***

O projeto prevê dois formatos. Um, para bancas, terá 64 páginas e vai custar R$ 29,90. Outro, de luxo, será para livrarias e vai ter páginas extras. Será vendido a R$ 59,90.

"Timão em Estilo Mangá" é a segunda obra que se pauta em "Turma da Mônica Jovem".

Lançada no ano passado, a revista mostra uma versão adolescente dos personagens de Mauricio de Sousa. A publicação mensal também é feita nos moldes dos mangás.

No início deste mês, a editora Pixel pôs nas bancas uma versão jovem de Luluzinha. A revista também estampa na capa a expressão "em estilo mangá".

                                                          ***

Nota: as informações desta postagem são dos portais UOL e Terra.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h10
[comente] [ link ]

21.06.09

Governo do RS proíbe três álbuns de Will Eisner nas escolas

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "O Sonhador", um dos livros recolhidos; obra foi levada pelo governo federal a escolas de todo o país 

 

 

 

 

 

 


O governo do Rio Grande do Sul orientou nesta semana que as escolas estaduais do Estado retirem do acervo três obras em quadrinhos do norte-americano Will Eisner.

Os álbuns são "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço" - que já causou polêmica em São Paulo e no Paraná" -, "O Sonhador" e "O Nome do Jogo".

Na avaliação da Secretaria Estadual da Educação, os títulos apresentam conteúdo inadequado aos estudantes do ensino médio, público a que foram destinados.

"É uma biografia adulta que deve ser comprada na banca de revistas para quem quiser ler. O problema é a adequação do material a ser usado na escola pública junto a adolescentes", disse a secretária da pasta, Mariza Abreu, ao jornal "Correio do Povo".

                                                          ***

Os três livros não são vendidos em bancas. São comercializados em livrarias e lojas especializadas em quadrinhos. Mas chegaram às escolas via governo federal.

As obras integraram a lista de mais de 20 títulos em quadrinhos que compuseram a lista deste ano do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola).

Os álbuns - e outros livros selecionados - são enviados diretamente a escolas de todo o país para criar acervos de bibliotecas. Os títulos de Eisner são para o ensino médio.

A secretária, de um governo do PSDB, estuda entrar na Justiça contra o MEC, do PT. "Estudamos a possibilidade de ingresso de ação judicial. Afinal, trata-se de dinheiro público", disse, em depoimento reproduzido uma vez mais do "Correio do Povo".

                                                         ***

O assunto repercutiu no fim desta semana não só no jornal "Correio do Povo", mas também no "Zero Hora", também de Porto Alegre.

Às duas publicações a secretária disse acreditar que o ministro da Educação, Fernando Haddad, desconhece o conteúdo dos álbuns de Will Eisner. Ela iria tentar contato com ele.

Casos como esse têm se tornado frequentes desde que o governo de São Paulo selecionou a alunos de nove anos um álbum direcionado a adultos.

Após isso, o foco tem sido direcionado aos trabalhos de Eisner, em particular "Um Contrato com Deus". O trabalho é um dos pioneiros das "graphic novels" nos Estados Unidos.

                                                          ***

Os críticos da obra resumem o conteúdo a duas cenas. Numa, uma menina de dez anos levanta o vestido e mostra a calcinha ao zelador do prédio onde mora.

Noutra, um pai bêbado agride a esposa e o filho, um bebê. Os outros álbuns trazem uma cena de sexo, sutil, em cada um. E situações de briga, a contar nos dedos da mão.

"O Sonhador" é autobiográfica. Mostra a luta de um aspirante a desenhista em seguir carreira nos Estados Unidos da década de 1930, época em que Eisner começou.

"O Nome do Jogo" apresenta como arranjos familiares podem ajudar famílias a enriquecer. A trama percorre três gerações de diferentes famílias.

                                                           ***

Leia mais sobre a polêmica no Paraná na postagem abaixo. E em São Paulo, neste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h30
[comente] [ link ]

20.06.09

Vereador paranaense quer retirar álbum de Will Eisner de escolas

O vereador Jair Brugnano (PSDB), da cidade de União da Vitória, no Paraná, quer retirar de escolas da cidade o álbum "Um Contrato com Deus", de Will Eisner.

Segundo o jornal "Gazeta do Povo", fonte das informações desta postagem, Brugnano já proibiu a obra na Escola Estadual São Cristóvão, da qual é diretor.

Ele pretende entrar com ação para ampliar a medida a todas as escolas da cidade, que fica na região sul do Estado. No entender dele, o conteúdo é inadequado aos alunos.

“Esses livros não condizem com a realidade da educação. Os termos neles são vulgarizados e tem até trechos de pedofilia. Acho inadmissível gastar dinheiro público para colocar pornografia nas escolas públicas”, disse ele ao jornal.

                                                           ***

A secretária de Educação da cidade, Marli Brugnano, concorda com a leitura feita pelo vereador. A secretária é esposa dele.

“Os livros chegaram e foram direto para a biblioteca, só depois vimos. Se o MEC manda, a gente confia que é bom", disse ao jornal paranaense.

"Um Contrato com Deus" já havia incomodado uma diretora paulista no mês passado. Ela via na obra violência e alusão a pedofilia.

A versão da diretora pautou, no início deste mês, reportagem do jornal paulistano "Agora" e, um dia depois, matéria no "SPTV 1ª Edição", telejornal local da Rede Globo.

                                                           ***

A polêmica em torno de "Um Contrato com Deus" se restringe a duas cenas, sempre lembradas fora do contexto em que foram produzidas.

Numa, uma menina de dez anos levanta o vestido e mostra a calcinha para o síndico do prédio onde mora. A estratégia, isso não é lembrado, é para roubar o dinheiro dele.

É nessa cena que é visto sinal de pedofilia. No outro momento polêmico, um pai bêbado toma o bebê das mãos da esposa e o arremessa no sofá. Depois, bate na mulher.

As duas cenas integram contos diferentes da obra, ambientada na vida dos cortiços nova-iorquinos da década de 1930. Foi onde o autor nasceu e passou a juventude.

                                                          ***

"Um Contrato com Deus" foi publicado nos Estados Unidos em 1978 e tornou conhecido o termo "graphic dovel", dado a obras norte-americanas mais adultas e autorais.

A obra traz quatro contos. Um é o que dá título ao livro. Houve duas edições no Brasil. A mais recente foi publicada pela editora Devir, de São Paulo, em 2007.

É essa edição que integra a lista do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), do governo federal, que seleciona livros e quadrinhos para levar a escolas de todo o país.

A obra de Eisner foi um dos cinco títulos em quadrinhos listados em 2008 para serem distribuídos neste ano a escolas do ensino médio, que tem alunos acima dos 14 anos.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h53
[comente] [ link ]

17.06.09

Nota em jornal gera carta de resposta de ilustradores

A SIB - Sociedade dos Ilustradores do Brasil - emitiu hoje à tarde uma carta em resposta a uma nota curta publicada na coluna "Gente Boa", do caderno de cultura de "O Globo".

A nota, intitulada "Ilustradores, unidos", registra que os ilustradores pretendem dividir os direitos autorais de obras - entre elas as infantis - com os autores. Segue o texto:

As editoras de livros enfrentam um novo problema: os ilustradores, principalmente os de livros infantis, querem rachar o direito autoral com os escritores.

Não aceitam mais um xis pelo trabalho. Pedem um percentual nas vendas, de olho na força do setor e nos grandes lotes comprados pelo governo.

                                                          ***

A SIB defende que não quer dividir os direitos autorais com o autor. Mas reivindica uma participação maior no pagamento feito pelas editoras, em particular nas vendas ao governo.

Leia a íntegra da carta de resposta da entidade:

Muito oportuna a nota "ilustradores, unidos”, publicada na edição de hoje. Gostaríamos de esclarecer que a questão dos direitos autorais dos ilustradores é antiga, e vem ganhando força nos últimos anos por conta de uma postura mais consciente dos profissionais, e do próprio amadurecimento do mercado.

A co-autoria de um ilustrador de livro infantil é inegável. Muito mais do que um mero suporte ao texto, as imagens exercem encantamento, definem a identidade do título e possuem enorme poder de decisão na hora da compra. E, como co-autores, nada mais justo que participar dos benefícios obtidos com as vendas.

E, importante salientar, nunca foi proposto rachar o direito autoral com os escritores, e sim com a editora. lustradores e escritores, ambos autores, têm sido parceiros produtivos à literatura infantil e juvenil brasileira.

Não se pretende aqui entrar na justa fatia que o escritor do livro recebe, mas sim em uma nova conta com as editoras – que, apesar de terem no governo brasileiro o maior comprador de livros do planeta, ainda insistem na imposição de contratos leoninos aos seus colaboradores, sejam ilustradores ou artistas gráficos.

A Sociedade dos Ilustradores do Brasil, com duas centenas de associados em todo o território nacional, trabalha pela excelência na prática profissional e entende que os ilustradores não são meros prestadores de serviços, mas parceiros da editora na produção de obras infantis.

Neste momento de mudanças no perfil do mercado é onde se pode concluir esta discussão com benefícios para todas as partes, principalmente para o leitor.

                                                          ***

Assinam a carta nove integrantes do conselho gestor da entidade: Cecilia Esteves, Orlando Pedroso, Jinnie Pak, Chicão Monteiro, Marcelo Martinez, Daniel Bueno, Mauricio Negro, Rodrigo Rosa e Rogério Soud.

"Tem um novo mercado surgindo. A questão é discutir qual a participação do ilustrador nesse mercado", diz Orlando Pedroso, por telefone.

No entender dele e da SIB, é necessário abrir um canal de discussão com as editoras para definir como o desenhista pode se enquadrar, como autor, co-autor ou partícipe dos lucros.

Muitas obras infantis e de cunho didático têm sido incluídas em listas dos governos federal e estadual. Nos últimos anos, a presença de elementos visuais nessas obras tem aumentado significativamente.

                                                           ***

A questão é atual e pertinente: ilustrador de um livro - em particular o de obras infantis - pode ser considerado co-autor?

O que você acha? Deixe sua opinião nos comentários.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h40
[comente] [ link ]

15.06.09

As possibilidades das tiras duplas - 2

 

Não era para virar uma série, mas esta tira também merece registro:

 

Crédito: blog Tironas

 

Crédito desta tira: blog "Tironas" (link). Veja outra tira dupla na postagem abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h59
[comente] [ link ]

As possibilidades das tiras duplas

Já faz um tempo que a definição de tira cômica precisa ser alargada.

Não se trata apenas de um texto de humor produzido em formato horizontal fixo. Já há um número grande de casos de piadas que ocupam o espaço físico de duas tiras.

Isso tem sido visto tanto em sites e blogs, que permitem uma maleabilidade maior do formato, como nos veículos impressos - "Folha de S.Paulo" e jornais argentinos.

Tenho acompanhado esse comportamento das tiras há algum tempo. Mas me voltou à mente ao ler este exemplo, veiculado hoje no blog "Um Sábado Qualquer", de Carlos Ruas:

 

Crédito: reprodução do blog Um Sábado Qualquer

 

O dado que me chamou a atenção é que a construção do humor só foi possível por conta dos "dois andares" da tira. É algo para ficar de olho.

Nota: agradeço ao leitor João Paulo Cursino pela dica da tira.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h53
[comente] [ link ]

11.06.09

Uma tira do dia que merece registro

 

Crédito: Níquel Náusea, de Fernando Gonsales

 

Crédito: "Níquel Náusea", de Fernando Gonsales, na edição de hoje da "Folha de S.Paulo".

Escrito por PAULO RAMOS às 15h05
[comente] [ link ]

06.06.09

Quadrinhos ocupam espaço privilegiado na imprensa

Direto aos fatos, lidos entre ontem e hoje:

- O caderno de cultura de "O Estado de S. Paulo" deste sábado dedica sete páginas a quadrinhos e obras ilustradas. O jornal noticia de quando em quando o tema. Mas nunca com tanto espaço e com vários títulos de uma só vez.

- A "Carta Capital" desta semana traz matéria de quatro páginas sobre obras que "fazem romance por meio de quadrinhos". Das quatro semanais, a revista é a única que mantém uma regularidade de pautas sobre quadrinhos. Mas nunca chegou a tantas páginas.

- A revista "Piauí" deste mês traz um capítulo de "Cachalote", de Daniel Galera e Rafael Coutinho, álbum nacional que o selo Quadrinhos na Cia. lança em breve. A narrativa ocupa sete páginas da publicação.

                                                          ***

Por mais que a grande mídia tenha aumentado o espaço dedicado aos quadrinhos de 2006 para cá, é raro, raríssimo o tema ocupar tanto espaço numa tacada só.

Ainda mais num espaço da imprensa tradicionalmente dedicado à literatura.

A leitura que se pode fazer é que a entrada no mercado do Quadrinhos na Cia., selo da Companhia das Letras, já começa a ecoar nos veículos de imprensa.

A editora paulista é uma das que mais emplaca pautas na mídia cultural. O mesmo tem ocorrido com os quatro primeiros títulos do selo que começou a vender no fim de maio.

                                                           ***

É esse, pelo menos, o ponto comum entre todas as inserções mencionadas acima.

O Quadrinhos na Cia. aparece no "Estadão", "na "Carta Capital" (em ambos com "Retalhos", de Craig Thompson), na "Piauí".

Resenhávamos nesta semana que a entrada do selo poderia chacoalhar o mercado.

Um dos motivos é que a Companhia tem bom trânsito entre os chamados "formadores de opinião" da mídia cultural, como já se vê.

                                                           ***

Outro motivo é que procura conquistar um novo leitor. É a pessoa que não necessariamente acompanha quadrinhos, mas que frequenta livrarias e aprecia um bom romance.

As matérias lidas neste início de junho na imprensa mostram que o diálogo com esse novo leitor já começa a ser feito.

Os quadrinhos ocuparam, nas três publicações mencionadas, um espaço normalmente preenchido pela literatura. E o mesmo vai se repetir na próxima Flip, em julho.

A Festa Literária de Paraty vai ter uma mesa dedicada a quadrinhos, com presença de Fábio Moon, Gabriel Bá, Rafael Grampá e Rafael Coutinho, de "Cachalote".

                                                          ***

A estratégia tende a agregar valor aos quadrinhos e afinar o diálogo que existe com a literatura. Embora sejam linguagens diferentes, apresentam inegáveis pontos comuns.

Ainda é cedo para perceber onde isso vai dar. Mas, parece, é algo positivo. E serve de contraponto a quem ainda mantém o argumento de que quadrinhos são só para crianças.

Como a pauta recente da mesma imprensa mostrou, é um discurso ainda presente.

O fato é que os quadrinhos neste começo de mês tomaram um espaço habitualmente destinado à literatura. Pode ser o início de algo novo. É para ser observado bem de perto.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h58
[comente] [ link ]

04.06.09

Duas tiras que merecem registro

 

Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Crédito: reprodução da versão on-line da Folha de S.Paulo

 

Crédito: Laerte, nas edições de ontem e de hoje do jornal "Folha de S.Paulo".

Escrito por PAULO RAMOS às 15h43
[comente] [ link ]

03.06.09

Abril teve projeto de versão jovem de Luluzinha

 

Crédito: reprodução do blog Papo de Budega

 

 

 


Projeto foi pensado na década de 1990 e foi engavetado 

 

 

 

 

A editora Abril havia planejado uma versão jovem de Luluzinha e Bolinha na segunda metade da década de 1990. O projeto era desconhecido até o momento e não foi adiante.

A informação veio a público nesta quarta-feira em nota do blog "Papo de Budega", da jornalista Sandra Monte. É de lá a imagem acima, produzida pela Abril na época.

A existência do projeto foi passada a Monte por Primaggio Mantovi, então diretor de redação dos quadrinhos da Abril. Ele não explica o que levou a engavetar a ideia.

                                                           ***

Segundo Mantovi, o roteirista Gerson Borlotti e o desenhista Fernando Bonini ficaram a cargo das primeiras histórias. 

A ilustração que mostra os dois personagens como dois namoradinhos - feita por Bonini - foi a que deu origem ao projeto. E a única que restou no arquivo dele.

A Pixel, um dos selos da Ediouro, lança nesta semana uma revista de Luluzinha adolescente. As histórias foram produzidas no formato mangá. Saiba mais aqui e aqui.

                                                           ***

Post postagem (03.06, às 14h10): o colega Delfin me alerta, por e-mail, sobre um dado a respeito dessa nota que realmente precisa ser registrado.

A imagem - a única que teria restado no acervo de Mantovi, segundo o "Papo de Budega" - é do álbum "Luciano", publicado por ele e Bonini em 2005 pela Via Lettera.

A versão adolescente de Luluzinha e Bolinha aparece no sexto quadrinho da página 41. Se o álbum é de 2005, como o projeto foi pensado pela Abril quase dez anos antes?

No momento, não sei a resposta. Creio que a história é da década de 1990. Vou checar.

                                                          ***

Post postagem 2 (03.06, às 14h51): Acabei de conversar por telefone com Primaggio Mantovi. Está correta a informação desta postagem.

Segundo ele, a história foi feita na primeira metade da década de 1990. Ficou parada até ser publicada pela Via Lettera em 2005, mesmo ano da morte de Fernando Bonini.

Ele confirma que foi a partir de uma das imagens da história, a que abre a postagem e incluída na obra, que surgiu a ideia de criar uma versão adolescente de Luluzinha.

"O projeto simplesmente não saiu", disse. "Parou no meio do caminho. A diretoria [da Abril] não deu sinal verde." Segundo Mantovi, foram feitas cerca de seis histórias.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h54
[comente] [ link ]

02.06.09

Imprensa perde critério no caso dos quadrinhos na escola

 

Crédito: reprodução do site da editora Devir 

 

 

 

 

 

 

Telejornal da TV Globo questiona presença de obra adulta de Will Eisner em biblioteca de uma escola da Grande SP

 

 

 

 

 

 


É preciso entender o modus operandi da imprensa para perceber que ela já começa a perder critério na cobertura dos livros em quadrinhos levados à escola.

A mídia informativa costuma explorar muito os modismos. Se um assunto encontra eco na população, é forte candidato a ganhar uma suíte, jargão jornalístico para uma reportagem que dá sequência a determinado tema.

Quando essas ondas de modismo ocorrem, qualquer caso semelhante ganha imediatamente os holofotes, mesmo que, numa análise fria, merecesse apenas uma nota ou até nem ser noticiado.

Um caso da semana, apenas para ilustrar. Qualquer mínimo problema técnico que um avião tiver nos próximos dias vai ganhar manchete. O modismo é espelhado na queda do Air Bus-A330 da Air France, que ia do Rio de Janeiro a Paris.

                                                           ***

Nesses casos, há o sério risco de o modismo se sobrepor ao juízo jornalístico. Valoriza-se muito o que não merecia tanto destaque. Basta olhar um pouco atrás o caso da morte da menina Isabela Nardoni, em que a mesma informação foi exaustivamente noticiada.

Está ocorrendo exatamente isso na cobertura da entrada de quadrinhos nas escolas. Isso fica bem claro numa matéria de hoje do "SPTV 1ª Edição", telejornal local da TV Globo.

A reportagem informa que o álbum "Um Contrato com Deus e Outras Histórias de Cortiço", de Will Eisner, é outra obra distribuída pelo governo com conteúdo inadequado a alunos. Neste caso, da sexta série (em torno de 11 anos).

                                                         ***

O livro, reeditado pela Devir em 2007, integra a lista de obras deste ano do PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola). O programa do governo federal distribui livros e quadrinhos a escolas de todo o país.

Ainda segundo a reportagem, o livro foi descoberto por uma diretora de escola de Ferraz de Vasconcelos, cidade da Grande São Paulo. Ela identificou a obra na biblioteca, frequentada por alunos de sexta série.

Nas palavras da repórter Daiane Garbin, da Globo, "pelo nome, o livro de quadrinhos parece inofensivo, mas, virando as páginas, o que se encontram cenas de sexo e violência. Em uma cena, haveria referência à pedofilia e à prostituição infantil".

Ela destaca também uma cena que insinua pedofilia e outra, em que o pai esbofeteia a mãe e arremessa um bebê no sofá. Tudo fartamente ilustrado. A diretora não aparece na matéria.

 

 

À reportagem da Globo, vale reforçar, o ministério da Educação disse que a obra é adequada a estudantes do ensino médio, com mais de 15 anos. E que cabe às escolas a responsabilidade pelos empréstimos.

Os dois apresentadores do telejornal, Carla Vilhena e Cesar Tralli, registraram numa nota-pé (nome do texto lido do estúdio após a exibição da reportagem) que Eisner é um autor reconhecido mundialmente e que apenas a adequação da obra era discutida.

É um claro e tardio mea culpa público. Há exatas duas semanas, os mesmos âncoras questionaram, sim, a qualidade de "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", álbum feito por diferentes autores nacionais e destinado ao leitor adulto.

O livro foi comprado pelo governo de São Paulo e seria levado a estudantes da terceira série. O governo admitiu a falha. No "SPTV", o governador José Serra classificou a obra de muito mau gosto, um horror. Carla Vilhena se mostrou chocada na primeira pergunta feita a Serra.

                                                          ***

Como comentamos em texto veiculado na última sexta-feira aqui no blog, o discurso da mídia sobre o caso mudou. Há sinais claros disso na reportagem em pauta.

Tralli e Carla Vilhena explicitaram um tardio - embora educativo a eles e ao público - atestado de que a cobertura anterior teve falhas, assim como o processo seletivo.

Mas fica a pergunta aos pauteiros do "SPTV 1ª Edição": valia a matéria?

Observando o caso friamente, descolado das reportagens recentes, é algo que pouco se sustenta jornalisticamente. É de espantar que tenha sido levado ao ar, ainda mais na Globo.

                                                          ***

É de uma obviedade absurda dizer que uma obra direcionada a adolescentes e adultos esteja numa biblioteca. Mesmo sendo um espaço frequentado por crianças.

O óbvio é que isso ocorre em qualquer biblioteca escolar. Há livros para diferentes públicos. Inclusive o infantil. Cabe a uma bibliotecária controlar o acervo e o empréstimo. O alarde da diretora evidencia um claro despreparo dela. Essa, talvez, seria a matéria.

Mais um fato poria a pauta à prova: o ministério da Educação está correto. A obra foi selecionada para o ensino médio, de modo a compor bibliotecas escolares.

A lista do PNBE inclui para o mesmo público outras duas obras de Eisner - "O Sonhador" e "A Força da Vida" - e duas nacionais - "Domínio Público - Literatura em Quadrinhos" e "O Alienista", vencedora de um Prêmio Jabuti em 2008.

                                                           ***

Outros questionamentos, que faltaram à reportagem, ajudariam a derrubar a matéria.

Primeiro: será que a diretora - que não aparece na matéria - viu inadequação também nas obras literárias presentes no acervo do PNBE? Por que o foco só no álbum em quadrinhos?

Segundo questionamento: qual o contexto das histórias mostradas no álbum de Eisner? O tema era sexo, violência e alusão a pedofilia? Ou eram histórias humanas, situadas nos cortiços nova-iorquinos, onde o autor passou a infância? Enfim: a obra foi lida?

Terceiro questionamento: se vale o que os âncoras disseram, que o objetivo não era questionar a qualidade da obra e do autor, por que o conteúdo do primeiro OFF (narração feita pelo repórter) disse que o "livro parece inofensivo"? Houve contradição.

                                                           ***

Os modismos acabam, é questão de tempo. São sobrepostos por outros modismos.

Mas, até lá, esse modus operandi da imprensa tende a dar corda a um novelo que já não tem mais linha. E passa pelo sério perigo da perda do critério jornalístico, de destacar algo que não merecia ser noticiado. Como neste caso sobre a obra de Will Eisner.

A imprensa corre também o risco de cometer erros nesse processo. Os casos da Escola Base e do Bar Bodega, ambos da década de 1990, são tristes exemplos disso.

Noticiou-se por semanas, à exaustão, a culpa de um grupo de pessoas. Nenhuma era culpada. A correção rendeu uma nota, meses depois. Isso quando houve correção.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
[comente] [ link ]

Uma tira sobre o caso do Airbus-A330

 

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, confirmou nesta terça-feira que destroços encontrados na região do arquipélago de Fernando de Noronha são do Airbus-A330.

O avião da Air France era dado como desaparecido desde a noite de domingo.

Ia do Rio de Janeiro a Paris.

Tinha 228 pessoas a bordo entre passageiros e tripulantes.

Segundo a companhia aérea, 58 eram brasileiros.

 

Crédito: Paulo Stocker

 

A tira-homenagem é de Paulo Stocker e foi postada à tarde no blog dele.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h56
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]