30.04.09

Pixel vai publicar quadrinhos de premiados em concurso da Fnac

A editora Pixel vai manter o acordo e irá publicar as histórias em quadrinhos feitas pelo autores que ficaram em segundo e terceiro lugares do Prêmio Fnac Novos Talentos.

A garantia é de Silvio Alexandre, organizador da premiação, realizada no ano passado.

"O fato de a Ediouro descontinuar a linha de quadrinhos da Pixel não afetará em nada a revista especial que será feita com os premiados", diz Alexandre, por e-mail.

"Trata-se de uma parte da premiação e isso não foi mudado. Tanto a Ediouro como a Fnac mantêm o combinado".                                                          

                                                          ***

A Ediouro é a proprietária do selo Pixel, que vive dias de incógnita. A empresa tornou público nesta semana que rescindiu o contrato com a linha adulta da DC Comics.

Os títulos da norte-americana DC - que publica séries como Sandman, Preacher e Fábulas - eram o carro-chefe da Pixel. 

Por isso, havia dúvidas quanto ao futuro dos trabalhos feitos pelos premiados no concurso.

Pelas regras, o segundo e terceiro colocados teriam quadrinhos lançados num especial da revista "Pixel Magazine". O título mensal foi cancelado com as mudanças.

                                                           ***

O segundo lugar do Prêmio Fnac ficou com Luendey Maciel de Aguiar, nascido no Amazonas e morador de Curitiba. O terceiro, com o paulista Victor Gáspari Canela.

Eles também receberam material de informática e R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente. O primeiro colocado foi o paranaense André Figueiredo Müller. Ele ganhou R$ 5 mil.

Segundo Silvio Alexandre, as histórias em quadrinhos feitas pela dois autores serão editadas por ele e por Cassius Medauar, ex-editor-chefe da Pixel.

"Essa publicação será lançada durante a festa de entrega do Troféu HQMix, no Sesc Pompeia", diz. A cerimônia está programada para julho, em São Paulo.

                                                           ***

Posta postagem (30.04, às 16h45):  o curador do prêmio, Silvio Alexandre, entrevistado nesta postagem, esclarece um ponto sobre a publicação dos trabalhos dos dois autores.

Segundo ele, quem vai manter o acordo é a Ediouro, e não a Pixel. Em outras palavras: significa que as histórias não serão lançadas necessariamente pelo selo editorial.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h04
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Registros rápidos

Dilbert - A L&PM começa a vender nesta virada de mês o quarto livro de bolso com tiras de Dibert, personagem de Scott Adams. "Dilbert : Trabalhando em Casa" integra a coleção de pockets da editora gaúcha. A série completa 20 anos de criação.

França no RJ - O quadrinista francês Benoît Peeters faz um bate-papo hoje, às 18h30, no Rio de Janeiro. Ele é também especialista na obra de Hergé, criador de Tintim. Na Mediateca da Maison France (av. Presidente Antônio Carlos, 58, Castelo).

Fan Trek 1 - O livro "Almanaque Jornada nas Estrelas" conta a trajetória do seriado, que se tornou uma fraquia de sucesso, inclusive nos quadrinhos. O lançamento da obra será sábado (02.05), às 14h no 1º FicSão Paulo (r. Sena Madureira, 298, São Paulo).

Fan Trek 2 - A Devir programa para breve o lançamento de outros álbuns em quadrinhos baseados na série. O primeiro foi lançado no ano passado. A editora se pauta no burburinho gerado pelo próximo filme da franquia.

Humor - O 26º Salão Internacional de Humor do Piauí recebe inscrições de cartuns até o dia 19. O tema é meio ambiente. O vencedor ganha R$ 10 mil. Detalhes no site do evento. O salão vai ocorrer entre 25 e 31 de maio. 

Lançamento - Christie Queiroz lança neste feriado de sexta-feira o álbum de tiras de Cabeça Oca: "Só Não Crio Juízo Porque Não Sei o que Ele Come". É a décima coletênea da série. Será às 15h, no Centro de Convenções de Goiânia.

Biografia - A editora Seoman vai publicar no Brasil a biografia "Schulz and Peanuts: a Biography", sobre o criador das tiras de Snoopy. Deve ficar pronta no segundo semestre. A informação foi antecipada hoje por Eduardo Nasi, do site "Universo HQ".

Votação - "Earthbuilders", história colorizada pelo brasileiro Felipe Sobreiro, concorre numa disputa virtual no site norte-americano Zuda Comics, da DC. A votação é livre é termina hoje. Se vencer, pode ser remunerado e até publicar pela editora. Link para votar. 

Escrito por PAULO RAMOS às 10h19
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29.04.09

Primeira obra da lei de incentivo paulista a HQs tem lançamento em SP

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 


Capa do álbum de tiras "Caroço no Angu", de Gilmar, que começa a ser vendida no próximo fim de semana

 

 

 

 

 

 


O desenhista Gilmar lança seu próximo álbum de tiras, "Caroço no Angu", no próximo sábado, em São Paulo. Foi uma obra produzida em tempo recorde.

Entre o recebimento da verba da lei paulista de incentivo à produção de quadrinhos - R$ 25 mil - e a impressão, foram três meses. Ajudou o fato de as tiras já estarem prontas.

O projeto é o primeiro do programa de apoio cultural a ficar pronto. Outros nove estão em produção. Houve mais de cem inscritos no edital, definido em dezembro passado.

A obra de 48 páginas foi editada por ele mesmo. "Conversei com uma editora, mas, para entrar na grade de publicação, leva-se muito tempo", diz, por e-mail.

                                                           ***

O desenhista de 43 anos espera ampliar a tiragem do álbum. Tem planos de firmar parceria com alguma editora para ajudar nesse processo. E para contornar a burocracia.

"Posso dizer que é mais cômodo lançar por uma editora, já que não precisamos bater cabeça com questões burocráticas de registro", diz.

Segundo ele, perde-se um bom tempo até descobrir "os caminhos das pedras".

"Com editora, que tem todos os caminhos, só precisamos nos preocupar com a produção do material, que é o nosso ofício."

 

Crédito: divulgação

                                                     

O formato do novo álbum ficou parecido com os dois outros que ele lançou pela Devir, "Para Ler Quando o Chefe Não Estiver Olhando" (2004) e "Pau Pra Toda Obra (2005).

A obra traz 180 tiras feitas por ele em diferentes publicações, de "Folha de S.Paulo" e "Jornal do Brasil" a revistas como a "Você S.A.".

"É uma miscleânea de temas como moda, etiqueta, teen, empreendedorismo, comportamento etc´", diz. "Por isso, o título ´Caroço no Angu´".

Gilmar tem outro trabalho na pauta da Devir. É uma coletânea de tiras do personagem Ocre.

                                                          ***                                                  

O desenhista hoje integra a equipe de ilustradores do jornal "Diário do Grande ABC", de Santo André, cidade onde mora.

Gilmar tem conquistado nos 20 anos de carreira diferentes prêmios. Foi escolhido melhor cartunista em 2002 no Troféu HQMix, o principal da área de quadrinhos no país.

O ano de 2006 foi particularmente especial para ele. Destacou-se em três premiações.

Venceu a categoria charges do Prêmio Vladimir Herzog, o 14º Salão de Humor para a Imprensa e ficou em segundo lugar no Salão de Humor de Piracicaba daquele ano.

 

Crédito: divulgação 

 

Serviço - Lançamento do álbum de tiras "Caroço no Angu". Quando: sábado (02.05). Horário: 21h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Preço sugerido: R$ 23.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h01
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FIQ confirma mais estrangeiros para o festival de quadrinhos

Os coordenadores do 6º FIQ - Festival Internacional de Quadrinhos - confirmaram mais oito artistas estrangeiros que irão participar da próxima edição do evento.

A maioria é da França. O motivo é que o festival integra a agenda oficial do ano da França no Brasil, intercâmbio cultural entre as duas nações.

Cinco autores virão do país europeu: Marc-Antoine Mathieu, Nicolas de Crecy, Christophe Blain, Cizo e Felder. São nomes pouco conhecidos dos brasileiros.

A lista de franceses pode aumentar, segundo os organizadores. Moebius é um dos que foram convidados. Ainda não confirmou presença.


                                                        ***

Os demais convidados confirmados se dividem entre diferentes países.

A exemplo da França, a maior parte é da Europa. Da Itália, Liberatore, criador do personagem Ranxerox, publicado no Brasil pela extinta "Animal", no fim dos anos 1980.

O espanhol Juan Díaz Canales também é conhecido dos leitores daqui. São dele os textos dos dois álbuns de "Blacksad" lançados pela Panini em 2006.

O nome do norte-americano Ben Templesmith também é familiar aos brasileiros. São dele os desenhos da série de terror "30 Dias de Noite", publicada pela Devir.

                                                           ***

Os outros estrangeiros já haviam sido noticiados pelo blog em fevereiro. São o canadense Guy Delisle, autor de "Crônicas Birmanesas", e o alemão Jens Harder.

Os nomes dos novos convidados externos foram divulgados no blog do festival. A página virtual tem trazido regularmente informações sobre o evento.

Mas, fora do blog, os organizadores sinalizam que a lista deverá ser maior, e não só com autores franceses.

A relação inclui dois argentinos, dois chineses, outro alemão, mais dois norte-americanos, outro espanhol e um africano.

                                                          ***

Vai haver brasileiros também. Mas, como ocorreu nas edições anteriores, os estrangeiros são confirmados primeiro para facilitar o transporte e a agenda.

Por enquanto, sabe-se que o desenhista brasileiro Joe Bennet terá uma exposição. Ele atua no mercado de quadrinhos dos Estados Unidos.

O homenageado desta sexta edição do festival, realizado a cada dois anos, é Renato Canini, criador de personagens como Kactus Kid e principal desenhista de Zé Carioca.

O FIQ vai ser realizado uma vez mais em Belo Horizonte (MG), entre 6 e 11 de outubro.

Escrito por PAULO RAMOS às 09h56
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28.04.09

Panini diz que, no momento, não negocia selos adultos da DC

A editora Panini disse hoje, ao blog, que não ocorre, ao menos no momento, uma negociação para publicar as linhas Vertigo, ABC e Wildstorm, selos adultos da norte-americana DC Comics.

"O que existe até agora são consultas do mercado de histórias em quadrinhos no Brasil pela DC em função do bom relacionamento que a Panini mantém com eles", diz por e-mail Marcelo Adriano da Silva, coordenador de marketing da editora.

"Informaremos se eventualmente houver uma consulta no sentido de negócio dos selos Vertigo/Wildstorm."

A multinacional mantém contrato com a DC para publicação de histórias de super-heróis.

                                                          ***

A leitura que se faz é que o material adulto da DC está, uma vez mais, posto a leilão entre as editoras nacionais.

E que já ocorre uma sondagem - ou consulta - por parte da editora norte-americana.

A última a ter os direitos de publicação dos títulos da Vertigo, ABC e Wildstorm foi a Pixel, selo editorial da Ediouro.

Ontem, a empresa confirmou que rescindiu o contrato com a DC. Leia mais neste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h28
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Uma crônica sobre El Eternauta no metrô paulistano

Tenho recebido uma série de e-mails comentando a série especial sobre os quadrinhos argentinos, encerrada na postagem do último dia 21.

São relatos diversos. Um deles quis dividir com o leitor do blog. É uma mensagem em forma de crônica, escrita pelo colega jornalista Tiago Souza.

O curioso texto dele mostra que a série surtiu algum impacto em quem a leu.

E serve como um apêndice tardio.  

Segue o relato real de Tiago, vivido ontem (27.04) na capital paulista.

                                                            ***

Olha como é engraçada essa metrópole chamada São Paulo, mais especificamente seu metrô.

Nos últimos dias, por conta de seus artigos sobre os quadrinhos na Argentina, resolvi me aventurar a ler aquele para quem você dedicou um capítulo à parte: Oesterheld e seu Eternauta.

Aliás, só para ficar anotado, meus álbuns do El Eternauta (tenho três no total, comprados há um ano mais ou menos) foram comprados meio que sem querer na livraria HQ Mix, do Gual. E, se eu não me engano, pertenceram à coleção pessoal de Luiz Gê.

O fato de eu não os ter lido até hoje se explica por eu nunca ter tido um espanhol tão forte como agora (embora já tenha entrevistado um artista espanhol, Ángel de la Calle, e um outro argentino). Esperei, portanto, o momento certo para entender melhor esta obra.

Hoje me encontrava lendo parado entre o corredor e a porta do metrô na estação Brás (caminho que sempre faço quando vou da casa da minha namorada para o trabalho).
Eis que, atrás de mim, alguém cutuca meu braço:

- É Eternauta que você está lendo? - perguntou um homem mais alto que eu, de cabelos grisalhos, segurando a "Folha de S. Paulo" de hoje e uma jaqueta marrom.

Comecei a puxar conversa.
Descemos inclusive juntos na estação Sé dialogando sobre os quadrinhos argentinos, Breccia, Pratt e, lógico, Oesterheld e seu Eternauta. Citei várias vezes seus artigos.

Por fim, lembrei-me de fazer algo que quase sempre esqueço quando conheço uma pessoa nova: me apresentei.

- Foi um prazer conversar com você. Me chamo Tiago, você??

Maringoni, ele disse. E comentou que o conhecia.

Mais uma vez São Paulo dá mostras de como é uma cidade surpreendente.
 
E devo a você, seus artigos e a Oesterheld esta nova amizade, que acredito que será bastante frutífera (já recebi um convite para o lançamento do próximo livro dele).

                                                          ***

Duas informações, só para contextualizar.

O tal Maringoni é o jornalista, chargista e professor universitário Gilberto Maringoni.

Ele defendeu doutorado na Universidade de São Paulo sobre a obra de Angelo Agostini, pioneiro dos quadrinhos no Brasil.

A "HQMix, do Gual" é a Livraria HQMix, que fica no centro de São Paulo. É mantida pelo desenhista e arquiteto Gualberto Costa - o Gual - e pela esposa dele, Daniela Baptista.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h05
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25.04.09

Blog dos Quadrinhos: três anos no ar

Este blog completa hoje, 25 de abril, três anos de existência.

Divido a data com o leitor, co-autor desta página.

Agradeço a todos pelo privilégio desta longa convivência virtual.

Escrito por PAULO RAMOS às 00h45
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24.04.09

Registros rápidos

 

Crédito: divulgação

 

Lançamento 1 - Samuca, chargista do "Diário de Pernambuco", lança neste sábado, às 18h, o livro "Sem Palavras". São 90 cartuns, que têm em comum o tema da obra. Vai ser na Livraria Cultura de Recife (no Paço Alfândega). É de Samuca o cartum acima.

Lançamento 2 -  Marcela Godoy autografa neste sábado, às 18h30, em São Paulo, o livro "Liah e o Relógio", da Devir. As ilustrações são de Weberson Santiago. Marcela escreve para este ano o álbum em quadrinhos "Fractal". O lançamento é na Fnac da Av. Paulista.

Revista digital - Entrou no ar nesta semana a "Quadrinhos em Ação", revista dedicada a relembrar super-heróis brasileiros. Editada por Carlos Henry, a publicação foi feita para ser lida na internet. Pode ser baixada no blog , que leva o mesmo nome da revista.

Humor - Começaram as inscrições para o 22º Salão de Humor de Volta Redonda. Vão até 15 de junho. São cinco categorias: charge, cartum, caricatura, quadrinhos e um prêmio especial para o tema "crise econômica". Mais no site do salão.

Independente - Já faz algumas semanas que Wellington Srbek lançou uma edição de Solar, herói que criou em 1994 e que ganha agora novo verniz. A revista tem 52 páginas e arte de Rubens Lima. O blog de Srbek traz outros detalhes, inclusive sobre como comprar.

Edgar Franco 1 - O professor universitário e quadrinista Edgar Franco lança o terceiro número de Artlectos e Pós-Humanos, agora pela Marca de Fantasia. A obra futurista dialoga com novas tecnologias. As compras são feitas somente por meio do site da editora.

Edgar Franco 2 - O desenhista é tema de outra publicação da Marca de Fantasia: a revista/fanzine "Top! Top". Cada número destaca um autor brasileiro. "Top! Top!" é editada por Henrique Magalhães, responsável pela Marca de Fantasia.

No RJ - Integrantes do grupo independente Quarto Mundo invadem o Rio de Janeiro neste sábado. Will, Daniel Esteves, Jozz e Laudo fazem palestra na Impacto Quadrinhos, em Botafogo (r. Mena Barreto, 35). Vai das 13h às 16h.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h20
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Mestrado da USP faz biografia de Renato Canini em quadrinhos

 

Crédito: reprodução

 

A sequência acima é uma das 20 páginas de uma biografia em quadrinhos que narra a trajetória do desenhista Renato Canini. A autoria da história é do quadrinista e pesquisador Eloar Guazzelli. 

A biografia é um dos sete capítulos do mestrado que Guazzelli defende nesta sexta-feira à tarde na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

O estudo se aprofunda na obra de Canini. Duas produções dele são analisadas mais pormenorizadamente: as tiras de Zé Candango e as histórias de Zé Carioca, da Disney.

A hipótese da pesquisa é que o desenhista conseguiu construir um identidade nacional nas duas séries, tanto no estilo quanto na superação de condições adversas.

                                                           ***

A adversidade enfrentada em Zé Candango era a conquista de um mercado inexistente.

A tira integrava a CETPA (Cooperativa Editora de Trabalhos de Porto Alegre), criada em 1961 com ajuda financeira do então governador Leonel Brizola (1922-2004).

Candango era um cangaceiro baixinho que enfrentava personagens estrangeiros em defesa da produção nacional. As principais vítimas eram os super-heróis.

Foram produzidas mais de cem tiras. Os textos eram de Canini, de Luiz Saidenberg e de José Geraldo, que idealizou o anti-herói.

A série terminou junto com a cooperativa, meses após o Golpe de 64.

 

Tira de Zé Candango. Crédito: reprodução

 

O outro Zé abordado na pesquisa, o Carioca, entrou na vida de Canini em 1971. Desenhou histórias do personagem para a Editora Abril pelos cinco anos seguintes.

Havia uma orientação dos estúdios Disney para que houvesse uma padronização no traço das narrativas em quadrinhos.

Canini relata no mestrado que tentou se enquadrar. Mas não conseguiu.

O resultado é que impôs um traço autoral ao papagaio carioca. Autoral demais.

                                                           ***

A matriz norte-americana pediu que o desenhista fosse posto de lado.

Canini produziu, então, roteiros para outros personagens Disney. Ficou na Abril até 1981.

A adversidade, segundo o mestrado, é que o desenhista gaúcho conseguiu se destacar dentro das condições padronizadas da indústria de massa.

Nacionalizou o que deveria ser visto como estrangeiro.

                                                          ***

O tom brasileiro podia ser percebido no traço sintético de Canini e nas "assinaturas" que deixava nas histórias que fazia.

Era comum ver o nome dele em algum canto. Ou então o desenho de um caramujo com uma antena.

Segundo Canini, em entrevista concedida a Guazzelli e reproduzida no mestrado, tratava-se de "pura bagunça". "Ou era pra dizer que o Walt Disney não desenhava todas as histórias." 

A redação da Abril deixou passar as marcas pessoais. A matriz, não. "Os colegas diziam que tava muito ´Dis-Nini´. E deu no que deu", diz o desenhista, que hoje mora em Pelotas.

                                                           ***

O mestrado de Eloar Guazzelli traz também um histórico dos quadrinhos gaúchos e argentinos. E duas constatações. A primeira é a dificuldade de encontrar o material de pesquisa sobre o assunto.

A segunda é que ainda existe um olhar pejorativo a pesquisas sobre o tema. Guazzelli relata que foi alvo de comentários irônicos quando o viam pesquisando as pilhas de revistas em quadrinhos de Canini.

"Afinal, uma pilha de gibis costumam ser associada aos dias de folga, em especial às leituras de férias", diz no texto de introdução.

"Ao longo do tempo, foi se cristalizando a impressão de que ainda hoje persiste certa desconfiança quanto à seriedade dos trabalhos de pesquisa nesta área."

                                                           ***

O mestrado foi iniciado em 2006 e é concluído, por coincidência, no mesmo ano que Canini será homenageado.

O desenhista será lembrado na próxima edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), a ser realizado no segundo semestre em Belo Horizonte (MG).

A defesa de "Canini e o Anti-Herói Brasileiro: Do Zé Candango ao Zé - Realmente - Carioca", nome do estudo, será nesta sexta, às 14h, na Escola de Comunicações e Artes da USP.

A sessão é aberta ao público.

Escrito por PAULO RAMOS às 00h49
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22.04.09

João Montanaro: 12 anos e já faz tiras de gente grande

 

Crédito: reprodução de João Blog

 

Há quase um mês, um e-mail trazia anexada a tira acima, acompanhada desta frase:

"oi meu nome é João eu costumo mandar tiras pro adão e ele me mandou te mostrar essa..."

O Adão é o mesmo que tem o sobrenome Iturrusgarai, desenhista brasileiro que hoje mora na Argentina e que, de lá, produz as tiras de Aline para o jornal "Folha de S.Paulo".

A mensagem virtual trazia também um link para o "João Blog". A curiosidade instigou o clique. Mais do que uma página aberta, aparecia ali um personagem interessantíssimo.

                                                          ***

O blog trazia tiras e um curto resumo do autor. "Nasci em 1996. Já publiquei em algumas revistas, dentre elas a revista ´MAD´."

Conta rápida: o desenhista tem 13 anos. O detalhe é que o conteúdo lido ali era de adulto.

Descobri depois que João está com 12 anos. Faz 13 em maio. Detalhe. Já havia informações suficientes para justificar uma matéria.

Foi o início de uma troca de e-mails nos dias e nas semanas seguintes que culminou na necessária conversa telefônica. A ligação foi feita à noite. De tarde, estava na escola.

 

Crédito: reprodução de João Blog

 

João tem voz, jeito, brincadeiras de criança na pré-adolescência. Mas tem papo de adulto. Pelo menos quando o assunto é desenho e histórias em quadrinhos.

Segundo ele, começou a desenhar mais ou menos aos seis anos. Copiava da TV. 

Antigas edições da revista "Chiclete com Banana", de Angeli, foram outro passo rumo aos quadrinhos. A coleção é do pai, uma das poucas que sobreviveram ao tempo.

Leu ainda um livro de charges de 1985, também do pai. Passou a mesclar, então, humor político com tiras. Estas passaram a ser mais frequentes desde o ano passado.

                                                          ***

As influências, hoje, vêm da série argentina "Macanudo" e de Adão, com quem troca e-mails. Foi desse contato que surgiu o e-mail que ajudou a pautar esta postagem.

O interesse pelo trabalho de Liniers, autor de "Macanudo", acentuou-se no ano passado, quando o desenhista visitou o Brasil. João foi falar com ele e mostrou seus trabalhos.

"[Liniers] Falou um portunhol, eu também", conta João. "Muy bueno", teria dito o argentino.

Foi um muito bom, bem brasileiro, que o levou o jovem desenhista a expor na sede da Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro. O convite foi por esta charge:

 

Crédito: reprodução João Blog 

 

João - na verdade João Pedro Montanaro Barbosa - viajou à capital carioca ao lado do pai, constante incentivador. Foi o pai quem dirigiu o carro de São Paulo até o Rio.

"Meu pai é meu leitor e meu pai crítico", diz João.

Mário Sérgio Barbosa, o pai, confirma. "Eu deixo ele livre. O que eu critico é o que julgo não pertinente."

Na charge mostrada no salão, Mário Sérgio garante que não deu nenhuma dica. "Eu não movo uma palha. Ele se mexe, ele vai atrás."

                                                           ***

Mário Sérgio, um ex-publicitário de 46 anos que hoje atua no ramo editorial, brinca é a "mãe da miss": "Eu levo e ele que leva a fama".

E que fama. Na passagem pelo Rio, foi anunciado como o mais novo chargista brasileiro.

João foi pedir um autógrafo a Luis Fernando Verissimo, cronista e criador das tiras de "As Aventuras da Família Brasil" e de "As Cobras". Mas foi Verissimo quem pediu autógrafo.

A foto ao lado do pai registrou o dia especial:

 

Crédito: reprodução de João Blog 

 

Essa postura de se mexer, como o pai diz, tem levado João a manter contato com diferentes autores. Conversa por e-mail com Adão, já visitou o estúdio de Orlando Pedroso.

Foi de Orlando que aprendeu a técnica de desenhar com aquarela. Com ela, faz uma média de três tiras por semana. Produz em papel. Depois, escanei e posta no blog.

O horário de produção é à noite. "De manhã, eu faço lição de casa. À noite, umas oito horas, eu faço as tiras. Termino às 9h, 9 e meia."

À tarde, como já dito, cursa a oitava série do Colégio Alcance, em São Paulo.

                                                           ***

Foi o espírito fuçador que o levou a publicar em três edições da nova fase da revista de humor "Mad", quando ainda era editada por Ota.

João enviou um e-mail a ele. O editor gostou e pediu material para a publicação seguinte. A estreia foi no número quatro. Depois, emplacou nas edições seis e sete.

A saída de Ota o levou a se desligar da revista. Desligar talvez não seja o termo exato, já que não ganhou pelo serviço.

"Achava que não era para receber", diz João. "Mas nunca tinha falado com ele sobre isso."

 

Crédito: reprodução do João Blog

 

Para fechar, faltou uma informação: o link para o blog dele. Segue agora.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h27
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Convite aos gaúchos

Esta é para os leitores do Rio Grande do Sul.

Lanço "A Leitura dos Quadrinhos" em Porto Alegre nesta quinta-feira, às 19h.

Será na Livraria Bamboletras, que fica no Shopping Nova Olaria (r. Gen. Lima e Silva, 776).

Fica o convite.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h48
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21.04.09

A inexplicável barreira brasileira aos quadrinhos argentinos

 

Muito Além de Mafalda - Parte final / Série especial sobre os quadrinhos argentinos

 

Crédito: reprodução

 

A tira que abre esta postagem é da série "Macanudo", de Liniers. Foi publicada na edição desta terça-feira do jornal portenho "La Nacion" e sintetiza a ideia desta série especial.

Os argentinos - assim como os brasileiros - veem com fartos elogios as histórias de Mafalda e têm Quino, o criador dela, no mais alto conceito. A tira evidencia isso com precisão.

A repercussão é percebida de outra maneira também. Mafalda, tal qual o tango, tornou-se um cartão de visitas para o turista estrangeiro que passeia pelas ruas de Buenos Aires.

Ela estampa um rol amplo de produtos, de chaveiros a camisetas. Nas livrarias, "Toda Mafalda" é item obrigatório. É encontrada também nos quioscos, nome das bancas de lá.

A personagem pode ser sinônimo dos quadrinhos argentinos para quem vê de fora a produção local. É a mais famosa, sem dúvida. Mas a rainha menina não reina sozinha.

                                                            ***

Ouvi pela primeira vez que o reinado dos quadrinhos argentinos era dividido com outros nobres em 2004. O alerta foi dado pelo pesquisador e quadrinista Eloar Guazzelli.

Na época, Guazzelli era colega de turma de uma disciplina sobre quadrinhos ministrada na pós-graduação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Ele dividia com a sala, com convicente empolgação, o estranhamento de o Brasil ignorar a produção do país vizinho. Via nisso resquícios de um histórico atraso cultural.

Recordo-me de ele destacar as qualidades de "El Eternauta", de Hector Oesterheld. E de comentar como a ditadura foi severa com o escritor, morto pelos militares.

                                                           ***

As cutucadas de Guazzelli incomodavam, pelo menos em mim. Principalmente porque ele tinha razão. Eu desconhecia quase por completo o que a Argentina produzia.

A exceção, claro, era Mafalda. E, algum tempo depois, Maitena e suas "Mujeres Alteradas", que também aportaram com sucesso aqui no Brasil.

Forçando mais um pouco a memória, talvez soubesse que Boogie, personagem de Fontanarossa, havia sido publicado em um dos álbuns da L&PM décadas atrás.

Mas não havia muito mais do que isso a saber em solo brasileiro.

                                                           ***

Sabia do que se podia saber dos quadrinhos brasileiros, até então pautados no humor, no público infantil e em sucessivas tentativas alternativas.

Sabia das produções norte-americanas das editoras de super-heróis Marvel e DC Comics. E de alguns outros selos estadunidenses que chegavam ao Brasil.

Sabia de produções europeias, ao menos as publicadas pelas editoras de cá. E sabia dos mangás, que, enfim, foram descobertos pelos nossos leitores.

Mas não sabia explicar o que era produzido no segundo país mais importante da América Latina, berço de Mafalda. Sei que não era o único. Guazzelli tinha toda razão.

                                                           ***

O incômodo persistiu e se acentuou por conta das inexistentes versões brasileiras para os quadrinhos argentinos. Salvo, reforço, Maitena e Mafalda. E Um pouco de Fontanarossa.

Havia, de fato, uma barreira invisível das editoras à produção argentina. Era algo sumariamente ignorado.

Alguns teóricos do jornalismo costumam dizer que uma informação só acontece quando é noticiada. Do contrário, ela simplesmente não "existe" aos olhos do público.

A máxima vale para as criações de nossos hermanos. Para nós, elas não existiam.

                                                           ***

 A oportunidade de me aprofundar nos quadrinhos de lá surgiu por meio de quatro viagens feitas a Buenos Aires de 2007 para cá. A última ocorreu na semana final de 2008.

Cada passagem pelo solo portenho trouxe uma peça a mais na formação do quebra-cabeças. E a descoberta de onde encontrar as peças.

Parte dos quadrinhos é vendida nos quioscos. Os jornais catapultam a produção, ora publicando tiras com destaque, ora vendendo obras de forma promocional.

Os principais pontos de venda são as livrarias e as comiquerias, nome das lojas especializadas no setor.

                                                           ***

Mais do que pontos de venda, pude ter contato com a farta produção de lá. Do outro lado da barreira invisível, há obras de todos os gêneros, criadas há quase 80 anos.

Na década de 1930, já havia revista infantil vendida nas bancas. O caso de maior sucesso era o índio Patoruzu, publicado ainda hoje.

Vinte anos depois, em 1950, começou a produção de histórias voltadas a um leitor situado entre o adolescente e o adulto. "El Eternauta" é dessa época. E há muitas outras.

Isso exige uma revisão urgente de quem escreve a história da história em quadrinhos. A Argentina produzia tramas adultas antes mesmo da Europa. O dado nunca é mencionado.

                                                            ***

Os quadrinhos norte-americanos e os mangás - sucesso por lá também - são encontrados na lojas de quadrinhos. Mas não se perde o foco nos autores nacionais.

A maioria das histórias é sistematicamente reeditada. Os argentinos, ao contrário dos brasileiros, produzem narrativas mais longas há cerca de 50 anos.

Novas editoras apostam em novos autores. As tiras ocupam a página final dos dois principais jornais portenhos. Só nacionais. As livrarias vendem álbuns de autores de lá.

Traduzindo em outros termos: há uma cultura de valorizar a produção do país.

                                                           ***

Também merece ser registrado: o valor das obras é mais barato do que o das vendidas aqui.

Pode-se argumentar que o argentino lê mais. Por isso, as tiragens por lá são maiores, o que reduz o preço final. É verdade. Mas há outro fator a ser considerado.

Ao contrário dos brasileiros, o acabamento final da maioria dos livros e das revistas não é com papel especial ou com capa dura. Algumas obras foram até feitas em papel jornal.

A preocupação - parece - é com o conteúdo, e não com a forma. E com o preço.

                                                          ***

Temos muito a aprender com a produção e o mercado argentino de quadrinhos.

A barreira - inexplicável - camufla o desconhecimento do que é feito no país vizinho.

E, do que não se conhece, não se comenta. E não se edita no Brasil. E não se lê.

Esta série especial - que se encerra com esta postagem - tentou, de forma modesta, revelar o que há do outro lado desse muro invisível. E corrigir uma injustificável falha histórica.

                                                           ***

Os quadrinhos argentinos vão muito, muito além de Mafalda. Esta série mostrou isso.  

Como leitor, a produção de lá me fisgou. Pretendo retornar a Buenos Aires pelo menos uma vez por ano. Pelo menos até que o câmbio permaneça atraente em relação ao real.

Obrigado pela cutucada, Guazzelli.

Até breve Argentina.

                                                          ***

Leia a série especial completa a partir deste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h01
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20.04.09

Cedraz lança mais um álbum com a Turma do Xaxado

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 


Personagens infantis voltam no tempo e presenciam luta de Zumbi dos Palmares 

 

 

 

 

 


Um mês, dois lançamentos. O baiano Antonio Cedraz põe à venda mais um álbum com os personagens da Turma do Xaxado, série infantil que completa dez anos de criação.

A nova publicação é "Resistência e Coragem: a História de Zumbi dos Palmares". A obra mescla a narrativa dos quadrinhos com a dos livros ilustrados.

Segundo o autor, Xaxado e seus amigos se juntam ao Saci Pererê e retornam no tempo. Em 1696, o grupo se alia a um guerreiro que luta ao lado de Zumbi dos Palmares.

Cedraz vai autografar o álbum todos os dias na Bienal do Livro da Bahia, que termina no próximo domingo. A feira está no Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.

No mesmo local, o visitante pode encontrar a outra obra da Turma do Xaxado lançada neste mês. É um álbum com mil tiras dos personagens sertanejos (saiba mais aqui).

Escrito por PAULO RAMOS às 23h46
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17.04.09

Revista Prego chega ao 3º número com tiragem maior

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da revista independente, que começa a ser vendida neste mês

 

 

 

 

 

 

 

 

A cada nova edição, a revista independente "Prego" cresce. Não só na numeração. No volume de páginas também. Este terceiro número terá tiragem de mil exemplares.

São 300 cópias a mais que edição dois. E o dobro da de estreia, lançada em 2007, já esgotada.

As 64 páginas trazem histórias de diferentes colaboradores, de Rafael Sica, autor das tiras de "Quadrinho Ordinário", a Alex Vieira, que acumula o papel de divulgador.

"Esta revista se diferencia das outras duas no conteúdo, que acho que está um pouco melhor resolvido e relacionado entre si como um conjunto", diz Vieira, por e-mail.
 
                                                          ***
A publicação traz também um encarte intitulado "PIB". É um material da década passada, produzido pelo artista plástico Julio Tigre. Estava engavetado desde então.

"O editor desta publicação ["PIB"] entrou em contato comigo, me entregou tudo em fotolito, eu digitalizei e lancei como um filhote da Prego 3", diz Vieira.

A proposta do grupo era manter duas edições por ano. Não deu. Tem saído uma. A expectativa é que isso se reverta neste 2009, embora ainda não se possa bater o martelo.

A revista, por enquanto, é vendida por pedidos enviados por e-mail. Custa R$ 6, mais R$ 3 de frete. O endereço eletrônico é revistaprego@gmail.com.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h50
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15.04.09

Minissérie Invasão Secreta chega ao Brasil

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do primeiro número, que chega nesta semana às bancas

 

 

 

 

 

 

 

 


Imagine que você descubra que as pessoas à sua volta - parentes, amigos, colegas de trabalho - podem ser alienígenas. E você não sabe dizer com precisão quem e quem não é.

É exatamente esse clima, inspirado num tema clássico da ficção científica, que a minissérie "Invasão Secreta" tenta recriar no universo dos super-heróis da Marvel Comics.

O primeiro número começa a ser vendido nesta semana nas bancas (Panini, 60 págs., R$ 7). Nas lojas de quadrinhos, o título chegou no fim da semana passada.

A minissérie tem oito partes e foi o principal evento da editora norte-americana em 2008. O último número está programado para novembro deste ano.

                                                           ***

A trama é publicada no Brasil dez meses depois de ter sido lançada nos Estados Unidos. Tem desenhos de Leinil Yu e texto de Brian Michael Bendis, principal escritor da Marvel.

Este número de estreia inicia, de forma oficial, os acontecimentos que vinham sendo narrados nos títulos mensais. Os heróis descobrem que há alienígenas entre eles.

O primeiro a ser desvendado foi o que se passava pela mercenária Elektra, personagem que já teve uma adaptação para o cinema.

O alien foi revelado numa história do supergrupo "Os Vingadores". O ser pertence à raça dos Skrulls, tradicionais vilões interplanetários do universo da editora estadunidense.

                                                           ***

A partir de então, tem início um clima de desconfiança entre os heróis. De Homem-Aranha a Homem de Ferro, fica um quê de dúvida se há outros Skrulls infiltrados.

A capa desta edição nacional da série sugere exatamente isso. A história inicia com a autópsia do que seria Elektra. E com a investigação de uma nave Skrull que caiu na Terra.

A trama, a exemplo das demais do gênero, tem parte dos acontecimentos narrada nas revistas mensais da Marvel. Há uma lista de leitura na página dois da minissérie.

A Panini lançou também, um pouco antes, um especial sobre "Invasão Secreta". A obra explica os eventos que levaram à série. É redundante para quem já os conhece.

                                                           ***

Para registro: outra forma de se inteirar sobre o assunto é visitar um site dedicado a "Invasão Secreta", mantido pela Panini. Pode ser acessado neste link

Escrito por PAULO RAMOS às 12h37
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13.04.09

Mês tem três lançamentos de tiras infantis nacionais

Coincidiu. Ou então alguns dos personagens infantis em pauta que apresente uma justificativa lúdica melhor.

Mas este abril tem num curto espaço de tempo três lançamentos de livros com tiras infantis nacionais. Um deles já na noite desta segunda-feira.

Outro dado curioso: nenhuma das criações integra o eixo Rio-São Paulo, tido como principal janela de publicações do gênero no país. Isso, claro, não significa menor qualidade.

"Mariazinha", no Espírito Santo, "Cabeça Oca", em Goiás, "Turma do Xaxado", na Bahia.

É deles que esta matéria vai falar.

 

 

Dos três personagens, Mariazinha é a caçula. Foi criada no ano passado no Espírito Santo. Este é seu primeiro livro de tiras. E a obra de estreia da roteirista, Claudia Gomes.

Ela define a personagem como uma "menina órfã, criada pelos avós, faz do seu dia-a-dia uma constante e divertida homenagem à literatura".

O tema das piadas aborda o entorno literário, como a mostrada acima. As histórias são feitas em parceria com Fabio Turbay, co-criador e responsável pelos desenhos.

Claudia Gomes diz que a ideia surgiu quando ambos iam a uma padaria. Viram ou falaram sobre algo "fofinho". Daí, a conversa enveredou para a criação da personagem.

                                                           ***

Inicialmente, seria Maria, adulta. Depois, a conversa voltou o relógio do tempo e o nome da personagem ganhou o sufixo diminutivo. E as características próprias.

A literatura dialoga com a trajetória da autora. Já ganhou dois prêmios literários.

Claudia diz ter outros roteiros de Mariazinha prontos. E na manga uma obra de poemas com ilustrações da menina literata.

Este primeiro livro de tiras viajou para ser lançado. Saiu do Espírito Santo e aportou no Rio de Janeiro. O evento será nesta segunda-feira à noite, na Livraria Diversos.

 

 

O goiano Christie Queiroz lança neste mês o décimo volume de tiras de "Cabeça Oca".

A série mostra as confusões vividas pelo personagem-título, um menino, e sua irmã, Mariana. A menininha foi inspirada na filha do desenhista.

Mariazinha começa a ganhar carreira própria. Antes deste novo álbum, ela é a estrela principal de três livros infantis, que têm lançamento também nesta segunda à noite.

As obras serão vendidas juntas, numa "Maletinha Divertida da Mariana". Os personagens começam a ser vistos também como franquia, estampados em outros produtos.

                                                          ***

Cabeça Oca é muito popular em Goiás. É publicado no jornal "O Popular", que tem projeto de vender os álbuns aos domingos. Tocantins e Rio Grande do Sul também a leem.

Oitenta escolas adotam as tiras, segundo o autor.

Queiroz já tem engatado o 11º livro: "O Fabuloso Retorno do Super-Cabeça Oca".

E trabalha no roteiro de uma história longa com o personagem: "Cabeça Oca e os Elfos de Terra Ronca". A aventura vai abordar o complexo de cavernas de Goiás.

 

 

A Turma do Xaxado é uma das principais criações baianas na área de quadrinhos. Mérito de seu autor, o também baiano Antonio Cedraz.

Os personagens - que vivem com bom-humor o duro cenário da seca - completam neste dez anos de criação. Um novo livro e uma exposição marcam a data.

O livro é "1000 Tiras em Quadrinhos", que traz, como o título diz, mil piadinhas de Xaxado e seus amigos. A obra terá lançamento no dia 21, na Bienal do Livro da Bahia.

No evento comemorativo, também vai haver uma exposição itinerante. Diferentes autores dão sua versão gráfica da Turma do Xaxado.

                                                           ***

Serviço 1 - Lançamento de "Mariazinha". Quando: hoje (13.04). Horário: a partir das 20h30. Onde: Livraria Diversos. Endereço: av. Érico Verissimo, 843, loja A, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro.

Serviço 2 - Lançamento de "Maletinha Divertida da mariana". Quando: hoje (13.04). Horário: a partir das 19h. Onde: Buffet Infantil O Gato de Botas. Endereço: av. Portugal, St. Oeste, Goiás.

Serviço 3 - Lançamento de "1000 Tiras em Quadrinhos - A Turma do Xaxado". Quando: 21.04. Onde: Bienal do Livro da Bahia. Endereço: Centro de Convenções da Bahia, av. Simon Bolívar, sem número, Salvador, Bahia. A exposição itinerante com a Turma do Xaxado vai de 17 a 26 de abril.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h00
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12.04.09

As livrarias de Buenos Aires

 

Muito Além de Mafalda - Parte 8   /  Série especial sobre os quadrinhos argentinos


 Crédito: reprodução

 

É comum dizer que as grandes metrópoles brasileiras têm uma farmácia a um, dois quarteirões. Não deixa de ser verdade.

No centro turístico de Buenos Aires, o comum é encontrar os tradicionais cafés. E livrarias. Dependendo da rua, há até mais de um ponto de venda de livros.

Não é algo que deveria espantar. Os hermanos argentinos leem muito mais do que nós.

Uma pesquisa, divulgada em 2006 e um pouco desatualizada, dá uma dimensão disso.

                                                         ***

Os entrevistadores aferiram quantos livros as pessoas haviam lido nos últimos seis meses.

Respostas: 39,2%, de um a três; 15,7%, de quatro a cinco; 11%, de seis a dez; 5,1%, mais de dez. Note que 71% apresentam hábitos regulares de leitura.

A pesquisa revela também que o argentino tem lido menos do que há dez anos. Um dos motivos seria o preço dos livros (que são mais baratos do que os brasileiros).

A grande oferta de livrarias é um reflexo desse interesse pela leitura. A maioria - 52%, segundo a mesma pesquisa - prefere as obras narrativas. E quadrinhos são narrativas.

                                                            ***

As livrarias portenhas costumam dedicas pelo menos uma estante - grande ou médio - para as histórias em quadrinhos.

Mas não pergunte por historietas. Procure um vendedor e peça onde fica a seção de humor gráfico. É lá que geralmente ficam agrupados os quadrinhos, não só de humor.

Lá é mais ou menos como aqui. Há livrarias pequenas e as grandes redes. Prefira estas. As chances são maiores de encontrar material diversificado.

Há pelo menos quatro redes na região central de Buenos Aires: Musimundo, Cuspide, Distral e El Ateneu. Há mais de uma de cada na rua Florida. Bom lugar para começar.

 

Crédito: reprodução

 

A Florida é roteiro obrigatório dos turistas. Na rua, não passam carros. É inteira dedicada a pedestres. Fica lotada durante o dia e início da noite. O comércio agradece.

Vale dedicar um dia para fazer esse roteiro. O ponto de início depende de onde está hospedado. Se puder escolher, comece por uma das extremidades.

Uma delas inicia na Catedral da cidade, na mesma praça onde fica a Casa Rosada, sede do Estado. Ambas merecem visita. 

Aproveite e pare numa cafeteria bem em frente à igreja, numa esquina, do outro da praça. Peça um café e uma "torta de manzana" (de maçã). É enorme. Vale um almoço.

                                                           ***

De lá, pega-se um dos comecinhos da Florida. A rua tem lojas dos dois lados. No meio, quioscos, as bancas de jornal de lá. As compras vão depender do interesse de cada um.

Para as mulheres, há roupas femininas, lãs, botas e cintos de couro. O couro argentino é muito tradicional. Para os homens, também a farta opção de vestuário.

Em meio a tudo isso, encontram-se as livrarias. Com tempo, vale visitar cada uma delas.

Sem tempo, com a agenda mais apertada, uma boa sugestão é ir direto a El Ateneu.

                                                          ***

A El Ateneu é a rede de megalivrarias mais tradicional de Buenos Aires. Há duas na Florida - nos números 340 e 629. Entre nas duas. Costuma haver diferenças mínimas no catálogo.

Nas duas lojas - bem como nas demais - há dois caminhos para encontrar os quadrinhos. O primeiro é ir à seção de humor gráfico, como comentado. O segundo é na infantil.

A seção dedicada a crianças tem algumas obras em quadrinhos. É fácil encontrar livros de tiras dos personagens infantis dos jornais. Destacam-se "Yo, Matias" e "Gaturro".

Há volumes de publicações com as duas criações, em diferentes formatos. Prefira o garoto "Yo, Matias" do que "Gaturro". Procure as edições em formato horizontal, as melhores.

 

Crédito: reprodução

 

O lugar da seção infantil varia de loja para loja. Na unidade do El Ateneu da rua Santa Fé, fica no subsolo. É a melhor da rede El Ateneu. E a mais famosa.

O motivo do destaque é que a loja foi montada num antigo teatro. Na entrada, avista-se o palco, ao fundo. Lá, foi feito um atrativo café. Parte das cadeiras fica no tablado.

A seção de humor gráfico fica bem em frente a esse café. Sente sem pudor no chão e olhe com calma. Pegue uma pilha e leve ao café, a alguns passos dali.

Olhando para cima, vê-se o teto artesanal do teatro-livraria. A arquitetura foi mantida. Valeria só pela visita. Mas há a inegável vantagem de que ali funciona uma livraria.

                                                           *** 

Na prateleira de humor gráfico, há, claro, obras de humor. Em quadrinhos e em forma de piadas ou contos cômicos. Gaste um tempo ali. Desfolhe as obras sem pressa.

É comum ler com calma os títulos nas livrarias do centro portenho. Ninguém olha feio. Se tiver dúvida, faça uma pilha e leve ao café da El Ateneu. Beba enquando decide o que levar.

Normalmente, o que o comprador encontra são livros álbuns de clássicos argentinos - como a biografia "Che", que ilustra esta postagem - e obras que reúnem tiras de jornais.

No caso das tiras, a rotatividade das obras é grande. Mas é possível encontrar coletâneas de Macanudo, La Nelly e de Rep. E de "Mafalda", claro. Sempre.

 

Crédito: reprodução

 

Há algumas obras que fogem às duas classificações acima. Títulos estrangeiros em inglês - poucos - ou traduzidos para o castelhano - novamente, poucos. E outras mais autorais.

Um caso é o livro "Conejo de Viaje", de Liniers, criador da série "Macanudo".

Cada vez que o autor viaja, ele desenha histórias num caderno de viagens. A obra reúne as impressões em forma de arte de vários desses diários impressos.

Outras publicações que fogem às amarras classificatórias são as de Roberto Fontanarrosa.

                                                            ***

Ao lado de Quino, Fontanarrosa é um dos mais importantes autores do humor gráfico de lá.

Numa tentativa de analogia - que nunca são precisas -, pode-se ver nele aspectos de Ziraldo, Henfil e Millor. Deles mantém o traço político e o diálogo com a imprensa e a literatura. 

El Negro, apelido do argentino, era conhecido tanto por seus trabalhos jornalísticos, como por ser escritor e quadrinista. Morreu no dia 19 de julho de  2007, aos 62 anos.

No dia do falecimento, o site do "Clarín" pôs a notícia em destaque. Foi a segunda chamada do dia. A primeira era a decisão de Cristina Kirschner de concorrer à presidência.

                                                           ***

Dias depois, o mesmo "Clarín" publicou um suplemento de 12 páginas dedicado a Fontanarrosa. Dele ficou a obra, sistematicamente reeditada. As livrarias são o locus onde elas são mais facilmente encontradas.

A maioria é da Ediciones de la Flor, tradicional editora argentina de humor gráfico. Há os álbuns de tradicionais personagens dele, como Inodoro Pereyra e Boogie, el Aceitoso.

As histórias curtas de Inodoro são relançadas em álbuns em formato quadrado. São vários. O humor se baseia muito na tradição dos gaúchos argentinos.

O violento Boogie já teve um álbum lançado por aqui pela L&PM. Por lá, também é reeditado em álbuns quadrados. E num especial, em capa dura, com toda sua obra.

 

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Tanto Boogie quanto Inodoro são criações de Fontanarossa que começaram a ser publicadas na revista "Hortensia", de 1972. Foi onde o autor se fez mais conhecido.

Passou a publicar charges, tiras e cartuns no jornal "Clarín". E manteve histórias em revistas em quadrinhos, como a "Fierro", da década de 1980.

Lá, ele publicou algumas de suas crônicas de futebol em quadrinhos. O narrador é um jornalista, daqueles repórteres bem tradicionais e experientes.

Um álbum em 2008 - "Semblanzas Deportivas", da de la Flor - reuniu várias delas.

                                                           ***

Um dos "causos" esportivos figura entre as melhores histórias em quadrinhos que tive oportunidade de ler até hoje. Já a havia descoberto numa das edições da "Fierro".

Um jogador, ainda em início, tem no pai seu principal apoiador e torcedor. É o pai quem o levava aos treinos.

Aos poucos, com o tempo, o atleta se revela um craque.

Marcava gol com frequência. Tornou-se ídolo entre os torcedores.

                                                           ***

De uma hora para outra, deixou de fazer gols.

Um jogo após o outro. Nada. A torcida ficou atônita.

Dado dia, ele decide tomar a bola, dribla todo o time adversário e marca, enfim, o adiado golaço. Minutos depois, uma voz se ouve no estádio: o pai dele havia morrido.

A inaptidão era para evitar a morte do pai por emoção. O estádio inteiro cai em choro.

 

Crédito: reprodução

 

Há outros trabalhos de Fontanarrosa publicados na Argentina. São fáceis de achar.

Há também obras de outros autores. Mais material nacional do que de fora do país. Essa é a diferença básica entre as redes de livrarias lá e as de cá.

Valorizam-se as antigas e novas produções nacionais, e não somente as norte-americanas. 

E a valores mais baixos do se vende por aqui.

                                                           ***

Próxima postagem, no fim de semana que vem, a última da série: 

a inexplicável barreira brasileira aos quadrinhos argentinos

                                                           ***

Leia as outras postagens da série:

Introdução, Parte 1, Parte 2, Parte 3, Parte 4, Parte 5, Parte 6, Parte 7

Escrito por PAULO RAMOS às 18h50
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10.04.09

Revistas relançam quadrinhos de Shimamoto e Colonnese

 

Crédito: reprodução  Crédito: reprodução

 

De quando em quando, as bancas e as lojas de quadrinhos trazem algumas surpresas. Há agora duas delas, que começaram a ser vendidas neste início de mês.

Duas revistas relançam quadrinhos desenhados por Júlio Shimamoto e Eugênio Colonnese (1929-2008). Ambos são veteranos na arte de revistas em quadrinhos nacionais.

"Samurai" (EM Editora, 196 págs., R$ 9,90) reúne 15 histórias com o traço de Shimamoto. Ele também assina o roteiro de algumas delas.

A edição não informa quando cada uma foi publicada. Há registro apenas de que a maioria é da década de 1980. Em duas páginas, Shimamoto assina com os anos 1976 e 1980.

                                                          ***

A EM Editora é um selo da Mythos. O mesmo que lançou há dois anos dois outros álbuns com histórias antigas de Shimamoto: "Lendas de Musashi" e "Lendas de Zatoichi".

A revista que relança material de Eugênio Colonnese também é da Mythos. A obra é propícia para esta época do ano: "A Vida de Jesus em Quadrinhos" (192 págs., R$ 9,90).

O título já explica o conteúdo da obra. O roteiro é de outro veterano da área, Osvaldo Talo.

A exemplo de "Samurai", a editora não informa a data em que a história de Colonnese foi publicada pela primeira vez no Brasil.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h11
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09.04.09

Feira em São Paulo vende livros e quadrinhos pela metade do preço

Vale registrar esta dica antes de o feriadão da Páscoa começar.

A unidade da USP (Universidade de São Paulo) que fica na zona leste da capital paulista vai realizar uma feira com livros e quadrinhos pela metade do preço.

A 2ª Feira de Livros EACH/USP, nome do evento, vai ser realizada nos dias 14, 15 e 16 da semana que vem, das 9h às 21h. Não paga nada para entrar.

A organização não forneceu o nome de todas as editoras presentes. Informou apenas que serão mais de 50. A maioria das que foram divulgadas publica livros teóricos.

                                                           ***

Na área de quadrinhos, a Conrad confirmou participação. Segundo a editora paulista, o catálogo será vendido com os exigidos 50% mínimos de desconto.

A loja Comix, de São Paulo, especializada em quadrinhos, também vai ter um estande na feira. Mas, segundo informou ao blog agora à tarde, não terá lançamentos.

A Comix vai levar o material de estoque, vendido com pelo menos 50% a menos.

Estão nessa lista títulos da extinta editora Opera Graphica, alguns mangás da Conrad e álbuns da Marvel já lançados pela Panini, como "1602" e "As Tiras do Homem-Aranha".

                                                           ***

Serviço - 2ª Feira de Livros da EACH/USP. Quando: 14, 15 e 16 de abril. Horário: das 9h às 21h. Onde: USP da zona leste. Endereço: av. Arlindo Bettio, 1000 (quem for de carro, o acesso fica na saída anterior à do Aeroporto de Cumbica, na Rodovia Ayrton Senna).

Escrito por PAULO RAMOS às 18h15
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08.04.09

Convite aos fluminenses

Registro rápido.

Lanço o livro "A Leitura dos Quadrinhos" no Rio de Janeiro na próxima segunda-feira, dia 13.

Antes, vai haver uma mesa-redonda sobre a evolução da linguagem dos quadrinhos.

Divide a mesa comigo Carlos Patati, um dos autores de "Almanaque dos Quadrinhos".

O pesquisador Moacy Cirne foi convidado, mas ainda não deu certeza.

A mediação será de Telio Navega, do blog "Gibizada", ligado ao portal de "O Globo".

O bate-papo e o lançamento começam às 19h30.

Vai ser na Livraria Travessa do Shopping Leblon. A loja fica no segundo piso.

Fica o convite.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h44
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Gabriel Bá tem três indicações ao Eisner Awards

 

Crédito: reprodução do flickr de 10 Pãezinhos

 

 

 

 

 

 

 

Capa de uma das edições da série "The Umbrella Academy", feita pelo desenhista brasileiro 

 

 

 

 

 

 

 

O desenhista brasileiro Gabriel Bá foi indicado em três categorias do Eisner Awards, principal premiação norte-americana de quadrinhos. É uma espécie de Oscar da área.

Ele concorre como melhor desenhista, pela série "The Umbrella Academy", e como melhor autor de capas. Nesta, foi incluído também o trabalho em outro título, "Casanova".

Uma edição de luxo do arco "The Umbrella Academy - Apocalypse Suite", também desenhada por Bá, foi indicada na categoria melhor reimpressão de álbum.

Bá e seu irmão, Fábio Moon, concorrem indiretamente em uma quarta categoria, a de melhor antologia, por "My Space Dark Horse Presents". Ambos têm histórias na obra.

                                                           ***

O crédito da descoberta das indicações é de Telio Navega, do blog sobre quadrinhos "Gibizada". Hoje, o blog de Bá e Moon, o "Dez Pãezinhos", já ecoa a notícia.

Os vencedores serão divulgados em julho em uma convenção de quadrinhos realizada na cidade de San Diego - a San Diego Comic-Con.

É a segunda vez seguida que Gabriel Bá é indicado. No ano passado, ele ganhou em duas categorias: melhor série, "The Umbrella Academy", e melhor antologia, por "5".

O prêmio pela independente "5" foi dividido com os outros autores, entre eles Bá e Rafael Grampá. "The Umbrella Academy" ganhou outro prêmio, o Harvey. E Bá, o Scream Awards.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h30
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06.04.09

Blog detalha produção de álbuns nacionais

Entrou no ar nesta semana um blog que tem a proposta de fazer um making of de sete álbuns nacionais em processo de produção.

O que une os projetos é que todos integram a lei de incentivo cultural do Estado de São Paulo, mais conhecida como PAC 23, mesmo nome da página virtual.

O governo paulista concedeu a cada um dos autores verba de R$ 25 mil para tocarem os trabalhos. Em dezembro, dez projetos foram selecionados entre os mais de cem inscritos.

Os autores têm prazo de oito meses para concluírem os álbuns. Por isso, a previsão de lançamento de todas as histórias é no segundo semestre deste ano.

                                                           ***

A ideia de detalhar os projetos de forma pública foi de um dos selecionados, o escritor Celso Menezes. Ele divide a autoria com o desenhista Felipe Massafera.

O álbum que eles produzem têm o título provisório de "22 de Abril". Aborda a participação da Força Aérea Brasileira na Segunda Guerra Mundial. Vai ser lançado pela Zarabatana.

Segundo ele, mostrar o passo-a-passo dos álbuns é uma forma de valorizar o edital de apoio cultural e mostrar ao poder público que o incentivo não foi em vão.

"Quero que os responsáveis pelo edital tomem conhecimento dessa importância para que este não tenha sido apenas um edital ´experimental´, mas, sim, o primeiro dos editais de quadrinhos e que, ano que vem, uma nova geração de vencedores possa assumir o blog e ir assim perpetuando essa tradição", diz, por e-mail.
                                                           
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Os contatos com os demais autores foram feitos virtualmente. Três não responderam: o dos projetos "Uira e os Filhos de Eco", "Joquempô" e "Estação Luz".

"De qualquer forma, os três estão convidados a participar do blog no momento que quiserem", diz Menezes.

Por enquanto, a página faz uma apresentação dos sete trabalhos e detalha por qual editora serão publicados, qual o formato previsto e em que mês  devem ser lançados.

Veja a seguir como deve ser cada um dos álbuns, segundo o "PAC 23". Parte das imagens também é do blog. A outra parte é das páginas virtuais mantidas pelos autores.



 

22 de Abril (nome provisório)
Autores: Celso Menezes e Felipe Massafera
Assunto: participação da Força Aérea Brasileira na 2ª Guerra Mundial
Editora: Zarabatana
Páginas previstas: 100

 



Caroço no Angu
Autor: Gilmar
Assunto: coletânea de tiras sobre assuntos variados
Editora: não definida
Páginas previstas: 48





Anita Garibaldi, uma Biografia em Quadrinhos (nome sujeito a alteração)
Autor: Custódio
Assunto: biografia de Anita Garibaldi
Editora: independente, por enquanto
Páginas previstas: 64






Lina (título provisório)
Autores: Cristina Veiga Judar e Bruno Auriema 
Assunto: menina sem perspectiva tem rumo de sua vida alterado
Editora: Estação Liberdade
Páginas previstas: 80, mas pode chegar a 100

Fractal
Autores: Marcela Godoy e Eduardo Ferigato
Assunto: investigação de crime que envolve fractais e elementos místicos
Editora: Devir
Páginas programadas: 64


O Mistério da Mula sem Cabeça
Autores: Alex Mir, Laudo Ferreira Júnior e Omar Viñole
Assunto: detetive investiga aparições da mula sem cabeça no Amazonas
Editora: Via Lettera
Páginas programadas: 40



 

Loucas de Amor
Autores: Fido Nesti e Gilmar Rodrigues
Assunto: aborda a paixão de mulheres por assassinos em série, maníacos e estupradores
Editora: em negociação
Páginas programadas: 60

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Como já comentado, todas as obras têm lançamento programado para o segundo semestre.

O blog "PAC 23" traz o link para páginas de cada um dos projetos.

Para acessar o blog, que deve ser atualizado regularmente, clique aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h30
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02.04.09

Lançamentos e exposição no fim de semana paulista

 

Crédito: divulgação

 

A autoria da imagem acima é do quadrinista e professor universitário Gazy Andraus. A ilustração integra uma exposição que ele abre nesta sexta em Santos, no litoral paulista.

A mostra marca seus 22 anos de carreira. Sua marca é a produção do que se convencionou chamar de quadrinhos poéticos ou filosóficos. Edgar Franco é outro representante.

A exposição abre nesta sexta à noite, às 19h30, e pode ser visitada até o fim de abril.

Fica na Gibiteca Municipal Marcel Rodrigues Paes, no Posto 5, na orla da praia.

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Subindo a serra que separa o litoral da capital paulista, há duas sessões de autógrafos. Ambas ocorrem no sábado à tarde e já tiveram lançamentos em outras datas.

Uma é a revista "Pieces", de Mário Cau. A obra traz contos curtos sobre relacionamentos. A segunda sessão de lançamento será a partir das 14h na Comix (al. Jaú, 1.998).

O outro evento é um lançamento paulistano da "Samba", publicação independente de Brasília. O título reúne diferentes autores.

O grupo faz duas sessões. A primeira das 12h às 20h na loja Cachalote (r. Min. Ferreira Alves, 48). A segunda é a partir das 20h na Mercearia São Pedro (r. Rodésia, 34).

Escrito por PAULO RAMOS às 19h22
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01.04.09

Pixel completa dois meses sem lançamentos e explicações

Terminado março, já são dois meses sem nenhum lançamento da Pixel, um dos selos editoriais do grupo Ediouro.

A última publicação, "Fábulas Pixel", ocorreu em janeiro, com dois meses de atraso.

Desde então, nada nas bancas nem nas livrarias.

A Ediouro também ainda não se pronunciou oficialmente à imprensa ou aos leitores.

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A última informação circulou no site Orkut e foi colocada pela empresa Frog, que cuida do relacionamento virtual da empresa.

Na ocasião, a nota registrava que o selo passava por mudanças administrativas para garantir a continuidade dos lançamentos.

O texto encerra dizendo que no início de 2009 colocaria "novos produtos à disposição de nossos clientes".

Como se vê hoje, os novos produtos não foram publicados.

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A incerteza sobre os rumos da Pixel veio a público em 11 de dezembro, em nota escrita pelo ex-editor-chefe, Cassius Medauar.

No blog da editora, ele justificou sua saída por conta dos novos rumos tomados. 

"Começaram a ser bem diferentes dos planos que tínhamos no começo e eu acabei não me encaixando mais nos planos da empresa."

No texto, ele dizia que continuaria a ser consultor na parte editorial. De lá para cá, os leitores viram à venda apenas o quarto número de "Fábulas Pixel".

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A Pixel entrou no mercado no início de 2006, numa parceria entre as empresas Futuro Comunicação e Ediouro. O carro-chefe era a série europeia Corto Maltese.

Um ano depois, a empresa conseguiu os direitos de publicação no Brasil, com exclusividade, dos selos adultos da editora norte-americana DC Comics, a mesma de Batman e Super-Homem.

A acordo incluía histórias da Vertigo, da Wildstorm e da ABC. O material tinha séries de prestígio, como "Sandman", "Preacher" e as revistas escritas pelo inglês Alan Moore.

A editora pôs à venda, em bancas, lojas de quadrinhos e livrarias, uma série de revistas, minisséries e álbuns. Com o tempo, as revistas mensais passaram a ser privilegiadas. A principal era "Pixel Magazine".

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No ano passado, a Pixel venceu o Troféu HQMix, o principal do país na área de quadrinhos, como editora do ano.

Semanas antes da premiação, André Forastieri formalizava sua saída e a da Futuro da sociedade. A Ediouro, então, tornou-se a única proprietária.

Em 23 setembro de 2008, o superintendente da Ediouro, Luís Fernando Pedroso, disse ao blog que considerava razoável o retorno nas livrarias e sofrível o visto nas bancas.

Na mesma entrevista, ele dizia manter o interesse na área de quadrinhos, desde que fosse rentável.

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Hoje, impera a incerteza.

Para acentuar a falta de informações, o link da Pixel, no site da Ediouro, não leva à página da editora. O clique leva a uma página com a frase "objeto não encontrado".

No portal, os demais selos da Ediouro - Agir, Desiderata, Guinness, Nova Aguilar, Nova Fronteira e Thomas Nelson - conduzem às páginas virtuais das respectivas editoras.

O blog da Pixel permanece, mas sem atualização. No ar, consta a última postagem, de 11 de dezembro de 2008, sobre a saída de Cassius Medauar.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h13
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