31.12.10

Fim de 2010 foi promissor para quadrinhos independentes

 

Golden Shower 

 

 

 

 

 

Capa da publicação coletiva "Golden Shower", um dos lançamentos alternativos dos dois últimos meses 

 

 

 

 

 

 

 


Este 2010 seria um ano morno de publicações indenpendentes não fossem os dois meses finais do ano. Novembro e dezembro tiveram uma média de três obras novas por semana.

A maior parte dos trabalhos usou a Rio Comicon como base de lançamento dos trabalhos. O encontro de quadrinhos foi realizado na capital fluminense entre 9 e 14 de novembro.

Parte parte são trabalhos individuais ou feitos em parceria. Outra parte são reuniões de trabalhos de diferentes autores.

Como "Golden Shower", lançado no evento carioca.

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O projeto da "Golden Shower" vem desde o primeiro semestre, quando começaram os convites para participação na obra.

A idealizadora da revista, a quadrinista Cynthia B., conseguiu reunir um grupo eclético, de mais de 50 autores.

De nomes conhecidos como Allan Sieber, André Dahmer, Arnaldo Branco e Fabio Zimbres até gente mais nova, como a própria editora, que estuda medicina "nas horas vagas".

No final, ela agradece a todos os que ajudaram a tornar a proposta real. Inclusive quem bancou a revista, "oficialmente patrocinada pelo papai".

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Quatro publicações coletivas ganharam novos números nestes últimos dois meses.

O segundo número da revista "Samba" reuniu 25 autores nesta sequência. A obra foi produzida e editada por Lucas Gehre, Gabriel Mesquita e Gabriel Góes.

Outra que chega ao segundo número é "Revista A3 Quadrinhos". A publicação traz nove histórias de ação. Entre os autores está o editor, Matheus Moura.

O projeto foi custeado com verba de incentivo cultural da cidade de Uberlândia (MG). O dinheiro bancaria duas edições. Há intenção para uma terceira, mas nada certo.

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Vai difícil encontrar a "Picabu 4&Meio" nas lojas de quadrinhos. Primeiro pela circulação restrita. Segundo por causa da capa, toda branca, sem até o logo da revista.

A publicação é feita por autores de Porto Alegre (RS). Traz histórias de Rafael Sica, Rodrigo Rosa, Nik Neves, Carlos Ferreira, Fabiano Gummo e outros.

O lançamento mais recente ocorreu neste mês, no interior paulista. Os editores Sergio Chaves e Lídia Basoli puseram encheram a oitava xícara da "Café Espacial".

A capa desta edição é de André Diniz, que assina também duas das histórias. Este foi o primeiro número da revista depois de ela ter se desligado do Quarto Mundo.

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O Quarto Mundo, coletivo que reúne autores independentes de todo o país, somou poucos lançamentos neste ano. O mais recente foi o terceiro número de "Pieces".

A revista traz contos em quadrinhos criados por Mario Cau. O tom das histórias são reflexões sobre relacionamentos, em suas diferentes contextos.

Outros três autores produziram individualmente novas publicações nesse período. André Caliman, de Curitiba, lançou "Rua", reunião de histórias curtas feitas por ele.

Erick Carjes publicou uma segunda edição de "Entidade", sobre os pré-julgamentos de um mendigo. E Pedro Franz lançou em papel uma sequência de suas narrativas virtuais.

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O nome da série de Franz é longo: "Promessas de Amor a Desconhecidos enquanto Espero o Fim do Mundo". O trabalho havia sido um dos destaques independentes de 2009.

Esta segunda parte traz um dos projetos editoriais mais diferenciados do ano: as páginas da revista estão soltas, não foram grampeadas. Cabe ao leitor montar a sequência.

"Ainda que o autor proponha uma ordem para sua leitura, o leitore é livre para reorganizá-las e encontrar, assim, novos textos para estas mesmas lâminas", explica Franz.

Há oito capítulos. As páginas aparecem inseridas em uma capa de papel. A obra foi impressa com verba de estímulo à cultura de Santa Catarina.

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Houve três trabalhos independentes feitos em dupla de novembro para cá. Um deles é "Atelier", dos irmãos Gabriel Bá e Fábio Moon.

A revista conta um pouco do processo de criação da dupla e funciona como um cartão de visitas para a produção deles. Foi escrita em inglês, francês, espanhol e português.

"Felinos", de Ricardo Vibranovski e Anderson B., narra uma história de amor envolvendo pessoas e gatos humanizados.

Outra narrativa sobre relacionamento é a bem-humorada "Drink". De S. Lobo e Rafael Coutinho, foi construída sem palavras. Embora publicada pela Barba Negra, a história de 15 páginas circulou como trabalho alternativo e integra um projeto maior da editora.

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Post postagem (03.01.01, às 12h07): Will, um dos integrantes do Quarto Mundo, faz uma ponderação no espaço dos comentários, logo abaixo, que entendo ser necessário subir para a própria postagem, de modo a dar maior visibilidade ao tema. Segue o comentário:

Preciso registrar que o Quarto Mundo não "somou" tão poucos lançamentos. Como nem todos são noticiados pela mídia especializada, fica-se sem essa referência de onde consultar, o que causa a impressão de falta de lançamentos novos, mas eles estão lá: 2 Camiño di Rato, 2 Café Espacial (eles fizeram parte do coletivo durante a maior parte do ano), JAM, Salomão Ventura, 5 edições do Subterrâneo, Rua, Pieces, Enquanto Isso..., Zine Sindromina, aqui já deu 16. Fora revistas que têm participação de membros do coletivo e que por isso acabam fazendo parte de nosso catálogo. Encaramos como natural essa redução no número de lançamentos por ano, a própria existência do coletivo trouxe novas configurações ao cenário independente, mesmo que alguns não queiram nos dar o crédito, fazendo com que os autores ligados ao movimento também reavaliassem seus projetos e o momento para os lançamentos destes. Sugiro uma entrada no site http://4mundo.com para ficar por dentro. Valeu!!!

Escrito por PAULO RAMOS às 14h16
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29.12.10

Diversidade marca obras sobre quadrinhos do semestre

 

Maria Erótica e o Clamor do Sexo. Crédito: editora Peixe Grande

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Maria Erótica e o Clamor do Sexo", um dos livros sobre a área publicados nos últimos seis meses 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diversidade é a palavra que melhor define as obras sobre quadrinhos publicadas ao longo deste semestre. Nove foram publicadas. A maioria com pouco destaque.

A que conseguiu maior divulgação foi "Maria Erótica e o Clamor do Sexo - Imprensa, Pornografia, Comunismo e Censura na Ditadura Militar 1964/1985" (Peixe Grande; 496 págs.).

A obra foi escrita pelo jornalista Gonçalo Junior, autor de outras investigações sobre o passado editorial brasileiro. Os personagens centrais são Minami Keizi e Cláudio Seto.

Os dois estiveram à frente das editoras Edrel e Grafipar. Ambas publicaram quadrinhos eróticos durante o regime militar. Um deles era "Maria Erótica", que inspirou o título do livro.

                                                         ***

Gonçalo Junior assina também "Alceu Penna e as Garotas do Brasil - Moda e Imprensa - 1933 a 1975" (Manole; 352 págs.). É uma reedição da obra publicada pela CLUQ em 2004.

O livro esmiúça a trajetória profissional do desenhista, conhecido pela trabalho com os modelos femininos que criou para a imprensa. Penna também atuou na área de quadrinhos.

O passado da área é também o tema de "O Quadro nos Quadrinhos", do pesquisador Fabio Luiz carneiro Mourilhe Silva (Multifoco; 294 págs.).

A obra faz uma investigação exaustiva aos trabalhos pioneiros para reconstituir como o quadro se firmou na linguagem e no formato de muitos gêneros dos quadrinhos.

                                                         ***

A Marca de Fantasia publicou três obras sobre quadrinhos entre agosto e este fim de ano. Como as demais do catálogo da editora, o mais amplo do setor, abordam temas plurais.

"O Roteiro nas Histórias em Quadrinhos", de Gian Danton (104 págs.), reúne a experiência do autor no ramo.

"Codinome V - O Herói em V de Vingança" (84 págs.) cumpre o que o título sugere: uma análise da minissérie de Alan Moore e David Lloyd e o impacto dela no gênero super-herói.

Assim como Victor S. Pinheiro, autor do livro, o pesquisador Edgard Guimarães também faz um trabalho ensaístico em "Estudos sobre História em Quadrinhos" (169 págs.). São leituras sobre a narrativa, a linguagem, a metalinguagem, o uso educacional.

                                                         ***

A aplicação didática dos quadrinhos é o tema de outro livro, "Ciência em Quadrinhos - Imagem e Texto em Cartilhas Educativas" (Bagaço; 290 págs.), de Márcia Mendonça.

O trabalho é resultado do doutorado da autora, produzido na Universidade Federal de Recife e premiado com a publicação em um processo seletivo interno.

A pesquisa investigou cartilhas em quadrinhos voltadas à prevenção da Aids e de outras doenças sexualmente transmissíveis.

A conclusão é que a linguagem quadrinizada ajuda a tornar o discurso científico bem menos árido e, por isso, mais acessível ao cidadão comum. Ganha-se clareza na informação.

                                                         ***

Duas outras publicações tangenciam aspectos da área. Os quadrinhos aparecem em dois capítulos de "Fanzines - Autoria, Subjetividade e Invenção de Si" (Edições UFC, 160 págs.).

Um dos artigos é dos professores universitários Elydio dos Santos Neto e Gazy Andraus. Os dois detalham o uso de fanzines autobiográficos em um curso de pós-graduação.

"A Presença do Animê na TV Brasileira" (Laços; 104 págs.) ajuda explicar por que os mangás passaram a ser aceitos no Brasil, após várias tentativas sem sucesso no passado.

A exposição da autora, a jornalista Sandra Monte, mostra que  investimento nos quadrinhos japoneses neste século teve muito a ver com a boa aceitação dos animês da TV.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h44
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23.12.10

Governo Dilma mantém quadrinhos no PNBE

O PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) vai manter obras em quadrinhos nos lotes de livros comprados para escolas de todo o país.

O governo federal divulgou nesta semana o edital de seleção das obras. O texto menciona especificamente o interesse por quadrinhos.

Segundo o edital, aceitam-se "livros de imagens e livros e histórias em quadrinhos, dentre os quais se incluem obras clássicas da literatura universal, artisticamente adaptadas ao público dos anos iniciais do ensino fundamental".

O edital usa o mesmo texto para os ensinos médio e educação de jovens e adultos. Muda apenas as palavras finais, adequando à respectiva série.

                                              ***

O programa manteve a tendência de priorizar no texto do edital as adaptações literárias em quadrinhos. Cada compra varia entre 15 mil e 48 mil exemplares.

Na prática, significa que a troca de comando, com a saída de Luiz Inácio Lula da Silva e a entrada de Dilma Roussef na presidência, não alterou a política do PNBE.

O texto está disponível no site do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, que coordena o processo de seleção. O órgão é ligado ao Ministério da Educação.

As editoras têm até o dia 23 de janeiro para fazerem a pré-inscrição das obras. Os títulos selecionados serão distribuídos nas escolas em 2012.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h35
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21.12.10

Destaques de 2010 na área de quadrinhos

O UOL, portal que hospeda este blog, me convidou para elaborar uma lista dos melhores de 2010. Outros dois sites, Gibizada e O Grito!, também me pediram a mesma relação.

A pauta era elencar os dez destaques do ano na área de quadrinhos aqui no Brasil.

Adotei como critério selecionar obras inéditas em papel e, claro, a qualidade do trabalho.

Na minha leitura, os destaques do ano foram estes:

                                                         ***

1. Notas sobre Gaza (Joe Sacco / Quadrinhos da Cia.)

  • Conhecido por fazer grandes reportagens em quadrinhos, Joe Sacco recupera um sangrento confronto ocorrido entre soldados israelenses e civis palestinos na década de 1950. O trabalho híbrido – mescla de jornalismo e quadrinhos – figura entre os principais do autor. (link) 

2. Bando de Dois (Danilo Beyruth / Zarabatana)

  • Estreia bem-sucedida de Danilo Beyruth numa narrativa longa, traz para o Brasil algo comum no exterior: as histórias de ação. Dois cangaceiros têm de recuperar as cabeças decepadas dos demais integrantes do bando para que as vítimas possam descansar em paz no pós-vida. (link)

3. O Fotógrafo – Uma História no Afeganistão (Didier Lefèvre; E. Guibert / Conrad)

  • Terceiro e último volume do registro fotográfico de Didier Lefèvre no Afeganistão. Nesta parte final, ele mostra o perigoso e dramático périplo por que passou para retornar à França. As fotos se mesclam aos quadrinhos na narrativa, diferencial da série francesa, desenhada por Emmanuel Guibert. (link)

4. Kiki de Montparnasse (José-Louis Bocquet; Catel MullerGalera / Record)

  • Biografia da cantora e modelo Kiki de Montparnasse. Mostra a polêmica trajetória dela, da infância à maturidade, do foco das atenções ao quase esquecimento. Álbum premiado na França, teve a edição nacional arranhada pela tradução “cenário” para o trabalho do roteirista José-Louis Bocquet (link).

5. Bonjour (Liniers / Zarabatana)

  • Lançado neste mês de dezembro, reúne as primeiras tiras criadas pelo argentino Liniers. Com temática solta, os temas trabalham de forma bem-humorada cenas do cotidiano e da cultura pop. “Bonjour” deu os primeiros passos para o que seria, anos depois, a série “Macanudo”, também do autor. (link)

6. Cicatrizes (David Small / Leya Cult; Barba Negra)

  • Trabalho autobiográfico, mostra o drama vivido por David Small na infância por conta de um câncer, que comprometeu parte de suas cordas vocais. O problema esconde outra cicatriz, além da física: a difícil relação com os pais. Primeiro álbum estrangeiro da parceria entre Leya e Barba Negra. (link)

7. O Quilombo Orum Aiê (André Diniz / Galera Record)

  • Na Salvador de 1835, três escravos aproveitam uma rebelião para fugir. Eles se unem a um senhor de meia idade, branco, e partem rumo a um quilombo de que ouviram falar, um lugar de paz, sem doenças, guerras e violência. Destaque é o desfecho surpreendente do bom roteiro de André Diniz. (link)

8. Yeshuah – O Círculo Interno o Círculo Externo (Laudo Ferreira Jr. / Devir)

  • Segunda parte da trilogia que mostra a vida de Jesus Cristo baseada em textos apócrifos e canônicos. O álbum mostra a fase adulta dele e o início de seus milagres. É o trabalho mais autoral de Laudo Ferreira Jr., que se consolida como um dos principais quadrinistas brasileiros contemporâneos. (link)

9. SIC (Orlandeli / Conrad)

  • Reunião de tiras em formato maior, tem como diferencial o experimentalismo gráfico e temático feito por Orlandeli. As histórias são construídas como se fossem crônicas feitas em quadrinhos. O talento do autor ajuda a obter resultados bastante interessantes. (link)

10. A Guerra de Alan – As Memórias do Soldado Alan Ingram Cope (Emmanuel Guibert / Zarabatana)

  • Relato gráfico das memórias de Alan Ingram Cope, que atuou como soldado em parte da Segunda Guerra Mundial e depois trocou os Estados Unidos pela Europa. As lembranças são acentuadas pela qualidade do trabalho de Emmanuel Guibert, autor também de “O Fotógrafo”. (link)

                                                         ***

Não são somente dez títulos que resumem a qualidade dos lançamentos do ano.

Há obras que se destacaram em outros aspectos:

  • Projeto editorial: MSP + 50 – Mauricio de Sousa por Mais 50 Artistas (Vários autores / Panini) (link)
  • Reedição estrangeira: Flash Gordon: No Planeta Mongo / No Reino das Cavernas (Alex Raymond / Kalaco) (link)
  • Reedição nacional: As Cobras – Antologia Definitiva (Luis Fernando Verissimo / Objetiva) (link)
  • Edição independente de grupo:  Golden Shower (Diferentes autores)
  • Edição independente de autor: Taxi (Gustavo Duarte) (link)
  • Adaptação literária: Os Sertões – A Luta (Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa) (link)
  • Revelação do ano: João Montanaro (Cócegas no Raciocínio / Folha de S.Paulo)

                                                         ***

As capas e as fichas técnicas das obras podem ser vistas num quadro, elaborado pelos colegas da editoria de Entretenimento do UOL (link).

                                                         ***

Continuo por aqui, mas aproveito para antecipar ao leitor meus votos de um santo Natal, de uma virada de ano de muita paz e de um 2011 realizador.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h31
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16.12.10

Noitada de lançamentos de quadrinhos em São Paulo

 

Os Sertões - A Luta. Crédito: editora Desiderata

 

 

 

 

 

 


Capa de "Os Sertões - A Luta", um dos lançamentos deste sábado à noite na capital paulista 

 

 

 

 

 

 

 

 


Será uma noite eclética. Do circuito editorial ao independente, do roteiro inédito à adaptação, do humor à ação. O que une todos é o dia, o horário e o local do lançamento.

O dia: sábado. O horário: das 18h30 em diante. O local: HQMix Livraria, no centro de São Paulo. Resumindo: será uma noitada de lançamentos de quadrinhos, tudo no mesmo lugar.

Das obras, a mais aguardada é a versão em quadrinhos de "Os Sertões", obra mor de Euclides da Cunha (1866-1909) sobre a Guerra de Canudos.

Os autores - Carlos Ferreira e Rodrigo Rosa - haviam entregado o trabalho à editora há dois anos. Desde então, o grupo Ediouro tem adiado a edição. Sai agora pela Desiderata.

                                                          ***

"Tiras de Letra Nota 10", como o título sugere, é o décimo livro da série. A marca desta edição é a mesma das anteriores: reunir tiras de 27 autores de diferentes partes do país.

A obra sai pela Editora Virgo e é organizada, uma vez mais, por Mário Mastrotti. A coleção teve início em 2003 e é publicada em sistema de cooperativa entre os participantes.

Outro lançamento traz um título diferenciado: "Promessas de Amor a Desconhecidos Enquanto Espero o Fim do Mundo - Volume 2 - Underground", de Pedro Franz.

O formato também é diferente: traz as folhas soltas. "O leitor é livre para reorganizá-las e encontrar, assim, novos textos para estas mesmas lâminas", registra a obra.

                                                         ***

O primeiro volume do trabalho de Franz foi um dos destaques do circuito independente recente. Se a livraria tiver a edição de estreia, também vale conferir.

O quarto lançamento, na verdade, já está à venda desde o mês passado. Trata-se de um segundo lançamento de "Contos e Cantos do Maraska - Pscircodelia".

De M. Maraska e Ricardo Sasaki, narra os relatos ficcionais de um palhaço e de sua banda de Maraskas. O álbum traz encartado um CD com as músicas que aparecem na obra.

O título foi publicado pela Devir e foi um dos dez projetos selecionados em 2009 pelo edital paulista de publicação de histórias em quadrinhos.

                                                          ***

Serviço - Lançamentos de "Os Sertões - A Luta", "Tiras de Letra Nota 10", "Promessas de Amor a Desconhecidos Enquanto Espero o Fim do Mundo - Volume 2 - Underground" e "Contos e Cantos do Maraska - Pscircodelia". Quando: sábado (18.12). Horário: a partir das 18h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h12
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14.12.10

Abril vai publicar quadrinhos de desenhos da DC

 

Batma - The Brave and the Bold

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa norte-americana de versão em quadrinhos de animação de Batman

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A Abril vai publicar revistas baseadas nas animações dos personagens da DC Comics exibidas pelo canal a cabo Cartoon Network.

Segundo a editora, serão quatro revistas: "Superman", "Batman", "Liga da Justiça" e "Jovens Titãs". A programação é lançar as revistas em março do ano que vem.

Os títulos vão ser trimestrais, com 112 páginas, nos mesmo formato das demais revistas infantis da linha Disney - o chamado formatinho.

A informação foi passada pela editora na tarde de hoje, por e-mail. A Abril publicava os heróis regulares da DC até 2002, quando os direitos passaram para a editora Panini.

Escrito por PAULO RAMOS às 21h34
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09.12.10

Cabra macho, sim, senhor

 

O Cabra. Crédito: editora Papel 2 Texto & Arte

 

 

 

 

 

 

 

Álbum nacional de Flávio Luiz foi impresso em formato gigante e tem lançamento nesta sexta-feira à noite em São Paulo 

 

 

 

 

 

 

 

 


"O sertão vai virar mar, dá no coração, o medo que algum dia o mar também vire sertão. Pois é, virou."

A releitura da música "Sobradinho", da dupla brasileira Sá e Guarabyra, abre o álbum "O Cabra", que tem lançamento nesta sexta-feira, em São Paulo (Papel 2; 56 págs.; R$ 38).

Mais do que isso, a canção dá o tom da narrativa: mais de mil ano no futuro, o deserto toma conta do planeta; água é raridade, um privilégio apenas dos coroneis e do clero.

É aí que surge o Cabra, nome como Severino Crispim dos Santos é conhecido. Com facão e armas a laser, ele tem de enfrentar o coronelado para resgatar a esposa, dada como morta.

                                                         ***

O baiano Flávio Luiz teve a ideia da história a partir de um desenho de cangaceiro, redescoberto na mudança de Salvador para São Paulo, há pouco mais de dois anos.

Para fugir do lugar-comum, arriscou algo novo, o futuro. Foi a base para o álbum, produzido em tamanho gigante, 25 cm por 38 cm, algo raro no mercado brasileiro.

"Acho que pra publicar quadrinhos hoje, você precisa propor algo diferenciado", diz o desenhista de 46 anos, que soma pares de prêmios em salões de humor.

"Estamos competindo com novos formatos ´tecnológicos´ e que agradam mais rapidamente as novas geraçoes, tipo Ipad."

                                                         ***

A decisão de optar pelo formato maior surgiu por acaso, numa conversa na agência de publicadade em que trabalhava.

"Andando pra cima e pra baixo, com as páginas originais de ´O Cabra´, ouvi um amigo perguntar: Vai ser deste tamanho? Aí bateu o clic: e por que não?"

A viabilização do projeto foi simples, já que a obra foi publicada pela editora que ele mantém em parceria com a esposa, Lica de Souza.

"Achamos que, criando nossa própria editora, estaríamos nos profissionalizando mais, cuidando melhor das questões como distribuição, impressão etc."

                                                        ***

A proposta do casal é publicar outros títulos, e não só de Flávio Luiz. O desenhista começou nos quadrinhos de forma independente.

Primeiro, com um álbum de tiras cômicas dos personagens Jab e Rota 66. Depois, com a personagem bombada Jayne Mastodonte, eleito melhor lançamento independente de 1999.

A estreia nas narrativas longas foi com o álbum "O Messias", lançado em 2006 pela pera Graphica. O diferencial do roteiro, do jornalista Gonçalo Jr., é ser uma trama sem palavras.

A segunda incursão no formato álbum foi com "Aú, o Capoerista". Lançado em 2008, foi adotado em escolas e vendeu 7 mil exemplares. Um segundo volume já está em pauta.

                                                         *** 

Serviço - Lançamento de "O Cabra", de Flávio Luiz. Quando: sexta-feira (10.12). Horário: 19h. Onde: Livraria da Vila. Endereço: alameda Lorena, 1.731, Jardim Paulista, São Paulo. Quanto: R$ 38.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h30
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03.12.10

Santos sedia mostra nacional de fanzines

A cidade de Santos, no litoral sul de São Paulo, tem uma tradição de servir de ponto focal para discussões sobre produções autorais, como os fanzines, inclusive de quadrinhos.

O município segue a tradição e inaugura neste sábado, às 18h, a 4ª Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Autorais. 

A abertura dá início também a uma programação de debates, oficinas e exibição de filmes, que vai até o próximo dia 12. Amanhã, às 19h30, há mesa sobre o futuro dos quadrinhos.

Integram a mesa Sônia Luyten, Gazy Andraus, Alexandre Barbosa, José Alberto Lovetro, o JAL, Renato Guedes, Celso Menezes e Emílio Baraçal, sob mediação deste jornalista.

                                                          ***

Serviço - Abertura da 4ª Mostra Nacional de Fanzines e Publicações Autorais. Quando: sábado (04.12). Horário: 18h. Onde: Pinacoteca Benedito Calixto. Endereço: av. Bartolomeu de Gusmão, 15, em Santos. Obs.: a programação dos outros dias será na Gibiteca Marcel Rodrigues Paes, no posto 5 da orla da praia. A programação completa pode ser lida no site da mostra.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h56
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Mauricio de Sousa: cadeira 24 da Academia Paulista de Letras

 

Mauricio de Sousa durante entrega do Troféu HQmix, em outubro deste ano

 


Mauricio de Sousa passará a ocupar a cadeira de número 24 da Academia Paulista de Letras, feito inédito a um autor de quadrinhos.

A informação foi confirmada pelo próprio desenhista e empresário ontem, via Twitter.

"Sou informado de que fui eleito para a Academia Paulista de Letras. Com 30 votos (de 36). Vivaa!!!", escreveu Mauricio, paulista de Santa Isabel.

A eleição ocorreu ontem. Segundo o site da academia, a inscrição foi feita pelo criador da Turma da Mônica. Ele ocupa a vaga deixada pelo poeta Geraldo de Camargo Vidigal.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h09
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02.12.10

Procuram-se narrativas gráficas nacionais

A editora Barba Negra deu início nesta semana a um concurso para selecionar projetos de narrativas gráficas. O autor da melhor ideia vai receber R$ 20 mil e terá o álbum publicado.

O dinheiro será um adiantamento dos direitos autorais. O ganhador terá direito também a uma exposição em 2011 na segunda edição da Rio Comicon, parceira no concurso.

Outras propostas consideradas interessantes pela editora também serão selecionadas para publicação. Os autores, nesse caso, receberão adiantamento de R$ 5 mil cada um.

As propostas deverão ser entregues com 30 páginas roteirizadas e quatro finalizadas para impressão. O álbum todo deverá ter no mínimo 96 páginas. O envio é até 23 de janeiro.

                                                         ***

"Já foi o tempo em que roteiristas eram artigo de luxo", diz S. Lobo, editor da Barba Negra. "Apostar concurso é poder premiar um bom quadrinho, valorizar o autor."

Lobo soma uma boa experiência com álbuns em quadrinhos nacionais no período em que esteve à frente da Desiderata. O desinteresse da editora pelo setor levou à saída dele.

A Barba Negra entrou no mercado de quadrinhos neste ano, numa parceria com o grupo português Leya. Os primeiros lançamentos ocorreram nos últimos meses.

Os lançamentos de estreia foram quatro livros de bolso de humor, dois deles com tiras. Nesta entrevista, Lobo dá mais detalhes sobre o concurso e os rumos da Barba Negra.

                                                          ***

Blog - Qual a expectativa com o concurso?
S. Lobo
- Nossa expectativa é agitar ainda mais as ondas do mercado de quadrinhos. Vivemos um momento ótimo, existem muitos editais que promovem a criação e produção de quadrinhos, com prêmios maiores e melhores que o nosso. Mas percebemos que muitos dos trabalhos vencedores não têm uma boa performance no mercado, devido à falta de um trabalho editorial em sua gênese. Nossa proposta é fazer diferente, auxiliar o autor durante todo o processo de criação, produção, comercialização e divulgação. Ou seja, além do prêmio, o vencedor tem todo apoio da editora e de um evento das proporções do Rio Comicon.


Blog - Um ponto nas regras não ficou claro e queria uma ajuda. Há um trecho que diz "Os demais vencedores receberão um adiantamento de direitos autorais no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) e um contrato de publicação da obra com a editora Barba Negra, uma editora associada ao Grupo Leya". Quantos serão os "demais vencedores"?
Lobo
- Tantos quantos forem bons ou tantos quantos pudermos pagar.

Blog - Queria entender para onde caminha a editora. Houve livros de bolso nacionais, alguns trabalhos estrangeiros. A prioridade será produções daqui ou estrangeiras no próximo ano?
Lobo
- Neste ano produzimos seis publicações nacionais contra três estrangeiras. O desenhista brasileiro e o mercado brasileiro são a nossa prioridade. Temos, neste exato momento, muitos livros sendo produzidos que serão lançados nos próximos três anos. Como se sabe, a produção de quadrinho autoral é lenta, portanto é necessário fazer um mix com estrangeiros. Mas só acredito em uma editora brasileira que valorize o autor nacional.

Blog - Numa entrevista ao blog em 31 de março, você comentava que a editora iria publicar ainda este ano "Cicatrizes", "Zahra´s Paradise" e os nacionais "A Balada de Johnny Furacão", de Eduardo Felipe, o Sama; "Mix Tape", com a Menina Infinito de Fábio Lyra; um roteiro de Mário Bortolotto; uma adaptação de Plínio Marcos. Apenas o primeiro foi impresso até agora. Qual o destino ou previsão de publicação dos demais?
Lobo - Todos estão em curso, uns mais adiantados que outros, mas todos saem nos próximos dois anos. Exceto "A Balada de  Johnny Furacão", pois o Sama e eu, durante o processo de edição do livro, discordamos quanto alguns pontos do roteiro e decidimos então não levar o projeto adiante.

Blog - Especificamente sobre os álbuns nacionais, o que está em produção além dos já mencionados?
Lobo
- Paulo, temos muitos projetos em andamento, mas não gostaria de comentar agora pra não gerar expectativa quanto ao lançamento.

Blog - Para 2011, quais os planos da editora que já podem ser adiantados?
Lobo
- Lançaremos o "Zumbis - O Livro dos Mortos", do Jamie Russel, e também o "Livro de Receitas do Maravilhoso Mundo de Larica Total" [do programa de TV "Larica Total"].

                                                         ***

Leia mais sobre o regulamento e como enviar as propostas no site da editora Barba Negra.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h27
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