25.02.12

Brasileiros participam da Fierro 2

 

  • Seis quadrinistas nacionais farão parte do segundo número da "Fierro Brasil"
  • Lista inclui Fábio Moon, Victor Caffagi, Laudo Ferreira Jr. e Adão Iturrusgarai
  • Álbum está programado para o fim de março e traz seleção de HQs argentinas

 

Fierro Brasil 2. Crédito: editora Zarabatana Books

 

O segundo volume da "Fierro Brasil" vai repetir a mesma estratégia do número inaugural, lançado há um ano. O conteúdo irá mesclar trabalhos argentinos com os de brasileiros.

Nesta nova edição, programada para ser lançada no final de março, irão participar seis autores nacionais.

Dois deles - Fábio Moon e Victor Cafaggi - foram antecipados pela jornalista Raquel Cozer na edição deste sábado do jornal "Folha de S.Paulo".

Os demais foram informados à imprensa pela editora, por e-mail, também neste sábado. Completam a lista Laudo Ferreira Jr., Fábio Zimbres, Adão Iturrusgarai e André Ducci.

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Entre os autores argentinos deste segundo número, estão Maitena, Liniers, José Muñoz, Juan Gimenez, Enrique Breccia, Horacio Altuna e o roteirista Carlos Trillo, morto em 2011.

A capa, mostrada no início desta postagem, foi feita pelo desenhista El Tomi.

A publicação reúne histórias da "Fierro", a principal revista em quadrinhos da Argentina. Aqui no Brasil, o conteúdo é editado em formato álbum (160 págs.; R$ 59).

Inicialmente semestral, o álbum teve a periodicidade alterada para anual. A mudança teve diferentes motivos, segundo Claudio Martini, editor da Zarabatana Books, Claudio Martini.

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O primeiro foi para dar um tempo maior para que o número de estreia fosse conhecido e assimilado pelos leitores. O segundo foi o cronograma apertado de lançamentos de 2011.

O terceiro motivo foi o tempo de preparação. "Este não é um livro que já está pronto, só traduzir (se for o caso) e editar", diz Martini, por e-mail.

"O processo de seleção do material argentino, os convites aos brasileiros, a tradução e a editoração de 160 páginas não é um trabalho fácil e não dá para ser feito em pouco tempo."

Soma-se a isso o fato de Martini centralizar, sozinho, todas as etapas de produção dos títulos da Zarabatana Books, da edição e tradução à comercialização.

                                                        ***

Esta versão abrasileirada da "Fierro" trouxe pela primeira vez ao país trabalhos de autores argentinos até inéditos por aqui.

A revista teve duas vidas editorais no país vizinho. A primeira ocorreu após o período militar, em 1984. Foi publicada mensalmente até o início da década de 1990.

A publicação retornou em novembro de 2006, vendida desde então uma vez por mês com o jornal "Página / 12", de Buenos Aires. A edição nacional toma como base esse conteúdo.

A "Fierro" mescla histórias curtas com outras, em capítulos. A Zarabatana Books lança essas tramas na "Coleção Fierro". O próximo álbum será "Dora", de Ignacio Minaverry.

                                                         ***

Nota: a "Fierro Brasil 2" será a segunda obra argentina a ser publicada por aqui neste início de ano. A primeira foi "O Eternauta", lançada em janeiro. Saiba mais neste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h50
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21.02.12

Bloco dos álbuns nacionais entra na avenida

 

  • "A Rua de Lá" e "Cada Um a Seu Modo" inauguram desfile de obras nacionais
  • Produções começam a circular por algumas lojas especializadas em quadrinhos
  • Álbuns dão início a série de publicações brasileiras programadas para este ano

 

A Rua de Lá, de Evandro Alves. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


Por enquanto, eles circulam apenas por algumas lojas especializadas em quadrinhos ou em lançamentos pontuais. Mas dão início à publicação de álbuns nacionais do ano.

"A Rua de Lá", do mineiro Evandro Alves, e "Cada Um a Seu Modo", do cearense Júlio Belo, são os dois primeiros trabalhos brasileiros a serem impressos neste 2012.

Além desse caráter inaugural, as duas obras têm outros pontos em comum. Ambas foram viabilizadas por meio de programas de incentivo cultural.

E as duas estão vinculadas a grupos distintos de autores independentes, o da Graffiti, de Belo Horizonte (MG), e o do Comics Cafe, de Fortaleza (CE).

                                                          ***

"A Rua de Lá" (R$ 20) é o quinto álbum da bem-sucedida "Coleção 100% Quadrinhos", inagurada em 2007 pelos editores da revista independente "Graffiti 76% Quadrinhos".

O ensaio de lançamento da obra durou quase dois anos. A renovação da Lei de Incentivo à Cultura de Belo Horizonte permitiu que o planejamento fosse agora concretizado.

A história mostra situações vividas por um garoto numa cidadezinha do interior mineiro. O contato com o ambiente natural traz consigo parte do folclore e dos causos do local.

O que instiga o garoto é o que haveria depois da rua que dá margem ao fim da cidade. O que existiria do lado de lá?

                                                         ***

A narrativa tem traços autobiográficos da infância do autor no interior mineiro. "Traços" porque, segundo Evandro Alves, nem tudo é cem por cento fiel ao que de fato ocorreu.

"Todas as cenas são tão vividas quanto sentidas e sonhadas. Não consigo delinear o ´real´ delas... Mas isso não quer dizer que não aconteceram", diz o desenhista, por e-mail.

Ele cita como exemplo uma das memórias mostradas no álbum, um diabinho, com antenas longas e rabo, que teria visto quando menino numa árvore - cujo caminho evitava.

"Ele fazia parte da minha realidade. A criança que fui sempre me diz que viu. Apesar de hoje adulto e homem da ciência, acredito nela."

                                                         ***

Outras memórias dão um tom bem menos folclórico à obra. Como quando foi chamado de urubu por uma professora, primeira situação de preconceito que viveu - e que ainda vive.

"O racismo é algo muito frequente na sociedade brasileira. Sua prática  dissimulada em gestos e atitudes está presente em nosso cotidiano - só não vê quem não quer."

"No meu caso, quis  retratar no álbum o meu primeiro contato com essa prática hedionda e o quanto é difícil para criança lidar com esse tema sem que lhe sobrem marcas."

O caso foi enfrentado com introspecção. Na obra, Alves revela uma parte do processo. O fato de sentir empatia pelo animal - urubu, mostrado na capa - ajudou a superar o trauma.

                                                           ***

"A Rua de Lá" é a primeira história em quadrinhos mais longa produzida pelo desenhista, hoje com 35 anos e morador da mineira Lagoa Santa ("Mas não na rua de lá").

Até então, o humor era sua marca, lida em charges dos jornais "Le Monde Diplomatique" e "Folha de S.Paulo", onde foi segundo colocado num concurso de arte, em 2010.

"Essa ausência de humor foi algo pensado e repensado por mim antes de fazer a ´Rua de Lá´." O diferente veio via diálogo com a literatura, Guimarães Rosa em especial.

"Considero que esse ´namoro´ com a literatura  tenha acentuado ainda mais o distanciamento da obra da temática humorística que, geralmente, caracteriza meus trabalhos."

 

Cada Um a Seu Modo, de Júlio Belo. Crédito: imagem cedida pelo autor

 


Evandro Alves inicia no mês que vem um mestrado em geografia na Universidade Federal de Minas Gerais. A pesquisa e os desenhos talvez o afastem da profissão de bancário.

O banco é outro ponto de contato (embora involuntário) entre os autores dos dois álbuns. Júlio Belo trabalha na administração do Banco do Nordeste, em Fortaleza, onde mora.

Foi por meio de um programa de incentivo cultural da instituição que o desenhista conseguiu custear a impressão de "Cada Um a Seu Modo" (R$ 25).

O álbum é a terceira publicação do coletivo de autores The Comics Cafe, formado por ele, pelo irmão, João Belo, e pelo amigo de longa data, Falex Vidal, todos de Fortaleza.

                                                         ***

O site do The Comics Cafe surgiu em 2009 com a proposta de servir de portifólio virtual do trio. Mas a produção impressa nunca deixou de estar no horizonte do grupo.

O álbum de Júlio Belo, feito especialmente para o formato impresso, traz três histórias curtas. Com diferentes situações e personagens, elas se interligam tematicamente no final.

"Como eu queria chamar a atenção para o álbum e não apenas para uma ou outra história, achei que faltava algo...um propósito", diz o autor, de 32 anos, por e-mail.

"E, se eu não costurasse o final, estaria perdendo a chance de explorar conceitos e transmitir uma mensagem muito além daquelas das próprias histórias."

                                                          ***

As histórias do álbum foram produzidas num estilo de arte baseado na linha clara, muito comum no mercado franco-belga por conta da influência de Hergé, criador de Tintim. 

"Adoro esse estilo pela leveza no resultado, mas, principalmente, porque adoro desenvolver cenários reais de forma limpa e detalhada."

Belo e os parceiros do coletivo autoral programam a produção de mais um ou dois álbuns em quadrinhos "ainda em 2012".

Os projetos, se de fato vingarem, irão se somar a uma série de outros trabalhos autorais nacionais que este ano deve trazer, a se pautar pelas programações das editoras.

                                                         *** 

O Quadrinhos na Cia. já anunciava, desde o ano passado, a publicação de outras parcerias entre desenhistas e escritores. A lista inclui:

  • "Campo em Branco", de Emílio Fraia e DW Ribastski; "V.I.S.H.N.U", de Ronaldo Brassane e Fabio Cobiaco; "A Máquina de Goldberg", de Vanessa Bárbara e Fido Nesti; "Guadalupe", de Angélica Freitas e Odyr Bernardi (fora as reedições de "Avenida Paulista", de Luiz Gê, e de "Diomedes", de Lourenço Mutarelli).

Entre os projetos nacionais da Devir, sabe-se que há a terceira parte de "Yeshuah", de Laudo Ferreira Jr. A Annablume trará um novo álbum, "Trópico Fantasma", de Denny Chang.

A Conrad já anuncia em seu site "Juliet Circus", de Victor Diógenes, obra que se propõe a apresentar o "sensual universo do circo". 

                                                          ***

A Gal irá lançar seus primeiros trabalhos nacionais: "Os Desafiadores do Impossível", de Mauricio Muniz e Alvaro Omine. e "Noite Sangrenta", de M. M. Santos e Joel Lobo. 

A Kalaco trará "Operação Jovem Guarda", sobre três super-heróis brasileiros publicados no fim da década de 1960. A obra é feita por Arthur Garcia e Rubens Cordeiro.

Da Barba Negra, há pouca informação além das já incluídas no catálogo de 2011: "12 Canções - Mixtape da Menina Infinito", de Fábio Lyra, e "Yuka - Música em Quadrinhos".

A editora programa para este ano os três projetos vencedores do concurso de quadrinhos, feito em 2011. E há os trabalhos do edital paulista do ProAC (Programa de Ação Cultural). Há os dez novos projetos e parte dos do edital anterior, ainda não publicados.

                                                          ***

Serviço - Onde encontrar os álbuns "A Rua de Lá" e "Cada Um a Seu Modo"
- "A Rua de Lá" - Vendas via e-mail dos editores da Graffiti:
graffiti76hq@gmail.com Vai haver também um lançamento no dia 3 de março, às 10h, na Livraria Quixote, em Belo Horizonte (rua Fernandes Tourinho, 274)
- "Cada Um a Seu Modo" - Vendas via loja virtual do site The Comics Cafe (
link)

Escrito por PAULO RAMOS às 14h09
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16.02.12

Mangá reloaded

 

  • Séries populares de quadrinhos japoneses ganham reedições no Brasil
  • "One Piece" chega às bancas nesta semana em duas revistas mensais
  • "Cavaleiros do Zodíaco" é relançado desde janeiro; próxima é "Dragon Ball"

 

One Piece # 1. Crédito: editora Panini   Cavaleiros do Zodíaco # 2. Crédito: editora JBC

 

Houve uma espécie de giro de 360 graus no circuito editorial de mangás. Séries que ajudaram a popularizar os quadrinhos japoneses no Brasil retornam em novas edições.

A lista de títulos revisitados inclui "One Piece", distribuído nas bancas nesta semana, e "Cavaleiros do Zodíaco". As séries são publicadas pela Panini e pela JBC, respectivamente.

"One Piece", de Eiichiro Oda, foi retomado em duas revistas mensais. Uma relança a série do início. Outra continua do ponto onde havia parado na antiga editora, a Conrad, em 2008.

Ambas custam R$ 10,90 cada uma. O mangá mostra a história de Luffy, um rapaz que pode esticar o corpo e que almeja conquistar o maior tesouro do mundo.

                                                          ***

"One Piece" esteve entre os mangás mais vendidos no Japão na segunda metade da década passada. Em 2008, beirou os seis milhões de exemplares.

A Panini sinaliza apostar nesses números. Tanto que já faz assinatura da série. Pelo menos nesta primeira semana, os primeiros retornos foram positivos. 

Na loja de quadrinhos Comix, de São Paulo, o primeiro número da revista estava esgotado no fim de semana. A loja havia recebido antecipadamente 500 exemplares.     

A Panini programa retomar também a série "Dragon Ball", de Akira Toriyama, como a editora anunciou em dezembro do ano passado.

                                                          ***

O fato de a JBC relançar "Cavaleiros do Zodíaco" não deixa de ser irônico: a série era uma das mais vendidas pela concorrente, Conrad, nos primeiros anos da década passada.

O mangá começou a ser reeditado em janeiro. O que chegou às bancas nesta semana foi o segundo número (também a R$ 10,90).

A série mostra jovens guerreiros dotados de habilidades especiais. Um deles, Seiya, é o foco central da trama.

A animação de "Cavaleiros do Zodíaco" foi exibida no Brasil, com muito sucesso, pela extinta TV Manchete na segunda metade da década de 1990. 

                                                          ***

Outra série exibida com boa repercussão na TV aberta no fim do século passado foi "Dragon Ball". Esse fato ajudou a transferir a popularidade para os então estreantes mangás.

Os dois títulos mensais dividiram o trunfo de popularizar os quadrinhos japoneses no Brasil, após várias tentativas malsucedidades na última década do século passado.

As séries foram lançadas pela Conrad no fim de 2000. Foram os primeiros a apresentar a leitura de trás para a frente, como no Japão, algo que se tornou regra a partir de então.

Os anos seguintes viram os mangás aumentarem as vendas, a influência e o volume de títulos no país, a ponto de as bancas criarem prateleiras específicas para eles.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h50
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13.02.12

Nós vamo invadir tua praia

 

  • Invasão de monstros no litoral paulista será tema de HQ de Gustavo Duarte
  • Trabalho está em produção e será a primeira história longa do desenhista
  • Álbum será publicado pelo Quadrinhos na Cia. e está programado para este ano

Esboço de um dos monstros do álbum. Crédito: imagem cedida pelo autor


Monstros invadem a orla de Santos, no litoral sul de São Paulo. São gigantes. Três ao todo. A cidade está um caos. Por enquanto, são as únicas informações disponíveis.

Os motivos do ataque ainda são desconhecidos. Sabe-se apenas que pelo menos duas pessoas têm informações privilegiadas sobre o caso.

Uma delas é o editor do Quadrinhos na Cia., André Conti, que aprovou o roteiro da história em quadrinhos no último dia 15. A outra pessoa é o autor, Gustavo Duarte.

É dele a ideia de fazer uma invasão de monstros made in Brazil, à moda dos antigos seriados japoneses, tema de seu próximo trabalho.

                                                         ***

Duarte revela pouco do projeto, além do registrado acima. Diz que será uma história maior, entre 70 e 80 páginas. Será seu trabalho mais longo em quadrinhos.

Será em preto-e-branco ou em duas cores, falta definir. O nome também não foi acertado. Entre ele e a editora, usa o termo "monstros" para se referir à obra.

O que está certo é que seguirá o estilo de seus trabalhos independentes: terá algum animal - monstros, no caso - e será uma narrativa muda, sem uso de balões e legendas.

Ele tem o roteiro pronto e começa a rascunhar os primeiros esboços, como o mostrado acima. Programa entregar tudo à editora em maio. Se tudo der certo, sai em agosto.

                                                         ***

A inspiração foram os antigos seriados japoneses, que passaram no Brasil entre as décadas de 1960 e 80. "Spectreman", exibido pelo SBT, era especial. Ele adorava.

"Desde moleque eu gostava mais dos monstros do que dos heróis", diz, por telefone. Tanto que a madrinha dizia que, para agradar, era só dar a ele um "bicho feio" de presente.

Nos quadrinhos, os "bichos feios" serão intencionalmente superlativos. "Imagine que eles têm o dobro de um prédio de Santos."

Pelo desenho acima, já dá para imaginar...

                                                         ***

A cena irá se passar no Gonzaga, um dos bairros mais conhecidos e turísticos de Santos. Duarte, hoje com 34 anos, aproveitou um evento por lá para fotografar as ruas da cidade.

"Eu parecia um turista louco. Eu fotografava o chão, o topo do prédio, bem de baixo, com ângulos diferentes." Voltou para São Paulo, onde mora, com 200 a 300 fotos clicadas.

Além deste, Duarte tem agendado outro álbum para este ano: uma história com Chico Bento, personagem de Mauricio de Sousa. Ao contrário das demais, esta terá diálogos.

"Assim que acabar este, começo o outro." Pela sua programação, a história de Chico Bento estará pronta para ser publicada em dezembro e terá em torno de 60 páginas.

                                                         ***

Gustavo Duarte era mais conhecido até pouco tempo atrás pelas charges esportivas feitas para o diário "Lance!". Em 2009, ele dividiu o serviço com a produção de quadrinhos.

O primeiro foi "Có!". Depois vieram "Taxi", em 2010, e "Birds", no ano seguinte. E os prêmios. Ganhou o HQMix em 2010 e 2011 e, neste início de ano, o Angelo Agostini.

Para este 2012, ele não programa nenhum lançamento independente. Os trabalhos para o Quadrinhos na Cia. e a Mauricio de Sousa Produções tomaram o restante do tempo livre.

"Poderia ser em anos separados", diz. "Mas trabalho é trabalho. Eu sempre vivi de desenho. Mas é a primeira vez que eu tenho uma demanda tão grande."

Escrito por PAULO RAMOS às 20h42
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07.02.12

Angeli e Laerte planejam nova revista em quadrinhos

 

  • Desenhistas comentaram sobre projeto durante gravação do programa "Roda Viva"
  • Cartunistas disseram não ser uma nova "Chiclete com Banana", dos anos 1980 e 90
  • Angeli e Laerte deram a entender que publicação dará espaço a novos quadrinistas

 

Chiclete com Banana. Crédito: edição on-line da Folha de S.Paulo de 04.02.2012

 

Os cartunistas Angeli e Laerte têm planos de publicar uma nova revista em quadrinhos. Seria uma volta a um formato que ambos frequentaram durante as décadas de 1980 e 90.

Os dois, no entanto, dão poucos detalhes sobre o projeto. Passam apenas pistas. A primeira é que pode ser um espaço para abrigar também novos quadrinistas.

A outra pista é que não seria uma nova "Chiclete com Banana", revista de Angeli publicada entre 1985 e a metade da década seguinte. Na leitura deles, o momento editorial é outro.

A informação foi comentada na tarde desta terça-feira durante gravação do "Roda Viva", da TV Cultura. O programa vai ao ar na noite do dia 20. Laerte foi o entrevistado.

                                                        ***

Angeli foi um dos cinco integrantes da bancada, responsável pelas perguntas. A informação surgiu numa das conversas entre ele e Laerte.

"Podemos abrir o assunto, não é nenhum segredo", comentou Laerte a Angeli, no ar. Apesar das perguntas sobre o projeto feitas na sequência, pouco foi acrescentado.

Foi um dos poucos assuntos de quadrinhos abordados no programa. O tema central foi o cross-dressing, nome dado a quem se veste com roupas e ornamentos do sexo oposto.

Laerte aderiu ao cross-dressing em 2009 e, desde então, tem se envolvido cada vez mais no tema. No programa, estava de sandálias, vestido, maquiagem e unhas pintadas.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h13
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05.02.12

HQMix irá homenagear Primaggio Mantovi

 

  • Premiação de quadrinhos irá usar no troféu deste ano imagem do palhaço Sacarrolha
  • Personagem é a criação mais conhecida de Primaggio Mantovi
  • Desenhista italiano, radicado no Brasil, será um dos homenageados deste HQMix

 

Capa de Sacarrolha nº 1, da RGE, de janeiro de 1972

 

Se não houver nenhuma mudança, a estátua deste ano a ser dada aos premiados do Troféu HQMix será baseada no palhaço Sacarrolha, personagem criado por Primaggio Mantovi.

O desenhista também será um dos homenageados da premiação, a principal da área de quadrinhos no país e que fará neste ano a 24ª edição.

A comissão organizadora do prêmio mantém a informação em sigilo. O mesmo sigilo foi pedido ao autor, que já foi comunicado da homenagem.

A cada ano, o troféu toma como base um personagem nacional. Na edição passada, o molde foi Geraldão, criação do cartunista Glauco Villas Boas (1957-2010).

                                                         ***

Italiano radicado no Brasil desde a década de 1950, Mantovi atuou como desenhista e em cargos administrativos em diferentes editoras do país, em particular RGE e Abril.

Seu principal personagem teve uma trajetória editorial semelhante à do criador. Sacarrolha passou por várias editoras.

O palhaço estreou em revista própria, em janeiro de 1972, pela RGE (foi rebatizada para Editora Globo nos anos 1980). Teve 36 números, o último lançado no fim de 1974.

No ano seguinte, passou a ser publicado pela Abril, inicialmente como números especiais da revista "Diversões Juvenis". Foram editados poucos números.

                                                         ***

Dos anos 1980 em diante, houve novas tentativas de retomada de Sacarrolha, feitas por outras editoras. Nenhuma foi bem-sucedida.

A data inicial para a cerimônia de premiação deste Troféu HQMix é junho. Nos anos anteriores, a entrega dos prêmios ocorria a partir de julho.

A provável antecipação é para casar com a inauguração de uma gibiteria do Sesc Pompeia, em São Paulo, segundo informação da própria entidade.

O teatro do Sesc Pompeia tem servido de palco para as últimas edições do prêmio.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h05
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03.02.12

Quadrinhos na biblioteca

 

  • Prefeitura de Fortaleza inclui 51 quadrinhos no acervo de bibliotecas municipais
  • Assim como nas compras do governo federal, houve maior interesse por adaptações
  • Obras integram programa de modernização das bibliotecas e de fomento à leitura

 

A Cachoeira de Paulo Afonso. Crédito: divulgação

 

Obras em quadrinhos estão na lista de livros comprados pela Prefeitura de Fortaleza para compor bibliotecas públicas municipais e programas de incentivo à leitura.

A relação dos títulos selecionados foi divulgada nesta semana. A lista é eclética. Inclui de livros teóricos a romances, de dicionários a histórias em quadrinhos de diferentes gêneros.

O município vai comprar ao todo 51 publicações em quadrinhos. Há ainda outras quatro relacionadas ao tema. Não se sabe quantas unidades de cada um serão adquiridas.

As obras irão compor três acervos; um de modernização de bibliotecas (1.800 exemplares), outro de implantação delas (mil) e um terceiro para fomento à leitura (2.500).

                                                         ***

Há álbuns que estão presentes nos três acervos. Outros, em dois. E um terceiro grupo apenas em um.

A relação geral, embora diversificada, revela um nítido interesse por adaptações literárias em quadrinhos. Estas compõem metade dos títulos a serem comprados (26 obras).

O interesse por adaptações segue o mesmo caminho adotado pelo PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola), mantido pelo governo federal.

O programa também usa quadrinhos para compor acervos de bibliotecas escolares de todo o país, com explícita predileção por adaptações. A primeira inclusão ocorreu em 2006. 

                                                        ***

Veja a seguir a relação geral dos títulos em quadrinhos - e dos quatro relacionados ao tema - que serão comprados pela Prefeitura de Fortaleza:

  • A Cachoeira de Paulo Afonso
  • A Casa Vazia
  • A Chegada
  • A Divina Comédia em Quadrinhos
  • A Faixa Malhada
  • A Ilha do Tesouro
  • A Luta
  • A Turma do Xaxado - Volume 1
  • A Turma do Xaxado - Volume 2
  • A Turma do Xaxado - Volume 3
  • A Turma do Xaxado - Volume 4
  • A Volta da Graúna
  • As Aventuras de Tom Sawyer
  • Assassinato no Oriente Express seguido de Morte no Nilo
  • Auto da Barca do Inferno
  • Aventuras de Sir Charles Mogadon e do Conde Euphrates de Açafrão
  • Aya de Yopougon
  • Carol
  • Chico Rei
  • Cicatrizes
  • Ciranda Coraci - Mitos Recriados em Quadrinhos
  • Como Obelix Caiu no Caldeirão do Druida quando Era Pequeno
  • Como Usar as Histórias em Quadrinhos na Sala de Aula
  • Death Note - Another Note
  • Demônios em Quadrinhos
  • Dom Quixote em Quadrinhos
  • Dragon Ball Evolution
  • Fala, Menino!
  • Fahrenheit 451 - A Graphic Novel
  • Fernando Pessoa e Outros Pessoas
  • Frankenstein
  • Hamlet
  • Ilíada em Quadrinhos
  • Iracema em Quadrinhos
  • Iracema Mangá
  • L, Change the World
  • Morro da Favela
  • Morte da Mesopotâmia Seguido de O Caso dos Dez Negrinhos
  • O Cidadão Invisível
  • O Corvo em Quadrinhos
  • O Ermitão da Glória
  • O Guarani em Quadrinhos
  • O Médico e o Monstro - Graphic Chillers
  • O Senhor das Histórias - Mitos Recriados em Quadrinhos
  • Os Lusíadas em Quadrinhos
  • Os Sertões - A Luta
  • Palmares - A Luta pela Liberdade
  • Peanuts Completo: 1953 a 1954
  • Persépolis
  • Ponha-se na Rua
  • Quilombo Orum Aiê
  • Retalhos
  • Robinson Crusoé
  • Toda Mafalda 
  • Vinte Mil Léguas Submarinas 

                                                         ***

Post postagem (05.02, às 22h20): o desenhista João Marcos Mendonça me alerta, por meio do espaço dos comentários, que duas obras suas também integram a lista.

São elas "Sete Histórias de Pescaria do Seu Vivinho" e "Histórias Tão Pequenas de Nós Dois". Ficam feitas as inclusões, que elevam para 53 os títulos selecionados.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h39
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