24.05.12

Mauricio de Sousa é o 6º escritor mais admirado do país

 

  • Desenhista e empresário figura entre os mais citados em pesquisa nacional
  • Mauricio é mais lembrado que autores como José de Alencar e Fernando Pessoa 
  • Informação consta no levantamento Retratos da Leitura no Brasil, feito em 2011

 

Mauricio de Sousa durante premiação do Troféu HQMix, em 2010

 

O criador da Turma da Mônica é o sexto escritor mais lembrado pelos brasileiros. É o que indica o levantamento Retratos da Leitura no Brasil, realizado em 2011 e divulgado agora.

Mauricio de Sousa aparece à frente de nomes consagrados, como José de Alencar, Cecília Meireles, Fernando Pessoa e Graciliano Ramos.

Os cinco mais citados, segundo a pesquisa, foram Monteiro Lobato (1º), Machado de Assis (2º), Paulo Coelho (3º), Jorge Amado (4º) e Carlos Drummond de Andrade (5º).

O pai de Mônica e Cebolinha já havia sido mencionado no levantamento anterior, de 2007, em décimo. Ziraldo, que divide os quadrinhos com a literatura infantil, aparece em 15º.

                                                          ***

Esta é a terceira edição da pesquisa, que é realizada pelo Instituto Pró-Livro.

Os dados foram coletados entre 11 de junho e 3 de julho do ano passado. O levantamento somou 5.012 entrevistados, em 315 municípios brasileiros.

No quesito quadrinhos, os dados apresentam duas informações contraditórias. Por um lado, houve um aumento de 8% entre os materiais mais lidos (22% em 2007; 30% em 2011).

Por outro lado, houve queda entre os gêneros listados entre os que a pessoa costuma ler. Caiu de 27%,  há quatro anos, para 19%.

                                                          ***

A pesquisa revelou também a frequência de leitura de histórias em quadrinhos no país. Dos entrevistados, 46% disseram ler quadrinhos frequentemente.

A maiorida acompanha quadrinhos uma vez por semana (46%) ou mensalmente (42%). Apenas 14% disseram ler uma vez por dia.

Dos cinco aos 17 anos, a média de leitura de quadrinhos gira em torno de 30%. Após essa faixa etária, cai para a metade (15%).

Entre as formas de publicação mais lidas no país, os quadrinhos aparecem em 8º, atrás da Bíblia, dos didáticos, dos romances, dos religiosos, dos contos, dos infatis e de poesia.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h55
[comente] [ link ]

17.05.12

Convite: lançamentos de Revolução do Gibi

 

 

Revolução do Gibi - A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil

 


Queria fazer um convite.

Faço a partir deste sábado uma série de lançamentos de "Revolução do Gibi - A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil", que publico pela Devir e que começa a ser vendido este mês.

A obra reúne, contextualiza e atualiza reportagens, entrevistas e resenhas veiculadas aqui no blog desde 2006, ano em que a página foi criada. O último texto é de dezembro de 2011.

O leitor deste espaço virtual, não poderia ser diferente, é o convidado especial deste lançamento. Espero poder (re)ver todos por lá.

                                                           ***

Lançamentos de "Revolução do Gibi - A Nova Cara dos Quadrinhos no Brasil"

São Paulo

  • Quando: 19 de maio
  • Horário: 19h
  • Onde: HQMix Livraria
  • Endereço: rua Tinhorão, 142, em Higienópolis

Curitiba

  • Quando: 31 de maio
  • Horário: 19h
  • Onde: Itiban
  • Endereço: avenida Silva Jardim, 485

Belo Horizonte

  • Quando: 28 de junho
  • Horário: 19h (está programada uma palestra antes)
  • Onde: Biblioteca Pública Infantil e Juvenil
  • Endereço: rua Carangola, 288

Rio de Janeiro

Estou de olho no dia 11 de julho. Mas nada confirmado ainda. Informo se for mesmo rolar.

 

Escrito por PAULO RAMOS às 00h05
[comente] [ link ]

09.05.12

Caloi (1949-2012)

 

  • Desenhista argentino morreu na madrugada de terça-feira, vítima de câncer
  • Quadrinista foi criador de Clemente, um dos personagens mais populares do país
  • Autor é lembrado também por papel de resistência exercido durante período militar

 

El Libro de Clemente. Crédito: reprodução

 

A Câmara dos Deputados da Argentina viveu um dia diferente na terça-feira. O prédio, que fica na capital Buenos Aires, serviu de velório para o corpo do desenhista Caloi.

Carlos Loiseau morreu na madrugada do mesmo dia, vítima de câncer. As honras dadas a ele reforçam a importância que teve para a história dos quadrinhos do país.

Importância que pautou manchetes dos três principais jornais de Buenos Aires na manhã desta quarta-feira. No "Clarín", onde publicava, toda a página de tiras foi dedicada a ele.

E não só no "Clarín". Desenhistas dos concorrentes "La Nación" e "Página/12" também lembraram o colega em suas tiras e cartuns.

 

Macanudo, de Liniers. Crédito: versão on-line de La Nacion

 

La Nelly. Crédito: versão on-line de Clarín

 

A maior parte das homenagens visuais se pautava em Clemente, principal personagem de Caloi e publicado no jornal "Clarín" desde 1973.

Difícil dizer a que espécie o bicho pertencia. De início, parecia um pássaro de bico comprido que voava para cá e para lá. Com o tempo, firmou-se no solo, onde se popularizou.

A fama foi conquistada em poucos anos. Primeiro, nas próprias páginas do diário argentino. Clemente era personagem secundário. O protagonista era Bartolo, um condutor de bonde.

As posições se inverteram por conta do carismo do animal, enigmático quanto a espécie, mas reconhecível no jeitão portenho. Era mulherengo, torcedor fanático do Boca Juniors.

 

Clemente e Bartolo. Crédito: reprodução

 

O diálogo com o futebol foi o primeiro sinal da popularidade do personagem fora das páginas do jornal. A prova disso foi vista na Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina.

Caloi aceitou que seu personagem, um torcedor como tantos outros argentinos, fosse usado no telão dos estádios de futebol. Tornou-se um grito de protesto.

Um ano antes, o país foi tomado por uma junta militar, que deu início à censura e ao extermínio de resistentes ao regime - estima-se em torno de 30 mil desaparecidos políticos.

Os militares queriam criar uma boa impressão aos outros países. Uma das iniciativas foi uma peça publicitária, que pedia aos torcedores não jogarem papéis no gramado.

                                                           ***

O senão da campanha é que jogar "papelitos" no campo era uma tradição entre os torcedores do país.

Um estranhamento inicial já havia sido feito por Caloi em sua tira. Clemente se perguntava como é que os argentinos ficariam sem jogar papeizinhos no gramado dos estádios?

A resposta foi canalizada justamente no telão que trazia o personagem. Durante os jogos, o personagem aparecia correndo e aparecia a frase "tiren papelitos, muchachos".

Dito e feito. Na final da Copa, quando a Argentina se tornou campeã ao vencer a Holanda, o gramado parecia ser formado por papéis, tamanho o volume arremessado ali.

 

Clemente na Copa do Mundo. Crédito: versão on-line do jornal Clarín

 

A popularidade de Clemente foi repetida também na TV. O bicho ganhou um programa próprio, feito na forma de marionetes. Conseguiu boa repercussão nos anos de exibição.

Repercussão que se prolongou pelo tempo. No começo deste século, o personagem foi um dos mais lembrados num voto de protesto nas eleições do país. Quase venceu.

Na última Copa do Mundo, a então multinacional do petróleo YPF - recém reestatizada pela presidente Cristina Kirchner - usou Clemente como garoto propaganda.

Em Buenos Aires e nas cidades vizinhas, era possível ver enormes outdoors com o bicho e os votos de que a seleção argentina vencesse o torneio.

                                                            ***

Assim como Quino, criador de Mafalda e um dos inspiradores de Caloi, o pai de Clemente foi um criador de cartuns. É algo que o acompanhou desde o início da carreira.

Caloi teve passagens pela revista de humor "Tia Vicenta", uma das mais conhecidas do país na década de 1960. Entrou no "Clarín" no fim daquela década.

Em 1973, foi um dos responsáveis pela composição da página de quadrinhos do jornal. O diário havia decidido publicar apenas tiras nacionais no espaço dedicado aos quadrinhos.

Foi assim que surgiram Bartolo e Clemente. E tantos outros desenhistas até hoje presentes no cenário do país. E que fizeram questão de homenagear o colega nesta quarta-feira.

 

Decur. Crédito: versão on-line de Clarin

 

Escrito por PAULO RAMOS às 10h51
[comente] [ link ]

[ ver mensagens anteriores ]