05.09.12

Cerimônia do adeus

 

  • Revista mineira "Graffiti 76% Quadrinhos" será cancelada no número 23
  • Iniciada em 1995, era uma das mais antigas publicações independentes do país
  • Um dos editores planeja usar experiência na criação de uma editora de quadrinhos

 

Graffit 76% Quadrinhos # 23. Crédito: editores da revista

 

A revista "Graffiti 76% Quadrinhos" deixará de existir. O último adeus será dado com a publicação do 23º número, que tem lançamento nesta quinta (06.09) em Belo Horizonte.

O cancelamento põe fim a uma das mais antigas publicações independentes de quadrinhos do país. Iniciada em 1995, antecipou a tendência de autopublicação explorada hoje no país.

Segundo Fabiano Barroso, um dos editores da revista, houve uma soma de fatores que levaram à decisão, que atendem pelas faltas de motivação, recursos e tempo.

O alento é que ele planeja levar a experiência acumulada para um selo editorial, que também terá como proposta o lançamento de quadrinhos.

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Ao longo desses 17 anos de existência, a "Graffiti 76% Quadrinhos" era tida como uma referência no circuito alternativo brasileiro de quadrinhos.

Passaram pelas páginas da revista mais de cem autores, tanto nacionais quanto de outros países. A proposta era reunir histórias curtas de cada um deles a cada número.

Paralelamente, o grupo mineiro produziu uma coleção de narrativas mais longas, produzidas no formato álbum. Foram publicados cinco números ao todo, o último no começo do ano.

O blog conversou com Barroso por e-mail. Ele fez um depoimento sobre os motivos que levaram ao fim da revista. Depoimento que fala por si e que pode ser lido a seguir.

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O projeto terminou porque não nos sentimos mais tão à vontade fazendo a Graffiti. Ela se tornou, creio que a partir do número 22 (mas já havia indícios antes), uma proposta editorial um tanto maneirista, o que não condiz com o espírito inicial da revista. A Graffiti já foi uma exploradora de tendências, um laboratório, aonde fazíamos e incentivávamos experiências usando o quadrinho como tema central.

Editorialmente falando, nós contribuímos para abrir portas importantes dentro do restrito e intrincado mercado de quadrinhos nacional, pois entramos pela porta do fanzine, mas tendo sempre a pretensão de fazer um produto de luxo, graficamente falando.

Ou seja, ajudamos a inaugurar um modo de fazer & publicar quadrinhos que, no início, era o modelo a ser alcançado. Depois passou a ser tendência. Agora é usual e, quase, obrigatório. Ou seja, enquanto todo mundo evoluiu, a Graffiti estacionou e, hoje, temos dificuldade para sair do lugar onde estamos, seja por motivação, por tempo ou por recursos financeiros e estruturais.

A Graffiti é movida por projetos. A cada final de projeto, nos reunimos para planejar o(s) próximos projetos, se envolverão lei de incentivo, se terão edições 100% quadrinhos, temáticas, nomes de autores, etc. O atual projeto envolveu a publicação de duas edições regulares (22 e a que estamos lançando, 23) e um álbum (A Rua de Lá, do Alves).

Ele chegou ao final, quer dizer, tem a fase de lançamentos, distribuição e tal, mas a produção chegou ao fim, e consequentemente nos reunimos para ver o que faremos. Assim, decidimos que não faremos mais revistas, pelos motivos que citei.

Dos álbuns pendentes, o único que chegou a ser divulgado foi o do Bruno Azevêdo [O Pôço]. Pretendemos, sim, realizar projetos diferentes, mas ainda não podemos afirmar que a Coleção 100% Quadrinhos está entre eles. Um destes projetos já está em início de produção, e não envolve diretamente os quadrinhos.

Do ponto de vista estratégico, pode ser interessante formalizar um selo Graffiti. Falamos sobre isso por alto, mas ainda temos que acertar os pontos. Pessoalmente tenho a pretensão de montar uma pequena editora e publicar quadrinhos (meus e de outros) nos moldes que sempre publiquei.

Na verdade, a editora já existe juridicamente, desde o início do ano, mas não pude me dedicar a ela como gostaria, justamente por causa da Graffiti. Então, espero consolidar esta editora a partir do ano que vem, usando ou não o nome da Graffiti e a parceria com os membros.

A princípio, é um projeto pessoal. Pode ou não envolver meus parceiros, mas todos têm obrigações profissionais que, talvez, sirvam como impedimento. No meu caso, pretendo me dedicar de forma (quase) exclusiva.

Pretendo publicar trabalhos na linha do que sempre busquei publicar na revista e nos álbuns. Tenho pretensões de ser competitivo, vender, procurar os programas de compra de livros pelos governos, mas sem perder de vista os motivos pelos quais entrei nessa.

A Graffiti é formada por Pablo Pires (jornalista) e Piero Bagnariol (quadrinista e educador), que fundaram a revista há 17 anos. Eu entrei em janeiro de 1996, aos 18 anos, como distribuidor da recém-lançada número zero. Rafael Soares entrou em 1997, como produtor. E a Alexandra Martins, jornalista, entrou em 2008.

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Serviço - Lançamento da "Graffiti 76% Quadrinhos" # 23. Quando: quinta-feira (06.09). Horário: 21h. Onde: CCCP. Endereço: rua Levindo Lopes, 358, Savassi, Belo Horizonte (MG).

Escrito por PAULO RAMOS às 00h28
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02.09.12

Convite

 

Lançamento de Revolução do Gibi em Natal, dia 05.09

Escrito por PAULO RAMOS às 19h15
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