30.01.14

Maratona de links do Dia do Quadrinho Nacional

 

 

Já é uma tradição deste blog promover uma maratona de links de blogs, sites e outros meios virtuais para marcar o Dia do Quadrinho Nacional, comemorado neste 30 de janeiro.

A iniciativa é reprisada neste 2014, ano em que se comemoram 145 anos da publicação da história de Nhô Quim e Zé Caipora, impressa há 145 no jornal "Vida Fluminense".

O método de divulgação será bem simples: basta deixar o nome da série, do autor, a cidade e o link logo abaixo, no espaço dos comentários.

Em anos anteriores, já chegamos a ter cerca de 150 links. Tenho comigo que esse número ampliou muito. Vamos ver no que vai dar?

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Acompanhe a maratona também no Facebook do blog.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h07
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24.01.14

Premiados do Angelo Agostini

 

  • Organização do Troféu Angelo Agostini divulga relação de premiados deste ano
  • Shiko, Gustavo Duarte e Angeli estão entre os vencedores
  • Cerimônia de entrega está marcada para a tarde de 1º de fevereiro, em São Paulo

 

 

Não deixa de ser sempre uma surpresa a leitura dos vencedores do Troféu Angelo Agostini, uma das duas premiações de histórias em quadrinhos do país - a outra é o HQMix.

A surpresa desta 30ª edição está em ver nomes conhecidos do mercado de quadrinhos entre os vitoriosos, algo que destoa das seleções vistas nos últimos anos.

Shiko foi escolhido como melhor desenhista. Ele lançou dois álbuns em 2013: "O Azul Indiferente do Céu" (Marca de Fantasia) e "Piteco: Ingá" (Panini), da coleção "Graphic MSP".

Outro autor da coleção, Gustavo Duarte, venceu como melhor roteirista. Ele escreveu e fez a arte de "Chcio Bento: Pavor Espaciar". Angeli ganhou como melhor cartunista.

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A escolha dos nomes é feita por voto aberto. Segundo os participantes, a revista infantil "Meninos e Dragões" (Abril), de Lucio Luiz e Flavio Soares foi o melhor lançamento de 2013.

Entre os independentes, "Plataforma HQ", que se pauta na cidade de Rio Grande (RS), e "Quadrinhos Ácidos" venceram nas categorias lançamento e fanzine.

O prêmio Jayme Cortez, concedido a quem tenha incentivado o quadrinho nacional, será dado a Sidney Gusman, editor da coleção "Graphic MSP".

Como mestres do quadrinho nacional, foram lembrados os nomes de Byrata, Lourenço Mutarelli e Paulo Paiva Lima.

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A oscilação entre os nomes vencedores - muitas vezes causada por campanhas feitas pelos próprios autores - já se tornou algo recorrente no histórico recente do Angelo Agostini.

O tema, inclusive, já foi identificado pelos organizadores da premiação, mantida pela AQC (Associação dos Quadrinistas e Caricaturistas do Estado de São Paulo).

Para esta edição, procurou-se evitar votos duplicados ou reincidentes. Segundo o site do troféu, tentou-se averiguar endereços de IP dos computadores e forçar cadastros pessoais.

A intenção, ainda de acordo com a página virtual, é coibir abusos, "garantindo assim uma campanha limpa". O site não informou o número de votantes. Em 2013, foram quase 15 mil.

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Nota: a entrega dos prêmios irá ocorrer no próximo dia 1º, no auditório da biblioteca do Memorial da América Latina, em São Paulo. A cerimônia terá início às 13h.

Escrito por PAULO RAMOS às 00h38
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12.01.14

Moacy Cirne (1943-2014)

 

  • Corpo foi enterrado neste domingo (12.01) em Caicó, no Rio Grande do Norte
  • Pesquisador foi um dos pioneiros no estudo de histórias em quadrinhos no país
  • Cirne estava internado havia dias e morreu sábado (11.01), de parada cardíaca

 

 

O retrato de Moacy Cirne mostrado acima sintetiza com precisão o jeito do pesquisador, que foi enterrado neste domingo (12.01) em Caicó, no interior do Rio Grande do Norte.

Um dos pioneiros no estudo de quadrinhos no país, ele mantinha esse mesmo sorriso, independentemente de conhecer ou não a pessoa. Tratava-as com o mesmo acolhimento.

O ex-professor de comunicação da Universidade Federal Fluminense (UFF) morreu nesse sábado (11.01) em Natal (RN), de parada cardíaca.

Segundo o site "Substantivo Plural", o primeiro a confirmar o falecimento, ele estava internado no Hospital Incor desde o meio da semana por problemas ligados a hepatite.

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O quadro clínico de Moacy Cirne oscila há pelo menos três anos. Era nos momentos de melhora que ele fazia suas raras aparições públicas em eventos ligados à área.

A história da história em quadrinhos brasileira reserva a Cirne a autoria da primeira obra sobre o tema publicado no Brasil, "A Explosão Criativa dos Quadrinhos", de 1970.

O livro procurava traçar as primeiras explicações sobre os recursos visuais da linguagem dos quadrinhos, como o balão e a composição do ritmo narrativo.

A publicação foi seguida de uma série de outras, tidas hoje como referenciais, casos de "A Linguagem dos Quadrinhos" (1971) e "Para Ler os Quadrinhos" (1972).

 

 

Cirne teve papel central também na discussão das histórias em quadrinhos no circuito intelectual brasileiro, numa época em que o assunto era muito malvisto nas universidades.

À frente da "Revista de Cultura Vozes", publicação acadêmica de vanguarda para década de 1970, ele remou na contramão e dedicou mais de um volume às narrativas sequenciais.

"Apesar da ditadura. Apesar da censura. Apesar do medo." - escrevia Cirne no livro "Os Pioneiros no Estudo de Quadrinhos no Brasil", lançado pela Criativo, em agosto passado.

"Tempos duros, tempos difíceis, mas tempos criativos." O relato, que compunha um dos capítulos da obra, foi seu último trabalho relacionado ao tema.

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No capítulo, Cirne relatou como se deram seus primeiros contatos com as histórias em quadrinhos e o gosto em estudar o tema cientificamente.

A obra reuniu depoimentos dele e de outros pesquisadores brasileiros que deram início ao estudo de quadrinhos nas universidades brasileiras.

Entre os autores, estava Antônio Luiz Cagnin, morto em 8 de outubro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco fulminante, aos 83 anos.

Cagnin faleceu cinco dias depois de Elydio dos Santos Neto, outro estudioso de histórias em quadrinhos brasileiro. Santos Neto lutava contra um câncer.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h58
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06.01.14

Raio-X das tiras nos jornais do Brasil

 

 

Preciso de uma ajuda.

Estou fazendo uma espécie de raio-X das tiras que são publicadas diariamente nos jornais impressos brasileiros, tanto as séries nacionais quanto as estrangeiras.

É uma pesquisa ainda inédita no país. Planejo usar os resultados num livro sobre tiras, que programo publicar ainda este ano.

Daí a ajuda. Pode ser?

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A ideia é que cada pessoa compre um exemplar do(s) jornal(is) de sua cidade e escaneie a seção de tiras (se a página não couber no scanner, pode dividir em duas partes).

Depois, peço a gentileza de encaminhar os arquivos para o e-mail aqui do blog: blogdosquadrinhos@gmail.com .

Não se esqueça de informar, por favor, o nome do jornal, em qual cidade ele é publicado, o dia da edição selecionada e em qual caderno as tiras foram impressas.

Se eventualmente o jornal de sua cidade não tiver tiras, sem problemas. Peço que me informe esse dado, também por e-mail. Será igualmente útil.

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Minha ideia é divulgar os resultados aqui mesmo no blog no próximo dia 30 de janeiro, data em que é comemorado o Dia do Quadrinho Nacional.

Antes disso, ponho algumas parciais no Facebook do blog.

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Fazer um levantamento assim, manualmente, é algo muito difícil.

Mas, por meio da internet e com a ajuda de todos, o cenário se torna bem mais real.

Agradeço desde já pela atenção e pela ajuda.

Paulo.

Escrito por PAULO RAMOS às 01h06
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02.01.14

O que o jovem gosta de ler e o que querem que ele goste

 

  • Pesquisa do governo de SP revela que tiras são leitura preferida de estudantes
  • Levantamento revela contradição entre preferências dos alunos e conteúdo escolar
  • Estudo foi divulgado neste início de ano (02.01) e foi aplicado a 1 milhão de jovens

 

 


Pesquisa divulgada nesta quinta-feira (02.01) pela Secretaria Estadual de Educação de São Paulo oficializa uma contradição entre os que alunos gostam de ler e o que se ensina a eles.

A maioria dos estudantes afirmou que as "narrativas em tiras" - que se supõe serem tiras - são sua principal preferência de leitura. Essa opção foi assinalada por 45% dos entrevistados e ficou acima de gêneros literários, forma de leitura tradicionais do ensino.

Contos, mitos e lendas apareceram em segundo lugar, com 36,9%. Poemas, romances de amor e romances de aventura tiveram percentuais de 31%, 29,2% e 24,8%, respectivamente.

O levantamento foi feito pela Coordenadoria de Informação e Monitoramento e Avaliação (Cima), órgão ligado à secretaria, e ouviu um milhão de jovens da rede estadual de ensino.

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O fato de uma produção não literária figurar como a preferida pelos estudantes contrasta com as leituras recomendadas a eles pelo próprio governo estadual paulista.

Se adotado como parâmetro o Saresp (Sistema de Avaliação de Rendimento Escolar do Estado de São Paulo), os quadrinhos são leitura recomendada só a crianças do quarto ano.

Alunos próximos a essa faixa escolar foram apenas um dos perfis estudantis ouvidos na pesquisa, feita justamente durante a realização da prova do Saresp.

Segundo a Cima, foram ouvidos jovens do terceiro, quinto, sétimo e nono anos do Ensino Fundamental e adolescentes do terceiro ano do Ensino Médio.

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Em outros termos: o gosto por tiras não é restrito a crianças, como o governo parece querer crer por meio dos conteúdos do Saresp. É apreciado também por outras faixas etárias.

Há ainda outra contradição, mas externa à pesquisa.

Na divulgação dos dados, nesta quinta-feira, a Secretaria Estadual de Educação informou que "quadrinhos, contos e poemas são estilos literários preferidos de alunos da rede".

O texto, disponível no site da secretaria, registra ainda que o estudo detectou os "gêneros literários" dos estudantes.

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Em outros termos: a divulgação do governo confunde "estilo", "gênero literário" e "gênero quadrinístico", pressupondo que este pertença ao universo da literatura.

Essa leitura entra em contradição com o próprio conteúdo proposto pelo Saresp para ser avaliado com os estudantes durante a prova de 2013.

Segundo a "matriz de referência para avaliação do Saresp" para língua portuguesa a ser aplicada a alunos do quarto ano, "quadrinhos" são apresentados como gêneros "não literários".

O informe do governo já começa a ecoar na imprensa com os mesmos equívocos. Reportagem desta quinta-feira do portal de "O Estado de S. Paulo" noticia que quadrinhos são estilos "literário" e "de leitura".

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O número de entrevistados equivale a cerca de um quarto dos alunos do sistema público estadual paulista - 4,3 milhões no total, segundo dados divulgados pela própria secretaria.

A cada um dos jovens, foi feita a seguinte pergunta: "que tipo de livro você gosta de ler?". As alternativas eram de múltipla escolha. O estudante podia preencher mais de um item.

O que não contrasta nesse estudo é a comparação dos resultados com outra pesquisa, realizada ano passado, também pelo governo paulista, apenas com alunos do Ensino Médio.

Dos estudantes ouvidos, 41,5% disseram preferir a leitura de histórias em quadrinhos. Essa predileção ficou acima de poemas (28%) e biografias (12,2%).

Escrito por PAULO RAMOS às 19h23
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