16.09.14

Olhares sobre o Proac

 

(Versão ampliada de matéria minha, publicada na "Folha de S.Paulo" em 15.09)

 

 

Há quatro caminhos para publicar quadrinhos hoje no Brasil: 1) via editoras; 2) bancar do próprio bolso; 3) por meio de arrecadação coletiva de leitores na internet; 4) com o auxílio de leis de incentivo à produção. É deste último mecanismo a fonte de boa parte dos álbuns nacionais lançados neste ano.

Dos títulos com narrativas longas publicados em 2014, cinco foram bancados pelo Proac (Programa de Ação Cultural), do Estado de São Paulo. Mantido desde 2008, o edital voltado à criação de histórias em quadrinhos tem gerado desde então um lote anual de obras, publicadas individualmente pelos autores ou em parceria com editoras.

“Cumbe”, lançado este mês, foi um dos projetos contemplados. Para Marcelo D´Salete, criador da obra, sem a verba do edital, seria difícil viabilizar o trabalho. O autor, um dos 15 selecionados em 2013, ganhou R$ 40 mil para criar, editar e imprimir a história.

Avalio que ainda temos poucos editores realmente sensíveis para analisar o que tem sido feito de quadrinhos hoje. Já enviei propostas de publicações para editoras que nunca me responderam.”

Para Davi Calil, outro selecionado, a lei de incentivo à produção ajuda, mas não é suficiente. Na leitura dele, trata-se de uma “ajuda de custo”, que colabora para pagar apenas parte dos gastos. O quadrinista publicou no mês passado o álbum “Quaisqualigundum”, que trazia histórias baseadas em músicas de Adoniran Barbosa.

“Quarenta mil reais parece muito, mas, quando você calcula os gastos, principalmente no ´Quaisqualigundum´, em que tivemos de pagar direitos autorais, não sobra quase nada.” Na leitura dele, o ideal seria que a verba fosse suficiente para o autor de dedicar apenas à criação da obra.

Magno Costa, que publicou no começo do ano o álbum “A Vida de Jonas” com verba do Proac, o programa funciona como uma espécie de atrativo para as editoras. Com o dinheiro na mão e um projeto já iniciado, aumentam as chances de emplacar a proposta. “Você tem a visibilidade necessária para ter a atenção do editor.” O trabalho dele saiu pela Zarabatana Books.

Alcimar Frazão, um dos desenhistas de “Ronda Noturna”, outro projeto do programa lançado este ano, é mais contundente: o edital seria um dos responsáveis pelo amadurecimento da criação nacional de quadrinhos.

“O incentivo à produção que dificilmente encontra escoamento pelas editoras, a necessidade dos artistas se planejarem a longo prazo e produzirem um álbum de corpo. Isso faz bastante diferença no médio prazo.” 

Escrito por PAULO RAMOS às 10h30
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15.09.14

Quadrinhos narram busca de escravos por liberdade

 

(Matéria minha, publicada na edição de 15 de setembro da "Folha de S.Paulo")

 

 

Quais seriam as histórias de liberdade dos escravos na época colonial? Foi com base nessa ideia que o quadrinista Marcelo D'Salete, 34, imaginou os quatro contos do livro de histórias em quadrinhos "Cumbe" (ed. Veneta).

O sonho de ser dono de si é materializado em diferentes histórias de relacionamento, protagonizadas pelos escravos. Do contato amoroso ao fraternal, do convívio coletivo à motivação individual.

"A escravidão foi uma forma brutal de desumanização e distorção das relações entre negros e brancos. Um fato que marcou e marca nossa realidade social até os dias de hoje. Rever esse período, recriar essa história a partir dos fatos que temos hoje, é tentar também repensar o presente", diz D'Salete.

A construção das narrativas veio de pesquisas feitas pelo autor. A palavra que dá título à obra e a um dos contos é fruto desse levantamento. "Cumbe" seria sinônimo de quilombo.

Um glossário no final do livro, com outros 13 verbetes citados nas histórias, traduz os termos ao leitor.

O vocabulário comum à cultura dos escravos intitula também os outros trabalhos do livro: "Calunga" (mar, entre outros significados), "Sumidouro" (poço onde eram jogados escravos rebeldes), "Malungo" (companheiro). Enredos distintos, unidos por diferentes maneiras de encontrar a liberdade.

Outro ponto comum entre as quatro histórias da obra é o estilo narrativo do quadrinista. D'Salete tem uma predileção por vai e vens temporais, transitando de uma determinada situação para outras, anteriores a ela.

Foi um recurso já usado por ele nos dois livros anteriores, "Noite Luz" (Via Lettera, 2008) e "Encruzilhada" (Leya/Barba Negra, 2011).

"Construo as minhas histórias de forma fragmentada. Gosto muito de criar a partir de cenas e de explorar as possibilidades entre cada quadro e momento."

E reflete: "Imagino que talvez essa forma de construção apareça no meu trabalho devido à influência de alguns filmes, diretores de cinema e escritores".

Paulistano, professor da Escola de Aplicação da Universidade de São Paulo, D'Salete planeja reprisar a temática escravocrata num projeto iniciado há oito anos: narrar a história do Quilombo dos Palmares ao longo de 300 páginas. Negro, tem na própria raça uma de suas motivações.

"Minha proposta é recontar esta saga a partir do olhar dos negros e africanos que estavam naquele local, não somente a partir dos principais líderes, mas também de personagens comuns."

"É uma história baseada em fatos históricos, mas quis recontar isso de forma poética e pessoal", explica.

CUMBE

AUTOR Marcelo D'Salete
EDITORA Veneta
QUANTO R$ 29,90 (176 págs.)

Escrito por PAULO RAMOS às 09h42
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11.09.14

Antônio Cedraz (1945-2014)

 

  • Desenhista morreu na manhã desta quinta-feira, em Salvador, vítima de câncer
  • Cremação está marcada para 16h30 no cemitério Jardim da Saudade, na Bahia
  • Cedraz ficou conhecido pela série Turma do Xaxado; estava com 69 anos

 

 

 

A alegria dos personagens da Turma do Xaxado, mostrada acima, contrasta com a notícia a ser dada sobre seu criador, morto na manhã desta quinta-feira em Salvador (BA).

Antônio Cedraz combatia um câncer no intestino, problema que acompanhava o desenhista baiano há alguns meses.

Segundo o jornal "A Tarde", de Salvador, onde publicava suas tiras, o desenhista estava internado desde 31 de agosto no Hospital Português, também na capital baiana. 

A cremação do corpo está agendada para as 16h30 desta quinta-feira. A cerimônia será realizada no cemitário Jardim da Saudade, no bairro de Brotas.

                                                         ***

Cedraz foi o criador da Turma do Xaxado. Na Bahia, a série é bastante popular. O autor tinha no estado um destaque semelhante a Mauricio de Sousa.

O autor batalhava para tornar as tiras conhecidas no restante do país. Em entrevista dada ao blog, em julho de 2008, ele via na distribuição um dos entraves.

"A nossa editora não tem distribuição nacional e fica difícil. Uma grande ajuda está sendo dada pela publicação de tiras em livros didáticos", dizia, na ocasião.

Desde então, a série ganhou uma revista nas bancas, pela HQM. A publicação foi cancelada no quarto número. Também teve livros lançados pela Martin Claret.

                                                         ***

Nascido em Miguel Calmon (BA), Cedraz migrou da atividade de professor para a de criador de histórias em quadrinhos.

Com a Turma do Xaxado, construiu um farto catálogo de livros. As obras traziam tanto coletâneas de tiras quanto temas específicos.

As histórias tinham como ponto comum o diálogo com temas da realidade brasileira, em particular a seca do sertão, onde as tiras eram ambientadas.

"Acho que o maior mérito do Xaxado é falar das coisas do Brasil, lendas, política e outras coisas", dizia, na mesma entrevista concedida ao blog em julho de 2008.

                                                         ***

Autor e personagens serão homenageados na próxima edição do FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), a ser realizada no ano que vem em Belo Horizonte (MG).

A Fundação Municipal de Cultura e a coordenação do evento divulgaram nota hoje lamentando a morte.

"Esperamos honrar sua vida e obra, fazendo um festival que, além das homenagens, possa disseminar sua importante contribuição aos quadrinhos", acrescentava o texto.

O jornal "A Tarde", de Salvador, informou hoje que irá publicar tiras de Cedraz até o final do mês. A desta quinta-feira é a reproduzida logo abaixo.

 

 

 

Escrito por PAULO RAMOS às 14h03
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08.09.14

Divulgados premiados do HQMix

 

  • Organização do prêmio de quadrinhos divulgou vencedores nesta segunda-feira
  • Níquel Náusea, de Fernando Gonsales, será tema do troféu a ser entregue
  • Cerimônia de premiação será no sábado, às 17h, no Sesc Pompeia, em São Paulo

 

 

 

Confira os premiados:

 

Adaptação para os quadrinhos – Dom Casmurro (Devir)

Desenhista de Humor Gráfico - Alpino

Desenhista Estrangeiro – Enki Bilal

Desenhista Nacional - Shiko

Destaque Internacional - André Diniz

Destaque Latino-Americano – El Viejo (Alceo e Matías Bergara - Uruguai)

Destaque Língua Portuguesa – Banda Desenhada da Língua Portuguesa – BDLP - (diversos - Angola/Portugal)

Edição Especial Estrangeira – Pobre Marinheiro (Balão)

Edição Especial Nacional – Turma da Mônica – Laços (MSP/Panini)

Editora do Ano - Nemo

Evento – FIQ BH – Festival Internacional de Quadrinhos BH

Exposição – Ícones dos Quadrinhos (FIQ BH – Ivan Freitas da Costa)

Grande Contribuição – Catarse HQ

Grande Mestre - Angelí

Homenagem Especial – Memória Gráfica Brasileira – MGB
(
http://www.memoriagraficabrasileira.org/)

Livro Teórico – Marvel Comics – A história secreta (LEYA)

Novo Talento - Desenhista – Lu Cafaggi

Novo Talento - Roteirista – Pedro Cobiaco

Produção para Outras Linguagens – Cena HQ (Caixa Cultural)

Projeto Editorial – Coleção Moebius (Nemo)

Publicação de Aventura/Terror/Ficção – Piteco – INGÁ (MSP/Panini)

Publicação de Clássico – FRADIM (Henfil – Educação de sustentabilidade)

Publicação de Humor Gráfico – Os Grandes Artistas da MAD – Aragonés (Panini)

Publicação de tira - Valente Por Opção (Panini)

Publicação Independente de Autor – Beijo Adolescente 2 (Rafael Coutinho)

Publicação Independente de Grupo – Café Espacial nº12

Publicação Independente Edição Única – O Monstro (Fabio Coala)

Publicação Infanto-Juvenil - Turma da Mônica – Laços (MSP/Panini)

Publicação MIX – Friquinique! (Independente)

Roteirista Estrangeiro - Robert Kirkman

Roteirista Nacional – Vitor e Lu Cafaggi

Salão e Festival – 1º Bienal Internacional de Caricatura (Luciano Magno)

Tese de Doutorado - Carlos Manoel de Hollanda Cavalcanti (Universidade Federal – RJ)

Tese de Mestrado – Tiago Canário (PUC – PR)

Tira Nacional – Manual do Minotauro (Laerte)

Trabalho de conclusão de Curso (TCC) – Luiz Henrique Bezerra (PUC –PR)

Web Quadrinhos – Terapia (http://petisco.org/terapia/)

Web Tiras – Overdose Homeopática (http://www.overdosehomeopatica.com/)

Escrito por PAULO RAMOS às 14h22
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07.09.14

Diário do Gibicon - Dia 3 

 

O terceiro dia e penúltimo dia do Gibicon teve mesas aos montes. Não deu para assistir a todas. Mas deu para saber, em linhas gerais, o que foi debatido em cada uma.

Catarse, sistema de arrecadação virtual que tem ajudado a viabilizar impressão de quadrinhos: trouxe grande contribuição, mas é preciso saber gerir direitinho o esquema.

Quadrinhos autorais: fomento governamental à produção é estratégico, tanto para autor quanto para editoras. Há diferença de visões sobre o papel das livrarias e das bancas.

Coleção "Graphic MSP": o Louco será o personagem de um próximo álbum, a ser produzido pelo ainda pouco conhecido Rogério Coelho, quadrinista de Curitiba.

                                                         ***

Com menos mesas para mediar, foi um dia mais calmo para circular pelos três andares do Museu de Arte (MuMA), onde o evento de quadrinhos foi realizado.

No subsolo e no andar de cima, estavam concentradas as várias exposições. Exposições que, somente neste terceiro dia, tive tempo de visitar.

Os temas variavam. Iam do quadrinho inglês ao argentino, passando por produções de autores brasileiros. Listo a seguir imagens das mostras, seguidas de legendas.

A mais impressionante era a de Renato Guedes. Conhecido por desenhar super-heróis as norte-americanas DC e Marvel Comics, parecia outro autor. Começo com ela:

 

 

 

 

Cenas de "Imersão", composta por telas desenhadas pelo brasileiro Renato Guedes

 

 

"Luz e Sombras - O Universo Fantástico de Salvador Sanz" (a foto não ficou muito boa...)

 

 

Original de Bidu, do álbum homônimo, produzido para a coleção "Graphic MSP"

 

 

Exposição de trabalho de Km Jung Gi, um dos convidados internacionais do Gibicon

 

 

Visitas às imagens criadas pelo inglês David lloyd, outro convidado internacional

 

 

Cartum de Solda, veterano desenhista, homenageado nesta segunda edição do evento

 

 

Uma das charges de "O Que Aconteceu com a Seleção Brasileira?"

 

 

Cena de "Breve História do Mangá no Brasil"

 

 

 

Original de Flavio Colin, item do acervo da Gibiteca de Curitiba

 

 

Uma das leituras de "O Gralha", personagem da cidade, que teve diferentes artes

 

 

Arte do argentino Eduardo Risso, presente em uma das exposições

 

Escrito por PAULO RAMOS às 11h20
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06.09.14

Diário do Gibicon - Dia 2

 

 

 

"Combati a ditadura por décadas. Fui abatido pelo politicamente correto."

A declaração de Luis Solda (foto acima) foi a grande surpresa da mesa sobre autores de Curitiba, realizada na manhã desta sexta-feira, segundo dia do Gibicon.

Surpresa porque um debate com quadrinistas da cidade-sede do evento de quadrinhos já havia ocorrido nas duas edições anteriores, com os mesmos autores.

Se a plateia esperava mais do que mesmo, enganou-se. O que ouviu foi um relato de como uma carreira construída por anos pode ser ofuscada por um preconceito inexistente.

                                                         ***

A frase de Solda se referia ao fato de o veterano cartunista ter seus serviços boicotados por empresas. Ele diz ter deixado de ser procurado para novos trabalhos.

A falta de novas ofertas seria consequência de um caso do qual foi vítima em março de 2011. Ele foi demitido do jornal "Paraná On-Line" por conta de uma charge.

O desenho mostrava um macado dando uma banana para Barack Obama (veja imagem acima). O presidente norte-americano havia visitado o Brasil dias antes.

A charge foi alvo de críticas nas redes sociais e de entidades relacionadas aos direitos dos negros. A arte foi lida equivocamente como racista: o macaco seria Obama.

                                                         ***     

A demissão de Solda pelo jornal funcionou como uma espécie de atestado de que ele havia errado. O eco, segundo ele, é sentido até hoje. Empresas o veem como racista. 

A informação pegou de surpresa também a mesa. Benett, Pryscila Vieira, Marco Jakobsen e Paixão, todos do Paraná, sugeriram que o colega buscasse ressarcimento na justiça.

Hoje, Solda faz trabalhos para uma página virtual.

O caso do chargista não foi a única declaração contundente dada numa das mesas do Gibicon. Outra surgiu na última mesa do dia, sobre quadrinhos argentinos.

 

 

"A indústria norte-americana de super-heróis é uma máquina de devorar desenhistas."

Foi dessa forma que o argentino Eduardo Risso disse enxergar a inserção de autores sul-americanos no disputado mercado de quadrinhos dos Estados Unidos.

Ganha força a frase quando se vê o histórico de Risso. Desenhista premiado, fez a arte de uma das séries mais badaladas de lá, "100 Balas", concluída recentemente pela Panini.

Segundo o quadrinista, a pessoa não suporta aquele ritmo industrial por tanto tempo. Elogiou o brasileiro Marcelo Campos, pioneiro nesse mercado, por saído abandonado essa área.

                                                        ***

Risso comentou sobre suas obras e a respeito de como enxerga o mercado contemporâneo argentino. Na leitura dele, houve duas mudanças sensíveis se comparado a outros tempos.

A primeira alteração seria a quebra do sistema de distribuição. O pouco que obras chega hoje se restringe à capital Buenos Aires e a outras cidades maiores do país. 

Outra alteração seria o uso do formato livro. Isso seria bom, por um lado, por destacar o lado autoral. Por outro, deixaria de lado os novos quadrinistas.

O desenhista acredita que uma forma de contornar essas duas deficiências seriam justamente congressos como o Gibicon. Realizados tanto aqui no Brasil quanto na Argentina.

                                                         ***

Dividia a mesa com Risso o também argentino Salvador Sanz - tive a oportunidade de mediar o bate-papo. Sanz é presença regular no Gibicon. Esteve nas três edições do evento.

Sanz emendou o debate com uma generosa fila de autógrafos, realizada antes do debate. Ele lança no encontro o álbum "Legião", terceiro livro dele pela Zarabatana Books.

Conhecido por ter um traço bastante realista e detalhado, ele diz demorar até três dias para compor uma página.

Esse cuidado o impediria de aceitar trabalhos no exterior, marcados por um ritmo mais ágil. Para 2015, finaliza a adaptação de um conto de "Mitos de Cthulhu", de Lovecraft.

 

 

Houve outras mesas neste segundo. Infelizmente, a escolha de Sofia impede de assistir a todas.

Pela manhã, autores brasileiros debateram a inserção no gordo mercado editorial francês - em 2013, o país lançou mais de 5 mil títulos. Outra discutiu o financiamento virtual.

No começo da tarde, pude mediar um papo sobre os eventos de quadrinhos realizados no Brasil (foto acima).

Participaram os organizadores do Gibicon, FIQ (Festival Internacional de Quadrinhos), Multiverso Comicon, Fest Comix e dos troféus Angelo Agostini e HQMix.

                                                         ***

Foi consenso que organizar atividades como esta do Gibicon são um trabalho de amor aos quadrinhos - a palavra "amor" foi citada mais de uma vez pelos palestrantes.

De novidade, algumas, instadas nas falas finais de cada um dos organizadores. Fabrizio Andriani disse que teve aprovação da Lei Rouanet para realização do Gibicon 3, em 2016.

Jal afirmou que os premiados do Troféu HQMix serão divulgados até este domingo. A entrega é dia 13. Duas das pesquisas sobre quadrinhos vencedoras, segundo ele, são de Curitiba.

Emerson Vasconcelos anunciou que Sidney Gusman, editora da Mauricio de Sousa Produções, será o homenageado do ano que vem do Multiverso Comicon. O Fest Comix será em junho.

 

 

Entendi somente neste segundo dia de Gibicon meu estranhamento inicial de ter encontrado apenas pouco mais de uma dezena de lançamentos independentes no evento.

Eu havia percorrido apenas os estandes da parte de dentro do MuMA (Museu de Arte), local de realização do evento, que vai até este domingo.

Do lado de fora, na parte de trás do museu, havia um corredor com várias mesas de autores. O número de lançamentos mais que dobrou - eu havia somado 12 no primeiro dia.

De diferentes estados, com formatos e temáticas variadas, eles ficaram o dia expondo os trabalhos. Diante de um frio cortante. À noite, então, estava desalentador ficar ao ar livre.

                                                         ***

Encerro com a pergunta que abriu a mesa sobre a relação entre quadrinhos e cinema, tão atual - foi um debate que começou bem, mas se perdeu após as perguntas da plateia.

A questão colocada para a mesa foi: qual a melhor e qual e pior adaptação de quadrinhos para o cinema?

Deixo para o leitor registrar as opiniões nos comentários. 

Vamos ao terceiro dia.

Escrito por PAULO RAMOS às 00h06
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04.09.14

Diário do Gibicon - Dia 1

 

 

Havia uma certa expectativa em torno da segunda edição do Gibicon, iniciada nesta quinta-feira, em Curitiba. A espera pautava-se na qualidade das duas anteriores.

É bom que se explique a matemática logo de início: duas anteriores porque uma houve uma edição zero antes da primeira. Logo, esta é a segunda de um total de três.

Uma marca vista antes foi reprisada: o envolvimento da cidade no encontro de quadrinhos. Na saída do aeroporto, o balcão de informações expunha o caderno de programação.

Alguns pontos de ônibus reproduziam anúncios enormes, com desenhos do protagonista de "V de Vingança", do inglês David Lloyd, um dos convidados, e de outros participantes.

                                                          ***

A logística do evento aos convidados está impecável. Representantes da organização, sorriso no rosto, ficam posicionados nos pontos estratégicos, aeroporto, hotel.

Não foi deles, e nem poderia ser, a culpa por não ter podido assistir às duas mesas iniciais da manhã. A responsabilidade é da GOL.

A empresa aérea cancelou o voo das 9h17 da manhã. Isso dentro da sala de embarque, check-in já feito. O reagendamento foi feito para 10h45 - saiu 11h15.

Uma inesperada chegada a Curitiba no início da tarde permitiu acompanhar apenas a segunda parte das mesas vespertinas. E ter um primeiro contato com o evento em si.

                                                         ***

A primeira diferença desta edição em relação às duas anteriores é que tudo passou a ser concentrado num local só, o MuMA (Museu de Arte).

Nos dois primeiros Gibicon, a programação era dividida em vários pontos do atraente centro curitibano - o museu fica no Portão, bairro a cerca de 15 de carro da região central.

A opção por distribuir a agenda dividia opiniões nas conversas ouvidas aqui e ali.

Eu estava entre os que gostavam disso. Dava ao evento ares de Angoulême, cidade francesa que abriga a principal premiação de quadrinhos do mercado europeu.

                                                         ***

A alternação de concentrar os compromissos num único prédio, por outro lado, tem vantagens inegáveis. Fica mais fácil de se localizar e de encontrar autores. Esbarra-se neles, na verdade.

Virou lugar-comum encontrar rodinhas de quadrinistas e afins nos dois andares em que o evento concentrou as atividades neste primeiro dia. 

Logo na entrada, havia um estande da loja Comix, de São Paulo. Descendo as escadas, a Itiban, de Curitiba, concentrava parte das obras que seriam autografadas no evento.

Fora as duas, os demais estandes eram de autores independentes. A maioria se juntou para dividir os custos. Por isso, encontram-se trabalhos diferentes pelas várias mesas.

 

 

Reservei uma hora entre o final da tarde e o início da noite para visitar os estandes dos autores, cerca de dez - com margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Havia muitos trabalhos já publicados em anos anteriores, à disposição para venda. Nada de atípico ou criticável nisso. Se o autor não expuser seu material, quem irá?

E, não custa registrar, um livro só é de fato novo quando é descoberto pelo leitor.

Para, para marinheiro de outras viagens, que já havia visitado e lido muitas aquelas regiões impressas, o interesse natural era conhecer os novos lugares, lançados especificamente no evento.

                                                         ***

O critério foi o mesmo de outros eventos de quadrinhos, Gibicon anteriores inclusive: passar de estande em estande, comprando o que fosse novo, feito para ser lançado ali.

A primeira contagem somou 12 trabalhos: "Paf Paf", "Tudo já foi Dito", "Fulanos & Fulanas", "Objetos Inanimados", "Batsuman Ano Um (E Dois Também)", "Dora", "Fim do Mundo", "Morphine", "Bobo da Corte - Bobo no Banheiro", "Blue - Um Dia de Gato", "Monstrorum História", ""Muiraquitã e a Fúria do Anhangá".

Há mais mais. Serão descobertos nestes próximos dias. O leitor também pode ajudar, indicando nos comentários ou por e-mail os que eventualmente estão faltando.

Detalhe relevante: quatro deles, ou seja, um terço, foram financiados via Catarse. O sistema virtual de arrecadação tem viabilizado vários projetos em quadrinhos recentes.

 

 

Não por acaso o Catarse será tema de uma das mesas que abrem o segundo dia do evento. Está agendada para as 10h. Paralelamente, outra, sobre mulheres nos quadrinhos.

No dia de abertura, as tiras foram o assunto de um dos debates, debatido por Benett, Pryscila Vieira, Vitor Cafaggi, Fabio Coala, Carlos Ruas e Luli Pena (foto acima).

Ficou claro que a internet exerce hoje papel fundamental para essa forma de produção. Tanto de divulgação quanto de produção em si. Alguns deles já vivem disso.

Cafaggi, que lança no evento o quarto volume de "Valente", publicado pela Panini, revelou que a tira irá até o sexto volume. Depois, diz já ter ideia de três outras possíveis séries.

                                                        ***

O segundo dia do Gibicon tem na programação mesas ecléticas, da presença dos autores brasileiros no exterior à sobre eventos de quadrinhos no país.

A síntese fica para amanhã.

                                                         ***

A ética exige que registre: viajo a convite da organização do Gibicon.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h25
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