31.08.15

Minorias da Ditadura Militar brasileira

 

 

Reportagem minha, publicada na edição desta segunda-feira (31.08) da "Folha de S.Paulo"

 

 

 

Há duas propostas que permeiam o livro "Notas de um Tempo Silenciado" (Edições BesouroBox). A primeira é dar voz a pessoas que sofreram na pele a violência da ditadura militar brasileira (1964-1985). A segunda é expor os relatos em quadrinhos.

A obra apresenta 13 histórias curtas. À exceção da última, que faz um resgate da trajetória do autoritarismo no país, as narrativas retratam diferentes personagens reais que vivenciaram o período.

"O livro conta histórias de índios, guerrilheiros, mulheres, negros, ou seja, minorias que, por alguma razão, tiveram suas vidas condicionadas pelo regime ditatorial", diz o autor, Robson Vilalba, 31.

"Eu queria contar histórias que escapassem do lugar-comum. Como o militar reprimido pelo golpe ou o guerrilheiro que traiu a guerrilha."

Artista gráfico e sociólogo, ele afirma que teve de se valer de diferentes fontes para compor as narrativas. O contato com sobreviventes foi uma delas. Nos casos em que a pessoa havia sido assassinada, teve de se valer de notícias, trabalhos acadêmicos ou levantamentos da Comissão Nacional da Verdade.

As páginas finais do livro trazem notas de como se deu o processo de apuração e de contato com as histórias.

A maior parte dos casos havia sido veiculada no jornal paranaense "Gazeta do Povo" em abril do ano passado, por ocasião dos 50 anos de início do período militar. O livro reedita esse conteúdo e traz outros cinco relatos inéditos, nos quais intensifica o olhar para as minorias.

Além de Curitiba, as histórias se passam em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.

O trabalho, que mescla jornalismo com quadrinhos, rendeu a Vilalba o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos na categoria arte. Atrativo à comercialização da obra, a informação está no alto da capa do livro.

"Acho que outras pessoas podem se sentir motivadas a publicar jornalismo em formato de HQ", diz Vilalba, que pretende continuar a aposta nesse formato. Este é o primeiro livro em quadrinhos da Edições BesouroBox após fusão com outra editora do segmento, a 8Inverso.

A lista de lançamentos para este semestre inclui dois trabalhos estrangeiros: o francês "O Trem dos Órfãos", de Philippe Charlot e Xavier Fourquemin, e o alemão "Berlinoir", de Reinhard Kleist e Tobias O. Meissner.

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NOTAS DE UM TEMPO SILENCIADO
AUTOR Robson Vilalba
EDITORA Edições BesouroBox
QUANTO R$ 38 (104 págs.)

Escrito por PAULO RAMOS às 18h20
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10.08.15

Recorde de lançamentos teóricos sobre HQ

 

  • Congresso em SP terá publicação em massa de livros sobre quadrinhos
  • Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos terá 22 obras teóricas
  • Nunca um evento da área ou uma bienal reuniu tantas títulos sobre o tema

 

 

       

 


A terceira edição das Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos já havia batido um recorde, o de número de participantes. Agora, crava outro, o de livros teóricos.

O congresso acadêmico terá 22 obras sobre o tema lançadas no evento, que vai de 18 a 21 de agosto deste mês na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

O número é maior que a soma dos títulos que circularam nas duas edições anteriores do encontro científico. Foram nove em 2011 e oito em 2013.

É algo inédito no país. Nunca antes um evento brasileiro reuniu tantos livros sobre o tema. Nem as convenções de quadrinhos, nem as bienais.

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Lançar somente títulos teóricos - e não em quadrinhos - é um dos critérios adotados pela organização do congresso.

No entender do grupo, há vários eventos sobre quadrinhos durante o ano todo, em que são priorizados títulos em quadrinhos. O congresso faz o contrário, dá destaque à parte teórica.

A maior parte dos títulos será lançada exclusivamente no congresso. Das 22 obras, apenas uma é estrangeira: "O Sistema dos Quadrinhos" (Marsupial), do francês Thierry Groensteen.

Considerada referencial na área, ainda não havia sido traduzida para o português.

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Três dos títulos nacionais irão homenagear pesquisadores brasileiros de quadrinhos, mortos entre os meses finais de 2013 e janeiro de 2014. 

"A Linguagem dos Quadrinhos: Estudos de Estética, Linguística e Semiótica" (Criativo) traz capítulos de diferentes autores sobre os trabalhos de Antônio Luiz Cagnin (1930-2013).

A obra é organizada por Waldomiro Vergueiro e Roberto Elísio dos Santos.

O ex-professor da ECA-USP terá relançada, também no evento, sua principal obra, "Os Quadrinhos" (uma vez mais, pela Criativo).

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"Histórias em Quadrinhos e Práticas Educativas: os Gibis Estão na Escola, e Agora?" (Criativo) é o último escrito de Elydio dos Santos Neto, professor da Universidade Federal da paraíba, morto em outubro de 2013.

O livro é organizado em parceira com a esposa, a também pesquisadora Marta Regina Paulo da Silva.

"Moacy Cirne: o Gênio Criativo dos Quadrinhos" (Marsupial) faz uma biografia acadêmica do estudioso que dá título à obra.

Cirne (1943-2014) é autor de uma das mais amplas e relevantes publicações sobre quadrinhos no Brasil. A obra foi escrita pelo jornalista Alex de Souza.
 
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As sessões de autógrafos irão ocorrer entre os dias 18 e 20 de agosto, às 18h, na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.

Mais detalhes no site do congresso: www.eca.usp.br/jornadas Lá, também é possível ver a relação completa dos títulos que serão lançados.

As 3as Jornadas Internacionais de Histórias em Quadrinhos são organizadas pelo Observatório de Histórias em Quadrinhos da ECA-USP.

Desde que surgiu, em agosto de 2011, o evento cresceu rapidamente e se tornou o maior do setor na América Latina.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h49
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08.08.15

Ainda não foi desta vez

 

 

  • Nova tentativa de adaptar Quarteto Fantástico produz resultado bem mediano
  • Filme reduz idade dos protagonistas e descaracteriza personalidade dos heróis
  • Produção, em cartaz desde quinta-feira (06.08), é 3º revival do grupo no cinema

 

 

 

Vício do jornalismo pré-internet, procuro não ler resenhas para não ser influenciado na hora de avaliar as obras. Abri exceção com esta nova versão de "Quarteto Fantástico", em cartaz desde quinta-feira passada (06.08).

O contato com a primeira crítica foi casual, quase involuntário. O colega classificou o filme como "muito bom". Horas depois, vi outra manchete, porém com análise antagônica: o longa-metragem seria "muito ruim".

Procurei por mais, agora intencionalmente, principalmente na chamada grande imprensa, cujos críticos costumam não ser iniciados em quadrinhos. De novo, a mesma oposição.

Esse maniqueísmo tornou a tarefa de assistir ao filme mais uma prova dos nove do que uma vontade pessoal de ver o longa. Resultado: diria que todos erraram. O meio-termo é o que melhor define a produção com os quatro heróis da editora Marvel Comics.

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"Quarteto Fantástico" é bem mediano. Se os quadrinhos dos personagens forem rasgados (metaforicamente, claro) e forem relevados, é possível se entreter nos dois primeiros terços da produção.

É quando é narrado o encontro dos personagens e como obtiveram seus super-poderes. A interação entre os protagonistas ajuda a esquecer que se trata de uma aventura dos grupo.

No longa, o cientista Reed Richards (Miles Teller) cria um aparelho que permite transportar matéria. A invenção dele é descoberta numa feira de ciências, da qual ele participa.

Ele e o amigo, Ben Grimm (Jamie Bell, o mesmo menino saltitante de "Billy Elliot", de 2000). Ambos são mostrados na pós-adolescência, bem mais jovens que nos quadrinhos.

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Quem descobre a invenção é o doutor Franklin Storm (Reg E. Cathey), que centraliza uma fundação de apoio a novos experimentos.

Acompanham o cientista os dois filhos: o rebelde Johnny (Michael B. Jordan) e Sue (Kate Mara). Sue é adotada. O fato explica por que ela é loira e o pai e o irmão, negros.

Reed é convidado a atuar na fundação, mediante a oferta de uma bolsa de estudos. Lá, conhece Victor Von Doom (Toby Kebbell), outro gênio na arte de inventar novas tecnologias.

Juntos, criam uma maneira de enviar humanos para um enigmático planeta. O contato com o novo mundo é o que irá dar poderes diferentes a cada um deles.

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Os poderes são os mesmos dos quadrinhos: Reed estica partes do corpo, Sue se torna invisível, Johnny se transforma numa tocha humana e Ben vira um horrendo ser de pedra.

A partir daí, o filme entra no terço final. O grupo precisa enfrentar um irreconhecível Victor, autotransformado em Doutor Destino. A caracterização do vilão é bem, bem diferente da dos quadrinhos.

Não só ele. Reed, Johnny e Sue têm as mesmas idades - originalmente, Reed era o mais velho da trupe. Mais: Kate Mara soma quatro anos a mais que o colega Miles Teller.

Ben, de divertido e carismático, não tem nada. É um ser obscuro, calado, cruel. Usado pelo governo, ele é levado a matar vários inimigos em campo de batalha. 

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A luta com o vilão é pífia. Dura pouco. Sem clímax. Quando menos se espera, já surgem os créditos finais. E não espere por um trailer após os letreiros. Nao há.

Ainda está para ser feita uma adaptação de encher os olhos do supergrupo, o primeiro da Marvel Comics. As duas tentativas anteriores, de 1994 e de 2005, também ficaram aquém.

O que estranha é haver quem tenha visto no filme algo muito bom. É exagero. Muito ruim também seria preciso. Os efeitos especiais e os dois terços iniciais até que entretêm.

E vale lembrar: um bom parâmetro para "muito ruim" são os filmes de Mulher-Gato e a continuação de Motoqueiro Fantasma. Mediano ainda é o melhor termo para sintetizar.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h27
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07.08.15

Chance aproveitada

 

  • Álbum relança histórias de Homem-Formiga das décadas de 1960 e 80
  • Obra traz também minissérie contemporânea do personagem da Marvel
  • Publicação aproveita publicidade gerada pelo filme do herói, ainda em cartaz

 

 

 

É preciso corrigir a frase final da resenha do filme "Homem-Formiga", veiculada por este blog em 20.07. O texto dizia que a Panini perdia a chance de relançar suas histórias.

Na verdade, uma história em especial, de 1979. Ela mostrava o surgimento de Scott Lang, que passou a assumir o uniforme do personagem, e serviu de base para o longa.

O ajuste naquele trecho da resenha é que a trama foi reeditada. Ela fecha um álbum do super-herói, que chega agora à bancas (148 págs., R$ 18,90).

Mas o ajuste é só esse. A obra chega ao mercado depois de o filme ter estreado. Intervalo pequeno, é verdade. Mas que se distancia do burburinho midiático inicial gerado pela produção da Marvel Comics.

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O título dado ao álbum, "Homem-Formiga - Mundo Pequeno", ajusta o foco para a história de abertura.

Escrita e desenhada por Tim Seeley, ela compila os três números da minissérie "Ant Man & Wasp", publicada nos Estados Unidos no comecinho de 2011. Trama mais atual, portanto.

A ideia é mostrar Hank Pym, o primeiro Homem-Formiga, interagindo com Eric O´Grady, pessoa responsável por ter roubado o uniforme que dá os poderes de encolher o corpo a quem o veste.

A parceria se torna inusitada pelo fato de Pym assumir as funções de vespa - até então, tratava-se de uma heroína, e não de um herói.

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Apesar de abrir a obra, a história é ofuscada pelas demais. Duas delas relançam histórias iniciais do personagem, publicadas na revista "Tales to Astonish" em janeiro de 1962 e julho de 1963.

São narrativas produzidas pelos criadores do heróis, Jack Kirby (1917-1994) e Stan Lee - Lee é aquele senhor de óculos e bigode que sempre faz pontas nos filmes da Marvel.

A que encerra o álbum é a que dialoga mais diretamente com o longa. É editada pela primeira vez no Brasil no formato original. Ganhou também com nova tradução.

Escrita por David Michelinie e desenhada por John Byrne, foi lançada em 1979, em duas partes. Aqui no Brasil, saiu na revista "O Incrível Hulk", de dezembro de 1984, pela Abril.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h10
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06.08.15

Mutts ganha nova chance no Brasil

 

 

  • Pixel lança nas bancas álbum com coletânea de tiras da série norte-americana
  • Criada por Patrick McDonnell, obra começou a ser vendida nesta semana 
  • Coletânea anterior de Mutts havia sido publicada pela Devir em 2008

 

 

 

Faz algum tempo que a Pixel está tateando o mercado de bancas. Depois de apostas que não duraram muito, a editora parece ter encontrado um caminho: coletâneas de tiras.

A mais recente é "Mutts - Cães, Gatos e Outros Bichos", que começou a ser vendida nesta semana (130 págs.; R$ 24,90).

A série sobre um cão e um gato chegou a ser publicada em jornais brasileiros sob o título de "Os Vira-Latas".

Em 2008, teve uma primeira reunião de tiras, publicada pela editora Devir. Não houve um segundo número. Agora, ganha nova chance via Pixel.

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Segundo a editora informa no livro, não se trata de uma reprodução traduzida das várias coletâneas que a série somou nos Estados Unidos e nos demais países onde é publicada.

O álbum - ainda de acordo com a Pixel - é uma reunião das melhores histórias. A obra distribuiu as tiras por temas - são 13 assuntos ao todo.

A nova tradução manteve os nomes originais dos dois protagonistas, o cãozinho Earl e o gato Mooch. Na coletânea da Devir, haviam sido batizados de Duque e Chuchu, respectivamente.

Detalhe é que, em Portugal, Mutts integra um gordo catálogo de volumes publicados pela Devir. No Brasil, no entanto, teve vida curta pela editora paulista.

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Trata-se do segundo título da Devir que migrou para a Pixel. O primeiro foi Luluzinha, que vinha sendo editada em formato livro. A partir de 2013, começou a sair pela nova casa.

O selo de quadrinhos do grupo Ediouro lançou, desde então, seis volumes com histórias de Luluzinha e um apenas com as de Bolinha. 

A coleção foi ampliada com outras tiras norte-americanas, todas lançadas no formato álbum: Fantasma (3 volumes), Mandrake (3), Recruta Zero (2), Garfield e Hagar, o Horrível.

Os 18 títulos que compõem essa coleção de tiras parece terem indicado um novo rumo à Pixel. Paralelamente, a editora mantém edições mensais de Luluzinha e Recruta Zero. 

Escrito por PAULO RAMOS às 17h49
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05.08.15

ivulgados os vencedores do Troféu HQMix

 

  • Nomes de 32 categorias foram divulgados nesta quarta-feira (05.08)
  • Diomedes, personagem de Lourenço Mutarelli, será usado no troféu
  • Premiação será dia 12.09, às 17h, no teatro do Sesc Pompeia, em São Paulo
  • Antes disso, obras vencedoras terão mostra no metrô Sé, em SP, de 10 a 31.08

 

 

 

Adaptação para os Quadrinhos

Grande Sertão Veredas (Globo)

 

Desenhista Estrangeiro

Andrew C. Robinson (O Quinto Beatle)

 

Desenhista Nacional

Laudo Ferreira Jr. (Yeshuah vol. 3 – Onde Tudo Está)

 

Destaque Internacional

André Diniz (7 Vidas)

 

Edição Especial Estrangeira

O Quinto Beatle (Aleph)

 

Edição Especial Nacional

A Vida de Jonas (Zarabatana)

 

Editora do Ano

JBC e Veneta (empate)

 

Evento

CCXP – Comic Con Experience (São Paulo)

 

Exposição

Ocupação Laerte (Itaú Cultural)

 

Livro

Humor Paulistano - A Experiência da Circo Editorial, 1984-1995 - Toninho Mendes (org.)

 

Novo Talento – Desenhista

Felipe Nunes (Klaus)

 

Novo Talento – Roteirista

Bianca Pinheiro (Dora e Bear)

 

Produção para Outras Linguagens

Cena HQ (teatro)

 

Projeto Editorial 91

Humor Paulistano: A Experiência da Circo Editorial (SESI-SP)

 

Publicação de Aventura/Terror/ficção

Astronauta – Singularidade (Panini)

 

Publicação de Clássico

A Saga do Monstro do Pântano 1 a 3 (Panini)

 

Publicação de Humor Gráfico

Có! & Birds (Quadrinhos na Cia)

 

Publicação de Tira

A Vida com Logan - Para ler no sofá (Jupati)

 

Publicação Independente de Autor

Edgar 1 (Gustavo Borges)

 

Publicação Independente de Grupo

QUAD 2

 

Publicação Independente Edição Única

Quaisqualigundum (Davi Calil e Roger Cruz)

 

Publicação Infanto-juvenil

Aú, O Capoerista e o Fantasma do Farol (Independente)

 

Publicação Mix

Gibi Quântico (Independente)

 

Roteirista Estrangeiro

Mark Waid (Demolidor)

 

Roteirista Nacional

Marcello Quintanilha (Tungstênio)

 

Tira Nacional

Malvados (André Dahmer)

 

Web Quadrinhos

Beladona

 

Web Tira

Will Tirando

 

Grande Contribuição no ano

PROAC – HQ – Programa da Sec. Estadual da Cultura de SP

 

Homenagem Grande Mestre dos Quadrinhos

Watson Portela

 

Homenagem Especial

Liliam Mitsunaga (letrista)

 

Humorista Gráfico

Dálcio Machado

Escrito por PAULO RAMOS às 20h20
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