28.02.08

Will Eisner narra conto otimista em retorno à Avenida Dropsie

 

 

 

 

 

 

 

Álbum lançado este mês faz parte de trilogia sobre o local onde o escritor e desenhista cresceu

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Há alguns temas freqüentes e autobiográficos na produção de Will Eisner (1917-2005): a caça aos judeus, a vida dura nos cortiços, a depressão norte-americana da década de 1930, a luta pela sobrevivência.
 
Todos esses elementos estão presentes em "A Força da Vida", álbum inédito dele, lançado neste mês no Brasil (Devir, R$ 38, 152 págs.).
 
A obra traz pequenos contos passados na primeira metade dos anos 1930 (principalmente 1934), no período seguinte à queda da Bolsa de Nova York.
 
A falta de emprego e de oportunidades de ascensão social é vista pelo olhar de um grupo de moradores da Avenida Dropsie, no Bronx, onde o próprio Eisner cresceu.
 
Ele mesmo faz uma "ponta" na figura do desenhista Willie, que se vê dividido entre respeitar a tradição judia da família ou abraçar o ideal comunista.
 
Aos poucos, as tramas curtas vão se entrelaçando e construindo uma narrativa maior, única, que se casa com a proposta lida no nome do álbum.
 
Há uma espécie de hipótese elaborada por Eisner no início e no fim do álbum (que o autor prefere chamar de graphic novel): o que motiva um ser humano a viver? 
 
Cada história individual é uma resposta particular a essa questão, que adquire uma dimensão maior quando vista durante a depressão norte-americana de então.
 
Apesar de ter elementos temáticos comuns a outras obras, "A Força da Vida" se diferencia dos demais trabalhos num ponto: trata-se de uma história otimista sobre a vida e sobre as dificuldades em conviver com as armadilhas dela.
 
O álbum -programado inicialmente para o fim de 2007- faz parte de uma trilogia de histórias de Eisner sobre a Avenida Dropsie.
 
Os outros trabalhos são "Avenida Dropsie" e "Um Contrato com Deus & Outras Histórias de Cortiço", ambos lançados pela Devir (leia mais aqui e aqui).
 
São produções de um momento mais autoral de Eisner, que, na década de 1940, produziu histórias do herói mascarado "Spirit".
 
Nas décadas seguintes, ele se dedicou a desenhos educacionais.
 
Seu retorno aos quadrinhos ocorreu no fim da década de 1970, com narrativas mais adultas, batizadas por ele de graphic novels. 
 
Essa volta ajudou a torná-lo um dos principais autores dos quadrinhos, não só norte-americanos.
 
A Companhia das Letras, que divide com a Devir a publicação das obras de Eisner, pretende lançar neste ano pelo menos mais um álbum do escritor e desenhista.
 
O título ainda não foi definido. A editora detém os direitos de publicação de "Nova York", obra de Eisner já lançado no Brasil. 

Escrito por PAULO RAMOS às 18h20
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24.02.08

Violent Cases: o primeiro ensaio do estilo de Neil Gaiman

 

 

 

 

 

 

 

Graphic novel inglesa, publicada em 1987, é o primeiro trabalho de destaque do criador da série Sandman

 

 

 

 

 

 

Há um inegável valor histórico em "Violent Cases", graphic novel lançada neste mês no Brasil (HQM, 54 págs., R$ 39,90).

Publicado em 1987, na Inglaterra, é um dos primeiros trabalhos em quadrinhos de Neil Gaiman e serviu de ensaio para o que o escritor inglês faria pouco depois na série mensal "Sandman", da editora norte-americana DC Comics.

Muito do destaque hoje atribuído a "Violent Cases" é creditado à repercussão de "Sandman". O sucesso da série sobre o mestre dos sonhos levou editoras e leitores, principalmente norte-americanos, a visitar outras produções em quadrinhos dele.

Apesar disso, é preciso reconhecer que já havia um quê diferenciado na estréia de Gaiman numa graphic novel.

O jornalista inglês punha foco numa história pessoal, narrada de forma fragmentada, mesclando momentos presentes com flashbacks, dosados com referências literárias, musicais e a elementos da cultura pop (há no fim da edição brasileira uma lista das refências do álbum).

São os ingredientes do estilo dele em quase todos os seus trabalhos futuros, inclusive literários.

Em "Violent Cases", o protagonista relembra a convivência que teve durante a infância com um osteopata, médico que auto-define sua atuação como pessoa que põe os ossos no lugar. Era a necessidade do protagonista. À época, tinha machucado o braço esquerdo.

A violência estava nos relatos do osteopata. Tinha convivido anos antes com Al Capone. Durante o atendimento ao menino, relatava casos do gângster.

A narrativa tem outro quê diferenciado por causa dos desenhos de Dave McKean.

O artista se tornou parceiro fixo de Gaiman depois em "Sandman". As 75 capas da série e de outros especiais foram feitas por ele.

A exemplo de Gaiman, McKean também estava em início de carreira e também punha no papel algo diferente do que era produzido na época.

Os desenhos dele pareciam pinturas realistas. Mais do que arte em experimentação, o trabalho era uma forma de afirmação, como se quisesse dizer ao mundo que "quadrinhos são coisa séria" e podem ser produzidos sob esse prisma.

Isso fica evidente num dos agradecimentos dele, presente na edição.

McKean dedica a obra a um professor dele, Malcolm Hatton. "Viu só? Era isso o que eu queria dizer quando falei sobre quadrinhos."

"Violent Cases" ganhou o prêmio inglês Eagle em 1988 e fez carreira em edições e reedições nos Estados Unidos.

Mas, apesar de sua importância histórica e de toda a repercussão que Gaiman ganhou ao longo dos anos, permanecia inédita no Brasil.

Mesmo assim, quando era mencionada por aqui, ganhava fartos elogios, muitos deles feitos por autores que não tinham lido a obra.

Trazer a graphic novel ao Brasil segue a tendência da HQM adotada no ano passado.

A editora paulista teve o mérito tirar do ineditismo uma série de títulos norte-americanos dos anos 1980 e 90, tidos como referência na área de quadrinhos.

É o caso de "Brat Pack" e de "Liberty Meadows" (leia mais aqui e aqui).

Agora, após serem lidas, essas obras podem ser merecidamente elogiadas no Brasil.

Vale o mesmo para "Violent Cases". Não é o trabalho de maior destaque de Gaiman, mas tem qualidades e é essencial para entender o início da trajetória do escritor inglês.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h48
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21.02.08

Versão animada de Persépolis deixa de lado alguns detalhes da HQ

 

Versões infantil e adulta de Marjane Satrapi, personagem central da animação que estréia nesta sexta

Há que se fragmentar em duas partes o processo de adaptação cinematográfica de "Persépolis", animação que estréia nesta sexta-feira nos cinemas brasileiros.

Existe, de um lado, o trabalho de transposição dos desenhos da história em quadrinhos homônima para a linguagem animada. E há, de outro, a adaptação da história em si.
 
No primeiro aspecto, o filme -que concorre como melhor animação no Oscar deste ano- é mais do que bem-sucedido. Chega até a ser melhor que o original.
 
Os desenhos caricatos e em preto-e-branco da iraniana Marjane Satrapi, autora do álbum em quadrinhos e diretora do filme com Vincent Paronnaud, ganham mais contorno, vida e agilidade na tela grande.
 
E, em algumas cenas, ganham cor também, algo inexistente na obra em quadrinhos.
 
O recurso da colorização é para mostrar a versão adulta de Satrapi, como mostrado na imagem acima. A autobiografia começa com ela já na França, relembrando a trajetória iniciada durante a infância no Irã.
 
A cor se restringe à autora já adulta. O restante da animação mescla preto, branco e cinza, como nos quadrinhos.
 
O acerto na transposição de linguagem não é visto com relação à adaptação da história. 
 
Não por infidelidade, mas por não abordar de forma eqüitativa todos os elementos da vida da autora. Alguns são simplesmente deixados de lado ou trabalhados "en passant".
 
Nesse quesito, o trabalho em quadrinhos ainda é superior.
 
Satrapi fez uma clara opção de priorizar o relacionamento dela com os pais e a avó. Isso ocorreu durante a infância dela, vivida no Irã, e é fartamente trabalhado na animação.
 
O mesmo não ocorre durante o período em que ela vive no exterior. Por ter um espírito contestador, os pais optaram por mandar Satrapi à Áustria na adolescência.
 
Nos quadrinhos, esse momento da vida dela tem ares de autodestruição e é minuciosamente mostrado. Na animação, boa parte dos detalhes é deixada de lado.
 
As cenas passam rápido. Rápido demais.
 
Quando a platéia se dá conta, ela já está de volta ao Irã e ao convívio familiar.
 
Há outras sutilezas. A cena final, por exemplo, não existe nos quadrinhos.
 
E há nela uma minúcia, que contradiz uma fala de Satrapi na versão original (quem leu a obra e vir o filme saberá do que se trata).
 
Mas isso não torna a animação um filme menor, ainda mais para a platéia leiga em quadrinhos que vai à sessão apenas porque é um dos "oscarizáveis" deste ano.
 
A indicação ao prêmio da indústria norte-americana de cinema é justa e a platéia vai se espantar com a história real de Satrapi.
 
E com o fato de ser baseada numa história em quadrinhos, lançada no Brasil entre 2004 e 2007 em quatro volumes e reeditada num livro único em dezembro do ano passado (aqui).
 
Há também as minúcias entre a versão em quadrinhos e a animação.
 
Mas isso é para os privilegiados que já conhecem a história original.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h30
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18.02.08

Penitente é mais do que aparenta

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Revista nacional mostra um ex-mercenário que salva pessoas para conseguir a redenção eterna

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A capa e o gênero de uma história em quadrinhos inevitavelmente antecipam informações ao leitor. Mas não substituem o conteúdo. Para o bem ou para o mal, a obra tem de ser autônoma e falar por si.
 
"Penitente", trabalho independente que começou a ser vendido nas últimas semanas, parece à primeira vista mais uma história de super-heróis baseada nos moldes norte-americanos. É mais que isso.
 
As duas aventuras do número de estréia da revista parecem microcontos.
 
Um ex-mercenário morto retorna à vida para interferir na vida de pessoas comuns.
 
Condenado, ele salva a vida de outros para garantir sua própria rendição divina. Pede em troca apenas que os salvos rezem pela alma dele.
 
Neste número, ele resgata um jovem que é perseguido por uma gangue e evita um suicídio.
 
O interesse, ao menos nesta primeira edição, está exatamente em saber como as pessoas vão reagir após o contato com o mercenário, que vive num cemitério.
 
É mais ou menos o papel que Sandman exerce na série homônima.
 
O mestre dos sonhos está lá. Mas são os codjuvantes de cada arco que efetivamente conduzem a narrativa e que a tornam interessante.
 
As histórias são escritas por Lorde Lobo, um dos criadores da publicação independente "Areia Hostil" (os desenhos da revista são de Nel Angeiras).
 
O ilustrador -que mora em Rio Grande (RS)- diz no fim da revista que a idéia de criar o personagem surgiu por acaso. Foi quando passava em frente a um cemitério, em 2006.
 
Lobo diz em sua página virtual que já produz outros números da série.
 
O desafio das próximas edições é aprofundar o perfil dos coadjuvantes da vez e as reações deles em relação à interferência do enigmático Penitente, pontos altos deste primeiro número, mas escapando da repetição de situações.
 
A revista independente tem a venda restrita a alguns sites.
 
Uma das formas de comprar é por meio do "Bodega", página virtual que apresenta um amplo catálogo de publicações do gênero. Para acessar, clique aqui.  

Escrito por PAULO RAMOS às 19h11
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14.02.08

Abobrinhas da Brasilônia: bons desenhos de humor, pouco contexto

É tênue a linha que separa a charge, o cartum e a história em quadrinhos tradicional.
 
A distinção entre os gêneros fica ainda mais nublada em "Abobrinhas da Brasilônia", de Glauco, lançada este mês (L&PM, 110 págs., R$ 9).
 
A obra de bolso traz ora charges, ora cartuns, ora quadrinhos, ora mais de um dos gêneros no mesmo texto humorístico.
 
Os temas -ou abobrinhas- são dos mais variados, de política ao universo adolescente.
 
Distinguir um gênero do outro é necessário para o compreendimento do livro? Não.
 
Mas ajudaria a explicar alguns dos desenhos presentes na obra.
 
O material é bom. Glauco é melhor cartunista do que tirista (é autor de "Geraldão"). A edição da L&PM, no entanto, merecia ajustes. Um caso.
 
Na página 35, um telespectador liga a tevê para ver o que tem de bom na programação. Da tela, saem três homens gritando "é meu!".
 
Ao leitor desavisado, trata-se de um cartum. Seria um desenho humorístico sem vínculo com alguma notícia do momento (o vínculo é característica da charge).
 
Já o leitor mais atento vai reconhecer rostos caricatos nos três homens que saem da tevê: Orestes Quércia, Paulo Maluf e Antônio Ermírio de Moraes, que disputavam o governo paulista em 1986 (venceu Quércia).
 
Há, então, uma ligação com o noticiário da época. Trata-se, portanto, de charge, e não cartum. E o leitor que se vire para entender o sentido camuflado.
 
Outro exemplo. Página 47. A brincadeira faz menção aos desempregos gerados pela implantação do carro a álcool.
 
Hoje, a indústria do álcool virou política de governo e essa forma de combustível -atrelado ao bicombustível- firmou-se no mercado, inclusive internacional.
 
A questão do desemprego era referente à década de 1980, época em os desenhos foram produzidos. Ou supostamente produzidos, já que a edição também não informa isso.
 
A edição conta em excesso com a memória fotográfica do leitor.
 
Com boa vontade, percebe-se que parte dos desenhos -ou talvez todos- foi produzida para a "Folha de S.Paulo", onde Glauco colabora desde 1977 (com a tira "Geraldão" desde 1984).
 
Um deles, pelo menos, já foi publicado duas vezes pelo jornal. A última foi no ano passado, no caderno "Folhateen". Mostra um pai durão comemorando em segredo a aprovação do filho no vestibular.
 
"Abobrinhas da Babilônia" é uma outra versão -com formato menor, inclusive- da obra homônima, lançada pela Circo Editorial em 1985.
 
Há apenas uma menção a isso no fim da introdução de Angeli feita para a obra original, que teve parte do texto reutilizada nesta nova versão.
 
A coleção de bolso da L&PM já está consolidada no mercado e possui qualidades. Preço acessível é uma delas.
 
Mas os 673 números da coleção já são experiência mais do que suficiente para mostrar que uma obra não é feita apenas de simples reuso de outros trabalhos, vertidos em tamanho menor, de bolso.
 
O leitor não tem obrigação de entender a fundo o tema. Ser um livro pequeno e com poucas páginas não serve de pretexto. Notas de rodapé não ocupam tanto espaço assim.
 
Em tempo: a L&PM lançou neste mês outro livro de bolso de Glauco, "Geraldão 3". Também não há contextualização sobre as tiras utilizadas.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h34
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10.02.08

Três exemplos de que texto garante uma boa história de heróis

Há uma máxima que circula na área de quadrinhos de que não há bons ou maus personagens. O que há são escritores mais ou menos talentosos que sabem inserir os heróis em histórias boas ou más.

O mês de janeiro trouxe três exemplos de que um roteirista faz diferença numa aventura do gênero super-heróis (embora nem todas se pautem no lado "super").

Os encadernados ainda estão à venda nas bancas e lojas especializadas em quadrinhos.

"Justiceiro – Bem-Vindo de Volta, Frank" (Panini, 280 págs., 32,90) relança as 12 primeiras aventuras escritas por Garth Ennis e desenhadas por Steve Dillon.

A dupla é a mesma de "Preacher", da DC Comics, série que primava pela violência mesclada com humor negro.

As mesmas características foram "importadas" para Justiceiro, da concorrente Marvel Comics.

A diversão de Ennis –palavras dele- era criar situações de morte inusitadas e diferentes.

Há tiros de espingarda, lança-chamas, atropelamento, explosões, corpo jogado do alto de arranha-céu, homem comido por piranhas.

A fórmula, mesmo não sendo nova, casou perfeitamente com o perfil do Justiceiro.

E ajudou a pôr o anti-herói novamente no eixo.

Alguns anos antes, ele havia sido assassinado, ido ao paraíso e retornado à Terra como algoz divino, numa das mais erradas decisões editoriais da Marvel.

As histórias de Ennis e Dillon haviam sido publicadas pela Editora Abril entre 2001 e 2002 na revista "Grandes Heróis Marvel". Saíram nos Estados Unidos um ano antes.

O arco serviu de base para o roteiro da segunda versão cinematográfica do personagem, lançada em 2004. O filme foi fracasso de bilheteria.

"DC Especial 16 - Gotham City contra o Crime" (Panini, 212 págs., 21,90) encerra a série policial que se passa na cidade de Batman.

O homem-morcego é um coadjuvante nas histórias de Greg Rucka e Ed Brubacker.

O foco narrativo está nos detetives da Unidade de Crimes Hediondos da polícia de Gotham.

Mesmo tendo nas mãos personagens do terceiro escalão da DC, os dois escritores constroem tramas de mistério, que instigam a curiosidade do leitor em descobrir o desfecho, como deve acontecer numa boa história de detetive.

No arco inicial, um suposto Robin é encontrado morto na cidade. É mesmo o menino-prodígio? Quem matou? No último arco, um dos detetives é assassinado (informação já revelada em outras edições da Panini).

O encadernado publica os números 32 a 40 do título, publicados nos Estados Unidos entre agosto de 2005 e abril de 2006. Era um dos mais bem escritos da DC Comics. Apesar disso, foi cancelado.

Merece crédito o trabalho da Mythos/Panini, que lançou em seis volumes todos os 40 números no Brasil, mesmo com a série defasada da cronologia das demais revistas.

"Tom Strong – A Invasão das Formigas Gigantes" (Pixel, 132 págs., R$ 32,90) tem o atrativo de ser escrito por Alan Moore, mesmo autor das elogiadas minisséries "V de Vingança" e "Watchmen".

Ter Moore no texto não significa que a obra seja necessariamente boa. Mas neste caso é. Ao menos para quem gosta de referências às histórias de aventura dos anos 1930 e 40.

A intertextualidade com os nostálgicos "action comics" é o mote das aventuras do cientista Tom Strong, que vive com a família aventuras em outros mundos, ora enfrentando, ora convivendo com seres desconhecidos.

Neste encadernado, ele enfrenta uma ameaça de invasão à Terra, as tais formigas gigantes que intitulam o encadernado.

O álbum, o primeiro pela Pixel, continua do ponto onde havia parado a Devir, que editava o personagem até o fim de 2006.

A Devir tinha lançado dois volumes de Tom Strong, o primeiro em novembro de 2005 ("Um Século de Aventuras") e o segundo em agosto do ano seguinte ("No Final dos Tempos").

A Pixel manteve o mesmo formato dos dois primeiros encadernados, um tamanho um pouco menor que o chamada americano (o das demais revistas de super-heróis).

É de lamentar que os bons exemplos não pautem a maioria das histórias do gênero publicadas atualmente no Brasil. Não por culpa das editoras nacionais, mas do material que vem das matrizes norte-americanas.

O princípio darwiniano vale também para as histórias de super-heróis.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h28
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05.02.08

Clic 3 transforma Amazônia em cenário erótico

 

 

 

 

 

 

 

Capa do álbum do italiano Milo Manara, obra que começou a ser vendida neste feriado de Carnaval

 

 

 

 

 

Não deixa de ser curioso "Clic 3", obra erótica do italiano Milo Manara, ser lançada justamente no feriadão de Carnaval, época em que predominam imagens com mulheres em trajes sumários (neste ano, tivemos até modelo com um tapa-sexo de quatro centímetros num dos desfiles).

A pouca ou nenhuma roupa é o que dá o tom das personagens que desfilam no álbum de Manara (Conrad, R$ 24,90, 72 págs.). A obra integra a "Coleção Eros", linha da Conrad voltada a trabalhos eróticos.

As mulheres sensuais e provocantes são, na verdade, a especialidade e parte do motivo da fama mundial do desenhista italiano.

Elas se sobrepõem à narrativa, que existe apenas para servir de pretexto para que as moças tirem a roupa.

Nesta terceira parte, no entanto, há um elemento do enredo que se destaca, pelo menos para o leitor brasileiro. A trama se passa na selva amazônica (com referências também à extração de ouro na Serra Pelada).

É para lá que é enviada Cláudia Christiani, a protagonista deste e dos dois primeiros álbuns da série erótica. Ela tem a missão de fazer uma reportagem sobre o desmatamento.

O que Christiani descobre é uma seita, que se baseia no prolongamento do orgasmo feminino para entrar em contato com o cosmo. Essa espécie de kama sutra é praticada por todos os seguidores.

Evidentemente, a seita é um pretexto para mostrar mulheres sem roupa praticando sexo (não espere muito mais que isso). Afinal, é exatamente o que o apreciador do gênero e potencial comprador do álbum espera encontrar. 

Além do cenário amazônico, este terceiro álbum traz outro diferencial em relação aos anteriores. O aparelho a que a obra faz referência só aparece nas páginas finais.

O tal apetrecho eletrônico tem um efeito erótico na protagonista.

Quando acionado, faz desaparecer todas as inibições de Cláudia Christiani e libera todos os seus desejos sexuais.

"Clic 3" já havia sido lançado no Brasil em 1994, pela editora gaúcha L&PM.

Há uma quarta parte, a única ainda inédita no país. A Conrad tem planos de publicar, em data ainda não definida.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h03
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