
Álbum em homenagem a Albert Uderzo, um dos criadores de Asterix, é um dos destaques do mês
Há uma overdose de bons lançamentos estrangeiros neste mês.
Alguns já foram resenhados ou noticiados neste blog ao longo das últimas semanas.
Outros merecem registro, mesmo que rápido.
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"Asterix e Seus Amigos – Uma Homenagem a Albert Uderzo" (Record, R$ 25, 64 págs.), como o título já antecipa, celebra os 80 anos de vida de Uderzo.
Ele criou o personagem em 1959. Uderzo fazia os desenhos. René Goscinny, os textos.
Com a morte de Goscinny, Uderzo assumiu todo o processo de criação dos álbuns, sem o mesmo talento do parceiro.
Este álbum-homenagem consegue trazer algo de novo, há muito não visto na série francesa.
Um grupo de 34 escritores e desenhistas se reúne para criar microcontos sobre Asterix.
Os mais conhecidos dos brasileiros são o canadense Stuart Immonen (que desenhou histórias para a Marvel e DC), David Lloyd (da minissérie "V de Vingança") e o italiano Milo Manara (que, como de costume, insere uma beldade na história).
O resultado é estilisticamente interessante, ora mais próximo ao traço de Uderzo, ora menos.
Merecem menção os encontros de Asterix com personagens clássicos dos quadrinhos, como Lucky Luke e Pato Donald.
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"Bone – Pedras de Oração" (Via Lettera, R$ 26,90, 72 págs.) é o décimo terceiro álbum da série lançado no Brasil.
Este novo volume traz mais três capítulos da história, escrita e desenhada pelo norte-americano Jeff Smith.
Bone, seus primos e Espinho –os protagonistas da trama- têm de enfrentar uma trilha misteriosa, rodeada por "círculos fantasmas".
Os círculos são uma espécie de portal para outro plano da realidade.
A marca da série é ser conduzida de uma forma que agrada tanto adultos quanto jovens.
O senão é que é recuperar todos os elementos dos álbuns anteriores requer releitura ou uma boa dose de memória.
Há um resumo numa das páginas iniciais.
Mas não é suficiente para introduzir o tema aos novos e antigos leitores.
Mesmo assim, merece investimento. É um dos clássicos contemporâneos dos quadrinhos.
A Via Lettera pretende lançar outros encadernados da série ainda este ano.

"Revelações" (Devir, R$ 42, 162 págs.) traz uma trama de mistério escrita por Paul Jenkins e desenhada por Humberto Ramos.
A dupla já havia trabalhado junta em histórias de super-heróis, como as do Homem-Aranha.
Mas a incursão dos dois por outro tema –um assassinato no Vaticano- não deixa de ser uma dupla surpresa.
Primeiro porque ambos conseguem conduzir uma trama simples, mas bem narrada, que deixa vontade de saber quem é o assassino.
Segundo porque, fora do universo dos super-heróis, dão um eficiente ar realista à história.
Os desenhos de Humberto Ramos são um destaque à parte.
Mesmo com estilo caricato, casam com a proposta séria da obra, como visto acima.
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"Planetary/Authority – Dominando o Mundo" (Pixel, R$ 11,90, 48 págs.) fecha o terceiro e último encontro do Planetary com outros personagens.
Nas duas edições anteriores, já lançadas pela Pixel, o grupo interagiu com Batman (o melhor dos três álbuns) e com a Liga da Justiça.
Neste encontro, os membros do Planetary tem de invadir a nave sede do Authority, uma força global de proteção da Terra.
O texto é de Warren Ellis, que escreve a série Planetary e já trabalhou também com Authority. Os desenhos são de Phil Jimenez.
É obra para quem gosta do estilo das duas séries.

O cartão de visitas de "Jornada ao Oeste – O Nascimento do Rei dos Macacos" (Conrad, R$ 42,90, 468 págs.) é o fato de o livro narrar o surgimento da lenda que inspirou Son Goku, protagonista do mangá Dragon Ball.
Mas ler a obra com esse olhar não é algo que faça jus a seu conteúdo.
Um conjunto de artistas adapta para os quadrinhos a trajetória do rei Sun Wukong, macaco que parte de sua aldeia em busca da imortalidade.
Retorna sábio, com conhecimentos marciais, e se envolve em uma série de outras desventuras pertencentes ao folclore chinês.
Ler o livro é ter acesso um lado cultural rico e desconhecido no Brasil.
É muito, muito mais do que um paralelo com Son Goku.
Sugestão: inicie a leitura pela boa introdução de Rogério de Campos, dono da Conrad.
Dá um bom panorama do tema e da lenda que envolve a obra.
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"Vida Louca" (Conrad, R$ 34,90, 184 págs.) é mais uma das raras histórias espanholas a furar o bloqueio da alfândega editorial brasileira.
O álbum de Jaime Martín narra a trajetória de Vicen, um jovem que mora na periferia pobre de Barcelona com a mãe e a irmã.
Para sobreviver, tem de se enquadrar com a vida em gangues, ora nas ruas, ora na escola, ora na cadeia.
Trata-se, na verdade, de uma história de sobrevivência na Espanha dos anos 80.
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Há um quê diferente no mangá "Seton – Um Naturalista Viajante" (Panini, R$ 15,90, 292 págs.). O diferencial é que se trata de uma história real.
Este primeiro volume –de um total de três- se baseia em um dos livros de Ernest Thompson Seton, tido com um dos pioneiros da exploração da vida selvagem.
Ele narra o encontro com um lobo na vila de Currupaw.
O animal era o líder de uma alcatéia, que nenhum dos moradores conseguia eliminar, dada a astúcia do bicho.
O interessante é acompanhar o jogo de astúcia do animal para fugir das armadilhas criadas por Seton para pegá-lo.
A história foi adaptada por Jiro Taniguchi –que já traduziu obra de Seton- e desenhada por Yoshiharu Imaizumi.
Segundo a Panini, a série será bimestral.