31.05.08

Álbum traz olhar nacional sobre casas mal-assombradas

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "A Casa ao Lado", álbum de Diogo Cesar e Pablo Meyer, que começou a ser vendido neste mês

 

 

 

 

 

 

 

Desde o segundo semestre do ano passado, percebe-se uma inclinação do mercado editorial brasileiro para a produção de álbuns nacionais com histórias longas.

Por isso, não deveria surpreender uma obra como "A Casa ao Lado", que começou a ser vendida neste mês em lojas especializadas em quadrinhos (HQM, 60 págs., R$ 14,90).

Mas o álbum, curiosamente, surpreende. Duplamente.

Primeiro porque foi publicado pela HQM.

A editora, até o fim do ano passado, investia exclusivamente em títulos norte-americanos.

Neste ano, inverteu a prioridade e passou a lançar várias publicações nacionais inéditas.

As obras são voltadas tanto para o público infantil (caso de Senninha) quanto para o leitor adulto (Leão Negro, para ficar em um exemplo).

A outra surpresa é o álbum em si, que traz uma história de terror.

O gênero, que já foi popular no Brasil, tem poucas produções nacionais hoje em dia.

A trama mostra a busca de Jorge, um desempregado de meia idade.

Ele tem de encontrar o filho, desaparecido na casa vizinha à sua.

E, para achar o adolescente, tem de enfrentar as assustadoras figuras que habitam a misteriosa e esfumaçada residência.

Ter uma mansão mal-assombrada como temática de fundo não deixa de ser um clichê da literatura e do cinema de terrror.

Mas Diogo Cesar e Pablo Mayer, autores do álbum, conseguem dar um verniz nacional ao tema. Principalmente na caracterização do protagonista e no desfecho, surreal e imprevisível.

Do ponto de vista do leitor, a obra agrada.

Sob o olhar do mercado de quadrinhos, álbuns assim, mais longos e bem escritos, só ajudam a firmar a produção nacional e a dar a ela a necessária qualidade.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h42
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18.05.08

Luluzinha consolida nova carreira editorial no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

Coleção com primeiras histórias da personagem chega ao sexto volume, lançado neste mês

 

 

 

 

 

 

 

Luluzinha ganhou uma nova chance no Brasil em 2006, quando foi publicado o primeiro álbum com histórias clássicas da personagem.

O formato maior e o preço, na faixa dos R$ 20, serviam de convite a um público adulto.

A aposta, vê-se hoje com mais precisão, funcionou. E já forma uma coleção.

Começou a ser vendido neste mês o sexto álbum da coleção, publicada em preto-e-branco.

"Luluzinha – Uma Dupla do Barulho" (Devir, R$ 23, 104 págs.), a exemplo das edições anteriores, traz as primeiras travessuras feitas por ela e pelo amigo Bolinha.

As nove histórias curtas do álbum foram publicadas nos Estados Unidos na revista "Four Color", entre maio e agosto de 1947.

Todas trazem a marca registrada da série: a ingenuidade nas situações vividas por Lulu e Bolinha. A graça vem exatamente daí.

Ter seis números –e outros programados- dá à personagem uma espécie de segunda chance no país.

Por décadas, Luluzinha fez parte do universo infantil de muitos adultos de hoje.

Ela começou a ser publicada no Brasil na década de 1950 pela editora da extinta revista "Cruzeiro". A personagem migrou depois da para a Abril. A revista durou até os anos 1990.

Nos Estados Unidos, ocorreu processo semelhante.

Luluzinha foi criada em 1935 por Marjorie Henderson Bell, autora que costumava assinar os trabalhos apenas como Marge.

Mas foi na metade da década seguinte que a personagem se firmou. E com outro autor.

John Stanley –autor das histórias deste sexto álbum- ficou encarregado da produção das histórias em quadrinhos para a revista de Luluzinha.

Foi ele –e não Marge- que ajudou na popularização da menina de vestido vermelho.

A publicação durou até 1984.

Voltou a ser editada anos depois, na forma de álbum, pela editora Dark Horse.

É esse o material que a Devir usa no Brasil.

O escritor de quadrinhos Harvey Pekar diz, na contracapa da obra, que Luluzinha "é um dos personagens mais subestimados da história".

A popularidade dela, muitas vezes guardada apenas na memória, contradiz essa frase.

A longevidade desta nova versão editorial da personagem, tanto nos Estados Unidos quanto aqui no Brasil, também sugere o contrário.

Luluzinha é popular. E continua sendo, principalmente depois de reencontrar seu verdadeiro público: o adulto de hoje, que esconde a criança leitora de quadrinhos de ontem.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h07
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16.05.08

Panini lança (de verdade) Tiras Clássicas da Turma da Mônica

 

 

 

 

 

Segundo volume da coleção tinha sido anunciado em abril, mas foi publicado no início deste mês

 

 

 

 

 

Dois meses depois de veicular em uma de suas revistas que o segundo volume de "As Tiras Clássicas da Turma da Mônica" "já está à venda", a Panini finalmente lança a obra (132 págs., R$ 19,80).

Entre o anúncio –noticiado por este blog em 8 de março (link)- e a efetiva publicação, não houve por parte da editora uma nota explicando ao leitor o motivo do atraso.

Nem por que divulgou que a obra estava à venda quando, de fato, não estava.

O álbum –que traz nos créditos finais data de fevereiro- compila tiras da Turma da Mônica publicadas na metade da década de 1960.

Apesar de Mônica intitular a edição, ela ainda não era, na época, a grande estrela dos personagens criados por Mauricio de Sousa.

A maior parte das tiras era centrada em Cebolinha.

É exatamente essa a curiosidade e a importância da obra.

É ver como se moldaram as criações de Mauricio de Sousa ao longo dos anos.

A leitura em seqüência sugere uma evolução, hoje percebida graças ao distanciamento histórico.

As figuras mais populares, como Cebolinha, Cascão e Mônica, já tinham conquistado espaço.

A diversão é ver como começaram a ganhar, tira após tira, uma forma mais próxima à como são desenhados hoje.

Outros personagens, coadjuvantes à época, ficaram restritos aos registros de então.

Depois, foram abandonados ou tiveram participações esporádicas aqui e ali.

Desde aquela época, o desenhista e empresário parecia tatear novas criações a cada tira.

A edição é histórica, não no sentido de ser apenas um produto voltado ao colecionador.

É histórica no sentido lato do termo.

Mostra como se deu a construção dos personagens que Mauricio de Sousa soube tornar populares nos anos seguintes, num mercado difícil de ser trilhado.

Essa experiência constitui um capítulo obrigatório na trajetória do quadrinho brasileiro.

O senão –e é de lamentar que exista esse senão- é o atraso no lançamento, anunciado e estampado numa das revistas há dois meses, mas não cumprido.

O mesmo problema já tinha ocorrido com o primeiro volume, também lançado com atraso no segundo semestre do ano passado.

Foi um erro não corrigido pela equipe. E que se configurou num segundo erro.

As falhas acabam por tirar as luzes da qualidade da obra e da importância dela, características que deveriam ser o único tema a ocupar as letras desta resenha.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h24
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