26.08.08

Série francesa Predadores traz narrativa ágil de mistério

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do segundo volume da série francesa, que tem quatro volumes ao todo

 

 

 

 

 

 

 

Há uma vantagem na leitura do quadrinho europeu. Ao contrário das produções japonesas e norte-americanas, informações sobre trabalhos do velho continente não costumam rondar pelas páginas virtuais.

Essa relativa falta de informações é um privilégio para quem aprecia desfrutar uma história e desvendá-la aos poucos, saboreando cada novo elemento. Apesar de ser algo raro no mundo virtual de hoje.

A série francesa "Predadores" consegue ser uma dessas exceções. Cabe ao leitor desvendar a narrativa ágil de um mistério que se desenrola desde o número de estréia.

                                                             ***

A primeira parte -ou tomo, como se chama na França- foi lançada no Brasil no fim de julho. A seqüência começou a ser vendida neste mês (Devir, 64 págs., R$ 29).

A série não enrola. Mostra uma sucessão rápida de acontecimentos página após página.

Quando o leitor se dá conta, o álbum terminou. Com um gancho, claro, para o volume seguinte.

 

                                                             

Há um mistério que inicia logo nas primeiras páginas da história, lançada na França entre 1998 e 2003.

Vítimas aparecem mortas. Sem sangue e com um alfinete enfiado atrás de uma das orelhas.

A sensual tenente Vicky Lenore e o detetive Benito Spiaggi são os policiais responsáveis pela apuração do caso. Na investigação, descobrem uma surpresa após a outra.

                                                              ***

Os dois policiais ficam sabendo que as vítimas têm em comum um sisto atrás da orelha.

Não demora para saberem que o chefe deles e o amante de Lenore também possuem o elemento fatal.

As vítimas são assassinadas por uma dupla de irmãos, Camilla e Drago. São eles os "Preadores" do título. Resta apurar por que matam. E quem eles são exatamente.

 

                                                           

No segundo volume, que começou a ser vendido neste mês, o leitor tem parte das respostas.

Os crimes estão relacionados a uma vingança sobre um evento ocorrido séculos atrás.

Outra revelação é que os seres com sisto são vampiros. Ou algo próximo disso, porque o nome da "raça" deles não é verbalizado na série.

                                                              ***

Os autores - o belga Jean Dufaux e o suíço naturalizado italiano Enrico Marini- têm grande parte do mérito de "Predadores".

Conduzem uma narrativa cinematográfica, tanto nos textos como no ritmo dos desenhos. E com a vantagem de o leitor poder descobri-la página após página. Prazer raro hoje em dia.

A série tem mais duas partes. Também serão lançadas no Brasil pela Devir.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h17
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22.08.08

Encadernado reúne primeiras histórias de Surpreendentes X-Men

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum lançado neste mês reúne primeiras 12 aventuras do grupo, escritas por Joss Whedon e desenhadas por John Cassaday

 

 

 

 

 

 

 

Os leitores mais saudosos dos X-Men creditam à dupla Chris Claremont e John Byrne as melhores histórias do grupo de mutantes da editora norte-americana Marvel Comics.

Outra dupla, o escritor Joss Whedon e o desenhista John Cassaday, conseguiu a façanha de ouvir tantos elogios quanto Claremont e Byrne.

 Sinal disso foram as vitórias conquistadas em prêmios de quadrinhos, como o Eisner Awards, o principal dos Estados Unidos.

As primeiras 12 histórias de Whedon e Cassaday foram reunidas num álbum, que começou a ser vendido neste mês (Panini, 324 págs., R$ 38).

                                                             ***

Esse primeiro arco de aventuras dos Surpreendentes X-Men foi publicado nos Estados Unidos entre julho de 2004 e agosto do ano seguinte.

No Brasil, foi lançado mensalmente na revista "X-Men Extra", também da Panini.

A primeira aventura saiu na edição 46, de outubro de 2005.

                                                              ***

Whedon -conhecido por ser o criador da série de TV "Buffy, a Caça-Vampiros"- simplificou o roteiro das histórias dos X-Men, reduzindo as longas amarrações que existiam até então.

Com isso, conseguiu atrair quem raramente liam as aventuras do grupo.

O leitor mais novo vai encontrar um grupo enxuto, que vive um momento de reinício.

A partir daí, é só ação e surpresas, estas para fazer jus ao rótulo de "supreendentes" dado à sua versão do grupo.

                                                              ***

Um das surpresas -que já não é mais novidade- foi a volta de Colossus. O herói de metal tinha morrido anos antes.

A presença dele ajuda a dar um verniz semelhante às aventuras feitas por Byrne e Claremont, publicadas no fim da década de 1970 e início da seguinte.

É outra estratégia certeira usada por Whedon.

Por mais que dialogue bem com novos leitores, ele não ignora o saudosismo dos antigos. E recria cenas que mexem diretamente com a memória de quem acompanha X-Men há anos.

                                                              ***

Lançar esse primeiro arco na forma encadernada é uma forma de a editora Panini levar a série a um novo leitor, o que freqüenta as livrarias ou que desistiu de acompanhar as revistas mensais.

O "volume 1", apresentado na capa, dá a entender que o segundo arco feito por Whedon e Cassaday também será reunido futuramente em álbum.

As últimas histórias da dupla são publicadas atualmente na revista "X-Men Extra".

                                                              ***

O brasileiro Marlon Tenório fez uma brincadeira com os X-Men. Pôs os personagens no conto de fadas de Chapeuzinho Vermemlho. Leia mais na postagem abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h46
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19.08.08

Garoto Verme traz incômoda história de horror

 

 

 

 

 

 

 

 

Mangá é escrito e desenhado por Hideshi Hino, um dos especialistas em obras de horror

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Um dos papéis de uma boa história de horror é incomodar o leitor. E isso o mangá "O Garoto Verme" faz.

A obra -lançada na Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Zarabatana, 208 págs., R$ 27)- narra o sofrimento do protagonista, o menino Sanpei Hinomoto.

Ele pode ser rotulado como um sofredor. É rejeitado pelos colegas de escolas e incompreendido pela família. Encontra conforto apenas num esconderijo, onde cria animais.

                                                              ***

O sofrimento psicológico e social de Hinomoto -que já seria motivo de incômodo por parte de quem lê o mangá- é acentuado com a transformação do menino.

Picado por um estranho verme, ele passa a sofrer uma lenta mutação. De ser humano, ganha a forma do bicho que o vitimou.

Para realçar ainda mais o horror, a transformação é mostrada paulatinamente.

O garoto se transfigura, perde os membros, começa a decompor, vira uma casca, que depois renasce na forma de um verme.

                                                              ***

Durante o calvário, o menino se torna um estorvo para a família, composta pelos pais e por dois irmãos.

Há nesse ponto um claro diálogo com o surrealismo de "Metamorfose", obra do tcheco Franz Kafka (1883-1924).

O livro faz uma crítica à estrutura familiar. Gregor Samsa se metamorfoseia num inseto repugnante. Na nova forma, sem ser útil aos seus, torna-se um problema e é ignorado.

                                                             ***

Há muito de Kafka no mangá escrito por Hideshi Hino, autor chinês criado no Japão.

Mas com uma diferença: ao contrário de Gregor Samsa, Sanpei Hinomoto foge de casa em busca de nova perspectiva de vida.

É a forma que encontrou para contornar a exclusão, com todas as conseqüências que essa atitude vai acarretar. Uma delas é a repugnância que causa em todos, inclusive em seus animais de estimação.

                                                             ***

"O Garoto Verme" é a segunda obra de Hideshi Hino lançada pela Zarabatana.

No ano passado, a editora paulista publicou "A Serpente Vermelha", que também tinha como protagonista um garoto e abordava o tema do horror no convívio familiar (mais aqui).

O autor se destacou na área de quadrinhos pelos trabalhos feitos com horror e é tido como um dos pais do gênero no Japão.

O incômodo criado na vida do garoto vertido em verme justifica a fama que tem.

Escrito por PAULO RAMOS às 14h24
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12.08.08

Turma da Mônica fica mais velha e muda de gênero na versão mangá

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do número de estréia da revista, que mostra os personagens de Mauricio de Sousa na fase adolescente

 

 

 

 

 

 

Há um incortonável estranhamento na leitura do primeiro número de "Turma da Mônica Jovem", que já é vendido em lojas de quadrinhos paulistanas (Panini, 132 págs. R$ 5,90).

Demora um pouco para assimilar as duas principais mudanças da obra.

A primeira e mais evidente é aceitar que os personagens cresceram e estão na adolescência.

A segunda é constatar que o novo projeto dos Estúdios Mauricio de Sousa faz uma radical mudança de gênero. Sai o quadrinho infantil, entra o mangá.

                                                             ***

Na prática, há apenas um verniz de mangá neste primeiro número.

A revista, por exemplo, é lida da esquerda para a direita, e não o contrário como ocorre nos quadrinhos japoneses.

O estilo oriental de produzir histórias gráficas é usado em cenas-chave mais expressivas, ora sobre humor, ora sobre pontos cruciais da narrativa.

Nessas situações, há as tradicionais linhas cinéticas de fundo e as caras e bocas cartunizadas dos personagens representados.

No mais, os desenhos se assemelham às produções tradicionais dos demais quadrinhos da Turma da Mônica, só que com uma temática oriental e mais voltada à ação.

                                                             ***

Mas há, do formato à proposta, uma clara intenção de amadurecer os personagens, de modo a atingir outros públicos, em que se destaca o dos leitores de mangás.

Os mais jovens ficam com as histórias tradicionais, que continuam a ser publicadas mensalmente. Os demais, como essa nova versão.

"A turma agora vive em dois universos", escreve Mauricio de Sousa, num texto explicativo presente neste primeiro número.

"Naturalmente se avolumam comentários pro sim e pro não. Mas vale a pena experimentar uma sensação nova, até mesmo perigosa, mas inédita e desafiadora nesta nova série."

                                                             ***

Os comentários "pro sim e pro não", como registra o empresário e desenhista, são o nó da série e o que pode ditar o futuro dela nas bancas.

Quem superar o estranhamento inicial vai encontrar a história de um grupo de adolescentes que é convocado a salvar o mundo de Yuka, uma rainha do mal.

Os que ainda resistirem ao novo formato tendem a ver nos jovens os mesmos personagens que permaneceram crianças por décadas.

E vai resistir a aceitar um Cebolinha -agora Cebola- que troca o "r" pelo "l" apenas quando está nervoso. Um Cascão que toma banho. Uma Magali que controla a dieta.

Um Anjinho que, agora, usa o nome de Céuboy e se parece com o Anjo dos X-Men.

Um Louco que é professor. Um Capitão Feio que quer ser chamado de Poeira Negra.

                                                            ***

Antes mesmo da estréia, sem que a obra sequer fosse lida, já se viam comentários igualmente contrários e favoráveis à publicação.

O ideal -embora nem sempre ocorra no meio virtual- é que a revista seja lida para, aí sim, ser criticada ou elogiada com mais propriedade e conhecimento de causa.

Mas é fato que a aceitação vai depender muito do quanto o leitor vai estranhar o amadurecimento dos personagens.

Se aceitar a alteração, pode vir a gostar da série produzida em outro gênero.

Do contrário, vai ser muito difícil, tal qual um pai que resiste em ver os filhos amadurecerem e buscarem outros caminhos.

                                                            ***

A Editora Panini divulgou uma edição zero da revista no mês passado.

A obra apresentava as mudanças dos personagens principais.

Leia mais aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h56
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11.08.08

Relançada no Brasil obra mais polêmica de Tintim

 

 

 

 

 

 

 

 

"Tintim no Congo" mostra visão estereotipada do país africano e foi refeita pelo autor, o belga Hergé

 

 

 

 

 

 

 

Até aqui, tudo bem. Faz pouco mais de duas semanas que "Tintim no Congo" começou a ser vendido nas grandes livrarias e, nesse tempo, não houve protestos, confusões, nem notícias alarmantes na grande mídia.

O álbum mais polêmico do personagem do belga Hergé (1907-1983) conseguiu uma façanha: passar quase despercebido no país.

É uma situação bem diferente do que ocorreu no Reino Unido, em julho do ano passado.

                                                             ***

A Comissão para Igualdade Racial do Reino Unido pediu às livrarias britânicas que deixassem de vender a obra.

A entidade entendia que o álbum tinha conteúdo racista e mostrava os congolenses de maneira idiotizada e com traços semelhantes a macacos.

"O único lugar aceitável para mostrar o livro é um museu, com uma grande placa dizento ´material ultrapassado, totalmente racista", disse a comissão na época, em depoimento reproduzido pelo jornal "Folha de S.Paulo".

                                                             ***

Duas das principais livrarias do Reino Unido atenderam parcialmente o pedido. Tiraram a obra da seção infantil. Mas não deixaram de vender o álbum de Hergé.

O argumento das livrarias é que caberia ao leitor a decisão da compra.

Resultado da polêmica: uma semana depois, a editora Egmond, que publica Tintim na Inglaterra, registrava aumento de 4.000% nas vendas do título (leia mais aqui e aqui).

                                                             ***

A obra foi relançada no Brasil pela Companhia das Letras (62 págs., R$ 36). A editora paulista tem reeditado as histórias de Tintim desde o fim de 2004.

Esta edição, no entanto, procura antecipar eventuais críticas. Traz uma nota contextualizando o conteúdo da obra ao leitor.

"Neste retrato do Congo Belga, hoje República Democrática do Congo, o jovem Hergé reproduz as atitudes colonialistas da época", diz a nota.

"Ele próprio admitiu que pintou o o povo africano de acordo com os estereótipos burgueses e paternalistas daquele tempo -uma interpretação que muitos leitores de hoje podem achar ofensiva. O mesmo se pode dizer do tratamento que dá à caçada de animais."

                                                             ***

A tal "caçada de animais" é referência às mortes provocadas por Tintim. Nas páginas do álbum, ele atira em jacarés, elefantes, veados e num macaco.

"Tintim no Congo" mostra a viagem do jovem repórter ao país africano. Lá, é recebido com honras e é reconhecido por todo canto onde vá.

Na tradução brasileira, feita por Eduardo Brandão, é tratado pelos congolenses como "Nhozinho".

                                                             ***

A história foi publicada em 1930 no suplemento infantil do jornal "Le Vintième Siècle". Nos anos e décadas seguintes, a história foi reunida na forma de álbum.

Essa primeira versão acentuava ainda mais o tom colonialista que os belgas tinham do país na época, contexto essencial para que a trama seja entendida.

Hergé fez duas revisões da obra, uma em 1946 e outra em 1970.

As mudanças reduziram parte do tom paternalista. Abaixo, um exemplo, extraído na cena em que Tintim ensina alunos congolenses:

 

 

 

 

 

 

Quadrinho da versão original, de 1930, e da nova versão da obra 

 

 

 

 

 

"Meus queridos amigos, eu vou falar hoje da pátria de vocês: a Bélgica", diz o repórter no primeiro quadrinho, que aparecia na versão original da obra.

Refeito e colorizado, teve o diálogo mudado para uma conta de dois mais dois.

A versão que a Companhia das Letras lança agora no Brasil é a revisada por Hergé.

                                                              ***

A última vez que a história tinha sido publicada no Brasil tinha sido em 1970, pela Record. A editora optou por traduzir o título por "Tintim na África". Essa edição está esgotada.

A viagem do personagem ao Congo tem de ser vista dentro do contexto, algo que os não leitores habituais de quadrinhos costumam se esquecer ao mencionar a obra.

Nesses casos, não deixa de ser curioso que o grande mal seja o álbum em quadrinhos, e não as produções do cinema norte-americano das décadas de 1930 e seguintes, que tinham visão semelhante à da obra de Tintim.

Crédito: a imagem das duas versões da obra foi fornecida pelo especialista em quadrinhos Waldomiro Vergueiro, a quem este jornalista agradece a colaboração.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h07
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09.08.08

Chega ao fim arco de Super-Homem co-escrito por Richard Donner

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Diretor de cinema -que dividiu o roteiro com o escritor Geoff Johns- construiu uma das principais histórias do herói

 

 

 

 

 

 

 

Os brasileiros tivemos uma vantagem em relação aos leitores norte-americanos.

Enquanto estes esperaram meses para saber o desfecho do arco de histórias de Super-Homem co-escrito pelo diretor de cinema Richard Donner, nós tivemos o costumeiro aguardo de um mês, intervalo de lançamento entre uma revista e outra.

O fim da série "O Último Filho" foi lançada nesta semana na revista do super-herói (Panini, 116 págs., R$ 8).

                                                             ***

O arco teve início no Brasil na edição 64 de "Superman", lançada em março (mais aqui).

Naquele momento, dois aspectos chamavam a atenção para a série de histórias.

O primeiro era a partcipação de Donner, que voltava a trabalhar com o personagem da editora norte-americana DC Comics.

Donner havia dirigido o primeiro filme do homem de aço, estrelado por Christopher Reeve (1952-2004) e exibido há 30 anos.

                                                             ***

O segundo aspecto é que a série de histórias -publicada nos Estados Unidos na revista "Action Comics"- mesclava elementos das versões cinematográfica e televisiva do herói.

Há influências claras do seriado "Smallville" (principalmente no vilão Lex Luthor), dos dois primeiros longas com Reeve e da nova versão, "Superman - O Retorno", de 2006.

Não é por acaso que o primeiro capítulo de "O Último Filho" foi lançado em 2006.

Também não é coincidência o fato de Clark Kent ser desenhado de forma muito parecida com o ator Brandon Routh, atual dono do papel de Super-Homem no cinema. A arte é de Adam Kubert.

                                                             ***

A herança mais explícita do último longa do herói, no entanto, é a presenca do garoto Christopher Kent.

O menino kryptoniano, que tem poderes semelhantes aos do herói, chega à Terra e é adotado por Clark Kent e Lois Lane. No longa de 2006, Lois tem um filho, fruto de relacionamento com o homem de aço.

A presença da criança na vida do casal e a libertação de criminosos de Krypton presos na Zona Fantasma são os pontos-chave da trama.

Liderados pelo General Zod -visto no segundo filme do herói-, o bando de super-vilões invade a Terra e domina o planeta.

                                                             ***

Apesar da mescla de diferentes versões do super-herói, o desfecho da trama consegue superar esses obstáculos editoriais e traz uma das melhores histórias de Super-Homem.

É bem possível que as qualidades da condução da narrativa sejam muito mais mérito de Geoff Jonhs do que de Richard Donner.

Johns escreveu o arco com o diretor. E é atualmente um dos principais roteiristas da DC.

Neste mês, ganhou pela terceira vez seguida o prêmio "Wizard Fan Awards", votação feita por leitores norte-americanos (mais aqui).

                                                             ***

Esses leitores estadunidenses leram o fim do arco "O Último Filho" no mês passado, quando foi lançado numa edição anual "Action Comics", com mais páginas.

A Panini tem o mérito de trabalhar rápido na preparação dos originais e conseguir incluir o desfecho na edição deste mês de "Superman".

É daquelas histórias marcantes na vida do personagem. E têm qualidades suficientes para ser relançada futuramente na forma de álbum encadernado, a ser vendido em livrarias.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h37
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Nova edição da Graffiti marca estréia de Liniers no Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da revista mineira, que tem festa de lançamento neste sábado em Belo Horizonte

 

 

 

 

 

 

 

Quando criaram a "Graffiti 76% Quadrinhos", os editores da revista independente mineira tinham como parâmetro uma publicação européia, produzida nos mesmos moldes.

A obra, que chega agora à 17ª edição e tem festa de lançamento hoje, tomou rumo próprio.

O formato de mesclar histórias curtas produzidas por diferentes escritores e desenhistas nacionais -prioritariamente- e estrangeiros encontrou seu caminho e se firmou no mercado alternativo de quadrinhos brasileiro.

                                                             ***

Mas a trilha percorrida pelo grupo de Belo Horizonte cruza por um trecho com paisagens muito semelhantes à de outra publicação bem-sucedida, a argentina "Fierro".

A revista é a principal referência do quadrinho do país vizinho. É vendida uma vez por mês junto com o jornal "Página 12".

Depois, é possível encontrar a obra em algumas bancas -conhecidas como "quioscos"- da região central de Buenos Aires.

O toque portenho fica ainda mais evidente nesta nova edição. Parte da obra é dedicada à Argentina e à sua capital.

                                                             ***

Buenos Aires é tema de uma das histórias, feita por Eloar Guazzelli, antigo colaborador da revista.

Também é dele um artigo sobre a história do quadrinho argentino, ainda pouco conhecido por terras brasileiras.

A sensação de estar lendo uma "Fierro" -que tem formato idêntico, inclusive com lateral grampeada- ganha força logo na contracapa. 

Ela marca a tardia estréia no Brasil das tiras cômicas feitas por Liniers, autor que também colabora com a revista argentina.

 

 

A tira acima é da edição deste sábado, publicada no jornal portenho "La Nacion".

Liniers é dono de um estilo próprio e invoador. Cria situações surreais em sua série "Macanudo". Já lançou cinco coletâneas com suas criações.

A primeira delas vai ser lançada no Brasil pela editora Zarabatana (mais aqui).

A "Graffitti" traz também um encarte colorido, que traz mais duas histórias curtas dele. E uma biografia do autor no final da obra.

                                                             ***

A revista traz também, como de costume, histórias produzidas por autores nacionais.

Como a de Marcelo D´Salete, que abre esta 17ª edição.

Curiosamente, o autor teve uma coletânea de quadrinhos seus, "Noite Luz", lançada recentemente na Argentina por uma editora independente de lá.

A editora Via Lettera, de São Paulo, divulgou nesta semana que vai publicar a obra no Brasil (mais aqui).

Por mais nacional que seja, a leitura deste número tem um gosto dos tradicionais cortados argentinos, tomados calmamente num dos cafés portenhos.

                                                             ***

A "Graffitti 76% Quadrinhos" já teve um primeiro lançamento em São Paulo na semana de entrega do Troféu HQMix, no mês passado (mais aqui).

A festa deste sábado à noite é um segundo lançamento, feito na cidade onde foi produzida, Belo Horizonte.

Vai ser hoje à noite, no Recanto da Seresta (praça Duque de Caixas, 120, Santa Tereza).    

O ingresso custa R$ 12 e dá direito a uma edição da revista.       

Escrito por PAULO RAMOS às 11h52
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06.08.08

Álbum de Zé do Caixão estreita diálogo entre HQ e cinema

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra em quadrinhos antecipa eventos do terceiro filme do personagem, que estréia sexta-feira

 

 

 

 

 

 

 

 

Não será à meia-noite e Zé do Caixão não levará a sua alma.

Mas ele quer levar o seu dinheiro na compra do álbum "Protuário 666 - Os Anos de Cárcere de Zé do Caixão" (Conrad, 120 págs., R$ 24).

A obra tem lançamento nesta quarta-feira à noite, em São Paulo, num horário menos macabro, a partir das 19h.

O trabalho em quadrinhos serve para estreitar o diálogo -que já é bastante próximo- entre as histórias em quadrinhos e o cinema.

                                                             ***

Não se trata aqui de uma versão quadrinizada de longa-metragem ou de uma adaptação de quadrinhos feita para o cinema. Nada disso.

"Prontuário 666" serve de ponte entre o que ocorreu no segundo filme de Zé do Caixão -"Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver", de 1967- e a nova parte da trilogia.

Na produção anterior, o personagem macabro, que procura gerar um filho perfeito, era dado como morto. A obra em quadrinhos revela -ou antecipa- onde ele estava nesse intervalo.

                                                            ***

Zé do Caixão -forma como é conhecido Josefel Zanatas- está preso na Casa de Detenção de São Paulo.

O relato da obra tem início em 1988. Zé do Caixão aproveita o mundo carcerário para fazer experiências científicas com os presos de lá.

Reformulando: experiências científicas mortais e sanguinolentas com os presos de lá, bem ao estilo da série cinematrográfica.                                                         

O tom violento das seqüências macabras casa bem com o estilo de desenho do gaúcho Samuel Casal, que divide a autoria da obra com a roteirista Adriana Brunstein.

                                                             ***

"Prontuário 666" não é o primeiro passeio do personagem de José Mojica Marins nos quadrinhos.

O primeiro foi com a revista "O Estranho Mundo de Zé do Caixão", publicada em 1969.

Houve também outras versões. Uma delas infantil: "A Estranha Turma do Zé do Caixão", lançada em 1999 pela editora Brainstore.

                                                             ***

O personagem é o mesmo em todas as versões. Mas há uma diferença essencial entre este álbum da Conrad e as passagens anteriores de Zé do Caixão pelos quadrinhos.

Desta vez, a história dialoga com o filme. E dele bebe a publicidade midiática -não foram poucas as matérias sobre o longa- e a boa repercussão das premiações.

"A Encarnação do Demônio", dirigido por Marins, venceu sete das 15 categorias do Festival Paulínia de Cinema, realizado no mês passado.

E vai participar da mostra do Festival de Veneza, na Itália.

                                                             ***

O já sonoro ruído sobre o terceiro longa-metragem ecoa também no álbum em quadrinhos.

E não é fruto da "ciência" do personagem de capa preta.

É resultado de estratégia editorial e de marketing (o álbum, não custa registrar, é lançado dois dias antes do filme). É como no dito popular: uma mão lava a outra.

                                                             ***

Serviço - Lançamento de "Prontuário 666 - Os Anos de Cárcere de Zé do Caixão". Quando: hoje (06.08). Horário: a partir das 19h (vai haver debate com os autores e com José Mojica Marins). Onde: Espaço Unibanco de Cinema. Endereço: rua Augusta, 1.475, São Paulo. Quanto: o álbum custa R$ 24). 

Escrito por PAULO RAMOS às 15h13
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