25.09.08

"Jogos de Poder" mostra bastidores do mundo da espionagem

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa do álbum, que traz os quatro primeiros números da série norte-americana

 

 

 

 

 

 

 

Este número de estréia de "Jogos de Poder" não é o melhor roteiro de Greg Rucka.

Mas isso não tira o mérito da obra, lançada no começo do mês (Devir, 128 págs., R$ 19,50).

Um texto mediano do escritor norte-americano é melhor do que muitos dos trabalhos estrangeiros publicados atualmente no Brasil.

                                                             ***

Rucka é mais conhecido do leitor daqui pelos trabalhos feitos em revistas de super-heróis.

Escreveu histórias de Batman, Super-Homem e Mulher-Maravilha. E a série policial "Gotham City contra o Crime", já lançada por aqui pela editora Panini. É possivelmente o melhor trabalho dele.

Paralelamente aos heróis, com poderes ou não, o escritor produziu outros textos, na forma de romances policiais e de séries em quadrinhos por diferentes editoras.

É nessa leva que se enquadra "Jogos de Poder - Operação: Terreno Partido".

                                                             ***

O álbum traz os quatro primeiros números da série, produzida em preto-e-branco.

A história, lançada nos Estados Unidos em 2001, mostra os bastidores políticos do mundo da espionagem do S.I.S., Service Intelligence Service, o serviço secreto inglês.

O arco de estréia centra o foco em dois dos integrantes da hierarquia do S.I.S.: o diretor de operações Paul Crocker e Tara Chance, oficial de operações especiais e subordinada a ele.

                                                              ***

Crocker tem no DNA desafiar autoridades superiores a ele.

Num desses rompantes, ele envia Chance ao Kosovo para matar um general russo.

Missão cumprida, a cabeça dela é posta a prêmio por conta da missão não-autorizada.

A sede inglesa do S.I.S. é atacada e o grupo tem de resolver o caso, parte com diplomacia, parte com articulações de vingança feitas por baixo dos panos.

                                                             ***

As quatro partes da trama, desenhadas pelo canadense Steve Rolston, sintetizam bem o estilo de Greg Rucka mostrado em outras séries.

Por mais que se centre nas articulações políticas da espionagem, traz de fundo um mistério a ser resolvido, tal qual o escritor faz em seus romances e quadrinhos policiais.

Outro ponto de convergência é a presença de uma protagonista forte nas atitudes, porém insegura na personalidade.

É um tema recorrente nos quadrinhos escritos pelo autor.

                                                             ***

"Jogos de Poder" chegou a ganhar um Eisner Award de melhor nova série.

O prêmio é o principal da indústria norte-americana de quadrinhos. É o mesmo conquistado neste ano pelos brasileiros Gabriel Bá, Fábio Moon e Rafael Grampá.

Mas não é o Eisner que garante uma automática qualidade da obra. Ela tem de falar por si.

                                                             ***

Por mais que este primeiro volume seja bem conduzido pelo texto de Rucka, o escritor já teve trabalhos melhores publicados no Brasil.

Ao final da leitura, fica a impressão de que a história apenas prepara terreno para algo maior, reservado aos próximos volumes. Seria somente uma introdução.

Por isso, vale uma nova investida na continuação da série, quando for lançada por aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 17h50
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22.09.08

Livro reúne tiras da série "Anos de Análise", de Adão Iturrusgarai

 

 

 

 

 

 

 

 

 

"No Divã com Adão" faz coletânea de histórias publicadas no jornal "Folha de S.Paulo"; 15 delas são inéditas

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrever esta resenha e não mencionar que se trata do novo livro do cartunista Adão Iturrusgarai: um mês de análise.

Não dizer que a editora é Planeta nem que a obra tem 160 páginas e custa R$ 34,90: dois meses de análise.

Esquecer do registro de que se trata de uma coletânea de tiras já publicadas pelo jornal "Folha de S.Paulo" ao longo dos últimos anos: três meses de análise.

Não escrever que, apesar disso, há 15 tiras inéditas, como anuncia a capa e também as páginas internas onde foram editadas: quatro meses de análise.

E não dizer ao leitor que esta estrutura de texto copia descaradamente o formato de humor da série "Anos de Análise", reunidas no livro: cem anos de análise. E acusação de plágio.

                                                             ***                                                 

É desse jeito bem-humorado que Adão Iturrusgarai construiu a série de tiras reunidas agora no livro "No Divã com Adão".

A estrutura do humor é semelhante em toda a série. Ele descreve situações cotidianas, algumas mais reais, outras menos, e atribui a cada uma um valor de punição.

O desfecho é sempre com uma cena exagerada, que exija um flagelo maior.

Alterna tempo de análise, número de ave-marias/pai-nossos, períodos no inferno.

 

 

O autor se inspirou numa experiência própria para criar a série.

Ele diz que teve a idéia quando fazia terapia em São Paulo (hoje, mora na Argentina).

"À medida que contava minha vida e os prováveis traumas, começava a calcular quanto tempo teria de ficar no divã para resolver cada ´evento´. Uma coisa assim quase matemática", diz Iturrusgarai, em texto publicado na obra.

"O que a princípio pareceu valer só duas tiras acabou rendendo umas 150." 

                                                              ***

Essa liberdade em brincar sobre sua própria experiência é representada não só nas tiras.

O prefácio do livro é feito pelo terapeuta de Adão, Sergio Zlotnic.

Ele não revela nenhum segredo do cartunista, até porque é impedido por questões éticas e legais. Mas entra no clima presente no restante da obra.

"Ofuscar um livro com um prefácio fantástico: um milhão de anos no inferno!..." 

                                                             ***

O pior - ou não, depende o ponto de vista - é que o leitor vai se enxergar em muitos dos cenários representados por Adão.

Se lidas na seqüência, numa tacada só, as tiras correm o risco de se tornarem repetitivas.

Não por causa das situações, mas por conta do formato de humor, semelhante a todas.

É obra para ser lida em doses homeopáticas, uma tira agora, outra depois.

Assim, aproveita-se melhor o humor do livro que, por que não, pode ser usado também como auto-terapia. De séria, como dizem, já basta a vida.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h14
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12.09.08

20 anos depois, tiras de Candido Deodato continuam atuais

 

 

 

 

 

 

 

Capa da coletânea de tiras do personagem, obra que tem lançamento nesta sexta-feira à noite em São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

As atitudes dos políticos em época eleitoral não mudaram muito nos últimos 20 anos.

Isso fica bem evidente com a (re)leitura das tiras cômicas de Candido Deodato.

O personagem foi publicado em 1988 no jornal "Diário Popular", de São Paulo.

As situações eleitorais -mostradas com ironia- permanecem atuais.

                                                             ***

Fausto Bergocce, o autor, foi feliz na escolha da época para lançar uma coletânea das tiras.

Vive-se hoje o mesmo momento eleitoral de 20 anos atrás. Inclusive com disputa municipal.

Candido Deodato foi o primeiro trabalho de Fausto com tiras.

Nascido em Reginópolis, no interior paulista, ele tem um histórico de charges e cartuns.

                                                             ***

Candido Deodato -um brincadeira feita a partir das sílabas de "candidato"- surgiu a partir de um convite feito pelo cartunista Mauricio Morini, na época responsável pela seção de quadrinhos do "Diário Popular".

Numa entrevista nas páginas iniciais da coletânea, Fausto explica que inicialmente resistiu. Mas, depois, topou o desafio. E elegeu o momento político para sua criação.

"Para compor o desenho do personagem, analisei bem o momento", diz na entrevista.

"Tinha muitos barbudinhos, mais aguerridos, que apareciam mais, e o Candido Deodato é assim."

                                                             ***

Mas ele diz que a base do desenho foi inspirada em no personagem Reizinho.

Seria uma homenagem à criação de Otto Soglow.´

É algo semelhante ao que o cartunista Novaes havia feito dois anos antes.

Ele fez uma série de histórias com Sirney, rei baseado no então presidente José Sarney.

                                                             ***

As tiras de Candido Deodato foram publicadas apenas durante o ano de 1998.

A idéia, segundo Fausto, era essa mesmo. É, nas palavras dele, "um ciclo fechado".

"Não voltei mais a fazer tiras e não pretendo voltar", diz.

"Por uma questão de identificação, fiquei só com charge, apesar de ser grato aos quadrinhos. Acho quadrinhos muito difícil, então fechei o ciclo."

                                                             ***

Fausto, de fato, direcionou a carreira para outros trabalhos de humor, publicados em diferentes jornais do país.

Mas houve uma exceção. Ele voltou a fazer uma história de Candido Deodato.

É a última tira desta coletânea, feita especialmente para o álbum.

Mostra Candidato Deodato, dedo em riste, correndo atrás de uma urna eletrônica.

A urna, o leitor verá, é a única atualização entre os candidatos de ontem e os de hoje.

                                                              ***

O autor faz um segundo lançamento de "Candido Deodato - Aventuras e Desventuras de um Demagogo" (HBG Comunicações, 64 págs.) nesta sexta-feira à noite, em São Paulo.

Será na HQMix Livraria (Praça Roosevelt, 142, centro), a partir das 19h30.

O primeiro lançamento foi feito há duas semanas na abertura do Salão Internacional de Humor de Piracicaba, no interior de São Paulo.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
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Livro traz história da imigração japonesa pelo traço de Shimamoto

 

 

 

 

 

 

Obra desenhada pelo veterano Júlio Shimamoto mostra a trajetória da comunidade nipônica no Brasil, dos primeiros imigrantes aos dias de hoje

 

 

 

 

 

 

"Banzai! História da Imigração Japonesa no Brasil em Mangá" foi lançado oficialmente no dia 19 de março deste ano na Câmara Municipal de São Paulo.

Mas começa a chegar a algumas livrarias de grande porte neste mês.

Foi uma das primeiras obras em quadrinhos a abordar neste 2008 o centenário da imigração japonesa no país. O tema é a trajetória real da comunidade nipônica no Brasil.

                                                             ***

"Banzai!" -que significa uma saudação equivalente a "viva!"- usa a ficção para apresentar dados reais da vinda dos japoneses ao Brasil.

Francisco Noriyuki Sato, autor do mangá nacional, relata os fatos históricos por meio de um diálogo caseiro entre um avô e seu neto, descendentes de diferentes gerações de imigrantes orientais.

Na conversa, o avô relata como se deu a chegada dos primeiros japoneses -alguns antes mesmo do navio Kasatu Maru, em 1908- e os motivos políticos que levaram a isso.

                                                              ***

A obra tem a grande qualidade de não se restringir apenas aos momentos seguintes ao desembarque e ao trabalho nas plantações do interior paulista.

Ela dá seqüência à trajetória dos imigrantes e pontua as difíceis decisões que tiveram de tomar ao longo dos anos para se manterem no país.

Relata a busca por terras próprias, o envio dos filhos para estudarem na capital, as conquistas econômicas das décadas seguintes, a mescla cultural vista hoje.

                                                              ***

A narrativa histórica, por si só, já justificaria um olhar especial à obra, de fato bem realizada.

Mas a arte reserva outros dois convites para chamar a atenção do leitor.

O primeiro é a mescla de quadrinhos com fotos de época, recurso já usado nos álbuns franceses de "O Fotógrafo", publicados pela editora Conrad. O recurso acentua o realismo da narrativa real.

                                                             ***

O outro convite é a arte de Júlio Shimamoto, um dos mais antigos desenhistas brasileiros ainda em atividade.

Shimamoto já usou elementos orientais em outras obras, como no samurai da série "Musashi".

Em "Banzai!", ele faz um desenho solto, que transita com eficiência entre os elementos visuais de época e o diálogo fictício travado entre neto e avô.

                                                             ***

A obra -de 176 páginas- foi lançada pela Associação Cultural e Esportiva Saúde, sediada em São Paulo.

Vinha sendo vendida em associações e entidades ligadas à comunidade japonesa. Ainda é um caminho para encontrar a obra (clique neste link).

Das grandes livrarias, a Saraiva tinha o livro. Mas está em falta, segundo o site da rede.

A Livraria Cultura passou a vender a obra recentemente, embora não conste no site para vendas virtuais. 

                                                             ***

A dificuldade em encontrar o livro é algo recompensado durante sua leitura.

Há quem defenda que uma obra só acontece de fato quando é lida pela pessoa.

"Banzai!" merece acontecer. Apesar dos contratempos de distribuição.

                                                              ***

O mais recente lançamento a respeito do centenário da imigração japonesa é "O Filho da Costureira e o Catador de Batatas/O Catador de Batatas e o Filho da Costureira".

Leia mais sobre a obra na postagem abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h06
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10.09.08

Mangá nacional personaliza situação dos imigrantes no país

 

 

 

Obra traz duas capas, cada uma apresentando a trajetória de um personagem diferente: um mulato e um imigrante japonês 

 

 

 

Tal qual a narrativa bíblica das bodas de Caná, os melhores vinhos quadrinísticos sobre o centenário da imigração japonesa ficaram para o final da festa.

Uma das garrafas dessa safra celebrada neste ano vai ser oferecida ao público mais uma vez nesta quinta-feira à noite, em São Paulo.

Vai haver um segundo lançamento do mangá nacional "O Filho da Costureira e o Catador de Batatas/O Catador de Batatas e o Filho da Costureira" (JBC, 112 págs., R$ 24,90).

A primeira sessão de autógrafos foi na Bienal do Livro de São Paulo, em agosto.

                                                            ***

O livro é um bom exemplo do que se pode esperar de mangás produzidos no país.

A obra é ambientada no início da chegada dos primeiros imigrantes japoneses ao Brasil.

A questão do centenário é levada ao leitor por meio da vida de dois personagens: Isidoro, um descendente de escravos, e Ikemoto, recém chegado do Japão. 

                                                             ***

O primeiro mora no interior de São Paulo e vive a expectativa da chegada dos japoneses.

O segundo enfrenta os motivos que o levaram a sair do Japão e a imigrar para o Brasil.

E a expectativa de enfrentar uma terra nova e desconhecida.

 

 

A narrativa -escrita por Ricardo Giassetti e desenhada por Bruno DÁngelo- é cativante e essencialmente bem escrita.

A pesquisa feita pela dupla recria o clima da época e traça, pelos olhos dos dois personagens, um cenário bastante real do momento vivido pelos imigrantes.

Seriam elementos que já dariam por si um diferencial à publicação.

Mas o destaque da obra é a forma escolhida para relatar a história.

                                                             ***

A mescla entre as culturas japonesa e brasileira vista cem anos depois da imigração é representada de um jeito simples e criativo na publicação da JBC.

As histórias de vida de Isidoro e Ikemoto são relatadas paralelamente.

É por isso que a obra tem duas capas. Uma com o mulato ("O Filho da Costureira e o Catador de Batatas"), outra com o imigrante (com o título invertido).

Cada uma inaugura a obra de um jeito diferente.

                                                              ***

A leitura feita da esquerda para a direita narra a vida de Isidoro e se aproxima com o modo ocidental de ler.

Os balões são escritos em português. Notas de rodapé traduzem o conteúdo para o japonês.

A outra forma de leitura, da direita para a esquerda, faz menção ao modo como os japoneses acompanham suas publicações, inclusive os mangás.

Essa leitura, de trás para a frente, conta a trajetória do imigrante japonês. E ocorre o contrário: os balões estão em japonês e as notas, em português.

                                                            ***

O duplo mecanismo de leitura serve de metáfora para a união -numa mesma obra- de culturas diferentes, mescladas ao longo do centenário da imigração.

A estratégia ajuda a dar adjetivos plurais para obra de Giassetti de D´Angelo, que pode ser considerada, já, um dos principais lançamentos nacionais do ano.

O vinho de Caná, sorvido na forma de quadrinhos, valeu a espera.

E há outra obra dessa boa safra, sobre o mesmo tema. Será o assunto de uma das postagens do blog nesta quinta-feira.

                                                            ***

Serviço - Lançamento de "O Filho da Costureira e o Catador de Batatas/O Catador de Batatas e o Filho da Costureira". Quando: quinta-feira (11.09). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 24,90).

Escrito por PAULO RAMOS às 19h02
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06.09.08

Queda do Morcego é relançada em volume único

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Série mostra uma das maiores derrotas de Batman do herói e se tornou um clássico do personagem

 

 

 

 

 

 

 

 

Antes de se falar qualquer coisa sobre "A Queda do Morcego", é necessário contextualizar a história, relançada no Brasil em volume único e no formato original norte-americano (Panini, 276 págs., R$ 36,90).

A trama envolvendo Batman foi lançada nos Estados Unidos no primeiro semestre de 1993, pouco depois da morte do Super-Homem, estratégia editorial que ajudou a turbinar as vendas das revistas do homem de aço.

A editora DC Comics, que publicava os dois super-heróis, descobriu que eventos traumáticos com seus personagens chamavam a atenção dos leitores e da mídia.

E passou a apostar pesadamente nisso.

                                                             ***

O sucesso com a morte -o mais correto é "morte"- do homem de aço fez de Batman a próxima vítima.

Os algozes foram o editor das revistas do personagem, o também escritor de quadrinhos Denny O´Neil, e os roteiristas Doug Moench e Chuck Dixon.

A idéia, mais do que conhecida entre os leitores do herói, era "quebrar" Batman.

Literalmente, compromentendo sua coluna.

                                                             ***

Para isso, foi criado o vilão Bane. A versão original é bem mais violenta, calculista e inteligente que a mostrada no cinema, num dos longas de Joel Schumacher.

Para ficar mais forte, injetava uma droga por meio de canos ligados ao cérebro.

Ele fez na série o papel de Apocalypse nas histórias da derrota de Super-Homem.

                                                             ***

A estratégia de Bane é desgatar o homem morcego física e mentalmente para, então, agir.

Ele cria uma fuga em massa do Asilo Arkham, prisão que encarcera os principais super-vilões de Gotham City, cidade de Batman.

O herói tem de capturar todos, dos menos problemáticos aos mais violentos, como o Coringa e o Espantalho, que seqüestram o prefeito.

                                                              ***

A cada novo confronto, o cavaleiro das trevas se debilita mais e mais, a ponto de mal se agüentar em pé.

Fica lento e desatento. Até ficar no ponto para a esperada briga com Bane.

Os desenhos de Norm Breyfogle, Jim Balent, Graham Nolan e do veterano Jim Aparo ajudaram a criar esse clima de estresse.

No olhar, na fisionomia do rosto, na barba por fazer, Batman é um decalque do modo como é habitualmente representado.

                                                             ***

Os leitores brasileiros puderam ler a saga nas revistas "Liga da Justiça & Batman" e "Batman", lançadas pela Editora Abril entre o fim de 1994 e o início do ano seguinte.

Foram publicadas no chamado "formatinho", o mesmo usado em revistas infantis vendidas nas bancas.

"A Queda do Morcego", curiosamente, ajudou a Abril a firmar o título mensal do herói.

As três tentativas anteriores não alcançaram as vendas esperadas pela editora e resultaram no cancelamento da revista.

                                                            ***

Apesar de claramente mercadológica, a história parte de uma idéia interessante e se sustenta, ainda mais quando lida em seqüência, como neste álbum da Panini.

"A Queda do Morcego" se tornou um clássico do herói dos anos 1990. Apesar de saber-se, de antemão, que tudo depois voltou ao normal.

Super-Homem ressuscitou, Batman foi "desquebrado" (com perdão pelo neologismo).

Como isso ocorreu fica para ser (re)lido no volume dois da história, ainda sem data de lançamento divulgada pela editora.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h06
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05.09.08

Livro de cartuns mostra como argentinos vêem Jaguar

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra -lançada agora no Brasil- foi publicada pela primeira vez na Argentina há 35 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

Jaguar diz no texto introdutório de "Ninguém É Perfeito" que seu livro de cartuns tem uma história de publicação mais interessante que os desenhos de humor nele contidos.

A declaração pode aparentar um ar modesto do velho cartunista.

Pode até ser. Mas, de fato, os bastidores da obra são tão -ou mais- saborosos quanto o conteúdo dela.

                                                              ***

A concepção do livro de cartuns que chega agora às mãos dos brasileiros (Desiderata, 96 págs., R$ 24,90) teve início em 1972, pelas mãos de um editor argentino.

Ele convidou Jaguar para publicar alguns de seus cartuns em uma coleção que se propunha a dar um panorama dos autores do humor gráfico latino-americanos.

O cartunista, na época editor de humor do jornal alternativo "Pasquim", diz que entregou um punhado de desenhos.

Dois meses depois foi convidado para o lançamento, em Buenos Aires.

                                                              ***

No lançamento, já em 1973, teve a oportunidade de conhecer os principais nomes dos quadrinhos da Argentina.

Viu de Fontanarosa, morto no ano passado, a Quino, o eterno pai de Mafalda, personagem que prefacia a obra (trata-se de um comentário de Mafalda, em um balão, sobre o trabalho do brasileiro).

O contato -diz Jaguar na introdução da obra- rendeu amizades mantidas até hoje. E pelo menos uma mais uma boa história.

                                                             *** 

O brasileiro conta que aconselhou Quino a parar de produzir as tiras de Mafalda.

"Insisti que se continuasse desenhando a Mafalda (que no fundo era uma adaptação latina dos Peanuts), endureceria seu traço. História em quadrinhos e cartum são incompatíveis; na minha opinião, o cara tem de optar."

Uma semana depois, Quino parou de produzir a personagem.

"É claro que não o levei a isso", acrescenta Jaguar, na introdução. "[Quino] Já deveria estar remoendo essa idéia e o meu palpite talvez tenha sido a gota d´água."

                                                              ***

O livro -lido pelos brasileiros 35 anos depois do lançamento argentino- traz o estilo característico e provocativo dos desenhos de Jaguar.

O título seria o elo comum entre todos os cartuns. "Ninguém é perfeito", segundo o cartunista. "Mas poderia ser pior", faz questão de acrescentar.

A obra segue raciocínio semelhante. Poderia ser perfeita. Mas a história por trás dela é melhor. É, Jaguar, você acerta. Poderia ser pior. 

Escrito por PAULO RAMOS às 21h57
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04.09.08

Versão da Bíblia em mangá tem pouco do estilo japonês de HQ

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da versão da Bíblia em quadrinhos, produzida no Reino Unido e lançada agora no Brasil pela editora JBC 

 

 

 

 

 

 

 

Uma das poucas notas internacionais noticiadas por este blog no ano passado era sobre uma versão da Bíblia em mangá, nome dado ao quadrinho japonês.

Na ocasião, a obra tinha sido lançada no Reino Unido, onde foi produzida.

Um ano depois, os brasileiros têm a chance de ver a adaptação em quadrinhos.

                                                             ***

"A Bíblia em Mangá - O Novo Testamento" começou a ser vendida no fim do mês passado e pode ser encontrada (JBC, R$ 9,90).

O interesse inicial pela obra é a curiosidade de ver como ficaram os personagens bíblicos na versão mangá.

Cristo, por exemplo, é mostrado sem barba e de uma forma muito mais sombria que o habitual.

A leitura, no entanto, mostra que, de mangá, não há muito.

                                                             ***

O desenhista da obra, Siku, diz em entrevista reproduzida no fim da revista que se trata de um traço híbrido.

"Como o mangá foge a essas regras das HQs produzidas no Ocidente, quando se incorporam alguns dos seus princípios gerais ao meu estilo, por exemplo, o resultado é um traço diferente, um híbrido."

"Apesar disso, esse estilo ainda pode ser chamado de mangá."

                                                             ***

Na verdade, mangá é um rótulo atraente do ponto de vista editorial.

A palavra ajuda a dar um verniz oriental à história. E isso tende a ajudar nas vendas e na repercussão.

Se fosse uma versão da Bíblia não produzida em mangá -como há aos montes em livrarias religiosas brasileiras-, ganharia o mesmo burburinho nas imprensas estrangeira e nacional?

Provavelmente não.

                                                             ***

Há outro caso recente de uso do mesmo rótulo: a versão adolescente da Turma da Mônica.

A capa estampa que a revista foi produzida em "estilo mangá". Mas também há pouco das características da produção oriental na publicação.

Mesmo assim, tem repercutido bem, segundo a assessoria da Panini, multinacional que edita a obra. 

                                                             ***

Constatado que a Bíblia em mangá não faz jus a esse rótulo, resta ao leitor se ater à história.

A versão feita por Siku e por seu irmão, Akinsiku (responsável pelo texto), limita-se a pontuar fragmentos da trajetória de Jesus Cristo na Terra. 

Esses relatos tomam a primeira metade da obra. A outra parte foca os Atos dos Apóstolos, em especial as epístolas escritas por São Paulo.

São relatos rápidos, sem muito aprofundamento. E sem muito destaque à violência. O calvário e a crucificação, por exemplo, são narrados em apenas dois quadrinhos.

                                                             ***

O interesse da dupla de autores -ambos cristãos- é tornar de mais fácil acesso o conteúdo bíblico, o livro mais lido no mundo. Essa meta, ao menos, eles cumprem.

E se escoraram de eventuais críticas de religiosos. Cada um dos momentos narrados apresenta um quadrinho, como uma nota de rodapé, dizendo de que trecho da Bíblia foi retirado aquele relato.

"Quer saber mais?", intitula o quadro. Aparecem logo abaixo o capítulo e o versículo para que o leitor busque por conta própria o trecho. É um cuidado que, inclusive, é destacado na contracapa.

                                                             ***

Outro cuidado da edição é registrar que a obra foi aprovada pela Sociedade Bíblica Internacional.

Mesmo sem saber exatamente quem mantém essa instituição e onde é sediada, o leitor cria a imagem de que se trata de uma versão fiel ao conteúdo original.

E tende a ganhar a simpatia de pais.

                                                             ***

"A Bíblia em Mangá" é voltada ao público juvenil. Há um apelo secundário ao público adulto, mais para ver como ficou o resultado final.

É curioso, sem dúvida. Mas não espere muito mais que isso.

A JBC vai lançar outra parte da adaptação, com o Velho Testamento.

Escrito por PAULO RAMOS às 21h57
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