Desenhos são ponto alto do primeiro álbum solo de Rafael Grampá

Capa de "Mesmo Delivery", obra em quadrinhos que tem lançamento nesta quinta-feira à noite, em São Paulo
O gaúcho Rafael Grampá faz parte de um seleto grupo de quadrinistas que caiu nas graças da mídia cultural brasileira. É algo que ocorre também com Neil Gaiman, de "Sandman", e Alan Moore.
Antes mesmo do lançamento de "Mesmo Delivery", primeiro álbum solo de Grampá, ele já ganhava destaque no cadernos de cultura dos grandes jornais.
Esse prematuro ar pop atribuído ao desenhista aumentou as expectativas de leitura do álbum, lançado -agora de fato- nesta quinta-feira à noite, em São Paulo (Desiderata, 56 págs, R$ 39,90).
Apesar do ar que se criou em torno da obra, cabe a ela falar por si. E o que o trabalho traz é uma narrativa que seduz o leitor. Mas principalmente por conta dos desenhos.
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A arte de Rafael Grampá é o ponto alto deste primeiro trabalho longo feito por ele.
A parte visual é algo para se observar. E observar novamente. E são essas imagens que irão ficar na retina e na mente do leitor.
Detalhadas, provocantes, inovadoras, violentas, com estilo próprio e marcante.
Os desenhos dele, de fato, fazem jus à repercussão precoce que conquistou.
A arte é tão diferenciada que até ofusca a história mostrada por meio dela.

"Mesmo Delivery" não traz personagens profundos ou diferentes núcleos narrativos a serem articulados. Não.
O que o álbum traz é um conto. Um conto de violência. Extrema. E acentuada pelo traço cinematográfico do desenhista e diretor de arte, que hoje mora em São Paulo.
O conto em quadrinhos mostra um caminhoneiro grandalhão que tem de fazer uma entrega misteriosa. Não saber qual era a carga fazia parte do negócio.
No caminho, faz uma parada num bar. Arruma uma briga e tem início o cenário de violência criado visualmente por Grampá.
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Os desenhos, mais do que a história, fazem jus à expectativa criada em torno de Rafael Grampá e consolidada com a conquista do Eisner Awards, em julho.
Ele ganhou o prêmio norte-americano na categoria melhor antologia.
Foi pelo trabalho na revista independente "5", feita com Becky Cloonan, Vasilis Lolos e com os brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon.
A conquista do Eisner Awards -o principal da indústria norte-americana de quadrinhos- foi devidamente registrado, com um adesivo, no canto superior direito da capa de "Mesmo Delivery" (embora não apareça na versão mostrada no início desta resenha).
Isso diferencia a versão brasileira da norte-americana, lançada lá em julho passado. A história, inclusive, dialoga mais com o leitor de lá por ser ambientada nos EUA.
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Há quem aproxime Rafael Grampá de Lourenço Mutarelli, outro quadrinista e agora escritor que, meritoriamente, conseguiu atrair a atenção da mídia cultural brasileira.
É Mutarelli quem assina o prefácio do álbum. No texto, com ar literário, ele assume uma paternidade criativa de Grampá, nascida junto com as palavras da introdução.
No texto, Grampá cria um conto correto. Mas nada mais que isso. Ainda não se iguala aos álbuns em quadrinhos criados por Mutarelli.
Nos desenhos, a história é outra. Talvez tenham até superado os trabalhos anteriores do "pai coruja", como Mutarelli rotula a si próprio no prefácio.
Fica para os próximos trabalhos falarem, novamente, por si.
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Serviço - Lançamento de "Mesmo Delivery", de Rafael Grampá. Quando: quinta-feira (02.10). Horário: 19h; Onde: Livraria Pop. Endereço: Rua Doutor de Virgílio de Carvalho Pinto, 297, São Paulo. Quanto: R$ 39,90.