11.10.08

Lançado desfecho da série que reformula vida do Homem-Aranha

Início da resenha sobre as duas partes finais da série "Um Dia a Mais", que começou a ser vendida nas bancas e lojas de quadrinhos neste encerramento de semana.

A história sai na edição deste mês da revista "Homem-Aranha" (Panini, 100 págs., R$ 6,90) e refaz uma série de decisões editoriais tomadas nos últimos anos pela Marvel Comics, que publica o personagem nos Estados Unidos.

As duas primeiras partes da trama foram publicadas na edição de setembro da revista (link).

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa da edição deste mês de "Homem-Aranha", que mostra o desfecho da série

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fim da resenha sobre as duas partes finais da série "Um Dia a Mais", que começou a ser vendida nas bancas e lojas de quadrinhos neste encerramento de semana.

(Às vezes, o silêncio é muito mais eloqüente do que as palavras. É o caso.)

Escrito por PAULO RAMOS às 23h28
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04.10.08

Álbum nacional traz história de ação ambientada em Salvador

 

 

 

 

 

 

 

Flávio Luiz, autor de "Aú, o Capoeirista, faz um primeiro lançamento da obra neste domingo à noite, em Salvador

 

 

 

 

 

 

 

Costuma-se dizer -com bastante razão- que as melhores idéias muitas vezes são as mais simples. O álbum nacional "Aú, O Capoeirista" traz uma delas. Que herói sintetizaria tão bem o Pelourinho baiano quanto um capoeirista?

O personagem-título é um adolescente que mora no ponto turístico de Salvador. Lá, nas ruas antigas do Pelourinho, joga capoeira com outros colegas.

Mas, se precisar, usa a técnica herdada dos escravos para defender a si e aos outros.

E é exatamente o que ocorreu neste primeiro volume, que inicia na próxima terça-feira uma série de lançamentos pelo país (Papel A2 Texto & Arte, 48 págs., R$ 48).

                                                             ***

Aú -o nome vem de um dos movimentos da capoeira- encontra uma jovem francesa nas ruas do Pelourinho. Nathalie visita a região acompanhada do pai.

De máquina em punho, fotografa o que pode, como normalmente faz um turista.

Uma das fotos flagra dois homens iniciando um incêndio criminoso em um dos prédios históricos de lá. O objetivo é afugentar a dona, que resiste em vender a construção para investidores.

A turista francesa é pega e seqüestrada. E cabe ao capoeirista salvá-la.

                                                              ***

O enredo retoma as origens do personagem, idealizado pelo também baiano Flávio Luiz.

Em 1992, ele criou Aú para uma exposição de quadrinhos feita pela Aliança Francesa de Salvador. O herói era um menino capoeirista, que recebia uma visitante francesa na cidade.

É na Aliança Francesa, por sinal, que será o primeiro lançamento do álbum.

Da versão de 1992 para esta de 2008, o personagem cresceu e ganhou nova forma. E deu vida a um dos trabalhos em quadrinhos mais autorais de Flávio Luiz.

                                                              ***

O desenhista tem um histórico já largo de produções ligadas à área.

Foi premiado em diferentes salões de humor, produziu ilustrações e charges para jornais, criou as tiras "Jab, um Lutador" e "Rota 66", ambas reunidas num revista única.

Em 2006, ele já fez um primeiro ensaio com trabalhos não humorísticos. Coube a ele a difícil tarefa de dar corpo ao roteiro de "O Messias", álbum escrito pelo jornalista e escritor Gonçalo Junior.

A dificuldade é que o texto previa a completa ausência de diálogos. Todas as páginas tinham de ser resolvidas apenas por meio dos desenhos. O resultado foi um dos melhores nacionais dos últimos anos.

                                                              ***

O que Flávio Luiz faz agora é um novo diálogo com a história longa e baseada na ação narrativa. Os elementos de humor ficam restritos a poucas cenas, em especial as vividas pelo vilão, Armando Confusioni.

Mas o desenhista estabelece também um outro diálogo, com um público diferenciado.

O trabalho, lançado em tamanho grande e capa dura, é destinado ao leitor mais jovem.

É um público que é convidado a fazer uma viagem lúdica pelas ruas e construções do Pelourinho, guiada pelos passos de Aú. 

                                                              ***

Lançamento de "Aú, o Capoeirista". Quando: terça-feira (07.10). Horário: 19h30. Onde: Aliança Francesa. Endereço: Av. Sete de Setembro, 401, Ladeira da Barra, Salvador. Quanto: R$ 48. O autor fará lançamentos durante o mês de outubro em Recife (14.10), Belo Horizonte (16.10), Rio de Janeiro (20.10), Curitiba (21.10) e São Paulo (24.10). Mais informaçõe sobre o personagem neste link.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h05
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02.10.08

Novo número de Turma da Mônica Jovem tem mais ação que anterior

 

 

 

 

 

 

Segundo número da versão adolescente dos personagens de Mauricio de Sousa é vendido nas bancas desde a semana passada e tem lançamento nesta sexta-feira em Sâo Paulo 

 

 

 

 

 

O primeiro número de "Turma da Mônica Jovem" trazia trazia o atrativo de saber como os personagens de Mauricio de Sousa ficariam quando adolescentes.

O segundo número já não tem mais como ser ancorado na curiosidade do leitor. Cabe à série, então, dizer a que veio.

A nova edição -que é vendida nas bancas desde a semana passada e que tem lançamento nesta sexta-feira em São Paulo (Panini, 132 págs., R$ 6,40)- tem bem mais ação do que o número de estréia.

E usa muito mais o traço do mangá, confirmando a impressão iniciada na edição anterior de que se trata de um mangá nacional.

                                                              ***

Ter o rótulo "mangá" estampado na capa -mesmo que seja com a expressão eufemística "em estilo mangá"- é uma estratégia de aproximar o produto de um leitor mais maduro, consumidor de quadrinhos japoneses.

O estilo casa com a proposta da nova revista dos Estúdios Mauricio de Sousa, que é atingir exatamente o leitor que acompanhava a versão infantil dos personagens e que, agora, migra para outras leituras.

A palavra mangá, em conteúdo e em forma, cumpre sua função.

A história, no entanto, bebe também de outros elementos: das características do universo da Turma da Mônica -revisitadas- e das histórias místicas de capa e espada.

                                                              ***

Este segundo número, tal qual um mangá tradicional, continua do ponto onde parou a edição anterior.

Os agora adolescentes Mônica, Cebolinha (que só troca o "r" pelo "l" quando fica nervoso), Cascão e Magali são transformados em guerreiros e levados a outra dimensão, Mavidele.

A missão é recuperar uma série de objetos místicos para salvar os pais de cada um deles, mantidos presos por Yuka, uma feiticeira oriental (outro diálogo com o mangá).

Os quatro personagens recebem equipamentos especiais para cumprir as tarefas. Mônica ganha arco e flechas, Cebolinha, escudo e espada, Cascão, um manto de camuflagem e Magali, um livro mágico.

                                                               ***

Para quem já viu o desenho animado "Caverna do Dragão", há muita semelhança.

O resultado obtido por esta nova edição de "Turma da Mônica Jovem" é uma narrativa carregada de ação, mesclada por várias pitadas de situações cômicas, acentuadas pelo traço do mangá.

A aventura, a exemplo da seqüência anterior, continua no terceiro número.

Leia resenha sobre o número de estréia da série neste link.

E veja aqui o que mudou nos personagens na nova versão.

                                                              ***

Serviço - Lançamento de "Turma da Mônica Jovem" 2. Quando: sexta-feira (03.10). Horário: 19h30. Onde: Livraria Saravia do Santana Parque Shopping. Endereço: Rua Conselheiro Moreira de Barros, 2.780, São Paulo. Quanto: R$ 6,40.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h07
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01.10.08

Desenhos são ponto alto do primeiro álbum solo de Rafael Grampá

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Mesmo Delivery", obra em quadrinhos que tem lançamento nesta quinta-feira à noite, em São Paulo

 

 

 

 

 

 

 

 

O gaúcho Rafael Grampá faz parte de um seleto grupo de quadrinistas que caiu nas graças da mídia cultural brasileira. É algo que ocorre também com Neil Gaiman, de "Sandman", e Alan Moore.

Antes mesmo do lançamento de "Mesmo Delivery", primeiro álbum solo de Grampá, ele já ganhava destaque no cadernos de cultura dos grandes jornais.

Esse prematuro ar pop atribuído ao desenhista aumentou as expectativas de leitura do álbum, lançado -agora de fato- nesta quinta-feira à noite, em São Paulo (Desiderata, 56 págs, R$ 39,90).

Apesar do ar que se criou em torno da obra, cabe a ela falar por si. E o que o trabalho traz é uma narrativa que seduz o leitor. Mas principalmente por conta dos desenhos.

                                                             ***

A arte de Rafael Grampá é o ponto alto deste primeiro trabalho longo feito por ele.

A parte visual é algo para se observar. E observar novamente. E são essas imagens que irão ficar na retina e na mente do leitor.

Detalhadas, provocantes, inovadoras, violentas, com estilo próprio e marcante.

Os desenhos dele, de fato, fazem jus à repercussão precoce que conquistou.

A arte é tão diferenciada que até ofusca a história mostrada por meio dela.

 

 

"Mesmo Delivery" não traz personagens profundos ou diferentes núcleos narrativos a serem articulados. Não.

O que o álbum traz é um conto. Um conto de violência. Extrema. E acentuada pelo traço cinematográfico do desenhista e diretor de arte, que hoje mora em São Paulo.

O conto em quadrinhos mostra um caminhoneiro grandalhão que tem de fazer uma entrega misteriosa. Não saber qual era a carga fazia parte do negócio.

No caminho, faz uma parada num bar. Arruma uma briga e tem início o cenário de violência criado visualmente por Grampá.

                                                             ***

Os desenhos, mais do que a história, fazem jus à expectativa criada em torno de Rafael Grampá e consolidada com a conquista do Eisner Awards, em julho.

Ele ganhou o prêmio norte-americano na categoria melhor antologia.

Foi pelo trabalho na revista independente "5", feita com Becky Cloonan, Vasilis Lolos e com os brasileiros Gabriel Bá e Fábio Moon.                                                     

A conquista do Eisner Awards -o principal da indústria norte-americana de quadrinhos- foi devidamente registrado, com um adesivo, no canto superior direito da capa de "Mesmo Delivery" (embora não apareça na versão mostrada no início desta resenha).

Isso diferencia a versão brasileira da norte-americana, lançada lá em julho passado. A história, inclusive, dialoga mais com o leitor de lá por ser ambientada nos EUA.

                                                             ***

Há quem aproxime Rafael Grampá de Lourenço Mutarelli, outro quadrinista e agora escritor que, meritoriamente, conseguiu atrair a atenção da mídia cultural brasileira.

É Mutarelli quem assina o prefácio do álbum. No texto, com ar literário, ele assume uma paternidade criativa de Grampá, nascida junto com as palavras da introdução.

No texto, Grampá cria um conto correto. Mas nada mais que isso. Ainda não se iguala aos álbuns em quadrinhos criados por Mutarelli.

Nos desenhos, a história é outra. Talvez tenham até superado os trabalhos anteriores do "pai coruja", como Mutarelli rotula a si próprio no prefácio.

Fica para os próximos trabalhos falarem, novamente, por si. 

                                                             ***

Serviço - Lançamento de "Mesmo Delivery", de Rafael Grampá. Quando: quinta-feira (02.10). Horário: 19h; Onde: Livraria Pop. Endereço: Rua Doutor de Virgílio de Carvalho Pinto, 297, São Paulo. Quanto: R$ 39,90.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h21
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