29.05.09

A maré virou. E os quadrinhos se salvaram do naufrágio discursivo

O barco que conduzia as histórias em quadrinhos no maremoto midiático enfrentado na semana passada revelou-se mais sólido do que se esperava. Tanto que resistiu à forte maré.

Houve alguns arranhões, é verdade. Mas nenhum morto. E os passageiros mostraram a quem os via - e ainda não os entendia - que não eram aquilo que a maioria imaginava.

Falavam palavrões às vezes. Havia também alusões a sexo. E menções irônicas ao PCC, a facção criminosa Primeiro Comando da Capital, que atua nos presídios paulistas.

Mas o barco persistiu. O mar se acalmou. O tsunami foi estourar na grande navegação. Esta gritava na mídia que o barquinho trazia somente pessoas de muito mau gosto.

                                                            ***

As primeiras ondas estouraram no jornal "Folha de S.Paulo" no último dia 19. Um livro em quadrinhos trazia palavrões e alusão a sexo. E foi indicado a crianças de nove anos.

A obra, "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", foi comprada pelo governo de São Paulo e seria distribuída às escolas do ensino fundamental. Foi recolhida.

Não demorou para que houvesse, na mídia e no governo, uma associação do problema à má qualidade dos quadrinhos, e não à falha na seleção, assumida inclusive pelo Estado.

Poucas horas após a publicação, ouvia-se na TV que se tratava de um horror. Jornalista atônita se dizia indignada por ser mãe e temer que um filho tenha contato com aquilo.

                                                           ***

À noite, outra jornalista, também na televisão, dizia que se tratava de uma obra em quadrinhos, mas que não tinha nada de infantil.

Montava-se em programas de TV e na imprensa escrita o discurso de que quadrinhos são feitos exclusivamente para crianças. E Dez na Área seria ruim por fugir a isso.

O argumento tinha solo fértil na má preparação de parte dos jornalistas. E na conveniência do governo, que desviava o foco para os quadrinhos, e não para a falha interna.

Desmontando esse discurso: a premissa é equivocada. Quadrinhos não são feitos exclusivamente para crianças. Isso ocorre no Brasil há pelo menos 140 anos.

                                                          ***

Houve outros apresentadores que comentaram, aqui e ali, que se tratava de pornografia ou um horror.

São frases que reproduziam acriticamente o discurso noticiado pouco antes pelos outros veículos midiáticos. Criticava-se uma obra que ninguém  tinha lido. Uma bola de neve.

No dia seguinte, a ressaca continuou. A mesma Folha noticiava que uma das histórias fazia alusão ao PCC. O autor da narrativa, Lelis, não foi ouvido na reportagem.

O mesmo havia ocorrido na véspera com o organizador de Dez na Área, Orlando Pedroso. Ele e Lelis expuseram o outro lado - obrigação do jornalismo - no dia 20, aqui no blog.

                                                           ***

A entrevista com Orlando ganhou capa na página principal do UOL no mesmo dia. No blog "Gibizada", Telio Navega ouviu a opinião de outros desenhistas do álbum.

Paralelamente, uma corrente virtual se organizava para marcar posição. No Twitter, as mensagens de 140 caracteres eram repassadas para o endereço de José Serra.

Eram sinais virtuais de que o barquinho iria resistir à turbulência real.

Na sexta-feira, artigo na Folha - assinado por mim e pelo professor da Universidade de São Paulo Waldomiro Vergueiro - registrava o óbvio: quadrinhos são também para adultos.

                                                           ***

No mesmo dia, o colunista da Folha Xico Sá escrevia que seria uma incoerência falar de futebol sem registrar os palavrões. Marcelo Tas foi na mesma linha em seu blog.

No domingo, o ombudsman da Folha dedicou a coluna aos quadrinhos. E defendeu que os autores foram vistos de forma estritamente negativa pelos leitores. A maré virava.

Houve também - é importante registrar - ensaios de outros discursos.

Uma filósofa defendeu que a inserção dos quadrinhos no ensino priorizava a leitura do entretenimento em detrimento da "verdadeira cultura", da qual a grande massa seria privada.

                                                             ***

Numa das semanais, uma educadora, também vinculada a uma grande universidade paulista, defendeu que Dez na Área seria impróprio mesmo sem os palavrões.

No entender dela, "a superposição de texto e imagem confunde quem ainda está aprendendo a ler."

Desmontando o argumento filosófico: é muito subjetiva a expressão "verdadeira cultura", algo vinculado a uma elite intelectual que dita ou que é ou não cultura. 

Desmontando o argumento pedagógico: há estudo de 2004 realizado no México que vê na imagem elementos positivos no processo de leitura da criança. O tema é consenso também entre os teóricos contemporâneos das áreas de literatura infantil e de letramento visual.

                                                           ***

É importante reforçar que, apesar dessas opiniões pontuais contrárias, o discurso inicial já havia mudado cinco dias depois. O barco já navegava em águas mais calmas.

Nesta semana, quando foi noticiado que uma obra de poemas selecionada pelo mesmo programa estadual também trazia conteúdo impróprio, o foco já estava na falha da seleção.

Desmontado o discurso inicial de que quadrinhos não são exclusividade de crianças e havendo reincidência, o governo se viu vazio de argumentos. Prevaleceu a falha.

E, expondo a falha, viu-se que a situação era ainda mais precária do que se imaginava.

                                                            ***

Em entrevista à Folha nesta sexta-feira, o secretário estadual de Educação, Paulo Renato Sousa, disse que iria mudar a forma de seleção. Usaria, agora, especialistas.

Primeiro pressuposto: antes, a seleção não tinha sido feita por especialistas. E não foi mesmo, segundo o próprio secretário. Palavras dele à Folha:

"Quem fez a seleção foi a mesma comissão que trabalhava no município, constituída de professores da rede municipal vinculados à coordenação do programa, mais alguns professores contratados especialmente para isso."

Outro pressuposto: se houve falha, segundo assumiu o próprio Estado, e se sabe quem fez a seleção, por que demora um mês a sindicância para apurar o que ocorreu?

                                                            ***

A entrevista do secretário não responde também a outro ponto: quais foram os critérios de seleção utilizados?

Em entrevista na quinta-feira de manhã à rádio CBN, Paulo Renato Sousa não soube dizer quais eram esses critérios. E desconversou parte das perguntas.

Também reiterou que as demais 816 obras selecionadas eram aptas para as crianças.

Na semana passada, o governo usou frase parecida: as demais 817 obras selecionadas eram de qualidade. Uma delas não era. Isso já conotava desconhecimento do tema.

                                                            ***

O dado que precisa ser explicitado é que houve uma mudança de discurso. Os quadrinhos deixaram de ser os vilões da história. O foco passou a ser a falha na seleção.

Não são raros no Brasil casos que trazem à tona preconceitos adormecidos sobre as histórias em quadrinhos. A trajetória da linguagem no país é farta de exemplos disso.

Mas o que singulariza essa polêmica é que se viu na discussão uma oportunidade rara de posicionamento ante à forte corrente contrária. E a maré virou. Pró quadrinhos.

É fato raro na história da história em quadrinhos brasileira. Ocorreu uma sobreposição de discursos. Um deles ainda carregado de preconceito. Prevaleceu o outro discurso.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h50
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27.05.09

Aberta temporada 2009 de adaptações literárias

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Jubiabá de Jorge Amado", adaptado por Spacca, álbum que começou a ser vendido nesta semana 

 

 

 

 

 

 

 

A versão em quadrinhos de "O Pagador de Promessas", lançada no meio do mês pela Agir, dá início a uma série de adaptações literárias que começa a chegar ao mercado.

Nos últimos dias, duas outras chegaram às livrarias e lojas de quadrinhos: "Jubiabá de Jorge Amado" e "A Luneta Mágica", da obra de Joaquim Manuel de Macedo.

A primeira é um dos quatro títulos que inauguram o Quadrinhos na Cia., novo selo da Companhia das Letras. A outra é a estreia da Panda Books nesse filão.

Na próxima sexta-feira, há o lançamento de uma quarta obra do gênero: "O Guarani".

                                                           ***

Os autores dos quatro álbuns são conhecidos e respeitados na área do quadrinho nacional. Eloar Guazzeli, Spacca, Carlos Patati, Marcio de Castro, Ivan Jaf e Luis Gê.

Gê merece registro especial. Está há anos longe dos quadrinhos. Ele era um dos mais detacados quadrinistas brasileiros da década de 1980, mesma geração de Angeli e Laerte.

Os nomes envolvidos - e a façanha de dar fim à adiada volta de Gê - já sinalizam que se trata de um mercado aquecido no tocante a títulos do gênero literatura em quadrinhos.

É um assunto que tem tido bom eco na mídia, que encontrou - e irá encontrar uma vez mais - boas pautas nas versões quadrinizadas, como se fosse algo inédito no país.

                                                            ***

O que a mídia talvez não noticie é o que está por trás dessa ebulição editorial. O interesse são as listas do governo, que levam quadrinhos para a escola (às vezes sem ler).

A principal é a do PNBE, Programa Nacional Biblioteca da Escola, do governo federal. O edital de concorrência dá especial atenção às adaptações.

Esse direcionamento é percebido nas próprias obras. Algumas - caso de "O Guarani" e de "A Luneta Mágica" - trazem apêndices com explicações ou práticas de ensino.

O diálogo primário da obra não é tanto com o leitor de quadrinhos ou com o potencial aluno. É com o governo e com o professor.

                                                            ***

Essa percepção já foi mapeada também na literatura infantil, como lembra a professora universitária Magda Soares, no livro "Literatura Infantil: Políticas e Concepções", de 2008.

Segundo ela, ocorre uma vinculação com o docente, o real leitor pretendido pelo catálogo.

As editoras, como toda empresa, objetivam fazer bons negócios e ter lucro. E as adaptações têm se mostrado uma aposta rentável, se vendidas ao governo.

Enxergar as adaptações como negócio não significa que o produto seja de má qualidade. Ao contrário: os trabalhos vêm se aprimorando a cada novo álbum.

                                                           ***

As quatro obras lançadas neste mês são apenas o começo. A Ática, de "O Guarani", tem na gráfica uma versão de "O Cortiço" (adaptado por Ivan Jaf e Rodrigo Rosa).

A editora prepara também álbuns de "Memórias de um Sargento de Milícias" (por Jaf e Rosa) e de "Triste Fim de Policarpo Quaresma" (por Luiz Antonio Aguiar e Cesar Lobo).

A Agir tem uma adaptação de "Os Sertões" (por Carlos Ferreira e Rosa) pronta há mais de um ano. Tem outras duas em produção. Isso sem falar nas surpresas, que sempre surgem.

E podem esperar por elas. As editoras, em especial as que não investiam em quadrinhos até então, estão à cata de desenhistas. Pelo menos um já fechou contrato.

                                                           ***

A pergunta que talvez deva ser feita é que impacto isso terá para o mercado de quadrinhos nacional e para a produção realizada no país.

Um lado positivo já se vê: editoras pagando autores brasileiros para produzir álbuns, mesmo que sejam pautados em romances. É algo que não se via. Há autores bem empolgados.

No que tange à leitura em si, há pelo menos dois pontos de vista levantados, já lidos em artigos diferentes. Um é positivo, outro, negativo.

O positivo: os quadrinhos tornam o conteúdo de um romance mais atraente ao aluno. O negativo: tais produções afastam os estudantes da obra original.

                                                            ***

Talvez ambos os olhares tenham razão. Os quadrinhos tendem a ser uma linguagem mais sedutora aos estudantes das séries iniciais. A literatura infantil goza do mesmo apelo.

Isso não significa, no entanto, que a adaptação deva substituir a versão original. Além de ser mais barata que os álbuns em quadrinhos, é essencial para o processo de formação.

A tendência daqui para a frente é que haja uma saturação de adaptações. Mas o saldo, parece, será favorável. Elas estão abrindo espaço para os quadrinhos na escola.

É preciso que editoras e governo já comecem a enxergar o próximo passo: o uso de obras autorais nacionais no ensino como forma de leitura. O caminho, creio, passa por aí.

Escrito por PAULO RAMOS às 00h19
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26.05.09

Revista de Tina dialoga com novo perfil de leitor

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Primeiro número da revista mensal começou a ser vendido nesta semana nas bancas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A revista "Tina" segue a tendência dos Estúdios Mauricio de Sousa de conquistar novos leitores. No caso, o público que deixou de ser infantil e começa a entrar na adolescência.

A busca por outra fatia de mercado está tanto no formato quanto no conteúdo da obra, que começou a ser vendida nesta semana nas bancas (Panini, 52 págs., R$ 3,90).

O tamanho da revista é maior que o dos demais títulos infantis da Turma da Mônica. Foi produzido na mesma medida usada nas revistas de super-heróis.

A parte interna mescla as cinco histórias em quadrinhos - uma terá continuação - com um blog da personagem e uma seção de entrevistas também "feita" por ela.

                                                           ***

A primeira conversa é com a Mônica real, filha de Mauricio de Sousa, hoje diretora das empresas do pai.

Tina se tornar entrevistadora tem a ver com o fato de ela ser uma estudante de jornalismo. A personagem vive desde o ano passado uma nova roupagem editorial.

As primeiras experiências com o novo molde foram tateadas no ano passado na minissérie "Tina e os Caçadores de Enigmas - Triângulo das Bermudas".

Além do tom de aventura, outra mudança foi no desenho de Rolo, integrante da trupe de amizades dela. O rosto dele foi repaginado e se tornou um pouco mais realista.

                                                           ***

O mesmo Rolo lido na minissérie é reapresentado agora nesta revista mensal. E deve causar estranheza em quem estava acostumado a ler as histórias infantis dele.

O apelo do título, no entanto, ainda é a personagem-título. Tina nem de longe lembra a hippie dos anos 1970. Deixou de ser prafrentex para se tornar irada.

A presença de Tina direciona o título, em especial, ao público feminino. Como projeto editorial, a busca por novos públicos é uma forma de expandir as publicações de Mauricio.

Mas a revista peca, pelo menos neste número de estreia, na qualidade dos roteiros. É o mesmo senão visto em "Turma da Mônica Jovem", que já conquistou novos públicos.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h28
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24.05.09

Livro sobre Tex reconta trajetória editorial brasileira

 

Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Obra sobre o personagem italiano serve para relatar também os bastidores das editoras de quadrinhos brasileiras 

 

 

 

 

 

 

 

O destaque de "O Mocinho do Brasil - A História de um Fênomeno Editorial Chamado Tex" (Laços, 208 págs., R$ 39,90) é, sem dúvida, o personagem de faroeste.

O livro, escrito pelo jornalista Gonçalo Junior, é feito sob medida para os fieis fãs do caubói, criado na Itália em 1948. Reconta em detalhes a trajetória de Tex no Brasil.

Mas, em meio às sucessivas migrações editoriais da criação de Gian Luigi Bonelli e Aurelio Galleppini, pode-se perceber um outro interesse na obra.

A vida brasileira do personagem se confunde com a história editorial do país. E essa é outra contribuição que o livro dá.

                                                           ***

Os bastidores das editoras de quadrinhos brasileiras já foram narrados por Gonçalo Junior em outra obra sua, "A Guerra dos Gibis", publicada pela Companhia das Letras.

Ainda é a principal referência sobre o assunto e preenche um vácuo que existia sobre esse período, tão pautado por preconceitos e disputas entre os editores.

Os primórdios da consolidação dos quadrinhos no país tiveram nas figuras de Adolfo Aizen e Roberto Marinho dois de seus principais protagonistas.

Parte desse momento editorial é relembrada e aprofundada nesta nova obra. Um dos motivos é que a entrada de Tex no Brasil se deu pelas mãos da empresa de Marinho.

                                                            ***

A estreia do caubói ocorreu em janeiro de 1951, no número 28 da revista semanal "Júnior", editada pelo grupo de Marinho. De início, foi chamado de Texas Kid.

O personagem foi publicado até 1958, quando a revista foi cancelada. Nesse meio tempo, o leitor pôde ler não só as primeiras aventuras dele, mas também da RGE.

O selo da Rio-Gráfica Editora, de Marinho, foi estampado pela primeira vez na capa de "Júnior" no número 160. A informação é destacada no livro e também nos anexos.

No fim da obra, o autor reproduz em cores todas as capas de "Júnior". Presta um serviço a pesquisadores e fãs. O material é raro e restrito apenas a poucos colecionadores.

                                                             ***

Depois dessa primeira aventura editorial, Tex voltou a ser publicado em 1971, pela Vecchi, em revista própria. Ficou na nova casa, com sucesso, até 1983.

A falência da empresa e um olhar atento do staff de Marinho levaram o caubói de novo para a RGE. Na antiga nova casa, o número de títulos de Tex aumentou.

O personagem migrou uma vez mais de grupo editorial na virada do século, passando para a Mythos, onde está até hoje.

A editora paulista inflou ainda mais a quantida de revistas de Tex nas bancas. Neste mês de maio, são quatro títulos postos à venda.

                                                            ***

O subtítulo do livro faz alusão ao fenônemo editorial de Tex no Brasil, país cuja economia instável afundou várias apostas editoriais.

O fenômeno é que a revista do personagem se manteve firme mesmo diante das turbulências. É publicada de forma ininterrupta desde 1971. Poucas que consegiram isso.

Isso releva a existência de um público fiel, renovado ao longo do tempo. De fato, é um fenômeno pouco destacado pela imprensa, fato que o livro evidencia e corrige.

A importância de Tex no Brasil ganha ainda mais relevância quando vista à luz da trajetória editorial do país. É tema de importância. E não só para os fãs do caubói italiano.

                                                            ***

Nota 1: Uma adaptação de Tex para o cinema foi lançada recentemente no Brasil. "Tex Willer e os Senhores do Abismo" é de 1985 e traz Giuliano Gemma no papel do caubói.

Nota 2: Gonçalo Junior lança outro livro neste mês, uma biografia do desenhista Flavio Colin. A obra (R$ 13) é da Marca de Fantasia e é vendida no site da editora.  

Escrito por PAULO RAMOS às 13h05
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19.05.09

HQ gera polêmica. E evidencia visão estreita sobre os quadrinhos 


 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 


Álbum em quadrinhos com histórias de futebol traz palavrões e foi comprado pelo governo de SP para ser levado à escola

 

 

 

 

 

 

 


É necessário analisar de forma mais crítica e contextualizada a reportagem veiculada na edição desta terça-feira do jornal "Folha de S.Paulo".

A matéria, intitulada "SP distribui a escolas livro com palavrões", revela que o governo de São Paulo comprou um álbum em quadrinhos com palavrões e conteúdo sexista.

"Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol", da editora Via Lettera, seria distribuída a alunos da terceira série do ensino fundamental.

Segundo a reportagem, assinada pelo jornalista Fábio Takahashi, o livro "é recheado com expressões como ´chupa rola´, ´cu´ e ´chupava ela todinha.´

                                                           ***

A obra integra um lote de 818 títulos comprados para um programa chamado Ler e Escrever, que tem como proposta estilumar a leitura. 

Do livro da Via Lettera, o governo encomendou 1.216 exemplares. A obra é de 2002. A editora disse que apenas atendeu ao pedido de impressão feito pelo governo.

O governo do Estado informou à Folha que houve um erro na escolha, "pois o material é inadequado para alunos dessa idade". A obra foi recolhida.

A Secretaria de Educação também irá instaurar uma sindicância para apurar como se deu o processo de seleção. A previsão do governo é que o resultado saia em 30 dias.

                                                           ***

A história mais criticada, segundo a reportagem, seria a que encerra o álbum, de autoria de Caco Galhardo.

O desenhista criou uma mesa-redonda sobre sexo, feita nos moldes dos programas esportivos exibidos aos domingos à noite. Há, de fato, palavrões e conteúdo sexista.

Galhardo foi ouvido pela reportagem da Folha. Segundo ele,  a história não foi feita para ir à escola e a pessoa que fez a seleção "não leu o livro".

"Há um movimento de se colocar quadrinhos nas aulas, porque é uma linguagem acessível para a molecada. Fiz uma adaptação do Dom Quixote que foi para várias escolas. Mas os caras têm de ter critério para ver qual quadrinho colocar. Nessa eu tirei sarro de uma mesa-redonda. "

                                                           ***

O caso tenta fazer uma ponte com outra polêmica protagonizada pela Secretaria de Educação do governo José Serra.

Em março, reportagem do mesmo jornal revelou que alunos da sexta série receberam material em que o Paraguai aparece duas vezes num mapa. 

O caso levou à queda da então secretaria, Maria Helena Guimarães de Castro. Foi substituída pelo ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza.

São situações que conotam equívocos. Inclusive no modo como foi noticiado. Há o sério risco de se transformar exceção em regra.

                                                            ***

É fato que um livro com palavrões, em quadrinhos ou não, é inadequado a alunos de terceira série? É. Há a necessidade de uma maturação maior para ler obras assim.

Mas não se pode pensar que palavrões sejam sinônimo de má qualidade. O que seria do filme "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, sem tais termos.

"Meu nome é Zé Pequeno, porra!", disse um dos protagonistas do longa, em um dos clímax narrativos da produção. E não incomodou ninguém.

O mesmo pode ser dito da literatura marginal. Ou de peças como "Caixa 2", de Juca de Oliveira. Palavrões servem como recurso para caracterizar os personagens.

                                                            ***

Outra ponderação é que não se pode transformar exceção em regra. O recurso faz parte do modus operandi da imprensa e precisa ser lido de forma crítica.

"Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol" não é "recheado" com palavrões, ao contrário do que informa a reportagem. Eles aparecem em quatro das 11 histórias.

Ou seja: os termos dito chulos aparecem em 36,36% da obra. Menos da metade, portanto.

E, dado o contexto das histórias e o estilo dos autores - um deles é Allan Sieber -, são mais do que pertinentes.

                                                           ***

A reportagem da Folha também não registra dois dados. O primeiro é que a obra foi organizada por Orlando, um dos ilustradores do jornal.

O prefácio foi feito pelo ex-jogador Tostão, um dos colunistas da Folha. O fato também não foi mencionado. Tostão fala bem da obra. São dele as palavras a seguir.

"O desenho e as poucas palavras - ou nenhuma - informa, analisam e nos divertem."

"Faltava um obra como essa para crianças e adultos. Muitos leitores de futebol já estão cansados de análises técnicas dos comentarias esportivos, como eu. Você vai adorar!"

                                                           ***

Outro perigo de generalização é a forma como o assunto vai ecoar no restante da imprensa nesta terça-feira. Em geral, jornalistas desconhecem quadrinhos.

A questão que fica é qual será o enfoque da pauta. Livro comprado pelo governo paulista traz palavrões ou história em quadrinhos comprada pelo governo traz palavrões?

Nos dois casos, os quadrinhos inevitavelmente irão compor as matérias. Afinal, a obra criticada foi feita nessa linguagem.

O risco é, como dito, o da generalização. Na cabeça de muitas pessoas, que lerão, ouvirão ou assistirão a tais reportagens, quadrinhos podem ser vistos de forma depreciativa.

                                                             ***

É um discurso herdado da década de 1940 em diante e que persiste, porém adormecido. É um olhar que enxerga os quadrinhos como produto infantil ou de baixa qualidade.

Percebe-se isso nos detalhes. Um caso são reportagens que iniciam o texto com lugares-comuns como "quadrinhos já não são mais coisa de criança". Li uma assim em 2008.

Pode ser, claro, que a generalização não ocorra neste caso.

Mas as chances em contrário são grandes.

                                                            ***

Se ocorrerem, a entrada dos quadrinhos na sala de aula pode retroceder alguns passos.

E reforçaria o olhar de quem enxerga nas adaptações literárias a forma mais aceitável de presença dos quadrinhos no ensino.

Isso, sim, seria um erro. Erro que esconderia as reais falhas dos processos seletivos feitos pelos governos, tanto estadual quanto federal.

E os quadrinhos e seus autores seriam os culpados, os laranjas da história. De novo.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h27
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17.05.09

Duas obras diferentes. Mas com o mesmo estilo de Milo Manara

 

Crédito: reprodução   Crédito: divulgação 

 

Depois de ser incorporada pela IBEP/Companhia Editora Nacional, a Conrad tirou o atraso dos lançamentos, que vinham sendo adiados desde o ano passado.

A editora pôs no mercado nos últimos dois meses, numa tacada só, uma série de álbuns nacionais e estrangeiros. De Milo Manara, foram duas obras.

"Clic 4", lançado agora em maio, e "Verão Índio, vendido desde o mês passado, trazem histórias bem diferentes. Mas têm em comum o estilo marcante do desenhista italiano.

Não importa tanto qual seja o teor da trama. Ele dá um jeito de destacar mulheres em situações provocantes e sensuais, características que o tornaram famoso.

                                                           ***

Seria de estranhar se o estilo que marcou Manara não estivesse presente à exaustão nesta sequência de "Clic" (56 págs., R$ 24,90). O tom erótico é a marca da série.

Um aparelhinho, quando acionado, consegue aumentar o nível de excitamento de Claudia Christiani, a protagonista dos álbuns e também desta quarta parte.

Ela volta à vida da alta sociedade, agora casada com um influente advogado. Ele defende uma poderosa indústria química, acusada de usar metanol em alimentos.

Como consequência, várias pessoas perderam a visão. Inclusive o pai de Angelina, moça provocante que pretende usar a tal maquininha em Claudia para chantagear o advogado.

                                                           *** 

Mas, dada a premissa básica da obra, o enredo é o que menos vai interessar ao eventual leitor. O que ele procura são mesmo os desenhos provocantes de Manara. 

Tanto que não só o corpo da protagonista é fartamente explorado. Angelina é mostrada à exaustão nas mais diferentes posições, explicitamente ginecológicas.

E, quando um homem entra no quarto, Angelina faz questão de registrar: "Estou sem calcinha! Já vou avisando!". Pura provocação, claro.

Este quarto capítulo mostra que a série já perdeu muito da novidade inicial e começa a se desgastar. Mas há o atrativo de ser a única parte ainda inédita no Brasil.

                                                           ***

Ao contrário de "Clic", "Verão Índio" (152 págs., R$ 49,90) tem uma preocupação maior com a narrativa. O texto é escrito por Hugo Pratt, autor da série "Corto Maltese".

Desde que foi lançada, a obra tem sido incensada por críticos e pela imprensa mais do que deveria. Tem um texto correto. Mas nada mais que isso.

O destaque é mesmo a parceria entre Pratt e Manara. É o segundo trabalho conjunto dos dois autores. O outro "El Gaucho", foi publicado no Brasil em 2006, também pela Conrad.

"Verão Índio" inicia com uma jovem sendo violentada por índios. Os agressores são mortos por Abner, filho de uma enigmática e corajosa mulher.

                                                            ***

A moça é levada à cabana da família, que passa a se preparar para a vingança dos índios. É o mote central da história, que revela aos poucos segredos sobre os personagens.

Embora seja uma trama de mistério, ação e vingança, o estilo de Manara inclui um quarto elemento ao enredo de Pratt: o erotismo.

A sensualidade e a nudez do corpo feminino estão na jovem vítima de agressão, também nas formas e atitudes da provocante Phillis, irmã de Abner.

São as marcas do estilo de Manara. É o que o tornou mundialmente conhecido e o que ele desenha melhor. E o que deve atrair os leitores aos dois álbuns da Conrad.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h23
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13.05.09

Álbum reúne histórias em quadrinhos inspiradas na trilogia Matrix

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Obra traz 12 contos sobre o mundo fictício criado no cinema pelos irmãos Wachowski 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Tome como base o universo criado em torno dos filmes da série "Matrix", dos irmãos Larry e Andy Wachowski, e faça uma história em quadrinhos com base no que viu.

A frase sintetiza a proposta feita aos autores que integram "The Matrix Comics", que começou a ser vendido neste mês em lojas de quadrinhos (Panini, 164 págs., R$ 42).

Este primeiro volume traz 12 histórias curtas, feitas por nomes conhecidos do mercado norte-americano de quadrinhos.

O dado curioso é que todos preservam o estilo narrativo que os tornou reconhecidos.

                                                           ***

O inglês Neil Gaiman é um bom exemplo. O escritor, que hoje enveredou para o campo da literatura, construiu a história na forma de um conto curto.

As ilustrações apenas servem para acompanhar o texto do criador da série "Sandman".

Bill Sienkiewcz é outro caso. O traço estilizado dele, composto por rajadas de luz mescladas a um desenho próprio, é revisitado, agora no universo da Matrix.

Até Peter Bagge se repete. O tom irônico de seu traço é reconstruído numa história curta, de três páginas, que mostra a saída de jovens de uma sessão do filme.

                                                           ***

Afora a presença do estilo de cada autor, a coletânea consegue cumprir a meta, a de trazer novas tramas baseadas nos longas-metragens.

Como normalmente ocorre numa coletânea, a qualidade das histórias varia muito. Há sacadas melhores, outras piores. Caberá ao leitor eleger as que preferir.

Mesmo sendo uma escolha mais subjetiva, duas parecem se destacar. Uma, curiosamente, foi feita antes da trilogia, exibida em 1999 e 2003 (os dois últimos da série).

É a que abre o álbum e tem roteiro dos irmãos Wachowski. É semelhante ao conto "Eu, Robô", de Isaac Asimov. Uma vida artificial tem de se defender de um assassinato.

                                                           ***

Os desenhos da história dos Wachowski é do detalhista Geof Darrow. O desenhista criou o visual da série para o cinema e é um parceiro antigo da dupla de criadores.

Outro destaque da coletânea é uma história escrita e desenhada por David Lapham, conhecido entre os leitores brasileiros pelos álbuns de "Balas Perdidas", da Via Lettera.

Um homem entra na Matrix - mundo artificial criado por máquinas que aprisiona os humanos - e fica abandonado. A nave dele, saída para o mundo real, foi atacada.

O restante da tripulação morreu. O corpo dele fica à espera de um resgate. A mente, no entanto, permanece viva e atuante na Matrix. O impacto disso é o mote da trama.

                                                            ***

Há outros quadrinhos - e não só quadrinhos - baseados em Matrix. O subtítulo "volume 1" evidencia isso ao comprador. Se a obra prosperar, é de se esperar outra.

O elenco de autores é um dos atrativos, nem que seja para revisitá-los. Alguns não têm histórias publicadas no Brasil há anos.

Outro interesse pela publicação é secundário. Ela retoma um tema caro à história dos quadrinhos e que tem, hoje, poucas produções lançadas no Brasil: a ficção científica.

Mesmo se descartada a referência quase obrigatória aos filmes, ainda assim o leitor tem a rara oportunidade de ler quadrinhos do gênero de Flash Gordon e Buck Rogers.

Escrito por PAULO RAMOS às 23h40
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09.05.09

Sabor da Café Espacial fica mais refinado a cada nova xícara

 

Crédito: reprodução do site da Café Espacial

 

 

 

 

Quarto número da revista será lançado hoje à noite em São Paulo 

 

 

 

 


A tarefa de degustação da "Café Espacial" fica mais interessante a cada nova xícara.

Este quarto café - que será servido aos fregueses neste sábado à noite, em São Paulo - tem aroma e paladar refinados.

O sabor, o cliente verá, é ainda melhor que o anterior, servido em novembro do ano passado. A produção continua sendo feita de forma independente.

Pelo que se pode ver de longe o que acontece por dentro da cozinha, o segredo do chef é caprichar na aparência externa e dar pitadas de diferentes partes do país no conteúdo.

                                                           ***

O cartão de visitas do café é mostrado num cardápio ilustrado duplo, desenhado por Shiko. É o mesmo mostrado na abertura desta resenha. Ganha a clientela já na primeira olhada.

O gosto é para ser saboreado aos poucos. Percebe-se que a maior parte dos igrãos é produzida no estado de São Paulo, região do país onde mora o chef, Sergio Chaves.

São de lá também alguns dos garçons, Sueli Mendes, Mario Cau e Daniel Esteves.

Esteves, especificamente, volta a servir no formato de "Nanquim Descartável". É um pedido muito solicitado pelos fregueses desde 2008. Mas que tem demorado a chegar.

                                                          ***

Degustando um pouco mais, sentem-se elementos do Paraná, da Paraíba, do Rio de Janeiro também.

Foram trazidos, respectivamente, por Allan Ledo, Shiko, Vinícius Mitchell e Fábio Lyra, o mesmo que trabalhou no restaurante Desiderata com o premiado prato "Menina Infinito".

Junto com o café, o chef serve também alguns textos para serem lidos durante a bebida. Um fala sobre cinema, outro sobre uma banda da Grande São Paulo, ambos com fotos.

O serviço completo custa R$ 5. Vale? Vale, embora o sabor do café ainda não esteja uniforme e precise de ajustes. Mas melhora a cada nova xícara, é justo reconhecer.

                                                           ***

Serviço - Lançamento do quarto número de "Café Espacial". Quando: hoje (09.05). Horário: a partir das 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 5. A revista pode ser comprada também na página da "Café Espacial".

Escrito por PAULO RAMOS às 01h04
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07.05.09

Álbum de Marcello Quintanilha traz contos em forma de HQs

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

"Sábado dos Meus Amores", novo álbum do quadrinista, começou a ser vendido neste mês

 

 

 

 

 

 

 

Viver fora da terra natal ajuda a perceber melhor as próprias raízes. O olhar distante, saudosista, transforma-se num observador privilegiado, que vê de fora algo difícil de enxergar de dentro da cultura de origem.

A premissa - inspirada no modo de atuação dos antropólogos - ajuda a entender o que se lê em "Sábado dos Meus Amores", que começou a ser vendido neste mês.

O autor, o fluminense Marcello Quintanilha, mora há alguns anos na Espanha. Lá, produz álbuns da série "Sept Balles pour Oxford", da editora belga Editions du Lombard.

E é de lá que criou também os seis contos brasileiríssimos que compõem esta nova obra da Conrad (Conrad, 64 págs., R$ 39). Ele pode estar longe do país. Mas ainda o retrata bem.

                                                           ***

O interesse de Quintanilha é narrar situações corriqueiras, cenas comuns do dia-a-dia vividas pelos milhões de brasileiros, vertidas em contos fictícios. 

A escolha temática conduz o leitor ao que se passa na periferia do Brasil. E com um olhar carregado de um realismo fora do comum.

Os diálogos, os rostos expressivos, os personagens, os cenários. Tudo é realisticamente representado no modo de narrar dele. Mais do que um recurso, é um estilo.

E, mais do que um estilo, o autor é dono de um domínio narrativo compartilhado por muito poucos no país. Sabe conduzir a história e explorar o "timing" de leitura.

                                                           ***

Um exemplo é como sabe usar o silêncio em trechos de suas histórias.

A ausência de palavras, marcada em um ou mais quadrinhos, acentua intencionalmente o clímax narrativo. Ora numa resposta subentendida, ora numa descoberta imprevista.

O recurso é percebido na leitura dos seis contos em sequência. O realismo também. E uma tendência a explorar temas caros ao autor, como o futebol e Rubem Braga.

O escritor é mostrado na primeira narrativa, de apenas uma página. O futebol é o campo percorrido no conto seguinte, talvez o melhor do álbum.

                                                            ***

Marcello Quintanillha assumiu o sobrenome somente depois de iniciar a carreria na Europa. Antes, assinava o primeiro nome acompanhado do apelido Gaú.

Foi como Marcello Gaú que iniciou a carreira em 1988, desenhando histórias de terror e de artes marciais para a editora Bloch, do Rio de Janeiro.

Fez depois uma série de colaborações para diferentes revistas. Em 1999, lançou seu primeiro álbum, "Fealdade de Fabiano Gorilla", uma vez mais pela Conrad.

A exemplo deste novo trabalho, a obra trazia contos de pessoas comuns. E tinha no futebol um dos temas abordados.

                                                            ***

Depois que se estabeleceu na Espanha, Quintanilha tem rareado as produções em quadrinhos publicadas aqui no Brasil.

As mais recentes foram algumas histórias curtas incluídas na revista "Zé Pereira", da Editora Casa 21. Três podem ser lidas na versão on-line da publicação.

Este blog registrava em fevereiro que este ano que seria marcado por álbuns autorais nacionais, dado o volume de obras programadas pelas editoras.

O momento favorável de nada valerá se os autores não souberem criar boas histórias. Quintanilha, pelo menos, faz a parte dele. Até aqui, é o melhor lançamento nacional do ano.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
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