30.07.09

Graffiti mescla histórias brasileiras com trabalhos de fora

 

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Novo número da revista independente mineira traz histórias de dois desenhistas sérvios e de 11 autores nacionais

 

 

 

 

 

 

 

O prato número 19 do cardápio da "Graffiti 76% Quadrinhos" traz um tempero importado. O sabor é sérvio e é trazido pelos desenhistas Maja Veselinovic e Aleksandar Zograf.

Os dois são apresentados com destaque ao cliente leitor. O sabor de fora é percebido logo na entrada e, depois, no meio da degustação.

Veselinovic aborda o papel de uma ponte para os moradores de uma pequena cidade. Zograf apresenta dois relatos que tentam fazer um jornalismo literário em quadrinhos.

O prato, não se deve deixar de mencionar, traz os tradicionais ingredientes brasileiros, preparados na já eficiente cozinha mineira, onde é produzido.

                                                          ***

Os cozinheiros mineiros mantêm, a cada novo prato oferecido aos leitores, uma regularidade rara no sabor dos quadrinhos coletivos produzidos no país.

No geral, o cliente encontra o mesmo serviço, mas com sutis mudanças na lista de opções. O garçom Eloar Guazzelli, por exemplo, continua firme e forte por lá.

A listagem do cardápio tem um ponto comum: serve quase a mesma proporção em cada uma das histórias. Algumas, é verdade, são mais bem servidas que outra.

Mas quem vai perceber isso é quem a degusta. E, tal qual o paladar, é algo subjetivo. Uns irão preferir o que é servido no começo. Outros, o prato principal. Ou a sobremesa.

                                                           *** 

O restaurante mineiro é mantido de forma independente já há alguns anos. Mas conta com lei de incentivo à cultura da Prefeitura de Belo Horizonte, o que ajuda muito.

É curioso como a cada final de refeição de uma Graffiti bem servida, fica a mesma sensação das edições anteriores, a de já ter saboreado o prato em outras paragens.

A receita parecida é da "Fierro", produzida na capital argentina, cidade que também tem um cardápio riquíssimo.

Não se trata de cópia de receita. Nada disso. É uma coincidência de ingredientes na hora da preparação. Ter receita nacional parecida com a portenha é sinal de bom apetite.

                                                          ***

Este prato da "Graffiti 76% Quadrinhos" já foi servido e degustado pelos mineiros de Belo Horizonte no começo do mês. Agora, será testado pelo paladar dos paulistas.

A receita será oferecida em duas ocasiões. Alguns dos garçons estarão nesta sexta-feira, às 19h, no +Soma, que fica na rua Fidalga, 98, na Vila Madalena.

No sábado, dia 1º de agosto, fazem novo serviço na HQMix Livraria, às 19h30. Fica na Praça Roosevelt, 142, no centro de São Paulo.

Em tempo: no sábado, também na HQMix Livraria e no mesmo horário, será lançado um informativo de autores independentes do grupo Quarto Mundo. O informativo é de graça.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h55
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27.07.09

Livros produzem híbrido de quadrinhos e literatura infantil

 

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Capa de "Diário de um Banana - Rodrick É o Cara", obra norte-americana que mescla texto com linguagem das histórias em quadrinhos 

 

 

 

 

 

 

 

Não é de hoje que se percebe o quão tênue é a fronteira entre a literatura infantil e as histórias em quadrinhos. Um dos pontos comuns é a presença de imagens.

A aposta no elemento visual tem aumentado de uns anos para cá. A ilustração deixou de ser apenas um enfeite para o texto. Ela passou a ser imprescindível para a narrativa.

Tanto que a associação dos ilustradores começa a questionar - com razão - de quem seria a autoria da obra: de quem manejou as palavras ou de quem moldou a arte.

Duas obras, lançadas de junho para cá, ajudam a nublar ainda mais essa fronteira entre as duas áreas. Ambas mesclam a narrativa em palavras com trechos em quadrinhos.

                                                          ***

O recurso, é verdade, não é inédito. Mas volta à pauta por conta dos dois títulos. Um é "Diário de um Banana - Rodrick É o Cara", de Jeff Kinney (V&R, 244 págs., R$ 32,90).

O livro é uma continuação de "Diário de um Banana", lançado no Brasil no ano passado. Nos Estados Unidos, a obra teve boa repercussão e vai ser adaptada para o cinema.

A história se ancora em Greg Heffley, um menino comum, que divide o tempo entre a família, a escola, os amigos e as confusões que a vida apresenta.

É o próprio Heffley quem narra seu dia-a-dia. O relato é feito em um diário, ganhado da mãe. As frases de Greg são intercaladas por quadrinhos, ficcionalmente feitos por ele.

 

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"Jahú - Sonho com Asas" também usa quadrinhos para narrar trechos da história 

 

 

 

 

 


O outro lançamento híbrido é o nacional "Jahú - Sonho com Asas" (Panda Books, 56 págs., R$ 28,90). A obra é escrita por Ivan Jaf e desenhada por Ronaldo Barata.

O livro narra a história real do aviador João Ribeiro de Barros (1900-1947). O piloto foi o primeiro brasileiro a cruzar o Atlântico num avião.

Apesar de real, a narrativa usa elementos ficcionais para relatar a trajetória de Barros. Ele é mostrado como uma estátua que consegue se mexer quando ninguém está olhando.

O aviador encontra o engraxate Almir, um menino que desistiu do sonho de ser advogado. Barros decide relatar sua história para mostrar que as adversidades podem ser superadas. 

                                                          ***

No enredo criado por Jaf - autor de mais de uma adaptação literária em quadrinhos -, as cenas do passado são mostradas em quadrinhos. E o engraxate Almir faz parte delas.

É outro ponto comum entre os dois livros: en nenhum momento, os quadrinhos funcionam como uma repetição do texto. Pelo contrário. Eles acrescentam elementos à narrativa.

Para as editoras, obras assim podem se tornar um bom negócio: concorrem tanto como literatura infantil como em quadrinhos nas atraentes listas compradas pelo governo. 

Do ponto de vista dos autores, trazem mais um argumento para os defensores da co-autoria. E apresentam um rico caminho estético, que nubla mais a fronteira entre as áreas. 

Escrito por PAULO RAMOS às 18h11
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23.07.09

HQ sobre Corinthians é cara demais para qualidade de menos

 

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"Timão em Estilo Mangá" conta trajetória recente da equipe paulista e é vendida em duas versões: a mais barata sai por R$ 29,90 e a mais cara, por R$ 59,90 

 

 

 

 

 

 

 

Há uma expressão muito comum que recomenda não discutir sobre preferência de time esportivo e opção religiosa. Ainda mais num país em que, para muitos, o futebol é a religião.

O dito tem muito de verdade. A torcida e a crença residem no plano do emocional, não do racional, algo que nubla um debate são. Mas, às vezes, é necessário que a razão prevaleça.

É importante ter isso em mente antes de pensar na compra de "Timão em Estilo Mangá", álbum que começou a ser vendido neste encerramento de semana.

A obra foi produzida em dois formatos. Um, de luxo e em capa dura, sai por R$ 59,90. Outra, com capa mole, R$ 29,90. Nenhuma das duas versões vale o que oferece.

                                                          ***

Independentemente do time para o qual a pessoa torce - eu, por exemplo, sou sãopaulino - , há de se reconhecer os méritos da trajetória recente do Corinthians.

O time caiu para a segunda divisão do Campeonato Brasileiro em dezembro de 2007. Retornou um ano depois. Contratou e reabilitou o atacante Ronaldo.

Neste ano, conseguiu a façanha de ser campeão paulista invicto. São superlativos que tornam a ascensão e a queda quase um roteiro pronto. E atraente.

O álbum se propõe a narrar exatamente esse período de um ano e meio na vida do time. Mas o que se lê tira o brilho da rica e saborosa história que o time tem para contar.

                                                          ***

Trata-se de um relato infantilizado e estereotipado. Alguns dos adversários do time nem são citados. Assim como as datas. Nem todas constam, mesmo as relevantes.

O ponto alto da narrativa deveria ser o retorno à primeira divisão. Os desenhos - que tentam recriar o traço dos mangás - revelam pouca emoção inclusive nesse momento.

A cena mais emotiva do relato sobre o time é o gol histórico de Ronaldo em uma partida contra o Palmeiras, que impediu o Corinthians de perder o jogo. 

Há, como se vê, problemas de roteiro. E de condução da arte, caricata na pior acepção do termo. É difícil, por exemplo, identificar o Ronaldo real no Ronaldo desenhado.

                                                          ***

Há um explícito interesse marqueteiro neste lançamento. Não há, em tese, algo de mal nisso. O time e a BB - empresa que fez a obra - querem lucrar com o produto.

Mas a história muda com relação ao conteúdo. O leitor deve sempre se pautar pela qualidade e tem direito a ela. E não encontra isso nas duas versões do álbum.

Isso torna ainda mais obsceno o preço cobrado. E transforma o marketing em oportunismo, às custas do sincero e natural interesse do torcedor corinthiano sobre o assunto.

Se imperar a razão, fuja do álbum. É caro e não faz jus ao conteúdo. Muito pelo contrário. Se a emoção falar mais forte, continue fugindo. Se não der, opte, então, pela mais barata.

                                                         ***

Nota: a penúltima página da obra anuncia mais um volume sobre o time: "Centenário em Estilo Mangá". Logo abaixo, aparece um "aguarde". Ou não, a se pautar por este álbum.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h56
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21.07.09

Álbum sobre Revolução de 32 ganha autoelogio de Serra

 

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Livro sobre a Revolução Constitucionalista foi produzido pela Imprensa Oficial, mantida pelo Estado de SP

 

 

 

 

 

 

 


Ainda há de se dar tempo ao tempo para entender todo o impacto que o Twitter está causando na forma de acesso à informação.

Mas já se percebe pelo menos uma mudança provocada pela rede relacionamentos: ela facilita o contato com opiniões de pessoas de difícil acesso, inclusive para a imprensa.

Personalidades, empresários, políticos têm aderido ao novo sistema virtual. Um dos adeptos é o governador de São Paulo, José Serra. Ou @joseserra_, como ele aparece no Twitter.

E foi lá que ele twittou, às 4h15 da madrugada do último dia 14, esta frase: "Ótima a HQ sobre a Revolução de 32, do cartunista Maurício Pestana. Saiu pela Imprensa Oficial de SP, que faz bom trabalho na área cultural".

                                                          ***

A frase - com o limite de 140 caracteres, exigência do Twitter - fazia menção ao álbum "Revolução Constitucionalista de 1932 em Quadrinhos", lançado neste mês (R$ 12).

O estranhamento do elogio é porque ele destoa do que o mesmo governador disse no começo de maio sobre o livro "Dez na Área, Um na Banheira e Ninguém no Gol".

Só relembrando: o trabalho, feito por vários autores nacionais, foi comprado pelo governo do Estado para ser levado a estudantes na faixa dos nove anos. A obra é para adultos.

O caso foi noticiado pela imprensa e, imediatamente, começou um discurso de desqualificação da obra. Sobre ela, Serra disse que era de muito mau gosto, horrível, inclusive os desenhos.

                                                          ***

Uma opinião tão oposta no Twitter instiga uma investigação mais detalhada sobre a obra, até para se ter um parâmetro mais crítico sobre como o governador vê os quadrinhos. 

Vendo a obra, percebe-se que não se trata de um elogio, mas de um autoelogio.

O álbum - como Serra registra - é da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, mantida pelo governo.

Os créditos finais do livro trazem, inclusive, o nome de Serra, na qualidade de governador. Isso ele não registra no Twitter.

                                                          ***

Na página 23, um desenho do ex-governador do Estado Mário Covas, do PSDB, mesmo partido de Serra, reforça o tom elogioso. Foi Covas quem tornou a data feriado estadual.

A impressão que fica é que a menção à obra em quadrinhos não seja gratuita. Serra, no ápice do caso Dez na Área, recebeu uma onda de mensagens de repúdio via Twitter.

O elogio seria uma forma de ecoar as críticas em sentido contrário. Mais ainda. Segundo o site do governo, o livro vai ser usado pela rede estadual de ensino.

Mesmo com o nome do governador aparecendo no expediente em ano pré-eleitoral. E Serra, não custa registrar, é pré-candidato à sucessão de Luiz Inácio Lula da Silva.

                                                          ***

É importante, no entanto, separar esta análise da obra em si, escrita e desenhada por Maurício Pestana. Ele faz exatamente aquilo a que se propõe o livro.

A proposta é explicar, de forma bem didática, o que foi a Revolução Constitucionalista de 1932, que contou com a participação armada dos paulistas contra tropas federais.

Para ajudar no tom explicativo, Pestana usa duas crianças. Por meio do diálogo delas é que são reconstruídos os eventos históricos.

O autor se baseou em fotos da época para criar as imagens de parte dos quadrinhos. E tomou o cuidado de incluir o papel dos negros na revolução, algo geralmente esquecido.

Escrito por PAULO RAMOS às 20h25
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20.07.09

Crise final traz nova história para antigo enredo

 

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Capa do primeiro número da minissérie "Crise Final", que chegou às bancas nesta segunda-feira 

 

 

 

 

 

 

 

 


O termo "crise" nos quadrinhos da editora norte-americana DC Comics é sinônimo de um desastre universal iminente que irá mexer com a realidade dos super-heróis.

É esse o enredo que pautou as duas outras minisséries que usaram o rótulo: "Crise nas Infinitas Terras", na metade da década de 1980, e "Crise Infinita", há poucos anos.

E é o que se vê, pela terceira vez, em "Crise Final". O primeiro número da minissérie começou a ser vendido neste início de semana (Panini, 36 págs., R$ 5,50).

A concepção é a mesma. Diferentes versões do planeta Terra, cada uma com uma realidade própria e paralela, correm o risco de serem extintos. E os heróis têm de impedir.

                                                           ***

No meio do caminho, como é de praxe, alguns dos personagens serão redefinidos e outros morrerão. Já há uma perda logo neste primeiro número, um integrante da Liga da Justiça.

Tantas crises, que já deveriam ter sido finais há mais de 20 anos, são respostas editoriais a dois comportamentos do mercado norte-americano de super-heróis.

Um é a necessidade de criar megaeventos que interliguem os títulos mensais da editora, de modo a turbinar as vendas de Super-Homem, Batman e companhia. 

A promessa de repaginar os heróis também tem a ver com isso. As mudanças são uma maneira de atrair novos leitores, que encontram um ponto zero para iniciar a leitura.

                                                          ***

Outro motivo que leva às sucessivas crises vistas nos últimos três anos é a concorrência. E a concorrência atende pelo nome de Marvel Comics, editora de Homem-Aranha e X-Men.

A Marvel também tem feito suas sucessivas crises. Mas, na realidade ficcional dos super-heróis da empresa, as palavras-chave são "guerra" e "secreta".

A primeira foi "Guerras Secretas", nos 1980. Houve há pouco "Guerra Civil", que pôs herói contra herói. A mais recente é "Invasão Secreta", publicada atualmente pela Panini.

Na prática, as editoras entram num círculo vicioso, difícil de escapar. Pautam tais eventos para superar uma eventual perda nas vendas. Mesmo que seja reciclando velhas fórmulas.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h32
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19.07.09

Livros trazem mangá que inspirou desenho de Speed Racer

 

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Capa do primeiro volume - de um total de dois -, que começou a ser vendido neste meio de mês 

 

 

 

 

 

 

 

 

É saudosa a tarefa de resenhar um lançamento como o dos livros que trazem as histórias em quadrinhos que serviram de base para o desenho animado de Speed Racer.

As aventuras do jovem piloto foram reunidas em dois volumes, que começaram a ser vendidos neste meio de mês em lojas de quadrinhos paulistanas (NewPOP, R$ 60).

O saudosismo está na inevitável associação da leitura com a memória visual da série, arquivada numa sala especial da memória de quem tem mais de 30 anos, meu caso.

A animação foi uma das mais vistas e comentadas na infância dessa geração. Os 52 episódios foram exibidos à exaustão pela TV aberta, em particular a Record.

                                                          ***

Sabia-se à época que a produção tinha raízes japonesas. Mas não se imaginava naqueles anos pré-internet é que o desenho havia surgido num mangá, nome dos quadrinhos de lá.

O mangá foi publicado no Japão entre 1966 e 1968. Trazia as aventuras do piloto de corridas Speed Racer. Corajoso e hábil, dirigia o carro Mach 5, desenvolvido pelo pai, Pops.

A criação do veículo e as primeiras corridas estão descritas nos dois volumes, vendidos numa caixa especial. O primeiro livro tem 296 páginas. O segundo, 328.

As histórias são do criador da série, Tatsuo Yoshida (1932-1977). A versão para a TV também é dele. O quadrinista mantinha com os irmãos uma empresa de animação.

                                                         ***

Três das histórias já haviam sido publicadas no Brasil pela editora Conrad, em 2002. O material agora trazido pela NewPOP reúne toda a série, até então inédita no país. 

A leitura dos dois volumes vai dialogar diretamente com a memória dos adultos de hoje, crianças de ontem. Há cenas e enredos reproduzidos ipsis-literis na série televisiva.

Parte das páginas iniciais serviu de base para a abertura do desenho animado. Também estão lá disputas com a equipe acrobática e corredores vilões, como Malange.

O primeiro número traz as quatro histórias que iniciaram o mangá. O segundo, outras seis. Uma delas repete, com sutis nuances, o encontro de Speed Racer com o Corredor X.

                                                          ***

Como se dizia na animação, o Corredor X era, na verdade, o irmão de Speed, Rex. Só que o protagonista não sabia disso, o que dava uma cor extra aos contatos entre eles.

O mangá traz uma espécie de desfecho na página de encerramento do segundo volume. É algo que envolve diretamente o Corredor X e sua relação com o irmão mais jovem.

O que se lê é grande parte do que se via na série, que narrou ainda mais histórias.

E corrige um fardo histórico: o de versões quadrinizadas de Speed Racer bem aquém da vista na televisão.

                                                          ***

O personagem teve passagens por diferentes editoras de quadrinhos brasileiras. As primeiras revistas traziam material produzido aqui no Ocidente.

A largada foi dada pela Editora Abril, primeiro em um especial, depois em revista própria, publicada entre 1977 e 1979. Durou 18 números.

O circuito incluíu a Escala, em 1994. A editora paulista lançou "As Novas Aventuras de Speed Racer". Teve vida curta, duas edições.

A Abril retornou ao personagem em 2000, numa minissérie em três edições. A Conrad, como já comentado, havia trazido em 2002, pela primeira vez, parte do mangá.

                                                           ***

A NewPOP havia anunciado em fevereiro que iria lançar o mangá em dois formatos. O leitor poderia comprar a caixa com os dois volumes ou os livros de forma separada.

Segundo a editora, criada há dois anos, os custos de produção de menos caixas aumentariam o preço final. A opção foi manter apenas o pacote com as duas obras.

O lado pessoal diria que este é um dos melhores lançamentos do ano. O lado jornalista, mais crítico, pede cautela. E lembra que o saudosismo pode ter nublado o superlativo.

Mas tanto o telespectador de ontem quanto o jornalista de hoje convergem para um ponto comum: dos mangás lançados neste ano até esta data, é o mais interessante.

Escrito por PAULO RAMOS às 13h45
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15.07.09

Álbuns encerram séries Predadores e Local

 

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Capa do quarto e último volume de "Predadores", que começou a ser vendido nesta semana 

 

 

 

 

 

 

 


Duas séries que se destacaram em 2008 têm suas partes finais lançadas nesta primeira quinzena de julho. Uma é a francesa "Predadores". Outra é a norte-americana "Local". 

A primeira é sobre a caça de vampiros que fincaram em postos de poder. A outra mostra a trajetória de uma jovem por diferentes cidades dos Estados Unidos.

Embora diferentes, têm em comum o encerramento lançado na mesma época ao leitor brasileiro e serem publicadas pela mesma editora, a paulista Devir.

O desfecho de "Predadores" estava programado para este segundo semestre. Mas veio antes do que o leitor imaginava. O intervalo entre este volume e o anterior foi de 15 dias.

                                                           ***

Esta quarta e última parte - que começa a ser vendida nesta semana (64 págs., R$ 29,90) - é calcada em decisões que os protagonistas têm adiado a tomar.

A ex-detetive Vicky Lenore e Aznar Akeba, filho de um dos predadores que dão título a série, têm de escolher um lado na vingança travada contra uma raça de vampiros.

Ou seguem esses seres, que se apossaram de postos-chave da sociedade, ou apoiam a luta dos caçadores de vampiros Camila e Drago, os predadores da série.

Não se pode adiantar o final. Mas pode-se dizer que a saída que encontram é diferente da esperada. E que há a volta da ação que marcou os dois primeiros volumes.

                                                          ***

O roteiro é do belga Jean Dufaux e os desenhos de Enrico Marini, suíço naturalizado italiano que tem se firmado no mercado europeu de quadrinhos.

A série francesa foi publicada entre 1998 e 2003 em quatro tomos, nome dado na Europa a cada um dos volumes de uma história narrada em partes.

A Devir lançou os dois primeiros no meio do ano passado. O terceiro, no fim de junho.

Uma dica: para entender este final, é bom ler os outros volumes. Do contrário, vai ser difícil entender a amarração dos fatos que levam a este final.

                                                           ***

"Local - Fim da Jornada" (208 págs., R$ 36,50) narra o que o título propõe: põe um ponto final nas viagens da jovem Megan McKeenan por diferentes cidades estadunidenses.

O périplo da protagonista teve início, no Brasil, no álbum "Local - Ponto de Partida", publicado pela Devir em junho de 2008. A obra trazia seis histórias, seis paradas.

Este novo volume traz as seis narrativas finais, lançadas nos Estados Unidos entre junho de 2006 e maio de 2008.

Em comum, há as viagens da personagem. Mas o tom da trama se volta mais para a vida familiar dela. Um dos problemas que tem de enfrentar é a morte da mãe.

                                                          ***

O foco nos dramas de McKeenan - visivelmente mais madura a cada nova história - são a forma que o roteirista Brian Wood encontrou para dar um porto seguro a ela.

Mas isso tira um dos pontos altos do volume anterior. As histórias iniciais mostravam não apenas a protagonista, mas a vida que ela criava em cada uma das cidades.

Isso se perde um pouco nestes capítulos finais. E tiram um pouco do ar inovador que a série e o roteiro tinham. O primeiro volume era melhor, mais intenso.

Como no álbum anterior, Wood e o desenhista Ryan Kelly trazem alguns bastidores de cada um dos capítulos. E com sugestão de trilha sonora para leitura.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h29
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11.07.09

Toque de Midas de Geoff Johns cresce histórias de Super-Homem

 

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Revista "Superman" deste mês inicia série que termina com morte de personagem ligado ao herói 

 

 

 

 

 

 

 

 

Merece um olhar mais detalhado a edição deste mês da revista "Superman", que começou a ser vendida nesta semana (Panini, 100 págs., R$ 7,50).

A publicação dá início a uma série de histórias que culmina na morte de um personagem bem próximo ao herói de Krypton. A cena será revelada no próximo número.

Há, porém, um outro apelo na edição, menos comercial ou carregado no marketing virtual dos chamados "spoilers", informações que antecipam detalhes das tramas.

A série traz uma boa história. É algo que deveria ser regra, mas que tem se tornado raro no atual momento dos quadrinhos de super-heróis norte-americanos.

                                                          ***

A série reforça máxima comum nas histórias de super-heróis: a de que não há personagem bom ou ruim. Há, pelo contrário, escritores que produzem tramas boas ou ruins.

O norte-americano Geoff Johns pertence ao grupo dos bons. E é dele o roteiro dessa sequência de Super-Homem, que inicia um confronto do herói com o vilão Brainiac.

Johns mantém uma regularidade qualitativa rara no mercado estadunidense, cheio de poucos altos e muitos baixos.

Os textos dele turbinam as vendas e, principal, crescem as histórias do herói. O toque de Midas dele tem sido lido em diferentes títulos da editora DC Comics.

                                                           ***

Um dos títulos é "Action Comics", que traz aventuras de Super-Homem. A passagem dele pela publicação teve início em 2007, em parceria com o diretor de cinema Richard Donner.

As primeiras histórias, já publicadas pela Panini, eram centradas num filho de Clark Kent e Lois Lane e já traziam algo de novo.

Sem Donner, Johns continuou com os roteiros interessantes, pautados na introdução de elementos antigos do homem de aço, mas com uma nova roupagem.

Essa tem sido, aliás, uma das marcas do roteirista. Ele consegue articular - muito bem - o histórico do personagem sem ignorar a necessidade de atualizar tais dados.

                                                           ***

Vê-se exatamente esse tom de atualização nas três histórias de "Action Comics" reunidas neste número 80 da revista "Superman". A capa já sinaliza isso com a frase "nova fase".

Ante a ameaça de um recriado Brainiac - que sequestrou uma cidade de Krypton antes de o planeta explodir -, o herói decide rumar ao espaço em busca do vilão alienígena.

As nuances do texto e dos diálogos dos personagens é o que dão o toque à narrativa. A arte realista de Gary Frank ajuda a tornar o resultado final mais atraente ao leitor.

Frank desenha Clark Kent e Super-Homem com o rosto do falecido Christopher Reeve, ator que interpretou o herói no cinema. Isso só reforça o sabor de nostalgia criado por Johns.

Escrito por PAULO RAMOS às 16h51
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08.07.09

Álbum nacional faz biografia de vidas passadas

 

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Uma das páginas de "7 Vidas", obra em que o roteirista André Diniz relata sessões de regressão das quais participou 

 

 

 

 

 

 

 


Imagine uma escada escura. A cada degrau descido, ilumina-se uma inesperada narrativa sobre possíveis vidas passadas suas. Cada descoberta guarda uma história em particular.

É isso que o roteirista carioca André Diniz propõe relatar em "7 Vidas", álbum que começou a ser vendido neste mês em livrarias e lojas de quadrinhos (Conrad; 128 págs.; R$ 26).

Ele descreve o que sentiu em sessões de regressão, vividas entre 2004 e 2005. A experiência rendeu contato com sete fragmentos do que seriam vidas anteriores dele.

O relato mescla as impressões mentais com os momentos reais que espaçaram cada uma das sessões. É uma autobiografia do hoje perpassada por biografias do ontem.

                                                          ***

Segundo a narrativa de Diniz, a decisão de participar das sessões amadureceu após ter alguns "insights" de memória. Do nada, tinha um estalo e fugia da realidade.

Uma amiga recomendou Zélia, especialista em regressões. Foi com ela que oficializou as fugas a outras realidades por meio das sessões.

Aos poucos, ele encontra o que seriam suas outras vidas. Algumas no século 20, no Brasil. Outras em países estrangeiros, em momentos históricos anteriores.

Algumas tinham em comum a perna direita, por diferentes motivos. Também sentiu a presença da esposa e da sogra próximas de si nas outras encarnações.

                                                          ***

A tarefa de transformar em imagens os relatos pessoais coube ao curitibano Antonio Eder, parceiro de Diniz em outros trabalhos em quadrinhos, o último lançado no ano passado.

A quem lê, parece o funcionamento de um controle remoto quando se assiste a um DVD.

Vê-se determinado momento da vida da pessoa. Uma voz diz: "avance adiante". A mente dá um salto para anos no futuro. Pode-se ver até o momento da morte.

Em duas ocasiões, o fim foi trágico. As pessoas foram queimadas vivas.

                                                            ***

Quando este blog antecipou o projeto, em agosto do ano passado, Diniz questionava se os relatos eram mesmo de vidas passadas ou um retorno do que se passava na mente.

Mas reforçava que isso não diminuía a experiência, fascinante e "muito mais do que meros sonhos ou exercícios de imaginação", nas palavras dele.

Independentemente do princípio que esteja por trás dos relatos, trata-se de uma atitude corajosa. Diniz se desnuda ao leitor em diferentes níveis, no pessoal e no introspectivo.

Tanto que fica clara a sua história. E a da esposa. E a de outros personagens, reais ou frutos do subconsciente. Mas é fato que são relatos singulares. Biograficamente singulares.

Escrito por PAULO RAMOS às 19h51
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05.07.09

Álbum relança queda e troca de Lanterna Verde

 

Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Histórias mostram o surgimento de um novo herói, Kyle Rainer, no lugar do Lanterna Verde tradicional, Hal Jordan 

 

 

 

 

 

 

 

Quem acompanha os quadrinhos da editora norte-americana DC Comics sabe, de antemão, que a vida do herói Lanterna Verde passou por mais de uma reviravolta nos últimos 15 anos.

E sabe também que os fatos narrados em "Lanterna Verde - Crepúsculo Esmeralda / Novo Amanhecer" (Panini, 196 págs., R$ 23,90) já foram todos revisitados e alterados.

Apesar disso, o álbum - que começou a ser vendido nas bancas na última sexta-feira - traz histórias importantes para entender a trajetória recente do personagem.

Do personagem e do momento editorial vivido pela DC na década de 1990.

                                                          ***

A editora havia percebido em 1992 que mudanças drásticas tinham forte apelo de vendas e na mídia pré-internet. A descoberta ocorreu com as histórias da morte do Super-Homem.

O homem de aço não havia morrido de verdade. No ano seguinte, ele voltaria em "O Retorno do Super-Homem", lançado por aqui, pela Abril, entre setembro e novembro de 1994.

Esse regresso mexia também com a vida do Lanterna Verde. A cidade dele, Coast City, foi totalmente destruída. As histórias deste álbum iniciam desse ponto.

Hal Hordan, o homem por trás da máscara do Lanterna Verde, enfrenta um conflito interno para mudar a tragédia. E parte em busca de poder para alterar o passado.

                                                            ***

A sequência recebeu o nome de "Crepúsculo Esmeralda" e é narrada nas três primeiras aventuras do álbum, lançadas nos Estados Unidos em 1994.

Para conseguir poder, Jordan enfrenta antigos colegas da Tropa dos Lanternas Verdes, força intergalática da qual fazia parte. O confronto dizima a tropa.

O herói, agora alçado a vilão, consegue mais poder. Sobra apenas um anel energético - marca do herói - enviado para o terráqueo Kyle Rainer, que se torna o novo Lanterna Verde.

É o começo da segunda sequência da obra, "Novo Amanhecer", que narra as primeiras aventuras do desenhista Rainer no papel do herói.

                                                           ***

Houve, claro, reclamações dos leitores mais nostálgicos. E defensores do novo dono do anel, que permite criar qualquer imagem sólida (o limite é a imaginação de quem o usa).

Rainer ficou sozinho no cargo por mais de dez anos. Até que a DC decidiu reviver todos os lanternas verdes. Inclusive Hal Jordan. A reengenharia coube ao roteirista Geoff Johns.

A série foi lançada há alguns anos no Brasil pela Panini e recriou o cenário para que Jordan voltasse a ser o Lanterna Verde oficial.

A nova fase - desenhada pelo brasileiro Ivan Reis - tem tido boa repercussão nos Estados Unidos. No Brasil, é publicada na revista mensal "Dimensão DC: Lanterna Verde".

                                                           ***

Apesar de serem datadas, as histórias desta coletânea que a Panini põe à venda neste início de mês têm seus momentos, é preciso reconhecer.

A ida de Hal Jordan para o lado do mal é marcada por assassinatos. Algo que incomoda, mesmo na releitura, quem costumava ver apenas os feitos heroicos dele.

As histórias iniciais de Kyle Rainer, escritas por Ron Marz, também guardam pelo menos uma cena marcante, uma das mais violentas das histórias de super-heróis.

Ao chegar em casa, ele encontra a namorada morta, dentro da geladeira. Foi colocada lá pelo vilão Major Força. Pretexto para mais um quebra-pau. E para assumir de vez o anel.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h27
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03.07.09

Álbum de Dahmer extrai humor da tristeza e da solidão

 

Crédito: divulgação

 

O copo servido pelo quadrinista André Dahmer é amargo. Tem gosto de solidão e tristeza.

Os dois sabores são recorrentes em sua nova coletânea, "A Cabeça É a Ilha" (Desiderata, 152 págs., R$ 34,90). Mas, contraditoriamente, ele extrai humor da fossa humana.

Tal qual uma bebida, as 238 tiras cômicas têm de ser apreciadas sem pressa. Do contrário, pode-se embriagar com o conteúdo politicamente incorreto. Ou ser convidado a pensar.

A reflexão surge após a piada. Percebe-se, em maior ou menor grau, que o riso surgiu das mazelas dos outros, como preveem autores com Henri Bergson (1859-1941).

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Pelo cardápio lido até aqui, o freguês já nota que se trata de um humor peculiar. Não é para todos. Mas tem agradado a muitos, vide o número de acessos do site de Dahmer.

A página "Malvados", criada em 2001, tem recebido mais de 1,5 milhão de visitas por mês. O boca a boca virtual já levou o autor aos jornais, caso do "Jornal do Brasil".

Desde dezembro passado, o jornal carioca deixou de publicar a série. Todas as séries, aliás. Contenção de gastos, disseram. E Dahmer continuou com o foco apenas no site.

No site e nas coletâneas. Esta é a terceira que ele lança pela Desiderata. Publicou também "O Livro Negro de André Dahmer", em 2007, e "Malvados", no ano passado.

 

Crédito: divulgação

 

As tiras com as plantinhas de "Malvados" migraram para o papel dois anos antes, numa coletânea publicada em 2005 pela editora Gênese.

As plantinhas não aparecem neste novo álbum, que reúne histórias dos dois últimos anos. Há situações totalmente novas e outras, vividas por personagens mais recorrentes.

É o caso das histórias de Ulisses, vítima de uma eterna fossa por conta do fim do relacionamento com Rebeca. Ou de Sara, a Sofrida, que sempre se dá mal com homens.

Ou ainda nas pílulas de Minidahmer, em que o autor descreve situações deprê supostamente vividas por ele.

                                                            ***

Fora das amarras temáticas de Malvados, o fluminense André Dahmer revela um processo criativo mais solto e eclético, diluído no tom melancólico nas tiras da coletânea. 

 Há também um quê autoral. Não necessariamente autobiográfico. Mas no sentido de uma autoria percebida por meio de um estilo, tanto no traço como na temática.

O desenhista diz na introdução da obra que o álbum ficou um livro estranho. "Não era o que eu pretendia, não era para ser assim. Mas já foi, Já é."

Estranho talvez. Afinal, é difícil extrair riso de uma situação depressiva. Mas há humor, bom humor, em meio à estranheza.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h21
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