Fábulas - A Marcha dos Soldados de Madeira. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "Fábulas - A Marcha dos Soldados de Madeira", álbum que começou a ser vendido nesta semana 

 

 

 

 

 

 

 

 

Era uma vez um escritor mágico chamado Bill Willingham que se juntou a um grande feiticeiro, Mark Buckingham, para transformar ideias em imagens.

Os contos místicos falavam de fábulas, como as que a gente leu durante a infância. Só que os personagens apareciam como gente grande.

(Não digam que eu contei, mas a Branca de Neve é a chefe das fábulas e gosta do Lobo Mau, que, na história, não é tão mau assim. Ah: ela espera um filho dele; só entre nós, tá?)

Lá no distante reino que tem todos os estados unidos as fábulas se apresentam todo mês. A mágica transformou as histórias em papel, do que jeitinho como foram imaginadas.

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O sucesso lá é tão grande que elas - as fábulas - ganharam até prêmio. Mais de um. Um dia, elas foram convidadas a passear pertinho da gente. Logo arrumaram as malas.

Os personagens chegaram faz cinco anos. Foram morar num casa, na maior cidade do reino Brasílis. Fica logo depois do grito de um tal de Ipiranga, perto do que a de vir.

Os donos da casa trataram muito bem os convidados. Ficaram muito felizes ao saberem que fariam três apresentações no reino. Quem viu diz que foi bem legal.

A primeira, em 2004, se chamou "Lendas no Exílio". A segunda, dois anos depois, ganhou o nome de "A Revolução dos Bichos". A terceira, no mesmo ano, foi "O Livro do Amor".

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Os proprietários da casa queriam que as fábulas continuassem a morar lá. Elas e os outros colegas que vieram juntos (um deles era um pastor). Mas foram vítimas do destino.

Elas foram levadas, à força, para viver numa selva cheia de perigos e solo em areia movediça. Lá, morava um grande dragão virtual, feito todo de pixels e de ouro.

O grande dragão virtual, feito todo de pixels e de ouro, tinha uma fome incontrolável. Queria comer tudo o que aparecia pela frente e fosse fácil de ingerir.

Ele até deixou as fábulas aparecerem. De início, bem pouquinho. Elas se mostraram apenas algumas vezes, contando histórias das mil e uma noites.

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Foi quando o grande dragão virtual, feito todo de pixels e de ouro, aceitou dar um pouco mais de liberdade a elas. Deixou que todas aparecessem uma vez por mês.

Elas ficaram todas felizes. Elas e seus fiéis seguidores espalhados por todo o reino. Mas o dragão virtual, feito todo de pixels e de ouro, foi mau, muito mau.

Dizia para as fábulas aparecerem num determinado. Só as mostrava 30 dias depois. Às vezes, com atraso de 60 dias.

Os fiéis seguidores espalhados por todo o reino começaram a se cansar. A última vez que apareceram foi há um ano. E muito rápido: nem deu tempo de terminarem o conto.

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Foi então que o grande dragão virtual, feito todo de pixels e de ouro, ficou cansado das fábulas e decidiu dar liberdade a elas.

(De novo, não digam que eu contei: no lugar, o grande dragão virtual, feito todo de pixels e de ouro, aprisionou uma menina de vestido vermelho e a transformou em adolescente...)

Todas as fábulas ficaram sem casa e sem saber aonde ir. Ficaram perambulando por aqui e por ali por um par de meses. Até que encontraram abrigo num casarão.

Os donos do lugar eram italianos, mas quem cuidava de tudo eram alguns mitos do próprio reino Brasílis. Eles disseram que iriam deixar as fábulas se apresentarem novamente.

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Elas ficaram muito felizes. Principalmente porque poderiam terminar de contar a história que haviam começado antes e que ficou sem fim. Faltavam só dois capítulos.

O único problema é que, no casarão, os horários costumam ser trocados. O café é na hora do almoço, a hora do almoço é na janta, a janta é só de madrugada.

As fábulas já perceberam isso. Elas deveriam alimentar os fiéis seguidores nas bancas e lojas de quadrinhos em dezembro. Mas a comida só ficou pronta neste começo de ano.

Os mitos que trabalham no casarão italiano viram a apresentação e dizem que é um bom ponto de começo para novos fiéis seguidores. As fábulas enfrentam um montão de soldados feitos todo de madeira, como o Pinóquio. Ah: o Pinóquio também aparece.

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Outras histórias elas têm para contar. Em qual casa? Isso só o tempo dirá...

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(É a última, juro: a apresentação das fábulas tem 244 páginas e o ingresso custa R$ 32,90... mas não digam que eu contei, tá?).