23.02.10

100 Balas ganha mais um tiro

 

100 Balas - Laços de Sangue: Crédito: reprodução do site da editora

 

 

 

 

 

 

 

Capa de "100 Balas - Laços de Sangue", álbum que começou a ser vendido neste mês

 

 

 

 

 

 

 


Tal qual um personagem clássico de histórias em quadrinhos, a série "100 Balas" custa a tombar no mercado brasileiro. Quando parecia abatida, saca um tiro extra e volta à vida.

A bala que restava no gatilho acertou bancas e lojas de quadrinhos na forma do álbum "100 Balas - Laços de Sangue", à venda desde a semana passada (Panini, 132 págs., R$ 16,90).

A obra compila os números 15 a 19 da série norte-americana, que já haviam sido publicados no Brasil em 2003 pela editora Opera Graphica, em revista própria.

Nessa sequência, um jovem, Loop, tem a oportunidade de se reconciliar com o pai, um homem malandro, que vive à margem da lei.

                                                          ***

Como ocorre sempre na série, a história tem início com o protagonista da vez recebendo do enigmático agente Graves uma mala com uma pistola e cem balas não rastreáveis.

Oficialmente, cabe à pessoa fazer o que bem entender com o material. Extraoficialmente, Graves já tem planejado o que e quem ela irá atingir com os tiros.

"100 Balas" é escrita por Brian Azzarello e desenhada pelo argentino Eduardo Risso. É o trabalho de maior destaque mundial de ambos e tem méritos que justificam uma reedição.

O difícil é acompanhar as idas e vindas editorias - a última casa havia sido a Pixel, que voltou as histórias do início. A Panini parte de onde a Pixel havia parado. Daqui pra frente? Cruzem os dedos.

Escrito por PAULO RAMOS às 18h55
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04.02.10

Joquempô dá início a série marcada por mistérios

 

Joquempô. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

Álbum nacional chega a bancas de grande porte nesta semana e está à venda em lojas de quadrinhos desde o fim de janeiro 

 

 

 

 

 

 

 

 


Se o álbum nacional "Joquempô" tivesse de ser resumido em uma palavra, a melhor síntese seria "mistério". A obra traz muitas dúvidas e uma intencional economia nas respostas.

A história criada pelos paulistas Rogério Vilela (texto) e Nelson Consentino (desenhos) dá início a uma trama e a um ambicioso projeto, que leva os  enigmas a outros volumes.

Tudo começa no metrô paulistano. Marcel, um jovem quadrinista que ficou em coma por três anos e meio, recebe uma mochila de um desconhecido. Dele, ouve apenas "Joquempô?".

Dentro, o desenhista encontra catorze objetos, aparentemente sem nenhuma ligação uns com os outros. De uma maçã a um celular, de um revólver a um cubo mágico.

                                                          ***

Ligar o que sugere cada objeto pode ajudar na busca por respostas. Desde que recebeu a mochila, Marcel é levado a um exercício de ligar pontos na forma de número em sequência.

Começou no metrô, o ponto zero. Depois, no banheiro, encontrou os números um, depois dois, três, quatro, os demais na região em torno da Avenida Paulista.

Os mistérios - apresentados, mas não revelados - se passam numa São Paulo do futuro, no Carnaval de 2014. Nesse ano, o governo decidiu ampliar a festa popular por dez dias. 

Em texto no álbum, Rogério Vilela compara a trama a um seriado de TV. Cada ano traz um enredo específico. "Joquempô" seria "o primeiro episódio da primeira temporada".

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O enigmático roteiro chega aos leitores nesta semana a bancas de grande porte e está à venda em lojas de quadrinhos desde o fim do mês passado (Devir, 56 págs., R$ 19,50).

A obra não é o primeiro trabalho na área feito por Vilela, que também é ilustrador e diretor da Fábrica de Quadrinhos, empresa que faz vídeos e animações para a internet.

Ele já teve trabalhos publicados nos Estados Unidos e em coletâneas de autores nacionais. Uma delas, "Fábrica de Quadrinhos", de 2001, também foi lançada pela Devir.

Neste novo projeto, o escritor cumpre a meta a que se propõe, a de lançar mistérios e deixar o leitor tão curioso quanto o protagonista. As respostas? Só nos próximos episódios.

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"Joquempô" é um dos dez trabalhos selecionados em 2008 no edital de incentivo à produção de histórias em quadrinhos, mantida pela área de cultura do governo paulista.

A regra de seleção prevê que 200 exemplares sejam entregues ao Estado. Reside aí outro mistério: como a obra será lida pela administração do tucano José Serra, que já explicitou no ano passado uma visão conservadora em relação aos quadrinhos?

O álbum traz alguns palavrões e mostra duas vezes um envelhecido de Lula, chamado de Lúcio Fernando da Silva, candidato à reeleição. Mais: traz o PCC (Primeiro Comando da Capital) na administração de um bairro que isola as favelas do restante da cidade.

Novo Paraíso, isolado com a construção de grandes muros, teve a criminalidade paulista reduzida, o oposto do que se noticiou nesta semana no mundo real. São dados que não expõem a melhor face de um pré-candidato à presidência. E pagos pelo próprio governo.

Escrito por PAULO RAMOS às 12h53
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