27.04.10

Criminal inicia trama policial escrita por Ed Brubaker

 

Criminal. Crédito: divulgação

 

 

 

 

 

 

 

Série norte-americana, lançada em álbum pela Panini, narra história do ponto de vista do bandido

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O escritor norte-americano Ed Brubaker já soma um currículo de boas histórias no circuito dos super-heróis que credencia um voto de confiança para "Criminal".

A série roteirizada por ele estreia neste fim de mês no Brasil (Panini, 148 págs., R$ 39). "Criminal  Volume 1: Covarde" reúne os cinco primeiros números da história.

O tom é semelhante a outros trabalhos de Brubaker, conhecido hoje por títulos como "Demolidor" e "Capitão América" (foi ele quem "matou" o herói).

É uma costura de elementos que vão sendo desenrolados página a página, edição a edição. E que tem no mistério o fio condutor que fisga e atiça a curiosidade do leitor.

                                                          ***

"Criminal", como tantas outras histórias e filmes policiais, inverte o foco narrativo: prefere o bandido aos detetives. Com um diferencial: o vilão é mais do bem que os policiais.

O protagonista é Leo Patterson, conhecido no meio por planejar meticulosamente cada operação, observando sempre o ponto fraco da segurança do objeto a ser roubado. 

Outra característica dele é ter sempre uma rota de fuga caso algo sai do controle. Por isso, é visto por muitos como covarde - adjetivo que intitula este primeiro conjunto de histórias.

Neste início da trama, Patterson se une a um grupo de policiais corruptos para roubar uma bolada em diamantes. Durante o roubo, uma inesperada reviravolta dá início à história.

                                                         ***

"Criminal" é um dos títulos da Icon, selo da Marvel Comics voltado a trabalhos autorais e direcionados a um leitor mais adulto - este álbum traz uma recomendação para maiores.

É uma história bem amarrada, que prende o leitor, como tantas outras de Brubaker. É correta e premiada nos Estados Unidos, mas não é nada excepcional.

Excepcionalidade que justificaria o tratamento editorial dado ao álbum, com papel especial e capa dura, qualidades que encarecem a obra ao leitor. Mas não é o caso.

Só para ficar num exemplo nos mesmos moldes: outro álbum da Panini, "Loveless", também com cinco histórias, tem capa cartonada e sai por R$ 16,90, menos da metade do preço. Editora e leitor fariam melhor negócio se "Criminal" tivesse o mesmo tratamento.

Escrito por PAULO RAMOS às 15h32
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25.04.10

Loucas de Amor narra bastidores de livro-reportagem

 

Loucas de Amor em Quadrinhos. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Álbum traz oito histórias, desenhadas por Fido Nesti, que mostram fragmentos da apuração feita pelo jornalista Gilmar Rodrigues 

 

 

 

 

 

 

 


É comum os seriados norte-americanos de sucesso gerarem crias, outras séries com parte dos atores do elenco original. Há exemplos à exaustão: "Frasier", "Joey", "Angel".

Ocorre um diálogo assim com "Loucas de Amor em Quadrinhos", álbum nacional que começou a ser vendido neste mês (Ideias a Granel, 76 págs., R$ 18).

A obra funciona como um complemento de "Loucas de Amor", livro-reportagem escrito por Gilmar Rodrigues, lançado no fim de 2009 também pela Ideias a Granel (160 págs., R$ 33).

É como se um fosse continuação do outro. Para entender os relatos em quadrinhos, é preciso compreender e ter tido acesso, antes, à história escrita pelo jornalista.

                                                        ***

"Loucas de Amor" é o resultado de quatro anos de pesquisa e de cerca de cem entrevistas. O objetivo da reportagem em forma de livro é sintetizado no subtítulo: "Mulheres que Amam Serial Killers e Criminosos Sexuais".

Rodrigues relata no prefácio que a fagulha para se enfronhar no tema foi a descoberta de que o Francisco de Assis Pereira, o Maníaco do Parque, recebia cartas de amor.

A estranheza é pelo crime que levou Pereira à prisão: ter abusado sexualmente de várias mulheres e ter matado dez delas. Matado e comido, literalmente, parte do corpo delas.

O Maníaco do Parque chegou a se casar com uma das mulheres que escreviam para ele. 

                                                         ***

A pesquisa de Gilmar Rodrigues revelou outros casos semelhantes. As loucas de amor relatam justamente essas histórias. 

Os casos são permeados por histórias curtas em quadrinhos, que mostram os bastidores da apuração. A ideia partiu da esposa do jornalista, segundo ele relata no prefácio do livro.

"Nos quadrinhos, desenhados por Fido Nesti, produzi uma espécie de making of do livro, temperado com algumas informações obtidas durante as entrevistas, com a intenção de oferecer um alívio, uma janela de respiração dentro de um tema denso."

O livro-reportagem traz quatro relatos biográficos do jornalista feitos em quadrinhos, que, de fato, suavizam o teor da obra, ao mesmo tempo em que a singularizam pelo uso do recurso.

                                                         ***

O dado curioso, de bastidor, é que a presença das narrativas jornalísticas em quadrinhos encontrou muita resistência das editoras. De acordo com Rodrigues, valeu a teimosia.

"Diziam coisa do tipo ´quadrinho só é conhecido por um grupo restrito´, ´não imagino assunto que combine menos com quadrinhos do que o tema que vocês abordam´, ´que desenhos vulgares!´, ou então diziam simplesmente: ´quadrinhos?´com uma cara de estranheza como se tivessem flagrado o próprio pai vestido de lingeire dançando cancã", diz, no prefácio do álbum em quadrinhos.

Visão, no mínimo, estreita das editoras, como prova o álbum. Valeu a resistência do jornalista gaúcho, que hoje mora no Rio de Janeiro, onde trabalha como roteirista para a TV Globo.

O texto deste "Loucas de Amor" não é a primeira experiência de Rodrigues com quadrinhos. Há 20 anos, ele foi um dos editores da revista "Dundum", produzida em Porto Alegre.

A publicação gerou polêmica por ter usado papel cedido pela prefeitura. A oposição viu no caso uma oportunidade para acusar a gestão municipal de mau uso do dinheiro público.

                                                         ***

Os desenhos do paulista Fido Nesti, ao contrário do que disse um dos editores que avaliaram a obra, não tem nada "vulgares". Ao contrário, resumem com precisão os relatos.

Nesti tem ainda poucos trabalhos em quadrinhos, alguns publicados no exterior. O álbum é sua produção mais eloquente na área e só confirma o talento dele em ascensão.

"Loucas de Amor em Quadrinhos" reedita quatro histórias do livro-reportagem e traz outras quatro inéditas. Isso acentua ainda mais o diálogo entre as duas obras.

É melhor começar a leitura pela reportagem para, depois, migrar para os bastidores do álbum, isso se o leitor encontrar - nem lojas de quadrinhos tradicionais têm. O livro, ao contrário, já consta no catálogo das livrarias e pontos de venda da área.

                                                         ***

"Loucas de Amor em Quadrinhos" foi um dos dez projetos selecionados em 2008 no edital paulista de produção de quadrinhos. Outro projeto foi "Jambocks", resenhado abaixo.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h31
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23.04.10

Jambocks dá início a história sobre a Segunda Guerra

 

Jambocks! Parte 1: Prelúdio para a Guerra

 

 

 

 

 

 

 

 

Álbum de Celso Menezes e Felipe Massafera tem lançamento nesta sexta-feira à noite no Rio de Janeiro

 

 

 

 

 

 

 

 

Parte-se da premissa de que só se pode emitir um parecer mais preciso sobre determinada obra após ela ser lida por completo.

Tal parecer fica nublado após a leitura de "Jambocks! Parte 1: Prelúdio para a Guerra" (Zarabatana, 48 págs., R$ 30), álbum nacional que tem lançamento nesta sexta-feira à noite no Rio de Janeiro - já houve um primeiro lançamento em São Paulo.

A obra constroi os alicerces para a participação da Força Aérea brasileira na Segunda Guerra Mundial. Faz o que o subtítulo promete: um prelúdio.

Exatamente por ser o começo de uma narrativa bem maior, fica comprometida uma análise mais precisa da obra como um todo. O que se pode fazer é apenas emitir impressões.

                                                         ***

O álbum narra a história a partir dos olhos de Max, um jovem que pretende escrever sobre a guerra. Acaba sendo convocado. Sugere-se que é ele quem vai narrar os demais volumes.

Paralelamente, o leitor vê os motivos que levaram o então presidente Getúlio Vargas a permitir a entrada do país na Segunda Guerra Mundial, após acordo com os EUA.

A farta pesquisa bibliográfica e visual - apresentada no final da obra - pode ser um dos motivos que levaram os autores a dividir a história em mais de um volume.

Outra explicação pode estar no prazo apertado. Os desenhos, por exemplo, transitam por diferentes estilos, de um detalhamento à la Alex Ross a páginas menos minuciosas.

                                                          ***

Tal leitura encontra reforça em depoimento do desenhista de obra, o paulista Felipe Massafera, nos agradecimentos: "Este primeiro volume é só um tira-gosto, feito meio ´às presssas´, infelizmente, mas espero que funcione".

Funciona. Mas fica a impressão - limitada por conta dos motivos expostos no início da resenha - de que funcionaria melhor se a história toda fosse reunida num volume único.

Massafera e Celso Menezes, o roteirista do álbum, já falam em outras três partes. Só após a leitura de todos os capítulos é que será possível avaliar, com precisão, a obra em si.

"Jambocks!" foi um dos dez projetos selecionados em 2008 no edital paulista de produção de histórias em quadrinhos. O incentivo foi renovado em 2009 e, uma vez mais, neste ano.

                                                          ***

A próxima resenha do blog vai abordar outro trabalho selecionado no edital paulista de quadrinhos: "Loucas de Amor em Quadrinhos", de Gilmar Rodrigues e Fido Nesti.

                                                          ***

Serviço -  Lançamento de "Jambocks! Parte 1: Prelúdio para a Guerra". Quando: hoje (23.04). Horário: a partir das 19h. Onde: Livraria Travessa do Shopping Leblon. Endereço: rua Afrânio de Melo Franco, 290, loja 205 A, Rio de Janeiro. Quanto: R$ 30.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h19
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21.04.10

Bordados repete fórmula narrativa de Persépolis

 

Bordados, de Marjane Satrapi. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

Capa do novo trabalho da iraniana Marjane Satrapi, que retoma os relatos autobiográficos em quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

Bordado é o nome dado no Irã para a maneira como as mulheres se "recosturam" para contornar a perda da virgindade. Em geral, para esconder do futuro marido.

A expressão, usada no plural, intitula o novo trabalho de Marjane Satrapi (Quadrinhos na Cia., 136 págs., R$ 35) e dá o tom da obra, a mais picante da quadrinista iraniana.

A autora relembra um encontro entre ela, a mãe, a avó, uma tia e outras mulheres durante o samovar, conhecida reunião regada a chá.

Os assuntos abordados por elas são a relação de cada uma com os relacionamentos e, principalmente, com o sexo.

                                                         ***

O tema das conversas ganha outra cor quando se lembra o histórico de como as mulheres são tratadas no país, numa posição social mais sujeita aos homens.

Falar de sexo, abertamente, é ao mesmo tempo um registro importante para quem não é versado na cultura do país e um grito de emancipação delas, mesmo que a quatro paredes.

Os relatos vão de histórias de pura liberação sexual a outras, de literal submissão, como o fato de algumas delas se casarem sem mesmo conhecer o marido.

O caso mais gritante dos reflexos da cultura do país é o de uma das mulheres, que teve quatro filhos sem nunca ter visto um pênis. Explicação: o marido fazia sexo no escuro.

                                                          ***

Em "Bordados", Satrapi retorna a seu país de origem e retoma o tom autobiográfico usado em "Persépolis", álbum que a tornou (re)conhecida e ainda sua melhor obra.

O novo trabalho é bem mais pontual. Fica apenas nas conversas picantes entre as mulheres. As fugas para outros cenários ocorrem por meio dos relatos delas.

O livro em si é revelador, embora repita o molde narrativo usado pela autora em seus trabalhos anteriores. Além de "Persépolis", ela usou o recurso em "Frango com Ameixas".

Exatamente por usar a mesma fórmula, fica a inevitável impressão de que a autora procura prolongar o sucesso de "Persépolis", repetindo à exaustão fragmentos de sua vida.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h32
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16.04.10

Banzo e Benito são dois personagens bem legais

 

Banzo & Benito. Crédito: divulgação

 

Eu não sabia direito quem que era o Banzo e quem era o Benito. O Allan Sieber (o cara que faz o prefácio do livro) diz que o Banzo é o tigre e que o Benito é o jacaré.

Mas o legal é que eles são como a gente, falam e tudo mais. Estão sempre arrumando confusão ou tirando sarro um da cara do outro. Que nem acontece com os amigos.

O livrinho (porque ele foi feito num tamanho mais comprido) traz 50 historinhas dos dois.

Lá está escrito que os quadrinhos tinham saído antes da "Folha de S.Paulo", na parte que traz coisas para as crianças. As tiras (é assim que se chama?) são de 2004 a 2009.

                                                          ***

As historinhas são cheias de humor. Elas foram feitas por um desenhista chamado MZK (o livro não diz qual é o verdadeiro nome dele).

No fim, um texto diz que o MZK criou o Banzo e o Benito em 2000. E que ele já foi bastante coisa: fanzineiro, ilustrador, pintor, maraquista (o que é?), disc jockey e quadrinista.

As piadinhas são bem legais. Elas foram feitas para as crianças. Mas gente grande também pode ler. É que nem este texto. Feito com linguagem de criança, mas adulto também lê.

Faltou dizer que o livrinho é da editora Zarabatana e que já está à venda. Tem 64 páginas e custa R$ 34. Vai ter um lançamento neste sábado em São Paulo. Veja aí embaixo.

                                                         ***

Serviço - Lançamento de "Banzo e Benito", de MZK. Quando: sábado (17.04). Horário: 19h30. Onde: HQMix Livraria. Endereço: Praça Roosevelt, 142, centro de São Paulo. Quanto: R$ 34.

Escrito por PAULO RAMOS às 11h47
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12.04.10

Álbum detalha vida polêmica de Kiki de Montparnasse

 

Kiki de Montparnasse. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

Obra, à venda no Brasil, venceu em 2008 o Angouleme, principal premiação francesa de quadrinhos

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nos meses de janeiro, a imprensa especializada em quadrinhos - este blog inclusive - costuma dar voz aos premiados no Festival Internacional de Quadrinhos de Angouleme, principal premiação da área na França e uma das mais importantes do mundo.

Os nomes dos trabalhos vencedores costumam ser ilustres desconhecidos dos leitores brasileiros, dado que pouquíssimos deles são publicados pelas editoras daqui.

Uma das obras que conseguiu furar esse bloqueio é "Kiki de Montparnasse", à venda nas livrarias e lojas de quadrinhos (Galera Record, 416 págs., R$ 54,90).

O álbum faz uma biografia da polivalente artista francesa e havia vencido o Angouleme de 2008 na categoria Fnac SNCF Essential, espécie de destaque na área de quadrinhos.

                                                         ***

A obra faz jus ao prêmio. Detalha a trajetória de Alice Prin (1901-1953), da infância pobre aos últimos dias, também vividos sem dinheiro e às custas da ajuda de outros.

O livro pauta cada um dos 30 capítulos em um ano específico. São momentos-chave, pinçados por conta da curiosidade ou da revelância da vida da protagonista.

Os mais detalhados são os da década de 1920, auge profissional da artista e quando começou a ser conhecida pelo apelido que a consagrou.

Um pouco roliça e com um nariz pontudo, Kiki entrou para o circuito artístico francês por conta do trabalho de modelo-vivo. Posava, nua, para diferentes pintores e fotógrafos.  

                                                        ***

A capa é baseada numa de suas fotos mais famosas, "O violino de Ingres", tirada por Man Ray, norte-americano com quem conviveu durante alguns anos. 

O fotógrafo foi um de seus amores. Houve outros, e muitos amantes, até o relacionamento com uma mulher. Costumava ser paparicada. Envolveu-se com drogas e com bebida.

O modo de vida pessoal, aliado à atuação profissional - foi também pintora, atriz, cantora -, revelava uma mulher independente, ousada, bem à frente da época em que vivia.

Essa visão, de uma pessoa além de seu tempo, é o tom que os autores, o escritor José-Louis Bocquet e o desenhista Catel Muller, procuraram dar à biografia.

                                                          ***

Em entrevista a Telio Navega, no blog "Gibizada", Bocquet diz que a obra surgiu por acaso. Ele e Catel iam discutir num almoço outro projeto. No caminho, viram, numa livraria, o lançamento de uma reedição com histórias da artista.

"Já conhecíamos a sua figura mítica, mas foi ali que descobrimos os desenhos. E sentimos, eu e Catel, uma empatia pela Kiki desenhista", explica o escritor.

"Ao fim do almoço, abandonamos nosso projeto original e decidimos contar, a partir dos traços de Kiki, os loucos anos 1920."

A decisão levou à leitura de obras sobre Kiki. Os vários livros consultados constam na bibliografia, no final do álbum, e serviram de base para representar a vida dela.

                                             ***

É bem possível que muitos dos diálogos tenham sido imaginados por Bocquet e que haja neles tons mais ficcionais. Mas servem de base para narrar o que de fato ocorreu.

O resultado cumpre o que o projeto promete ao leitor: uma porta de entrada para a polêmica vida da artista, pouco conhecida no Brasil, assim como as obras francesas.

O senão do livro é por conta da versão nacional. Páginas muito finas vazam parte dos quadrinhos da página seguinte. Não é algo que comprometa a leitura, mas, pelo preço estipulado, era de se esperar um tratamento editorial mais bem cuidado.

Alguém também precisa avisar aos editores que "scénario" é usada pelos franceses para designar de quem é o roteiro. Foi traduzida, na obra, como "cenário" de Bocquet.

Escrito por PAULO RAMOS às 10h52
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06.04.10

Alvo Humano, a série; Alvo Humano, a HQ

 

Alvo Humano. Crédito: reprodução

 

 

 

 

 

 

 

 

Personagem da DC Comics foi adaptado para a TV; série entretém, mas foge das características lidas nos quadrinhos 

 

 

 

 

 

 

 

 

É de se esperar que uma adaptação - até pelo sentido da palavra - mexa em elementos do original para recriá-lo em outra linguagem. "Alvo Humano", a série, faz jus à premissa.

O seriado que estreou no Brasil na noite dessa segunda (Warner Channel, 23h) usa o título da história em quadrinhos homônima e o nome do protagonista. Não muito mais que isso.

O mote da versão em quadrinhos era ver os disfarces usados por Christopher Chance para se passar pelas pessoas que corriam risco e, por isso, contratavam seus serviços.

Na TV, os contratos foram mantidos. Mas a concepção do alvo-humano foi mudada. Em vez dos disfarces, Chance se aproxima da vítima para pegar o criminoso em ação.

                                                         ***

Embora diferente da história quadrinística em que se baseou, a série funciona. É uma história de ação, sem maiores pretensões, bem ao estilo cinema-pipoca.

No episódio de estreia, Chance protege uma empresária (Tricia Helfer, atriz de "Battlestar Galactica"), envolvida nos testes de um trem-bala.

Alguém tenta matá-la durante a viagem inaugural. Ela, porém, divide o papel de alvo-humano com seu protetor, contratado especificamente para defendê-la e agarrar o matador.

O papel-título ficou com Mark Valley, que interpretou um dos advogados da divertida série "Justiça sem Limites". Em "Alvo Humano", ele conta com dois ajudantes, um deles especialista em acessos virtuais (Jackie Earle Haley, o Rorschach do filme "Watchmen").

                                                          ***

Esta não é a primeira vez que "Alvo Humano" é levado para a TV na forma de seriado. Houve outra tentativa, exibida em 1992. Durou apenas dois meses.

Nos quadrinhos, o personagem da editora norte-americana DC Comics surgiu em 1972. Foi criado pela dupla Len Wein e Carmine Infantino.

No Brasil, a última aparição de Christopher Chance ocorreu no álbum "Alvo Humano", lançado pela extinta editora Opera Graphica em 2006.

A obra reunia as quatro partes de uma minissérie, escrita por Peter Milligan e desenhada por Edwin Bilikovic. O herói ganhou uma série própria nos Estados Unidos, inédita por aqui.

Escrito por PAULO RAMOS às 01h17
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04.04.10

Álbum reapresenta Transmetropolitan ao leitor brasileiro

 

Transmetropolitan. Crédito: reprodução do blog da Panini

 

 

 

 

 

 

Obra reedita as seis primeiras histórias do jornalista, conhecido pelo estilo politicamente incorreto

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fazia tempo que Spider Jerusalém não dava as caras em alguma publicação nacional. Um álbum, agora, reapresenta o jornalista politicamente incorreto ao leitor brasileiro.

"Transmetropolitan - De Volta às Ruas" (Panini, 148 págs., R$ 45) começou a ser vendida em lojas de quadrinhos neste feriadão. A obra reedita as seis primeiras histórias, lançadas nos Estados Unidos entre o fim de 1997 e o início do ano seguinte.

As tramas iniciais firmam as bases para a série e já engatam os temas das reportagens que ele faz para sua coluna de jornal. Tudo no estilo dele, ou seja, subjetivo ao máximo.

Numa tentativa de comparação, seu modo de trabalho segue muito do que prega o jornalismo gonzo: participativo, em primeira pessoa. No caso dele, com violência também.

                                                           ***

O personagem não reporta apenas, opina. Não se limita à entrevista e à apuração, não raras vezes bate na pessoa (e apanha também, justiça seja feita).

Seu modus operandi o tornou famoso e garantiu a ele um contrato para escrever dois livros. Jerusalém não fez nenhum. Optou por ficar cinco anos recluso, numa montanha.

Quando o cumprimento do acordo começa a falar mais alto, ele abandona a vida longe de todos e retorna à grande metrópole, sua principal inspiração para a escrita.

Consegue uma coluna, dinheiro, um apartamento e, na primeira matéria, retoma a popularidade de antes. Mesmo que a contragosto - ele diz que a fama o afasta da verdade.

                                                          ***

Como as histórias se passam no futuro, os temas das colunas do jornalista funcionam como metáforas para o presente. Religião, discriminação racial, tudo ganha ares atuais.

Menos parte da tecnologia. O escritor da série, Warren Ellis, já vislumbrava um mundo informatizado antes da virada do século e procurou inserir as inovações na série.

Alguns resultados, relidos hoje, destoam da realidade. Um exemplo é o laptop de Spider Jerusalém. O formato é um híbrido de teclado de computador com máquina de escrever.

Outro caso é o do programa "Word", que precisa ser acessado por meio de créditos de uso. Apesar de não acertar britanicamente no que viria a se concretizar ao longo da década seguinte, Ellis tentou se pautar no que era palpável ou uma tendência à época.

                                                         ***

O resultado é uma série divertida, descompromissada, muito por conta das atitudes porralocas do protagonista. Visualmente, Darick Robertson fez  talvez seu melhor trabalho.

Mas um alerta para os leitores de primeira viagem: não é para todos os gostos. Uma dica: a editora disponibilizou on-line a primeira história. Leia. Se te fisgar, parta para o álbum.

Para o leitor de ontem, não há muita novidade. As seis histórias haviam sido publicadas numa minissérie da Tudo em Quadrinhos em 1999 e nos três números iniciais de "Transmetropolitan", lançada pela Brainstore em 2002. A revista foi cancelada na edição 15.

Era uma época em que se pagava muito caro para ler a série. As revistas da Brainstore tinham cerca de 30 páginas e custavam R$ 6,90. Nesse retorno, a Panini seguiu caminho parecido: optou pela capa dura, o que tende a aumentar o preço final para o leitor.

Escrito por PAULO RAMOS às 22h32
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